Título: PROPOSTAS PEDAGÓGICAS DO SINDICATO DOS BANCÁRIOS DE
CURITIBA DIANTE DAS MUDANÇAS DO MUNDO DO TRABALHO - UM
ESTUDO DE CASO
Área Temática: Educação e Trabalho
Autor: ELZA MARIA CAMPOS (1)
Instituição: Universidade Federal do Paraná - Mestrado em Educação
O texto que apresentamos faz parte de uma abordagem ainda inicial de
nossa pesquisa do curso de Mestrado da UFPR. Insere-se no campo da
relações entre Educação e Trabalho, no atual contexto das contradições
inerentes ao modo de produção capitalista.
Por se constituir em trabalho que começa ainda suas aproximações do
objeto de pesquisa, apresenta dúvidas e questionamentos, e está permeado
pelos sonhos próprios dos pesquisadores que continuam acreditando na utopia
da sociedade igualitária e de realização plena para todos os trabalhadores.
No dizer de Bihr (1998,p.9), “Ocupar-se do movimento operário faz você
passar, geralmente, por um utópico atrasado que, conforme seu temperamento
e seu grau de conformismo político, seu interlocutor interpretará como
característica de doce sonhador que se prende nostalgicamente às antigas
ilusões, ou de perigoso adepto da ‘luta de classes’, pronto para perturbar a
quietude da paz civil”. Parece-me que esta afirmação retrata a maioria das
diversas produções feitas no campo da educação e do trabalho (2) e que
buscam não somente elaborar um diagnóstico das realidades, mas
fundamentalmente mexer na ferida e apontar perspectivas para superar a
realidade adversa aos trabalhadores.
A pesquisa que estamos iniciando busca analisar as práticas educativas
do Sindicato dos Bancários de Curitiba (3), mais precisamente o programa de
qualificação e requalificação profissional para bancários e ex-bancários que, de
1996 a 1998, passaram por este programa (2606 trabalhadores que foram
demitidos e trabalhadores que permanecem nos postos de trabalho). Uma das
questões que afloram é verificar se as transformações do mundo do trabalho,
decorrentes da conformação do novo padrão de acumulação do capital, se
constituiriam em elementos determinantes da elaboração de um programa pelo
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Sindicato capaz de possibilitar a reincorporação dos bancários(as) ao mundo
do trabalho, ou ainda de conferir aos que estão empregados condições de
escaparem à demissão (conforme está enunciado nos objetivos do projeto do
Sindicato). Constitui, pois, uma das intenções deste trabalho estudar a
efetividade destes cursos a partir de entrevistas com trabalhadores que
participaram deste processo. Serão a pressão da base da categoria bancária e
a crescente necessidade de preservar postos de trabalho frente às investidas
do capital alguns dos fatores que vem fazendo com que a entidade sindical
assuma ações que historicamente são de responsabilidade do Estado, após
anos de lutas e conquistas dos trabalhadores? Em que medida o Sindicato, que
foi organizado para a defesa dos interesses imediatos e também históricos dos
trabalhadores, por se encontrar neste quadro de relações de força, aquiesce
em desenvolver práticas educativas similares aos projetos dos marcos da
sociedade capitalista?
Estas questões, e outras que irão se gestando a partir da imersão no
objeto de pesquisa, pretendemos analisar, buscando não respostas ou
soluções, mas fundamentalmente construir explicações, entendo as mediações
entre a parte e a totalidade, como orienta Kuenzer (1998). Para compreender
esta realidade com base em literatura geral e específica sobre a categoria
bancária, estamos realizando pesquisa em materiais produzidos pela Entidade
Sindical no período já delimitado e pelo DIEESE, que tem farta produção a
respeito das transformações no campo do trabalho, e em especial na categoria
bancária. Pretendemos com isto identificar as dimensões pedagógicas
presentes no programa de qualificação e requalificação dos bancários e exbancários através de um estudo de caso, aplicando entrevistas semiestruturadas e abrindo espaços para complementação de informações pelos
(as) entrevistados(as).
A partir destas primeiras indagações, e construído o referencial inicial
para a problematização, depreendemos que os impactos das inovações
tecnológicas, as mudanças nas bases materiais, nas relações de trabalho e do
emprego/desemprego, nas formas de controle e exercício da acumulação
capitalista, promoveram uma reestruturação no setor bancário, levando a
categoria, através de seu intelectual orgânico (4) - o Sindicato –, a adotar
ações de resistência e novos direcionamentos políticos. Diante das profundas
2
modificações no mundo do trabalho, afetando a “classe-que-vive-do trabalho”,
e considerando ser a categoria bancária uma das mais organizadas do ponto
de vista sindical, tanto a nível nacional como regional (5) (cujo Sindicato é
filiado à Central Única dos Trabalhadores) (6), como o Sindicato dos Bancários
vem enfrentando este processo de reestruturação da economia? Que
alternativas tem o Sindicato frente ao desemprego crescente em sua
categoria? Que práticas educativas vem buscando para o enfrentamento
destas mudanças?
O delineamento da pesquisa
Para realizar esta pesquisa, buscamos estudar a literatura relativa ao
tema, como já explicitado acima. Como o período a ser estudado centra-se
entre 1994 e 1998, consideramos ser fundamental entrevistar os presidentes
do Sindicato das duas gestões (7), de 1993 a 1995 e de 1995 a 1998, os
secretários de formação destas duas gestões (8), quatro trabalhadores
bancários que participaram de cursos do Sindicato e que se encontram em
seus postos de trabalho e 8 trabalhadores demitidos que participaram dos
cursos do Sindicato, 4 trabalhadores que foram demitidos enquanto estavam
no curso e 4 trabalhadores demitidos do Banco do Brasil que participaram do
programa de demissão voluntária (PDV), visto ter sido este uma política de
implementação da reestruturação produtiva naquele banco e estar inserido no
contexto que pretendemos analisar. Além disso, o Sindicato buscou atuar
através de seu programa de qualificação e requalificação para o trabalho de
curso de “iniciação profissional e novas oportunidades de negócios” justamente
para trabalhadores que foram demitidos em função do PDV.
A fase atual da pesquisa constitui-se na análise dos objetivos e da
temática dos cursos, surgindo como indagações: os cursos são oferecidos
porque existe uma pressão dos trabalhadores, em função de um ponto de vista
deliberadamente massificado de que somente trabalhadores qualificados terão
“empregabilidade”? Ou então que, em função de existirem recursos do FAT,
recursos formalmente destinados a “amparar” os trabalhadores, nada mais
justo que sejam disponibilizados para os trabalhadores? É devido ao acelerado
processo de reestruturação da economia, trazendo o aumento do desemprego
3
e a extinção de postos de trabalho, que o Sindicato vê-se forçado a
redirecionar sua ação para incluir atividades que são de responsabilidade do
Estado?
Muitos questionamentos surgem no início do delineamento de uma
pesquisa, mas resumidamente é necessário pontuar algumas questões a
respeito do processo mais geral das mudanças do mundo do trabalho e da
categoria bancária neste contexto, para, depois, tentar examinar certos
aspectos apontados pelos dirigentes sindicais para justificar a realização dos
cursos.
Qualificação e requalificação no Brasil de hoje
Quando desnudou-se por completo a crise do modelo fordista de
acumulação, por ocasião da primeira crise “clássica” de superprodução pós-2ª
Guerra, em 1974-75, o sistema capitalista viu-se diante da necessidade de
procurar saídas, tendo então recuperado espaço e prestígio o velho ideário
liberal, agora adjetivado de “neo”. Mas esse ideário também reconquistou
hegemonia porque ocorreu uma reconstituição das bases econômicas e sociais
de um capital financeiro poderoso. Segundo François Chesnais (1996), que
emprega o termo “mundialização” financeira ao invés de “globalização”, o
regime atual está mais próximo do imperialismo clássico, vai no sentido do
aprofundamento de seus traços, sendo um dos mais fortes o parasitismo do
capital financeiro. Com efeito, o capital financeiro vive de retiradas sobre as
riquezas criadas na produção e geralmente não está interessado em investir na
instalação de novas capacidades produtivas. Ao mesmo tempo, esse capital
parasitário não tolera a força dos trabalhadores e seus sindicatos, nem o nível
de gastos com o “welfare state” ou tampouco taxações sobre o capital e altas
rendas pessoais.
A realidade do nosso país, particularmente nos últimos 5 anos, quando
se desenvolveram com mais intensidade as políticas chamadas neoliberais,
revela uma situação de grave dependência econômica, guiada pela mais livre e
desenfreada lógica de mercado.
O desemprego, um fenômeno conhecidamente inerente ao modo de
produção capitalista, constitui o grande desafio do momento, prostrando no
4
desespero imensos e crescentes contingentes de trabalhadores neste final de
milênio.
O novo pensamento liberal gestado em boa parte nas escolas
americanas de administração trouxe a idéia da “flexibilidade” como uma das
respostas para a crise capitalista iniciada na década de 70, uma fórmula para
ajustar a força de trabalho a um novo modelo de acumulação capitalista e às
demandas diversificadas do livre mercado, promovendo modificações no
mercado de trabalho, subcontratações, contratos temporários, precarização
das condições de trabalho, e os modernos “enxugamentos” dos quadros de
trabalhadores das empresas (“re-engenharias”, “downsizing”).
No Brasil, a aplicação da receita neoliberal vem configurando uma
realidade devastadora, levando à aniquilação de vários direitos e conquistas
históricas dos trabalhadores. Além da ação intensificada do governo federal, os
grandes meios de comunicação têm desempenhado eficiente papel na
massificação da “verdade única” do pensamento neoliberal, surgindo adeptos
(explícitos ou velados) desse ideário também no interior da classe
trabalhadora.
Sob a orientação do Consenso de Washington (9), países como o Brasil
e outros da América Latina foram enquadrados para aplicar as políticas
definidas por organismos internacionais como o FMI e o Banco Mundial,
predominantemente influenciados pelo governo norte-americano. O Brasil,
através de seu governo, vem acatando estas orientações, resultando em
condições de pauperização cada vez maior dos trabalhadores.
Nestes marcos, a categoria bancária tem sido das mais afetadas pelo
impacto das mudanças. Somente nos anos 90 foram eliminados 348.096
postos de trabalho (10). O desemprego no setor bancário explica-se por duas
razões básicas, uma conjuntural e outra estrutural. Segundo PRADO (1998, p.
4), com o Plano Real houve um processo de demissão de natureza estrutural
relacionada às mudanças tanto tecnológicas como gerenciais e de organização
do trabalho no setor.
Para SEGNINI (1998, p.9), esta realidade explica-se através da “grande
reestruturação do próprio capitalismo, que se expressa através de um ideário
neoliberal cada vez mais centrado no mercado”. É a intervenção direta do
Estado no sentido de permitir essa liberalização do mercado. O Proer é um
5
exemplo concreto, possibilitando uma série de fusões e incorporações com
recursos do próprio Estado para o sistema financeiro. E a reestruturação
produtiva nos bancos faz parte desta reestruturação do capitalismo. Encontrase à disposição dos grupos dominantes a tecnologia que possibilita o
desenvolvimento dos processos de trabalho e a extinção de postos de trabalho.
Os processos de trabalho mais avançados substituem o trabalho humano.
Marx. e Engels dedicaram seus estudos à compreensão do nascimento
do capitalismo, seu amadurecimento e a criação de novas máquinas, que
progressivamente substituem o trabalho do homem e tornam excedentes
consideráveis contingentes de trabalhadores. Na indústria têxtil do início do
modo de produção capitalista, Marx já identificava o inexorável e contínuo
aperfeiçoamento das máquinas, capazes de substituir o trabalho de mais de
250 homens pelo de apenas um trabalhador.
Na atualidade, a análise de Marx encaixa-se à perfeição; para os
banqueiros, em especial, que tem como única perspectiva reduzir custos e
acumular capital-moeda, a tecnologia é um “achado”. Para SEGNINI (1998),
tanto a tecnologia como as novas formas de organização do trabalho (os
programas de qualidade total, re-engenharia, just-in-time, downsizing etc) têm
como objetivo reduzir custos e intensificar a produtividade.
Diante das novas tecnologias e novas exigências de qualificação, as
tarefas do trabalhador bancário tornaram-se mais complicadas? Na análise de
Liliana Segnini, o serviço ficou mais simplificado. Hoje, o gerente de
atendimento só precisa apertar um botão no computador e as informações já
aparecem. Como explicar então a necessidade de qualificação, considerando
que, no setor bancário, mais de 60% dos trabalhadores têm curso superior (11)
e até cursos de especialização em variadas áreas? Para o sistema financeiro é
necessário que haja competição, que se disponha de funcionários com perfil de
competidor, que o bancário procure ser melhor que o colega do lado, melhor
que o seu colega de departamento. A sua agência tem que ser melhor que a
outra agência do mesmo banco. A sua agência tem que ser melhor que as
outras agências e seu banco tem que ser melhor que os outros bancos. Este
modo de pensar é, aliás, parte importante da doutrinação imposta aos
trabalhadores de empresas japonesas, destacadamente a partir da emergência
do modelo toyotista. Esta é a lógica explicitamente perversa do capital, em que
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os trabalhadores são empurrados para competir entre si, porque o seu
emprego depende de sua produtividade e, muito mais que isto, depende da
lucratividade do banco. Os trabalhadores acabam trabalhando em feriados,
finais de semana, e tem que atender os clientes no horário e local definido por
este cliente. Algumas funções, como a de gerente, tem que se amoldar aos
horários do cliente, e este indivíduo não tem horário disponível para si ou sua
família, segundo informações prestadas por diretores do Sindicato. Como
entender, em meio a esta lógica, os cursos de qualificação e requalificação dos
trabalhadores? Em que medida estes cursos atendem a uma lógica do
trabalho? O Sindicato então, por estar pressionado pela lógica do capital e no
afà de responder às angústias de sua categoria, decide realizar cursos de
qualificação e requalificação da força de trabalho? Ainda é incipiente a
abordagem destas questões e reconhecemos os sinceros esforços da direção
do Sindicato para contrapor-se às adversidades impostas aos trabalhadores.
Qual a base de formulação destes cursos?
Para entender a relação das propostas do Sindicato nesta conjuntura, é
útil também conhecer as propostas de formação da Central a que esta entidade
sindical se filia. O Sindicato dos Bancários é filiado à CUT, desde 1993, época
em que, segundo Tumollo (1998), a Central passa a ter em seu programa de
formação sindical a inclusão da formação profissional. Este autor, a partir de
uma análise rigorosa da política nacional de formação da CUT desde sua
fundação, argumenta entre outras análises que a estratégia da CUT em
aprovar o desenvolvimento de uma política de formação profissional se
justificava nos próprios documentos da Central em aliar a formação
profissional,
ou
a
qualificação/requalificação
profissional,
direta
e
imediatamente com o desemprego. Foi então, em 1993/1994, a partir das
resoluções do 5o CONCUT, que a Central aprova a inclusão da formação
profissional e que tinha como objetivo “a superação de alguns entraves que se
apresentavam antagônicos à estratégia de organicidade pretendida pela
Política Nacional de Formação” (12).
Na pesquisa que estamos realizando, uma das justificativas de um
diretor do Sindicato é a necessidade de utilizar os recursos do FAT para o
desenvolvimento deste programa, argumentando que “a categoria bancária é
prioritária nestes projetos por estar passando por enxugamento, (...) e porque
7
estes cursos chamam a atenção da base e os bancários estão cobrando (‘o
ano que vem não vai ter curso?’)”. Outros argumentos tem sido levantados pela
direção do Sindicato, sendo principal a problemática do desemprego que vem
afetando a categoria, e consequentemente o Sindicato é cobrado para dar uma
resposta.
Intenta este estudo analisar as dimensões pedagógicas das práticas
educativas do Sindicato dos Bancários inscritas neste programa de
qualificação/requalificação profissional, identificar em que medida tais cursos
têm contribuído para uma reconversão profissional ou para a manutenção do
emprego e verificar se têm avançado além da qualificação profissional, ou seja,
se inserem em seus conteúdos a formação politécnica (13).
Por outro lado, a temática da qualificação surge neste contexto como
resposta dos grupos dominantes ou hegemônicos, para justificar que os
trabalhadores não conquistam empregos porque são despreparados para o
trabalho, tornando-se frequente o uso do termo “empregabilidade” (14) para
designar a medida da capacitação dos trabalhadores para competir por postos
no mercado de trabalho.
Os objetivos inscritos na política de emprego no Brasil, a partir do
PLANFOR (Plano Nacional de Formação do Ministério do Trabalho),
transparecem esta compreensão da “empregabilidade” com os programas de
qualificação e requalificação profissional desenvolvidos com recursos do FAT.
Soares (1999, p. 12) afirma que “A propaganda da qualificação como elevação
da ‘empregabilidade’ cria expectativas, transfere a responsabilidade do
desemprego para o trabalhador, gerando o sentimento de insuficiência e
incapacidade. Contrariar isto seria promover, no interior dos cursos e dos
sindicatos o debate como processo de conhecimento, fundamentado na
compreensão, sobre os fenômenos sociais deste final de século e que dizem
respeito, também, ao mundo do trabalho”.
Entendemos que o Sindicato dos Bancários de Curitiba - que se tem
apresentado como uma organização de luta não só para sua categoria, mas
como instrumento para uma nova hegemonia (15), por se colocar
historicamente a serviço das reivindicações dos demais setores subalternos tem tanto a tarefa da luta pelo emprego como a da construção efetiva da utopia
futura de uma sociedade igualitária. Como analisar o papel do Sindicato e dos
8
dirigentes sindicais neste processo do ponto de vista de uma ação educativa?
Como o Sindicato tem trabalhado a formação de sua categoria na construção
de uma nova cultura e um novo sentido ao trabalho humano, como sinaliza
Frigotto (1998), na apresentação de seu texto na ANPED? Nossa pesquisa
tenciona também abordar esta interrogação.
Notas
(1) Mestranda no curso de pós-graduação do Setor de Educação da
Universidade Federal do Paraná.
Área Temática – Educação e Trabalho.
Endereço:Av. Cândido de Abreu, 180 - ap. 81 - Curitiba/PR - (041)225-2449;
campos@educação.ufpr.br
(2) Esta afirmação é vinculada aos estudos e artigos que tivemos a
oportunidade de estudar até o momento e que vem buscando traçar análises
referentes a “reestruturação produtiva” e seus reflexos nos processos de
trabalho e na educação.
(3) O período a ser analisado compreende os anos de 1994 a 1998, que,
conforme pesquisas realizadas pelo DIEESE e pelo Sindicato, está
demonstrado como o de intensificação das demissões e de extinção de postos
de trabalho, em virtude das transformações do mundo do trabalho e da
implementação com mais intensidade do projeto neoliberal. O Sindicato dos
Bancários de Curitiba tem em sua base 14 mil trabalhadores, sendo 10 mil
sindicalizados (71%), ou seja, um significativo contingente de filiados,
comparando-se ao número de trabalhadores filiados a outros sindicatos da
Central Única dos Trabalhadores. Informações do 6º CECUT (Congresso
Nacional da CUT) demonstraram que, de 19.451.589 trabalhadores na base
dos sindicatos filiados a esta Central, 6.028.620 são sindicalizados,
representando 30,99% em relação à base.
(4) Sobre o intelectual orgânico, Gramsci explica: “Cada grupo social, nascendo
no terreno originário de uma função essencial no mundo da produção
econômica, cria para sí, ao mesmo tempo, de um modo orgânico, uma ou mais
camadas de intelectuais que lhes dão homogeneidade e consciência da própria
função, não apenas no campo econômico mas também no social e no político
(...)” (Gramsci, 1989, p.3).
(5) Já colocado o dado sobre sindicalização.
(6) A Central Única dos Trabalhadores, fundada em agosto de 1983, em São
Bernardo do Campo, nasceu em contraposição ao sindicalismo de conciliação
de classes, como parte do processo de luta contra a ditadura militar instaurada
pelo golpe de 1964. É reconhecida por sua atuação combativa, defende o
sindicalismo classista e de luta. Possui 2570 sindicatos filiados em todo o país
(dados do 6º CONCUT). Compõe-se de várias tendências do campo da
esquerda em sua organização.
(7) O Sindicato dos Bancários de Curitiba - após duas tentativas com chapas
de oposição a diretorias anteriormente identificadas com uma conformação
conservadora segundo informações de diretores atuais -, a partir de 1993
elegeu sua primeira diretoria identificada com a Central Única dos
9
Trabalhadores, sendo até hoje o mesmo agrupamento que o dirige,
modificando suas direções nas três eleições realizadas até esta data.
(8) Informações de dirigentes do Sindicato dão conta de que na gestão de 1995
a 1998 foi constituído um coletivo de formação, cuja entrevista pretendemos
realizar.
(9) Pacto estabelecido em 1990 na capital norte-americana por economistas do
governo dos EUA, FMI e Banco Mundial e que contou com a presença de uma
economista brasileira.
(10) Segundo estudos do DIEESE, linha Bancários, e da Secretaria de Estudos
Sócio-Econômicos (Sese) do Sindicato dos Bancários de São Paulo.
(11) Este dado encontra-se no levantamento realizado pelo Sindicato dos
Bancários de Curitiba e pela Confederação Nacional dos Bancários(CNB-CUT)
– Perfil do Bancário.
(12) Proposta de tese (abril de 1999) à 9ª Plenária Nacional da CUT, a ser
realizada em agosto, em São Paulo.
(13) Sobre a politecnia ver as contribuições de Machado (1992) e Kuenzer
(1992)
(14) Segundo SOARES (1999), o elemento empregabilidade surge como
conjunto de condições que o indivíduo deve possuir para conseguir ou para
manter-se no emprego, condições que o atual governo brasileiro alega
indispensáveis para o trabalhador no moderno mercado de trabalho
“flexibilizado”.
(15) A questão da hegemonia perpassa toda a obra teórica de Gramsci, em
particular em “Os intelectuais e a organização da cultura”, “Maquiavel, a política
e o Estado Moderno” e “Concepção dialética da história”.
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