Valoração dos investimentos ambientais no setor público: uma análise comparativa com as despesas e receitas públicas orçamentárias em municípios paraibanos JANAINA FERREIRA MARQUES DE MELO Universidade Federal de Campina Grande [email protected] ADRIANO MENINO LEITE UNIVERSIDADE FEDERAL DE CAMPINA GRANDE [email protected] Valoração dos investimentos ambientais no setor público: uma análise comparativa com as despesas e receitas públicas orçamentárias em municípios paraibanos Resumo Diante dos impactos causados ao meio ambiente nas últimas décadas, começaram a ganhar notoriedade à divulgação de acontecimentos com o ecossistema. Neste contexto, verificou-se a necessidade das entidades mensurarem estes fenômenos, além de suas ações voltadas à preservação ambiental. Diante deste novo cenário, os gestores expunham outras ideologias em seus programas de governo, a exemplo do próprio orçamento, com ações voltadas para investimentos no meio ambiente e sua aplicação dos recursos públicos nessa área. Esta pesquisa tem como objetivo principal identificar os investimentos ambientais em dois municípios paraibanos e sua evolução no período de 2009 a 2012. Com base nesta evolução, verificar a proporcionalidade destes, com as despesas e receitas públicas do orçamento. Foram levantados dados documentais extraídos no site do STN, para identificar as despesas e receitas orçamentárias, analisando os itens, que tem relação com o meio ambiente, elaborando gráficos e tabelas por meio de planilhas do Office Microsoft Excel. No período analisado, apesar de apresentar menor tamanho territorial, população e recursos financeiros menos expressivos, o município 1 apresentou maior volume de investimentos ambientais, do que o município 2. Observou-se que os municípios apresentaram contas específicas para a Gestão do Meio Ambiente, embora ocorram algumas limitações. Palavras-chaves: Gestão Ambiental; Contabilidade Ambiental; Contabilidade Pública; Orçamento Público. Abstract Given the impacts to the environment in recent decades, began to gain notoriety disclosure of events with the ecosystem. In this context, there was the need of the entities mensurarem these phenomena, and their actions aimed at environmental preservation. Given this new event, managers exposed other ideologies in their government programs, such as the budget itself, with actions for investments in the environment and their use of public resources in this area. This research aims to identify the environmental investments in two municipalities by Paraiba’s State and their evolution from 2009 to 2012. Based on this trend, check the proportionality of these, with public expenses and revenues based in budget. Documentaries were extracted in the STN site, to identify the costs and budgeted revenues by analyzing the items that relate to the environment, preparing graphs and tables using Microsoft Office Excel spreadsheets were raised. During the analyzed period, despite having less territorial size, population and less significant financial resources, the city 1 had greater environmental investments than municipality 2. It was observed that, municipalities had specific accounts for Management of the Environment, although occur some limitations. Keywords: Environmental Management; Environmental Accounting; Public Accounts; Public budget. 1 Introdução Percebe-se que nos últimos tempos, o meio ambiente vem sendo agredido pelas atividades industriais, e que se começou a perceber que os recursos naturais estão ficando escasso. Essa degradação da natureza é resultante do avanço das tecnologias, associada ao desenvolvimento e crescimento da população, causando impactos ambientais a níveis passivos de não recuperação. Conforme Tinoco e Kraemer (2008), a preocupação com a degradação do meio ambiente vem modificando cada vez mais a forma de administração das organizações, pois estão integrando procedimentos para promoção das reciclagens de materiais, análises do ciclo de vida dos produtos e de seu impacto sobre a natureza. Com isso, os parques industriais vêm se modificando, ganhando modernos equipamentos de controle. Além disso, os profissionais tem uma formação voltada para seguir processos e normas de segurança em todas as fases da operação, do manuseio das matériasprimas a logística até entrega dos produtos, se adequando aos novos processos e tecnologias permitindo uma produção mais limpa, praticamente sem resíduos. Vê-se que à medida que as pessoas se conscientizam sobre a questão ambiental, começam a exigir das empresas, produtos e serviços voltados para preservação ambiental. Dessa forma, as entidades perceberam que os efeitos negativos ao meio ambiente impactavam negativamente no mercado, assim, as entidades vêm se modernizando e adotando políticas que minimizam tanta agressão ao meio ambiente, visto que cada vez mais as empresas estão buscando profissionais mais qualificados e que trabalhem dentro da concepção de sustentabilidade e com isso estejam mais preocupados com as questões ligadas ao meio ambiente, pois os clientes estão buscando cada vez mais produtos de empresas que se preocupem com o meio ambiente e com isso investem para diminuir tais impactos. Conforme Almeida (2010, p. 16), as normas estabelecidas pelo Poder Legislativo, voltadas à preservação, à conservação, e; a mudança no perfil do consumidor são fatores que se encontram por trás da nova posição das empresas em relação ao meio ambiente. Na própria Constituição Brasileira, o direito ambiental encontra sua atenção no capítulo VI do Título VIII, que só contém o art. 225, tendo assim tratamento específico e abrangente. Muito se tem discutido sobre clareza e qualidade na divulgação das informações geradas, ou seja, a forma pela qual existe a comunicação com seus usuários, em que as informações divulgadas nas demonstrações tradicionais parecem não atender as necessidades dos seus usuários, considerada sem relevância, havendo a necessidade de adicionar notas explicativas ou alguns relatórios administrativos e no tocante ao meio ambiente, relatórios ambientais tanto na espera particular como na estatal. Constata-se a relevância do estudo dos gastos em gestão ambiental por parte do Poder Público, pelo fato de resultar em impactos positivos, na melhoria da qualidade de vida da população, bem como garantia do nível de desenvolvimento socioambiental e as políticas de recuperação do meio ambiente. A presente pesquisa tem como objetivo identificar os investimentos ambientais em dois municípios paraibanos e sua evolução no período de 2009 a 2012. Com base nesta evolução, verificar a proporcionalidade destes com as despesas e receitas públicas do orçamento. Como fundamento justificativo para a realização da presente pesquisa, estabeleceu-se estudar dois os municípios paraibanos pela acessibilidade dos dados no sistema e acesso ao contador das mesmas. Os municípios estão localizados na mesorregião do Sertão Paraibano, na região oeste do Estado da Paraíba. O município 1 com população total é de 32.654 habitantes e uma área total de 888,82 km². Já o Município 2 conta com uma população de 100.674 e com uma área de 473,056 km². Os municípios estudados são banhados por rios, que são responsáveis pelo abastecimento de água das cidades, irrigação da agricultura e fonte de vida para a população da região, impactando diretamente no meio ambiente. Segundo Almeida (2010, p. 20), “a cobrança da sociedade quanto às questões ambientais atinge também a esfera pública, que por sua vez, conforme a legislação tem um papel a ser desempenhado no processo de preservação e restauração dos recursos naturais”. Valendo-se do acesso as informações por meio dos portais da transparência, caminhase para uma sociedade, com maior esclarecimento, propensa a cobrar mais investimento e transparência dos gestores quanto aos gastos públicos, promovendo o bem comum, tendo em vista que esses gestores, emanados pelo povo, tem a função de gerir os recursos públicos e aplicar os mesmos de acordo com a lei orçamentária, que também é objeto de apreciação do poder público na esfera legislativa, em que deve conter as devidas unidades orçamentárias, sendo as ações do governo conforme plano de trabalho elabora pelo gestor. Dado às evidências apresentadas, considera-se como problemática a análise dos gastos na função Gestão Ambiental, executados pelos municípios no período de 2009 até 2012, podendo realizar uma comparação com os objetos de estudo com as despesas e receitas orçamentárias. 2 Revisão Bibliográfica 2.1 Conceitos básicos da Contabilidade Pública Já no entendimento de Fortes (2006, p. 224), contabilidade pública é “o ramo da contabilidade que coleta, registra e controla os atos e fatos da Administração Pública, mostra o valor de suas variações, bem como acompanha, controla e demonstra a execução do orçamento”. Deste modo, a contabilidade pública é um dos ramos ou especialização da contabilidade, que é utilizada na administração pública, que assim como a contabilidade comercial, tem o a finalidade de fornecer informações aos seus usuários, gestores públicos, tendo que atender as respectivas leis que a norteia, tendo como finalidade a eficiência na gestão pública. Corroborando com esse entendimento, a contabilidade pública é uma ferramenta capaz de produzir relatórios que sirvam à administração no processo de tomada de decisões e de controle de seus atos, demonstrando seus efeitos produzidos na gestão no patrimônio da entidade (KOHAMA, 2012). A contabilidade pública, regulamentada no Brasil pela Lei Complementar nº 4.320, de 17 de março de 1964, faz uso de algumas ferramentas capaz de acompanhar a administração pública, por meio do balanço orçamentário, o balanço financeiro, o balanço patrimonial e o demonstrativo das variações patrimoniais, que são utilizados para acompanhar a gestão, e no entanto da um maior subsídio a sociedade, promovendo o bem estar social. Nestas ferramentas para acompanhamento da gestão, analisam-se os itens que compõem o orçamento público: receitas e despesas públicas. A receita pública corresponde a todo ingresso de recursos financeiros arrecadados aos cofres públicos, com fim de ser aplicado pela administração pública, nas despesas públicas, em que essas receitas são provenientes de atributos ao órgão público, que irão produzir aumentos patrimoniais, sem gerar qualquer obrigação para o estado. Segundo Jund (2006), a receita pública orçamentária representa a fonte de recursos efetiva ou por mutação, pertencentes ao Estado, ou seja, não serão restituídos no futuro, previstos ou não na lei orçamentária e que será utilizado no financiamento de despesas públicas. Já a receita pública extra orçamentária consiste em recursos que serão restituídos no futuro, uma vez que pertencem a terceiros e constituem simples ingressos financeiros e transitórios no caixa do Estado, destinados ao pagamento de despesas extra orçamentárias. A despesa pública corresponde aos dispêndios da gestão pública, que visa saldar seus gastos fixados na LOA (Lei Orçamentária Anual) ou em lei especial, ou seja, as despesas públicas são aquelas que se encontram autorizadas para os diversos gastos fixados no orçamento, com a finalidade de realizar o bom funcionamento dos serviços públicos. A respeito da Receita Orçamentária, a Lei Federal 4.320/64, diz: “A receita orçamentária classificar-se-á nas seguintes categorias econômicas: Receitas Correntes e Receitas de Capital”. Segundo Kohama (2012): Receitas Correntes: as entradas de recursos originadas a partir de contribuições; patrimoniais; agropecuárias; industriais; de serviços; bem como os recebimentos de recursos de outras pessoas de direito público ou privado, no sentido de realizar despesas da mesma categoria, sendo as respectivas receitas denominadas de Transferências Correntes. A receita tributária, que corresponde à arrecadação de tributos também é uma receita corrente. Receitas de capital são provenientes da realização de recursos financeiros oriundos da constituição de dívidas; da conversão, em espécie, de bens e direitos; os recursos recebidos de outras pessoas de direito público ou privado, destinado a atender despesas classificáveis em Despesas de Capital, e ainda, o superávit do orçamento corrente. Andrade (2006, p. 89) define despesa pública: Constitui-se de toda saída de recursos ou de todo pagamento efetuado, a qualquer título, pelos agentes pagadores para saldar gastos fixados na Lei do Orçamento ou em lei especial e destinados à execução dos serviços públicos, entre eles custeios e investimentos, além dos aumentos patrimoniais, pagamentos de dívidas, devolução de importâncias recebidas a títulos de caução, depósitos e consignações. Dessa forma, a despesa pública, é a execução ou aplicação dos recursos públicos de acordo com o plano de trabalho e Lei Orçamentária, as quais estão fixadas todos os gastos a serem realizados no ano para determinado mandato, objetivando que exista um crescimento e contemple as necessidades da sociedade, no que diz respeito à educação, saúde e as devidas ações sociais que o município comtemple. A natureza das despesas da administração pública são subdivididas em orçamentária e extra orçamentária. Quanto à primeira, são as despesas que estão estabelecidas na lei do orçamento, ou seja, são previamente autorizadas pelo legislativo, e com relação à segunda, são despesas que não estão consignadas na lei do orçamento, ou seja, não são fixadas, uma vez que não pertencem ao órgão público, sendo resultado de recursos financeiros obtidos sob forma de receita extra orçamentárias. De acordo com Kohama (2012, p.98) pode concluir que a Despesa Publica classificase em dois grandes grupos: despesa orçamentária e despesa extra orçamentária. Ainda seguindo o entendimento do autor (op cit, 2012), apresenta a seguir a classificação das despesas públicas orçamentária segundo a Lei Federal 4.320/64, como devem figurar-se nos demonstrativos contábeis: Despesas correntes: denominam-se todas as despesas que não contribuem diretamente para a formação ou aquisição de um bem de capital, ou ainda em termo mais abrangente, que são todos os gastos de natureza operacional, realizados pelas instituições públicas, para a manutenção e o funcionamento das suas atividades. Despesas de capital: classifica-se nesta categoria aquelas despesas que contribuem diretamente para a formação ou aquisição de um bem de capital (KOHAMA, 2012). Com base no objeto de estudo, após a definição dos gastos públicos do orçamento, é relevante uma descrição mais precisa dos investimentos e gastos ambientais, preconizados nos conceitos básicos da contabilidade ambiental. 2.2 Conceitos básicos da Contabilidade Ambiental De acordo com Tinoco e Kraemer (2008), a contabilidade deveria buscar responder a um novo desafio: atender aos usuários interessados na atuação das empresas sobre o meio ambiente, subsidiando o processo de tomada de decisão, além das obrigações com a sociedade no que tange à questão ambiental. Esse ramo da contabilidade surgiu na década de 70, quando as entidades passaram a priorizar as questões ambientais, contudo só foi reconhecida como ramo da ciência contábil no ano de 1998, com a finalização do Relatório Financeiro e Contábil sobre o Passivo e Custos Ambientais pelo Grupo de Trabalho Intergovernamental de Contabilidade e Relatórios. Com relação à definição da contabilidade ambiental, Ferreira (2008. p. 59) afirma que, a não é uma nova contabilidade, mas, “um conjunto de informações que relatem adequadamente, em termos econômicos, as ações de uma entidade que modifiquem seu patrimônio”. Como essas informações são destinadas aos seus usuários, Carvalho (2007, p. 40) menciona que: “Os usuários da informação contábil buscam, portanto, uma tradução dos benefícios e malefícios, causados ao meio ambiente, bem como os efeitos destes no patrimônio das entidades através da expressão monetária”. Partindo desta premissa, pode-se afirmar que a contabilidade ambiental tem o objetivo de identificar, mensurar e até mesmo esclarecer os eventos e transações que estejam interligados com a proteção, preservação e recuperação ambiental, ocorridos em um determinado período, e que a terminologia ambiental deverá ser adicionada ao conceito de contabilidade, seguindo os conceitos, princípios e postulados da ciência contábil, pois a contabilidade ambiental configura-se como um verdadeiro espelho das interações de uma empresa com o meio ambiente. Para Tinoco e Kraemer (2008, p. 181), os “ativos ambientais são os bens adquiridos pela companhia que têm como finalidade controle, preservação e recuperação do meio ambiente.”, e que adotando esse mesmo pensamento e apenas complementando, Carvalho (2007) define: “Ativos ambientais como bens e direitos da entidade, que estão relacionados com a proteção, preservação e recuperação ambiental, e que estejam aptos a gerar benefícios econômicos futuros para entidade”. Os ativos ambientais podem ser entendidos como os gastos relacionados aos investimentos com a proteção, preservação e recuperação do meio ambiente durante o período corrente e os futuros, para satisfazer o seu reconhecimento. Já os passivos ambientais, ocorrem em razão das atividades da empresa com o meio ambiente, que são responsáveis por causar diversos danos ao meio ambiente, quer eles tenham sido causados no passado ou no presente, no curto ou no longo prazo. Ribeiro (2010, p. 75) discorre que: Recentemente em moda, o termo Passivo Ambiental, quer se referir aos benefícios econômicos ou aos resultados que serão sacrificados em razão da necessidade de preservar, proteger e recuperar o meio ambiente, de modo a permitir a compatibilidade entre este e o desenvolvimento econômico, ou em decorrência de uma conduta inadequada em relação a estas questões. Segundo o autor, numa visão um tanto equivocada, os passivos ambientais são vistos como gastos para as organizações, em que normalmente existe uma obrigação a pagar ou um dever a cumprir, sem qualquer retorno, apenas com uma visão negativa, onde na verdade, resulta uma boa ação para com o meio ambiente, percebendo que a organização está investindo positivamente em prol do meio em que está inserida. No que concerne às despesas ambientais, Carvalho (2007, p. 14) define que, “são todos os gastos efetuados pela empresa que tenham relação com o Meio Ambiente”. Assim, esses gastos, podem assumir a forma de custos ou despesas, de acordo com sua natureza, nesse entendimento a empresa estará incorrendo em uma despesa ambiental. Contudo, que as despesas ambientais são gastos efetuados pela empresa, porém que não esteja ligado diretamente com o processo produtivo. Portanto, todos os esforços realizados na parte administrativa, referente a gestão ambiental e não a atividade fim da empresa, figura-se na responsabilidade da entidade com os aspectos ambientais. De acordo com Carvalho (2007, p. 139-140) representam: Custos de reciclagem de materiais; gastos com depreciação e amortização dos ativos ambientais; gastos relacionados com preservação e recuperação de áreas contaminadas ou degradadas; materiais utilizados na preservação ou recuperação ambiental; salários e encargos do pessoal empregado diretamente na área ambiental da entidade. Divergindo da despesa ambiental, os custos ambientais representam os esforços feitos pelas entidades, em bens ou serviços, que direto ou indiretamente, são capazes de promover a recuperação dos danos causados pelas atividades operacionais, seja por meio da preservação e/ou proteção do meio ambiente. Para, Hansen e Mowen (2003, p. 49), os custos ambientais podem ser: Custos de Prevenção Ambiental: são os gastos com as atividades que visam a prevenir a produção de resíduos que possam vir a ser jogados no meio ambiente. Por exemplo: contratação de mão-de-obra especializada na área ambiental, treinamento e conscientização de funcionários e substituição de materiais poluentes; Custos de Detecção Ambiental: são os gastos para observar se os produtos e processos da empresa estão cumprindo as normas ambientais apropriadas. Como exemplo, é possível citar: verificação de métodos e processos e testes e inspeções para verificação de parâmetros poluidores; Custos de Falhas Ambientais Internas: são associados à eliminação e gestão de contaminantes gerados no processo de produção, mas que ainda não foram despejados na natureza. São exemplos: manutenção de equipamento para poluição e tratamento e descarte de resíduos; Custos de Falhas Ambientais Externas: são decorrentes do despejamento de resíduos no meio ambiente. Podem, ainda, ser divididos em custos realizados de falhas externas, que são os custos criados e pagos pela empresa, e os custos não realizados de falhas externas, que são os custos sociais. Dessa forma, fazer a alocação correta dos custos ambientais pode resultar para os usuários das informações, oportunidades de uma melhor compreensão da natureza dos seus gastos, quer seja com prevenção, detecção, falhas ambientais internas ou externas, ficando evidente que esses custos ambientais estão relacionados aos gastos com impactos ambientais. Com relação ao conceito de receitas ambientais, na visão de Carvalho (2007, p. 142), representam “recursos auferidos pela entidade, em decorrência da venda de seus subprodutos ou de materiais reciclados”. Ou seja, ao transformar os restos de materiais que iriam para o lixo em um novo produto, agora colocado a venda, a entidade além de preservar o meio ambiente, deixando de desperdiçar, consegue angariar novas receitas e paralelamente aumentar seu lucro. Neste contexto, para Tinoco e Kraemer (2008, p. 192) citam as decorrências das receitas ambientais: Prestação de serviços especializados em gestão ambiental; Venda de produtos elaborados de sobras de insumo do processo produtivo; Venda de produtos reciclados; Receita de aproveitamento de gases e calor; Redução do consumo de matérias-primas; Redução do consumo de energia; Redução do consumo de água; Participação no faturamento total da empresa que se reconhece como sendo devida a sua atuação responsável com o meio ambiente. Todavia, nota-se que as receitas ambientais são resultados advindos de diversas naturezas, desde o reaproveitamento dos insumos, da redução dos custos desses insumos, como também das vendas destes agora, novos produtos, tendo como resultado o aperfeiçoamento dos processos e atitudes socialmente responsáveis, contribuindo assim para desenvolver uma política responsável acerca dos problemas ambientais. 3 METODOLOGIA No intuito de responder à problemática, com base no objetivo proposto da pesquisa, o fato de investigar e descrever os gastos ambientais, bem como os dados do orçamento, demonstra que esta pesquisa é descritiva, pois se preocupou em observar os fatos, registrá-los, analisá-los, classificá-los e interpretá-los. É considerada uma pesquisa documental. Esta pesquisa analisou os relatórios da contabilidade, das notas de empenhos pagos, com a função “Gestão Ambiental”; e, de relatórios guias de receitas orçamentárias no período de quatro anos (2009 a 2012). Estes demonstrativos eletrônicos foram obtidos no sítio da Secretaria do Tesouro Nacional (STN), do Tribunal de Contas Estadual (TCE) e do Sistema de Acompanhamento da Gestão dos Recursos da Sociedade (SAGRES). Após a identificação dos gastos e receitas orçamentárias, bem como os investimentos ambientais no período analisado, adotou- se como forma de comparação entre o município 1 e município 2, relacionar os investimentos ambientais municipais com a despesa pública total, com a receita pública total, com as receitas correntes totais e as receitas tributárias totais como se segue: Variável 1- desempenho ambiental (%) em relação às despesas orçamentárias (investimentos ambientais divididos pelas despesas orçamentárias) x 100 Variável 2 – desempenho ambiental (%) em relação às receitas orçamentárias (investimentos ambientais divididos pelas receitas orçamentárias) x 100 Variável 3 - desempenho ambiental (%) em relação às receitas correntes (investimentos ambientais divididos pelas receitas correntes) x 100 Variável 4 - desempenho ambiental (%) em relação às receitas tributárias (investimentos ambientais divididos pelas receitas correntes) x 100 Escolheu-se a variável 3, no que concerne comparar os investimentos ambientais com as receitas correntes, pelo fato desta receita representar os recursos todos recebidos por terceiros, sendo uma boa comparação no que está sendo investido de retorno para a sociedade, no que se refere ao meio ambiente. Já com relação a variável 4, inseridas nas receitas correntes totais, as receitas tributárias apresentam tudo o que foi arrecadados pelos contribuintes de tributos, que via de regra é destinado ao bem estar social dos indivíduos, inclusive ambiental. Para melhor visualização dos resultados, utilizaram-se gráficos, por meio do software Microsoft Excel. Não foi possível analisar os dados do ano de 2013, já que não estavam disponíveis no período da investigação da pesquisa. 4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DE RESULTADOS Neste item são evidenciados os dados da pesquisa, conforme os relatórios financeiros dos municípios estudados no período de 2009 a 2012. 4.1 Variações Financeiras do orçamento dos municípios estudados DESPESAS TOTAIS RECEITAS TOTAIS RECEITA CORRENTE 9.638.644,28 1.784.412,61 7.750.599,04 1.436.640,59 6.435.169,43 1.396.889,33 1.028.267,24 165.000.000,00 150.000.000,00 135.000.000,00 120.000.000,00 105.000.000,00 90.000.000,00 75.000.000,00 60.000.000,00 45.000.000,00 30.000.000,00 15.000.000,00 0,00 5.976.244,21 Analisando as variáveis financeiras (receitas e despesas) que compõem os orçamentos dos municípios, procurou-se analisar os volumes financeiros de cada variável: receita e despesas orçamentárias no período em análise. O gráfico 01 apresenta esses resultados. RECEITA TRIBUTÁRIA Gráfico 01 – Demonstrativo financeiro dos municípios paraibanos estudados Fonte: Adaptado de Sousa e Leite (2013). Os dados apresentados no gráfico 01 confirmam as diferenças existentes nos municípios pesquisados. O município 2, por sua vez, tem uma população bem maior em relação ao município1 (cerca de 208%). Neste sentido, as variáveis financeiras destes municípios, receitas e despesas, certamente se apresentaram proporcionalmente a capacidade e potencialidade de sua região. Ao observar as receitas totais e receitas correntes auferidas pelos municípios, pode destacar que o montante captado pelo município 2 é superior ao do município 1, ultrapassando o limite de 72% a mais de recursos financeiros, em todos os períodos analisados. Em relação às despesas totais, como observado nas receitas, o volume de dispêndios financeiros mantém praticamente a mesma proporção, sendo que no município1, o direcionamento dos gastos públicos ocorre proporcionalmente ao crescimento das receitas auferidas. No entanto, o município 2, com exceção do ano de 2012, apresentou um volume de despesas totais sempre superior ao total das receitas captadas. Cabe destacar uma variável financeira importante na gestão pública que é a Receita Tributária, ou seja, a receita produzida através da arrecadação de tributos dos contribuintes, que pelo conceito, deve ser devolvido à população, através de melhorias na qualidade de vida dos cidadãos. Neste recurso, o município 2 se destaca consideravelmente, por apresentar em média, uma arrecadação superior a 82% em relação ao município 1 na captação recebimentos tributários. Neste sentido, espera-se que o município 2, também se destaque no volume de recursos financeiros destinados aos gastos com Gestão Ambiental, como forma de retribuir à população, a contribuição auferida nos impostos em investimento no meio ambiente. 4.2 Investimentos Públicos em Gestão Ambiental Nos municípios pesquisados, os investimentos públicos com Gestão Ambiental analisados abrangem três subfunções: Preservação e Conservação Ambiental, Recursos Hídricos e Demais Subfunções de Gestão Ambiental. A tabela a seguir ilustra os gastos investidos em Gestão Ambiental no período analisado pelas prefeituras. 200.000,00 180.000,00 160.000,00 140.000,00 120.000,00 100.000,00 80.000,00 60.000,00 40.000,00 20.000,00 0,00 Preservação e Conservação Ambiental Recursos Hídricos 2009 2010 2011 Município 2 Município 1 Município 2 Município 1 Município 2 Município 1 Município 2 Município 1 Demais Subfunções da Gestão Ambiental 2012 Gráfico 02 – Investimentos em Gestão Ambiental nos Municípios Paraibanos Fonte: Adaptado de Sousa e Leite (2013). De acordo com o gráfico 2, é necessário destacar que dentre os anos pesquisados, o ano de 2009 apresentou o maior valor de investimento em gestão ambiental, no que tange à preservação e conservação ambiental. Neste sentido, o município1 apresentou um volume significativo de recursos destinados a Preservação e Conservação Ambiental. No município 2, maior volume de investimentos foi direcionado às “Demais Subfunções da Gestão Ambiental”, correspondendo a 63% a mais de investimento em Gestão Ambiental no período em relação ao município1. No ano de 2009, a maioria dos seus investimentos do município 1 foram destinados a subfunção “Preservação e Conservação Ambiental”. Na verdade, o que ocorreu foi um erro da Contabilidade, que no momento da elaboração do Orçamento do município no ano de 2008, alocou a ação de manutenção de atividades da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável atrelada à subfunção “Preservação e Conservação Ambiental”. Configurou, assim, um erro considerável no direcionamento real dos recursos gastos em Gestão Ambiental. Nos períodos posteriores (2010, 2011 e 2012) no município 2 esta subfunção referiuse a gastos para recuperação de matas ciliares (prestação de serviços pessoa física e jurídica, material de consumo), gastos de viagem para participação do Encontro de Intercâmbio e Capacitação dos Projetos selecionados por meio do Edital FNMA n.02/2005 - "Recuperação e proteção de nascentes e áreas que margeiam os corpos d´água” e alimentação (refeição) destinados aos trabalhadores do Projeto de "Recuperação de matas ciliares e proteção de nascentes para abastecimento urbano do município”. Em 2011, a maioria parte desses gastos foi com despesas alusivas à indenização de campo, referente ao plantio nas áreas do projeto de recuperação de matas ciliares e proteção de nascentes. No ano de 2009, o município 2 apresentou o maior volume de investimento para a subfunção “Demais Subfunções de Gestão Ambiental”. Ocorre que, também houve um equívoco na classificação contábil na função “Gestão Ambiental”, pois deveria ter sido alocado à função “Agricultura”, sendo contabilizado erroneamente. As que realmente tratam de investimentos em Gestão Ambiental, referiram-se a diversos pagamentos dos prestadores de serviços pessoa física, pessoa jurídica e gastos com consumo, que são alocados na ação governamental, na recuperação de matas ciliares. Deste modo, ainda tratando do ano de 2009, vale salientar que a partir do referido período houve mudança de profissional da contabilidade para os dois municípios, que atualmente é o mesmo contador. Deste modo, a partir de 2009 todos equívocos foram corrigidos e nos anos seguintes, não havendo problema em alocação de recursos. Nos anos posteriores, observa-se que nos dois municípios estudados, a maioria dos investimentos em gestão ambiental estão alocados em “Demais Subfunções de Gestão Ambiental”, com exceção apenas do ano de 2009, que investiram em “Preservação e Conservação Ambiental e Recursos Hídricos”, respectivamente. A partir do ano de 2010 houve uma queda no volume de investimentos em Gestão Ambiental nos dois municípios pesquisados. O município 1 em relação nos anos seguintes (2011 e 2012), apresentou um aumento progressivo em torno de 48% e 34%, respectivamente, no total de investimentos. Já o município 2, em 2010, apresentou uma queda de mais de 99% do volume de investimento. Mesmo considerando o aumento nos anos seguintes (2011 e 2012), não conseguiu superar nem equiparar o montante investido no primeiro ano, embora se sabe que parte desses recursos foram destinados erroneamente na alocação das contas em 2009. No ano de 2012, constatou-se um gasto na “Subfunção Recursos Hídricos” do município 1, que conforme as notas de empenho, foi destinado para a perfuração de 07 (sete) poços artesianos, sendo dois (02) em escolas municipais, quatro (04) em comunidades rurais e um poço no estádio de futebol da cidade servindo para irrigação do gramado. Em virtude do maior volume dos dois municípios estarem relacionados às “Demais Subfunções de Gestão Ambiental”, realizou-se um levantamento mais detalhado para identificar do que se trataram tais gastos. No município 1 estes tratavam-se de gastos com manutenção das atividades da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e despesas com manutenção e fornecimento de material de trabalho para podagem de árvores. Atualmente este município encontra-se na III Fase de execução de uma Obra de Esgotamento Sanitário, no valor inicial de R$ 18.000.000,00 (dezoito milhões de reais) e que essa despesa encontra-se ilustrada nos quadros orçamentários como despesa na Função “Saneamento”. Estes recursos foram captados através do Governo Federal pelo Programa de Aceleração do Crescimento – PAC/2. Já no município 2 referem-se a gastos com a ação Manutenção das Atividades da SEMADS, que vai desde gastos com folha de pagamento com o pessoal de toda a secretaria do meio ambiente, serviços de terceiros de pessoa física e pessoa jurídica, confecções de mudas de “nim” (árvore da família “Meliaceae”) e material de consumo em geral. Observou assim, na coleta de dados, a inexistência de contas específicas referentes ao controle ambiental e recuperação de áreas degradadas. Sabe-se que estas contas relacionam investimentos e gastos na gestão ambiental, principalmente para as cidades. Devido à existência de contas, que relacionam outras subfunções da Gestão Ambiental, pretendeu-se analisá-las com maior intensidade, para se atingir o objetivo proposto da pesquisa. 4.3 Análise comparativa com as despesas e receitas públicas orçamentárias com os investimentos públicos ambientais Apesar das limitações nos resultados encontrados nos investimentos ambientais dos municípios no ano 2009, em virtude de uma classificação equivocada, neste item utilizarão os mesmos dados coletados, pois não há a possibilidade de uma reclassificação nos dois municípios. Neste sentido, segue análise dos investimentos ambientais coletados, relacionando (dividindo o valor) com os gastos e receitas públicas totais dos orçamentos municipais já em percentuais. Na variável 1 propõe a verificar o quanto da Receita Total das Prefeituras vem sendo aplicado em meio ambiente. Portanto, é uma variável extremamente relevante, pois faz relação dos recursos que entraram nos cofres do município quanto foram efetivamente gastos com Meio Ambiente, em valores relativos. Segue adiante o gráfico 03 com os resultados encontrados. 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0 % 2009 2010 Município 1 2011 2012 Município 2 Gráfico 03 – Investimentos totais versus Receitas Públicas Fonte: Adaptado de Sousa e Leite (2013). Conforme observado no gráfico 03, o período que apresentou maior índice de gastos com Gestão ambiental em relação às receitas totais, para ambas as prefeituras, foi o ano de 2009, sendo destaque o município 1, que apresenta um desempenho mais que dobro do representado pelo município 2. Nos anos seguintes, 2010 a 2012, os resultados apresentam-se mesmo seguimento, sendo que o município 1, em números percentuais e relativos, direciona muito mais investimentos ao meio ambiente, conforme gráfico. Mesmo o município 2 tendo potencial financeiro maior que o município 1, fica confirmado que esta supera em cem vezes mais o volume de investimentos em gestão ambiental. O gráfico 04 sintetiza os resultados da variável 2, analisada a partir da relação dos valores referentes as despesas orçamentárias totais e os investimentos em Gestão Ambiental na prefeituras pesquisadas. 0,8 0,6 0,4 0,2 0 % 2009 2010 2011 Município 1 2012 Município 2 Gráfico 04 – Investimentos totais versus Despesas Públicas Fonte: Adaptado de Sousa e Leite (2013). O indicador trabalhado no gráfico 04 apresenta o desempenho ambiental voltado para às entidade públicas, fruto da relação entre as despesas orçamentárias totais, indicando o quanto das despesas efetuadas pela entidade refere-se aos gastos com ações e programas na área ambiental. Partindo da análise do gráfico 04, constata-se que do total das despesas orçamentárias totais realizadas, o município 1 destinou cerca de 0,72 % para a Gestão Ambiental, enquanto o município 2 direcionou apenas 0,23%. Nos anos seguintes, a partir de 2010, observa-se uma redução significativa dos investimentos em gestão ambiental. Quanto à relação dos investimentos ambientais e o volume de receita corrente, (variável 3), o gráfico 05 explana os resultados dos municípios estudados. 0,8000 0,6000 0,5850 0,4000 0,2000 0,2551 0,0000 % 2009 0,1787 0,0022 2010 Município 1 0,2262 0,2662 0,0065 2011 0,0070 2012 Município 2 Gráfico 05– Investimentos totais versus Receitas Correntes Fonte: Adaptado de Sousa e Leite (2013). Os resultados expostos no gráfico 05, observa-se que em 2009 o município 1 mais que dobrou nos investimentos em Gestão Ambiental, se comparado ao município 2, aproximadamente 0,59% e 0,26%, respectivamente. A variável 4 representa os valores gastos com o meio ambiente em relação a receita tributária arrecadada, onde se pode visualizar no gráfico 06. Dentre as receitas correntes, a receita tributária por ser proveniente da arrecadação de tributos do município, junto aos contribuintes, apresenta os recebimentos que devem ser investidos no próprio município, que contribua para o bem estar social da comunidade, dentre os quais, o meio ambiente. De acordo com os dados analisados o gráfico 06 apresenta o volume de recursos gastos com gestão ambiental em relação a receita tributária dos municípios. 14,0000 12,0000 12,6324 10,0000 8,0000 6,0000 4,0000 3,4749 4,6425 4,9889 0,0967 2011 0,0900 2012 3,2239 2,0000 0,0000 % 2009 0,0327 2010 Município 1 Município 2 Gráfico 06– Investimentos totais versus Receitas Tributárias Fonte: Adaptado de Sousa e Leite (2013). Observa-se que, no ano de 2009, o maior período de investimento nessa ação, o que reflete diretamente nos índices estudados. Salvo as limitações desta pesquisa devido ao equívoco contábil da classificação neste ano, o município 1 apresenta um índice de desempenho quase quatro (04) vezes maior do que o município 2. Retirando essas ressalvas especiais no ano de 2009, analisa-se que nos anos de 2011 e 2012, o município 1 apresenta um valor 50 vezes superior ao outro município pesquisado. De um modo geral, ao analisar os resultados encontrados, a partir do comparativo dos gastos com o meio ambiente em ambas as prefeituras, percebe-se que ainda não há uma a prioridade de ações voltadas ao desenvolvimento de políticas públicas direcionadas a preservação e conservação do ecossistema regional, tendo em vista que em relação à receita tributária não possui qualquer vinculação, simplificando o processo de reverter para o município em análise essa obtenção de receitas em melhorias para a cidade, no caso, pensando-se no futuro, em gestão ambiental. 5 CONCLUSÕES / CONSIDERAÇÕES FINAIS Um dos papéis dos municípios é arrecadar tributos, para que desta forma, possa atender as necessidades básicas da população, além de uma boa aplicação dos outros recursos recebidos pelo Governo Estadual e Federal. Destarte, é de responsabilidade dos gestores a forma de gerir os recursos que normalmente são escassos, de modo a evitar comprometer as receitas correntes do município com o pagamento de dívidas, seja no curto ou longo prazo, e assim, conforme a Lei de Responsabilidade Fiscal, aplicar os recursos de acordo o percentual estipulado por lei tanto em educação como na saúde. Os gastos públicos com Gestão Ambiental também precisam ser inseridos de forma satisfatória, pois tudo que afeta o meio ambiente, também afeta toda a sociedade. Os municípios pesquisados demonstraram investimentos em Gestão Ambiental pouco expressivos, se comparados com o montante recebido de suas receitas, bem como a proporcionalidade das despesas orçamentárias empenhadas. No entanto, em termos comparativos, a relação do percentual de gastos realizados com Gestão Ambiental disponíveis pelos municípios 1 e 2 apresentaram resultados divergentes se comparados com sua área, população e recursos. O município 1, mesmo apresentando menor área, população e recursos financeiros, apresentou investimentos ambientais superiores ao serem comparados com o município 2. Este fator pode representar uma preocupação mais expressiva do gestor do município 1 e ou da Secretaria do Meio Ambiente. Inicialmente criou-se uma expectativa na coleta de dados do município 2, no tange a montantes mais expressivos, em virtude da comparação com o município 1, devido ao tamanho territorial, população e maiores recursos do município 2, por sua vez, o que apresentou resultados mais expressivos foi o município 1. Existem vários fatores que podem explicar esses resultados. Em regra geral, é necessário que assessores, responsáveis pelas secretarias e profissionais da área contábil e jurídica orientem o gestor quanto à necessidade de se investir em meio ambiente, como forma e possibilitar o retorno satisfatório dos valores auferidos dos contribuintes e condições de vida favorável a população. No que tange à responsabilidade do profissional da contabilidade, relevante comentar que este deve tomar o devido cuidado ao alocar as despesas em contas específicas, para que casos como ocorridos no ano de 2009 nos dois municípios não acontecem, pois geram limitações na análise no que concerne aos investimentos em Gestão Ambiental. Apesar de apresentar resultados menos expressivos, o município 2 já revela investimentos na Gestão Ambiental que demonstram a preocupação com o meio ambiente, onde se destacam os investimentos para recuperação de matas ciliares e de proteção de nascentes, indenizações de campo; e, confecções de mudas de “nim” (árvore da família “Meliaceae”). No município 1, os investimentos na Gestão Ambiental de maior destaque são aqueles relacionados a benefícios em escolas municipais, comunidades rurais e no estádio de futebol da cidade, com a perfuração de 07 (sete) poços artesianos. Outro investimento relevante para toda a sociedade, refere-se a terceira fase de execução de uma obra de esgotamento sanitário, contribuindo com o meio ambiente e com a saúde de todos. Como forma de melhoria na evidenciação das funções e Subfunções relacionadas à Gestão Ambiental Municipal é a existência de contas específicas referentes ao controle ambiental e recuperação de áreas degradadas para todos os municípios. REFERÊNCIAS ALMEIDA, Thiago Alexandre das Neves. Evidenciação dos Gastos com Gestão Ambiental em Municípios Nordestinos no Período de 2005 a 2008. 2010. 125 f. Dissertação (Mestrado em Ciências Contábeis) Pós-Graduação Multiinstitucional em Ciências Contábeis da Universidade de Brasília; Universidade Federal da Paraíba; e Universidade Federal do Rio Grande do Norte, João Pessoa, 2010. ANDRADE, Nilton de Aquino. Contabilidade pública na gestão municipal. 2ª edição. São Paulo: Atlas, 2006. BRASIL. Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Dispõe sobre as Sociedades por Ações. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/civil_03/leis/l6404consol.htm>. Acesso em: 16 jan. 2014. CARVALHO, Gardênia Maria Braga de. Contabilidade Ambiental: teoria e prática. Curitiba: Juruá, 2007. FERREIRA, Aracéli C de Sousa. et al (Organizadores) Contabilidade ambiental e relatórios sociais. São Paulo: Atlas, 2008; FORTES, João. Contabilidade Pública. 9. ed. Brasília: Franco & Fortes, 2006. HANDSEN, P. MOWEN, M. M. Gestão de Custos: Contabilidade e Controle. São Paulo: Pioneira, 2003, 783 p. JUND. Sergio. Administração, orçamento e contabilidade pública. 2. ed. São Paulo: Elsevier, 2006. KOHAMA, Hélio. Contabilidade Pública: Teoria e prática. 12 ed. São Paulo: Atlas, 2012. LEITE, Adriano Menino. Evidenciação dos indicadores de desempenho ambiental para o Setor público: um estudo de caso no município de Patos-PB no período de 2009 a 2012. Monografia apresentada ao Curso de Pós- Graduação, Lato Sensu, denominado Finanças com ênfase em Controladoria. Unidade Acadêmica de Ciências Contábeis do Centro de Ciências Jurídicas e Sociais, da Universidade Federal de Campina Grande – UFCG, Sousa, 2013. RIBEIRO, Maisa de Sousa. Contabilidade ambiental. São Paulo: Saraiva, 2010. SOUSA, Alecvan de França. Análise dos indicadores de desempenho ambiental para o setor público: um estudo de caso no município de Pombal-PB. Monografia apresentada ao Curso de Pós- Graduação, Lato Sensu, denominado Finanças com ênfase em Controladoria. Unidade Acadêmica de Ciências Contábeis do Centro de Ciências Jurídicas e Sociais, da Universidade Federal de Campina Grande – UFCG, Sousa, 2013. STN. SISTEMA DO TESOURO NACIONAL https://www.tesouro.fazenda.gov.br Acesso em: 30 set 2013. (2012). Disponível em: TINOCO, João Eduardo Prudencio; KRAEMER, Maria Elizabeth. Contabilidade e gestão ambiental. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2008.