Instituto Politécnico de Viseu Escola Superior de Tecnologia de Viseu “ Métodos para determinação das propriedades do Biodiesel e das suas matérias-primas” Mª Fátima Nunes Martins Sónia Cristina Fernandes Pereira Viseu Junho 2007 “Métodos para determinação das propriedades do Biodiesel e das suas matérias-primas” Trabalho realizado no âmbito da disciplina de Projecto da Qualidade do Ambiente do 3ªano do curso em Engenharia do Ambiente Mª Fátima Nunes Martins Sónia Cristina Fernandes Pereira Viseu Junho 2007 I. Resumo: O biodiesel é uma fonte de energia renovável que actualmente se encontra em expansão. Este pode ser produzido a partir de óleos e gorduras vegetais ou animais, ou então a partir de óleos usados provenientes da restauração. A reacção para a produção de biodiesel designa-se por reacção de transesterificação. Para que o biodiesel apresente condições para servir como combustível é necessário que algumas propriedades da matéria-prima e do biodiesel obedeçam a certos limites que se encontram legislados nas normas de cada país. A matéria-prima possui várias propriedades que afectam a reacção de transesterificação e a qualidade final do biodiesel. Neste trabalho foram abordadas as seguintes propriedades das matérias-primas: a densidade, índice de iodo, fósforo e ácidos gordos livres. As propriedades do biodiesel dependem do tipo de matéria-prima e do álcool utilizados na reacção de transesterificação. As propriedades que mais contribuem para a performance de funcionamento do biodiesel nos motores foram estudadas neste trabalho. As propriedades do biodiesel estudadas foram: o ponto de inflamação, a viscosidade cinemática, as cinzas sulfatadas, a corrosão do cobre, o resíduo de carbono, o número de cetano, a glicerina livre e total, a densidade, a água e sedimentos, o enxofre total, o ponto nuvem e o ponto de derramamento, o índice de acidez e o fósforo. Para cada uma destas propriedades estudadas, foi feito neste trabalho um levantamento de métodos analíticos e a avaliação de alguns destes métodos. Os métodos avaliados foram: o método gravimétrico, a titulação e a cromatografia de camada fina. Dos métodos testados, os mais eficientes foram a cromatografia de camada fina e o método interno para a determinação da densidade. I II. Prefácio: A elaboração deste trabalho surge no âmbito da disciplina de Projecto de Qualidade do Ambiente, do 3º ano, do Curso de Bacharelato em Engenharia do Ambiente, da Escola Superior de Tecnologia de Viseu. O objectivo do nosso projecto é fazer um levantamento das propriedades da matéria-prima (óleo) e do biodiesel e analisar algumas dessas propriedades segundo alguns métodos por nós pesquisados, comparando os valores com os valores estipulados pelas normas em vigor e interpretando os resultados obtidos. Este objectivo foi atingido graças a diversas pessoas que colaboraram e que permitiram a finalização deste projecto e na qual queremos agradecer. Ao nosso orientador, Dr. Artur Figueirinha pela preciosa ajuda nas análises efectuadas, pela paciência e pelos seus ensinamentos, sem os quais não teríamos conseguido evoluir no nosso estudo. Aos nossos colegas, Ana, Cristina, João e Marcelo que nos forneceram as amostras por eles produzidas, necessárias para a realização do nosso projecto. Ao engenheiro Francisco Ferreira, pela sua preciosa disponibilidade em ceder-nos alguma informação bastante útil para o nosso projecto. A todos que participaram neste trabalho, em especial aos nossos amigos Luís Oliveira, Juliana Martins, Isabel Ribeiro, Diana Peres e Mónica Oliveira, pela sua preciosa ajuda. A nossa família, que apesar de longe sempre nos deu apoio e compreendeu a nossa ausência. II III. Índice: I. Resumo: ............................................................................................................................... I II. Prefácio: ............................................................................................................................ II III. Índice: .............................................................................................................................III IV. Índice de Figuras: .......................................................................................................... VI V. Índice de Tabelas: .........................................................................................................VIII VI. Índice de Abreviaturas e Símbolos:.................................................................................X 1.Introdução: ...........................................................................................................................1 2. Considerações gerais sobre o Biodiesel:.............................................................................2 2.1.Produção do biodiesel ...................................................................................................5 2.2.Vantagens e Desvantagens do biodiesel .......................................................................6 2.3. Biodiesel em Portugal e no Mundo..............................................................................7 2.4. Propriedades da matéria-prima ....................................................................................9 2.4.1. Densidade..............................................................................................................9 2.4.2. Índice de iodo......................................................................................................10 2.4.3. Água e sólidos.....................................................................................................12 2.4.4. Fósforo ................................................................................................................12 2.4.5. Índice de acidez ..................................................................................................13 2.5. Propriedades do biodiesel ..........................................................................................14 2.5.1. Ponto de inflamação (ponto “flash”) ..................................................................15 2.5.2. Viscosidade Cinemática......................................................................................16 2.5.3. Cinzas Sulfatadas ................................................................................................18 2.5.4. Corrosão de cobre (“ copper strip corrosion”)....................................................19 2.5.5. Resíduo de Carbono............................................................................................20 2.5.6. Número de Cetano ..............................................................................................21 2.5.7. Glicerina livre .....................................................................................................23 2.5.8. Glicerina total .....................................................................................................24 2.5.9. Densidade............................................................................................................25 2.5.10. Água e sedimentos ............................................................................................25 2.5.11. Enxofre total S15 e S500 ..................................................................................27 III 2.5.12. Ponto nuvem (“cloud point”) e ponto derramamento (“pour point”) ...............28 2.5.13. Índice de acidez ................................................................................................30 2.5.14. Fósforo ..............................................................................................................30 2.6.Armanezamento e Transporte do biodiesel.................................................................33 3. Fundamentos teóricos dos métodos ..................................................................................34 3.1. Análise qualitativa/quantitativa .................................................................................34 3.2. Erros...........................................................................................................................35 3.2.1. Erros sistemáticos ...............................................................................................35 3.2.2. Erros Fortuitos ou indeterminados......................................................................36 3.3. Desvio padrão e coeficiente de variância...................................................................36 3.4. Precisão e Exactidão ..................................................................................................37 3.5. Análise Gravimétrica .................................................................................................37 3.6. Análise Volumétrica ..................................................................................................38 3.6.1. Titulações de neutralização.................................................................................39 3.7. Cromatografia ............................................................................................................40 3.7.1. Cromatografia gasosa (G.C.) ..............................................................................40 3.7.2. Cromatografia de camada fina (T.L.C.)..............................................................41 3.7.3. Cromatografia líquida de alta pressão (H.L.P.C.)...............................................42 3.8. Extracção líquido – líquido........................................................................................42 4. Metodologias aplicadas.....................................................................................................43 4.1. Objectivo....................................................................................................................43 4.2. Amostras ....................................................................................................................43 4.3. Métodos utilizados .....................................................................................................44 4.4 Descrição da parte experimental .................................................................................45 4.4.1. Determinação da humidade.................................................................................45 4.4.1.1. Material ....................................................................................................45 4.4.1.2. Procedimento ...........................................................................................45 4.4.1.3. Resultados ................................................................................................45 4.4.1.4. Análise dos resultados: ............................................................................48 4.4.2. Determinação da acidez ......................................................................................49 4.4.2.1. Material ....................................................................................................49 IV 4.4.2.2. Procedimento ...........................................................................................50 4.4.2.3.Resultados .................................................................................................51 4.4.2.4. Análise dos resultados .............................................................................54 4.4.3. Análise de compostos através da cromatografia de camada fina (TLC) ............54 4.4.3.1. Material ....................................................................................................54 4.4.3.2. Procedimento ...........................................................................................55 4.4.3.3. Resultados ................................................................................................56 4.4.3.4. Análise de resultados: ..............................................................................63 4.4.4. Determinação das cinzas sulfatadas....................................................................65 4.4.4.1. Material ....................................................................................................65 4.4.4.2. Procedimento ...........................................................................................65 4.4.4.3. Resultados ................................................................................................66 4.4.4.4. Análise dos resultados: ............................................................................70 4.4.5. Determinação da densidade ................................................................................71 4.4.5.1. Procedimento ...........................................................................................71 4.4.5.2. Resultados ................................................................................................71 4.4.5.3. Análise de resultados ...............................................................................74 4.5. Discussão final e Conclusões.....................................................................................75 5. Perspectivas Futuras .........................................................................................................78 6. Bibliografia .......................................................................................................................79 V IV. Índice de Figuras: Figura 1 – Reacção de transesterificação (Gerpen et al, 2004). .............................................2 Figura 2-Aspecto visual do biodiesel......................................................................................3 Figura 3-Etapas do processo de produção do biodiesel (adaptada de Felizardo, 2003). ........5 Figura 4-Representação gráfica da evolução da produção do biodiesel na Europa (Torres, 2006). ......................................................................................................................................8 Figura 5 – Representação do hidrómetro para a determinação da densidade (Felizardo, 2003). ....................................................................................................................................10 Figura 6-Representação esquemática do aparelho para a determinação do ponto de inflamação (adaptada de Gerpen et al, 2004). ......................................................................16 Figura 7 – Representação esquemática do aparelho para medir a viscosidade cinemática (adaptada de Gerpen et al, 2004). .........................................................................................17 Figura 8-Cinzas sulfatadas....................................................................................................18 Figura 9 – Representação esquemática do aparelho para a determinação do número de cetano (adaptada de Gerpen et al, 2004)...............................................................................23 Figura 10 – Representação esquemática do dispositivo para determinar o ponto nuvem (adaptada de Gerpen et al, 2003). .........................................................................................29 Figura 11 – Esquema representativo da montagem do material para uma titulação (http://nautilus.fis.uc.pt/wwwqui/figuras/fig_laboratorio03.html). ......................................50 Figura 12 – Etapas da revelação de uma placa de cromatografia de camada fina................56 Figura 13 – Representação da placa de sílica gel da TLC do óleo (NaOH), azeite, respectivamente. ...................................................................................................................56 Figura 14-Representação da placa de sílica gel da TLC para Glicerina (KOH e do NaOH), ácidos gordos extraídos por hexano e ácidos gordos extraídos por éter dietilíco, respectivamente ....................................................................................................................57 Figura 15 – Representação da placa de sílica de gel da TLC para o Biodiesel (KOH) após a lavagem com água, Biodiesel (KOH) após a lavagem a seco II, Biodiesel (KOH) após a lavagem a seco I, Biodiesel (KOH) sem lavagem, Biodiesel (NaOH) após a 1ª lavagem e 2ª lavagem com água da 1º produção respectivamente.............................................................57 VI Figura 16 – Representação da placa de sílica gel da TLC do Biodiesel (NaOH) após a 1ªlavagem de água da 1ª produção, Biodiesel (NaOH) antes da lavagem da 1ª produção e do óleo (matéria-prima), respectivamente. ................................................................................58 Figura 17 – Representação da placa de sílica gel doa TLC do óleo (NaOH), Biodiesel (NaOH) sem lavagem e Biodiesel da 1ª lavagem com água, ambos da 1ª produção, respectivamente. ...................................................................................................................58 Figura 18-Representação da placa de TLC do Biodiesel (NaOH) após a 1º lavagem com ácido acético, Biodiesel (NaOH) após a 2ªlavagem com água, Biodiesel (NaOH) após a 1ª lavagem com água, Biodiesel (NaOH) após a 1ª lavagem com água (para a lavagem a seco), Biodiesel (NaOH) após a lavagem a seco, Biodiesel para a lavagem a seco, todos da 2ª produção, respectivamente....................................................................................................59 VII V. Índice de Tabelas: Tabela 1 – Composição de diferentes óleos vegetais e animais (Gerpen et al, 2004)............4 Tabela 2 – Classificação das tiras de cobre consoante a sua corrosão (Gerpen et al, 2004). ..............................................................................................................................................20 Tabela 3 – Especificações para o biodiesel ( tabela resumo), ( Gomes, 2006; Gerpen et al, 2004). ....................................................................................................................................32 Tabela 4 – Métodos dos testes para os biodiesel (Gomes, 2006). ........................................33 Tabela 5 – Descrição dos métodos utilizados nas análises efectuadas. ................................44 Tabela 6 – Registo das massas das amostras e respectiva percentagem de humidade para os óleos utilizados na produção do biodiesel. ...........................................................................46 Tabela 7-Registo das massas das amostras e respectiva percentagem de humidade, para a 1 e 2ª produção de biodiesel com catalisador NaOH...............................................................47 Tabela 8 – Registo das massas das amostras e respectivas percentagens de humidade para produção de biodiesel com catalisador KOH. ......................................................................48 Tabela 9 – Registo das massas das amostras, do volume de KOH gasto na titulação, índice de acidez e % de ácido oleico. ..............................................................................................51 Tabela 10 – Registo das massas das amostras, do volume de KOH gasto na titulação, do índice de acidez do biodiesel, do desvio padrão e do coeficiente de variação da 1ª produção com o catalisador NaOH.......................................................................................................52 Tabela 11 – Registo das massas das amostras, dos volumes de KOH gastos na titulação, do índice de acidez e da % de ácido oleico para o biodiesel com catalisador KOH. ................53 Tabela 12 – Resultados dos valores do coeficiente de arrastamento dos diferentes componentes das diferentes amostras. ..................................................................................60 Tabela 13 – Valores de Rf dos componentes de uma amostra de óleo utilizando como eluente o hexano éter dietílico ácido fórmico no TLC (adaptada de Cooke, 2000). ............64 Tabela 14 – Programa das temperaturas para a incineração das cinzas na mufla (Hinz, 2006). ....................................................................................................................................66 Tabela 15 – Registo das massas das amostras, das massas das cinzas, respectiva percentagem, desvio padrão e coeficiente de variância do biodiesel da 1ª produção com o catalisador NaOH..................................................................................................................67 VIII Tabela 16 – Registo das massas das amostras, das massas das cinzas, respectivas percentagens, do desvio padrão e do coeficiente de variação do biodiesel da 2ªprodução com o catalisador NaOH.......................................................................................................67 Tabela 17 – Registo das massas das amostras, das cinzas, respectiva percentagem, do desvio padrão e do coeficiente de variação do biodiesel com o catalisador KOH. ..............69 Tabela 18 – Registo dos valores das percentagens das cinzas do biodiesel produzido com KOH......................................................................................................................................70 Tabela 19 – Registo dos ensaios da densidade, do desvio padrão e do coeficiente de variância da 1ªprodução do biodiesel com o catalisador NaOH á temperatura de 18ºC. .....71 Tabela 20 – Registo dos ensaios da densidade, do desvio padrão e do coeficiente de variação da 2ªprodução de biodiesel com catalisador NaOH á temperatura de 18ºC...........72 Tabela 21 – Registo dos ensaios da densidade, do desvio padrão e do coeficiente de variação do biodiesel com catalisador KOH à temperatura de 18ºC. ...................................73 IX VI. Índice de Abreviaturas e Símbolos: ASTM - American Society for Testing and Materials; CE – Comunidade Europeia; CFR – motores CFR – “ Cooperative Fuel Reserarch”, são motores monocilíndricos de injecção indirecta; cm – Centímetros; CO2 – Dióxido de carbono; DIN – Deutsches Institut für Normung e.V; E.U.A. – Estados Unidos da América EN – Norma Europeia; ETAR’s – Estações de tratamento de águas residuais; etc - et setera; FAME – Fatty Acid Methyl Ester (Éster Metílico de Ácidos Gordos); GFAAS – Graphite Furnace Atomic Absorption Spectrometry; H+ - Ião de hidrogénio; H2O – Água; ICP – Espectrometria de Emissão Atômica por Plasma Acoplado Indutivamente; KCl – Cloreto de potássio; Kg – Quilograma; KOH – Hidróxido de potássio; M – molar (mol/dm3); ml – mililitro; NaCl – Cloreto de sódio; NaOH- Hidróxido de sódio, ºC – Graus centrigados; OH – – ião hidroxilo; ppm - Partes por milhão; rpm – rotações por minuto; UV – Ultravioleta; XRF EDX – Energy Dispersive X-ray fluorescence (EDX) spectrometer. X Projecto da Qualidade do Ambiente 1.Introdução: A grande parte da energia consumida mundialmente provém de fontes fósseis tais como o petróleo, o carvão e o gás natural. No entanto estas fontes são limitadas, e serão esgotadas num futuro próximo. Assim cada vez mais, são procuradas novas fontes de energia alternativas e renováveis tais como a energia hídrica, eólica, solar, geotérmica, de biomassa e nuclear. Estes novos combustíveis alternativos têm o potencial de resolver muitos dos problemas e interesses sociais actuais como a poluição do ar e o aquecimento global (Demirbas, 2005). Actualmente, os combustíveis fósseis são responsáveis pela maior parte da energia a nível global. Perante o grande consumo que se verifica actualmente destes combustíveis, as reservas esgotar-se-ão muito rapidamente. Além disso tem-se vivido uma instabilidade política crescente principalmente nas regiões produtoras de petróleo, o que também afecta a sua extracção, inflacionando os preços. É de conhecimento geral que os problemas do petróleo não se limitam apenas à sua escassez como recurso. Existem uma série de riscos ambientais associados à queima de combustíveis fósseis como a poluição atmosférica, causada pelo dióxido de carbono, óxidos de enxofre e de azoto; o efeito estufa e consequentemente as alterações climáticas. Além destes riscos ambientais podem ocorrer derrames de combustível e lavagens ilegais de tanques que provocam poluição nos mares. Perante este cenário, é urgente procurar alternativas que reduzam ou eliminem a dependência deste combustível fóssil que não é renovável e que demora anos a se formar. A comunidade internacional apercebeu-se desta situação, e nesse sentido, tem desenvolvido alternativas para substituir os combustíveis fósseis (petróleo) por biocombustíveis, nomeadamente o biodiesel. Estes biocombustíveis têm características similares aos combustíveis diesel e podem ser utilizados nos motores actuais a diesel sem que estes sofram modificações. Os biocombustíveis são menos poluentes que os combustíveis fósseis diminuindo assim os gases do efeito estufa e fundamentalmente são uma energia renovável. Como exemplo de um biocombustível temos o biodiesel. 1 Projecto da Qualidade do Ambiente 2. Considerações gerais sobre o Biodiesel: O Biodiesel geralmente é definido como um éster metílico proveniente de óleos e gorduras de origem animal ou vegetal. Este é produzido quando um glicérido reage quimicamente com o metanol obtendo-se um éster metílico. A esta reacção dá-se o nome de transesterificação (figura 1), a qual ocorre na presença de um catalisador como por exemplo o NaOH ou KOH. Deste processo também se obtém o glicerol (produto secundário), muito utilizado para o fabrico de sabões. Este é separado do biodiesel, no final do processo, através de um sistema de decantação (Gerpen et al, 2004). triglicéridos metanol éster de metilo glicerol Figura 1 – Reacção de transesterificação (Gerpen et al, 2004). Na reacção de transesterificação R1, R2, e R3 são cadeias longas de átomos de carbono e de átomos do hidrogénio, designadas por ácidos gordos. As matérias-primas do biodiesel podem ter diversas origens, o que influenciará as características físicas e químicas do produto final. O biodiesel é produzido essencialmente a partir de: • óleos vegetais, como óleo de colza, de milho, de cana, de palma, de soja, de girassol, entre outros; • óleos usados provenientes da restauração como o óleo de fritura; • gorduras animais; 2 Projecto da Qualidade do Ambiente • gorduras provenientes dos tratamentos de águas (Gerpen et al, 2004 ). Porém, nos últimos anos as gorduras animais e os óleos provenientes da restauração têm sido bastante procurados para a produção do biodiesel por serem uma matéria-prima económica (Knothe, 2001). A selecção da matéria-prima ideal baseia-se em questões económicas e na garantia da qualidade do produto final (Araújo, 2005). Os exportadores principais de óleos vegetais são a Malásia, Argentina, Indonésia, Filipinas, e Brasil, e os principais importadores de óleos vegetais são a China, Paquistão, Itália e o Reino Unido. Poucos países tais como os Países Baixos, a Alemanha, os Estados Unidos e a Singapura são ambos exportadores e importadores de óleos vegetais (Demirbas, 2005). Em relação ao produto final (biodiesel), verifica-se que este apresenta uma cor e um odor que depende da matéria-prima escolhida para a sua produção. Em geral, o produto é amarelo podendo ser muito claro ou mesmo alaranjado (figura 2). O odor é parecido com o odor da matéria-prima usada para a produção do biodiesel (www.novaenergia.pt). Figura 2-Aspecto visual do biodiesel. Os tipos de ácidos gordos existentes na matéria-prima influenciam as propriedades do biodiesel. Os ácidos gordos são representados por dois números: o primeiro designa o número total de átomos de carbonos no ácido gordo e o segundo número representa o número de ligações duplas existentes na cadeia do ácido gordo. Para o exemplo 18:1 significa que a cadeia tem dezoito átomos de carbonos e apenas uma ligação dupla (Gerpen et al, 2004). 3 Projecto da Qualidade do Ambiente Na tabela 1 estão representadas as percentagens dos diferentes ácidos gordos presentes nos óleos vegetais e animais mais comuns (Gerpen et al, 2004). Tabela 1 – Composição de diferentes óleos vegetais e animais (Gerpen et al, 2004). O biodiesel pode ser usado puro ou misturado com o petrodiesel em diversas proporções. A mistura de 2% de biodiesel ao petrodiesel é chamada de B2 e o biodiesel puro é denominado de B100. Na maioria dos casos, o biodiesel é misturado com o diesel convencional por causa da compatibilidade com o motor e dos interesses de operação a tempo frio. As misturas mais comuns são a B20, ou biodiesel de 20%, e B2 ou biodiesel de 2% (www.novaenergia.pt). O maior produtor mundial de biodiesel é o Brasil, e a nível Europeu a Alemanha é o país responsável por mais de metade da produção de combustíveis e que contém centenas de postos de venda que vendem biodiesel puro com plena garantia dos fabricantes dos veículos. O total produzido na Europa já ultrapassa 1 bilião de litros por ano, tendo crescido à taxa anual de 30% entre 1998 e 2002. Esta tendência deverá continuar a aumentar, mesmo que a taxas menores, o que poderá abrir um mercado importantíssimo para os produtores de biodiesel (www.novaenergia.pt). 4 Projecto da Qualidade do Ambiente 2.1.Produção do biodiesel O processo de produção do biodiesel baseia-se essencialmente em três etapas, as quais diferem em vários aspectos. As três principais etapas são: • Tratamento das matérias-primas; • Reacção de transesterificação; • Purificação do produto final. No esquema seguinte (figura 3) encontra-se apresentado as diferentes etapas que o processo de produção do biodiesel poderá ter. Figura 3-Etapas do processo de produção do biodiesel (adaptada de Felizardo, 2003). As matérias-primas utilizadas para o fabrico do biodiesel devem sofrer um tratamento antes destas serem utilizadas no processo de produção. Este tratamento pode consistir numa pré-filtração para remover partículas grosseiras, e numa avaliação do teor de água através da evaporação. 5 Projecto da Qualidade do Ambiente A reacção de transesterificação dá-se num reactor que poderá ser de polipropileno ou de ácido inox. Para ocorrer esta reacção é adicionado à matéria-prima o metóxido (mistura do álcool (metanol) com o catalisador) a uma temperatura de 54ºC seguindo-se um período de agitação durante cerca de uma hora. Após a reacção de transesterificação, seguese um período de sedimentação em que ocorre a distinção de duas fases, a glicerina e o biodiesel, devido às diferentes densidades que estes possuem. A glicerina e o biodiesel são separados por decantação. Após esta separação procede-se a uma recuperação do álcool na glicerina e no biodiesel. Esta recuperação poderá ser feita por evaporação. A purificação do biodiesel é necessária, pois é um passo importantíssimo para remover possíveis contaminantes. Estes provêm na sua maioria de uma reacção incompleta. Entre outros processos de purificação, os ésteres normalmente são lavados para remover vestígios de catalisador, de sabão e de glicerol livre. O biodiesel é então sujeito a uma etapa de secagem antes de ser enviado para armazenagem. Em alguns sistemas, procede-se ainda à destilação do biodiesel de modo a obter um produto de maior pureza (Gomes, 2006;Felizardo, 2003). 2.2.Vantagens e Desvantagens do biodiesel A nível ambiental, o biodiesel apresenta inúmeros convenientes, e inconvenientes. A utilização deste biocombustível, diminui a poluição atmosférica, reduzindo 78 % das emissões poluentes como dióxido de carbono (gás responsável pelo efeito estufa) e 98% de enxofre na atmosfera, contudo também contribui para um aumento da emissão de óxidos de nitrogénio, devido à combustão do biodiesel nos motores. È um combustível biodegradável pois, decompõem-se biologicamente com facilidade, e no caso de acidente não existe perigo para o solo e para as águas subterrâneas. É renovável, pois resulta da produção agrícola, fechando o ciclo do carbono, contribuindo assim para a redução da dependência de combustíveis fósseis. O facto de aproveitar os óleos alimentares usados contribui para a diminuição dos resíduos em aterros sanitários e facilita o tratamento das águas nas ETAR’s. Não é um combustível perigoso pois apresenta um risco de explosão baixo (precisa de uma 6 Projecto da Qualidade do Ambiente fonte de calor acima dos 150ºC para explodir) o que facilita o seu transporte e o seu armazenamento. A nível económico, com a diminuição da poluição (hídrica, atmosférica e dos solos) evitam-se gastos dos governos e dos cidadãos no combate ás consequências da poluição nomeadamente no sector da saúde e reduz o pagamento de taxas de emissão de CO2. A produção e utilização de biodiesel a partir de óleos alimentares usados, permitirá ao país desenvolver uma nova actividade económica auto-suficiente (diminuindo a dependência dos constrangimentos internacionais ligados ao petróleo). Essa actividade será diversificada, passando pela recolha do óleo alimentar usado, pela sua transformação em biodiesel, incluindo aqui, não apenas a unidade de produção, mas também todo o trabalho laboratorial. É um biocombustível alternativo mais barato com isenção de imposto, e ainda com incentivos fiscais da comunidade Europeia que promovem a produção e o consumo do biodiesel em detrimento dos combustíveis fósseis. Em Portugal há muitas terras aráveis que podem produzir uma enorme variedade de oleaginosas, principalmente nos solos menos produtivos, com um baixo custo de produção. Não são necessárias alterações na tecnologia (peças e componentes dos motores), quando o combustível utilizado é uma mistura de biodiesel com petrodiesel qualquer que seja a percentagem. A nível social, a redução da emissão de poluentes melhora a qualidade de vida e da saúde e para além disso cria novos postos de trabalho nas unidades de produção do biodiesel. A nível energético o poder calorífico do biodiesel é inferior ao dos combustíveis diesel convencionais, dificultando o arranque do motor em climas frios. 2.3. Biodiesel em Portugal e no Mundo Com a subida exponencial do aumento do preço do petróleo e com o impacte que este provoca no clima global, o biodiesel tem vindo a ser gradualmente introduzido em vários países como os E.U.A., Alemanha, França, Espanha, Itália, Reino Unido entre outros. Portugal encontra-se muito atrasado em relação a estes países devido principalmente a inércia legislativa contudo o biodiesel tem sido apenas produzido à escala piloto ou para 7 Projecto da Qualidade do Ambiente consumo próprio. A partir de 2003 tem existido uma maior mobilização para a utilização deste combustível (Gomes, 2006; Felizardo, 2003). O gráfico seguinte representa a produção do biodiesel na Europa: Legenda Figura 4-Representação gráfica da evolução da produção do biodiesel na Europa (Torres, 2006). Em Portugal a primeira licença para a comercialização do biodiesel surgiu em 2005. No nosso país existem empresas e alguns projectos em funcionamento ou préfuncionamento destacando-se os seguintes: SPACE situada em Vila Nova de Famalicão, SOCIPOL sedeada no Porto, SUNERGY sedeada em Sintra, IBEROL sedeada em Alhandra, NUTRIVESTE-TAGOL sedeada em Almada, DIESELBASE sedeada em Setúbal, BIOLOGICAL situada em Loures. Segundo a legislação em vigor está estabelecido a Isenção de imposto até a produção instalada de 1% do consumo nacional de diesel. Em 2006, o governo Português declarou a isenção de imposto para unidades de produção que não ultrapassem as 3000 toneladas por ano, ficando as unidades de maior dimensão com uma taxa reduzida. É de salientar que a legislação em vigor em Portugal pressupõe a transposição da directiva 2003/30/CE que define metas indicativas para o consumo de 2% no final de 2005, 5.75% 8 Projecto da Qualidade do Ambiente no final de 2010 e 20% no final de 2020, sendo os estados que não cumprirem as directivas até finais de 2007, serão obrigados a cumpri-las após essa data. A directiva 2003/30/CE promove a utilização de biocombustíveis ou combustíveis renováveis em substituição dos combustíveis derivados do petróleo para efeitos de transportes de forma a contribuir para o cumprimento dos compromissos relativos ás alterações climáticas, à segurança do abastecimento e à promoção das fontes de energia renováveis (Bernardo, 2007; Gomes, 2006). 2.4. Propriedades da matéria-prima A matéria-prima do biodiesel, regra geral, contém muitos contaminantes, tais como a água, os ácidos gordos livres, sedimentos e fósforo. Estes contaminantes interferem na reacção de transesterificação e consequentemente na qualidade do biodiesel. No entanto existem outros factores, como a densidade, que não interferem na reacção de transesterificação, mas podem ter alguma influência na qualidade do produto final. 2.4.1. Densidade A densidade é a relação entre a massa da amostra e o volume que esta ocupa. Esta varia de matéria-prima para matéria-prima. A densidade pode ser determinada pelo método do hidrómetro que consiste em colocar a amostra num cilindro, normalmente numa proveta, removendo as bolhas de ar que se encontrarem á superfície da amostra e introduzindo seguidamente o densímetro (também designado por hidrómetro). E deixar este atingir o equilíbrio como se encontra representado na figura 5. Seguidamente lê-se o valor por ele indicado. Este método deve ser efectuado a temperatura constante. 9 Projecto da Qualidade do Ambiente Figura 5 – Representação do hidrómetro para a determinação da densidade (Felizardo, 2003). Este parâmetro pode ser utilizado na identificação e no controle de qualidade de uma determinada amostra (Demirbas, 2005). 2.4.2. Índice de iodo O índice de iodo é um indicador geralmente usado para determinar o nível de insaturação de um óleo. Este parâmetro descreve o índice de ácidos gordos insaturados e é somente dependente da origem do óleo vegetal. Como consequência, o biodiesel obtido do mesmo óleo deve ter valores similares de índice de iodo (Encinar et al, 2006). Um índice de iodo elevado significa que possui um grande número de ligações duplas. Estas quando se oxidam vão dar origem a epóxidos que podem promover a ligações intra e intermoleculares que são sinónimo de polimerização. Para além disso, os ácidos gordos saturados contribuem para um elevado índice de cetano, pois possuem um elevado poder calorífico. A instabilidade de uma molécula de um combustível diesel é geralmente, directamente proporcional ao número de ligações de C=C na molécula. A estabilidade oxidativa de um combustível diesel, também pode ser estimada usando o número do iodo (Gerpen et al, 2004). Um elevado número de ácidos gordos insaturados pode conduzir à formação de depósitos ou à deterioração do óleo lubrificante. Este efeito aumenta com o número de 10 Projecto da Qualidade do Ambiente ligações duplas na cadeia dos ácidos gordos. Consequentemente, o índice de ácidos gordos insaturados de cadeia longa tem de ser limitado para assim limitar o grau de insaturação e o número do iodo (Mittelbach, 1996). O índice de iodo pode ser determinado pelo método de Hanus ou por cromatografia gasosa. O método de Hanus consiste em dissolver uma quantidade conhecida de amostra em tetracloreto de carbono ou em clorofórmio. A reacção ocorre à temperatura ambiente e na ausência de luz. Durante esta o iodo quebra as ligações das moléculas que compõem o óleo permanecendo ligado a este. Após a reacção, a diferença na quantidade de iodo é determinada por titulação com uma solução de tiossulfato de sódio de concentração conhecida. O índice de iodo é calculado pela seguinte fórmula: Equação 1 Ctio- coeficiente do tiossulfato de sódio; m- massa da amostra (g); v1- volume da solução de tiossulfato gasto na determinação(ml); v2- volume da solução de tiossulfato gasto no ensaio em branco(ml). O coeficiente do tiossulfato de sódio é determinado por uma titulação e calculado segundo a seguinte expressão: Equação 2 onde, ν, é o volume gasto de tiossulfato na titulação(ml). 11 Projecto da Qualidade do Ambiente 2.4.3. Água e sólidos É usual, os óleos e as gorduras conterem pequenas quantidades de água, ácidos gordos e sólidos. A água existente no óleo ou na gordura influenciam a qualidade do biodiesel pois contribui para uma produção excessiva de sabões. Quando a água está presente, particularmente a altas temperaturas, pode hidrolisar os triglicéridos em diglicéridos e formar ácidos gordos livres. Os sabões de ácidos gordos saturados tendem a solidificar à temperatura ambiente e para além disso dificultam a separação do biodiesel e glicerina reduzindo o rendimento do combustível nos motores. Para além desta razão, a água também afecta a reacção de transesterificação negativamente porque os triglicéridos irão reagir com a água formando OH-, resultando assim um ácido gordo livre em vez de um éster metílico (Gerpen et al, 2004). Para remover os sólidos da matéria-prima normalmente efectua-se uma filtração. Contudo nem todos os sólidos são removidos da matéria-prima, podendo passar desta para o biodiesel afectando a qualidade do produto final. A separação da água e dos sólidos podem ser efectuados através de uma decantação ou centrifugação. A escolha do processo de separação depende da escala de produção. A centrifugação é normalmente mais utilizada em indústrias. No que respeita à decantação, esta pode ser efectuada após uma filtração. Neste caso o óleo deve sedimentar durante um dia antes do processo afim de separar por gravidade a água e os sólidos mais grosseiros existente na matéria gorda (Gomes, 2006). 2.4.4. Fósforo O fósforo é um composto que se pode encontrar nas matérias-primas do biodiesel e no próprio biodiesel. Este encontra-se essencialmente sobre a forma de fosfolípidos. O motivo principal para remover estes fosfolípidos é que alguns dos sais dos compostos, particularmente o cálcio e o magnésio de ácidos fosfolipídicos, são 12 Projecto da Qualidade do Ambiente emulsionantes fortes. Se estes compostos estiverem ainda presentes durante a etapa antes da neutralização da base, estes inibirão a separação dos sabões e baixarão o rendimento do óleo neutro. Felizmente o processo de produção usual do biodiesel remove o fósforo sendo este transferido para a fracção do glicerol ou removido pela lavagem com água. Não parece haver nenhum efeito do índice inicial do fósforo da matéria-prima no índice final do fósforo do biodiesel (Gerpen et al, 2004) . 2.4.5. Índice de acidez Existem vários tipos de ácidos gordos dependendo da matéria-prima. A presença dos ácidos gordos livres nos óleos e nas gorduras deve-se à hidrólise dos seus ésteres naturais, em particular, dos glicéridos, por intermédio de lipases, durante a conservação das oleaginosas e depois, na extracção e no armazenamento dos respectivos. Os ácidos gordos livres são responsáveis pela acidez dos óleos e das gorduras. O índice de acidez é determinado por uma titulação. Esta efectua-se em presença de um indicador corado, sendo os resultados calculados pela equação 3 e expressos em miligramas de hidróxido de potássio por grama de corpo gordo. I.A= 5,61 × v m Equação 3 m- massa da amostra (g) v- volume de KOH gasto na titulação (ml) A constante 5.611 significa que um mililitro de KOH 0.1M corresponde a 5.611 mg de KOH. O índice de acidez é um índice de qualidade que depende directamente da hidrólise do corpo gordo (Costa, 1982). Esta neutralização efectuada à matéria-prima permite calcular a quantidade necessária de catalisador que é necessário utilizar para que a reacção de transesterificação seja completa (Gomes, 2006). 13 Projecto da Qualidade do Ambiente O índice de acidez pode ser expresso em percentagem de ácido oleico pela seguinte fórmula (Costa, 1982): % Ácido oleico = 0,0282 × 100 × IA 5,61 Equação 4 Esta percentagem determina se um óleo está dentro dos valores de acidez permitidos. Se este valor for inferior a 1%, o óleo cumpre os requisitos legais, para uma boa qualidade (http://www.bragancanet.pt/bruco/azeite.htm). Os ácidos gordos trazem desvantagens no processo de produção pois pode desactivar o catalisador, havendo produção de sabão e libertação de água quando são convertidos em ésteres (Gerpen et al, 2004). 2.5. Propriedades do biodiesel Os parâmetros da qualidade do biodiesel dividem-se em dois grupos: - um grupo contem os parâmetros gerais, como a composição mineral; - e o outro descreve a composição química do combustível (Meher et al, 2004). As propriedades do biodiesel dependem do tipo de matéria-prima utilizada e do álcool utilizado na reacção de transesterificação (Canaki, 2005). Existem diversas propriedades que podem ser analisadas no biodiesel entre quais o ponto de inflamação, viscosidade cinemática, cinzas sulfatadas, corrosão de cobre, resíduo de carbono, número de cetano, glicerina livre, glicerina total, densidade a 15ºC, água e sedimentos, enxofre total S15 e S500, ponto nuvem, ponto de derramamento e o índice de acidez. É importante referir que os valores limites das diferentes propriedades não são homogéneos de país para país, isto deve-se essencialmente a dois factores, o clima que existe em cada país e as matérias-primas utilizadas. Houve a necessidade de fixar valores limites para as diferentes propriedades afim de haver uma certa homogeneidade na produção do biodiesel, em cada país visto que para o 14 Projecto da Qualidade do Ambiente biodiesel ser comercializado como combustível, deve cumprir todas as especificações impostas pelas normas em vigor (Felizardo, 2003). Existem diversas normas que nos indicam os métodos a usar, para determinar as diferentes propriedades tal como os seus valores limites, sendo elas as ASTM, as DIN e as EN. As ASTM são as normas especificadas para os EUA onde se encontram os valores limites de cada propriedade estabelecidos por aquele país. A norma DIN 51606 é a norma Alemã. Esta norma é menos exigente que as restantes normas pois especifica valores limites mais elevados. Na Europa existem duas normas a EN 590 e a EN 14214. A primeira descreve os valores limites que todos os combustíveis a diesel devem obedecer para que sejam vendidos na União Europeia, Islândia, Noruega e Suiça. Para além disso esta norma permite que ocorra mistura de combustível a diesel com o biodiesel. A norma EN 14214 baseia-se na norma DIN 51606 (tabela 3 e 4) (Gomes, 2006). 2.5.1. Ponto de inflamação (ponto “flash”) O ponto de inflamação é a temperatura mais baixa, à qual uma fonte de ignição aplicada fará os vapores do combustível acender. Ou seja, é a facilidade de um combustível formar uma mistura inflamável com o ar. O valor do ponto de “flash” é usado para a classificação de materiais inflamáveis e combustíveis para uma melhor segurança e transporte (Gerpen et al, 2004). O procedimento padrão para medir o ponto de inflamação em combustíveis a diesel e no biodiesel, nos E.U.A., está descrito na ASTM D 93 cujo valor mínimo estabelecido é de 130ºC; na U.E. está a vigor a EN ISO 12937 cujo valor mínimo estabelecido é de 101ºC. (ver tabelas3 e 4) O ponto de inflamação é determinado aquecendo uma amostra de combustível num recipiente com agitação, e passando uma chama em cima da superfície do líquido. Se a temperatura for igual ou superior à temperatura do ponto de inflamação, o vapor incendeia-se facilmente e se detectará uma chama que pode ser facilmente observada (ver figura 6). 15 Projecto da Qualidade do Ambiente Figura 6-Representação esquemática do aparelho para a determinação do ponto de inflamação (adaptada de Gerpen et al, 2004). O valor típico dos ésteres de metilo puros é superior a 200ºC, classificando-os como não inflamáveis. Durante a produção e purificação do biodiesel o ponto flash diminui para 130ºC devido ao metanol não ser totalmente removido fazendo com que o combustível seja mais perigoso e inflamável (Gerpen et al, 2004). Esta propriedade não está relacionada directamente com o desempenho do motor mas garante a segurança no armazenamento e no manuseio do biodiesel e por isso é importante garantir o valor mínimo desta propriedade. A utilização de um biodiesel com um baixo Ponto de inflamação pode provocar problemas no pré-aquecimento, causando uma pré-ignição devido a existência de uma enorme quantidade de vapores (Torres, 2006). O Ponto de inflamação do biodiesel é maior que o do petrodiesel, de modo a garantir a remoção total do metanol durante a produção tornando o biodiesel mais seguro no seu transporte (Meher et al, 2004; Torres, 2006). 2.5.2. Viscosidade Cinemática A viscosidade cinemática mede a resistência que um fluído apresenta ao fluir sob o efeito da força da gravidade. 16 Projecto da Qualidade do Ambiente O procedimento padrão para medir a viscosidade cinemática em combustíveis a diesel ou biodiesel nos E.U.A. está presente na ASTM D 445, na U.E. está presente na EN ISO 3104 (ver tabela 4). O intervalo de valores desta propriedade é de 1.9 a 6.0 mm2/s e 3.5-5.0 respectivamente (ver tabela 3). O teste descrito na ASTM, consiste em medir o tempo necessário para que um volume de líquido flua sob a acção da gravidade através de um copo calibrado e um tubo capilar (ver figura 7), (Gerpen et al, 2004). Figura 7 – Representação esquemática do aparelho para medir a viscosidade cinemática (adaptada de Gerpen et al, 2004). A importância deste parâmetro, para a qualidade do biodiesel baseia-se essencialmente no facto de a viscosidade do combustível poder implicar um mau funcionamento dos motores e para além disso pode fornecer informações sobre a facilidade que o combustível apresenta em movimentar-se no motor. A presença de uma viscosidade mínima em alguns motores é exigida para a possibilidade de não perderem a potência do motor devido a eventuais vazamentos em equipamentos. Além disso se o combustível for pouco viscoso faz com que seja bombeado uma grande quantidade de combustível provocando assim uma combustão incompleta, o que implica a emissão de grandes quantidades de poluentes para a atmosfera. Por sua vez, uma elevada viscosidade provoca uma combustão pobre fazendo com que ocorram dificuldades no bombeio do tanque para o 17 Projecto da Qualidade do Ambiente motor, uma atomização não suficiente e forme depósitos nas paredes da câmara de combustão (Torres, 2006). 2.5.3. Cinzas Sulfatadas Os elementos não voláteis são designados como sendo as cinzas sulfatadas (figura 8), as quais se formam quando uma amostra de combustível é inflamada e à qual se adiciona ácido sulfúrico concentrado. Ao contrário da incineração simples (equação 1), a volatilização dos halogéneos alcalinos (NaCl, KCl, etc.) é evitada quando o método das cinzas sulfatadas é aplicado porque a adição do ácido sulfúrico transforma estas substâncias em sulfatos alcalinos com baixa volatilidade (equação 2). Devido ao poder oxidante e desidratante do ácido sulfúrico concentrado, este facilita as quebras das ligações das substâncias orgânicas durante o processo (Hinz, 2007). Figura 8-Cinzas sulfatadas No biodiesel as cinzas sulfatadas são um indicador de contaminantes inorgânicos tais como a quantidade de metais residuais, os sólidos provenientes do catalisador usado no processo de transesterificação e a concentração de sabões solúveis. Estes provocam saturação nos filtros e desgaste de várias partes do motor (Araújo, 2005; Fernando et al, 2005; Gerpen et al, 2004). 18 Projecto da Qualidade do Ambiente Os metais residuais que normalmente estão presentes são o bário (Ba), o cálcio (Ca), o magnésio (Mg), o sódio (Na), o potássio (K), e o estanho (Sn). O enxofre (S), o fósforo (P) e o cloro (Cl) também podem estar presentes mas em fórmulas combinadas (Knothe, 2006). O biodiesel normalmente apresenta um valor de cinzas sulfatadas superior ao do combustível petrodiesel. A sua presença significa que os resíduos não foram removidos totalmente durante a purificação. Quando existe uma percentagem elevada de cinzas sulfatadas estas podem-se fundir e causar corrosão dos metais a altas temperaturas (Torres, 2006). Esta propriedade tem descrito um procedimento padrão na ASTM D874. Nesta norma, assim como na norma ISO 3987 é mencionado que o combustível deve ter um valor máximo de 0.02% (m/m) de cinzas sulfatadas (ver tabelas 3 e 4) (Fernando et al, 2005). O método descrito na ASTM D874 consiste em queimar uma amostra de biodiesel até à obtenção de cinzas. Estas são arrefecidas posteriormente, e é lhes adicionado ácido sulfúrico. Seguidamente são aquecidas a 775ºC, até que a oxidação do carbono esteja completa. As cinzas são arrefecidas e novamente aquecidas até à obtenção de peso constante (Gerpen et al, 2004). 2.5.4. Corrosão de cobre (“ copper strip corrosion”) A corrosão de cobre é a compatibilidade que o biodiesel possui com componentes de sistemas de injecção de cobre. Esta propriedade indica a presença de ácidos existentes no combustível (Gerpen et al, 2004 e Torres, 2006). A corrosão de um combustível nos E.U.A é medida na ASTM D 130, na U.E. é a EN ISO 2160 (ver tabela 4). A ASTM D 130 descreve o seguinte procedimento; as tiras de cobre são colocadas no combustível durante três horas, a uma temperatura de 50ºC na qual é observado acção da corrosão. Estas são depois posteriormente lavadas com um solvente e comparadas com as descrições do padrão (tabela 2) (Gerpen et al, 2004). A tabela 2 descreve a designação do estado da corrosão consoante a cor que a tira de cobre apresenta quando exposta a uma temperatura de 50ºC e sujeita ao teste com padrões de corrosão. Os resultados obtidos são dados por um número seguido de uma letra. 19 Projecto da Qualidade do Ambiente O número significa a classificação dada ao estado de corrosão das tiras de cobre e a letra significa a cor que esta apresenta após a exposição a uma temperatura de 50ºC, por exemplo, 4a – elevada corrosão apresenta uma cor negra. Tabela 2 – Classificação das tiras de cobre consoante a sua corrosão (Gerpen et al, 2004). As normas são usadas para medir o nível da corrosão de cobre que ocorreria se o biodiesel fosse usado em qualquer aplicação onde os metais tais como o cobre estejam presentes (Fernando et al, 2005). A corrosão de um combustível tem implicações no armazenamento e no uso do combustível. 2.5.5. Resíduo de Carbono O resíduo de carbono de um combustível indica-nos a tendência de depósito do carbono no combustível e nos motores. Corresponde à quantidade de glicerídeos, sabões e 20 Projecto da Qualidade do Ambiente sobras do catalisador. O resíduo de carbono é a parte restante depois de uma amostra de combustível ser sujeita a uma decomposição térmica (Fernando et al, 2005; Araújo, 2005; Torres, 2006). O procedimento padrão desta propriedade nos E.U.A. está descrito na ASTM D 4530, na U.E. é na EN ISO 10370 (ver tabela 4). Este procedimento (ASTM D 4530) é executado levando a amostra previamente pesada, a uma temperatura de 500 ºC sob uma atmosfera saturada de azoto, num determinado tempo. Nestas circunstâncias, surgem na amostra reacções (pirólise) e todas as substâncias voláteis são removidas pelo azoto. O resíduo que restou é o resíduo de carbono. Isto é extremamente importante para os motores, por causa da possibilidade dos resíduos de carbono obstruírem os injectores do combustível. A causa da existência de resíduo de carbono no biodiesel puro (B100) é a presença de glicerina total no biodiesel. O limite máximo de resíduo de carbono que deve existir no biodiesel na ASTM D 4530 é de 0.050% (m/m), na EN 14214 é de 0.03% (m/m), (ver tabela 3), (Fernando et al, 2005; Gerpen et al, 2004). 2.5.6. Número de Cetano O número de cetano afecta alguns parâmetros do desempenho do motor como a cinética de combustão, a estabilidade, as emissões de carbono, o tipo de substâncias emitidas pelo motor e o ruído. O número de cetano mede a qualidade de ignição que um combustível proporciona a um motor a diesel (Meher, 2004). O número de cetano relaciona-se directamente com o atraso de ignição do combustível no motor, de modo que, quanto menor for o número de cetano maior será o atraso da ignição. Logo, maior será a quantidade de combustível que ficará na câmara sem queimar, o que conduz a um mau funcionamento do motor pois, quando a queima acontece, gera-se uma quantidade de energia superior à necessária. Esse excesso de energia força o pistão a descer com velocidade superior à permitida pelo sistema, o que provocará esforços anormais sobre o pistão, podendo causar danos mecânicos e perda de potência. 21 Projecto da Qualidade do Ambiente Os combustíveis com alto teor de parafinas apresentam um número de cetano mais elevado, enquanto produtos ricos em hidrocarbonetos aromáticos apresentam um menor número de cetano. Por esta razão, na determinação desta característica, o desempenho do combustível diesel é comparado com o desempenho do n-hexadecano, produto parafínico comercializado como cetano, o qual é atribuído um número de cetano igual a 100. A um produto aromático (alfa mentil-naftaleno) é atribuído um número de cetano igual a zero. A determinação do número de cetano requer o uso de um motor de teste padrão (motor CFR) operando sob condições também padronizadas. Na gasolina existe o número de octanas que é semelhante ao número de cetano. Para o biodiesel puro o número de cetano é aproximadamente igual ou superior a 52 devido à presença dos ésteres. Este valor oscila dependendo da matéria-prima utilizada, da distribuição dos ácidos gordos e da oxidação do biodiesel. Um baixo valor do número de cetano provoca uma má ignição, desgaste nos pistões e formação de depósitos nas peças do motor (Gerpen et al, 2004; Araújo, 2005). O procedimento padrão para a determinação do número de cetano é descrito na ASTM D 613, e o valor mínimo estabelecido para este é de 45 (ver tabelas 3 e 4). O teste do número de cetano estabelecido nesta norma é baseado num motor especial produzido por “Waukesha Engine Company” que é similar ao motor utilizado no teste da avaliação do número de octanas na gasolina (ver figura 9). 22 Projecto da Qualidade do Ambiente Figura 9 – Representação esquemática do aparelho para a determinação do número de cetano (adaptada de Gerpen et al, 2004). A velocidade do motor é fixa em 900 rpm e a temperatura da entrada do ar é de 65.5 ºC. Este teste é baseado num ajuste da relação combustível/ar e da relação da compressão para produzir uma ignição padrão com um atraso de 13ºC. Este motor opera com uma mistura de dois combustíveis padrões, o n-n-cetano (n-n-hexadecano) e o heptametilnonano (HMN) (Gerpen et al, 2004). Quando a ignição atrasa 13 graus, o número de cetano é determinado do seguinte modo: Número de cetano = % do n-n-cetano + 0.15 (%HMN) 2.5.7. Glicerina livre A glicerina livre é o resultado de uma separação incompleta dos produtos dos ésteres presentes no biodiesel e do glicerol após a reacção de transesterificação. Uma das causas do aparecimento da glicerina livre no biodiesel pode ser devido à lavagem imperfeita na qual não há uma separação eficaz do glicerol do biodiesel (Gerpen et al, 2004). 23 Projecto da Qualidade do Ambiente A glicerina livre, em quantidades elevadas, pode ser uma fonte de depósitos de carbono no motor, nos tanques de armazenamento e no combustível causando entupimentos nos filtros e atraindo substâncias contaminantes como a água que provocam a corrosão do motor e diminuem a vida útil deste (Gerpen et al, 2004, Torres, 2006, Louzeiro, 2006). Para além disso a glicerina se for queimada a partir dos 280ºC junto ao biodiesel provoca a libertação de um composto designado por acroleína (Torres, 2006). O procedimento padrão na U.E. para determinar esta propriedade encontra-se descrito na EN 14105 e nos E.U.A., está descrito na ASTM D6584 (ver tabela 4). Em ambas as normas, é indicado o valor máximo em percentagem mássica de glicerina livre de 0.02% (ver tabela 3). Nestas normas, o método para a determinação da glicerina livre baseia-se na cromatografia gasosa. 2.5.8. Glicerina total A glicerina total é a soma da glicerina livre e do mono-, di- e triglicéridos. Os mono- e os diglicéridos são produtos intermediários do processo que não terminaram de reagir e os triglicéridos são produtos que não reagiram (Araújo,2005). A relação destes componentes pode variar significativamente dependendo do processo do transesterificação e para além disso podem ter uma influência importante nas características da combustão. Existem uma série de métodos analíticos que se podem aplicar para determinar os glicéridos, mas somente três métodos de cromatografia provaram ser aplicáveis para a análise no biodiesel. Os métodos de cromatografia aplicáveis são a cromatografia de camada fina (TLC), a cromatografia gasosa (GC) e a cromatografia líquida (HPLC) (Mittelbach, 1996). O TLC e o HPLC têm a vantagem de ser métodos de análise rápida com a possibilidade de executar análises automáticas e para além disso são métodos pouco trabalhosos. A desvantagem principal destes métodos é terem uma exactidão e precisão reduzida comparadas com a cromatografia gasosa. 24 Projecto da Qualidade do Ambiente A cromatografia gasosa é um método que permite determinar os índices baixos de mono-, di- e triglicéridos no biodiesel. A sua elevada exactidão, pode ser influenciada por alguns factores como o envelhecimento das amostras e dos padrões (Knothe, 2006). Pelos resultados dos vários índices dos glicéridos obtidos na cromatografia gasosa, pode-se facilmente determinar a quantidade de glicerina total (Mittelbach, 1996). Elevados valores de glicerina total, tal como a glicerina livre, são indicadores de reacções incompletas de transesterificação. O procedimento padrão para a glicerina total nos E.U.A. é o ASTM D 6584 em que o valor máximo desta propriedade é de 0.240 % (m/m), na U.E. a norma é a EN 14105 e o valor máximo é de 0.25% (Gerpen et al, 2004). 2.5.9. Densidade A densidade é a relação entre a massa da matéria em causa e o volume que esta ocupa. Esta depende da matéria-prima e influencia o sistema de injecção dos veículos e do bombeio do combustível (Araújo, 2005). A densidade está relacionada com o sistema de doseamento do combustível do motor e como os padrões de atomização e pode ser determinada pelo método do hidrómetro descrito também para a matéria-prima (ver ponto 2.2.1.). O procedimento padrão para esta propriedade à temperatura de 15ºC na U.E. é a EN ISO 12185, no E.U.A., é a ASTM D 1298. Nestes procedimentos os valores limites para a densidade variam entre 0.86 e 0.90 g/cm3. 2.5.10. Água e sedimentos A água e os sedimentos são geralmente mantidos fora do processo de produção do biodiesel. Porém, alguma água é formada durante o processo de produção pela reacção do catalizador (hidróxido do sódio ou hidróxido de potássio) com o álcool (metanol). Finalmente, a água também é adicionada deliberadamente durante o processo de lavagem 25 Projecto da Qualidade do Ambiente para remover os contaminantes hidrossolúveis do biodiesel. Este processo de lavagem deve ser seguido por um processo de secagem para assegurar que o produto final encontrar-se-á de acordo com os teores de água especificados na EN ISO 12937. Os sedimentos, devem ser evitados, porque estes tendem a ficar retidos nos filtros do combustível e podem contribuir para a formação de depósitos nos injectores de combustível ou provocar outros danos ao nível de motores. Um ligeiro aumento dos níveis de sedimentos no biodiesel podem aumentar o seu tempo de retenção e armazenamento. Para o biodiesel B100 é particularmente importante, que o índice de água presente neste, seja muito baixo ou praticamente nulo, porque caso contrário, a água pode reagir com os ésteres, formando ácidos gordos livres. Assim também, evita um crescimento microbial elevado nos tanques de armazenamento, uma vez que os microrganismos necessitam de uma certa quantidade de água para se reproduzirem (Gerpen et al, 2004). A água presente nos combustíveis pode ser removida por diversas técnicas. Uma das técnicas é por evaporação. Esta técnica pode ser efectuada a vácuo ou à pressão atmosférica. A remoção por evaporação possui vantagens a nível energético, devido a efectuar-se a baixas temperaturas, como também a nível químico, uma vez que o biodiesel degrada-se a altas temperaturas aumentando assim a sua viscosidade. Após a evaporação da água o biodiesel possui uma coloração amarelo palha ou quase incolor. Outro método muito utilizado é a decantação. Este processo remove a água em suspensão e não consome energia apesar de ser um método demorado. Contudo este pode ser acelerado através do aumento da temperatura. A centrifugação também é outro processo que pode ser utilizado para a remoção da água. Este método é bastante rápido e tem baixos custos energéticos em relação ao método da evaporação, porém possui elevados custos a nível de equipamentos de centrifugação contínua (Gomes, 2006). Apesar da existência de vários métodos para a análise da quantidade de água apenas um é recomendado pelas normas europeias, o método de Karl Fisher. Este é um processo de determinação de humidade baseado em reacções que ocorrem na presença de água e uma mistura de iodo, dióxido de enxofre e piridina em metanol, sendo este o método mais eficaz. Este método utiliza-se para medir a água mas é particularmente sensível à água livre. Segundo a EN 14214, o valor máximo admissível de água e sedimentos nos 26 Projecto da Qualidade do Ambiente combustíveis é 500 mg/kg, na ASTM D 2709 o valor máximo é de 0.050 % (v/v), (ver tabelas 3 e 4), (Gerpen et al, 2004). 2.5.11. Enxofre total S15 e S500 A norma EN ISO 20846 especifica um método padrão para a determinação do enxofre total em hidrocarbonetos líquidos. Esta norma estipula um limite máximo de 0.01% em termos de massa, para o índice do enxofre no biodiesel (ver tabelas 3 e 4). As matériasprimas do biodiesel apresentam tipicamente um nível de enxofre muito baixo, mas este teste é um indicador da contaminação dos combustíveis diesel, resultante do catalizador utilizado no processo de produção. Uma das vantagens do biodiesel é que contém níveis muito baixos de enxofre. Em 2006, a agência de protecção ambiental estipulou que os níveis de enxofre para o combustível diesel/petróleo devessem estar entre 15 ppm e 500 ppm. A maioria de biodiesel está já abaixo deste nível (Gerpen et al, 2004). Antes de 1993, o combustível a diesel foi permitido conter até 0.5% enxofre (5000 ppm). Este nível é ainda aceitável para alguns combustíveis, mas após 1993, outros combustíveis foram solicitados para conter menos de 0.05% de enxofre (500 ppm). Em 2006, a especificação do enxofre para estes combustíveis desceu para 15 ppm. Este é um nível extremamente baixo de enxofre e consequentemente difícil de medir. O método actual da norma ASTM D 2622, necessitará ser mudado para um novo método mais preciso, devido a estes valores serem muito baixos. Neste método a amostra é introduzida num tubo a uma alta temperatura de combustão onde o enxofre é oxidado a dióxido de enxofre (SO2) numa atmosfera rica em oxigénio. Os gases de combustão da amostra são expostos em seguida a uma luz UV. O SO2 é excitado, e enquanto este retorna ao seu estado estável e a fluoresceína é emitida. A fluoresceína é detectada por um tubo fotomultiplicador e o sinal resultante é uma medida da quantidade de enxofre contida na amostra (Gerpen et al, 2004). O baixo teor de enxofre beneficia o ambiente, porque assim diminui as emissões de óxidos de enxofre, que por sua vez estão relacionados com as “chuvas ácidas”, e prolonga a 27 Projecto da Qualidade do Ambiente vida dos motores. Os óxidos de enxofre formados na combustão geralmente não causam problemas de corrosão, contanto se todas as superfícies em contacto com os gases de combustão se encontrarem a uma temperatura acima do ponto de condensação do ácido sulfúrico, evita-se, assim, a condensação de ácidos corrosivos. Na combustão, se o enxofre se converte em óxidos de enxofre (SO2 e SO3), estes combinam-se com vapor de água formando ácido sulfúrico o qual condensa sobre as superfícies metálicas que estejam a uma temperatura inferior à do ponto de condensação do ácido, causando corrosão a baixas temperaturas, levando a uma redução da eficiência térmica do motor e diminuição da sua vida útil. (Fernando et al, 2005; Torres, 2006). 2.5.12. Ponto nuvem (“cloud point”) e ponto derramamento (“pour point”) O ponto nuvem de um combustível é a temperatura à qual este apresenta uma turvação indicando o inicio da formação de uma cera à base de petróleo, ou seja, é definido como a temperatura à qual uma nuvem de cristais de cera aparece no biodiesel quando este é arrefecido a uma taxa específica sob condições controladas. Esta propriedade depende da matéria-prima usada para fabricar o biodiesel. (Fernando et al, 2005). Este pode ser modificado misturando várias matérias-primas com um elevado teor em ácidos gordos saturados com matérias-primas que têm um índice ácidos gordos saturado mais baixo. O resultado é um ponto nuvem mais baixo para a mistura (Gerpen et al, 2004). Na determinação do ponto nuvem pode-se recorrer a ASTM D5773 (tabela 4). Esta norma descreve o seguinte procedimento: a amostra é arrefecida num dispositivo de Peltier sendo constantemente observada e aquando a formação do ponto nuvem (nuvem de cristais) é registado a sua temperatura (ver figura 10) (Gerpen et al, 2004). 28 Projecto da Qualidade do Ambiente Figura 10 – Representação esquemática do dispositivo para determinar o ponto nuvem (adaptada de Gerpen et al, 2003). O ponto derramento é definido como sendo a temperatura mínima na qual o biodiesel é capaz de fluir, ou seja, ainda se apresenta liquido. Esta propriedade limita a utilização do biodiesel em países com climas muito frios. Ambos os parâmetros, são propriedades relacionadas com o arranque a frio de um motor. Estes devem ser suficientemente baixos, porque se o biodiesel se encontrar congelado, o motor não trabalhará (Encinar et al, 2005). Para determinar o ponto derramento recorre-se a norma ASTM D97 (tabela 4). Esta norma descreve o procedimento da seguinte forma: a amostra é arrefecida em intervalos de 3 ºC em 3ºC e observada até se verificar que a amostra deixa de fluir. A temperatura mais baixa à qual o combustível deixa de fluir é o valor do ponto de derramento (Gerpen et al, 2004). O biodiesel possui um ponto nuvem e um ponto derramento mais elevado, comparativamente com os combustíveis a diesel convencionais. (Demirbas, 2005). Na U.E. as propriedades referidas anteriormente, têm o método padrão descrito na norma EN 14214. Nesta norma não existe referência a valores limites para ambas as propriedades. 29 Projecto da Qualidade do Ambiente 2.5.13. Índice de acidez O índice de acidez mede a quantidade de substâncias ácidas num combustível. Este está directamente relacionado coma presença de ácidos gordos livres na matéria-prima, sendo assim um índice de qualidade. Quanto maior for o índice de ácidos gordos livres, mais elevado será o índice de acidez. (Fernando et al, 2005). Os ácidos gordos livres presentes são derivados da hidrólise dos ésteres pelas lipases durante o armazenamento e a extracção da matéria gorda. O índice de acidez é a massa de hidróxido de potássio (KOH) em miligramas, que é necessária para neutralizar uma grama de amostra, neste caso biodiesel. Este é expresso em miligramas de hidróxido de potássio por grama de amostra e calculado pela fórmula descrita em 2.2.5.. Os ácidos gordos podem conduzir à corrosão e são um indicador da presença de água no combustível (Gomes, 2006). Um elevado valor do índice de acidez indica que a produção do biodiesel não foi efectuada da melhor forma ou então que o produto final degradou-se por oxidação (Torres, 2006). Para além disso, o índice de acidez pode aumentar com tempo, devido ao combustível se degradar em contacto com ar ou água (Gerpen et al, 2004). Para o biodiesel, é estabelecido, na EN 14104, um valor máximo para o índice de acidez de 0.50 mg KOH/g de biodiesel. 2.5.14. Fósforo O fósforo provém essencialmente da matéria-prima. Este elemento provoca danos nos conversores catalíticos, forma depósitos no pistão, nas válvulas e nos injectores afectando o desempenho do motor (http://www.biodieseltesting.com/tests.php). A determinação do fósforo no biodiesel é realizada por um método designado por GFAAS. Este baseia-se no facto dos átomos livres absorverem a luz nas frequências ou nos comprimentos de onda que característicos do fósforo. A quantidade absorvida de radiação pode ser relacionada com a concentração do fósforo no combustível (http://www.anachem.umu.se/aas/gfaas.htm). 30 Projecto da Qualidade do Ambiente O teste padrão dos E.U.A. encontra-se descrito na ASTM D4951 e na U.E. encontra-se na EN 14107. Estes testes têm como valores máximos de 0.001% e 10 mg/kg respectivamente (Fernando et al, 2005, Gomes, 2006). Para o B100, o fósforo pode vir do processo de refinação incompleto dos fosfolípidos do óleo vegetal (Gerpen, et al, 2004). Nas tabelas seguintes encontram-se sintetizadas as diferentes propriedades do biodiesel e as respectivas normas tal como os valores especificados nestas. 31 Projecto da Qualidade do Ambiente Tabela 3 – Especificações para o biodiesel ( tabela resumo), ( Gomes, 2006; Gerpen et al, 2004). ASTM Propriedades “Ponto flash” Unidades EN 14214 EN 590 DIN 51606 Valor Especific limite ação ºC >101 >55 >110 >130 mm2/s 3.5-5.0 2.0-4.5 3.5-5.0 1.9-6.0 % (m/m) 0.02 <0.01 <0.03 0.02 - Classe 1 Classe 1 Classe 1 Classe 1 % (m/m) <0.03 <0.30 <0.03 <0.050 - > 51 > 45 > 49 >45 Glicerol livre % (m/m) <0.02 - <0.02 <0.02 Glicerol total %(m/m) <0.25 - <0.25 <0.24 g/cm3 0.86-0.90 0.82-0.86 0.875-0.9 0.86-0.90 <200* <200* <300* <0.050** Viscosidade cinemática Cinzas sulfatadas “Copper Strip Corrosion” Resíduo de carbono Número de cetano Densidade a 15ºC Água e * mg/kg sedimentos ** %(v/v) Enxofre total * % (m/m) S15 e S500 ** ppm “Cloud 15 e 500 <0.01 <0.2 <0.01 respectiv amente ºC - - - - “Pour point” ºC - - - - Índice de mg KOH/g acidez biodiesel <0.5 - <0.5 <0.80 <10* _ <10* Point” * mg/kg Fósforo ** % (m/m) <0.001** ASTM D 93 ASTM D 445 ASTM D 874 ASTM D 130 ASTM D 4530 ASTM D 613 ASTM D 6584 ASTM D 6584 ASTM D 1298 ASTM D 2709 ASTM D 5453 ASTM D 2500 ASTM D 97-96 ASTM D 664 ASTM D 4951 32 Projecto da Qualidade do Ambiente Tabela 4 – Métodos dos testes para os biodiesel (Gomes, 2006). Propriedades Norma Método do ensaio Densidade a 15ºC EN ISO 12185 Tubo em U oscilante Viscosidade a 40ºC EN ISO 3104 Viscosímetro “Flash point” EN ISO 3679 Equilíbrio rápido Enxofre EN ISO 20846 XRF EDX Número de cetano EN ISO 5165 Motor de cetano Resíduo de carbono EN ISO 10370 Teste micro carvão ISO 3987 Combustão -gravimetria Água EN ISO 12937 Titulação Karl Fisher Corrosão do cobre EN ISO 2160 Tira de cobre Glicerina livre EN 14105 Cromatografia gasosa Glicerina total EN 14105 Cromatografia gasosa Fósforo EN 14107 ICP Índice de acidez EN 14104 Titulação Índice de iodo EN 14111 Titulação Cinzas sulfatadas 2.6.Armanezamento e Transporte do biodiesel Existem inúmeras propriedades que é necessário controlar aquando o transporte e o armazenamento do biodiesel. Nestas propriedades incluem-se a temperatura de armazenamento, a estabilidade oxidativa, a compatibilidade com o material e a solubilidade do combustível. A estabilidade oxidativa é a capacidade que o biodiesel possui em ser armazenado por períodos longos sem ocorrer degradação. Com a congelação, os combustíveis a diesel têm uma estabilidade oxidativa superior. Esta reactividade é importante e está relacionada com a presença das ligações duplas tipo C=C no combustível. Com o aumento das ligações duplas (C=C), a estabilidade oxidativa no combustível diesel diminui. O aumento da estabilidade de uma molécula no combustível diesel é inversamente proporcional ao aumento do número de ligações duplas na molécula. A degradação oxidativa do combustível manifesta-se com o número elevado de ácidos, com o aumento da viscosidade e com a formação de sedimentos. 33 Projecto da Qualidade do Ambiente A compatibilidade com o material está relacionada com a interacção do biodiesel com os materiais dos tanques de armazenamento. Para que haja compatibilidade, deve-se usar equipamento de aço inox ou de alumínio durante o processo de produção, armazenamento e expedição do biodiesel. A oxidação e os sedimentos no biodiesel são facilmente gerados quando o biodiesel tem contacto com bronze, cobre, zinco. Todos os combustíveis a diesel podem congelar a temperaturas muito baixas e o biodiesel não é excepção. A temperatura de congelação do biodiesel é normalmente superior à temperatura de congelação do combustível a diesel convencional, e esta depende da composição do biodiesel. Os ésteres metílicos saturados têm uma temperatura de congelação superior aos ésteres metílicos insaturados. A composição do biodiesel provém do tipo de matéria-prima utilizada para a sua produção. O biodiesel possui uma solubilidade superior ao combustível a diesel convencional. Devido a esta propriedade os sedimentos que possam existir nos tanques de armazenamento do combustível ou nos tanques de combustível dos veículos podem ser solubilizadas pelo biodiesel. Ao armazenar o biodiesel, a temperatura deste deve ser monitorizada para evitar a formação de cristais. Estes cristais formam-se aquando da congelação do biodiesel. Esta formação é indesejável pois entopem os filtros de combustível. Para evitar a formação de cristais, o biodiesel deve ser armazenado a uma temperatura de -9ºC. Para o armazenamento do biodiesel puro as temperaturas variam entre os 7.2ºC e os 10ºC (Gerpen et al, 2004). 3. Fundamentos teóricos dos métodos 3.1. Análise qualitativa/quantitativa A análise qualitativa engloba métodos que possibilitam a identificação química e elementar dos constituintes de uma amostra. A análise quantitativa reúne estudos que permitem quantificar um componente de uma mistura ou solução. Esta análise é usada para determinar a concentração, volume ou 34 Projecto da Qualidade do Ambiente massa exacta de substâncias, através de técnicas de gravimetria ou volumetria, instrumentais ou outras (Alexéev, 1983). 3.2. Erros Um erro é definido como a diferença entre o valor verdadeiro e o valor experimental. É frequente ocorrerem diversos tipos de erros, qualquer que seja a actividade experimental que se realize. No entanto, é importante e vantajoso que o analista tenha conhecimento dos erros aos quais está sujeito, e conheça as suas causas de modo que consiga interpretar os resultados obtidos afim de pode-los eliminar e/ou diminuir esses mesmos erros. Estes erros podem ser classificados como erros sistemáticos e erros fortuitos/indeterminados (Pombeiro, 1991). 3.2.1. Erros sistemáticos Os erros sistemáticos são causados por fontes identificáveis e podem ser, em princípio, eliminados por actuarem sempre no mesmo sentido, temos como exemplo a realização de um ensaio a branco. Os erros mais comuns são: o Erros instrumentais; o Erros de operação e pessoais; o Erros devido à presença de impurezas; o Erros de métodos. Este tipo de erro afecta a exactidão, pois faz com que as medidas estejam acima ou abaixo do valor real (Pombeiro, 1991, Gonçalves, 1996). 35 Projecto da Qualidade do Ambiente 3.2.2. Erros Fortuitos ou indeterminados Os erros fortuitos ou indeterminados, ao contrário dos anteriores, não são conhecidas as causas da sua existência e por isso é impossível a sua eliminação, podendo apenas serem atenuados. Apesar de não se conhecer exactamente as suas fontes existem possíveis causas que não são controladas pelo operador tais como a temperatura, a humidade, a iluminação, a pureza dos reagentes entre outros. Os erros fortuitos dão-se em dois sentidos com a mesma probabilidade. Este tipo de erros afecta a precisão (Pombeiro, 1991, Gonçalves, 1996). 3.3. Desvio padrão e coeficiente de variância O desvio padrão (s) é uma medida de dispersão. Para obter uma medida da variabilidade ou dispersão com as mesmas unidades que os dados, calcula-se a raiz quadrada da variância e obtemos o desvio padrão (equação 5): Equação 5 Em que: xi - valor da réplica i; • – valor da média das n réplicas; • n – número de réplicas efectuadas • O desvio padrão é uma medida que só pode assumir valores positivos e quanto maior for o seu valor, maior será a variabilidade entre os dados. Se s=0 então não existe variabilidade, isto é, os dados são todos iguais. O coeficiente de variação (CV), é interpretado como sendo uma medida da variabilidade dos dados em relação à média. Quanto menor o CV mais homogéneo é o 36 Projecto da Qualidade do Ambiente conjunto de dados. Um CV é considerado baixo (indicando um conjunto de dados razoavelmente homogéneo) quando for menor ou igual a 25%. O CV pela seguinte equação (Pombeiro, 1991): Equação 6 Em que: • • S – desvio padrão; - valor da média das n réplicas. 3.4. Precisão e Exactidão A precisão é definida como a coerência entre os valores experimentais obtidos, ou seja, quanto mais próximos forem os valores experimentais melhor será a precisão da medida em causa. Esta é medida pelo desvio padrão, a variância e o coeficiente de variância. A precisão é normalmente utilizada para designar o grau de reprodutibilidade em função dos erros acidentais. A exactidão consiste na coerência entre os valores experimentais e o valor verdadeiro ou real. Esta não deve ser superior à exactidão dos padrões, por isso é importante saber a natureza destes (Gonçalves, 1996, Pombeiro, 1991). É importante referir que uma boa precisão não significa que haja uma boa exactidão. Só é possível avaliar a exactidão de um resultado numa análise, se esta não contiver erros sistemáticos (Alexéev, 1983). 3.5. Análise Gravimétrica Designa-se por análise gravimétrica todos os métodos que permitem calcular a quantidade do elemento que pretendemos dosear a partir de pesagens. Temos como 37 Projecto da Qualidade do Ambiente exemplos desses métodos a precipitação, a destilação por aquecimento, a calcinação de substâncias e a determinação de um componente por diferença de massas da substância. Este tipo de análise para além de ser o método mais rigoroso dos métodos químicos de análise, tem um domínio de aplicação muito vasto. No entanto possui como desvantagem o facto de ser um método bastante demorado, pois na maioria dos casos os resultados só se obtêm ao fim de algumas horas. Esta lentidão é desfavorável quando temos necessidade de uma análise de prática industrial em que normalmente é necessário que a análise seja terminada durante um pequeno intervalo de tempo (Alexéev, 1983). 3.6. Análise Volumétrica A análise volumétrica é um método baseado na medição de volumes de uma solução de concentração conhecida que é necessária para se dar a reacção do analito em estudo. É um método bastante antigo mas é muito usual pois é económico, fácil de efectuar, apesar de ser um método menos preciso que a análise gravimétrica. Este tipo de método é mais rápido porque em vez de se efectuar uma pesagem do produto da reacção, como na análise gravimétrica, realiza-se a medição de volumes da solução do reagente cuja concentração é conhecida. Na análise volumétrica apenas se tem de efectuar uma única operação (a titulação) que apenas dura alguns minutos (Alexéev, 1983). Numa análise volumétrica é necessário utilizar uma quantidade de reagente equivalente á substância a dosear que por sua vez corresponde á equação da reacção. É através desta equivalência que se efectuam os cálculos. Por isso numa titulação é indispensável determinar com precisão o ponto de equivalência. O ponto de equivalência é a quantidade de titulante adicionado que é equivalente á quantidade de analito na amostra. Este pode ser determinado pela mudança de cor, formação de precipitado entre outros. As substâncias que numa análise volumétrica sofrem alteração detectável facilmente, ou seja, que permitem visualizar o ponto de equivalência, são designadas como indicadores. Também é importante referir que se deve efectuar um ensaio a branco para diminuir erros. A condição fundamental para realização de uma análise volumétrica é fixar o ponto de equivalência. Outra condição importante é a evolução quantitativa da reacção 38 Projecto da Qualidade do Ambiente caracterizada por uma constante de equilíbrio da mesma. É importante que durante a realização da titulação não haja a interferência de substâncias estranhas e que não ocorra reacções secundárias e para além disso a titulação deve ter uma velocidade suficiente para que ocorram as reacções (Alexéev, 1983). A análise volumétrica pode-se classificar nos seguintes métodos: de neutralização, de oxidação – redução, de precipitação e de complexação (Alexéev, 1983). 3.6.1. Titulações de neutralização A titulação de neutralização compreende todos os doseamentos volumétricos baseados na seguinte reacção de neutralização: H+ + OH- H2O Neste processo faz-se reagir um ácido com uma base para que se atinja o ponto de equivalência. Através deste método podemos, usando uma solução titulada de um ácido qualquer, quantificar as bases (acidimetria) ou, usando uma solução titulada duma base, dosear quantitativamente os ácidos (alcalimetria) (Alexéev, 1983). A titulação é um método muito importante para conseguir produzir um combustível de qualidade gastando o mínimo possível em catalisador e em agentes de neutralização. Com a titulação pode-se calcular a acidez de um óleo, permitindo calcular a quantidade necessária de catalisador a utilizar para que a reacção de transesterificação seja mais completa possível (Gomes, 2006). 39 Projecto da Qualidade do Ambiente 3.7. Cromatografia A cromatografia engloba um conjunto de métodos, os quais consistem na separação dos diferentes componentes presentes numa mistura. Os componentes da mistura são distribuídos em duas fases: uma fase estacionária (sólida ou líquida, aderente a um meio de suporte sólido poroso) com grande área superficial e uma fase móvel (líquida ou gasosa que contacta com a fase estacionária). A separação resulta das diferenças de velocidade dos componentes arrastados pelo solvente móvel, que é consequência das diferentes interacções com a fase estacionária (Pombeiro, 1991). Os vários métodos cromatográficos são normalmente classificados, atendendo à natureza do processo de distribuição, e ao estado físico das fases móvel e estacionária (Pombeiro, 1991). A influência do tipo de fase móvel utilizada num método cromatográfico depende da polaridade da fase estacionária. Poderão ocorrer duas situações: - Cromatografia de fase normal: fase estacionária polar e fase móvel menos polar; - Cromatografia de fase reversa: fase estacionária apolar e uso de uma fase móvel polar. Nos dois casos, a modificação da polaridade da fase móvel afecta o coeficiente de partilha e os tempos de retenção dos analitos (Pombeiro, 1991) Estes métodos, entretanto, são excelentes para uma análise rápida de misturas de substâncias. 3.7.1. Cromatografia gasosa (G.C.) A cromatografia gasosa (GC da designação inglesa «Gas Chromatography»), é um método cromatográfico de coluna, sendo utilizados normalmente como eluentes o hidrogénio, o azoto ou o hélio. Estes são gases inertes relativamente à amostra e à fase estacionária. Estes gases atravessam, sob pressão, a coluna (a qual contem a fase 40 Projecto da Qualidade do Ambiente estacionária sólida ou líquida) arrastando consigo a amostra em estudo, pelo que é conhecido por “gás arrastador” (Pombeiro, 1991). Este método apresenta inúmeras vantagens, tais como: a selectividade, rapidez, simplicidade, fácil quantificação, exigência de uma reduzida amostra, técnica não destrutiva e facilidade de automatização. Contudo este método também apresenta limitações: ao nível da exigência usual de amostras voláteis (com ponto de ebulição inferior à temperatura de operação) e na dificuldade de aplicação em escala preparativa (Pombeiro, 1991). 3.7.2. Cromatografia de camada fina (T.L.C.) A cromatografia de camada fina (TLC da designação inglesa «Thin-Layer Chromatography») faz a separação de fracções com diferentes polaridades. Esta envolve uma fase estacionária que consiste numa camada fina de material adsorvente, geralmente sílica-gel, óxido de alumínio ou celulose, depositado em camada fina e uniforme sobre um suporte sólido inerte; e uma fase líquida móvel (eluente) que consiste numa solução que permite a separação dos componentes das amostras, através da placa por acção capilar. Á razão entre a distância percorrida por cada componente de uma amostra e a distância percorrida pelo eluente designa-se por coeficiente de arrastamento (Rf), conforme a equação seguinte: Rf = distância percorrida pelo soluto distância percorrida pela frente do solvente Equação 7 Cada componente possui um Rf característico que é dependente da sua polaridade. As substâncias polares são retidas na parte inferior da placa enquanto que as substâncias apolares são arrastadas pelo eluente ao longo da placa ficando a diferentes distâncias conforme a sua polaridade. Há vários tipos de adsorventes utilizados em TLC, os quais podem ser classificados quanto à polaridade (polares ou apolares). 41 Projecto da Qualidade do Ambiente O método de TLC tem a vantagem de pouca preparação da amostra, de uma análise rápida, e da possibilidade de executar análises automáticas. A desvantagem principal deste método é possuir uma exactidão e uma precisão mais baixas comparadas com a cromatografia gasosa (Pombeiro, 1991). 3.7.3. Cromatografia líquida de alta pressão (H.L.P.C.) O campo de aplicação da cromatografia líquida de alta pressão sobrepõe-se muitas vezes ao da cromatografia gasosa. Mas ao contrário desta permite a análise de compostos termolábeis, muito polares ou com elevado peso molecular. Embora a eficiência das colunas usadas em HPLC seja inferior às de GC, a primeira é mais versátil uma vez que permite melhorar a resolução por modificação da composição da fase móvel. Devido à necessidade de aumentar a resolução das colunas de cromatografia, utilizam-se colunas com enchimentos constituídos por partículas de dimensões muito reduzidas o que obriga ao uso de elevadas pressões para movimentar a fase móvel através do sistema. Daí o facto da sigla HPLC ser designada por “cromatografia líquida de elevada pressão”. A fase estacionária mais utilizada neste tipo de cromatografia é a sílica-gel, e as menos utilizadas são os polímeros de estireno/divinilbenzeno ou hidroximetilestireno (Pombeiro, 1991) 3.8. Extracção líquido – líquido A extracção é uma técnica que permite a separação e a purificação de substâncias. Esta baseia-se no facto de que a solubilidade dos sólidos varia em função do solvente. Temos como exemplo os compostos orgânicos, estes geralmente, são mais solúveis em solventes orgânicos e pouco solúveis em água. 42 Projecto da Qualidade do Ambiente A extracção líquido – liquido é normalmente usada para isolar uma substância dissolvida num solvente. 4. Metodologias aplicadas 4.1. Objectivo O objectivo da parte experimental do nosso trabalho inclui a implementação dos métodos e a verificação da validade destes aplicando a amostras reais. Através da implementação, obtemos valores para as diferentes propriedades das matérias-primas e do biodiesel, podendo estes ser interpretados e comparados com os valores vigentes na legislação em vigor. 4.2. Amostras Na elaboração deste projecto contamos com a colaboração de dois grupos de trabalho que produziram o biodiesel, utilizando diferentes catalisadores (NaOH e KOH), e que nos forneceram amostras das matérias-primas necessárias para a sua produção, tais como as amostras antes e após as diferentes lavagens do mesmo biodiesel. O grupo que utilizou a catalizador NaOH para produzir biodiesel, efectuou duas produções. Da primeira produção, analisámos o óleo de fritura usado, o biodiesel antes das lavagens, o biodiesel depois da primeira e segunda lavagem com água e a glicerina. Na segunda produção do biodiesel, o produto final foi dividido em duas partes. Uma das partes foi lavada primeiramente com ácido acético, seguido de duas lavagens com água. A outra parte foi lavada primeiramente com água e depois com ar seco. Desta produção analisámos o óleo utilizado, o biodiesel produzido antes das lavagens, e as amostras no final de cada processo de lavagem. O grupo que utilizou o catalizador KOH efectuou somente uma produção de biodiesel. Desta produção analisámos o óleo utilizado, o biodiesel obtido antes das lavagens, o biodiesel lavado com água, o biodiesel depois da lavagem a seco I (lavagem 43 Projecto da Qualidade do Ambiente com silicato de magnésio (talco)) e o biodiesel depois da lavagem a seco II (lavagem com resíduos cerâmicos). 4.3. Métodos utilizados Apesar da existência de várias propriedades importantes para a determinação da qualidade do biodiesel, apenas algumas foram analisadas, como já foi referido. Na tabela seguinte encontram-se referenciadas as propriedades analisadas tal como o método e o respectivo equipamento. Tabela 5 – Descrição dos métodos utilizados nas análises efectuadas. Análise Método utilizado Equipamento Balança Humidade Gravimétrico analítica – Referência Precisa 205ASCS Cinzas sulfatadas analítica Gravimétrico e 205ASCS Calcinação Mufla – interno (ver 4.4.1) Estufa - Blinder Balança Método ISCO – Precisa (tecnologia) Hinz, 2006 THP48 Acidez Densidade Titulação Bureta (+- 0.030 ml), hotte( Industrial Laborum) Balança Gravimétrico Análise de Cromatografia compostos camada fina analítica – Precisa 205ASCS em Câmara Costa, 1982 Método interno (ver 4.4.5) de eluição, (Industrial Laborum) hotte Ashworth, 1969 44 Projecto da Qualidade do Ambiente 4.4 Descrição da parte experimental 4.4.1. Determinação da humidade O método para a determinação da humidade nas amostras baseou-se num método interno 4.4.1.1. Material As quantidades de água presentes nos óleos e nos diferentes biodiesel, produzidos com o NaOH e KOH, foram determinadas por análise gravimétrica. Para esta análise foram necessárias as amostras, a estufa (Blinder) para evaporação da água e a balança analítica (Precisa 205ASCS) para as pesagens. 4.4.1.2. Procedimento Inicialmente pesaram-se caixas de Petri/cadinhos vazios, na balança analítica e registaram-se os valores das suas massas. Seguidamente pesou-se aproximadamente entre 1 a 5 g de amostra (biodiesel ou óleo) na caixa/cadinho, registando o seu valor. Primeiramente colocou-se na estufa, a 60ºC na primeira meia hora, e depois elevou-se a temperatura para os 103ºC. Registou-se os valores de meia em meia hora até obtenção de uma massa mais ou menos constante. Com os valores registados calculou-se a percentagem de água existente nas amostras. 4.4.1.3. Resultados Para calcular a percentagem de água existente nas amostras de óleo e do biodiesel foi necessário o registo das massas das caixas de Petri/cadinhos vazios e com a amostra, como já foi referido anteriormente. Os valores das massas das amostras apresentados nas tabelas foram os valores obtidos após a estabilização das mesmas. Assim sendo foi possível 45 Projecto da Qualidade do Ambiente calcular a percentagem de água existente nas amostras como se encontra evidenciado nas tabelas 6, 7 e 8. Tabela 6 – Registo das massas das amostras e respectiva percentagem de humidade para os óleos utilizados na produção do biodiesel. Massa da Massa da placa/cadinho + Massa da Percentagem de placa/cadinho + Amostras amostra antes da Média amostra água existente amostra após estufa (g) (%) estufa (g) (g) Óleo da 1ª produção do biodiesel com 68,2545 68,1744 10,0332 0,790 42,8803 42,9119 4,91750 -0,640 44,1172 44,1514 4,17570 -0,820 36,7529 36,78896 2,01400 -1,80 -1,80 43,8770 43,9059 4,32230 -0,670 -0,670 0,22 catalizador NaOH (n=3) Óleo da 2ª produção do biodiesel com catalisador NaOH (n=1) Óleo do biodiesel com catalisador KOH (n=1) 46 Projecto da Qualidade do Ambiente Tabela 7-Registo das massas das amostras e respectiva percentagem de humidade, para a 1 e 2ª produção de biodiesel com catalisador NaOH. Massa da placa/cadinho + Amostras amostra antes da estufa (g) Biodiesel antes Massa da placa/cadinho + amostra após estufa (g) Massa da Percentagem amostra de água (g) existente (%) 38,8194 38,4458 4,01350 9,30 39,1067 38,7408 4,36740 8,38 43,1860 42,9016 4,20620 6,76 6,76 42,4809 42,3505 2,04180 6,38 6,38 39,6269 39,3779 2,03730 12,2 12.2 36,7960 36,1929 2,01110 30,0 30,0 37,2487 37,0271 2,08660 10,6 10,6 37,2987 37,1368 2,01830 8,02 8,02 36,7871 36,2102 2,05190 28,1 28,1 41,0192 41,8376 2,07320 8,76 8,76 8,03 ! ª PRODUÇÂO da lavagem (n=2) Média Biodiesel depois da 1ª lavagem com água (n=1) Biodiesel depois da 2ª lavagem com água (n=1) Biodiesel antes da lavagem (n=1) Biodiesel após a lavagem com ácido acético (n=1) 2ª PRODUÇÂO Biodiesel depois da 1ª lavagem com água (n=1) Biodiesel após a 2ª lavagem com água (n=1) Biodiesel após a lavagem com água (biodiesel para lavagem a seco) (n=1) Biodiesel depois da lavagem a seco (n=1) 47 Projecto da Qualidade do Ambiente Tabela 8 – Registo das massas das amostras e respectivas percentagens de humidade para produção de biodiesel com catalisador KOH. Massa da Massa da Massa da Percentagem de placa/cadinho + placa/cadinho + Amostras amostra água existente amostra antes da amostra após estufa (g) (%) estufa (g) (g) Biodiesel antes da lavagem (n=1) 38,8088 38,7408 4,0211 1,69 43,0428 42,8027 4,07540 5,89 34,9848 38,6917 4,11450 7,12 40,9465 40,6895 4,15740 6,18 Biodiesel depois da lavagem de água (n=1) Biodiesel depois da lavagem a seco I * (n=1) Biodiesel depois da lavagem a seco II ** (n=1) * Lavagem a seco com silicato de magnésio ** Lavagem a seco com resíduos cerâmicos n = número de réplicas 4.4.1.4. Análise dos resultados: Os óleos vegetais são constituídos essencialmente por mono-, di- e triglicéridos, ácidos gordos livres, glicolípidos, fosfolípidos, esteróis vegetais entre outros constituintes. Estes constituintes têm propriedades físico-químicas que se alteram perante um aumento da temperatura e na presença de água e oxigénio. Na presença da água os óleos formam diglicéridos e ácidos gordos livres. Em contacto com o ar (oxigénio), há formação de álcoois e ácidos entre outras substâncias, sendo estas produzidas em maior quantidade a altas temperaturas. Segundo a análise dos resultados obtidos podemos verificar que a percentagem de água nas amostras das matérias-primas dão valores negativos. Isto deve-se ao facto de o óleo poder sofrer oxidações, havendo a formação de novos compostos que por sua vez influenciam os resultados esperados. 48 Projecto da Qualidade do Ambiente De acordo com os parâmetros da qualidade do biodiesel podemos verificar que a percentagem de água existente nas amostras de biodiesel são superiores, ao limite máximo de 0.05% (v/v) admitido pela ASTM D6751. Umas das razões para termos obtido estes valores poderia ter sido o facto de utilizar um método que acarreta alguns erros do tipo instrumentais, pessoais e operacionais. Comparando o biodiesel produzido com o catalisador NaOH, com o biodiesel produzido com o catalisador KOH, verifica-se que este último apresenta uma percentagem inferior de humidade relativamente ao outro biodiesel. Isto pode-se explicar pelo facto do NaOH ser um reagente que absorve facilmente humidade enquanto que o KOH não absorve, e por isso tem valores inferiores. O biodiesel produzido com o catalisador NaOH apresenta de uma forma geral valores de percentagem de humidade concordantes entre si, excepto o biodiesel da 2ª produção após a lavagem com ácido acético e o biodiesel da 2ª produção após a lavagem com água (para lavagem com ar seco). O valor da percentagem de humidade existente no biodiesel após a lavagem com ácido acético apresenta um valor elevado. Isto pode ter ocorrido devido à lavagem que se efectuou. Relativamente ao biodiesel após a lavagem com água (para lavagem com ar seco), obteve-se também um valor elevado, o qual poderá ter tido diversas origens, as quais não conseguimos controlar. 4.4.2. Determinação da acidez A determinação deste método baseou-se no método descrito na literatura de Costa, 1982. 4.4.2.1. Material A determinação do índice de acidez é determinada por uma titulação ácido-base, sendo necessário para tal soluções de hidróxido de potássio (ABSOLVE) 0.1M, solução de álcool-éter (50:50) e como indicador a fenolftaleína a 1% Para realizar a titulação é necessário fazer a seguinte montagem: 49 Projecto da Qualidade do Ambiente Figura 11 – Esquema representativo da montagem do material para uma titulação (http://nautilus.fis.uc.pt/wwwqui/figuras/fig_laboratorio03.html). 4.4.2.2. Procedimento Para a determinação do índice de acidez das amostras, foi necessário preparar as soluções referidas anteriormente. Para preparar a solução de álcool-éter adicionou-se volumes iguais de álcool a 95% (MERCK, 1.00983.2511, Alemanha) e éter dietílico (RIEDEL- de HAËN, 32203,Alemanha). A solução de hidróxido de potássio é preparada pesando-se aproximadamente 0.561g de hidróxido de potássio e dissolvendo-se em água destilada. Após a dissolução perfez-se o volume num balão volumétrico de 100ml. Para a preparação da solução de fenolftaleína a 1% pesou-se cerca de 1,0 g de fenolftaleína e adicionou-se cerca de 100ml de álcool etílico a 95%. Após a preparação das soluções necessárias, fez-se a montagem do material para a realização da titulação. O titulante foi a solução de hidróxido de potássio e o titulado foi constituído por aproximadamente 10g de amostra medida na balança analítica (Precisa 205ASCS), 50 ml da solução de álcool-éter e 3-4 gotas de solução de fenolftaleína - 50 Projecto da Qualidade do Ambiente (indicador). Adicionou-se titulante, gota a gota ao titulado até a obtenção do ponto de equivalência, neste caso, mudança de cor. Registou-se o volume gasto e calculou-se o índice de acidez existente na amostra. É de notar que é necessário efectuar um ensaio a branco que se efectua da mesma forma que as amostra apenas não se coloca o volume da amostra. 4.4.2.3.Resultados Para calcular o índice de acidez, foi necessário fazer um registo das massas das amostras e dos volumes de KOH gastos na titulação, para neutralizar as amostras. Seguidamente apresentam-se as tabelas com os registos dos volumes gastos de KOH e das massas do biodiesel utilizadas. Tabela 9 – Registo das massas das amostras, do volume de KOH gasto na titulação, índice de acidez e % de ácido oleico. Amostras Volume Volume Massa da gasto de gasto de amostra KOH na KOH no Titulação ensaio a (ml) branco (ml) 1,80 1,25 antes (g) Óleo da 1ª produção do 10,0949 Índice de acidez (mg KOH/ g amostra) do % de índice Ácido de oleico acidez 0,300 0,653 biodiesel com catalizador Média 0,328 10,6042 2,00 0,100 1,01 10,0665 0,850 0,100 0,418 0,418 0,210 10,0644 3,50 0,200 1,84 1,84 0,925 NaOH (n=3) Óleo da 2ª produção do biodiesel com catalisador NaOH (n=1) Óleo do biodiesel com catalisador KOH (n=1) 51 Projecto da Qualidade do Ambiente Tabela 10 – Registo das massas das amostras, do volume de KOH gasto na titulação, do índice de acidez do biodiesel, do desvio padrão e do coeficiente de variação da 1ª produção com o catalisador NaOH. Volume Amostras Massa Volume gasto gasto de Índice de da de KOH KOH no acidez (mg amostra naTitulação ensaio a KOH/ g (g) (ml) branco amostra) (ml) Biodiesel antes 10,0133 0,250 0,100 0,0840 10,1470 0,250 0,200 0,0280 10,0263 0,300 0,200 10,4344 1,00 10,7403 1ª PRODUÇÂO do % do índice Ácido de oleico acidez 0,112 0,0563 0,0560 0,0560 0,0281 0,600 0,538 0,538 0,270 0,250 0,100 0,0780 0,0780 0,0392 10,0305 1,15 0,0500 0,615 0,615 0,309 10,0152 0,600 0,0500 0,308 0,308 0,155 10,0422 0,500 0,0500 0,250 0,250 0,126 10,0794 0,400 0,0500 0,195 0,195 0,0980 da lavagem (n=2) Média Biodiesel depois da 1ª lavagem com água (n=1) Biodiesel depois da 2ª lavagem com água (n=1) Biodiesel antes da lavagem (n=1) Biodiesel após a lavagem com ácido acético 2ª PRODUÇÂO (n=1) Biodiesel depois da 1ª lavagem com água (n=1) Biodiesel após a 2ª lavagem com água (n=1) Biodiesel após a lavagem com 52 Projecto da Qualidade do Ambiente água (biodiesel para lavagem a seco) (n=1) Biodiesel depois da lavagem a seco 10,0842 0,300 0,0500 0,139 0,139 0,0699 (n=1) Tabela 11 – Registo das massas das amostras, dos volumes de KOH gastos na titulação, do índice de acidez e da % de ácido oleico para o biodiesel com catalisador KOH. Amostras Volume gasto Índice de de KOH no acidez (mg ensaio a branco KOH/ g (ml) amostra) 0,250 0,200 0,0289 0,101 10,1137 0,850 0,600 0,139 0,0699 10,0054 0,450 0,200 0,140 0,0704 10,0530 0,250 0,200 0,0280 0,0141 Massa da Volume gasto de amostra KOH (g) natitulação (ml) 10,0679 % de Ácido oleico Biodiesel antes da lavagem (n=1) Biodiesel lavagem a seco I * (n=1) Biodiesel lavagem com água (n=1) Biodiesel depois da a seco II ** (n=1) * Lavagem a seco com silicato de magnésio ** Lavagem a seco com resíduos cerâmicos n = número de réplicas 53 Projecto da Qualidade do Ambiente 4.4.2.4. Análise dos resultados Através da análise dos resultados obtidos, verifica-se que as matérias-primas possuem um índice de acidez mais elevado do que as amostras de biodiesel. Uma das justificações para estes valores elevados de acidez nos óleos deve-se ao facto de ocorrerem reacções de hidrólise e de oxidação, havendo produção de ácidos gordos. Constatou-se também que os óleos apresentam uma percentagem de ácido oleico inferior a 1% (percentagem máxima que o óleo deverá conter). Nas amostras de biodiesel verificou-se que esta percentagem foi bastante inferior, o que era de esperar, pois o ácido oleico é um ácido gordo, o qual não deve estar presente no biodiesel. De acordo com os parâmetros de qualidade do biodiesel podemos verificar que os índices de acidez do biodiesel obtidos são inferiores, na sua maioria, ao limite máximo (0.50mg KOH/g biodiesel) admitido pela ASTM D6751, o que significa que os diferentes biodiesel possuem poucos ácidos gordos. O biodiesel apresenta um índice de acidez relativamente baixo, devido aos ácidos gordos reagirem com o catalisador formando sabões que são separados do biodiesel. 4.4.3. Análise de compostos através da cromatografia de camada fina (TLC) Este método foi baseado em procedimentos descritos nas literaturas de Christie, 1989 e. Ashworth, 1969. 4.4.3.1. Material Para a cromatografia em camada fina é necessário uma câmara de eluição que deve ser saturada com o eluente (Ashworth, 1969) e uma placa de sílica gel (FLUKA CHEMIE GMBH, Suíça). Como reveladores foram necessários, o iodo sublimado e a solução de 54 Projecto da Qualidade do Ambiente ácido crómico – ácido sulfúrico (Ashworth, 1969). A secagem da placa de camada fina é realizada na estufa (BLINDER) a 130ºC. 4.4.3.2. Procedimento Para realizarmos a TLC, começou-se por preparar o eluente para o colocar numa câmara de eluição afim desta ficar saturada para um melhor desenvolvimento do eluente na placa de sílica gel. O eluente foi constituído pela solução de hexano (MERCK, 1.04367.2500,Alemanha) – éter dietilíco (RIEDEL de HAËN, 32203, Alemanha) - ácido acético(RIEDEL de HAËN,33209, Alemanha). Preparam-se 288ml desta solução sendo esta constituída por 240 ml de hexano, 60 ml de éter dietílico e 6 ml de ácido acético. O eluente descrito anteriormente sofreu uma alteração em relação ao descrito no procedimento no qual nos guiámos. Seguidamente preparou-se a placa de sílica gel. Na placa traçou-se uma linha distanciada da borda cerca de 2 cm e com uma altura de cerca de 12 cm-14 cm. As amostras foram colocadas na linha (cerca de 5µl), distanciadas umas das outras cerca de 1.5 cm e com a largura de 1 cm aproximadamente. As amostras foram colocadas na placa com ajuda de uma pipeta de Pasteur sendo colocadas cuidadosamente para que estas ficassem o mais fino possível. De seguida a placa foi colocada na câmara de eluição que se encontrava saturada. Após o desenvolvimento do eluente na placa, ou seja, quando o eluente chegou à linha traçada no topo, esta foi colocada a secar dentro da hotte. Logo de seguida a placa foi revelada (figura 12) primeiro com o iodo, em que se colocou o iodo a aquecer e passou-se a placa sobre os vapores libertados por este. Posteriormente a placa foi pulverizada com a solução de ácido crómico -ácido sulfúrico (revelador). Finalmente a placa é colocada na estufa a 130ºC durante uns minutos e são interpretados os resultados obtidos. Perante este procedimento também se realizou uma extracção de ácidos gordos. Esta extracção foi realizada a partir da glicerina utilizando éter dietilico e hexano. Dissolveu-se a glicerina num pouco de água e adicionou-se um pouco de ácido clorídrico havendo a formação de um precipitado. Seguidamente adicionou-se o hexano ou o éter dietilico e solubilizou-se os ácidos gordos. Com a solução obtida fez-se uma análise em TLC. 55 Projecto da Qualidade do Ambiente Figura 12 – Etapas da revelação de uma placa de cromatografia de camada fina. 4.4.3.3. Resultados A cromatografia de camada fina permite separar e identificar os diferentes constituintes do óleo e do biodiesel tendo por base a tabela 13 e os documentos de Christie, 1989 e Ashworth, 1969: Figura 13 – Representação da placa de sílica gel da TLC do óleo (NaOH), azeite, respectivamente. 56 Projecto da Qualidade do Ambiente Figura 14-Representação da placa de sílica gel da TLC para Glicerina (KOH e do NaOH), ácidos gordos extraídos por hexano e ácidos gordos extraídos por éter dietilíco, respectivamente . Figura 15 – Representação da placa de sílica de gel da TLC para o Biodiesel (KOH) após a lavagem com água, Biodiesel (KOH) após a lavagem a seco II, Biodiesel (KOH) após a lavagem a seco I, Biodiesel (KOH) sem lavagem, Biodiesel (NaOH) após a 1ª lavagem e 2ª lavagem com água da 1º produção respectivamente. 57 Projecto da Qualidade do Ambiente Figura 16 – Representação da placa de sílica gel da TLC do Biodiesel (NaOH) após a 1ªlavagem de água da 1ª produção, Biodiesel (NaOH) antes da lavagem da 1ª produção e do óleo (matéria-prima), respectivamente. Figura 17 – Representação da placa de sílica gel doa TLC do óleo (NaOH), Biodiesel (NaOH) sem lavagem e Biodiesel da 1ª lavagem com água, ambos da 1ª produção, respectivamente. 58 Projecto da Qualidade do Ambiente Figura 18-Representação da placa de TLC do Biodiesel (NaOH) após a 1º lavagem com ácido acético, Biodiesel (NaOH) após a 2ªlavagem com água, Biodiesel (NaOH) após a 1ª lavagem com água, Biodiesel (NaOH) após a 1ª lavagem com água (para a lavagem a seco), Biodiesel (NaOH) após a lavagem a seco, Biodiesel para a lavagem a seco, todos da 2ª produção, respectivamente. 59 Projecto da Qualidade do Ambiente Na tabela seguinte encontra-se registado os valores dos coeficientes de arrastamento (Rf) para cada constituinte de cada amostra. Tabela 12 – Resultados dos valores do coeficiente de arrastamento dos diferentes componentes das diferentes amostras. Placa Amostras “Manchas” Rf Constituintes 1 0.021 ? 2 0.100 Mono/di-glicéridos 3 0.180 Mono/di-glicéridos 4 0.250 Mono/di-glicéridos 5 0.710 Triglicéridos 1 0.007 ? 2 0.100 Mono/di-glicéridos 3 0.160 Mono/di-glicéridos 4 0.678 Triglicéridos 1 0.0357 ? 2 0.540 3 0.920 1 0.007 2 0.543 3 0.971 Ácidos gordos extraídos com hexano 1 0.578 Ácidos gordos extraídos com éter-dietilico 1 0.600 1 0.020 2 0.503 3 0.941 1 0.020 ? 2 0.490 Ácidos gordos Figura 13 Óleo Azeite Figura 15 Figura 14 Glicerina do KOH Glicerina do NaOH Biodiesel (KOH) para a lavagem com água Biodiesel (KOH) para a lavagem a seco I* Ácidos gordos livres Ésteres monoalquilicos ? Ácidos gordos livres Ésteres monoalquilicos Ácidos gordos livres Ácidos gordos livres ? Ácidos gordos livres Ésteres monoalquilicos 60 Projecto da Qualidade do Ambiente livres Ésteres mono- 3 0.941 1 0.869 1 0.033 2 0.915 1 0.033 ? 2 0.340 Mono/ di-glicéridos 3 0.444 Mono/ di-glicéridos 4 0.503 5 0.686 6 0.961 1 0.039 2 0.457 3 0.889 1 0.021 ? 2 0.186 Mono/ di-glicéridos Biodiesel (NaOH) depois da 1ª lavagem da 1ª 3 0.248 Mono/ di-glicéridos produção 4 0.290 Mono/ di-glicéridos 5 0.917 1 0.021 ? 2 0.200 Fosfolípidos 3 0.262 Mono/ di-glicéridos 4 0.303 Mono/ di-glicéridos 5 0.917 1 0.917 Biodiesel (KOH) Para a lavagem a seco II** Biodiesel (KOH) sem lavagem 1ª Lavagem biodiesel da 1ªprodução (NaOH) Figura 16 2ª Lavagem biodiesel da 1ª produção (NaOH) Biodiesel (NaOH) antes da lavagem da 1ªprodução Óleo alquilicos Ésteres monoalquilicos ? Ésteres monoalquilicos Ácidos gordos livres ? Ésteres monoalquilicos ? Ácidos gordos livres Ésteres monoalquilicos Ésteres monoalquilicos Ésteres monoalquilicos Ésteres monoalquilicos 61 Projecto da Qualidade do Ambiente Óleo 0.933 1 0.080 2 0.933 1 0.080 2 0.933 1 0.080 2 0.933 1 0.064 ? 2 0.500 Ácidos gordos Biodiesel (NaOH) após a lavagem com ácido acético 3 0.621 ? da 2ª produção 4 0.686 ? 5 0.928 1 0.064 ? 2 0.500 Ácidos gordos Biodiesel (NaOH) após a 2 ª lavagem com água da 2ª 3 0.621 ? produção 4 0.686 ? 5 0.928 1 0.064 ? 2 0.500 Ácidos gordos Biodiesel (NaOH) após a 1ªlavagem com água da 2ª 3 0.621 ? produção 4 0.686 ? 5 0.928 1 0.064 ? 2 0.500 Ácidos gordos Biodiesel (NaOH) 1ª após a lavagem com água (para 3 0.621 ? a lavagem a seco) da 2ª produção 4 0.686 ? 5 0.928 Biodiesel (NaOH) sem lavagem da 2ª produção Figura 17 Ésteres mono- 1 Biodiesel (NaOH) após a 1ª lavagem da 2ª produção Figura 18 Glicerina (NaOH) alquilicos ? Ésteres monoalquilicos ? Ésteres monoalquilicos ? Ésteres monoalquilicos Ésteres monoalquilicos Ésteres monoalquilicos Ésteres monoalquilicos Ésteres monoalquilicos 62 Projecto da Qualidade do Ambiente 1 0.064 ? 2 0.500 Ácidos gordos Biodiesel (NaOH) após a lavagem a seco da 2ª 3 0.621 ? produção 4 0.686 ? 5 0.928 1 0.064 ? 2 0.500 Ácidos gordos Biodiesel (NaOH) depois da lavagem a seco da 2ª 3 0.621 ? produção 4 0.686 ? 5 0.928 Ésteres monoalquilicos Ésteres monoalquilicos * Lavagem a seco com silicato de magnésio ** Lavagem a seco com resíduos cerâmicos ? – constituinte não identificado 4.4.3.4. Análise de resultados: Para a realização deste método baseámo-nos no procedimento descrito na literatura Christie, 1989 e. Ashworth, 1969 contudo na preparação do eluente, substituímos o ácido fórmico que era proposto por ácido acético, devido as restrições que o laboratório ofereceu. Comparando os valores da tabela 13 com os nossos resultados de Rf (tabela 12) verificou-se que o ácido acético permitiu separar melhor os componentes mais polares (mono/diglicéridos) enquanto que o ácido fórmico permite separar melhor os componentes apolares (esteres mono- alquílicos e triglicéridos). 63 Projecto da Qualidade do Ambiente Tabela 13 – Valores de Rf dos componentes de uma amostra de óleo utilizando como eluente o hexano éter dietílico ácido fórmico no TLC (adaptada de Cooke, 2000). Componentes Rf Ésteres vegetais 0.97 Triglicéridos 0.63 Ácidos gordos livres 0.42 Colesterol 028 1,3-diglicéridos 0.24 1,2-diglicéridos 0.21 Monoglicéridos 0.08 A análise da tabela anterior, permitiu-nos identificar os diferentes componentes das amostras nas placas de TLC obtidas (ver figuras 13 a 18). Para uma melhor identificação dos ácidos gordos na placa de TLC fizemos uma extracção destes, resultantes de uma reacção de saponificação do óleo, de modo a determinar aproximadamente o Rf deste componente (ver figura 14). Os valores de Rf obtidos foram muito próximos, o que nos leva a concluir que os ácidos gordos, migram com este eluente, sempre esta distância. Na placa representada na figura 13, analisámos o azeite e a glicerina, respectivamente, com o objectivo de separarmos os seus componentes e assim termos estes como referência para a identificação dos componentes das nossas amostras. Após o desenvolvimento do eluente nas placas, foi necessário secá-las de modo que o eluente evapore e os componentes se fixem na placa. Como estes não se apresentam visíveis, é necessário utilizar reveladores de modo a identificar os componentes. A técnica utilizada foi a exposição a vapores de iodo, o qual é absorvido pela maior parte das manchas, tornando-as visíveis. Seguidamente, utilizou-se o revelador ácido crómico -ácido sulfúrico uma vez que este é um bom reagente para identificar substâncias orgânicas e levou-se à estufa afim de os componentes se tornarem mais visíveis. 64 Projecto da Qualidade do Ambiente 4.4.4. Determinação das cinzas sulfatadas A determinação das cinzas sulfatadas baseou-se no método proposto por Hinz, 2007 e pelo método descrito na norma ASTM D874-06. 4.4.4.1. Material Neste método utilizou-se uma balança analítica (Precisa 205ASCS), uma mufla (ISCO (tecnologia) THP48). De reagentes foi utilizado ácido sulfúrico concentrado (MERCK, 1.00731.2511, Alemanha). 4.4.4.2. Procedimento • Método proposto por Hinz, 2007: No início da experiência pesou-se os cadinhos vazios, previamente lavados em água, numa balança analítica, registou-se a sua massa e adicionou-se aproximadamente 1g de amostra de biodiesel ao cadinho. Seguidamente pipetou-se 2 ml de ácido sulfúrico concentrado, com uma pipeta graduada, e juntou-se ao biodiesel. Antecipadamente ligou-se a mufla, para esta estabilizar aos 90ºC. Após esta atingir a temperatura desejada, colocaram-se os cadinhos com as amostras dentro da mufla, mudando-se a temperatura após certos intervalos de tempo conforme o descrito na seguinte tabela: 65 Projecto da Qualidade do Ambiente Tabela 14 – Programa das temperaturas para a incineração das cinzas na mufla (Hinz, 2006). Temperatura (ºC) Tempo (min.) 90 15 130 15 220 20 240 15 300 15 600 30 No final, da incineração das amostras, retirou-se os cadinhos da mufla e deixaramse arrefecer num excicador. Após estes, se encontrarem à temperatura ambiente, mediu-se as massas das cinzas resultantes numa balança analítica e calculou-se a percentagem de cinzas. • Método descrito na ASTM D874-06: Pesou-se uma pequena quantidade de amostra de biodiesel num cadinho previamente pesado. Colocou-se o cadinho na mufla a 600 ºC durante cerca de meia hora. Deixou-se arrefecer, adicionou-se ácido sulfúrico ao cadinho e colocou-se novamente na mufla a 725ºC durante cerca de meia hora. Retirou-se da mufla, deixou-se arrefecer e pesou-se. Repetiu-se o mesmo procedimento até a obtenção de valores constantes de massas. Após a obtenção de valores de massas constantes, calculou-se a percentagem das cinzas nas amostras. 4.4.4.3. Resultados Para calcular a percentagem de cinzas sulfatadas presentes nas nossas amostras de biodiesel, calculou-se a massa das cinzas obtidas, e dividiu-se pelo valor da massa inicial da nossa amostra. 66 Projecto da Qualidade do Ambiente • Método proposto por Hinz, 2007: Tabela 15 – Registo das massas das amostras, das massas das cinzas, respectiva percentagem, desvio padrão e coeficiente de variância do biodiesel da 1ª produção com o catalisador NaOH. Massa Amostras Massa Massa do da do cadinho amostra cadinho com as (g) (g) cinzas Massa das cinzas (g) Percentagem das cinzas sulfatadas Desvio Média padrão (S) (%) Coeficiente de variação (%CV) (g) Biodiesel 10,1412 25,6811 25,7538 0,0727000 7,10 1,02530 27,9223 27,9866 0,0643000 6,27 1,05790 25,0275 25,5328 0,505300 47,7 1,00300 25,8104 25,8506 0,0402000 4,01 Biodiesel 1,00700 25,6823 25,9254 0,243100 24,1 depois da 1,05510 28,1588 28,3974 0,238600 22,6 2ª 1,05460 25,8113 26,0086 0,197300 18,7 1,08550 27,9221 28,1170 0,19490 17,9 antes da lavagem (n=3) 20,4 23,7 116,3 4,01 - - 20,9 2.99 14,4 Biodiesel depois da 1ª lavagem (n=1) lavagem (n=4) Tabela 16 – Registo das massas das amostras, das massas das cinzas, respectivas percentagens, do desvio padrão e do coeficiente de variação do biodiesel da 2ªprodução com o catalisador NaOH. Massa Amostras Massa Massa do da do cadinho Massa das das cinzas amostra cadinho com as cinzas (g) sulfatadas (g) (g) cinzas Percentagem Desvio Média padrão (S) (%) Coeficiente de variância (%CV) (g) Biodiesel 1,05480 27,3826 27,6020 0,219400 20,8 antes da 1,08220 27,1918 27,5336 0,341800 31,6 lavagem (n=3) 1,04970 25,0282 25,3067 0,278500 26,3 5,40 20,5 26,5 67 Projecto da Qualidade do Ambiente Biodiesel 1,00300 25,8104 25,8506 0,0402000 4,01 depois da 1,02000 25,8108 26,0613 0,250500 24,5 1ª 1,03630 25,0277 25,1192 0,0915000 8,82 lavagem com água 1,09410 25,6830 25,8068 0,123800 11,3 Biodiesel 1,02690 27,9213 27,9223 0,00100000 0,0970 depois da 1,07530 25,6825 25,9277 0,245200 22,8 12,2 8,77 72,1 15,5 13,3 86,1 28,53 0,929 3,26 18,1 14,1 77.7 2,59 3,24 125,3 (n=4) 2ª lavagem 1,01110 25,8213 26,0594 0,238100 23,5 Biodiesel 1,00830 27,5250 27,8235 0,298500 29,6 após a 1,04840 27,1480 27,4426 0,294600 28,1 com água (n=3) lavagem a seco 1,07610 27,9222 28,2227 0,300500 27,9 1,04450 25,0273 25,0274 0,00960000 0.919 1,08070 27,1481 27,5439 0,3958 36,6 (n=3) Biodiesel da1ª lavagem com água para o biodiesel 1,00440 27,5261 27,6938 0,1677 16,7 1,01680 27,7765 27,7765 0 0 a seco (n=3) Biodiesel da1ª lavagem 1,00270 28,1586 28,1741 0,0155000 1,54 com ácido acético 1,03130 27,1931 27,2574 0,0643000 6,23 (n=3) 68 Projecto da Qualidade do Ambiente Tabela 17 – Registo das massas das amostras, das cinzas, respectiva percentagem, do desvio padrão e do coeficiente de variação do biodiesel com o catalisador KOH. Massa Amostras Massa Massa do Percentagem da do cadinho Massa das das cinzas amostra cadinho com as cinzas (g) sulfatadas (g) (g) cinzas Desvio Média padrão (S) (%) Coeficiente de variância (%CV) (g) Biodiesel 1,03880 27,1925 27,7315 0,539000 51,9 antes da 1,02730 27,1484 27,4148 0,266000 25,9 lavagem 1,05180 27,9215 28,0982 0,177000 16,8 1,00450 27,1919 27,2183 0,0260000 2,60 1,04910 25,8116 25,9609 0,149300 14,2 1,01050 27,7761 27,9169 0,140800 18,4 1,03520 25,6825 25,9146 0,232100 22,4 1,04550 26,0514 25,8114 0,240000 22,9 1,06720 27,9227 28,1537 0,231000 21,6 1,02770 24,4625 24,4866 0,0241000 2,34 1,01380 25,6827 25,8203 0,137600 13,6 1,06940 25,0276 25,0284 0,000800000 0,0750 1,10850 28,1589 28,3367 0,177800 16,0 1,04290 27,5251 27,5251 0,0 0,0 1,00310 25,0287 25,2528 0,224100 22,3 1,07340 27,4799 27,8815 0,401600 37,4 (n=3) Biodiesel 24,3 20,7 85,4 19,5 4,06 20,8 9,41 7,23 76,8 18,9 15,5 81,7 da lavagem com água (n=3) Biodiesel da lavagem a seco II (n=3) Biodiesel da lavagem lavagem a seco I (n=3) • Método descrito na ASTM D874-06: Os resultados obtidos das diferentes amostras de biodiesel produzido com o catalisador KOH apresentam-se na tabela seguinte: 69 Projecto da Qualidade do Ambiente Tabela 18 – Registo dos valores das percentagens das cinzas do biodiesel produzido com KOH. Biodiesel antes Biodiesel após a Biodiesel após a Biodiesel após a da lavagem lavagem com lavagem com silicato lavagem com resíduos %(m/m) água %(m/m) de magnésio %(m/m) de cerâmica %(m/m) 0,0893 0,0393 0,0300 0,0198 4.4.4.4. Análise dos resultados: Para a determinação das percentagens das cinzas são apresentados dois procedimentos, um dos quais proposto por Hinz, 2007 e outro descrito na norma ASTM D874-06. O primeiro método foi executado por nós em laboratório enquanto que o segundo método foi realizado por outro grupo de trabalho. De acordo com o método proposto por Hinz, 2007, a mufla utilizar deveria ter sido uma mufla de microondas para a incineração das cinzas, contudo para verificarmos se este método também era válido para outro tipo de mufla, utilizamos uma mufla normal (ISCO THP48). Pelos resultados obtidos podemos verificar que existe uma grande percentagem de cinzas em relação aos valores estabelecidos pela norma, nas diferentes amostras de biodiesel. Isto pode significar que a alteração feita ao método não foi a melhor para a determinação das cinzas. Estes resultados podem ter sido influenciados devido ao facto de as amostras não terem sido sujeitas a radiações de microondas, as quais possuem um nível de energia mais elevado, promovendo assim uma degradação completa das amostras. Neste método verificou-se que os valores do coeficiente de variação foram muito elevados (superiores a 5%), o que significa que os conjuntos de resultados não foram homogéneos. O método baseado na ASTM D874-06 apresenta valores mais próximos dos valores estabelecidos pela norma. 70 Projecto da Qualidade do Ambiente 4.4.5. Determinação da densidade A determinação da densidade das amostras foi baseada num método interno. 4.4.5.1. Procedimento Tara-se uma proveta (+ - 0.2 ml) de 10 ml, na balança analítica (Precisa 205ASCS), e perfaz-se o volume desta com uma amostra de óleo ou biodiesel, e regista-se a massa da amostra. A densidade é calculada dividindo o valor da massa da amostra pelo valor do volume que essa mesma massa de amostra ocupa. 4.4.5.2. Resultados Os resultados obtidos dos diferentes valores dos volumes e das massas para os diferentes biodiesel apresentam-se nas tabelas seguintes, assim como também os valores da densidade que são posteriormente calculados. Tabela 19 – Registo dos ensaios da densidade, do desvio padrão e do coeficiente de variância da 1ªprodução do biodiesel com o catalisador NaOH á temperatura de 18ºC. Volume da Massa da amostra amostra (ml) (g) 10 8,8993 889,93 9,0526 905,26 8,9742 897,42 Biodiesel antes 8,6201 862,01 da 8,5828 858,28 8,5606 856,06 Amostras Óleo (n=3) (n=3) lavagem Densidade (Kg/m3) Média da Devio Coeficiente densidade padrão de variância (Kg/m3) (S) (%CV)) 897,54 7,6656 0,85407 858,78 3,0068 0,35012 71 Projecto da Qualidade do Ambiente Biodiesel 8,4845 848,45 depois da 1ª 8,4667 846,67 lavagem (n=3) 8,4527 845,27 Biodiesel 8,6784 867,84 depois da 2ª 8,8415 884,15 lavagem (n=3) 8,7069 870,69 846,80 1,5938 0,18821 874,23 8,7112 0,99644 Tabela 20 – Registo dos ensaios da densidade, do desvio padrão e do coeficiente de variação da 2ªprodução de biodiesel com catalisador NaOH á temperatura de 18ºC Volume Amostras da amostra (mL) 10 Massa da amostra (g) Densidade (Kg/m3) 8,9153 891,53 9,0970 909,70 9,1325 913,25 Biodiesel antes 8,6455 864,55 da lavagem 8,7002 870,02 (n=3) 8,6167 861,67 Biodiesel 8,5448 854,48 depois da 1ª 8,6838 868,38 8,4641 846,41 Biodiesel 8,4554 845,54 depois da 2ª 8,7343 873,43 8,6812 868,12 Biodiesel após 8,5642 856,42 a lavagem a 8,4827 848,27 seco (n=3) 8,5404 854,04 Biodiesel da1ª 8,6201 862,01 8,6281 862,81 Óleo (n=3) lavagem com água (n=3) lavagem com água (n=3) Média da Desvio Coeficiente densidade padrão de variância (Kg/m3) (S) (%CV) 904,83 11,651 1,2877 865,41 4,2414 0,4901 856,42 11,113 1,2976 862,36 14,809 1,7173 852,91 4,1908 0,49136 862,86 0,88121 0,10213 lavagem com 72 Projecto da Qualidade do Ambiente água p/ o biod, a seco (n=3) Biodiesel da1ª lavagem com 8,6377 863,77 8,6578 865,78 8,3190 831,90 8,4858 848,58 848,75 16,941 1,9959 ácido acético (n=3) Tabela 21 – Registo dos ensaios da densidade, do desvio padrão e do coeficiente de variação do biodiesel com catalisador KOH à temperatura de 18ºC. Amostras Volume da Massa da amostra amostra (mL) (g) Densidade (Kg/m3) 8,8692 886,92 9,1189 911,89 9,1450 914,50 8,5560 855,60 da 8,7353 873,53 lavagem (n=3) 8,6992 869,92 Biodiesel 8,6420 864,20 8,6592 865,92 água (n=3) 8,6265 862,65 Biodiesel 8,6530 865,30 da lavagem a 8,2516 825,16 seco I * (n=3) 8,3675 836,75 Biodiesel 8,6130 861,30 da lavagem a 8,6948 869,88 8,6948 869,48 Óleo (n=3) Biodiesel antes da lavagem com seco II 10 ** (n=3) Média da densidade (Kg/m3) Desvio padrão (S) Coeficiente de variação (%CV) 904,44 15,226 1,6835 866,35 9,4831 1,0946 864,26 1,6357 0,1893 842,40 20,658 2,4523 866,89 4,8423 0,55858 * Lavagem a seco com silicato de magnésio ** Lavagem a seco com resíduos cerâmicos n = número de réplicas 73 Projecto da Qualidade do Ambiente 4.4.5.3. Análise de resultados O método utilizado para a determinação da densidade baseou-se na definição de densidade, ou seja, medindo um determinado volume e medindo-se a sua massa pode-se calcular o valor da densidade. Os valores da densidade da matéria-prima e dos diferentes biodiesel encontram-se próximos dos intervalos estipulados pela norma da ASTM D1292.Analisando os valores dos coeficientes de variação obtidos verificamos que estes são inferiores a 5%. Isto significa que não existe variabilidade significativa entre os valores. 74 Projecto da Qualidade do Ambiente 4.5. Discussão final e Conclusões Neste trabalho foi efectuado primeiramente um levantamento de todas as propriedades da matéria-prima e do biodiesel, afim de se estudar mais aprofundadamente as suas características de modo a garantir a qualidade do biodiesel como combustível. Apenas algumas destas propriedades foram analisadas em laboratório devido a limitações de ordem técnica. As propriedades analisadas tiveram como objectivo testar e comparar diferentes métodos de análise. Na determinação da quantidade de água presente na matéria-prima e no biodiesel utilizámos um método diferente do método descrito na norma em vigor (ASTM D6751). Este método utilizado é um método que acarreta muitos erros para a determinação da quantidade de água, pois é mais utilizado como um método de secagem (para um prétratamento da matéria-prima e para secagem final do biodiesel) e não de quantificação. Para além disso, este método pode quantificar não somente a água, como também possíveis contaminantes voláteis. O método recomendado pela norma para a quantificação água é o método Karl Fisher, método bastante preciso, mas que não foi possível realizar devido a limitações do laboratório e para além disso era necessário utilizar reagentes cancerígenos. A determinação da acidez da matéria-prima e do biodiesel foi efectuada por uma titulação, a qual é recomendada pela norma em vigor. Este método tem a desvantagem de ter uma baixa reprodutibilidade, ou seja, mesmo que um conjunto de dados tenha valores próximos e se estes forem valores muito pequenos, estas pequenas variações implicam que haja uma elevada percentagem de erro. Para identificarmos os diferentes componentes das amostras realizámos uma cromatografia de camada fina (TLC). Através deste método pudemos verificar, além dos vários componentes que constituem a amostra, quais destes são polares e apolares, pelo arrastamento das amostras com o eluente. Os compostos polares são retidos no início da placa de sílica gel enquanto que os apolares percorrem a placa por arrastamento até ao topo desta. Este método é rápido, eficiente, fácil de realizar, permite uma boa separação dos componentes e também permite avaliar qualitativamente as amostras. Este método permite ter um controlo de qualidade das amostras com uma pequena quantidade de amostra, o que 75 Projecto da Qualidade do Ambiente o torna um método bastante eficiente. Esta análise também poderia ser efectuada por uma cromatografia gasosa. Este método tem várias desvantagens em relação ao método efectuado. A cromatografia gasosa além de ser um processo mais trabalhoso e exigente, é mais dispendioso em termos de reagentes e equipamentos. As cinzas sulfatadas foram determinadas por dois procedimentos um dos quais proposto por Hinz, 2007 e outro descrito na norma ASTM D874-06. No primeiro método é descrito um procedimento utilizando uma mufla de microondas. Contudo para verificarmos se este método também era válido para outro tipo de mufla, utilizámos uma mufla normal. Porém ao analisarmos os valores dos coeficientes de variância, constatámos que utilizando esta mufla não obtivemos resultados homogéneos, o que significa que não era a mais apropriada para esta análise segundo este procedimento. No entanto, a mufla normal pode ser utilizada com sucesso se realizarmos o método que vem descrito na ASTM D874-06, como foi verificado pelos nossos colegas. Este método permite que as amostras sejam carbonizadas antes das cinzas serem sulfatadas. Este método tem a desvantagem de necessitar de mais tempo para a análise das cinzas e para além disso obriga estar mais em contacto com os vapores tóxicos da carbonização. No método descrito anteriormente, em que se utiliza uma mufla de microondas, constatou-se que este era bastante mais rápido de efectuar, pois é automatizado. Este é um método bastante seguro em relação ao outro pois não existe contacto com vapores tóxicos. Na determinação da densidade das amostras utilizámos um método diferente do recomendado pela norma. Este foi baseado na definição do termo densidade, ou seja, medindo-se um volume da amostra e medindo a sua massa, calcula-se a densidade. No método descrito pela norma é utilizado o método do hidrómetro, o qual utiliza um densímetro. Este método tende a ser mais rigoroso, pois evita os erros associados ao equipamento usado, como a balança e a proveta. Analisando os coeficientes de variação, podemos concluir que este método poderia perfeitamente substituir o método recomendado pela norma. Com a realização deste trabalho concluímos que os métodos que utilizámos para a análise das propriedades, não demonstraram mais vantagens do que os métodos já descritos pelas normas. 76 Projecto da Qualidade do Ambiente Dos métodos realizados podemos concluir que o procedimento utilizado na densidade e na cromatografia de camada fina podem ser recomendados pois obtiveram-se valores mais coerentes. 77 Projecto da Qualidade do Ambiente 5. Perspectivas Futuras O estudo das propriedades da matéria-prima e do biodiesel é um tema muito recente e ainda em fase de desenvolvimento. De seguida apresentam-se algumas perspectivas futuras suscitadas pela realização deste trabalho: Estudar mais a profundamente as propriedades da matéria-prima e do biodiesel; Estudar a evolução dos métodos das propriedades da matéria-prima e do biodiesel aos longos dos anos; Analisar laboratorialmente um maior número das propriedades; Estudo mais aprofundado das influências das propriedades na matéria-prima no biodiesel; Optimizar métodos já existentes para a determinação das propriedades em causa. 78 Projecto da Qualidade do Ambiente 6. Bibliografia Alexéev, V., Análise Quantitativa, Editora Livraria Lopes da Silva, 3ª edição, Porto, 1983. Araújo, Rosangela Moreira de; Regulação do biodiesel -Especificação e controle de qualidade, Painel Sectorial do Biodiesel; Novembro 2005. Ashworth, M.R.F.; Thin-Layer Chromatography - A Laboratory Handbook; 2ª edição; , New York;1969. 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