1
RELATÓRIO DE PESQUISA
ASSÉDIO MORAL NO TRABALHO: IMPACTOS SOBRE A
SAÚDE DOS BANCÁRIOS E SUA RELAÇÃO COM
GÊNERO E RAÇA
Regina Heloisa Maciel
Suzineide Rodrigues de Medeiros
Luís Saraiva Neves
Andréa da Hora
Francisco Gonzaga Bitu
Tereza Cristina Ferreira de Souza
Sindicato dos Bancários de Pernambuco
CONTRAF
2006
2
SUMÁRIO
SUMÁRIO .......................................................................................................................... 2
Lista de Figuras................................................................................................................... 4
Lista de Tabelas ................................................................................................................ 12
1
Objetivos ................................................................................................................... 14
2
Método ...................................................................................................................... 14
3
2.1
População e Amostra ........................................................................................ 14
2.2
Questionário...................................................................................................... 22
2.3
Procedimento .................................................................................................... 23
Resultados ................................................................................................................. 24
3.1
Considerações Iniciais ...................................................................................... 24
3.2
Características da Amostra ............................................................................... 24
3.2.1
Diferenças de Gênero................................................................................ 30
3.2.2
Diferenças entre as Regiões ...................................................................... 36
3.2.3
Diferenças em Relação ao Tipo de Banco ................................................ 40
3.3
Situações Constrangedoras ............................................................................... 44
3.3.1
Duração das Agressões ............................................................................. 57
3.3.2
Freqüência das Agressões ......................................................................... 59
3.3.3
Agressores: tipo e número ........................................................................ 62
3.3.4
Acredita que o(a) agressor(a) tem consciência do que faz ....................... 77
3.3.5
Falou com alguém a respeito das agressões.............................................. 81
3.4
Assédio Sexual................................................................................................ 107
3.5
Organização do Trabalho e Fatores Psicossociais .......................................... 113
3.5.1
Controle sobre o trabalho........................................................................ 124
3.5.2
Aspectos Psicossociais e Clima Organizacional..................................... 128
3.5.3
Reestruturação na empresa ..................................................................... 134
3.6
Sintomas de Distúrbios Psicológicos (SRQ20)............................................... 136
3
4
5
3.6.1
Relação entre o SRQ20 e as situações constrangedoras ......................... 142
3.6.2
Relação entre o SRQ20 e Organização do Trabalho .............................. 145
Discussão ................................................................................................................ 149
4.1
Principais Diferenças de Gênero..................................................................... 150
4.2
Diferenças Relacionadas à Raça/Etnia............................................................ 152
4.3
Diferenças Relacionadas à Orientação Sexual................................................ 152
Conclusões .............................................................................................................. 154
ANEXO........................................................................................................................... 155
4
Lista de Figuras
Figura 1: Distribuição de bancários(as) na população e amostra por região. ................................ 18
Figura 2: Porcentagem dos(as) participantes segundo o tipo de banco. ........................................ 25
Figura 3: Histograma das idades dos(as) participantes. ................................................................ 25
Figura 4: Porcentagem dos(as) participantes segundo a faixa etária............................................. 25
Figura 5: Porcentagem dos(as) participantes por sexo. ................................................................. 27
Figura 6: Porcentagem dos(as) participantes por escolaridade...................................................... 27
Figura 7: Porcentagem dos(as) participantes por estado civil. ...................................................... 27
Figura 8: Porcentagem dos(as) participantes quanto à orientação sexual. .................................... 28
Figura 9: Porcentagem dos(as) participantes quanto à raça/etnia.................................................. 29
Figura 10: Porcentagem dos(as) participantes quanto a ser ou não chefe de família. ................... 30
Figura 11: Porcentagem dos(as) participantes por sexo e região .................................................. 31
Figura 12: Porcentagem dos(as) participantes por sexo e tipo de banco....................................... 31
Figura 13: Porcentagem dos(as) participantes por sexo e idade.................................................... 32
Figura 14: Porcentagem dos(as) participantes por sexo e orientação sexual................................. 32
Figura 15: Porcentagem dos(as) participantes por sexo e raça/etnia............................................. 33
Figura 16: Porcentagem dos(as) participantes por sexo e raça/etnia, considerando apenas dois
grupos ............................................................................................................................................ 33
Figura 17: Porcentagem dos(as) participantes por sexo e escolaridade. ....................................... 34
Figura 18: Porcentagem dos(as) participantes por sexo e estado civil. ......................................... 35
Figura 19: Porcentagem dos(as) participantes por sexo e ser/não ser chefe de família................. 35
Figura 20: Porcentagem dos(as) participantes por sexo, ser chefe de família e região ................. 36
Figura 21: Porcentagem dos(as) participantes por região e tipo de banco. ................................... 37
Figura 22: Porcentagem dos(as) participantes por região e faixa de idade ................................... 37
Figura 23: Porcentagem dos(as) participantes por região e raça/etnia. ......................................... 38
Figura 24: Porcentagem dos(as) participantes por região e escolaridade...................................... 39
Figura 25: Porcentagem dos(as) participantes por região e estado civil. ...................................... 39
Figura 26: Porcentagem dos(as) participantes por região e ser/não ser chefe de família.............. 40
Figura 27: Porcentagem dos(as) participantes por tipo de banco e faixa de idade........................ 41
Figura 28: Porcentagem dos(as) participantes por tipo de banco e raça/etnia............................... 41
5
Figura 29: Porcentagem dos(as) participantes por tipo de banco e raça/etnia, considerando apenas
dois grupos. ................................................................................................................................... 42
Figura 30: Porcentagem dos(as) participantes por tipo de banco e escolaridade. ......................... 42
Figura 31: Porcentagem dos(as) participantes por tipo de banco e estado civil. ........................... 43
Figura 32: Porcentagem de respostas a cada uma das situações de constrangimento propostas no
questionário ................................................................................................................................... 45
Figura 33: Média do número de situações constrangedoras relatadas por tipo de banco.............. 46
Figura 34: Média do número de situações constrangedoras relatadas por sexo. ........................... 46
Figura 35: Média do número de situações constrangedoras relatadas por sexo e estado civil. ..... 47
Figura 36: Porcentagem de escolhas de duas das situações constrangedoras por sexo................. 47
Figura 37: Média do número de situações constrangedoras relatadas por região ......................... 48
Figura 38: Porcentagem de escolhas de quatro das situações constrangedoras por região ........... 49
Figura 39: Média do número de situações constrangedoras relatadas por idade........................... 49
Figura 40: Porcentagem de escolhas de quatro das situações constrangedoras por idade............. 50
Figura 41: Média do número de situações constrangedoras relatadas por orientação sexual........ 51
Figura 42: Porcentagem de escolhas de quatro das situações constrangedoras por orientação
sexual............................................................................................................................................. 51
Figura 43: Média do número de situações constrangedoras relatadas por raça/etnia.................... 52
Figura 44: Porcentagem de relatos de situações constrangedoras por raça/etnia, considerando
apenas dois grupos......................................................................................................................... 53
Figura 45: Média do número de situações constrangedoras relatadas por escolaridade ............... 54
Figura 46: Porcentagem de escolhas de três das situações constrangedoras por escolaridade...... 54
Figura 47: Média do número de situações constrangedoras relatadas por estado civil ................. 55
Figura 48: Porcentagem de escolhas da situação “Seu chefe atribui a você erros imaginários” por
estado civil..................................................................................................................................... 55
Figura 49: Média do número de situações constrangedoras relatadas por ser/não ser chefe de
família............................................................................................................................................ 56
Figura 50: Porcentagem de escolhas de três das situações constrangedoras por ser/não ser chefe
de família....................................................................................................................................... 56
Figura 51: Número de situações relatadas por duração das agressões .......................................... 57
Figura 52: Média da duração das agressões por idade .................................................................. 58
Figura 53: Média da duração das agressões por sexo.................................................................... 58
Figura 54: Porcentagem das respostas à pergunta sobre a freqüência de ocorrência das agressões
....................................................................................................................................................... 59
6
Figura 55: Porcentagem da freqüência de ocorrência das agressões por tipo de banco ................ 60
Figura 56: Porcentagem de escolhas de quatro das situações constrangedoras por freqüência das
agressões........................................................................................................................................ 61
Figura 57: Média do número de situações constrangedoras relatadas por freqüência de ocorrência
das agressões ................................................................................................................................. 61
Figura 58: Média da duração das agressões por sua freqüência.................................................... 62
Figura 59: Média do número de situações relatadas por ser agredido(a) por outras pessoas além
do chefe ......................................................................................................................................... 63
Figura 60: Média da duração das agressões por ser agredido(a) por outras pessoas além do chefe
....................................................................................................................................................... 64
Figura 61: Média do número de situações relatadas pelo número de pessoas que agridem(a) ..... 64
Figura 62: Média da duração da agressão pelo número de pessoas que agridem.......................... 65
Figura 63: Porcentagem de escolhas de quatro das situações constrangedoras por “por quantas
pessoas é agredido” ....................................................................................................................... 67
Figura 64: Porcentagem de respostas a “por quantas pessoas é agredido” por sexo ..................... 67
Figura 65: Porcentagem das respostas sobre quem é o(a) agressor(a) .......................................... 68
Figura 66: Porcentagem das respostas sobre o tipo de agressor.................................................... 68
Figura 67: Porcentagem das respostas ao tipo de agressor “superior hierárquico” por região...... 69
Figura 68: Porcentagem das respostas aos tipos de agressores “superior hierárquico” e
“subordinados” por tipo de banco ................................................................................................. 70
Figura 69: Porcentagem das respostas ao tipo de agressor “conjunto de colegas” por orientação
sexual............................................................................................................................................. 70
Figura 70: Porcentagem das respostas ao tipo de agressor “superior contra todos” por raça/etinia
....................................................................................................................................................... 71
Figura 71: Porcentagem das respostas ao tipo de agressor “subordinado” por escolaridade ........ 71
Figura 72: Porcentagem das respostas aos tipos de agressores “conjunto de colegas” e “superior
contra todos” por estado civil ........................................................................................................ 72
Figura 73: Porcentagem das respostas ao tipo de agressor “subordinado” por ser/não ser chefe de
família............................................................................................................................................ 72
Figura 74: Porcentagem das respostas sobre o tipo de agressor por sexo ..................................... 73
Figura 75: Porcentagem das respostas sobre o tipo de agressor por região................................... 73
Figura 76: Média do número de situações relatadas por tipo de agressor ..................................... 74
Figura 77: Porcentagem de escolhas de três das situações constrangedoras por tipo de agressor. 75
7
Figura 78: Porcentagem das respostas sobre o tipo de agressor por “é agredido por outros além do
chefe”............................................................................................................................................. 75
Figura 79: Porcentagem das respostas sobre o tipo de agressor e “por quantas pessoas é agredido”
....................................................................................................................................................... 76
Figura 80: Porcentagem das respostas sobre o tipo de agressor por sexo do agressor .................. 76
Figura 81: Porcentagem das respostas sobre “acredita que o agressor tem consciência” ............. 77
Figura 82: Percentagem das respostas à “acredita que o agressor tem consciência do que faz”por
escolaridade ................................................................................................................................... 78
Figura 83: Média de situações relatadas por “acredita que o agressor tem consciência do que faz”
....................................................................................................................................................... 78
Figura 84: Porcentagem de escolhas das situações constrangedoras por “acredita que o agressor
tem consciência do que faz” .......................................................................................................... 80
Figura 85: Porcentagem das respostas sobre “acredita que o agressor tem consciência do que faz”
na situação onde o(a) agressor(a) é identificado(a) com o(a) superior(a) hierárquico(a).............. 81
Figura 86: Porcentagem de respostas à pergunta com quem falou sobre a agressão..................... 82
Figura 87: Porcentagem de respostas a ter/não ter falado sobre a agressão com outras pessoas por
sexo................................................................................................................................................ 82
Figura 88: Porcentagem de respostas “falou com a família sobre a agressão” por região ............ 83
Figura 89: Porcentagem de respostas a três das possibilidades de “com quem falou sobre a
agressão” por tipo de banco........................................................................................................... 83
Figura 90: Porcentagem de respostas a três itens de “com quem falou sobre a agressão” por idade
....................................................................................................................................................... 84
Figura 91: Porcentagem de respostas “falou com o sindicato sobre a agressão” por escolaridade 84
Figura 92: Porcentagem de respostas aos itens de “com quem falou sobre a agressão” por estado
civil................................................................................................................................................ 86
Figura 93: Porcentagem de respostas a itens de “com quem falou sobre a agressão” por ser/não
ser chefe de família........................................................................................................................ 86
Figura 94: Porcentagem de respostas a “não falou sobre a agressão” por situações
constrangedoras relatadas.............................................................................................................. 89
Figura 95: Porcentagem de respostas a “falou com a família sobre a agressão” por situações
constrangedoras relatadas.............................................................................................................. 90
Figura 96: Porcentagem de respostas a “falou com os amigos sobre a agressão” por situações
constrangedoras relatadas.............................................................................................................. 91
8
Figura 97: Porcentagem de respostas a “falou com pessoa da empresa sobre a agressão” por
situações constrangedoras relatadas .............................................................................................. 92
Figura 98: Porcentagem de respostas a “falou com RH sobre a agressão” por situações
constrangedoras relatadas.............................................................................................................. 93
Figura 99: Porcentagem de respostas a “falou com sindicato sobre a agressão” por situações
constrangedoras relatadas.............................................................................................................. 94
Figura 100: Porcentagem de respostas a “falou com associação de funcionários sobre a agressão”
por situações constrangedoras relatadas ........................................................................................ 95
Figura 101: Porcentagem de respostas a “falou com médico do trabalho sobre a agressão” por
situações constrangedoras relatadas .............................................................................................. 96
Figura 102: Porcentagem de respostas a “falou com associação de assédio sobre a agressão” por
situações constrangedoras relatadas .............................................................................................. 97
Figura 103: Média do número de situações relatadas por “com quem falou sobre as agressões”. 98
Figura 104: Porcentagem de respostas a “com quem falou sobre a agressão” por freqüência das
agressões........................................................................................................................................ 98
Figura 105: Porcentagem de respostas a “com quem falou sobre a agressão” por ser agredido por
outros além do chefe...................................................................................................................... 99
Figura 106: Porcentagem de respostas a “com quem falou sobre a agressão” por “por quantas
pessoas é agredido” ..................................................................................................................... 100
Figura 107: Porcentagem de respostas a “com quem falou sobre a agressão” pelo tipo de agressor
colega........................................................................................................................................... 102
Figura 108: Porcentagem de respostas a “com quem falou sobre a agressão” pelo tipo de agressor
conjunto de colegas ..................................................................................................................... 102
Figura 109: Porcentagem de respostas a “com quem falou sobre a agressão” pelo tipo de agressor
superior hierárquico..................................................................................................................... 103
Figura 110: Porcentagem de respostas a “com quem falou sobre a agressão” pelo tipo de agressor
superior contra todos ................................................................................................................... 103
Figura 111: Porcentagem de respostas a “com quem falou sobre a agressão” pelo tipo de agressor
subordinado ................................................................................................................................. 104
Figura 112: Porcentagem de respostas a “com quem falou sobre a agressão” pelo tipo de agressor
conjunto de subordinados ............................................................................................................ 104
Figura 113: Porcentagem de respostas a “falou com RH sobre a agressão” pelo gênero do
agressor........................................................................................................................................ 105
9
Figura 114: Porcentagem de respostas a “com quem falou sobre a agressão” por “o agressor tem
consciência do que faz”. .............................................................................................................. 106
Figura 115: Porcentagem de respostas ao tipo de agressão sexual.............................................. 107
Figura 116: Porcentagem de respostas ao assédio sexual por sexo. ............................................ 108
Figura 117: Porcentagem de respostas positivas ao assédio sexual por tipo de banco................ 108
Figura 118: Média do número de relatos de situações constrangedoras e exposição a assédio
sexual........................................................................................................................................... 109
Figura 119: Porcentagem de respostas positivas ao assédio sexual por situações constrangedoras
relatadas....................................................................................................................................... 111
Figura 120: Porcentagem de respostas ao assédio sexual por tipo de agressor ........................... 112
Figura 121: Porcentagem de respostas ao assédio sexual por “acredita que o agressor tem
consciência do que faz” ............................................................................................................... 112
Figura 122: Porcentagem de respostas positivas aos itens de dificuldades encontradas no trabalho
..................................................................................................................................................... 113
Figura 123: Porcentagem de respostas positivas aos itens relacionados à opinião sobre a chefia
..................................................................................................................................................... 114
Figura 124: Porcentagem de respostas positivas sobre o estilo da chefia. .................................. 114
Figura 125: Média de itens relatados de dificuldades no trabalho por situações constrangedoras
relatadas....................................................................................................................................... 116
Figura 126: Média de situações constrangedoras relatadas e dificuldades no trabalho............... 116
Figura 127: Tomada de decisões por tipo de banco .................................................................... 117
Figura 128: Tomada de decisões por “seu chefe prejudica a sua saúde” .................................... 118
Figura 129: Tomada de decisões por média de situações constrangedoras relatadas.................. 118
Figura 130: Médias nos índices de estilos de chefia por tipo de banco....................................... 119
Figura 131: Médias nos índices de estilos de chefia por região .................................................. 120
Figura 132: Médias nos índices estilos de chefia por idade. ....................................................... 120
Figura 133: Médias nos índices de estilos de chefia por escolaridade. ....................................... 121
Figura 134: Médias nos índices estilos de chefia por ser/não ser chefe de família ..................... 122
Figura 135: Médias nas escalas estilos de chefia por cinco das situações constrangedoras relatadas
..................................................................................................................................................... 123
Figura 136: Número de situações constrangedoras relatadas e estilos de chefia......................... 124
Figura 137: Porcentagem das respostas sobre o controle do trabalho ......................................... 124
Figura 138: Porcentagem das respostas sobre o controle do trabalho por região........................ 125
Figura 139: Porcentagem das respostas sobre o controle do trabalho por tipo de banco ............ 126
10
Figura 140: Média do número de situações constrangedoras relatadas e controle sobre o trabalho
..................................................................................................................................................... 126
Figura 141: Média da duração das ocorrências de agressão e controle sobre o trabalho ............ 127
Figura 142: Porcentagem das respostas sobre o controle do trabalho e freqüência das agressões
..................................................................................................................................................... 127
Figura 143: Porcentagem das respostas sobre o controle do trabalho e ser agredido por outros
além do chefe............................................................................................................................... 128
Figura 144: Porcentagem de respostas aos itens relacionados aos fatores psicossociais do trabalho
..................................................................................................................................................... 129
Figura 145: Média na escala “clima de trabalho” por tipo de banco........................................... 129
Figura 146: Média na escala “clima de trabalho” por seis das situações constrangedoras ......... 130
Figura 147: Média na escala “clima de trabalho” pela média do número de situações relatadas 131
Figura 148: Média na escala “clima de trabalho” por freqüência das agressões......................... 131
Figura 149: Média na escala “clima de trabalho” por “é agredido por outros além do chefe” ... 132
Figura 150: Média na escala “clima de trabalho” por “por quantas pessoas é agredido” ........... 132
Figura 151: Média na escala “clima de trabalho” por agressor ................................................... 133
Figura 152: Média na escala “clima de trabalho” por tipo de agressor ....................................... 133
Figura 153: Média na escala “clima de trabalho” por ter sido assediado sexualmente ............... 134
Figura 154: Média na escala “clima de trabalho” por percepção do controle sobre o trabalho .. 134
Figura 155: Porcentagens de respostas aos itens do questionário de sintomas psicológicos
(SRQ20)....................................................................................................................................... 136
Figura 156: Porcentagem de bancários(as) com estresse segundo o SRQ20. ............................. 137
Figura 157: Pontuação no SRQ20 por sexo ................................................................................ 138
Figura 158: Porcentagem dos(as) participantes segundo estar/não estar estressado no SRQ20 por
sexo.............................................................................................................................................. 138
Figura 159: Porcentagens de respostas aos itens do questionário de sintomas psicológicos
(SRQ20) por sexo........................................................................................................................ 139
Figura 160: Pontuação no SRQ20 por região.............................................................................. 140
Figura 161: Porcentagem dos(as) participantes segundo estar/não estar estressado no SRQ20 por
região ........................................................................................................................................... 140
Figura 162: Pontuação no SRQ20 por tipo de banco .................................................................. 141
Figura 163: Porcentagem dos(as) participantes segundo estar/não estar estressado no SRQ20 por
tipo de banco ............................................................................................................................... 141
Figura 164: Pontuação no SRQ20 por idade ............................................................................... 141
11
Figura 165: Pontuação no SRQ20 por seis das situações constrangedoras ................................. 142
Figura 166: Número de situações constrangedoras relatadas por número de sintomas relatados no
SRQ20 ......................................................................................................................................... 143
Figura 167: Média da duração das agressões por sintomas no SRQ20 ....................................... 143
Figura 168: Média do número de situações constrangedoras relatadas por condição de estresse144
Figura 169: Assédio sexual por sintomas no SRQ20 .................................................................. 144
Figura 170: Resultados no SRQ20 e dificuldades no trabalho. ................................................... 146
Figura 171: Resultados no SRQ20 e tomada de decisões. .......................................................... 146
Figura 172: Resultados no SRQ20 e estilo de chefia voltado para as pessoas. ........................... 147
Figura 173: Resultados no SRQ20 e estilo de chefia voltado para a produção. .......................... 147
Figura 174: Resultados no SRQ20 e escala do clima de trabalho. .............................................. 148
12
Lista de Tabelas
Tabela 1: Distribuição dos(as) bancários(as) pelos estados e regiões do Brasil, subdivididos(as)
em bancos públicos e privados (Fonte: Barella, 2004).................................................................. 16
Tabela 2: Freqüência e porcentagem de bancários(as) na amostra por unidade da federação e
região do país................................................................................................................................. 17
Tabela 3: Bancos em que trabalham os participantes.................................................................... 19
Tabela 4: Cidades e freqüência de participantes na amostra. ........................................................ 20
Tabela 5: Freqüência e porcentagem dos(as) participantes por sexo, escolaridade e estado civil. 26
Tabela 6: Freqüência e porcentagem dos(as) participantes por orientação sexual. ....................... 28
Tabela 7: Freqüência e porcentagem dos(as) participantes quanto à raça/etnia. ........................... 29
Tabela 8: Freqüência e porcentagem dos(as) participantes quanto ser ou não chefe de família. .. 29
Tabela 9: Resultados dos testes de Qui-Quadrado em relação ao gênero ..................................... 30
Tabela 10: Resultados dos testes de Qui-Quadrado em relação à região ...................................... 36
Tabela 11: Resultados dos testes de Qui-Quadrado em relação ao tipo de banco......................... 40
Tabela 12: Freqüência e porcentagem das respostas quanto à freqüência das agressões. ............. 59
Tabela 13: Freqüência e porcentagem das respostas às perguntas ”É agredido por mais alguém
além do chefe” e “Quantas pessoas o agridem”. ........................................................................... 63
Tabela 14: Distribuição das respostas às diferentes situações constrangedoras e à pergunta ”É
agredido por mais alguém além do chefe” .................................................................................... 66
Tabela 15: Porcentagem das respostas a quem é o(a) agressor(a) por sexo. ................................. 69
Tabela 16: Porcentagem das respostas sobre o tipo de agressor ................................................... 76
Tabela 17: Porcentagem das respostas sobre se o agressor tem ou não consciência do que faz por
situações constrangedoras relatadas. ............................................................................................. 79
Tabela 18: Resultados dos testes de Qui-Quadrado entre situações relatadas e “com quem falou
sobre as agressões.......................................................................................................................... 87
Tabela 19: Resultados das análises de variância das diferenças entre as médias de situações
constrangedoras relatadas e respostas a “com quem falou sobre as agressões” ............................ 97
Tabela 20: Resultados dos testes de Qui-Quadrado das respostas a “com quem falou sobre as
agressões” com “ser agredido por outros além do chefe” ............................................................. 99
Tabela 21: Resultados dos testes de Qui-Quadrado de “com quem falou sobre as agressões” com
as respostas a quem é o agressor ................................................................................................. 101
13
Tabela 22: Resultados dos testes de Qui-Quadrado de “com quem falou sobre as agressões” com
as respostas a se o agressor tem consciência do que faz. ............................................................ 105
Tabela 23: Resultados dos testes de Qui-Quadrado entre ser assediado sexualmente e situações
constrangedoras relatadas............................................................................................................ 110
Tabela 24: Matriz de correlação entre os sete itens da escala de dificuldades no trabalho. ........ 115
Tabela 25: Resultados da análise de variância das variáveis situações constrangedoras e a escala
de clima de trabalho .................................................................................................................... 130
Tabela 26: Freqüência e porcentagem das respostas à pergunta sobre quando houve reestruturação
na empresa................................................................................................................................... 135
Tabela 27: Freqüência e porcentagem dos(as) participantes segundo o SRQ20. ........................ 137
Tabela 28: Resultados das análises de variância das situações constrangedoras e a escala SRQ20
..................................................................................................................................................... 142
Tabela 29: Correlações de Spearman entre as escalas utilizadas na análise................................ 145
14
1 Objetivos
O principal objetivo deste trabalho foi verificar a ocorrência e freqüência de atos e
atitudes negativas nos ambientes de trabalho da categoria bancária que podem ser
percebidos como assédio moral. Relacionar os atos e atitudes à saúde do(a)
trabalhador(a), a algumas características da organização do trabalho e fatores
psicossociais, com especial atenção às questões relacionadas a gênero e raça/etnia.
2 Método
O método consistiu na aplicação de um questionário sobre assédio moral em uma amostra
da categoria bancária de 25 estados brasileiros.
2.1 População e Amostra
A amostra foi composta por bancários(as) de todo o Brasil que se dispuseram a participar
da pesquisa, respondendo a um questionário sobre assédio moral.
Atualmente existem cerca de 400.000 bancários(as) no Brasil, distribuídos(as) por todo o
território nacional (Barella, 2004)1. Segundo dados fornecidos pela Confederação
Nacional dos Bancários –CNBCUT (2005), os(as) bancários(as) se dividem pelos estados
brasileiros segundo a tabela 1, onde se pode perceber uma grande concentração na região
sudeste do país.
Participaram da pesquisa 2609 bancários(as) de 25 dos 27 Estados da Federação
(incluindo o Distrito Federal), como mostra a tabela 2. A tabela 3 mostra a participação
por banco.
Nota-se pelas tabelas 2 e 3 que alguns estados tiveram participação reduzida e outros
estão super-representados na amostra, assim como a proporção de participantes dos
diferentes bancos também parece não estar perfeitamente de acordo com a distribuição da
1
Barella, M. Bancos privados já fecharam 3541 postos este ano. CNBCUT, 2004. Disponível em CNB-
CUT <www.cnbcut.com.br>. Acesso em 02/2006.
15
população. Assim, não se trata de uma amostra estratificada e não se trata também de
uma amostra representativa da população de bancários(as) brasileiros(as), devido ao tipo
de procedimento adotado na coleta de dados, mas é, sem dúvida, uma amostra
significativa para a verificação da ocorrência do fenômeno em estudo. Como mostra a
tabela 2, a amostra corresponde a aproximadamente 0,66% da população total. A figura 1
mostra a distribuição de bancários(as) na amostra por região do Brasil e a tabela 4 as
cidades de residência dos participantes.
Não foram utilizados quaisquer procedimentos específicos para a inclusão dos
participantes na amostra a não ser a decisão voluntária de responder o questionário. As
características quanto ao sexo, idade, escolaridade e as outras informações pessoais são
discutidas na seção resultados.
16
Tabela 1: Distribuição dos(as) bancários(as) pelos estados e regiões do Brasil,
subdivididos(as) em bancos públicos e privados (Fonte: Barella, 2004).
Privados
Estado/Região
Bancários
Acre
Amapa
Amazonas
Pará
Rondonia
Roraima
Tocantins
Sub-Total (N)
102
144
1,697
1,440
463
105
288
4,239
Alagoas
Bahia
Ceará
Maranhão
Paraíba
Pernambuco
Piauí
Rio Grande do Norte
Sergipe
Sub-Total (NE)
507
6,926
2,284
588
740
3,924
290
537
342
16138
Distrito Federal
Goias
Mato Grosso
Mato Grosso do Sul
Sub-Total (C-O)
4,746
4,456
1,468
1,830
12,500
Espirito Santo
Minas Gerais
Rio de Janeiro
São Paulo
Sub-Total (SE)
1,496
16,378
25,731
127,366
170,971
Paraná
Rio Grande do Sul
Santa Catarina
Sub-Total (S)
Total Geral
15,079
8,040
3,821
26,940
230,788
Públicos
(%)
Bancários
Norte
0.03
438
0.04
215
0.43
1,192
0.36
4,552
0.12
943
0.03
178
0.07
955
1.06
8,473
Nordeste
0.13
1,397
1.74
6,832
0.57
8,118
0.15
2,422
0.19
1,864
0.99
4,644
0.07
1,535
0.13
1,964
0.09
1,919
4.05
30695
Centro-Oeste
1.19
12,788
1.12
4,085
0.37
2,125
0.46
2,062
3.14
21,060
Sudeste
0.38
4,737
4.11
13,984
6.46
14,845
31.99
37,422
42.95
70,988
Sul
3.79
8,680
2.02
18,409
0.96
9,005
6.77
36,094
57.97
167,310
Total
(%)
Bancários
(%)
0.11
0.05
0.30
1.14
0.24
0.04
0.24
2.13
540
359
2,889
5,992
1,406
283
1,243
12,712
0.14
0.09
0.73
1.51
0.35
0.07
0.31
3.19
0.35
1.72
2.04
0.61
0.47
1.17
0.39
0.49
0.48
7.71
1,904
13,758
10,402
3,010
2,604
8,568
1,825
2,501
2,261
46833
0.48
3.46
2.61
0.76
0.65
2.15
0.46
0.63
0.57
11.76
3.21
1.03
0.53
0.52
5.29
17,534
8,541
3,593
3,892
33,560
4.40
2.15
0.90
0.98
8.43
1.19
3.51
3.73
9.40
17.83
6,233
30,362
40,576
164,788
241,959
1.57
7.63
10.19
41.39
60.78
2.18
4.62
2.26
9.07
42,03
23,759
26,449
12,826
63,034
398,098
5.97
6.64
3.22
15.83
100
17
Tabela 2: Freqüência e porcentagem de bancários(as) na amostra por unidade da
federação e região do país.
Estado
Freqüência
na amostra
AC
AM
AP
PA
RO
RR
TO
Região N
0
1
3
45
49
19
1
117
AL
BA
CE
MA
PB
PE
PI
RN
SE
Região NE
40
5
14
2
67
169
95
54
0
446
DF
GO
MS
MT
Região CO
288
31
77
1
398
ES
MG
RJ
SP
Região SE
3
94
226
790
1113
Porcentagem
Porcentagem
na amostra
válida na amostra
Norte
0.00
0.00
0.04
0.04
0.11
0.12
1.72
1.77
1.88
1.93
0.73
0.75
0.04
0.04
4.48
4.60
Nordeste
1.53
1.57
0.19
0.20
0.54
0.55
0.08
0.08
2.57
2.64
6.48
6.65
3.64
3.74
2.07
2.12
0.00
0.00
17.09
17.55
Centro-Oeste
11.04
11.33
1.19
1.22
2.95
3.03
0.04
0.04
15.25
15.66
Sudeste
0.11
0.12
3.60
3.70
8.66
8.89
30.28
31.08
42.66
43.78
Sul
PR
148
5.67
5.82
RS
276
10.58
10.86
SC
44
1.69
1.73
Região S
468
17.94
18.41
Total
2542
97.43
100.00
S/R
67
2.57
Total
2609
100.00
(*) Porcentagem na amostra em relação ao total da população.
Porcentagem na
população
0.14
0.73
0.09
1.51
0.35
0.07
0.31
3.19
0.48
3.46
2.61
0.76
0.65
2.15
0.46
0.63
0.57
11.76
4.40
2.15
0.98
0.90
8.43
1.57
7.63
10.19
41.39
60.78
5.97
6.64
3.22
15.83
100.00
0,66*
18
Figura 1: Distribuição de bancários(as) na população e amostra por região.
19
Tabela 3: Bancos em que trabalham os participantes.
Banco
ABN Amro Real
Banco da Amazônia
Banco de Boston
Banco de Brasília
Banco de Pernambuco
Banco do Brasil
Banco do Estado de Santa Catarina
Banco do Estado do Ceará
Banco do Estado do Pará
Banco do Estado do Piauí
Banco do Estado do Rio Grande do Sul
Banco do Nordeste
Banco Itaú
Banco Mercantil
Banco Meridional
Banco Rural
Banco Safra
BIC Banco
Bradesco
Caixa Econômica Federal
Citibank
HSBC
Nossa Caixa Nosso Banco
Santander Banespa
SICRED
Sudameris
Unibanco
S/R
Total
Freqüência
107
12
22
54
11
583
3
1
3
11
40
17
206
27
1
12
10
4
304
416
3
193
39
106
3
43
137
241
2609
Porcentagem (%)
4.10
0.46
0.84
2.07
0.42
22.35
0.11
0.04
0.11
0.42
1.53
0.65
7.90
1.03
0.04
0.46
0.38
0.15
11.65
15.94
0.11
7.40
1.49
4.06
0.11
1.65
5.25
9.24
100.00
20
Tabela 4: Cidades e freqüência de participantes na amostra.
Cidade
Abreu e Lima (PE)
Amambaí (MS)
Americana (SP)
Ananindeua (PA)
Angra dos Reis (RJ)
Aparecida (SP)
Apucarana (PR)
Araçatuba (SP)
Arapongas (PR)
Araripina (PE)
Arroio do Meio (RS)
Assis Chateaubriand (PR)
Bagé (RS)
Bandeirantes (PR)
Barra Bonita (SP)
Barra do Piraí (RJ
Barra Mansa (RJ)
Barueri (SP)
Belém (PA)
Belo Horizonte (MG)
Biriguí (SP)
Boa Vista (RR)
Bom Jardim (RJ)
Botucatu (SP)
Brasília (DF)
Cabo (PE)
Cabreuva (SP)
Cachoeira do Sul (RS)
Camaguá (RS)
F
2
3
6
1
15
1
5
15
10
1
2
4
5
1
6
8
16
6
37
5
3
19
2
3
288
3
1
10
6
Cidade
Coronel Fabriciano (MG)
Crato (CE)
Criciúma (SC)
Crissiumal (RS)
Cristalina (GO)
Cruzeiro (SP)
Cuiaba (MT)
Curitiba (PR)
Divinopolis (MG)
Dourados (MS)
Duque de Caxias (RJ)
Encantado (RS)
Estrela (RS)
Floriano (PI)
Florianópolis (SC)
Fortaleza (CE)
Gama (GO)
Goiânia (GO)
Goianinha (RN)
Guaporé (RS)
Guaratinguetá (SP)
Guarulhos (SP)
Ibateguara (AL)
Igrejinha (RS)
Indaiatuba (SP)
Ipatinga (MG)
Ipumirim (SC)
Itapecerica da Serra (SP)
Itaperuna (RJ)
F
2
11
21
6
1
10
1
68
1
22
19
4
12
9
14
3
7
1
7
8
8
1
1
12
4
7
1
1
13
Cidade
Macapá (AP)
Macau (RN)
Maceió (AL)
Manaus (AM)
Marabá (PA)
Maraú (RS)
Mendes (RJ)
Mogi Guaçú (SP)
Mogi Mirim (SP)
Natal (RN)
Naviraí (MS)
Niteroi (RJ)
Nova Cruz (RN)
Nova Friburgo (RJ)
Nova Odessa (SP)
Oeiras (PI)
Olinda (PE)
Osasco (SP)
Palmas (TO)
Paracambí (RJ)
Paracatu (MG)
Parnaíba (PI)
Parobé (RS)
Patos de Minas (MG)
Patrocínio (MG)
Paulista (PE)
Pedreira (SP)
Pelotas (RS)
Pendências (RN)
F
3
1
39
1
2
4
1
2
3
39
9
46
1
12
1
3
3
29
1
1
8
7
7
46
4
4
1
42
1
Cidade
Santarém (PA)
Santo André (SP)
Santo Antonio Platina (PR)
Santo Cristo (RS)
Santos (SP)
São Bernardo do Campo (SP)
São Borja (RS)
São Francisco de Itabapoana (RJ)
São Francisco de Paula (RS)
São Gonçalo do Amarante (RN)
São Gotardo (MG)
São João do Meriti (RJ)
São José (SC)
São José do Campestre (RN)
São José dos Campos (SP)
São José dos Pinhais (PR)
São Lourenço da Mata (PE)
São Luis (MA)
São Manuel (SP)
São Paulo (SP)
Serrinha (SP)
Sobradinho (GO)
Sorocaba (SP)
Sumaré (SP)
Taboão da Serra (SP)
Taguatinga (GO)
Taquara (RS)
Teresina (PI)
Timon (MA)
F
1
2
1
3
1
3
11
2
5
1
7
5
2
1
23
9
1
1
2
537
4
11
1
3
9
6
11
61
1
21
Camaragibe (PE)
Campina Grande (PB)
Campinas (SP)
Campo Grande (MS)
Campo Maior (PI)
Campos dos Goytacazes (RJ)
Campos Novos (SC)
Canguaretama (RN)
Capanema (PA)
Capão do Leão (RS)
Carapicuiba (SP)
Carazinho (RS)
Castanhal (PA)
Caxias do Sul (RS)
Ceará Mirim (RN)
Ceilândia (GO)
Concórdia (SC)
Cornélio Procópio (PR)
3
28
66
34
3
43
1
1
1
1
1
1
1
25
1
2
4
12
Itapetinga (BA)
Itatiaia (RJ)
Itatiba (SP)
Ivinhema (MS)
Jaboatão (PE)
Jacareí (SP)
Jacarezinho (PR)
Jaú (SP)
Joaçaba (SC)
João Pessoa (PB)
João Pinheiro (MG)
Juiz de For a (MG)
Lajeado (RS)
Limeira (SP)
Londrina (PR)
Lorena (SP)
Louveira (SP)
Luziania (GO)
1
1
4
5
2
7
1
6
1
38
2
10
12
10
18
3
1
1
Petrópolis (RJ)
Picos (PI)
Piracicaba (SP)
Piripiri (PI)
Planaltina (GO)
Pombal (PB)
Ponta Porã (MS)
Porto Alegre (RS)
Porto Velho (RO)
Recife (PE)
Redenção (PA)
Resende (RJ)
Rio de Janeiro (RJ)
Rolante (RS)
Salvador (BA)
Santa Cruz do Sul (RS)
Santa Rosa (RS)
Santana dos Matos (RN)
16
9
2
3
2
1
4
1
44
150
1
7
7
1
3
58
15
1
Timóteo (MG)
Toledo (PR)
Três Coroas (RS)
Três de Maio (RS)
Tuparendi (RS)
Umuarama (PR)
Valença (RJ)
Valinhos (SP)
Venâncio Aires (RS)
Viçosa (MG)
Vilhena (RO)
Vinhedo (SP)
Viseu (PA)
Vitória (ES)
Vitória da Conquista (BA)
Volta Redonda (RJ)
S/R
Total: 2609
1
13
4
1
2
6
2
2
7
1
5
2
1
3
1
10
67
22
2.2 Questionário
O questionário utilizado foi retirado do site Assédio Moral (www.assediomoral.org.br).
Esse questionário foi elaborado por Barreto (2005)2 e encontra-se disponível no site para
que pessoas que, de alguma forma, tenham sido ou se sintam assediadas moralmente
possam respondê-lo. O questionário foi modificado para a utilização nesta pesquisa em
função do tipo de aplicação adotada aqui.
O questionário aplicado possui uma parte inicial onde são solicitados alguns dados
demográficos dos(as) participantes, tais como sexo, escolaridade, estado civil, orientação
sexual, raça/etnia e data do nascimento. Seguem-se perguntas sobre possíveis
acontecimentos no local de trabalho em relação à chefia e outros colegas, em que o
indivíduo deve apenas marcar as situações constrangedoras pelas quais já passou.
Solicita-se também que ele indique a freqüência e duração do(s) acontecimento(s).
Finalmente solicita-se que o(a) participante forneça sua opinião sobre dificuldades
encontradas no trabalho, tomada de decisões, estilo de chefia e outras informações sobre
aspectos psicossociais do trabalho.
A esse questionário foi acrescentada uma versão do SRQ20 (Self Response
Questionaire). O SRQ20 tem sido utilizado em pesquisas sobre distúrbios psicológicos
em geral34. Esse questionário é composto de 20 perguntas fechadas, tipo sim ou não,
versando sobre vários sintomas de saúde que se relacionam com distúrbios psicológicos e
foi validado para a população brasileira.
O instrumento completo aplicado pode ser visto no Anexo 1.
2
Barreto, M. Assédio Moral. Disponível em <www.assediomoral.org.br>. Acesso em 07/2005.
Harpham, T.; Reichenheim, R.O.; Thomas, E.; Hamid, N.; Jaswal, S.; Ludermir, A. e Aidoo, M.
Measuring mental health in a cost-effective manner. Health Policy and Planning, 18(3): 344–349, 2003.
4
D’Oliveira, A.F.P.L. e Schraiber, L.B. Violence against women in Brazil: overview, gaps and challenges.
Expert Group Meeting, UN Division for the Advancement of Women and Economic Commission for
Europe (ECE) and World Health Organization (WHO), Geneva, Switzerland, 11/14 April, 2005.
Disponível
em:
http://www.un.org/womenwatch/daw/egm/vaw-stat-2005/docs/expertpapers/d_Oliveira.pdf. Acesso em 14/03/2006.
3
23
2.3 Procedimento
Para a coleta dos dados foram utilizados dois procedimentos distintos. No primeiro
utilizou-se a Internet como ferramenta. O questionário foi colocado no site da CNBCUT
e SEEC-PE (Confederação Nacional dos Bancários/Central Única dos Trabalhadores e
Sindicato dos Bancários de Pernambuco) e foram enviadas cartas e e-mails para que
os(as) bancários(as) acessassem o site e respondessem o questionário. Foram também
colocadas notas nos jornais da categoria enfatizando a importância da pesquisa e
solicitando a colaboração dos(as) bancários(as). Esse procedimento, no entanto, não
surtiu o efeito esperado, sendo que em três meses de disponibilidade, apenas uns poucos
questionários haviam sido respondidos. O segundo procedimento consistiu na
distribuição e solicitação de retorno do questionário respondido pelos diversos sindicatos
da categoria.
Nos dois casos os questionários foram acompanhados de uma carta de esclarecimento
sobre a pesquisa e instruções de como ele deveria ser respondido. Além disso, informavase aos participantes que eles(as) não deveriam se identificar, a fim de manter o sigilo
sobre as informações, respeitando-se, portanto, os preceitos éticos de proteção do
anonimato dos(as) participantes.
Para evitar possíveis duplicações de dados, principalmente em relação à Internet, e evitar
que não bancários(as) fossem considerados(as) na amostra, alguns cuidados foram
tomados. O principal foi a solicitação das iniciais do(a) participante, juntamente com a
data de nascimento, nome do banco em que trabalha e o código numérico do banco. Uma
checagem dessas informações permite verificar, em parte, a duplicação de dados. A
amostra inicial possuía 2839 respondentes, utilizando-se o procedimento de checagem,
decidiu-se eliminar 230 casos, considerados possíveis duplicações ou que apresentavam
inconsistências.
Os dados coletados foram digitados em tabelas do programa Excell e posteriormente
analisados através do programa SPSS.
24
3 Resultados
3.1 Considerações Iniciais
O total de participantes na pesquisa foi de 2609 bancários(as) e as distribuições por
estado e região do país podem ser vistas nas tabelas 1 e 2 e na figura 1. Uma vez que os
dados sobre a população (tabela 1) especifica as sub-populações de bancos públicos e
privados e essa característica ser provavelmente importante para o fenômeno em estudo,
essa variável foi considerada na análise. Todas as outras variáveis demográficas foram
utilizadas na análise. Quanto à variável idade, esta foi obtida através da transformação da
variável data de nascimento, considerando o mês de dezembro de 2005 como base, e
dividindo-se a amostra em quatro categorias: “até 24 anos”, “25 a 34 anos”, “35 a 44
anos”, “mais de 44 anos”.
Para a análise dos dados de freqüência foram utilizados testes de Qui-Quadrado e para a
comparação entre as médias a análise de variância (ANOVA). Em alguns casos foi
verificada a confiabilidade de escalas compostas de uma sub-série de questões através da
análise de confiabilidade com a estatística “alfa” de Cronbach e foram calculadas as
correlações de Spearman entre elas. Dado o tamanho da amostra do estudo, consideramos
como significativas, em todas as análises, as diferenças com um nível p<=0,01 (1%).
3.2 Características da Amostra
A figura 2 mostra a distribuição dos(as) participantes por tipo de banco. Dos bancos
públicos o total de participantes foi 1140 e dos privados foi 1228 (N=2368).
A idade média dos respondentes foi de 35,75 anos (DP=9,11; N=1722). A idade mínima
foi de 18 e a máxima de 59 anos, a moda 26 e a mediana 36. O histograma das idades dos
respondentes pode ser visto na figura 3 e a figura 4 apresenta a distribuição por faixas
etárias.
25
Públicos
48.14%
Privados
51.86%
Figura 2: Porcentagem dos(as) participantes segundo o tipo de banco (N=2368).
Figura 3: Histograma das idades dos(as) participantes (N=1722).
Mais de 44
anos
21.43%
35 a 44 anos
32.81%
Até 24 anos
12.20%
25 a 34 anos
33.57%
Figura 4: Porcentagem dos(as) participantes segundo a faixa etária (N=1722).
26
As distribuições da amostra por sexo, escolaridade e estado civil podem ser vistas na
tabela 5. A amostra é composta por 51,94% de homens e 48,06% mulheres (N=2547)
(figura5). Quanto à escolaridade, 88,13% dos(as) participantes possuem curso superior
completo ou incompleto, sendo que 11,99% desses possuem pós-graduação (N=2569)
(figura 6), tratando-se, portanto, de uma população altamente educada, bem acima da
média da população brasileira. Quanto ao estado civil, 50,49% são casados(as) (N=2569)
(figura 7).
Tabela 5: Freqüência e porcentagem dos(as) participantes por sexo, escolaridade e estado
civil.
Sexo
Masculino
Feminino
NR*
Total
Escolaridade
Básico Completo ou
Incompleto
Médio Completo ou
Incompleto
Superior Incompleto
Superior Completo
Pós Graduação
NR
Total
Estado Civil
Solteiro
Casado
Separado
Parceria
Divorciado
Viúvo
NR
Total
(*) NR= Não respondeu.
Freqüência
1323
1224
62
2609
Porcentagem
(%)
50.71
46.91
2.38
100.00
Porcentagem
válida (%)
51.94
48.06
100.00
67
2.57
2.61
238
9.12
9.26
812
1144
308
40
2609
31.12
43.85
11.81
1.53
100.00
31.61
44.53
11.99
100.00
951
1297
95
92
121
13
40
2609
36.45
49.71
3.64
3.53
4.64
0.50
1.53
100.00
37.02
50.49
3.70
3.58
4.71
0.51
100.00
27
Feminino
48.06%
Masculino
51.94%
Figura 5: Porcentagem dos(as) participantes por sexo (N=2547).
Pós Graduação
11.99%
Básico
Completo ou
Incompleto
2.61%
Médio Completo
ou Incompleto
9.26%
Superior
Incompleto
31.61%
Superior
Completo
44.53%
Figura 6: Porcentagem dos(as) participantes por escolaridade (N=2569).
Parceria
3.58%
Separado
3.70%
Divorciado
4.71%
Viuvo
0.51%
Solteiro
37.02%
Casado
50.49%
Figura 7: Porcentagem dos(as) participantes por estado civil (N=2569).
28
Três questões merecem destaque no que se refere aos dados demográficos solicitados:
orientação sexual, raça ou etnia e se é ou não chefe de família. Essas três questões se
referem a aspectos individuais que podem levar a discriminações. Quanto à orientação
sexual, 97,5% dos(as) que responderam a essa questão se declarou heterossexual, 2,01%
se declarou homossexual e 0,48%, bissexual (N=2484). Esses dados podem ser vistos na
tabela 6 e figura 8. A tabela 7 e figura 9 mostram a distribuição das respostas quanto à
classificação racial/étnica declarada pelos(as) participantes. 72,21% se declararam
“brancos” e 23,50% “pardos ou pretos” (N=2567).
Tabela 6: Freqüência e porcentagem dos(as) participantes por orientação sexual.
Freqüência
Heterossexual
Homossexual
Bissexual
NR
Total
2422
50
12
125
2609
Homossexual
2.01%
Porcentagem
(%)
92.8
1.9
0.5
4.8
100.0
Porcentagem
válida (%)
97.5
2.0
0.5
Bissexual
0.48%
Heterossexual
97.50%
Figura 8: Porcentagem dos(as) participantes quanto à orientação sexual (N=2484).
29
Tabela 7: Freqüência e porcentagem dos(as) participantes quanto à raça/etnia.
Raça/Etnia
Freqüência
Branca
Preta
Indigena
Parda
Amarela
NR
Total
1884
127
10
486
60
42
2609
Indigena
0.39%
Parda
18.93%
Porcentagem
(%)
72.21
4.87
0.38
18.63
2.30
1.61
100.00
Porcentagem
válida (%)
73.39
4.95
0.39
18.93
2.34
100.00
Amarela
2.34%
Preta
4.95%
Branca
73.39%
Figura 9: Porcentagem dos(as) participantes quanto à raça/etnia (N=2567).
No que se refere à questão sobre ser ou não chefe de família, a distribuição da amostra
pode ser vista na tabela 8 e figura 10. A porcentagem dos(as) que se declararam chefes de
família é ligeiramente maior (54,35%) que a dos(as) que não se declararam enquanto tal
(43,65%) (N=2529).
Tabela 8: Freqüência e porcentagem dos(as) participantes quanto ser ou não chefe de
família.
Freqüência
Sim
Não
Total
NR
Total
1425
1104
2529
80
2609
Porcentagem
(%)
54.62
42.32
96.93
3,15
100,00
Porcentagem
válida (%)
56.35
43.65
100.00
30
Não
43.65%
Sim
56.35%
Figura 10: Porcentagem dos(as) participantes quanto a ser ou não chefe de família (N=2529).
3.2.1 Diferenças de Gênero
As sub-amostras por gênero apresentaram-se diferentes no que se refere à distribuição por
região, por bancos e às outras variáveis demográficas, exceto em relação à orientação
sexual, como pode ser visto na tabela 9.
Tabela 9: Resultados dos testes de Qui-Quadrado em relação ao gênero
Variável
Região
Tipo de Banco
Idade
Orientação sexual
Raça/etnia
Escolaridade
Estado civil
Chefe de família
Qui-Quadrado
GL
35.141
22.733
20.076
6.645
21.865
52.234
39.585
233.176
4
1
3
1
4
4
5
1
Nível de
significância (p)
.000
.000
.000
.010
.000
.000
.000
.000
Significância
S
S
S
NS
S
S
S
S
A figura 11 mostra a distribuição por sexo e região. Na região sul há uma divisão
eqüitativa entre os gêneros e na região sudeste há um maior número de mulheres
bancárias. Nas outras regiões a freqüência de homens bancários é maior.
31
70
60
50
40
%
30
20
10
0
Norte
Nordeste
CentroOeste
Sudeste
Sul
Masculino
58.77
60.45
56.62
45.75
52.49
Feminino
41.23
39.55
43.38
54.25
47.51
Figura 11: Porcentagem dos(as) participantes por sexo e região (N=2493)
A figura 12 mostra a distribuição por sexo e tipo de banco. Nos bancos privados há um
maior número de bancárias do que nos bancos púbicos.
60
50
40
% 30
20
10
0
Privados
Públicos
Masculino
47.59
57.49
Feminino
52.41
42.51
Figura 12: Porcentagem dos(as) participantes por sexo e tipo de banco (N=2319)
Na figura 13 é apresentada a distribuição por sexo e por idade. A faixa etária das
mulheres é menor que a dos homens: há uma predominância de mulheres entre 18 e 34
anos e uma predominância de homens entre os(as) que possuem mais de 34 anos.
32
70
60
50
%
40
30
20
10
0
Até 24
anos
25 a 34
anos
35 a 44 Mais de
anos
44 anos
Masculino
46.12
50.79
54.50
63.26
Feminino
53.88
49.21
45.50
36.74
Figura 13: Porcentagem dos(as) participantes por sexo e idade (N=1695)
A porcentagem de mulheres que se declararam homo ou bissexuais é bem menor que a
porcentagem de homens que se declararam com essa orientação sexual, como pode ser
visto na figura 14.
70
60
50
40
%
30
20
10
0
Heterossexual
Homo e
Bissexual
Masculino
51.85
68.97
Feminino
48.15
31.03
Figura 14: Porcentagem dos(as) participantes por sexo e orientação sexual (N=2432)
Em relação à raça/etnia há uma predominância de homens pardos, negros e indígenas em
relação às mulheres de mesma raça/etnia e as pessoas brancas e amarelas aparecem com
freqüência igual (figura 15).
33
70
60
50
40
%
30
20
10
0
Branca
Preta
Indigena
Parda
Amarela
Masculino
49.35
60.80
66.67
59.92
51.67
Feminino
50.65
39.20
33.33
40.08
48.33
Figura 15: Porcentagem dos(as) participantes por sexo e raça/etnia (N=2511)
Em relação à raça/etnia, dividimos a amostra em dois grupos, sendo o primeiro formado
por pessoas que se declararam brancas e amarelas e o segundo por pessoas pardas, negras
e indígenas. A figura 16 mostra a porcentagem dessa divisão por sexo. A diferença entre
a porcentagem de homens e mulheres de diferentes etnias se mostrou significativa pelo
teste de Qui-Quadrado (QQ=21,556; gl=1; p=0.000), sendo que há uma freqüência menor
de mulheres pardas, negras e indígenas entre os participantes do que homens de mesma
raça/etnia.
70
60
50
%
40
30
20
10
0
Branca e amarela
Parda, negra e
indígena
Masculino
49.42
60.20
Feminino
50.58
39.80
Figura 16: Porcentagem dos(as) participantes por sexo e raça/etnia, considerando apenas dois
grupos (N=2511)
34
A figura 17 mostra a distribuição por sexo e escolaridade. Nota-se que há predominância
de mulheres entre os(as) que possuem curso superior completo e básico, mas há
predominância de homens entre os(as) que possuem pós-graduação. Os homens também
predominam entre os(as) que possuem nível médio ou estão cursando uma faculdade.
70
60
50
40
%
30
20
10
0
Médio
Básico
Superior
Completo ou Completo ou
Incompleto
Incompleto Incompleto
Superior
Completo
Pós
Graduação
Masculino
48.48
68.83
56.66
45.53
51.82
Feminino
51.52
31.17
43.34
54.47
48.18
Figura 17: Porcentagem dos(as) participantes por sexo e escolaridade (N=2514).
Quanto ao estado civil, há mais bancárias solteiras trabalhando do que homens, em
compensação, entre os(as) casados(as) há mais homens do que mulheres. Por outro lado,
há mais mulheres bancárias separadas, vivendo em parceria e divorciadas (figura 18).
35
70
60
50
40
%
30
20
10
0
Solteiro
Casado
Separado
Parceria
Divorciado
Viuvo
Masculino
46.20
58.07
48.42
47.19
39.83
53.85
Feminino
53.80
41.93
51.58
52.81
60.17
46.15
Figura 18: Porcentagem dos(as) participantes por sexo e estado civil (N=2512).
A figura 19 mostra a distribuição por sexo e ser/não ser chefe de família. Cerca de um
pouco mais de um terço das bancárias da amostra são chefes de família.
70
60
50
%
40
30
20
10
0
Sim
Não
Masculino
65.33
34.38
Feminino
34.67
65.62
Figura 19: Porcentagem dos(as) participantes por sexo e ser/não ser chefe de família (N=2472)
A figura 20 mostra a porcentagem de homens e mulheres chefes de família em cada uma
das regiões. Observa-se que, embora a grande maioria de chefes de família na categoria
sejam homens em todas as regiões, na região sudeste e norte há uma maior porcentagem
de bancárias chefes de família.
36
80
70
60
50
% 40
30
20
10
0
Norte
Nordeste
CentroOeste
Sudeste
Sul
Masculino
60.87
73.13
68.57
59.17
69.08
Feminino
39.13
26.87
31.43
40.83
30.92
Figura 20: Porcentagem dos(as) participantes por sexo, ser chefe de família e região (N=2419)
3.2.2 Diferenças entre as Regiões
As sub-amostras de cada região mostraram-se significativamente diferentes em quase
todas as variáveis demográficas pelo teste de Qui-Quadrado, exceto na variável
orientação sexual (tabela 10).
A primeira diferença refere-se à distribuição por tipo de banco, mostrada na figura 21,
sendo que na região sudeste predomina os bancos privados e, na região sul, o número de
bancos privados se aproxima do de bancos públicos. Já nas regiões norte, nordeste e
centro-oeste predominam os bancos públicos.
Tabela 10: Resultados dos testes de Qui-Quadrado em relação à região
Variável
Tipo de Banco
Idade
Sexo
Orientação sexual
Raça/etnia
Escolaridade
Estado civil
Chefe de família
Qui-Quadrado
GL
330.015
88.434
35.141
4.461
275.327
36.179
110.053
21.887
4
12
4
4
16
16
20
4
Obs.: A variável sexo já foi discutida na seção anterior.
Nível de
significância (p)
.000
.000
.000
.347
.000
.003
.000
.000
Significância
S
S
S
NS
S
S
S
S
37
80
70
60
50
% 40
30
20
10
0
Norte
Nordeste
CentroOeste
Sudeste
Sul
Privados
33.93
34.12
26.56
72.02
47.07
Públicos
66.07
65.88
73.44
27.98
52.93
Figura 21: Porcentagem dos(as) participantes por região e tipo de banco (N=2321).
No que se refere à idade, as sub-amostras por região também apresentaram diferenças
significativas, como mostra a figura 22. As regiões norte, centro-oeste e sudeste
apresentam uma freqüência maior de bancários(as) na faixa de 25 a 34 anos, enquanto
nas regiões sul e nordeste predomina a faixa de 35 a 44 anos.
50
45
40
35
30
% 25
20
15
10
5
0
Norte
Nordeste
CentroOeste
Sudeste
Sul
Até 24 anos
15.79
7.89
14.90
13.55
10.65
25 a 34 anos
49.47
25.73
38.43
38.66
22.26
35 a 44 anos
20.00
34.80
27.45
31.81
42.26
Mais de 44 anos
14.74
31.58
19.22
15.98
24.84
Figura 22: Porcentagem dos(as) participantes por região e faixa de idade (N=1703).
38
Uma outra diferença significativa entre as regiões tem a ver com raça/etnia, como mostra
a figura 23. Nota-se a nítida inversão no número de pardos(as) e brancos(as), sendo que a
região sul é a que apresenta o maior número de pessoas brancas, enquanto a região norte
apresenta o maior número de pardas.
100
90
80
70
60
%
50
40
30
20
10
0
Norte
Nordeste
CentroOeste
Sudeste
Sul
Branca
46.96
56.33
62.09
79.51
92.44
Preta
6.09
6.56
7.12
3.93
3.02
Indigena
0.87
1.13
0.51
0.18
0.00
Parda
44.35
33.71
27.99
13.54
3.02
Amarela
1.74
2.26
2.29
2.84
1.51
Figura 23: Porcentagem dos(as) participantes por região e raça/etnia (N=2506).
A distribuição da amostra por região e escolaridade apresentou-se diferente, sendo que
nas regiões nordeste e sul o número de bancários(as) com nível superior completo é
proporcionalmente maior que nas outras regiões (figura 24).
As diferenças relativas à distribuição por estado civil também se mostraram
estatisticamente significativas (vide figura 25). A principal diferença está relacionada à
maior quantidade de bancários(as) solteiros(as) na região centro-oeste em relação às
outras regiões, principalmente em relação às regiões nordeste e sul, que apresentam uma
freqüência maior de bancários(as) casados(as).
Em relação a ser ou não chefe de família também foram encontradas diferenças
significativas entre as regiões, como mostra a figura 26, sendo que em todas as regiões há
uma porcentagem maior de bancários(as) chefes de família, exceto na região sudeste, em
que a amostra se dividiu igualmente entre ser/não ser chefe de família.
39
50
40
30
%
20
10
0
CentroOeste
Norte
Nordeste
Sudeste
Sul
Básico Completo ou Incompleto
0.88
1.81
0.76
4.31
0.65
Médio Completo ou Incompleto
7.89
9.28
11.93
8.62
8.82
Superior Incompleto
36.84
30.32
31.47
31.65
30.75
Superior Completo
42.98
47.29
42.89
43.03
47.74
Pós Graduação
11.40
11.31
12.94
12.39
12.04
Figura 24: Porcentagem dos(as) participantes por região e escolaridade (N=2505).
60
50
40
% 30
20
10
0
Norte
Nordeste
CentroOeste
Sudeste
Sul
Solteiro
37.61
28.41
46.19
41.78
25.81
Casado
43.59
59.32
39.59
48.67
57.42
Separado
6.84
4.09
4.06
2.39
5.38
Parceria
8.55
1.82
6.09
2.11
5.59
Divorciado
3.42
5.68
3.30
4.68
5.38
Viuvo
0.00
0.68
0.76
0.37
0.43
Figura 25: Porcentagem dos(as) participantes por região e estado civil (N=2505).
40
70
60
50
%
40
30
20
10
0
Norte
Nordeste
CentroOeste
Sudeste
Sul
Sim
62.50
64.00
56.10
51.88
58.90
Não
37.50
36.00
43.90
48.12
41.10
Figura 26: Porcentagem dos(as) participantes por região e ser/não ser chefe de família (N=2466).
3.2.3 Diferenças em Relação ao Tipo de Banco
Na comparação entre os tipos de banco foram encontradas diferenças significativas de
idade, sexo, escolaridade, raça/etnia e estado civil, mas não em relação à orientação
sexual e a ser ou não chefe de família, como mostra a tabela 11.
Tabela 11: Resultados dos testes de Qui-Quadrado em relação ao tipo de banco
Variável
Região
Idade
Sexo
Orientação sexual
Raça/etnia
Escolaridade
Estado civil
Chefe de família
Qui-Quadrado
GL
330.015
116.905
27.733
2.717
15.459
22.607
15.302
3.576
4
3
1
1
4
4
5
1
Nível de
significância (p)
.000
.000
.000
.099
.004
.000
.009
.059
Significância
S
S
S
NS
S
S
S
NS
Obs.: As variáveis destacadas já foram discutidas na seção anterior.
Quanto à idade, nos bancos privados os(as) bancários(as) estão em uma faixa etária
menor quando comparados com os públicos (figura 27). Nos bancos públicos há,
proporcionalmente, mais pessoas que se declararam pardas, negras e indígenas (figuras
28 e 29) do que nos privados. Além disso, como mostra a figura 30, nos públicos há uma
maior proporção de pessoal qualificado, com superior incompleto ou completo e pós-
41
graduação do que nos privados. Quanto ao estado civil, nos bancos públicos há um maior
número de casados(as) do que solteiros(as) (figura 31) em comparação com os privados.
80
70
60
50
% 40
30
20
10
0
Até 24
anos
25 a 34
anos
35 a 44
anos
Mais de 44
anos
Privados
61.46
57.70
52.00
24.79
Públicos
38.54
42.30
48.00
75.21
Figura 27: Porcentagem dos(as) participantes por tipo de banco e faixa de idade (N=1683).
60
50
40
% 30
20
10
0
Branca
Preta
Indigena
Parda
Amarela
Privados
54.04
50.89
40.00
44.94
40.00
Públicos
45.96
49.11
60.00
55.06
60.00
Figura 28: Porcentagem dos(as) participantes por tipo de banco e raça/etnia (N=2332).
42
54
52
50
% 48
46
44
42
Branca e amarela
Parda, negra e
indígena
Privados
53.60
46.03
Públicos
46.40
53.97
Figura 29: Porcentagem dos(as) participantes por tipo de banco e raça/etnia, considerando apenas
dois grupos (N=2332).
80
70
60
50
% 40
30
20
10
0
Básico
Médio
Superior
Completo ou Completo ou
Incompleto
Incompleto Incompleto
Superior
Completo
Pós
Graduação
Privados
70.69
54.21
55.62
49.95
43.40
Públicos
29.31
45.79
44.38
50.05
56.60
Figura 30: Porcentagem dos(as) participantes por tipo de banco e escolaridade (N=2335).
43
70
60
50
40
%
30
20
10
0
Solteiro
Casado
Separado
Parceria
Divorciado
Viuvo
Privados
54.64
50.85
40.74
37.21
55.96
53.85
Públicos
45.36
49.15
59.26
62.79
44.04
46.15
Figura 31: Porcentagem dos(as) participantes por tipo de banco e estado civil (N=2336).
44
3.3 Situações Constrangedoras
61,1% dos(as) bancários(as) da amostra não relataram ter passado por situações
constrangedoras no trabalho, contra 38,9% que relataram ter passado por uma ou mais
situações desse tipo, o que pode ser considerada uma porcentagem elevada.
A figura 32 mostra a porcentagem de respostas em relação ao total de participantes
(N=2609) para cada uma das 20 possíveis situações de constrangimento no trabalho
apresentadas no questionário. Nota-se que a situação que ocorre com maior freqüência é
“Seu chefe o enche de trabalho” (19,66%), seguida da constatação de que o “chefe
prejudica a saúde” (12,73%) e de que o chefe “dá instruções confusas e imprecisas”
(10,35%).
Considerando-se a série de 20 situações como um índice de assédio, obtém-se um
coeficiente de confiabilidade bastante aceitável (Alfa de Cronbach = 0,859). Em média,
foram relatadas 1,347 situações constrangedoras (DP=2,603). As médias do índice de
assédio (somatória das situações relatadas) foram comparadas por análises de variância,
verificando-se os efeitos principais de sexo, região, tipo de banco, raça/etnia, orientação
sexual, estado civil, escolaridade e idade. A análise mostrou que apenas o tipo de banco é
um preditor da ocorrência das situações constrangedoras (F=9,401; gl=1; p=.002). A
média de ocorrências nos bancos privados é de 1,620 contra 1,053 nos públicos, como
mostra a figura 33.
A figura 34 mostra as médias de situações relatadas por homens e mulheres. Apesar da
diferença não ser significativa, há uma tendência de um maior número de relatos pelas
mulheres (Média Feminino = 1,416; DP=2,710 e Média Masculino = 1,258, DP=2,430).
As mulheres separadas e solteiras são as que mais relatam ter passado por situações
constrangedoras, como mostra a figura 35, embora essa diferença não seja significativa
pela análise de variância.
45
Chefe não lhe cumprimenta mais e não fala
mais com você
5.40
8.89
Chefe atribui a você erros imaginários
Chefe bloqueia o andamento dos seus
trabalhos
Chefe manda cartas de advertência
protocoladas
8.89
1.69
7.82
Chefe impõe horários injustificados
19.66
Chefe o enche de trabalho
Chefe pede trabalhos urgentes sem
nenhuma necessidade
9.51
10.35
Chefe dá instruções confusas e imprecisas
Chefe ignora sua presença na frente dos
outros
7.97
5.48
Chefe fala mal de você em público
Chefe manda você executar tarefas sem
interesse
6.78
Chefe faz circular maldades e calúnias sobre
você
4.56
5.56
Chefe transfere você do setor para lhe isolar
Chefe não lhe dá qualquer ocupação; não lhe
passa as tarefas
:Chefe retira seus instrumentos de trabalho
telefone, fax, computador, mesa
Chefe proíbe seus colegas de falar/almoçar
com você
2.26
3.18
2.53
Chefe agride você somente quando você
está a sós com ele
3.56
Chefe insinua e faz correr o boato de que
você está com problema mental ou familiar
3.41
Chefe força você a pedir demissão
3.41
Chefe prejudica sua saúde
12.73
Figura 32: Porcentagem de respostas a cada uma das situações de constrangimento propostas no
questionário (N=2609).
46
1.62
Nº de Situações Relatadas
1.80
1.60
1.05
1.40
1.20
1.00
0.80
0.60
0.40
0.20
0.00
Privados
Públicos
Tipo de Banco
Figura 33: Média do número de situações constrangedoras relatadas por tipo de banco (Sig;
N=2368).
1.42
Nº de Situações Relatadas
1.45
1.40
1.35
1.30
1.26
1.25
1.20
1.15
Masculino
Feminino
Gênero
Figura 34: Média do número de situações constrangedoras relatadas por sexo (NSig., N=2547).
47
Nº de Situações Relatadas
2.50
2.00
1.50
1.00
0.50
0.00
Solteiro
Casado
Separado
Parceria Divorciado
Viuvo
M
0.97
1.36
1.30
2.02
1.64
1.43
F
1.36
1.43
2.06
1.79
0.83
1.67
Estado Civil
Figura 35: Média do número de situações constrangedoras relatadas por sexo e estado civil
(NSig.; N=2512).
As bancárias relatam significativamente mais situações do tipo “Seu chefe não lhe dá
qualquer ocupação; não lhe passa as tarefas” (QQ = 8,751; gl=1; p=.003) e “Seu chefe
insinua e faz correr o boato de que você está com problema mental ou familiar” (QQ =
12,286; gl=1; p=.000) em comparação com os homens (figura 36). Essas mesmas
situações são as mais relatadas pelas bancárias solteiras (diferenças significativas por
Qui-Quadrado: QQ = 9,610; gl=1; p=.002; QQ = 10,773; gl=1; .001, respectivamente).
%
0
1
2
Seu chefe insinua
e faz correr o
boato de que
você está com
problema mental
ou familiar
Seu chefe não lhe
dá qualquer
ocupação; não
lhe passa as
tarefas
3
4
5
6
2.27
4.82
M
F
1.44
3.19
Figura 36: Porcentagem de escolhas de duas das situações constrangedoras por sexo (Sig.;
N=2547).
48
Em termos das regiões, a região sudeste é a que apresenta o maior índice de relatos e a
região nordeste o menor, como mostra a figura 37 (F=5,206; gl=4; p=.000). Na região
sudeste há uma maior freqüência de relatos de “Seu chefe não lhe cumprimenta mais e
não fala mais com você” (QQ = 21,324; gl=4; p=.000), “Seu chefe impõe horários
injustificados” (QQ = 22,7296; gl=4; p=.000), “Seu chefe o enche de trabalho” (QQ =
33,9284; gl=4; p=.000) e “Seu chefe pede trabalhos urgentes sem nenhuma necessidade”
(QQ = 13,632; gl=4; p=.001), como mostra a figura 38.
As faixas etárias entre 25 e 34 anos e 35 a 45 anos são as que apresentaram um maior
número de relatos de agressões (figura 39), embora essas diferenças não sejam
significativas pela análise de variância. As diferenças significativas de acordo com o teste
de Qui-Quadrado foram: “Seu chefe o enche de trabalho” (QQ=12,552; gl=3; p=.006),
“Seu chefe pede trabalhos urgentes sem nenhuma necessidade” (QQ=13,628; gl=3;
p=.003), “Seu chefe dá instruções confusas e imprecisas” (QQ=11,532; gl=3; p=.009) e
“Seu chefe prejudica sua saúde” (QQ=16,275; gl=3; p=.001) (figura 40).
1.57
Nº de Situações Relatadas
1.60
1.40
1.35
1.23
1.20
1.21
0.94
1.00
0.80
0.60
0.40
0.20
0.00
Norte
Nordeste
CentroOeste
Sudeste
Sul
Regiões
Figura 37: Média do número de situações constrangedoras relatadas por região (Dif.Sig.:
NordestexSudeste; N=1722).
49
%
0
5
10
15
20
25
6.84
Seu chefe não lhe
cumprimenta mais
e não fala mais
com você
3.59
3.02
7.73
3.85
6.84
Seu chefe impõe
horários
injustificados
4.93
9.05
9.97
Norte
Nordeste
4.06
Centro-Oeste
14.53
Sudeste
10.99
Seu chefe o enche
de trabalho
Sul
18.59
23.09
22.44
5.13
Seu chefe pede
trabalhos urgentes
sem nenhuma
necessidade
6.95
13.07
10.24
8.12
Figura 38: Porcentagem de escolhas de quatro das situações constrangedoras por região (Sig.;
N=2542).
1.62
Nº de Situações Relatadas
1.80
1.45
1.60
1.19
1.40
1.20
1.02
1.00
0.80
0.60
0.40
0.20
0.00
Até 24
anos
25 a 34
anos
35 a 44
anos
Mais de
44 anos
Idade
Figura 39: Média do número de situações constrangedoras relatadas por idade (NSig.; N=1722).
50
%
0
5
10
15
20
25
13.81
21.11
22.30
Seu chefe o enche de trabalho
15.18
Seu chefe pede trabalhos urgentes
sem nenhuma necessidade
Seu chefe dá instruções confusas e
imprecisas
7.14
12.46
10.27
5.69
Até 24 anos
25 a 34 anos
35 a 44 anos
9.52
14.36
9.56
8.13
Mais de 44 anos
5.24
Seu chefe prejudica sua saúde
15.57
15.93
13.82
Figura 40: Porcentagem de escolhas de quatro das situações constrangedoras por idade (Sig.;
N=1722).
A orientação sexual também leva a diferenças na freqüência de relatos das situações
constrangedoras, sendo que os(as) homossexuais e bissexuais, considerados(as)
conjuntamente, relatam uma proporção maior de situações como mostra a figura 41,
especialmente as situações: “Seu chefe ignora sua presença na frente dos outros”
(QQ=14,485; gl=1; p=.000), “Seu chefe manda você executar tarefas sem interesse”
(QQ=8,012; gl=1; p=.005), “Seu chefe agride você quando você está a sós com ele”
(QQ=16,304; gl=1; p=.000) e “Seu chefe força você a pedir demissão” (QQ=7,349; gl=1;
p=.007) (figura 42).
51
2.16
Nº de Situações Relatadas
2.50
2.00
1.32
1.50
1.00
0.50
0.00
Heterossexual
Homo e Bissexual
Orientação Sexual
Figura 41: Média do número de situações constrangedoras relatadas por orientação sexual
(NSig.; N=2484).
%
0
5
10
15
20
25
7.68
Seu chefe ignora sua presença na
frente dos outros
20.97
6.81
Seu chefe manda você executar
tarefas sem interesse
16.13
Heterossexual
Homo e Bissexual
Seu chefe agride você somente
quando você está a sós com ele
3.30
Seu chefe força você a pedir
demissão
3.30
12.90
9.68
Figura 42: Porcentagem de escolhas de quatro das situações constrangedoras por orientação
sexual (Sig.; N=2422).
As pessoas que se declararam indígenas relataram um maior número de ocorrências do
que as pessoas das outras raças (figura 43), embora essa diferença não seja significativa e
nenhuma situação constrangedora tenha sido relatada em especial. Quando se considera
apenas dois grupos de raça/etnia (brancos e amarelos x negros, pardos e indígenas)
52
também não foram encontradas diferenças significativas na freqüência de relatos de
situações constrangedoras como mostra a figura 44.
2.30
Nº de Situações Relatadas
2.50
2.00
1.35
1.30
1.25
1.50
1.10
1.00
0.50
0.00
Branca
Preta
Indigena
Parda
Amarela
Raça/Etnia
Figura 43: Média do número de situações constrangedoras relatadas por raça/etnia (NSig.;
N=2567).
53
Seu chefe não lhe cumprimenta mais e não fala mais
com você
5.56
4.98
"Seu chefe atribui a você "erros imaginários
8.59
8.99
Seu chefe bloqueia o andamento dos seus trabalhos
8.80
8.99
Seu chefe manda cartas de advertência
protocoladas
1.59
1.93
7.82
7.38
Seu chefe impõe horários injustificados
19.86
18.62
Seu chefe o enche de trabalho
Seu chefe pede trabalhos urgentes sem nenhuma
necessidade
9.36
9.79
10.39
10.11
Seu chefe dá instruções confusas e imprecisas
8.44
Seu chefe ignora sua presença na frente dos outros
6.58
5.40
5.46
Seu chefe fala mal de você em público
Seu chefe manda você executar tarefas sem
interesse
Seu chefe faz circular maldades e calúnias sobre
você
4.48
4.49
Seu chefe transfere você do setor para lhe isolar
4.33
Seu chefe não lhe dá qualquer ocupação; não lhe
passa as tarefas
:Seu chefe retira seus instrumentos de trabalho
...telefone, fax, computador, mesa
Seu chefe proíbe seus colegas de falar/almoçar com
você
Seu chefe agride você somente quando você está a
sós com ele
Seu chefe insinua e faz correr o boato de que você
está com problema mental ou familiar
Seu chefe força você a pedir demissão
6.74
6.74
5.92
2.01
3.05
3.14
3.53
2.57
2.41
Branca e
amarela
Parda, negra e
indígena
3.60
3.53
3.81
2.25
3.34
3.69
Seu chefe prejudica sua saúde
12.45
13.64
Figura 44: Porcentagem de relatos de situações constrangedoras por raça/etnia, considerando
apenas dois grupos (NSig.; N=2567).
Os(as) bancários(as) com escolaridade média apresentam um índice maior de queixas
(figura 45), principalmente as do tipo: “Seu chefe não lhe cumprimenta mais e não fala
mais com você” (QQ=16,725; gl=4; p=.002), “Seu chefe ignora sua presença na frente
dos outros” (QQ=26,245; gl=4; p=.000) e “Seu chefe prejudica sua saúde” (QQ=16,092;
gl=4; p=.003) (figura 46).
54
1.76
Nº de Situações Relatadas
1.80
1.60
1.40
1.25
1.27
Superior
Incompleto
Superior
Completo
1.36
1.10
1.20
1.00
0.80
0.60
0.40
0.20
0.00
Básico
Médio
Completo ou Completo ou
Incompleto
Incompleto
Pós
Graduação
Escolaridade
Figura 45: Média do número de situações constrangedoras relatadas por escolaridade (NSig.;
N=2569).
%
0
Seu chefe não lhe
cumprimenta mais
e não fala mais
com você
Seu chefe ignora
sua presença na
frente dos outros
Seu chefe
prejudica sua
saúde
5
10
15
20
8.96
10.50
25
Básico Completo ou
Incompleto
Médio Completo ou
Incompleto
Superior Incompleto
4.93
4.37
5.19
4.48
15.97
Superior Completo
8.13
6.47
6.82
Pós Graduação
7.46
20.17
11.58
11.54
12.99
Figura 46: Porcentagem de escolhas de três das situações constrangedoras por escolaridade (Sig.;
N=2569).
A figura 47 mostra o número de relatos por estado civil, nota-se que as pessoas
divorciadas e que vivem com parceiros(as) apresentam um maior número de relatos
(diferença não significativa), sendo que essas apresentam proporcionalmente uma maior
55
freqüência de relatos de “seu chefe atribui a você ‘erros imaginários’” (QQ=17,022; gl=5;
p=.004) (figura 48).
1.86
Nº de Situações Relatadas
2.00
1.69
1.80
1.54
1.37
1.60
1.21
1.40
1.17
1.20
1.00
0.80
0.60
0.40
0.20
0.00
Solteiro
Casado Separado Parceria Divorciado
Viuvo
Estado Civil
Figura 47: Média do número de situações constrangedoras relatadas por estado civil (NSig.;
N=2569).
% "seu chefe lhe atribui erros
imaginários"
100
90
80
70
60
50
40
30
20
10
0
Solteiro
Casado
Separado
Parceria
Divorciado
Viuvo
Sim
8.94
7.86
14.74
18.48
6.61
7.69
Não
91.06
92.14
85.26
81.52
93.39
92.31
Figura 48: Porcentagem de escolhas da situação “Seu chefe atribui a você erros imaginários” por
estado civil (Sig.; N=2569).
Os(as) que são chefes de família relatam um número maior de situações constrangedoras
(figura 49) (F=7,434; gl=1; p=.006), especialmente “Seu chefe ignora sua presença na
frente dos outros” (QQ=7,870; gl=1; p=.005), “Seu chefe transfere você do setor para lhe
56
isolar” (QQ=13,832; gl=1; p=.000) e “Seu chefe força você a pedir demissão”
(QQ=9,454; gl=1; p=.002) (figura 50).
1.47
Nº de Situações Relatadas
1.60
1.19
1.40
1.20
1.00
0.80
0.60
0.40
0.20
0.00
Sim
Não
É chefe de família?
Figura 49: Média do número de situações constrangedoras relatadas por ser/não ser chefe de
família (Sig.; N=2529).
%
0
2
4
6
10
Sim
Seu chefe ignora
sua presença na
frente dos outros
9.40
Não
6.34
Seu chefe
transfere você do
setor para lhe
isolar
Seu chefe força
você a pedir
demissão
8
7.16
3.71
4.42
2.17
Figura 50: Porcentagem de escolhas de três das situações constrangedoras por ser/não ser chefe
de família (Sig.; N=2529).
57
3.3.1 Duração das Agressões
Quanto à duração da agressão, ela é extremamente variável e dura em média 11,13 meses
(DP=10,308), segundo relataram 374 participantes. O número de situações vivenciadas se
correlaciona positivamente com a duração das agressões (Índice de correlação de
Spearman = .217; p=.000). Isto significa que quanto maior é o número de situações
vivenciadas maior é a duração das agressões, como mostra a figura 51.
Os resultados da análise de variância mostraram que somente as médias de duração das
agressões por idade apresentam-se diferentes (F=7,073; gl=3, p=.000). Como mostra a
figura 52, as pessoas de mais de 44 anos relatam uma duração média das agressões maior
que as pessoas de 18 a 34 anos.
As mulheres relatam uma maior duração média das agressões, no entanto essa diferença
não é significativa (figura 53).
Média de Duração das Agressões
(meses)
40.00
35.00
30.00
25.00
20.00
15.00
10.00
5.00
0.00
1
2
3
4
5
6
7
8
9 10 11 12 13 14 16 18 20
Número de Situações Relatadas
Figura 51: Número de situações relatadas por duração das agressões (N=374).
58
15.93
Média de Duração das
Agressões (meses)
16.00
14.00
11.62
12.00
9.33
7.88
10.00
8.00
6.00
4.00
2.00
0.00
Até 24
anos
25 a 34
anos
35 a 44
anos
Mais de
44 anos
Idade
Figura 52: Média da duração das agressões por idade (N=255).
11.99
Média de Duração das
agressões (meses)
12.00
11.50
11.00
10.28
10.50
10.00
9.50
9.00
Masculino
Feminino
Gênero
Figura 53: Média da duração das agressões por sexo (N=368).
59
3.3.2 Freqüência das Agressões
A tabela 12 e figura 54 mostram a freqüência de ocorrência das agressões ou situações
constrangedoras: 51,49% dos(as) 804 participantes que responderam a essa questão
relatam que as agressões ocorrem várias vezes por semana.
Tabela 12: Freqüência e porcentagem das respostas quanto à freqüência das agressões.
Freqüência da
agressão
Freqüência
Porcentagem
(%)
Porcentagem
válida (%)
uma vez por mês
uma
vez
por
semana
várias vezes por
semana
Total
NR
Total
166
224
6.36
8.59
20.65
27.86
414
15.87
51.49
804
1805
2609
30.82
69.18
100.00
100.00
uma vez por
mês
20.65%
várias vezes
por semana
51.49%
uma vez por
semana
27.86%
Figura 54: Porcentagem das respostas à pergunta sobre a freqüência de ocorrência das agressões
(N=804).
A freqüência das agressões não varia entre os sexos e entre as regiões, mas sim com o
tipo de banco, sendo que nos privados essa freqüência é maior que nos públicos (figura
55) (QQ=17,097; gl=2; p=.000). A freqüência das agressões não apresenta diferenças
significativas em relação às outras variáveis sócio-demográficas.
60
60
50
40
% 30
20
10
0
uma vez por uma vez por várias vezes
mês
semana
por semana
Privados
15.96
26.97
57.08
Públicos
27.50
28.57
43.93
Figura 55: Porcentagem da freqüência de ocorrência das agressões por tipo de banco (Sig.;
N=725).
As situações que se apresentaram com diferenças significativas quanto à freqüência de
ocorrência foram: “Seu chefe bloqueia o andamento dos seus trabalhos” (QQ=16,308;
gl=2; p=.000), “Seu chefe impõe horários injustificados” (QQ=11,238; gl=2; p=.004),
“Seu chefe o enche de trabalho” (QQ=13,030; gl=2; p=.001) e “Seu chefe pede trabalhos
urgentes sem nenhuma necessidade” (QQ=17,017; gl=2; p=.000). Essas situações foram
relatadas como tendo uma constância maior: várias vezes por semana ou pelo menos uma
vez por semana, como mostra a figura 56.
61
%
0
Seu chefe bloqueia o andamento dos
seus trabalhos
10
20
30
40
50
60
13.86
uma vez por mês
27.23
29.95
uma vez por
semana
13.25
várias vezes por
semana
22.32
26.09
Seu chefe impõe horários injustificados
37.95
52.68
54.11
Seu chefe o enche de trabalho
Seu chefe pede trabalhos urgentes sem
nenhuma necessidade
14.46
32.59
27.78
Figura 56: Porcentagem de escolhas de quatro das situações constrangedoras por freqüência das
agressões (Sig.; N=804).
Há uma relação entre o número de situações relatadas e a freqüência das agressões
(F=12,160; gl=2, p=.000), como mostra a figura 57. Quanto maior o número de agressões
relatadas, maior é a freqüência dessas agressões. A figura 58 mostra que há uma
tendência semelhante em relação à duração das agressões, mas essa diferença não é
significativa.
3.98
4.50
4.24
Nº de Situações
Relatadas
4.00
3.50
2.77
3.00
2.50
2.00
1.50
1.00
0.50
0.00
uma vez por uma vez por várias vezes
mês
semana
por semana
Freqüência das Agressões
Figura 57: Média do número de situações constrangedoras relatadas por freqüência de ocorrência
das agressões (Sig.; N=804).
Média de Duração das
Agressões (meses)
62
12.06
14.00
12.00
9.72
10.48
10.00
8.00
6.00
4.00
2.00
0.00
uma vez por
mês
uma vez por
semana
várias vezes
por semana
Freqüência das Agressões
Figura 58: Média da duração das agressões por sua freqüência (NSig.; N=804).
3.3.3 Agressores: tipo e número
Quando perguntados(as) se eram agredidos(as) por outras pessoas além do chefe, 18,50%
dos que responderam à questão (N=1508) disseram que sim, contra 81,50% que
responderam negativamente. Na questão seguinte sobre por quantas outras pessoas o(a)
bancário(a) se considerava agredido(a), 59,55% responderam que eram agredidos(as) por
uma pessoa e 33,83% por “de 2 a 4 pessoas” (N=665). Essas distribuições podem ser
vistas na tabela 13. Não foram encontradas diferenças significativas nas freqüências
dessas respostas em relação às variáveis sócio-demográficas.
No entanto, existe uma relação entre o número de situações relatadas e a duração da
agressão por ser/não ser agredido(a) por outras pessoas além do chefe (figuras 59 e 60,
respectivamente) (F=134,512; gl=1; p=.000 e F=7,361, gl=1, p=.007). Quanto maior o
número de agressões e quanto maior a sua duração, a probabilidade dessas agressões se
originarem de outras pessoas além do chefe aumenta.
63
Tabela 13: Freqüência e porcentagem das respostas às perguntas ”É agredido por mais
alguém além do chefe” e “Quantas pessoas o agridem”.
É agredido por outros
além do chefe?
Sim
Não
NR
Total
Quantas pessoas o
agridem além do chefe?
uma pessoa
de 2 a 4 pessoas
mais de 4 pessoas
NR
Total
Freqüência
279
1229
1101
2609
Freqüência
Porcentagem
(%)
10.69
47.11
42.20
100.00
Porcentagem
396
225
44
1944
2609
15.18
8.62
1.69
74.51
100.00
Porcentagem
válida (%)
18.50
81.50
100.00
Porcentagem
válida
59.55
33.83
6.62
100.00
4.00
Nº de Situações Relatadas
4.00
3.50
3.00
2.50
1.74
2.00
1.50
1.00
0.50
0.00
Sim
Não
É agredido por outros além do chefe?
Figura 59: Média do número de situações relatadas por ser agredido(a) por outras pessoas além
do chefe (N=1508).
64
Média de Duração das
Agressões (meses)
13.30
14.00
10.20
12.00
10.00
8.00
6.00
4.00
2.00
0.00
Sim
Não
É agredido por outros além do chefe?
Figura 60: Média da duração das agressões por ser agredido(a) por outras pessoas além do chefe
(N=363).
Quanto à questão por quantas pessoas é agredido, há uma diferença significativa entre as
médias das classes e o número de situações relatadas, bem como a duração da agressão
(figuras 61 e 62) (F=4,936; gl=2; p=.007 e F=10,812; gl=2; p=.000). Quanto maior o
número de situações relatadas e quanto maior a duração média da agressão, maior o
número de pessoas que agridem.
Nº de Situações Relatadas
6.00
5.02
5.00
4.00
4.34
3.66
3.00
2.00
1.00
0.00
uma
pessoa
de 2 a 4
pessoas
mais de 4
pessoas
Por quantas pessoas?
Figura 61: Média do número de situações relatadas pelo número de pessoas que agridem(a)
(N=301).
65
22.44
Média da Duração das
agressões (meses)
25.00
20.00
12.48
15.00
10.23
10.00
5.00
0.00
uma
pessoa
de 2 a 4
pessoas
mais de 4
pessoas
Por quantas pessoas?
Figura 62: Média da duração da agressão pelo número de pessoas que agridem (N=665).
A tabela 14 mostra a relação entre a porcentagem de respostas às diferentes situações
apresentadas no questionário e as respostas à questão “É agredido por mais alguém além
do chefe”, com o resultado do teste de Qui-Quadrado realizado e o nível de significância
para cada uma delas. Quanto maior a freqüência de respostas positivas a ter sido
agredido(a) por outras pessoas além do chefe, maior a freqüência de relatos das situações
(N=1508).
A figura 63 mostra as situações relatadas em que há diferenças quanto ao número de
pessoas que agridem. Nas situações “Seu chefe transfere você do setor para lhe isolar” e
“Seu chefe retira seus instrumentos de trabalho: telefone, fax, computador, mesa” há uma
freqüência maior de respostas “de 2 a 4 pessoas” e “mais de 4 pessoas” (QQ=10,666;
gl=2; p=.005 e QQ=9,716; gl=2; p=.008, respectivamente). Na situação “Seu chefe
insinua e faz correr o boato de que você está com problema mental ou familiar”, há uma
maior freqüência de respostas “mais de 4 pessoas” (QQ=9,757; gl=2; p=.008) e na
situação “Seu chefe prejudica sua saúde”, há uma maior freqüência de respostas “de 2 a 4
pessoas” (QQ=11,033; gl=2; p=.004).
66
Tabela 14: Distribuição das respostas às diferentes situações constrangedoras e à
pergunta ”É agredido por mais alguém além do chefe” (N=1508).
Situações
Seu chefe não lhe cumprimenta mais e não fala
mais com você
Seu chefe atribui a você "erros imaginários"
Seu chefe bloqueia o andamento dos seus
trabalhos
Seu chefe manda cartas de advertência
protocoladas
Seu chefe impõe horários injustificados
Seu chefe o enche de trabalho
Seu chefe pede trabalhos urgentes sem
nenhuma necessidade
Seu chefe dá instruções confusas e imprecisas
Seu chefe ignora sua presença na frente dos
outros
Seu chefe fala mal de você em público
Seu chefe manda você executar tarefas sem
interesse
Seu chefe faz circular maldades e calúnias sobre
você
Seu chefe transfere você do setor para lhe isolar
Seu chefe não lhe dá qualquer ocupação; não lhe
passa as tarefas
Seu chefe retira seus instrumentos de trabalho:
telefone, fax, computador, mesa...
Seu chefe proíbe seus colegas de falar/almoçar
com você
Seu chefe agride você somente quando você
está a sós com ele
Seu chefe insinua e faz correr o boato de que
você está com problema mental ou familiar
Seu chefe força você a pedir demissão
Seu chefe prejudica sua saúde
É agredido por outros
além do chefe?
Sim (%)
Não (%)
QQ
(gl=1)
p
18.28
7.00
35.041
0.000
31.54
24.73
10.66
11.72
79.875
31.751
0.000
0.000
6.81
1.63
24.243
0.000
19.71
39.43
21.86
11.07
27.99
13.26
15.371
14.133
13.300
0.000
0.000
0.000
28.32
27.24
13.75
9.93
35.101
59.756
0.000
0.000
18.64
18.28
6.83
9.36
38.607
18.478
0.000
0.000
18.64
5.13
58.930
0.000
19.71
6.45
6.92
2.93
44.214
8.171
0.000
0.004
12.19
3.82
31.281
0.000
8.24
3.25
14.138
0.000
12.19
4.56
23.587
0.000
12.90
4.23
31.120
0.000
12.90
41.94
4.23
16.11
31.120
91.766
0.000
0.000
67
%
0
10
20
40
50
60
13.64
Seu chefe transfere você do setor para
lhe isolar
Seu chefe retira seus instrumentos de
trabalho: telefone, fax, computador,
mesa...
30
23.11
25.00
uma pessoa
de 2 a 4
pessoas
6.82
Seu chefe insinua e faz correr o boato
de que você está com problema mental
ou familiar
14.22
13.64
mais de 4
pessoas
11.11
11.56
27.27
36.87
50.22
Seu chefe prejudica sua saúde
36.36
Figura 63: Porcentagem de escolhas de quatro das situações constrangedoras por “por quantas
pessoas é agredido” (Sig.; N=665).
A figura 64 mostra a porcentagem de respostas à questão “por quantas pessoas é
agredido” por sexo. As mulheres relatam agressões por “mais de 4 pessoas” com uma
maior freqüência do que os homens e os homens relatam serem agredidos por “de 1 a 4
pessoas” com uma freqüência maior do que as mulheres, embora essas diferenças não
sejam significativas. A comparação com as outras variáveis sócio-demográficas também
não mostrou diferenças significativas.
60
50
40
% 30
20
10
0
uma pessoa
de 2 a 4
pessoas
mais de 4
pessoas
Masculino
54.81
53.60
40.91
Feminino
45.19
46.40
59.09
Figura 64: Porcentagem de respostas a “por quantas pessoas é agredido” por sexo (NSig.;
N=651).
68
Quanto a quem é o(a) agressor(a), a distribuição das respostas dos 733 participantes que
responderam a essa questão pode ser vista na figura 65. Nota-se que, em geral, o(a)
agressor(a) é um(a) superior(a) hierárquico(a) (63,71%), mas também há agressão por
parte de colegas (17,60%).
17.60
Colega
Conjunto de
colegas
10.78
Superior
hierárquico
63.71
Superior contra
todos
16.37
Subordinado
3.00
Conjunto de
subordinados
2.46
Figura 65: Porcentagem das respostas sobre quem é o(a) agressor(a) (N=733).
Como mostra a figura 66, em geral, o agressor é do gênero masculino (50,96%), seguido
dos dois (26,25%) e por último das mulheres isoladamente (22,79%).
60
50.96
50
40
22.79
% 30
26.25
20
10
0
homem(s)
mulher(es)
os dois
Tipo de Agressor
Figura 66: Porcentagem das respostas sobre o tipo de agressor (N=781).
69
A distribuição das respostas a quem é o(a) agressor(a) não apresentou diferenças
significativas em relação ao gênero do respondente, embora haja uma tendência das
mulheres identificarem como agressores(a) os(as) colegas com maior freqüência do que
os homens e dos homens identificarem os(as) superiores(as) com maior freqüência que as
mulheres (tabela 15).
Tabela 15: Porcentagem das respostas a quem é o(a) agressor(a) por sexo (NSig.).
Masculino (%)
4.69
2.87
18.29
4.76
0.98
0.60
Colega
Conjunto de colegas
Superior hierárquico
Superior contra todos
Subordinado
Conjunto de subordinados
Feminino (%)
5.15
3.27
17.32
4.49
0.74
0.82
N
125
78
454
118
22
18
Na região sudeste há uma maior tendência do(a) agressor(a) ser identificado(a) como o(a)
superior(a) hierárquico(a) em relação às outras regiões (QQ=30.241, gl=4, p=.000), como
mostra a figura 67.
% "Superior hierárquico
0
5
10
15
20
25
17.95
Norte
12.56
Nordeste
16.83
Centro-Oeste
22.46
Sudeste
13.68
Sul
Figura 67: Porcentagem das respostas ao tipo de agressor “superior hierárquico” por região (Sig.,
N=2542).
70
Nos bancos privados há uma maior freqüência de identificação de agressores(as) dentre
os(as) superiores(as) hierárquicos(as) e subordinados(as) em relação aos bancos públicos,
como mostra a figura 68 (QQ= 23,349, gl=1, p=.000 e QQ= 6,399, gl=1, p=.011,
respectivamente).
Públicos
Subordinado
13.68
Superior
hierárquico
Privados
21.25
0
5
10
%
15
20
25
Figura 68: Porcentagem das respostas aos tipos de agressores “superior hierárquico” e
“subordinados” por tipo de banco (Sig., N=2368).
Os(as) participantes homo e bissexuais identificam o conjunto de colegas como
agressores com uma maior freqüência do que os heterossexuais (QQ=8,717, gl=1,
p=.003) (figura 69). Os(as) de raça/etnia “preta” identificam o “superior contra todos”
com maior freqüência que os(as) outros(as) participantes (QQ=15,100, gl=4, p=.004)
(figura 70).
Homo e
Bissexual
9.68
Heterossexual
3.01
0
2
4
6
8
10
12
% "conjunto de colegas"
Figura 69: Porcentagem das respostas ao tipo de agressor “conjunto de colegas” por orientação
sexual (Sig., N=2484).
71
Amarela
1.67
Parda
3.50
Indigena
0.00
Preta
11.02
4.51
Branca
0
2
4
6
8
10
12
% "superior contra todos"
Figura 70: Porcentagem das respostas ao tipo de agressor “superior contra todos” por raça/etinia
(Sig., N=2542).
Os(as) bancários(as) com nível de escolaridade básico tendem a identificar os(as)
subordinados(as) com agressores(as) com uma freqüência maior que os(as) bancários(as)
de outros níveis de escolaridade (QQ=15,670, gl=4, p=.003) (figura 71).
Pós Graduação
1.95
Superior Completo
0.44
Superior
Incompleto
0.37
Médio Completo ou
Incompleto
1.68
Básico Completo
ou Incompleto
2.99
0
1
2
3
4
% "subordinados"
Figura 71: Porcentagem das respostas ao tipo de agressor “subordinado” por escolaridade (Sig.,
N=2569).
Do mesmo modo, os(as) participantes que vivem com parceiros(as) identificam o
conjunto de colegas como assediadores com maior freqüência que os(as) outros(as)
participantes (QQ=15.643, gl=5, p=.008) e os(as) participantes separados(as),
divorciados(as) e viúvos(as) identificam como agressor o “superior hierárquico contra
72
todos” com uma freqüência maior que os solteiros(as) e casados(as) (QQ=23,697, gl=1,
p=.000) (figura 72).
%
0
5
Solteiro
10
15
20
Conjunto de
colegas
4.31
Casado
3.86
Superior
contra todos
Separado
13.68
Parceria
5.43
Divorciado
5.79
Viuvo
15.38
Figura 72: Porcentagem das respostas aos tipos de agressores “conjunto de colegas” e “superior
contra todos” por estado civil (Sig., N=2484).
Os(as) chefes de família também apresentam uma tendência a identificarem os
subordinados(as) como agressores(as) em comparação com os(as) que não são chefes de
Chefe de Família
família (QQ=7,425, gl=1, p=.006) (figura 73).
Não
0.27
Sim
1.26
0
1
2
% "subordinados"
Figura 73: Porcentagem das respostas ao tipo de agressor “subordinado” por ser/não ser chefe de
família (Sig., N=2529).
É interessante notar que as mulheres tendem a apontar as mulheres como agressoras com
maior freqüência que os homens, como mostra a figura 74 (QQ=29,143, gl=3, p=.000).
73
70
60
50
40
%
30
20
10
0
homem(s)
mulher(es)
os dois
Masculino
62.53
38.95
48.76
Feminino
37.47
61.05
51.24
Figura 74: Porcentagem das respostas sobre o tipo de agressor por sexo (N=760).
Na região sudeste há uma tendência às mulheres serem apontadas como agressoras com
maior freqüência que os homens ou que os dois (figura 75) (QQ = 26,251; gl=8; p=.001).
As outras variáveis sócio-demográficas não apresentaram diferenças significativas em
relação a essa questão.
70
60
50
40
%
30
20
10
0
Norte
Nordeste
CentroOeste
Sudeste
Sul
homem(s)
5.40
11.05
16.71
46.79
20.05
mulher(es)
3.41
11.36
10.80
65.34
9.09
os dois
5.58
13.20
20.30
43.65
17.26
Figura 75: Porcentagem das respostas sobre o tipo de agressor por região (N=762).
74
Os(as) bancários(as) que relataram um maior número de agressões também indicaram
que sofrem agressões de homens e mulheres com maior freqüência do que só de homens
Nº de Situações Relatadas
ou só de mulheres (figura 76) (F=6,665. gl=2; p=.001).
5.00
4.50
4.00
3.50
3.00
2.50
2.00
1.50
1.00
0.50
0.00
4.59
3.65
homem(s)
3.48
mulher(es)
os dois
Tipo de Agressor
Figura 76: Média do número de situações relatadas por tipo de agressor (N=781).
Nas situações “Seu chefe transfere você do setor para lhe isolar”, “Seu chefe retira seus
instrumentos de trabalho: telefone, fax, computador, mesa” e “Seu chefe força você a
pedir demissão” os dois (homens e mulheres) são identificados como agressores com
maior freqüência do que só homens ou só mulheres (QQ = 10,685; gl=2; p=.005; QQ =
10,219; gl=2; p=.006; QQ=10,713; gl=2; p=.005, respectivamente) (figura 77).
Aqueles(as) que relataram terem sido agredidos(as) por outros além do chefe também
indicaram que foram agredidos(as) por homens e mulheres (QQ = 109,177; gl=2; p=.001)
(figura 78).
Assim também os(as) que se declararam agredidos(as) por mais de uma pessoa tendem a
indicar os dois sexos como agressores (figura 79) (QQ = 224,616; gl=4; p=.000).
75
%
0
5
10
20
25
30
17.09
Seu chefe transfere você do setor para
lhe isolar
Seu chefe retira seus instrumentos de
trabalho: telefone, fax, computador,
mesa...
15
11.24
23.90
homem(s)
8.54
6.74
mulher(es)
15.61
os dois
10.80
Seu chefe força você a pedir demissão
5.62
16.10
Figura 77: Porcentagem de escolhas de três das situações constrangedoras por tipo de agressor
(Sig.; N=781).
% "'E agredido por outros"
80
70
60
50
40
30
20
10
0
homem(s)
mulher(es)
os dois
Sim
23.66
30.59
67.53
Não
76.34
69.41
32.47
Figura 78: Porcentagem das respostas sobre o tipo de agressor por “é agredido por outros além
do chefe” (N=736).
A tabela 16 e figura 80 mostram a distribuição das respostas sobre o tipo de agressor e os
resultados dos testes de Qui-Quadrado. É interessante notar que quando o agressor é
um(a) colega há uma maior freqüência de identificação de mulheres como agressoras.
76
80
70
60
50
% 40
30
20
10
0
homem(s)
mulher(es)
os dois
uma pessoa
75.08
79.87
12.07
de 2 a 4 pessoas
20.87
19.48
71.26
mais de 4 pessoas
4.05
0.65
16.67
Figura 79: Porcentagem das respostas sobre o tipo de agressor e “por quantas pessoas é
agredido” (N=649).
Tabela 16: Porcentagem das respostas sobre o tipo de agressor (N=781)
homem(s
(%))
13.07
3.52
64.32
0.75
0.75
Colega
Conjunto de colegas
Superior hierárquico
Subordinado
Conjunto de
subordinados
mulher(es)
(%)
23.60
4.49
56.74
3.37
0.56
os dois
(%)
16.10
27.80
48.78
6.34
6.34
QQ
(gl=2)
10.021
95.795
13.761
5.149
15.690
p
0.007
0.000
0.001
0.076
0.000
70
60
50
40
%
30
20
10
0
Colega
Conjunto de
colegas
Superior
hierárquico
Subordinado
Conjunto de
subordinados
homem(s)
13.07
3.52
64.32
0.75
0.75
mulher(es)
23.60
4.49
56.74
3.37
0.56
os dois
16.10
27.80
48.78
6.34
6.34
Figura 80: Porcentagem das respostas sobre o tipo de agressor por sexo do agressor (N=781).
77
3.3.4 Acredita que o(a) agressor(a) tem consciência do que faz
Quando perguntados(as) se achavam que o(a) agressor(a) tinha consciência do que fazia,
dos 848 que responderam essa questão, 49,41% responderam afirmativamente, 17,10%
negativamente e 33,49% responderam que não sabiam (figura 81).
49.41
50
33.49
40
30
17.10
%
20
10
0
Sim
Não
Não sei
Acredita que o agressor tem consciência?
Figura 81: Porcentagem das respostas sobre “acredita que o agressor tem consciência” (N=848).
As respostas a essa questão não mostraram diferenças significativas quanto à variável
sexo e às outras variáveis sócio-demográficas, excetuando-se a variável escolaridade
(figura 82). Os bancários com escolaridade média responderam com maior freqüência
que achavam que o(a) agressor(a) sabia o que estava fazendo em comparação com as
outras classes de escolaridade (QQ = 20,535; gl=8; p=.008).
As diferenças entre as médias de situações relatadas segundo as respostas à pergunta
“acredita que o agressor tem consciência do que faz” também se mostraram
significativas, como mostra a figura 83 (F=19,773; gl=2; p=.000).
78
50
45
40
35
30
% 25
20
15
10
5
0
Básico
Completo ou
Incompleto
Médio
Completo ou
Incompleto
Superior
Incompleto
Superior
Completo
Pós
Graduação
Sim
2.67
15.78
28.64
39.81
13.11
Não
2.78
8.33
40.97
37.50
10.42
Não sei
2.91
6.91
31.27
45.09
13.82
Figura 82: Percentagem das respostas à “acredita que o agressor tem consciência do que faz”por
escolaridade (N=831).
Nº de Situações Relatadas
4.26
4.50
3.32
4.00
3.50
2.34
3.00
2.50
2.00
1.50
1.00
0.50
0.00
Sim
Não
Não sei
Acredita que o agressor tem consciência?
Figura 83: Média de situações relatadas por “acredita que o agressor tem consciência do que faz”
(N=848).
Em relação à maioria das situações constrangedoras relatadas há diferenças significativas
na freqüência das respostas sobre se o agressor tem ou não consciência do que faz, como
pode ser visto na figura 84. As porcentagens de respostas e os resultados dos testes de
Qui-Quadrado são apresentados na tabela 17.
79
Tabela 17: Porcentagem das respostas sobre se o agressor tem ou não consciência do que
faz por situações constrangedoras relatadas (N=848).
Acredita que o agressor tem
consciência do que faz
Seu chefe não lhe cumprimenta
mais e não fala mais com você
Seu chefe atribui a você "erros
imaginários"
Seu chefe bloqueia o andamento
dos seus trabalhos
Seu chefe manda cartas de
advertência protocoladas
Seu chefe impõe horários
injustificados
Seu chefe o enche de trabalho
Seu chefe pede trabalhos
urgentes sem nenhuma
necessidade
Seu chefe dá instruções
confusas e imprecisas
Seu chefe ignora sua presença
na frente dos outros
Seu chefe fala mal de você em
público
Seu chefe manda você executar
tarefas sem interesse
Seu chefe faz circular maldades
e calúnias sobre você
Seu chefe transfere você do
setor para lhe isolar
Seu chefe não lhe dá qualquer
ocupação; não lhe passa as
tarefas
Seu chefe retira seus
instrumentos de trabalho:
telefone, fax, computador,
mesa...
Seu chefe proíbe seus colegas
de falar/almoçar com você
Seu chefe agride você somente
quando você está a sós com ele
Seu chefe insinua e faz correr o
boato de que você está com
problema mental ou familiar
Seu chefe força você a pedir
demissão
Seu chefe prejudica sua saúde
Não
(%)
6.21
93.79
22.76
77.24
17.93
82.07
0.69
99.31
14.48
85.52
40.69
59.31
14.48
85.52
Não sei
(%)
13.03
86.97
22.54
77.46
21.48
78.52
5.99
94.01
18.31
81.69
44.37
55.63
24.65
75.35
QQ
(gl=2)
17.032
p
Sig
Sim
Não
Sim
Não
Sim
Não
Sim
Não
Sim
Não
Sim
Não
Sim
Não
Sim
(%)
19.81
80.19
27.92
72.08
29.12
70.88
5.49
94.51
23.39
76.61
46.30
53.70
27.92
72.08
0.000
S
3.174
0.205
NS
9.564
0.008
S
6.623
0.036
NS
6.221
0.045
NS
1.391
0.499
NS
10.516
0.005
S
Sim
Não
Sim
Não
Sim
Não
Sim
Não
Sim
Não
Sim
Não
Sim
Não
27.68
72.32
27.45
72.55
18.85
81.15
21.72
78.28
18.14
81.86
21.48
78.52
6.21
93.79
17.93
82.07
14.48
85.52
6.90
93.10
12.41
87.59
4.83
95.17
8.97
91.03
4.14
95.86
27.46
72.54
20.07
79.93
15.49
84.51
16.90
83.10
10.92
89.08
12.68
87.32
8.80
91.20
5.849
0.054
NS
12.054
0.002
S
11.660
0.003
S
6.918
0.031
NS
18.747
0.000
S
16.611
0.000
S
3.684
0.159
NS
Sim
Não
11.69
88.31
2.76
97.24
8.80
91.20
10.379
0.006
S
Sim
Não
Sim
Não
Sim
Não
8.35
91.65
14.56
85.44
13.84
86.16
4.83
95.17
6.90
93.10
4.14
95.86
4.58
95.42
6.69
93.31
8.45
91.55
4.772
0.092
NS
13.593
0.001
S
12.612
0.002
S
Sim
Não
Sim
Não
13.37
86.63
42.48
57.52
6.21
93.79
22.76
77.24
7.39
92.61
33.80
66.20
9.593
0.008
S
19.209
0.000
S
80
%
0
Seu chefe não lhe cumprimenta mais e não
fala mais com você
5
10
15
20
25
40
45
13.03
29.12
17.93
21.48
Seu chefe pede trabalhos urgentes sem
nenhuma necessidade
14.48
Seu chefe ignora sua presença na frente dos
outros
14.48
Seu chefe faz circular maldades e calúnias
sobre você
35
19.81
6.21
Seu chefe bloqueia o andamento dos seus
trabalhos
Seu chefe fala mal de você em público
30
27.92
24.65
27.45
20.07
18.85
6.90
15.49
18.14
4.83
Sim
10.92
Não
Seu chefe transfere você do setor para lhe
isolar
Seu chefe retira seus instrumentos de
trabalho: telefone, fax, computador, mesa...
8.97
12.68
21.48
Não sei
11.69
2.76
8.80
14.56
Seu chefe agride você somente quando você
está a sós com ele
6.90
6.69
Seu chefe insinua e faz correr o boato de que
você está com problema mental ou familiar
4.14
8.45
13.84
13.37
Seu chefe força você a pedir demissão
Seu chefe prejudica sua saúde
6.21
7.39
42.48
22.76
33.80
Figura 84: Porcentagem de escolhas das situações constrangedoras por “acredita que o agressor
tem consciência do que faz” (Sig.; N=848)
Quando o agressor é o(a) superior(a) hierárquico(a), há uma tendência das pessoas
acreditarem, com uma maior freqüência, que ele(a) sabe o que faz (QQ=13,428; gl=2;
p=.001) (figura 85).
81
% "superior hierárquico"
0
20
40
60
80
59.43
Sim
42.07
Não
52.82
Não sei
Figura 85: Porcentagem das respostas sobre “acredita que o agressor tem consciência do que faz”
na situação onde o(a) agressor(a) é identificado(a) com o(a) superior(a) hierárquico(a) (Sig.;
N=848).
3.3.5 Falou com alguém a respeito das agressões
Quando perguntados(as) se haviam conversado com alguém a respeito das agressões que
sofrem ou sofreram, 870 bancários(as) responderam a essa questão. Desses(as), 15,63%
afirmaram não ter falado com ninguém, os(as) restantes afirmaram ter falado com
familiares e pessoas de diversas instituições. A distribuição de respostas a com quem
falaram pode ser vista na figura 86. Percebe-se que a maioria busca apoio na família e
amigos, 59,43% e 44,48%, respectivamente, e alguns ainda buscam esse apoio em algum
colega da empresa (32,64%) ou no Sindicato (19,54%).
A figura 87 mostra a diferença entre quem falou ou não sobre as agressões por sexo.
Observa-se que as mulheres apresentam uma tendência a não falar sobre as agressões
quando comparadas aos homens (QQ=8,367; gl=1; p=.004).
A figura 88 mostra a porcentagem das respostas a com quem falou sobre a agressão por
região. Na região sudeste os bancários tendem a falar mais com a família,
proporcionalmente, do que nas outras regiões (QQ = 36,452; gl=4; p=.000).
Como pode ser visto na figura 89, os bancários dos bancos privados tendem a falar mais,
proporcionalmente, com a família (QQ=38,449, gl=1; p=.000), com os amigos
82
(QQ=8,185; gl=1; p=.004) e com o sindicato (QQ=8,725; gl=1; p=.003) do que os dos
bancos públicos.
Outros
5.29
15.63
Não falou
59.43
Falou com a família
44.48
Falou com amigos
32.64
Falou com pessoa da empresa
Falou com Rh
4.37
19.54
Falou com o Sindicato
Falou com associação de
funcionários
0.92
9.89
Falou com o médico do trabalho
Falou com associação de assédio
0.46
Figura 86: Porcentagem de respostas à pergunta com quem falou sobre a agressão (N=870).
%
0
2
4
6
8
6.27
Não falou
3.76
Masculino
Feminino
Figura 87: Porcentagem de respostas a ter/não ter falado sobre a agressão com outras pessoas por
sexo (Sig., N=2547).
83
16.88
24.80
Falou com a
família
Sul
18.09
Sudeste
12.33
Centro-Oeste
Nordeste
18.80
Norte
0
5
10
15
20
25
30
%
Figura 88: Porcentagem de respostas “falou com a família sobre a agressão” por região (Sig.,
N=2542).
Falou com o
Sindicato
5.18
8.22
Públicos
Falou com
amigos
12.46
Privados
16.61
Falou com a
família
14.65
24.84
0
5
10
15
20
25
30
%
Figura 89: Porcentagem de respostas a três das possibilidades de “com quem falou sobre a
agressão” por tipo de banco (Sig., N=2368).
As pessoas entre 18 e 34 anos tendem a não falar sobre as agressões (QQ=20,555, gl=3,
p=.000). As que têm entre 35 e 44 anos tendem a se apoiar mais nos seus sindicatos do
que os das outras faixas etárias (QQ=14,329; gl=3; p=.003) e as que têm entre 25 e 44
anos nos seus amigos (QQ=21,909; gl=3; p=.000) (figura 90).
84
8.67
Falou com o
Sindicato
10.44
5.71
1.43
Mais de 44 anos
15.45
16.64
17.13
Falou com
amigos
35 a 44 anos
25 a 34 anos
6.67
Até 24 anos
2.44
2.83
Não falou
7.27
7.62
0
5
10
15
20
%
Figura 90: Porcentagem de respostas a três itens de “com quem falou sobre a agressão” por idade
(Sig., N=1722).
Os(as) bancários(as) de escolaridade média tendem a falar mais com o sindicato do que
os(as) bancários(as) de outras faixas de escolaridade (QQ=28,193; gl=4; p=.000) (figura
91).
Pós Graduação
8.44
Superior Completo
5.16
Falou com o
Sindicato
Superior Incompleto
5.67
13.03
0.00
0
Médio Completo ou
Incompleto
Básico Completo ou
Incompleto
5
10
15
%
Figura 91: Porcentagem de respostas “falou com o sindicato sobre a agressão” por escolaridade
(Sig., N=2569).
A figura 92 mostra a porcentagem de “com quem falou sobre a agressão” por estado civil.
Os(as) solteiros(as) tendem a não comentar as agressões (QQ=16,514,gl=5, p=.006);
85
os(as) que vivem em parceria tendem a falar mais com a família (QQ=15,445; gl=5;
p=.009) e os viúvos(as) a falar com alguma pessoa da empresa ou com outros
(QQ=18,305; gl=5; p=.003 e QQ=17,883; gl=5; p=.003).
Aqueles(as) que são chefes de família tendem a falar com seus familiares e com o
sindicato sobre o problema (QQ=13,633; gl=1; p=.000 e QQ=19,660; gl=1; p=.000)
(figura 93).
A tabela 18 mostra os resultados dos testes de Qui-Quadrado na comparação das
respostas de “com quem falou a respeito das agressões” e o tipo de situação relatada.
Considerando-se o total da amostra, a maioria das situações relatadas apresenta-se
diferente quanto a com quem falou sobre a agressão, o que significa que dependendo da
situação relatada, os(as) bancários(as) escolhem um(a) interlocutor(a) diferente.
Assim, a figura 94 mostra a relação entre a resposta “não falou” com as situações
constrangedoras. Observa-se que as pessoas tendem a não falar com ninguém quando a
situação se refere à atribuição de “erros imaginários”.
86
0
5
15 % 20
10
25
30
35
7.36
3.86
3.16
3.26
4.13
Não falou
Solteiro
Casado
Separado
0.00
Parceria
Divorciado
16.30
Viuvo
21.36
23.16
Falou com a família
29.35
19.01
23.08
11.46
9.41
Falou com pessoa
da empresa
14.74
21.74
9.09
23.08
Outros
1.89
1.31
3.16
3.26
2.48
15.38
Figura 92: Porcentagem de respostas aos itens de “com quem falou sobre a agressão” por estado
civil (Sig., N=2569).
3.99
Falou com o
Sindicato
8.35
Não
Sim
16.49
Falou com a
família
22.39
0
5
10
15
20
25
% "'E chefe de família"
Figura 93: Porcentagem de respostas a itens de “com quem falou sobre a agressão” por ser/não
ser chefe de família (Sig., N=2529).
87
Tabela 18: Resultados dos testes de Qui-Quadrado entre situações relatadas e “com quem falou sobre as agressões (N=2609)
Seu chefe não lhe
cumprimenta mais e não fala
mais com você
Seu chefe atribui a você
"erros imaginários"
Seu chefe bloqueia o
andamento dos seus
trabalhos
Seu chefe manda cartas de
advertência protocoladas
Seu chefe impõe horários
injustificados
Seu chefe o enche de
trabalho
Seu chefe pede trabalhos
urgentes sem nenhuma
necessidade
Seu chefe dá instruções
confusas e imprecisas
Seu chefe ignora sua
presença na frente dos
outros
Seu chefe fala mal de você
em público
Seu chefe manda você
executar tarefas sem
interesse
Seu chefe faz circular
maldades e calúnias sobre
você
Não
falou
Família
Amigos
Rh
Sindicat
o
120.634
0.000
Pessoa
da
empresa
26.887
0.000
Médico
do
Trabalho
62.892
0.000
Ass. de
Assédio
Outros
88.486
0.000
Ass.
Funcionários
0.790
0.374
QQ
Sig.
3.281
0.070
205.909
0.000
18.470
0.000
3.009
0.083
31.377
0.000
QQ
Sig.
QQ
Sig.
34.227
0.000
3.340
0.068
252.163
0.000
303.897
0.000
261.653
0.000
161.095
0.000
174.092
0.000
210.815
0.000
30.511
0.000
19.144
0.000
89.168
0.000
94.509
0.000
8.106
0.004
2.570
0.109
80.940
0.000
103.071
0.000
1.283
0.257
8.356
0.004
32.510
0.000
21.683
0.000
QQ
Sig.
QQ
Sig.
QQ
Sig.
QQ
Sig.
3.427
0.064
7.533
0.006
51.103
0.000
15.411
0.000
59.842
0.000
186.129
0.000
340.593
0.000
206.712
0.000
76.702
0.000
145.242
0.000
219.511
0.000
189.061
0.000
29.949
0.000
82.501
0.000
152.798
0.000
206.223
0.000
46.258
0.000
18.304
0.000
18.738
0.000
16.945
0.000
25.103
0.000
93.393
0.000
110.099
0.000
65.137
0.000
26.306
0.000
19.809
0.000
4.675
0.031
7.311
0.007
31.110
0.000
82.779
0.000
68.920
0.000
30.723
0.000
0.069
0.793
1.641
0.200
2.334
0.127
1.118
0.290
0.067
0.796
21.680
0.000
16.813
0.000
23.845
0.000
QQ
Sig.
QQ
Sig.
8.237
0.004
8.867
0.003
267.843
0.000
320.831
0.000
241.583
0.000
246.120
0.000
151.327
0.000
96.628
0.000
10.596
0.001
36.184
0.000
47.294
0.000
185.020
0.000
6.376
0.012
0.224
0.636
42.459
0.000
73.268
0.000
0.927
0.336
1.583
0.208
25.008
0.000
16.218
0.000
QQ
Sig.
QQ
Sig.
3.094
0.079
26.772
0.000
188.719
0.000
127.990
0.000
182.275
0.000
113.997
0.000
112.663
0.000
103.665
0.000
24.664
0.000
23.262
0.000
129.735
0.000
86.396
0.000
5.901
0.015
0.584
0.445
29.565
0.000
38.154
0.000
0.232
0.630
11.831
0.001
5.169
0.023
21.725
0.000
QQ
Sig.
0.575
0.448
202.288
0.000
143.333
0.000
138.387
0.000
92.310
0.000
169.526
0.000
7.701
0.006
47.239
0.000
3.845
0.050
24.216
0.000
88
Seu chefe transfere você do
setor para lhe isolar
Seu chefe não lhe dá
qualquer ocupação; não lhe
passa as tarefas
Seu chefe retira seus
instrumentos de trabalho:
telefone, fax, computador,
mesa...
Seu chefe proíbe seus
colegas de falar/almoçar
com você
Seu chefe agride você
somente quando você está a
sós com ele
Seu chefe insinua e faz
correr o boato de que você
está com problema mental
ou familiar
Seu chefe força você a pedir
demissão
Seu chefe prejudica sua
saúde
Não
falou
Família
Amigos
Rh
Sindicat
o
191.060
0.000
87.507
0.000
Pessoa
da
empresa
83.056
0.000
10.265
0.001
QQ
Sig.
QQ
Sig.
13.175
0.000
8.511
0.004
183.955
0.000
69.906
0.000
49.745
0.000
11.918
0.001
QQ
Sig.
0.705
0.401
135.225
0.000
118.529
0.000
41.403
0.000
QQ
Sig.
2.061
0.151
93.540
0.000
97.923
0.000
QQ
Sig.
1.045
0.307
139.407
0.000
QQ
Sig.
0.096
0.756
QQ
Sig.
QQ
Sig.
6.766
0.009
0.507
0.477
Médico
do
Trabalho
103.158
0.000
13.902
0.000
Ass. de
Assédio
Outros
151.523
0.000
35.429
0.000
Ass.
Funcionários
15.599
0.000
3.806
0.051
0.236
0.627
9.372
0.002
12.493
0.000
0.922
0.337
39.986
0.000
95.242
0.000
2.262
0.133
49.532
0.000
6.192
0.013
8.986
0.003
45.312
0.000
39.494
0.000
47.894
0.000
0.208
0.648
7.133
0.008
0.104
0.747
0.628
0.428
164.757
0.000
102.600
0.000
124.226
0.000
96.330
0.000
26.883
0.000
67.919
0.000
25.129
0.000
7.269
0.007
193.149
0.000
131.560
0.000
117.574
0.000
36.423
0.000
85.838
0.000
2.012
0.156
146.944
0.000
5.667
0.017
7.905
0.005
164.237
0.000
543.677
0.000
145.850
0.000
404.976
0.000
65.170
0.000
256.207
0.000
76.317
0.000
79.338
0.000
121.283
0.000
234.741
0.000
11.351
0.001
10.039
0.002
82.838
0.000
239.741
0.000
26.390
0.000
13.989
0.000
13.185
0.000
39.876
0.000
89
% "Não falou"
0
5
10 15 20
25 30 35 40 45 50
22.79
Seu chefe atribui a você "erros imaginários"
13.97
Seu chefe impõe horários injustificados
43.38
Seu chefe o enche de trabalho
Seu chefe pede trabalhos urgentes sem
nenhuma necessidade
19.12
17.65
Seu chefe dá instruções confusas e imprecisas
Seu chefe ignora sua presença na frente dos
outros
14.71
Seu chefe manda você executar tarefas sem
interesse
17.65
12.50
Seu chefe transfere você do setor para lhe isolar
Seu chefe não lhe dá qualquer ocupação; não lhe
passa as tarefas
Seu chefe força você a pedir demissão
5.88
7.35
Figura 94: Porcentagem de respostas a “não falou sobre a agressão” por situações
constrangedoras relatadas (Sig., N=2609).
A figura 95 mostra a relação entre as respostas “falar com a família” e as situações
relatadas. Nota-se aqui que as pessoas tendem a falar com a família a respeito do prejuízo
à saúde e o mesmo ocorre com relação aos amigos (figura 96).
90
% "Falou com a família"
0
10
20
Seu chefe não lhe cumprimenta mais e não
fala mais com você
30
28.43
5.61
22.24
48.55
Seu chefe o enche de trabalho
Seu chefe pede trabalhos urgentes sem
nenhuma necessidade
Seu chefe dá instruções confusas e
imprecisas
Seu chefe ignora sua presença na frente dos
outros
26.11
29.98
27.08
17.79
Seu chefe fala mal de você em público
Seu chefe força você a pedir demissão
60
26.69
Seu chefe impõe horários injustificados
Seu chefe manda você executar tarefas sem
interesse
Seu chefe faz circular maldades e calúnias
sobre você
Seu chefe transfere você do setor para lhe
isolar
Seu chefe não lhe dá qualquer ocupação; não
lhe passa as tarefas
Seu chefe retira seus instrumentos de
trabalho: telefone, fax, computador, mesa...
Seu chefe proíbe seus colegas de
falar/almoçar com você
Seu chefe agride você somente quando você
está a sós com ele
Seu chefe insinua e faz correr o boato de que
você está com problema mental ou familiar
50
18.18
Seu chefe atribui a você "erros imaginários"
Seu chefe bloqueia o andamento dos seus
trabalhos
Seu chefe manda cartas de advertência
protocoladas
40
17.99
16.25
17.79
7.16
11.22
8.51
12.19
13.35
12.57
Seu chefe prejudica sua saúde
43.33
Figura 95: Porcentagem de respostas a “falou com a família sobre a agressão” por situações
constrangedoras relatadas (Sig., N=2609).
91
% "Falou com amigos"
0
5
10 15 20 25 30 35 40 45 50
Seu chefe não lhe cumprimenta mais e não
fala mais com você
17.05
30.49
Seu chefe atribui a você "erros imaginários"
Seu chefe bloqueia o andamento dos seus
trabalhos
Seu chefe manda cartas de advertência
protocoladas
25.84
6.98
23.00
Seu chefe impõe horários injustificados
47.29
Seu chefe o enche de trabalho
Seu chefe pede trabalhos urgentes sem
nenhuma necessidade
Seu chefe dá instruções confusas e
imprecisas
Seu chefe ignora sua presença na frente dos
outros
28.42
32.56
27.91
19.90
Seu chefe fala mal de você em público
Seu chefe manda você executar tarefas sem
interesse
Seu chefe faz circular maldades e calúnias
sobre você
Seu chefe transfere você do setor para lhe
isolar
Seu chefe não lhe dá qualquer ocupação; não
lhe passa as tarefas
Seu chefe retira seus instrumentos de
trabalho: telefone, fax, computador, mesa...
Seu chefe proíbe seus colegas de
falar/almoçar com você
Seu chefe agride você somente quando você
está a sós com ele
Seu chefe insinua e faz correr o boato de que
você está com problema mental ou familiar
Seu chefe força você a pedir demissão
19.38
16.28
20.41
8.79
12.14
9.82
14.73
13.18
13.70
Seu chefe prejudica sua saúde
44.19
Figura 96: Porcentagem de respostas a “falou com os amigos sobre a agressão” por situações
constrangedoras relatadas (Sig., N=2609).
As figuras 97 e 98 mostram as comparações entre as respostas “falou com pessoa da
empresa” e “falou com RH”. Aqui, nota-se que falar com pessoa da empresa possui uma
distribuição similar a falar com amigos. Já em relação a falar com o RH da empresa há
uma tendência a relatar o prejuízo à saúde.
92
% "Falou com pessoa da empresa"
0
5
10 15 20 25 30 35 40 45 50
Seu chefe não lhe cumprimenta mais e não
fala mais com você
11.97
29.93
Seu chefe atribui a você "erros imaginários"
Seu chefe bloqueia o andamento dos seus
trabalhos
Seu chefe manda cartas de advertência
protocoladas
32.04
5.63
21.48
Seu chefe impõe horários injustificados
47.18
Seu chefe o enche de trabalho
Seu chefe pede trabalhos urgentes sem
nenhuma necessidade
Seu chefe dá instruções confusas e
imprecisas
Seu chefe ignora sua presença na frente dos
outros
33.10
31.34
22.89
19.01
Seu chefe fala mal de você em público
Seu chefe manda você executar tarefas sem
interesse
Seu chefe faz circular maldades e calúnias
sobre você
Seu chefe transfere você do setor para lhe
isolar
Seu chefe não lhe dá qualquer ocupação; não
lhe passa as tarefas
Seu chefe retira seus instrumentos de
trabalho: telefone, fax, computador, mesa...
Seu chefe proíbe seus colegas de
falar/almoçar com você
Seu chefe agride você somente quando você
está a sós com ele
Seu chefe insinua e faz correr o boato de que
você está com problema mental ou familiar
Seu chefe força você a pedir demissão
21.13
18.31
17.25
4.93
9.51
8.45
14.08
14.44
11.62
Seu chefe prejudica sua saúde
42.61
Figura 97: Porcentagem de respostas a “falou com pessoa da empresa sobre a agressão” por
situações constrangedoras relatadas (Sig., N=2609).
93
% "Falou com RH"
0
10
20
Seu chefe não lhe cumprimenta mais e não
fala mais com você
30
40
28.95
15.79
26.32
47.37
Seu chefe o enche de trabalho
Seu chefe pede trabalhos urgentes sem
nenhuma necessidade
Seu chefe dá instruções confusas e
imprecisas
Seu chefe ignora sua presença na frente dos
outros
28.95
26.32
34.21
23.68
Seu chefe fala mal de você em público
Seu chefe força você a pedir demissão
70
34.21
Seu chefe impõe horários injustificados
Seu chefe manda você executar tarefas sem
interesse
Seu chefe faz circular maldades e calúnias
sobre você
Seu chefe transfere você do setor para lhe
isolar
Seu chefe não lhe dá qualquer ocupação; não
lhe passa as tarefas
Seu chefe retira seus instrumentos de
trabalho: telefone, fax, computador, mesa...
Seu chefe proíbe seus colegas de
falar/almoçar com você
Seu chefe agride você somente quando você
está a sós com ele
Seu chefe insinua e faz correr o boato de que
você está com problema mental ou familiar
60
21.05
Seu chefe atribui a você "erros imaginários"
Seu chefe bloqueia o andamento dos seus
trabalhos
Seu chefe manda cartas de advertência
protocoladas
50
26.32
36.84
31.58
10.53
21.05
18.42
36.84
21.05
28.95
Seu chefe prejudica sua saúde
60.53
Figura 98: Porcentagem de respostas a “falou com RH sobre a agressão” por situações
constrangedoras relatadas (Sig., N=2609).
Com o seu sindicato as pessoas tendem a falar sobre a carga de trabalho e exigências (seu
chefe o enche de trabalho) e sobre o prejuízo à saúde (figura 99). O mesmo parece
ocorrer em relação a falar com associação de funcionários (figura 100).
94
% "Falou com Sindicato"
0
10
20
Seu chefe não lhe cumprimenta mais e não
fala mais com você
30
29.41
6.47
27.06
Seu chefe o enche de trabalho
50.59
Seu chefe pede trabalhos urgentes sem
nenhuma necessidade
Seu chefe dá instruções confusas e
imprecisas
Seu chefe ignora sua presença na frente dos
outros
27.06
25.88
35.29
Seu chefe fala mal de você em público
Seu chefe força você a pedir demissão
60
28.82
Seu chefe impõe horários injustificados
Seu chefe manda você executar tarefas sem
interesse
Seu chefe faz circular maldades e calúnias
sobre você
Seu chefe transfere você do setor para lhe
isolar
Seu chefe não lhe dá qualquer ocupação; não
lhe passa as tarefas
Seu chefe retira seus instrumentos de
trabalho: telefone, fax, computador, mesa...
Seu chefe proíbe seus colegas de
falar/almoçar com você
Seu chefe agride você somente quando você
está a sós com ele
Seu chefe insinua e faz correr o boato de que
você está com problema mental ou familiar
50
21.18
Seu chefe atribui a você "erros imaginários"
Seu chefe bloqueia o andamento dos seus
trabalhos
Seu chefe manda cartas de advertência
protocoladas
40
24.71
24.12
24.71
26.47
8.82
15.88
10.59
17.06
15.88
18.24
Seu chefe prejudica sua saúde
50.59
Figura 99: Porcentagem de respostas a “falou com sindicato sobre a agressão” por situações
constrangedoras relatadas (Sig., N=2609).
95
% "Falou com Associação de Funcionários"
0
10
20
30
40
50
60
Seu chefe atribui a você "erros
imaginários"
Seu chefe manda cartas de
advertência protocoladas
37.50
25.00
Seu chefe impõe horários
injustificados
50.00
Seu chefe pede trabalhos urgentes
sem nenhuma necessidade
Seu chefe faz circular maldades e
calúnias sobre você
37.50
25.00
Seu chefe transfere você do setor para
lhe isolar
37.50
Seu chefe agride você somente
quando você está a sós com ele
37.50
Seu chefe força você a pedir
demissão
Seu chefe prejudica sua saúde
25.00
50.00
Figura 100: Porcentagem de respostas a “falou com associação de funcionários sobre a agressão”
por situações constrangedoras relatadas (Sig., N=2609).
Já ao falar com o médico do trabalho os(as) bancários(as) tendem a estressar o prejuízo à
saúde (figura 101) e o mesmo ocorre ao falar com associação de assédio (figura 102).
96
% "Falou com Médico do Trabalho"
0
10
20
Seu chefe não lhe cumprimenta mais e não
fala mais com você
30
40
80
39.53
9.30
33.72
54.65
Seu chefe o enche de trabalho
Seu chefe pede trabalhos urgentes sem
nenhuma necessidade
26.74
31.40
Seu chefe dá instruções confusas e imprecisas
Seu chefe ignora sua presença na frente dos
outros
32.56
18.60
Seu chefe fala mal de você em público
Seu chefe força você a pedir demissão
70
36.05
Seu chefe impõe horários injustificados
Seu chefe manda você executar tarefas sem
interesse
Seu chefe faz circular maldades e calúnias
sobre você
Seu chefe transfere você do setor para lhe
isolar
Seu chefe não lhe dá qualquer ocupação; não
lhe passa as tarefas
Seu chefe retira seus instrumentos de trabalho:
telefone, fax, computador, mesa...
Seu chefe proíbe seus colegas de falar/almoçar
com você
Seu chefe agride você somente quando você
está a sós com ele
Seu chefe insinua e faz correr o boato de que
você está com problema mental ou familiar
60
24.42
Seu chefe atribui a você "erros imaginários"
Seu chefe bloqueia o andamento dos seus
trabalhos
Seu chefe manda cartas de advertência
protocoladas
50
23.26
19.77
30.23
8.14
16.28
6.98
19.77
26.74
20.93
Seu chefe prejudica sua saúde
67.44
Figura 101: Porcentagem de respostas a “falou com médico do trabalho sobre a agressão” por
situações constrangedoras relatadas (Sig., N=2609).
97
% "Falou com Associação de Assédio"
0 10 20 30 40 50 60 70 80
Seu chefe bloqueia o andamento dos
seus trabalhos
50.00
Seu chefe manda você executar
tarefas sem interesse
50.00
Seu chefe não lhe dá qualquer
ocupação; não lhe passa as tarefas
25.00
Seu chefe agride você somente
quando você está a sós com ele
50.00
Seu chefe força você a pedir
demissão
50.00
Seu chefe prejudica sua saúde
75.00
Figura 102: Porcentagem de respostas a “falou com associação de assédio sobre a agressão” por
situações constrangedoras relatadas (Sig., N=2609).
As médias do número de situações relatadas variam de acordo com as respostas
fornecidas à questão “com quem falou sobre as agressões” (tabela 19), sendo que
aqueles(as) que relatam um maior número de situações tendem a falar com o setor de
Recursos Humanos da empresa, associação de assédio, médico do trabalho e associação
de funcionários (figura 103).
Tabela 19: Resultados das análises de variância das diferenças entre as médias de
situações constrangedoras relatadas e respostas a “com quem falou sobre as
agressões”.(N=2609, gl=1)
Não falou
Falou com a família
Falou com amigos
Falou com pessoa da empresa
Falou com Rh
Falou com o Sindicato
Falou com associação de funcionários
Falou com o médico do trabalho
Falou com associação de assédio
Outros
F
28.265
1056.204
801.554
455.069
121.253
401.081
18.757
251.891
11.878
57.493
Sig
0.000
0.000
0.000
0.000
0.000
0.000
0.000
0.000
0.001
0.000
98
Nº de Situações Relatadas
0.00
1.00 2.00
Não falou
3.00
4.00
5.00 6.00
7.00
2.47
4.11
Falou com a família
Falou com amigos
4.32
Falou com pesso da empresa
4.17
Falou com Rh
5.79
Falou com o Sindicato
4.89
5.25
Falou com associação de funcionários
5.47
Falou com o médico do trabalho
5.75
Falou com associação de assédio
4.15
Outros
Figura 103: Média do número de situações relatadas por “com quem falou sobre as agressões”
(N=2609).
Na figura 104 é apresentada a comparação entre as respostas à freqüência das agressões
com as respostas à pergunta “com quem falou a respeito das agressões”. Observa-se que
quando a freqüência é menor tende-se a falar com a família (QQ=10,533; gl=2, p=.005) e
com o sindicato (QQ=16,380; gl=2, p=.000), mas quando ela aumenta procura-se falar
com o médico do trabalho (QQ=15,018; gl=2, p=.001).
80
70
60
50
%
40
30
20
10
0
Falou com a
família
Falou com o
Sindicato
Falou com o
médico do
trabalho
uma vez por mês
17.78
14.74
12.66
uma vez por semana
25.78
19.23
15.19
várias vezes por semana
56.44
66.03
72.15
Figura 104: Porcentagem de respostas a “com quem falou sobre a agressão” por freqüência das
agressões (Sig., N=804).
99
Quem é agredido(a) por outros além do chefe tende a procurar as associações de assédio
e o setor de recursos humanos da empresa, como mostra a figura 105. A tabela 20 mostra
os resultados dos testes de Qui-Quadrado da comparação entre as respostas às duas
questões.
Tabela 20: Resultados dos testes de Qui-Quadrado das respostas a “com quem falou
sobre as agressões” com “ser agredido por outros além do chefe” (N=1508).
QuiQuadrado
0.038
122.767
114.033
86.720
42.200
54.866
2.767
54.138
13.241
24.403
Não falou
Falou com a família
Falou com amigos
Falou com pessoa da empresa
Falou com Rh
Falou com o Sindicato
Falou com associação de funcionários
Falou com o médico do trabalho
Falou com associação de assédio
Outros
Outros
gl
Sig.
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
0.845
0.000
0.000
0.000
0.000
0.000
0.096
0.000
0.000
0.000
46.67
Falou com associação de assédio
100.00
Falou com o médico do trabalho
49.38
Falou com o Sindicato
40.00
Falou com Rh
59.46
Falou com pesso da empresa
38.58
Falou com amigos
37.60
Falou com a família
34.57
0
20
40
60
80
100
% "É agredido por outros além do chefe"
Figura 105: Porcentagem de respostas a “com quem falou sobre a agressão” por ser agredido por
outros além do chefe (Sig., N=1508).
100
A figura 106 mostra a relação entre as respostas às questões “por quantas pessoas é
agredido” e “com quem falou sobre a agressão”. Quando a agressão é de uma só pessoa
há uma tendência a não falar sobre ela (QQ=12,555, gl=, p=.002) ou a falar com o
médico do trabalho (QQ=12,686, gl=2, p=.002); quando a agressão é por “de 2 a 4
pessoas” há uma tendência a falar com o RH da empresa (QQ=10,842, gl=2, p=.004).
Falou com o
médico do
trabalho
35.53
48.68
mais de 4 pessoas
Falou com Rh
45.71
37.14
de 2 a 4 pessoas
uma pessoa
16.18
Não falou
79.41
0
20
40
60
80
100
% "Por quantas pessoas é agredido"
Figura 106: Porcentagem de respostas a “com quem falou sobre a agressão” por “por quantas
pessoas é agredido” (Sig., N=665).
A comparação pelo teste de Qui-Quadrado mostrou diferenças significativas entre as
respostas de “com quem falou sobre a agressão” e o tipo de agressor, como mostra a
tabela 21.
As figuras 107 a 112 mostram graficamente as diferenças significativas encontradas.
Quando o agressor é um(a) colega, os(as) bancários(as) tendem a procurar a associação
de funcionários; quando os(as) agressores(as) são o conjunto de colegas ou de
subordinados, há uma tendência a procurar uma associação de assédio; quando o(a)
agressor(a) é o(a) superior(a) hierárquico(a) a amplitude do apoio aumenta, mas há uma
tendência a procurar o sindicato e quando o(a) agressor(a) é o(a) superior(a) contra todos
ou um(a) subordinado(a), há uma tendência a falar com o RH da empresa.
101
Tabela 21: Resultados dos testes de Qui-Quadrado de “com quem falou sobre as agressões” com as respostas a quem é o agressor
(N=2609).
colega
Não falou
Falou com a família
Falou com amigos
Falou com pessoa da
empresa
Falou com Rh
Falou com o Sindicato
Falou com associação
de funcionários
Falou com o médico do
trabalho
Falou com associação
de assédio
Outros
QQ
43.721
101.350
92.556
80.571
Sig.
.000
.000
.000
.000
conjunto de
colegas
QQ
Sig.
0.330
.566
140.435
.000
82.648
.000
61.629
.000
superior
hierárquico
QQ
Sig.
32.091
.000
692.923
.000
481.584
.000
401.273
.000
superior contra
todos
QQ
Sig.
2.479
.115
144.230
.000
203.124
.000
60.580
.000
21.289
21.236
18.096
.000
.000
.000
31.118
5.046
13.194
.000
.025
.000
53.748
382.947
5.627
.000
.000
.018
32.009
33.048
7.611
24.310
.000
44.257
.000
103.735
.000
0.208
.648
30.103
.000
2.809
21.298
.000
5.123
.024
32.833
subordinado
QQ
3.186
61.839
27.698
6.142
Sig.
.074
.000
.000
.013
conjunto de
subordinados
QQ
Sig.
0.997
.318
38.323
.000
23.792
.000
5.332
.021
.000
.000
.006
22.932
9.573
0.068
.000
.002
.794
29.215
13.451
16.336
.000
.000
.000
62.023
.000
7.442
.006
10.165
.001
.094
3.800
.051
0.034
.854
142.169
.000
.000
17.462
.000
0.398
.528
1.505
.220
102
Agressor: colega
16.91
Não falou
Falou com a família
13.54
14.73
Falou com amigos
15.85
Falou com pessoa da empresa
21.05
Falou com Rh
Falou com o Sindicato
12.35
37.50
Falou com associação de
funcionários
16.28
Falou com o médico do trabalho
19.57
Outros
Figura 107: Porcentagem de respostas a “com quem falou sobre a agressão” pelo tipo de agressor
colega (Sig., N=2609).
Agressor: conjunto de colegas
Falou com a família
11.03
Falou com amigos
10.34
Falou com pessoa da empresa
10.56
Falou com Rh
18.42
Falou com associação de
funcionários
Falou com o médico do trabalho
25.00
15.12
Falou com associação de assédio
50.00
Figura 108: Porcentagem de respostas a “com quem falou sobre a agressão” pelo tipo de agressor
conjunto de colegas (Sig., N=2609).
103
Agressor: superior hierárquico
Não falou
36.03
Falou com a família
57.64
Falou com amigos
57.36
60.92
Falou com pessoa da empresa
Falou com Rh
63.16
73.53
Falou com o Sindicato
59.30
Falou com o médico do trabalho
Outros
50.00
Figura 109: Porcentagem de respostas a “com quem falou sobre a agressão” pelo tipo de agressor
superior hierárquico (Sig., N=2609).
Agressor: superior contra todos
Falou com a família
14.51
18.60
Falou com amigos
Falou com pessoa da empresa
13.73
23.68
Falou com Rh
Falou com o Sindicato
13.53
22.09
Falou com o médico do trabalho
Outros
17.39
Figura 110: Porcentagem de respostas a “com quem falou sobre a agressão” pelo tipo de agressor
superior contra todos (Sig., N=2609).
104
Agressor: subordinado
3.68
Falou com a família
3.10
Falou com amigos
7.89
Falou com Rh
2.94
Falou com o Sindicato
Falou com o médico do trabalho
3.49
Figura 111: Porcentagem de respostas a “com quem falou sobre a agressão” pelo tipo de agressor
subordinado (Sig., N=2609).
Agressor: conjunto de subordinados
Falou com a família
2.71
Falou com amigos
2.58
Falou com Rh
Falou com o Sindicato
7.89
2.94
Falou com associação de
funcionários
Falou com o médico do trabalho
12.50
3.49
Falou com associação de
assédio
50.00
Figura 112: Porcentagem de respostas a “com quem falou sobre a agressão” pelo tipo de agressor
conjunto de subordinados (Sig., N=2609).
Quanto ao gênero do(a) agressor(a) e sua relação com a questão “com quem falou sobre a
agressão” há uma diferença significativa entre a freqüência das respostas no caso de falar
com o RH da empresa. Há uma tendência a falar com o RH quando o agressor é
homem(s) ou quando são os dois, como mostra a figura 113 (QQ=9,896, gl=2, p=.007).
105
Falou com Rh
40.00
homem
mulher
11.43
48.57
os dois
Figura 113: Porcentagem de respostas a “falou com RH sobre a agressão” pelo gênero do
agressor (Sig., N=781).
A distribuição das respostas à questão sobre se o(a) agressor(a) tem consciência do que
faz também se mostrou significativamente diferente em relação às respostas “com quem
falou sobre a agressão”. As diferenças significativas são apresentadas na figura 114 e os
resultados dos testes de Qui-Quadrado na tabela 22.
Tabela 22: Resultados dos testes de Qui-Quadrado de “com quem falou sobre as
agressões” com as respostas a se o agressor tem consciência do que faz
(N=848).
Não falou
Falou com a família
Falou com amigos
Falou com pessoa da empresa
Falou com Rh
Falou com o Sindicato
Falou com associação de funcionários
Falou com o médico do trabalho
Falou com associação de assédio
Outros
QQ
18.469
13.215
10.910
9.965
7.145
50.043
8.269
14.389
2.025
1.447
Sig.
0.000
0.001
0.004
0.007
0.028
0.000
0.016
0.001
0.363
0.485
106
35.85
31.13
33.02
Não falou
52.77
Falou com a
família
13.14
Falou com
amigos
12.40
Falou com
pessoa da
empresa
Falou com o
Sindicato
Falou com o
médico do
trabalho
34.09
53.99
Sim
33.61
Não
54.98
Não sei
11.44
33.58
73.33
4.85
21.82
69.05
10.71
20.24
Figura 114: Porcentagem de respostas a “com quem falou sobre a agressão” por “o agressor tem
consciência do que faz” (Sig., N=848).
107
3.4 Assédio Sexual
Dos 2140 bancários(as) que responderam à questão sobre ter sido assediado sexualmente,
3,87% (101) responderam afirmativamente à pergunta. A maior parte foi vítima de
palavras obscenas ou degradantes (52,63%), ou ainda de proximidade e propostas verbais
(36,84%), como mostra a figura 115. Foram relatados ainda outros tipos de agressões,
tais como convites insistentes, pressão psicológica e outros.
De acordo com o esperado, considerando-se a amostra como um todo, foram encontradas
diferenças significativas de relatos de ocorrência de assédio sexual entre os sexos. O
grupo feminino relata 67,35% de ocorrências, enquanto o masculino relata apenas
32,65% (figura 116) (QQ=14,477; gl=1; p=.000).
No que se refere ao assédio sexual não há diferenças entre as regiões, mas sim entre os
tipos de bancos. O assédio sexual é relatado com maior freqüência nos bancos privados
em comparação com os públicos (figura 117) (QQ=8,244; gl=1; p=.004).
Não foram encontradas diferenças significativas entre a freqüência de assédio e as outras
variáveis sócio-demográficas.
%
0
10
20
30
40
Palavras
obscenas ou
degradantes
Outros
60
52.63
Ficar próximo ou
fazer proposta
verbal
Agredir
fisicamente
50
36.84
12.63
26.32
Figura 115: Porcentagem de respostas ao tipo de agressão sexual (N=95).
108
70
60
50
40
%
30
20
10
0
Sim
Não
Masculino
32.65
52.33
Feminino
67.35
47.67
Figura 116: Porcentagem de respostas ao assédio sexual por sexo(Sig., N=2095).
70
60
50
40
%
30
20
10
0
Sim
Não
Privados
67.03
51.64
Públicos
32.97
48.36
Figura 117: Porcentagem de respostas positivas ao assédio sexual por tipo de banco (Sig.,
N=1954).
Em relação ao número de relatos de situações constrangedoras também há uma
associação positiva com a exposição ao assédio sexual, sendo que aqueles(as) que
relatam um maior número de ocorrências de constrangimentos também relatam terem
sido assediados(as) sexualmente (figura 118) (F=89,628; gl=1; p=.000).
A tabela 23 mostra os resultados dos testes de Qui-Quadrado relacionando as repostas
quanto a ser assediado sexualmente e as situações constrangedoras relatadas.
109
Excetuando-se as situações “Seu chefe retira seus instrumentos de trabalho: telefone, fax,
computador, mesa” e “Seu chefe proíbe seus colegas de falar/almoçar com você”, todas
as outras situações apresentaram distribuições significativamente diferentes (N=2140). A
figura 119 mostra essas comparações. É interessante notar que quem é assediado(a)
sexualmente tende a relatar que o(a) chefe prejudica a saúde com uma freqüência maior
que os(as) que não são.
Quando o(a) respondente relata que foi exposto(a) a assédio sexual, há uma tendência a
relatar que o(a) agressor(a) é o(a) superior(a) hierárquico(a) (QQ=38,159, gl=1, p=.000),
colega (QQ=15,647, gl=1, p=.000), conjunto de colegas (QQ=30,836, gl=1, p=.000) e
conjunto de subordinados (QQ=12,366, gl=1, p=.000) com maior freqüência do que
aqueles(as) que não são assediados(as), como mostra a figura 120.
4.04
Nº de Situações Relatadas
4.50
4.00
3.50
3.00
2.50
1.44
2.00
1.50
1.00
0.50
0.00
Sim
Não
Foi exposto(a) a assédio sexual
Figura 118: Média do número de relatos de situações constrangedoras e exposição a assédio
sexual (Sig., N=2140).
110
Tabela 23: Resultados dos testes de Qui-Quadrado entre ser assediado sexualmente e
situações constrangedoras relatadas (N=2140).
Seu chefe não lhe cumprimenta mais e não fala mais com você
Seu chefe atribui a você "erros imaginários"
Seu chefe bloqueia o andamento dos seus trabalhos
Seu chefe manda cartas de advertência protocoladas
Seu chefe impõe horários injustificados
Seu chefe o enche de trabalho
Seu chefe pede trabalhos urgentes sem nenhuma necessidade
Seu chefe dá instruções confusas e imprecisas
Seu chefe ignora sua presença na frente dos outros
Seu chefe fala mal de você em público
Seu chefe manda você executar tarefas sem interesse
Seu chefe faz circular maldades e calúnias sobre você
Seu chefe transfere você do setor para lhe isolar
Seu chefe não lhe dá qualquer ocupação; não lhe passa as
tarefas
Seu chefe retira seus instrumentos de trabalho: telefone, fax,
computador, mesa...
Seu chefe proíbe seus colegas de falar/almoçar com você
Seu chefe agride você somente quando você está a sós com ele
Seu chefe insinua e faz correr o boato de que você está com
problema mental ou familiar
Seu chefe força você a pedir demissão
Seu chefe prejudica sua saúde
QQ
61.0113
32.4427
33.6788
7.9428
25.2928
12.5913
8.3168
14.3340
33.2974
12.4068
31.8725
37.6439
34.7450
10.5428
gl
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
Sig.
0.0000
0.0000
0.0000
0.0048
0.0000
0.0004
0.0039
0.0002
0.0000
0.0004
0.0000
0.0000
0.0000
0.0012
1.2793
1
0.2580
5.4557
47.9387
27.1805
1
1
1
0.0195
0.0000
0.0000
68.4607
50.3289
1
1
0.0000
0.0000
111
%
0
5
10 15 20 25 30 35 40 45
Seu chefe não lhe cumprimenta mais e não fala
mais com você
24.75
27.72
Seu chefe atribui a você "erros imaginários"
Seu chefe bloqueia o andamento dos seus
trabalhos
Seu chefe manda cartas de advertência
protocoladas
27.72
5.94
22.77
Seu chefe impõe horários injustificados
36.63
Seu chefe o enche de trabalho
Seu chefe pede trabalhos urgentes sem nenhuma
necessidade
19.80
23.76
Seu chefe dá instruções confusas e imprecisas
Seu chefe ignora sua presença na frente dos
outros
25.74
14.85
Seu chefe fala mal de você em público
Seu chefe manda você executar tarefas sem
interesse
Seu chefe faz circular maldades e calúnias sobre
você
22.77
18.81
20.79
Seu chefe transfere você do setor para lhe isolar
Seu chefe não lhe dá qualquer ocupação; não lhe
passa as tarefas
Seu chefe agride você somente quando você está
a sós com ele
Seu chefe insinua e faz correr o boato de que
você está com problema mental ou familiar
7.92
Seu chefe força você a pedir demissão
Seu chefe prejudica sua saúde
17.82
13.86
19.80
39.60
Figura 119: Porcentagem de respostas positivas ao assédio sexual por situações constrangedoras
relatadas (Sig., N=2140).
112
:Agressor
colega
:Agressor
conjunto de
colegas
14.85
Foi exposto(a) a
assédio sexual Sim
5.39
3.19
:Agressor
superior
hierárquico
:Agressor
conjunto de
subordinados
Foi exposto(a) a
assédio sexual Não
13.86
45.54
19.86
3.96
0.69
Figura 120: Porcentagem de respostas ao assédio sexual por tipo de agressor (Sig., N=2140).
Quem relata ter sido exposto(a) a assédio sexual também relata acreditar que o(a)
agressor(a) tem consciência do que faz com maior freqüência do que os(as) que não são
assediados(as) (QQ=12,339, gl=2, p=.002) (figura 121).
67.47
Sim
47.13
Foi exposto(a) a
assédio sexual Sim
10.84
Não
Foi exposto(a) a
assédio sexual Não
17.49
21.69
Não sei
35.38
Figura 121: Porcentagem de respostas ao assédio sexual por “acredita que o agressor tem
consciência do que faz” (Sig., N=815).
113
3.5 Organização do Trabalho e Fatores Psicossociais
O questionário contém algumas questões sobre a organização do trabalho e fatores
psicossociais. A primeira dessas perguntas se refere às dificuldades que as pessoas
encontram no trabalho. A porcentagem de respostas a cada um dos itens pode ser vista na
figura 122. Observa-se que a principal dificuldade relatada diz respeito à falta de pessoal
(50,52%). Em seguida estão: a carga excessiva de trabalho (38,90%), a competição entre
as pessoas (24,26%) e o não respeito aos horários (19,47%).
Solicitou-se também aos bancários(as) que indicassem as principais características da sua
chefia. A figura 123 mostra a porcentagem de respostas para cada um dos itens
apresentados aos bancários(as). Uma grande parte (28,90%) acha que o(a) chefe decide
sem consultar os(as) subordinados(as). No entanto, também é relativamente elevada a
porcentagem dos(as) que acreditam que o(a) chefe toma decisões conjuntas (20.81%) e
dos(as) que acreditam que possuem liberdade de escolha na situação de trabalho
(18,47%).
Objetivos pouco claros
12.61
Carga de trabalho excessiva
38.90
Subutilização de métodos modernos
17.13
Mudanças frequentes
17.29
Falta de pessoal
Grande competição
Horários não respeitados
50.52
24.26
19.47
Figura 122: Porcentagem de respostas positivas aos itens de dificuldades encontradas no trabalho
(N=2609).
114
28.90
Decide sem consultar
13.07
Delega decisões sem significado
Decide após consulta aos
subordinados
11.04
20.81
Decisão tomada conjuntamente
18.47
Temos liberdade de escolha
Figura 123: Porcentagem de respostas positivas aos itens relacionados à opinião sobre a chefia
(N=2609).
Uma outra questão solicitava que os bancários expressassem sua opinião sobre o estilo da
chefia segundo as avaliações na teoria do GRID gerencial de Blake e Mouton. A figura
124 mostra a porcentagem de respostas positivas a cada um dos itens apresentados. As
respostas se dividiram entre o estilo ideal de chefia “máximo interesse pela produção e
pelos trabalhadores” (32,50%) e o estilo autoritário “dar muita importância para a
produção” (32,50%).
Importância para a produção
Importância para o indivíduo
Mínimo interesse produção e
trabalhadores
32.50
1.42
2.76
Máximo interesse produção e
trabalhadores
Regular interesse produção e
trabalhadores
32.50
17.98
Figura 124: Porcentagem de respostas positivas sobre o estilo da chefia (N=2609).
115
Considerando-se a primeira questão como uma escala (dificuldades no trabalho) obtém-se
um índice de confiabilidade (Alfa de Cronbach) de 0,698. Apesar do índice não ser muito
elevado, a análise das correlações entre os itens indica uma certa confiabilidade na
direção correta (tabela 24). Por exemplo, as correlações mais altas dizem respeito a
“carga excessiva de trabalho” com “horários não respeitados” (R=.400) e “falta de
pessoal” (R=.394).
Os resultados obtidos na escala de dificuldades do trabalho foram submetidos a análises
de variância. A primeira considerou apenas as variáveis sócio-demográficas, incluindo as
regiões e o tipo de banco e não foram encontradas diferenças significativas (p>.01), de tal
forma que é válida a afirmação de que as dificuldades vividas pelos(as) bancários(as) no
seu trabalho são praticamente as mesmas, independente da região do Brasil e do tipo de
banco. A segunda considerou as situações constrangedoras relatadas e as que
apresentaram diferenças significativas são mostradas na figura 125 (p<.01).
Uma terceira análise considerou o número de situações constrangedoras relatadas,
duração e freqüência das agressões, tipo de agressor, consciência do agressor, ser
agredido por outros além do chefe e as outras variáveis relacionadas ao agressor e
atitudes da vítima e assédio sexual. O resultado dessa análise mostrou que a variável
número de situações relatadas se correlaciona com a escala de dificuldades no trabalho
(F=2,827, gl=17, p=.000). As duas escalas se correlacionam positivamente (R=.525,
p=.000), como pode ser visto na figura 126.
Tabela 24: Matriz de correlação entre os sete itens da escala de dificuldades no trabalho.
1
2
3
4
5
6
Objetivos pouco claros (1)
1.000
Carga de trabalho excessiva (2)
.133
1.000
Subutilização de métodos
modernos (3)
Mudanças freqüentes (4)
.284
.198
1.000
.318
.232
.298
1.000
Falta de pessoal (5)
.127
.394
.200
.193
1.000
Grande competição (6)
.224
.209
.194
.302
.242
1.000
Horários não respeitados (7)
.201
.400
.198
.274
.291
.295
7
1.000
116
1.55
Seu chefe prejudica sua saúde
3.54
1.72
Seu chefe força você a pedir
demissão
4.25
1.60
Seu chefe dá instruções
confusas e imprecisas
3.59
Não
1.45
Sim
Seu chefe o enche de trabalho
3.23
Seu chefe impõe horários
injustificados
1.65
Seu chefe atribui a você "erros
imaginários"
1.63
3.60
3.60
0.00 1.00 2.00 3.00 4.00 5.00
Média Dificuldades do Trabalho
Figura 125: Média de itens relatados de dificuldades no trabalho por situações constrangedoras
relatadas (Sig., N=2609).
9
Média de situações relatadas
8
7
6
5
4
3
2
1
0
0
1
2
3
4
5
6
7
Dificuldades no Trabalho
Figura 126: Média de situações constrangedoras relatadas e dificuldades no trabalho (N=2609).
Os itens sobre decisões da chefia foram analisados considerando-se os cinco itens como
uma escala de tomada de decisões de autoritária (1) a democrática (12), obtida através da
pontuação das respostas nos cinco itens. O índice obtido foi comparado através de
análises de variância. A primeira comparou as médias da tomada de decisões com as
117
variáveis sócio-demográficas, tipo de banco e regiões. Os resultados dessa análise
mostraram que o tipo de banco apresenta diferenças significativas em relação à tomada
de decisões, como pode ser visto na figura 127, sendo que nos bancos públicos as
decisões são tomadas mais democraticamente que nos bancos privados (F=12.168, gl=1,
p=.000, N=2367).
Média escala de tomada de
decisões
2.90
2.80
2.70
2.60
2.50
2.40
2.30
Privados
Públicos
Tipo de Banco
Figura 127: Tomada de decisões por tipo de banco (N=2367).
A segunda análise comparou as médias na escala de tomada de decisões e a freqüência de
relatos das situações constrangedoras. Apenas na situação “Seu chefe prejudica a sua
saúde” é que as médias na escala de tomada de decisões apresentaram diferenças
significativas (figura 128) (F=45,988, gl=1, p=.000, N=2609), sendo que os(as) que
acham que o(a) chefe prejudica a saúde apresentam uma percepção de tomada de
decisões mais autoritárias pela chefia.
118
Média escala de tomada de
decisões
3.00
2.50
2.00
1.50
1.00
0.50
0.00
Sim
Não
Seu chefe prejudica a sua saúde
Figura 128: Tomada de decisões por “seu chefe prejudica a sua saúde” (N=2609).
O número de situações constrangedoras relatadas se correlaciona com o tipo de tomada
de decisão (F=64,499, gl=1, p=.000, N=2292) (figura 129), sendo que os que relataram
um maior número de situações constrangedoras também percebem a tomada de decisões
como mais autoritária.
Média de Situações Relatadas
3.50
3.00
2.50
2.00
1.50
1.00
0.50
0.00
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
Escala de Tomada de Decisões
Figura 129: Tomada de decisões por média de situações constrangedoras relatadas (N=2292).
A terceira questão sobre a organização do trabalho refere-se ao estilo da chefia. Segundo
o modelo do GRID gerencial, os itens podem ser considerados como duas dimensões
diferentes: a dimensão produção (o quanto a chefia é preocupada com as questões da
119
produção) e a dimensão pessoas (o quanto a chefia é preocupada com as questões dos
trabalhadores). Assim, consideramos na análise as duas dimensões separadamente,
criando-se dois índices: o índice “produção” e o índice “pessoas”, obtidos através da
combinação dos cinco itens com pesos diferentes.
As médias no índice “pessoas” (EstPess) apresentaram diferenças significativas em
relação ao tipo de banco (F=8,187, gl=1, p=.004), mas não no índice “produção”
(EstProd), como mostra a figura 130. Nos bancos privados as chefias estão menos
preocupadas com os(as) trabalhadores(as) do que nos públicos. Por outro lado, nos dois
tipos de bancos as chefias estão preocupadas com a produção, com uma tendência de nos
bancos públicos essa preocupação ser um pouco menor, mas não significativa.
7.63
7.23
8.00
7.00
Média
6.00
5.00
4.58
4.05
4.00
EstProd
3.00
EstPess
2.00
1.00
0.00
Privados
Públicos
Tipo de Banco
Figura 130: Médias nos índices de estilos de chefia por tipo de banco (N=2368).
Além disso, as médias no índice “produção” apresentaram diferenças significativas em
relação às regiões (F=3,427, gl=4, p=.008) (figura 131), indicando que na região sudeste
as chefias são percebidas como mais preocupadas com a produção do que nas outras
regiões. Embora as diferenças das médias no índice “pessoas” não tenham apresentado
diferenças significativas, há uma tendência de uma maior preocupação das chefias com as
pessoas na região nordeste e uma menor preocupação nas regiões centro-oeste e norte,
segundo a percepção dos(as) participantes.
120
8.00
7.73
7.44
7.06
7.37
7.04
7.00
6.00
Médias
5.00
4.10
4.46
4.34
4.34
3.99
4.00
EstProd
3.00
EstPess
2.00
1.00
0.00
Norte
Nordeste
Centro-Oeste
Sudeste
Sul
Regiões
Figura 131: Médias nos índices de estilos de chefia por região (N=2541).
Há diferenças na percepção do estilo das chefias no índice “pessoas” dependendo da
idade do(a) respondente (F=7,815, gl=3, p=.000), como mostra a figura 132. Os(as)
bancários(as) de menos de 25 anos percebem as chefias como mais preocupadas com as
“pessoas” do que nas outras faixas etárias. Embora não significativa, as diferenças entre
as médias indica que os(as) jovens até 24 anos também acreditam que as chefias estão
mais preocupadas com a produção que as outras faixas etárias.
9.00
8.02
7.00
7.50
7.47
8.00
7.03
5.74
Médias
6.00
4.18
5.00
4.07
4.35
EstProd
4.00
EstPess
3.00
2.00
1.00
0.00
Até 24 anos
25 a 34 anos
35 a 44 anos
Mais de 44 anos
Idade
Figura 132: Médias nos índices estilos de chefia por idade (N=1721).
121
Ainda em relação ao estilo da chefia, a figura 133 mostra as diferenças nas médias dos
índices por nível de escolaridade. Em geral, os(as) bancários(as) de escolaridade mais
baixa (nível básico e médio) percebem as chefias como menos preocupadas com as
pessoas (F=3,394, gl=4, p=.009). Embora não significativas, as diferenças no índice
“produção” indicam que os(as) de menor escolaridade também percebem suas chefias
como menos preocupadas com a produção.
7.57
8.00
7.00
7.71
7.33
7.12
6.12
6.00
4.54
Médias
5.00
4.35
4.37
3.63
4.00
2.99
EstProd
3.00
EstPess
2.00
1.00
0.00
Básico
Médio
Superior
Completo ou Completo ou Incompleto
Incompleto Incompleto
Superior
Completo
Pós
Graduação
Escolaridade
Figura 133: Médias nos índices de estilos de chefia por escolaridade (N=2568).
É interessante notar que há uma diferença nas médias do índice “pessoas” quanto a ser ou
não chefe de família, os(as) chefes de família percebem suas chefias como menos
preocupadas com as pessoas que os(as) não chefes de família (F=8,926, gl=1, p=.003) e
menos preocupadas com a produção (diferença não significativa) (figura 134).
122
8.00
7.50
7.33
7.00
6.00
4.60
4.06
Médias
5.00
4.00
EstProd
3.00
EstPess
2.00
1.00
0.00
Sim
Não
Chefe de Família
Figura 134: Médias nos índices estilos de chefia por ser/não ser chefe de família (N=2528).
As médias nos índices de estilo de chefia se mostraram diferentes em relação a
determinados tipos de situações constrangedoras (figura 135). No índice “pessoas” as
situações “Seu chefe manda cartas de advertência protocoladas” (F=9,596, gl=1, p=.002),
“Seu chefe o enche de trabalho” (F=27,746, gl=1, p=.000), “Seu chefe dá instruções
confusas e imprecisas” (F=17,794, gl=1, p=.000), “Seu chefe força você a pedir
demissão” (F=7,798, gl=1, p=.005) e “Seu chefe prejudica sua saúde” (F=40,478, gl=1,
p=.000) apresentaram médias diferentes, sendo que aqueles(as) que relatam ter
vivenciado essas situações percebem a chefia como menos preocupada com as pessoas
(média baixa na escala) do que os(as) que não relatam essas situações. Já no índice
“produção”, foram significativas as diferenças nas situações “Seu chefe o enche de
trabalho” (F=11,009, gl=1, p=.000), sendo que quem não relata essa situação percebe a
chefia como menos preocupada com a produção, e “Seu chefe força você a pedir
demissão” (F=11,446, gl=1, p=.000), sendo que quem relata essa situação percebe a
chefia como muito preocupada com a produção.
123
12.00
11.18
11.25
10.00
9.19
8.65
8.62
8.00
7.33
7.26
7.10
7.27
7.14
6.00
4.75
4.58
4.31
4.00
4.69
4.34
3.30
EstProd
EstPess
2.87
2.42
1.80
1.54
2.00
0.00
S
N
Seu chefe manda
c artas de
advertênc ia
protocoladas
S
N
Seu c hefe o enc he
de trabalho
S
N
Seu c hefe dá
instruções
c onfusas e
imprecisas
S
N
Seu c hefe forç a
voc ê a pedir
demissão
S
N
Seu c hefe
prejudic a sua
saúde
Figura 135: Médias nas escalas estilos de chefia por cinco das situações constrangedoras
relatadas (N=2609).
Há uma associação entre os resultados nos índices de estilo de chefia e o número de
situações relatadas. No índice produção a média aumenta na medida em que aumenta o
relato das situações, isto é, a chefia é considerada mais preocupada com a produção
(F=934,398, gl=1, p=.000). No índice pessoas, conforme aumenta o número de situações
relatadas a média diminui, mostrando uma chefia menos preocupada com as pessoas
(F=64,579, gl=1, p=.000) (figura 136).
124
20.00
18.00
EstProd
16.00
EstPess
14.00
Média
12.00
10.00
8.00
6.00
4.00
2.00
0.00
0
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
Número de Situações Relatadas
Figura 136: Número de situações constrangedoras relatadas e estilos de chefia.
3.5.1 Controle sobre o trabalho
A figura 137 mostra a porcentagem de respostas à pergunta sobre o controle do trabalho.
Dos(as) 2414 que responderam essa questão, a maioria considera o controle sobre seu
trabalho como normal (58,74%), mas também há uma grande porcentagem que considera
o controle permanente (31,73%).
fraco
7.91%
nulo
1.62%
permanente
31.73%
normal
58.74%
Figura 137: Porcentagem das respostas sobre o controle do trabalho (N=2414).
125
Não foram encontradas diferenças significativas nas freqüências de respostas em relação
ao sexo e as demais varáveis sócio-demográficas, excetuando-se as diferenças entre as
regiões e o tipo de banco.
Como mostra a figura 138, na região sudeste há a percepção de um controle mais
permanente sobre o trabalho em relação às outras regiões (QQ=38,573; gl=12; p=.000). O
mesmo acontece em relação aos bancos privados (QQ=33,921; gl=3; p=.000) (figura
139).
50
45
40
35
30
% 25
20
15
10
5
0
permanente
normal
fraco
nulo
Norte
4.27
4.19
6.38
10.53
Nordeste
14.00
19.52
16.49
10.53
Centro-Oeste
13.47
15.91
25.00
10.53
Sudeste
49.73
42.01
36.70
44.74
Sul
18.53
18.37
15.43
23.68
Figura 138: Porcentagem das respostas sobre o controle do trabalho por região (N=2359).
126
70
60
50
%
40
30
20
10
0
permanente
normal
fraco
nulo
Privados
60.46
47.32
46.29
57.14
Públicos
39.54
52.68
53.71
42.86
Figura 139: Porcentagem das respostas sobre o controle do trabalho por tipo de banco (N=2220).
As respostas sobre o controle sobre o trabalho mostraram uma associação com o número
de situações relatadas, sendo que quando o controle é considerado “permanente”, “nulo”
ou “fraco”, há uma freqüência maior de ocorrências do que quando ele é considerado
normal (figura 140) (F=160,325, gl=4, p=.000). Há também uma associação do controle
do trabalho e a duração média das agressões (F=108,747, gl=4, p=.000) (figura 141):
quando o controle é normal a média da duração das agressões é mais baixa.
3.00
2.86
2.79
2.61
2.50
Médias
2.00
1.40
1.50
1.00
0.51
0.50
0.00
permanente normal
fraco
nulo
Total
Controle sobre o trabalho
Figura 140: Média do número de situações constrangedoras relatadas e controle sobre o trabalho
(N=366).
127
11.95
11.56
12.00
9.75
10.00
8.51
Médias
8.00
6.00
4.00
2.00
0.00
permanente
normal
fraco
nulo
Controle sobre o trabalho
Figura 141: Média da duração das ocorrências de agressão e controle sobre o trabalho (N=366).
As respostas sobre o controle sobre o trabalho apresentaram diferenças quanto à
freqüência das agressões (QQ=55,421, gl=6, p=.000): quando a as agressões são
constantes, o controle sobre o trabalho é nulo ou permanente (figura 142).
80
70
60
50
%
40
30
20
10
0
permanente
normal
fraco
nulo
uma vez por mês
14.52
34.27
23.28
7.41
uma vez por semana
25.76
32.86
27.59
18.52
várias vezes por semana
59.72
32.86
49.14
74.07
Figura 142: Porcentagem das respostas sobre o controle do trabalho e freqüência das agressões
(N=783).
128
A figura 143 mostra a relação entre o controle sobre o trabalho e ser agredido(a) por
outros além do chefe (QQ=33,555, gl=3, p=.000). Quando o controle sobre o trabalho é
normal, não há relatos de ser agredido(a) por outros.
100
80
60
%
40
20
0
permanente
normal
fraco
nulo
Sim
25.13
12.74
23.42
21.43
Não
74.87
87.26
76.58
78.57
É agredido por outros além do chefe
Figura 143: Porcentagem das respostas sobre o controle do trabalho e ser agredido por outros
além do chefe (N=1438).
3.5.2 Aspectos Psicossociais e Clima Organizacional
A figura 144 mostra a porcentagem de respostas aos itens relacionados aos aspectos
psicossociais do trabalho. As opiniões, em geral, refletem um clima negativo de trabalho
em termos de comunicação (existem boatos que geram insegurança, pessoas que não
passam informações e que impedem o contato com as chefias), mas há um clima positivo
em relação às chefias e às equipes de trabalho.
Esses seis itens foram analisados considerando-se o conjunto como uma escala dos
aspectos psicossociais do trabalho ou do clima no ambiente de trabalho, computando-se
adequadamente as questões positivas e negativas. A escala, aqui chamada de clima,
possui um índice de confiabilidade (Alfa de Cronbach) de 0,762.
Não foram encontradas diferenças significativas entre as regiões, mas sim entre os tipos
de bancos e os índices na escala de clima. Em geral, como mostra a figura 145, nos
bancos públicos o clima de trabalho é considerado melhor (F=26,107, gl=1, p=.000).
129
Chefe toma
consciência
atitudes
62.67
Existem boatos
52.89
Pessoas que não
informam
66.84
Pessoas que
impedem o
contato
44.85
Ajuda entre as
equipes
52.23
62.03
Entrosamento
Figura 144: Porcentagem de respostas aos itens relacionados aos fatores psicossociais do
trabalho (N=2609).
9.21
9.30
9.20
9.10
Médias
9.00
8.90
8.80
8.68
8.70
8.60
8.50
8.40
Privados
Públicos
Figura 145: Média na escala “clima de trabalho” por tipo de banco (N=1501).
Quando as situações constrangedoras mostradas na figura 146 são relatadas com maior
freqüência, a escala de clima apresenta uma média menor, significando que quando o
clima de trabalho é melhor, há um menor número de relatos de situações
constrangedoras. A tabela 26 apresenta o resultado da análise de variância.
130
10.00
9.12
9.04
9.28
9.14
9.23
9.14
9.00
8.00
7.79
7.40
7.25
7.49
7.31
7.37
Médias
7.00
6.00
5.00
4.00
3.00
2.00
1.00
0.00
S
N
S
N
S
N
Seu chefe
Seu chefe Seu chefe o
não lhe
atribui a você enche de
cumprimenta
"erros
trabalho
mais e não imaginários"
S
N
Seu chefe
pede
trabalhos
urgentes
S
N
S
N
Seu chefe dá Seu chefe
instruções prejudica sua
confusas e
saúde
imprecisas
Figura 146: Média na escala “clima de trabalho” por seis das situações constrangedoras
(N=1648).
Tabela 25: Resultados da análise de variância das variáveis situações constrangedoras e a
escala de clima de trabalho (N=1648).
Seu chefe não lhe cumprimenta mais e não fala
mais com você
Seu chefe atribui a você "erros imaginários"
Seu chefe o enche de trabalho
Seu chefe pede trabalhos urgentes sem nenhuma
necessidade
Seu chefe dá instruções confusas e imprecisas
Seu chefe prejudica sua saúde
F
10.3315
gl
1
Sig
0.0013
7.9861
40.5986
10.9304
1
1
1
0.0048
0.0000
0.0010
14.4525
34.0923
1
1
0.0001
0.0000
Comparando-se o clima de trabalho com o número de situações relatadas, observa-se que
o julgamento do clima fica pior à medida que aumenta o número de situações relatadas
como mostra a figura 147 (F=47,865, gl=17, p=.000).
131
Média clima de trabalho
12.00
10.00
8.00
6.00
4.00
2.00
0.00
0
1
2
3
4
5
6
7
8
9 10 11 12 13 14 16 18 20
Número de Situações Relatadas
Figura 147: Média na escala “clima de trabalho” pela média do número de situações relatadas
(N=1648).
A figura 148 mostra as médias na escala de clima por freqüência das agressões. Observase que quando a freqüência das agressões é maior a avaliação do clima é pior (F=6,966,
gl=2, p=.001). A média na escala de clima é mais baixa quando o(a) participante relata
que é agredido por outros além do chefe (F=84,889, gl=1, p=.000) (figura 149). A escala
de clima também se relaciona com as respostas à questão de por quantas pessoas é
agredido, como mostra a figura 150 (F=13,946, gl=2, p=.000).
8.10
8.01
8.00
7.90
7.70
Médias
7.80
7.70
7.47
7.60
7.50
7.40
7.30
7.20
7.10
uma vez por mês
uma vez por
semana
várias vezes por
semana
Figura 148: Média na escala “clima de trabalho” por freqüência das agressões (N=662).
132
Médias
8.76
8.80
8.60
8.40
8.20
8.00
7.80
7.60
7.40
7.20
7.00
6.80
7.52
Sim
Não
É agredido por outros
Figura 149: Média na escala “clima de trabalho” por “é agredido por outros além do chefe”
(N=1086).
7.85
8.00
7.80
Médias
7.60
7.26
7.40
7.20
6.95
7.00
6.80
6.60
6.40
uma pessoa
de 2 a 4
pessoas
mais de 4
pessoas
Figura 150: Média na escala “clima de trabalho” por “por quantas pessoas é agredido” (N=557).
A escala de clima apresenta diferenças entre as médias dependendo do tipo de agressor(a)
(figura 151) (colega: F=44,676, gl=1, p=.000; conjunto de colegas: F=93,191, gl=1,
p=.000; superior hierárquico: F=333,548, gl=1, p=.000; superior contra todos: F=60,364,
gl=1, p=.000). É interessante notar que quando o(a) agressor(a) é o conjunto de colegas a
média na escala de clima é bem mais baixa, significando, como o esperado, a percepção
de um clima de trabalho precário.
133
7.85
6.97
Médias
8.00
9.34
9.01
8.99
10.00
7.54
9.00
7.66
6.00
S
4.00
N
2.00
0.00
colega
conjunto de
superior
superior
colegas
hierárquico contra todos
Figura 151: Média na escala “clima de trabalho” por agressor (N=1648).
Dependendo do tipo de agressor (se homem, mulher ou os dois) há diferenças
significativas nas médias da escala de clima (figura 152) (F=8,264, gl=1, p=.000).
Quando o(s) agressor(es) é homem(s) o clima é percebido como melhor. Quando a
agressora é mulher a percepção do clima piora. O mesmo ocorre quando há relatos de
assédio sexual: os(as) que relatam ter sido assediados(as) relatam um clima de trabalho
pior (F=60,960, gl=1, p=.000) (figura 153).
A percepção do controle sobre o trabalho também leva a diferenças nas médias da escala
de clima como mostra a figura 154 (F=92,142, gl=3, p=.000).
8.00
7.81
Médias
7.80
7.57
7.60
7.26
7.40
7.20
7.00
6.80
homem(s)
mulher(es)
os dois
Figura 152: Média na escala “clima de trabalho” por tipo de agressor (N=653).
134
8.94
9.00
7.26
8.00
7.00
Médias
6.00
5.00
4.00
3.00
2.00
1.00
0.00
Sim
Não
Foi exposto a assédio sexual?
Figura 153: Média na escala “clima de trabalho” por ter sido assediado sexualmente (N=1461).
9.58
10.00
9.00
8.26
7.64
8.00
7.45
Médias
7.00
6.00
5.00
4.00
3.00
2.00
1.00
0.00
permanente normal
fraco
nulo
Controle sobre o trabalho
Figura 154: Média na escala “clima de trabalho” por percepção do controle sobre o trabalho
(N=1613).
3.5.3 Reestruturação na empresa
Quando perguntados(as) sobre a ocorrência de reestruturação na empresa, 69,4% dos(as)
que responderam a essa questão (N=2264) responderam positivamente, sendo que na
maioria dos bancos dos(as) investigados(as) essa reestruturação vem ocorrendo nos
últimos 2 anos (40,5%, N=1625), como mostra a tabela 26.
135
Tabela 26: Freqüência e porcentagem das respostas à pergunta sobre quando houve
reestruturação na empresa.
Quando ocorreu a
reestruturação?
mais de 5 anos
4 a 2 anos
2 anos a hoje
vai ser posta em prática
NR
Total
Freqüência
Porcentagem
475
350
658
142
984
2609
18.2
13.4
25.2
5.4
37.7
100.00
Porcentagem
válida
29.2
21.5
40.5
8.7
100.00
136
3.6 Sintomas de Distúrbios Psicológicos (SRQ20)
As respostas fornecidas em relação aos sintomas de distúrbios psicológicos podem ser
vistas na figura 155. Chama atenção a alta porcentagem de respostas ao item “Sente-se
nervoso, tenso e preocupado” (60,72%) e no item “Dorme mal” (42,14%), que são
indicativos de estresse psicológico e que podem ser decorrentes do trabalho.
O índice de sintomas psicológicos do SRQ20 é obtido somando-se as respostas positivas
nos 20 itens. O coeficiente de confiabilidade do teste para a nossa amostra foi de 0,898
(Alfa de Cronbach; N=2156). As respostas dos participantes variaram de 0 a 20 sintomas,
a média foi de 5,39 pontos (DP=4,96).
37.37
Tem dores de cabeça constantemente
17.15
Tem falta de apetite
42.14
Dorme mal
28.59
Assusta-se com facilidade
21.20
Tem tremores nas mãos
60.72
Sente-se nervoso, tenso ou preocupado
31.87
Tem má digestão
26.10
Tem dificuldade de pensar com clareza
37.86
Tem-se sentido triste ultimamente
19.10
Tem chorado mais que de costume
Tem dificuldade para realizar com satisfação suas
atividades
36.55
Tem dificuldade para tomar decisão
Tem dificuldade no serviço
É incapaz de desempenhar um papel útil em sua
vida
23.88
21.83
9.37
26.23
Tem perdido o interesse pelas coisas
Você se sente uma pessoa inútil, sem préstimo
Tem tido a idéia de acabar com a vida
Sente-se cansado o tempo todo
Tem sensações desagradáveis no estômago
Você se cansa com facilidade
9.72
4.37
36.36
33.40
38.76
Figura 155: Porcentagens de respostas aos itens do questionário de sintomas psicológicos
(SRQ20).
137
Considerando-se a pontuação indicativa de estresse em relação à população brasileira, 7/8
pontos (Harpham et al, 2003), a amostra estudada aqui se divide segundo mostra a tabela
27 e figura 156: 30,52% dos(as) bancários(as) que responderam ao SRQ20 demonstram
estar com sintomas de estresse e, considerando a amostra como um todo, 25,22% podem
ser considerados(as) como apresentando estresse.
Tabela 27: Freqüência e porcentagem dos(as) participantes segundo o SRQ20.
Freqüência
Não estresse
Estresse
NR
Total
1498
658
453
2609
Porcentagem
(%)
57.42
25.22
17.36
100.00
Porcentagem
Válida (%)
69.48
30.52
100.00
Estresse
30.52%
Não estresse
69.48%
Figura 156: Porcentagem de bancários(as) com estresse segundo o SRQ20 (N=2156).
Analisando-se o resultado no SRQ20 através de uma análise de variância, verifica-se que
os efeitos principais de sexo, regiões, tipo de banco e idade são significativos.
O sexo feminino é o que apresenta o maior índice de estresse como mostram as figuras
157 (F=31,094, gl=1, p=.000) e 158 (QQ=11,278; gl=1; p=.001), quando comparado ao
sexo masculino. A figura 159 mostra as principais diferenças nos 20 itens da escala em
relação ao gênero do respondente. As mulheres se queixam mais de dores de cabeça, de
assustarem-se com facilidade, de ter má digestão e sensações desagradáveis no estômago,
de chorarem com maior freqüência, de cansaço e de se cansarem com mais facilidade.
138
6.03
7.00
6.00
4.83
Médias
5.00
4.00
3.00
2.00
1.00
0.00
Masculino
Feminino
Figura 157: Pontuação no SRQ20 por sexo( N=2114).
56
54
52
50
% 48
46
44
42
40
Masculino
Feminino
Não estresse
54.37
45.63
Estresse
46.45
53.55
Figura 158: Porcentagem dos(as) participantes segundo estar/não estar estressado no SRQ20 por
sexo (N=2114).
139
28.38
*Tem dores de cabeça constantemente
46.72
15.37
18.81
Tem falta de apetite
41.17
43.04
Dorme mal
18.99
*Assusta-se com facilidade
38.67
19.17
23.65
Tem tremores nas mãos
57.91
64.13
Sente-se nervoso, tenso ou preocupado
28.55
35.91
*Tem má digestão
24.13
28.49
Tem dificuldade de pensar com clareza
9.78
29.01
Tem dificuldade para realizar com satisfação suas
atividades
37.26
36.16
Tem dificuldade para tomar decisão
22.81
25.21
Tem dificuldade no serviço
23.76
20.07
É incapaz de desempenhar um papel útil em sua
vida
9.40
9.49
25.78
26.56
Tem perdido o interesse pelas coisas
Você se sente uma pessoa inútil, sem préstimo
Tem tido a idéia de acabar com a vida
*Sente-se cansado o tempo todo
*Tem sensações desagradáveis no estômago
*Você se cansa com facilidade
Feminino
35.21
40.93
Tem-se sentido triste ultimamente
*Tem chorado mais que de costume
Masculino
8.07
11.59
3.59
5.15
32.35
40.93
30.10
36.98
34.83
43.18
(*) Diferenças significativas p<0.01
Figura 159: Porcentagens de respostas aos itens do questionário de sintomas psicológicos
(SRQ20) por sexo.
Os(as) bancários(as) da região nordeste foram os(as) que apresentaram o menor índice de
estresse (figura 160) em relação às outras regiões (F=9,396, gl=4, p=.000) e são menos
estressados de acordo com a classificação adotada (QQ=27,744; gl=4; p=.000) (figura
161).
140
5.94
6.00
5.80
5.37
5.35
5.00
4.05
Médias
4.00
3.00
2.00
1.00
0.00
Norte
Nordeste
CentroOeste
Sudeste
Sul
Figura 160: Pontuação no SRQ20 por região (N=2103).
80
70
60
50
%
40
30
20
10
0
Norte
Nordeste
CentroOeste
Sudeste
Sul
Não estresse
67.07
80.00
65.12
66.04
70.94
Estresse
32.93
20.00
34.88
33.96
29.06
Figura 161: Porcentagem dos(as) participantes segundo estar/não estar estressado no SRQ20 por
região (N=2103).
Em relação ao tipo de banco, os(as) bancários(as) dos bancos privados apresentaram um
maior índice de sintomas quando comparados(as) aos dos bancos públicos, como
mostram as figuras 162 e 163 (F=45,119, gl=1, p=.000 e QQ=33,690, gl=1, p=.000).
No que se refere à idade, os(as) participantes entre 25 e 34 anos são os(as) que
apresentam o maior índice de sintomas (figura 164) (F=6,171, gl=3, p=.000), mas não há
diferenças significativas quando se compara os grupos com/sem estresse e classes de
idade.
141
6.15
7.00
6.00
4.65
Médias
5.00
4.00
3.00
2.00
1.00
0.00
Privados
Públicos
Figura 162: Pontuação no SRQ20 por tipo de banco (N=1968).
80
70
60
50
% 40
30
20
10
0
Privados
Públicos
Não estresse
63.41
75.51
Estresse
36.59
24.49
Figura 163: Porcentagem dos(as) participantes segundo estar/não estar estressado no SRQ20 por
tipo de banco (N=1968).
6.18
7.00
5.55
6.00
Médias
5.00
4.96
4.54
4.00
3.00
2.00
1.00
0.00
Até 24 anos
25 a 34
anos
35 a 44
anos
Mais de 44
anos
Figura 164: Pontuação no SRQ20 por idade (N=1433).
142
3.6.1 Relação entre o SRQ20 e as situações constrangedoras
A freqüência de respostas a algumas das situações constrangedoras apresentou médias
diferentes no SRQ20 como mostra a figura 165 (a tabela 28 mostra os resultados das
análises de variância correspondentes). É interessante notar que a maior pontuação no
SRQ20 corresponde à situação “seu chefe insinua ou faz correr boato de que você está
com problema mental ou familiar”.
13.29
14
12
11.30
10.89
10.63
9.60
10
8.93
8
%
6
4.91
5.13
4.94
4.92
4.54
4.57
4
2
Seu chefe atribui
Seu chefe o
a você "erros enche de trabalho
imaginários"
Seu chefe dá
instruções
confusas e
imprecisas
Seu chefe ignora Seu chefe insinua
sua presença na
e faz correr o
frente dos outros
boato de que
você está com
problema mental
N
S
N
S
N
S
N
S
N
S
N
S
0
Seu chefe
prejudica sua
saúde
Figura 165: Pontuação no SRQ20 por seis das situações constrangedoras (N=2156).
Tabela 28: Resultados das análises de variância das situações constrangedoras e a escala
SRQ20 (N=2156).
Seu chefe atribui a você "erros imaginários"
Seu chefe o enche de trabalho
Seu chefe dá instruções confusas e imprecisas
Seu chefe ignora sua presença na frente dos outros
Seu chefe insinua e faz correr o boato de que você
está com problema mental ou familiar
Seu chefe prejudica sua saúde
F
11.043
72.513
7.851
9.025
8.326
gl
1
1
1
1
1
Sig
0.001
0.000
0.005
0.003
0.004
103.035
1
0.000
143
Há uma correlação positiva entre o resultado no SRQ20 e o número de situações
constrangedoras relatadas (R=.514; p=.000) e com a duração das agressões (R=.169,
p=.000), essas relações podem ser vistas nas figuras 166 e 167. A figura 168 mostra a
relação entre o índice de estresse e o número de situações relatadas (F=529,287, gl=1,
p=.000).
18.00
Resultado no SRQ20
16.00
14.00
12.00
10.00
8.00
6.00
4.00
2.00
0.00
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21
Número de Situações Relatadas
Figura 166: Número de situações constrangedoras relatadas por número de sintomas relatados no
SRQ20 (N=2156).
20.00
18.00
Resultado no SRQ20
16.00
14.00
12.00
10.00
8.00
6.00
4.00
2.00
0.00
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21
Duração das Agressões
Figura 167: Média da duração das agressões por sintomas no SRQ20 (N=313).
144
2.95
Número de situações relatadas
3.00
2.50
2.00
1.50
0.53
1.00
0.50
0.00
Não estresse
Estresse
Figura 168: Média do número de situações constrangedoras relatadas por condição de estresse
(N=2156).
Há uma associação positiva entre os resultados no SRQ20 e ter ou não sido exposto(a) a
assédio sexual como mostra a figura 169 (F=80,795, gl=1, p=.000).
Resultado no SRQ20
12.00
10.52
10.00
8.00
5.48
6.00
4.00
2.00
0.00
Sim
Não
Foi exposto a assédio sexual
Figura 169: Assédio sexual por sintomas no SRQ20 (N=1802).
145
3.6.2 Relação entre o SRQ20 e Organização do Trabalho
A tabela 29 mostra as correlações obtidas entre as escalas sobre a organização do trabalho
e a escala de sintomas psicológicos. Nota-se que excetuando a correlação entre a escala
tomada de decisões e dificuldades no trabalho, todas as outras escalas se correlacionam
de acordo com o esperado. A escala de sintomas psicológicos se correlaciona
positivamente com a média do número de situações relatadas e com o índice de
dificuldades no trabalho; negativamente com a escala sobre tomada de decisão (nessa
escala o nível mais baixo representa decisões autoritárias e o nível mais alto decisões
democráticas); positivamente com o índice de estilo de chefia “preocupado com a
produção”; negativamente com o índice de estilo de chefia “voltado para as pessoas” e
com a escala de clima organizacional (quanto maior o valor, mais positivo é o clima de
trabalho).
Tabela 29: Correlações de Spearman entre as escalas utilizadas na análise.
SRQ20
SRQ20
Número de
situações
vivenciadas
Dificuldades
no trabalho
Tomada de
Decisão
Estilo de
chefia
"Produção"
Estilo de
chefia
"Pessoas"
Clima
Corr.
Sig
N
0.5553
0.0000
2156
0.5135
0.0000
2156
-0.1548
0.0000
2156
0.1120
0.0000
2156
-0.3135
0.0000
2156
-0.5224
0.0000
1406
Número de
situações
vivenciadas
1
.
2609
0.5077
0.0000
2609
-0.1936
0.0000
2609
0.2037
0.0000
2609
-0.3923
0.0000
2609
-0.5759
0.0000
1648
Dificuldades
no trabalho
1
.
2609
0.0076
0.6990
2609
0.1977
0.0000
2609
-0.2482
0.0000
2609
-0.5167
0.0000
1648
Tomada
de
Decisão
Estilo de
chefia
"Produção"
Estilo de
chefia
"Pessoas"
1
.
2609
0.2046
0.0000
2609
0.4493
0.0000
2609
0.3318
0.0000
1648
1
.
2609
0.2855
0.0000
2609
-0.0757
0.0021
1648
1
.
2609
0.4933
0.0000
1648
Clima
Corr.
Sig.
N
146
A correlação positiva entre os resultados no SRQ20 e a escala de dificuldades no trabalho
(R=.514) pode ser vista na figura 170, conforme as dificuldades no trabalho aumentam,
aumenta a quantidade de sintomas relatados no SRQ20.
14.00
Res ultado no S RQ20
12.00
10.00
8.00
6.00
4.00
2.00
0.00
1
2
3
4
5
6
7
8
Escala de Dificuldades no Trabalho
Figura 170: Resultados no SRQ20 e dificuldades no trabalho.
A figura 171 mostra a relação entre os resultados no SRQ20 e a escala de tomada de
decisão (R=-.155), sendo que nesta última um valor alto significa decisões mais
democráticas. O que se pode notar é que conforme as decisões são consideradas mais
autoritárias, maior é o número de sintomas relatados.
Resultado no S RQ20
12.00
10.00
8.00
6.00
4.00
2.00
0.00
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10 11
12
13
Escala Tomada de Decisão
Figura 171: Resultados no SRQ20 e tomada de decisões.
147
Nas figuras 172 e 173 são apresentados os resultados no SRQ20 comparados com os
resultados nos índices de estilos de chefia. Nota-se que quando o estilo de chefia não leva
em consideração aspectos do indivíduo, há um aumento no relato de sintomas
psicológicos e quando o estilo de chefia é mais voltado para a produção, também há um
aumento no número de sintomas relatados.
9.00
Resultado no SRQ20
8.00
7.00
6.00
5.00
4.00
3.00
2.00
1.00
0.00
1
2
3
4
5
Escala Estilo de Chefia "pessoas"
Figura 172: Resultados no SRQ20 e estilo de chefia voltado para as pessoas.
16.00
Resultado no SRQ20
14.00
12.00
10.00
8.00
6.00
4.00
2.00
0.00
1
2
3
4
5
Escala Estilo de Chefia "produção"
Figura 173: Resultados no SRQ20 e estilo de chefia voltado para a produção.
Segundo a escala do clima de trabalho, quanto mais elevada melhor é o clima entre as
pessoas e as equipes de trabalho. Assim, na figura 174, observa-se que quanto melhor o
clima de trabalho menor a quantidade de sintomas psicológicos relatados.
148
Resultado no SRQ20
12.00
10.00
8.00
6.00
4.00
2.00
0.00
1
2
3
4
5
6
7
Escala do Clima de Trabalho
Figura 174: Resultados no SRQ20 e escala do clima de trabalho.
149
4 Discussão
O objetivo principal deste trabalho foi verificar, em uma amostra de bancários(as), a
ocorrência de situações constrangedoras, caracterizando os(as) agressores(as) e as
atitudes dos(as) agredidos(as). Buscou-se investigar também as características da
organização do trabalho que podem concorrer para a ocorrência das situações
constrangedoras. Além disso, a análise dos dados obtidos levou em consideração as
regiões do país e o tipo de banco (se público ou privado) onde os bancários(as) trabalham
e algumas características pessoais, tais como sexo, idade, orientação sexual, raça/etnia,
escolaridade, estado civil e ser ou não chefe de família. A amostra total de 2609
bancários(as) corresponde a 0,66% da população de bancários(as) brasileiros(as) de 25
dos 27 estados do país.
Os resultados obtidos demonstram que a amostra estudada é composta, principalmente,
por homens em uma faixa etária de 25 a 44 anos, na sua grande maioria. Os(as)
participantes possuem curso superior completo ou incompleto, são casados(as),
heterossexuais e brancos(as). Trata-se, portanto, de uma população com uma idade
relativamente elevada e, sem dúvida, uma população altamente educada, bem acima da
média nacional. Além disso, a maioria dos bancários(as) da amostra trabalham em bancos
públicos e residem na região sudeste.
Dos 2609 bancários(as) investigados(as), 38,9% relatam terem passado por ocorrências
constrangedoras no trabalho, sendo que as mais freqüentes são: “seu chefe o enche de
trabalho” e “seu chefe prejudica a sua saúde”. Em média, foram relatadas 1,347 situações
constrangedoras (DP=2,603), com uma duração média de 11,13 meses. Isto é, os
bancários(as) têm uma possibilidade de, aproximadamente, 40% de passarem por pelo
menos uma situação constrangedora que perdura um pouco menos de um ano. Além
disso, esses atos negativos se repetem várias vezes por semana e o agressor é o superior
hierárquico (homem). Em geral, as vítimas não acreditam ou não sabem se o agressor tem
consciência do que faz. As vítimas das agressões costumam conversar com as suas
famílias e com os amigos a respeito do assunto.
150
Do total da amostra, 3,87% já passou por situações de assédio sexual, na sua grande
maioria, mulheres de bancos privados. Nesses casos, o agressor pode ser o superior
hierárquico, mas também um colega ou o conjunto de colegas.
Os(as) bancários(as) da amostra relatam que no seus locais de trabalho há falta de
pessoal, uma carga excessiva de trabalho e grande competição entre os colegas. Em
relação às chefias, a maioria relata que as decisões são autoritárias e que os gerentes estão
mais preocupados com a produção do que com as pessoas. No entanto, em uma escala de
1 a 12, o clima de trabalho é considerado como de 8,9 pontos, pois há entrosamento e
ajuda entre as equipes de trabalho.
Na escala de sintomas de distúrbios psicológicos, a maioria afirma se sentir nervoso,
tenso e preocupado. Na comparação da amostra com a população brasileira, ser
bancário(a) implica em uma probabilidade de ¼ de estar com sintomas de estresse.
4.1 Principais Diferenças de Gênero
Na composição da amostra há um certo equilíbrio entre bancários e bancárias (50,71% e
46,91%, respectivamente). De acordo com os dados obtidos, há proporcionalmente mais
bancárias na região sudeste do que nas outras regiões do país e a quantidade de bancárias
também é maior, proporcionalmente, nos bancos privados. De uma certa maneira, estes
dados mostram que a região sudeste do país, onde há mais bancos privados, possui um
contingente mais feminino de trabalhadores e essas mulheres estão em uma faixa etária
menor que a dos homens.
No entanto, é de certa forma paradoxal o fato das mulheres terem uma escolaridade mais
alta que os homens, pois a maioria das bancárias possui curso superior completo e,
algumas, pós-graduação.
As mulheres solteiras, divorciadas e separadas aparecem em maior número do que os
homens com esses estados civis e as mulheres chefes de família também estão em menor
número na amostra.
Os homens, por sua vez, predominam nos bancos públicos e nas regiões norte, nordeste e
centro-oeste. Proporcionalmente há mais homens na faixa etária acima de 44 anos do que
mulheres. Assim também mais homens se declararam homo e bissexuais. Há mais
151
bancários pretos, pardos e indígenas do que mulheres dessas raças. Os homens da
amostra possuem, comparados com as mulheres, escolaridade de nível médio ou curso
superior incompleto, são casados ou viúvos e chefes de família.
Dentre os(as) que afirmaram ter passado por situações constrangedoras, a maioria é do
sexo feminino, apesar dessa diferença não ser muito grande (não significativa). As
bancárias que passaram por situações constrangedoras são solteiras, separadas e viúvas
em maior número. Dentre as situações vivenciadas pelas mulheres as de maior freqüência
são o “chefe insinuar problema mental ou familiar” e o chefe “não lhes dar qualquer
ocupação, não lhes passar tarefas” e essas situações são mais relatadas pelas solteiras. As
mulheres relatam também que a agressão é mais duradoura.
Quanto aos agressores, as mulheres mais freqüentemente afirmam terem sido agredidas
por mais de 4 pessoas, mas essa diferença não é significativa. Um fato interessante é que
as mulheres, mais do que os homens, indicam o colega como agressor. As bancárias
também imputam as agressões, com maior freqüência que os homens, a outras mulheres e
tendem a falar menos sobre as agressões do que os homens. Isto pode ser decorrente de
uma característica cultural do grupo feminino que tende a se expor menos que os homens
e a ser mais conformista. Cerca de dois terços dos que relataram assédio sexual são
mulheres.
As mulheres percebem suas condições de trabalho da mesma forma que os homens, isto
é, relatam as mesmas dificuldades no trabalho e as mesmas características das chefias e
de clima de trabalho.
Na escala de sintomas psicológicos, as bancárias apresentam uma média maior de
sintomas do que os homens (6,03 e 4,83 pontos, respectivamente) e cerca de 46,45%
delas podem ser consideradas estressadas na comparação com a média nacional. O tipo
de sintoma relatado também varia com o gênero, as mulheres tendem a relatar com maior
freqüência dores de cabeça, de assustarem-se com facilidade, de ter má digestão e
sensações desagradáveis no estômago, de chorarem com maior freqüência, de cansaço e
de se cansarem com mais facilidade.
152
4.2 Diferenças Relacionadas à Raça/Etnia
A porcentagem de bancários(as) de diferentes raças/etnias varia com a região do país.
Nas regiões norte, nordeste e centro-oeste há uma maior porcentagem de pessoas que se
declararam pretas e pardas, na região sudeste essa porcentagem é mais equilibrada e na
região sul há uma maior quantidade de pessoas que se declararam brancas. Este fato
simplesmente reflete diferenças regionais já conhecidas. O que é interessante é que em
termos de idade e escolaridade as diferentes raças/etnias não apresentaram diferenças
significativas. De fato, entre brancos(as) e pretos(as) há uma mesma quantidade de pósgraduados(as), por exemplo.
Nos bancos públicos há, na comparação com os privados, um maior número de pessoas
de outras raças/etnias que não os brancos.
Os(as) bancários(as) de etnia indígena relatam um maior número de situações
constrangedoras em geral. Seria interessante investigar se esta diferença não decorre de
diferenças culturais quanto à percepção das situações propostas no questionário.
Não apareceram diferenças no índice de relatos de situações constrangedoras quando se
compara o grupo de branco(as) e amarelos(as) contra o grupo de negros(as), pardos(as) e
indígenas.
Quanto à duração e freqüência das agressões, não foram encontradas diferenças
significativas entre as pessoas de diferentes raças/etnias. No entanto, as pessoas que se
declararam pretas identificam como agressor, mais freqüentemente, o superior contra
todos os subordinados.
4.3 Diferenças Relacionadas à Orientação Sexual
No que se refere à orientação sexual, o número de pessoas que se declararam
homossexuais e bissexuais na amostra foi bastante reduzido (2,01% e 0,48%,
respectivamente), o que dificulta as comparações combinadas com as outras
características em estudo. Dos que se declararam homo e bissexuais, a maioria é do sexo
masculino e a maioria é solteiro(a) ou vive em parceria.
Das situações propostas no questionário, os homo e bissexuais relataram com maior
freqüência que o “chefe ignora a presença”, “agride o funcionário quando a sós com ele”,
153
“o obriga a realizar tarefas sem interesse” e “o força a pedir demissão”, situações
características de relacionamentos interpessoais conflituosos. Embora essas diferenças
não sejam significativas, elas são indicativas de um tipo de assédio diferente do relatado
pelos heterossexuais, mais relacionado com as questões do trabalho propriamente dito, e
mereceriam uma investigação mais minuciosa. Outro ponto importante relacionado às
diferenças quanto à orientação sexual é que os homo e bissexuais tendem a identificar
como agressores o “conjunto de colegas” com maior freqüência que os heterossexuais, o
que pode ser um indicativo de preconceitos.
154
5 Conclusões
O que se pode deduzir dos resultados encontrados é que a categoria bancária apresenta
desigualdades regionais na sua composição decorrentes das desigualdades regionais do
país. Assim, a região sudeste apresenta-se diferente quanto às características dos
trabalhadores, com uma maior porcentagem de mulheres e de jovens que trabalham em
bancos privados.
Os(as) trabalhadores(as) dos bancos privados, por sua vez, são os(as) que mais relatam a
vivência de situações constrangedoras, principalmente as relacionadas com o próprio
trabalho como, por exemplo, “seu chefe o enche de trabalho”.
Na descrição da organização do trabalho os bancários(as) da amostra relataram
dificuldades no trabalho, chefias autoritárias e preocupadas apenas com a produção.
Essa percepção pode ser a explicação de porque os(as) bancários(as), com uma alta
porcentagem, declaram que o “chefe prejudica a saúde” e apresentam um índice de
estresse baseado nas afirmações de sentir-se nervoso, dormir mal, cansar com facilidade e
sentir-se triste.
155
ANEXO
156
Questionário
CATEGORIA BANCÁRIA
Este questionário visa obter informações sobre a sua vida no trabalho. Todas as
informações serão mantidas em sigilo. Com as informações fornecidas será elaborado um
relatório ao qual você terá acesso através do seu Sindicato.
Suas INICIAIS:_______________
Data de Nascimento:__________
Informações gerais
1. Estado onde mora atualmente (UF):
________________________
8. Escolaridade:
2. Cidade onde mora atualmente:
F Básico Incompleto ou Completo
________________________
F Médio Incompleto ou Completo
3. Estado onde nasceu (UF):
F Superior Incompleto
________________________
F Superior Completo
4. Idade: _______________ anos
F Pós-Graduação
5. Sexo:
F Feminino
F Masculino
9. Banco em que trabalha:_________
6. Estado civil:_______________
Número:_____________________
7. Etnia/raça:_________________
10. Marque as situações pelas quais você está passando. Atualmente, seu/sua chefe:
F
F
F
F
F
F
F
F
F
F
F
Não lhe cumprimenta mais e não
fala mais com você
Atribui a você "erros imaginários"
Bloqueia o andamento dos seus
trabalhos
Manda cartas de advertência
protocolada
Impõe horários injustificados
Enche de trabalho
Pede trabalhos urgentes sem
nenhuma necessidade
Dá instruções confusas e
imprecisas
Ignora sua presença na frente dos
outros
Fala mal de você em público
Manda você executar tarefas sem
interesse
F
F
F
F
F
F
F
F
F
Faz circular maldades e calúnias
sobre você
Transfere você do setor para lhe
isolar
Não lhe dá qualquer ocupação;
não lhe passa as tarefas
Retira seus instrumentos de
trabalho: telefone, fax,
computador, mesa...
Proíbe seus colegas de
falar/almoçar com você
Agride você somente quando
você está a sós com ele
Insinua e faz correr o boato de
que você está com problema
mental ou familiar
Força você a pedir demissão
Prejudica sua saúde
157
11. Duração da agressão (número de
meses)__________________________
18. Por que você acha que ele(a) tem essa
atitude com você?
12. Freqüência dos comportamentos:
F uma vez por mês
F uma vez por semana
19. Qual a opinião de seus colegas sobre
F várias vezes por semana
o(a) agressor(a)?
13. Você é agredido(a) por outras pessoas
além do seu/sua chefe?
F Sim
14.
Por
F Não
quantas
20. Já falou desta situação com alguém?
pessoas
você
é
F Não
F com minha família
agredido(a)?
F uma pessoa
F com meus amigos
F de 2 a 4 pessoas
F a uma pessoa da empresa
F mais de 4 pessoas
F ao setor de recursos humanos
15.
Quem
é
ou
quem
são
os(as)
F ao sindicato
agressores(as)?
F a associação de funcionários
F um colega
F ao meu médico do trabalho
F o conjunto de colegas
F a uma associação especializada em
F seu superior hierárquico
F
seu superior contra você e seus
assédio moral
F
empresa, especificar:
colegas
F um subordinado
F o conjunto de subordinados
16. Seu(s) agressor(es/as) é(são):
F homem(s)
F mulher(es)
21. Você é exposto(a) a formas de assédio
sexual?
F Sim
consciência do mal que ele lhe faz?
F Não
22. Se você respondeu sim, quais?
F
F os dois
17. Você acredita que o(a) agressor(a) tem
outros. Se for a uma pessoa da
utilizar
palavras
ou
degradantes
F
ficar muito próximo ou fazer uma
proposta verbal de relação sexual
F Sim
F agredir fisicamente
F Não
F outros (especificar)
F Não sei
obcenas
158
Sobre a organização do seu trabalho atual
23. Você encontra muitas vezes nas suas
atividades as dificuldades aqui
apontadas?
F objetivos pouco claros
F carga de trabalho excessiva
F utilização insuficiente de métodos de
trabalho mais modernos
F mudanças freqüentes da organização
de trabalho
F falta de pessoal
F uma competição grande entre as
pessoas
F horários não respeitados
24. Como o(a) seu/sua chefe toma as
decisões?
F decide sem consultar os(as)
subordinados(as)
F somente algumas decisões sem
significado são transferidas para
outras pessoas
F ele(a) somente decide após consultar
os(as) subordinados(as)
F a decisão é tomada conjuntamente
pelo(a) chefe e subordinados(as)
F meu/minha chefe dá liberdade para
escolhermos, contanto que
respeitemos as limitações existentes
25. Qual o estilo do(a) seu/sua chefe?
F ele(a) dá muita importância para a
produção e demonstra um interesse
mínimo pelo indivíduo
F ele(a) dá muita importância para o
indivíduo e um interesse mínimo pela
produção
F ele(a) tem um interesse mínimo pelo
trabalhador e pela produção
F ele(a) tem um interesse máximo pelo
trabalhador e pela produção
F ele(a) demonstra um interesse regular
pelo indivíduo e pela produção
26. Você julga que o controle do seu
trabalho pelo seu/sua chefe é:
F permanente
F fraco
F normal
F nulo
27. Seu/sua chefe toma consciência e
atitudes em relação à ocorrência de
agressões no ambiente de trabalho?
F Sim
F Não
28. Você acha que existem muitos boatos
na empresa que geram insegurança?
F Sim
F Não
29. Existem pessoas que guardam as
informações que recebem, e não
passam adiante?
F Sim
F Não
30. Existem pessoas que impedem o
encaminhamento das idéias e sugestões
para a diretoria?
F Sim
F Não
31. Você acha que os grupos ou as equipes
dentro da empresa se ajudam
mutuamente?
F Sim
F Não
32. A sua empresa passou por um período
de reestruturação?
F Sim
F Não
33. Este período de reestruturação
aconteceu:
F há mais de 5 anos
F de 4 a 2 anos
F de 2 anos a hoje
F vai ser posto em prática
34. Você acha que o entrosamento entre as
pessoas na agência é satisfatório?
F Sim
F Não
159
35. Por favor, assinale na coluna se você sente ou não os seguintes sintomas:
SIM
1. Tem dores de cabeça constantemente?
2. Tem falta de apetite?
3. Dorme mal?
4. Assusta-se com facilidade?
5. Tem tremores nas mãos?
6. Sente-se nervoso, tenso ou preocupado?
7. Tem má digestão?
8. Tem dificuldade de pensar com clareza?
9. Tem-se sentido triste ultimamente?
10. Tem chorado mais que de costume?
11. Tem dificuldade para realizar com satisfação
suas atividades?
12. Tem dificuldade para tomar decisão?
13. Tem dificuldade no serviço?
14. É incapaz de desempenhar um papel útil em
sua vida?
15. Tem perdido o interesse pelas coisas?
16.
Você se sente uma pessoa inútil, sem
préstimo?
17. Tem tido a idéia de acabar com a vida?
18. Sente-se cansado o tempo todo?
19. Tem sensações desagradáveis no estômago?
20. Você se cansa com facilidade?
MUITO OBRIGADA POR SUA COOPERAÇÃO!
NÃO
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relatório de pesquisa assédio moral no trabalho: impactos sobre a