ESTUDO DA QUALIDADE DOS ÔNIBUS COLETIVOS URBANOS EM CAMPINA
GRANDE
1;
2;
3.
Danillo Barros CORDEIRO Shara Sonally Oliveira de SOUSA Joherlan Campos de FREITAS
1.
Departamento de Estatística, Universidade Estadual da Paraíba-UEPB, Campus I, Campina Grande-PB. E-mail:
[email protected] . Telefone: (83) 3315-3459
2
Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental, Universidade Estadual da Paraíba-UEPB, Campus I,
Campina Grande-PB. E-mail: [email protected] . Telefone: (83) 3315-3333
3.
Departamento de Estatística, Universidade Estadual da Paraíba-UEPB, Campus I, Campina Grande-PB. E-mail:
[email protected] . Telefone: (83) 3315-3459
RESUMO
Este trabalho teve como objetivo avaliar a qualidade dos ônibus coletivo urbanos no município de
Campina Grande através de ferramentas da estatística descritiva. Os dados foram obtidos por meio
da aplicação de questionários no mês de outubro de 2012. Alguns dos resultados mostraram que: a
grande maioria dos entrevistados (86,7%) consideraram que os ônibus coletivos ultrapassam a
capacidade máxima de passageiros; com relação ao tempo de espera, 46% dos usuários acreditam
que os ônibus coletivos demoram mais de 30 minutos para passar e percebe-se que a maior parte da
população (51,67%) considera ruins os pontos de ônibus, que pode ser atribuído a fatores como
sinalização, cobertura e bancos para sentar.
PALAVRAS-CHAVE: Ônibus coletivos. Qualidade do serviço. Usuários.
1 INTRODUÇÃO
O ônibus é um dos principais meios de transporte coletivo do Brasil e sua
principal função consiste no transporte de passageiros nos seus diferentes destinos.
Por ser um transporte economicamente mais acessível, os ônibus urbanos coletivos
geralmente são utilizados por pessoas de todas as rendas que precisam se
locomover para as diversas regiões. Além de seu caráter acessível, é bastante
incentivado em virtude da diminuição da poluição ambiental e de engarrafamentos.
Quando se refere à utilidade de locomoção de consumidores, trabalhadores,
estudantes, entre outros, esse transporte público influencia diretamente na renda e
na economia da cidade, tanto na geração de emprego como na forma de benefício
para alguns empregados através do vale-transporte.
A constituição brasileira de 1988 ressalta como uma das competências do
município administrar o serviço público de transporte coletivo e, diante disso, é um
direito de todo cidadão ter um sistema de transporte coletivo urbano de qualidade.
Visto a importância do ônibus urbano cria-se uma expectativa que os métodos e
procedimentos para facilitar seu planejamento e apreciação sejam amplamente
aproveitados e constantemente aperfeiçoados (RODRIGUES, 2006).
Todavia, as empresas prestadoras dos transportes públicos, muitas vezes,
prestam um serviço desagradável a seus usuários em virtude da baixa rentabilidade
que podem ter investido na qualidade dos ônibus, afetando no cumprimento dos
direitos dos usuários. Diante Disso, é importante analisar a qualidade dos ônibus
urbanos para verificar se este direito público está adequado a oferecer um serviço de
acordo com o padrão necessário ao atendimento com qualidade e respeito que
merecem seus usuários.
Diversos autores já pesquisaram sobre este tema questionando a qualidade
dos ônibus urbanos. Rodrigues (2006) apresentou como os resultados da
apreciação do transporte público urbano por ônibus na cidade de São Carlos, sob
a perspectiva da qualidade dos serviços. Com bases nas avaliações, sobretudo
com relação aos resultados de pesquisa de opinião com os usuários, foram
identificados os principais aspectos positivos e negativos do transporte coletivo.
Rodrigues (2007) examinou, de forma técnica e crítica, o transporte coletivo com
base em pesquisa de opinião com os usuários e tratou da qualidade e da
relevância de fatores de qualidade do serviço, Com base na opinião dos usuários
foi instituída a situação do serviço ofertado pelas empresas operadoras na cidade
e foram propostas medidas para melhorar o nível da oferta. Portanto, este trabalho
teve como principal objetivo analisar a qualidade dos serviços dos ônibus coletivos
urbanos do município de Campina Grande, PB.
2 METODOLOGIA
A metodologia para o desenvolvimento do presente trabalho acadêmico
fundamentou-se em uma extensa revisão de literatura e aplicação de ferramentas da
estatística no estudo da qualidade dos serviços prestados pelos usuários de ônibus
coletivos urbanos.
A área da pesquisa foi o município de Campina Grande, localizado 132 km
da capital João Pessoa, no Estado da Paraíba PB, o qual possui 385.213 Mil
habitantes (IBGE, 2010).
Os dados apresentados neste trabalho foram obtidos mediante a técnica da
entrevista aplicada a 60 usuários de ônibus coletivos urbanos a partir de um
questionário pré-elaborado, nos dias 16 e 17 do mês de Outubro de 2012.
As análises dos dados coletados foram realizadas através de ferramentas da
estatística descritiva (BUSSAB; MORETTIN, 2007).
3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Através dos questionários aplicados aos usuários dos ônibus coletivos,
chegou-se aos seguintes resultados acerca de algumas características relevantes ao
prosseguimento do trabalho. Os resultados estão logo abaixo expostos através de
tabelas e gráficos. A Figura 1 mostra a porcentagem do sexo dos entrevistados com
o objetivo de verificar qual sexo usufrui mais desse transporte público.
Figura 1. Sexo dos entrevistados.
Fonte: própria (2012).
Percebe-se que a maior parte dos entrevistados foi do sexo feminino,
resultando em 58%; enquanto que a proporção de usuários do sexo masculino foi de
42%.
No quesito relacionado aos locais de parada de ônibus, diversos fatores
como iluminação adequada, sinalização eficiente, paradas com coberturas e bancos
para sentar estão interligados diretamente à qualidade das paradas de ônibus.
Assim, a figura 2 mostra a opinião dos usuários de ônibus coletivos de
Campina Grande sobre a qualidade das paradas de ônibus.
Figura 2. Avaliação dos entrevistados sobre a qualidade das paradas de ônibus.
Fonte: própria (2012).
Em Campina Grande, PB, percebe-se que a população considera ruins os
locais de parada, totalizando mais da metade (51,67%). Rodrigues (2006) verificou o
grau de satisfação relacionado com os locais de parada na cidade de São Carlos-SP
e constatou-se a mesma repreensão que ocorreu na cidade de Campina Grande,
PB. Percebe-se, desse modo, que a má qualidade das paradas de ônibus é uma
questão abrangente no sistema dos ônibus urbanos de outras cidades. A falta de
iluminação, sinalização, cobertura e bancos para sentar ainda são escassos em
grande parte dos locais de parada.
Com relação à segurança interna dos ônibus, é levado em conta roubos,
agressões e vandalismos praticados no interior do veículo.
Acerca disso, a figura 3 apresenta a opinião dos usuários com relação à
segurança interna dos ônibus.
Figura 3. Avaliação dos entrevistados sobre a segurança interna do ônibus.
Fonte: própria (2012).
Em torno de 51,67% dos entrevistados consideram regular o quesito da
segurança, ou seja, ainda deixa a desejar mais segurança dentro dos ônibus, isso
pode ser resolvido com a instalação de câmeras e GPS para agir com maior rapidez
nos casos de roubos e furtos. Sobre isso, Rodrigues (2007) aponta que um fatora
favor da segurança foi o sistema de bilhetagem eletrônica, que diminuiu o fluxo de
dinheiro no ônibus fazendo com que se tenha menos dinheiro nos caixas dos
cobradores e, nesse contexto, atraindo menos ladrões.
Serviços como, a devolução correta de troco, a paciência, o bom
atendimento com quem necessita de mais cuidados estão diretamente relacionados
ao comportamento dos cobradores.
Os resultados do comportamento dos cobradores de ônibus coletivos estão
representados na figura 4 a seguir.
Figura 4. Avaliação dos entrevistados sobre o comportamento dos cobradores.
Fonte: própria (2012).
Através da figura 4 verifica-se que 76,66% dos entrevistados avaliaram
como regular ou bom o comportamento dos cobradores, mostrando que os
operadores dos ônibus estão prestando um serviço aceitável, contudo, ainda
precisando de melhoras.
A lotação é definida como a quantidade de passageiros no interior do
veículo. Quando há um excessivo número de passageiros em pé gera desconforto
nos usuários devido à aproximação e restrição de movimentos. A Tabela 1 exibe os
resultados.
Tabela 1. Proporção de usuários que consideram a lotação nos ônibus coletivos acima do
limite máximo.
Lotação
Sim
Não
Porcentagem (%)
86,7
13,3
Fonte: própria (2012).
Através desta tabela pode-se perceber que a grande maioria (86,7%)
considera que os ônibus coletivos ultrapassam a capacidade máxima. Isso pode ser
resolvido investindo em ônibus articulados, aumentando, dessa forma, a capacidade
máxima de passageiros dentro dos ônibus.
O tempo de espera também foi avaliado pelos entrevistados. Acerca disso, a
figura 5 apresenta os resultados do tempo de espera dos ônibus coletivos.
Figura 5. Avaliação dos entrevistados sobre o tempo de espera dos ônibus.
Fonte: própria (2012).
A figura acima mostra que 46% dos entrevistados responderam que os
ônibus demoram mais de 30 minutos para passar. Isso traduz a falta de
confiabilidade com relação aos intervalos dos ônibus e, nesta perspectiva, os
usuários estão usufruindo de um serviço sem flexibilidade.
Segundo JARDIM (2002), o grau de conforto é determinado pelo ambiente
interno no veículo (temperatura, ventilação, nível de ruído etc.), dinâmica
(aceleração, nível de vibração), assentos anatômicos e acolchoados e arranjo físico
(largura das portas, largura do corredor, posição da catraca etc.).
Com base nessas considerações, a tabela 2 indica os resultados do conforto
dos ônibus.
Tabela 2. Resumo estatístico das notas atribuídas ao conforto dos ônibus.
Estatísticas
Média
Mediana
Moda
Mínimo
Máximo
Variância
DesvioPadrão
Nota
4,41
5,00
5,00
0,0
9,00
5,43
0,61
Fonte: própria (2012).
De acordo coma Tabela 2 observam-se os seguintes resultados pertinentes
à pesquisa: a média das notas dadas pelas pessoas para o conforto foi 4,41 com
desvio padrão 0,61; no que se refere à mediana, 50% dos entrevistados deram
notaiguais ou inferiores a 5; Já a nota que teve maior frequência foi
5,0,
representado pela moda; é possível destacar a partir dos dados que a maior nota
atribuída foi 9,0.
Diante do exposto, constata-se a necessidade de melhorar a qualidade na
prestação de serviço como um todo dos ônibus coletivos urbanos, visando um
melhor atendimento e conforto dos seus usuários.
4 CONCLUSÃO
Através desta pesquisa chegou-se a algumas conclusões pertinentes ao
tema trabalhado como: maior parte dos entrevistados foi do sexo feminino (58%)
enquanto que a proporção de masculinos foi de 42%; constatou-se que a maior
parte da população (51,7%) considerou ruins os pontos de ônibus, o que pode ser
atribuído a fatores como sinalização, cobertura e bancos para sentar; no que diz
respeito à segurança interna dos ônibus coletivos, 51,7% dos entrevistados
consideraram regular; quanto ao comportamento dos cobradores, observou-se que
76,66% dos entrevistados avaliaram como regular ou bom; verificou-se que grande
parte dos entrevistados (86,7%) considera que os ônibus coletivos ultrapassam a
capacidade máxima de passageiros; já com relação ao tempo de espera, 46% dos
usuários afirmaram que os ônibus coletivos demoram mais de 30 minutos para
passar. Por fim, conclui-se que a estatística foi de fundamental importância no
estudo da qualidade da prestação de serviço dos ônibus coletivos urbanos da cidade
de Campina Grande, PB.
5 REFERÊNCIAS
BUSSAB, W. O.; MORETTIN, P. A. Estatística Básica. 5. ed. São Paulo: Saraiva,
2007. 526 p.
IBGE cidades@ Campina Grande. Dados básicos de 2012: população, área.
Disponível em: http://ibge.gov.br/cidadesat/painel.php?codmun=250400#. Acesso
em: 23 out. 2012.
JARDIM, S. R. Avaliação do conforto do ônibus urbano: estudo de caso no
Distrito Federal. 2002. 86 f. Dissertação (Mestrado em Transportes) – Faculdade em
Tecnologia, Universidade de Brasília, Brasília, DF, 2002.
RODRIGUES, M. A. Análise do transporte coletivo urbano com base em
indicadores de qualidade. 2008. 81 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia Civil)
– Faculdade de Engenharia Civil, Universidade Federal de Uberlândia. Uberlândia,
MG, 2008.
RODRIGUES, M. O. Avaliação da qualidade do transporte coletivo da cidade de
São Carlos. 2006. 74 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Transportes) –
Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo – USP, São
Carlos, SP, 2006.
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