O POTENCIALTURÍSTICO DA AMAZÔNIA PARAENSE: O MERCADO INEXPLORADO DA REGIÃO DO XINGU Suzane Christine Luz Fernandes1, Edson Aparecida de Araujo Querido Oliveira2, Marilsa de Sá Rodrigues Tadeucci 3 1 Mestranda em Gestão e Desenvolvimento Regional - Programa de Pós-graduação em Gestão e Desenvolvimento Regional - PPGDR - Universidade de Taubaté – Rua Visconde do Rio Branco, 210 Centro - 12020-040 – Taubaté/SP – Brasil – [email protected] 2 Orientador - Professor do Programa de Pós-graduação em Gestão e Desenvolvimento Regional - PPGDR Universidade de Taubaté – Rua Visconde do Rio Branco, 210 Centro - 12020-040 - Taubaté/SP - Brasil – [email protected] 3 Professor - Professor do Programa de Pós-graduação em Gestão e Desenvolvimento Regional - PPGDR Universidade de Taubaté – Rua Visconde do Rio Branco, 210 Centro - 12020-040 - Taubaté/SP - Brasil – [email protected] Resumo - Este artigo descreve o potencial turístico da Região do Xingu, Amazônia paraense, uma vez que o turismo é capaz de promover a aceleração econômica e o incremento nas áreas social, cultural e ambiental, tornando-se uma atividade multissetorial, indutora ao desenvolvimento sustentável. A partir de pesquisa em documentos técnico governamentais, apresenta-se uma compilação e análise conclusiva da documentação consultadata. Espera-se oferecer um instrumental, que juntamente com outros dados e informações possam subsidiar a elaboração de planos de desenvolvimento turístico regional, municipal e/ou estadual. Palavras-chave: Desenvolvimento sustentável. Potencial turístico. Amazônia Paraense. Região do Xingu. Área do Conhecimento: VI – Ciências Sociais Aplicadas. Introdução Nesta primeira década do Século XXI, o cenário econômico mundial debate o modelo de desenvolvimento que considere a dimensão humana, social, cultural, econômica, ambiental e ética da população de uma região. As riquezas naturais e culturais da região Amazônica, objeto de atenção internacional, concentra um grande acervo de diversidade socioambiental, identificando um ativo vinculado aos atrativos turísticos existente em seu território. Segundo Zapata (2008), o principal indicador do desenvolvimento de uma região é o que existe na região, suas potencialidades e vocações econômicas existentes nesse espaço socialmente organizado. E o turismo visto como uma atividade econômica, Beni (2003) descreve o produto turístico como um conjunto composto de bens e serviços produzidos por diversas unidades econômicas, que funcionam de forma sistêmica, articulados e integrados, que sofre agregação no mercado ao serem postos em destaque como atrativos turísticos; e tem uma característica intrínseca, é produzido e consumido no mesmo local, e o consumidor é que se desloca para a área de consumo. Partindo desse referencial teórico, pretende-se descrever o potencial turístico da Região do Xingu, Amazônia paraense, mediante análise de documentos governamentais. Considerando que uma das dimensões de planejamento estratégico do Estado para essa região se estabelece pela imposição natural da bacia hidrográfica do Rio Xingu, possuidora de inúmeras riquezas naturais, como praias, ilhas grandes e pequenas, cachoeiras e furos, revelando um forte potencial ao turismo e a pesca, devido a enorme piscosidade existente em sua águas (UFPA – Campus Altamira, 2003; PARATUR, 2001), Metodologia Caracterização Geopolítica: Dos 143 municípios paraenses (SEPOF, 2007), 11 constituem a região do Xingu: Altamira, Anapu, Brasil Novo, Gurupá, Medicilândia, Pacajá, Placas, Porto de Moz Senador José Porfírio, Uruará e Vitória do Xingu, Figura 1, onde o município de Altamita é o maior em extensão territorial. A população estimada pelo IBGE para o ano de 2007, totalizou 324.267 habitantes, destes 181.256 (55,9%) pertencem a zona Rural. (SEPOF, 2007). Sendo o município de Altamira o mais populoso, 86.888 (26,8%) habitantes, com predominância na zona urbana (80,4%); seguido de Uruará, 62.103 (19,2%), predominante na zona rural (70,9%). XIII Encontro Latino Americano de Iniciação Científica e IX Encontro Latino Americano de Pós-Graduação – Universidade do Vale do Paraíba 1 Figura 1 – Região de Integração - Xingu Fonte: SEPOF (2007). A região se caracteriza pela influência direta da bacia Fluvial do Rio Xingu, que domina sua zona fisiográfica ao cortar de norte a sul o seu território, Figura 2, nasce no estado de Mato Grosso, segue pelo Pará, e sua foz deságua na margem direita no rio Amazonas, na condição de afluente. Figura 2 – Bacia Fluvial do Xingu Fonte: Site www.fem.unicamp.br/~seva/TenotaMo_encarteMapa01.pdf Segundo o Ministério dos Transportes (BRASIL, 2008), o rio Xingu ainda não se apresenta apropriado para a navegação em larga escala. Seu baixo curso possui um estirão contínuo navegável de 360Km, trecho compreendido entre Belo Monte e sua foz. Mantendo uma forma de estuário, estreitando-se somente na sua foz, onde tem cerca de 7Km de largura. Nas proximidades da foz, encontram-se numerosas ilhas, geralmente baixas e alagadiças, algumas delas aproveitadas para fins agrícolas ou como pastagens. Enquanto que, no seu curso superior somente canoas podem navegar, em trechos relativamente extensos, porém, entre cachoeiras. Caracterização historica e cultural da Região do Xingu, Estado do Pará: Historicamente a formação populacional da região apresenta duas divisões de expressões culturais: 1) municípios que se formaram em função dos rios e do extrativismo, pela miscigenação de brancos e índios, guardam a sua culinária e costumes, nas suas danças e suas músicas, especificamente os municípios de Altamira (1750) e Senador José Porfírio (1874); 2) população constituída com a abertura das estradas, a partir da década de 70, que surgiu com a ação mineraria e pela agropecuária, diferindo culturalmente da primitiva população fluvial (MONTEIRO, 2005). Altamira, é o mais antigo dos municípios dessa região, apresenta grande herança cultural introduzida pela população indígena nativa da Região do Xingu, têm sua origem antes de 1750, quando os missionários da Companhia de Jesus, no rio Xingu estabeleceram os fundamentos de um povoamento e surge o povoado de Altamira. (SEPOF, 2008). Os povos indígenas do Xingu estão divididos em nove etnias (Kuruaya, Arara, Araweté, Parakanã, Xikrin, Assurini, Juruna, Kayapó e Xipaya), que diferem entre si pelos troncos lingüísticos (Gê, Tupí-Guaraní e Karib), usos e costumes próprios, com habilidades, atitudes estéticas, organização social, crenças religiosas e filosóficas peculiares, resultantes de experiências de vida acumuladas e desenvolvidas em milhares de anos. Parte dessa riqueza cultural dos povos indígenas da região pode ser vista e apreciada no Museu do Índio em Altamira, que expõe e comercializa as mais variadas peças de artesanato (ALTAMIRANET, 2008). A influência direta da bacia hidrográfica do Rio Xingu e dos seus povos indígenas, consolidam a grande herança cultural e tecnológica da região. A cultura indígena do pescado varia de etnia para etnia, diversas são as técnicas utilizadas: é comum na pesca coletiva o uso de plantas da floresta que têm propriedade de matar ou atordoar os peixes; podem ser abatidos com flechas de ponta de osso, a golpes de facão ou apanhados com a mão; apanhados em armadilhas feitas com XIII Encontro Latino Americano de Iniciação Científica e IX Encontro Latino Americano de Pós-Graduação – Universidade do Vale do Paraíba 2 cestos cilíndricos, esteiras de talos como uma cerca, cercado de varetas, jiraus construídos junto às pequenas quedas d’água. Atualmente é comum o uso de anzóis de metal, introduzidos pelo “civilizado”, apresentando assim traços culturais mais contemporâneo, passando a ser apreciada por pescadores esportivos, profissionais e pescadores amadores. (UFPA – Campus Altamira, 2003; PARATUR, 2001; ALTAMIRANET, 2008). As potencialidades e atrativos turísticos da Região do Xingu: Pesquisa realizada em 2000 (PARATUR, 2001) identificou cinco recursos turísticos em potencial para a região: o rio Xingu, praias fluviais, fauna e flora, paisagem, e riqueza ética. Esses recursos foram classificados em duas categorias de análise: principal e complementar, observadas segundo o poder de atratividade conforme a demanda do mercado geográfico do turismo, Tabela 1. Tabela 1 – Avaliação dos Recursos Turísticos da Região do Xingu em Função dos Mercados Geográficos Mercados Geográficos Regional Nacional Internacional Recursos Categoria Rio Xingu Praias fluviais Fauna e flora Paisagem Riqueza étnica P IIII IIII C II II P C C P C Doméstico II IIII II IIII II II IIIII IIIII II II IIII IIII IIII IIIII IIIII IIIII P: recurso principal, com potência e capacidade de atrair visitantes por si mesmo. C: recurso complementar, interessante para ser visitado, mas sem força para motivar uma viagem por si mesmo. IIIII Atrativo alto - IIII Atrativo médio - II Atrativo baixo. Fonte: PARATUR (2001) Na categoria de recurso principal, àquele com potencia e capacidade de atrair visitantes por si mesmo, classificaram-se com alta atratividade de demanda para o mercado internacional e nacional, o rio Xingu e a riqueza étnica; e, com média atratividade para o mercado nacional e internacional, a fauna e flora. O rio Xingu também pontuou com média atratividade para o mercado doméstico e regional. Classificaram-se como recurso complementar, àquele que é interessante para ser visitado, mas sem força para motivar uma viagem por si mesmo, o recurso da paisagem, com alta atratividade para o mercado internacional e média para os demais mercados. A fauna e flora e de riqueza ética registraram baixa atratividade para o mercado doméstico e regional. As praias fluviais pontuaram com baixa atratividade em todas as demandas de mercados. A estruturação do mercado turístico paraense e região do Xingu: A estrutura empresarial do setor turístico na região espelha a estrutura estadual, é esparsa e atomizada. Segundo a PARATUR (2001), a maioria das empresas (hotéis, operadoras...) são de pequeno porte e de propriedade familiar, movimentam, salvo algumas exceções, volumes de negócios reduzidos. A oferta de serviços turísticos é pequena, incipiente, extremamente concentrada em alguns poucos destinos turísticos e os empreendimentos, com algumas exceções, são bastante simples. Estudo da oferta dos produtos turísticos comercializados no Pará, promovido pela PARATUR (2001), Figura 3, entrevistou 13 operadoras de turismo estabelecidas nos estados São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília e Alagoas, que trabalham com produtos paraenses em destinos aparentemente concorrentes ao do Pará, revelou que 79,4% correspondem ao segmento de viagens de interesse geral, segmentados no atrativo naturalpaisagístico-cultural, que incorporam a prática de algumas atividades como passeios, excursões, city tours..., 12,3% reúnem características de viagens de ecoturismo; 4,3% correspondem a viagens de interesse especial com a prática de atividades muito específicas e concretas; 2,1% correspondem a viagens de aventura; e 1,9% a pesca esportiva. Figura 3: Classificação dos Produtos Turísticos do Pará por Segmentos, em 2000. Fonte: PARATUR (2001) A análise do volume de negócios para a região do Xingu, em 2000, Tabela 2, que observa o desenvolvimento e potencialidade das atividades desenvolvidas, mostra-se extremamente baixo, quase não explorado. Fato este decorrente do baixo grau de estruturação do mercado turístico, não há uma estrutura turística planificada para nenhuma das atividades. As excursões em barco são feitas com freqüência irregular e sem organização, a qualidade dos barcos é baixa, não há preocupação com a segurança dos passageiros, não há um porto de onde os barcos possam sair; o camping natural é feito por alguns XIII Encontro Latino Americano de Iniciação Científica e IX Encontro Latino Americano de Pós-Graduação – Universidade do Vale do Paraíba 3 naturistas que freqüentam o local; e a atividade de pesca é bem pequena (PARATUR, 2001). Tabela 2 - Avaliação das Atividades/Produtos Desenvolvidos na Região Xingu, em 2000 Grau de Atividades Volume Desenvolvimento Potencial Excursões de barco Baixo Camping natural Baixo Pesca Baixo Fonte: PARATUR (2001) Baixo Baixo Baixo Alto Alto Alto No que tange o canal de venda e comercialização dos produtos turísticos paraense é incipiente. O nível de conhecimento e compreensão turística de seus produtos é baixo, decorrente da debilidade ou inexistência de uma ação de comercialização e promoção sistemática por parte da indústria turística paraense. De forma geral, em nível individual ou coletivo, a oferta de produtos e destinos turísticos paraenses é muito reduzida. Até o ano 2000 apenas duas operadoras nacionais ofertavam pacotes turísticos que incluíam algum destino paraense, com oferta restrita há poucos produtos, oferecidos em poucos mercados a um preço pouco competitivo. (PARATUR, 2001). A PARATUR atribui a deficiente comercialização dos produtos paraenses a dois fatores: 1) os fatores internos - originários da falta de visão e de dinamismo empresarial, da ausência de estratégias de marketing, da limitada cultura competitiva, do baixo nível de desenvolvimento e estruturação dos produtos; 2) os fatores externos se originam pela existência de uma demanda escassa ao uso dos canais efetivos de comercialização. Segundo as operadoras de turismo a demanda pelos produtos paraenses aponta o seguinte perfil: a) buscam produtos ligados à natureza; b) já conhecem o Brasil, em especialmente o Nordeste; c) buscam conhecer novas culturas; d) buscam experiências ligadas a aventuras; e) possuem elevado poder aquisitivo; f) possuem faixas etárias mais elevadas; g) residem em grandes centros urbanos; h) estrangeiros que possuem mais interesse que os brasileiros. Quanto ao motivo da demanda turística, Figura 4, os registros do setor hoteleiro, em 1999, revelaram que das 410.775 pessoas, 47% declararam que dessa procura foi pelo turismo de negócios, apenas 13% demandaram pelo turismo de lazer, 5% reuniões, 9 % outros motivos e 26% não especificaram a razão. Figura 4: Motivo da Viagem dos Hóspedes dos Hotéis Paraenses (%) - 1999 Fonte: PARATUR (2001). Dentre as estratégias necessárias para ampliar o volume de negócios no Pará, as operadoras de turismo sugeriram: tarifas hoteleiras mais baixas; maior disponibilidade da hotelaria para negociar; maior número de hotéis; parceria Governo/Operadoras; campanha publicitária apoiada na Ecologia; promoção do Pará através de colunáveis da TV; campanha relacionando o nome do Pará com a Amazônia; formação de Corredor Turístico entre Mato Grosso, Amazonas e Pará; divulgação de Calendários de Eventos do Estado; e, organização de Workshops com operadores receptivos, operadores emissivos e agentes de viagens (PARATUR, 2001). Infraestrutura básica da região do Xingu: No que se refere à infra-estrutura básica, a PARATUR (2001), apresenta um conjunto de situações que demandam por investimentos públicos, em especial atenção às vias de acesso e comunicação, vital para atender a mobilidade dos fluxos turísticos da demanda: - os acessos rodoviários ocorrem através da Transamazônica (BR-230), que liga a rodovia Belém-Brasília a Altamira. A partir de Altamira há ligação com o município de Vitória do Xingu através da PA-815. Existem três empresas rodoviárias de passageiros que fazem a ligação com Belém, e outros destinos como os estados do Paraná e São Paulo; - o transporte fluvial é o meio mais utilizado na região sendo que o principal porto da região localiza-se no município de Vitória do Xingu. Existem também, atracadouros de balsas e voadeiras em Altamira e Senador José Porfírio; - o transporte aéreo, a região conta com um aeroporto para aviões de médio porte situado em Altamira, com vôos diários para Belém, e um para aviões de pequeno porte situado em Uruará; - o saneamento básico é precário, notadamente no que diz respeito ao tratamento de esgotos e do lixo, que no geral são lançados nos rios; - a estrutura de entretenimento noturno é carentes, extremamente dependentes apenas dos recursos naturais; XIII Encontro Latino Americano de Iniciação Científica e IX Encontro Latino Americano de Pós-Graduação – Universidade do Vale do Paraíba 4 - produção de matérias-primas para as empresas do setor é incipiente, grande parte dos móveis, máquinas e equipamentos advém de fora do estado. A perspectiva governamental ao desenvolvimento turístico para a Amazônia: O Plano Amazônia Sustentável – PAS (Brasil, 2008), tem como diretriz a expansão sustentável do turismo e do ecoturismo na região, requer ações pautadas em um planejamento ambiental e turístico adequado, no respeito à diversidade cultural e no engajamento das comunidades autóctones no processo de desenvolvimento do setor, devendo ser implementadas de forma sinérgica e integrada pelas três esferas de governo: federal, estadual e municipal. A promoção do turismo sustentável e o ecoturismo vão agregar valor aos ecossistemas conservados, e propiciar a inclusão social, geração trabalho e renda para as populações locais. O Plano Nacional de Turismo – PNT 2007/2010 (Brasil, 2007), com base nos princípios da cooperação, integração e sustentabilidade ambiental, econômica, sociocultural e políticoinstitucional, têm a perspectiva de expansão e fortalecimento do mercado interno, com especial ênfase na função social do turismo, buscando, ao mesmo tempo, consolidar o Brasil como um dos principais destinos turísticos mundiais. Assim, o estudo de competividade dos destinos indutores do desenvolvimento turístico regional do Ministério do Turismo, em 2007, no que se refere ao estado do Pará, Figura 6, evidenciou apenas os municípios de Belém, Alenquer, Monte Alegre, Óbidos, Oriximiná e Santarém. Figura 6 – Destinos Indutores do Desenvolvimento Turístico Regional. Fonte: Brasil/Ministério do Turismo (2007). As ações previstas pelo governo do Estado 2007/2010 (SEDECT, 2007) têm como propósito central induzir um novo modelo de desenvolvimento que favoreça a inclusão social e o respeito ao meio ambiente. Uma política que, por um lado, busca combater os agentes econômicos que, por diversos mecanismos, utilizam os recursos naturais da região, mercantilizando-os sem prudência ecológica, sem compromisso com a legalidade e com a sustentabilidade; por outro, busca trazer para a legalidade segmentos sociais que se disponha a assumir compromissos com a utilização sustentável dos recursos naturais da região. A análise dos documentos governamentais mostra a necessidade de articulação e ação conjunta entre atores sociais. Onde o turismo se desenvolve também se desenvolve toda uma série de empresas. À medida que cresce a demanda aumenta-se o consumo de bens e serviços, e isto se reflete na demanda de fatores e insumos intermediários para sua produção, expressando maior produção, mais crescimento na economia local. Resultados Este estudou revelou a forte vocação e o potencial do segmento turístico para a economia da região do Xingu, mostrando que as riquezas de atrativos turísticos da Amazônia paraense, associadas à herança cultural nativa, possam ser observadas pelos setores sociais como uma dimensão indutora ao desenvolvimento econômico e social da região. A oferta de serviços turísticos é incipiente. Existe um forte déficit de condições para valorizar e aproveitar integralmente os recursos e atrativos disponíveis, o que reduz significativamente o efeito multiplicador de renda e de emprego do turismo na economia local. A estrutura empresarial do setor turístico da região espelha a estrutura estadual, esparsa e atomizada. O turismo não é percebido pelos agentes econômicos e sociais como um setor forte, capaz de influir positivamente na configuração do entorno competitivo global. A região apresenta o mínimo de infra-estrutura instalada. No entanto, a tendência de crescimento dos segmentos de viagens voltadas à natureza e a forte demanda pelos mercados emissores de turistas, se traduzem em condições significativas para que o turismo seja um importante instrumento de desenvolvimento econômico e social, diante de um modelo de crescimento sustentável, onde os recursos naturais e culturais sejam valorizados e preservados na plenitude de sua identidade regional. XIII Encontro Latino Americano de Iniciação Científica e IX Encontro Latino Americano de Pós-Graduação – Universidade do Vale do Paraíba 5 . Discussão - BRASIL. Ministério dos Transportes. Site www.mt.gov.br. Acesso em 10 Dez. 2008. Dentre a perspectiva de um desenvolvimento turístico equilibrado e competitivo de forma sustentável para a região Amazônica, expansão e fortalecimento do setor é uma questão a ser considerada como prioridade dentre os agentes econômicos, políticos e sociais. Na realidade, o setor turístico da região do Xingu ainda não é percebido pelo conjunto da sociedade, não há uma defesa eficaz de seus legítimos interesses, não se programa a transformação do potencial existente em produto capaz de atrair demanda turística e recursos complementares em prol a qualidade de vida da população local. A falta de sintonia entre os agentes sociais fortalece a fragmentação e atomização do setor turístico na região e consequentemente no estado do Pará limitam sua capacidade para influir positivamente na configuração do entorno competitivo global. - _________. Ministério do Turismo Estudo de Competitividade dos 65 Destinos Indutores do Desenvolvimento Turístico Regional — Relatório Brasil. 2007. Disponível no site: <http://www. mtur.gov.br>. Acesso em: 11 Dez. 2008. Conclusão - PARÁ. SEPOF. Estatísticas Municipais, 2008. Disponível em: <www.sepof.pa.gov.br>. Acesso em 10 Dez. 2008. A riqueza de atrativos naturais e culturais da Amazônia paraense condiciona a região do Xingu a uma forte vocação ao turismo. No entanto, a exploração das atividades associadas ao produto turístico se caracterizam de baixo valor agregado e de pouca internalização de renda gerada. Apesar de a região apresentar capacidade indutora ao crescimento e desenvolvimento regional de forma sustentável, a ação empreendedora é incipiente e os atrativos turísticos inexplorados. Para a dinamização das atividades turísticas, é necessário que os setores sociais percebam que o produto turístico é um conjunto composto de bens e serviços produzidos em diversas unidades econômicas, que se traduzem em benefícios econômicos e sociais a população local. Referências - ALTAMIRANET (2008). Dados Oficiais Sobre as Populações Indígenas no Brasil e em Altamira. Disponível no site: <http://www.altamiranet.com.br/funai/index.htm>. Acesso em: 13 Dez. 2008. - _________. Presidência da República. Plano Amazônia Sustentável – PAS: Diretrizes para o desenvolvimento sustentável da Amazônia brasileira - 2007/2010. 2008. Brasília: MMA, 2008 Disponível no site: <http://www. mma.gov.br>. Acesso em: 23 Jan. 2009. - COSTA, M.C. Xingú – Tucunarés de corredeira e outras surpresas. Disponível em: <www.pescacommosca.com.br>. Acesso em 11 Dez. 2008. - MONTEIRO, B. História do Pará. Belém: Editora Amazônia, 2005. - _______.SEPOF. Mapa Social dos Municípios, 2007. Disponível em: <www.sepof.pa.gov.br>. Acesso em 10 Dez. 2008. - _______. SEDECT. O Pará rumo a um novo modelo de desenvolvimento, 2007. Disponível em: <www.scdect.pa.gov.br>. Acesso em 13 Fev. 2009. - _______. PARATUR. Plano de Desenvolvimento Turístico do Estado do Pará, 2001. Disponível em: <www.paratur.pa.gov.br>. Acesso em 10 Dez. 2008. UFPA. Campus Universitário de Altamira/Acadêmicos de Pedagogia Turma 2000. Guia turístico de Altamira. Altamira: Editora Visão, 2003. - ZAPATA, T.; AMORIM, M.; ARNS, P.C. 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