Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG VOLUME 08 - NÚMERO 02 - 2013 - MAGAZINE 1 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG É com grande satisfação que, no vigésimo sétimo ano de realização do Encontro Nacional de Atividade Física/ENAF, publicamos a Revista on-line ENAF SCIENCE. Tal publicação pode ser traduzida como uma forma de agradecimento e retribuição a todos aqueles que, direta ou indiretamente, contribuíram para o desenvolvimento e aperfeiçoamento desse evento que integra o universo da atividade física e da saúde. No decorrer desses anos acreditamos ter participado da formação de milhares de acadêmicos e profissionais da área de educação física, fisioterapia, nutrição, enfermagem, turismo e pedagogia. A partir de 2004 passamos a realizar o Congresso Científico vinculado ao ENAF, dando mais um passo na construção dos saberes que unem formação e produção. É a partir desse contexto que a Revista on-line ENAF SCIENCE é novamente lançada. Esperamos que essa publicação enriqueça nossa área de ação. Nesta edição, estão presentes todos os trabalhos apresentados no Congresso Científico, seja sob forma de artigo completo ou como resumo na forma de pôster. Esperamos que este seja a continuação dos passos que pretendemos empreender na busca por um novo viés de conhecimento, fazendo com que o ENAF siga seu caminho mais essencial: participar da construção de uma ciência da atividade física. Coordenação ENAF Ribeirão Preto/SP Profª Drª. Ariane Zamarioli Doutorado em 2012 em Ciências da Saúde Aplicadas ao Aparelho Locomotor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo - FMRP-USP. Coordenação ENAF BH Prof. Ms. Wolfgang Cristiano Lopes Welsing Mestrado pela Universidade Castelo Branco-RJ em Ciência da Motricidade Humanda. 2 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG ÍNDICE DOS TRABALHOS (Dica: segure a tecla CRTL e clique no titulo abaixo para acessar a página do trabalho) ARTIGOS COMPARAÇÃO DOS DESVIOS POSTURAIS ENTRE CRIANÇAS BAILARINAS SURDAS E SADIAS................................. 5 CORRELAÇÃO ENTRE VELOCIDADE, AGILIDADE E COMPORTAMENTO TÉCNICO-TÁTICO DE JOGADORES DE FUTEBOL PARA AMPUTADOS ............................................................................................................................................. 12 ANÁLISE DO PERFIL ANTROPOMÉTRICO E DA CAPACIDADE FÍSICA DOS CADETES DO PRIMEIRO ANO DO BACHARELADO EM CIÊNCIAS POLICIAIS DE SEGRANÇA E ORDEM PÚBLICA ............................................................. 19 PERFIL ANTROPOMÉTRICO E MOTOR DA 13ª COMPANHIA INDEPENDENTE DE POLÍCIA MILITAR, FORMIGA-MG, BRASIL ................................................................................................................................................................................... 27 FATORES MOTIVACIONAIS NA INICIAÇÃO ESPORTIVA: .................................................................................................. 33 UMA ABORDAGEM FEITA EM UMA ESCOLA PARTICULAR DE BELO HORIZONTE, COM CRIANÇAS DE 11 E 12 ANOS, DO SEXO MASCULINO. ............................................................................................................................................ 33 ANÁLISE DO NÍVEL DE ATIVIDADE FÍSICA E ESTADO DE HUMOR NO PRIMEIRO SEMESTRE ESCOLAR DE ADOLESCENTES ESTUDANTES DO ENSINO MÉDIO ........................................................................................................ 40 RESPOSTAS DO RENDIMENTO FÍSICO E DA MANUTENÇÃO DA SAÚDE EM ADULTOS PRATICANTES DE CICLISMO APÓS PERÍODO DE 12 SEMANAS DE TREINAMENTO ...................................................................................................... 47 ANÁLISE DA RELAÇÃO ENTRE ESTADO DE HUMOR E AUTO-ESTIMA ENTRE IDOSAS FISICAMENTE ATIVAS E IDOSAS NÃO PRATICANTES DE ATIVIDADE FÍSICA ......................................................................................................... 54 COMPARAÇÃO DA QUALIDADE DE VIDA ATRAVÉS DO WHOQOL-BREF EM IDOSOS ACIMA DE 65 ANOS PRATICANTES REGULARES E NÃO PRATICANTES DE ATIVIDADE FÍSICA ................................................................... 59 RESUMOS CORRELAÇÃO ENTRE AGILIDADE E FREQUÊNCIA CARDÍACA EM ATLETAS AMPUTADOS ........................................ 66 CORRELAÇÃO ENTRE VELOCIDADE, AGILIDADE E COMPORTAMENTO TÉCNICO-TÁTICO DE JOGADORES DE FUTEBOL PARA AMPUTADOS ............................................................................................................................................. 67 PREDITORES PSICOLÓGICOS, REAÇÕES E O PROCESSO DE INTERVENÇÃO PSICOLÓGICA EM ATLETAS LESIONADOS......................................................................................................................................................................... 68 PREVALÊNCIA DE JOVENS UNIVERSITÁRIOS TABAGISTAS E A RELAÇÃO COM A PRÁTICA DE EXERCÍCIO FÍSICO E O CONSUMO DE BEBIDAS ALCÓOLICAS ........................................................................................................................ 69 COMPARAÇÃO DOS DESVIOS POSTURAIS ENTRE CRIANÇAS BAILARINAS SURDAS E SADIAS ............................... 70 USO DA PLATAFORMA VIBRATÓRIA NA PROTUSÃO DE OMBRO: ESTUDO PILOTO .................................................... 71 ÍNDICE DE LESÕES DE COTOVELO EM PRATICANTES DE TÊNIS DE CAMPO DE UBERABA ...................................... 72 AS PRINCIPAIS LESÕES ESPORTIVAS NOS JOGADORES DE VOLEIBOL E A CONTRIBUIÇÃO DA FISIOTERAPIA NA REABILITAÇÃO DESTES ATLETAS: REVISÃO DE LITERATURA ....................................................................................... 73 DROGAS: O PAPEL DO PROFESSOR DE EDUCAÇÃO FÍSICA NA CONSCIENTIZAÇÃO DOS ALUNOS DO ENSINO MÉDIO .................................................................................................................................................................................... 74 O USO DO WII E DA PLATAFORMA VIBRATÓRIA NAS ALTERAÇOES MUSCULOESQUELÉTICAS E COGNITIVAS DA ESCOLIOSE ........................................................................................................................................................................... 75 ANÁLISE ANTROPOMÉTRICA E A APTIDÃO FÍSICA DOS CADETES DO 1º ANO DO CURSO DE BACHAREL EM CIÊNCIAS POLICIAIS DA ACADEMIA DE POLÍCIA MILITAR DO BARRO BRANCO .......................................................... 76 COMPARAÇÃO DOS DESVIOS POSTURAIS ENTRE CRIANÇAS BAILARINAS SURDAS E SADIAS ............................... 77 CORRELAÇÃO ENTRE AGILIDADE E FREQUÊNCIA CARDÍACA EM ATLETAS AMPUTADOS ........................................ 78 3 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG O TRABALHO EM EQUIPE NA EDUCAÇÃO PRFISSIONAL: ATIVIDADES DE ENSINO COLETIVAS COMO FERRAMENTAS RELACIONAIS PARA FORMAÇÃO DE COMPETÊNCIAS E ATUAÇÃO DE FUTUROS TRABALHADORES ................................................................................................................................................................ 79 O USO DE CRISTAIS RADIÔNICOS PARA TRATAMENTO DE CONSTIPAÇÃO INTESTINAL .......................................... 80 PREDITORES PSICOLÓGICOS, REAÇÕES E O PROCESSO DE INTERVENÇÃO PSICOLÓGICA EM ATLETAS LESIONADOS......................................................................................................................................................................... 81 CORRELAÇÃO ENTRE VELOCIDADE, AGILIDADE E COMPORTAMENTO TÉCNICO-TÁTICO DE JOGADORES DE FUTEBOL PARA AMPUTADOS ............................................................................................................................................. 82 PREVALÊNCIA DE JOVENS UNIVERSITÁRIOS TABAGISTAS E A RELAÇÃO COM A PRÁTICA DE EXERCÍCIO FÍSICO E O CONSUMO DE BEBIDAS ALCÓOLICAS ........................................................................................................................ 83 AVALIAÇÃO DA COMPOSIÇÃO CORPORAL E DA FORÇA MUSCULAR DE ATLETAS DE HANDEBOL DURANTE UMA TEMPORADA ......................................................................................................................................................................... 84 PERCEPÇÃO NA MELHORIA DA QUALIDADE DE VIDA POR IDOSOS PRATICANTES DE HIDROGINÁSTICA .............. 85 ADAPTAÇÕES FISIOLÓGICAS ENTRE O DESMPENHO COMPETITIVO E O LIMIAR DE LACTATO DE DOIS NADADORES PARALÍMPICOS ............................................................................................................................................. 86 TREINAMENTO FUNCIONAL PARA GANHO DE FLEXIBILIDADE ...................................................................................... 87 MORTE SÚBITA NO FUTEBOL: O QUE OS ESTUDOS MOSTRAM .................................................................................... 88 RESPOSTAS FISIOLÓGICAS AO EXERCÍCIO EM UMA CÂMARA DE PRESSÃO NEGATIVA PARA MEMBROS INFERIORES (LBNP) ............................................................................................................................................................. 89 EFEITO DO TREINAMENTO CONTRA-RESISTÊNCIA NO DESEMPENHO MOTOR DE INDIVÍDUOS COM A DOENÇA DE PARKINSON ..................................................................................................................................................................... 90 ANÁLISE COMPARATIVA ATRAVÉS DO TESTE KTK EM CRIANÇAS PARTICIPANTES DO PROJETO MINAS OLÍMPICA E ESCOLARES: UM ESTUDO DE CASO .............................................................................................................................. 91 COMPARAÇÃO DA MELHORIA PSICOMOTORA EM CRIANÇAS DE 6 A 10 ANOS PRATICANTES DE GINÁSTICA RÍTMICA COM CRIANÇAS NÃO PRATICANTES .................................................................................................................. 92 FIBROMIALGIA X EXERCÍCIO FÍSICO.................................................................................................................................. 93 IMPACTO DO PROGRAMA LAZER ATIVO NO ESTILO DE VIDA DE TRABALHADORES DE UMA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO CIVIL DE GRANDE PORTE EM PORTO VELHO ........................................................................................ 94 NÍVEL DE ATIVIDADE FÍSICA ASSOCIADO AO RISCO CARDÍACO DOS ALUNOS DE EDUCAÇÃO FÍSICA DE UM CENTRO UNIVERSITÁRIO .................................................................................................................................................... 95 4 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG ARTIGOS COMPARAÇÃO DOS DESVIOS POSTURAIS ENTRE CRIANÇAS BAILARINAS SURDAS E SADIAS ARTIGO PREMIADO REIS, R.M.¹; RIBEIRO, V.B.²; BONUGLI, G.P.³; CUNHA, R.G.4 1: Rafael de Menezes Reis. Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP – Ribeirão Preto, São Paulo, 2:Victor Barbosa Ribeiro. 1: Rafael de Menezes Reis. Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP – Ribeirão Preto, São Paulo. 3: Gustavo Perazzoli Bonugli. 4:Rodrigo Gontijo Cunha. Instituto Metodista Izabela Hendrix – Belo Horizonte, Minas Gerais email: [email protected] Resumo: Introdução: Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), existem mais de 120 milhões de pessoas no mundo com deficiência auditiva, sendo 8,7 milhões com idade variando de 0 a 19 anos. A deficiência auditiva total, comumente chamada de surdez, interfere de forma decisiva no desenvolvimento cognitivo e motor da criança e do adolescente. A relação existente entre os sistemas auditivo e vestibular aumenta a probabilidade de indivíduos surdos terem lesão de receptores vestibulares. Essas alterações geram alteração da sensibilidade cinestésica que favorece mudanças no tônus muscular, na consciência corporal e no alinhamento da coluna vertebral e das demais articulações do corpo. A dança para crianças e adolescentes surdas têm sido utilizada como forma de melhorar o aprendizado cognitivo, motor e a consciência corporal. Assim o objetivo deste estudo foi comparar a análise postural de bailarinas ouvintes e surdas. Métodos: Foram analisadas as posturas de 14 voluntárias ouvintes e 14 surdas, do sexo feminino, com idade entre 10 e 16 anos, praticantes de ballet há pelo menos três anos. A análise postural foi realizada nos planos anterior, lateral e posterior. Os seguintes ângulos foram mensurados: alinhamento horizontal da cabeça, alinhamento dos acrômios, alinhamento das espinhas ilíacas ântero-superiores, ângulos frontais dos membros inferiores, ângulo Q, assimetria das escápulas, ângulo entre perna/retropé, alinhamento da cabeça em relação à C7, lordose cervical, cifose torácica, lordose lombar, alinhamento entre as espinhas ilíacas anterior e posterior e alinhamento vertical do tronco. Os ângulos mensurados através do programa SAPO®. Para comparar os resultados entre os grupos foi utilizado o teste T não pareado, p<0.05 com 99% de confiança. Resultados: Apenas os ângulos frontais dos membros inferiores esquerdo (p=0.006) e direito (p=0.003), o ângulo Q do lado direito (p=0.008) e alinhamento da cabeça em relação à C7 (p=0.006), foram estatisticamente diferente entre os grupos de bailarinas sadias e surdos. Os demais ângulos não apresentaram diferenças significativas. Conclusão: Uma vez que a postura de bailarinas surdas mostrou-se similar ao de bailarinas ouvintes com a mesma faixa etária e tempo de treinamento, o ballet mostrou-se uma ferramenta capaz de melhorar a conscientização corporal em crianças surdas, uma vez que esta população geralmente tem sua postura alterada, prevenindo-se futuras lesões ortopédicas ou dores crônicas. Palavras chaves: postura, surdez, dança 5 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG Abstract: Introduction: According to the World Health Organization (WHO), there are over 120 million people worldwide with hearing impairment, and 8.7 million aged 0-19 years. A full hearing, commonly called deafness interferes decisively in cognitive and motor development of children and adolescents. The relationship between the human auditory system increases the likelihood of deaf individuals have injury vestibular receptors. These alterations generate kinesthetic sensibility changes that favors changes in muscle tone, the body awareness and alignment of the spine and other body joints. Dance for children and adolescents who are deaf have been used as a way to improve learning cognitive, motor, and body awareness. Thus the aim of this study was to compare the postural analysis of dancers and listeners deaf. Methods: We analyzed the postures of 14 listeners and 14 deaf, female, aged between 10 and 16 years, practicing ballet for at least three years. The analysis was performed in postural plans anterior, lateral and posterior. The following angles were measured: horizontal head alignment, acromial alignment, alignment of the anterior superior iliac spines, front angles of the lower limbs, Q angle, asymmetry scapulae, angle between leg / hindfoot, head alignment in relation to C7, cervical lordosis, thoracic kyphosis, lumbar lordosis, alignment between the anterior and posterior iliac spines and vertical alignment of the trunk. The angles measured through the program SAPO ®. To compare the results between the groups we used the unpaired t test, p <0.05 with 99% confidence intervals. Results: Only the front angles of the left lower limb (p = 0.006) and right (p = 0.003), the Q-angle of the right side (p = 0.008) and head alignment in relation to C7 (p = 0.006) were statistically different groups of dancers healthy and deaf. The other angles showed no significant differences. Conclusion: Since the posture deaf dancers proved similar to listeners with the same age and length of training, the ballet proved a useful tool to improve body awareness in deaf children, since this population usually has your stance changed, preventing future injuries to orthopedic or chronic pain. Keywords: posture, deafness, dance 1. INTRODUÇÃO A Surdez Infantil Bilateral permanente é determinada por perda auditiva bilateral, caracterizada por limiares auditivos acima de 40 decibéis (dB) no melhor ouvido, levando-se em consideração as freqüências de 500,1000,2000 e 4000 Hz, sem a utilização da prótese auditiva. Sua prevalência é de 1 a cada 1000 recém-nascidos saudáveis, elevando-se para 20 a 40 a cada 1000 se contabilizadas as crianças internadas para receber algum cuidado especial em Unidades de Cuidados Intensivos neonatais (UCIN) (ERENBERG et al., 1999; OLIVEIRA, CASTRO E RIBEIRO, 2002). A ocorrência da surdez pode alterar uma diversidade de funções, uma vez que as pessoas surdas desenvolvem seu cognitivo voltado para um mundo visual-gestual, diferindo dos ouvintes que utilizam a audição para a comunicação. Como são minoria, os surdos podem sofrer conseqüências na comunicação com os demais, dificultando o seu crescimento intelectual, social e emocional (CROMACK, 2004). Na escola regular, por exemplo, parece haver tanto a dificuldade por parte do aluno surdo, como pelos professores em se comunicar e promover a inclusão deste indivíduo (SILVA E PEREIRA, 2003). Dentre outros desdobramentos que ocorrem, na deficiência auditiva por si só já foi possível a detecção de déficit em habilidades motoras, sobretudo no desempenho do equilíbrio. Esta habilidade parece estar mais prejudicada em indivíduos mais jovens quando comparados aos sem comprometimentos auditivos e afetar igualmente aos gêneros (SIEGEL, MARCHETTI E TECKLIN, 1991; ENGEL-EYGER E WEISSMAN, 2009; KEGEL ET AL., 2012). Além disso, algumas habilidades que envolvam destreza, relação de domínio com bola, equilíbrio estático, dinâmico e recuperado também podem estar reduzidas em crianças surdas, criando-se um ciclo vicioso entre desenvolvimento motor e interação social 6 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG (AZEVEDO E SAMELLI, 2009; HARTMAN, HOWEN E VISSCHER, 2011). A redução do equilíbrio em pessoas surdas, freqüentemente associada com acometimentos do sistema vestibular, pode conduzir a implicações relevantes no controle postural, provocando dores, além de alterações no padrão da marcha, aumentando-se o risco para quedas (VASCONCELOS ET AL., 2010; MELO ET AL., 2012; MELO ET AL., 2012A; SOUSA, BARROS E NETO, 2012). A intervenção por meio de exercício focado no aprimoramento das habilidades de controle postural de integração sensorial tem sido utilizado como uma ferramenta eficaz, evitando-se um progressivo atraso no desenvolvimento motor de crianças com perda auditiva neurossensorial e distúrbios vestibulares (RINE ET AL, 2004). A dança, por exemplo, tem demonstrado melhora na coordenação motora, na atenção e na integração com o grupo (MONTEZUMA ET AL., 2011). Outra prática corporal que trabalha e desenvolve o equilíbrio e a cinestesia é o ballet e o seu treinamento aprimora tais habilidades. Alguns autores já demonstraram que em bailarinos treinados há uma grande dependência visual e que esta prática também promove melhora da escolha da direção espacial, facilitando a interação corpo-espaço (GOLOMER ET AL., 2008; BRUYNEEL ET AL 2010). Além disso, exige uma série de posturas que necessitam de estabilização da cabeça e tronco, sinergia de movimentos do quadril, joelho e tornozelo, sendo capaz de melhorar o mecanismo de controle postural e de ativar mais rapidamente os mecanismos de respostas neuromusculares (THULLIER E MOUFTI, 2004; SIMMONS, 2005). Não foram encontrados estudos na literatura até então que verifiquem as alterações promovidas pela prática do ballet em indivíduos surdos. Sabendo dos benefícios dessa prática corporal em indivíduos ouvintes, teve-se por objetivo verificar se esses benefícios são compartilhados em jovens bailarinas surdas. 2. OBJETIVO Verificar se existem diferenças nos ângulos e alinhamento de segmentos corporais para análise do controle postural de bailarinas surdas e ouvintes. 3. METODOLOGIA Trata-se de um estudo transversal. Foram recrutadas 14 bailarinas voluntárias ouvintes e 14 com surdez infantil bilateral, do sexo feminino, com idade entre 10 e 16 anos, praticantes de ballet há pelo menos três anos. As voluntárias foram posicionadas sobre um quadrado com dimensões de 50x50cm a 3 metros de distância da uma câmera fotográfica (Samsung ES65 10.2 megapixels) que foi posicionada sobre uma plataforma nivelada a uma altura de 80cm do solo. Todas foram fotografadas nos planos anterior, posterior e lateral esquerdo para geração dos registros fotográficos para posterior análise postural. Para a análise postural foi utilizado o programa SAPO®, no qual foram mensurados os seguintes ângulos e regiões: alinhamento da cabeça, alinhamento dos acrômios, alinhamento das espinhas ilíacas ântero-superiores (EIAS), ângulo frontal dos membros inferiores direto e esquerdo (MID e MIE), ângulo Q direito e esquerdo, assimetria das escápulas, ângulo perna/retropé direito e esquerdo, alinhamento da cabeça em relação à C7, lordose cervical, cifose torácica, lordose lombar, alinhamento entre espinha ilíaca ânterosuperior e ântero-posterior (EIAS e EIPS) e alinhamento vertical do tronco. Os ângulos mensurados de ambos grupos foram comparados através do teste T não pareado bicaudal, sendo considerados resultados estatisticamente significativos valores de p<0.05, com intervalos de confiança a 99%. 3. RESULTADOS Os resultados dos ângulos mensurados dos grupos estão expressos em média e desvio padrão na Tabela 1. Os valores de p no teste T comparando ambos os grupos também podem ser observados, sendo destacados os ângulos com diferença estatisticamente significativo entre grupo de bailarinas ouvintes e o de bailarinas surdas. Pôde-se observar que o alinhamento dos acrômios, os ângulos frontais dos MIE e MID, 7 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG ângulo Q direito e alinhamento da cabeça em relação à C7 foram estatisticamente diferentes entre os grupos, não havendo diferenças nos demais ângulos: alinhamento da cabeça, alinhamento das EIAS, ângulo Q esquerdo, assimetria das escápulas, ângulo perna/retropé direito e ângulo perna/retropé esquerdo, lordose cervical, cifose torácica, lordose lombar, alinhamento EIAS/EIPS e alinhamento vertical do tronco. Tabela 1. Ângulos mensurados através da análise postural em bailarinas surdas e ouvintes Ângulos Grupo Bailarinas Grupo Bailarinas Houve diferença Surdas Sadias estatística? (valor p) Alinhamento da 2.3±1.8 1.8±1.6 0.52 cabeça Alinhamento dos 2.7±1.6 1.6±1.3 0.04* acrômios Alinhamento das 2.4±1.6 2.3±1.8 0.76 EIAS Ângulo frontal 13.9±3.9 9.3±3.6 0.003* MID Ângulo frontal 15.2±6.9 9.0±4.1 0.006* MIE Ângulo Q direito 34.7±14.5 46.4±6.7 0.009* Ângulo Q 42.7±9.5 47.3±5.7 0.13 esquerdo Assimetria das 17.7±10.5 14.0±13.5 0.26 escápulas Ângulo 18.2±10.7 17.0±12.0 0.69 perna/retropé direito Ângulo 12.6±7.9 14.6±7.9 0.50 perna/retropé esquerdo Alinhamento da 44.9±8.4 53.7±2.4 0.005* cabeça em relação à C7 Lordose cervical 34.1±7.7 37.8±8.1 0.22 Cifose torácica 76.1±10.0 81.5±11.0 0.18 Lordose lombar 34.2±5.4 44.6±11.2 0.07 Alinhamento 17.4±9.2 14.3±5.1 0.28 EIAS/EIPS Alinhamento vertical do tronco 3.3±0.3 2.1±1.2 0.79 4. DISCUSSÃO O nosso estudo é o primeiro a comparar a postura de jovens surdas e ouvintes praticantes de ballet. Foi observado nesses grupos que a maioria dos ângulos não apresentaram diferenças estatísticas significativas, como por exemplo, os da cifose torácica, lordose lombar e o alinhamento vertical do tronco. Em contraste, Melo et al. (2012a) verificaram que alunos surdos em comparação com alunos ouvintes, com faixa etária média de 12 anos, apresentaram maiores distúrbios posturais na coluna vertebral, como a escoliose, hipercifose torácica e hiperlordose lombar. Da mesma forma, Vasconcelos et al. 8 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG (2010) quando avaliaram surdos em período escolar com idade entre 7 e 21 anos, encontraram uma alta prevalência de alterações posturais, sendo esta de 90,62%. Entretanto, em ambos os estudos não foram citados se os alunos surdos no momento da pesquisa possuíam em seus ambientes, atividades específicas e intervenções que pudessem interferir na melhora do controle postural, motor e no equilíbrio. Muito tem se discutido a respeito do ballet por vezes ser capaz de melhorar não somente a postura, como também outras habilidades que podem prejudicar o controle postural ou vice-versa, como o equilíbrio, a coordenação postural e o controle neuromuscular (SIMMONS, 2005; KIEFER ET AL., 2011). Dessa forma, o ballet pode ter contribuído para que no grupo que estudamos essas diferenças posturais fossem amenizadas ou não existissem dependendo do segmento analisado. Uma das explicações plausíveis para essa melhora trata-se de alterações estruturais e funcionais na plasticidade hipocampal e em outras estruturas cerebrais promovidas pelo treinamento do ballet (HANGGUI ET AL, 2010; HUFNER ET AL, 2011). Adicionalmente, a prática corporal em grupo como realizada pelas bailarinas do nosso estudo, favorece o aumento do estímulo visual, não só pelo fato da concentração no gesto a se realizar, mas também por observação de ações realizadas pelas colegas de grupo, ativando áreas que envolvem o sistema de ''neurônios espelhos'' (CALVO-MERINO ET AL., 2005). O simples fato da experiência visual, mesmo sem o treinamento físico, pode aumentar a excitabilidade da via córtico-espinal (JOLA ET AL., 2011). Além disso, vale reforçar que o estímulo visual é imprescindível para o controle cinestésico e o equilíbrio, principalmente em situações de perturbação do equilíbrio (GOLOMER, GRAVENHORS E TOUSSANT, 2009). Dessa forma, conclui-se que a prática do ballet pode ser uma das intervenções/práticas que podem auxiliar na redução de alterações posturais/equilíbrio que têm sido encontradas em indivíduos surdos. Sugerimos que diante dos estudos encontrados na literatura e dos resultados revelados no presente estudo, há de fato a necessidade de uma avaliação contínua do controle postural e também do equilíbrio de indivíduos surdos. É preciso que haja um trabalho multidisciplinar, afim de investigar não somente o controle postural, mas também a forma como esse indivíduo tem sido inserido na sociedade e quanto à sua participação em atividades que promovam a sua integração social, bem como melhorias na sua postura, equilíbrio e demais habilidades físicas. 5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1 AZEVEDO, M.G.; SAMELLI, A.G.. Comparative study of balance on deaf and hearing children. Rev CEFAC, v. 11, Supl. 1, p. 85-91, 2009. 2 BRUYNEEL, A. V. et al. Organization of postural equilibrium in several planes in ballet dancers. Neurosci Lett, v. 485, n. 3, p. 228-32, Nov 2010. 3 CALVO-MERINO, B. et al. Action observation and acquired motor skills: an FMRI study with expert dancers. Cereb Cortex, v. 15, n. 8, p. 1243-9, Aug 2005. 4 CROMACK, E., M., P., C.. Identify, deaf culture and the building of subjectivy and education: crossings and social implications. Psicologia Ciência e Profissão, v. 24, n. 4, p 6872, 2004. 5 ENGEL-YEGER, B.; WEISSMAN, D. A comparison of motor abilities and perceived self-efficacy between children with hearing impairments and normal hearing children. Disabil Rehabil, v. 31, n. 5, p. 352-8, 2009. 9 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG 6 ERENBERG, A. et al. Newborn and infant hearing loss: detection and intervention.American Academy of Pediatrics. Task Force on Newborn and Infant Hearing, 1998- 1999. Pediatrics, v. 103, n. 2, p. 527-30, Feb 1999.. 7 GOLOMER, E. M.; GRAVENHORST, R. M.; TOUSSAINT, Y. Influence of vision and motor imagery styles on equilibrium control during whole-body rotations. 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Instituto Metodista Izabela Hendrix – Belo Horizonte, Minas Gerais email: [email protected] Introdução: O esporte adaptado surgiu no período pós-guerra, com o objetivo de reabilitar e reintegrar os amputados e lesados medulares decorrentes dos combates. Dentre os esportes coletivos destaca-se a modalidade do futebol para amputados. Devido à necessidade de direcionar cada vez mais o treinamento destes atletas, tem-se utilizado de avaliações físico-táticas para avaliar o desempenho e tornar mais específico o treinamento dos jogadores. Sendo assim, buscou-se analisar a efetividade de um treinamento para a velocidade e a agilidade de jogadores amputados e suas possíveis influências nos aspectos táticos nos jogos de futebol como: finalizações, bolas recuperadas, passes certos e faltas sofridas. Métodos: 14 jogadores de um time de futebol para amputados passaram por uma avaliação física antes e após um treinamento durante uma competição de nível internacional. Esta avaliação incluía o Teste de Velocidade de 20m, Teste de Agilidade e Aspectos Técnico-Táticos do esporte. Resultados: Houve aumento estatisticamente significante após o treinamento tanto para velocidade (p = 0,02) quanto para agilidade (p = 0,04). Ao correlacionar ambas variáveis houve uma correlação baixa no período prétreinamento (r = 0,22) e moderada no pós-treinamento (r = 0,45). O teste de agilidade também apresentou uma correlação moderada com as variáveis técnico-táticas analisadas, exceto para bolas recuperadas. Conclusão:Houve aumento significativo das variáveis velocidade e agilidade após o treinamento. Contudo, houve apenas uma correlação satisfatória entre a agilidade e as variáveis técnico-táticas analisadas.Estes resultados são importantes para definir quais os melhores métodos de treinamento que poderão beneficiar uma ou outra característica dos jogadores, como as capacidades técnicas e táticas. Palavras-chave: amputados, futebol, agilidade CORRELATION BETWEEN SPEED, AGILITY AND TECHNICAL AND TACTICAL BEHAVIOUR OF AMPUTEE SOCCER PLAYERS ABSTRACT Introduction: The adapted sports emerged in the postwar period, in order to rehabilitate and reintegrate amputees and spinal cord injuries resulting from fighting. Among the team sports highlights the mode of amputee soccer. Because of need for increasingly direct the training of these athletes has used physical tactics evaluations to assess performance and make more specific the training of players. Therefore, we attempted to examine the effectiveness of training for speed and agility of players amputees and their potential influence on the tactical aspects at soccer matches as submissions, balls recovered, certain passes and suffered fouls. Methods: 14 players in a soccer team for amputees underwent a physical assessment before and after training during an international competition. This assessment included the 20m Speed Test, Agility Test and Technical and Tactical Aspects of the sport. Results: There 12 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG was a statistically significant increase after training both for speed (p = 0.02) and for agility (p = .04). By correlating both variables there was a low correlation in the pre-training (r = 0.22) and moderate post-training (r = .45). The agility test also showed a moderate correlation with the technical and tactical variables analyzed, except for recovered balls. Conclusion: A significant increase in of variables speed and agility after training. However, there was only a satisfactory correlation between the speed and the technical and tactical variables analyzed. These results are important to define the best methods of training that may benefit one or another feature of the players, such as technical skills and tactics. Keywords: amputee, soccer, agility INTRODUÇÃO A amputação de membros do corpo humano causa um impacto relevante em vários níveis. Do ponto de vista físico, há alterações biomecânicas que influenciam sua locomoção, equilíbrio estático e dinâmico, transferências e trocas posturais, aumento do gasto metabólico, além de possíveis alterações neurológicas (WATERS et al., 1976; HOF et al., 2007). Estas mudanças alteram o estado psicossocial do indivíduo levando à diminuição de sua autoestima, na participação de atividades em sua comunidade e da qualidade de vida, podendo estar associada à significativa morbidade, incapacidade e mortalidade (PASTRE et al. 2005). O esporte adaptado surgiu no período pós-guerra, como um serviço para reintegrar os amputados e os muitos lesados medulares decorrentes dos combates. A atividade esportiva para pessoas com deficiência física foi desenvolvida com o objetivo de ser recreativa e reabilitativa, entretanto, para alguns, evoluiu para o âmbito competitivo (PASTRE et al. 2005).Benefícios físicos como a melhora da motricidade, desenvolvimento das potencialidades organofuncionais, estimulação e fortalecimento de grupos musculares são alguns exemplos dos benefícios conseguidos com a prática do esporte. Benefícios psicossociais também são importantes, como a socialização e a possibilidade de sensação de movimentos que frequentemente são impossibilitados pelas barreiras físicas, ambientais e sociais (LANBROCINI et al., 2000). Dentre os esportes coletivos destaca-se o futebol para amputados. Esta modalidade é uma variação do futebol convencional onde apenas atletas que possuem um membro amputado, seja inferior ou superior(no caso dos goleiros), podem participar(YAZICIOGLU et al., 2007; SIMIM et al., 2010). Ainda não há estudos suficientes que comprovem o ganho de força muscular no membro amputado com a prática de futebol, mas já é evidenciado que os atletas que o praticam têm um ganho no equilíbrio e melhoria da qualidade da marcha (SIMIM et al., 2010). A avaliação do desempenho tático e da condição física dos jogadores durante uma partida de futebol é entendida como o estudo do jogo a partir da observação da atividade dos jogadores e das equipes, comparando resultados antes e após o treinamento, e pode ser aplicada às mais diversas modalidades esportivas (BRAZ et al., 2009). A velocidade e a agilidade são citadas na literatura como componentes importantes da performance física de um jogador de futebol. Em determinado momento do jogo, ser mais rápido permitirá alcançar a bola e ser mais ágil evitará um possível impacto com um adversário e contribuirá para o sucesso do jogador em suas ações (REBELO, OLIVEIRA, 2006). A capacidade de aceleração é a característica que mais interessa dentro do quesito velocidade, uma vez que o jogador é submetido a diversas alterações de trajetória durante o jogo e o componente acelerativo deve manter-se estável. Por agilidade então entende-se pela capacidade de realizar desvios de trajetória com o menor prejuízo em sua velocidade (YOUNG et al., 2001). A velocidade e agilidade são duas qualidades de performance que exigem avaliação 13 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG específica, sendo geralmente avaliadas em distâncias curtas (5m a 20m) (REBELO, OLIVEIRA, 2006; YOUNG et al., 2001). Isso demonstra que para a formação de atletas de alto rendimento no futebol de amputados é necessário um envolvimento de aspectos técnicos, táticos, físicos, coletivos e individuais, tanto por parte dos jogadores quanto de seus treinadores. OBJETIVO O estudo científico das variáveis motoras, dentre elas: a velocidade e a agilidade, em atletas de ponta pode mostrar um caminho ideal para o melhoramento das habilidades no esporte, facilitando e focando o treinamento. Assim, a proposta deste estudo é avaliar os resultados dos valores de velocidade e agilidade antes e após o treinamento e correlacioná-los com dados técnico-táticos obtidos durante o campeonato. MATERIAIS E MÉTODOS Trata-se de um estudo transversal de caráter intervencional e constituído de uma amostra por conveniência. A amostra era composta por 14 jogadores da seleção brasileira de futebol para amputados que disputavam um torneio de nível internacional. A avaliação das variáveis motoras dos jogadores da seleção brasileira de futebol para amputados foram realizadas em dois momentos diferentes, pré-treinamento e após treinamento intensivo para participar do campeonato. Para avaliar a velocidade foi utilizado o Teste de Velocidade de 20 metros e para avaliar a agilidade foi utilizado o Teste de Agilidade (Teste do Quadrado). Ambos são testes contidos nos Protocolos de Testes de Identificação do Talento Esportivo da Rede de Centros de Excelência Esportiva – Rede CENESP do Ministério do Esporte. Teste de Velocidade de 20 metros: Para avaliar a velocidade foi utilizado o Teste de Velocidade de 20m.Uma pista de 20 metros foi demarcada com três linhas paralelas no solo da seguinte forma: a primeira (linha de partida); a segunda, distante 20m da primeira (linha de cronometragem) e a terceira linha, marcada a um metro da segunda (linha de chegada). A terceira linha serve como referência de chegada. O indivíduo parte da posição de pé, com um pé avançado à frente imediatamente atrás da primeira linha e será informado que deverá cruzar a terceira linha o mais rápido possível. Ao sinal do avaliador, o indivíduo deverá deslocar-se, o mais rápido possível, em direção à linha de chegada. O avaliador deverá acionar o cronômetro no momento em que o avaliado der o primeiro passo (tocar ao solo), ultrapassando a linha de partida. Quando o indivíduo cruzar a segunda linha (dos 20 metros) será interrompido o cronômetro. O teste é realizado três vezes. Ao final calcula-se a velocidade média. Teste de Agilidade: Para avaliação da Agilidade foi utilizado o Teste de Agilidade (quadrado com perímetro de 16m), que consiste em um indivíduo partir da posição de pé, com um pé avançado à frente imediatamente atrás da linha de partida. Ao sinal do avaliador, deverá deslocar-se até um cone próximo em direção diagonal. Na sequência, corre em direção ao cone à sua esquerda e depois se desloca para o cone em diagonal (atravessa o quadrado em diagonal). Finalmente, corre em direção ao último cone, que corresponde ao ponto de partida. O indivíduo deverá tocar com uma das mãos cada um dos cones que demarcam o percurso. O cronômetro deverá ser acionado pelo avaliador no momento em que o avaliado realizar o primeiro passo tocando com o pé o interior do quadrado. Serão realizadas três tentativas, e calculou-se a velocidade média. 14 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG Análise do Comportamento Técnico-Tático nos Jogos Coletivos Tem como objetivo a avaliação das ações desempenhadas pelos jogadores em um jogo. Seus resultados são importantes para auxiliar a comissão técnica a tomar decisões para aumentar a eficácia da equipe em diferentes setores. Foram desenvolvidos formulários de análise e planilhas para cálculo das ações empreendidas no futebol para amputados. Os resultados podem ser observados para cada um dos atletas ou para a equipe; é possível observar cada fundamento ou o aproveitamento total dos fundamentos. As variáveis analisadas foram: Finalizações para o Gol, Passes Certos, Bolas Recuperadas e Faltas Sofridas. Análise Estatística Para a análise dos resultados dos testes de Velocidade de 20m e Agilidade durante os períodos pré e pós-treinamento foi utilizado o teste tpareado, sendo estatisticamente significativo os resultadospara p<0.05. Para relacionar os resultados de velocidade e agilidade foi utilizada a correlação de Pearson. RESULTADOS A Tabela 1 apresenta os valores em média e desvio padrão para os resultados dos testes de Velocidade e Agilidade durante as fases pré e pós-treinamento e o valor p para cada respectivo teste ao utilizar o teste t comparando os resultados durante os dois períodos avaliados. É possível observar que os valores de p foram estatisticamente significativos para ambos os testes. Tabela 1. Resultados dos testes de velocidade e agilidade nos períodos pré e pós treino Teste de Velocidade de 20m Teste de Agilidade Pré treino Pós treino Pré treino Pós treino Média 4,04 m/s 6,22 m/s Média 6,54 m/s 8,66 m/s DP ±0,35 ±0,24 DP ±0,62 ±0,39 Valor p 0,02 Valor p 0,04 A Tabela 2 contém os valores r encontrados ao correlacionar os resultados dos testes de velocidade e agilidade tanto na fase pré-treinamento, quanto na fase pós-treinamento. Podese observar um valor r baixo durante a fase de pré-treinamento, já durante a fase póstreinamento o valor da correlação foi considerado moderado. Tabela 2. Correlação entre os testes de velocidade e agilidade Fase Velocidade/Agilidade (r) Pré treino 0,22 Pós treino 0,45 Por fim, a Tabela 3 mostra os valores da correlação entre os resultados dos testes de velocidade e agilidade pós-treinamento e as variáveis técnico-táticas analisadas durante o Campeonato Mundial de Futebol para Amputados. Houve um índice de correlação moderada entre o Teste de Agilidade e as variáveis: Finalizações para o Gol, Passes Certos e Faltas Sofridas, excetuando a variável Bolas Recuperadas. Já para o Teste de Velocidade nenhuma correlação apresentou um índice r satisfatório. 15 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG Tabela 3. Correlação entre velocidade e agilidade com variáveis técnico táticas de um jogo de futebol Variáveis Técnico Teste de Velocidade (r) Teste de Agilidade (r) Táticas Finalizações ao Gol 0,22 0,59 Bolas Recuperadas 0,20 0,29 Passes Certos 0,34 0,58 Faltas Sofridas 0,18 -0,53 DISCUSSÃO No futebol, correr é a atividade predominante, mas esforços do tipo explosivo como arrancadas, saltos, dribles, chutes e mudanças bruscas de direção também exigem agilidade, velocidade, potência muscular anaeróbia e resistência aeróbica, sendo fatores que podem influenciar muitas jogadas (WEBER et al., 2010). Conforme visto na Tabela 1, no Teste de Velocidade de 20m os jogadores do conseguiram concluir o percurso em um espaço com maior velocidade após seu treinamento. No caso de indivíduos amputados, sugere-se que há uma diminuição do tempo de balanço durante a marcha de forma a tentar corrigir a assimetria do movimento, se esta não for corrigida não há como ter aumento da velocidade (NOLAN et al., 2003). O treinamento leva a um elevado nível de coordenação neuronal que, associado à correção da assimetria da marcha, acarreta no aumento da velocidade do amputado (NOLAN et al., 2003; MERO et al., 1992). O termo agilidade não tem uma definição global, mas na maioria das vezes é reconhecido como a capacidade de mudar de direção ou iniciar e parar um movimento rapidamente (LITTLE et al., 2005). No presente estudo vimos que houve uma melhora estatisticamente significante no Teste de Agilidade no período Pós-treinamento se comparado ao PréTreinamento. Segundo o Centro de Excelência de Defesa contra o Terrorismo (2008), classificar um bom grau de agilidade em um jogador de futebol amputado, este deve ter: habilidade para se mover livremente em um campo plano, boa velocidade, habilidade para realizar movimentos específicos sem gasto de energia desnecessária e conseguir realizar movimentos complexos e determinados para cada situação. Considerando que o fator assimétrico do amputado torna este tipo de treino o mais difícil, a amostra deste estudo apresentou um resultado satisfatório quando comparados a jogadores saudáveis e com um tempo de treino até superior. Ao correlacionar os resultados dos testes de velocidade e agilidade foi obtido um valor r baixo para a fase pré-treinamento (r=0,22) e moderado para a fase pós-treinamento (r=0,45). Young et al. (2001) levanta que com treinamento superior a seis semanas há aumento tanto na agilidade e velocidade, porém, quanto mais requisitos de agilidade forem exigidos, o ganho de agilidade não é acompanhado pela velocidade. Alguns autores apresentam que nos treinamentos de velocidade e agilidade há grupamentos musculares diferentes sendo recrutados. Neste caso, ao serem analisadas isoladamente, musculaturas que resultam em uma mesma amplitude de passada, frequência de passada e potencia muscular em ambos os treinamentos podem apresentar um valor de correlação alto. Da mesma forma, como a maioria dos grupamentos só são recrutados em treinos específicos, geralmente os valores da correlação são baixos, pois a amplitude, frequência e potência muscular são diferentes (REBELO, OLIVEIRA, 2006; LITTLE, 2005). No caso do membro amputado, há mais uma correção da assimetria durante a marcha como fator influente para aumento da velocidade e agilidade do que uma questão fisiológica muscular (NOLAN, 2003). Com relação à análise do comportamento técnico-tático, o número de finalizações é um indicativo do poder ofensivo do time. A relação entre finalizações para o gol e as variáveis motoras apresentou um valor r baixo para a velocidade e moderado para agilidade. As 16 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG finalizações requerem certo nível de precisão para que ocorram de forma satisfatória, desta forma, o fator velocidade não exerce grande influencia para uma finalização positiva, podendo até de certa forma atrapalhar o movimento. Entretanto, por se tratar de uma tomada rápida de decisão, a agilidade torna-se um fator importante na forma de finalização para o gol (NATO SCIENSE, 2007). Pode-se observar pouca influência da velocidade e moderada influência da agilidade sobre a quantidade de passes certos durante o campeonato. Segundo a literatura, ambas variáveis são fatores consideráveis para a realização do passe correto principalmente em situações em que o jogador está sobre pressão adversária, em especial a agilidade por ser uma situação de tomada rápida de decisão(ALI, 2011). A recuperação de bolas resulta de ações tático-técnicas defensivas seja por interceptação pelos jogadores ou erro de jogada do adversário. Neste ponto a velocidade é um fator imprescindível para conseguir recuperar bolas perdidas, seja por roubada ou chutar a bola para fora de campo((NATO SCIENSE, 2007). Entretanto, em nosso estudo nem a agilidade e nem a velocidade apresentaram uma boa correlação com esta variável. Uma possível hipótese para o ocorrido seria que o maior gasto energético do amputado acarretaria numa diminuição gradual de sua velocidade enquanto percorria grandes distâncias por muito tempo (NOLAN, 2003). Por fim cabe ressaltar que o valor da correlação entre faltas sofridas e a agilidade (r= -0,53) mostra que o aumento da agilidade faz com que o jogador se torne mais apto a desviar de possíveis agressões e roubadas de bola do adversário, por conseguinte, sofrendo menos faltas (ALI, 2011). CONCLUSÃO Por meio das condições experimentais adotadas, os resultados do presente estudo permitem concluir que houve um aumento estatisticamente significativo nas variáveis velocidade e agilidade após realizar um treinamento para competição. Contudo, não houve grande influência das variáveis quando correlacionadas entre si, uma vez que os grupamentos musculares que exercem influência sobre elas são diferentes. Foi possível observar que a variável agilidade apresentou uma correlação satisfatória com a maioria das variáveis técnico-táticas analisadas, entretanto, para a velocidade os valores foram baixos. REFERÊNCIAS: ALI, A. Measuring soccer skill performance: a review. Scand J Med Sci Sports, v. 21, p. 170183, 2011. HOF, A.L. et al. Control of lateral balance in walking Experimental findings in normal subjects and above-knee amputees. Gait&Posture, v. 25, p. 250-258, 2007. LAMBROCINI, R.H.D.D. et al. Esporte como fator de integração do deficiente físico na sociedade. 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Academia de Polícia Militar do Barro Branco – São Paulo – Brasil. email: [email protected] resumo Este trabalho tem como objetivo identificar as variáveis referente a análise antropométrica dos cadetes do 1º CFO bem como suas valências físicas segundo critérios estabelecidos pela própria Polícia Militar. Foram analisados todos os 123 alunos do 1º CFO, sendo composto este número por 109 homens e 14 mulheres com idade média de 24,7 anos (DP ± 5,09), sendo aplicadas as provas previstas no Programa Padrão de Treinamento Policial Militar (PPT-4-PM) alem dos cálculos de Percentual de gordura, Índice de Massa Corporal e VO2 Máx. Os resultados obtidos demonstraram que há a necessidade de promover um treinamento adequando às exigências físicas para o desempenho das atividades acadêmicas e daquelas desenvolvidas na atividade operacional. Em suma as avaliações aqui vislumbradas demonstram a disparidade de condicionamento físico entre os cadetes, sendo necessário a busca do nivelamento deste quadro através da periodização do treinamento e atenção aos princípios do treinamento desportivo, com destaque ao da individualidade biológica e continuidade. Palavras-chave: Antropometria. Polícia. Capacidade Física. ABSTRACT This work aims to identify the variables related to anthropometric analysis of the first year cadets from the Officers Formation Course, as well as their physical valences second criteria established by own Police Department. We analyzed all 123 students in the first OFC, this number being made up of 109 men and 14 women with a mean age of 24.7 years (SD ± 5.09), and applied the evidence provided in the Program Patterns Training the Police Department (PPT-4-PM) beyond the calculations of the fat percentage, Body Mass Index and VO2 Max the results showed that there is a need to promote training suiting the demands for the physical performance of academic activities and those developed in operational activity. In short assessments glimpsed here demonstrate the disparity in physical fitness among cadets, being necessary the pursuit of leveling this framework through periodical training and attention to the principles of sports training, with emphasis on the biological individuality and continuity. Keywords: Anthropometry. Police. Capacity Physics. INTRODUÇÃO Nos dias atuais, devido às perceptíveis mudanças observadas no estilo de vida da população, especialmente na forma com que a atividade física é aplicada em funções empregatícias caracterizadas por níveis cada vez maiores de hipocinesia, estudos vêm sendo realizados com o intuito de associar o exercício físico ao aprimoramento da 19 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG funcionalidade laboral, bem como à aquisição de um completo estado de bem-estar (Blaber 2005 & Skoglund & Jansson 2007 apud JUNIOR et al 2009). Dessa forma, a Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMESP) instituiu o Teste de Aptidão Física (TAF), exame que é composto por testes físicos destinados a selecionar candidatos para ingresso na PMESP, avaliar a aptidão física de policiais militares para frequentarem cursos ou estágios dentro ou fora da PMESP, e ainda avaliar o nível de condicionamento físico do contingente policial militar anualmente (PMESP, 2002). Em vista disso a eficiência do trabalho de policiais é fortemente determinada pelas características morfológicas corporais. Além da ligação entre as características morfológicas e a eficiência laboral, e ainda que um perfil morfológico adequado associado a um bom condicionamento físico diminui a probabilidade de certas patologias, melhoram as relações com seus colegas e a imagem da polícia aos olhos da população (Zorec, 2001 apud LUZ et al 2011). Para tanto a antropometria tem sido apontada como uma excelente ferramenta para análise da composição, proporcionalidade e morfologia corporal, oferecendo informações ligadas ao crescimento, desenvolvimento e envelhecimento (Marins & Giannici, 2003 apud LUZ et al 2011). Além disso alguns índices, obtidos pela análise antropométrica, são úteis para verificar o rendimento em algumas modalidades esportivas e laborais (Carter, 2005 apud LUZ et al 2011). É sabido que a atividade policial envolve a realização de tarefas diversificadas do ponto de vista da atividade física. Dependendo da função, o indivíduo pode passar várias horas sentado diante do computador, como também pode expor-se a situações fisicamente arriscadas, tais como conduzir automóveis ou motocicletas em alta velocidade, usar a força para conter uma pessoa ou envolver-se em confrontos armados (Hagen, 2006 apud MACHADO, 2012). Algumas pesquisas demonstram que o trabalho policial é largamente sedentário e que 80 a 90% deste trabalho é direcionado às tarefas que exigem limitada capacidade e habilidade física (Bonneau & Brown, 1995 apud MACHADO, 2012). Isso poderia diminuir a importância da aptidão física ou capacidade física para o trabalho. Por outro lado, é importante reconhecer que, enquanto as tarefas que exigem capacidade e habilidade física não são frequentes, elas são na maioria das vezes críticas para o trabalho em situações de risco. Não obstante, realizando uma análise das tarefas ou do trabalho funcional, a tarefa física invariavelmente está presente (Trottier & Brown 1994 apud MACHADO, 2012). Essa tarefa inclui a perseguição de suspeitos que venham a escapar, controle daqueles que resistem à prisão, uso de algemas e o controle de distúrbio civil. A falta de capacidade física e habilidade para cumprir essas tarefas podem colocar em perigo a segurança pública e dos próprios policiais. Por fim há de se demonstrar a capacidade física dos Cadetes do primeiro ano do Bacharelado em Ciência Policiais de Segurança e Ordem Pública por meio da analise antropométrica, da densidade corporal e do percentual de gordura tendo como objetivo a verificação do preparo e do condicionamento físico traçando metas para sua adequação ao desempenho das atividades acadêmicas e por consequência das atividades desempenhadas futuramente como Oficial em sua atividade fim. materiais e métodos A coleta dos dados antropométricos foi realizada no dia 19 de fevereiro de 2013 e contemplou 123 alunos oficiais do 1º ano do curso de Bacharel em Ciências Policiais da Academia de Polícia Militar do Barro Branco (APMBB), sendo 109 do sexo masculino e 14 do sexo feminino, com idade média de 24,7 anos (DP ± 5,09). Antes de iniciarem quaisquer exercícios físicos na Academia de Polícia Militar do Barro Branco, a fim de atender os princípios do treinamento desportivo, com destaque ao da individualidade biológica, realizou-se a coleta dos dados para se verificar o perfil 20 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG antropométrico e em seguida a aptidão física, sendo a última através dos testes compreendidos no TAF – Teste de Aptidão Física devidamente previso no Programa Padrão de Treinamento nº4 (PPT-4), que será realizado semestralmente pelos alunos oficiais em 3 dias consecutivos e que compreendem as seguintes provas, nessa ordem: 1º dia - teste dinâmico da barra fixa para os homens e apoio de frente (flexão de cotovelos) para mulheres juntamente com a corrida de 100m para ambos; 2º dia - abdominal tipo remador e teste de 40”; 3º dia – teste de Cooper 12’ (RIAPMBB, 2010). Os protocolos de aplicação dos testes estão devidamente descritos no PPT-4 e foram rigorosamente seguidos e aplicados pelo mesmo avaliador. Para a realização do teste dinâmico da barra fixa o aluno deverá permanecer com as mãos em pronação, perder o contato dos pés com o solo e flexionar os cotovelos de modo que o queixo ultrapasse a barra, devendo realizar o máximo de repetições que conseguir, possuindo como parâmetro máximo de pontuação de 11 repetições e mínimo de 1 repetição. Na prova de 100m o aluno deverá percorrer a distância no menor tempo possível, tendo como parâmetro para os homens de melhor desempenho 12”00 (doze segundos) e o menor desempenho ao atingir 17”00 (dezessete segundos) e para as mulheres o melhor desempenho 14”00 (catorze segundos) e o menor desempenho ao atingir 19”00 (dezenove segundos) para a pontuação máxima e mínima respectivamente. Por sua vez para o teste de abdominal remador o aluno deverá manter-se em decúbito dorsal, com os braços e pernas estendidos aguardando a autorização do avaliador para início. Uma vez iniciada a contagem do tempo de 1’ (um minuto), o aluno deverá flexionar os joelhos, quadril e tronco, trazendo os braços a frente, de modo que fiquem paralelos ao solo e, a articulação dos cotovelos deverá estar no mínimo na mesma linha da articulação dos joelhos. Os parâmetros utilizados como o máximo de repetições é de 62 e o mínimo de 26 para os homens e o máximo de repetições é de 52 e o mínimo de 16 para as mulheres para e a pontuação máxima e mínima respectivamente. Na prova dos 40” (quarenta segundos) o aluno deverá percorrer a maior distância, tendo como maior índice 300m e no mínimo 210m para os homens e tendo como maior índice 250m e no mínimo 160m para as mulheres para a pontuação máxima e mínima respectivamente. O teste do 12’ (Cooper) compreende em correr a maior distância no tempo estabelecido, ou seja, 12’ (doze minutos). Os parâmetros para a prova para a pontuação máxima e mínima são de 3000m a 1619m para os homens e para a pontuação máxima e mínima são de 2609m a 1209m para as mulheres respectivamente. Em todos os testes o aluno se submeteu ao máximo desempenho físico, tendo em vista que as provas geram notas escolares e, somada as outras disciplinas influenciará diretamente na classificação final do curso, sendo esta responsável pela antecipação nas promoções. Com base nas informações acima, para a mensuração da massa corporal utilizou-se a balança digital de análise corporal W904i, da marca Wiso. O valor da altura dos candidatos foi mensurada através de estadiômetro devidamente certificado pelo Inmetro, validade janeiro de 2014. A fim de se verificar as dobras cutâneas, utilizou-se o adipômetro científico da marca Sanny, modelo AD1010. O protocolo para o cálculo da densidade corporal foi o de Petroski (1995), tendo em vista que foi desenvolvida para avaliar homens e mulheres do Brasil, com a estimativa do percentual de gordura através da fórmula de Siri (1961). Verificou-se ainda o Índice de Massa Corpórea (IMC), conforme proposto por Lambert Quetelét e utilizou-se a tabela estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como parâmetro de classificação. Para a classificação do percentual de gordura utilizou-se os parâmetros estabelecidos pelo American College of Sports Medicine (ACSM, 2008). 21 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG O VO2 indireto foi calculado com base nos resultados obtidos no teste de Cooper, utilizandose para tanto a fórmula proposta pelo próprio autor (12'-504,9)/44,73). resultados e discussão A análise foi realizada com alunos de idade entre 18 e 36 anos, sendo em sua maioria composta por jovens na faixa etária dos 20 aos 29 anos, com idade média de 24,7 anos (DP ± 5,09). Durante o transcorrer deste trabalho serão analisados os dados referentes ao Perfil Antropométrico e análise de Desempenho Físico do Cadetes do 1ª CFO. 3.1 ANTROPOMETRIA Uma análise de perfil antropométrico refere-se a mensuração de Altura, Peso, cálculo de IMC (Kg/h²), % de Gordura e da Densidade Corporal, os quais encontram-se relacionados na tabela 01. TABELA 01: Perfil Antropométrico dos Alunos do 1º CFO Média Desvio Padrão Máximo Mínimo Altura 1,75 0,07 1,93 1,6 Peso 75,58 12,33 102,1 47,6 % de Gordura 17,95 6,52 37,01 7,18 Densidade Corporal 1,06 0,01 1,08 1,01 IMC 24,48 4,22 32,6 17,68 Fonte: Próprio Autor Analisando as informações observa-se que a média do IMC é de 24,48 (DP ± 4,22), e que existem indivíduos com o Índice de Massa Corporal acima do considerado como valores aceitáveis para a faixa etária analisada. Podemos observar no gráfico 01 a quantidade de indivíduos que se encontram em cada nível de IMC (Eutrofia, Sobrepeso e Obesidade). GRÁFICO 01 GRÁFICO 02 Fica claro então que, com base nas informações expostas anteriormente no gráfico, quase 50% dos indivíduos estão acima do peso ideal, ou seja, fora dos índices aceitáveis de IMC que orbita entre 18,5 a 24,9, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Ainda na Tabela 01, observamos que os indivíduos analisados encontram-se com o Percentual de Gordura com média de 17,95 (DP ± 6,52). Este valor analisado isoladamente seria considerado compreendido em uma categoria ótima de adiposidade se levarmos em consideração a variação de 10 a 20% de porcentagem de gordura que é uma classificação proposta por Lohman (1987) apud et al PIRES (2002), porem os dados demonstrados no Gráfico 02 expõe que muitos indivíduos estão acima desta faixa e alguns abaixo dela. 3.2 APTIDÃO FÍSICA 22 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG Agora, de maneira individual, analisaremos o desempenho físico dos homens e das mulheres do efetivo do 1º CFO com base nas provas físicas aplicadas no TAF na Academia do Barro Branco, utilizadas para avaliar o seu desempenho. Tais provas foram desenvolvidas e concebidas com intuito de reproduzir ou simular os esforços físicos atinente à aquelas que serão, em tese, realizadas, mesmo que esporadicamente, durante a atividade operacional em casos de ocorrências de gravidade como por exemplo ações de Controle de Distúrbios Civis, contenção de infratores agressivos, etc. As tabelas a seguir demonstram valores Médio, Máximos e Mínimos alcançados durante a execução das provas físicas. TABELA 02: Análise da Capacidade Física dos Alunos do 1º CFO (Masculino) Média Física Desvio Padrão TABELA 03: Análise da Capacidade dos Alunos doMáximo 1º CFO (Feminino)Barra 100 Apoio deMetros Frente 8,4 Média 12”70 39,6 Abdominal 100 Metros 40 Segundos Abdominal 45,3 15”72 225,4 41,5 2555,2 217,8 12' 40Cooper Segundos Fonte: Próprio Autor Cooper 12' 2205,4 Desvio 4,2 Padrão 3”97 13,7 Mínimo 19 Máximo 12”00 60 1 Mínimo 20”20 31 10,3 4”77 88,2 5,1 60 14”80 305 51 38 19”49 220 31 608,7 14,8 3110 249 1790 193 196,2 2530 1940 Fonte: Próprio Autor Observando as tabelas pode-se concluir erroneamente, com base nas marcas obtidas, que há um razoável nível de condicionamento físico. Porém ao ser levado em consideração os valores mínimos obtidos nas provas, nota-se que estes estão muito a quem dos valores de desempenho aceitáveis. Tal afirmativa pode ser corroborada com análise dos gráficos que seguem. GRÁFICO 03 GRÁFICO 04 GRÁFICO 05 GRÁFICO 06 23 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG Observa-se que, dentre as provas aplicadas no primeiro dia de avaliações, no exercício de Barra Fixa, aplicado somente aos homens, sendo que 57% dos indivíduos necessitam de um melhor preparo muscular de membros superiores. Em contra partida analisando o gráfico correspondente à prova de apoio de frente, prova esta aplicada somente às mulheres, verifica-se que apenas 16% delas encontram-se fora da faixa de excelente desempenho. Na prova de 100 metros rasos 73% do efetivo feminino está abaixo do ideal e 39% dos homens encontram-se nas mesmas condições demonstrando que há a necessidade de treinamento específico para provas de velocidade. GRÁFICO 07 GRÁFICO 08 Da mesma maneira que foi observando anteriormente, nas provas do segundo dia de avaliações ocorre que as marcas alcançadas também estão abaixo do ideal indicado para cada teste. Por fim a prova de 12 minutos “Cooper”, demonstra que 48% dos homens avaliados encontram-se abaixo dos índices considerados como ideias para a prova. Em pior situação estão as mulheres, pois, 78% encontram-se com marcas abaixo do ideal para a prova. Porem pode-se analisar outro fator relevante com base na prova de “Cooper”, sendo este o VO2 Máximo que é definido como a maior quantidade de oxigênio que um indivíduo é capaz de captar ao respirar ar atmosférico, ao nível do mar, transportar aos tecidos pelo sistema cardiovascular e utilizá-lo durante em um esforço físico por unidade de tempo DELGADO (2004). Segundo GUEDES & GUEDES (1995, apud DELGADO 2004), os indivíduos cuja aptidão cardiorrespiratória exibe níveis mais elevados tendem a apresentar maior eficiência nas atividades do cotidiano e a recuperar-se mais rapidamente, após a realização de esforços físicos mais intensos. Levando em consideração a classificação dada por HEYWARD (1977), constante na tabela 04, é possível parametrizar a capacidade cardiorrespiratória dos cadetes que realizaram a prova de Cooper. TABELA 04 Faixa Etária 20 a 29 Fraco ≤37 ≤31 Classificação do VO2 Máximo Regular Bom Muito Bom Homens 38 a 41 42 a 44 45 a 48 Mulheres 32 a 34 35 a 37 38 a 41 Excelente >49 >42 Fonte: adaptado (HEYWARD, 1977 apud MOREIRA et al 2013) Segundo esta tabela foi feita a análise do desempenho da capacidade cardiopulmonar dos avaliados conforme os gráficos 09 e 10 demonstram os seguintes resultados. 24 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG GRÁFICO 09 GRÁFICO 10 Segundo a classificação dada por HEYWARD (1977), ao observar os dois últimos gráficos nota-se 92% dos Homens estão localizados entre o rendimento “Bom” e “Excelente” e 78% das Mulheres estão situadas nas mesmas circunstâncias. Obviamente que independentemente dos resultados demonstrados com a análise do VO2 Máximo, os valor correspondentes às necessidades ideias para a prova de Cooper ainda estão abaixo do esperado. Conclusão Com base nos dados coletados e analisados verifica-se que as condições antropométricas e de aptidão física dos cadetes do 1º ano do curso de Bacharelado em Ciências Policiais está boa quando comparada com o nível da população brasileira (OMS TEM O DADO DE QUE 49% DA POPULAÇÃO BRASILEIRA ESTÁ ACIMA DO PESO), porém, em decorrência das peculiaridades do trabalho policial há necessidade da melhoria das condições físicas e antropométricas dos avaliados. Para tanto sugere-se que seja realizado um estudo longitudinal, no mínimo realizado anualmente até a formatura (2015), a fim de se verificar se a atual política de educação física da APMBB alcança resultados positivos na mudança do perfil analisado, o que pela ciência fica comprovado ser ineficaz da forma que é realizada atualmente, pela ausência de uma periodização e principalmente pelo descumprimento dos princípios do treinamento desportivo. Importante observar que as aulas de educação física da APMBB devem ter como objetivos principais informar o futuro Oficial de conhecimentos básicos para executar treinamentos e, consequentemente, prepará-lo para que alcance a sua melhor forma física no período de realização do TAF. Para tanto há necessidade de uma sistematização da educação física na academia, através de procedimentos obrigatórios como a realização de uma avaliação física no início das atividades de cada ano letivo para que se analise as condições físicas e antropométricas, além de verificar através de comparações, a melhora dos cadetes. Conclui-se ainda que as aulas desenvolvidas devem seguir rigorosamente os princípios do treinamento desportivo, com destaque aos princípios da individualidade biológica e da continuidade, sendo a última fundamental para que haja a supercompensação. Há ainda a necessidade de desenvolvimento de um processo de periodização do treinamento para os 3 anos de formação, adequando-o quando o perfil dos cadetes for muito diferenciado. REFERêNCIAS DELGADO, Leonardo de Arruda, Avaliação Cardiorrespiratória, Universidade Federal do Maranhão, Centro de Ciências da Saúde, Curso de Licenciatura em Educação Física. São Luis, 2004. p 6, 8 e 9. JUNIOR, Adenilson Targino de Araújo & MEDEIROS, Rômulo José Dantas & OLIVEIRA Leonardo dos Santos & FERREIRA Lamarck Alves & SOUSA Maria do Socorro Cirilo de. Comparação do Consumo Máximo de Oxigênio (VO2MÁX) de Militares que Trabalham em Rádio Patrulha e Guarda de Presídio. Fit Perf J. 2009 p91 e 92. 25 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG LUZ, Rodrigo Kretzer da & LUCAS, Ricardo Dantas de & CAPUTO, Fabrizio. Perfil Antropométrico e Somatotipico de Policiais do BOBE do Estado de Santa Catarina. Educação Física em Revista ISSN: 1983-6643 Vol.5 Nº3 set/out/nov/dez – 2011.p3. MACHADO Eduardo Schneider. Universidade de Brasília, Faculdade de Educação Física, Programa de Pós-Graduação Stricto-Sensu em Educação Física Treinamento Físico e Aptidão Física de Policiais Federais. Brasília – DF 2012. p2 – 4. MOREIRA, Gerson Silva & SOUSA, Ana Angélica Rocha De & MIRANDA, Karen Ferreira & BRAGA, Paulo Henrique Azuaga. Cardiopulmonary Resistance Level (VO2 Max.) of Academic Graduate in Physical Education University Anhanguera Uniderp - Campo Grande, MS (BRASIL), Fiep Bulletin - Volume 83 - Special Edition - Article I – 2013.p03. PAULO, Luiz Fernando de Lima. Perfil Antropométrico e a Aptidão Física dos Policiais Militares do Estado de São Paulo. Revista ENAF Science Volume 5, número 1, abril de 2010. p06. PIRES, Edna Aparecida Goulart & PIRES, Mário César & PETROSKI, Édio Luiz Adiposidade Corporal, Padrão de Comportamento e Estresse em Adolescentes, Revista Brasileira de Cineantropometria & Desempenho Humano, Volume 4 – Número 1 – p. 7-16 – 2002. p11. Programa Padrão de Treinamento Policial Militar (PPT-4-PM) - Teste de Aptidão Física (TAF) e Prática de Treinamento Físico na Polícia Militar do Estado de São Paulo - Despacho Nº Dsist-005/322/02. 2002. 26 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG PERFIL ANTROPOMÉTRICO E MOTOR DA 13ª COMPANHIA INDEPENDENTE DE POLÍCIA MILITAR, FORMIGA-MG, BRASIL ARAÚJO, S.R. 1 ALMEIDA, M.C. 2 SIMPLÍCIO, A.T. 1 1 Universidade Federal de Viçosa Campus Florestal- Minas Gerais- Brasil 2 Centro Universitário de Formiga – Minas Gerais - Brasil Email: [email protected] ABSTRACT The present study aimed verify the antrophometric and motor 13th Military Police Company Idependent of Formiga MG. Aimed to confirm whether anthropometric affect the results of tests of military engines.The methodology was used descriptive research design and how the field study and research techniques were to the identification of body mass (kg), height (cm) and body composition, in addition to the tests required by the TAF, which consists of flat bar, free shot 200 meter race, Cooper test of 2400 meters and abdominal strength. The research was justified, considering that the success in the tasks performed by the military is associated daily to his good physical condition. It was proved that the military are not well conditioned and that they presented a percentage of high fat and can thus impair their quality of life as well as your order functions and integrity of the population. The results are presented quantitatively and analytically in the form of tables. The results showed that there is much difference in anthropometric parameters as engine, showing the importance of making such an assessment. Key words: Anthropometric profile. Profile engine. physical assessment RESUMO O presente estudo teve como finalidade verificar o perfil antropométrico e motor da 13ª Companhia Independente de Polícia Militar da cidade de Formiga - MG. Objetivou-se confirmar se o perfil antropométrico interfere nos resultados dos testes motores dos militares. Como metodologia foi utilizada a pesquisa descritiva, e como delineamento o estudo de campo e as técnicas de pesquisa foram á identificação da massa corporal (Kg), estatura (Cm) e composição corporal, além dos testes exigidos pelo TAF, que consiste em barra fixa, tiro livre de 200 metros de corrida, teste de Cooper de 2.400 metros e força abdominal. A pesquisa teve como justificativa, a consideração que o sucesso nas tarefas realizadas pelos militares está associado diariamente ao seu bom condicionamento físico. Comprovou-se que os militares não estão bem condicionados e que os mesmos apresentaram um percentual de gordura elevado, podendo assim prejudicar a sua qualidade de vida, bem como suas funções de ordem e a integridade da população. Os resultados foram apresentados quantitativamente e analiticamente em forma de tabelas. Os resultados obtidos mostraram que existe diferença tanto no perfil antropométrico quanto motor, mostrando a importância de se fazer esse tipo de avaliação. Palavras-chave: Perfil antropométrico. Perfil motor. Avaliação física INTRODUÇÃO Costa, (2001) define que a obesidade compreende valores excessivos de gordura corporal que estão fortemente associados ao aumento dos fatores de risco para saúde, bem como dos índices de morbidade e mortalidade. Assim a obesidade é um sério problema de saúde, 27 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG já que reduz a expectativa de vida pelo aumento do risco de desenvolvimento de doença arterial coronariana, hipertensão arterial e diabetes tipo II. Naves; Paschoal, (2007) afirma que a obesidade é um dos maiores problemas de saúde pública e uma das doenças crônicas não transmissíveis que, epidemiologicamente, mais cresce em todo mundo. No Brasil, os dados da Pesquisa Nacional sobre Saúde e Nutrição (PNSN) de 1989 mostram que o índice de obesidade na região Sudeste era de 10,5% e, na região Nordeste, de 8,7%.Esses resultados nos levam a concluir que a prevalência da obesidade tem crescido, inclusive, nas regiões mais pobres do Brasil. A aptidão física relacionada à saúde como, a capacidade de realizar as atividades do cotidiano com vigor e energia e demonstrar traços e capacidades associados a um baixo risco de desenvolvimento prematuro de distúrbios orgânicos provocados pela falta de atividade física. (PATE, 1988). Os militares desenvolveram sua própria maneira de identificar a capacidade física de seus ingressantes na carreira, o teste conhecido como o TAF. Conforme a Resolução Nº 3321 (1996), Decreto Nº 18445(1977), por Cordeiro, coronel PM Comandante- Geral, o TAF (Teste de Avaliação Física) tem por finalidade avaliar o condicionamento físico dos militares da Policia Militar de Minas Gerais. Que compõe-se de controle fisiológico (CF) , Teste de capacitação física (TCF) e o Teste Ergométrico(TE), que substituirá o TCF, nas situações previstas na Resolução, exceto quando indicado apenas como exame complementar. O controle fisiológico compreende em exame clinico e exames complementares, inclusive o TE, a critério do médico examinador.O TCF constitui-se de provas físicas realizadas em 02(dois) dias, sendo no primeiro dia -Força muscular de abdome - flexão abdominais Resistência Anaeróbia: Corrida de 200metros e no segundo dia - Força muscular de membros superiores: -barra fixa - mínimo de 02 (duas); - Resistência aeróbica - corrida de 2.400 (dois mil e quatrocentos metros): tempo máximo de 12 (doze) minutos. Sendo assim este estudo teve por objetivo Avaliar o perfil antropométrico e motor da 13ª Companhia Independente de Policia Militar de Formiga – MG. Sendo que devido ao fato que os militares não terem uma prática diária de atividade física, podem assim desenvolver um quadro de obesidade e não exercendo sua função com tal importância. E com a prática de atividade física, podendo diminuir os fatores de risco. Não se trata de estabelecer métodos de guia de forma padronizada, mas sim enfocar aspectos que possam ser implementados no batalhão. METODOLOGÍA Cuidados éticos O estudo foi previamente submetido ao comitê de Ética do UNIFOR-MG, foi feito contato prévio com o comando da 13ª Cia. PM Ind.de Formiga-MG para autorização, esclarecendo ao mesmo o objetivo deste estudo.Todos os militares participantes foram informados sobre o objetivo do estudo e os procedimentos e métodos a que seriam submetidos. Amostra A amostra do estudo foi desenvolvida com 17 militares da 13ª Cia. PM Ind. De Formiga-MG, onde foram sorteados para uma melhor fidedignidade para o estudo. Procedimentos de coleta de dados A coleta de dados se dará nas instalações do Centro Universitário de Formiga UNIFOR-MG. Onde os testes também serão realizados. Participaram deste estudo 17 militares da 13ª Companhia Independente de Polícia Militar de Formiga – MG, com idade mínima da amostra foi de 21 anos e a máxima de 46 anos, onde os mesmos foram sorteados para uma maior fidedignidade. Onde todos assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido. 28 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG A coleta teve as seguintes etapas: a) medidas do peso corporal e estatura; b) mensuração das dobras cutâneas que constitui em quatro dobras que são: Tricipital, subescapular, supra-iliaca e panturrilha, o protocolo utilizado foi de Petroski; c) os testes motores exigidos pelo TAF, que foram divididos em dois dias: 1º - No primeiro dia: -Força muscular de abdome - flexão abdominal (em 1 minuto) -Resistência Anaeróbia: Corrida de 200metros 2º - No segundo dia: - Força muscular de membros superiores: -barra fixa - mínimo de 02 (duas); - Resistência aeróbica - corrida de 2.400 (dois mil e quatrocentos metros): tempo máximo de 12 (doze) minutos. ANÁLISE ESTATÍSTICA Para a análise estatística foi utilizado o software SPPSS (11,0), foram determinados o mínimo, máximo, média, desvio padrão e coeficiente de variação. Para quantificar o percentual de gordura foi utilizado um software de avaliação física, Physical Test 6.2 da empresa Terra Azul. RESULTADOS E DISCUSSÕES Os resultados obtidos com os testes realizados foram apresentados em forma de tabela, para que assim possamos fazer uma melhor análise dos resultados e posteriormente uma correlação entre as variáveis antropométricas e motoras dos militares. TABELA 1 Resultados descritivos da avaliação antropométrica da amostra Variáveis N Unidade Mínimo Máximo Média Idade 17 Anos 21,00 46,00 32,52 MC 17 KG 61,70 95,30 79,28 Estatura 17 cm 1,61 1,95 1,76 IMC 17 Kg/cm² 21,40 29,56 25,28 %gordura 17 % 12,57 37,24 23,30 Rel. 17 Índice 7,8 0,96 0,87 cintura/quadril DP 7,9 9,9 8,8 2,0 5,6 5,0 CV 24,28 12,48 500 7,91 24,04 57,47 Verifica-se alta em relação à idade (24,28%), com um mínimo 21 anos máximo 46 em média de 32,52 anos. Já em relação a MC, tem uma variabilidade média (12,48%) tendendo para baixo, ou seja, próxima de uma variabilidade pequena (10%). O que mostra uma homogeneidade da variável. Em relação a estatura(m), temos um grupo com coeficiente de variação de (5%). O IMC aponta em média o sobrepeso (25,28 K/m²), com coeficiente de variação homogêneo pequeno (7,91%).Não se pode dizer o mesmo em relação ao percentual de gordura que com média de (23,3%) aponta um coeficiente de variação alto (24,04%) e mostra homogeneidade da variável. 29 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG TABELA 2 Resultado descritivo da avaliação motora e tempo de serviço na PM Variáveis N Unidade Mínimo Máximo Média DP Abdominal 17 Repetições 37,00 66,00 48,76 9,7 CV 19,89 Corrida de 12 200 m Segundos 26,31 30,87 28,44 1,3 4,57 Corrida de 17 2400 m Minutos 10,26 14,50 11,64 1,1 9,45 Barra Repetições 2,00 10,00 6,81 2,6 38,17 anos 2,00 25,00 10,23 8,39 82,01 Tempo serviço PM 11 de 17 na Coeficiente de variação alto (19,89%) com resultado mínimo de 37 e máximo de 66, repetições em 1 minuto, retrata uma alta variabilidade da amostra na resistência abdominal. Já na corrida de 200m temos um resultado homogêneo 4,57% abaixo de 10% sendo considerado homogêneo. Mas em relação força de membros superiores, verifica-se resultado discrepante de heterogêneo 38,17%, com resultado de 2 e 10 barras, também verifica-se como muito alta variabilidade 82,01% o tempo de serviço na polícia militar de 2 a 25 anos. TABELA 3 Relação entre IMC e T. PM Variáveis Tempo de Serviço na PM IMC 0,73** ** correlação significativa por p<0,01 Os resultados encontrados no presente estudo, indicados na tabela 3 conclui que o aumento do IMC está correlacionado com o tempo de serviço na PM. Ferreira et. al, (2006) afirma que, o exercício físico aliado a uma alimentação saudável tem sido indicado como um mecanismo para a redução da gordura corporal e do sobrepeso. TABELA 4 Relação entre Tempo S. PM e idade Variáveis Tempo de Serviço na PM ** correlação significativa por p<0,01 Idade 0,93** O resultado da análise da Correlação de Pearson na tabela 4 demonstra o que realmente é óbvio, quanto mais idade tem o Militar, mais tempo de serviços terá o mesmo na corporação. Isso mostra porque a o índice de correlação é tão alto (r=0.933), onde uma correlação perfeita é 1,0. 30 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG TABELA 5 Relação entre T. PM e percentual de gordura. Variáveis % de Gordura Tempo de Serviço na 0,62** PM ** correlação significativa por p<0,01 Pode-se concluir na tabela acima, que a correlação entre porcentagem de gordura e com o tempo de serviço na PM está em relação direta sendo quanto maior o T. PM, maior seu percentual de gordura. Visto que com a não prática de atividade física diária, o metabolismo do individuo se torna mais lento, com isto a um aumento significativo no percentual de gordura. Hill; Melby, (1995) a atividade física pode promover elevação do gasto energético total no decorrer do exercício e durante a fase de recuperação ou, de forma crônica, em decorrência de alterações na taxa metabólica de repouso. Pollock; Wilmore, (1993) Estabelece o percentual de gordura sendo valor de 16% para homens e de 23 % para mulheres. TABELA 6 Relação T. PM e cintura/quadril Relação CQ Variáveis Tempo de Serviço na PM 0,71** ** correlação significativa por p<0,01 Na tabela 6, concluiu-se que o tempo de serviços na Policia Militar desse estudo, correlacionou de forma direta com a relação Cintura/quadril, assim quanto maior tempo de serviços prestados, maior risco de aumentar estes perímetros, visto que não praticam atividade física diária, depois que passam á ingressar na PM. A Organização Mundial da Saúde (1996), indica o uso da antropometria para a vigilância dos fatores de risco para doenças crônicas, devem ser medidos os perímetros da cintura e do quadril, pois o aumento da deposição de gordura abdominal na população pode fornecer um indicador sensível dos problemas de saúde pública relacionados com o sobrepeso e suas consequências. Diante disso há maior o risco de desenvolver estas patologias (cardiopatias, diabetes tipo 2,hipertensão arterial etc.). CONCLUSÃO Através deste estudo procurou-se mostrar o quanto é importante a realização de testes antropométricos e motores, para o controle de peso dos policiais. Os resultados mostram que o maior tempo de prestação de serviço na Polícia Militar, tem uma relação direta com o percentual de gordura adquirido por eles e consequentemente a relação cintura e quadril que pré – dispõe os militares ao um perfil antropométrico e motor, progressivamente, distanciando da necessidade ocupacional da exigência da profissão deles. Estes resultados apontam para a necessidade de reflexão conjunta visando prevenção da saúde e consequentemente um perfil antropométrico e motor compatível com exigência da profissão. Outros estudos incluindo uma amostra maior poderão apresentar maiores informações sobre o assunto. 31 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG REFERÊNCIAS COSTA, R.F. Composição Corporal: Teoria e prática da avaliação. São Paulo: Manole. 184p. 2001 FERREIRA, S; TINOCO, A.L.A; PANATO, E;VIANA, N.L. 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Exercícios na Saúde e na Doença : Avaliação e Prescrição para Prevenção e Reabilitação. MEDSI Editora Médica e Científica Ltda., 233-362, 1993. 32 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG FATORES MOTIVACIONAIS NA INICIAÇÃO ESPORTIVA: UMA ABORDAGEM FEITA EM UMA ESCOLA PARTICULAR DE BELO HORIZONTE, COM CRIANÇAS DE 11 E 12 ANOS, DO SEXO MASCULINO. MARIANA, C.G1; PINTO, A.F2; PUSSIELDI, G.A1; 1 - Universidade Federal de Viçosa, Campus Florestal – Minas Gerais – Brasil. 2 - Centro Universitário Belo Horizonte – Minas Gerais - Brasil [email protected] RESUMO A motivação é um fator psicológico que está relacionado à atividade física, seja no aspecto da aprendizagem ou do desempenho. É ela quem nos permite um maior envolvimento ou uma simples participação em atividades esportivas. Este trabalho teve por objetivo identificar os motivos que levam alunos à prática esportiva e comparar o nível de motivação dos alunos entre as modalidades de futsal, vôlei, basquete, handebol e natação. Participaram do estudo 97 crianças com faixa etária de 11 e 12 anos, do sexo masculino, alunos de uma escola particular de Belo Horizonte. Os alunos responderam ao questionário de motivação para a prática esportiva, onde se analisou os motivos que os levam à prática esportiva e se existem diferenças nos níveis de motivação entre das modalidades. Os resultados mostraram que os principais motivos que levam esses alunos à prática esportiva são para desenvolver habilidades, manter a saúde, porque gostam, para exercitar-se e para ser um atleta. Obtiveram-se diferenças significativas na comparação dos níveis de motivação nas seguintes modalidades: Futsal e Vôlei - aprender novos esportes, para ser jogador quando crescer, para emagrecer. Futsal e Basquete - vencer, encontrar amigos, manter a saúde, manter o corpo em forma, aprender novos esportes, para ser jogador quando crescer, para emagrecer. Futsal e Handebol - vencer, para ser jogador quando crescer, para emagrecer. Futsal e natação - vencer, ser o melhor no esporte, fazer amigos, aprender novos esportes, para ser jogador quando crescer, para emagrecer. Vôlei e Basquete - vencer, manter a saúde, desenvolver a musculatura, manter o corpo em forma. Basquete e Handebol - porque gostam, manter o corpo em forma, para não ficar em casa. Basquete e Natação - para exercitar-se, manter a saúde, desenvolver a musculatura, manter o corpo em forma, para não ficar em casa. Handebol e Natação - para exercitar-se, ser o melhor no esporte, ter bom aspecto, para se divertirem e emagrecer. Pode-se concluir que os motivos para a iniciação esportiva em diferentes modalidades não são os mesmos. Sugere-se para novos estudos uma ampliação da amostra. PALAVRAS-CHAVES: Motivação; Iniciação Esportiva, Esportes. ABSTRACT The motivation is a psychological factor that is related to the physical activity, either in the aspect of the learning or the performance. Who is it in allows to a bigger involvement or a simple participation them in sports activities. This study had for objective to identify the reasons that take children to the sport practical and to compare the level of motivation in different sports like Futsal, volleyball, basquetball, handball and swimming. Ninety seven children (11 and 12 years)male had participated of the study of a private school of Belo Horizonte. The students had answered to the questionnaire of motivation for the sport practical, where she analyzed the reasons that take them to the sport practical and if differences in the motivation levels exist between sports. The results had shown that the main reasons that take these children to the sport practical are for developing abilities, keeping the health, because they like, to exercise it and to be an athlete. One got significant 33 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG differences in the comparison of the levels of motivation in the following sports: Futsal and Volleyball - to learn new sport, to be player when to grow, to lost fat. Futsal and Basquetball to win, to find friends, to keep the health, to keep the body in form, to learn new sports, to be player when to grow, to lost fat.Futsal and Handball - to be successful, to be player when to grow, to lost fat.Futsal and swimming - to be successful, to be best in the sport, to make friends, to learn new sports, to be player when to grow, to lost fat.Volleyball and Basquetball to win, to keep the health, to develop the muscles, to keep the body in form.Basquetball and Handball - because they like, to keep the body in form, not to be in house.Basquetball and Swimming - to exercise themselves, to keep the health, to develop the muscles, to keep the body in form, not to be in house.Handball and Swimming - to exercise itself, to be best in the sport, to have good aspect, to be had fun and to lose fat. It can be concluded that the reasons for the sport initiation in different modalities are not the same ones. A magnifying of the sample is suggested for new studies. KEYWORDS: Motivation, Initiation in sport; Sports; INTRODUÇÃO A Iniciação Esportiva é sempre tema de debates, pela grande diversidade dos conhecimentos práticos e teóricos. "Alguns professores criam regras próprias, os médicos divergem, mas é importante que professores inovem seus métodos de trabalho, e sigam sua própria intuição, para que crianças tenham várias possibilidades dentro da aprendizagem motora. Não basta ter talento, é preciso ter método, não se pode deixar de fazer o melhor, com técnica, dedicação, método e paixão" (GRECO e BENDA, 1998). A chamada fase da Iniciação Esportiva Universal, o I.E.U., conforme Greco e Benda (1998), "é uma alternativa pedagógica importante para a faixa etária entre os 4-6 anos aos 11-12 anos. É nessa fase que as crianças despertam para o prazer da atividade física e desenvolvem suas habilidades esportivas.”. Existem inúmeros fatores motivadores a iniciação esportiva como a necessidade física, o gosto por um determinado esporte, ou mesmo por opção dos pais. Devido aos benefícios de uma atividade física regular a vida esportiva tem se iniciado cada vez mais cedo e é essencial que os professores estejam atentos às motivações de seus alunos, para que não ocorra um abandono precoce das atividades. OBJETIVO Este trabalho teve como objetivo identificar os motivos dos alunos de uma escola particular de Belo Horizonte com idade entre 11 e 12 anos e do sexo masculino para a realização da prática esportiva de Futsal, Vôlei, Basquete, Handebol e Natação e comparar esses motivos entre as respectivas modalidades. MATERIAL E MÉTODOS Amostra Participaram 97 crianças, com faixa etária de 11 e 12 anos, todas do sexo masculino. São estudantes que praticam na escola no contra-turno uma das cinco modalidades esportivas: basquete, futsal, voleibol, handebol e natação. Esses alunos praticam essas atividades em treinamentos de 2 a 3 vezes por semana.Instrumento Foi utilizado o Questionário de Motivação para a Prática Esportiva (GAYA e CARDOSO, 1998) composto por 19 perguntas objetivassubdivididos em 3categorias: competência desportiva, amizade/lazer e saúde, para cada criança. Procedimentos Todos os responsáveis dos alunos assinaram o Consentimento Livre e Esclarecido para participarem da pesquisa que é uma obrigatoriedade do CNS Resolução 196/96.A 34 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG escola deu a autorização por escrito para execução da pesquisae foram feitos contatos com os professores de cada modalidade esportiva Os questionários foram aplicados durante as praticas esportivas de cada modalidade em um ambiente tranquilo, sem interferência externa e distribuídos aleatoriamente, respeitou-se uma distância necessária entre eles. Foi esclarecido aos mesmos como deveria ser preenchido o questionário, quanto à importância da sinceridade e do caráter anônimo. Procedimentos Estatísticos Os questionários foram interpretados através análise descritiva e comparação de médias, utilizando o teste t-student para comparação entre grupos, através do programa estatístico SPSS versão 11.0 com nível de significância de p 0,05. RESULTADOS TABELA 1 Comparação de médias entre os grupos Natação Vôlei Basquete Futsal Handebol Media S.D. Media S.D. Media S.D. Media S.D. Media S.D. 1* 2,08±1,100 3,00±0,756 2,64±1,287 4,00±0,000 3,28±0,895 2* 3,88±0,338 3,73±0,458 2,96±1,020 3,13±0,640 3,67±0,485 3 2,17±0,816 1,93±1,100 1,68±1,215 1,67±0,724 2,44±0,922 4* 2,75±0,847 2,33±1,113 3,04±1,207 2,80±1,207 2,50±1,295 5* 3,79±0,415 3,80±0,414 3,52±0,770 3,07±0,799 3,56±0,705 6* 3,54±0,721 3,67±0,617 3,28±1,208 3,33±1,047 3,72±0,461 7* 2,04±1,083 2,80±0,862 2,28±1,173 1,73±0,594 2,44±0,856 8 2,71±0,955 3,27±0,594 3,60±0,816 3,67±0,488 3,44±0,705 9 3,25±0,847 3,27±0,799 3,40±0,957 3,73±0,704 3,56±0,784 10* 3,46±0,509 3,67±0,488 2,88±1,130 3,13±0,990 3,44±0,856 11* 2,75±0,608 2,67±0,816 2,96±1,060 1,53±1,060 3,11±1,023 12* 2,29±1,233 3,07±0,961 2,28±1,208 1,80±0,862 3,22±0,808 13* 2,38±1,245 3,33±0,976 2,48±1,159 1,53±0,743 3,00±0,907 14* 3,42±0,654 3,67±0,488 2,76±1,332 2,40±0,632 3,56±0,705 15 3,75±0,442 3,67±0,488 3,56±0,870 3,73±0,458 3,72±0,461 16* 2,42±0,929 3,40±0,910 2,52±1,159 1,27±0,458 3,17±0,786 17* 1,88±0,947 1,73±0,799 3,16±1,179 4,00±0,000 2,44±1,042 18* 2,04±0,999 1,93±1,100 1,96±1,241 1,00±0,000 2,61±1,420 19* 1,75±0,989 1,80±1,014 1,28±0,614 1,53±0,915 2,06±1,349 Nota: Comparação de médias entre as modalidades esportivas (Futsal X Vôlei, Futsal X Basquete, Futsal X Handebol, Futsal X Natação, Vôlei X Basquete, Vôlei X Handebol, Vôlei X Natação, Basquete X Handebol, Basquete X Natação, Handebol X Natação). Diferença significativa*(P 0,05). 35 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG Gráfico1: Comparação de Médias dos motivos que levam alunos à prática esportiva DISCUSSÃO Os resultados mostraram que o principal motivo que levam os alunos à prática esportiva é para desenvolver habilidades, que obteve 18,43 de média da preferência das 97 crianças. Isso demonstra que a motivação dessas crianças está relacionada ao crescimento individual de habilidades dentro dos respectivos esportes. O grande prazer está em evoluir no esporte e conseguir realizar aquilo que antes parecia impossível. A segunda opção foi para manter a saúde, tendo 17,74 de média da preferência e em quarto lugar a opção para exercitar-se, com 17,37. A grande maioria das crianças, por influência dos pais, dos professores, da sociedade de um modo geral e da mídia estão atentando para os benefícios que a atividade física proporcionam. Pensando nesses benefícios, as pessoas cada vez mais cedo estão colocando seus filhos para praticarem alguma atividade física. Para Pereira et. Al, (2011) A iniciação esportiva é o período em que a criança começa a aprender de forma específica e planejada a prática esportiva. Procurando uma iniciação esportiva que contemple toda a complexidade entende como o período em que a criança inicia a prática regular e orientada de uma ou mais modalidades esportivas, e o objetivo imediato é dar continuidade ao seu desenvolvimento de forma integral, não implicando em competições regulares.. Em terceiro lugar está o gosto pela prática esportiva, com 17,54 de média. Esse dado demonstra uma motivação intrínseca, onde os benefícios internos são fatores decisivos na escolha dessa prática. Isso é demonstrado no estudo de Machado et al. (2005) diz que os adolescentes se motivam mais à prática regular da atividade física quando o prazer está associado a essa prática. O quinto motivo mais relevante foi para ser um atleta com 17,21 de média, o esporte é um poderoso fator mobilizador; influencia o comportamento das crianças, fazendo com que se espelhem em seus ídolos e transformem-nos em ícones capazes de criar e destruir padrões, moldar comportamentos e ditar modas que se espalham em uma velocidade 36 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG espantosa, talvez nessa perspectiva a criança almeja chegar onde seu ídolo está e muitas vezes iniciam-se na fase de especialização e competição muito cedo, podendo ocasionar malefícios futuros ou mesmo abandono precoce da prática esportiva. O caráter lúdico do esporte passou a inexistir nos dias atuais, tendo o rendimento esportivo ocupando este lugar pertencente ao lúdico. Por outro lado, por almejar tanto ser um atleta no futuro a criança se envolve com a prática esportiva, de tal forma, que ela tomo gosto, não abandona o esporte e se beneficia com os benefícios físicos, psicológicos e sociais que a prática oferece. Nos resultados da comparação entre os esportes obteve-se diferenças significativas na comparação dos níveis de motivação nas seguintes modalidades: Futsal e Vôlei - aprender novosesportes, onde 11 alunos de futsal consideram pouco importante e na modalidade de vôlei 10 atletas, consideram muito importante. Outro motivo que obteve diferença significativa e todos os alunos de futsal consideram muito importante foi para ser jogador quando crescer, no entanto nenhum aluno de vôlei dá muita importância a isso. Todos os alunos de futsal consideram nada importante o item emagrecer, já o grupo de vôlei mais da metade dão alguma importância a esse item. Futsal e Basquete - vencer, todos os atletas de futsal consideram muito importante vencer, mas menos da metade do grupo de basquete tem essa mesma opinião. No item encontrar amigos, nenhum aluno de futsal considera esse episódio como muito importante, diferente do grupo de basquete que veem isso com devida importância. A grande maioria dos alunos do basquete consideram muito importante manter a saúde e manter o corpo em forma, diferente do grupo de futsal que dão pouca importância à essas perguntas. O item aprender novos esportes, no grupo de futsal diferente do basquete dá pouca ou nenhuma importância à esse fato. Outro motivo que obteve diferença significativa e todos os alunos de futsal consideram muito importante foi para ser jogador quando crescer, no entanto, alguns alunos de basquete dão muita importância a isso, mas outros não consideram isso importante. O contrário ocorre na pergunta para emagrecer, onde todos os alunos de futsal consideram nada importante e alguns alunos de basquete também, já outros dão importância a esse item. Futsal e Handebol - mais uma vez os itens vencer, e para ser jogador quando crescerestão em evidência, todos os atletas de futsal consideram muito importante, alguns alunos de handebol também, mas outros não consideram isso importante. No itempara emagrecer todos os alunos de futsal consideram nada importante, já no handebol mais da metade consideram importante ou muito importante esse fato. Futsal e natação - ressaltando mais uma vez o item vencer, onde a maioria dos alunos da natação consideram nada importante e do futsal muito importante. Na pergunta para ser o melhor no esporte, a maioria dos alunos de natação consideram importante, já no grupo de futsal a maioria consideram nada ou pouco importante, os outros acham muito importante. Nos itens fazer amigos, aprender novos esportes e emagrecer a maioria do grupo de futsal consideram pouco ou nada importante, diferente do grupo da natação que dão importância a esse fato. O oposto acontece no item para ser jogador quando crescer, onde todos os alunos de futsal consideram muito importante e a maioria do grupo de natação consideram nada importante. Essas divergências de opiniões podem ser pelo fato do grupo de futsal ser considerada uma equipe competitiva, tendo como um objetivo serem jogadores futuramente. Isso leva os aluno a quererem vencer sempre e obterem resultados que os levem ao objetivo almejado. Talvez pelo do Brasil ser considerado o país do futebol e essa prática esportiva estar sendo considerada um "esporte espetáculo", esse fato está motivando os alunos a se espelharem e estar iniciando essa prática muito cedo, já que a idade pesquisada é a mesma e as outras modalidades serem consideradas como iniciação. Outro fato que poderia justificar esse resultado seria a instituição dar suporte maior à prática do futsal, atentando para o fato de colher benefícios futuros, iniciando a especialização mais 37 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG cedo. Esses dados nos mostram também que os grupos de vôlei, basquete, handebol e futsal dão mais importância aos aspectos relacionados ao bem estar, a socialização e a saúde. Vôlei e Basquete - Mais uma vez o item vencer, está em evidência, o grupo de vôlei consideram importante esse fato, já o grupo de basquete divergem as opiniões. Nos itens manter a saúde, desenvolver a musculatura e manter o corpo em forma o grupo de vôlei consideram importante e muito importante, já o grupo de basquete divergem as opiniões. Basquete e Handebol - pela primeira vez o item porque gostam, aparece como significante, dessa forma o grupo de handebol considera importante e muito importante esse item, no entanto o grupo de basquete alguns tem essa mesma opinião outros já divergem opiniões. O mesmo acontece no item manter o corpo em forma. O oposto acontece na pergunta para não ficar em casa, onde a maioria do grupo de basquete considera nada importante e o grupo de handebol diverge as opiniões. Basquete e Natação - Nos itens para exercitar-se, manter a saúde, desenvolver a musculatura e manter o corpo em forma, a grande maioria do grupo de natação consideram importante e muito importante, porem, o grupo de basquete divergem as opiniões. Já o resultado do item, para não ficar em casa nos mostra que a grande maioria do grupo de basquete considera nada importante, já o grupo de natação alguns dão importância a esse fato. Esses dados podem ser justificados pelo fato da natação nessa instituição não ter um caracter competitivo onde a busca pela qualidade de vida e busca pela saúde se destacam dos outros motivos. Handebol e Natação - para exercitar-se mais uma vez o grupo da natação prioriza a importânciada saúde mais que outro esporte, agora o handebol. Nos itens para ser o melhor no esporte e ter bom aspecto, o grupo da natação consideram esse fato importante, já o grupo de handebol divergem as opiniões. E nos itens para se divertirem e emagrecer a maior parte dos alunos da natação consideram nada importante, enquanto a maior parte dos alunos de handebol consideram muito importante. Pode-se observar que o grupo de handebol dá importância a motivação intrínseca (para se divertirem) e divergem de opiniões relacionadas a melhoria da saúde. Esse resultado vai de encontro ao estudo de Paim (2004) que conclui em seu estudo que o motivo de "Ter Alegria", obteve (100%) da preferência dos alunos estudados. CONCLUSÕES Pode-se concluir que os motivos que levam alunos na iniciação esportiva à prática esportiva nas modalidades de futsal, vôlei, basquete, handebol e natação de uma escola particular de Belo Horizonte são para desenvolver habilidades, manter a saúde, porque gostam, para exercitar-se e para serem atletas. Porém, na comparação em diferentes modalidades os motivos não são os mesmos, houve diferença significativa entre as seguintes modalidades Futsal e Vôlei; Futsal e Basquete, Futsal e Handebol, Futsal e natação, Vôlei e Basquete, Basquete e Handebol, Basquete e Natação,Handebol e Natação. É importante ressaltar as modalidade de futsal e natação, pois o futsal apresentou um caráter mais competitivo tendo alguns motivos com opiniões unânimes e foi diferente significativamente com todas as outras modalidades e a natação que se destaca pela procura da saúde e qualidade de vida. Sugere-se para novos estudos uma ampliação da amostra, uma comparação entre gêneros, já que o estudo abordou apenas o sexo masculino, instituições esportivas, o estudo abordou apenas comparações entre as cinco modalidades, pois elas foram realizadas comparando-se duas modalidades por vez. 38 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG REFERÊNCIAS GAYA, A.; CARDOSO, M. Os fatores motivacionais para a prática desportiva e suas relações com o sexo, idade e níveis de desempenho desportivo. Perfil, Porto Alegre, Ano 2, n. 2, p.40-52. 1998. GRECO, P. J.; BENDA, R. N. (Orgs.) Iniciação esportiva universal: da aprendizagem motora ao treinamento técnico. Vol. 1. Belo Horizonte: Editora UFMG, p. 13-71, 1998. GRECO, P. J. (Org.) Iniciação esportiva universal:- metodologia da iniciação esportiva na escola e no clube. Vol. 2. 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Acesso em: 29 jul. 2013. 39 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG ANÁLISE DO NÍVEL DE ATIVIDADE FÍSICA E ESTADO DE HUMOR NO PRIMEIRO SEMESTRE ESCOLAR DE ADOLESCENTES ESTUDANTES DO ENSINO MÉDIO SILVA, F.J.1, PUSSIELDI, G.A.1 1-Universidade Federal de Viçosa, Campus Florestal, Florestal, Minas Gerais - Brasil [email protected] RESUMO A prática regular de atividade física tem sido apresentada como um método eficaz na prevenção de doenças. Somado a estes fatores, os benefícios psicológicos do exercício físico também aparecem com devida importância. Poucos estudos investigaram a relação exercício-humor em adolescentes. O objetivo deste estudo foi analisar o nível de atividade física, relatado por adolescentes no IPAQ e o escore obtido em um teste que avalia o estado de humor (POMS), no inicio e ao final do primeiro semestre escolar. Participaram do estudo 24 estudantes do gênero masculino, com idades 15 a 18 anos, regularmente matriculados nas aulas de Educação Física do ensino médio da rede Federal do município de Florestal. A analise estatística foi feita através do programa Graphic Prism 4.0 utilizando-se o Studenttest com p≤0,05. Conclui-se que o aumento do nível da atividade física foi benéfico na manutenção do estado de humor, pois no inicio do semestre o estresse é bem menor comparando-se ao final. ABSTRACT The regular practice of physical activity has been shown as an effective method to prevent diseases. In addition to these factors, the psychological benefits of exercise also appear with due importance. Few studies have investigated the relationship between exercise and the state of mood in adolescents. The aim of this study was to analyze the level of physical activity reported by adolescents on the IPAQ and score obtained on a test that assesses mood state (POMS), the beginning and the end of the first school semester. The study included 24 male students aged 15-18 years involved in the physical education, education average network Federal of Florestal City. Statistical analysis was performed using the Graph Prism 4.0 Program with the Student-test with p≤0,05. We conclude that the increased level of physical activity was beneficial in maintaining the state of mood, since the beginning of the semester stress is much smaller compared to the end. INTRODUÇÃO A prática regular de atividade física tem sido apresentada como um método eficaz na prevenção de doenças cardiovasculares, diabetes, obesidade e hipertensão arterial. Somado a estes fatores, os benefícios psicológicos do exercício físico também aparecem com devida importância. Entre estes, pode-se mencionar os benefícios proporcionados à saúde metal, pois se verifica a melhora do humor, autoconfiança, controle do estresse, redução da ansiedade e uma estabilidade emocional. Portanto a associação da atividade física e os benefícios referentes a esta, resultam em melhores condições de saúde e qualidade de vida (ARAÚJO e ARAÚJO, 2000; PARDINI et al., 2001; HALLAL, 2006; WERNECK, et al.,2006; PALMA, 2007; PETROSKI, et al. 2008). Os estudos sobre os efeitos psicológicos do exercício, tem se dado, na medida em que a saúde deixou de ser considerada uma condição meramente física e passou a ser concebida como uma interação de aspectos físicos, psicológicos e sociais, na qual a saúde mental é crucial para o bemestar geral dos indivíduos (COELHO, 2010; NAVARRO e WERNECK, 2011). O estudo dos mecanismos envolvidos na regulação e na melhoria do estado psicológico pelo exercício pode auxiliar no desenvolvimento de estratégias de adesão aos programas de 40 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG atividade física, sendo de grande relevância para as ciências do esporte e para a saúde pública (WERNECK et al.,2005). Os mesmos autores afirmam que existem diferentes hipóteses para explicação das mudanças psicológicas induzidas pelo exercício, mas que, isoladamente nenhuma delas, oferece consistência, não existindo até o momento um consenso sobre o real mecanismo deste fenômeno. É de grande importância que o desenvolvimento efetivo do interesse pela prática de atividade física seja realizado na adolescência, não apenas para obtenção de melhor estado de saúde no presente, mas também na tentativa de promover a prática regular de atividade física na idade adulta (LOPES et al., 2005). Pessoas fisicamente ativas e com maior aptidão física possuem um melhor estado de humor do que aquelas sedentárias, tendo o exercício um efeito protetor contra a incidência de sintomas depressivos em idades superiores (NAVARRO e WERNECK, 2011). A atividade física na adolescência apresenta grande importância, não apenas por aspectos específicos da prescrição de exercícios físicos a essa faixa etária, como para todo o contexto biopsicossocial que envolve esse período da vida (TEIXEIRA et al.,2003). Entretanto, sabe-se que variáveis como: tipo e intensidade de exercício realizado, a aptidão física dos praticantes a preferência pela atividade e o ambiente da prática, podem influenciar as respostas psicológicas ao exercício (WERNECK, 2006; COELHO, 2010). Tanto o exercício aeróbico quanto anaeróbico promovem melhorias no estado de humor. No entanto ainda não se determinou um efeito de dose-resposta entre exercício e saúde psicológica. Não se sabe até que ponto uma maior quantidade de atividade física é mais benéfica do que uma menor quantidade (WERNECK, et al.,2006). Apesar da associação positiva entre atividade física e saúde psicológica, através das evidências disponíveis, observam-se poucos estudos que verificaram a relação entre o nível de atividade física e o estado de humor em adolescentes nas aulas de Educação Física Escolar. Em suma, as condutas e atitudes desenvolvidas no esporte escolar, permitem ao estudante se comunicar e expressar suas emoções, o que atribui à Educação Física uma responsabilidade ainda maior sobre o desenvolvimento emocional dos alunos, já que nessas aulas o corpo se apresenta com maior liberdade (MORAES e BALGA, 2007). Assim, este estudo se propôs a analisar o nível de atividade física, relatado por adolescentes no IPAQ e o escore obtido em um teste que avalia o estado de humor (POMS), no inicio e ao final do semestre escolar, de estudantes do ensino médio da rede Federal do município de Florestal. METODOLOGIA Amostra A amostra foi selecionada de uma forma aleatória simples e compreendeu 24 estudantes do gênero masculino, com idades 15 a 18 anos, regularmente matriculados nas aulas de Educação Física do ensino médio da rede Federal do município de Florestal. Procedimentos Éticos Ao apresentarem-se como voluntários, os participantes foram informadas, quanto ao objetivo e aos procedimentos metodológicos do estudo. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade Federal de Viçosa, protocolo número 135/2011. O consentimento para a participação no estudo foi obtido pela assinatura dos responsáveis de cada voluntário do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, estando cientes de que a qualquer momento poderiam, sem constrangimento, deixar de participar do mesmo. Foram tomadas todas as precauções no intuito de preservar a privacidade dos voluntários e garantindo o anonimato. Instrumentos Para analise do nível de atividade física utilizou-se o IPAQ, questionário proposto pela Organização Mundial da Saúde (1998) validado por Pardini et al. (2001).O questionário 41 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG utilizado foi à versão curta. As perguntas contidas no questionário referem-se ao tempo que um indivíduo gasta fazendo atividade física na última semana. As perguntas incluem as atividades realizadas no trabalho, para ir de um lugar a outro, por lazer, por esporte, por exercício ou como parte das suas atividades em casa ou no jardim. Para a avaliação dos resultados, o nível de atividade física foi classificado como: muito ativo; ativo; irregularmente ativo (A e B) e sedentário. Para analise do estado de humor, utilizou-se o POMS, questionário de avaliação do estado de humor (MCNAIR et al. 1971) e com o constructo e validação de Terry et al. (1999) e traduzido ao português e validado por Peluso (2003). A versão utilizada consta de 24 questões em uma escala Tipo Likert de quatro pontos que representam cada uma das facetas que fazem parte do instrumento original, sendo os valores 0 = nada; 1 = um pouco; 2 = moderado; 3 = bastante; e 4 = extremamente. Assim para o preenchimento do questionário é necessário assinalar o número que melhor descreve como o indivíduo vem se sentindo nos últimos 3 dias. Para a avaliação dos resultados foram utilizadas as 24 variáveis, onde os domínios são assim distribuídos: Raiva (variáveis: mal-humorado, rancoroso, aborrecido, furioso); confusão (variáveis: confuso, aturdido, desorientado, inseguro); depressão (variáveis: infeliz, desanimado, miserável, deprimido); fadiga (variáveis: esgotado, apático, cansado, exausto); tensão (variáveis: nervoso, preocupado, ansioso, aterrorizado); vigor (variáveis: animado, ativo, enérgico, alerta). Procedimentos Para obtenção dos dados foram feitas duas aplicações no primeiro semestre escolar, dos questionários de Atividade Física e Estado de Humor. A primeira aplicação foi realizada no inicio do semestre escolar e a segunda ao final do semestre. Todas as explicações prévias sobre os procedimentos foram apresentadas antes do início da administração. Cada estudante recebeu os questionários (Atividade Física e Estado de Humor), com um total de duas folhas para ser respondido individualmente e sem consulta ao colega ou a qualquer outra pessoa. Os questionários foram preenchidos nas aulas de Educação Física, no ginásio poliesportivo da Universidade Federal de Viçosa, Campus Florestal. Nenhum questionário pode ser levado para casa para ser respondido posteriormente. Não foi estipulado um tempo para preenchimento do questionário sendo seu preenchimento de caráter voluntário. Procedimentos Estatísticos Para a análise estatística utilizou-se o pacote estatístico Graphic Prism 4.0. Seguindo-se os seguintes passos: 1º) Tabulação de todos os dados em uma única tabela; 2º) Estatística descritiva apresentando a média, o desvio padrão e o erro padrão; 3º) Verificação da normalidade através Shapiro-Wilk test para todas as variáveis; 4º) Análises das variáveis através do Student-test segundo a validação do questionário de estado de humor na língua portuguesa, com nível de significância de p 0,05. RESULTADOS Na comparação das médias, o grupo de alunos estudados, através do Student test, não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas, comparando-se o inicio e o final do semestre letivo, entre todas as variáveis do perfil do estado de humor, com nível de significância para amostras relacionadas com p ≤ 0.05 (Fig. 1). 42 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG Confusão Raiva 1.00 Depressão 1.5 1.5 1.0 1.0 0.5 0.5 0.75 0.50 0.25 0.00 0.0 Início a) Final b) 0.0 Início Fadiga Final c) Início Tensão 2 Final Vigor 1.5 3 1.0 2 0.5 1 1 0 0.0 Início d) Final e) 0 Início Final f) Início Final Figura 1. Comparação das variáveis do estado de humor no início e no final do semestre letivo, em adolescentes estudantes do ensino médio da rede Federal do município de Florestal (a-Raiva; b-Confusão; c-Depressão; d-Fadiga; e-Tensão; f-Vigor). Na avaliação do nível de atividade física, o grupo de alunos estudados, de acordo com o questionário adotado para análise desta variável, pode ser considerado, que ao final do período os meninos estão mais ativos comparando-se ao inicio. O teste t de Student para medidas independentes revelou que teve diferença significativa para amostras relacionadas com p ≤ 0.05 (Fig. 2) IPAQ 3 * 2 1 0 Início Final Figura 2. Comparação do nível de atividade física antes e depois do semestre letivo, em adolescentes estudantes do ensino médio da rede Federal do município de Florestal. DISCUSSÃO O objetivo do presente estudo foi analisar o nível de atividade física e o estado de humor relatado por adolescentes, observando as possíveis alterações no inicio e ao final do primeiro semestre escolar. Observou-se que ao final do semestre letivo, os meninos apresentaram um maior nível de atividade física. Essa maior prática de exercício, mostrou influência sobre o estado de humor. Com base nestes resultados pode-se dizer que o aumento do nível da atividade física foi benéfico na manutenção do estado de humor, pois no inicio do semestre o estresse é bem menor comparando-se ao final, visto que neste 43 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG período os compromissos estudantis aumentam, como exemplo encontra-se: a preparação para as avaliações finais e prazo limitado para entrega de trabalhos. Aliados a esses fatores surgem o medo da reprovação e de decepcionar os familiares, as pressões sociais, o número de disciplinas para estudar e o grau de dificuldade das mesmas. Esses achados se diferem aos de: Peluso, 2003; Esteves et al., 2005; Werneck et al.,2005; Werneck, et al.,2006; Coelho, 2010 e Werneck, 2011. Estes estudos mostram que um maior nível de atividade física promovem um aumento de vigor e menor distúrbio total do estado de humor. No entanto, vale ressaltar que este trabalho possuiu algumas limitações. A primeira, assim como explanou Peluso em 2003, é inerente a qualquer trabalho que utilize instrumentos de auto avaliação de estado de humor e atividade física, é que o estudo se baseia em dados de natureza subjetiva, sujeitos a algumas falhas como as distorções de respostas. De acordo com o mesmo autor a maneira de distorção mais comum é a que se refere o quanto algo e desejado socialmente, que acontece quando o questionário é preenchido de forma positiva. Alguns autores, por exemplo, encontraram evidências de que o efeito da atividade física sobre a saúde mental, em parte se devem, a uma expectativa de melhora do estado de humor por parte dos indivíduos que se exercitam e não de um efeito direto da atividade, sendo que as alterações psicológicas resultam de uma interação ótima entre o indivíduo, o exercício e o ambiente, envolvendo diferentes mecanismos psicológicos e fisiológicos que atuam simultaneamente (PELUSO, 2003; WERNECK, 2011). No entanto não há razões para acreditar que esse tipo de limitação invalide os resultados encontrados. Outra limitação se deve, em razão do tipo de estudo transversal e das limitações do método, os resultados encontrados no presente estudo devem ser analisados com cautela, pois não sugerem uma relação de causa e efeito nem de dose-resposta entre o exercício e o estado de humor. Estudos experimentais realizados recentemente nesta área já suportam a relação de causa e efeito, mas não ainda a relação de dose-resposta como os estudos de Teixeira (2003), Werneck et al. (2005), Coelho (2010) e Navarro e Werneck (2011). Um dos aspectos positivos do presente estudo é que corrobora as evidências advindas de pesquisas com adultos, na medida em que suporta o potencial do aumento da prática regular da atividade física, e este aumento auxiliou na manutenção do estado de humor em indivíduos mais jovens. Em relação à explicação da relação entre exercício e humor, ainda não existe um consenso sobre os mecanismos envolvidos neste fenômeno, porém acreditase que os benefícios psicológicos do exercício ocorram tanto em função de fatores fisiológicos, como o aumento da aptidão física, aumento do nível de endorfina, serotonina e ondas cerebrais alfa, como por fatores psicológicos e sociais, como o aumento da autoestima, autoeficácia, sensação de prazer, contato com as pessoas (WERNECK et al.,2005). CONCLUSÕES Em face dos resultados encontrados no presente estudo, pode-se concluir que o aumento do nível da atividade física foi benéfico na manutenção do estado de humor. Pois, no final do semestre o estresse é bem maior comparando-se ao inicio, devido ao aumento dos compromissos estudantis. Sabe-se que um estilo de vida mais ativo, através da prática da atividade física regular, tem se mostrado um fator eficaz na prevenção de doenças e na promoção da saúde tanto física quanto mental, devendo, por isso, ser estimulada durante toda a vida. Neste contexto, cabe aos profissionais da Educação Física a tarefa de fazer com que um número cada vez maior de pessoas adquira o hábito de se exercitar, a começar pela Educação Física nas escolas, de modo que crianças, jovens e adultos possam desfrutar os benefícios que o exercício proporciona. 44 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG REFERÊNCIAS ANDRADE, A.; SEGATO, L.; VIANA, M.S.; BRANDT, R. Estados de humor de velejadores durante o Pré-Panamericano. Motriz, Rio Claro, v.16 n.4 p.834-840, out./dez, 2010. ARAÚJO, D.S.M.S. e ARAÚJO, C.G.S. Aptidão física, saúde e qualidade de vida relacionada à saúde em adultos. 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A.¹ 1- Universidade Federal de Viçosa Campus Florestal – Florestal – Minas Gerais – Brasil. 2 - Prefeitura Municipal de Florestal – Florestal – Minas Gerais - Brasil [email protected] RESUMO Introdução: O treinamento de atletas consiste em um treino sistematizado onde deve-se trabalhar as valências físicas mais importantes de acordo com a modalidade praticada, além de trabalhar os aspectos técnicos da modalidade, buscando desenvolver um treinamento otimizando os aspectos físicos, psíquicos, emocionais e técnicos. A relação entre o exercício físico e a resposta imune do organismo teve um grande impulso a partir de meados da década de 1970, dentre os estudos envolvendo o exercício e a resposta imune destaca-se o interesse de estudar as infecções das vias aéreas superiores em atletas que são submetidos a treinamentos que exigem muito esforço físico. Quando um atleta é submetido à grandes esforços durante o exercício físico, ocorre um desvio na homeostase orgânica deste indivíduo que leva à reorganização das resposta de diversos sistemas, dentre estes sistemas encontra-se o sistema imune. Estudos que relacionam o exercício físico com o sistema imune em sua maioria afirmam que a prática de exercício físico de maneira adequada melhora a ação do sistema imune. Objetivos: Estudar a resposta imune do organismo frente ao treinamento sistematizado de ciclismo, através do controle de infecções nas vias aéreas superiores de atletas de ciclismo. Metodologia: Foram selecionados 6 (seis) atletas de ciclismo, praticantes de ciclismo por pelo menos 5 (cinco) anos, todos homens, tendo uma média de idade de 35 anos. Ao início do estudo foram explicados os métodos da pesquisa aos voluntários. O estudo foi realizado de forma que se verificassem os resultados de 12 (doze) semanas de treinamento de ciclismo, dividido em 3 (três) mesociclos, o treinamento foi elaborado buscando sempre a otimização do treinamento dos indivíduos. Durante o período em que os atletas participaram do estudo, eles preenchiam um questionário URTI (NOVAS et al. 2003) afim de detectar algum episódio de infecção das vias aéreas superiores. Resultados e Conclusões: Após as12 (doze) semanas de treinamento não foi encontrado o surgimento de nenhum episódio de URTI ou aparição de doença. Desta forma sugerimos que o treinamento desenvolvido neste estudo proporcionou a manutenção do estado de saúde dos voluntários, que pode ser traduzido como um aumento do estado de saúde do indivíduo. Podemos concluir que com bases nos dados apresentados por nossa amostra que o treinamento de ciclismo de forma sistematizada e controlada para o grupo estudado, por um período de 12 (doze) semanas, proporciona manutenção ou até mesmo melhora do estado de saúde em ciclistas treinados. PALAVRAS-CHAVE: Exercício Físico; Resposta Imune; Ciclismo ABSTRACT Introduction: The training of athletes consists of a systematic training which should work the most important physical valences according to the sport practiced, besides working the technical aspects of the sport, to develop training optimizing the physical, psychological, emotional and technical. The relationship between physical exercise and the body's immune response has a big boost from the mid-1970, among studies involving exercise and immune response highlights the interest of studying the upper airway infections in athletes who 47 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG undergo trainings that require much physical effort. When an athlete is subjected to great efforts during exercise, there is a deviation in this individual organic homeostasis leading to reorganization of the response of various systems, among these systems is the immune system. Studies that relate exercise with the immune system mostly claim that physical exercise adequately improves the action of the immune system. Objectives: To study the body is immune response against the systematized training cycling, through the control of infections in the upper airways of athletes cycling. Methodology: Were selected six (6) cycling athletes, practicing cycling for at least five (5) years, all men, with an average age of 35 years. At the beginning of the study were explained the methods of research volunteers. The study was carried out so that if they check the results of twelve (12) weeks of cycling training, divided into three (3) mesocycles, training was elaborated always seeking to optimize the training of individuals. During the period in which the athletes participated in the study, they completed a questionnaire URTI (NOVAS et al. 2003) in order to detect any episodes of infection of the upper airways. Results and Conclusions: After twelve (12) weeks of training not found the emergence of any episode of URTI or appearance of disease. Thus we suggest that the training developed in this study that the maintenance of the health status of volunteers, which translates to an increase in health status of the individual. We can conclude that with bases on the data presented by our sample that cycling training in a systematic and controlled for study group, for a period of twelve (12) weeks, provides maintenance or even improvement of health status in trained cyclists. KEY-WORDS: Exercise; Immune Response; Cycling. INTRODUÇÃO Segundo Black (2002) exercícios moderados e regulares podem provocar um aumento no nível de anticorpos de cerca de 20% e também das células NK, mas que o exercício excessivo reduz o sistema imunológico, tornando mais vulnerável à infecção principalmente do trato respiratório superior. Estudos mostram que atividade física de alta intensidade e duração pode aumentar o risco de infecção do trato respiratório superior pela diminuição dos níveis de Ig-A no sistema imunológico. No entanto, Klentrou et al. (2002) afirmam que o exercício moderado e regular aumenta a capacidade aeróbica e a concentração de IgA salivar, o que proporciona um aumento no nível de performance diminuindo o risco de infecção. É necessário destacar outra consideração, que o treinamento é visto como precursores de aumento de doenças (GLEESON e PYNE, 2000; FRIMAN e WESSLÉN, 2000). Disto se origina a necessidade de verificar se o treinamento intenso de longa duração, como é o caso do ciclismo e com um controle das respostas dos marcadores de “overtraining”, responsáveis pelo aumento de doenças, ocorrem processos que possam afastar os sujeitos do treinamento. TAMBÉM VERIFICAMOS QUE AINDA SÃO ESCASSOS OS TRABALHOS REALIZADOS COM CONTROLE DAS RESPOSTAS AO AUMENTO DE DOENÇAS EM PERÍODOS DETERMINADOS (PYNE ET AL. 2000; PETRIE ET AL. 2004). OS TRABALHOS REALIZADOS ANTERIORMENTE SÃO, EM SUA GRANDE MAIORIA, DAS RESPOSTAS DEPOIS DO EXERCÍCIO AGUDO (FEBBRAIO ET AL., 2003; KELLER ET AL., 2003; NEMET ET AL., 2003; VASSIKOPOULOS ET AL., 2003; LUNDBY E STEENSBERG, 2004; KELLER ET AL., 2005;WALSH ET AL., 2011), MAS NÃO EM CICLISMO. SEGUNDO MAGLISCHO (2003), A APLICAÇÃO EFETIVA DOS PROGRAMAS DE TREINAMENTO NECESSITA DE MONITORIZAÇÃO ADEQUADA DAS MUDANÇAS TANTO NOS ASPECTOS AERÓBICOS COMO NOS ANAERÓBICOS PARA A DETERMINAÇÃO DAS POSSÍVEIS MELHORAS. AINDA ASSIM, UM ÓTIMO TREINAMENTO PODE SER CONSIDERADO COMO UM PROCESSO PARA A 48 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG ADMINISTRAÇÃO DA QUANTIDADE TOTAL DE TREINAMENTO E RECUPERAÇÃO (ROOSE ET AL., 2009). OBJETIVOS Estudar as variações dos níveis da incidência de doenças, durante um período de doze semanas de treinamento de ciclismo. MATERIAIS E MÉTODOS Foram selecionados 6 (seis) indivíduos do gênero masculino com idade média de 43 ± 8,7 anos, todos os indivíduos praticantes de ciclismo de forma regular por pelo menos 5 (cinco) anos, a amostra apresentou um perfil homogêneo. Os procedimentos que foram utilizados no projeto de pesquisa foram previamente explicados à todos os atletas, e todos assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido que é uma obrigatoriedade do Conselho Nacional de Saúde, resolução nº 196/96 baseado na Declaração de Helsinque (1964 e resoluções posteriores). O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisas em Seres Humanos da Universidade Federal de Viçosa sob o protocolo de número 033/2011. Os atletas ficaram cientes de tudo que seria realizado no projeto e de que sua participação no mesmo seria de forma voluntária, e que os mesmos poderiam desvincular-se do projeto a qualquer momento sem que houvesse nenhum impedimento para isso. Os exames médicos feitos anteriormente a pesquisa diagnosticaram que todos os atletas estavam aptos à prática de atividade física. O questionário de Infecção das Vias Aéreas Respiratórias Superiores URTI (NOVAS et al. 2003) foi preenchido pessoalmente pelos sujeitos. Cada um deles recebeu uma cópia do questionário e levaram para casa. Nesse questionário o indivíduo preencheu diariamente o surgimento de diversas doenças, uso de medicamento, entre outras alterações que poderiam ser utilizadas para detectar alguma infecção das vias aéreas respiratórias superiores. Foi explicado pelo pesquisador a forma de preenchê-lo. A escala de Percepção Subjetiva do Esforço foi aplicada durante todas as sessões e nos diferentes exercícios durante o programa de treinamento de 12 semanas. O controle do programa de treinamento foi feito diariamente contrastando as cargas objetivadas com as realizadas com supervisão do pesquisador principal com o apoio do bolsista de iniciação científica. Os atletas cumpriram os treinamentos sem nenhum problema. Paralelamente aos treinamentos houve o acompanhamento do estado de saúde dos atletas através de um questionário que era preenchido pelos atletas ao final de cada dia de treinamento com o propósito de detectar qualquer mudança no estado de saúde dos mesmos segundo o controle de doenças nas vias respiratórias superiores URTI (NOVAS et al. 2003). RESULTADOS Os indivíduos apresentaram-se homogêneos tendo uma média de idade de 43 anos, com um desvio padrão (SD) de 8,7 anos. A média da massa corporal encontrada foi de 68,5 Quilogramas com um desvio padrão de 6,7 Kg. A estatura média da amostra foi de 169 centímetros com desvio padrão de 4,3 cm. Já o percentual de gordura médio encontrado foi de 15, 1 com um desvio padrão de 7,2. 49 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG TABELA 1: Caracterização da Amostra Indivíduos Idade Massa Corporal (anos) (Kg) 18 62,7 1 40 80,3 2 38 64 3 56 63,5 4 34 69,5 5 6 47 70,8 Média 43,0 68,5 S.D. 8,7 6,7 Estatura (cm) 166,5 171 165 167 175,5 174.5 169,0 4,3 %G 5,85 24,04 14,95 16,04 8,01 21,57 15,1 7,2 Durante as 12(doze) semanas, os atletas foram acompanhados no desenvolvimento do treinamento e ao final de cada treino eles aplicavam uma intensidade ao treinamento, e preenchiam um protocolo de estado de saúde. Após as 12 (doze) semanas de treinamento não foi encontrado o surgimento de nenhum episódio de URTI ou aparição de doença. Desta forma sugerimos que o treinamento desenvolvido neste estudo proporcionou a manutenção do estado de saúde dos voluntários, que pode ser traduzido como um aumento do estado de saúde do individuo. Discussão Neste estudo não foram encontradas aumento de doenças pelos praticantes de ciclismo que encontravam-se em um treinamento durante 12 semanas. Nos últimos anos têm se verificado um aumento do interesse nos aspectos relacionados com a saúde, exercício, o bem-estar físico e psicológico como verificado em Gaz e Smith (2012). Assim, considera-se que a prática sistemática de atividade física é uma sólida alternativa na promoção e melhora da qualidade de vida do sujeito (PELUSO e ANDRADE, 2005; WALSH et al., 2011). O resultado encontrado em nosso estudo está de acordo com as observações de Samulski (2008), onde diz que para que as pessoas tenham manutenção da saúde é necessária uma atitude positiva com relação à atividade física, saúde e qualidade de vida, e as atividades devem ser motivantes e prazerosas com exercícios em nível moderado, metodologia aplicada em nosso trabalho. E a atividade física é atualmente reconhecida como um importante fator promotor de saúde em todas as idades (KILLIAN e JONES, 2000). A atividade física pode ter um importante papel na administração de distúrbios mentais leves e moderados, incluindo a ansiedade, com uma melhora através dos exercícios regulares, sendo os benefícios semelhantes da meditação e do relaxamento (PALUSKA e SCWENK, 2000), no entanto, tais variáveis não foram estudadas no presente trabalho para comprovar a sua eficácia na manutenção nos níveis de saúde. O exercício físico gera uma mudança no estado de homeostase orgânica, levando à reorganização da resposta de diversos sistemas, entre eles o sistema imune. Assim, as respostas inatas e adquiridas do sistema imune vão sofrer modificações de acordo com o estímulo recebido (ROSA e VAISBERG, 2002), no entanto esta mudança provocada pelas adaptações normais em um ciclo de treinamento não aumentaram a susceptibilidade no aumento de doenças como relatado Nieman et al. (2012). Gaz e Smith (2012) em seus estudos mostraram que o estudo dos mecanismos envolvidos na regulação e na melhoria do estado psicológico pelo exercício pode auxiliar no desenvolvimento de estratégias de adesão aos programas de atividade física, sendo de grande relevância para as ciências do esporte e para a saúde pública, principalmente no que se trata em relação à manutenção do estado de homeostase. 50 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG A parte mais difícil do processo de treinamento é encontrar o equilíbrio ótimo, onde o treinamento não tem um estimulo débil e nem ocasiona o sobretreinamento (overtraining), que é frequentemente encontrado em atletas de elite (MAGLISCHO, 2003). É necessária a planificação, que possibilita alternar períodos de carga com recuperação para evitar fadiga excessiva (SMITH, 2003). Neste processo de planificação deve-se manipular a carga de trabalho através das variáveis de intensidade, duração e frequência, com uma combinação de força, velocidade e resistência realizadas com coordenação e eficiência (SMITH, 2003). O rendimento vê-se influenciado por muitas variáveis e não pode-se determinar frequentemente com um alto grau de precisão como no laboratório, por isso as mudanças induzidas pelo treinamento não são facilmente quantificáveis (NOAKES, 2000). O objetivo mais importante para um treinador e um atleta é melhorar as habilidades físicas, técnicas e psicológicas até o máximo possível, para alcançar os mais altos níveis de rendimento e desenvolver um programa de treinamento preciso e controlado, para assegurar que o pico de rendimento seja conseguido em um momento concreto da temporada. (MUJIKA et al. 2004). Por isso é necessária a quantificação do treinamento. Dentro dos aspectos do controle de treinamento estão a carga de trabalho, a recuperação, o rendimento, a resposta do lactato sanguíneo, a resposta da frequência cardíaca, o controle da percepção subjetiva do esforço, outras respostas bioquímicas e o controle das variáveis psicológicas. CONCLUSÃO Podemos concluir com bases nos dados apresentados por nossa amostra que o treinamento de ciclismo de forma sistematizada e controlada para o grupo estudado, por um período de 12 (doze) semanas, proporciona manutenção ou até mesmo melhora do estado de saúde em ciclistas treinados. Sugerimos outros estudos controlando novas variáveis, principalmente as bioquímicas para comprovação dos resultados encontrados. REFERÊNCIAS BLACK, J.G. Microbiologia: fundamentos e perspectivas. 4.ed. Rio de Janeiro: Ed. Guanabara Koogan, 2002. 829 p. FEBBRAIO, M.A.; OTT, P.; NIELSEN, H.B.; STEENSBERG, A.; KELLER, C.; KRUSTRUP, P.; SECHER, N.H.; PEDERSEN, B.K. 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MUJIKA, I.; PADILLA, S.; PYNE, D.; BUSSO, T. Physiological changes associated with the pre-event taper in athletes. Sports Medicine, v.34, n.3, p.891-927, 2004. NEMET, D.; ROSE-GOTTRON, C.M.; MILLS, P.J.; COOPER, D.M. Effect of water polo practice on cytokines, growth mediators, and leukocytes in girls. Medicine and Science in Sports and Exercise, v.35, n.2, p.356-363, 2003. NIEMAN, D.C.; KONRAD, M.; HENSON, D.A.; KENNERLY, K.; SHANELY, R.A.; WALLNERLIEBMANN, S.J. Variance in the acute inflammatory response to prolonged cycling is linked to exercise intensity. Journal of Interferon & Cytokine Research, v.32, n.1, p.12-17, 2012. NOAKES, T.D. Physiological models to understand exercise fatigue and the adaptations that predict or enhance athletic performance. Scandinavian Journal of Medicine and Science in Sports, v.10, p.123-145, 2000. NOVAS, A.M.P.; ROWBOTTOM, D.G.; JENKINS, D.G. Tennis, incidence of URTI and salivary Ig-A. International Journal of Sports Medicine, v.23, n.3, p.223-229, 2003. 52 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG PALUSKA, S.A.; SCWENK, T.L. Physical activity and mental health. Sports Medicine, v.29, n.3, p.167-180, 2000. PELUSO, M.A.M.; ANDRADE, L.H.S.G. Physical activity and mental health: the association between exercise and mood. Clinics, v.60, n.1, p.61-70, 2005. PYNE, D.B.; GLEESON, M. Effects of intensive exercise training on immunity in athletes. Canberra. International Journal of Sports Medicine. v.19, Suppl 3, p.183-191, 1998. ROSA, L.C.; VAISBERG, M.W. Influências do exercício na resposta imune. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, v.4, n.8, p.1-6, 2002. SAMULSKI, D. M., Psicologia do esporte: conceitos e perspectivas, Porto Alegre; Manole. 2008. SMITH, L.L. 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Exercise Immunology Review, v.17, p.6-63, 2011. 53 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG ANÁLISE DA RELAÇÃO ENTRE ESTADO DE HUMOR E AUTO-ESTIMA ENTRE IDOSAS FISICAMENTE ATIVAS E IDOSAS NÃO PRATICANTES DE ATIVIDADE FÍSICA CARVALHO, M.A.1; SILVA, A.D.P.2; PUSSIELDI, G.A.1 1 - Universidade Federal de Viçosa, Campus Florestal – Minas Gerais – Brasil. 2 –Centro Universitário Belo Horizonte, Minas Gerais – Brasil [email protected] RESUMO O presente estudo procurou analisar a relação entre o Estado de Humor e a Autoestima entre idosas fisicamente ativas e não praticantes de atividade física. Em esse estudo participaram 62 idosas, sendo 31 fisicamente ativas e 31 não praticantes de atividades físicas, todas com idades acima de 65 anos, com média de idades de 67,6 anos. Os dados obtidos foram analisados através do programa estatístico SPSS 11.0, tendo sido realizada uma análise comparativa entre os grupos da amostra a partir dos critérios de classificação apresentados pelo questionário utilizado (POMS – Profile ofMoodStates). Os resultados mostraram que a prática de atividade física tende a contribuir para a diminuição da depressão e consequentemente, para a melhora da autoestima em idosas com idades acima de 65 anos. Palavras chaves:Estado de Humor, Autoestima, Atividade Física, Idosas. ABSTRACT The present study sought to examine the relationship between the Mood State and SelfEsteem among active elderly women and not physically active. In this research participated 62 elderly, 31 physically active and 31 non-practicing physical activities, all aged over 65 years with a mean age of 67.6 years. Data were analyzed using SPSS 11.0, being performed a comparative analysis between the sample groups from the classification criteria presented by the questionnaire used (POMS - Profile Of Mood States). The results showed that physical activity tends to contribute to the reduction of depression and consequently to improved self-esteem in elderly aged over 65 years. Keywords:Mood State, Self-Esteem, Physical Activity, Elderly Women. INTRODUÇÃO Existe, atualmente, uma grande preocupação, por parte de toda população mundial, com o bem estar físico e mental durante o processo de envelhecimento, esse processo causa na vida do indivíduo uma série de mudanças que terão consequências fisiológicas, sociais e psicológicas. O trabalho com o idoso, portanto, deve ser cercado por uma série de preocupações com as possíveis consequências do processo de envelhecimento, com suas causas e necessidades, e devem ser levados em consideração os aspectos que o leva à busca pela atividade física. Rezende & Caldas (2003) colocam como responsabilidade dos programas de atividade física para idosos a contribuição para a sua integridade biopsicossocial. Ressaltam a importância das necessidades biológicas, as motivações e os desejos para a orientação do trabalho nesses programas especiais, facilitando seu acesso e otimizando seus resultados. Também Costa & Campos (2003), discorrem sobre o trabalho com a Terceira Idade, afirmando que as atividades e programas com essa faixa etária têm objetivos, atividades e 54 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG propostas diferenciadas, oferecendo oportunidades para o lazer, a sociabilização, a cultura e a construção da consciência de cidadania, e devem procurar desenvolver a consciência da necessidade de se envelhecer de forma saudável e trabalhar com clareza as relações dos indivíduos com a sociedade em que estão inseridos. OBJETIVOS O estudo teve como objetivo principal verificar a relação entre Estado de Humor e Autoestima comparando idosas fisicamente ativas e não praticantes de atividade física. Objetivou-se também analisar a influência da prática regular de atividades físicas na relação entre Estado de Humor e Autoestima entre os dois grupos da amostra,por meio da comparação dos sentimentos relacionados à raiva, confusão, depressão, fadiga, tensão e vigor. O estudo busca comprovar a importância da Educação Física com relação à promoção do bem-estar biopsicossocial na vida de idosas com idade acima de 65 anos. METODOLOGIA Para o desenvolvimento desta pesquisa contou-se com uma amostra composta por 62 voluntárias, do gênero feminino, com idades a partir de 65 anos, tendo apresentado média de idades de 67,6 anos. Sendo 31 fisicamente ativas – integrantes de programas de atividade física voltados à Terceira Idade - e 31 não praticantes de atividade física – alojadas em um Lar Geriátrico – ambasos grupos da cidade de Belo Horizonte. Foram consideradas, para este estudo, como idosas fisicamente ativas aquelas que praticavam regularmente alguma atividade física durante a semana e como não praticante de atividade física, aquelas que não praticavam nenhum tipo de atividade física ou que a faziam esporadicamente. O questionário utilizado para o desenvolvimento da pesquisa foi o POMS (ProfileOfMoodStates) apresentado por Terry, Lane e Forgaty (2001), conforme Anexo 3, que analisa os estados de humor do indivíduo. O questionário foi utilizado em sua versão curta que contém 24 sentimentos com intensidades consideradas de 0 a 4, sendo, respectivamente, nada; um pouco; moderado; bastante; e extremamente agrupadas em seis grupos de classificação, sendo eles: Raiva, Confusão, Depressão, Fadiga, Tensão e Vigor. Os dados foram coletados nos locais onde as integrantes da amostra de fisicamente ativos praticavam as atividades físicas e a amostra das não praticantes de atividade física foram coletadas no Lar onde se encontravam abrigadas. As integrantes da mostra foram orientadas sobre a voluntariedade de participação e sobre a liberdade para desistência da participação em qualquer momento do estudo, assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e foram informados que a utilização dos dados seria de caráter anônimo. O presente estudo teve aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade Federal de Viçosa sob o protocolo número UFV – 96/006640. Para a obtenção dos resultados finais foi feita a análise fatorial conforme orientações do questionário original POMS (Profile OfMoodStates), e em seguida calculou-se a média ponderada por grupo de classificação. Para a comparação das médias entre os grupos da amostra utilizou-se o teste “tStudent” e para a análise estatística foi utilizado o programa SPSS 11.0 tendo sido considerada como diferença estatisticamente significativa aquela com p ≤0,05. 55 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG RESULTADOS Os resultados obtidos através dos procedimentos estatísticos estão apresentados na Tabela 1. Tabela 1 Resultados por Grupo de Classificação. GR. GRUPO N MÉDIA DESVIO ERRO CLASSIFICAÇÃO S PADRÃO PADRÃO 1 4 0,3871 0,16448 0,08224 RAIVA 2 4 1,1048 0,54130 0,27065 1 4 0,3790 0,10658 0,05329 CONFUSÃO 2 4 0,7823 0,26650 0,13325 1 4 0,3629 0,18507 0,09254 DEPRESSÃO 2 4 0,8387 0,61938 0,30969 1 4 0,6452 0,27498 0,13749 FADIGA 2 4 1,5645 0,19972 0,09986 1 4 0,9274 0,47290 0,23645 TENSÃO 2 4 1,3710 0,21799 0,10900 1 4 2,7984 0,33973 0,16987 VIGOR 2 4 1,6694 0,35078 0,17539 Gupo 1 = Fisicamente Ativas e Grupo 2 = Não praticantes de atividade física * p 0,05 I.S. 0,162 0,140 0,009* 0,635 0,266 0,802 Onde os Grupos 1 e 2 são, respectivamente, fisicamente ativas e não praticantes de atividade física. A coluna N representa o número de sentimentos que compõem o grupo de classificação. E a coluna I.S. representa o índice de significância encontrado para cada sentimento. Gráfico 1foi feito baseado nos dados da Tabela 1 que apresenta a comparação entre as médias obtidas para cada grupo de classificação com relação à amostra Fisicamente Ativa e à amostra Não Praticante de Atividade Física. Figura 1:Comparação das médias obtidas por grupo de classificação 56 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG DISCUSSÃO De acordo com os valores dos resultados apresentados anteriormente verificou-se que apenas o grupo de classificação depressão apresentou diferença estatisticamente significativa ao se considerar p ≤ 0,05, tendo sido encontrado 0,009 como índice de significância para este grupo. Confirmando o resultado do grupo de classificação depressão, Andrade (2003), em estudos feitos sobre o efeito das atividades aquáticas sobre os níveis de depressão em idosas com idades acima de 60 anos, afirmou que esse tipo de exercício causa redução desses níveis nos praticantes, além de aumentar a saúde mental e melhorar a qualidade de vida. Segundo o American CollegeofSports Medicine (ACSM, 2010), mesmo que a participação em programas de atividade física não aumente os níveis de performance fisiológica, ela aumenta o status de saúde, reduzindo os fatores de risco para doenças cardiovasculares mantendo também a funcionalidade física, podendo ter grande impacto sobre a qualidade de vida do idoso. Essa afirmativa concorda com o resultado encontrado para o grupo depressão visto que um dos componentes deste grupo é o sentimento Infeliz. Entretanto, os resultados encontrados entre os grupos da amostra não confirmam esses resultados visto que não foram estatisticamente significativos para os fatores de raiva, tensão e vigor. Segundo Savioli (2009) vários outros estudos indicam uma influência positiva da atividade física no controle de peso e melhora da distribuição da gordura corporal; melhora do estado de humor; alívio dos sintomas de depressão e ansiedade; e elevação dos padrões de saúde relacionados a qualidade de vida. CONCLUSÕES Pode-se concluir que o nível de depressão, representado pelos sentimentos Infeliz, Desanimado, Miserável e Deprimido, tende a ser menor em idosas que praticam atividade física regularmente. Assim, considerando-se os achados sobre a relação entre estado de humor relacionado à depressão com a auto-estima na Terceira Idade, pode-se concluir que a diminuição nos níveis de depressão, ocasionados pela prática de atividade física, tende a proporcionar um aumento no nível de autoestima de idosas fisicamente ativas. Convém, portanto, propor que a atividade física para a Terceira Idade seja sempre incentivada, visto que esta tende a trazer vários benefícios para a vida desses indivíduos. E, não menos importante, que os profissionais de Educação Física busquem aperfeiçoar e expandir os conhecimentos para que se possa contribuir com o envelhecimento mais saudável. REFERÊNCIAS AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE.Diretrizes do ACSM para os testes de esforço e sua prescrição. 8 ed. São Paulo: Guanabara Koogan, 2010. ANDRADE, A.D. Benefícios da Atividade Física no Meio Aquático paraIdosos Depressivos. A Terceira Idade, São Paulo, v.14, n.27, p.42-52, mai. 2003. COSTA, F.G. CAMPOS, P.H.F. Representação social da velhice, exclusão e práticas Institucionais. II Fórum das Jornadas de Representações Sociais. Rio de Janeiro. Set.2003. 57 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG REZENDE, M. CALDAS, C.P. A dança de salão na promoção da saúde do idoso. A Terceira Idade, v.14, n. 27, p. 7-27, 2003. SAVIOLI, R.M.Umcoração saudável.São Paulo: Canção Nova, 2009. ENDEREÇO: Rua Stelio Mendes Barroca, número 39, bairro Califórnia – Florestal/MG CEP: 35.690-000 58 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG COMPARAÇÃO DA QUALIDADE DE VIDA ATRAVÉS DO WHOQOL-BREF EM IDOSOS ACIMA DE 65 ANOS PRATICANTES REGULARES E NÃO PRATICANTES DE ATIVIDADE FÍSICA SOARES, L. L.1; PEREIRA, L.A2.; AZEVEDO, C. A.3; PUSSIELDI, G. A.4. 1 - Graduando em Educação Física na Universidade Federal de Viçosa/ Campus FlorestalFlorestal- Minas Gerais – Brasil; 2 - Professora do Programa de Terceira Idade da Prefeitura Municipal de Florestal – Minas Gerais - Brasil 2 - Graduada em Educação Física UNI-BH- Belo Horizonte – Minas Gerais- Brasil; 3 - Professor e Pesquisador da Universidade Federal de Viçosa, Campus Florestal – Florestal – Minas Gerais - Brasil. Email - [email protected] RESUMO: A velhice é mais uma etapa da vida, e devemos nos preparar para vivê-la da melhor maneira possível. Um programa de exercícios deve estar dirigido nesta idade a melhorar a capacidade física do indivíduo diminuindo o efeito deletério e conseguir maximizar o contato social do indivíduo e reduzir os problemas psicológicos, como ansiedade e depressão nesta idade. A atividade física regular, associada às alterações fisiológicas e bem orientada durante o envelhecimento, pode auxiliar a manter a vida diária com mais qualidade e ainda reintegrar o idos socialmente. Outro fator importante a ser ressaltado é que a atividade física praticada regularmente promove efeitos psicológicos como: aumento da autoestima, aumento da autoconfiança, mais imaginação, maior autossuficiência, melhora da memória, maior funcionamento intelectual e maior autocontrole. Conhecendo os benefícios da atividade física esse estudo teve como objetivo verificar a sua influência na qualidade de vida através de uma comparação entre idosos praticantes de atividade física e não praticantes acima de 65 anos. A amostra foi composta por 62 (sessenta e dois) idosos, masculino e feminino, sendo 31 praticantes regulares de atividade física e 31 não praticantes. Para avaliar a qualidade de vida dos sujeitos utilizou-se o questionário de Qualidade de Vida WHOQOL. Para as análises dos dados foi utilizada a média ponderada de cada grupo. Utilizou-se o Teste t, de Student para comparação das médias entre as variáveis dos grupos obtidas através do instrumento de avaliação. Todos os dados foram tratados no programa SPSS 11.0. Os resultados mostraram, quando comparou-se os dois grupos, que foi encontrado diferenças significativas apenas na variável domínio 2 (Psicológico). Assim, verificou-se com o estudo que idosos praticantes de atividade física quando comparados com os não praticantes, não mostraram diferenças relevantes na melhora dos domínios físicos, relações sociais, meio ambiente e gerais. Conclui-se que a atividade física aponta efeitos benéficos nos aspectos psicológicos diretamente relacionados à saúde mental e ao envelhecimento. Palavras-Chave: Atividade Física; Idosos; Qualidade de vida. ABSTRACT: Old age is another stage of life, and we must prepare to live it the best way possible. An exercise program should be directed at this age to improve the physical capacity of the individual reducing the deleterious effect and can maximize the individual's social contact and reduce psychological problems such as anxiety and depression in this age. Regular physical activity, associated with physiological changes and targeted during aging, may help maintain daily life with more quality and still socially reintegrate gone. Another important factor to be 59 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG noted is that regular physical activity promotes psychological effects such as increased selfesteem, increased self-confidence, more imagination, more self-sufficiency, improved memory, greater intellectual functioning and higher self. Knowing the benefits of physical activity, this study aims to investigate the influence of physical activity on quality of life through a comparison between elderly regular physically active and not practicing over 65 years. The sample consisted of 62 (sixty two) elders, male and female, 31 regular physically active and 31 non-practitioners. To assess the quality of life of individuals used the Quality of Life questionnaire WHOQOL. For the statistical analysis we used the weighted average of each group. We used the t test of Student for comparison of means between groups of variables obtained through the evaluation instrument. All data were processed using SPSS 11.0. The results showed, when we compared the two groups, we found significant differences only in the variable domain 2 (psychological). Thus, it was found in the study that elderly practitioners of physical activity compared to non-practitioners showed no significant differences in the improvement of the physical variables, social relationships, environment and general. Thus it can be concluded that physical activity indicates beneficial effects on the psychological aspects and overall mental health related to aging. Keywords: Physical Activity, Elderly, Quality of life. INTRODUÇÃO O envelhecimento vem acompanhado de uma série de efeitos nos diferentes sistemas do organismo que, de certa forma, diminuem a aptidão e o desempenho físico. No entanto, muitos destes efeitos deletérios são secundários à falta de atividade física. Por esta razão a prática do exercício físico regular torna-se fundamental nesta época da vida (MATSUDO, MATSUDO & BARROS NETO, 2000; RIBEIRO et al. 2008). Em razão de grande parte das evidências epidemiológicas sustentar efeito positivo de um estilo de vida e/ou do envolvimento dos indivíduos em programas de atividade física e exercício na prevenção e minimização dos efeitos deletérios do envelhecimento, os cientistas enfatizam cada vez mais a necessidade de que a atividade física seja parte fundamental dos programas mundiais de promoção de saúde. Não se pode pensar hoje em “prevenir” ou minimizar os efeitos do envelhecimento sem que, além das medidas gerais de saúde, se inclua a atividade física. Esta preocupação tem sido discutida não somente nos chamados países desenvolvidos ou do primeiro mundo, como também nos países em desenvolvimento como é o caso do Brasil (MATSUDO, 2002). Com o controle das doenças infectocontagiosas e a melhora na qualidade de vida, a expectativa de vida e o número de pessoas que atingem a terceira idade tendem a aumentar. Dentre os fatores que tem contribuído para este fenômeno, estão, sem dúvida, a preocupação pelo estilo de vida e o incremento da atividade física. O envelhecimento vem acompanhado de uma série de efeitos nos diferentes sistemas do organismo que de certa forma diminuem a aptidão e o desempenho físico. No entanto muitos desses efeitos são secundários à falta de atividade física. Por esta razão a pratica da atividade física regular, torna-se fundamental nessa época da vida (GUDLAUGSSON et al., 2012). É facilmente observado, que com o passar dos anos homens e mulheres apresentam dificuldades crescentes no desempenho de tarefas do cotidiano de suas vidas. Este declínio no desempenho pode provocar alterações na qualidade de vida dos indivíduos, e algumas vezes causar dependência de outros para a execução de suas tarefas diárias (GOMES NETO & CASTRO, 2012). Pesquisas recentes correlacionando alterações na atividade física em adultos inicialmente sedentários com redução subsequentes na mortalidade têm confirmado a hipótese de que a atividade física regular aumenta a longevidade (ACSM, 2011). Outro ponto importante é a qualidade de vida relacionada com a atividade física. Ribeiro et al. (2008) apontam em seu estudo que outro ponto importante a ser ressaltado é que a 60 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG atividade física melhora a qualidade de vida e com isso há uma melhoria de rendimento (saúde) físico, psíquico e social. Essa preocupação passa a ser prioritária em todo tipo de programação. A atividade física favoreceu esse trabalho de redimensionamento e mudança de postura, pois seus efeitos são muito mais sensíveis, mensuráveis e imediatos. Interligando elementos socioculturais, físicos e psíquicos surgindo uma nova visão de corporeidade do idoso. OBJETIVO O objetivo do estudo foi verificar a influência da atividade física na qualidade de vida através de uma comparação entre idosos praticantes de atividade física e não praticantes acima de 65 anos através do Questionário WHOQOL-bref proposto pela Organização Mundial de Saúde. METODOLOGIA A amostra foi composta por 62 (sessenta e dois) idosos, masculino e feminino, sendo 31 praticantes regulares de atividade física e 31 não praticantes. Utilizou-se o questionário de Qualidade de Vida WHOQOL - Abreviado na versão em português do Programa de Saúde Mental, Genebra. Ao apresentarem-se como voluntários, os idosos foram informados, quanto ao objetivo e aos procedimentos metodológicos do estudo. O estudo teve aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade Federal de Minas Gerais sob o número de protocolo 053/04. O consentimento para a participação no estudo, por escrito, foi obtido de cada voluntário, após os esclarecimentos necessários, estando todos cientes de que a qualquer momento poderiam, sem constrangimento, deixar de participar do mesmo. Foram tomadas todas as precauções no intuito de preservar a privacidade dos voluntários. O questionário foi aplicado em forma de entrevista, pois vários idosos tinham problema de visão, dificultando o entendimento do questionário e vários outros idosos eram analfabetos. O questionário foi aplicado no local em que praticavam atividade física e os não praticantes no local onde residiam. A coleta dos dados teve duração de duas semanas, uma para os praticantes de atividade física e uma para os não praticantes. Para as análises dos dados foi utilizada a média ponderada de cada grupo de acordo com o instrumento utilizado essa análise foi feita com base no Teste t, de Student onde se comparou as médias entre as varáveis dos grupos do instrumento. Utilizou-se para análise estatística o programa SPSS 11.0 com p ≤ 0,05. RESULTADOS O gráfico 1 apresenta o resultado do Domínio Físico quando comparou-se os grupos de praticantes (Grupo 1) e não praticantes (Grupo 2). Não foi encontrada diferença significativa entre os dois grupos. Gráfico 1: Diferença entre os grupos no Domínio Físico 61 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG O gráfico 2 apresenta o resultado da variável Domínio Psicológico entre os grupos praticantes (Grupo 1) e não praticantes (Grupo 2). Quando se comparou os dois grupos, foi a única variável que encontrou-se diferença estatisticamente significativa para p 0,05. Gráfico 2: Diferença entre os grupos no Domínio Psicológico * * * O gráfico 3 apresenta o resultado do Domínio Relações Sociais entre os grupos praticantes (Grupo 1) e não praticantes (Grupo 2), onde também não foi encontrado diferença estatisticamente significativa. Gráfico 3: Diferença entre os grupos no domínio 3 O gráfico 4 apresenta o resultado do Domínio Meio Ambiente entre os grupos praticantes (Grupo 1) e não praticantes (Grupo 2). Não foi encontrada diferença estatisticamente significativa entre os grupos. 62 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG Gráfico 4: Diferença entre os grupos no Domínio Meio Ambiente O gráfico 5 apresenta o resultado do Domínio Geral entre os grupos praticantes (Grupo 1) e não praticantes (Grupo 2). Não foi encontrada diferença estatisticamente significativa entre os grupos. Gráfico 5: Diferença entre os grupos no domínio geral DISCUSSÃO A análise das variáveis domínios físicos, relação social, meio ambiente e geral não apresentou diferença significativa entre os grupos. O achado nesse estudo contradiz o que Gudlaugsson et al. (2012) que citam no seu trabalho onde afirma que cada vez mais é evidente o reconhecimento dos efeitos benéficos que a atividade física proporciona a saúde física, mental, ambiental, social e psicológica das pessoas idosas, pois sabe-se que o envelhecimento diminui a atividade dos idosos, ocasionando modificações físicas, biológicas, psicológicas e também ocorre desengajamento social. No entanto, Gomes Neto & Castro (2012) salientam a necessidade de estudos longitudinais, para verificar se o exercício é fator causal em relação a performance motora superior, e especialmente, se a atividade física pode servir como uma intervenção no efetivo estilo de vida, para reverter ou diminuir o declínio do desempenho motor relacionado a idade em indivíduos mais velhos. É importante considerar o que Moré (2002) verificou em seu estudo, que o exercício físico regular bem orientado pode auxiliar na melhor qualidade da vida diária e reintegrar o idoso nas relações sociais. 63 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG Na análise da variável domínio psicológico, foi encontrada diferença estatística significativa, como em vários outros estudos. Segundo Matsudo; Matsudo & Barros Neto (2000) tem sido relatados efeitos da atividade física e do exercício físico nos aspectos biológicos e ligados à saúde. As evidencias apontam também para efeitos nos aspectos psicológicos e sociais do envelhecimento tais como melhora do autoconceito, melhora da autoestima, melhora da imagem corporal e da socialização. Martínez et. al. (2003) observaram que exercício físico realizado frequentemente pode ajudar a tratar a depressão e melhorar os níveis de ansiedade. Segundo Guimarães et al. (2012), no plano psicológico, em geral, cabe indicar que a atividade física resulta beneficamente em uma ampla gama de problemas psicológicos e em geral para a saúde mental dos sujeitos. Gaz & Smith (2012), afirmam que a atividade física tem um importante papel na prevenção dos transtornos mentais como nos casos de depressão, ansiedade e dependentes de medicamentos. Na revisão feita Gaz & Smith (2012) estudos que analisaram a relação da atividade física, envelhecimento e bem estar psicológico, os autores encontraram que a maioria reportou uma associação positiva entre essas variáveis que os programas mais longos demonstraram consistentemente resultados mais positivos. A influência benéfica da atividade física sobre a dimensão emocional da qualidade de vida se dá sob múltiplos aspectos. Considera-se, em primeiro lugar, a ação benéfica que exerce sobre os efeitos nocivos do estresse e o melhor gerenciamento das tensões próprias do viver (NASCIMENTO JÚNIOR, CAPELARI & VIEIRA, 2012). Em resumo Gaz & Smith (2012) relatam uma forma global dos benefícios psicológicos proporcionados pela atividade física: redução de estado de ansiedade, redução dos níveis de depressão, considerando que ansiedade e depressão são sintomas relacionados com o estresse, redução dos níveis de neurose, ajuda na redução de casos severos de depressão, que requer normalmente tratamento com medicamento, redução de estresse, tensão muscular, redução dos efeitos emocionais em todos idades e sexo. Nas observações realizadas por Matsudo; Matsudo & Barros Neto (2000) foi possível concluir que os estudos epidemiológicos confirmam que as pessoas moderadamente ativas fisicamente têm um risco menor de desordens mentais do que as sedentárias. CONCLUSÃO Podemos concluir que a atividade física aponta efeitos benéficos nos aspectos psicológicos, problemas psicológicos e em geral para a saúde mental relacionada ao envelhecimento uma vez que verificou-se com o estudo que idosos praticantes de atividade física quando comparados com os não praticantes, não mostraram diferenças relevantes na melhora das varáveis física, relação social, meio ambiente e geral mas foi possível verificar uma diferença estatística significativa na variável psicológica no grupo praticante regular de atividade física. REFERÊNCIAS AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE - ACSM. Diretrizes do ACSM para testes de esforço e sua prescrição. 8 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2011. GAZ, D.V.; SMITH, A.M. Psychosocial benefits and implications of exercise. 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Para o membro amputado, a fase de apoio é de curta duração, há um prolongamento do tempo da fase de balanço e um maior comprimento de passada. Assim, eles têm um consumo de gasto energético de 10 a 30% maior em relação a um indivíduo não deficiente. Para suprir esta demanda, a frequência cardíaca (FC) tem um aumento de 62% nestes indivíduos. A prática de esportes adaptados tem sido estimulada para promover uma melhora na funcionalidade do amputado. Um dos ganhos destas atividades é a melhora na agilidade para realizar ações, tanto no esporte quanto no cotidiano. Além disso, esperam-se ganhos na capacidade cardiorrespiratória. Dessa forma, o objetivo deste estudo é verificar se a agilidade de indivíduos amputados interfere na sua freqüência cardíaca. Metodologia: Foram avaliados 14 jogadores de futebol para amputados, todos do gênero masculino, com idade entre 20 e 40 anos. Para avaliação da agilidade foi realizado o Teste de Agilidade. Realizou-se o Teste Vai-e-Vem, onde foi coletado o valor da freqüência cardíaca (FC) imediatamente ao término do teste. À partir deste valor, foi calculado o percentual (%) da FC atingida em relação à frequência cardíaca máxima (FCmáx.) prevista pela idade (220- idade) de cada jogador. Para análise estatística foram realizados o teste de KomogrovSmirnov para distribuição da amostra e a correlação de Pearson entre as variáveis Agilidade e o %FCmáx. prevista pela idade atingido durante o teste Vai-e-Vem, com intervalo de confiança a 99%. Resultados: Foi observada uma correlação inversa entre as variáveis Agilidade e %FCmáx. prevista pela idade, de valor bom (R = - 0.7). Isso demonstra que quanto maior a agilidade, menor o %FCmáx. prevista pela idade atingido pelos jogadores durante o teste Vai-e-vem. Conclusão: Foi possível observar que o aumento da agilidade de um indivíduo pode levar à melhora de sua funcionalidade uma vez que indivíduos com maior agilidade atingiram um menor %FCmáx. prevista pela idade para a realização do mesmo esforço durante o teste de Vai e Vem. Palavras-chave: amputados, agilidade, frequência cardíaca 66 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG CORRELAÇÃO ENTRE VELOCIDADE, AGILIDADE E COMPORTAMENTO TÉCNICOTÁTICO DE JOGADORES DE FUTEBOL PARA AMPUTADOS REIS, R.M.¹; RIBEIRO, V.B¹.; CUNHA, R.G.² 1: Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP – Ribeirão Preto, São Paulo, 2: Instituto Metodista Izabela Hendrix – Belo Horizonte, Minas Gerais email: [email protected] Introdução: O esporte adaptado surgiu no período pós-guerra, com o objetivo de reabilitar e reintegrar os amputados e lesados medulares decorrentes dos combates. Dentre os esportes coletivos destaca-se a modalidade do futebol para amputados. Devido à necessidade de direcionar cada vez mais o treinamento destes atletas, tem-se utilizado de avaliações físico-táticas para avaliar o desempenho e tornar mais específico o treinamento dos jogadores. Sendo assim, buscou-se analisar a efetividade de um treinamento para a velocidade e a agilidade de jogadores amputados e suas possíveis influências nos aspectos táticos nos jogos de futebol como: finalizações, bolas recuperadas, passes certos e faltas sofridas. Metodologia: 14 jogadores de um time de futebol para amputados passaram por uma avaliação física antes e após um treinamento durante uma competição de nível internacional. Esta avaliação incluía o Teste de Velocidade de 20m, Teste de Agilidade e Aspectos Técnico-Táticos do esporte. Resultados: Houve aumento estatisticamente significante após o treinamento tanto para velocidade (p = 0,02) quanto para agilidade (p = 0,04). Ao correlacionar ambas variáveis houve uma correlação baixa no período prétreinamento (r = 0,22) e moderada no pós-treinamento (r = 0,45). O teste de agilidade também apresentou uma correlação moderada com as variáveis técnico-táticas analisadas, exceto para bolas recuperadas. Conclusão: Houve aumento significativo das variáveis velocidade e agilidade após o treinamento. Contudo, houve apenas uma correlação satisfatória entre a agilidade e as variáveis técnico-táticas analisadas. Estes resultados são importantes para definir quais os melhores métodos de treinamento que poderão beneficiar uma ou outra característica dos jogadores, como as capacidades técnicas e táticas. Palavras-chave: amputados, futebol, agilidade 67 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG PREDITORES PSICOLÓGICOS, REAÇÕES E O PROCESSO DE INTERVENÇÃO PSICOLÓGICA EM ATLETAS LESIONADOS RIBEIRO, V.B1; REIS, R.M1; LOPES, I.P.2; SILVA, F.G.2; OLIVEIRA, S.R.G2. 1-Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto-USP- Ribeirão Preto - São Paulo Brasil; 2Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri -Diamantina - Minas Gerais [email protected] Introdução: Atualmente a intervenção psicológica vem sendo cada vez mais inserida no esporte e tem sido de grande valia principalmente na prevenção e reabilitação de lesões. Além do psicólogo do esporte, é importante entender como outros profissionais da saúde podem atuar em conjunto nas intervenções psicológicas, buscando a melhor forma de trabalhar com este atleta. O objetivo deste estudo foi verificar a produção científica nos últimos anos acerca dos processos de lesão e reabilitação a partir de uma visão da psicologia do esporte. Metodologia: Realizou-se uma revisão bibliográfica, abrangendo publicações do ano de 2002 a 2012, indexadas na base de dados Pubmed e dissertações e teses disponíveis no portal da Capes. Para as buscas foram utilizados os seguintes termos: ''lesões atléticas e psicologia''; “lesões atléticas e apoio social”; “lesões atléticas e estresse psicológico” e “lesões atléticas com intervenção”. Os artigos encontrados foram divididos em três tópicos: 1) Traços Psicológicos Preditores de Lesão (TPPL), 2) Reações dos Atletas Lesionados (RAL) e 3) Técnicas de Intervenção Psicológicas, a Abordagem Multidisciplinar e o Apoio Social (TIPAMAS). Resultados: No total foram encontradas 41 publicações, sendo 3 delas dissertações. Dessas 41, 10 delas continham o assunto TPPL (24%); 15 com RAL (37%) e 19 com TIPAMAS (46%). Cada publicação poderia ser incluída em um ou mais assuntos. Conclusão: Os cuidados que devem ser tomados frente aos preditores psicológicos de lesões esportivas é uma das áreas com maior necessidade de ser investigada, tendo em vista que é uma forma de prevenir que fatores internos do próprio ambiente esportivo assim como fatores externos da vida do atleta, como problemas familiares e a falta de apoio possam aumentar o estresse e gerar alterações de ansiedade, que elevam as possibilidades do desencadeamento da lesão. Quanto às reações apresentadas pelo atleta lesionado, estas são bem discutidas e devem ser mais bem gerenciadas, uma vez que podem influenciar, acelerando ou retardando o retorno do atleta. Diversas técnicas de intervenção psicológica foram descritas, entretanto, essas ainda não têm sido muito bem aplicadas no meio esportivo, uma vez que existe uma deficiência no conhecimento das mesmas por parte dos profissionais da saúde, além do distanciamento destes com o psicólogo do esporte, o que acaba prejudicando na recuperação do atleta. Palavras-chave: lesões atléticas, psicologia, apoio social. 68 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG PREVALÊNCIA DE JOVENS UNIVERSITÁRIOS TABAGISTAS E A RELAÇÃO COM A PRÁTICA DE EXERCÍCIO FÍSICO E O CONSUMO DE BEBIDAS ALCÓOLICAS RIBEIRO, V.B1.; REIS, R.M1; LOPES, I.P2.; IRENO, M.S.M2; MARTINS, F.L.M2.; LIMA, V.P2. 1-Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto-USP- Ribeirão Preto - São Paulo Brasil; 2Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri -Diamantina - Minas Gerais [email protected] Introdução: Segundo o relatório de 2008 da Organização Mundial da Saúde (OMS)sobre a epidemia de tabagismo global, o tabaco é a droga mais consumida no mundo e fator de risco para seis das oito principais causas de morte,matando prematuramente de um terço à metade de todos usuários, em média em 15 anos. A cada dia, cerca de 100 mil jovens começam a fumar, e 80% se encontram em países em desenvolvimento. A idade média da iniciação ao fumo do tabaco é de 15 anos, o que levou a OMS a considerar o tabagismo com uma doença pediátrica.Este trabalho teve como objetivo identificar a prevalência do tabagismo em jovens universitários e sua associação com a prática de exercício físico e o consumo de bebidas alcóolicas. Metodologia: Foram entrevistados 360 universitários, de ambos os gêneros, com idade entre 18 e 24 anos. Foram avaliados com relação ao hábito tabágico: nível dependência nicotínica e a outros hábitos associados como a prática de atividade física e o consumo de bebidas alcóolicas.Para ser considerado tabagista, deveria ter atingido o nível mínima dependência nicotínica do questionário de Fargestrom. Já para ser ativo, praticar exercício físico pelo menos três vezes por semana. Para análise estatística foram testadas as variáveis independentes por meio de análise univariada (teste do quiquadrado), sendo considerado o valor de p < 0,05 para significância estatística bem como o teste exato de Fisher. Resultados: Encontrou-se uma prevalência de tabagistas de 6,9%.Não foi encontrada diferença estatística no consumo do tabaco entre os gêneros (p = 0, 071). A maioria dos fumantes não realizava exercício físico, entretanto, não foi encontrada diferença estatisticamente significativadiferença quanto à prática de exercício físico entre a população tabagista e não tabagista (p=0,088). Foi encontrado que 100,0% da população tabagista consomem bebidas alcoólicas, sendo encontrado 60,3 % na população não tabagista. Conclusão: Na população estudada, a prevalência de tabagismo foi baixa, principalmente por não se ter avaliado os tabagistas esporádicos. Com relação à prática de exercício físico, não foi encontrado número de praticantes expressivo em nenhum dos grupos estudados, dado este preocupante, uma vez que essa atividade é considerada como incentivadora para mudança de maus hábitos de vida. Salienta-se a necessidade da criação de programas preventivos de educação em saúde que visem o incentivo à cessação tabágica e a divulgação de informações sobre os malefícios causados tanto pelo tabagismo quanto pelo consumo de bebidas alcoólicas. Palavras-chaves: Adolescente; Estudantes; Tabagismo. 69 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG COMPARAÇÃO DOS DESVIOS POSTURAIS ENTRE CRIANÇAS BAILARINAS SURDAS E SADIAS REIS, R.M.¹; RIBEIRO, V.B.¹; BONUGLI, G.P.¹; GONTIJO, R.C. 1: Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP – Ribeirão Preto, São Paulo, 2: Instituto Metodista Izabela Hendrix – Belo Horizonte, Minas Gerais email: [email protected] Introdução:Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), existem mais de 120 milhões de pessoas no mundo com deficiência auditiva, sendo 8,7 milhões com idade variando de 0 a 19 anos. A deficiência auditiva total, comumente chamada de surdez, interfere de forma decisiva no desenvolvimento cognitivo e motor da criança e do adolescente. A relação existente entre os sistemas auditivo e vestibular aumenta a probabilidade de indivíduos surdos terem lesão de receptores vestibulares. Essas alterações geram alteração da sensibilidade cinestésica que favorece mudanças no tônus muscular, na consciência corporal e no alinhamento da coluna vertebral e das demais articulações do corpo. A dança para crianças e adolescentes surdas têm sido utilizada como forma de melhorar o aprendizado cognitivo, motor e a consciência corporal. Assim o objetivo deste estudo foi comparar a análise postural de bailarinas sadias e surdas. Métodos: Foram analisadas as posturas de 14 voluntárias sadias e 14 surdas, do sexo feminino, com idade entre 10 e 16 anos, praticantes de ballet há pelo menos três anos. A análise postural foi realizada nos planos anterior, lateral e posterior. Os seguintes ângulos foram mensurados: alinhamento horizontal da cabeça, alinhamento dos acrômios, alinhamento das espinhas ilíacas antero-superiores, ângulos frontais dos membros inferiores, ângulo Q, assimetria das escápulas, ângulo entre perna/retropé, alinhamento da cabeça em relação à C7, lordose cervical, cifose torácica, lordose lombar, alinhamento entre as espinhas ilíacas anterior e posterior e alinhamento vertical do tronco. Os ângulos mensurados através do programa SAPO®. Para comparar os resultados entre os grupos foi utilizado o teste T não pareado, p<0.05 com 99% de confiança. Resultados: Apenas os ângulos frontais dos membros inferiores esquerdo (p=0.006) e direito (p=0.003), o ângulo Q do lado direito (p=0.008) e alinhamento da cabeça em relação à C7 (p=0.006), foram estatisticamente diferente entre os grupos de bailarinas sadias e surdos. Os demais ângulos não apresentaram diferenças significativas. Conclusão: Uma vez que a postura de bailarinas surdas mostrou-se similar ao de bailarinas sadias com a mesma faixa etária e tempo de treinamento, o ballet mostrou-se uma ferramenta capaz de melhorar a conscientização corporal em crianças surdas, uma vez que esta população geralmente tem sua postura alterada, prevenindo-se futuras lesões ortopédicas ou dores crônicas. Palavras-chave: postura, surdez, dança 70 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG USO DA PLATAFORMA VIBRATÓRIA NA PROTUSÃO DE OMBRO: ESTUDO PILOTO VICENTE,L.G.¹; VAZ,T.O.¹; FABRIN,S.¹ VERRI,E.D.¹ ¹Centro Universitário Claretiano de Batatais–São Paulo-Brasil [email protected] INTRODUÇÃO: A protusão de ombro (PPO) pode ser causada por um desequilíbrio muscular da cintura escapular. Considerando que a PPO é resultado do desequilíbrio entre força e flexibilidade, a literatura relata que seu tratamento pode ser efetivo na plataforma vibratória, comprovadamente ela atua como instrumento auxiliar e acelerador na reabilitação de capacidades como força, flexibilidade e resistência muscular.OBJETIVO: Observar se o tratamento da PPO complementado com a plataforma vibratória é mais efetivo que o convencional.MÉTODO: Participaram duas mulheres, sedentárias, 21 anos, com PPO. Avaliamos suas posturas pela Escala de New York, medida da distancia do acrômio ao solo, báscula da escápula e sulco deltopeitoral. Depois o desequilíbrio muscular foi avaliado com os testes de força, de retração, e a eletromiografia avaliou o grau de ativação dos mm.trapézio e peitoral maior. O procedimento foi fortalecimento do m. trapézio e alongamento da cadeia anterior de ombro. Com uma paciente exposta a vibração e a outra não.RESULTADOS: Após 10 sessões de tratamento a paciente tratada sem a vibração não apresentou resultados significativos. Já na paciente exposta a vibração a escápula aproximou-se 1cm da coluna. O acrômio aproximou-se 5cm do solo, o sulco deltopeitoral normalizou-se e, as retrações de peitorais desapareceram, resultados indicativos de maior flexibilidade de peitorais. No teste de força trapézio fibras médias e inferiores, e romboides, enfraquecidos anteriormente, alcançaram grau 5. Na eletromiografia durante a abdução horizontal de ombro o m.trapézio superior passou de uma ativação de 189,27µv para 639,47µv e TFM de 141,63µv para 407,26µv indicando fortalecimento dos mesmos, o TFI passou de 382,25µv para 177,03µv também indicando fortalecimento já que na abdução horizontal ele atua mais estabilizando a escápula, durante a adução horizontal o TFS passou de 244µv para 259,68µv, o TFM de 21,29µv para 17,76µv e TFI de 108,74µv para 10,73µv essa diminuição da ativação ocorreu devido a melhora no posicionamento da articulação escapulo-torácica causada pela melhor sinergia da musculatura escapular da paciente, exigindo menor força de fixação do trapézio, o TFS obteve esse leve aumento devido ao melhor posicionamento do ombro que permitiu uma melhor rotação superior escapular.CONCLUSÃO: O tratamento com a plataforma vibratória foi mais efetivo que o convencional, servindo como acelerador do tratamento, resultado importante considerando que a população moderna despende pouco tempo cuidando da saúde. PALAVRAS-CHAVE: Plataforma vibratória, desequilíbrio, protusão 71 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG ÍNDICE DE LESÕES DE COTOVELO EM PRATICANTES DE TÊNIS DE CAMPO DE UBERABA SILVA, T.M.1; MARQUES, B.R.M.2; PEREIRA, D.F.3; BORGES, M.L.4; SOUSA JUNIOR, J.G.5; QUEIROZ JUNIOR, C.A.6. 1-Centro de Ensino Superior de Uberaba – Minas Gerais – Brasil. 2-Centro de Ensino Superior de Uberaba – Minas Gerais – Brasil. 3-Centro de Ensino Superior de Uberaba – Minas Gerais – Brasil. 4-Centro de Ensino Superior de Uberaba – Minas Gerais – Brasil. 5Centro de Ensino Superior de Uberaba – Minas Gerais – Brasil. 6-Centro de Ensino Superior de Uberaba – Minas Gerais – Brasil. [email protected] Palavras chave: cotovelo, lesão, tênis. INTRODUÇÃO: O tênis se originou no século XII e início de XIII, na França, teve as primeiras regras feitas por Guy Forbert. No Brasil em 1924 foi fundada a Federação Paulista de Tênis e em 1955 surgiu a Confederação Brasileira de Tênis (CONFEDERAÇÃO, 2007). No tênis se realizam vários movimentos e técnicas na sua execução que são fundamentais no esporte (CRESPO, 1999). A qualidade das raquetes pode possibilitar o aparecimento de lesões musculares. As lesões músculo-esqueléticas causam danos nos tecidos e dificultam o desempenho dos desportistas afetando musculatura, ossos, órgãos e outras estruturas. (Machado, 2004; Thomas, 1970). As lesões musculares alteram a função muscular, podendo ser evitadas através de um bom condicionamento físico (SALLES, 2005). As principais causas de lesão são o treinamento físico inadequado, retração muscular acentuada, desidratação, nutrição inadequada e a temperatura ambiente desfavorável (SALLES, 2005, p.1). A epicondilite é uma patologia que ocorre por esforços repetitivos e devido a uma técnica inadequada na seqüência de alguns golpes (SILVA apud MACHADO, 2004, p.26). Outra lesão comum é a tendinose ou cotovelo de tenista. De acordo com Motta e Cohen (2004, p.9), a técnica correta na prática esportiva irá permitir uma melhor performance e a prevenção de lesões. OBJETIVO: Conhecer as lesões originadas da prática do tênis de campo e suas possíveis causas. METODOLOGIA: Realizado por meio de questionário onde foram entrevistados 113 praticantes amadores de tênis de campo de ambos os sexos com idade entre 10 e 60 anos. Os dados foram coletados entre 10 e 16 de setembro de 2007, com atletas de Uberaba de três clubes de tênis verificando o índice de lesões de cotovelo, sendo observados os tipos de materiais utilizados dividindo a faixa etária entre 10 a 39 e 40 a 60 anos. RESULTADOS: Dos 113 entrevistados, 95 do sexo masculino (33 não lesados e 62 lesados) e também 18 do sexo feminino (4 não lesadas e 14 lesados). Dos lesados, 20 treinavam duas vezes na semana, 31 três vezes na semana, 14 pessoas quatro vezes na semana e 11 pessoas treinavam 5 e 6 vezes por semana. Em relação aos tipos de lesão, foram encontrados 12 lesados no ombro, 12 na coluna vertebral, 32 no cotovelo, 12 no joelho, 4 no punho e mão e 4 no tornozelo. CONCLUSÃO: O tênis possibilita vários benefícios psicossociais para os praticantes, desde que se tenha uma boa orientação por parte de profissionais capacitados, fim de buscar um bom condicionamento, boa execução dos fundamentos, prevenindo assim lesões e dando maior qualidade de vida aos seus praticantes. [email protected] 72 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG AS PRINCIPAIS LESÕES ESPORTIVAS NOS JOGADORES DE VOLEIBOL E A CONTRIBUIÇÃO DA FISIOTERAPIA NA REABILITAÇÃO DESTES ATLETAS: REVISÃO DE LITERATURA CARMO, H.C.C.¹; ENDO,C.² 1 Centro Universitário Barão de Mauá - Ribeirão Preto/SP- Brasil Centro Universitário Barão de Mauá - Ribeirão Preto/SP - Brasil [email protected] 2 INTRODUÇÃO Considerado o segundo esporte na preferência dos brasileiros (Confederação Brasileira de Voleibol, 2012), o voleibol é um esporte com elevado risco de lesões, devido a necessidade de grandes esforços físicos e repetitivos para a sua prática. As principais articulações acometidas por lesões neste esporte são o tornozelo, o joelho e ombro, respectivamente. Diante deste contexto, observa-se a importância do fisioterapeuta nestas equipes e o quanto este profissional deve estar familiarizado com os tipos e mecanismos de lesões ocorridas no voleibol e suas formas de tratamento. OBJETIVO: discutir e apresentar as principais lesões no voleibol, e demonstrar a contribuição da fisioterapia na reabilitação dos atletas da modalidade. METODOLOGIA: Realizada revisão de literatura compreendendo o período entre 2000 e 2012, na qual foram encontrados 160 artigos, sendo selecionados para este estudo 99, os quais faziam referência as principais lesões encontradas no voleibol e as formas de tratamento fisioterapêutico.RESULTADOS: verificou-se que as entorses de tornozelo, notadamente as ocorridas por inversão, são as mais frequentes, representando cerca de 15 a 60% de todas as lesões da modalidade (CHIAPA, 2001; et al., 2009). a articulação do joelho é a segunda mais lesionada no voleibol, sendo a tendinopatia patelar, a patologia mais frequente. O mecanismo de lesão está relacionado a intensidade de treinos e performance de saltos realizados nos fundamentos de bloqueio, ataque e saque. Em relação as lesões de ombro, Reeser et al. (2006) relatam que o ombro é a terceira articulação mais acometida no voleibol, representando cerca de 20% do total de lesões no esporte, sendo a tendinopatia do manguito rotador a lesão mais frequente (Verhagen et al., 2001).Quanto as abordagens fisioterapêuticas adotadas verifica-se a utilização da técnica PRICE, terapia manual e técnicas de flexibilidade e fortalecimento. CONCLUSÕES: Devido a elevada repetição de gestos esportivos, como, saltos, elevação dos membros superiores acima da cabeça e flexão dos joelhos, justifica-se que as principais lesões sejam as entorses de tornozelo e as tendinopatias as quais têm como mecanismo de lesão a sobrecarga e o overuse. A partir disto, o fisioterapeuta envolvido em equipes esportivas deve ter conhecimento dos mecanismos geradores de lesões e como preveni-las e tratá-las qualitativamente. Palavras-chave:lesões esportivas;voleibol;fisioterapia. 73 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG DROGAS: O PAPEL DO PROFESSOR DE EDUCAÇÃO FÍSICA NA CONSCIENTIZAÇÃO DOS ALUNOS DO ENSINO MÉDIO ¹MASSON, L. F. F; ²BERTOLO, M ¹ Aluna do Curso de Educação Física – UNILAGO – União das Faculdades dos Grandes Lagos. São José do Rio Preto / SP - Brasil. ²Professora Mestre em Educação Física. Coordenadora e professora do Curso de Educação Física – UNILAGO – União das Faculdades dos Grandes Lagos. São José do Rio Preto / SP - Brasil. [email protected] INTRODUÇÃO: Considerando a idade dos alunos que compõem o ensino médio não podemos deixar de mencionar que se trata de uma fase de inúmeras provações e escolhas, fase na qual a opção por um caminho impróprio poderá causar prejuízos individuais e sociais. Nesse sentido verifica-se a importância do papel do profissional de educação física na conscientização e apoio aos alunos nessa fase, principalmente em se tratando de abordar temas transversais, como drogas, violência, orientação sexual, respeito, dignidade entre outros, no intuito de contribuir para a formação social e integral dos mesmos. OBJETIVO: De todos os temas citados o estudo irá se pautar apenas na importância da abordagem e conscientização sobre as drogas com alunos do ensino médio, por conta de ser atualmente considerado um dos principais problemas sociais que vem atingindo de forma avassaladora todas as classes econômicas e pessoas de diferentes faixas etárias. No entanto, levando em consideração a afirmação de Carlat-Marlatt (2008) o público mais atingido pelo consumo são os adolescentes que acabam vivenciando esse vício para se firmar em um grupo, para se sentirem mais comunicativos ou apenas para esquecer sua realidade social e familiar. METODOLOGIA: Trata-se de um estudo bibliográfico de natureza social, efetuada junto ao sistema de acervo da biblioteca da UNILAGO, e em pesquisas na internet em sites acadêmicos, com o uso dos seguintes termos: Escola, educação física e drogas, a partir das técnicas de análise textual, interpretativa e crítica, conforme Severino (2000). CONCLUSÃO: Podemos considerar que o professor de educação física tem uma grande responsabilidade em formar e orientar esses alunos para que saibam lidar com esses problemas sociais, pois os mesmos tem a rica possibilidade de ministrar suas aulas ao ar livre lidando com o corpo em movimento e relacionando cada gesto, cada regra e cada concepção de vida com os vários assuntos necessários para a formação de seus alunos, que, inúmeras vezes não são abordados por suas famílias por falta de conhecimento ou preconceitos. Palavra Chave: Escola, educação física e drogas. 74 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG O USO DO WII E DA PLATAFORMA VIBRATÓRIA NAS ALTERAÇOES MUSCULOESQUELÉTICAS E COGNITIVAS DA ESCOLIOSE VAZ, T.O1; VICENTE, L.G1; SOUZA, S.B.1; FABRIN, S.1; VERRI, E.D1. 1- Centro Universitário Claretiano [email protected] de Batatais – São Paulo – Brasil A escoliose ocasiona um grande problema postural na população, e provoca grandes quadros de dor devido às alterações musculoesqueléticas, partindo desta premissa surgiu a idéia de melhorar a autoestima da paciente e principalmente restabelecer a força, flexibilidade e resistência muscular nos portadores de escoliose através de um recurso fisioterapêutico inovador, o Wii associado à Plataforma Vibratória (PV). Através da revisão literária observou-se que a Nintendo® Wii é um instrumento interativo para o tratamento das doenças musculoesqueléticas sendo possível atuar também na área cognitiva dos indivíduos. O objetivo deste estudo foi realizar a reabilitação da escoliose utilizando o Wii Fit Plus (WFP) e a PV com o intuito de melhorar as condições musculoesqueléticas e cognitivas do sujeito de pesquisa. Participou do estudo uma paciente do sexo feminino, sedentária, 21 anos, submetida à avaliação postural, utilizando a escala de New York e a Biofotogrametria realizada na primeira terapia e no decorrer da décima e décima quinta sessão. A cada inicio de terapia o teste de gravidade foi utilizada através da plataforma Wii, na sequência a paciente participou de dois jogos utilizados para melhorar o equilíbrio, flexibilidade e também interagir com o lúdico. Na PV foram realizados três tipos de exercícios de isostreching, com três repetições cada, na intensidade de 30 Hertz por 30 segundos, realizando a reeducação postural. No primeiro dia de terapia a paciente apresentou uma classificação severa pela escala de New York, na décima sessão a paciente obteve uma pontuação de 55, classificada como moderada e na avaliação realizada na decima quinta sessão obteve 61 pontos o indica um padrão de normalidade. O teste de centro de gravidade do primeiro dia de terapia produziu o seguinte resultado: lado esquerdo (E) 44,9% e direito (D) 55,1%, décima sessão lado (E) 49,3% e (D) 50,7%, décima quinta sessão foi 50,1% (E) 49,9% (D), com visível alinhamento de ombro. Conclui-se, portanto que houve uma melhora qualitativa na postura estática e dinâmica, reduzindo totalmente o quadro álgico, se faz necessário novos estudos para comprovação dos resultados e um número maior de sujeitos de pesquisa utilizando também grupos de controle. Palavras Chaves: WII, ESCOLIOSE, PLATAFORMA VIBRATÓRIA. 75 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG ANÁLISE ANTROPOMÉTRICA E A APTIDÃO FÍSICA DOS CADETES DO 1º ANO DO CURSO DE BACHAREL EM CIÊNCIAS POLICIAIS DA ACADEMIA DE POLÍCIA MILITAR DO BARRO BRANCO MANTOVANE1, L.; NETO,C.B1; DEJANE, T.C; PAULO, L.F.L1 1 Academia de Polícia Militar do Barro Branco – São Paulo – Brasil RESUMO:INTRODUÇÃO: Os policiais realizavam o trabalho sempre andando nas ruas, subindo e descendo morros e escadas, verificando locais escuros e fazendo revistas a suspeitos.Com o advento da tecnologia e, sobretudo, das diferentes formas de crimes enfrentados pelos policiais, surge à necessidade de seleção e preparação para o novo trabalho policial (Oliveira Junior; Silva, 2010).Foi necessário definir e mensurar quais as capacidades físicas necessárias para desempenhar este trabalho.Dependendo da função, o indivíduo pode expor-se a situações fisicamente arriscadas, tais como: conduzir automóveis ou motocicletas em alta velocidade, usar a força para conter uma pessoa ou envolver-se em confrontos armados (Hagen, 2006).OBJETIVO: analisar o perfil antropométrico e a aptidão física dos Cadetes do 1º ano do curso de Bacharelado em Ciências Policiais da Academia de Polícia Militar do Barro Branco (CBCPAPMBB) no início do período de formação. METODOLOGIA:a coleta dos dados contou com n=123, com idade média de 24,7 anos (DP±5,09), sendo 109 homens e 14 mulheres. A coleta foi realizada antes do início das aulas de educação física na APMBB. Utilizou-se o adipômetro científico Sanny AD1010, estadiômetro certificado pelo Inmetro, balança digital WISO W903, protocolo de Petrosky, 1995 e a fórmula de Siri, 1961. A mensuração do VO 2máx indireto foi calculado com base na fórmula proposta por Cooper. Os cadetes foram submetidos ao Teste de Aptidão Física (TAF) da APMBB composto pelas seguintes provas: barra fixa e 100m, abdominal remador e teste de 40”, teste de cooper.RESULTADO:a média do percentual de gordura é de 17,95% (DP± 6,52), IMC 24,48 (DP±4,22) classificando-os como ótima. A aptidão física dos cadetes é classificada como razoável. Os cadetes possuem um VO2máx classificado como ótimo, média de 43,4 ml/kg/min. CONCLUSÃO:há necessidade de se periodizar o treinamento dos cadetes a fim de que atinjam a melhor forma física no TAF, além de sistematizar alguns procedimentos para que se verifique anualmente de forma comparada o perfil antropométrico, para que as políticas de educação física da APMBB adote as providências necessárias para melhoria do perfil antropométrico e da aptidão física dos cadetes ao longo da formação.. Palavras-chave: policiais militares, aptidão física, perfil antropométrico 1 [email protected] 76 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG COMPARAÇÃO DOS DESVIOS POSTURAIS ENTRE CRIANÇAS BAILARINAS SURDAS E SADIAS REIS, R.M.¹; RIBEIRO, V.B.¹; BONUGLI, G.P.¹; GONTIJO, R.C. 1: Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP – Ribeirão Preto, São Paulo, 2: Instituto Metodista Izabela Hendrix – Belo Horizonte, Minas Gerais email: [email protected] Introdução:Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), existem mais de 120 milhõesde pessoas no mundo com deficiência auditiva, sendo 8,7 milhões com idade variando de 0 a 19 anos. A deficiência auditiva total, comumente chamada de surdez, interfere de forma decisiva no desenvolvimento cognitivo e motor da criança e do adolescente. A relação existente entre os sistemas auditivo e vestibular aumenta a probabilidade de indivíduos surdos terem lesão de receptores vestibulares. Essas alterações geram alteração da sensibilidade cinestésica que favorece mudanças no tônus muscular, na consciência corporal e no alinhamento da coluna vertebral e das demais articulações do corpo. A dança para crianças e adolescentes surdas têm sido utilizada como forma de melhorar o aprendizado cognitivo, motor e a consciência corporal. Assim o objetivo deste estudo foi comparar a análise postural de bailarinas sadias e surdas. Métodos: Foram analisadas as posturas de 14 voluntárias sadias e 14 surdas, do sexo feminino, com idade entre 10 e 16 anos, praticantes de ballet há pelo menos três anos. A análise postural foi realizada nos planos anterior, lateral e posterior. Os seguintes ângulos foram mensurados: alinhamento horizontal da cabeça, alinhamento dos acrômios, alinhamento das espinhas ilíacas antero-superiores, ângulos frontais dos membros inferiores, ângulo Q, assimetria das escápulas, ângulo entre perna/retropé, alinhamento da cabeça em relação à C7, lordose cervical, cifose torácica, lordose lombar, alinhamento entre as espinhas ilíacas anterior e posterior e alinhamento vertical do tronco. Os ângulos mensurados através do programa SAPO®. Para comparar os resultados entre os grupos foi utilizado o teste T não pareado, p<0.05 com 99% de confiança. Resultados: Apenas os ângulos frontais dos membros inferiores esquerdo (p=0.006) e direito (p=0.003), o ângulo Q do lado direito (p=0.008) e alinhamento da cabeça em relação à C7 (p=0.006), foram estatisticamente diferente entre os grupos de bailarinas sadias e surdos. Os demais ângulos não apresentaram diferenças significativas. Conclusão: Uma vez que a postura de bailarinas surdas mostrou-se similar ao de bailarinas sadias com a mesma faixa etária e tempo de treinamento, o ballet mostrou-se uma ferramenta capaz de melhorar a conscientização corporal em crianças surdas, uma vez que esta população geralmente tem sua postura alterada, e prevenindo futuras lesões ortopédicas ou dores crônicas. Palavras-chave: postura, surdez, dança 77 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG CORRELAÇÃO ENTRE AGILIDADE E FREQUÊNCIA CARDÍACA EM ATLETAS AMPUTADOS REIS, R.M.¹; RIBEIRO, V.B¹.; CUNHA, R.G.² 1: Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP – Ribeirão Preto, São Paulo, 2: Instituto Metodista Izabela Hendrix – Belo Horizonte, Minas Gerais email: [email protected] Introdução: Indivíduos com amputação unilateral de membros inferiores apresentam um padrão de marcha assimétrico. Para o membro amputado, a fase de apoio é de curta duração, há um prolongamento do tempo da fase de balanço e um maior comprimento de passada. Assim, eles têm um consumo de gasto energético de 10 a 30% maior em relação a um indivíduo não deficiente. Para suprir esta demanda, a frequência cardíaca (FC) tem um aumento de 62% nestes indivíduos. A prática de esportes adaptados tem sido estimulada para promover uma melhora na funcionalidade do amputado. Um dos ganhos destas atividades é a melhora na agilidade para realizar ações, tanto no esporte quanto no cotidiano. Além disso, esperam-se ganhos na capacidade cardiorrespiratória. Dessa forma, o objetivo deste estudo é verificar se a agilidade de indivíduos amputados interfere na sua frequência cardíaca. Métodos: foram avaliados 14 jogadores de futebol para amputados, todos do gênero masculino, com idade entre 20 e 40 anos. Para avaliação da agilidade foi realizado o Teste de Agilidade. Realizou-se o Teste Vai-e-Vem, onde foi mensurada a frequência cardíaca, na qual foi calculada seu percentual diante da frequência cardíaca máxima (%FCmáx.) prevista pela idade (220- idade). Para análise estatística foi realizado o teste de KomogrovSmirnov para distribuição da amostra e a correlação de Pearson entre as variáveis Agilidade e (%FCmáx.) prevista atingida, com intervalo de confiança a 99%, através do software GraphPadPrism versão 5. Resultados: Foi observada uma correlação inversa entre as variáveis Agilidade e %FCmáx. prevista atingida, de valor bom (R = - 0.7). Isso mostra que quanto maior a agilidade, menor o %FCmáx. prevista atingida indivíduos. Conclusão: Foi possível observar que o aumento da agilidade de um indivíduo pode levar à melhora de sua funcionalidade.uma vez que indivíduos com maior agilidade atingiram um menor %FCmáx. prevista para a realização do mesmo esforço durante o teste de Vai e Vem. Palavras-chave: amputados, agilidade, frequência cardíaca 78 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG O TRABALHO EM EQUIPE NA EDUCAÇÃO PRFISSIONAL: ATIVIDADES DE ENSINO COLETIVAS COMO FERRAMENTAS RELACIONAIS PARA FORMAÇÃO DE COMPETÊNCIAS E ATUAÇÃO DE FUTUROS TRABALHADORES ANDRADE, D. B. M.¹ IFPE - Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco – Belo Jardim – Brasil. E-mail: [email protected] Introdução: Numa escola profissionalizante, a integração social torna-se uma habilidade importante para o bom funcionamento da vida institucional. Hoje, a exigência de conhecimentos das mais diferentes especialidades que a nova tecnologia tem solicitado vem contribuindo significativamente para fortalecer a necessidade do Trabalho em Equipe. Ninguém poderia acumular, sozinho, todas as áreas de conhecimento necessários para o melhor atendimento das necessidades atuais (DRUZZIAN, 2002). A docência na Educação Profissional compreende um saber específico: o conteúdo capaz de instrumentalizar o exercício profissional (ARAUJO, 2008). Nesse contexto, a Educação Física é uma disciplina importante na formação para o trabalho na medida em que ela fornece saberes e vivências necessárias a quem irá atuar profissionalmente nos contingentes coletivos de trabalho. Em suas aulas isso é facilmente observado, na medida em que utiliza atividades de ensino, na maioria delas coletivas, através da prática de esportes, dança, luta, ginástica, e jogos, as quais poderiam trazer importantes ferramentas relacionais para a atuação profissional futura. Objetivo: O objetivo do estudo é identificar e analisar as contribuições dos Trabalhos em Equipe, ou seja, atividades de ensino coletivas como recurso para a formação de competências, no contexto da Educação Profissional. Metodologia: Como forma de obtenção dos dados, foi utilizada uma ampla revisão bibliográfica, a fim de atender aos objetivos propostos. Resultados: Por meio dos estudos realizados, muitos autores relatam que, no momento em que a Equipe se forma, diferentes saberes e vivências são disponibilizados e compartilhados pelos seus membros. Esses são transformados em saberes comuns a todos, ou seja, tornam-se conhecimento adquirido. Isso é aprendizagem. Conclusões: No contexto da Educação Profissional, o Trabalho em Equipe deve ser valorizado não apenas como uma prática mais eficiente e efetiva para a construção do conhecimento e formação de competências, mas também pelos valores que promove e desenvolve no aluno, de forma direta e objetiva, como o aumenta da auto-estima. Assim sendo, o ensino através de Trabalhos em Equipe possibilita o desenvolvimento de habilidades em contextos que reproduzem situações futuras a serem vividas no mundo do trabalho. Palavras-chave: trabalho em equipe, educação profissional, competências. 79 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG O USO DE CRISTAIS RADIÔNICOS PARA TRATAMENTO DE CONSTIPAÇÃO INTESTINAL CAMPOS, S.L.1*; OLIVEIRA, K.R.; LOPES, G.L. 1- Instituto de Pós-Graduação Unisaúde (IGPU), Uberlândia/MG - Brasil - [email protected] * A auriculoterapia é uma técnica milenar Chinesa , que consiste na estimulação de pontos do pavilhão auricular através da colocação de sementes, micro -agulhas, cristais, ouro, prata, cobre ou outros. A técnica baseia-se na “ligação” de órgãos, membros e várias partes do corpo ao pavilhão auricular através de zonas somatotópicas. Neste trabalho, utilizaremos cristais radiônicos, que são pequenas esferas de cristal com 1 mm de diâmetro. Os cristais são conhecidos por suas propriedades amplificadoras, transmissoras e focalizadoras de energias. É necessário entender inicialmente que o uso desta técnica apoia-se no conceito de energia, que seria diretamente relacionada ao conceito de atividade. Uma das maiores queixas nos consultórios de acupuntura é o de “intestino preguiçoso”, ou constipação intestinal. Mais frequente em mulheres, a constipação intestinal relaciona-se diretamente à hábitos de vida, como alimentação, prática de atividade física, hábitos pessoais e outros. Nesse trabalho foram avaliadas 10 mulheres com queixa de intestino preguiçoso que responderão a um questionário específico de inclusão na pesquisa. Foram acompanhadas durante dois meses, com regularidade de troca dos cristais uma vez por semana. Observouse ao final do trabalho que 80% das participantes relataram aumento/melhora de seus hábitos intestinais, concluindo-se assim que a pesquisa obteve bons resultados. Sugere-se a partir desse trabalho que sejam feitas mais pesquisas de caráter mais amplo e com grupos maiores e mais heterogêneos. Palavras-chave: Auriculoterapia, Intestino preso, Terapias alternativas. 80 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG PREDITORES PSICOLÓGICOS, REAÇÕES E O PROCESSO DE INTERVENÇÃO PSICOLÓGICA EM ATLETAS LESIONADOS RIBEIRO, V.B1; REIS, R.M1; LOPES, I.P.2; SILVA, F.G.2; OLIVEIRA, S.R.G2. 1-Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto-USP- Ribeirão Preto - São Paulo Brasil; 2Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri -Diamantina - Minas Gerais [email protected] Introdução: Atualmente a intervenção psicológica vem sendo cada vez mais inserida no esporte e tem sido de grande valia principalmente na prevenção e reabilitação de lesões. Além do psicólogo do esporte, é importante entender como outros profissionais da saúde podem atuar em conjunto nas intervenções psicológicas, buscando a melhor forma de trabalhar com este atleta. O objetivo deste estudo foi verificar a produção científica nos últimos anos acerca dos processos de lesão e reabilitação a partir de uma visão da psicologia do esporte. Metodologia: Realizou-se uma revisão bibliográfica, abrangendo publicações do ano de 2002 a 2012, indexadas na base de dados Pubmed e dissertações e teses disponíveis no portal da Capes. Para as buscas foram utilizados os seguintes termos: ''lesões atléticas e psicologia''; “lesões atléticas e apoio social”; “lesões atléticas e estresse psicológico” e “lesões atléticas com intervenção”. Os artigos encontrados foram divididos em três tópicos: 1) Traços Psicológicos Preditores de Lesão (TPPL), 2) Reações dos Atletas Lesionados (RAL) e 3) Técnicas de Intervenção Psicológicas, a Abordagem Multidisciplinar e o Apoio Social (TIPAMAS). Resultados: Foram incluídas três dissertações do total de 41 publicações selecionadas, sendo que 10 delas continham o assunto TPPL (24%); 15 com RAL (37%) e 19 com TIPAMAS (46%). Conclusão: Os cuidados que devem ser tomados frente aos preditores psicológicos de lesões esportivas é uma das áreas com maior necessidade de ser investigada, tendo em vista que é uma forma de prevenir que fatores internos do próprio ambiente esportivo assim como fatores externos da vida do atleta, como problemas familiares e a falta de apoio possam aumentar o estresse e gerar alterações de ansiedade, que elevam as possibilidades do desencadeamento da lesão. Quanto às reações apresentadas pelo atleta lesionado, estas são bem discutidas e devem ser mais bem gerenciadas, uma vez que podem influenciar, acelerando ou retardando o retorno do atleta. Diversas técnicas de intervenção psicológica foram descritas, entretanto, essas ainda não têm sido muito bem aplicadas no meio esportivo, uma vez que existe uma deficiência no conhecimento das mesmas por parte dos profissionais da saúde, além do distanciamento destes com o psicólogo do esporte, o que acaba prejudicando na recuperação do atleta. Palavras-chave: lesões atléticas, psicologia, apoio social. 81 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG CORRELAÇÃO ENTRE VELOCIDADE, AGILIDADE E COMPORTAMENTO TÉCNICOTÁTICO DE JOGADORES DE FUTEBOL PARA AMPUTADOS REIS, R.M.¹; RIBEIRO, V.B¹.; CUNHA, R.G.² 1: Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP – Ribeirão Preto, São Paulo, 2: Instituto Metodista Izabela Hendrix – Belo Horizonte, Minas Gerais email: [email protected] Introdução: O esporte adaptado surgiu no período pós-guerra, com o objetivo de reabilitar e reintegrar os amputados e lesados medulares decorrentes dos combates. Dentre os esportes coletivos destaca-se a modalidade do futebol para amputados. Devido à necessidade de direcionar cada vez mais o treinamento destes atletas, tem-se utilizado de avaliações físico-táticas para avaliar o desempenho e tornar mais específico o treinamento dos jogadores. Sendo assim, buscou-se analisar a efetividade de um treinamento para a velocidade e a agilidade de jogadores amputados e suas possíveis influências nos aspectos táticos nos jogos de futebol como: finalizações, bolas recuperadas, passes certos e faltas sofridas. Métodos: 14 jogadores de um time de futebol para amputados passaram por uma avaliação física antes e após um treinamento durante uma competição de nível internacional. Esta avaliação incluía o Teste de Velocidade de 20m, Teste de Agilidade e Aspectos Técnico-Táticos do esporte. Resultados: Houve aumento estatisticamente significante após o treinamento tanto para velocidade (p = 0,02) quanto para agilidade (p = 0,04). Ao correlacionar ambas variáveis houve uma correlação baixa no período prétreinamento (r = 0,22) e moderada no pós-treinamento (r = 0,45). O teste de agilidade também apresentou uma correlação moderada com as variáveis técnico-táticas analisadas, exceto para bolas recuperadas. Conclusão: Houve aumento significativo das variáveis velocidade e agilidade após o treinamento. Contudo, houve apenas uma correlação satisfatória entre a agilidade e as variáveis técnico-táticas analisadas. Estes resultados são importantes para definir quais os melhores métodos de treinamento que poderão beneficiar uma ou outra característica dos jogadores, como as capacidades técnicas e táticas. Palavras-chave: amputados, futebol, agilidade 82 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG PREVALÊNCIA DE JOVENS UNIVERSITÁRIOS TABAGISTAS E A RELAÇÃO COM A PRÁTICA DE EXERCÍCIO FÍSICO E O CONSUMO DE BEBIDAS ALCÓOLICAS RIBEIRO, V.B1.; REIS, R.M1; LOPES, I.P2.; IRENO, M.S.M2; MARTINS, F.L.M2.; LIMA, V.P2. 1-Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto-USP- Ribeirão Preto - São Paulo Brasil; 2Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri -Diamantina - Minas Gerais [email protected] Introdução: Segundo o relatório de 2008 da Organização Mundial da Saúde (OMS)sobre a epidemia de tabagismo global, o tabaco é a droga mais consumida no mundo e fator de risco para seis das oito principais causas de morte,matando prematuramente de um terço à metade de todos usuários, em média em 15 anos. A cada dia, cerca de 100 mil jovens começam a fumar, e 80% se encontram em países em desenvolvimento. A idade média da iniciação ao fumo do tabaco é de 15 anos, o que levou a OMS a considerar o tabagismo com uma doença pediátrica.Este trabalho teve como objetivo identificar a prevalência do tabagismo em jovens universitários e sua associação com a prática de exercício físico e o consumo de bebidas alcóolicas. Métodos: Foram entrevistados 360 universitários, de ambos os gêneros, com idade entre 18 e 24 anos. Foram avaliados com relação ao hábito tabágico: nível dependência nicotínica e a outros hábitos associados como a prática de atividade física e o consumo de bebidas alcóolicas.Para ser considerado tabagista, deveria ter atingido o nível mínima dependência nicotínica do questionário de Fargestrom. Já para ser ativo, praticar atividade física pelo menos três vezes por semana. Para análise estatística foram testadas as variáveis independentes por meio de análise univariada (teste do qui-quadrado), sendo considerado o valor de p < 0,05 para significância estatística bem como o teste exato de Fisher. Resultados: Encontrou-se uma prevalência de tabagistas de 6,9%.Não foi encontrada diferença estatística no consumo do tabaco entre os gêneros (p = 0, 071). A maioria dos fumantes não realizava exercício físico, entretanto, não foi encontrada diferença estatisticamente significativadiferença quanto à prática de exercício físico entre a população tabagista e não tabagista (p=0,088). Foi encontrado que 100,0% da população tabagista consomem bebidas alcoólicas, sendo encontrado 60,3 % na população não tabagista. Conclusão:Na população estudada, a prevalência de tabagismo foi baixa, principalmente por não se ter avaliado os tabagistas esporádicos. Com relação à prática de exercício físico, não foi encontrado número de praticantes expressivo em nenhum dos grupos estudados, dado este preocupante, uma vez que essa atividade é considerada como incentivadora para mudança de maus hábitos de vida. Salienta-se a necessidade da criação de programas preventivos de educação em saúde que visem o incentivo à cessação tabágica e a divulgação de informações sobre os malefícios causados tanto pelo tabagismo quanto pelo consumo de bebidas alcoólicas. Palavras-chaves: Adolescente; Estudantes; Tabagismo. 83 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG AVALIAÇÃO DA COMPOSIÇÃO CORPORAL E DA FORÇA MUSCULAR DE ATLETAS DE HANDEBOL DURANTE UMA TEMPORADA RODRIGUES, C.1; CARNEIRO, A.J.2; RIBEIRO, S.F.M.2; BRAGA, C.M.B.2; SIMEÃO JÚNIOR, A.C.3; PFRIMER, K.1,2; 1 Universidade Paulista, Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil 2 Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto-FMRP, Universidade de São Paulo-USP, Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil 3 Faculdade de Ciências Farmacêuticas-FCFAR, Universidade Estadual Paulista-UNESP, Araraquara, São Paulo, Brasil E-mail: [email protected] O desempenho esportivo depende de vários fatores, dos quais se destaca a composição corporal e a força muscular. A avaliação destas variáveis é fundamental para caracterizar o perfil dos atletas e verificar o desempenho durante os treinamentos. Os objetivos dessa pesquisa foram avaliar a composição corporal e a força manual após o período de treinamento e verificar a correlação do índice de massa corporal com o percentual de gordura corporal. Foram avaliados 23 atletas de handebol da cidade de Cravinhos–SP. As avaliações ocorreram no início do período de treinamento e outra após sete meses. Foram feitas as avaliações de composição corporal por bioimpedância elétrica, pregas cutâneas, força muscular pelo dinamômetro, além de peso e altura. Os resultados mostram que maior parte dos atletas (57%) está com o peso acima do recomendado, assim como o percentual de gordura corporal, obtendo a média de 27±6,3%. Contudo, ao comparar o grupo avaliado no inicio do período de treinamento com o grupo avaliado após os treinos, verifica-se um aumento do peso corporal em 1,8kg, ganho de 3,6% de massa magra e diminuição da gordura corporal em 4,1%. Os atletas se encontram bem hidratados, obtendo o percentual médio de água corporal 72,5+12,2L. A avaliação antropométrica mostra que as maiores alterações ocorreram nas pregas cutâneas do peitoral e supra-ilíaca. A força manual do time após os treinos aumentou 2kg para a mão esquerda e 3,6kg para a direita. Há uma correlação linear moderada de 0,6 entre o índice de massa corporal com o percentil de gordura. Há uma correlação linear forte de 0,7, entre o percentual de gordura da bioimpedância com a fórmula de Durnin (1974) e moderada para o protocolo de Guedes (1994) e o de Falkner (1968). Apesar dos atletas não terem recebido acompanhamento nutricional para melhora do estado nutricional e do desempenho esportivo, os atletas melhoram sua composição corporal, aumentando a massa magra e diminuído a gordura e aumentando a força. Palavras-Chaves: Composição corporal, Força manual, Desempenho esportivo. 84 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG PERCEPÇÃO NA MELHORIA DA QUALIDADE DE VIDA POR IDOSOS PRATICANTES DE HIDROGINÁSTICA OLIVEIRA, C.F.1; TRIGO, R.W.M.1; GIANASI, L.A.1. 1 Centro Universitário de Formiga – Minas Gerais – Brasil [email protected] RESUMO A crescente preocupação com saúde durante o processo de envelhecimento tem levado vários idosos a procurarem a hidroginástica como uma alternativa para a prevenção e o tratamento de alterações físicas e psicológicas. A prática da hidroginástica consiste de uma atividade corporal contínua em ambiente aquático, tornando os exercícios mais eficazes, na proteção das articulações dos impactos que seriam causados pelos mesmos exercícios, se fossem executados em outro ambiente. Visando reforçar a melhoria da qualidade de vida, o presente estudo procurou analisar a capacidade de percepção das possíveis melhorias na qualidade de vida de idosos praticantes de hidroginástica. Para essa pesquisa utilizou-se uma amostra de 17 idosos (3 homens e 14 mulheres) de uma academia de Santo Antônio do Monte - MG, sendo todos ativos na modalidade, com idades entre 60 e 89 anos. Foi utilizado como instrumento de medida o questionário genérico de avaliação de qualidade de vida SF 36, validado por Ciconelli et.al (1999), o mesmo foi respondido pelos alunos de hidroginástica que entregaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) assinado e compareceram no dia da entrega do questionário. O referido instrumento possui 11 questões no total. Para viabilizar a resposta aos objetivos propostos no estudo, utilizou-se apenas 6 questões. Foram excluídos da pesquisa todos os alunos que não apresentaram o TCLE assinado ou que não compareceram na academia no dia das aulas. O questionário foi aplicado em duas das aulas semanais de hidroginástica e durante duas semanas, para oportunizar a maior participação possível na pesquisa. De acordo com analise dos dados percebe-se que a longo prazo, os idosos não conseguem percebe houve melhoras na sua qualidade de vida, fato que não ocorre em um espaço temporal menor. Os resultados apontam que a aderência à hidroginástica está relacionada às melhorias da saúde física e mental, do convívio social/amizade/socialização e em especial às melhorias na auto-estima. Conclui-se que a prática da hidroginástica para idosos é uma atividade física recomendada, que possui grandes benefícios e que podem ser percebidos pelos praticantes em um curto prazo, por isso a importância da atuação do profissional de Educação Física, como elemento motivador de todo o processo. Palavras-Chave: Hidroginástica; Idosos; Percepção; Qualidade de Vida. 85 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG ADAPTAÇÕES FISIOLÓGICAS ENTRE O DESMPENHO COMPETITIVO E O LIMIAR DE LACTATO DE DOIS NADADORES PARALÍMPICOS CERQUEIRA, C.S¹,2, CARVALHO, P.M¹, DA SILVA JÚNIOR, J.A1. 1- Associação Niteroiense dos Deficientes Físicos (ANDEF) – Niterói – RJ – Brasil; 2- Time Rio Paralímpico (SMPD/CPB) – Rio de Janeiro – RJ - Brasil; [email protected] Introdução: Há tempos recomenda-se a monitoração das variáveis fisiológicas para a prescrição do treinamento, havendo pouca informação na literatura sobre o tema na natação paralímpica. Objetivo: Estabelecer associações entre o desempenho competitivo e o limiar de lactato dentro de um programa de treinamento periodizado, numa abordagem de estudo de caso. Metodologia: A amostra foi constituída por dois nadadores (um atleta do sexo masculino de 31 anos e da classe S5 e um atleta do sexo feminino de 17 anos e da classe S9), participantes do Circuito Brasil Paralímpico de Natação - 2010. Os atletas foram avaliados em três ocasiões para as variáveis limiar de lactato mínimo e desempenho competitivo através do Índice Técnico de Circuito (ITC - calculado pela razão da média dos três melhores tempos do ranking mundial (MTRM)) da prova e classe pelo tempo do atleta na mesma prova e classe. Para as análises de associação foi empregado o coeficiente de correlação de Pearson, com nível de significância de P < 0,05. Resultados: A tabela abaixo contém os resultados encontrados. Observou-se associação significativa entre o ITC e a velocidade de limiar para o atleta do sexo masculino (r = 0,997; P = 0,049). Não foram observadas associações significativas para a concentração de lactato no limiar (r = -0,984; P = 0,113). Já para o sexo feminino não foram observados associações significativas para as mesmas variáveis (r = 0,852; P = 0,351 e r = -0,963; P = 0,175, respectivamente). Apesar da não significância estatística, destaca-se elevados valores de correlação (r > 0,85). A utilização de apenas três avaliações podem explicar os resultados encontrados. LA ITC (%) (km/h) (mmol/L) (meses) M F M F M F M F M F M F 0 77,6 58,8 63,7 47,5 18,0 19,2 3,1 4,1 7,6 7,2 263 260 3 76,8 61,4 65,1 50,9 12,5 17,4 3,4 4,2 4,7 4,9 270 266 6 74,4 63,3 63,7 50,7 11,6 16,2 3,7 4,4 3,6 3,2 276 267 Tabela: MC - massa corporal; MCM - massa corporal magra; MG - massa de gordura; LA limiar aeróbio; ITC – Índice Técnico de Circuito. Conclusão: Os dados obtidos parecem indicar dados relevantes para a prescrição do treinamento. Contudo, para ampliar a compreensão do fenômeno investigado, recomenda-se que sejam feitos estudos com outros atletas, objetivando aumentar o número de dados avaliados. Fase MC (kg) MCM (Kg) MG (kg) Palavras Chave: Natação Paralímpica, Limiar de Lactato, Desempenho Competitivo. 86 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG TREINAMENTO FUNCIONAL PARA GANHO DE FLEXIBILIDADE BIESDORF, Marisa.1; MATSUDA, O. Luis. 2; 1 Acadêmica da 6ª fase do Curso de Educação Física do Centro Universitário para o Desenvolvimento do Alto Vale do Itajaí - Rio do Sul - Santa Catarina - Brasil. 2 Professor Titular de Fisiologia Humana e do Exercício do Centro Universitário para o Desenvolvimento do Alto Vale do Itajaí. [email protected] O presente artigo discorre sobre o treinamento funcional para o ganho da flexibilidade. É um treino que busca a melhoria da aptidão física e está diretamente relacionado a saúde a performance, utilizando uma metodologia segura na prevenção das articulações e lesões músculo esqueléticas. A flexibilidade é a capacidade de realizar movimentos articulares o mais amplamente possível em qualquer direção, o que possibilita a execução de movimentos com grandes amplitudes. Esse trabalho evidencia o ganho da flexibilidade através da pratica do treinamento funcional. Uma vez que a flexibilidade é considerada fundamental para o aperfeiçoamento de movimentos simples ou complexos, bem como para a manutenção da saúde e qualidade de vida. Ao final, por meio de testes foi possível avaliar se o real ganho da flexibilidade através do treinamento. Fica evidente como esse tipo de exercício pode servir para a produção de movimentos mais eficientes. E para desenvolver essa aptidão e melhorar as funções musculares dos indivíduos o exercício funcional torna-se um dos meios mais eficazes. Palavras Chave: treinamento funcional; flexibilidade; funções musculares. 87 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG MORTE SÚBITA NO FUTEBOL: O QUE OS ESTUDOS MOSTRAM LEITE, D.M.M.1; LIMA, A.L. 2; GALDINO, F.C. 3; SILVA, M. V.1. 1- Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais- Belo Horizonte -Minas Gerais- Brasil. 2- Paysandu Sport Club- Belém- Pará- Brasil 3- Universidade Vale do Rio Verde- Betim- Minas Gerais -Brasil 1- Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais- Belo Horizonte- Minas Gerais- Brasil/ Cruzeiro Esporte Clube- Belo Horizonte- Minas Gerais -Brasil [email protected] Apesar de todo o avanço da medicina esportiva, a morte súbita continua a ocorrer durante ou após a prática esportiva em atletas profissionais, principalmente no futebol causando grande comoção na população mundial. Ainda não há um total consenso sobre qual a sua real incidência. Esse estudo teve como objetivo apresentar por meio de revisão de literatura o que os estudos dizem sobre a morte súbita cardíaca (MSC) e suas principais causas em atletas profissionais de futebol, abrangendo também diferentes modalidades esportivas e praticantes de exercício físico. A metodologia utilizada foi por revisão bibliográfica integrativa, sendo selecionados para análise dez artigos científicos de diferentes indexadores com base no tema proposto. Os resultados apresentaram que a principal causa de morte súbita cardíaca em atletas abaixo de 35 anos é por cardiomiopatia hipertrófica e acima dos 35 anos é por doença arterial coronariana. Para evitar o aumento no número de mortes, é necessária uma avaliação de pré-participação (APP) proposto pela American Heart Association, seguido de exames complementares para a detecção de possíveis anomalias cardíacas silenciosas. No Brasil seria importante a padronização de protocolos de avaliação em atletas profissionais e amadores, seguindo as recomendações da Diretriz da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte. É de suma importância à realização de mais pesquisas relacionadas à carga de treinamento imposta aos atletas, tipo e intensidade do exercício, número de jogos dentre outros fatores; e se esses fatores auxiliam para o desencadeamento de eventos cardíacos que levam a morte súbita durante e após a prática do futebol para um maior esclarecimento do tema dentro do cenário esportivo nacional e internacional. Palavras- chave: Morte súbita cardíaca. Morte súbita no esporte. Causas de morte súbita cardíaca. 88 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG RESPOSTAS FISIOLÓGICAS AO EXERCÍCIO EM UMA CÂMARA DE PRESSÃO NEGATIVA PARA MEMBROS INFERIORES (LBNP) BORDIN, A.M.1; ARAÚJO, T.C.1; MARTINATO, M.C.M.1; RUSSOMANO, T.1, BAPTISTA, R.R.1 1. Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – Porto Alegre – RS – Brasil E-mail: [email protected] Introdução:Durante voos espaciais ocorrem diversas alterações fisiológicas em função da microgravidade. A câmara de LBNP(lowerbody negative pressure) é uma técnica útil e inovadora e única forma de simular os efeitos da gravidade terrestre em pesquisas na microgravidade.Assim, a ação conjunta da câmara de LBNP com exercícios pode ser interessante no sentido de minimizar os efeitos do espaço no corpo humano. Em uma pesquisa em parceria com a Embry-RiddleUniversity dos EUA o nosso Centro de Pesquisa construiu um equipamento de exercícios especialmente projetado para ser usado em conjunto com a câmara de LBNP. Objetivos:Este primeiro estudo tem como objetivo geral realizar uma avaliação preliminar deste equipamento, verificando se ele promove respostas fisiológicas acima dos níveis de repouso. O objetivo específico deste estudo foi avaliar as respostas fisiológicas (FC, VE, VO2, VCO2, e RER) em homens e mulheres, ao equipamento de exercício dentro de uma câmara de LBNP. Metodologia: Foram avaliados 9 sujeitos, 5 homens e 4 mulheres, com idade média de23,78±7,10 anos, peso 64,86±9,47 kg e estatura 163,89±6,94 cm.Foram mensuradas as respostas fisiológicasem repouso durante 5 minutos e em seguida durante 10 minutos de exercício dentro da câmara de LBNP no equipamento construído. As respostas ventilatórias foram medidas por um analisador de gases VO2000 e a FC foi medida por um monitor cardíaco. As respostas fisiológicas de repouso e de exercício foram comparadas através do teste t de Student, utilizando-se um nível de significância de p<0,05. Resultados: A FC aumentou de 76,36±9,80 em repouso para 146,61±17,55 bpm em exercício (p<0,0001). A VE aumentou de 6,51±2,21 em repouso para 40,67±10,33 mL/kg/min(p<0,0001). O VO2 aumentou de 3,44±0,56 em repouso para 21,26±3,42 mL/kg/min em exercício. O VCO2 aumentou de 4,24±0,92 para 27,63±3,77 mL/kg/min em exercício(p<0,0001). A RER aumentou de 1,23±0,11 em repouso para 1,31±0,12 em exercício (p=0991). Conclusão: Concluímos que o equipamento de exercício trouxe respostas fisiológicas acima dos níveis de repouso, mostrando-se, portanto, eficaz em promover um estresse compatível com uma atividade física. Verifica-se também pelo RER que o exercício parece ser predominantemente anaeróbico utilizando-se dos carboidratos como fonte de energia. Palavras-chaves: Microgravidade, exercício, LBNP. 89 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG EFEITO DO TREINAMENTO CONTRA-RESISTÊNCIA NO DESEMPENHO MOTOR DE INDIVÍDUOS COM A DOENÇA DE PARKINSON ORSSATTO, L.B.R.1 QUEIROZ, B.M.1 LEAL NETO, J.S.1 MARCHESAN, M.1 1.Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC – Florianópolis – SC – Brasil [email protected] Introdução: A doença de Parkinson (DP) caracteriza-se como uma patologia neurológica degenerativa que afeta os neurônios dopaminérgicos, comprometendo o desempenho motor dos indivíduos. Dentre as intervenções para redução do impacto desta patologia na capacidade funcional e mobilidade dos parkinsonianos destaca-se o treinamento contra resistência (TCR). Apesar de existirem ainda poucos estudos que explorem esta relação, o TCR vem sendo uma alternativa válida para combater os efeitos da DP contribuindo para uma melhor qualidade de vidas destes indivíduos. Objetivo: Verificar o efeito do TCR no desempenho motor de indivíduos com a DP. Métodos: Participaram do estudo seis indivíduos (n=6), com variação de idade de 56 a 76 anos, 68,5(média) ± 7,2 (desvio padrão), classificados entre os estágios 1 e 3, da escala Hoehn e Yarhr (modificada). O programa de TCR foi realizado durante 16 semanas (3x/semana), em dias alternados, com intensidade progressiva, composto de sete exercícios para os principais grupos musculares. O desempenho motor foi verificado usando-se os seguintes testes: “sentar e levantar” (SL) cinco vezes de uma cadeira, verificando o tempo gasto (s); teste de caminhada de 10 metros (10m); e teste de força de preensão manual (FPM), utilizou-se o braço em que o indivíduo considerava mais forte, verificadas pelo dinamômetro mecânico (Takei, Japão). A comparação das médias (pré e pós-treinamento) foi feita usando-se o teste “t” de Student para amostras pareadas. Resultados: As médias e os desvios padrão dos testes aplicados na avaliação do desempenho motor foram: FPM média 34,75±10,84 pré-treinamento e 35,33± 9,92 pós-treinamento. O teste de SL média 11,82±2,59 pré-treinamento e 11,98±2,80 pós-treinamento. Para o teste de 10m, as médias foram 6,07±0,83 pré–treinamento e 6,72±1,02. Os resultados indicam uma manutenção do desempenho motor dos indivíduos avaliados. Fatores como as características degenerativas da DP e o nível de condicionamento inicial dos podem ter influenciado a relação entre os efeitos observados. Outros estudos precisam ser realizados para melhor compreensão dos efeitos do TCR no desempenho motor de indivíduos com a DP. Conclusão: Não foram observadas diferenças significativas no desempenho motor de indivíduos com DP submetidos ao programa de TCR. A manutenção do desempenho motor é de fundamental importância para a qualidade de vida do portador de DP. Palavras-Chave: Doença de Parkinson, Treinamento ContraResistência, Desempenho Motor. 90 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG ANÁLISE COMPARATIVA ATRAVÉS DO TESTE KTK EM CRIANÇAS PARTICIPANTES DO PROJETO MINAS OLÍMPICA E ESCOLARES: UM ESTUDO DE CASO RAMOS, A.M.A.1; TRIGO, R.W.M.1; GIANASI, L.A.1. 1 Centro Universitário de Formiga – Minas Gerais – Brasil [email protected] RESUMO Este estudo analisou os níveis de coordenação motora de crianças na faixa etária de sete anos, que participam de um projeto social além das aulas de Educação Física escolar e um grupo de crianças da mesma faixa etária que participam apenas das aulas de Educação Física escolar da cidade de Piumhi-MG. O desenvolvimento motor nesta faixa etária proporciona um desenvolvimento global dos indivíduos, favorecendo inclusive o desenvolvimento cognitivo, facilitando assim o processo de alfabetização. Este estudo objetivou comparar o nível de coordenação motora entre crianças participantes de um projeto social e crianças participantes de aulas de Educação Física escolar. É um estudo exploratório realizado através de uma pesquisa de campo, caracterizando-se um estudo de caso. O Teste KTK foi aplicado em 16 crianças na faixa etária de sete anos, sendo 8 crianças participantes do Projeto Minas Olímpica e 08 crianças que praticam exclusivamente as aulas de Educação Física escolar, sendo 3 meninos e 5 meninas em cada grupo. O instrumento utilizado no estudo foi o Teste de KTK que permite investigar e classificar o nível de coordenação motora de crianças e jovens dos cinco aos quatorze anos de idade. É um instrumento de fácil aplicação, composto por atividades na trave de equilíbrio, saltos e transferência sobre plataformas. Foram excluídos da pesquisa todos os sujeitos que não apresentaram o TCLE assinado ou que não compareceram nos locais de aula nos dias de aplicação dos testes. Observou-se que os resultados das crianças que realizam atividades físicas regulares além das aulas de Educação Física, alcançaram resultados significativos em todos os elementos avaliados, atingindo a soma de 310 pontos, enquanto as crianças que participam apenas das aulas regulares de Educação Física, alcançaram um total de 287. Diante destes dados e dos resultados indicados pelo protocolo utilizado, os participantes do projeto foram classificadas como escore de 71, o que classifica este grupo como Perturbação na Coordenação, enquanto as crianças da escola atingiram o escore de 63, que os classifica Insuficiência na Coordenação. Portanto, conclui-se que quanto maior for os estímulos motores, maior será o desenvolvimento global dos sujeitos, confirmando que quanto maior for a estimulação, melhor será o desenvolvimento motor das crianças. Palavras-Chave: Coordenação motora; Teste KTK; Atividade física. 91 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG COMPARAÇÃO DA MELHORIA PSICOMOTORA EM CRIANÇAS DE 6 A 10 ANOS PRATICANTES DE GINÁSTICA RÍTMICA COM CRIANÇAS NÃO PRATICANTES COUTO, C.M.1; TRIGO, R.W.M.1; GIANASI, L.A.1. 1 Centro Universitário de Formiga – Minas Gerais – Brasil [email protected] RESUMO A psicomotricidade é uma habilidade motora muito presente na vida do individuo, pois está relacionada ao processo de maturação, visto que o corpo é a origem das aquisições cognitivas, afetivas e orgânicas. O trabalho psicomotor contribui de maneira significante para a formação do esquema corporal. Este estudo teve como objetivo comparar os níveis de melhoria psicomotora em crianças praticantes e não praticantes de Ginástica Rítmica (GR). A pesquisa foi realizada em uma academia que desenvolve um trabalho de GR e em uma escola pública da cidade de Córrego Fundo/MG. A amostra foi composta por 8 alunas de 6 a 10 anos que praticam a Ginástica Rítmica na academia e 8 alunas da mesma faixa que só participam das aulas de Educação Física na escola. A escolha das alunas foi feita de forma aleatória. Como instrumento de avaliação foi utilizado uma Bateria Psicomotora (BPM), proposta por ROSA NETO (2002), onde foram avaliados alguns dos elementos básicos e que são mais desenvolvidos pela prática da GR como o equilíbrio, a organização espacial e a motricidade global dessas crianças. Foram excluídos da pesquisa as alunos que não apresentaram o TCLE assinado ou que não compareceram nos dias das aulas combinados. Os testes foram aplicados em duas aulas de dança nas alunas da academia e durante duas aulas de Educação Física nas alunas da escola. De acordo com os resultados, as alunas que praticam GR obtiveram média final em todos os testes realizados 10,1, ou seja, conseguiram realizar a maioria dos testes aplicados com facilidade. Por outro lado, as alunas não praticantes atingiram média final nos testes realizados de 7,9, demonstrando que este grupo possui um desempenho psicomotor inferior às praticantes de GR. Portanto, após a análise dos dados levantados e fundamentados no conteúdo teórico, podemos confirmar a hipótese levantada no estudo, pois a pratica da GR pode interferir positivamente no desenvolvimento psicomotor de crianças. Sugere-se que esta modalidade esportiva faça parte dos conteúdos programáticos das aulas de Educação Física escolar, com a finalidade de propiciar aos estudantes estímulos variados que favoreçam o seu desenvolvimento global. Palavras-Chave: Ginástica Rítmica. Psicomotricidade. Educação Física escolar. 92 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG FIBROMIALGIA X EXERCÍCIO FÍSICO ZWANG, M.1 MATSUDA, L.O.1 MATSUDA, J.B.1 Centro Universitário para o Desenvolvimento do Alto Vale do Itajaí - Rio do Sul – Brasil [email protected] Resumo A palavra Fibromialgia é conhecida como uma dor crônica ou síndrome dolorosa não inflamatória em algumas partes do nosso corpo, o Colégio Americano de Reumatologia define como uma desordem de etiologia desconhecida que incluem dores crônicas por 3 meses ou mais, dores musculares em pontos específicos do corpo (11 à 18 pontos gatilhos), fadiga, distúrbio do sono e outros sintomas associados. Várias pesquisas indicam como hipóteses etiológicas a natureza do indivíduo, bioquímica, alterações do sistema dopaminérgico ou serotoninérgico, outra possível causa pode estar relacionada ao funcionamento do sistema endócrino, imune e vascular. A fibromialgia atinge cerca 2% a 4% da população adulta nos países ocidentais, e no Brasil é de 2,5%, sendo a segunda doença reumática que atinge a população brasileira e com números maiores para as mulheres que são 5 a 9 vezes mais afetadas do que os homens. A idade predominante do aparecimento dos sintomas oscila entre os 20 e os 50 anos. O presente estudo tem como objetivo relatar sobre os efeitos de diferente intensidade de exercício físico em indivíduos com fibromialgia. Como metodologia foi realizada uma revisão bibliográfica, de artigos científicos nacionais e internacionais, nos sites: Scielo, Lilacs, Google acadêmico, com os descritivos: fibromialgia, exercício físico e dor.Nos resultados, os artigos descrevem o exercício físico como um movimento corporal, produzido pela contração da musculatura esquelética, provocando um aumento do gasto energético acima dos valores basais, promovendo assim uma melhora na capacidade física. Um exemplo disto é o exercício desempenhado em intensidade submáxima (40% a 80% da frequência cardíaca máxima), que promove ganhos no condicionamento aeróbio, e apresenta um efeito analgésico, por estimular a liberação de endorfina, o que pode ser útil para o paciente aliviando à dor. As investigações apontam que os exercícios físicos são usados como uma intervenção (não farmacológica), obtendo resultados expressivos (positivo) em determinadas atividades, mas também há atividades que não traz os resultados esperados que é a diminuição da dor.Finalmente, a maioria dos trabalhos analisados sugerem que o indivíduo com fibromialgia têm intolerância ao exercício de intensidade comum, causando dor, evitando desta forma a atividade física, justificando a necessidade de mais estudos para definir uma estratégia de atividade física para o indivíduo com fibromialgia. Palavras-chaves: fibromialgia, exercício físico, dor. 93 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG IMPACTO DO PROGRAMA LAZER ATIVO NO ESTILO DE VIDA DE TRABALHADORES DE UMA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO CIVIL DE GRANDE PORTE EM PORTO VELHO JUNIOR, P.R.Q.1; SILVA, T.N.2; MACHADO, M.S.C.3; CELI, D.R.3; NETO, L.G.O.4 1-Serviço Social da Indústria – Rondônia – Brasil; 2-Serviço Social da Indústria – Rondônia – Brasil; 3-Serviço Social da Indústria – Rondônia – Brasil; 4-Universidade Federal de Rondônia – Rondônia – Brasil. [email protected] Resumo O estilo de vida é um dos fatores que tem influência determinante na qualidade de vida do indivíduo, contribuindo positivamente ou negativamente, sendo uma relação estreita entre estilo de vida e saúde do trabalhador com a influência direta no desempenho profissional. O objetivo deste trabalhou foi verificar o impacto do programa Lazer Ativo no estilo de vida dos trabalhadores de uma empresa do setor da Construção Civil de Grande Porte do município de Porto Velho/RO. A amostra foi composta por 633 trabalhadores na avaliação diagnóstica e de impacto,, de ambos os sexos, entrevistados por uma equipe do SESI/RO e atendidos no ano de 2012. O instrumento de pesquisa é padrão da instituição para verificação do estilo de vida, e foram comparados os dez indicadores do estilo de vida. Ao analisar os indicadores percebeu-se que que houve uma redução de seis indicadores do geraram impactos positivos, com ênfase maior para Exposição ao Sol com 25,6p.p% e Inatividade Física no Lazer com 31,9p.p%, e os piores impactos referem-se ao Abuso de Bebida Alcoólica com aumento de 13,7p.p% no qual representa um grande alerta e inatividade Física nos Deslocamento com 34p.p% devido a construção ser em outro município. Independente dos resultados negativos, quando se observa o Índice Geral de Estilo de Vida dos trabalhadores percebe-se um im pacto positivo de 0,3p.p%. Podemos concluir que os serviços de SESI Ginástica na Empresa, Circuito do Bem Estar, SESI Corporativo e Gestão de Eventos, todos compõe o programa Lazer Ativo, contribuíram positivamente para a promoção da saúde e bem estar dos trabalhadores da indústria. Palavras Chaves: Estilo de Vida, SESI, Saúde do Trabalhador, Lazer. 94 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG NÍVEL DE ATIVIDADE FÍSICA ASSOCIADO AO RISCO CARDÍACO DOS ALUNOS DE EDUCAÇÃO FÍSICA DE UM CENTRO UNIVERSITÁRIO SOUZA, B.T.B.1; TRIGO, R.W.M.1; FERREIRA, R.V.1. 1 Centro Universitário de Formiga – Minas Gerais – Brasil [email protected] RESUMO Tem-se observado que nos tempos atuais, o estilo de vida das pessoas está repleto de atividades hipocinéticas, que favorecem a prevalência de sobrepeso. Com o aumento da necessidade de trabalho e a priorização das atividades laborais, houve uma diminuição na quantidade de calorias gastas nas ocupações diárias (trabalho, afazeres domésticos), contribuindo assim para um gasto calórico menor do que o ingerido. Os estudantes universitários, não fogem a esta regra, principalmente os acadêmicos dos cursos noturnos de instituições particulares de ensino, que dividem o seu dia entre as atividades laborais responsáveis pela manutenção dos estudos e as atividades acadêmicas. Este estudo objetivou analisar o nível de atividade física (NAF) associado ao risco cardíaco de alunos matriculados no curso de Educação Física em todos os períodos no Centro Universitário de Formiga (UNIFOR), através da relação cintura quadril (RCQ). A amostra compreendeu 81 alunos, sendo 48 do sexo masculino e 33 do sexo feminino, com idade entre 20 e 43 anos, todos acadêmicos dos cursos de licenciatura e bacharelado em Educação Física do referido Centro Universitário. O instrumento utilizado para mensurar o NAF, foi o IPAQ versão curta, instrumento validado por Matsudo et al. (2001). Para a aferição da RCQ utilizou-se uma fita flexível da marca WCS, sendo a cintura medida no ponto médio entre o último arco costal e a crista ilíaca, e o quadril no ponto de maior protuberância posterior dos glúteos, Costa (2001). Foram excluídos da pesquisa todos os acadêmicos que não apresentaram o TCLE assinado e os questionários incompletos ou rasurados. Houve relevância em resultados de NAF com 94% entre classificados como muito ativos e ativos para homens e as mulheres com 91%. Os resultados relativos ao risco cardíaco demonstram que os homens, apresentam risco baixo em 67% dos avaliados, e em 33% risco moderado. Já as mulheres apresentam 45,5% das avaliadas com risco baixo e 45,5% com risco moderado, ocorrendo ainda 9% com risco alto. Porém, houve resultados heterogêneos para NAF associado ao risco cardíaco em resultados de significância a correlação de Pearson, mostrando necessidade de novos estudos e abordagens. Palavras-Chave: Atividade Física, Risco Cardíaco, Sedentarismo. 95 Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926 Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG 96