Breve discussão a respeito do funcionamento da caixa de ressonância Jomar Barros Filho luthier www.barrosfilho.com “(...) Se vocês esticarem a melhor corda do mundo entre dois pregos espetados em uma parede de concreto, e baterem exatamente no lugar certo com um bom martelo de feltro, o som que vocês obterão será uma pálida e magra paródia do som de um verdadeiro piano. A corda é um objeto tão delgado e o comprimento de onda do som que emite é tão grande, que o fio é um emissor de som extremamente pobre no ar (...)” (Benade, 1967). Fisicamente, a caixa de ressonância que forma o corpo da guitarra acústica deve ser planejada de forma a suportar as tensões das cordas e possibilitar que as suas vibrações tornem-se audíveis. Se fizermos uma corda vibrar, a quantidade de energia que ela consegue transferir diretamente para o ar é muito pequena. O principal caminho neste processo é o seguinte: 1°) faz-se a corda vibrar 2°) a corda transmite uma boa parte de sua vibração para a ponte 3°) a ponte transmite uma parte de sua vibração para o tampo superior 4°) auxiliado por sua barra harmônica, o tampo superior vibra, expulsando parte do ar que está no interior da caixa harmônica através do buraco em “f”, convertendo a energia recebida em som. Em cada parte desse processo, a transferência de energia de vibração não ocorre de forma plena. Isto é, uma parte da energia da corda que faz a ponte vibrar não é totalmente transmitida para o tampo, sendo dissipada em outras formas de energia como por exemplo o atrito. Considere as pontes com regulagem de altura. Figura 1: Ponte Fixa e Ponte com regulagem de altura Neste tipo de ponte, a regulagem da altura é feita pelo acréscimo de dois parafusos que unem a parte superior da ponte (que sustenta a corda) com a parte inferior (os pés da ponte). As cordas transferem vibração para a parte superior da ponte, esta transfere vibração para o parafuso, que por sua vez transfere vibração para a parte inferior da ponte. Neste processo o parafuso atua como um filtro atenuando algumas freqüências. Assim, cada uma das interfaces (ponte-parafuso, parafuso-ponte, ponte-tampo) apresenta o efeito de atenuação de algumas freqüências. Daí a importância do bom assentamento da ponte no tampo, por exemplo. A ponte, também conhecida como cavalete é colocada aproximadamente na metade do comprimento do buraco em forma de “f”. É importante notar que, semelhantemente ao violino, neste tipo de guitarra a ponte não é colada. A única coisa que a mantém em seu lugar é a pressão exercida pelas cordas. Assim, a vibração das cordas é transmitida para o tampo superior. Fig 2: Ponte ajustada ao tampo As cordas exercem uma tensão no tampo superior. No lado interno deste existe uma barra harmônica. Essa é uma barra de madeira ajustada e colada no comprimento do tampo aproximadamente logo abaixo dos pés da ponte. A barra harmônica ajuda a distribuir a vibração das cordas-ponte para toda a extensão do tampo superior. Além disso, juntamente com o formato em arco do tampo, ela ajuda a mater a estabilidade evitando que o tampo desmorone com a tesão exercida pelas cordas. Os tampos têm um espectro de vibração muito complicado. De fato, cada um dos tampos têm as suas próprias freqüências de ressonâncias. O espectro de freqüências do corpo da guitarra, caixa, é uma combinação dos modos de vibração dos tampos. Além disso, uma grande influência na sonoridade da guitarra é causada pela quantidade de ar dentro da caixa e do tipo de buraco, “f”, que esta contém. Assim, temos a ressonância devido aos tampos, madeira, e a ressonância devido ao ar (ressonância de Helmholtz). Referências: BENADE, Arthur H., Sopro, Cordas e Harmonia: a ciência dos sons agradáveis. São Paulo. Edarte:1967.