PESQUISAS / RESEARCH / INVESTIGACIÓN
Riscos ocupacionais entre acadêmicos de enfermagem no ambiente
hospitalar
Occupational risks among students of nursing in hospital environment
Riesgos ocupacionales entre los académicos de enfermería en el ambiente hospitalario
Maria Bruno de Carvalho Silva
Enfermeira. Mestre em Enfermagem. Professora do
Curso de Enfermagem da Faculdade NOVAFAPI. Rua:
Cônego Raimundo Fonseca. Nº 964. Bairro: São
Cristovão. Teresina-PI. E-mail: maria_bruno05@yahoo.
com.br.
Cristiano Aguiar Farias Lages
Graduando do Curso de Enfermagem da Faculdade
NOVAFAPI. E-mail: [email protected].
Liliane Cavalcanti Santos
Graduando do Curso de Enfermagem da Faculdade
NOVAFAPI. E-mail: [email protected].
Marcela Bruno de Carvalho Silva
Enfermeira. Mestre em Enfermagem. Professora do
Curso de Enfermagem da Faculdade CEUT. Teresina-PI
RESUMO
Este estudo objetivou discutir os principais riscos ocupacionais aos quais os acadêmicos de enfermagem estão expostos no ambiente hospitalar e descrever as vantagens da utilização correta de
Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). Trata-se de uma pesquisa descritiva de abordagem qualitativa envolvendo um trabalho de campo. Participaram como sujeitos do estudo 13 acadêmicos
do quinto período do curso de graduação em Enfermagem da Faculdade NOVAFAPI selecionados
dentre os alunos regularmente matriculados e que aceitaram participar do estudo. Os dados foram
coletados através de entrevistas semi estruturadas e que após seleção do material os conteúdos
foram agrupados em três categorias temáticas: conhecimento sobre riscos ocupacionais, concepção
quanto à exposição a riscos ocupacionais e manifestações sobre o uso de EPIs. Os resultados mostraram que os alunos apresentam pouco conhecimento sobre os riscos ocupacionais, concebem a
exposição a riscos com destaque para os perfuro e/ou cortantes e reconhecem a importância do
uso de EPIs, no entanto, relatam que às vezes deixam de usá-los. Concluiu-se que é indispensável
um ensino de graduação em Enfermagem preocupado com a biossegurança com o objetivo de
torná-los capazes de desenvolver um trabalho eficiente, promovendo saúde com segurança e como
conseqüência a promoção de cuidados de melhor qualidade.
Descritores: Enfermagem. Riscos ocupacionais. Acidentes de trabalho.
ABSTRACT
This study aimed to discuss the major occupational risks that nursing students are exposed in the
hospital and describe the benefits of proper use of Personal Protective Equipment (PPE). This is a
descriptive qualitative study involving field work. The subjects of this study are 13 students from the
fifth period of the graduation course in NOVAFAPI Nursing College selected from students regularly
enrolled and accepted to participate. The Data were collected through structured interviews and
selection of material after the contents have been grouped into three thematic categories: knowledge of occupational risks, conception on exposure to occupational risk and manifestation on the use
of PPE. The results showed that students have little knowledge about the occupational risks, they
concider risk exposure with emphasis on drilling and / or cutting and recognize the importance of
using personal protective equipment, however, they report that sometimes they fail to use them. It
was concluded that it is essential to a graduation education in nursing concerned about biosecurity
in order to enable them to develop an efficient work, promoting health and safety as a consequence
with the promotion of better treatment.
Descriptors: Nursing. Occupational risks. Work accidents.
RESUMEN
Submissão: 30/10/2009
Aprovação: 30/11/2009
Este estudio tuvo como objetivo discutir los principales riesgos profesionales a los que los académicos de enfermería están expuestos en el ambiente hospitalario y describir los beneficios del uso
adecuado de los Equipos de Protección Individual (EPI). Tratase de un estudio descriptivo de enfoque
cualitativo envolviendo una investigación de campo. Los sujetos de este estudio fueron 13 aca-
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33
Silva, M. B. C. et al.
démicos del quinto período del curso de graduación en Enfermería de la
Facultad Novafapi seleccionados a partir de los estudiantes regularmente
matriculados y que aceptaron participar. Los datos fueron recolectados
a través de entrevistas semi-estructuradas y después de la selección de
materiales, los contenidos fueron agrupados en tres categorías temáticas:
conocimiento acerca de riesgos ocupacionales, concepción acerca de la
exposición a los riesgos ocupacionales y manifestaciones sobre el uso
de los EPI. Los resultados mostraron que los estudiantes presentan poco
conocimiento sobre los riesgos ocupacionales, conciben la exposición al
riesgo, con énfasis en la perforación y / o corte y reconocen la importancia
del uso del PPE, sin embargo, señalan que a veces no los usan. Se concluyó que es indispensable una enseñanza de graduación en Enfermería
preocupada con la bioseguridad con el objetivo de hacerlos capaces de
desarrollar un trabajo eficiente, promover la salud con la seguridad y, en
consecuencia, la promoción de mejor calidad del cuidado.
Descriptores: Enfermería. Riesgos ocupacionales. Accidentes de trabajo.
1INTRODUÇÃO
A exposição aos fatores de riscos e conseqüente acidentes de trabalho aos quais os trabalhadores estão sujeitos ocorrem em todas as áreas
profissionais dependendo da atividade desenvolvida. O ambiente hospitalar é considerando como a principal área de atuação dos trabalhadores em
saúde, no qual se observa a gravidade dos riscos, no desenvolvimento das
atividades, a que estão sujeitos esses profissionais, gerando preocupação
por parte dos estudiosos pela exposição destes trabalhadores (CORREA;
DONATO, 2007).
Sendo assim, as doenças ocupacionais têm se tornado algo comum no ambiente hospitalar e em sua maioria acomete a equipe de
enfermagem, uma vez que esses profissionais lidam diretamente com o
paciente, agulhas, perfuro cortantes, equipamentos, soluções e outros
(CASTRO; FARIAS, 2008). Diante desta situação, estes riscos e acidentes
representam um grave problema de saúde pública que acomete todas as
áreas e por isso, torna-se por si só um desafio a ser enfrentado pelo país
(SARQUIS; FELLI, 2009).
Tendo em vista a essa preocupação com os riscos ocupacionais surgiram portarias ministeriais, como a 3.460/75 que certifica o profissional
enfermeiro como parte de uma equipe de saúde ocupacional e as Portarias 3.236/72 e 3.237/72 do Ministério do Trabalho que torna obrigatória as
empresas com mais de 100 profissionais possuírem um serviço de saúde
ocupacional para prevenção de acidentes aos seus trabalhadores. Inserido neste contexto, o primeiro relato relacionado a acidentes ocupacionais
com profissionais de saúde ocorreu em 1984, sendo que em 1987 foi instaurada as CDC (Centers for Disease Control and Prevention), como medida de segurança para prevenção destes trabalhadores, principalmente,
para evitar contaminação pelo HIV e hepatite B (ANDRADE; SANNA, 2007).
Dentre estes dispositivos legais, destaca-se a Norma Regulamentadora-NR 32 que estabelece diretrizes voltadas à implementação de
medidas de Segurança no Trabalho em Serviços de Saúde, contemplando
aqueles que exercem atividades de promoção e assistência (BRASIL, 2010).
Dados epidemiológicos mostraram que no ano de 2005 no Brasil
foram registrados 491.711 acidentes de trabalho, destes 2.708 trabalhadores foram a óbito. Relacionado aos profissionais da saúde divididos
por subgrupo de Classificação Brasileira de Ocupações foram registrados
34
22.581 pessoas na Previdência Social vítimas de acidentes de trabalho no
campo da saúde (SARQUIS; FELLI, 2009).
Sendo assim, para Nhamba (2004), torna-se indispensável à elaboração de estratégias para fazer face aos problemas que envolvem a saúde
ocupacional, com vistas à redução dos riscos presentes no ambiente de
trabalho, sobretudo na atual conjuntura da emergência de várias enfermidades de alta periculosidade.
Portanto, a adoção de normas de biossegurança em saúde é condição fundamental para a segurança dos trabalhadores, qualquer que seja a
área de atuação, pois os riscos estão sempre presentes (ANDRADE; SANNA,
2007).
Os trabalhadores e acadêmicos de enfermagem, no desenvolvimento de suas funções estão expostos a inúmeros riscos ocupacionais
causados por fatores físicos, químicos, psicossociais, ergonômicos e biológicos que podem ocasionar doenças e acidentes de trabalho. Os riscos físicos estão relacionados às diversas formas de energia, quais sejam: ruídos,
vibrações, pressões anormais, temperaturas extremas, radiações ionizantes, radiações não ionizantes, como infra som e ultra som. Os riscos químicos são causados por substâncias ou compostos químicos que penetram
no organismo por via respiratória ou que podendo ser absorvidos através
da pele ou ingestão. Os riscos psicossociais que podem estar associados
à ansiedade, tensão, fadiga, trabalho subordinado, ritmo acelerado de
trabalho, longas horas de plantão, dentre outras. Os fatores ergonômicos
tratam de questões relacionadas ao homem e seu ambiente de trabalho,
e por fim, temos os riscos biológicos que são representados por bactérias,
fungos, bacilos, parasitas, protozoários e vírus (CHIODI; MARZIALE, 2006).
O interesse pelo estudo surgiu a partir da observação de como os
acadêmicos de saúde, principalmente, os de enfermagem desenvolvem
seus procedimentos nos campos de estágio e por acreditar que muitos
graduandos não estão dando a devida atenção à importância da prevenção de riscos ocupacionais por ocasião do desenvolvimento de suas atividades no ambiente hospitalar.
Para Sousa et al. (2008), a falta de abordagem sobre essa temática
por parte dos currículos de Enfermagem é empecilho que certamente irá
prejudicar graduandos da área a cerca de condutas práticas de utilização
de equipamentos de proteção, visto que a grande maioria não assimila as
relações necessárias à construção de conhecimentos importantes para o
exercício profissional, tornando-os assim, imaturos diante dessa problemática.
O que se percebe no cotidiano das atividades de saúde hospitalar
é que acadêmicos, docentes e as Instituições de Ensino Superior (IESs) não
têm dado a relevância necessária ao ensino de biossegurança. As dúvidas
e questionamentos a respeito de riscos e meios de prevenção são freqüentes e os constantes acidentes envolvendo acadêmicos no ambiente hospitalar, mostra a fragilidade de informações a que estes estudantes estão
submetidos (SOUSA et al., 2008).
Com base nestes dados, estudos mostram que os fatores de maior
representatividade entre graduandos relacionados à baixa adesão ao uso
dos EPIs, são: o desconforto físico, a indisponibilidade ou inadequação dos
EPIs nas unidades de saúde, a estrutura organizacional dos serviços de assistência e as políticas institucionais e administrativas (SOUSA et al., 2008).
Portanto, os profissionais de enfermagem não estão inseridos em
condições legais de formação em biossegurança e, como conseqüências
não desenvolvem uma conscientização adequada quanto à magnitude do
problema. Essa pouca atenção nos currículos dos cursos de graduação em
enfermagem resulta em conhecimento teórico prático insuficiente para os
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Riscos ocupacionais entre acadêmicos de enfermagem no ambiente hospitalar
acadêmicos, conforme salientam (COSTA; COSTA,2004).
Sendo assim, é indiscutível o grau de periculosidade a que os profissionais e estudantes de saúde estão expostos. As situações diárias que
os trabalhadores vivenciam fazem com que os mesmos tornem-se estressados e incapacitados a realizar as atividades e os motivos são os mais variados, entre eles, temos: o ritmo de trabalho, as situações de emergências,
os estresses psicossociais, a baixa remuneração e o não reconhecimento
do trabalhador pela instituição, são fatores que levam os profissionais ao
desgaste, tornando-os agentes passíveis de possíveis infecções a que estão em contato em seu ambiente de trabalho (SARQUIS; FELLI, 2009).
Diante do exposto destaca-se como objeto desta pesquisa o interesse científico em discutir a temática relacionada aos riscos ocupacionais
entre acadêmicos de enfermagem no ambiente hospitalar, pois no decorrer da graduação foi possível a observação desses riscos, sendo que
os mesmos agravavam-se na medida em que os possíveis contatos com
agentes contaminantes eram mais freqüentes, principalmente porque
muitos acadêmicos não se atentavam às medidas de biossegurança. O
objetivo do estudo é identificar e discutir os principais riscos ocupacionais
aos quais os acadêmicos de enfermagem estão expostos no ambiente
hospitalar e descrever as vantagens da utilização correta de EPIs.
2METODOLOGIA
Tipo de Estudo
Trata-se de um estudo descritivo de abordagem qualitativa, envolvendo um trabalho de campo em que se buscou identificar e discutir os
principais riscos ocupacionais aos quais os acadêmicos de enfermagem
encontram-se expostos no ambiente hospitalar bem como descrever as
vantagens da utilização de EPI pelos sujeitos da pesquisa.
Minayo (2003) ressalta que a abordagem qualitativa é uma atividade da ciência, que visa à construção da realidade, mas que se preocupa com as ciências sociais em um nível de realidade que não pode ser
quantificado, trabalhando com o universo de crenças, valores, significados
e outros construtos profundos das relações que não podem ser reduzidos
à operacionalização de variáveis.
Campo de Investigação
A referida pesquisa foi realizada na Faculdade NOVAFAPI, localizada
na Rua Vitorino Orthiges Fernandes, 6123 - Bairro Uruguai, Teresina – Piauí;
em sala de aula, junto aos alunos do quinto período do Curso de Enfermagem e escolha deste local deveu-se ao fato de haver uma maior facilidade de aproximação com os sujeitos, além de fornecer ambiente favorável
para realização das entrevistas.
Sujeitos do Estudo
Fizerem parte desta investigação 13 acadêmicos do curso de Enfermagem do quinto período da Faculdade NOVAFAPI. Os critérios de seleção
dos sujeitos foram os seguintes: ser aluno de enfermagem da Faculdade
NOVAFAPI, estar regularmente matriculado nas disciplinas do quinto período e aceitar participar do estudo.
A escolha destes sujeitos para participarem da pesquisa, surgiu a
partir da percepção de que por estarem iniciando as atividades práticas
em contexto hospitalar exigidas pela instituição como base de seu curríRevista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.3, n.3, p.33-38, Jul-Ago-Set. 2010.
culo de formação, estes estudantes estariam aptos a contribuírem para o
estudo, visto que a partir deste semestre os mesmos estão em freqüente
contato com riscos ocupacionais.
Procedimentos de Coleta dos dados
Antes da realização da pesquisa, a mesma foi encaminhada para
análise e avaliação do Comitê de Ética em Pesquisa da NOVAFAPI - (CEP NOVAFAPI) que é uma instância colegiada, constituída pela IES em respeito às normas da Resolução nº 196, de 10 de outubro de 1996, do Conselho
Nacional de Saúde – CNS. O CEP apresenta caráter multi e transdisciplinar,
que inclui a participação de profissionais da área de saúde, exatas e humanas, além de um representante do corpo administrativo da IES (BRASIL,
1996). Após aprovação pelo Processo CAAE nº. 0187.0.043.000-10 por este
comitê iniciou-se as entrevistas.
Utilizou-se como instrumento de coleta de dados, a entrevista
semi-estrutura, por meio de roteiro elaborado com perguntas abertas e
fechadas a respeito dos riscos ocupacionais entre acadêmicos de enfermagem no ambiente hospitalar, sendo que a mesma prosseguiu até a
constatação das saturações das falas pelos sujeitos.
A entrevista seguiu o seguinte roteiro: primeira parte - perfil dos sujeitos: idade, sexo, estado civil e renda familiar. Segunda parte - perguntas
relativas aos Riscos Ocupacionais entre Acadêmicos de Enfermagem no
Ambiente Hospitalar.
1 - O que você entende por riscos ocupacionais?
2 - Você acha que no ambiente hospitalar o acadêmico de enfermagem encontra-se exposto a riscos ocupacionais? Quais são esses riscos?
3 - Quais as vantagens do uso correto de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), no seu ponto de vista?
As entrevistas ocorreram após a leitura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e a assinatura do Termo de Participação pelos sujeitos. O procedimento foi realizado de forma individual para que não ocorresse influência das falas e tiveram duração média de 10 minutos cada. Em
seguida, todas as entrevistas foram transcritas na íntegra, iniciando neste
momento a interpretação das informações a partir da “análise de conteúdo” que constitui um conjunto de técnicas que visa obter por procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição de conteúdo das mensagens, indicadores que permitem a inferência de conhecimentos relativos
às condições de produção/recepção destas mensagens (BARDIN, 1977).
Bardin (1977) relata que o tipo de análise selecionado requer algumas considerações teóricas e para tanto, é conveniente entender que a
análise de conteúdo se aplica à análise de textos escritos ou de qualquer
comunicação, verbal ou gestual, considerada como um conjunto de técnicas de análise de comunicação que contém informações sobre o comportamento humano apresentado em uma fonte.
O início das entrevistas diz respeito às questões fechadas, ou seja,
se tratam dos perfis dos sujeitos da amostra, que compreenderam a 13
participantes, dos quais 02 se encontravam na faixa etária menor de vinte anos, 08 na faixa etária entre vinte e vinte e cinco anos e 03 com idade
entre vinte e seis e trinta anos. Quanto ao estado civil, 11 eram solteiras,
01 casada e 01 divorciada. Todas pertencem ao sexo feminino e relacionado à renda familiar, destaca-se: 01 ganha menos que um mil reais;
11 ganham entre um mil a cinco mil reais e 01 possui renda entre cinco
e dez mil reais. Esses dados são observados na figura 1 apresentada a
seguir:
35
Silva, M. B. C. et al.
Figura 1 – Perfil dos sujeitos.
forme citadas a seguir:
É o risco que podemos ter em uma determinada situação de trabalho (...)
é tudo aquilo a que se possa está sujeito no ambiente de trabalho (...) são
situações a que estamos sujeitos no hospital (...) é toda atividade que oferece
risco ao trabalhador (...) são situações a que estamos expostos (...) são aquelas
situações que venham a prejudicar o enfermeiro ou o acadêmico de enfermagem a se contaminar e prejudicar sua saúde (...) entendo que são riscos
comuns da sua profissão (...) São aqueles que estamos sujeitos na área de
atuação (...) são riscos que os indivíduos correm no seu trabalho (...).
Quanto aos conteúdos das entrevistas, os mesmos, foram agrupados em categorias tomando por base os objetivos propostos nesse estudo,
seguindo as seguintes etapas de análise: leitura flutuante das entrevistas;
seleção do material (constituição do corpus) e processo de categorização.
Foram, então, apreendidas três categorias, formadas a partir de 88 unidades de análise, que mostram os aspectos mais relevantes no ponto de vista dos estudantes de enfermagem referente aos riscos ocupacionais entre
acadêmicos de Enfermagem no ambiente hospitalar, conforme a figura 2
do plano de análise abaixo:
Figura 2 - Plano de Análise de Conteúdo Categorial Temática.
Destaca-se com base nestas falas, a carência de conteúdo a respeito do conhecimento sobre riscos ocupacionais, visto que, as unidades de
análise que formam esta categoria, enfocam apenas repetições de conceitos, onde nenhum embasamento teórico mais aprofundado a respeito
da temática foi expresso pelos sujeitos do estudo. Sendo assim, especial
atenção deve ser dada aos currículos das Instituições de Ensino Superior
(IES) na formação dos profissionais de saúde, pois diante dos dados, foi
possível constatar a fragilidade das informações recebidas pelos alunos
a respeito do conhecimento sobre os riscos ocupacionais por ocasião de
sua formação.
Categoria B – Concepção quanto à exposição a Riscos Ocupacionais.
Os riscos nas unidades hospitalares são decorrentes, de maneira especial, da assistência direta prestada pelos profissionais de saúde à
pacientes em diversos graus de comprometimento, assistência esta que
implica no manuseio de equipamentos e materiais perfurantes e/ou cortantes, muitas vezes contaminados por sangue e outros fluidos corporais
(BULHÕES, 1994).
Os resultados obtidos apontam que os acadêmicos reconhecem a
exposição a riscos ocupacionais e entre estes foram referidos como mais
prevalentes os acidentes com perfuro cortantes e os processos infecciosos.
Os perfuro cortantes foram os mais lembrados entre os maiores causadores de danos à saúde por parte dos acadêmicos, com ênfase aos agentes
biológicos que são carreados por estes materiais, conforme relatos a seguir:
3
APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS
Sim. Riscos de contaminação, principalmente (...) Sim. Perfuro cortantes e
contaminação (...)] Sim. Principalmente, perfuro cortantes devido a não utilização de EPIs na realização dos procedimentos (...) riscos com perfuro cortantes, infecção hospitalar e resíduos biológicos (...) Sim. Esses riscos envolvem
doenças infecto contagiosas, riscos com perfuro cortantes que contém resíduos de sangue contaminado, entre outros (...) no caso da área de saúde
temos riscos com materiais de fácil contaminação (...) agentes cortantes que
podem contaminar os acadêmicos e profissionais de enfermagem (...).
Categoria A – Conhecimento sobre Riscos Ocupacionais.
Esta primeira categoria analisa o conhecimento dos acadêmicos
de enfermagem sobre os riscos ocupacionais, por ocasião das práticas no
campo de estágio diante dos inúmeros riscos a que estão submetidos.
Consideramos que captar formas de riscos ocupacionais ocorridos
e/ou percebidos pelos trabalhadores da equipe de enfermagem e de futuros profissionais (acadêmicos da área), mesmo quando num recorte da
realidade, pode constituir numa estratégia norteadora para redimensionar
formas de ensino e de processos educativos continuados junto às instituições hospitalares e de atenção primária, visando tornar mais agradável e
seguro o desenvolvimento das atividades (ARREGUY-SENA; ROJAS; SOUSA, 1996).
A partir dos depoimentos e da posterior classificação das falas em
unidades de análise foi possível observar que para os acadêmicos de enfermagem o conhecimento sobre riscos ocupacionais apresentam-se con36
Para Almeida, Leite e Pagluica (2005), os profissionais da área de
saúde estão expostos aos mesmos riscos a que se sujeitam os demais trabalhadores, acrescidos daqueles representados por agentes biológicos,
uma vez que se expõe constantemente ao contato com sangue e outros
fluídos orgânicos contaminados por uma variedade imensa de patógenos
desencadeadores de doenças ocupacionais. Os acidentes com perfuro
cortantes são caracterizados como principal tipo de acidente na enfermagem, oferecendo riscos á saúde física e mental dos trabalhadores (FERREIRA et al., 2004).
As falas dos sujeitos abordam os riscos mais comuns e os agentes
ou instrumentos que mais são lembrados por eles quando se fala em risco
no ambiente hospitalar. Porém, outros aspectos também foram lembrados, como a não lavagem das mãos, o uso do jaleco e os riscos em procedimentos de aspiração alem e doenças como hepatite e HIV que também
foram referidas:
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.3, n.3, p.33-38, Jul-Ago-Set. 2010.
Riscos ocupacionais entre acadêmicos de enfermagem no ambiente hospitalar
Sim. Sujeitos a várias doenças como hepatite e HIV (...) utilização do jaleco fora
do hospital leva contaminação nele contido para outros ambientes (...) a não
lavagem das mãos quando no atendimento de um paciente para outro dentro das enfermarias (...) Sim. Quanto aos riscos temos: aplicação de injeções,
procedimentos de aspiração e outros (...).
Mesmo com a variedade de procedimentos que são realizados
por acadêmicos de enfermagem que poderiam ser relacionados, muitos
entrevistados enfocaram, na maioria das respostas, apenas os perfuro cortantes como principal fator de risco, esquecendo, por exemplo, os riscos
ao se realizar curativos, riscos relacionados a processos físicos e químicos,
inadequações de área física da unidade, entre outros fatores, visto que, os
processos infecciosos não acontecem apenas por contato com material
biológico, mas também com organismos em suspensão, além de outros
agentes que podem prejuízos ao bem estar dos envolvidos na prática hospitalar.
Categoria C – Manifestações sobre o uso Equipamentos de
Proteção Individual.
formaram sobre a importância do não uso dos mesmos fora do ambiente
de trabalho. Pouca ênfase foi dada a lavagem das mãos periodicamente
que é considerada o meio mais simples e eficaz para reduzir um grande
número de riscos, além do uso do álcool em gel, recentemente obrigatório
nas unidades de saúde como prevenção aos contatos com os novos microorganismos de grande potencial patogênico.
Segundo Costa e Silva (1998), vale ressaltar que o uso dos EPIs
constitui o meio mais simples de prevenção de acidentes ocupacionais;
luvas, aventais, máscaras de proteção, gorros, jalecos e outros, diminuem
os níveis de exposição física.
De modo geral, pode-se inferir que os relatos dos sujeitos têm
concreta relação com práticas cotidianas. Exemplo disso, ocorre quando
acadêmicos ignoram procedimentos simples e eficazes como a lavagem
das mãos, o uso de luvas, as máscara, no decorrer do estágio pois os mesmos percorrem os diversos setores do hospital, o que os torna passíveis de
riscos ocupacionais inerentes a futura profissão.
4
Grande parte dos acidentes ocorridos no ambiente hospitalar ocorre quando o profissional não utiliza os EPIs. Isso dificulta sua vida quando
na investigação sobre as circunstâncias de acidentes, contudo, a eficácia
na utilização dos equipamentos depende não somente de sua adoção,
mas também do uso e manuseio correto (AGULIARE et AL., 2007).
Observa-se em algumas unidades de saúde a ausência de EPIs, ou
a inadequação destes, muitas vezes o trabalhador precisa improvisar ou
se utiliza de outro EPI que não o adequado. Outra realidade é que muitas
vezes têm-se os EPIs adequados, mas o profissional não utiliza, seja por
falta de costume, por achar que o mesmo dificulta a realização das tarefas,
simplesmente por displicência, ou por falta de conhecimento e conscientização sobre a importância do uso (SIMÕES et al., 2003).
Nesta categoria, tivemos o interesse em questionar sobre o uso de
Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), tendo como relato o que segue:
Proteção, por exemplo, temos as luvas para não estarmos entrando em contato com secreções de pessoas com doenças desconhecidas, as máscaras
por microorganismos suspensos no ar, o jaleco, tudo devendo ser utilizado
quando necessário (...) proteção de acadêmicos e pacientes, a troca de luvas,
lavagem das mãos e o cuidado com perfuro cortantes, são fatores indispensáveis (...) sabemos da necessidade do uso de EPIs como luvas, pois estamos
sujeitos a várias doenças (...).
A maioria conceituou o que são os equipamentos de proteção individual sem citá-los, como consta:
Proteger contra eventuais doenças aos acadêmicos de saúde (...) evitar contaminação tanta para estudantes e profissionais quanto para os pacientes (...)
prevenir agravos em qualquer que seja o ambiente de trabalho (...) proteção
das pessoas quando no exercício da profissão (...) prevenir várias doenças as
quais estamos expostos (...) esses equipamentos são meios de evitar esses riscos ocupacionais comuns aos profissionais e estudantes de saúde (...) a falta
de EPIs quando não utilizado oferece maior risco para infecções hospitalares,
além da imprudência por parte dos acadêmicos quando desconsideram o
uso de EPIs e a lavagem das mãos como meio preventivo que é ensinado
na academia (...) devido ao mau uso de EPI estamos sujeitos a infecções (...).
Os entrevistados em sua maioria relataram como maiores meios
preventivos aos riscos ocupacionais o uso das luvas, principalmente, em
relação a sua troca quando no atendimento de pacientes distintos; as
máscaras, devido aos microorganismos em suspensão, os jalecos, onde in-
Revista Interdisciplinar NOVAFAPI, Teresina. v.3, n.3, p.33-38, Jul-Ago-Set. 2010.
CONCLUSÃO
O estudo contribui para ampliar o conhecimento acerca dos riscos
ocupacionais envolvendo os acadêmicos de enfermagem e permitiu revelar, a partir dos dados apresentados, a fragilidade do conhecimento por
parte dos sujeitos do estudo a respeito do objeto desta investigação. Esta
inconsistência do conhecimento, somada a outros fatores, coloca estes futuros profissionais potencialmente em riscos ocupacionais, evidenciando
com isso a vulnerabilidade no exercício profissional e precisam, portando,
estar informados e treinados para evitar problemas de saúde. Métodos de
controle devem ser instituídos para prevenir, evitar riscos e acidentes.
Chamou à atenção durante a realização deste estudo, a ênfase aos
riscos biológicos por parte dos acadêmicos, como se os riscos que envolvem o setor saúde girassem em torno, apenas de acidentes com perfuro
cortantes e com os agentes contaminantes por eles carreados; além da
mínina atenção a respeito da lavagem das mãos e a exclusão do uso do
álcool em gel como meio de prevenção e controle de riscos em ambientes
hospitalares.
Com este trabalho, pôde-se concluir que é relevante o estudo dos
riscos ocupacionais no ambiente hospitalar visto às inúmeras atividades
de origem insalubre e perigosa, cuja natureza pode provocar efeitos adversos à saúde de acadêmicos, profissionais e pacientes. Portanto, todas
as medidas possíveis de serem adotadas para minimizar os riscos de acidentes devem ser levadas com freqüência ao conhecimento e atenção
do aluno.
A partir de outros estudos e desta pesquisa, verifica-se a necessidade de uma concentração de esforços na formação do futuro profissional
de enfermagem com ênfase no reconhecimento dos riscos ocupacionais
no ambiente de trabalho. É importante que as IESs promovam uma abordagem próxima da realidade dos graduandos, para que os mesmos assumam uma postura crítica e reflexiva a respeito deste tema, principalmente
porque os acadêmicos de enfermagem estão inseridos, entre as classes
com maior exposição a riscos que permeiam a área hospitalar tornando
assim indispensável o conhecimento e a conscientização das práticas de
biossegurança.
37
Silva, M. B. C. et al.
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