CURRÍCULO: BUSCA DA IDENTIDADE DO CAMPO
ANTUNES, Helenise Sangoi Antunes-UFSM-PPGE
[email protected]
CRUZ, Daniela Cezar-UFSM
[email protected]
BATALHA, Denise Valduga-UFSM
[email protected]
Eixo temático: Cultura, currículo e saberes
Agência financiadora: não contou com financiamento
Resumo
Neste artigo pretendemos analisar a organização curricular da Escola Municipal de Ensino
Fundamental Valentim Bastianello do município de Dilermando de Aguiar/RS. Entendemos
que a valorização de um currículo com esta envergadura é um processo de muita discussão
entre família, escola e comunidade, mas estamos realizando os primeiros passos para
viabilização do mesmo. Segundo Moreira (2006), é preciso que exista flexibilidade em torno
da concretização das ações curriculares para que as elas não se tornem dogmáticas e
inflexíveis. Perante esta afirmação o currículo necessita integrar os conteúdos dos diferentes
campos do saber, para romper com a organização por disciplinas. De acordo como a forma
em que o currículo está sendo organizado, não está dando conta das necessidades da
sociedade atual. Neste sentido, Sacristãn (2000) aponta que é preciso articular uma nova
forma curricular que contemple a identidade cultural. Neste texto, buscamos realizar uma
análise documental, pois esta metodologia é a que mais se aproxima do objetivo desse
trabalho que é analisar o currículo de uma escola do campo. Sendo assim, entendemos que a
educação do campo apresenta particulares que são inerentes a sua realidades e precisam ser
consideradas dentro das políticas educacionais. De acordo com Arroyo (2006), a escola do
campo precisa buscar a sua própria identidade, que ao olharmos para sua proposta pedagógica
posamos ver o homem do campo identificado nela. Sendo assim, é preciso que as questões
curriculares incorporem saberes do campo, que prepare o homem para a produção e o
trabalho, para a emancipação, para a justiça, para a realização plena como ser humano.
Palavras-chave: Currículo. Escola do campo. Multiplicidade de saberes.
Introdução
Na primeira parte realizamos algumas reflexões sobre o currículo em que mostra a
organização por disciplina como fator limitante, pois perde a totalidade do conhecimento e a
ligação com as demais áreas do saber. Apontamos a educação que considera e valoriza os
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saberes dos alunos e professores e comunidade como possibilidade para a educação do
campo. Na segunda etapa trazemos a metodologia utilizada, caracterizamos a escola que será
analisada e finalizamos com a análise do currículo da escola do campo.
O objetivo deste artigo é analisar a organizar curricular da Escola Municipal de Ensino
Fundamental Valentim Bastianello do município de Dilermando de Aguiar/RS, não temos a
intenção de julgar o currículo já existente, mas pensar possibilidades que nos leve a refletir
sobre o currículo como um documento identificador da Educação do Campo. Para viabilizar a
reflexão utilizaremos o currículo da escola a qual estamos inseridos para corroborar nas
discussões sobre o currículo. Entendemos que a valorização de um currículo com esta
envergadura é um processo de muita discussão entre família, escola e comunidade, mas
estamos realizando os primeiros para viabilização desse currículo.
Reflexões sobre o currículo
Para começar pensar no currículo é preciso dizer que o processo educativo deve
colaborar para o bom desempenho dos alunos frente ao mundo imediato, viabilizando com
isto a compreensão e inserção social, como também habilidades para adquirir novos
conhecimentos. Destacamos que a escola do campo possui particularidades específicas que
fazem parte da realidade sociocultural do campo que devem ser consideradas na sua prática
curricular e é com esse olhar que pretendemos refletir sobre o currículo para o campo.
A questão do trabalho nas escolas por disciplina como tem sido o ensino na atualidade,
surgiu da vertente positivista, esta modalidade de ensino impede uma flexibilidade na
organização do ensino. As aulas são organizadas uma após a outra sem associação de uma
aula com a outra, seguem um modelo tradicional em que os conteúdos são transmitidos de
forma expositiva. Neste contexto não é valorizado o conhecimento prévio do aluno é
valorizado uma forma lógica para campo do saber.
A escola como instituição moderna foi marcada pela separação do saber em áreas do
conhecimento que se organizaram o que conhecemos hoje pelo nome de disciplinas. Com a
disciplinarização, ocorre uma crescente especialização do saber, dessa forma perde-se a
totalidade do conhecimento que fica compartimentado organizado em blocos dificultando a
interligação entre os mesmos.
Macedo (1999) salienta a questão disciplinar das ciências onde destaca que a
disciplinarização do mundo é em conseqüência do sistema capitalista que veio exigir uma
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maior especialização que atendesse a divisão material do trabalho. Com o processo de
globalização o conhecimento passa ter uma nova configuração, neste sentido é necessário que
o conhecimento também se globalize para que integre diferentes campos do saber.
Segundo Moreira (2006), a escola é o espaço de concretização do currículo, nesta
perspectiva, ele é o instrumento central pelo qual ocorre a promoção da qualidade do ensino,
como destaca o autor o currículo é o “coração da escola”, todas as suas ações giram em torno
dele. Para isso, é preciso que exista uma flexibilização por parte para que suas ações não se
tornem dogmáticas e inflexíveis.
Apple (2006) coloca que a escola é responsável pelo conhecimento técnico, sendo que
este está relacionado com a sociedade capitalista uma vez que trata de conhecimentos que são
relevantes para a economia e a produção. Para ele, o currículo esta relacionado às estruturas
econômicas e sociais, por isso o currículo reflete os interesses das classes dominantes.
Neste sentido, Apple (2006, p. 71) aponta o papel desempenhado pela escola quando
se refere ao currículo: “Tenho argumentado que as escolas não simplesmente “produzem”
pessoas, mas também o conhecimento. Elas ampliam e dão legitimidade a determinados tipos
de recursos relacionados a formas econômicas desiguais.” Dessa forma, é preciso ter cuidado
para que o currículo não se transforme em fator limitante do saber e sim é necessário
questionar a sua validade para a instituição escolar.
Dentro de uma visão em que aponta o currículo flexível e abrangente, o mesmo não
deve ser centrado em apenas na habilidade cognitiva, mas sim deve trabalhar com habilidades
que vão além do desenvolvimento cognitivo envolvendo diferentes campos da cultura. Neste
sentido, Moreira (2006) destaca que é preciso que o currículo busque integrar os conteúdos de
diferentes campos do saber para que rompa com a organização disciplinar, enfatiza também
que o currículo possibilite ao aluno resolver problemas de sua vida diária, bem como
desenvolver habilidades intelectuais e valores.
Em contraposição ao currículo por disciplina surge o termo interdisciplinaridade como
aponta Morin (2007), este termo surgiu da necessidade de inter-relacionar uma disciplina com
a outra. A interdisciplinaridade aparece para tentar superar o processo histórico de abstração
do conhecimento que se encontra compartimentado, uma vez que este conhecimento cada vez
mais se encaminha para uma maior especialização do saber no que se refere à organização por
disciplina.
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De acordo com Morin (2007), a teoria da complexidade vem propor um avanço maior
com a interdisciplinaridade, que para ele não dá conta da rearticulação dos saberes que se
encontram fragmentados pelas disciplinas. Então, surge uma outra proposta para abordar o
currículo que é a transdisciplinaridade, vista pelo autor como condição capaz de romper com
a fronteira rígida entre as disciplinas, nesta visão promove a ligação entre as disciplinas.
Na transdisciplinaridade não é possível falar em uma realidade, mas sim em
múltiplas realidades interconectadas que é a idéia de transversalidade, criada pela filosofia
francesa contemporânea para afirmar que a produção de saber é uma circulação entre eles que
se faz de forma livre e não hierárquica, provocando encontros e desencontros com os saberes,
misturas, junções e mestiçagens. Nesta perspectiva, o currículo é apresentado como uma
multiplicidade de saberes, que abre possibilidade para novas experiências.
No currículo por disciplina implica um planejamento antecipado em que são
escolhidas as disciplinas que deverão compô-lo, os conteúdos que farão parte das disciplinas,
a série que se destina, objetivos aos quais se propõem. No currículo, na perspectiva da
transversalidade ocorre uma abertura para todo e qualquer percurso, uma abertura para
experiência, sobretudo para a multiplicidade, sem se ater a unidade dada ou construída.
Para a organização curricular de uma instituição é preciso ter presente que a realidade
escolar o tipo de educação que se pretende realizar são aspectos que devem ser discutidos
junto com a comunidade escolar, pois segundo Sacristãn (2000) é necessário entender o
currículo como processo que envolve uma multiplicidade de relações abertas ou tácitas que
envolvem decisões administrativas e práticas pedagógicas.
Uma nova forma democrática de currículo está sendo inserido na sociedade atual.
Neste sentido, para Sacristãn (2000, p. 97):
O novo currículo exige metodologias, saberes e habilidades profissionais diferentes,
o que leva a uma alteração na própria forma de relacionar-se com os alunos, em
esquemas de direção, avaliação e controle novos. Os professores e o conhecimento
pedagógico atual não podem responder a certas exigências crescentes em terrenos
muitas vezes movediços nos quais é difícil estabelecer critérios de competência
profissional e esquemas de atuação que possam ser considerados válidos. Tudo isso
se reflete em tensões para o professorado. A crescente responsabilidade que é
atribuída a ele, como conseqüente pressão social, não tem correspondência com os
meios, as condições de trabalho e sua formação. (SACRISTÃN, 2000, p. 97)
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A forma como o currículo está sendo organizado não consegue dar conta das
necessidades da sociedade atual, pois o mesmo se encontra fechado em si mesmo sem
possibilidade para ser questionado. Devido às mudanças sociais, é preciso que o currículo se
articule com estas mudanças, uma vez que a identidade cultural apresenta uma nova
conformação que o currículo na forma como está organizado não dá conta das necessidades
da sociedade que desejamos. Neste sentido, é preciso que a instituição escolar o corpo docente
não vejam o currículo como algo estanque, mas como um processo passível de mudança.
A escola que se propõe a restaurar a igualdade entre as culturas, com relações mais
humanas, superando preconceitos de toda a espécie, principalmente os de raça e os de nível
socioeconômico inferior, estará, dessa forma, trabalhando com princípios que levam a
melhoria da qualidade da educação. De acordo com Gadotti (1992, p. 13):
[...] Não se pode confundir respeito à cultura local com a contemplação paternalista
e benevolente do pitoresco popular, que pode estar também carregado de alienações,
sem falar que simplesmente respeitar a cultura local, sem ultrapassá-la, é condenar
as populações marginalizadas dos benefícios sociais a continuarem na mesma
situação.
Diante disso, é preciso à escola não se feche em si mesma. É necessário dialogar com
todas as culturas e concepções de mundo diferentes da sua, pois a diversidade cultural é o que
torna a humanidade rica e mais humana.
Lutar pela melhoria da educação do campo é lutar por manter o homem no seu local de
origem. Arroyo (2006) aponta que é preciso mudar o pensamento que o homem do campo
esta em condição inferior e sim reconhecer o seu valor enquanto homem e cidadão que reside
no campo e possui uma cultura que lhe é própria. Nesta perspectiva de valorização do homem
do campo, é necessário reconhecer que neste local não apenas se reproduz, mas produz uma
pedagogia. Para isso, é fundamental formar educadores capazes de dialogar com esses
segmentos e construir currículos e materiais que atendam as necessidades do homem do
campo.
Segundo Moreira (2002) a proposta para o mundo moderno é solidariedade como
forma de conhecimento, esta proposta vem propor uma mudança no pensamento colonialista
que foi herdado na nossa história. O conhecimento, nesta perspectiva, conduz para a
valorização do outro o elevando à condição de sujeito que tem o seu valor social independente
de raça, cor, condição econômica ou social.
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Metodologia
Neste artigo, utilizaremos a pesquisa documental, que é rica de informações sendo
muito usada em na área das Ciências Humanas e Sociais, uma vez que ampliam o
entendimento de objetos cuja compreensão necessita de contextualização histórica e
sociocultural.
Cellard (2008) aponta que os usos de documentos em pesquisa permitem acrescentar a
dimensão temporal e social no objeto a ser analisado, favorecendo a observação do processo
de maturação, evolução dos indivíduos envolvidos nestes aspectos, como também, os
comportamentos, os conhecimentos, as práticas, entre outros.
Oliveira (2007) destaca que existe distinção entre pesquisa bibliográfica e pesquisa
documental. Para ela, a pesquisa bibliográfica é uma modalidade de estudo e análise de
documentos de domínio científico, como livros, periódicos, artigos científicos, etc. A
principal finalidade dessa pesquisa é proporcionar o contato direto com as obras e que as
mesmas sejam de domínio científico. Já a pesquisa documental é caracterizada pela busca de
informações em documentos que não receberam nenhum tratamento cientifico, sendo dessa
forma fontes primárias.
Utilizaremos para análise, a proposta pedagógica da Escola Municipal de Ensino
Fundamental Valentin Bastianello que continua a vigorar ainda no ano de 2010. Ressaltamos
que a proposta pedagógica está sendo discutida na escola, mas gostaríamos de trazer esta
discussão neste artigo como forma de contribuir com as discussões em torno da temática do
campo e também para contribuir para reformular a proposta desta escola que se encontra em
processo de análise e discussão.
Diante disso, nos propomos refletir sobre um currículo diferenciado que atenda às
necessidades do homem do campo, por fazermos parte de uma escola do campo e perceber o
quanto é difícil trabalharmos sem uma formação adequada para essa realidade, como também
com um currículo que está organizado segundo um modelo padronizado.
Caracterização da escola
A Escola Municipal de Ensino Fundamental Valentin Bastianello, tem sua sede na
localidade de São José da Porteirinha, município de Dilermando de Aguiar/RS. Constitui-se
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num núcleo resultante do agrupamento de Escolas Unidocentes de várias localidades do
município.
Inicialmente, a escola funcionou como Projeto Piloto de Experiências Pedagógicas
“Nuclearização de Escolas da Zona Rural”, tendo autorização do Conselho Estadual de
Educação, através do Parecer nº 315/90. A Escola foi criada para atender as peculiaridades da
região, visto que os alunos, em sua maioria são provenientes da zona rural. A fim de evitar
evasão escolar e o excesso de faltas, as aulas são em dias alternados possibilitando que os
alunos fiquem um dia em casa para ajudar os pais nas lidas do campo. Devido à distância das
localidades em relação à escola, os alunos utilizam o transporte escolar, sendo que nas
segundas, quartas e sextas-feiras, são atendidos os alunos do Ensino Fundamental Séries
Finais e nas terças, quintas e sábados pela manhã são atendidos os alunos da Educação
Infantil e Ensino Fundamental Anos Iniciais.
Discussão e análise
Para realizar a pesquisa, utilizaremos algumas categorias de análise como: estrutura do
currículo, conteúdos abordados e a formação docente.
Quanto à estrutura do currículo, podemos destacar que ele se inicia com a
apresentação da escola, após aponta os princípios pedagógicos no qual está à contextualização
da escola. Neste item, propomos resgatar os valores da cultura local, vinculado com a
realidade macrossocial possibilitando um processo de síntese cultural e utilizar os recursos do
meio como instrumento pedagógico. No Marco Doutrinal destaca:
A construção de uma SOCIDADE RURAL mais organizada e consciente, capaz de
resolver seus problemas de forma ativa, participativa, superando individualismos,
inseguranças e preconceitos; que busque um desenvolvimento autosustentado e
integrado, deixando de subestimar sua capacidade de mudança, sem perder sua
identidade cultural. (PPP da Escola Valentim Bastianello, 2009)
Neste contexto de análise que a escola pretende contemplar em seu processo
educativo, está o resgate da cultura do meio rural para valorizar a cultura deste local.
Percebemos o quanto é difícil articular estes discursos quando se trata de listar os conteúdos
programáticos da forma estandardizada de currículo, uma vez que a maneira que tem sido
organizado na prática, muitas vezes, não condiz com o que está proposto no papel.
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Acreditamos que é preciso ir além da cultura local, é necessário ultrapassar um
currículo monocultural, que é o vigora nesta realidade. Segundo Gadotti (1992), a diversidade
cultural que caracteriza a sociedade atual é fator importante para a humanização das relações
dentro da escola, na medida em que ela proporciona o diálogo com as diferentes culturas.
Neste sentido, a escola é mais um lugar onde se educa, porque o processo de
aprendizagem acontece também fora da escola. Segundo Arroyo (1999), cabe a escola
interpretar os processos educativos que acontecem fora do ambiente escolar, fazendo uma
síntese dos mesmos e organizando-os em projetos educativos. Dessa forma, estará
organizando o conhecimento e socializando o saber e a cultura que foram historicamente
produzidos.
Para trabalhar com uma proposta em que o aluno possa escolher o conteúdo ou assunto
de seu interesse, uma das possibilidades seria o trabalho com a pedagogia de projetos.
Hernandez (1998) aponta que o trabalho com projetos educacionais possibilita aos alunos
interagir com os conteúdos deixando de lado a forma passiva frente ao processo de ensinoaprendizagem. Nesta perspectiva, o professor é o mediador e facilitador da aprendizagem.
Em um item denominado estratégias, a escola aponta o papel do professor como sendo
o orientador do processo ensino-aprendizagem e o aluno fará a ponte com os conhecimentos
anteriores. Aponta também que o aluno completará seu desenvolvimento através de projetos
complementares como: inglês, informática e educação física.
A proposta curricular da escola apresenta o plano de estudos que são as experiências
vivenciadas pelos alunos sob a orientação da escola que é discriminado na forma de
conteúdos para cada série/ano, isto acontece na Educação Infantil e Anos Iniciais, nas Séries
Finais do Ensino fundamental, em que o currículo é organizado por disciplinas. Nesta
proposta, também são incluídos projetos especiais interdisciplinares, realizados em horários
específicos, em duas horas semanais. Os projetos são: horta, jardinagem, dança e teatro.
Segundo Arroyo (1999) é importante ter cuidado com os saberes que são colocados
para o homem do campo. Neste sentido, é preciso perguntar: qual a utilidade desses saberes
para suas vidas? È necessário desconstruir a idéia que o homem do campo precisa de alguns
saber básicos com ler e escrever para sobreviver ou para adaptar-se às novas tecnologias.
A escola pesquisada é constituída em seu quadro docente por trinta e dois professores,
todos com nível superior completo e em sua grande maioria com especialização, também
possuem dois professores com mestrado e dois se encontram com mestrando em andamento.
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Com este quadro, é possível percebermos que para essa realidade, o nível de formação vem
colaborar para uma maior qualificação dessa clientela.
Um aspecto importante para a formação dessa realidade escolar é que três professoras
residem nas imediações da escola e o restante reside na cidade vizinha ao município de
Dilermando de Aguiar, Santa Maria. Quanto ao aspecto da formação de professores, Werle
(2007) destaca que era exigido formação específica para o ensino rural e o professor deveria
residir em zona rural. Estes critérios eram exigidos para o exercício da função docente na
zona rural no Rio Grande do Sul, na primeira metade do século XX. A partir lei 5692/71,
como vimos, a formação especifica para ensino rural é eliminada. A LDB de 1996 trouxe
aspectos importantes para o ensino do campo, abrindo, com isso novos campos de pesquisa
referentes a esta temática.
Considerações finais
A implementação do currículo nas escolas é um desafio muito significativo para o
corpo docente, direção, bem como para todos os integrantes da escola, uma vez que é preciso
o professor tenha um bom domínio teórico e históricos dos processos de elaboração e
implementação do currículo.
Segundo Arroyo (2006) um projeto de educação do campo tem que incluir uma visão
mais rica do conhecimento e da cultura. È preciso que as questões curriculares incorporem
saberes do campo, que prepare o homem para a produção e o trabalho, para a emancipação,
para a justiça, para a realização plena como ser humano. Neste sentido, não pode separar o
tempo da cultura e tempo do conhecimento. Sendo assim, é preciso que a escola do campo
crie sua própria identidade, que quando olharmos para a proposta pedagógica possa ver o
homem do campo identificado nela, para isso, é importante que a escola esteja mais
aproximada da realidade na qual está inserida e mais preparada para dela participar
efetivamente.
REFERÊNCIAS
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CELLARD, A. A análise documental. In: POPART, J. et. al. A pesquisa qualitative:
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HERNANDEZ, Fernando. Transgressão e Mudança na Educação: os projetos de trabalho.
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MORIN, Edgar. Introdução ao pensamento complexo. POA: Sulina, 2007.
OLIVEIRA, M. M. Como fazer pesquisa qualitativa. Petrópolis: Vozes, 2007.
SACRISTÃN, J. Gimeno. O currículo: uma reflexão sobre a prática. Porto Alegre: ArtMed,
2000.
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