Pedagogia Profª Drª Norinês Panicacci Bahia Currículo, cultura e sociedade: a construção da prática pedagógica no coletivo Currículo, Cultura e Sociedade 9 Objetivos do Tema: - Compreender a importância do surgimento de uma teoria sobre o currículo, como uma necessidade de organização de um campo especializado de estudos e pesquisas nesta área, apresentando as teorias tradicionais e as teorias críticas do currículo com vistas a favorecer a compreensão da evolução desta na organização do processo educativo da escola. - A partir da análise do contexto de formulação das teorias tradicionais e das teorias críticas do currículo, fornecer elementos para o fortalecimento de atitudes de investigação, de crítica e de reflexão sobre a construção do currículo. alguns desafios... 9 Compreender que o Currículo não se refere apenas a um rol de Disciplinas com conteúdos para serem trabalhados. 9 Compreender que a discussão sobre o currículo escolar envolve também questões de ordem ideológica, política, econômica e social. 1 Afinal, o que é currículo??? 9 Ato de correr, atalho, corte, parte de um curso literário, as matérias constantes de um curso. 9 Conjunto j de dados concernentes ao estado civil, ao preparo profissional e às atividades anteriores de quem se candidata a um emprego. 9 Do latim curriculu, carreira, curso, corrida, pequeno atalho, parte de um curso de literatura, série de acontecimentos que marcaram cultural e profissionalmente a carreira de um indivíduo. No campo da educação 9 O currículo apresenta variação no decorrer do tempo, dependendo da concepção de educação e de escola. 9 Tradicionalmente o currículo refere-se às f matérias ensinadas na escola ou à programação de estudos. Ampliando a discussão 9 Nas décadas mais recentes, o currículo passa a ser entendido em um sentido mais amplo, referindo-se à vida e a todo o programa da escola, inclusive às atividades extraclasses. “Talvez mais importante e mais interessante do que a busca da definição última de ‘currículo’ seja a de saber quais questões uma ‘teoria’ do currículo ou um discurso curricular busca responder. (...) A questão central que serve como pano de fundo para qualquer teoria do currículo é saber qual conhecimento deve ser ensinado.” (Silva, 1999, p. 14) 2 Questões para reflexão... • De onde vem o currículo? Quem o define? • Quem organiza o currículo na escola? • Todos devem participar desse processo? (diretor, coordenador, professores, alunos, pais, outros funcionários) • Duração: 10 minutos ...a nossa realidade, a nossa escola “(...) é por intermédio do currículo que as “coisas” acontecem na escola. O currículo é, em outras palavras, o coração da escola, o espaço central em que todos atuamos, o que nos torna, nos diferentes níveis do processo educacional, responsáveis por sua elaboração. O papel do educador no processo curricular é, assim, fundamental.” (p.18-19) ... e sobre o Currículo Oculto: “(...) envolve, dominantemente, atitudes e valores transmitidos, subliminarmente, pelas relações sociais e pelas rotinas do cotidiano escolar. Fazem parte do currículo oculto, assim, rituais e práticas, relações hierárquicas, regras e procedimentos, modos de organizar o espaço e o tempo na escola, modos de distribuir os alunos por grupamentos e turmas, mensagens implícitas nas falas dos(as) professores(as) e nos livros didáticos.” (Fonte: Currículo, Conhecimento e Cultura, de Antônio Flávio Moreira e Vera Maria Candau, in: Indagações sobre o Currículo – MEC/2007 ) ...a nossa realidade, a nossa escola 9 “Uma forma de trazer o currículo para o cotidiano profissional vem de uma prática que se torna familiar nas escolas: o trabalho mais coletivo dos(as) educadores(as). O planejamento por coletivos de área ou por coletivos de ciclo passou a ser um estilo de trabalho que tende a se g q generalizar. Tanto cada p profissional q quanto esses coletivos revêem os conteúdos de sua docência e de sua ação educativa. Junto com os administradores das escolas, escolhem e planejam prioridades e atividades, reorganizam os conhecimentos, intervêm na construção dos currículos.” (p. 20) (Fonte: Educandos e educadores: seus direitos e o currículo, de Miguel Gonzáles Arroyo, in: Indagações sobre o Currículo – MEC/2007) 3 ...a nossa realidade, a nossa escola “(...) Como a educação escolar pode se manter distante da diversidade sendo que a mesma se faz presente no cotidiano escolar por meio da presença de professores/as e alunos/as dos mais diferentes pertencimentos étnico-raciais, idades e culturas?” (p.17-18) “(...) é preciso ter clareza sobre a concepção de educação que nos orienta. Há uma relação estreita entre o olhar e o trato pedagógico da Diversidade e a concepção de educação que informa as práticas Educativas.” (p.18) (Fonte: Diversidade e Currículo, de Nilma Lino Gomes, in: Indagações sobre o Currículo – MEC/2007) A busca por uma definição mais precisa... 9 Uma teoria do currículo define uma seleção sobre o quê será “ensinado” e o quê se pretende que os alunos conheçam, se apropriem ou mesmo construam, em termos de saberes e conhecimentos. “O O currículo não é um elemento inocente e neutro de transmissão desinteressada do conhecimento social. O currículo está implicado em relações de poder, o currículo transmite visões sociais particulares e interessadas, o currículo não é um elemento transcendente ou atemporal – ele tem uma história, vinculada a formas específicas e contingentes de organização da sociedade e da educação.” (Moreira e Silva, 1994, p. 7-8) A organização de um campo As teorias sobre o currículo surgiram como uma necessidade de organizar um campo especializado de estudos e pesquisas nesta área. 9 Estudos E t d sobre b o currículo í l ►marcados ► d pela l influência norte americana (especialmente por conta da institucionalização da educação de massas - as discussões estadunidenses influenciaram muitos países europeus e alguns da América do Sul, especialmente o Brasil) 4 As teorias tradicionais (modelo tecnocrático) 9 Bobbitt e seu livro “The curriculum” (1918) foi um marco para as discussões sobre currículo, tornandose uma forte influência no século XX. De proposição extremamente conservadora, reforça a idéia de que a escola deveria funcionar como uma empresa. 9 Ralph Tyler, em 1949, apresenta um modelo de organização e desenvolvimento do currículo, que consolida a proposta de Bobbitt. Propõe uma divisão tradicional da atividade educacional, traduzida por: Currículo; Ensino e instrução; Avaliação. As teorias tradicionais (modelo tecnocrático) A intenção de Ralph Tyler era responder quatro questões: 9 Que objetivos educacionais deve a escola procurar atingir? (Currículo) 9 Que experiências educacionais podem ser oferecidas que tenham probabilidade de alcançar esses propósitos? (Ensino e instrução) 9 Como organizar eficientemente essas experiências educacionais? (Ensino e instrução) 9 Como podemos ter certeza de que esses objetivos estão sendo alcançados? (Avaliação) O currículo torna-se, assim, uma “questão técnica”, de planejar e elaborar instrumentos de medição. (conf. Silva, 1999, p. 25) As teorias tradicionais (modelo progressista) 9 Contrapondo-se a essa corrente tecnicista (de Bobbit e Tyler) , surge John Dewey, como idealizador de uma proposta progressista. Numa publicação de 1902 “The child and the curriculum” (“A criança e o currículo”), Dewey apresenta idéias e preocupações fortemente ligadas à construção da democracia, muito mais do que preocupações com o quadro da economia. “(...) ele achava importante levar em consideração, no planejamento curricular, os interesses e as experiências das crianças e jovens.” (Silva, 1999, p.23) 5 As teorias tradicionais Este é o cenário das discussões sobre as Teorias Tradicionais do currículo e, estes modelos – tecnocrático e progressista – que tanto nos influenciou, são contestados nos EUA a partir dos anos 70, com o movimento de “reconceitualização do currículo”, por uma discussão das teorias críticas. Curta - Animação 9 “Mão Mãe” Direção: Marcos Magalhães Ano: 1979 Duração: ç 5 minutos http://portacurtas.org.br/curtanaescola/pop_160.asp?Cod=788 Um indivíduo que nasce e cresce sob a tutela de uma imensa mão: que acalma, que afaga, que brinca... mas também que controla, que impõe, que manipula... Questão para reflexão... - É possível o desenvolvimento de práticas pedagógicas que ajudem j d a superar a iinfluência fl ê i da ideologia da classe dominante? Duração: 10 minutos 6 As Teorias Críticas Emergem na década de 1970 em contrapartida às teorias tradicionais, pois suas reflexões configuram o cerne das teorias críticas, que trazem no seu bojo palavras de ordem como: ideologia, reprodução cultural, classes sociais, conscientização, resistência, emancipação e libertação. Paulo Freire, Louis Althusser, Pierre Bourdieu e Jean-Claude Passeron, Michael Apple, Henry Giroux As Teorias Críticas 9Paulo Freire colabora com reflexões mais amplas para a educação, a partir de suas indagações sobre “ que ensinar?” “o i ?” e “o que significa conhecer?”, desvelando a formação social brasileira e o processo de dominação. As Teorias Críticas 9 Louis Althusser analisa a relação entre educação e ideologia, argumentando sobre os mecanismos de manutenção e controle da ideologia dominante que garantem a ordem por meio dos aparelhos repressivos do Estado (polícia, judiciário) e dos aparelhos ideológicos de Estado (religião,mídia,escola, família) 7 As Teorias Críticas 9 Pierre Bourdieu e Jean-Claude Passeron apresentam a ideia de que a reprodução social está ligada ao processo de reprodução cultural, ou seja, a reprodução da cultura dominante, que é a que tem prestígio, aceitação, é trad traduzida prestígio valorização alori ação e aceitação ida pelo capital cultural – essa cultura dominante se torna a cultura, que é a desejada e a ansiada pela maioria da população, porque “penetra” nos sujeitos como algo a ser atingido, pela força da aceitação e referência que se torna. As Teorias Críticas 9 Michael Apple tem como foco principal, em suas discussões, a crítica de como opera a organização da economia numa sociedade capitalista, que se traduz pela dominação de classe, pelos que detêm o capital econômico em detrimento dos que só possuem como recurso, a força de trabalho, numa relação entre exploradores e explorados. É o pensamento de Apple que melhor expressa a forte relação entre currículo e poder. As Teorias Críticas 9 Henry Giroux colabora para o desenvolvimento de uma teorização crítica sobre currículo, mas com uma ênfase acerca da cultura popular. É também considerado como um crítico às próprias teorias críticas críticas, que possuem em sua base de discussão, as teorias da reprodução (Althusser, Bourdieu e Passeron) pelo caráter pessimista e imobilista que estas representam. Giroux busca, no conceito de resistência, elementos para uma teorização crítica – como uma “pedagogia da possibilidade”. 8 Uma importante distinção entre as teorias tradicionais e as críticas “Os modelos tradicionais de currículo restringiam-se à atividade técnica de como fazer o currículo. As teorias críticas sobre o currículo, em contraste, começam por colocar em questão precisamente os pressupostos dos presentes arranjos sociais e educacionais. (...) As teorias tradicionais eram teorias de aceitação, ajuste e adaptação. As teorias críticas são teorias de desconfiança, questionamento e transformação radical. Para as teorias críticas o importante não é desenvolver técnicas de como fazer o currículo, mas desenvolver conceitos que nos permitam compreender o que o currículo faz.” (Silva,1999, p. 30) Finalizando... 9“O currículo é lugar, espaço, território. O currículo é relação de poder. O currículo é trajetória, viagem, percurso. O currículo é autobiografia, nossa vida, curriculum vitae: no currículo se forja nossa identidade. O currículo é texto, discurso, documento. O currículo é documento de identidade.” (Tomaz Tadeu Silva, livro: “Documentos de identidade”, 1999, p. 150) Uma mensagem... 9“Sawabona – Shikoba” Texto: Flávio Gikovate D Duração: ã 5 minutos i t http://mais.uol.com.br/view/5qal5ayeacp0/sawabona-shikoba--novojeito-de-amar-04023764DC993346?types=A Tolerância, respeito, diversidade, parceria... É possível encontrarmos novas formas e novos jeitos de convivermos em busca do bem-estar coletivo. 9 Boa Semana! Profª Drª Norinês Panicacci Bahia Todas as imagens são originárias do banco de dados. 10