UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO FACULDADE DE ENFERMAGEM PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM MESTRADO EM ENFERMAGEM CAMILA GONÇALVES RECANELLO REPERCUSSÕES DAS QUEDAS NA VIDA DOS IDOSOS E SEUS FAMILIARES CUIABÁ 2014 CAMILA GONÇALVES RECANELLO REPERCUSSÕES DAS QUEDAS NA VIDA DOS IDOSOS E SEUS FAMILIARES Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Enfermagem, da UFMT, como requisito para obtenção do título de mestre em Enfermagem – Processos e Práticas em Saúde e Enfermagem: Enfermagem e o cuidado à saúde regional. Orientadora: Annelita Oliveira Reiners CUIABÁ 2014 Almeida CAMILA GONÇALVES RECANELLO REPERCUSSÕES DAS QUEDAS NA VIDA DOS IDOSOS E SEUS FAMILIARES Esta dissertação foi submetida ao processo de avaliação pela Banca Examinadora para obtenção do título de: Mestre em Enfermagem. E aprovada na sua versão final em ___de ___, atendendo às normas da legislação vigente da UFMT, Programa de Pós-Graduação em Enfermagem, área de concentração Enfermagem e Práticas em Saúde e Enfermagem. _________________________________________ Drª Rosemeiry Capriata de Souza Azevedo Coordenadora do Programa BANCA EXAMINADORA: Profa. Dra .____________________________________________________ Profª. Drª. Annelita Almeida Oliveira Reiners Faculdade de Enfermagem/UFMT (Presidente – Orientadora) Profa. Dra .____________________________________________________ Profª. Drª. Sônia Silva Marcon Faculdade de Maringá/UEM (Membro efetivo externo) Profa. Dra .____________________________________________________ Profª. Drª.Edir Teixeira Nei Mandú Faculdade de Enfermagem/UFMT (Membro efetivo interno) Profa. Dra .____________________________________________________ Profª. Drª. Rosemeiry Capriata de Souza Azevedo Faculdade de Enfermagem/UFMT (Membro suplente) DEDICATÓRIA Dedico essa pesquisa à todos os idosos e familiares participantes do estudo. Obrigada por compartilharem comigo suas experiências e angústias. Principalmente por confiarem no meu trabalho e me receberem tão bem. Todos esses resultados são para vocês. Espero ter a oportunidade de dar retorno a cada um, melhorando suas vidas e seus entendimentos acerca da queda. AGRADECIMENTOS Agradeço, Primeiramente àquele que me conhece profundamente, que sabe de todas as angústias e fraquezas que vivenciei durante todo esse processo. Àquele me deu forças quando imaginei que desistiria. Àquele que soube sempre que eu conseguiria, o meu Deus. Ao meu marido Paulo Chaves, que durante esses 24 meses não me deixou cair uma só vez, permaneceu ao meu lado forte como uma rocha, não deixando transparecer que por dentro também estivesse despedaçado. Por muitas vezes secou minhas lágrimas de tristeza e felicidade e vivenciou cada minuto de toda essa experiência que o mestrado representou para mim. Ao meu pequeno grande menino Luiz Otávio, responsável por tudo o que sou hoje. Você meu filho foi o meu maior incentivo de eu ter chegado até aqui. Por muitas vezes coloquei em dúvida se realmente eu deveria passar por tudo isso, principalmente pelas muitas vezes que estive ausente na sua vida. Conforta-me saber que você ainda é pequeno e talvez não se lembre, no futuro, o que precisei fazer para conquistar esse título de mestre. Mesmo assim quero que saiba que tudo isso foi por você. À minha orientadora/conselheira/mãe/mestre Annelita por todo ensinamento e sabedoria que me proporcionou. Por todos os momentos em que me ofereceu os ombros para chorar. Por toda paciência que teve comigo e, principalmente, por todos os puxões de orelha, porque cada um deles me fez uma pessoa melhor e madura. À você todo meu respeito e admiração. À minha co-orientadora Rosemeiry por todos os ensinamentos que me proporcionou, principalmente por acreditar e confiar em mim. Obrigada por cada “estrelinha” que me deu, cada uma delas foi importante para mim. À minha mãe Tânia, meu pai Waldir e ao meu pai avô Mauro que mesmo distantes fisicamente, conseguiram me apoiar em todos os momentos, me incentivando e me fazendo acreditar no meu potencial. Vocês são meus espelhos e inspiração. Tudo o que sou hoje devo à educação e aos exemplos que me deram durante meus 27 anos. À minha amada vozinha Janete que apesar de estar onde não posso vê-la, esteve comigo todo esse tempo, me dando forças e me fazendo acreditar que seria possível. Não te esqueço por um só dia e ofereço essa conquista à você. À minha sogra Marli que com seu jeitinho tranquilo e positivo de ser se preocupou comigo. Dizem que sogras são como mães e para mim a senhora tem toda essa importância na minha vida. À Arlete que permaneceu firme na minha casa, muitas vezes assumindo o papel de mãe do meu filho e minha também. Seus cuidados com a minha família foram fundamentais e serei sempre grata à você. À minha amiga-irmã Maria Cláudia, pessoa que Deus permitiu entrar na minha vida para trazer apenas coisas boas. Me ensinou a confiar em mim, secou minhas lágrimas, orou por mim e me ajudou muito nessa caminhada. Gostaria que você soubesse o quanto sua ajuda foi importante para mim e eu jamais esquecerei. Às minha amigas Ingrid, Geovana e Josiane que estiveram comigo e me auxiliaram por diversas vezes. Umas com palavras de incentivo, outras com conversas descontraídas, mas todas tem participação especial na minha vida. Aos idosos e familiares que participaram da minha pesquisa. Gostaria de dar retorno à todos vocês. Não me esqueço de nenhum, todos foram significantes demais para serem esquecidos. À todas as pessoas que de alguma forma contribuíram para a realização desse sonho, o meu muito obrigada!!! “Crê em ti mesmo. Age e verá os resultados. Quando te esforças, a vida também se esforça para te ajudar.” Chico Xavier RECANELLO, C.G.R. Repercussões das quedas na vida dos idosos e seus familiares. 2014. 67f. (Dissertação) – Mestrado em Enfermagem – Universidade Federal de Mato Grosso, Cuiabá, 2014. Orientadora: Prof. Dr. Annelita Almeida Oliveira Reiners Co-orientadora Prof. Dr. Rosemeiry Capriata de Souza Azevedo RESUMO Estudo qualitativo, exploratório e descritivo, cujo objetivo foi compreender as repercussões das quedas na vida dos idosos e seus familiares a partir de suas perspectivas. A coleta de dados foi realizada no domicílio com 15 idosos e 22 familiares, por meio de entrevista semiestruturada contendo questões acerca das repercussões ocasionadas pelas quedas na vida dos idosos que caíram e seus familiares. Os resultados dessa pesquisa revelaram que as quedas ocasionam repercussões semelhantes na vida dos idosos que caem e na vida dos familiares que vivenciam a queda. A vida dos longevos sofre repercussões à medida que surge o medo de quedas recorrentes, limitações de atividades diárias, dependência, declínio da capacidade funcional, isolamento social e até mesmo mudanças nos comportamentos. Enquanto nos familiares, as repercussões são baseadas nos impactos financeiros e redução de jornadas de trabalho, alteração na rotina diária em função do cuidado fornecido ao idoso caidor, redução de atividades sociais, preocupação em excesso com consequente restrição de atividades dos longevos. Os resultados fornecem informações aos profissionais de saúde, em especial ao enfermeiro, visto que sugerem estratégias para prevenção da ocorrência da queda através da educação em saúde, da avaliação integral para os idosos e para os familiares, além da importância das visitas domiciliares, as quais possibilitam ao profissional prestar assistência individual, diferenciada e adequada às necessidades dos envolvidos no evento queda. Palavras chave: Quedas; Idosos; Familiares; Repercussões. RECANELLO, C.G.R. Impact of falls in the lives of seniors and their families. 2014. 67f. Dissertation (Master's in Nursing) - The Post - Graduate in Nursing, Federal University of Mato Grosso, Cuiabá, 2014. Advisor: Prof.. Dr.. Annelita Almeida Oliveira Reiners Co-Advisor: Prof.. Dr.. Rosemeiry Capriata de Souza Azevedo ABSTRACT Qualitative study was exploratory and descriptive, whose goal was to understand the impact of falls in the lives of seniors and their families from their perspectives. Data collection was performed at home with 15 elderly and 22 family members, through semi-structured interview containing questions about the impact caused by falls in the lives of the elderly who have fallen and their families. The results of this research reveal that falls cause similar impact on the lives of older people who fall and in the lives of families who experience a fall. The life of the oldest old suffer repercussions as it appears the fear of recurrent falls, role limitations, dependency, declining functional status, social isolation, and even changes in behavior. While familiar, the repercussions are based on financial impacts and reduction in working hours, change in daily routine due to the care provided to the elderly caidor, reduced social activities, excessive concern with consequent restriction of long-living activities. The results provide information to health professionals, especially nurses, as they suggest strategies for preventing the occurrence of falling through health education, the integral for the elderly and for family assessment and the importance of home visits, which enable the professional to provide individual, differentiated and appropriate assistance to the needs of those involved in the fall event. Keywords : Falls ; Seniors ; Family ; Repercussions . RECANELLO, C.G.R. Impacto de las caídas en la vida de las personas mayores y sus familias. 2014 – 67f Dissertación (Maestría en Enfermería) – El post-postgrado en enfermería, Universidad Federal de Mato Grosso, Cuiabá, 2014. Orientadora: Profª. Drª. Annelita Almeida Oliveira Reiners Co-orientadora: Profª. Drª. Rosemeiry Capriata de Souza Azevedo RESUMEN Estudio cualitativo fue exploratorio y descriptivo, cuyo objetivo era entender el impacto de las caídas en la vida de las personas mayores y sus familias de sus perspectivas. La recolección de datos se llevó a cabo en el país con 15 ancianos y 22 miembros de la familia, a través de entrevista semi - estructurada que contenía preguntas sobre el impacto causado por las caídas en las vidas de las personas mayores que han caído y sus familias. Los resultados de esta investigación revelan que las caídas causan impacto similar en la vida de las personas mayores que se caen y en las vidas de las familias que experimentan una caída. La vida de los más ancianos sufren consecuencias como aparece el miedo a las caídas recurrentes, limitaciones de rol, la dependencia, el estado funcional en declive, el aislamiento social, e incluso los cambios en el comportamiento. Si bien familiar, las repercusiones se basan en los impactos financieros y la reducción de la jornada laboral, el cambio en la rutina diaria debido a la atención prestada a la caidor ancianos, actividades sociales reducidas, la preocupación excesiva con la consiguiente restricción de las actividades de larga vida. Los resultados proporcionan información a los profesionales de la salud, especialmente las enfermeras, ya que sugieren estrategias para prevenir la ocurrencia de caer a través de la educación sanitaria, la integral de las personas mayores y para la evaluación de la familia y la importancia de las visitas a los hogares, que permitir al profesional para brindar asistencia individual, diferenciada y adecuada a las necesidades de los involucrados en el evento de otoño . Palabras clave: Caídas ; Seniors ; Familia ; Repercusiones. LISTA DE SIGLAS AB: Atenção básica AVD: Atividade de vida diária AIVD: Atividade instrumental de vida diária CDC: Center of Disease Control and Prevention CF: Capacidade funcional IBGE: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística OMS: Organização Mundial da Saúde PNI: Política Nacional do Idoso PNSPI: Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa SUS: Sistema Único de Saúde TCLE: Termo de consentimento livre e esclarecido WHO: World Health Organization SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ......................................................................................................... 14 1.2 Objetivo ...................................................................................................... 16 1.3 Referencial teórico ...................................................................................... 17 1.3.1 Quedas e suas causas .................................................................... 17 1.3.2 Repercussões das quedas .............................................................. 19 1.3.3 O enfermeiro e a atenção à saúde do idoso .................................. 21 2. METODOLOGIA ...................................................................................................... 25 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO ............................................................................... 27 3.1 As quedas dos idosos ................................................................................... 27 3.2 Repercussões das quedas na vida dos idosos ............................................... 31 3.2.1 Repercussões físicas das quedas ............................................................... 31 3.2.2 Repercussões psicológicas das quedas ..................................................... 33 3.2.3 Repercussões sociais das quedas .............................................................. 35 3.3 Repercussões das quedas dos idosos na vida dos familiares ....................... 37 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................................... 41 5. REFERÊNCIAS ........................................................................................................ 43 6. APÊNDICES ............................................................................................................. 52 6.1 Roteiro de entrevista semiestruturada .......................................................... 53 6.2 Termo de consentimento livre e esclarecido ................................................ 54 6.3 Agrupamentos .............................................................................................. 55 7. ANEXO ..................................................................................................................... 63 7.1 Parecer consubstanciado do CEP ................................................................. 64 7.2 Submissão do manuscrito à Revista Cogitare Enfermagem ........................ 66 7.3 Submissão do manuscrito à Revista Journal of Nursing ............................. 67 1. INTRODUÇÃO O envelhecimento populacional é um fenômeno mundial. Em todo o mundo, o número de pessoas com 60 anos e mais cresce com maior rapidez do que qualquer outro grupo etário. São estimados 1,2 bilhões de idosos em 2025 e projetados quase dois bilhões até 2050. Nessa época, pela primeira vez na história da humanidade, a população de longevos será maior do que a de crianças com menos de 14 anos de idade (BRASIL, 2006). Atualmente existe, no Brasil, aproximadamente 21 milhões de pessoas com idade igual ou superior a 60 anos, o que representa cerca de 10% da população brasileira (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, 2010). Estima-se que até 2025 esse grupo aumentará quinze vezes, alcançando cerca de 32 milhões de pessoas e o sexto lugar no mundo em contingente de idosos (BRASIL, 2010). Paralelamente às mudanças demográficas, o perfil epidemiológico das pessoas adultas e idosas vem sofrendo alterações nos últimos anos. A mortalidade está relacionada principalmente às doenças do aparelho circulatório, neoplasias, causas externas ou mal definidas e doenças infecciosas ou parasitárias (DATASUS, 2012). Em relação às causas externas, estima-se que para cada morte resultante desse evento, sejam geradas dezenas de hospitalizações, centenas de atendimentos em serviços de emergência e milhares de consultas médicas (World Health Organization WHO, 2007). A proporção de pessoas que sobrevive às lesões é alta, entretanto, grande parte delas passa a conviver com deficiências temporárias ou permanentes. Além disso, lesões por causas externas levam a óbito, anualmente, mais de cinco milhões de pessoas em todo o mundo, representando 9% da mortalidade global (WHO, 2012). Estudos sobre causas externas têm sido desenvolvidos priorizando os jovens, visto que é uma população com altos índices de violência e traumatismos por diversos motivos (homicídios, acidentes automobilísticos, entre outros). No entanto, esse agravo também tem sido impactante na população de pessoas com 60 anos e mais. O processo de envelhecimento dos idosos aliado a outros fatores predispõe essa população a adoecer e morrer por causas externas, especialmente as quedas (MARTINS et al. 2007). Nos serviços de emergência dos Estados Unidos foram registradas em 2011, mais de 700 mil internações de idosos por diversas causas e as quedas foram uma das principais, representando mais de 50% de todos os atendimentos (Center of Disease Control and Prevention - CDC, 2011). No Brasil, dentre os mais de 23 mil óbitos de idosos relacionados a causas externas ocorridos no país, as quedas ocuparam, em 2010, o primeiro lugar. Em 2011, este evento foi responsável por mais de 84 mil casos de internações nesta mesma população (DATASUS, 2012). Responsáveis por perdas na autonomia e na independência, mesmo que por tempo limitado, as quedas aumentam o risco de institucionalização, além dos custos com os cuidados à saúde e trazem prejuízos sociais à família (SILVA et al. 2007), como a necessidade de cuidador, isolamento social e sobrecarga de trabalho. A literatura nacional e internacional produzida nos últimos anos relacionada ao às quedas em idosos é extensa. Diversos profissionais da área da saúde, como terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, enfermeiros, médicos e psicólogos, têm se preocupado com a temática, evidenciando a sua importância. Nos estudos nacionais, os autores exploram e descrevem os idosos caidores e as quedas de modo geral, bem como suas possíveis causas e consequências (Nicolussi et al. 2012; Chianca et al. 2013; Brito et al. 2013). Na literatura internacional o maior interesse dos autores é pela prevenção e intervenção deste evento (OH et al. 2012; CHIU et al. 2012; DARGENT-MOLINA; KHOURY; CASSOU, 2013). Nessa literatura, nas investigações sobre as consequências das quedas de idosos na comunidade, os pesquisadores se preocuparam principalmente com sua frequência (se recorrentes ou não) e com a forma como ela acontece, relacionando-as com fatores extrínsecos e intrínsecos. As consequências, apontam que as principalmente encontradas são as fraturas de fêmur, quadril e rádio, hospitalizações e imobilizações (FREITAS et al. 2011; COSTA et al. 2011; MAIA et al. 2011; PINHO et al. 2012). Além dessas consequências físicas, a literatura sobre o assunto mostra que as quedas trazem outros tipos de repercussões na vida dos idosos. Na cidade de Córdoba – Espanha desenvolveu-se um estudo com 362 pessoas com 70 anos ou mais. Os resultados mostraram que 25% das pessoas que caíram admitiram ter mudado os hábitos de vida após a queda, sendo que destes, 22% passaram a limitar seus movimentos, 11% deixaram de sair sozinho de casa e 44,7% afirmaram ter medo de cair novamente (VARAS-FABRAS et al. 2006). Em outro estudo desenvolvido com 72 idosos de uma comunidade de baixa renda do município do Rio de Janeiro, as quedas trouxeram como repercussões modificação de hábitos, abandono de certas atividades, imobilização, lesão neurológica, medo de voltar a cair, necessidade de rearranjo familiar e mudança de domicílio (RIBEIRO et al. 2008). Em Cataluña – Espanha foi desenvolvida uma pesquisa com 3247 pessoas a fim de avaliar a proporção de idosos que sofreram quedas. O estudo mostrou que 14,9% admitiram ter sofrido ao menos uma queda durante o período de 12 meses. Além da necessidade de intervenção médica, o evento, por ser suficientemente grave, foi responsável por comprometer 24,6% das atividades de vida diária, previamente exercidas sem dificuldades (SUELVES; MARTÍNEZ; MEDINA, 2010). O medo de voltar a cair é uma repercussão frequentemente encontrada pelos idosos caidores em diversos estudos (Jahana; Diogo, 2007; Lopes; Dias, 2010; Maia et al. 2011; Dias et al. 2011) fato que pode torná-los dependentes para a realização de atividades antes desempenhadas sem auxílio. Os resultados desses e de outros estudos evidenciam o quanto as quedas repercutem no corpo e na vida dos idosos. A maioria dessas pesquisas foram realizadas utilizando a abordagem quantitativa. Entretanto, pouco se sabe das repercussões das quedas na perspectiva dos próprios idosos e seus familiares. Esses últimos são fundamentais no cuidado ao idoso e tudo que acontece a ele, de alguma forma, afeta também essas pessoas. Por se tratar de um tema relevante na área da gerontologia, especialmente no que concerne à assistência aos idosos e familiares após o evento da queda, o propósito do estudo é compreender suas repercussões a partir de uma abordagem qualitativa. Entende-se que pesquisas que aprofundem o conhecimento acerca das repercussões das quedas na vida dos idosos, bem como de seus familiares, podem contribuir para melhorar o cuidado prestado a essas pessoas. 1.2 OBJETIVO Compreender as repercussões das quedas na vida dos idosos e de seus familiares a partir de suas perspectivas. 1.3 REFERENCIAL TEÓRICO 1.3.1 Quedas e suas causas Atualmente, observa-se que as quedas têm sido um evento muito frequente na vida dos idosos. A definição para tal é vista de diferentes formas por diversos estudiosos. Segundo Massud e Morris (2001), a queda pode ser definida como episódios de desequilíbrio que levam o indivíduo ao chão, podendo também ocorrer através de qualquer contato acidental com superfícies próximas. Queda é um evento não intencional, caracterizado pela mudança brusca de posição do indivíduo para um nível inferior em relação à sua posição inicial (Ganança et al. 2006). Para Wada et al. (2007), a queda corresponde a qualquer toque ao chão de forma inesperada por qualquer parte do corpo do indivíduo, com exceção apenas dos pés. Neste estudo, adota-se a definição proposta pela Organização Mundial da Saúde (OMS, 2012), a qual afirma que queda é qualquer evento involuntário no qual a pessoa perde o equilíbrio e o corpo cai ao piso ou sobre uma superfície firme. O evento queda é multifatorial, podendo ser classificado por fatores intrínsecos e extrínsecos. O primeiro diz respeito às alterações fisiológicas naturais relacionadas ao processo de envelhecimento, à patologia apresentada pelo idoso e até mesmo os efeitos causados pela utilização de fármacos. Já o segundo, está relacionado com situações ambientais, tais como iluminação, pisos escorregadios e até mesmo desníveis no solo, os quais proporcionam desafios durante as atividades diárias dos longevos (BRITO et al. 2013). Estudiosos que têm pesquisado frequentemente sobre a relação desses fatores com a ocorrência das quedas dos idosos, apontam que há muitas vezes interação entre os dois durante o evento (SUELVES et al. 2010; ALMEIDA et al. 2012; SILVA et al. 2012). Dentre os fatores que predispõem as quedas, os ambientes estão intimamente relacionados com o evento. Jahana e Diogo (2007) afirmam que a maioria das quedas ocorre dentro dos domicílios dos idosos, seguido pelos locais ao entorno das residências e, em terceiro, ruas e calçadas. As consequências das quedas para uma pessoa idosa são um fator de morbidade considerável, podendo gerar sequelas permanentes e incapacidades. As comumentes relatadas pelos caidores são as fraturas, a imobilização, hematomas e a dor (NICOLUSSI et al. 2012; BRITO et al. 2013; DARGENT-MOLINA; KHOURY; CASSOU, 2013). Pesquisa realizada em 2008 por Duca, Antes, Hallal (2013) com o objetivo de investigar a ocorrência de quedas e fraturas entre 466 idosos, constatou que a prevalência de queda foi de 38,9% no ano anterior. Dentre os que caidores, as fraturas acometeram 19,2% deles, sendo que dessas, 59,9% foram localizadas nos membros inferiores. Em Ribeirão Preto – SP desenvolveu- um estudo com 240 idosos, no ano de 2011, o qual mostrou que 75% deles caíram dentro do domicílio. As principais causas apontadas pelos caidores foram alteração do equilíbrio (55,9%) e pisos irregulares, escorregadios e desníveis (57,6%) (FHON et al. 2013). Estudo desenvolvido por Carvalho et al. (2012) em Erechim – RS, no ano de 2.011, com 35 idosos da comunidade, demonstra que dentre as principais consequências físicas decorrentes da queda, os hematomas representaram 36%, as fraturas 22% e a necessidade de dispositivos para auxiliar durante deambulação 14%. Em relação ao ambiente da queda 37% dos longevos caíram no pátio de casa, 17% na cozinha, 14% no banheiro e 8% seguido de outros locais dentro da residência. Tropeços em tapetes, escadas e obstáculos foram frequentemente lembrados pelos participantes. A pesquisa acrescenta ainda que as quedas ocorreram em sua maioria (43%) devido ao ambiente, seguidas de tontura (19%) e distúrbios de equilíbrio e marcha (12%). Percebeu-se que os idosos mais ativos, muitas vezes não percebem os riscos à que se expõem diariamente e não se preocupam com as atividades que habitualmente desempenham. No entanto, as quedas não ocasionam apenas as consequências físicas no caidores, mas também repercussões psicológicas e sociais, tanto para quem as vivencia como para os familiares que participam desse evento. Dentre as repercussões psicológicas, o medo de cair é frequentemente relatado tanto por idosos que vivenciaram as quedas, quanto para os que nunca a experenciaram (MOREIRA et al. 2013). O medo de cair é caracterizado pela ansiedade ao caminhar e preocupação excessiva em cair (Freiberger; Vreede, 2011). Promove dependência física, isolamento social e até mesmo redução da mobilidade. A prevalência desse fenômeno varia entre 20% a 85% dos idosos residentes na comunidade (Curcio; Corriveau; Beaulieu, 2011). Esse sentimento é muito comum nos longevos, reconhecido como problema de saúde para a população idosa, inclusive nos indivíduos que nunca caíram (DIAS et al. 2011). Rezende et al. (2010), afirmam que dentre as 60 idosas entrevistadas em sua pesquisa, 40,11% referiram não ter medo de cair, 25,33% admitiram sentir moderado medo enquanto 4,6% afirmaram muito medo de sofre uma queda. Em relação às atividades que foram relatadas como perigosas, estão as de tomar banho, andar em superfícies escorregadias, locais com muitas pessoas e sair para eventos sociais. Pesquisas internacionais têm demonstrado maior interesse em prevenção da queda e intervenção desse evento. Estudo realizado na Coréia, com idosos que já haviam experenciado a queda, buscou relacionar a prática de exercícios físicos com a redução do medo de cair. Os resultados demonstraram que a prática dessas atividades foram uma importante estratégia de intervenção, pois detectou-se que com os exercícios regulares, grande parte dos idosos passaram a sentir maior confiança e segurança em deambular, além de melhorarem o equilíbrio corporal, flexibilidade e maior qualidade de vida (OH et al. 2012). No que tange às pesquisas nacionais, o empenho dos autores tem sido acerca de explorar e descrever os principais fatores que estão associados à ocorrência de quedas, bem como prevalência e como elas acontecem na vida dos idosos. Publicações referentes à temática buscam um diagnóstico de como as quedas ocorrem, os locais em que frequentemente acontecem e qual o perfil dessa população de idosos (Silva et al. 2012; Brito et al. 2013; Fhon et al. 2013). Sul e Sudeste foram as regiões que mais se destacaram em relação ao desenvolvimento desses estudos (Dias et al., 2011; Costa et al., 2011; Cavalcante et al., 2012) Para Pereira (2006) as quedas ocasionam consequências na vida dos caidores, as quais vão além do físico. São responsáveis pelo surgimento de alterações psicológica,s sociais, de dependência e financeira. Diante disso, cair se torna um evento grave com importantes repercussões para caidores e familiares. 1.3.2 Repercussões das quedas As quedas ocorrem em qualquer fase da vida dos indivíduos, no entanto, entre os idosos elas representam grande relevância, tendo em vista as repercussões que acarretam. De acordo com Ferreira (2008), repercussão tem como definição “ato ou efeito de repercutir. Fazer sentir indiretamente sua ação ou influência”. As repercussões que as quedas dos idosos ocasionam na vida de quem as experencia, não são apenas físicas, mas também psicológicas e sociais (Silva et al. 2007). Com o surgimento da queda na vida dos idosos, os mesmos passam a sentir medo de cair novamente. Esse sentimento é caracterizado pela preocupação excessiva em sofrer queda e ansiedade ao caminhar. Síndrome comum com resultados potencialmente graves e frequentemente relatada por idosos caidores. Deshpande et al. (2008) afirmam que quanto maior o número de quedas, maior o medo de quedas recorrentes, associada à perda de confiança em deambular livremente. O medo de cair é considerado uma das repercussões mais incapacitantes, visto que aumenta o desuso, acentua perda da capacidade funcional restringindo assim a atividade cotidiana do longevo (MOREIRA et al. 2013). Pesquisa realizada em Florianópolis – SC, com 1705 idosos da comunidade aponta que, 322 deles referiram queda no último ano. Dentre os caidores, grande parte dos caidores afirmou ter medo de cair novamente e em virtude desse sentimento, fazendo com que muitos reconhecessem o surgimento das limitações nas atividades rotineiras (ANTES et al. 2013). Essas restrições fazem com que os longevos permaneçam maior tempo em seus domicílios, realizando cada vez menos funções diárias. Situações responsáveis pela diminuição da força muscular e enfraquecimento dos membros inferiores, ocasionando ao idoso a condição de dependência, isolamento social e declínio funcional (JAHANA; DIOGO, 2007; COSTA et al. 2011). Para Fabrício; Rodrigues; Júnior (2004), os idosos ao caírem se sentem fragilizados e tendem a não se expor ao risco de novas quedas. Consequentemente, ocorre a diminuição do desempenho de suas atividades diárias e de participações sociais. Para Barreto e Amorim (2010), deixar de sair de suas casas e de se incluir em eventos sociais, são fatores importantes para desencadear tristeza, isolamento e até mesmo a depressão. Souza (2011) em uma pesquisa sobre as consequências causadas pelas quedas de idosos acrescenta que, dentre as consequências secundárias às quedas, surgem dependência de terceiros, diminuição da capacidade funcional, perda da qualidade de vida, medo de cair novamente, restrição das atividades sociais e atitudes protetoras de familiares e profissionais. Aliada a essa questão, os familiares assumem por muitas vezes o processo de cuidar. No entanto, para que esse ato se concretize, torna-se necessária a integração das relações dos membros, disponibilidade e recursos dos mesmos (Oliveira; Menezes, 2011). A família desempenha o papel principal em relação ao suporte ao idoso dependente em ambiente domiciliar, mesmo com poucos recursos físicos, financeiros e humanos (ARAÚJO; PAÚL; MARTINS, 2011). Revisões de literatura sobre consequências das quedas na população idosa mostraram que elas repercutiram em abandono das atividades antes realizadas sem dificuldades, sentimentos de tristeza, impotência, medo de voltar a cair, mudança comportamental, restrição das atividades sociais, perda da autonomia, da independência e da qualidade de vida (MAIA et al. 2011; SOUZA, 2011). No entanto, Harthold et al. (2011) afirmam que essas repercussões não existem apenas na vida dos caidores, mas também faz parte da rotina dos familiares que assumem o cuidado ao longevo. Dessa forma, passam a sofrer repercussões psicológicas, sociais, desgaste físico e até mesmo financeiro. Para Gratao et al. (2012), poder retribuir atos realizados pelos idosos ao longo da vida, gera satisfação ao familiar, visto que o mesmo tem forças e condições para oferecer o cuidado a quem necessita no momento. Nesse sentido, os familiares são impulsionados a investirem todas as suas forças, custos e consequências para promoverem o bem-estar daqueles que amam e admiram. Oliveira e Caldana (2012) afirmam que grande parte dos filhos que cuidam dos pais, o faz como forma de retribuição pelo cuidado fornecido pelos mesmos durante a vida. Nesse sentido, os sentimentos de satisfação por executar essa atividade são experenciados por eles. Os familiares entendem que realizar os cuidados hoje, é resposta de quando os idosos estavam à disposição dos familiares, sendo visível a inversão dos papéis entre gerações. 1.3.3 O enfermeiro e a atenção à saúde do idoso A Política Nacional do Idoso (PNI) criada em 1994 tem a finalidade de assegurar os direitos sociais do idoso, criando condições de para promoção de sua autonomia, integração e participação efetiva na sociedade. Partiu-se da premissa que a família, a sociedade e o estado têm dever de assegurar os direitos dos idosos, além de que o envelhecimento necessita fazer parte do conhecimento e informação de todos. Esta política visa estimular a criação de centros de convivências, casas-lares e centros de cuidados diurnos, os quais viabilizam alternativas de atendimento a diversos longevos. Além disso, busca prevenir, promover, proteger e recuperar a saúde através de programas e medidas profiláticas. Implantou-se o Plano de Ação para o Enfrentamento da Violência Contra a Pessoa Idosa, a qual visa promover ações que tratem do enfrentamento da exclusão social e de todas as formas de violência contra esse grupo social. Em 2003 é instituído o Estatuto do Idoso, o qual visa regular o direito da pessoa idosa, sem prejuízo da proteção integral aliada às condições de liberdade e dignidade. Em suma, acrescenta os direitos à vida, saúde, habitação, transporte, previdência social, além do intuito de mobilizar a opinião pública no sentido de participação dos diferentes segmentos da sociedade em relação ao atendimento ao idoso. O estatuto é destinado a regular os direitos assegurados às pessoas com idade igual ou superior a 60 anos e a instituir severas penas para quem desrespeitar ou abandonar cidadãos longevos (BRASIL, 2003). Em fevereiro de 2006, é publicado o documento das Diretrizes do Pacto pela Saúde que contempla o Pacto pela Vida. A saúde do idoso aparece como uma das seis prioridades entre as três esferas de governo sendo apresentada uma série de ações que visam a implementação de algumas das diretrizes da Política Nacional de Atenção à Saúde do Idoso (BRASIL, 2006). Em outubro do mesmo ano, é regulamentada a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa (PNSPI), a qual assegura os direitos das pessoas idosas através de condições de promoção de sua autonomia, integração e participação efetiva na sociedade, além de reafirmar o direito à saúde em todos os níveis de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS). Essa política assume que a capacidade funcional é o principal problema que pode afetar os idosos, através da perda das habilidades físicas e mentais, as quais são fundamentais para a realização das atividades básicas e instrumentais de vida diária (BRASIL, 2006). A PNSPI acrescenta que é necessária a vigilância de todos os membros da equipe de saúde, a aplicação de instrumentos de avaliação e de testes de triagem, para detecção de distúrbios cognitivos, visuais, de mobilidade, de audição, de depressão e do comprometimento precoce da funcionalidade. Preservar a autonomia e a independência funcional das pessoas idosas é a meta em todos os níveis de atenção desta política. (BRASIL, 2006). O Ministério da Saúde tem desenvolvido campanhas de prevenção da osteoporose e quedas, além da realização de oficinas estaduais com o objetivo de sensibilizar e capacitar os profissionais de nível superior, preferencialmente aqueles que atuam na Atenção Básica, para trabalhar numa linha de cuidado que vise à prevenção da osteoporose e das quedas e à identificação de “idosos caidores”, em uma visão multidisciplinar, tendo como instrumento a Caderneta de Saúde da Pessoa Idosa. Esta Caderneta se trata de um instrumento valioso que auxilia na identificação das pessoas idosas frágeis ou em risco de fragilização, além de serem registradas informações relevantes a respeito das condições de saúde. Para os profissionais de saúde, possibilita o planejamento, organização das ações e um melhor acompanhamento do estado de saúde dos longevos. Além disso, nela constam dados acerca da ocorrência de quedas dos longevos, para que sejam preenchidas informações de quantas vezes os idosos sofreram quedas por ano e por semestre, além de registrarem informações que julgam necessárias. Ademais, foi divulgado o Caderno de Atenção Básica - Envelhecimento e Saúde da Pessoa Idosa, o qual objetivou fornecer uma maior resolutividade às necessidades da população idosa na Atenção Básica (AB) e fornecer maiores subsídios para a prática dos profissionais. Este foi elaborado a partir do Pacto pela Vida de 2006 e das Políticas Nacionais de Atenção Básica, de Atenção à Saúde da Pessoa Idosa, Promoção da Saúde e Humanização no SUS (BRASIL, 2006). Em Victoria – Canadá, no ano de 2007, ocorreu um encontro dos profissionais de saúde de todos os continentes com o tema: Relatório do encontro técnico sobre prevenção das quedas na velhice da Organização Mundial da Saúde. O objetivo dessa reunião foi pautar um modelo de Prevenção de Quedas, embasados no Envelhecimento Ativo. Frente a isso, foi elaborado um Relatório Global, o qual fornece informações desde a magnitude das quedas na visão mundial, até mesmo de como prevenir a ocorrência de quedas dos idosos e mantê-lo em estilo ativo de vida (OMS, 2010). Políticas públicas saudáveis que fornecem informações, estratégias e estabelecem prioridades frente ao crescente problema das quedas em uma sociedade que está envelhecendo, servem de fonte para facilitar a construção de novas pesquisas e informações que sejam facilmente acessadas pelos indivíduos da comunidade e, principalmente, pelos profissionais de saúde que lidam com a população idosa. Além disso, fornecem estruturas e apoio essenciais para uma abordagem ampla e interligada com a prevenção de quedas, para que as evidências de prevenção apoiem a aplicação eficaz das intervenções adequadas e a prática dos profissionais sejam embasadas de acordo com os padrões e protocolos estabelecidos por estas. 2. METODOLOGIA Estudo exploratório e descritivo, com abordagem qualitativa. Essa abordagem possibilita conhecer percepções, experiências de vida e reflexões da realidade a partir da ótica dos sujeitos (TRIVIÑOS, 2010). Desta forma, ela se mostra adequada para compreender a vivência dos idosos e de seus familiares com o evento da queda, tal o proposto neste estudo. A pesquisa foi desenvolvida na área urbana do município de Cuiabá, capital de Mato Grosso, localizado na Região Centro-Oeste do Brasil. A cidade conta com aproximadamente 551.350 habitantes, sendo 44.751 idosos, valor que representa 8,1% da população total da capital (IBGE, 2010). Participaram da pesquisa 15 idosos e 22 familiares. Esses sujeitos foram selecionados a partir do estudo realizado por Cardoso (2013), em 2012, sobre as condições de saúde das pessoas com 60 anos ou mais residentes na zona urbana do município de Cuiabá – MT. Nessa pesquisa, os idosos foram questionados sobre a ocorrência de quedas nos últimos três meses e 109 responderam sim. Os 15 idosos e seus familiares foram selecionados por meio de amostragem intencional. Definiu-se como critério de inclusão que os idosos residissem com os familiares há pelo menos doze meses, tempo considerado necessário para a vivência da queda e suas repercussões. Assim, a partir dos dados de identificação e residência dos idosos obtidos da pesquisa de Cardoso (2013), deu-se início à coleta de dados. O número de participantes foi definido por meio da saturação dos dados (POLIT; BECK, 2011). Realizou-se teste piloto com um idoso caidor e seus familiares residentes em bairro diferente dos participantes da pesquisa, a fim de verificar a aplicabilidade do instrumento e a compreensão das perguntas pelos sujeitos. A coleta dos dados foi realizada por meio de entrevista semiestruturada, utilizando-se um roteiro contendo quatro questões norteadoras (APÊNDICE A). As entrevistas foram realizadas no período de janeiro e fevereiro de 2013, no domicílio dos idosos. Ao chegar às residências, a pesquisadora se apresentou e explicou o motivo da visita. De forma clara, explanou-se o objetivo, os benefícios, direitos, riscos dos sujeitos em relação à pesquisa, bem como a forma como as perguntas seriam conduzidas. Esclareceu-se ainda, que a participação seria de forma voluntária e que os sujeitos poderiam desistir a qualquer momento. Para dar maior fidedignidade aos relatos, solicitou-se permissão para gravar a entrevista. Por fim, foi solicitada a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) pelos participantes (APÊNDICE B). As entrevistas foram realizadas nos domicílios, em local escolhido pelos participantes, longe de ruídos e movimentações, com duração média de 50 minutos. Os relatos foram transcritos na íntegra. Para análise dos dados foi utilizada a Análise de Conteúdo, na modalidade Análise Temática, proposta por Bardin (2010). A técnica preconiza três principais passos, sendo eles a pré-análise, a exploração do material e o seu tratamento e a interpretação. A fim de contemplar essas etapas, realizou-se a leitura flutuante das entrevistas em sua totalidade. Após esse momento, criaram-se códigos para facilitarem a identificação dos principais elementos dos relatos analisados. Para tanto, construímos agrupamentos (APÊNDICE C), os quais foram compostos pelas falas dos entrevistados, pela identificação dos mesmos e observação principal da pesquisadora. Em seguida, criaram-se unidades de análise, as quais foram categorizadas e contempladas com parte dos relatos dos entrevistados. Ao final da análise chegou-se a três temas: As quedas dos idosos; Repercussões da queda na vida dos idosos; Repercussões da queda dos idosos na vida dos familiares. Essas categorias foram analisadas e discutidas com base no referencial teórico produzido sobre o assunto. Por fim, realizou-se inferências e discussão dos dados embasados no referencial teórico apresentado. A pesquisa foi submetida para análise do Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Universitário Júlio Muller, cumprindo os requisitos determinados pela resolução 196/96 para toda e qualquer pesquisa realizada com seres humanos, sendo aprovada em 20 de dezembro de 2012, sob protocolo nº 170.251. Na apresentação das categorias empíricas encontradas foram utilizados fragmentos dos relatos dos participantes, identificados pelas palavras idoso(a), grau de parentesco do familiar (esposo(a), filho(a), nora, neto(a)) e idade dos participantes. 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO Participaram do estudo 15 idosos, a maioria do sexo feminino na faixa etária de 70 a 79 anos. Este dado está de acordo com a literatura sobre quedas de idosos, a qual mostra que as mulheres nesta faixa etária são as maiores vítimas desse evento (Gawryszewski, 2010; Cruz et al., 2012). Além disso, existe predisposição maior para ocorrência de quedas entre as pessoas acima de 70 anos visto que o processo de envelhecimento determina inúmeras mudanças físicas e mentais, as quais contribuem para ocorrência evento (CHIANCA et al., 2013). Vinte e dois familiares também foram entrevistados, a maior parte era filhas, noras e netas. De acordo com o IBGE (2012) aproximadamente 85% dos idosos vivem com outra pessoa com quem estabelecem alguma relação de parentesco, podendo ser filhos, cônjuges, outro parente ou agregado. 3.1 As quedas dos idosos A etiologia da queda é multifatorial, sendo difícil atribuir uma única causa para a ocorrência desse evento nos idosos. A literatura aponta que os fatores responsáveis pelas quedas dos idosos podem ser tanto intrínsecos quanto extrínsecos (DARGENTMOLINA; KHOURY; CASSOU, 2013; CAVALCANTE; AGUIAR; GURGEL, 2012; SANTOS et al. 2012). Dentre os fatores intrínsecos, alterações na forma do corpo, diminuição da altura, perda de massa muscular e modificação na marcha são as principais alterações anatômicas ligadas à ocorrência de quedas. Essas alterações em conjunto podem provocar a instabilidade corporal e dificultar a manutenção do equilíbrio (Silva et al. 2007; Müjdeci; Askoy; Atas, 2012). Já entre os fatores extrínsecos pesquisas mostram que os tropeços, escorregões em pisos molhados e iluminação inadequada são os que mais contribuem para as quedas. A partir dos relatos constatou-se que as quedas dos idosos aconteceram dentro e fora dos ambientes domiciliares em atividades simples e normalmente desempenhadas por eles no dia a dia. Dentro do domicílio, os locais em que eles frequentemente caíram foram o banheiro, a cozinha e o quintal. Por outro lado, fora do domicílio os idosos comumente caíram na rua. No que entrei no banheiro, escorreguei e caí (Idosa, 73 anos). ...escorreguei e caí aqui dentro de casa mesmo (Idoso, 80 anos). Aqui em casa eu já caí no banheiro, na porta, no quintal, em toda parte (Idosa, 77 anos). Pesquisas sobre quedas de idosos na comunidade confirmam que longevos costumam cair mais frequentemente dentro dos seus domicílios (Cruz et al., 2012; Aveiro et al., 2012; Chianca et al., 2013). Nesse sentido, os idosos estão continuamente expostos à ocorrência de quedas, visto que nesse local encontram diariamente fatores ambientais que lhe oferecem risco, como pisos escorregadios, tapetes, fios soltos, ambientes sem ou com pouca iluminação, presença de degraus, entre outros. ...levantei para ir no banheiro e estava tudo escuro, não consegui enxergar direito e caí... (Idosa, 72 anos). Os idosos e seus familiares relataram que, na maioria das vezes, caem porque tropeçam ou escorregam. Isso mostra que, no caso deles, os fatores extrínsecos são os principais responsáveis pela ocorrência do evento. Eu escorreguei na cozinha, eu caí de perna aberta (Idosa, 62 anos). ... quando eu voltei para ver a panela que estava no fogo eu tropecei no degrau e caí (Idosa, 82 anos). Igualmente, evidenciou-se nos relatos que as quedas dos idosos participantes do estudo também foram ocasionadas por fatores intrínsecos. ...eu perco o equilíbrio, qualquer coisa que meu pé falseia eu já perco o equilíbrio, aí eu vou para o chão (Idosa, 77 anos). Ergui o braço para colocar a roupa no varal e caí de novo, acho que fiquei tonta porque levantei o braço [...] qualquer coisinha fico tonta e caio (Idosa, 72 anos). Esses resultados mostram que a enfermagem tem um papel importante junto aos idosos e seus familiares. De acordo com Australian (2009) os enfermeiros são fundamentais na detecção precoce do evento, pois são aptos a reconhecerem idosos em potencial risco de cair. A educação em saúde é um campo da prática do enfermeiro no qual diversos aspectos do fenômeno quedas de idosos podem ser trabalhados contribuindo para sua prevenção. A atividade educativa dá oportunidade ao enfermeiro de trocar informações e conhecimento com o usuário e seus familiares e esclarecerem pontos de vista e conceitos errôneos sobre quedas. Além disso, as ações da educação em saúde possibilitam ao indivíduo desenvolver sua autonomia e emancipação, tornando-o capaz de cuidar de si, dos seus familiares e te tudo o que o envolve (Machado et al. 2007). De acordo com Teston; Oliveira; Marcon (2012) orientações e informações fornecidas aos indivíduos e familiares podem proporcionar melhores cuidados a esses sujeitos. Na Atenção Básica, por meio da visita domiciliar, o enfermeiro pode desenvolver as ações de educação em saúde juntamente com outros profissionais. A visita domiciliar é uma importante estratégia que visa intervenção dos profissionais de saúde, considerando a aproximação com o contexto social e familiar, incluindo as questões objetivas e subjetivas (PINHEIRO; ALVAREZ; PIRES, 2012). A OMS (2010) afirma que nem todos os profissionais que atuam na Atenção Básica estão preparados para assistir os idosos na prevenção de quedas. Assim, torna-se necessário que sejam capacitados quanto à correta utilização de protocolos e procedimentos que auxiliem na identificação de idosos que estão em maior risco de sofrer quedas. As ações de educação em saúde visando a diminuir a probabilidade dos idosos caírem na comunidade devem iniciar com uma avaliação ampla junto com o idoso e seus familiares. Além de utilizar protocolos de prevenção de quedas, o enfermeiro deve colher dados sobre a forma como o idoso se comporta, o ambiente em que vive, assim como seu estado de saúde e tratamento. Segundo Nogueira et al. (2012), é de suma importância avaliar os fatores intrínsecos observando principalmente a visão e audição dos longevos, presença de sonolência e incontinência urinária. A fim de prevenir problemas mais graves que podem dificultar ou impedir a realização das atividades de vida diária dos longevos, Veras et al. (2007) recomendam que se deva identificar os fatores reais e potenciais que predispõem a ocorrência de quedas nos ambientes internos e externos ao domicílio (fatores extrínsecos). A partir dessa avaliação, os profissionais podem planejar, juntamente com o idoso e seus familiares, as ações de promoção à saúde e de prevenção de quedas. Algumas estratégias são sugeridas pela OMS (2010) no seu Protocolo de Prevenção de Queda, como a prática regular de exercícios e a adoção de uma alimentação saudável, incluindo a ingesta de cálcio. A fim de promover o envolvimento dos idosos e seus familiares na ação educativa, é fundamental que o enfermeiro ofereça conhecimento sobre a gravidade das quedas, bem como suas repercussões na saúde e na vida deles. De igual modo, instruílos sobre a necessidade de atentar para comportamentos de risco e realizar algumas mudanças no modo de vida. Outra questão a ser trabalhada é a adaptação do ambiente para que futuras quedas sejam evitadas. Ressalta-se que as adaptações são geralmente simples e corriqueiras, as quais muitas vezes dependem mais das modificações dos hábitos e costumes dos idosos, do que de quaisquer outras intervenções. Além disso, o acompanhamento adequado de cada indivíduo possibilita aos profissionais recomendarem programas de tratamentos específicos, culturalmente apropriados e acessíveis a cada longevo (OMS, 2010). Na análise dos relatos percebeu-se que para uma parte significativa dos idosos e familiares, as quedas se constituem um evento natural que acontece na vida das pessoas quando envelhecem. Foi uma fatalidade mesmo, foi a primeira vez que eu caí, não sei o que aconteceu, nunca tinha caído (Idosa, 66 anos). Quando ela cai e não machuca e nem ligo muito, porque acho que é porque ela está velhinha (Neta, 18 anos). Eu caio muito mesmo minha filha, já caí demais aqui dentro de casa e na rua também, mas não me preocupo muito com isso não (Idosa, 73 anos). Essa percepção da queda como um evento inerente à velhice também foi encontrado por Rocha et al. (2010) em estudo desenvolvido em 2008 com 13 idosos vítimas de quedas. Grande parte dos idosos estudados referiu que a queda era uma fatalidade, mesmo tendo caído por mais de uma vez e tendo tido consequências graves em decorrência do evento. Segundo a OMS (2010), na medida em que os idosos e seus familiares consideram as quedas como um evento próprio do envelhecimento, suas atitudes em relação à prevenção passam a não existir. Isso foi encontrado nos resultados deste estudo. Em suas falas percebeu-se que alguns mantêm comportamentos que os expõem ao risco de quedas. ...fui subir no guarda roupa e aqui tem muito tapete e no que eu desci da cadeira escorreguei no tapete, aí eu caí (Idoso, 63 anos). Ela não quer usar bengala, não quer usar andador, não quer usar nada, aí ela cai (Filha, 52 anos). Novamente, para que se efetive a prevenção deste evento, torna-se necessária a educação dos caidores e seus familiares em relação ao significado das quedas na saúde do idoso e na vida deles, bem como à necessidade de mudança de comportamento. No Brasil, o Ministério da Saúde adotou o Modelo de Prevenção de Quedas, no qual os profissionais de saúde têm um papel fundamental de educar os idosos e familiares em relação à importância das quedas e de sua prevenção. Existem evidências de que diversas estratégias comportamentais possam ser utilizadas pelos profissionais de saúde para ajudar as pessoas a mudarem o comportamento e mantê-lo, como contratos de saúde e apoio da família e amigos (OMS, 2010). Para tanto, sugere-se o treinamento dos familiares próximos aos longevos, cuidadores diretos e comunidade para que estejam aptos a identificarem os fatores de risco que predispõem as quedas, bem como agirem para redução da probabilidade de cair. Essa ação visa conscientizar a população dos malefícios da queda, bem como proteger os que já estão em risco. No entanto, para que haja um treinamento e um repasse de informações de qualidade, torna-se fundamental que os profissionais de saúde sejam capacitados para essa atividade e que estejam aptos a realizarem a educação em saúde com a comunidade e envolvidos com as quedas. 3.2 Repercussões das quedas na vida dos idosos 3.2.1 Repercussões físicas das quedas As quedas são um problema frequente na vida dos idosos capaz de desencadear consequências físicas, psicológicas e sociais relevantes. Neste estudo, vários idosos relataram problemas físicos decorrentes das quedas. ... uma vez eu caí e cheguei a quebrar meu pé...(Idosa, 77 anos). Caí e bati o braço e o peito [...] foi até que eu desloquei o ombro [...] eu estava sentindo muita dor depois que eu caí... (Idosa, 82 anos). ... até fiquei sem andar por um tempinho depois que eu caí [...] tinha que ficar com o joelho enfaixado [...] não podia levantar... (Idoso, 80 anos). A literatura mostra que esse tipo de consequência se constitui na primeira repercussão que os idosos sofrem em função da queda e as principais são as dores, escoriações, fraturas e imobilização (Almeida et al. 2012; Chiu et al. 2012; Bretan et al. 2013). Segundo Perracini (2004) entre 5% a 10% dos idosos residentes na comunidade apresentam lesões severas, que necessariamente não aparecem no momento da queda. Em pesquisa realizada em 2011, em Erechim – RS, com 35 idosos vítimas de quedas, os autores encontraram 36% dos caidores com hematomas, 22% com fraturas seguidas de cirurgias, 14% ficaram imobilizados em função de gesso/tala, 14% necessitaram de auxílio de dispositivo para deambular e 12% necessitaram de sutura (Carvalho et al., 2012). Em outro estudo desenvolvido em Ribeirão Preto - SP, em 2011 com objetivo de determinar a prevalência de quedas de idosos que vivem no domicílio e sua relação com a capacidade funcional e a fragilidade, as principais consequências físicas apresentadas pelos idosos caidores foram escoriações, ferimentos que necessitaram de sutura, fraturas fechadas, entorse e luxação (FHON, 2011). O conhecimento de que as quedas trazem essas repercussões físicas nos idosos e em graus variados exige do enfermeiro uma avaliação física sistemática e cuidadosa, considerando, inclusive, que o idoso pode não referir a lesão por achar desnecessário. A importância da lesão física reside no fato de que para além do efeito imediato no corpo do idoso, ao longo do tempo, ela poderá repercutir na sua capacidade funcional (CF), consequentemente, na sua independência. ... até fiquei sem andar por um tempinho depois que eu caí [...] tinha que ficar com o joelho enfaixado e não podia levantar (Idoso, 80 anos). ... colocaram um negócio no meu braço por um tempão para não mexer e só me atrapalhava as coisas, fiquei dependendo um tempão (Idosa, 82 anos). A dependência dos idosos em decorrência da queda pode ser tanto para tarefas simples, como saídas de casa, quanto para as atividades de vida diária (AVD) e de autocuidado. Em 2005, foi desenvolvida uma pesquisa na cidade de Campinas – SP com 73 idosos que vivem na comunidade com objetivo de caracterizar as causas e consequências das quedas sofridas por eles. Observou-se que a maioria dos idosos relatou necessidade de auxílio na realização das atividades básicas de vida diária após as quedas (JAHANA; DIOGO, 2007). Para além da avaliação física do idoso, o enfermeiro deve voltar seu foco para a avaliação periódica e sistemática da sua CF, no sentido de descobrir alterações decorrentes da queda. A perda da CF é um dos principais problemas que atinge os idosos, considerada um importante marcador de que o envelhecimento está sendo bem sucedido e com boa qualidade de vida (DIAS; SILVA; VITORINO, 2009). 3.2.2 Repercussões psicológicas das quedas Além das repercussões físicas provocadas pelas quedas, nos relatos dos idosos percebe-se que repercussões psicológicas ocorreram após esse evento. O medo de cair foi constantemente apontado pelos participantes e, comumente associado à preocupação de sofrer fraturas, ficar imobilizado e ter dependência. ...eu tenho medo de cair, eu tenho medo demais de cair. Você já pensou na minha idade fraturar um braço ou uma perna não é brincadeira (Idosa, 73 anos). Também tenho medo de cair e quebrar alguma coisa e ficar dependendo dos outros, isso não é bom (Idosa, 73 anos). ...tenho medo de cair, porque eu tenho medo de cair assim e depois não andar mais [...] eu não quero ficar na cama não (Idosa, 62 anos). O medo de cair é um fenômeno que acontece entre os idosos caidores. É definido como sentimento que envolve a baixa confiança em si para evitar quedas ou até mesmo preocupação excessiva em relação à ocorrência de quedas que pode vir a limitar atividades do dia a dia (Camargos, 2007). É de interesse de muitos pesquisadores, pois pode ser responsável pela restrição de atividades do idoso, declínio da sua capacidade funcional e da qualidade de vida, até perda da autonomia (HARTHOLD et al., 2011; NICOLUSSI et al., 2012; ANTES; SCHNEIDER; BENEDETTI, 2013) De acordo com Freitas; Scheicher (2008), dentre as atividades desempenhadas normalmente nos domicílios, as que mais restringem os idosos pelo medo de cair são andar em superfície irregular, descer rampa, limpar a casa e sentar-se ou levantar-se da cadeira. Enquanto, para atividades sociais há grande preocupação em andar em locais com muitas pessoas e pela vizinhança, fazer compras. Em um estudo desenvolvido em 2006, na cidade da Toscana – Itália, com 848 idosos, 673 deles revelaram ter medo de cair. Desses, 59,6% relataram moderada restrição de atividades e 14,9% afirmaram severa restrição das atividades (Deshpande et al. 2008). Da mesma forma, em Belo Horizonte – MG foram pesquisados 113 idosos e dentre eles, 29% afirmaram ter medo de cair enquanto que 53% relataram não apenas ter medo de cair, mas também reduziram suas atividades. Os autores encontraram que os idosos apresentavam mais medo de cair durante as atividades de andar em locais escorregadios e tomar banho de chuveiro (DIAS et al. 2011). Pesquisa realizada em 2009 no Rio de Janeiro – RJ com 60 idosas caidoras teve por objetivo identificar o medo de sofrer quedas recidivas. Destas, 40,11% não referiu preocupação, 30% relatou um pouco de preocupação, 25,33% moderada preocupação e 4,6% muita preocupação em cair durante a realização das funções. As atividades para as quais se mostraram mais preocupadas foram tomar banho, andar em superfícies escorregadias ou irregulares, andar em um local onde haja multidão e sair para eventos sociais (REZENDE et al. 2010). Quando em excesso, o medo de cair pode desencadear reações negativas no bem-estar físico e funcional e repercutir na autoconfiança dos longevos caidores. Ao caírem eles se sentem desvalorizados e, quando apresentam dificuldades ou limitações, podem apresentar sentimentos de tristeza e isolamento. Pesquisa realizada em 2011, no Distrito Federal, com o objetivo de avaliar o medo de cair em 50 idosos da comunidade com neuropatia diabética, mostrou que 37% deles afirmaram se sentir chateados/assustados e 17% ficaram desesperados ou nervosos após experienciar a queda (REZENDE et al. 2010). Para outros idosos, no entanto, o medo de cair pode atuar como fator positivo, impulsionando-os a modificarem seus comportamentos e prevenirem-se contra a queda. Isso foi identificado nos relatos dos idosos participantes deste estudo. Eu evito fazer as coisas que podem cair [...] tento atravessar o degrau devagar, desço devagar, porque aqui na cozinha e fundo tem degrau, eu desço e subo devagar (Idosa, 66 anos). ...agora já tomo cuidado para andar, para não cair de novo [...] eu comecei a andar mais lento para ver se não caio mais (Idosa, 62 anos). De acordo com Lopes et al. (2009), os idosos que possuem medo de cair podem utilizar diferentes estratégias para diminuir o risco de quedas, dentre elas destacam-se o caminhar mais atento, diminuição da altura e do comprimento do passo e redução da velocidade. Para Curcio; Corriveau; Beaulieu (2011), as estratégias utilizadas pelos caidores é de se preocuparem não apenas consigo mesmos, mas também com seu entorno, passam a selecionar melhor suas atividades, os lugares e os horários para elas. Frente a essas mudanças de comportamento dos idosos, cabe aos profissionais de enfermagem não apenas fornecer conhecimentos acerca da prevenção de quedas, mas também se torna importante avaliar a disposição individual de cada caidor em mudar o modo de vida e adotar medidas preventivas diárias. Para que a mudança seja concreta na vida dos idosos é imprescindível que ela ocorra dentro de sua capacidade, ou seja, cabe ao profissional identificar as reais condições em que ele se encontra para que o comportamento seja adequado ao contexto em que o mesmo está inserido. De acordo com OMS (2010) é fundamental obter apoio dos familiares e amigos, promover a autonomia dos longevos idosos, percebendo suas particularidades e oferecendo a possibilidade de fazer suas próprias escolhas. Além disso, informar periodicamente o progresso de cada caidor a fim de ajudá-los no desenvolvimento de expectativas realistas a respeito dos próprios avanços. 3.2.3 Repercussões sociais das quedas Como mencionado anteriormente, a ocorrência de quedas na vida do idoso torna-o mais propício a restringir suas atividades rotineiras e sociais. Os relatos dos idosos mostram que alguns caidores passam a reduzir suas atividades e a depender mais de outras pessoas para sair de suas casas. ... eu não saio mais, para onde eu quero ir, alguém tem que me levar [...] depois que eu caí nem saio mais não (Idosa, 72 anos). Antigamente não parava, passeava bastante, viajava, trabalhava, fazia serviço pra lá e pra cá. Agora, depois que caí, manero mais, porque não aguento andar, só vou até bem ali e sempre alguém vai comigo (Idosa, 62 anos). Esse resultado também foi encontrado em uma pesquisa realizada em 2009 em Caldas - Colômbia com 37 idosos com o objetivo de identificar o processo do medo de cair na vida cotidiana dos longevos demonstrou que muitos deles diminuíram consideravelmente as saídas de casa e deixaram de frequentar locais movimentados após terem caído. Eles também admitiram que, quando o faziam, quase sempre estavam acompanhados por terceiros (CURCIO; CORRIVEAU; BEAULIEU, 2011). A redução das atividades ocasiona alterações na qualidade de vida dos caidores uma vez que impede a socialização dos idosos com a comunidade e diminui a probabilidade de uma vida mais ativa e independente. Não somente isso, mas os longevos que deixam de praticar atividades sociais ficam mais propensos à ocorrência do comprometimento progressivo da capacidade funcional ao longo do tempo, o que pode torná-los mais vulneráveis à ocorrência de novas quedas (BRASIL, 2005). Do mesmo modo, depender de familiares para realizar atividades sociais e de lazer, pode desencadear nos idosos sentimentos de impotência, tristeza e vergonha, contribuindo ainda mais para que eles prefiram permanecer no domicílio. Além disso, o suporte social inadequado ao idoso caidor está intimamente relacionado com o declínio considerável da saúde e do bem-estar do indivíduo. É de extrema relevância, portanto, que o enfermeiro considere esse tipo de repercussão social na vida do idoso após a ocorrência de queda. A avaliação adequada deste aspecto pode fazer diferença considerável entre o sucesso e o fracasso de qualquer estratégia de intervenção social (OMS, 2010). Ao profissional de enfermagem cabe ainda planejar estratégias acordadas com o idoso e seus familiares no sentido de promover sua independência e autonomia. Igualmente, promover atividades que incluam a participação do idoso, bem como orientar sua execução de forma segura e eficiente. Aos familiares cabe a função de incentivar a inclusão nessas atividades, bem como desenvolver mecanismos que facilitem e auxiliem a execução dessas estratégias. 3.3 Repercussões das quedas dos idosos na vida dos familiares Conforme Carvalho et al. (2010), algumas situações exigem maior cuidado e atenção da família com os idosos, fato que repercute na vida dos familiares. Por meio das entrevistas realizadas com os idosos e seus familiares foi possível perceber que as quedas dos primeiros podem trazer repercussões significativas na vida dos últimos que incluem aspectos físicos, emocionais, sociais e financeiros. Com a ocorrência de quedas dos idosos, os familiares muitas vezes são levados à reorganizar a dinâmica e rotina da família, passam a ser solicitados a executarem o cuidado direto com eles e a permanecerem mais presentes na vida dos longevos (Lemos; Gazzola; Ramos, 2006). Além disso, os familiares passam a adotar comportamentos de vigilância constante e preocupação em relação ao idoso (CHIANCA et al. 2013). Quando o idoso cai e apresenta lesões que o restringem, os familiares passam a assumir a função de cuidadores. Em decorrência disso, podem vivenciar situações de sobrecarga física e de função, pois assumem nova rotina diária, a qual envolve cuidados que antes não eram praticados em relação aos idosos. Na época que ela caiu, só sobrecarregou porque ela era muito ativa, lavava roupa, fazia comida, só não limpava a casa. Aí quando cai você fica sobrecarregada nesse aspecto, porque você está fazendo um cabelo [ela é cabelereira] e tem que largar para fazer comida, lavar roupa, tem que parar para ver isso, porque ela não está podendo [...] Quando precisava de alguma coisa, sempre me chamava [...] dessa vez ela ficou dependendo de mim para tudo porque não podia levantar (Filha, 47 anos). Eu passei dificuldade porque nessa época ela era gorda eu peguei um mal na coluna de andar com ela [...] eu tinha que trocar fralda, tudo [...] Eu acho bom dividir com meus irmãos, mas acaba sobrecarregando do mesmo jeito (Filha, 52 anos). Estudo desenvolvido em Ribeirão Preto - SP com 124 indivíduos que exercem cuidado direto ao idoso mostrou que a dependência funcional dos idosos e horas que praticam cuidado, foram fortes preditores para sobrecarga, desconforto emocional, sentimentos de esgotamento, exaustão e solidão, principalmente nos casos em que o familiar é o cônjuge (GRATAO et al. 2012). O mesmo achado foi verificado na pesquisa realizada no município de CuiabáMT em 2011, a qual demonstrou que famílias que necessitam exercer o cuidado de idosos totalmente dependentes, sofrem forte repercussão, dentre elas a necessidade de apoio financeiro, maior sobrecarga de trabalho e maior tempo despendido ao cuidado (CUNHA, 2013). Não apenas esses aspectos repercutem na vida dos familiares dos longevos, mas também suas rotinas diárias são afetadas, bem como a diminuição da jornada de trabalho e consequentemente a vida financeira (PEREIRA, 2006). ...desmarco alguns clientes para poder vigiar de perto, mas isso eu nem me importo, porque são meus pais, faço isso de retribuição... (Filha, 39 anos). ...eu tive que diminuir meu trabalho para ficar com ela em casa [...] aí quando vi que ela estava melhor eu voltei a trabalhar (Nora, 42 anos). Gratao et al., (2012) afirmam que muitos familiares deixam seus empregos e funções, abandonam suas próprias vidas e, poucos podem contar com auxílio direto de familiares para dividir funções. Pimenta et al., (2009) em uma pesquisa realizada na região do Porto – Portugal, com 120 familiares de idosos dependentes, encontraram que 17% deles necessitaram deixar seus empregos, 46% reduziram sua carga horária para manter vigilância constante ao idoso, 9% admitiram ter conflitos com o cônjuge devido ao tempo que passa com o idoso e 3% afirmaram ter reduzido consideravelmente o tempo de lazer. Mesmo que o idoso não se torne uma pessoa dependente por muito tempo, a tarefa de cuidar pode exigir dos familiares que realizam o cuidado direto, que deixem de viver suas próprias vidas, e poucos contam com a ajuda de outros para dividir essa tarefa. Porque só eu saio com ela, então não tenho tempo para mim, porque quando saio sempre tenho que levar ela comigo... (Nora, 48 anos). Eu saía bastante, agora tive que parar de sair. Eu parei bastante de sair depois que eles começaram a cair, agora eu fico em casa e vou só na igreja agora... (Filha, 47 anos). Oliveira e Caldana (2012) afirmam que os familiares sofrem privação social e renúncias em função do cuidar. Sentimentos são alternados frequentemente durante esse processo, pois vivenciam a satisfação, a felicidade, a raiva, a impaciência e sobretudo a retribuição. O familiar passa a ter a percepção de sua vida particular e profissional são deixadas de lado em função do cuidado ao idoso. Em relação às repercussões emocionais pode-se perceber pelos relatos dos familiares que eles passam a ter medo que de que o idoso caia novamente. A gente fica com medo, porque cair é perigoso, cair de mau jeito, quebrar um braço, uma perna, cabeça, perigoso [...] e até a gente mesmo fica mais preocupado (Nora, 48 anos). Eu só tenho medo que ela caia de novo e não aguente, porque dessa vez já foi difícil para ela, imagina se ela cair de novo, acho que vai ser cada vez pior (Nora, 42 anos). Isso faz com que os familiares adotem medidas de restrição de atividades do idoso, bem como comportamento de superproteção e vigilância constante com o intuito de se evitar quedas recorrentes. Pesquisa realizada no município de Farroupilha – RS, no ano de 2008, com objetivo de abordar complicações do tornar-se cuidador de idosos dependentes, demonstra que filhas, cuidadoras principais de idosas dependentes, deixam de sair de suas casas por acreditarem que outra pessoa é incapaz de exercer o mesmo cuidado ao idoso dependente. Admitem que os momentos em que saem de casa são raros, no entanto, reconhecem a importância de se ausentarem de seus lares mesmo que por curtos períodos. O estudo acrescenta ainda que, as idosas dependentes apenas saem com suas filhas ou acompanhadas por terceiros, pois familiares afirmar ter medo de que algo aconteça nesse período em que estiverem ausentes (BOHM; CARLOS, 2010). Agora é igual uma criança [...] tudo agora só eu, porque aonde ele vai eu tenho que estar pajeando, por isso que eu falo para ela ficar quietinha vendo televisão, assim não tenho que ficar muito em cima dela (Filha, 39 anos). Quando ela vai à igreja, sempre vai alguém com ela para acompanhar, quando a gente deixa ela fazer alguma coisa é só isso mesmo, de resto ela fica em casa bordando as coisas dela (Filha, 35 anos). A gente fica em cima dela o tempo todo para não deixar ela fazer as coisas [...] a gente fica mais atenta com ela, sempre tem alguém junto [...] fico falando para ela tomar cuidado, para deixar que eu faço isso (Nora, 42 anos). Atitudes protetoras em excesso com os idosos pode levá-los à execução de cada vez menos atividades diárias podendo desencadear um efeito negativo na autoestima e independência dos longevos. Fato que vai contra a Política do Envelhecimento Ativo (OMS, 2010), a qual visa manter o idoso em plenas funções ao máximo de tempo possível. Este é um fator aliado à prevenção de quedas, pois se acredita que quanto mais as pessoas mantiverem modos de vida ativos e saudáveis, mais elas têm a possibilidade de postergar a ocorrência e recorrência de quedas. Segundo Martins et al. (2009), não apenas os longevos necessitam de assistência adequada às suas necessidades, mas também seus familiares, principalmente porque passam a assumir o papel de cuidador principal, reforçando a necessidade da participação ativa de enfermeiros e profissionais de saúde no cuidado a essas pessoas. O cuidador familiar precisa ser visto como alguém que, também, tem necessidades que precisam ser satisfeitas e, portanto, deve estar inserido nesse contexto de cuidado (SCHOSSLER; CROSSETTI, 2008). Frente a essas situações, cabe ao profissional de enfermagem orientar os familiares da importância de se manter um envelhecimento ativo e saudável. Para tanto, torna-se necessária e educação acerca dos ambientes seguros e apropriados aos idosos, apoiar a independência por meio de mudanças nos ambientes e de comportamentos, reduzir riscos de solidão e isolamento social criando grupos comunitários especiais para longevos, permitir que os idosos sejam capazes de solucionar problemas. De acordo com a OMS (2005), os profissionais que exercem cuidados a idosos necessitam de treinamento e prática a respeito dos modelos capacitadores de assistências, os quais reconhecem a realidade dos idosos, estimulando-os a manterem atitudes independentes de acordo com as possibilidades individuais. 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS Esta pesquisa revelou que as repercussões ocasionadas pelas quedas na vida dos idosos e seus familiares são semelhantes, no entanto, percebeu-se que existem diferenças na forma como vivenciam e percebem o evento, o que permite repercutir de forma distinta na vida de quem as experienciam. Destaca-se que as repercussões ocasionadas na vida dos idosos caidores foram as físicas como dor, fraturas e imobilizações; as repercussões psicológicas englobaram o medo de cair e medo de dependência para movimentar-se e as repercussões sociais, as quais incluíram a redução das atividades sociais, isolamento e dependência para deslocamento. Na vida dos familiares, as quedas repercutiram fazendo que com passassem a sentir medo de que os idosos caíssem novamente, medo de que pudessem sofrer fraturas ou hospitalização. Este medo desencadeou a superproteção e vigilância constante em relação aos idosos, além de que, muitos familiares passaram a restringir atividades sociais por ficarem responsáveis pelo cuidado ao idoso e, alguns abdicaram de jornadas de trabalho, repercutindo na vida financeira da família. Durante a realização deste estudo, algumas dificuldades foram encontradas, tais como o acesso aos bairros do município e a falta de numeração e nome das ruas, nas quais estavam situadas as residências dos idosos e, como duas pesquisas estavam ocorrendo ao mesmo tempo com os mesmos idosos, alguns se recusaram a participar, pois já haviam respondido aos questionamentos do outro estudo. No entanto, destacamse a boa recepção tanto dos idosos quanto de seus familiares participantes, o que facilitou o andamento das entrevistas e o envolvimento maior com os indivíduos pesquisados. A proximidade com os idosos possibilitou maior intimidade com a realidade em relação às repercussões. Chegaram-se ao campo com uma ótica e perspectiva, mas diante do contato com cada entrevistado, percebeu-se que os idosos referiram quase sempre as mesmas coisas, e os familiares foram em sua maioria afetados por repercussões que não eram trazidos ainda pela literatura consultada. Para organização das falas e dados, utilizaram-se os agrupamentos tanto dos familiares quanto dos idosos. Esse método permitiu o melhor manuseio para facilitar a análise e a escrita da dissertação. Apesar de cinco bairros em regiões diferentes do município terem sido explorados, algumas limitações da pesquisa são destacadas, principalmente pelo fato das entrevistas terem sido realizadas com idosos da região urbana do município de Cuiabá, o que permite que a realidade seja aplicada apenas a essa população. Além disso, alguns dos entrevistados não se lembravam corretamente da última queda e nem como elas aconteceram, essa realidade pode ter mascarado a forma como o evento aconteceu e sua possível causa. Acredita-se que a metodologia utilizada foi adequada para atingir o objetivo proposto inicialmente. O método qualitativo proporcionou maior entendimento das repercussões decorrentes das quedas na vida dos idosos e seus familiares, isso porque permitiu o maior envolvimento da pesquisadora com o impacto ocasionado nesses participantes. Frente aos resultados encontrados no estudo, recomendam-se que futuras pesquisas sejam realizadas com a população da zona rural, a fim de aprofundar o conhecimento sobre as repercussões das quedas na vida desses idosos e seus familiares. Pesquisas acerca dessa temática favorecem o conhecimento dos profissionais de como lidarem com as situações de quedas, a fim de fornecer assistência adequada aos idosos caidores e seus familiares, o que favorece uma maior qualidade de vida e menores repercussões negativas na vida dos envolvidos. Frente a realidade dos entrevistados, percebeu-se que os profissionais de saúde têm forte influencia na existência das repercussões na vida dos envolvidos com as quedas. Em especial, os enfermeiros têm um papel fundamental na prevenção de quedas, no entanto, torna-se necessário que o profissional reconheça as quedas como um evento real na vida dos idosos, com consequências muitas vezes irreparáveis. Através de visitas domiciliares e educação em saúde, a enfermagem passa a conhecer os idosos caidores e seus familiares a ponto de estabelecer vínculo e confiança, para que suas ações possam ser concretizadas de forma eficaz. 5. REFERÊNCIAS ______. SECRETARIA DE ATENÇÃO A SAÚDE. Atenção á saúde da pessoa idosa e envelhecimento. Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2010. 44p. ______. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Sistema Nacional de Informações sobre Ética em Pesquisa Envolvendo Seres Humanos: diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisa envolvendo seres humanos. Resolução CNS 196/96. Disponível em: <http://conselho.saude.gov.br>. ______. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretaria de Atenção a Saúde. 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Qual foi o impacto (repercussões, mudanças, alterações) da(s) queda(s) para a família? (nas atividades da vida cotidiana, nas relações, no trabalho e na vida financeira, etc). APÊNDICE B - FORMULÁRIO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO PROJETO: REPERCUSSÕES DAS QUEDAS NA VIDA DOS IDOSOS E SEUS FAMILIARES PESQUISADORA: CAMILA GONÇALVES RECANELLO OBJETIVO PRINCIPAL: COMPREENDER AS REPERCUSSÕES DAS QUEDAS A PARTIR DA PERSPECTIVA DOS IDOSOS E DE SEUS FAMILIARES PROCEDIMENTO: SERÁ POR MEIO DE ENTREVISTA, ONDE A PESQUISADORA EXPLICARÁ À FAMÍLIA DO IDOSO O OBJETIVO DO ESTUDO. SERÃO REALIZADAS PERGUNTAS À FAMÍLIA, E EM SEGUIDA, AGUARDARÁ AS RESPOSTAS DA MESMA. CASO NÃO SE ENTENDA A PERGUNTA, A MESMA SERÁ REFEITA DE FORMA MAIS CLARA, AGUARDANDO NOVAMENTE A RESPOSTA. SERÁ ESCLARECIDO QUE AS PERGUNTAS E RESPOSTAS SERÃO GRAVADAS PARA POSTERIOR TRANSCRIÇÃO. ANTES DE INICIAR A ENTREVISTA, SERÁ FEITA UMA PERGUNTA INTRODUTÓRIA À FAMÍLIA PARA REALIZAÇÃO DO TESTE COM O GRAVADOR. BENEFÍCIOS PREVISTOS: DE FORMA ALGUMA HAVERÁ BENEFÍCIO MATERIAL AOS SUJEITOS, PORÉM, OS MESMOS CONTRIBUIRÃO AO ESTUDO. AS RESPOSTAS BENEFICIARÃO O ENTENDIMENTO, POR PARTE DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE E DOS ENVOLVIDOS, A RESPEITO DO IMPACTO NA VIDA DAS FAMÍLIAS OCASIONADOS PELAS QUEDAS DOS IDOSOS. E U, ________________________________________________________________, RG: ______________________ FUI INFORMADO (A) DOS OBJETIVOS, PROCEDIMENTOS E BENEFÍCIOS DESTA PESQUISA DESCRITA ACIMA. ENTENDO QUE OS DADOS NÃO SERÃO DIVULGADOS A NINGUÉM, ALÉM DA PESQUISADORA. ESTOU CIENTE QUE TENHO DIREITO DE RECEBER INFORMAÇÕES RELACIONADAS A PESQUISA A QUALQUER MOMENTO, ATRAVÉS DE CONTATO COM A PESQUISADORA. FUI INFORMADO (A) QUE MINHA PARTICIPAÇÃO É VOLUNTÁRIA, SEM BENEFÍCIO MATERIAL ALGUM. TENHO AUTONOMIA PARA NÃO PARTICIPAR OU DEIXAR DE PARTICIPAR DA PESQUISA A QUALQUER MOMENTO, NÃO ME ACARRETANDO QUALQUER TIPO DE PUNIÇÃO. COMPREENDO COM O QUE ME FOI ESCLARECIDO E CONCORDO EM PARTICIPAR DA PESQUISA. ___________________________________ ASSINATURA DO FAMILIAR ______________________________ ASSINATURA DA PESQUISADORA Este documento foi elaborado em duas vias, sendo que uma delas é sua e a outra é da pesquisadora. Em caso de necessidade contate a pesquisadora pelo seguinte telefone: (65) 8451.5910 ou pelo e-mail: [email protected] ou procurar o Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Universitário Júlio Muller/UFMT pelo telefone (65) 3615-8254. Data: _____/ _____/ 2013 APÊNDICE C - AGRUPAMENTOS DAS CARACTERÍSTICAS DAS QUEDAS CATG IDOSO FATORES INTRÍNSECOS I-2 I-4 I-5 I-12 I-15 FALA OBSERVAÇÃO ...então eu fechei o portão rápido e fui tentar sair rápido para ela não ficar esperando, foi quando eu caí, porque minhas pernas não acompanham mais... porque eu vou andar e se o pé bate em qualquer coisa eu perco o equilíbrio... ...aí perdeu o equilíbrio já estou no chão eu perco o equilíbrio, qualquer coisa que meu pé falseia eu já perco o equilíbrio, aí eu vou para o chão ...às vezes me dá tontura e acabo caindo... A perda de equilíbrio e a tontura são fatores mais lembrados pelos entrevistados, atribuindo à eles, a ocorrência das quedas. Porém, o fato de as pernas não acompanharem movimentos rápidos e os pés falsearem ao caminhar, também foi creditados ao evento queda. ...ergui o braço para colocar a roupa e caí de novo, acho que fiquei tonta porque levantei o braço... ...qualquer coisinha eu fico tonta e caio. ...às vezes me dá tontura e acabo caindo... CATG IDOSO FALA No que entrei no banheiro escorreguei. I-3 Eu caí lá no curral, lá eu tropecei e caí. I-4 FATORES EXTRÍNSECOS I-6 I-7 I-8 I-9 I-10 I-11 I-12 I-14 Aqui em casa eu já caí no banheiro, na porta, no quintal, em toda parte ...aí quando eu voltei para ver a panela que estava no fogo eu tropecei e caí. ...fui subir no guarda roupa e aqui tem muito tapete e no que eu desci da cadeira escorreguei no tapete, aí eu caí. ...estava andando numa descidona [...] e caí de cara no chão. Porque é box [cama], é alta, eu rolei e caí. ...escorreguei em um degrau e caí. ...escorreguei e caí aqui dentro de casa mesmo. ...eu tropeço no chão, tenho que ficar andando com atenção... ...levantei para ir no banheiro e estava tudo escuro, não consegui enxergar direito e caí... Eu escorreguei na cozinha, eu caí de perna aberta. OBSERVAÇÃO Escorregões e tropeços foram os aspectos mais lembrados pelos idosos, além dos ambientes escuros, camas altas para idosos, pisos escorregadios e utilização de tapetes na casa. Fatos esses que proporcionam a ocorrência das quedas dos idosos, sendo incluídos em fatores extrínsecos. CATG IDOSO FALA ...eu fiquei com muita dor quando caí. I-2 I-3 CONSEQUÊNCIAS FÍSICAS MEDIATAS I-4 I-5 I-6 I-8 I-9 I-10 I-11 I-12 I-14 ...enfaixaram minha perna porque eu estava com muita dor ...eu caí e bati o joelho... toda vez que eu caio meu joelho dói e é uma dor muito forte ... uma vez eu caí e cheguei a quebrar meu pé... ...quando caí machuquei as cadeira... ... eu fiquei com muita dor depois disso. ...foi até que eu desloquei o ombro... Bati que caí o braço e o peito... Ai e que dor que senti... ...eu estava sentindo muita dor depois que eu caí... Na hora eu desmaiei ... Teve a dor no braço só... ...machuquei o braço mesmo e fiquei com um pouco de dor depois ... bati as costas na parede da cozinha... Machuquei o joelho... ...mas dessa vez doeu bem mais... ...a gente fica com dor depois que cai... ...eu bati a cabeça fiquei esticada no chão lá, com a cabeça desse tamanho Daí fiquei tremendo, tremendo... minha cabeça ficou tonta, parece até que ela “afofou” Eu caí, machuquei o meu joelho... CONSEQUÊNCIAS FÍSICAS TARDIAS CATG IDOSO FALA ...não posso mais sair naquela arrancada rápida... I-2 Ele [joelho] fica o tempo todo inchado depois que I-3 I-6 I-7 I-10 I-11 I-12 ele caiu e isso acaba atrapalhando na hora de andar. e ficou doendo por bastante tempo ainda. colocaram um negócio no meu braço por um tempão [tipóia] para não mexer e só me atrapalhava a fazer as coisas... Na verdade fui ter dor só depois de 1 mês ...há muito tempo que eu não sentia nada, há muito tempo mesmo, mas aí com essa queda voltou a dor. ...depois que eu caí, sempre dói a minha cadeira, fica doendo... ... até fiquei sem andar por um tempinho depois que eu caí.... Tinha que ficar com o joelho enfaixado . ...não podia levantar... ...só a dor forte que eu fiquei sentindo por um tempão ainda... ... depois que eu caí cada vez que eu tentava andar OBSERVAÇÃO Os idosos se lembraram muito da dor que sentiram no momento da queda, bem como eventuais fraturas, escoriações, imobilizações de membros e sensação de desmaio momentâneo. OBSERVAÇÃO As quedas deixaram alguns idosos impossibilitados de andar como antes. Alguns devido a dores fortes que persistem e outros pela impossibilidade de sair na arrancada. A utilização de tipoia e de faixas contribuíram para a restrição de atividades diárias e até mesmo de locomoção. I-14 meu pé doía demais. ... eu fiquei vários dias andando ruim... ...agora eu não to podendo nem andar, to com dor nessa perna aqui por causa do tombo Eu já não estou andando direito por causa da dor, ainda se cair, fica pior. AGRUPAMENTOS - REPERCUSSÕES DAS QUEDAS NA VIDA DOS IDOSOS CATG IDOSO FALA OBSERVAÇÃO ...tem hora que dá uma travada na minha perna, Atitudes de proteção foram I-2 COMPORTAMENTO PÓS QUEDA I-3 então eu estou sempre atenta. Eu fiquei mais atenta, sempre lembro de não andar correndo porque minhas pernas não aguentam mais. ...nunca deixei de fazer nada por causa disso. Faço tudo em casa e ajudo a cuidar dos meus netos. I-4 Eu caio bastante, mas não quebro nada, sinal que ainda estou boa. As coisas que eu quero eu faço, seja lá como for. I-7 ...porque depois que a gente cai parece que o medo vem, enquanto eu não tinha caído, não tinha medo não, mas agora eu presto bem mais atenção do que antes eu prestava. Eu evito de fazer as coisas que podem cair. I-9 Tento atravessar o degrau devagar, desço devagar, porque aqui na cozinha e fundo tem degrau, eu desço e subo devagar. Eu não gosto de ficar parada, mas eles não gostam que eu faça as coisas, mas é chato demais ficar sem fazer nada, aí eu arrumo o que fazer. Lavo casa, lavo vasilha, faço o que tiver que fazer mesmo. I-10 ...Não entro nela [piscina] porque até chegar lá eu fico com medo de cair. Ah eu fico com muito medo de cair, na verdade deixo até de fazer algumas coisas por causa desse medo. Para mim mudou porque engatinhando agora eu ando Eu ando engatinhando e reparando no chão, no piso. ...porque perto dela [piscina] o piso é escorregadio relatadas pelos idosos, sendo que buscam ficarem mais atentos em suas atividades. Bem como subir e descer degraus devagar, evitar locais que ofereçam perigo como perto de piscinas, pisos molhados, utilização de chinelos de borracha para maior firmeza dos pés e até mesmo andar mais lentos e engatinhando, assim conseguem ficar mais atentos aos locais que frequentam. Há ainda os que admitem que o medo surgiu apenas depois da ocorrência da queda. Entretanto, há os que não assumem esse comportamento, visto que continuam executando suas atividades rotineiras como antes. Há relatos de idosos que desempenham funções dentro de casa, como limpeza, preparo da alimentação e cuidam de netos. Reforçam a ideia que não conseguem ficar sem realizar essas funções. e aí eu tenho que prestar mais atenção ainda. Então para evitar, nem passo ali perto. ...aí, eu falei, não vou pegar com essa perna, está tudo molhado. Minando, escorrendo água, eu que não vou pisar aí... ...mas eu só vou onde está limpo, também onde está sujo eu não vou e eu tenho que reparar bem aonde eu piso. Eu não ando de bambolê porque escorrega muito. ...eu sinto mais firme com o pé no chão, com o bambolê posso escorregar. ...e quando eu ando aqui no quintal eu ando com cuidado, cuidado mesmo. ...depois que cai eu vou ficar sentindo dor para sempre, não sou mais criança, então eu tenho que andar com cuidado. Então quando eu vejo que vou ficar abaixada e eu posso desequilibrar e cair eu não abaixo. Se eu for fazer alguma coisa que eu acho que eu corro o risco de cair, eu não faço. Eu não ando mais de ônibus, de jeito nenhum, uma que ali é muito alto pra subir e outra que o ônibus balanceia I-12 ...mas eu tomo cuidado para não cair, até porque dói muito mesmo. Ah, aqui eu faço de tudo, lavo, passo, cozinho... I-14 ...agora já tomo cuidado para andar, para não cair de novo... ...eu comecei a andar mais lento para ver se não caio mais AGRUPAMENTOS - REPERCUSSÕES DAS QUEDAS DOS IDOSOS NA VIDA DOS FAMILIARES FAM F-1 IMPACTOS PSICOLÓGI COS CATG F-2 FALA Ela sai sozinha também, mas a gente fica preocupado... Muda a estrutura da família, a preocupação... Dessa última vez que ela caiu eu fiquei com muito medo, porque como eu tenho essas dificuldades, OBSERVAÇÃO Familiares relatam com frequência o medo que sentem em relação ao idoso cair novamente, porém, a F-3 F-5 F-6 F-7 F-10 F-12 F-15 FAM F-8 IMPACTO SOCIAL NO TRABALHO E VIDA FINANCEIRA CATG F-11 eu fico com medo de perder minha mãe... Quando ela foi para o Pronto Socorro porque tinha caído eu chorei muito, fiquei desesperada. Quando a gente vai andar de ônibus, eu tenho medo que ela caia naquele degrau de entrar porque ele é muito alto e tenho medo da perna dela não conseguir alcançar. Eu também fico com medo de ela cair de novo, na verdade tenho medo de ela quebrar um braço, uma perna... A gente fica com medo, porque cair é perigoso, cair de mau jeito, quebrar um braço, uma perna, cabeça, perigoso. ...e até a gente mesmo fica mais preocupado. Depois que cai é que surge o medo... ...ando mais rápido, então nem preciso ficar preocupado comigo, só com ela mesmo. Na hora eu fiquei assustada, porque eu fiquei sabendo que ele tinha caído da cadeira, mas eu ainda não sabia se tinha machucado. ...então eu fico com medo de ele cair e machucar de verdade. ...só fiquei com medo de ela cair, na verdade medo todo mundo tem? ...mas no fundo também tenho medo de cair e medo que ela caia, porque acho que não tem nesse mundo quem não tem medo de cair, ainda mais depois que fica velho. ...então eu tenho muito medo mesmo que ela caia. Eu só tenho medo que ela caia de novo e não aguente, porque dessa vez já foi difícil para ela, imagina se ela cair de novo, acho que vai ser cada vez pior... Mas igual dessa vez eu fiquei preocupada, porque vi que tinha sido de verdade mesmo. ...dessa vez que ela ficou com muita dor e quebrou o pé eu fiquei preocupada, porque vi que tinha sido de verdade mesmo. Ah, mudou bastante porque agora tem a preocupação, às vezes toca um telefone nove da noite aí a gente já pensa a mãe caiu. Então é mais a preocupação. Então depois que caiu a gente fica sempre preocupado palavra medo surge também quando relacionada a fraturas. Choro e desespero foram também relatados, bem como o surgimento do medo após o evento queda e ausência do mesmo antes de sua ocorrência. FALA OBSERVAÇÃO Prejuízos financeiros foram citados quando relacionados à compra de medicamentos devido a dor da queda e à confecção de curativos, bem como gastos com aluguel de ...foram uns duzentos reais que a gente gastou com os remédios e as coisas para o curativo dele. Para quem ganha um salário e paga água, luz, telefone, imagina só, pesado demais para a gente. ...desmarco alguns clientes para poder cuidar, mas isso eu nem me importo, porque são meus pais, faço isso de retribuição... F-12 F-13 F-15 CATG FAM F-8 IMPACTO SOCIAL IMEDIATO EM CASA F-11 F-12 F-13 F-14 F-15 ...então se ela estiver bem, está tudo bem, mas se ela não estiver, aí tenho que faltar no serviço ...eu tive que diminuir meu trabalho para ficar com ela em casa. ...aí quando vi que ela estava melhor eu voltei a trabalhar. ...meu patrão deixou eu dar tempo do serviço. aí ela [nora] acabou arrumando outra pessoa e colocando no meu lugar lá na casa dela. ...aí quando vi que ela estava melhor eu voltei a trabalhar. Quando ela caiu eu liguei para o meu patrão e falei que não ia mesmo, e não tinha quem me fizesse ir. ...meu patrão deixou eu dar tempo do serviço. ...na época a gente teve que comprar bastante remédio por causa da dor que ela estava sentindo De primeiro eu trabalhava bastante [...] agora eu nem tenho a possibilidade porque só fica nós três aqui... Ela usou pouco tempo o andador, porque ela caiu [...] aí nós tivemos que alugar o andador, mas ela usou pouco tempo. andadores para o idoso. Um familiar afirmou desmarcar clientes por ter que atender à mãe durante suas atividades profissionais. Diminuição da carga horária, falta no trabalho, colocar outra pessoa na função também foram trazidas à lembrança dos familiares. FALA OBSERVAÇÃO Os familiares tinham que ficar a disposição do caidor, visto que quando o mesmo necessitava de algo, o familiar estava pronto para executar a função. Fazer comida especial, realizar serviços domésticos, oferecer copo de água a todo momento, noites foram passadas em claro, revezamento dos familiares para realizarem o cuidado e até mesmo a sobrecarga de trabalhos em casa. Alguns familiares protestaram a ausência dos pais, pois os mesmos tinham que deixálos para cuidar dos idosos, enquanto outros reclamavam em ter que “pajear” o longevo a todo momento. Entretanto, esses impactos aconteceram apenas em momentos imediatos à queda, não ...tive que ficar fazendo sopa um bom tempo, porque a boca dele ficou toda inchada que ele caiu de cara no chão... ...quando precisava de alguma coisa, sempre me chamava. ...dessa vez ela ficou dependendo de mim para tudo porque não podia levantar... Na época que ela caiu, só sobrecarregou porque ela é muito ativa, lava roupa, faz comida, só não limpa a casa. Aí quando cai você fica sobrecarregada nesse aspecto, porque você está fazendo um cabelo e tem que largar para fazer comida, lavar roupa, tem que parar para ver isso, porque ela não está podendo. ...ela ficava pedindo água toda hora para a gente e eu não aguentava mais, era chato Ah eu ajudava ela, fazia comida, levava comida na cama... ...colocava minhas crianças para cuidar, fazer almoço... ...eu que fiquei cuidando das casas, das roupas, de tudo, levava no médico. Mas eu que levava ela para o banheiro, fazia comida... ...eu que cuidei, eu fiquei noites e noites sem dormir... ...tinha que trabalhar e quando chegava em casa, ainda ficava cuidando dela... ...uma noite eu ficava, na outra a minha irmã ficava, e a outra ficava de dia, ficava minha sobrinha, o meu irmão, todo mundo ficava. Eu acho bom dividir com meus irmãos, mas acaba sobrecarregando do mesmo jeito... Olha eu passei dificuldade porque nessa época ela era gorda eu peguei um mal na coluna de andar com ela... ...e eu tinha que trocar ela, fralda tudo... CATG FAM F-3 F-4 COMPORTAMENTO EM RELAÇÃO AO IDOSO F-5 F-6 F-7 F-12 FALA A gente só fala para não ficar fazendo coisa que pode cair... ...a gente já falou várias vezes para ela tomar cuidado... ...ela é muito agitada, mas eu fico observando só de longe, sempre fico por perto quando ela está andando lá no fundo do quintal. Depois que ela começou a cair, a gente [família] decidiu que ela só iria sair com alguém, e esse alguém sou eu... Acho que fiquei mais atento até comigo mesmo, porque sou velho também, só que mais forte que ela... A gente observa bastante ela, depois que começou a cair ... a gente sempre avisa ela para tomar cuidado... Agora a gente tem um pouco mais de cuidado com ela. Antes acho que eu não prestava muita atenção nisso, mas depois que ela caiu eu sempre estou atento... ... só aqui na irmã dela que é pertinho que ela vai sozinha, mas aí eu fico olhando vigiando, até ela chegar lá. Ela anda bem devagarzinho, toda curvada para frente, aí tem que tomar cuidado com ela o tempo todo. O cuidado ficou maior, porque não pode ficar muito sozinha e ela também ficou mais esquecida depois que caiu, ela lembra das coisas mas não de tudo. Eu até tirei os tapetes da casa, agora só tem no banheiro e na cozinha mesmo. Ah eu dou a mão para ele, se vai subir na escada eu fico olhando para ver se não cai, às vezes eu subo para ele porque eu sei que não vou cair né. ...fico vigiando porque antes eu não ficava, falo para minha mãe tirar os tapetes de casa porque o chão daqui de casa é bem liso... ... só que a gente fica mais atenta com ela, sempre tem alguém junto... A gente fica em cima dela o tempo todo para não deixar ela fazer as coisas... Acho que eu fiquei mais cuidadosa com ela ...fico falando para ela tomar cuidado, para deixar persistindo e sendo prolongados. OBSERVAÇÃO Os familiares assumem papel de superproteção com o idoso, fato que pode fazê-lo sentir incapaz de realizar algumas atividades e promover maior dependência. Entretanto, os familiares realizam essas restrições apenas com o sentido de proteção com o longevo, pois percebem suas fragilidades e tentam evitar consequências maiores. A vigilância e supervisão a distância acontecem rotineiramente, talvez seja uma forma de não demonstrar ao idoso que está sendo vigiado e mantê-lo ativo, quando na verdade está sendo protegido aos olhares dos familiares. Após o evento da queda,a família intensifica a atenção, pois o percebem mais fracos e suscetível a recorrência da mesma, sendo assim, para evitá-las, procuram estar próximos a todo momento, restringindo vida social de ambos e assumindo um comportamento protetivo e ao mesmo tempo restringido. que eu faço isso. ...acho que a melhor coisa é a gente tentar evitar de ela cair mesmo, porque não quero ver ela triste e doente de novo. ANEXOS HOSPITAL UNIVERSITÁRIO JÚLIO MULLERUNIVERSIDADE FEDERAL DE PARECER CONSUBSTANCIADO DO CEP DADOS DO PROJETO DE PESQUISA Título da Pesquisa: Impacto das Quedas dos Idosos na Vida das Famílias Pesquisador: ANNELITA ALMEIDA OLIVEIRA REINERS Área Temática: Versão: 1 CAAE: 11753712.8.0000.5541 Instituição Proponente: Faculdade de Enfermagem - Cuiabá - UFMT DADOS DO PARECER Número do Parecer: 179.251 Data da Relatoria: 20/12/2012 Apresentação do Projeto: As quedas podem ocasionar consequências tanto físicas quanto psicológicos no idoso, que vão desde fraturas, internações, procedimentos cirúrgicos até medo de voltar a cair, isolamento social e rearranjo familiar. Diante desses achados nas literaturas nacionais e internacionais, buscamos identificar os impactos que podem ser ocasionados na família desse idoso caidor. Alguns relatos de pesquisas publicadas citam conflito entre familiares para assumirem os cuidados com idoso, conflitos conjugais devido a atenção exclusiva ao idoso, parentes que receberam tratamento inadequado enquanto crianças por parte do idoso, hoje se vêem diante da situação executar o cuidado e apoio ao mesmo. Diante desses achados, buscamos identificar esse impactos nas famílias proveniente da queda do idoso. Trata-se de estudo exploratório e descritivo, com abordagem qualitativa.os sujeitos serão as famílias de idosos que sofreram quedas. Esses idosos foram identificados em estudo anterior realizado, no ano de 2012, sobre as condições de saúde das pessoas com 60 anos ou mais residentes na zona urbana do município de Cuiabá ¿ MT (Cardoso, 2012). No total, 109 idosos relataram ter caído nos últimos três meses. Critério de inclusão: Morar no mesmo domicílio do idoso há pelo menos 1 ano. A coleta de dados será realizada no período de janeiro a março de 2013 por meio de entrevista semi-estruturada, utilizando um roteiro com perguntas sobre o impacto da(s) queda(s) do idoso na vida das famílias. As entrevistas serão realizadas no domicílio. Objetivo da Pesquisa: Investigar o impacto das quedas dos idosos na vida das famílias. Endereço: Rua Fernado Correa da Costa nº 2367 Bairro: Boa Esperança UF: MT Município: CUIABA Telefone: (63)3615-8254 CEP: 78.060-900 E-mail: [email protected] HOSPITAL UNIVERSITÁRIO JÚLIO MULLERUNIVERSIDADE FEDERAL DE Avaliação dos Riscos e Benefícios: Riscos: A pesquisa não oferece nenhum risco de vida e desconforto mínimo Benefícios: AS RESPOSTAS BENEFICIARÃO O ENTENDIMENTO, POR PARTE DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE E DOS ENVOLVIDOS, A RESPEITO DO IMPACTO NA VIDA DAS FAMÍLIAS OCASIONADOS PELAS QUEDAS DOS IDOSOS. Comentários e Considerações sobre a Pesquisa: Pesquisa importante para a área. Considerações sobre os Termos de apresentação obrigatória: Folha de rosto adequada, com compromisso do gestor da instituição. Inclui autorização de gestor da SMS. TCLE: aprovado Recomendações: Incluir benefícios diretos para os entrevistados caso surjam dúvidas como orientações, esclarecimentos, etc. Conclusões ou Pendências e Lista de Inadequações: Propomos a aprovação do projeto. Situação do Parecer: Aprovado Necessita Apreciação da CONEP: Não Considerações Finais a critério do CEP: Projeto aprovado em relação à análise ética. CUIABA, 20 de Dezembro de 2012 Assinador por: SHIRLEY FERREIRA PEREIRA (Coordenador) Endereço: Rua Fernado Correa da Costa nº 2367 Bairro: Boa Esperança UF: MT Município: CUIABA Telefone: (63)3615-8254 CEP: 78.060-900 E-mail: [email protected]