Roteiro
1.
Frei Manuel
do Cenáculo
Retrato de D. Frei Manuel do Cenáculo
Escola Portuguesa
1770 - 77
Óleo sobre tela
L: 74,5; A: 95,5 cm
Biblioteca Nacional de Portugal: Inv. 10936
2.
3.
Levantamento das “Termas” romanas da Rua da Prata,
com dedicatória a D. Frei Manuel do Cenáculo.
Séc. XVIII, segunda metade
Desenho aguarelado
L: 28,6; A:32,2 cm
Biblioteca Pública de Évora: Plantas arquitectónicas portuguesas
pasta I, Pl. 4
Descobertas na sequência dos trabalhos de desobstrução da cidade,
devastada pelo terramoto de 1755, as “Termas “ romanas, assim
como o Teatro, mereceram a atenção dos eruditos, que tiveram
oportunidade de os escavar e estudar, à semelhança do que se fazia
noutros pontos da Europa, bem como efetuar o seu levantamento
gráfico e, como era habitual na época, recolher os elementos
escultóricos e outras peças relevantes, para as suas coleções.
4.
Direção Regional de
Cultura do Alentejo
Mecenas Institucional:
MUSEU
NACIONAL DE
ARQUEOLOGIA
SI N E S
CÂMARA
MUNICIPAL
DE SINES
8.
Matriz sigilar
1770-1802
Latão
Dimensão maior: 4,7 cm
Museu de Évora: Inv.º N.º ME 3017
9.
Matriz sigilar
Prata fundida e cinzelada. Ouro
Museu de Evora: Inv.º N.º ME 3020
Retrato do Príncipe D. José
Séc. XVIII, último quartel
Gravura
L: 20,1; A:28,1 cm
Palácio Nacional de Queluz: Inv.º N.º PNQ 93
A educação do Príncipe Herdeiro D. José foi uma das principais
missões confiadas a Cenáculo pelo rei D. José e pelo seu ministro, o
marquês de Pombal. Mestre e aluno mantiveram uma relação de
admiração e respeito mútuo, até à prematura morte do Príncipe, em
1788. A gravura mostra-no-lo rodeado por atributos das Artes e das
Letras, elementos fundamentais da sua formação de futuro monarca
iluminado.
Lápide de TILIMACO
Séc. I d.C. – Época Romana
Calcário
Museu Nacional de Arqueologia: Inv.º N.º E 6322
Ânfora dos Santos Óleos, Crisma
Ourives: José António Vieira
ca. 1770
Prata
Beja, Museu Diocesano – Igreja de N. Sr.ª dos Prazeres
Em 1770 Cenáculo foi nomeado Bispo da nova Diocese de Beja,
criada a partir dos territórios mais a sul da Arquidiocese de Évora.
Para a sua nova Sé foi necessário encomendar as peças exigidas
pelo Cerimonial dos Bispos, de que se destacam as três aparatosas
ânforas onde ainda hoje são benzidos os Santos Óleos em Quintafeira Santa. Executadas pelo ourives lisboeta José António Vieira,
refletem um gosto arqueológico pela evocação formal de
recipientes romanos de cerâmica
Nas palavras de Robert Southey, Cenáculo era um homem
pequeno, alegre, de grandes olhos abertos e que tinha a fama de
santidade.
O presente retrato mostra-no-lo como Bispo de Beja, lendo um
documento na sua biblioteca, numa solução compositiva típica do
retrato aristocrático da época com a legenda onde se destacam os
seus importantes cargos, de mestre e confessor do príncipe, assim
como o de presidente da Real Mesa Censória.
Fundador do Primeiro Museu Português
Organização:
7.
Cenáculo deixou-nos alguns ambiciosos projetos nunca realizados,
inspirados pelas instituições culturais que conheceu durante a sua
viagem pela Europa. Para além do programa de uma biblioteca
pública que previu instalar na Praça do Comércio, no âmbito da
reconstrução pombalina, chegaram-nos os desenhos da autoria do
arquiteto Joaquim de Oliveira, para o complexo do Paço Episcopal
de Beja, incluíndo biblioteca e museu, assim como para a
biblioteca pública de Évora, que abriu ao público em 1805, mas
numa solução arquitetónica menos sumptuosa.
17. Projeto para a fachada sul da Biblioteca Pública de Évora,
Joaquim de Oliveira (arquiteto)
c. 1802-3
Desenho a tinta-da-china e aguada sobre papel
L: 36,5; A: 26,5 cm
Biblioteca Pública de Évora, (BPE, reservados, Gav. 8, Pasta 1,
nº 44).
As armas utilizadas por Cenáculo estão divididas em dois campos:
um com as armas dos Franciscanos – o síngulo e as cinco chagas de
Cristo – e o outro com as da cidade de Beja, onde se destaca uma
cabeça de touro, como as que decoravam as torres das suas
muralhas e que tanto impressionaram o Prelado e podem ser hoje
vistas no Museu de Beja.
10. Estatueta de Hércules
Época Romana
Alabastro
Altura: 7,5 cm
Museu de Évora: Inv.º N.º 3333
Esta pequena peça está documentada num dos álbuns de desenhos
que o Prelado mandou fazer, talvez com o objetivo da publicação
de um futuro catálogo. As esculturas de mármore, de tamanho
natural ou superior, eram as peças mais apreciadas pelos
colecionadores da época, destacando-se na coleção do Museu de
Évora uma Ceres fragmentada, encontrada em Vale de Aguieiro,
Beja e que se pensou mandar completar por Machado de Castro.
Na sua ausência, colecionavam-se as pequenas esculturas de
devoção doméstica, em bronze, pedra ou terracota.
18. Graças Concedidas por Christo no Campo de Ourique,
acontecidas em outros tempos e repetidas no actual, conforme aos
desenhos de suas idades.
CENÁCULO, D. Frei Manuel do
Lisboa, Imprensa Régia, 1813.
A veracidade histórica do Milagre de Ourique, mito fundador da
nacionalidade, foi defendida pelo Bispo, que assim valorizava a
dimensão histórica e sagrada do seu território. Nesta derradeira
obra por si publicada, ilustradas com importantes gravuras, destacase um novo interesse pela Idade Média e pela visão de um Portugal
fundado e mantido por vontade divina, que procura nas suas raízes
a força vital para se erguer das devastações das tropas Francesas.
Apoio:
DEPARTAMENTO DO PATRIMÓNIO
HISTÓRICO E ARTÍSTICO DA
DIOCESE DE BEJA
D. Frei Manuel do Cenáculo Villas-Boas (1724-1814)
No Bicentenário da Sua Morte
5.
Foi uma das figuras maiores do Iluminismo Português, que se destacou
em diversos campos do saber e do colecionismo, onde sobressai a
fundação do primeiro museu público português. De origens humildes,
cedo ingressou na ordem Franciscana, depois de ter frequentado as aulas
da Congregação do Oratório. Em 1740 rumou a Coimbra, onde chegou a
lente de teologia e foi aluno de Frei Joaquim de S. José, que durante toda
a vida considerou o seu mestre e que acompanhou a Roma em 1750,
visitando no caminho algumas das mais importantes instituições culturais
e de ensino da Europa do seu tempo. Em 1757 regressa a Lisboa, onde se
torna num dos homens de confiança do Marquês de Pombal, chegando a
ocupar relevantes cargos, como o de presidente da Real Mesa Censória,
presidente da Junta da Providência Literária, Conselheiro do Rei e
confessor e preceptor do Príncipe Herdeiro. Em 1770, no auge do seu
poder, é nomeado primeiro Bispo de Beja, mas só em 1777 foi residir
para a sua diocese, em consequência da queda de Pombal com a subida
ao trono de D. Maria I.
Transcrição:
DMS/TILIMACO/ANNLX/NEMENSIUS/PIEN/(TISSI)MO/(F)C
Tradução: Consagrado aos deuses Manes. A Telémaco, de sessenta
anos de idade. Nemésio mandou fazer (este monumento) a seu pai,
modelo de piedade.
11. Figura feminina com manto
Época Romana
Terracota
A: 7; L: 3; Pr: 2,6 cm
Museu de Évora: Inv.º N.º 4487
Proveniente do Muro da Porta de Ferro, da cidade de Lisboa,
integrou a coleção que Cenáculo reuniu no Convento de Jesus, de
onde se extraviou após a partida do Bispo para Beja, tendo sido
reencontrada na cerca do mesmo convento e incorporada no
Museu Nacional de Arqueologia em 1899.
12. Dupondio
64. d.C – Época Romana
Bronze
Ø 2,8 cm
Museu de Évora: Inv.º N.º 9219
James Murphy (1760-1814)
Travels in Portugal; through the Provinces of Entre Douro e Minho,
Beira, Estremadura, and Alem-Tejo, in the years 1789 and 1790 :
Consisting of Observations on the Manners, Customs, Trade, Public
Buildings, Arts, Antiquities, &c. of that Kingdom Buildings, Arts,
Antiquities, &c. of that Kingdom.
Londres: A. Strahan, and T. Cadell Jun. and W. Davies
1795
Biblioteca Nacional de Portugal
13. Argenteus
Época Romana
Prata
Ø 1,8 cm
Museu de Évora: Inv.º N.º ME 11320
A viagem de James Murphy a Portugal, nos anos de 1789 e 1790,
incluiu uma passagem por Beja, onde teve acesso às coleções
episcopais, antes mesmo da inauguração do Museu Sisenando
Cenaculano Pacense. A obra publicada inclui três importantes
gravuras, as únicas que documentam este acervo e revelam o
interesse que despertava mesmo nos visitantes mais eruditos.
Em 1802 foi elevado à dignidade de Arcebispo de Évora, para onde
deslocou a parte mais significativa das suas coleções de arte, arqueologia,
história natural, entre outras, destacando-se da sua notável ação a criação
da Biblioteca Pública de Évora. No entanto viu os seus derradeiros anos
ensombrados pela devastação e pilhagens causadas pelas tropas
francesas, a que não escaparam as peças mais valiosas das suas coleções,
que no entanto ainda hoje constituem um dos mais ricos tesouros
culturais do Alentejo.
Ara funerária de Cecílio Hermetiano e de Siliciano seu irmão
80 d.C. – 120 d.C.
Mármore
A: 54,5; L:27; Pr. 17 cm
Museu de Évora: Inv.º N.º ME 1720
Esta Ara, proveniente tal como a lápide de Tilimaco também aqui
exposta, do muro da Porta de Ferro da cidade de Lisboa, demolida
entre 1758 e 1763, terá pertencido ao núcleo inicial das coleções
reunidas em Lisboa e levadas para Beja, onde foi documentada
numa das gravuras de James Murphy
A chapa de impressão reproduz o alto-relevo de Santiago
Combatendo os Mouros, obra-prima da escultura gótica portuguesa,
conservada da igreja matriz de Santiago do Cacém. O templo
gravemente afetado pelo terramoto de 1755, foi tardiamente
reconstruído sob o olhar atento do Prelado – zeloso na preservação
do seu património histórico e artístico – que o sagrou em 1800.
21. Carta de D. Frei Manuel a Diogo de Melo, onde refere o
conhecimento das instituições espanholas e o desejo de criar um
museu em Beja, bem como de organizar uma academia. Beja, 3 de
Abril de 1778.
(BPE, Cod. CXXVIII 2-9, fls. 264-265)
15. Sestércio
41 d.C. - 54 d.C. Época Romana
Liga metálica
Ø 3,45 cm
Museu de Évora; Inv.º N.º 4685
22. Carta de José de Cornide a D. Frei Manuel do Cenáculo
Com referência a escavações arqueológicas realizadas em Sines
Lisboa, 30 de dezembro de 1800.
Biblioteca Pública de Évora CXXVII/2-3 (fl. 200)
16. Projeto do complexo da Paço Episcopal de Beja,
incluindo biblioteca e museu
Joaquim de Oliveira (arquiteto)
Desenho a tinta-da-china e aguada sobre papel
Biblioteca Pública de Évora, (BPE, reservados, Gav. 8, Pasta 1,
nº 51).
6.
20. Chapa matriz da gravura do “Santiago Mata-Mouros”
Escola Portuguesa
Finais do Séc. XVIII
L: 39,4; A: 33,5 cm
Museu de Évora: Inv. ME 2030
14. Moeda AE 2
Época Romana
Bronze
Ø 2,4 cm
Museu de Évora: Inv.º N.º 9511
As coleções de numismática ocupavam um lugar de destaque nas
preferências dos eruditos setecentistas, permitindo associar um
gosto pelas formas clássicas e pela história, ao associar as
inscrições, os retratos dos imperadores, imagens de deuses ou
alegorias, aos materiais preciosos como o ouro e a prata. A fabulosa
coleção reunida pelo Prelado ao longo de toda a sua vida foi
pilhada pelas tropas francesas quando do saque de Évora em 1808.
Para além de uma relevante acção pastoral, em que percorreu todo o seu
território, crismando milhares de fiéis e fiscalizando a acção dos seus
ministros, interessou-se pela história local e pelo património. Criou uma
rede de contactos que lhe permitiu identificar importantes sítios
arqueológicos, como foi o caso de Tróia, Miróbriga e Sines, alguns dos
quais escavou directamente enquanto noutros incentivou o trabalho de
eruditos locais, que presentearam o prelado com algumas das peças mais
importantes. A colecção assim reunida foi aberta ao público a 15 de
Março de 1791, na capela de São Sisenando, anexa ao Paço Episcopal de
Beja, sob a designação de Museu Sisenando Cenaculano Pacense.
19. “Santiago Mata-Mouros” gravura destinada à ilustração da obra:
Graças Concedidas por Christo no Campo de Ourique
Lisboa, Imprensa Régia, 1813.
Biblioteca Pública de Évora
A vasta correspondência do Prelado, não só com importantes
figuras da cultura nacional e estrangeira, mas também com os
eruditos e curiosos locais, revela-nos uma densa e rica teia de
contactos que fazia circular a informação e as peças que
enriqueciam a sua coleção e difundiam o conhecimento do
território.
23. Paisagem de Ruínas Clássicas
Séc. XVIII, meados
Óleo sobre tela
L: 65; A: 51cm
Museu de Évora: Inv.º N.º 764
A paixão pelas ruínas não se limitou à escavação e visita dos locais,
tendo criado toda uma nova corrente, não só de representação
rigorosa das mesmas, mas mesmo de criação plástica de paisagens
fantasiosas, que não se limitou às artes plásticas mas levou até à
criação de falsas ruínas, para deleite das elites da época.
Biblioteca Pública de Évora
Elvas
Os livros e as bibliotecas foram talvez a maior paixão
de Cenáculo. Este edifício, com a grande sala de
leitura, presidida pelo seu retrato, que hoje
Estremoz
substitui a tábua de Jesus entre os doutores do antigo
retábulo da Sé, alberga ainda a sua importante
coleção bibliográfica, para além de importante
Lisboa
Academia das Ciências
documentação como o seu diário e vasta
Ocupa o edifício do antigo Convento de Jesus, onde
correspondência.
Vila Viçosa
Cenáculo viveu, reuniu as suas coleções e onde se
dedicou empenhadamente à construção da notável
Museu de Évora
biblioteca, ainda hoje existente bem como à da anexa
Instalado no antigo Paço Episcopal quinhentista,
igreja das Mercês.
nacionalizado pela República, foi criado em 1915
com o grosso das coleções subsistentes no Paço e na
Biblioteca. Das centenas de quadros que Cenáculo
mostram-se as peças mais notáveis e os tesouros da
Museu Nacional de Arqueologia
Vila Viçosa
coleção arqueológica.
Em 1785 Cenáculo deslocou-se a Vila Viçosa onde a
A lápide de Tilimaco é hoje a única peça claramente
Corte se encontrava reunida por ocasião da troca de
identificada nas coleções do museu, mas é possível
posteriormente doadas por Frei Manuel do Cenáculo.
O Museu Nacional de Arqueologia só foi fundado em
1893, mais de um século depois da iniciativa pioneira
princesas. Aí reencontrou o príncipe D. José a quem
Évora
que existam mais peças, deixadas em Lisboa ou
levou um rico presente de raridades, que incluía um
anel com uma pedra verde e um camafeu, de época
Setúbal
romana, e um relevo da autoria de Machado de
Castro, com figuras mitológicas exaltando as virtudes
de Cenáculo.
do Príncipe. Visitou ainda uma interessante coleção,
reunida num jardim particular, cujos donos lhe
Tróia
ofereceram alguns exemplares para o Museu.
Alcácer do Sal
Portel
Tróia
Portel
Este extremo da diocese mereceu também a atenção
do Prelado, interessado pelos seus vestígios
Aqui admirou a venerável e antiquíssima Imagem de
Igreja Matriz de Santiago do Cacém
São Pedro, que concluiu remontar ao tempo dos
Sagrada pelo Bispo em 1800, este notável templo
Antigo Colégio dos Jesuítas de Beja
primeiros cristãos, pois os panejamentos e cabelos
gótico foi cuidadosamente recuperado dos estragos do
Devoluto após a expulsão desta Ordem pelo marquês
eram diferentes do gosto gótico. Exortou à veneração
terramoto de 1755, com particular atenção do Prelado
de Pombal, foi cedido ao novo bispo para aí instalar o
de como devia ser tratada e conservada uma
via a prova de uma remota presença do povo judeu.
pela salvaguarda dos elementos primitivos, com
seu Paço Episcopal. Junto a ele situava-se a vetusta
antiguidade talvez única na Província e mandou-lhe
Mas também a pequena igreja local foi alvo da sua
destaque para as relíquias do Santo Lenho e o alto-
capela de S. Sisenando, padroeiro da cidade, onde o
fazer uma nova e mais digna peanha.
relevo do Santiago Mata-Mouros, obra prima da
Prelado instalou o primeiro museu público português.
escultura gótica portuguesa. Esta peça foi reproduzida
A norte eleva-se a igreja do Salvador onde se instalou
em gravura na última obra publicada em 1813: Graças
a Sé.
arqueológicos. Daqui é proveniente uma das suas
peças favoritas: uma lucerna com a representação de
dois homens carregando um cacho de uvas, onde ele
oferta de peças de prata necessárias ao culto.
Concedidas por Christo no Campo de Ourique,
Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres
Acontecidas em Outros Tempos e Repetidas no
O altar conserva uma inscrição assinalando a sua
Actual, Conforme aos Desenhos das Suas Idades.
sagração por Cenáculo, a 12 de abril de 1779, apesar
Castelo de Sines
da igreja remontar ao século XVII. No edifício anexo
Escolhido a partir de 1788 como residência de Verão
está instalado o Museu Episcopal, onde estão patentes
e refúgio de escrita, estas paredes viram nascer
alguns importantes testemunhos da encomenda
algumas das obras mais importantes do Prelado mas
artística do Prelado, com destaque para as ânforas dos
também momentos dolorosos como a chegada da
Santos Óleos.
Santiago do Cacém
notícia da morte do príncipe D. José, que Cenáculo
educara para ser o prefeito monarca iluminado.
Beja
Desses dias sobrevivem dois belos tetos pintados, um
Vila Verde
de Ficalho
Museu Regional de Beja
dos quais com cenas mitológicas da Eneida, de
Vergílio e das Metamorfoses de Ovídeo, reflete a
Moura
Sines
Miróbriga
Apesar de a maior parte das coleções do Bispo terem
Vila Verde de Ficalho
sofisticação cultural da época e esconde
Conhecido desde o século XVI, este importante sítio
sido levadas para Évora, um importante
Em 1782, o então Bispo de Beja, lançou a primeira
provavelmente uma alegoria à morte do Príncipe, às
arqueológico despertou a atenção de Cenáculo.
conjunto de obras, que ficou para trás, guarda-se hoje
suas virtudes e à fragilidade da vida.
As escavações que o Prelado então iniciou, foram
neste museu, com destaque para o acervo pictórico
retomadas em1801 e em 1808, a cargo do pároco de
onde pontua o retrato do Prelado. Aqui se destaca a
sofisticados e eruditos templos neoclássicos do
Santiago, Padre Bonifácio Gomes de Carvalho, um
única lápide com Escrita do Sudoeste ainda
Alentejo, com planta centralizada em cruz grega, que
Este templo mandado construi por Vasco da Gama,
dos elementos da vasta rede de contacto que Frei
subsistente das suas coleções.
só em 1861 veio a ser aberto ao culto, apesar de ainda
mereceu igualmente a atenção do Bispo, que não
Manuel do Cenáculo mantinha por todo o Alentejo.
Tesouro da Igreja de Nossa Senhora das Salas
deixava de se vir despedir da Sr.ª das Salas e do
Serpa
pela condessa de Ficalho. Trata-se de um dos mais
Esta vila mereceu a atenção de Frei Manuel do
Junto da Basílica Real, ergue-se um notável obelisco,
Sines. No tesouro pode-se admirar uma importante
Cenáculo devido aos passeios arqueológicos
comemorativo da Batalha de Ourique, com o retrato
coleção de joalharia votiva, ourivesaria e imaginária,
realizados pelo sul e litoral alentejano, durante os
da rainha D. Maria I, da autoria de Machado Castro,
na sua grande maioria contemporânea do Prelado.
então incompleto.
Mértola
Castro Verde
Senhor do Vencimento, na sua casa, antes de partir de
pedra da nova igreja de S. Jorge, mandada edificar
quais eram efetuadas recolhas de materiais,
erguido inicialmente, em 1795 junto da ermida de S.
destacando-se uma lápide recolhida próximo de São
Pedro das Cabeças, lugar lendário da batalha.
Miguel do Pinheiro. As suas pesquisas abriram portas
Praia de S. Torpes
a gerações sucessivas de investigadores, que
Ourique
Segundo a lenda, aqui se situava o túmulo de um dos
trouxeram à luz importantes e ricos vestígios
Castro Verde
primeiros mártires do Cristianismo, redescoberto por
arqueológicos, que hoje podem ser visitados em
ordem do arcebispo de Évora, D. Teotónio de
espaços musealizados, que fazem de Mértola uma
Bragança, em 1591. Cenáculo escavou no local e
autêntica vila-museu.
encontrou uma necrópole, cujo espólio foi enriquecer
Museu da Escrita do Sudoeste de Almodôvar
o seu museu.
Mostra alguns dos mais importantes achados
Odemira
arqueológicos com inscrições nestes antigos
carateres, datados da Idade do Ferro, que até hoje
nunca foram decifrados. Cenáculo interessou-se muito
Almodôvar
por esta escrita misteriosa, estimulado pela recente
decifração dos hieróglifos egípcios, graças à Pedra de
Roseta.
Mértola
Roteiro
Frei Manuel
do Cenáculo
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