O POTENCIALTURÍSTICO DA AMAZÔNIA PARAENSE: O MERCADO INEXPLORADO
DA REGIÃO DO XINGU
Suzane Christine Luz Fernandes1, Edson Aparecida de Araujo Querido Oliveira2,
Marilsa de Sá Rodrigues Tadeucci 3
1
Mestranda em Gestão e Desenvolvimento Regional - Programa de Pós-graduação em Gestão e
Desenvolvimento Regional - PPGDR - Universidade de Taubaté – Rua Visconde do Rio Branco, 210 Centro
- 12020-040 – Taubaté/SP – Brasil – [email protected]
2
Orientador - Professor do Programa de Pós-graduação em Gestão e Desenvolvimento Regional - PPGDR Universidade de Taubaté – Rua Visconde do Rio Branco, 210 Centro - 12020-040 - Taubaté/SP - Brasil –
[email protected]
3
Professor - Professor do Programa de Pós-graduação em Gestão e Desenvolvimento Regional - PPGDR Universidade de Taubaté – Rua Visconde do Rio Branco, 210 Centro - 12020-040 - Taubaté/SP - Brasil –
[email protected]
Resumo - Este artigo descreve o potencial turístico da Região do Xingu, Amazônia paraense, uma vez que
o turismo é capaz de promover a aceleração econômica e o incremento nas áreas social, cultural e
ambiental, tornando-se uma atividade multissetorial, indutora ao desenvolvimento sustentável. A partir de
pesquisa em documentos técnico governamentais, apresenta-se uma compilação e análise conclusiva da
documentação consultadata. Espera-se oferecer um instrumental, que juntamente com outros dados e
informações possam subsidiar a elaboração de planos de desenvolvimento turístico regional, municipal e/ou
estadual.
Palavras-chave: Desenvolvimento sustentável. Potencial turístico. Amazônia Paraense. Região do Xingu.
Área do Conhecimento: VI – Ciências Sociais Aplicadas.
Introdução
Nesta primeira década do Século XXI, o
cenário econômico mundial debate o modelo de
desenvolvimento que considere a dimensão
humana, social, cultural, econômica, ambiental e
ética da população de uma região. As riquezas
naturais e culturais da região Amazônica, objeto
de atenção internacional, concentra um grande
acervo
de
diversidade
socioambiental,
identificando um ativo vinculado aos atrativos
turísticos existente em seu território.
Segundo Zapata (2008), o principal indicador
do desenvolvimento de uma região é o que existe
na região, suas potencialidades e vocações
econômicas existentes nesse espaço socialmente
organizado. E o turismo visto como uma atividade
econômica, Beni (2003) descreve o produto
turístico como um conjunto composto de bens e
serviços produzidos por diversas unidades
econômicas, que funcionam de forma sistêmica,
articulados e integrados, que sofre agregação no
mercado ao serem postos em destaque como
atrativos turísticos; e
tem uma característica
intrínseca, é produzido e consumido no mesmo
local, e o consumidor é que se desloca para a
área de consumo.
Partindo desse referencial teórico, pretende-se
descrever o potencial turístico da Região do Xingu,
Amazônia paraense, mediante análise de
documentos governamentais. Considerando que
uma das dimensões de planejamento estratégico
do Estado para essa região se estabelece pela
imposição natural da bacia hidrográfica do Rio
Xingu, possuidora de inúmeras riquezas naturais,
como praias, ilhas grandes e pequenas,
cachoeiras e furos, revelando um forte potencial
ao turismo e a pesca, devido a enorme
piscosidade existente em sua águas (UFPA –
Campus Altamira, 2003; PARATUR, 2001),
Metodologia
Caracterização Geopolítica: Dos 143 municípios
paraenses (SEPOF, 2007), 11 constituem a região
do Xingu: Altamira, Anapu, Brasil Novo, Gurupá,
Medicilândia, Pacajá, Placas, Porto de Moz
Senador José Porfírio, Uruará e Vitória do Xingu,
Figura 1, onde o município de Altamita é o maior
em extensão territorial.
A população estimada pelo IBGE para o ano
de 2007, totalizou 324.267 habitantes, destes
181.256 (55,9%) pertencem a zona Rural.
(SEPOF, 2007). Sendo o município de Altamira o
mais populoso, 86.888 (26,8%) habitantes, com
predominância na zona urbana (80,4%); seguido
de Uruará, 62.103 (19,2%), predominante na zona
rural (70,9%).
XIII Encontro Latino Americano de Iniciação Científica e
IX Encontro Latino Americano de Pós-Graduação – Universidade do Vale do Paraíba
1
Figura 1 – Região de Integração - Xingu
Fonte: SEPOF (2007).
A região se caracteriza pela influência direta da
bacia Fluvial do Rio Xingu, que domina sua zona
fisiográfica ao cortar de norte a sul o seu território,
Figura 2, nasce no estado de Mato Grosso, segue
pelo Pará, e sua foz deságua na margem direita
no rio Amazonas, na condição de afluente.
Figura 2 – Bacia Fluvial do Xingu
Fonte: Site www.fem.unicamp.br/~seva/TenotaMo_encarteMapa01.pdf
Segundo o Ministério dos Transportes
(BRASIL, 2008), o rio Xingu ainda não se
apresenta apropriado para a navegação em larga
escala. Seu baixo curso possui um estirão
contínuo
navegável
de
360Km,
trecho
compreendido entre Belo Monte e sua foz.
Mantendo uma forma de estuário, estreitando-se
somente na sua foz, onde tem cerca de 7Km de
largura. Nas proximidades da foz, encontram-se
numerosas ilhas, geralmente baixas e alagadiças,
algumas delas aproveitadas para fins agrícolas ou
como pastagens. Enquanto que, no seu curso
superior somente canoas podem navegar, em
trechos relativamente extensos, porém, entre
cachoeiras.
Caracterização historica e cultural da Região do
Xingu, Estado do Pará: Historicamente a formação
populacional da região apresenta duas divisões de
expressões culturais: 1) municípios que se
formaram em função dos rios e do extrativismo,
pela miscigenação de brancos e índios, guardam a
sua culinária e costumes, nas suas danças e suas
músicas, especificamente os municípios de
Altamira (1750) e Senador José Porfírio (1874); 2)
população constituída com a abertura das
estradas, a partir da década de 70, que surgiu com
a ação mineraria e pela agropecuária, diferindo
culturalmente da primitiva população fluvial
(MONTEIRO, 2005).
Altamira, é o mais antigo dos municípios dessa
região, apresenta grande herança cultural
introduzida pela população indígena nativa da
Região do Xingu, têm sua origem antes de 1750,
quando os missionários da Companhia de Jesus,
no rio Xingu estabeleceram os fundamentos de um
povoamento e surge o povoado de Altamira.
(SEPOF, 2008).
Os povos indígenas do Xingu estão divididos
em nove etnias (Kuruaya, Arara, Araweté,
Parakanã, Xikrin, Assurini, Juruna, Kayapó e
Xipaya), que diferem entre si pelos troncos
lingüísticos (Gê, Tupí-Guaraní e Karib), usos e
costumes próprios, com habilidades, atitudes
estéticas, organização social, crenças religiosas e
filosóficas peculiares, resultantes de experiências
de vida acumuladas e desenvolvidas em milhares
de anos. Parte dessa riqueza cultural dos povos
indígenas da região pode ser vista e apreciada no
Museu do Índio em Altamira, que expõe e
comercializa as mais variadas peças de
artesanato (ALTAMIRANET, 2008).
A influência direta da bacia hidrográfica do Rio
Xingu e dos seus povos indígenas, consolidam a
grande herança cultural e tecnológica da região. A
cultura indígena do pescado varia de etnia para
etnia, diversas são as técnicas utilizadas: é
comum na pesca coletiva o uso de plantas da
floresta que têm propriedade de matar ou atordoar
os peixes; podem ser abatidos com flechas de
ponta de osso, a golpes de facão ou apanhados
com a mão; apanhados em armadilhas feitas com
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cestos cilíndricos, esteiras de talos como uma
cerca, cercado de varetas, jiraus construídos junto
às pequenas quedas d’água. Atualmente é comum
o uso de anzóis de metal, introduzidos pelo
“civilizado”, apresentando assim traços culturais
mais contemporâneo, passando a ser apreciada
por pescadores esportivos, profissionais e
pescadores amadores. (UFPA – Campus Altamira,
2003; PARATUR, 2001; ALTAMIRANET, 2008).
As potencialidades e atrativos turísticos da Região
do Xingu: Pesquisa realizada em 2000
(PARATUR, 2001) identificou cinco recursos
turísticos em potencial para a região: o rio Xingu,
praias fluviais, fauna e flora, paisagem, e riqueza
ética. Esses recursos foram classificados em duas
categorias de análise: principal e complementar,
observadas segundo o poder de atratividade
conforme a demanda do mercado geográfico do
turismo, Tabela 1.
Tabela 1 – Avaliação dos Recursos Turísticos
da Região do Xingu em Função dos Mercados
Geográficos
Mercados Geográficos
Regional Nacional Internacional
Recursos
Categoria
Rio Xingu
Praias
fluviais
Fauna e
flora
Paisagem
Riqueza
étnica
P
IIII
IIII
C
II
II
P
C
C
P
C
Doméstico
II
IIII
II
IIII
II
II
IIIII
IIIII
II
II
IIII
IIII
IIII
IIIII
IIIII
IIIII
P: recurso principal, com potência e capacidade
de atrair visitantes por si mesmo.
C: recurso complementar, interessante para ser
visitado, mas sem força para motivar uma viagem
por si mesmo.
IIIII Atrativo alto - IIII Atrativo médio - II Atrativo
baixo.
Fonte: PARATUR (2001)
Na categoria de recurso principal, àquele com
potencia e capacidade de atrair visitantes por si
mesmo, classificaram-se com alta atratividade de
demanda para o mercado internacional e nacional,
o rio Xingu e a riqueza étnica; e, com média
atratividade para o mercado nacional e
internacional, a fauna e flora. O rio Xingu também
pontuou com média atratividade para o mercado
doméstico e regional.
Classificaram-se como recurso complementar,
àquele que é interessante para ser visitado, mas
sem força para motivar uma viagem por si mesmo,
o recurso da paisagem, com alta atratividade para
o mercado internacional e média para os demais
mercados. A fauna e flora e de riqueza ética
registraram baixa atratividade para o mercado
doméstico e regional. As praias fluviais pontuaram
com baixa atratividade em todas as demandas de
mercados.
A estruturação do mercado turístico paraense e
região do Xingu: A estrutura empresarial do setor
turístico na região espelha a estrutura estadual, é
esparsa e atomizada. Segundo a PARATUR
(2001), a maioria das empresas (hotéis,
operadoras...) são de pequeno porte e de
propriedade familiar, movimentam, salvo algumas
exceções, volumes de negócios reduzidos. A
oferta de serviços turísticos é pequena, incipiente,
extremamente concentrada em alguns poucos
destinos turísticos e os empreendimentos, com
algumas exceções, são bastante simples.
Estudo da oferta dos produtos turísticos
comercializados no Pará, promovido pela
PARATUR (2001), Figura 3, entrevistou 13
operadoras de turismo estabelecidas nos estados
São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília
e Alagoas, que trabalham com produtos
paraenses
em
destinos
aparentemente
concorrentes ao do Pará, revelou que 79,4%
correspondem ao segmento de viagens de
interesse geral, segmentados no atrativo naturalpaisagístico-cultural, que incorporam a prática de
algumas atividades como passeios, excursões,
city tours..., 12,3% reúnem características de
viagens de ecoturismo; 4,3% correspondem a
viagens de interesse especial com a prática de
atividades muito específicas e concretas; 2,1%
correspondem a viagens de aventura; e 1,9% a
pesca esportiva.
Figura 3: Classificação dos Produtos Turísticos do
Pará por Segmentos, em 2000.
Fonte: PARATUR (2001)
A análise do volume de negócios para a região
do Xingu, em 2000, Tabela 2, que observa o
desenvolvimento e potencialidade das atividades
desenvolvidas, mostra-se extremamente baixo,
quase não explorado. Fato este decorrente do
baixo grau de estruturação do mercado turístico,
não há uma estrutura turística planificada para
nenhuma das atividades. As excursões em barco
são feitas com freqüência irregular e sem
organização, a qualidade dos barcos é baixa, não
há preocupação com a segurança dos
passageiros, não há um porto de onde os barcos
possam sair; o camping natural é feito por alguns
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naturistas que freqüentam o local; e a atividade de
pesca é bem pequena (PARATUR, 2001).
Tabela 2 - Avaliação das Atividades/Produtos
Desenvolvidos na Região Xingu, em 2000
Grau de
Atividades Volume Desenvolvimento Potencial
Excursões
de barco
Baixo
Camping
natural
Baixo
Pesca
Baixo
Fonte: PARATUR (2001)
Baixo
Baixo
Baixo
Alto
Alto
Alto
No que tange o canal de venda e
comercialização dos produtos turísticos paraense
é incipiente. O nível de conhecimento e
compreensão turística de seus produtos é baixo,
decorrente da debilidade ou inexistência de uma
ação de comercialização e promoção sistemática
por parte da indústria turística paraense. De forma
geral, em nível individual ou coletivo, a oferta de
produtos e destinos turísticos paraenses é muito
reduzida. Até o ano 2000 apenas duas operadoras
nacionais ofertavam pacotes turísticos que
incluíam algum destino paraense, com oferta
restrita há poucos produtos, oferecidos em poucos
mercados a um preço pouco competitivo.
(PARATUR, 2001).
A
PARATUR
atribui
a
deficiente
comercialização dos produtos paraenses a dois
fatores: 1) os fatores internos - originários da falta
de visão e de dinamismo empresarial, da ausência
de estratégias de marketing, da limitada cultura
competitiva, do baixo nível de desenvolvimento e
estruturação dos produtos; 2) os fatores externos
se originam pela existência de uma demanda
escassa ao uso dos canais efetivos de
comercialização.
Segundo as operadoras de turismo a demanda
pelos produtos paraenses aponta o seguinte perfil:
a) buscam produtos ligados à natureza; b) já
conhecem o Brasil, em especialmente o Nordeste;
c) buscam conhecer novas culturas; d) buscam
experiências ligadas a aventuras; e) possuem
elevado poder aquisitivo; f) possuem faixas etárias
mais elevadas; g) residem em grandes centros
urbanos; h) estrangeiros que possuem mais
interesse que os brasileiros.
Quanto ao motivo da demanda turística, Figura
4, os registros do setor hoteleiro, em 1999,
revelaram que das 410.775 pessoas, 47%
declararam que dessa procura foi pelo turismo de
negócios, apenas 13% demandaram pelo turismo
de lazer, 5% reuniões, 9 % outros motivos e 26%
não especificaram a razão.
Figura 4: Motivo da Viagem dos Hóspedes dos
Hotéis Paraenses (%) - 1999
Fonte: PARATUR (2001).
Dentre as estratégias necessárias para ampliar
o volume de negócios no Pará, as operadoras de
turismo sugeriram: tarifas hoteleiras mais baixas;
maior disponibilidade da hotelaria para negociar;
maior
número
de
hotéis;
parceria
Governo/Operadoras;
campanha
publicitária
apoiada na Ecologia; promoção do Pará através
de colunáveis da TV; campanha relacionando o
nome do Pará com a Amazônia; formação de
Corredor Turístico entre Mato Grosso, Amazonas
e Pará; divulgação de Calendários de Eventos do
Estado; e, organização de Workshops com
operadores receptivos, operadores emissivos e
agentes de viagens (PARATUR, 2001).
Infraestrutura básica da região do Xingu: No que
se refere à infra-estrutura básica, a PARATUR
(2001), apresenta um conjunto de situações que
demandam por investimentos públicos, em
especial atenção às vias de acesso e
comunicação, vital para atender a mobilidade dos
fluxos turísticos da demanda:
- os acessos rodoviários ocorrem através da
Transamazônica (BR-230), que liga a rodovia
Belém-Brasília a Altamira. A partir de Altamira há
ligação com o município de Vitória do Xingu
através da PA-815. Existem três empresas
rodoviárias de passageiros que fazem a ligação
com Belém, e outros destinos como os estados do
Paraná e São Paulo;
- o transporte fluvial é o meio mais utilizado na
região sendo que o principal porto da região
localiza-se no município de Vitória do Xingu.
Existem também, atracadouros de balsas e
voadeiras em Altamira e Senador José Porfírio;
- o transporte aéreo, a região conta com um
aeroporto para aviões de médio porte situado em
Altamira, com vôos diários para Belém, e um para
aviões de pequeno porte situado em Uruará;
- o saneamento básico é precário, notadamente no
que diz respeito ao tratamento de esgotos e do
lixo, que no geral são lançados nos rios;
- a estrutura de entretenimento noturno é carentes,
extremamente dependentes apenas dos recursos
naturais;
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- produção de matérias-primas para as empresas
do setor é incipiente, grande parte dos móveis,
máquinas e equipamentos advém de fora do
estado.
A perspectiva governamental ao desenvolvimento
turístico para a Amazônia: O Plano Amazônia
Sustentável – PAS (Brasil, 2008), tem como
diretriz a expansão sustentável do turismo e do
ecoturismo na região, requer ações pautadas em
um planejamento ambiental e turístico adequado,
no respeito à diversidade cultural e no
engajamento das comunidades autóctones no
processo de desenvolvimento do setor, devendo
ser implementadas de forma sinérgica e integrada
pelas três esferas de governo: federal, estadual e
municipal. A promoção do turismo sustentável e o
ecoturismo vão agregar valor aos ecossistemas
conservados, e propiciar a inclusão social,
geração trabalho e renda para as populações
locais.
O Plano Nacional de Turismo – PNT 2007/2010
(Brasil, 2007), com base nos princípios da
cooperação,
integração
e
sustentabilidade
ambiental, econômica, sociocultural e políticoinstitucional, têm a perspectiva de expansão e
fortalecimento do mercado interno, com especial
ênfase na função social do turismo, buscando, ao
mesmo tempo, consolidar o Brasil como um dos
principais destinos turísticos mundiais. Assim, o
estudo de competividade dos destinos indutores
do desenvolvimento turístico regional do Ministério
do Turismo, em 2007, no que se refere ao estado
do Pará, Figura 6, evidenciou apenas os
municípios de Belém, Alenquer, Monte Alegre,
Óbidos, Oriximiná e Santarém.
Figura 6 – Destinos Indutores do Desenvolvimento
Turístico Regional.
Fonte: Brasil/Ministério do Turismo (2007).
As ações previstas pelo governo do Estado 2007/2010 (SEDECT, 2007) têm como propósito
central
induzir
um
novo
modelo
de
desenvolvimento que favoreça a inclusão social e
o respeito ao meio ambiente. Uma política que,
por um lado, busca combater os agentes
econômicos que, por diversos mecanismos,
utilizam os recursos naturais da região,
mercantilizando-os sem prudência ecológica, sem
compromisso com a legalidade e com a
sustentabilidade; por outro, busca trazer para a
legalidade segmentos sociais que se disponha a
assumir
compromissos
com
a
utilização
sustentável dos recursos naturais da região.
A análise dos documentos governamentais
mostra a necessidade de articulação e ação
conjunta entre atores sociais. Onde o turismo se
desenvolve também se desenvolve toda uma série
de empresas. À medida que cresce a demanda
aumenta-se o consumo de bens e serviços, e isto
se reflete na demanda de fatores e insumos
intermediários para sua produção, expressando
maior produção, mais crescimento na economia
local.
Resultados
Este estudou revelou a forte vocação e o
potencial do segmento turístico para a economia
da região do Xingu, mostrando que as riquezas de
atrativos turísticos da Amazônia paraense,
associadas à herança cultural nativa, possam ser
observadas pelos setores sociais como uma
dimensão indutora ao desenvolvimento econômico
e social da região.
A oferta de serviços turísticos é incipiente. Existe
um forte déficit de condições para valorizar e
aproveitar integralmente os recursos e atrativos
disponíveis, o que reduz significativamente o efeito
multiplicador de renda e de emprego do turismo na
economia local.
A estrutura empresarial do setor turístico da
região espelha a estrutura estadual, esparsa e
atomizada. O turismo não é percebido pelos
agentes econômicos e sociais como um setor
forte, capaz de influir positivamente na
configuração do entorno competitivo global.
A região apresenta o mínimo de infra-estrutura
instalada. No entanto, a tendência de crescimento
dos segmentos de viagens voltadas à natureza e a
forte demanda pelos mercados emissores de
turistas, se traduzem em condições significativas
para que o turismo seja um importante instrumento
de desenvolvimento econômico e social, diante de
um modelo de crescimento sustentável, onde os
recursos naturais e culturais sejam valorizados e
preservados na plenitude de sua identidade
regional.
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5
.
Discussão
-
BRASIL.
Ministério
dos
Transportes.
Site
www.mt.gov.br. Acesso em 10 Dez. 2008.
Dentre a perspectiva de um desenvolvimento
turístico equilibrado e competitivo de forma
sustentável para a região Amazônica, expansão e
fortalecimento do setor é uma questão a ser
considerada como prioridade dentre os agentes
econômicos, políticos e sociais.
Na realidade, o setor turístico da região do
Xingu ainda não é percebido pelo conjunto da
sociedade, não há uma defesa eficaz de seus
legítimos interesses, não se programa a
transformação do potencial existente em produto
capaz de atrair demanda turística e recursos
complementares em prol a qualidade de vida da
população local.
A falta de sintonia entre os agentes sociais
fortalece a fragmentação e atomização do setor
turístico na região e consequentemente no estado
do Pará limitam sua capacidade para influir
positivamente na configuração do entorno
competitivo global.
- _________. Ministério do Turismo Estudo de
Competitividade dos 65 Destinos Indutores do
Desenvolvimento Turístico Regional — Relatório
Brasil. 2007. Disponível no site: <http://www.
mtur.gov.br>. Acesso em: 11 Dez. 2008.
Conclusão
- PARÁ. SEPOF. Estatísticas Municipais, 2008.
Disponível em: <www.sepof.pa.gov.br>. Acesso
em 10 Dez. 2008.
A riqueza de atrativos naturais e culturais da
Amazônia paraense condiciona a região do Xingu
a uma forte vocação ao turismo. No entanto, a
exploração das atividades associadas ao produto
turístico se caracterizam de baixo valor agregado
e de pouca internalização de renda gerada.
Apesar de a região apresentar capacidade
indutora ao crescimento e desenvolvimento
regional de forma sustentável, a ação
empreendedora é incipiente e os atrativos
turísticos inexplorados.
Para a dinamização das atividades turísticas, é
necessário que os setores sociais percebam que o
produto turístico é um conjunto composto de bens
e serviços produzidos em diversas unidades
econômicas, que se traduzem em benefícios
econômicos e sociais a população local.
Referências
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Populações Indígenas no Brasil e em Altamira.
Disponível
no
site:
<http://www.altamiranet.com.br/funai/index.htm>.
Acesso em: 13 Dez. 2008.
- _________. Presidência da República. Plano
Amazônia Sustentável – PAS: Diretrizes para o
desenvolvimento
sustentável
da
Amazônia
brasileira - 2007/2010. 2008. Brasília: MMA, 2008
Disponível no site: <http://www. mma.gov.br>.
Acesso em: 23 Jan. 2009.
- COSTA, M.C. Xingú – Tucunarés de corredeira e
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surpresas.
Disponível
em:
<www.pescacommosca.com.br>. Acesso em 11
Dez. 2008.
- MONTEIRO, B. História do Pará. Belém: Editora
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- _______.SEPOF. Mapa Social dos Municípios,
2007. Disponível em: <www.sepof.pa.gov.br>.
Acesso em 10 Dez. 2008.
- _______. SEDECT. O Pará rumo a um novo
modelo de desenvolvimento, 2007. Disponível em:
<www.scdect.pa.gov.br>. Acesso em 13 Fev.
2009.
- _______. PARATUR. Plano de Desenvolvimento
Turístico do Estado do Pará, 2001. Disponível em:
<www.paratur.pa.gov.br>. Acesso em 10 Dez.
2008.
UFPA.
Campus
Universitário
de
Altamira/Acadêmicos de Pedagogia Turma 2000.
Guia turístico de Altamira. Altamira: Editora Visão,
2003.
- ZAPATA, T.; AMORIM, M.; ARNS, P.C.
Desenvolvimento territorial a distância. Curso de
Extensão em Desenvolvimento e Integração
Regional Online. Belém: AEDi/UFPA, 2008. 2ª
edição adaptada.
- BENI, M. Análise estrutural do turismo. 8. ed.
São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2003.
Bonito Convention & Visitors Bureau. Disponível
em:
<http://www.bcvb.com.br/centroconvencoes.htm>.
Acesso em: 10 Dez. 2008.
XIII Encontro Latino Americano de Iniciação Científica e
IX Encontro Latino Americano de Pós-Graduação – Universidade do Vale do Paraíba
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