XIX Exposição de Experiências Municipais em Saneamento De 24 a 29 de maio de 2015 – Poços de Caldas - MG SISTEMA ESTADUAL DE INFORMAÇÕES SOBRE SANEAMENTO (SEIS): A EXPERIÊNCIA DE MINAS GERAIS Denise Helena França Marques Maia (1) Graduação em Ciências Econômicas (UFMG). Doutorado em Demografia (UFMG). Pós-doutorado em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos (UFMG). Pesquisadora de Ciência e Tecnologia no Centro de Estatística e Informação da Fundação João Pinheiro. Laís Santos de Magalhães Cardoso Graduação em Enfermagem (UFMG). Especialização em Saúde Coletiva (UFMG). Mestrado em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos (UFMG). Integrante do Grupo de Pesquisa de Políticas Públicas e Gestão em Saneamento, do Departamento de Engenharia Sanitária (DESA/UFMG). Bianca Moreira Mariquito Naime Silva Bacharel em Geografia (UFMG). Mestranda no Curso de Pós-Graduação de Ciências Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade (UFRRJ). Assistente de pesquisa no Centro de Estatística e Informação da Fundação João Pinheiro. Luiza de Marilac de Souza Graduação em História (UFMG). Mestrado e Doutorado em Demografia (UFMG). Pesquisadora de Ciência e Tecnologia no Centro de Estatística e Informação da Fundação João Pinheiro. Email¹: [email protected] RESUMO O Sistema Estadual de Informações sobre Saneamento (SEIS) do estado de Minas Gerais é uma ferramenta em potencial para o processo de planejamento e gestão dos serviços de saneamento nessa unidade da federação. Criado em 2009, o Sistema possui como objetivo caracterizar os serviços de abastecimento de água, esgotamento sanitário, resíduos sólidos, drenagem urbana, além da gestão municipal, no universo das sedes municipais e distritos mineiros. O SEIS possui duas edições concluídas, referentes aos biênios de 2008/2009 e 2010/2011, e sua terceira edição acontecerá no segundo semestre de 2015. Dada a experiência acumulada na operacionalização desse sistema, o presente trabalho analisou comparativamente as duas rodadas da pesquisa e identificou alguns avanços, tais como a diminuição do percentual de “não respostas” para os distritos mineiros, mas também muitos desafios, sobremaneira no que se refere à dificuldade dos ASSEMAE - Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento 1 XIX Exposição de Experiências Municipais em Saneamento De 24 a 29 de maio de 2015 – Poços de Caldas - MG municípios em responder a pesquisa. Destaca-se o importante papel do Estado no apoio aos municípios, titulares dos serviços, seja desenvolvendo programas de melhorias das condições do saneamento básico, seja administrando sistemas de informação que possam ser alimentados e consultados continuamente por eles, e pelos prestadores dos serviços, para elaboração de seus planos e monitoramento de suas metas. Palavras-chave: Saneamento básico; Sistema de informação; Gestão em saneamento. INTRODUÇÃO/OBJETIVOS A Lei Federal nº 11.445/2007 – Lei do Saneamento - estabeleceu as diretrizes nacionais para o saneamento básico no Brasil, as quais devem ser consideradas pelos entes da federação no momento de elaboração de suas políticas para o setor. A elaboração dos Planos de Saneamento Básico é uma das medidas estabelecidas por essa nova legislação, assim como a criação de sistemas municipais de informação sobre os serviços de saneamento. O Plano de Saneamento Básico assume papel chave e indispensável para a gestão dos serviços de saneamento, uma vez que a validade dos contratos de prestação dos serviços, bem como o acesso aos recursos onerosos e não onerosos do governo federal dependem de sua existência; os investimentos e projetos dos prestadores devem estar alinhados às suas diretrizes; e a instituição reguladora e fiscalizadora deve verificar seu cumprimento. Os sistemas de informação, por sua vez, também são instrumentos elementares no planejamento e na gestão dos serviços e fomentam os Planos, visto serem fontes de subsídios para o diagnóstico e a avaliação da situação do saneamento no município. Nesse sentido, o Sistema Estadual de Informações sobre Saneamento (SEIS) veio ao encontro dos preceitos da Lei do Saneamento, representando uma ferramenta em potencial para o processo de planejamento dos serviços. É importante destacar que Minas Gerais foi a primeira Unidade da Federação a implantar um Sistema de Informações sobre Saneamento, antes mesmo da determinação do Decreto Federal nº 7.217/2010, o qual regulamentou a lei federal. O SEIS foi criado em 2009, por meio do Decreto Estadual nº 45.137, com a finalidade de caracterizar os serviços de saneamento básico do estado de Minas Gerais por meio da coleta de dados bianual, sistematização e divulgação de informações (MINAS GERAIS, 2009). Possui como objetivo a coleta e a sistematização de informações capazes de caracterizar os serviços de abastecimento de água; esgotamento sanitário; coleta, manejo e destinação de resíduos sólidos urbanos; e sistema de drenagem pluvial urbana; além de dados sobre a gestão municipal em ASSEMAE - Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento 2 XIX Exposição de Experiências Municipais em Saneamento De 24 a 29 de maio de 2015 – Poços de Caldas - MG saneamento. A pesquisa abarca o universo das 853 sedes municipais e dos 780 distritos mineiros. Os dados sobre abastecimento de água, esgotamento sanitário e resíduos sólidos são coletados diretamente dos prestadores dos serviços e as informações relativas à drenagem urbana e gestão são obtidas nas prefeituras, que são os titulares dos serviços que compõem o saneamento básico. Quando a prefeitura presta os serviços de abastecimento de água e/ou esgotamento sanitário e/ou limpeza urbana e resíduos sólidos, é ela a responsável pelo preenchimento dos instrumentos de coleta desses três componentes. Todos os cinco questionários temáticos possuem uma seção com questões de cadastro do respondente, seguida de perguntas relativas à natureza do serviço prestado, com exceção do questionário de gestão municipal. Algumas questões admitem múltiplas respostas, enquanto outras somente uma alternativa. Em todas elas há a opção de “não soube avaliar/não respondeu” e em alguns casos o questionário permite a desabilitação de questões, dependendo das alternativas marcadas anteriormente, ficando registrado no banco de dados a alternativa “não se aplica”, nessas questões desabilitadas. O SEIS possui duas edições concluídas, referentes aos biênios de 2008/2009 e 2010/2011, tendo sido essa última finalizada em agosto de 2013. Dada a experiência acumulada na operacionalização desse sistema, o presente trabalho pretende: a) analisar comparativamente as duas edições, identificando os avanços obtidos e os desafios a serem superados; e b) discutir o papel do estado no desempenho dessa função. METODOLOGIA Trata-se de trabalho de caráter quali-quantitativo. Para analisar comparativamente as duas edições do SEIS, apontando os avanços e desafios a serem transpostos, foi realizada, primeiramente, uma descrição do projeto desde a sua concepção até a realização da segunda rodada, em 2013, apontando a sua evolução e os desafios encontrados, bem como as estratégias para superá-los. Para discorrer sobre o SEIS, recorreu-se aos registros efetuados pelos pesquisadores que participaram da concepção do Sistema – arquivos impressos e digitalizados, bem como ao decreto estadual que o instituiu. Num segundo momento, por meio da análise dos bancos de dados da primeira e segunda rodadas, foram quantificados os percentuais de “não respostas” dos questionários dos componentes abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos, drenagem urbana e manejo de águas pluviais, além da gestão municipal dos serviços, e agrupados em três categorias: de 30,0% a 49,0%; de 50,0% a 99,0% e 100,0%. Estas foram comparadas entre as duas rodadas com o intuito de verificar a adesão à pesquisa e, de ASSEMAE - Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento 3 XIX Exposição de Experiências Municipais em Saneamento De 24 a 29 de maio de 2015 – Poços de Caldas - MG certa forma, a capacitação dos profissionais ligados ao setor para responder os questionários. O preparo técnico dos responsáveis pela informação vai além da análise das “não respostas”, haja vista que o entrevistado pode responder todas as perguntas de forma equivocada. Entretanto, essa análise não deixa de ser um indicativo do conhecimento deles acerca dos serviços e, também, da importância que o município lhes confere: se capacita ou não seus funcionários para um setor tão estratégico como o de saneamento. Além disso, a proporção de “não respostas” foi contrastada com a constituição jurídica das prestadoras dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário, com o propósito de verificar alguma associação entre essas variáveis. As hipóteses adotadas neste trabalho foram: i) melhoria na quantidade e qualidade das respostas entre as duas rodadas; e ii) as empresas de economia mista possuem os menores percentuais de “não resposta” entre as constituições jurídicas consideradas, uma vez que são mais organizadas e têm corpo técnico qualificado e expertise para a sistematização de dados. Já a discussão do papel do Estado na operacionalização do SI foi feita com base na literatura especializada e na legislação setorial. RESULTADOS Ao longo de 2009, a equipe técnica do SEIS desenvolveu métodos e procedimentos para a realização da coleta, sistematização e posterior divulgação das informações acerca dos serviços de saneamento básico no estado. Nesse sentido, trabalhou efetivamente na elaboração dos instrumentos de coleta, concebidos a partir de estudos e discussões do “Núcleo de Saneamento”. Este, composto por pesquisadores, consultores, agentes locais, técnicos e profissionais na área de saneamento, ligados às instituições parceiras e a outras instituições públicas - federais, estaduais e municipais – como Copasa e Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional e Política Urbana, foi concebido com o objetivo de reunir profissionais capacitados para discutir questões referentes ao saneamento, ofertar apoio técnico, validar documentos e disponibilizar palestrantes para cursos de capacitação. Foram elaborados cinco questionários, um para cada componente do saneamento – abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos e manejo de águas pluviais urbanas, além do questionário de gestão municipal dos serviços. Embora as funções de gestão do saneamento englobem as ações de planejamento, prestação dos serviços, fiscalização e regulação (BRASIL, 2007), optou-se pela elaboração de um questionário intitulado “gestão municipal dos serviços”, com o intuito de coletar informações específicas relativas à estrutura administrativa municipal, às ações voltadas para o planejamento da gestão na área de saneamento e à existência de legislação específica para regulamentação ASSEMAE - Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento 4 XIX Exposição de Experiências Municipais em Saneamento De 24 a 29 de maio de 2015 – Poços de Caldas - MG dos serviços. Além disso, contemplou: aspectos da administração pública para a previsão e resolução de problemas em caso de ocorrência de desastres; dos recursos humanos empregados nos serviços de saneamento do município; das iniciativas da gestão em relação à educação e conscientização da população quanto aos problemas ambientais e necessidade de preservação; e, finalmente, informações referentes à existência de canais de comunicação efetivos entre os usuários e a gestão municipal. Os demais questionários abordaram questões de cunho técnicooperacional e de qualidade dos serviços. Antes da realização da pesquisa de campo, foi instituída uma homepage do projeto http://seis.fjp.mg.gov.br -, hospedada junto ao servidor da Fundação João Pinheiro. Os objetivos do site foram criar um importante elo entre os pesquisadores e as prefeituras municipais, possibilitar aos municípios conhecerem as características da pesquisa e construírem, após o levantamento dos dados, gráficos, tabelas e mapas temáticos (Figura 1). Uma logomarca também foi pensada para fortalecer a imagem ainda desconhecida do Sistema para o público em geral (Figura 2). Figura 1 – Tela Inicial do projeto SEIS Figura 2 – Logomarca do projeto SEIS ASSEMAE - Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento 5 XIX Exposição de Experiências Municipais em Saneamento De 24 a 29 de maio de 2015 – Poços de Caldas - MG Com o objetivo de conscientizar e incentivar os gestores públicos acerca da importância do projeto e da participação deles, foram feitos contatos telefônicos prévios pela equipe do SEIS. No contato com a prefeitura eram solicitados os nomes das prestadoras e dos responsáveis pela execução dos serviços nos municípios. Com tais informações novos contatos eram estabelecidos, desta vez com as próprias prestadoras. Embora a concepção original do Sistema fosse coletar as informações de forma indireta, através do autopreenchimento, no final de 2009 a equipe técnica decidiu coletar as informações de forma direta, através de entrevistas presenciais. Esta decisão ocorreu uma vez que a metodologia de auto-preenchimento, utilizada na fase do pré-teste, apresentou-se bastante deficitária. Apesar disso, o auto-preenchimento não foi completamente eliminado e sim restringido àqueles municípios com apenas o distrito sede. Além disso, foi considerado uma estratégia para estimular, no âmbito municipal, a prática de prestar informações ao poder público estadual, além de otimizar o processo de coleta das informações. Pela Tabela 1 verifica-se a distribuição das freqüências absoluta e relativa das questões da pesquisa, por tipo de questionário, nas rodadas de 2009 e 2011. Houve uma diminuição no número de perguntas nos questionários de gestão, esgotamento sanitário e drenagem urbana. Os instrumentos de coleta dos serviços de abastecimento de água e resíduos sólidos, por sua vez, foram ligeiramente ampliados, passando de 76 perguntas para 85 e de 51 questões para 53, respectivamente. Tabela 1 – Questionários da pesquisa SEIS, por número de perguntas e distribuição relativa delas, 2009 e 2011 Questionários Gestão Abastecimento de água Esgotamento sanitário Resíduos sólidos Drenagem urbana Total 2009 N. Abs. % 191 43,2 76 17,2 72 16,3 51 11,5 52 11,8 442 100,0 2011 N. Abs. 125 85 62 53 50 375 % 33,3 22,7 16,5 14,1 13,3 100,0 Fonte: Sistema Estadual de Informações sobre Saneamento (SEIS), 2011 e 2013. A revisão do enunciado e do número de perguntas entre as duas rodadas fez-se necessária devido à má qualidade de algumas das respostas da primeira rodada, que poderia indicar a não compreensão da pergunta, e também ao tamanho do questionário, considerado muito extenso. Entretanto, essa revisão não acarretou grandes modificações estruturais para que fosse possível a realização de comparações temporais. ASSEMAE - Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento 6 XIX Exposição de Experiências Municipais em Saneamento De 24 a 29 de maio de 2015 – Poços de Caldas - MG A primeira rodada do SEIS foi realizada entre os anos de 2010 e 2011 e teve como referência o ano de 2009. A forma predominante de coleta foi presencial, representando 98,0% dos municípios. Somente 17 municípios realizaram o preenchimento online dos questionários – o autopreenchimento. Por seu turno, a segunda rodada ocorreu entre junho de 2012 e agosto de 2013, e teve como referência o ano de 2011. Diferentemente da primeira rodada, na segunda foi mantido o autopreenchimento para todos os municípios. Em decorrência da baixa adesão ao sistema online, a coleta presencial se destacou novamente (88,4%). Apesar disso, 98 municípios mineiros responderam a pesquisa SEIS pela internet na segunda rodada, evidenciando um pequeno incremento entre as duas edições. O SEIS encontra-se em fase inicial de aprimoramento e de divulgação e, ao se comparar as duas rodadas em relação ao percentual de “não respostas”, foi observada evolução positiva, sobremaneira nos distritos. Contudo, também foram observados pequenos aumentos relativos entre as edições de 2009 e 2011 do número de “não respostas”, principalmente nas sedes. No que tange ao componente abastecimento de água, pelos dados da Tabela 2, verifica-se que na primeira rodada da pesquisa, do total de distritos, 40,9% deles não responderam mais da metade das perguntas, percentual que decresceu para 4,7% na segunda rodada. Queda substancial também foi observada no componente esgotamento sanitário: em 2009, do total de distritos, 41,0% não responderam entre 30,0% e 49,0% das questões e, em 2011, somente 6,3% deles não responderam. Nos componentes de resíduos sólidos e drenagem urbana também houve melhora na qualidade das respostas dos distritos, sobretudo na categoria de 50,0% a 99,0%. Em relação às sedes, houve redução relativa no número de “não respostas” somente nos componentes de abastecimento de água, de 3,8%, em 2009, para 1,8%, em 2011, e drenagem urbana, de 2,0% para 1,6%, respectivamente, ambos entre o intervalo de 50,0% a 99,0% de não respostas. Deve-se mencionar um aumento das “não respostas”, especialmente nas sedes, durante o período analisado. Embora não tão expressivo quanto os incrementos verificados para os demais índices supracitados, houve acréscimo principalmente nos componentes esgotamento sanitário e drenagem urbana. No primeiro, os valores do intervalo 50,0% a 99,0% passaram de 2,8% para 6,7%, enquanto as demais categorias também aumentaram. Quanto à drenagem urbana, no intervalo de 30,0% a 49,0% das “não respostas”, os índices aumentaram de 1,9% para 3,0%. Tal resultado ficou aquém do esperado, uma vez que o enunciado de várias questões foi reformulado e, em geral, as informações das sedes municipais encontram-se melhor sistematizadas que as dos distritos (Tabela 2). ASSEMAE - Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento 7 XIX Exposição de Experiências Municipais em Saneamento De 24 a 29 de maio de 2015 – Poços de Caldas - MG Tabela 2 – Distribuição absoluta e relativa de “não respostas”, por sedes e distritos, nos questionários de gestão municipal, abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos e drenagem urbana e manejo de águas pluviais, 2009 e 2011 Proporção de não respostas 30% a 49% 50% a 99% 100% Total sedes Proporção de não respostas 30% a 49% 50% a 99% 100% Total sedes e distritos Sede 7 32 0 853 Proporção de não respostas 30% a 49% 50% a 99% 100% Total sedes e distritos Sede 20 24 0 853 Proporção de não respostas 30% a 49% 50% a 99% 100% Total sedes e distritos Sede 0 0 0 853 Proporção de não respostas 30% a 49% 50% a 99% 100% Total sedes e distritos Sede 16 17 0 853 Gestão dos serviços 2009 % Sede 1,3 11 5 0,6 0 0,0 853 100,0 Água 2009 % Distrito % 0,8 30 3,8 3,8 319 40,9 0,0 0 0,0 100,0 780 100,0 Esgoto 2009 % Distrito % 2,3 323 41 2,8 0 0 0,0 0 0 100,0 780 100 Resíduos sólidos 2009 % Distrito % 0 3 0,4 0 178 22,8 0 0 0,0 0 780 100,0 Drenagem urbana 2009 % Distrito % 1,9 75 9,6 2,0 204 26,2 0,0 0 0,0 100,0 780 100,0 2011 Sede 11 4 0 853 % 1,3 0,5 0,0 100,0 Sede 19 15 4 853 % 2,2 1,8 0,5 100,0 2011 Distrito 38 37 32 780 % 4,9 4,7 4,1 100,0 Sede 52 57 14 853 % 6,1 6,7 1,6 100,0 2011 Distrito 49 128 37 780 % 6,3 16,4 4,7 100,0 Sede 1 3 3 853 % 0,1 0,4 0,4 100,0 2011 Distrito 10 15 21 780 % 1,3 1,9 2,7 100,0 Sede 26 14 4 853 % 3,0 1,6 0,5 100,0 2011 Distrito 73 44 25 780 % 9,4 5,6 3,2 100,0 Fonte: Sistema Estadual de Informações sobre Saneamento (SEIS), 2011 e 2013. Ao desagregar o percentual de “não respostas” por constituição jurídica da prestadora dos serviços de abastecimento de água, observou-se na segunda rodada do SEIS que 93,3% das sedes que não responderam mais da metade das perguntas do questionário de abastecimento de água tinham o serviço prestado por companhia estadual (Copasa e Copanor), percentual superior ao da primeira rodada (71,9%). Incremento também foi observado quando as prefeituras prestavam o serviço: no ano de 2009, em 14,3% do total de sedes que não responderam entre ASSEMAE - Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento 8 XIX Exposição de Experiências Municipais em Saneamento De 24 a 29 de maio de 2015 – Poços de Caldas - MG 30,0% e 49% do questionário de água, o serviço era administrado pela prefeitura, em 2011, esse percentual passou a representar 73,7% do total. Em termos absolutos, observa-se que, quando a prestadora do serviço era a prefeitura, houve um incremento de um para 14 casos de “não respostas” no intervalo de 30,0% a 49,0%. Enquanto nos casos em que a prestadora de serviços era a companhia estadual, houve queda de 23 para 14 no número de “não respostas” na categoria de 50,0% a 99,0%. Vale ressaltar que cinco sedes, do total daquelas que não responderam entre 50,0% e 99,0% do questionário, na primeira rodada, não informaram qual era a constituição jurídica da prestadora e três declararam não possuir rede, por isso a resposta “não se aplica” (Tabela 3). Tabela 3 – Distribuição absoluta e relativa de “não respostas”, por sedes, no questionário de abastecimento de água, 2009 e 2011 Constiuição jurídica prestadora Administração direta Administração indireta Companhia estadual Não respondeu Não se aplica Total 2011 2009 30% a 49% N. abs. % 1 14,3 2 28,6 4 57,1 0 0,0 0 0,0 7 100,0 50% a 99% N. abs. % 1 3,1 0 0,0 23 71,9 5 15,6 3 9,4 32 100,0 30% a 49% N. abs. % 14 73,7 1 5,3 4 21,1 0 0 0 0 19 100,0 50% a 99% % N. abs. 1 6,7 0 0,0 14 93,3 0 0 0 0 15 100,0 Fonte: Sistema Estadual de Informações sobre Saneamento (SEIS), 2011 e 2013. Pela Tabela 4, verifica-se que o total de distritos que não responderam mais de 30% das questões relativas ao serviço de abastecimento de água era muito superior ao total de sedes, sobremaneira na primeira rodada da pesquisa. Fato explicado pelo elevado número de distritos sem rede de abastecimento (47,5%), cuja resposta para constituição jurídica foi “não se aplica”, e por aqueles que não responderam este quesito (44,7%). É interessante observar que na segunda rodada do SEIS, do total de distritos que não respondeu entre 30,0% e 49,0% do questionário, apenas um distrito não informou a constituição jurídica da prestadora. Ao passo que nenhum distrito, no ano de 2011, no âmbito desta análise, correspondeu à categoria “não se aplica”. Na primeira rodada da pesquisa, do total de distritos que não respondeu mais de 30% do questionário de abastecimento, 142, que não informaram a constituição jurídica da prestadora, responderam pelo menos alguma questão, assim como os 151 distritos que informaram “não se aplica” para a constituição jurídica da prestadora de água. Essa discrepância é explicada pela falta de controle/filtro nas respostas da primeira rodada – cujo mecanismo foi criado para a pesquisa de 2011. Esse filtro corresponde a um salto automático relativo à opção marcada na questão anterior. Por exemplo, se o distrito não possui rede de ASSEMAE - Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento 9 XIX Exposição de Experiências Municipais em Saneamento De 24 a 29 de maio de 2015 – Poços de Caldas - MG abastecimento de água, teoricamente ele não terá prestador do serviço de abastecimento por rede e, consequentemente, para a constituição jurídica do prestador a resposta no banco de dados seria “não se aplica”. Se relacionarmos essas informações com aquelas da Tabela 2 podemos inferir que a redução no número de “não respostas” no questionário de abastecimento de água, além de ter sido mais significativa nos distritos, teve como maior responsável a administração indireta. Sendo que nos casos em que a prestadora é a prefeitura a tendência foi de aumento dos percentuais de “não respostas”. Tabela 4 – Distribuição absoluta e relativa de “não respostas”, por distritos, no questionário de abastecimento de água, 2009 e 2011 Constiuição jurídica prestadora Administração direta Administração indireta Companhia estadual Associação moradores Não respondeu Não se aplica Total 2011 2009 30% a 49% % N. abs. 10,0 3 12 40,0 50,0 15 0,0 0 0 0,0 0,0 0 100,0 30 50% a 99% % N. abs. 16 5,0 0,0 0 9 2,8 0,0 0 44,7 142 47,5 151 100,0 318 30% a 49% N. abs. % 25 65,8 4 10,5 7 18,4 1 2,6 2,6 1 0 0,0 100,0 38 50% a 99% % N. abs. 6 16,2 5,4 2 27,0 10 0,0 0 51,4 19 0,0 0 100,0 37 Fonte: Sistema Estadual de Informações sobre Saneamento (SEIS), 2011 e 2013. No que tange ao esgotamento, os dados revelam um incremento absoluto e relativo do número de sedes que não responderam entre 30,0% e 49,0% das perguntas; e entre 50,0% e 99,0% delas – incremento de 145,0% e de 141,0%, respectivamente, entre as duas rodadas. Nos dois intervalos em questão, destaque negativo para as sedes onde a prestadora era a prefeitura (Tabela 5). Tabela 5 – Distribuição absoluta e relativa de “não respostas”, por sedes, no questionário de esgotamento sanitário, 2009 e 2011 Constiuição jurídica prestadora Administração direta Administração indireta Companhia estadual Não respondeu Não se aplica Total 2009 30% a 49% N. abs. % 9 45,0 2 10,0 9 45,0 0 0,0 0 0,0 20 100,0 50% a 99% N. abs. % 1 4,2 1 4,2 3 12,5 15 62,5 4 16,7 24 100,0 2011 30% a 49% N. abs. % 31 63,3 0 0,0 11 22,4 7 14,3 0 0,0 49 100,0 50% a 99% N. abs. % 25 43,1 2 3,4 8 13,8 22 37,9 1 1,7 58 100,0 Fonte: Sistema Estadual de Informações sobre Saneamento (SEIS), 2011 e 2013. ASSEMAE - Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento 10 XIX Exposição de Experiências Municipais em Saneamento De 24 a 29 de maio de 2015 – Poços de Caldas - MG Em consonância com as sedes municipais, proporção significativa dos distritos que não responderam entre 30,0% e 49,0% das questões do questionário de esgotamento possuíam como prestadora do serviço a prefeitura municipal (administração direta). Destaque para o grande número “não se aplica”, em 2009, que se refere aos distritos sem rede de esgotamento, e a ausência dessa resposta nos intervalos ora considerados, em 2011 (Tabela 6). Tabela 6 – Distribuição absoluta e relativa de “não respostas”, por distritos, no questionário de esgotamento sanitário, 2009 e 2011 Constiuição jurídica prestadora Administração direta Administração indireta Companhia estadual Não respondeu Não se aplica Total 2011 2009 30% a 49% N. abs. % 17 5,3 0 0,0 4 1,2 82 25,4 220 68,1 323 100,0 50% a 99% N. abs. % 0 0,0 0 0,0 0 0,0 0 0,0 0 0,0 0 0,0 30% a 49% N. abs. % 36 73,5 8 16,3 1 2,0 4 8,2 0 0,0 49 100,0 50% a 99% N. abs. % 34 0,0 5 0,0 12 0,0 77 0,0 0 0,0 128 0,0 Fonte: Sistema Estadual de Informações sobre Saneamento (SEIS), 2011 e 2013. DISCUSSÃO O Sistema Estadual de Informações sobre Saneamento (SEIS) está sendo firmado como importante base de dados acerca dos serviços de saneamento básico no estado de Minas Gerais. Por meio da pesquisa SEIS, espera-se conhecer a real situação dos serviços de saneamento no estado e estabelecer metas condizentes com as necessidades da população e disponibilidade de recursos. A dispersão das informações de saneamento em vários órgãos municipais, estaduais e federais, aliada à ausência de série histórica de dados, sobretudo de informações fidedignas, constituem-se em entraves para a elaboração dos planos de saneamento, dos instrumentos de regulação e de planejamento. Conforme mencionado anteriormente, a pesquisa SEIS teve até o primeiro semestre de 2015 somente duas edições, ou seja, é um projeto recente que necessita de ajustes tanto por parte da instituição executora, quanto das instituições inquiridas. Apesar de sua estrutura já estar definida, muito há de ser considerado na operacionalização da pesquisa, sobretudo no que diz respeito à capacitação dos municípios para respondê-la adequadamente. Preencher os instrumentos de coleta do SEIS é uma oportunidade para os técnicos envolvidos na temática do saneamento se familiarizarem com as diversas faces do setor, desde o seu planejamento, com a elaboração da lei municipal, do plano de saneamento e instrumentos de regulação, até a prestação dos serviços. ASSEMAE - Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento 11 XIX Exposição de Experiências Municipais em Saneamento De 24 a 29 de maio de 2015 – Poços de Caldas - MG O SEIS é uma pesquisa institucional e, por ser autodeclarada pelas entidades prestadoras dos serviços e pelas prefeituras, é comum que as respostas fornecidas sejam diferentes da realidade, principalmente quando a pessoa responsável pelas informações não é um profissional da área de saneamento. Além do mais, conforme constatado na pesquisa do SEIS, em geral, nos municípios não existe uma instituição específica para tratar dos serviços de saneamento básico. Os profissionais que poderiam responder pelo saneamento e áreas correlatas encontram-se alocados em setores distintos de diferentes secretarias e muitas vezes não interagem entre si, segmentando a área de saneamento. Soma-se a isso a falta de qualificação de muitos funcionários, o que compromete a eficiência, a eficácia e efetividade das ações para a promoção do desenvolvimento (GEMELLI e FILIPIM, 2010). Ademais, a sistematização das informações dos componentes do saneamento básico por sede e distritos encontra-se muito incipiente, comprometendo a qualidade das respostas. Na segunda rodada da pesquisa foi constatado que as informações de algumas sedes referiam-se ao município como um todo, superestimando as respostas de algumas variáveis para esse recorte espacial, e subestimando as respostas dos distritos. Outro ponto que merece ser mencionado é a troca freqüente de funcionários – alta rotatividade -, reconhecida pela literatura 1 como prática improdutiva, uma vez que gera custos trabalhistas, desperdiça o tempo e os recursos investidos na integração e aprendizado da pessoa contratada, além de não permitir a formação de uma memória das ações e programas já desenvolvidos pelas instituições públicas. A segunda rodada do SEIS foi comprometida pela troca dos funcionários das prefeituras municipais. Pelo fato da pesquisa ter sido iniciada no mês de junho de 2012 e finalizada em agosto de 2013, a coleta dos dados abarcou um período anterior e posterior às eleições municipais, realizadas em outubro de 2012. Os meses que antecederam o pleito foram marcados pelas campanhas eleitorais e falta de agenda dos prefeitos, seus representantes e até mesmo funcionários, dificultando o recebimento, por parte deles, dos recenseadores da pesquisa. Os meses posteriores, por sua vez, quando houve mudança de gestão nas prefeituras, sobremaneira de legendas partidárias, também foram marcados por obstáculos. A título de exemplo, em alguns municípios, os funcionários da gestão passada deletaram informações dos computadores de diferentes setores da prefeitura, incluindo aí os dados sobre os serviços de saneamento básico, inviabilizando vários distritos de responderem aos questionários do SEIS. Esse tipo de atitude fere o princípio da impessoalidade e moralidade administrativa que devem nortear as atividades dos administradores públicos e servidores (GEMELLI e FILIPIM, 2010). 1 LEMOS, M. L. de. Gestão de pessoas na Administração Pública: recursos humanos na administração pública. Disponível em: http://www.crasp.gov.br/crasp/conteudo/Gestao_de_pessoas_na_Administracao_Publica.doc. Acesso em: 15 Abril. 2015. ASSEMAE - Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento 12 XIX Exposição de Experiências Municipais em Saneamento De 24 a 29 de maio de 2015 – Poços de Caldas - MG A Lei 11.445 estabeleceu os municípios como titulares dos serviços de saneamento e isentou, em termos compulsórios, os estados de criarem políticas, planos, programas e ações relativas ao setor. Entretanto, a Constituição Federal instituiu como competência da União, Unidades da Federação, Distrito Federal e municípios, a promoção de “programas de construção de moradias e a melhoria das condições habitacionais e de saneamento básico” (BRASIL, CF, 1988, Art. 23, item IX). Ou seja, tais responsabilidades devem ser compartilhadas entre as três esferas governamentais com o objetivo de promover maior qualidade de vida e saúde humana e ambiental (BRASIL, 2011). Nesse sentido, cabe aos estados apoiarem os municípios, titulares dos serviços, de todas as formas possíveis, desenvolvendo programas de melhorias das condições do saneamento básico e até mesmo criando e administrando sistemas de informação onde os municípios e prestadores possam alimentá-los continuamente e consultá-los para elaborar os planos e monitorar suas metas. Soma-se a isso a proximidade dos governos estaduais com os municípios, considerando-se a descentralização vertical que caracteriza a forma de Estado brasileiro, e a necessidade de geração de conhecimento para subsidiar a tomada de decisões relativas ao território estadual. Vale destacar ainda que os estados, perante suas competências relativas à gestão ambiental e dos recursos hídricos, ao criarem e operarem instrumentos previstos nas respectivas políticas setoriais, são responsáveis também pela área do saneamento (MONTENEGRO e CAMPOS, 2011). No que se refere à maior ocorrência de “não respostas” no componente esgotamento sanitário, evidenciado nas tabelas, o autor OLIVEIRA (2005) traz uma contribuição para uma possível justificativa, qual seja: a discrepância entre os números de concessão e operacionalização dos serviços quando a prestadora é a Copasa, mostrando uma predominância dos serviços de abastecimento de água em detrimento do esgotamento. Esse autor mostra que, em 2011, o número de municípios com concessão para o serviço de abastecimento de água era de 620, sendo que em 606 deles, a Copasa operava. Quanto ao serviço de esgotamento sanitário no mesmo ano, somente 225 municípios tinham a concessão, enquanto unicamente em 176 deles, a Copasa operava. Ou seja, em muitos casos, em que os dados de esgotamento deveriam ser disponibilizados pela Copasa, como ela ainda não operava, as informações não foram coletadas para o SEIS. A criação e gestão de sistemas de informação por parte dos municípios é tarefa difícil porque exige uma equipe multidisciplinar para pensar a parte conceitual do sistema e a parte operacional. E muitos municípios mineiros, de pequeno porte populacional, não possuem pessoal qualificado, bem como infraestrutura adequada e verba suficiente para viabilizarem e sustentarem esse feito. Além disso, sistemas de informação distintos, um para cada município, impossibilitariam análises comparativas de dados técnico-operacionais e econômico-financeiros (GALVÃO JÚNIOR, 2010). ASSEMAE - Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento 13 XIX Exposição de Experiências Municipais em Saneamento De 24 a 29 de maio de 2015 – Poços de Caldas - MG CONCLUSÃO Não há dúvidas de que o Sistema Estadual está em fase de aprimoramento e que para sua consolidação serão necessários alguns anos de experiência dos pesquisadores, mas, mais ainda, dos municípios e prestadores dos serviços. Apesar da importância dos serviços de saneamento para a saúde, meio ambiente e qualidade de vida da população, o setor não recebe ainda a atenção merecida, sobremaneira dos municípios. Ao longo dos trabalhos de campo do SEIS para a coleta das informações, foram observadas dificuldades elementares, sobretudo nas prefeituras que, em muitos casos, não possuíam técnicos aptos a responderem pelo setor e, especificamente na segunda edição da pesquisa, ficaram à mercê da mudança de gestão. A promulgação da Lei nº 11.445/2007 e do Decreto Federal nº 7.217/2010 foram marcos para o saneamento no país e colocaram os municípios em posição estratégica para o desenvolvimento do setor, uma vez que cabe a eles formular a política de saneamento, elaborar os planos, definir o ente responsável pela regulação, prestar os serviços ou delegá-los. Assim sendo, se por um lado foram abertas perspectivas promissoras, por outro foram colocados novos desafios para os municípios. Nas duas rodadas da pesquisa que alimenta o SEIS, ficou evidente a pouca capacidade técnica de muitos municípios para preencherem os instrumentos de coleta, quiçá desenvolver todas as tarefas relativas à execução de políticas de saneamento básico. Apesar disso, ao se comparar o percentual de “não respostas” dos questionários de abastecimento de água, esgotamento sanitário, resíduos sólidos, drenagem urbana e gestão dos serviços dos distritos, verificou-se uma queda relativa entre as duas edições, o que pode indicar uma melhor sistematização dos dados por parte das prefeituras e prestadores. Entretanto, é interessante mencionar que o mesmo comportamento não foi vislumbrado nas sedes, que apresentaram aumento na quantidade de “não respostas” nos serviços de esgotamento sanitário, limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos e drenagem urbana. Do total absoluto de “não respostas” ganha destaque o esgotamento sanitário, seguido pelo abastecimento de água. Ao se relacionarem as “não respostas” com a natureza jurídica das prestadoras de serviços de esgotamento sanitário, evidenciou-se aumento no período de 2009 a 2011, principalmente nos distritos, quando a prestadora era a prefeitura. Ainda analisando a relação do não preenchimento com as prestadoras, verificou-se queda nos valores absolutos no componente abastecimento de água nas sedes quando a prestadora era a companhia estadual. Por outro lado, a prefeitura aumentou sua participação absoluta no número de “não respostas” para o mesmo serviço. Em termos relativos isso não se observou, em função da companhia estadual ter a maioria das concessões nos municípios. Nos distritos, foi a participação de prestadoras da administração indireta que mais reduziu o número de “não respostas” no questionário de abastecimento de água. ASSEMAE - Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento 14 XIX Exposição de Experiências Municipais em Saneamento De 24 a 29 de maio de 2015 – Poços de Caldas - MG Uma das razões para isso foi diagnosticada em campo, pois durante a segunda rodada da pesquisa, soube-se que a Copasa tinha a concessão do serviço, mas ainda não estava operando. Dessa forma, não foi possível coletar as informações nem da prefeitura, nem da Copasa. Em termos absolutos, também houve aumento de “não respostas” quando a prestadora era a companhia estadual. Conforme demonstrado ao longo deste artigo, apesar das dificuldades, as perspectivas do SEIS são muito promissoras, uma vez que ele pode ser tornar um valioso instrumento para subsidiar a elaboração e atualização dos planos municipais de saneamento, para o controle social dos serviços e acompanhamento e monitoramento das metas estabelecidas nos planos dos municípios e do próprio estado de Minas Gerais. Mas vale lembrar o papel chave das prestadoras dos serviços e, sobretudo, dos próprios municípios, que ainda parecem ter dificuldades em reconhecer a posição estratégica do setor para o desenvolvimento local. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. 1988. BRASIL. Lei 11.445 de 2007. Estabelece diretrizes nacionais para o saneamento básico. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 8 jan. 2007. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/lei/l11445.htm. Acesso em: 20 fev. 2015. BRASIL. Ministério das Cidades. Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental. Plano de Saneamento Básico Participativo: elabore o Plano de saneamento de sua cidade e contribua para melhorar a saúde e o meio ambiente do local onde você vive. Brasília, 2011. 2ª edição. 36p. GALVÃO JÚNIOR, A. C. A informação no contexto dos Planos de Saneamento Básico. Fortaleza: Expressão Gráfica Editora, 2010. 285p. GEMELLI, I.M.P.; FILIPPIM, E.S. Gestão de pessoas na administração pública: o desafio dos municípios. In: RACE, Unoesc, v. 9, n. 1-2, p. 153-180, jan./dez. 2010. MINAS GERAIS. Sistema estadual de informações sobre saneamento: relatório metodológico. Fundação João Pinheiro, Centro de Estatística e Informações - Belo Horizonte, 2009 e 2011. MINAS GERAIS. Sistema estadual de informações sobre saneamento / Fundação João Pinheiro, Centro de Estatística e Informações - Belo Horizonte, 2013. MONTENEGRO, M.H.F.; CAMPOS, H.K.T. Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico/ SINISA. In: REZENDE, S.C. (Org.). Cadernos temáticos para o panorama do ASSEMAE - Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento 15 XIX Exposição de Experiências Municipais em Saneamento De 24 a 29 de maio de 2015 – Poços de Caldas - MG saneamento básico no Brasil. Brasília, DF: Ministério das Cidades, Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental, 2011. v. VII. OLIVEIRA, T. G. Abertura de capital das companhias estaduais de saneamento: uma análise a partir da experiência de Minas Gerais. 2015. 151p. Tese (doutorado) – Universidade Federal de Minas Gerais. Belo Horizonte, 2015 ASSEMAE - Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento 16