SECRETARIA DA SEGURANÇA PÚBLICA E JUSTIÇA Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Goiás Comando de Ensino Bombeiro Militar Academia Bombeiro Militar CURSO DE FORMAÇÃO DE OFICIAIS (CFO III) Alex Divino Pereira Situação da manutenção dos equipamentos operacionais de salvamento no 1º, 2º e 8º Batalhão Bombeiro Militar do Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Goiás. Goiânia-GO 2012 Alex Divino Pereira Situação da manutenção dos equipamentos operacionais de salvamento no 1º, 2º e 8º Batalhão Bombeiro Militar do Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Goiás. Artigo Monográfico apresentado em cumprimento as exigências para término do Curso de Formação de OficiaisCFO III sob orientação do Professor Cel. Dias. Goiânia-GO 2012 SECRETARIA DA SEGURANÇA PÚBLICA E JUSTIÇA Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Goiás Comando de Ensino Bombeiro Militar Academia Bombeiro Militar Alex Divino Pereira Situação da manutenção dos equipamentos operacionais de salvamento no 1º, 2º e 8º Batalhão Bombeiro Militar do Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Goiás. Artigo Monográfico apresentado em cumprimento as exigências para término do Curso de Formação de Oficiais- CFO III sob orientação do Professor Cel. Dias. Avaliado em _____/_____/_____ Nota final: ( ) _____________ Professor- Orientador Cel. Leônidas Eduardo Dias Goiânia-GO 2012 Situação da manutenção dos equipamentos operacionais de salvamento no 1º, 2º e 8º Batalhão Bombeiro Militar do Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Goiás. Alex Divino Pereira RESUMO A manutenção dos equipamentos operacionais é imprescindível para uma boa utilização dos mesmos, assim o Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Goiás (CBMGO) busca melhorar as condições dos equipamentos para uma boa resposta ao empregá-los nas ocorrências; o objeto deste trabalho foi verificar a situação em que esta sendo empregada a manutenção nas unidades 1º BBM, 2º BBM e 8º BBM do CBMGO. Primeiramente foi desenvolvido um embasamento teórico sobre os conceitos básicos de Salvamento e seus principais equipamentos; os conceitos e tipos de manutenção existentes, bem como os princípios básicos sobre equipamento de proteção individual (EPI). Logo em seguida houve o levantamento de dados através de aplicação de questionários, com perguntas objetivas, para 39 bombeiros militares que compõem as guarnições de Salvamento dos Batalhões Bombeiro Militar (BBM) supracitados. Após tabular e analisar os dados obtidos verificou-se a necessidade de melhorar a execução da manutenção já existente, aplicando os conceitos acima explanados. Percebeu-se também que os EPIs utilizados estão em boa condição segundo os entrevistados, mas que requerem um melhor controle e acondicionamento. Dessa forma foi sugerida a implantação de uma Seção de Manutenção de Equipamentos Operacionais que dará ao CBMGO uma maior autonomia sobre os mecanismos de manutenção de equipamentos operacionais e também dos EPIs. Palavras-chave: Manutenção/ Bombeiros/ Equipamentos ABSTRACT The maintenance of operating equipment is essential to a good use of them, so the Fire Brigade of the State of Goiás (CBMGO) seeks to improve the conditions of the equipment for a good response to employ them in the events, the object of this work was to verify the situation that is being used to maintain the units BBM1st, 2nd and 8th BBMBBM's CBMGO. We first developed a theoretical foundation in the basics Rescue and its main equipment, the concepts and types of existing maintenance as well as the basics of personal protective equipment (PPE). Soon afterwards there was data collection via questionnaires, objective questions for 39 firefighters that make up the lining of the Battalions Rescue Fireman Military (BBM) above. After tabular and analyze the data there is a need to improve existing execution of the maintenance, applying the concepts explained above. It was also felt that the PPE used are in good condition according to the interviewees, but require better control and packaging. Thus was suggested the establishment of an Equipment Maintenance Section Operating CBMGO that will give greater autonomy on the mechanisms of maintenance of operational equipment and also of PPE. Key-Words: Maintenance/Firefighters/Equipment 5 INTRODUÇÃO O Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Goiás é uma Instituição que presta diversos serviços a comunidade goiana entre eles pode-se citar o Resgate feito através das unidades de resgate (UR), o serviço de Analise de Projetos e Inspeção que promove a prevenção e combate a situações de incêndio e pânico, o serviço de Defesa Civil que atua na prevenção, preparação, resposta e reconstrução de situações que envolvem desastres e o serviço de salvamento (terrestre, aquático, em altura e outros) e combate a incêndio. Todos os serviços prestados por esta Instituição são pautados em um padrão de excelência, pois tem como objetivo final garantir a proteção a vida e ao patrimônio. Assim é muito importante que os meios para que eles sejam executados estejam da melhor forma possível, desde o material humano até os equipamentos operacionais. A preparação técnico-profissional dos militares envolve uma formação continuada através de diversos cursos de formação e especialização promovidos pelo Comando de Ensino e executados pela Academia Bombeiro Militar. Os equipamentos operacionais necessários para cada tipo de serviço são adquiridos através do Comando de Apoio Logístico, no qual recebe os materiais, incorpora na carga patrimonial da Instituição, no caso de material permanente, e distribui nas unidades de acordo com a necessidade e estudos de logística, sempre com a permissão do Comando Geral da Instituição. Esses equipamentos são muito importantes para que o serviço seja realizado num padrão de excelência, os mesmos têm que estar em perfeita condição de uso na hora do seu emprego. Por isso a sua constante manutenção e um monitoramento eficiente podem possibilitar e garantir a sua condição de pronto-emprego. Assim, quando um equipamento ou material não esta em condições de uso, pode-se surgir à hipótese que o sistema de manutenção e monitoramento não está sendo empregado da melhor forma ou até não existam dentro do processo em análise. Assim, devido os relatos de diversos equipamentos operacionais sem condição de uso dentro do serviço operacional da Instituição, será realizado um Estudo de 6 Caso para verificar a real situação desses equipamentos e como é feito a manutenção e monitoramento dos mesmos. Buscando saber se é feito a manutenção preventiva e corretiva nos equipamentos operacionais, se existe um monitoramento desses equipamentos; quanto tempo um equipamento operacional fica sem condições de uso, se existe no momento algum equipamento sem condições de uso; se existem higienização e manutenção periódica dos equipamentos operacionais, se existe palestras (instruções) sobre a manutenção dos equipamentos; se existe uma sessão que realiza a manutenção e monitoramento dos equipamentos operacionais. Para o estudo foi focado o serviço de Salvamento Terrestre, realizado pela guarnição das viaturas com denominação ABS (Auto-Bomba e Salvamento), no qual a condição de pronto-emprego eficaz dos equipamentos é essencial para o desenvolvimento da operação. O estudo será pautado na realização de uma pesquisa bibliográfica sobre os principais conceitos de salvamento, seus principais equipamentos operacionais, bem como os conceitos envolvendo a manutenção e monitoramento de equipamentos. Com base nessa pesquisa será elaborado um questionário para verificar a situação dos equipamentos e como é feito sua manutenção e monitoramento, o mesmo deverá ser aplicado às guarnições do serviço operacional de salvamento do 1º BBM, 2º BBM e 8º BBM. Em seguida preparar e tabular os dados obtidos nos questionários aplicados e analisar os resultados encontrados, e assim propor sugestões e soluções para possíveis problemas observados. Portanto, analisar a situação do monitoramento e manutenção dos equipamentos operacionais da Instituição é de grande importância para o Corpo de Bombeiro Militar, pois levantará os principais pontos a serem abordados para melhorar a manutenção e conservação dos equipamentos usados no serviço operacional, despertando para uma discussão sobre a possibilidade de criar uma sessão de monitoramento e manutenção de equipamentos operacionais para a Corporação. Assim, a comunidade irá se beneficiar, pois serão minimizadas as falhas de equipamentos não comprometendo a vida da vítima, do bombeiro militar e o patrimônio. Promovendo também uma melhoria na capacitação continuada 7 técnico-profissional da Instituição, por buscar e difundir (através de instruções) novos conhecimentos sobre monitoramento e manutenção de equipamentos operacionais. REVISÃO DA LITERATURA Dentre os serviços prestados pelo Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Goiás e afirmados pelo artigo 125 da Constituição Estadual de Goiás (1989), o de Salvamento de pessoas e bens é de grande relevância, segundo De Araujo, no manual de Salvamento do Bombeiro Militar de Brasília, Salvamento é toda e qualquer operação realizada por uma equipe de bombeiros ou não, com a finalidade de salvaguardar vidas e bens em situações de riscos. Ainda, pode-se dizer que os serviços de salvamento consistem na remoção cuidadosa de pessoas, animais e/ou objetos dos mais variados sinistros e do atendimento imediato em primeiros socorros antes que os cuidados médicos sejam prestados. Portanto, Salvamento é toda ação ou auxílio prestado a uma pessoa ou animal que esteja em situação de perigo e que por algum motivo não tenha condições de se safar sozinha, devendo o bombeiro além de salvar, garantir a qualidade da vida das vítimas, bem como resguardar bens materiais que ainda não foram afetados pelo sinistro. No serviço de Salvamento têm-se as áreas de salvamento terrestre, aquático e em altura, cada qual com suas técnicas e equipamentos que aliados ao bombeiro militar garantem o sucesso da missão. O serviço de salvamento terrestre, segundo o manual de fundamentos dos bombeiros de São Paulo, consiste em diversos tipos de ocorrências como: acidente de trânsito com vítimas presas nas ferragens; desabamento; soterramento; vítimas no interior de poço; corte de árvore; vítimas em locais confinados; ocorrências envolvendo eletricidade e vítimas presas em elevadores, nos quais há a necessidade de técnicas e diversos tipos de equipamentos. 8 De acordo com o manual do curso de formação de soldados do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, os equipamentos de salvamento terrestre são: desencarcerador, macaco hidráulico, almofadas pneumáticas, tirfor, tripé, tesourão (corta-frio), moto-serra, moto-cortador, gerador à gasolina, rádio transceptor (portátil), cones de sinalização, escada de duralumínio, croque, alavanca, malho, pá, luva de raspa de couro, óculos de proteção, botas de borracha, lanternas, Machado; mas podem-se citar ainda os equipamentos de proteção respiratória (EPR), os cabos, frio oito, mosquetão e serra – sabre. Cada um desses equipamentos operacionais deve estar em perfeita condição de uso para o seu emprego nas ocorrências, assim a sua manutenção e monitoramento é fundamental para que isso ocorra. A manutenção consiste em “um conjunto de atividades e recursos aplicados aos sistemas e equipamento, visando garantir a continuidade de sua função dentro de parâmetros de disponibilidade, de qualidade, de prazo, custos e vida útil adequado” Lima & Castilho (2006). Assim, a manutenção é considerada um processo que se inicia antes da aquisição e tem como objetivo principal o prolongamento da vida útil do equipamento ou sistema. Ela pode ser classificada quanto a sua função em relação ao tempo, segundo Slack et. Al. (1999), como manutenção preventiva, corretiva e preditiva. A primeira é aquela que procura evitar e prevenir antes do defeito ocorrer. Caracteriza-se pela substituição de peças ou componentes antes que seu tempo de uso seja completado, evitando assim a ocorrência de falhas. De acordo com a NBR 5462Confiabilidade e Mantenabilidade (1994) Manutenção preventiva “é a manutenção efetuada em intervalos de tempos predeterminados, ou de acordo com critérios prescritivos, destinados a reduzir a probabilidade de falha ou degradação do sistema ou de um item.” A manutenção corretiva é o tipo mais antigo sendo o mais utilizado em qualquer empresa que possua itens físicos, qualquer que seja o nível de planejamento da manutenção. Segundo a NBR 5462 (1994) “é a manutenção 9 efetuada após a ocorrência de uma pane, destinada a recolocar um item em condições de executar uma função requerida.” Portanto, é toda manutenção com intenção de corrigir falhas em equipamentos, componentes, módulos ou sistemas, visando restabelecer sua função. Esse tipo de manutenção normalmente tem alto custo, pois podem acarretar em prejuízos como perdas de produção e queda na qualidade do produto ou também na incapacidade de desenvolver o serviço necessário e até mesmo colocar em risco a vida de quem opera o equipamento ou sistema. As paralisações são quase sempre mais demoradas e geram insegurança, pois não se pode confiar no equipamento ou sistema, assim não se sabe quando o equipamento poderá novamente ser utilizado. E se a necessidade do equipamento ou sistema for prioritária poderá acrescer muito o custo da manutenção, pois pode não haver um planejamento para compra da peça a ser utilizada no reparo. Outra manutenção é a preditiva que pode ser considera uma forma evoluída a manutenção preventiva. Com o aperfeiçoamento da informática, tornou-se possível estabelecer previsão de diagnósticos de falhas, através da análise de certos parâmetros da utilização do equipamento ou sistema. Fazendo o acompanhamento sistemático das variáveis que indicam o desempenho dos equipamentos, define-se a necessidade de intervenção. Segundo Slack et. Al. (1999) manutenção preditiva é “monitorar minuciosamente as instalações para tentar predizer quando a parada pode ocorrer e antecipá-la através dos reparos na instalação”. Assim, essa manutenção exige uma mão-de-obra qualificada para realizar análise e diagnostico do equipamento ou sistema avaliado, levando em conta os dados registrados. Segundo Maximiano (2006), o monitoramento “consiste em acompanhar e avaliar a execução da estratégia”. O monitoramento deve ser realizado com base nos mesmos indicadores utilizados na hora de se elaborar o planejamento estratégico. Esse monitoramento pode ser realizado com informações primárias, como data de registro, identificação e data de manutenção ou também com a análise 10 sistemática de dados secundários, fazendo assim um acompanhamento continuo de todo o processo de manutenção do equipamento. Portanto, monitorar é muito importante porque promove informações úteis para a seção de manutenção no sentido de subsidiar a tomada de decisões futuras como que tipo de equipamento comprar, qual o período ideal para a manutenção preventiva, que cursos e instruções devem ser ministrados, enfim em que fase do processo está ocorrendo as principais falhas e como superá-las. Assim, analisando cada sistema ou equipamento verifica-se a melhor forma de manutenção a ser aplicada, pois existem particularidades em cada equipamento operacional. Outro aspecto a ser observado é o modelo e marca, onde se observa diferentes formas de manutenção para um mesmo tipo de equipamento operacional. Dessa forma, o melhor a seguir é o manual de manutenção do equipamento no qual terá a melhor forma de manutenção do mesmo. Como existem diversos tipos de modelo e marca de equipamento não será privilegiado um só tipo; dando importância ao conceito geral de manutenção e seus tipos, mas sempre lembrando que para fazer as manutenções citadas dever-se-á consultar o manual especifico de cada equipamento. Portanto em uma empresa prestadora de serviços como o Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Goiás a manutenção e recuperação das falhas devem ser bem planejadas e o tempo de normalização deve ser reduzido ao máximo, de modo que não interfira negativamente na qualidade da prestação do serviço ao cliente. Além da manutenção dos equipamentos operacionais que podem garantir a excelência do serviço prestado pelo CBMGO e a segurança dos bombeiros militares que manipulam esses equipamentos deve-se observar também a manutenção dos equipamentos de proteção individual (EPI), bem como sua higienização e acondicionamento. Consideram-se EPI de acordo com a Norma Regulamentadora (NR) n. 6 “todo dispositivo ou produto, de uso individual utilizado pelo trabalhador, destinado à proteção de riscos suscetíveis de ameaçar a segurança e a saúde no 11 trabalho”, assim é imprescindível o seu uso pelos bombeiros militares nos diversos tipos de sinistros enfrentados. Para as guarnições de salvamento de acordo com o Manual Técnico de Bombeiros n. 3 do Corpo de Bombeiros da Policia Militar de São Paulo os principais EPIs são luvas, óculos de proteção, capacetes, capas de proteção, bota de cano longo, máscaras de proteção facial, equipamento de proteção respiratória e pode-se citar ainda a luva de alta-tensão e luvas de procedimento. Assim, de acordo com a NR 6 os fabricantes devem fornecer instruções sobre a limpeza e higienização dos EPIs, entretanto os empregados tem o dever de manter em condições de uso os mesmos e o empregador deverá adquirir o EPI adequado ao risco de cada atividade, exigir seu uso, orientar e treinar o trabalhador sobre o uso adequado, guarda e conservação, substituir imediatamente, quando danificado ou extraviado e responsabilizar-se pela higienização e manutenção periódica dos mesmos. METODOLOGIA Após realizar o embasamento teórico sobre a manutenção dos equipamentos operacionais foi desenvolvido os caminhos metodológicos para realizar a pesquisa sobre a situação observada, dentre os propósitos que parecem recorrentes aos estudos científicos à luz dos estudos de SELLTIZ et al. (1959, apud BAÍA et. al., 2010) optou-se, para esta pesquisa, ganhar familiaridade com um determinado fenômeno a fim de especificar um determinado problema de pesquisa; descrever de forma acurada as características ou associações entre determinados agentes, contextos ou fenômenos, ou mesmo a freqüência com a qual eles interagem. Segundo SELLTIZ et al. (1959, apud BAÍA et. al., 2010), a predominância de um ou outro propósito – respectivamente, exploratório, descritivo e correlacional em dado estudo é o que indica a sua natureza. Em relação a esta pesquisa o caráter exploratório predominou. Isso não significa que descrições e associações não 12 pudessem emergir no caminho, mas que sua intenção foi, essencialmente, buscar uma maior compreensão do fenômeno em análise. Assim, o método mais adequado para a análise é o estudo de caso, pois segundo YIN (1989, apud BAÍA et. al., 2010), a abordagem metodológica de estudo de caso é utilizada quando as perguntas a serem respondidas são “como” e “porque”, quando o investigador tem um pouco de controle sobre os eventos e quando o foco é no fenômeno do contemporâneo com um pouco de contexto real. Este estudo de caso foi realizado através de aplicação de questionário ao publico alvo sobre a situação da manutenção dos equipamentos operacionais, o público estudado foram os componentes das guarnições de salvamento do 1º BBM, 2º BBM e 8º BBM, todos situados na cidade de Goiânia. Cada guarnição é composta de quatro bombeiros militares; e em cada Batalhão Bombeiro Militar (BBM) existe três alas de serviço operacional, totalizando um total de 36 bombeiros militares. Mas devido a situação dos alunos do curso de formação de praças estarem estagiando nas guarnições foi aplicado um total de 39 questionários, cada questionário com 17 questões sobre a situação da manutenção dos equipamentos operacionais e também sobre a situação dos equipamentos de proteção individual (EPI). Portanto, foi realizada uma pesquisa descritiva, onde os dados foram coletados sem a interferência do pesquisador. A pesquisa descritiva não propõe soluções, apenas descreve os fenômenos tal como são vistos pelo pesquisado, o que não significa que não serão interpretados, mas somente que a contribuição que se deseja dar é no sentido de promover uma análise da situação, com isso, penetrar em sua natureza ou para dimensionar sua extensão (MEZZAROBA; MONTEIRO, 2006). 13 RESULTADOS E DISCUSSÕES Analisando os dados obtidos no questionário (Anexo 1) observa-se que alguns equipamentos operacionais ficam rotineiramente sem condição de uso. Os equipamentos citados pelos entrevistados seguem descritos no gráfico 1. Onde os mais citados foram: lanterna com 31 comentários, em seguida o moto-serra com 27 e o desencarserador com 19 citações, pode-se também notar que grande parte dos equipamentos foi mencionados, mostrando que deve haver algum ponto no processo, que poderá estar causando tal situação. Um dos pontos a ser analisado é a manutenção desses equipamentos, pois a falta ou uma falha na manutenção poderá estar causando esse contexto. Equipamentos rotineiramente sem condição de uso Série1 Serra-sabre 14 Corta-frio 2 Cabos 6 EPR 11 Lanterna Croque 31 1 Escada Duralumínio Radio Transceptor 17 Moto-serra Tripé 27 2 Tirfor 5 Macaco Hidráulico 5 Desencarserador 19 Figura 1 – Relação dos equipamentos que rotineiramente ficam sem condição de uso. Fonte: elaborada pelo autor com base nos dados da pesquisa. Portanto, ao analisar essa situação rotineira percebeu-se que em grande parte dos equipamentos operacionais não é realizado a manutenção preventiva, o que 14 poderia estar causando essa situação, pois segundo a NBR 5264 a manutenção preventiva é aquela “destinada a reduzir a probabilidade de falha ou degradação do sistema ou de um item.” A falta de manutenção preventiva esta evidente na figura 2, onde se observa também que o moto-serra e o desencarserador são os equipamentos mais citados, portanto os que mais recebem manutenção preventiva, entretanto na figura 1 aparecem como equipamentos que rotineiramente estão sem condição de uso. Nota-se também que a maioria dos equipamentos não são citados, portanto conclui-se que não recebem manutenção preventiva. Outro item questionado foi em relação ao intervalo de tempo de manutenção preventiva onde pode-se observar que não existe uma uniformidade nas respostas dos entrevistados, sendo as mais variadas possíveis, mostrando que não há um processo bem definido quanto a manutenção desses equipamentos. Equipamento em que é feito manutenção preventiva Série1 Serra-sabre Corta-frio Cabos EPR Lanterna Croque Escada Duralumínio Radio Transceptor Moto-serra Tripé Tirfor Macaco Hidráulico Desencarserador 1 1 6 9 0 0 0 1 20 0 0 0 9 Figura 2 – Manutenção preventiva (quantas vezes foram citados). Fonte: elaborada pelo autor com base nos dados da pesquisa. Dos equipamentos analisados, existem alguns sem condição de uso no momento da pesquisa é o que demonstra o quadro 1 a seguir. Verificou-se que 24 dos entrevistados disseram que existe no momento algum equipamento sem condição de uso e citaram principalmente o desencarserador e o moto-serra. Dos equipamentos sem condição de uso foi analisado a realização da manutenção 15 corretiva dos mesmos e 18 entrevistados disseram que é feito a manutenção corretiva, entretanto 19 responderam ao contrário. Assim, pode-se notar que é feito parcialmente a manutenção corretiva dos equipamentos baixados, mas comparando com a manutenção preventiva essa ainda é mais utilizada no momento. Essa manutenção tem alto custo e pode trazer prejuízos quanto ao serviço prestado em relação ao tempo em que o equipamento ficará parado para a realização da mesma. Podendo ainda gerar uma insegurança para o sistema, pois segundo a NBR 5462 “é a manutenção efetuada após a ocorrência de uma pane”, assim nunca se sabe quando vai ocorrer a pane, ficando na maioria das vezes sem um planejamento prévio para sua realização. Perguntados se Responderam: Responderam: Sem resposta existe: sim não Equipamento 24 12 03 18 19 02 baixado Manutenção corretiva Quadro 1 – Equipamentos operacionais sem condição de uso. Fonte: elaborada pelo autor com base nos dados da pesquisa. Outra questão abordada diz respeito ao equipamento de reposição para que o serviço não seja prejudicado em quanto é feito a manutenção corretiva em um determinado equipamento operacional. Obteve-se que 29 dos entrevistados entendem que não existem equipamentos que sirvam para esse fim, mostrando a necessidade de um planejamento sobre essa questão especifica, pois em algum momento prejudicar o serviço realizado pelas guarnições de salvamento. Em relação ao local em que é realizado essa manutenção pode-se detectar que as dependência do Batalhão é o mais citado, como mostra a figura 3. 16 Local de realização de manutenção NA PROPRIA OBM OUTRA OBM EMPRESA PARTICULAR SEÇÃO DE MANUTENÇÃO 2% 27% 43% 28% Figura 3 – Locais de realização da manutenção corretiva. Fonte: elaborada pelo autor com base nos dados da pesquisa. Pode-se verificar também que não existe um local especifico para realização da manutenção corretiva dos equipamentos operacionais e isso pode prejudicar o processo de manutenção, pois se deve definir e planejar as ações e falta de uma referência no assunto dificulta a execução dos objetivos traçados no planejamento. Levando em conta a necessidade um local para realizar esse processo foi questionado sobre de implantação de uma seção de manutenção e 33 dos entrevistados responderam que acham necessário como mostra a figura 4. Necessidade de uma seção de manutenção sim não 33% 67% Figura 4 – Necessidade de implantação de seção de manutenção. Fonte: elaborada pelo autor com base nos dados da pesquisa. 17 Foi pontuado também se existe um monitoramento (manutenção preditiva) desses equipamentos operacionais e 29 dos entrevistados disseram que não, nove disseram que sim e um não respondeu o questionamento, mostrando assim a falta de processo que pode usar dos sistemas informatizados para determinar o momento e a necessidade de manutenção dos equipamentos, pois esse sistema apontará o momento antes de ocorrer as falhas dos equipamentos, diminuindo a manutenção corretiva e aumentando a vida útil do equipamento ou material. Outro questionamento foi feito em relação às instruções especificas sobre manutenção de equipamentos operacionais, pois é necessária uma mão de obra qualificada para operar os sistemas de manutenção e 56% dos entrevistados disseram que já participaram de alguma instrução que tratasse deste assunto, mostrando que 44% não tiveram instrução de manutenção de equipamentos, isso mostra que existe há necessidade de instruções sobre o assunto democratizando o conhecimento e transformando o pensamento sobre prevenção como melhor resposta para a manutenção. Nas ocorrências atendidas pode ocorrer falha dos equipamentos operacionais, os entrevistados disseram já presenciaram algumas dessas falhas e desses, 82% perceberam que houve falha devido à falta de manutenção dos equipamentos, como mostra a figura 5, assim pode-se observar que a falta de manutenção pode acarretar falhas no sistema a ser utilizado, podendo levar a prejuízos ao público a ser atendido como também para aqueles que operam o sistema, pois o tipo de manutenção mais utilizado pelos entrevistados só promove a correção. Já presenciaram falha do equipamento sim não 18% 82% Figura 5 – Alteração na ocorrência devido à falta de manutenção. Fonte: elaborada pelo autor com base nos dados da pesquisa. 18 Os equipamentos de proteção individual são muito importantes para a proteção dos bombeiros militares nos diversos tipos de ocorrências, portanto os EPIs devem estar em boas condições de uso, perguntado aos entrevistados sobre tal situação os mesmos acham que os EPIs utilizados estão em bom estado de conservação como mostra a tabela a seguir. Figura 5 – Estado de conservação dos EPIs. Fonte: elaborada pelo autor com base nos dados da pesquisa. Também foi perguntado se utilizam esses EPIs e 87% dos entrevistados responderam que sim. Somente quatro disseram que não usariam em determinadas ocorrências por não ter o equipamento adequado. Isso mostra a preocupação dos bombeiros entrevistados com a necessidade do uso de equipamento de proteção individual, pois segundo a NR 06 o empregado tem o dever de utilizar o EPI durante a realização do serviço. Foi perguntado se após as ocorrências é realizado a manutenção dos equipamentos de proteção individual é somente sete responderam que não e um não respondeu a pergunta. Portanto, observa-se que a maioria se preocupa com a manutenção dos EPI porque segundo a NR 06 é dever do empregado manter em condições de uso o seu equipamento. Mas quando indagados sobre o controle de manutenção e higiene dos mesmos, os entrevistados em sua maioria, disseram que não existe tal controle sendo que somente nove respondeu ao contrário. Isso pode levar a observação que existe a necessidade de 19 uma melhora no sistema de monitoramento dos EPIs, pois segundo a NR 06 o empregador é responsável pela higienização e manutenção periódica dos mesmos. Sobre o tempo médio de reposição dos equipamentos de proteção individual a principal resposta dos entrevistados foi que os mesmos são trocados quando estragam ou que não há previsão. O restante não demonstrou uma uniformidade no tempo questionado. E em relação ao acondicionamento dos equipamentos de proteção individual a maioria dos entrevistados respondeu que não é feito de forma correta como mostra o gráfico abaixo. O acondicionamento é feito de forma correta? sim não 18% 82% Figura 6 – Forma de acondicionamento dos EPIs. Fonte: elaborada pelo autor com base nos dados da pesquisa. CONCLUSÕES E SUGESTÕES A manutenção dos equipamentos operacionais é ponto indispensável para o serviço prestado pelo Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Goiás, pois os equipamentos juntamente com os bombeiros militares devem estar em perfeita condição para o atendimento das ocorrências em qualquer área de atuação. 20 Assim, de acordo com os dados obtidos no questionário aplicado pode-se observar que a manutenção dos equipamentos operacionais realizado pelas guarnições de salvamento apresenta alguns pontos que devem ser melhorados, pois se verifica que a manutenção corretiva ainda é a mais utilizada; e que não se tem um local próprio para a realização da mesma. Isso é confirmado analisando a figura 1 onde se tem diversos equipamentos que rotineiramente ficam sem condição de uso e comparado com a tabela 1 que apresenta em qual equipamentos é realizado ou não a manutenção preventiva. Foi observado que no período em que é realizada a manutenção corretiva a guarnição fica sem o equipamento operacional para atender as ocorrências. Pode-se notar também que há um reflexo na execução do serviço devido à falta de manutenção preventiva, pois 82% dos entrevistados já presenciaram alguma falha de equipamento relacionada a este item. Outro aspecto analisado é a situação dos equipamentos de proteção individual que de acordo com os entrevistados estão em boa condição de uso, a maioria respondeu que realizam a manutenção após as ocorrências, mas que não existe um controle sobre este fato. O acondicionamento dos equipamentos de proteção individual não é feito de forma correta segundo a opinião de 82% dos entrevistados e que a reposição dos mesmos na maioria das vezes não tem uma previsão. Após observar diversos aspectos pode-se perceber a necessidade de melhorar a manutenção dos equipamentos e para isso sugere-se a implantação de uma Seção de Manutenção de Equipamentos Operacionais onde se poderão abranger diversos pontos como o monitoramento (manutenção preditiva) dos equipamentos, utilizando a informática através de programas para determinar o momento a realizar uma nova manutenção preventiva; melhorar a identificação dos equipamentos e assim fazer um controle podendo ter equipamentos de reposição no caso de realização de uma manutenção corretiva em que o equipamento poderá ficar um 21 tempo maior sem condição de uso ou até mesmo fazer o remanejamento de equipamentos. A seção poderá também disponibilizar bombeiros militares para fazerem cursos específicos de manutenção nas empresas que fornecem os equipamentos operacionais para o Corpo de Bombeiros e com esses conhecimentos realizarem instruções nas unidades do Corpo de Bombeiros e poderão criar uma equipe para estudarem sistemas e formas de manutenção que garantam ao Corpo de Bombeiros Militar de Goiás eficiência e autonomia sobre os mecanismos de manutenção de equipamentos. Poderá ainda controlar a manutenção dos equipamentos de proteção individual (EPI), principalmente no que concerne a higienização e acondicionamento dos mesmos; gerenciando a entrega do EPI ao bombeiro militar e a reposição dos mesmos quando se fizer necessário e ainda ministrar instruções sobre esses equipamentos, mostrando a importância do seu uso frente às ocorrências, podendo inclusive estudar o melhor EPI a ser utilizado em cada tipo de sinistro, usando como base a NR 6 sobre equipamento de proteção individual. Portanto, uma seção de manutenção pode melhorar cada vez mais a realização da manutenção preditiva e corretiva dos equipamentos operacionais, bem como a manutenção dos EPI utilizados pelo Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Goiás, buscando sempre uma excelência no serviço prestado e também a proteção dos bombeiros militares envolvidos na ocorrência. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 5462: Confiabilidade e Mantenabilidade. Rio de Janeiro: ABNT, 1994. 22 BAÍA, Elaine Silva Baía, et. al. Comprometimento Organizacional: um estudo de caso do Grupo PET ADMFEA/ USP. Disponível em: <www.ead.fea.usp.br/semead/9semead/resultado_semead/.../345 pdf>. Acesso em: 21 fev.2012. CORPO DE BOMBEIROS DA POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO. Coletânea de Manuais Técnicos de Bombeiros n.03 - Salvamento terrestre. São Paulo: 2006. DE ARAUJO, Francisco B. de Araújo -Manual de instruções técnico profissional para bombeiros. Disponível em:< http://www.ebah.com.br/content/ABAAAApw4AB/manualsalvamento-bombeiros-brasilia>. Acesso em: 16 mar. 2012. MANUAL, Manual do Curso de Formação de Soldados do Rio de Janeiro. Disponível em:<http://www.defesacivil.rj.gov.br/documentos/proposta_novo_manual_cfsd/Materia%2003%2 0-%20Tecnica%20e%20Maneabilidade%20de%20Salvamento.pdf>. Acesso em: 16 mar. 2012. MAXIMIANO, Antonio C. A. Teoria Geral da Administração: da revolução urbana à revolução digital. 6ª Ed. São Paulo. Atlas: 2006. MEZZAROBA, Orides; MONTEIRO, Cláudia Servilha. Manual de metodologia da pesquisa no direito. Ed. Saraiva. São Paulo, 2006. NORMAS REGULADORAS N. 06- Equipamento de Proteção Individual. Consolidação das Leis do Trabalho. Segurança e Medicina do Trabalho. Portaria N. 3.214/78. SLACK, N; et. al. Administração da produção. São Paulo: Atlas, 1999. 23 Anexo 1 Questionário sobre a manutenção dos equipamentos operacionais de Salvamento 1) Quais equipamentos rotineiramente ficam sem condição de uso (baixado)? Desencarcerador Moto-serra Macaco Hidráulico Rádio Transceptor (Portátil) Croque Lanternas Cabos Corta-frio Tirfor Tripé Escada de Duralumínio Equipamentos de proteção respiratória (EPR) Serra - sabre 2) Em qual equipamento é feito a manutenção preventiva e escreva qual o intervalo de manutenção. Desencarcerador _____________ Rádio Transceptor (Portátil) Moto-serra ___________ Cabos Equipamentos de proteção respiratória (EPR) Corta-frio _______________ ______________ Serra – sabre _______________ _______________ __________________ 3) No momento existe algum equipamento sem condições de uso (baixado)? Não Sim Qual (is)? ________________________ 4) É feito a manutenção corretiva nesses equipamentos sem condição de uso (baixado)? Não Sim 5) Qual o destino do equipamento quando é necessário passar por manutenção corretiva? Na própria OBM manutenção Outra OBM Empresa Particular Seção de 6) Você acha que há a necessidade de implantação de uma seção de manutenção de equipamentos operacionais no CBMGO? Não Sim 24 7) Existe um monitoramento (manutenção preditiva) dos equipamentos operacionais? Não Sim 8) Você já participou de alguma instrução que tratasse especificamente de manutenção de equipamentos? Não Sim 9) A falta de manutenção preventiva já provocou alguma falha no equipamento durante uma ocorrência ? Não Sim 10) Existe equipamentos que servem de reposição enquanto um outro esta em manutenção corretiva? Não Sim 11) Na sua opinião qual o estado de conservação do EPI utilizado pela guarnição? Péssimo Ruim Bom Ótimo 12) Você usa o EPI (luva, óculos de proteção, luva de alta tensão, etc) a disposição na unidade de Salvamento no caso de ocorrências? Não Sim 13) Se você respondeu não na questão anterior responda por que? 14) Após uma ocorrência é feito a manutenção dos EPIs? Não Sim 15) Existe um controle sobre a manutenção e higiene dos EPIs utilizados pela guarnição? Não Sim 16) Qual o tempo médio de reposição dos EPIs utilizados?______________________ 17) Na sua opinião o acondicionamento dos EPIs na viatura é feito de forma correta? Não Sim