FAMÍLIA X INCLUSÃO: NARRATIVAS DAS MÃES SOBRE A INCLUSÃO DOS SEUS FILHOS COM DEFICIÊNCIA NO CONTEXTO ESCOLAR EIXO TEMÁTICO: Educação, Diversidade e Inclusão Social Maria Aparecida da Silva Gomes – Universidade Estadual de Alagoas Luzia Alves da Silva – Universidade Estadual de Alagoas Taiane Batista dos Santos – Universidade Estadual de Alagoas Resumo A família é um dos sistemas mais importantes para promover a interação e o desenvolvimento dos seus filhos com deficiência. Nesse sentido, o papel dos familiares é determinante para que ocorra a inclusão de alunos com deficiência no meio educacional, uma vez que a escola necessita do apoio dos pais para alcançar suas finalidades. Desse modo, levantamos a seguinte problemática: Qual a opinião das mães sobre a inclusão de seus filhos com deficiência no contexto escolar? Partindo dessa problemática, a pesquisa em andamento, tem como objetivo analisar as narrativas das mães acerca da inclusão escolar de seus filhos com deficiência. A metodologia é bibliográfica e de campo, com enfoque qualitativo, e para a coleta de dados utilizamos entrevistas semiestruturadas. Foram entrevistadas seis mães de alunos de escolas da rede pública e privada do município de Arapiraca – AL. Na fundamentação teórica usamos os estudos de Brasil (2007); Chacon (2009); Parolin (2005); Rodrigues (2006); Silva; Mendes (2008); entre outros. Os resultados parciais apontaram que o envolvimento da família, em especial das mães, é de grande importância para que propicie de fato a inclusão escolar, porque é nela que acontecem os primeiros ensinamentos e formação social desse indivíduo. Os resultados apontaram ainda, que ao serem incluídos no contexto escolar as crianças que apresentam dificuldades oriundas de alguma limitação sejam elas, sensoriais, físicas ou intelectuais terão um maior suporte para superá-las, pois a parceria entre a família e escola pode contribuir de forma significativa no processo de aprendizagem e de aquisição das habilidades dos alunos com deficiência. Palavras-chave: Aluno com deficiência. Família. Inclusão. Introdução A educação inclusiva vem sendo uma temática bastante discutida no nosso cenário atual, visto que a inclusão de crianças com deficiência no contexto escolar depende de uma série de fatores. Desse modo, a família é um dos meios fundamentais para favorecer a inserção e desenvolvimento das habilidades de seus filhos com deficiência uma vez que a construção de uma sociedade inclusiva não é fácil, porém quando a aceitação de uma deficiência seja ela qual for, se inicia no âmbito familiar, todo o processo de inclusão é facilitado, já que para promover a interação e posteriormente, o aprendizado do aluno com deficiência, a escola precisa do apoio dos pais para alcançar seus objetivos. 2 Assim, a pesquisa em andamento, apresenta a seguinte questão norteadora: Qual a opinião das mães sobre a inclusão de seus filhos com deficiência no contexto escolar? Partindo dessa problemática, o artigo tem como objetivo analisar as narrativas das mães acerca da inclusão escolar de seus filhos com deficiência. A metodologia é bibliográfica e de campo, com enfoque qualitativo, e para a coleta de dados utilizamos entrevistas semiestruturadas. Foram entrevistadas seis mães de alunos de escolas da rede pública e privada do município de Arapiraca – AL. Na fundamentação teórica usamos os estudos de Brasil (2007); Chacon (2009); Parolin (2005); Rodrigues (2006); Silva; Mendes (2008); dentre outros. Para compreendermos o trajeto do estudo realizado, inicialmente foi destacado o tema acerca da inclusão, que requer compreensão e respeito quanto às especificidades das crianças com deficiência, sendo imprescindível um comprometimento de todos os envolvidos, desde o professor em sala de aula até os pais desses alunos com deficiência para que a inclusão seja efetivada com sucesso; Em seguida, relatamos sobre o papel da família e de como a mesma é determinante na inclusão escolar dos seus filhos com deficiência porque a sua parceria com a escola é de suma importância no desenvolvimento tanto social quanto educacional dessas crianças. Os resultados e discussões apontaram que o envolvimento da família, em especial das mães, é de grande importância para que propicie de fato a inclusão escolar, pois é nela que acontecem os primeiros ensinamentos e formação social desse indivíduo. Nas considerações finais, evidenciamos que a articulação entre família e escola é fundamental para o melhor desenvolvimento das crianças com deficiência e que, independentemente da deficiência, quando recebem todo o apoio necessário, as crianças possuirão um maior suporte para superá-las já que essa interligação contribui de maneira significativa no processo de aprendizagem e de desenvolvimento das habilidades dos alunos com deficiência no contexto escolar. Inclusão de alunos com deficiência no contexto escolar A inclusão é uma temática que vem sendo bastante discutida no nosso cenário atual, visto que a inclusão de crianças com deficiência no contexto tanto social quanto escolar depende de uma série de fatores. Nesse sentido, o ato de incluir requer compreensão sobre as limitações reais e aceitação das dificuldades do cotidiano. De acordo com Bazon; Masini (2011. p. 2): 3 No discurso atual, o conceito de inclusão está associado à discussão a respeito das condições sociais e educacionais [...] A inclusão é então entendida como uma forma de combate à exclusão, configurando-se como um novo paradigma social capaz de direcionar e transformar uma sociedade excludente em outra que busca a inclusão e o respeito às diferenças [...]. Dessa forma, a inclusão refere-se às condições de respeito às diferenças, tendo como princípio básico que todos possam desenvolver suas potencialidades, independente da diversidade existente. Essa questão é enfatizada por Silva; Tavares (2009, p. 76) quando dizem que: “A inclusão é um desafio que deve ser enfrentado, dialogado, construído e reconstruído. É um debate que deve ser iniciado [...] onde são formados os educadores que vão atuar com esta nova demanda que tende a crescer cada vez mais”. Diante do que foi relatado, é evidente que a criança com deficiência necessita de cuidados e atenção específicos para que ocorra a sua inclusão porque é de fundamental importância que ao diagnosticar qualquer que seja a deficiência, a família deve buscar todo um apoio especializado, dando o suporte para que essa criança esteja apta a ser inserida no meio educacional, de forma a concretizar na sua realidade o significado da participação em atividades realizadas pelo docente, promovendo a sua interação com os colegas. A inclusão no meio escolar possibilita a troca de conhecimento entre as próprias crianças, orientadas por profissionais que ensinam conteúdos didáticos elaborados especificamente para despertar o interesse pelo saber. Para Balbino et al (2013, p. 7): [...] ao falarmos sobre inclusão de alunos com deficiência no contexto escolar, precisamos ter em mente que este não é apenas um ideal a ser alcançado, mas, também, uma jornada onde todos que estão engajados na educação precisam repensar os seus conceitos e refletir melhor sobre o processo de ensino-aprendizagem. O ambiente escolar proporciona o aprendizado que foi elaborado com técnicas e informações, os quais não são trabalhados no ambiente familiar, agregando valores e descobertas científicas, estimulando o raciocínio, buscando novas formas de pensar, de observar o meio em que se encontra, de perceber a própria capacidade de explorar o desconhecido e com isso ocorrer a melhoria do aprendizado. Segundo Rodrigues (2006, 2006, p. 197) “Se o que pretendemos é que a escola seja inclusiva, é urgente que seus planos se redefinam na direção de uma educação voltada para a cidadania global, plena, livre de preconceitos, que reconhece e valoriza as diferenças.” 4 Considerando todas essas questões, para que a inclusão das crianças com deficiência se concretize, a instituição precisa estar preparada para receber esses alunos, fornecendo um ambiente acolhedor com qualidade não só na estrutura física, como também na qualificação dos profissionais que estarão participando da rotina dos mesmos. Ainda na percepção de Rodrigues (2006, p. 59) acerca da formação dos professores para trabalharem com as crianças com deficiência: Sem dúvida, a proposta de uma escola inclusiva supõe uma verdadeira revolução nos sistemas tradicionais de formação docente, geral ou especial [...] Para tanto, a formação do docente de educação tem de ser mais especializada para atender à diversidade do alunado, recomendando a inclusão de disciplinas ou conteúdos afins [...]. Entretanto, a especialização de educadores no processo de inclusão é apenas um dos desafios do sistema de ensino, visto que muitas questões surgem ao inserir os alunos com deficiência, na maioria das vezes há o receio em aceitar esses alunos, tanto pelos professores, como pelos pais dos alunos sem deficiência. Sendo assim, é preciso que ocorra uma mudança não somente na escola, mas na sociedade para que os preconceitos sejam eliminados e os ensinamentos na escola sejam elaborados e planejados, considerando que a forma do ensino e aprendizagem devem ser assimilados por todos os alunos, independentemente de suas dificuldades para que, dessa maneira, o processo de inclusão seja efetivado com êxito. A família e seu papel na inclusão de seus filhos com deficiência Sendo a família a base de qualquer indivíduo, é com ela que possuímos o primeiro contato em sociedade, e com a mesma construímos relações afetivas, que consequentemente irá determinar nossa personalidade. Nesse sentido, a família é o que há de mais importante já que é um dos meios fundamentais para favorecer a inserção e desenvolvimento das habilidades de seus filhos. Conforme Souza (2012, p. 5) “A primeira vivência do ser humano acontece em família, independentemente de sua vontade ou da constituição desta [...] a família é o primeiro espaço para a formação psíquica, moral, social e espiritual da criança.” A criança vê os membros de sua família como pessoas essenciais em sua vida, são por esses membros que serão passados os valores e o modo de vida específico de cada meio familiar. À medida que o contexto histórico se modifica, esta também se transforma, isto quer dizer que de acordo com o número de membros, funções, ela vai 5 se apropriando do que a cerca, o modo de falar, de vestir. Segundo Chacon (2009, p. 59): A família é uma estrutura criada pelo homem e constituída de forma diferente em situações e tempos diferentes, de maneira a responder às necessidades sociais, bem como individuais de cada um dos seus membros [...] é na família que os indivíduos são educados para perpetuar a estrutura familiar que sofre modificações a cada século. Todas essas questões não são diferentes nas famílias que tem filhos com deficiência, porém, com o nascimento de uma criança com deficiência, gera uma crise que atinge toda a família, abalando sua identidade, estrutura e funcionamento. Desse modo, os familiares, muitas vezes, se veem despreparados para enfrentar ou lidar com esse novo modo de ser família, pois o filho com deficiência representa a quebra de expectativas, a alteração de papéis e a não-continuidade da família, a vida familiar sofre alterações frente às exigências emocionais e à convivência com a criança, gerando conflitos e levando a instabilidade emocional (BARBOSA; BALIEIRO; PETTENGILL, 2012). Assim, é fundamental que ao receberem o diagnóstico, a família da pessoa com deficiência procure um atendimento especializado para o seu filho, dessa forma a criança estará sendo assistida adequadamente, podendo vir a se desenvolver de forma significativa. É de suma importância que ajude ao máximo essa criança, em casa é que se possui uma relação mais íntima, então é dever dos pais protegerem os seus filhos, mas os mesmos devem ter cuidado com a superproteção e mesmo sem perceber acabar isolando esse indivíduo da sociedade. É extremamente relevante que no cotidiano da criança com deficiência, a família ofereça o cuidado, o carinho, mas que também respeite sua individualidade. A partir do apoio da família, recebendo acompanhamento de profissionais, a criança com deficiência terá um maior suporte para enfrentar as dificuldades existentes, conseguirá se desenvolver e trabalhar para superar as suas limitações. Sendo assim, ao incluir os filhos com deficiência no contexto escolar, a união entre escola e família, vem acompanha de diversos benefícios nos quais facilitam a aprendizagem da criança e, consequentemente, ajudando no processo de inclusão. Essa parceria desempenha papéis importantes no que se refere à educação porque o processo de aprendizagem depende de um conjunto de elementos, dentre eles a motivação e afetividade. Para Chacon (2009, p. 65): 6 [...] as relações entre família e escola devem ser, incessantemente, (re) construídas, pois seus movimentos comungam do desenvolvimento socioeconômico e cultural do meio ao qual respondem. No entanto, as maneiras pelas quais os sujeitos que os compõem vêm se comportando [...] dificultam qualquer tipo de aproximação e ação conjunta de educação. Diante da nova sociedade, fez-se necessário a reformulação dos papéis formadores da família e da escola. O entendimento do processo de aprender e de ensinar, frente à sociedade do conhecimento, da informação e da aprendizagem exige uma escola que atenda ao perfil social vigente, sem perder o compromisso de preparar cidadãos instrumentalizados para viver e conviver de forma competente e feliz (PAROLIN, 2005). É relevante que exista uma relação de apoio, para que tanto a escola como a família se sintam seguras pra enfrentar a realidade e para isso acontecer, é preciso que exista comunicação e compartilhamento de informações entre ambas. A família deve participar de maneira colaborativa e os profissionais devem atuar no sentido de reconhecer a importância da família por esta ser a unidade na qual a criança cresce e se desenvolve. Trabalhar com a cooperação significa troca de experiências e permite que a dificuldade da criança seja analisada melhorando assim, a qualidade de vida e desenvolvimento da mesma. É mister salientar que os pais participem das atividades que envolvam seu filho, que venha a conversar com professores, diretores e dê sua opinião nas decisões em atividades educativas e nas metodologias que estão sendo utilizadas. Na perspectiva de Melo; Barros; Barbosa (2013, p. 4): “É através da união da família e da escola que se faz possível um melhor desenvolvimento do aluno com deficiência, uma vez que um irá complementar e apoiar a ação do outro.” É indispensável que aconteça essa parceria entre a família e a escola, sendo importante que ocorra uma divisão de responsabilidades para que o processo de desenvolvimento das potencialidades da criança e, posteriormente, o ensinoaprendizagem ocorra de fato. Procedimentos Metodológicos Para a elaboração deste estudo, a metodologia escolhida foi a bibliográfica e de campo, com enfoque qualitativo porque com a pesquisa bibliográfica é possível realizar, 7 segundo Marconi; Lakatos (2003, p. 158) “um apanhado geral sobre os principais trabalhos já realizados, revestidos de importância, por serem capazes de fornecer dados atuais e relevantes relacionados com o tema.” Com relação à pesquisa de campo, com enfoque qualitativo, de acordo com Moresi (2003, p. 69) “A pesquisa qualitativa ajuda a identificar questões e entender porque elas são importantes. Com esse objetivo [...] também é importante trabalhar com uma amostragem heterogênea de pessoas [...].” Para a coleta de dados utilizamos entrevistas semiestruturadas. Foram entrevistadas seis mães de alunos de escolas da rede pública e privada do município de Arapiraca – AL. Optamos pela coleta de dados por meio de entrevistas, por ser “[...] um procedimento utilizado na investigação social, para a coleta de dados ou para ajudar no diagnóstico ou no tratamento de um problema social” (LAKATOS; MARCONI, 2010, p. 178). Dessa forma, os dados obtidos foram analisados com a finalidade de saber qual a opinião dessas mães entrevistadas acerca da inclusão de seus filhos com deficiência no âmbito educacional, como também, buscar informações sobre a relevância da interligação das famílias e escola para que o processo de inclusão seja de fato efetivado. Resultados e Discussões Para entendermos a trajetória deste estudo, realizaremos uma análise dos dados que foram coletados por meio de entrevistas semiestruturadas. Foram entrevistadas seis mães de alunos com deficiência de escolas da rede pública e privada do município de Arapiraca – AL. Os resultados da pesquisa serão discutidos a partir dos seguintes eixos temáticos: a inclusão das crianças com deficiência na rede regular; o papel da escola no processo de inclusão e a participação da família na escola frente à inclusão de seus filhos com deficiência. Daremos início às discussões caracterizando as mães entrevistadas, com o intuito de preservar as suas identidades utilizamos nomes fictícios para as mesmas. A primeira mãe que será chamada de Gilda, com 37 anos, é farmacêutica e seu filho tem síndrome de down e autismo; A segunda, intitulada de Flávia, 47 anos, é copeira e a deficiência de sua filha caracteriza-se pela falta de oxigênio no cérebro no momento do parto; A terceira, denominada de Daiane, de 37 anos, estudante de Pedagogia e sua filha têm 8 Síndrome de Seckel, microcefalia, retardo mental e se locomove com os joelhos; A quarta mãe, Carla, 36 anos, dona de casa/artesã e tem um filho com autismo; A quinta, Mariana, 39 anos, dona de casa e seu filho possui paralisia cerebral e a sexta mãe, Janaína, cujo filho tem autismo. O primeiro eixo refere-se à inclusão no contexto escolar dos filhos das mães mencionadas. Quando indagadas de como ocorreu essa inclusão, tivemos como respostas: Fui procurar várias escolas e sempre me falavam que não tinha profissionais capazes para saber cuidar dela, até que na escola que ela está a coordenadora aceitou [...] (DAIANE, 2014). Foi bem aceito, ele foi bem aceito e assim, ele é uma criança, ele já tá sabendo ler [...] agora [...] eu dou um suporte muito grande a ele em casa (CARLA, 2014). Diante das falas das mães, percebemos que há escolas que ainda possuem uma certa resistência em aceitar os alunos com deficiência, muitas vezes, por não sentirem-se preparadas para atender essas crianças. Em contrapartida, evidenciamos também que, quando inseridos, tanto a escola quanto os professores buscam ajudar para que aconteça a inclusão. De acordo com Rodrigues (2006, p. 173) “Para efetivar a inclusão é preciso [...] transformar a escola regular em sua estrutura organizativa [...] o que implica questionar concepções e valores, abandonando modelos que discriminem [...] qualquer aluno.” No segundo eixo da pesquisa, questionamos o papel da escola no processo de inclusão para que a educação inclusiva seja realizada, as mães disseram que: Seria a parte mais importante já que eles passam uma parte do dia na escola (GILDA, 2014). É fundamental [...] porque eu acho que a escola é o primeiro passo que tem que ser dado pra que a criança venha a ser integrada na sociedade porque é na escola que se aprende tudo (CARLA, 2014). É muito importante [...] porque depois de casa e do local que [...] faz tratamento, é onde ele vai conhecer outras pessoas, vai aprender coisas novas (MARIANA, 2014). Observar o comportamento da criança e buscar estratégias para o melhor aprendizado da mesma (JANAÍNA, 2014). Em suma, a escola possui um papel primordial uma vez que depois do meio familiar, é o ambiente que propiciará novas descobertas aos indivíduos. Além disso, é essa instituição que proporciona uma educação formal, é o local de aprendizagem e que 9 sempre deve estar aberta para receber a todos os alunos de forma igualitária, sendo levada assim, a apresentar-se sempre em constante mudança, para Brasil (2007) A escola precisa mudar e não os alunos e as alunas. Ela precisa ser ressignificada de acordo com o paradigma de ética, cidadania e democracia que sustenta os movimentos inclusivos. O terceiro eixo desta pesquisa faz referência à participação da família na escola frente à inclusão de seus filhos com deficiência e as respostas foram as seguintes: Participação ativa na escola, acompanhando nas tarefas passadas (FLÁVIA, 2014). e ajudando Assim, eu acho que deveria ter reuniões com professores fora do período normal da escola né, elas deveriam abrir um espaço pra isso, mãe, pai, professor e diretor (CARLA, 2014). Eu acho assim, que a família tem que cobrar da escola, tem que levar e buscar a criança, conversar com a professora e saber no que pode ajudar (MARIANA, 2014). Através do que foi exposto pelas mães, enfatiza-se que a família necessita ter uma participação dinâmica na vida escolar dos seus filhos, procurar a escola, se manter informada acerca das questões relacionadas às dificuldades e progressos, cabe a escola além de oferecer reuniões, propiciar momentos que haja interação entre pais e professores de forma democrática já que a mesma está propensa a mudanças à medida que deve suprir as novas necessidades existentes. Para Silva; Mendes (2008, p. 223) a relação entre família e escola precisa ser colaborativa, e é papel da família: “comunicarse com os profissionais; [...] reconhecer o trabalho dos profissionais; confiar no trabalho desenvolvido; [...] questionar os profissionais de modo adequado; [...] visitar a escola; participar das atividades. Por fim, pedimos que as mães dessem a sua opinião sobre a inclusão de seus filhos com deficiência no contexto escolar, obtendo as seguintes falas: Temos esperança de que em um futuro não longe os profissionais tenham uma visão mais aberta para essas crianças e comecem a enxergar o que realmente é precioso: a capacidade de evolução das mesmas (GILDA, 2014). Ainda é complicado hoje em dia a inclusão das crianças com deficiência, existe falta de atenção e compreensão das pessoas (FLÁVIA, 2014). Acho muito importante, não é porque existe uma deficiência que devem privar crianças com deficiência na escola, no meio social no qual vivemos (DAIANE, 2014). 10 [...] Eu acho essencial porque a educação ficou pra todos não é, e não é porque eles tem uma limitação que vai impossibilitar eles de aprenderem [...] com um jeitinho tudo vai dar certo sim, não só tem um método só de ensinamento, com um pouquinho de amor e paciência a gente consegue (CARLA,2014). Eu acho importante [...] porque se eu não tivesse levado ele pra escola, ele não ia saber ler, não ia saber escrever, não ia ter feito amiguinhos [...] então [...] a gente tem que ter paciência com eles porque eles tem um ritmo mais diferente, mas com carinho eles conseguem sim (MARIANA, 2014). Enfrentamos situações diversas que nem sempre estão ao nosso favor, pois não é apenas as escolas que devem se adequar as nossas crianças, mas os órgãos governamentais têm o dever de se informarem sobre a síndrome e junto as famílias buscarem recursos que beneficiem a todos (JANAÍNA, 2014). Considerando o que foi exposto, o professor, a escola e a família muitas vezes perdidos diante desse novo contexto, tem que repensar os seus papeis. Tanto a família quanto a escola necessitam retomar seus conceitos, desvendar seus mitos, rever suas práticas, reavaliar suas crenças e reconstruir suas práxis (PAROLIN, 2005). Desse modo, a parceria entre família e escola é fundamental para que a educação inclusiva ocorra e que apesar de todas as dificuldades existentes, quando a criança com deficiência recebe a atenção e afeto que é necessário, independente das suas deficiências, elas são capazes sim de se desenvolverem. Considerações Finais Ao término dessa pesquisa, evidenciamos que a inclusão refere-se, antes de qualquer coisa, às condições de respeito à diversidade, tendo como princípio fundamental o direito ao desenvolvimento das habilidades de todos os envolvidos de forma igualitária, independente das dificuldades. Ao falarmos de inclusão, não devemos deixar de citar um dos sistemas mais importantes para que esse processo ocorra: a família. A família é o primeiro contato que a criança possui, nela aprende-se os valores dentro de sua cultura, de acordo com cada contexto. Posteriormente, vem a escola, ocupando o papel de um grupo social mais amplo, no qual quando há um trabalho em conjunto com a família, a criança com deficiência será beneficiada, ela estará recebendo todo o suporte que precisa e assim, com o apoio da família, acompanhamento de profissionais e sendo corretamente assistida na escola por toda equipe pedagógica, poderá sim desenvolver as suas potencialidades. 11 Através dos dados das entrevistas, evidenciamos que o comprometimento da família, em especial das mães, é imensurável para que propicie de fato a inclusão escolar, por ser no meio familiar que acontecem os primeiros ensinamentos. Por fim, podemos notar que apesar das dificuldades existentes, se houver um envolvimento entre família e escola, as crianças com deficiência são capazes de se desenvolverem, independentemente da deficiência porque possuirão um grande suporte para superá-las, essa articulação é extremamente importante para que a inclusão se efetive e juntamente com ela, a participação real da criança com deficiência no meio educacional seja alcançada. Referências BALBINO, E. S. Autismo e inclusão: desafios da prática docente. In: LOPES, A; CAVALCANTE, M. A. da S.; OLIVEIRA, D. A. & HYPÓLITO, A. M. (Orgs.). Trabalho docente e formação: políticas, práticas e investigação: pontos para mudança. Portugal – Porto: Centro de investigação e intervenção educativas, 2014. Disponível em:<http://www.fpce.up.pt/trabalhodocenteformacao/assets/TrabalhoDocenteEFormaca o_Vol_III.pdf> Acesso em: 20 set. 2014. 20:05:15. BARBOSA, M. A. M.; BALIEIRO, M. M. F. G.; PETTENGILL, M. A. M. 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