Revista ENAF Science Volume 8, número 2, Junho e Agosto de 2013 - ISSN: 1809-2926
Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG
VOLUME 08 - NÚMERO 02 - 2013 - MAGAZINE
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Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG
É com grande satisfação que, no vigésimo sétimo ano de realização do Encontro Nacional
de Atividade Física/ENAF, publicamos a Revista on-line ENAF SCIENCE. Tal publicação
pode ser traduzida como uma forma de agradecimento e retribuição a todos aqueles que,
direta ou indiretamente, contribuíram para o desenvolvimento e aperfeiçoamento desse
evento que integra o universo da atividade física e da saúde.
No decorrer desses anos acreditamos ter participado da formação de milhares de
acadêmicos e profissionais da área de educação física, fisioterapia, nutrição, enfermagem,
turismo e pedagogia. A partir de 2004 passamos a realizar o Congresso Científico vinculado
ao ENAF, dando mais um passo na construção dos saberes que unem formação e
produção.
É a partir desse contexto que a Revista on-line ENAF SCIENCE é novamente lançada.
Esperamos que essa publicação enriqueça nossa área de ação. Nesta edição, estão
presentes todos os trabalhos apresentados no Congresso Científico, seja sob forma de
artigo completo ou como resumo na forma de pôster.
Esperamos que este seja a continuação dos passos que pretendemos empreender na busca
por um novo viés de conhecimento, fazendo com que o ENAF siga seu caminho mais
essencial: participar da construção de uma ciência da atividade física.
Coordenação ENAF Ribeirão Preto/SP
Profª Drª. Ariane Zamarioli
Doutorado em 2012 em Ciências da Saúde Aplicadas ao Aparelho Locomotor da Faculdade
de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo - FMRP-USP.
Coordenação ENAF BH
Prof. Ms. Wolfgang Cristiano Lopes Welsing
Mestrado pela Universidade Castelo Branco-RJ em Ciência da Motricidade Humanda.
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ÍNDICE DOS TRABALHOS
(Dica: segure a tecla CRTL e clique no titulo abaixo para acessar a página do trabalho)
ARTIGOS
COMPARAÇÃO DOS DESVIOS POSTURAIS ENTRE CRIANÇAS BAILARINAS SURDAS E SADIAS................................. 5
CORRELAÇÃO ENTRE VELOCIDADE, AGILIDADE E COMPORTAMENTO TÉCNICO-TÁTICO DE JOGADORES DE
FUTEBOL PARA AMPUTADOS ............................................................................................................................................. 12
ANÁLISE DO PERFIL ANTROPOMÉTRICO E DA CAPACIDADE FÍSICA DOS CADETES DO PRIMEIRO ANO DO
BACHARELADO EM CIÊNCIAS POLICIAIS DE SEGRANÇA E ORDEM PÚBLICA ............................................................. 19
PERFIL ANTROPOMÉTRICO E MOTOR DA 13ª COMPANHIA INDEPENDENTE DE POLÍCIA MILITAR, FORMIGA-MG,
BRASIL ................................................................................................................................................................................... 27
FATORES MOTIVACIONAIS NA INICIAÇÃO ESPORTIVA: .................................................................................................. 33
UMA ABORDAGEM FEITA EM UMA ESCOLA PARTICULAR DE BELO HORIZONTE, COM CRIANÇAS DE 11 E 12
ANOS, DO SEXO MASCULINO. ............................................................................................................................................ 33
ANÁLISE DO NÍVEL DE ATIVIDADE FÍSICA E ESTADO DE HUMOR NO PRIMEIRO SEMESTRE ESCOLAR DE
ADOLESCENTES ESTUDANTES DO ENSINO MÉDIO ........................................................................................................ 40
RESPOSTAS DO RENDIMENTO FÍSICO E DA MANUTENÇÃO DA SAÚDE EM ADULTOS PRATICANTES DE CICLISMO
APÓS PERÍODO DE 12 SEMANAS DE TREINAMENTO ...................................................................................................... 47
ANÁLISE DA RELAÇÃO ENTRE ESTADO DE HUMOR E AUTO-ESTIMA ENTRE IDOSAS FISICAMENTE ATIVAS E
IDOSAS NÃO PRATICANTES DE ATIVIDADE FÍSICA ......................................................................................................... 54
COMPARAÇÃO DA QUALIDADE DE VIDA ATRAVÉS DO WHOQOL-BREF EM IDOSOS ACIMA DE 65 ANOS
PRATICANTES REGULARES E NÃO PRATICANTES DE ATIVIDADE FÍSICA ................................................................... 59
RESUMOS
CORRELAÇÃO ENTRE AGILIDADE E FREQUÊNCIA CARDÍACA EM ATLETAS AMPUTADOS ........................................ 66
CORRELAÇÃO ENTRE VELOCIDADE, AGILIDADE E COMPORTAMENTO TÉCNICO-TÁTICO DE JOGADORES DE
FUTEBOL PARA AMPUTADOS ............................................................................................................................................. 67
PREDITORES PSICOLÓGICOS, REAÇÕES E O PROCESSO DE INTERVENÇÃO PSICOLÓGICA EM ATLETAS
LESIONADOS......................................................................................................................................................................... 68
PREVALÊNCIA DE JOVENS UNIVERSITÁRIOS TABAGISTAS E A RELAÇÃO COM A PRÁTICA DE EXERCÍCIO FÍSICO
E O CONSUMO DE BEBIDAS ALCÓOLICAS ........................................................................................................................ 69
COMPARAÇÃO DOS DESVIOS POSTURAIS ENTRE CRIANÇAS BAILARINAS SURDAS E SADIAS ............................... 70
USO DA PLATAFORMA VIBRATÓRIA NA PROTUSÃO DE OMBRO: ESTUDO PILOTO .................................................... 71
ÍNDICE DE LESÕES DE COTOVELO EM PRATICANTES DE TÊNIS DE CAMPO DE UBERABA ...................................... 72
AS PRINCIPAIS LESÕES ESPORTIVAS NOS JOGADORES DE VOLEIBOL E A CONTRIBUIÇÃO DA FISIOTERAPIA NA
REABILITAÇÃO DESTES ATLETAS: REVISÃO DE LITERATURA ....................................................................................... 73
DROGAS: O PAPEL DO PROFESSOR DE EDUCAÇÃO FÍSICA NA CONSCIENTIZAÇÃO DOS ALUNOS DO ENSINO
MÉDIO .................................................................................................................................................................................... 74
O USO DO WII E DA PLATAFORMA VIBRATÓRIA NAS ALTERAÇOES MUSCULOESQUELÉTICAS E COGNITIVAS DA
ESCOLIOSE ........................................................................................................................................................................... 75
ANÁLISE ANTROPOMÉTRICA E A APTIDÃO FÍSICA DOS CADETES DO 1º ANO DO CURSO DE BACHAREL EM
CIÊNCIAS POLICIAIS DA ACADEMIA DE POLÍCIA MILITAR DO BARRO BRANCO .......................................................... 76
COMPARAÇÃO DOS DESVIOS POSTURAIS ENTRE CRIANÇAS BAILARINAS SURDAS E SADIAS ............................... 77
CORRELAÇÃO ENTRE AGILIDADE E FREQUÊNCIA CARDÍACA EM ATLETAS AMPUTADOS ........................................ 78
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O TRABALHO EM EQUIPE NA EDUCAÇÃO PRFISSIONAL: ATIVIDADES DE ENSINO COLETIVAS COMO
FERRAMENTAS
RELACIONAIS
PARA
FORMAÇÃO
DE
COMPETÊNCIAS
E
ATUAÇÃO
DE
FUTUROS
TRABALHADORES ................................................................................................................................................................ 79
O USO DE CRISTAIS RADIÔNICOS PARA TRATAMENTO DE CONSTIPAÇÃO INTESTINAL .......................................... 80
PREDITORES PSICOLÓGICOS, REAÇÕES E O PROCESSO DE INTERVENÇÃO PSICOLÓGICA EM ATLETAS
LESIONADOS......................................................................................................................................................................... 81
CORRELAÇÃO ENTRE VELOCIDADE, AGILIDADE E COMPORTAMENTO TÉCNICO-TÁTICO DE JOGADORES DE
FUTEBOL PARA AMPUTADOS ............................................................................................................................................. 82
PREVALÊNCIA DE JOVENS UNIVERSITÁRIOS TABAGISTAS E A RELAÇÃO COM A PRÁTICA DE EXERCÍCIO FÍSICO
E O CONSUMO DE BEBIDAS ALCÓOLICAS ........................................................................................................................ 83
AVALIAÇÃO DA COMPOSIÇÃO CORPORAL E DA FORÇA MUSCULAR DE ATLETAS DE HANDEBOL DURANTE UMA
TEMPORADA ......................................................................................................................................................................... 84
PERCEPÇÃO NA MELHORIA DA QUALIDADE DE VIDA POR IDOSOS PRATICANTES DE HIDROGINÁSTICA .............. 85
ADAPTAÇÕES FISIOLÓGICAS ENTRE O DESMPENHO COMPETITIVO E O LIMIAR DE LACTATO DE DOIS
NADADORES PARALÍMPICOS ............................................................................................................................................. 86
TREINAMENTO FUNCIONAL PARA GANHO DE FLEXIBILIDADE ...................................................................................... 87
MORTE SÚBITA NO FUTEBOL: O QUE OS ESTUDOS MOSTRAM .................................................................................... 88
RESPOSTAS FISIOLÓGICAS AO EXERCÍCIO EM UMA CÂMARA DE PRESSÃO NEGATIVA PARA MEMBROS
INFERIORES (LBNP) ............................................................................................................................................................. 89
EFEITO DO TREINAMENTO CONTRA-RESISTÊNCIA NO DESEMPENHO MOTOR DE INDIVÍDUOS COM A DOENÇA
DE PARKINSON ..................................................................................................................................................................... 90
ANÁLISE COMPARATIVA ATRAVÉS DO TESTE KTK EM CRIANÇAS PARTICIPANTES DO PROJETO MINAS OLÍMPICA
E ESCOLARES: UM ESTUDO DE CASO .............................................................................................................................. 91
COMPARAÇÃO DA MELHORIA PSICOMOTORA EM CRIANÇAS DE 6 A 10 ANOS PRATICANTES DE GINÁSTICA
RÍTMICA COM CRIANÇAS NÃO PRATICANTES .................................................................................................................. 92
FIBROMIALGIA X EXERCÍCIO FÍSICO.................................................................................................................................. 93
IMPACTO DO PROGRAMA LAZER ATIVO NO ESTILO DE VIDA DE TRABALHADORES DE UMA INDÚSTRIA DA
CONSTRUÇÃO CIVIL DE GRANDE PORTE EM PORTO VELHO ........................................................................................ 94
NÍVEL DE ATIVIDADE FÍSICA ASSOCIADO AO RISCO CARDÍACO DOS ALUNOS DE EDUCAÇÃO FÍSICA DE UM
CENTRO UNIVERSITÁRIO .................................................................................................................................................... 95
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ARTIGOS
COMPARAÇÃO DOS DESVIOS POSTURAIS ENTRE CRIANÇAS BAILARINAS SURDAS E
SADIAS
ARTIGO PREMIADO
REIS, R.M.¹; RIBEIRO, V.B.²; BONUGLI, G.P.³; CUNHA, R.G.4
1: Rafael de Menezes Reis. Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP – Ribeirão
Preto, São Paulo, 2:Victor Barbosa Ribeiro. 1: Rafael de Menezes Reis. Faculdade de
Medicina de Ribeirão Preto – USP – Ribeirão Preto, São Paulo. 3: Gustavo Perazzoli
Bonugli. 4:Rodrigo Gontijo Cunha. Instituto Metodista Izabela Hendrix – Belo Horizonte,
Minas Gerais
email: [email protected]
Resumo: Introdução: Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), existem
mais de 120 milhões de pessoas no mundo com deficiência auditiva, sendo 8,7 milhões com
idade variando de 0 a 19 anos. A deficiência auditiva total, comumente chamada de surdez,
interfere de forma decisiva no desenvolvimento cognitivo e motor da criança e do
adolescente. A relação existente entre os sistemas auditivo e vestibular aumenta a
probabilidade de indivíduos surdos terem lesão de receptores vestibulares. Essas alterações
geram alteração da sensibilidade cinestésica que favorece mudanças no tônus muscular, na
consciência corporal e no alinhamento da coluna vertebral e das demais articulações do
corpo. A dança para crianças e adolescentes surdas têm sido utilizada como forma de
melhorar o aprendizado cognitivo, motor e a consciência corporal. Assim o objetivo deste
estudo foi comparar a análise postural de bailarinas ouvintes e surdas. Métodos: Foram
analisadas as posturas de 14 voluntárias ouvintes e 14 surdas, do sexo feminino, com idade
entre 10 e 16 anos, praticantes de ballet há pelo menos três anos. A análise postural foi
realizada nos planos anterior, lateral e posterior. Os seguintes ângulos foram mensurados:
alinhamento horizontal da cabeça, alinhamento dos acrômios, alinhamento das espinhas
ilíacas ântero-superiores, ângulos frontais dos membros inferiores, ângulo Q, assimetria das
escápulas, ângulo entre perna/retropé, alinhamento da cabeça em relação à C7, lordose
cervical, cifose torácica, lordose lombar, alinhamento entre as espinhas ilíacas anterior e
posterior e alinhamento vertical do tronco. Os ângulos mensurados através do programa
SAPO®. Para comparar os resultados entre os grupos foi utilizado o teste T não pareado,
p<0.05 com 99% de confiança. Resultados: Apenas os ângulos frontais dos membros
inferiores esquerdo (p=0.006) e direito (p=0.003), o ângulo Q do lado direito (p=0.008) e
alinhamento da cabeça em relação à C7 (p=0.006), foram estatisticamente diferente entre os
grupos de bailarinas sadias e surdos. Os demais ângulos não apresentaram diferenças
significativas. Conclusão: Uma vez que a postura de bailarinas surdas mostrou-se similar ao
de bailarinas ouvintes com a mesma faixa etária e tempo de treinamento, o ballet mostrou-se
uma ferramenta capaz de melhorar a conscientização corporal em crianças surdas, uma vez
que esta população geralmente tem sua postura alterada, prevenindo-se futuras lesões
ortopédicas ou dores crônicas.
Palavras chaves: postura, surdez, dança
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Abstract:
Introduction: According to the World Health Organization (WHO), there are over 120 million
people worldwide with hearing impairment, and 8.7 million aged 0-19 years. A full hearing,
commonly called deafness interferes decisively in cognitive and motor development of
children and adolescents. The relationship between the human auditory system increases the
likelihood of deaf individuals have injury vestibular receptors. These alterations generate
kinesthetic sensibility changes that favors changes in muscle tone, the body awareness and
alignment of the spine and other body joints. Dance for children and adolescents who are
deaf have been used as a way to improve learning cognitive, motor, and body awareness.
Thus the aim of this study was to compare the postural analysis of dancers and listeners
deaf. Methods: We analyzed the postures of 14 listeners and 14 deaf, female, aged between
10 and 16 years, practicing ballet for at least three years. The analysis was performed in
postural plans anterior, lateral and posterior. The following angles were measured: horizontal
head alignment, acromial alignment, alignment of the anterior superior iliac spines, front
angles of the lower limbs, Q angle, asymmetry scapulae, angle between leg / hindfoot, head
alignment in relation to C7, cervical lordosis, thoracic kyphosis, lumbar lordosis, alignment
between the anterior and posterior iliac spines and vertical alignment of the trunk. The angles
measured through the program SAPO ®. To compare the results between the groups we
used the unpaired t test, p <0.05 with 99% confidence intervals. Results: Only the front
angles of the left lower limb (p = 0.006) and right (p = 0.003), the Q-angle of the right side (p
= 0.008) and head alignment in relation to C7 (p = 0.006) were statistically different groups of
dancers healthy and deaf. The other angles showed no significant differences. Conclusion:
Since the posture deaf dancers proved similar to listeners with the same age and length of
training, the ballet proved a useful tool to improve body awareness in deaf children, since this
population usually has your stance changed, preventing future injuries to orthopedic or
chronic pain.
Keywords: posture, deafness, dance
1. INTRODUÇÃO
A Surdez Infantil Bilateral permanente é determinada por perda auditiva bilateral,
caracterizada por limiares auditivos acima de 40 decibéis (dB) no melhor ouvido, levando-se
em consideração as freqüências de 500,1000,2000 e 4000 Hz, sem a utilização da prótese
auditiva. Sua prevalência é de 1 a cada 1000 recém-nascidos saudáveis, elevando-se para
20 a 40 a cada 1000 se contabilizadas as crianças internadas para receber algum cuidado
especial em Unidades de Cuidados Intensivos neonatais (UCIN) (ERENBERG et al., 1999;
OLIVEIRA, CASTRO E RIBEIRO, 2002). A ocorrência da surdez pode alterar uma
diversidade de funções, uma vez que as pessoas surdas desenvolvem seu cognitivo voltado
para um mundo visual-gestual, diferindo dos ouvintes que utilizam a audição para a
comunicação. Como são minoria, os surdos podem sofrer conseqüências na comunicação
com os demais, dificultando o seu crescimento intelectual, social e emocional (CROMACK,
2004). Na escola regular, por exemplo, parece haver tanto a dificuldade por parte do aluno
surdo, como pelos professores em se comunicar e promover a inclusão deste indivíduo
(SILVA E PEREIRA, 2003).
Dentre outros desdobramentos que ocorrem, na deficiência auditiva por si só já foi
possível a detecção de déficit em habilidades motoras, sobretudo no desempenho do
equilíbrio. Esta habilidade parece estar mais prejudicada em indivíduos mais jovens quando
comparados aos sem comprometimentos auditivos e afetar igualmente aos gêneros
(SIEGEL, MARCHETTI E TECKLIN, 1991; ENGEL-EYGER E WEISSMAN, 2009; KEGEL ET
AL., 2012). Além disso, algumas habilidades que envolvam destreza, relação de domínio
com bola, equilíbrio estático, dinâmico e recuperado também podem estar reduzidas em
crianças surdas, criando-se um ciclo vicioso entre desenvolvimento motor e interação social
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(AZEVEDO E SAMELLI, 2009; HARTMAN, HOWEN E VISSCHER, 2011).
A
redução
do equilíbrio em pessoas surdas, freqüentemente associada com acometimentos do sistema
vestibular, pode conduzir a implicações relevantes no controle postural, provocando dores,
além de alterações no padrão da marcha, aumentando-se o risco para quedas
(VASCONCELOS ET AL., 2010; MELO ET AL., 2012; MELO ET AL., 2012A; SOUSA,
BARROS E NETO, 2012).
A intervenção por meio de exercício focado no aprimoramento das habilidades de
controle postural de integração sensorial tem sido utilizado como uma ferramenta eficaz,
evitando-se um progressivo atraso no desenvolvimento motor de crianças com perda
auditiva neurossensorial e distúrbios vestibulares (RINE ET AL, 2004). A dança, por
exemplo, tem demonstrado melhora na coordenação motora, na atenção e na integração
com o grupo (MONTEZUMA ET AL., 2011). Outra prática corporal que trabalha e
desenvolve o equilíbrio e a cinestesia é o ballet e o seu treinamento aprimora tais
habilidades. Alguns autores já demonstraram que em bailarinos treinados há uma grande
dependência visual e que esta prática também promove melhora da escolha da direção
espacial, facilitando a interação corpo-espaço (GOLOMER ET AL., 2008; BRUYNEEL ET AL
2010). Além disso, exige uma série de posturas que necessitam de estabilização da cabeça
e tronco, sinergia de movimentos do quadril, joelho e tornozelo, sendo capaz de melhorar o
mecanismo de controle postural e de ativar mais rapidamente os mecanismos de respostas
neuromusculares (THULLIER E MOUFTI, 2004; SIMMONS, 2005).
Não foram encontrados estudos na literatura até então que verifiquem as alterações
promovidas pela prática do ballet em indivíduos surdos. Sabendo dos benefícios dessa
prática corporal em indivíduos ouvintes, teve-se por objetivo verificar se esses benefícios
são compartilhados em jovens bailarinas surdas.
2. OBJETIVO
Verificar se existem diferenças nos ângulos e alinhamento de segmentos corporais
para análise do controle postural de bailarinas surdas e ouvintes.
3. METODOLOGIA
Trata-se de um estudo transversal. Foram recrutadas 14 bailarinas voluntárias
ouvintes e 14 com surdez infantil bilateral, do sexo feminino, com idade entre 10 e 16 anos,
praticantes de ballet há pelo menos três anos. As voluntárias foram posicionadas sobre um
quadrado com dimensões de 50x50cm a 3 metros de distância da uma câmera fotográfica
(Samsung ES65 10.2 megapixels) que foi posicionada sobre uma plataforma nivelada a uma
altura de 80cm do solo. Todas foram fotografadas nos planos anterior, posterior e lateral
esquerdo para geração dos registros fotográficos para posterior análise postural.
Para a análise postural foi utilizado o programa SAPO®, no qual foram mensurados
os seguintes ângulos e regiões: alinhamento da cabeça, alinhamento dos acrômios,
alinhamento das espinhas ilíacas ântero-superiores (EIAS), ângulo frontal dos membros
inferiores direto e esquerdo (MID e MIE), ângulo Q direito e esquerdo, assimetria das
escápulas, ângulo perna/retropé direito e esquerdo, alinhamento da cabeça em relação à
C7, lordose cervical, cifose torácica, lordose lombar, alinhamento entre espinha ilíaca ânterosuperior e ântero-posterior (EIAS e EIPS) e alinhamento vertical do tronco.
Os ângulos mensurados de ambos grupos foram comparados através do teste T não
pareado bicaudal, sendo considerados resultados estatisticamente significativos valores de
p<0.05, com intervalos de confiança a 99%.
3. RESULTADOS
Os resultados dos ângulos mensurados dos grupos estão expressos em média e
desvio padrão na Tabela 1. Os valores de p no teste T comparando ambos os grupos
também podem ser observados, sendo destacados os ângulos com diferença
estatisticamente significativo entre grupo de bailarinas ouvintes e o de bailarinas surdas.
Pôde-se observar que o alinhamento dos acrômios, os ângulos frontais dos MIE e MID,
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ângulo Q direito e alinhamento da cabeça em relação à C7 foram estatisticamente diferentes
entre os grupos, não havendo diferenças nos demais ângulos: alinhamento da cabeça,
alinhamento das EIAS, ângulo Q esquerdo, assimetria das escápulas, ângulo perna/retropé
direito e ângulo perna/retropé esquerdo, lordose cervical, cifose torácica, lordose lombar,
alinhamento EIAS/EIPS e alinhamento vertical do tronco.
Tabela 1. Ângulos mensurados através da análise postural em bailarinas surdas e ouvintes
Ângulos
Grupo Bailarinas Grupo Bailarinas Houve diferença
Surdas
Sadias
estatística? (valor
p)
Alinhamento
da 2.3±1.8
1.8±1.6
0.52
cabeça
Alinhamento dos 2.7±1.6
1.6±1.3
0.04*
acrômios
Alinhamento das 2.4±1.6
2.3±1.8
0.76
EIAS
Ângulo
frontal 13.9±3.9
9.3±3.6
0.003*
MID
Ângulo
frontal 15.2±6.9
9.0±4.1
0.006*
MIE
Ângulo Q direito
34.7±14.5
46.4±6.7
0.009*
Ângulo
Q 42.7±9.5
47.3±5.7
0.13
esquerdo
Assimetria
das 17.7±10.5
14.0±13.5
0.26
escápulas
Ângulo
18.2±10.7
17.0±12.0
0.69
perna/retropé
direito
Ângulo
12.6±7.9
14.6±7.9
0.50
perna/retropé
esquerdo
Alinhamento
da 44.9±8.4
53.7±2.4
0.005*
cabeça
em
relação à C7
Lordose cervical
34.1±7.7
37.8±8.1
0.22
Cifose torácica
76.1±10.0
81.5±11.0
0.18
Lordose lombar
34.2±5.4
44.6±11.2
0.07
Alinhamento
17.4±9.2
14.3±5.1
0.28
EIAS/EIPS
Alinhamento
vertical do tronco
3.3±0.3
2.1±1.2
0.79
4. DISCUSSÃO
O nosso estudo é o primeiro a comparar a postura de jovens surdas e ouvintes
praticantes de ballet. Foi observado nesses grupos que a maioria dos ângulos não
apresentaram diferenças estatísticas significativas, como por exemplo, os da cifose torácica,
lordose lombar e o alinhamento vertical do tronco. Em contraste, Melo et al. (2012a)
verificaram que alunos surdos em comparação com alunos ouvintes, com faixa etária média
de 12 anos, apresentaram maiores distúrbios posturais na coluna vertebral, como a
escoliose, hipercifose torácica e hiperlordose lombar. Da mesma forma, Vasconcelos et al.
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(2010) quando avaliaram surdos em período escolar com idade entre 7 e 21 anos,
encontraram uma alta prevalência de alterações posturais, sendo esta de 90,62%.
Entretanto, em ambos os estudos não foram citados se os alunos surdos no momento da
pesquisa possuíam em seus ambientes, atividades específicas e intervenções que
pudessem interferir na melhora do controle postural, motor e no equilíbrio.
Muito tem se discutido a respeito do ballet por vezes ser capaz de melhorar não
somente a postura, como também outras habilidades que podem prejudicar o controle
postural ou vice-versa, como o equilíbrio, a coordenação postural e o controle
neuromuscular (SIMMONS, 2005; KIEFER ET AL., 2011). Dessa forma, o ballet pode ter
contribuído para que no grupo que estudamos essas diferenças posturais fossem
amenizadas ou não existissem dependendo do segmento analisado. Uma das explicações
plausíveis para essa melhora trata-se de alterações estruturais e funcionais na plasticidade
hipocampal e em outras estruturas cerebrais promovidas pelo treinamento do ballet
(HANGGUI ET AL, 2010; HUFNER ET AL, 2011).
Adicionalmente, a prática corporal em grupo como realizada pelas bailarinas do nosso
estudo, favorece o aumento do estímulo visual, não só pelo fato da concentração no gesto a
se realizar, mas também por observação de ações realizadas pelas colegas de grupo,
ativando áreas que envolvem o sistema de ''neurônios espelhos'' (CALVO-MERINO ET AL.,
2005). O simples fato da experiência visual, mesmo sem o treinamento físico, pode
aumentar a excitabilidade da via córtico-espinal (JOLA ET AL., 2011). Além disso, vale
reforçar que o estímulo visual é imprescindível para o controle cinestésico e o equilíbrio,
principalmente em situações de perturbação do equilíbrio (GOLOMER, GRAVENHORS E
TOUSSANT, 2009).
Dessa forma, conclui-se que a prática do ballet pode ser uma das
intervenções/práticas que podem auxiliar na redução de alterações posturais/equilíbrio que
têm sido encontradas em indivíduos surdos. Sugerimos que diante dos estudos encontrados
na literatura e dos resultados revelados no presente estudo, há de fato a necessidade de
uma avaliação contínua do controle postural e também do equilíbrio de indivíduos surdos. É
preciso que haja um trabalho multidisciplinar, afim de investigar não somente o controle
postural, mas também a forma como esse indivíduo tem sido inserido na sociedade e quanto
à sua participação em atividades que promovam a sua integração social, bem como
melhorias na sua postura, equilíbrio e demais habilidades físicas.
5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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children. Rev CEFAC, v. 11, Supl. 1, p. 85-91, 2009.
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dancers. Neurosci Lett, v. 485, n. 3, p. 228-32, Nov 2010.
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study with expert dancers. Cereb Cortex, v. 15, n. 8, p. 1243-9, Aug 2005.
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CROMACK, E., M., P., C.. Identify, deaf culture and the building of subjectivy and
education: crossings and social implications. Psicologia Ciência e Profissão, v. 24, n. 4, p 6872, 2004.
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ENGEL-YEGER, B.; WEISSMAN, D. A comparison of motor abilities and perceived
self-efficacy between children with hearing impairments and normal hearing children. Disabil
Rehabil, v. 31, n. 5, p. 352-8, 2009.
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ERENBERG, A.
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intervention.American Academy of Pediatrics. Task Force on Newborn and Infant Hearing,
1998- 1999. Pediatrics, v. 103, n. 2, p. 527-30, Feb 1999..
7
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CORRELAÇÃO ENTRE VELOCIDADE, AGILIDADE E COMPORTAMENTO TÉCNICOTÁTICO DE JOGADORES DE FUTEBOL PARA AMPUTADOS
ARTIGO PREMIADO
REIS, R.M.¹; RIBEIRO, V.B².; CUNHA, R.G.³
1: Rafael de Menezes Reis. Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP – Ribeirão
Preto, São Paulo, 2: Victor Barbosa Ribeiro.Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP
– Ribeirão Preto, São Paulo3: Rodrigo Gontijo Cunha. Instituto Metodista Izabela Hendrix –
Belo Horizonte, Minas Gerais
email: [email protected]
Introdução: O esporte adaptado surgiu no período pós-guerra, com o objetivo de reabilitar e
reintegrar os amputados e lesados medulares decorrentes dos combates. Dentre os
esportes coletivos destaca-se a modalidade do futebol para amputados. Devido à
necessidade de direcionar cada vez mais o treinamento destes atletas, tem-se utilizado de
avaliações físico-táticas para avaliar o desempenho e tornar mais específico o treinamento
dos jogadores. Sendo assim, buscou-se analisar a efetividade de um treinamento para a
velocidade e a agilidade de jogadores amputados e suas possíveis influências nos aspectos
táticos nos jogos de futebol como: finalizações, bolas recuperadas, passes certos e faltas
sofridas. Métodos: 14 jogadores de um time de futebol para amputados passaram por uma
avaliação física antes e após um treinamento durante uma competição de nível
internacional. Esta avaliação incluía o Teste de Velocidade de 20m, Teste de Agilidade e
Aspectos Técnico-Táticos do esporte. Resultados: Houve aumento estatisticamente
significante após o treinamento tanto para velocidade (p = 0,02) quanto para agilidade (p =
0,04). Ao correlacionar ambas variáveis houve uma correlação baixa no período prétreinamento (r = 0,22) e moderada no pós-treinamento (r = 0,45). O teste de agilidade
também apresentou uma correlação moderada com as variáveis técnico-táticas analisadas,
exceto para bolas recuperadas. Conclusão:Houve aumento significativo das variáveis
velocidade e agilidade após o treinamento. Contudo, houve apenas uma correlação
satisfatória entre a agilidade e as variáveis técnico-táticas analisadas.Estes resultados são
importantes para definir quais os melhores métodos de treinamento que poderão beneficiar
uma ou outra característica dos jogadores, como as capacidades técnicas e táticas.
Palavras-chave: amputados, futebol, agilidade
CORRELATION BETWEEN SPEED, AGILITY AND TECHNICAL AND TACTICAL
BEHAVIOUR OF AMPUTEE SOCCER PLAYERS
ABSTRACT
Introduction: The adapted sports emerged in the postwar period, in order to rehabilitate and
reintegrate amputees and spinal cord injuries resulting from fighting. Among the team sports
highlights the mode of amputee soccer. Because of need for increasingly direct the training of
these athletes has used physical tactics evaluations to assess performance and make more
specific the training of players. Therefore, we attempted to examine the effectiveness of
training for speed and agility of players amputees and their potential influence on the tactical
aspects at soccer matches as submissions, balls recovered, certain passes and suffered
fouls. Methods: 14 players in a soccer team for amputees underwent a physical assessment
before and after training during an international competition. This assessment included the
20m Speed Test, Agility Test and Technical and Tactical Aspects of the sport. Results: There
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was a statistically significant increase after training both for speed (p = 0.02) and for agility (p
= .04). By correlating both variables there was a low correlation in the pre-training (r = 0.22)
and moderate post-training (r = .45). The agility test also showed a moderate correlation with
the technical and tactical variables analyzed, except for recovered balls. Conclusion: A
significant increase in of variables speed and agility after training. However, there was only a
satisfactory correlation between the speed and the technical and tactical variables analyzed.
These results are important to define the best methods of training that may benefit one or
another feature of the players, such as technical skills and tactics.
Keywords: amputee, soccer, agility
INTRODUÇÃO
A amputação de membros do corpo humano causa um impacto relevante em vários níveis.
Do ponto de vista físico, há alterações biomecânicas que influenciam sua locomoção,
equilíbrio estático e dinâmico, transferências e trocas posturais, aumento do gasto
metabólico, além de possíveis alterações neurológicas (WATERS et al., 1976; HOF et al.,
2007). Estas mudanças alteram o estado psicossocial do indivíduo levando à diminuição de
sua autoestima, na participação de atividades em sua comunidade e da qualidade de vida,
podendo estar associada à significativa morbidade, incapacidade e mortalidade (PASTRE et
al. 2005).
O esporte adaptado surgiu no período pós-guerra, como um serviço para reintegrar os
amputados e os muitos lesados medulares decorrentes dos combates. A atividade esportiva
para pessoas com deficiência física foi desenvolvida com o objetivo de ser recreativa e
reabilitativa, entretanto, para alguns, evoluiu para o âmbito competitivo (PASTRE et al.
2005).Benefícios físicos como a melhora da motricidade, desenvolvimento das
potencialidades organofuncionais, estimulação e fortalecimento de grupos musculares são
alguns exemplos dos benefícios conseguidos com a prática do esporte. Benefícios
psicossociais também são importantes, como a socialização e a possibilidade de sensação
de movimentos que frequentemente são impossibilitados pelas barreiras físicas, ambientais
e sociais (LANBROCINI et al., 2000).
Dentre os esportes coletivos destaca-se o futebol para amputados. Esta modalidade é uma
variação do futebol convencional onde apenas atletas que possuem um membro amputado,
seja inferior ou superior(no caso dos goleiros), podem participar(YAZICIOGLU et al., 2007;
SIMIM et al., 2010). Ainda não há estudos suficientes que comprovem o ganho de força
muscular no membro amputado com a prática de futebol, mas já é evidenciado que os
atletas que o praticam têm um ganho no equilíbrio e melhoria da qualidade da marcha
(SIMIM et al., 2010).
A avaliação do desempenho tático e da condição física dos jogadores durante uma partida
de futebol é entendida como o estudo do jogo a partir da observação da atividade dos
jogadores e das equipes, comparando resultados antes e após o treinamento, e pode ser
aplicada às mais diversas modalidades esportivas (BRAZ et al., 2009). A velocidade e a
agilidade são citadas na literatura como componentes importantes da performance física de
um jogador de futebol. Em determinado momento do jogo, ser mais rápido permitirá
alcançar a bola e ser mais ágil evitará um possível impacto com um adversário e contribuirá
para o sucesso do jogador em suas ações (REBELO, OLIVEIRA, 2006). A capacidade de
aceleração é a característica que mais interessa dentro do quesito velocidade, uma vez que
o jogador é submetido a diversas alterações de trajetória durante o jogo e o componente
acelerativo deve manter-se estável. Por agilidade então entende-se pela capacidade de
realizar desvios de trajetória com o menor prejuízo em sua velocidade (YOUNG et al., 2001).
A velocidade e agilidade são duas qualidades de performance que exigem avaliação
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específica, sendo geralmente avaliadas em distâncias curtas (5m a 20m) (REBELO,
OLIVEIRA, 2006; YOUNG et al., 2001).
Isso demonstra que para a formação de atletas de alto rendimento no futebol de amputados
é necessário um envolvimento de aspectos técnicos, táticos, físicos, coletivos e individuais,
tanto por parte dos jogadores quanto de seus treinadores.
OBJETIVO
O estudo científico das variáveis motoras, dentre elas: a velocidade e a agilidade, em atletas
de ponta pode mostrar um caminho ideal para o melhoramento das habilidades no esporte,
facilitando e focando o treinamento. Assim, a proposta deste estudo é avaliar os resultados
dos valores de velocidade e agilidade antes e após o treinamento e correlacioná-los com
dados técnico-táticos obtidos durante o campeonato.
MATERIAIS E MÉTODOS
Trata-se de um estudo transversal de caráter intervencional e constituído de uma amostra
por conveniência. A amostra era composta por 14 jogadores da seleção brasileira de futebol
para amputados que disputavam um torneio de nível internacional.
A avaliação das variáveis motoras dos jogadores da seleção brasileira de futebol para
amputados foram realizadas em dois momentos diferentes, pré-treinamento e após
treinamento intensivo para participar do campeonato. Para avaliar a velocidade foi utilizado o
Teste de Velocidade de 20 metros e para avaliar a agilidade foi utilizado o Teste de
Agilidade (Teste do Quadrado). Ambos são testes contidos nos Protocolos de Testes de
Identificação do Talento Esportivo da Rede de Centros de Excelência Esportiva – Rede
CENESP do Ministério do Esporte.
Teste de Velocidade de 20 metros:
Para avaliar a velocidade foi utilizado o Teste de Velocidade de 20m.Uma pista de 20 metros
foi demarcada com três linhas paralelas no solo da seguinte forma: a primeira (linha de
partida); a segunda, distante 20m da primeira (linha de cronometragem) e a terceira linha,
marcada a um metro da segunda (linha de chegada). A terceira linha serve como referência
de chegada. O indivíduo parte da posição de pé, com um pé avançado à frente
imediatamente atrás da primeira linha e será informado que deverá cruzar a terceira linha o
mais rápido possível. Ao sinal do avaliador, o indivíduo deverá deslocar-se, o mais rápido
possível, em direção à linha de chegada. O avaliador deverá acionar o cronômetro no
momento em que o avaliado der o primeiro passo (tocar ao solo), ultrapassando a linha de
partida. Quando o indivíduo cruzar a segunda linha (dos 20 metros) será interrompido o
cronômetro. O teste é realizado três vezes. Ao final calcula-se a velocidade média.
Teste de Agilidade:
Para avaliação da Agilidade foi utilizado o Teste de Agilidade (quadrado com perímetro de
16m), que consiste em um indivíduo partir da posição de pé, com um pé avançado à frente
imediatamente atrás da linha de partida. Ao sinal do avaliador, deverá deslocar-se até um
cone próximo em direção diagonal. Na sequência, corre em direção ao cone à sua esquerda
e depois se desloca para o cone em diagonal (atravessa o quadrado em diagonal).
Finalmente, corre em direção ao último cone, que corresponde ao ponto de partida. O
indivíduo deverá tocar com uma das mãos cada um dos cones que demarcam o percurso. O
cronômetro deverá ser acionado pelo avaliador no momento em que o avaliado realizar o
primeiro passo tocando com o pé o interior do quadrado. Serão realizadas três tentativas, e
calculou-se a velocidade média.
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Análise do Comportamento Técnico-Tático nos Jogos Coletivos
Tem como objetivo a avaliação das ações desempenhadas pelos jogadores em um jogo.
Seus resultados são importantes para auxiliar a comissão técnica a tomar decisões para
aumentar a eficácia da equipe em diferentes setores. Foram desenvolvidos formulários de
análise e planilhas para cálculo das ações empreendidas no futebol para amputados. Os
resultados podem ser observados para cada um dos atletas ou para a equipe; é possível
observar cada fundamento ou o aproveitamento total dos fundamentos. As variáveis
analisadas foram: Finalizações para o Gol, Passes Certos, Bolas Recuperadas e Faltas
Sofridas.
Análise Estatística
Para a análise dos resultados dos testes de Velocidade de 20m e Agilidade durante
os períodos pré e pós-treinamento foi utilizado o teste tpareado, sendo estatisticamente
significativo os resultadospara p<0.05. Para relacionar os resultados de velocidade e
agilidade foi utilizada a correlação de Pearson.
RESULTADOS
A Tabela 1 apresenta os valores em média e desvio padrão para os resultados dos testes de
Velocidade e Agilidade durante as fases pré e pós-treinamento e o valor p para cada
respectivo teste ao utilizar o teste t comparando os resultados durante os dois períodos
avaliados. É possível observar que os valores de p foram estatisticamente significativos para
ambos os testes.
Tabela 1. Resultados dos testes de velocidade e agilidade nos períodos pré e pós treino
Teste de Velocidade de 20m
Teste de Agilidade
Pré treino
Pós treino
Pré treino
Pós treino
Média
4,04 m/s
6,22 m/s
Média
6,54 m/s
8,66 m/s
DP
±0,35
±0,24
DP
±0,62
±0,39
Valor p 0,02
Valor p 0,04
A Tabela 2 contém os valores r encontrados ao correlacionar os resultados dos testes de
velocidade e agilidade tanto na fase pré-treinamento, quanto na fase pós-treinamento. Podese observar um valor r baixo durante a fase de pré-treinamento, já durante a fase póstreinamento o valor da correlação foi considerado moderado.
Tabela 2. Correlação entre os testes de velocidade e agilidade
Fase
Velocidade/Agilidade (r)
Pré treino
0,22
Pós treino
0,45
Por fim, a Tabela 3 mostra os valores da correlação entre os resultados dos testes de
velocidade e agilidade pós-treinamento e as variáveis técnico-táticas analisadas durante o
Campeonato Mundial de Futebol para Amputados. Houve um índice de correlação moderada
entre o Teste de Agilidade e as variáveis: Finalizações para o Gol, Passes Certos e Faltas
Sofridas, excetuando a variável Bolas Recuperadas. Já para o Teste de Velocidade
nenhuma correlação apresentou um índice r satisfatório.
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Tabela 3. Correlação entre velocidade e agilidade com variáveis técnico táticas de um jogo
de futebol
Variáveis
Técnico Teste de Velocidade (r)
Teste de Agilidade (r)
Táticas
Finalizações ao Gol
0,22
0,59
Bolas Recuperadas
0,20
0,29
Passes Certos
0,34
0,58
Faltas Sofridas
0,18
-0,53
DISCUSSÃO
No futebol, correr é a atividade predominante, mas esforços do tipo explosivo como
arrancadas, saltos, dribles, chutes e mudanças bruscas de direção também exigem
agilidade, velocidade, potência muscular anaeróbia e resistência aeróbica, sendo fatores que
podem influenciar muitas jogadas (WEBER et al., 2010). Conforme visto na Tabela 1, no
Teste de Velocidade de 20m os jogadores do conseguiram concluir o percurso em um
espaço com maior velocidade após seu treinamento. No caso de indivíduos amputados,
sugere-se que há uma diminuição do tempo de balanço durante a marcha de forma a tentar
corrigir a assimetria do movimento, se esta não for corrigida não há como ter aumento da
velocidade (NOLAN et al., 2003). O treinamento leva a um elevado nível de coordenação
neuronal que, associado à correção da assimetria da marcha, acarreta no aumento da
velocidade do amputado (NOLAN et al., 2003; MERO et al., 1992).
O termo agilidade não tem uma definição global, mas na maioria das vezes é reconhecido
como a capacidade de mudar de direção ou iniciar e parar um movimento rapidamente
(LITTLE et al., 2005). No presente estudo vimos que houve uma melhora estatisticamente
significante no Teste de Agilidade no período Pós-treinamento se comparado ao PréTreinamento. Segundo o Centro de Excelência de Defesa contra o Terrorismo (2008),
classificar um bom grau de agilidade em um jogador de futebol amputado, este deve ter:
habilidade para se mover livremente em um campo plano, boa velocidade, habilidade para
realizar movimentos específicos sem gasto de energia desnecessária e conseguir realizar
movimentos complexos e determinados para cada situação. Considerando que o fator
assimétrico do amputado torna este tipo de treino o mais difícil, a amostra deste estudo
apresentou um resultado satisfatório quando comparados a jogadores saudáveis e com um
tempo de treino até superior.
Ao correlacionar os resultados dos testes de velocidade e agilidade foi obtido um valor r
baixo para a fase pré-treinamento (r=0,22) e moderado para a fase pós-treinamento (r=0,45).
Young et al. (2001) levanta que com treinamento superior a seis semanas há aumento tanto
na agilidade e velocidade, porém, quanto mais requisitos de agilidade forem exigidos, o
ganho de agilidade não é acompanhado pela velocidade. Alguns autores apresentam que
nos treinamentos de velocidade e agilidade há grupamentos musculares diferentes sendo
recrutados. Neste caso, ao serem analisadas isoladamente, musculaturas que resultam em
uma mesma amplitude de passada, frequência de passada e potencia muscular em ambos
os treinamentos podem apresentar um valor de correlação alto. Da mesma forma, como a
maioria dos grupamentos só são recrutados em treinos específicos, geralmente os valores
da correlação são baixos, pois a amplitude, frequência e potência muscular são diferentes
(REBELO, OLIVEIRA, 2006; LITTLE, 2005). No caso do membro amputado, há mais uma
correção da assimetria durante a marcha como fator influente para aumento da velocidade e
agilidade do que uma questão fisiológica muscular (NOLAN, 2003).
Com relação à análise do comportamento técnico-tático, o número de finalizações é um
indicativo do poder ofensivo do time. A relação entre finalizações para o gol e as variáveis
motoras apresentou um valor r baixo para a velocidade e moderado para agilidade. As
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finalizações requerem certo nível de precisão para que ocorram de forma satisfatória, desta
forma, o fator velocidade não exerce grande influencia para uma finalização positiva,
podendo até de certa forma atrapalhar o movimento. Entretanto, por se tratar de uma
tomada rápida de decisão, a agilidade torna-se um fator importante na forma de finalização
para o gol (NATO SCIENSE, 2007).
Pode-se observar pouca influência da velocidade e moderada influência da agilidade
sobre a quantidade de passes certos durante o campeonato. Segundo a literatura, ambas
variáveis são fatores consideráveis para a realização do passe correto principalmente em
situações em que o jogador está sobre pressão adversária, em especial a agilidade por ser
uma situação de tomada rápida de decisão(ALI, 2011).
A recuperação de bolas resulta de ações tático-técnicas defensivas seja por
interceptação pelos jogadores ou erro de jogada do adversário. Neste ponto a velocidade é
um fator imprescindível para conseguir recuperar bolas perdidas, seja por roubada ou chutar
a bola para fora de campo((NATO SCIENSE, 2007). Entretanto, em nosso estudo nem a
agilidade e nem a velocidade apresentaram uma boa correlação com esta variável. Uma
possível hipótese para o ocorrido seria que o maior gasto energético do amputado
acarretaria numa diminuição gradual de sua velocidade enquanto percorria grandes
distâncias por muito tempo (NOLAN, 2003). Por fim cabe ressaltar que o valor da correlação
entre faltas sofridas e a agilidade (r= -0,53) mostra que o aumento da agilidade faz com que
o jogador se torne mais apto a desviar de possíveis agressões e roubadas de bola do
adversário, por conseguinte, sofrendo menos faltas (ALI, 2011).
CONCLUSÃO
Por meio das condições experimentais adotadas, os resultados do presente estudo
permitem concluir que houve um aumento estatisticamente significativo nas variáveis
velocidade e agilidade após realizar um treinamento para competição. Contudo, não houve
grande influência das variáveis quando correlacionadas entre si, uma vez que os
grupamentos musculares que exercem influência sobre elas são diferentes. Foi possível
observar que a variável agilidade apresentou uma correlação satisfatória com a maioria das
variáveis técnico-táticas analisadas, entretanto, para a velocidade os valores foram baixos.
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ANÁLISE DO PERFIL ANTROPOMÉTRICO E DA CAPACIDADE FÍSICA DOS CADETES
DO PRIMEIRO ANO DO BACHARELADO EM CIÊNCIAS POLICIAIS DE SEGRANÇA E
ORDEM PÚBLICA
ARTIGO PREMIADO
MANTOVANE, L.L.¹; NETO, C.B.²; DEJANE, T.C.³; PAULO, L.F.L.4
1:Leandro Luiz Mantovane. Academia de Polícia Militar do Barro Branco – São Paulo –
Brasil, 2: Carlos Bordim Neto. Academia de Polícia Militar do Barro Branco – São Paulo –
Brasil, 3: Thais Cristina Dejane. Academia de Polícia Militar do Barro Branco – São Paulo –
Brasil, 4: Luis Fernando de Lima Paulo. Academia de Polícia Militar do Barro Branco – São
Paulo – Brasil.
email: [email protected]
resumo
Este trabalho tem como objetivo identificar as variáveis referente a análise antropométrica
dos cadetes do 1º CFO bem como suas valências físicas segundo critérios estabelecidos
pela própria Polícia Militar. Foram analisados todos os 123 alunos do 1º CFO, sendo
composto este número por 109 homens e 14 mulheres com idade média de 24,7 anos (DP ±
5,09), sendo aplicadas as provas previstas no Programa Padrão de Treinamento Policial
Militar (PPT-4-PM) alem dos cálculos de Percentual de gordura, Índice de Massa Corporal e
VO2 Máx. Os resultados obtidos demonstraram que há a necessidade de promover um
treinamento adequando às exigências físicas para o desempenho das atividades
acadêmicas e daquelas desenvolvidas na atividade operacional. Em suma as avaliações
aqui vislumbradas demonstram a disparidade de condicionamento físico entre os cadetes,
sendo necessário a busca do nivelamento deste quadro através da periodização do
treinamento e atenção aos princípios do treinamento desportivo, com destaque ao da
individualidade biológica e continuidade.
Palavras-chave: Antropometria. Polícia. Capacidade Física.
ABSTRACT
This work aims to identify the variables related to anthropometric analysis of the first year
cadets from the Officers Formation Course, as well as their physical valences second criteria
established by own Police Department. We analyzed all 123 students in the first OFC, this
number being made up of 109 men and 14 women with a mean age of 24.7 years (SD ±
5.09), and applied the evidence provided in the Program Patterns Training the Police
Department (PPT-4-PM) beyond the calculations of the fat percentage, Body Mass Index and
VO2 Max the results showed that there is a need to promote training suiting the demands for
the physical performance of academic activities and those developed in operational activity.
In short assessments glimpsed here demonstrate the disparity in physical fitness among
cadets, being necessary the pursuit of leveling this framework through periodical training and
attention to the principles of sports training, with emphasis on the biological individuality and
continuity.
Keywords: Anthropometry. Police. Capacity Physics.
INTRODUÇÃO
Nos dias atuais, devido às perceptíveis mudanças observadas no estilo de vida da
população, especialmente na forma com que a atividade física é aplicada em funções
empregatícias caracterizadas por níveis cada vez maiores de hipocinesia, estudos vêm
sendo realizados com o intuito de associar o exercício físico ao aprimoramento da
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funcionalidade laboral, bem como à aquisição de um completo estado de bem-estar (Blaber
2005 & Skoglund & Jansson 2007 apud JUNIOR et al 2009).
Dessa forma, a Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMESP) instituiu o Teste de Aptidão
Física (TAF), exame que é composto por testes físicos destinados a selecionar candidatos
para ingresso na PMESP, avaliar a aptidão física de policiais militares para frequentarem
cursos ou estágios dentro ou fora da PMESP, e ainda avaliar o nível de condicionamento
físico do contingente policial militar anualmente (PMESP, 2002).
Em vista disso a eficiência do trabalho de policiais é fortemente determinada pelas
características morfológicas corporais. Além da ligação entre as características morfológicas
e a eficiência laboral, e ainda que um perfil morfológico adequado associado a um bom
condicionamento físico diminui a probabilidade de certas patologias, melhoram as relações
com seus colegas e a imagem da polícia aos olhos da população (Zorec, 2001 apud LUZ et
al 2011).
Para tanto a antropometria tem sido apontada como uma excelente ferramenta para análise
da composição, proporcionalidade e morfologia corporal, oferecendo informações ligadas ao
crescimento, desenvolvimento e envelhecimento (Marins & Giannici, 2003 apud LUZ et al
2011). Além disso alguns índices, obtidos pela análise antropométrica, são úteis para
verificar o rendimento em algumas modalidades esportivas e laborais (Carter, 2005 apud
LUZ et al 2011).
É sabido que a atividade policial envolve a realização de tarefas diversificadas do ponto de
vista da atividade física. Dependendo da função, o indivíduo pode passar várias horas
sentado diante do computador, como também pode expor-se a situações fisicamente
arriscadas, tais como conduzir automóveis ou motocicletas em alta velocidade, usar a força
para conter uma pessoa ou envolver-se em confrontos armados (Hagen, 2006 apud
MACHADO, 2012).
Algumas pesquisas demonstram que o trabalho policial é largamente sedentário e que 80 a
90% deste trabalho é direcionado às tarefas que exigem limitada capacidade e habilidade
física (Bonneau & Brown, 1995 apud MACHADO, 2012). Isso poderia diminuir a importância
da aptidão física ou capacidade física para o trabalho.
Por outro lado, é importante reconhecer que, enquanto as tarefas que exigem capacidade e
habilidade física não são frequentes, elas são na maioria das vezes críticas para o trabalho
em situações de risco. Não obstante, realizando uma análise das tarefas ou do trabalho
funcional, a tarefa física invariavelmente está presente (Trottier & Brown 1994 apud
MACHADO, 2012). Essa tarefa inclui a perseguição de suspeitos que venham a escapar,
controle daqueles que resistem à prisão, uso de algemas e o controle de distúrbio civil. A
falta de capacidade física e habilidade para cumprir essas tarefas podem colocar em perigo
a segurança pública e dos próprios policiais.
Por fim há de se demonstrar a capacidade física dos Cadetes do primeiro ano do
Bacharelado em Ciência Policiais de Segurança e Ordem Pública por meio da analise
antropométrica, da densidade corporal e do percentual de gordura tendo como objetivo a
verificação do preparo e do condicionamento físico traçando metas para sua adequação ao
desempenho das atividades acadêmicas e por consequência das atividades
desempenhadas futuramente como Oficial em sua atividade fim.
materiais e métodos
A coleta dos dados antropométricos foi realizada no dia 19 de fevereiro de 2013 e
contemplou 123 alunos oficiais do 1º ano do curso de Bacharel em Ciências Policiais da
Academia de Polícia Militar do Barro Branco (APMBB), sendo 109 do sexo masculino e 14
do sexo feminino, com idade média de 24,7 anos (DP ± 5,09).
Antes de iniciarem quaisquer exercícios físicos na Academia de Polícia Militar do Barro
Branco, a fim de atender os princípios do treinamento desportivo, com destaque ao da
individualidade biológica, realizou-se a coleta dos dados para se verificar o perfil
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antropométrico e em seguida a aptidão física, sendo a última através dos testes
compreendidos no TAF – Teste de Aptidão Física devidamente previso no Programa Padrão
de Treinamento nº4 (PPT-4), que será realizado semestralmente pelos alunos oficiais em 3
dias consecutivos e que compreendem as seguintes provas, nessa ordem: 1º dia - teste
dinâmico da barra fixa para os homens e apoio de frente (flexão de cotovelos) para mulheres
juntamente com a corrida de 100m para ambos; 2º dia - abdominal tipo remador e teste de
40”; 3º dia – teste de Cooper 12’ (RIAPMBB, 2010).
Os protocolos de aplicação dos testes estão devidamente descritos no PPT-4 e foram
rigorosamente seguidos e aplicados pelo mesmo avaliador.
Para a realização do teste dinâmico da barra fixa o aluno deverá permanecer com as mãos
em pronação, perder o contato dos pés com o solo e flexionar os cotovelos de modo que o
queixo ultrapasse a barra, devendo realizar o máximo de repetições que conseguir,
possuindo como parâmetro máximo de pontuação de 11 repetições e mínimo de 1 repetição.
Na prova de 100m o aluno deverá percorrer a distância no menor tempo possível, tendo
como parâmetro para os homens de melhor desempenho 12”00 (doze segundos) e o menor
desempenho ao atingir 17”00 (dezessete segundos) e para as mulheres o melhor
desempenho 14”00 (catorze segundos) e o menor desempenho ao atingir 19”00 (dezenove
segundos) para a pontuação máxima e mínima respectivamente.
Por sua vez para o teste de abdominal remador o aluno deverá manter-se em decúbito
dorsal, com os braços e pernas estendidos aguardando a autorização do avaliador para
início. Uma vez iniciada a contagem do tempo de 1’ (um minuto), o aluno deverá flexionar os
joelhos, quadril e tronco, trazendo os braços a frente, de modo que fiquem paralelos ao solo
e, a articulação dos cotovelos deverá estar no mínimo na mesma linha da articulação dos
joelhos. Os parâmetros utilizados como o máximo de repetições é de 62 e o mínimo de 26
para os homens e o máximo de repetições é de 52 e o mínimo de 16 para as mulheres para
e a pontuação máxima e mínima respectivamente.
Na prova dos 40” (quarenta segundos) o aluno deverá percorrer a maior distância, tendo
como maior índice 300m e no mínimo 210m para os homens e tendo como maior índice
250m e no mínimo 160m para as mulheres para a pontuação máxima e mínima
respectivamente.
O teste do 12’ (Cooper) compreende em correr a maior distância no tempo estabelecido, ou
seja, 12’ (doze minutos). Os parâmetros para a prova para a pontuação máxima e mínima
são de 3000m a 1619m para os homens e para a pontuação máxima e mínima são de
2609m a 1209m para as mulheres respectivamente.
Em todos os testes o aluno se submeteu ao máximo desempenho físico, tendo em vista que
as provas geram notas escolares e, somada as outras disciplinas influenciará diretamente na
classificação final do curso, sendo esta responsável pela antecipação nas promoções.
Com base nas informações acima, para a mensuração da massa corporal utilizou-se a
balança digital de análise corporal W904i, da marca Wiso. O valor da altura dos candidatos
foi mensurada através de estadiômetro devidamente certificado pelo Inmetro, validade
janeiro de 2014.
A fim de se verificar as dobras cutâneas, utilizou-se o adipômetro científico da marca Sanny,
modelo AD1010.
O protocolo para o cálculo da densidade corporal foi o de Petroski (1995), tendo em vista
que foi desenvolvida para avaliar homens e mulheres do Brasil, com a estimativa do
percentual de gordura através da fórmula de Siri (1961).
Verificou-se ainda o Índice de Massa Corpórea (IMC), conforme proposto por Lambert
Quetelét e utilizou-se a tabela estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS)
como parâmetro de classificação.
Para a classificação do percentual de gordura utilizou-se os parâmetros estabelecidos pelo
American College of Sports Medicine (ACSM, 2008).
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O VO2 indireto foi calculado com base nos resultados obtidos no teste de Cooper, utilizandose para tanto a fórmula proposta pelo próprio autor (12'-504,9)/44,73).
resultados e discussão
A análise foi realizada com alunos de idade entre 18 e 36 anos, sendo em sua maioria
composta por jovens na faixa etária dos 20 aos 29 anos, com idade média de 24,7 anos (DP
± 5,09). Durante o transcorrer deste trabalho serão analisados os dados referentes ao Perfil
Antropométrico e análise de Desempenho Físico do Cadetes do 1ª CFO.
3.1 ANTROPOMETRIA
Uma análise de perfil antropométrico refere-se a mensuração de Altura, Peso, cálculo de
IMC (Kg/h²), % de Gordura e da Densidade Corporal, os quais encontram-se relacionados
na tabela 01.
TABELA 01: Perfil Antropométrico dos Alunos do 1º CFO
Média
Desvio Padrão
Máximo
Mínimo
Altura
1,75
0,07
1,93
1,6
Peso
75,58
12,33
102,1
47,6
% de Gordura
17,95
6,52
37,01
7,18
Densidade Corporal
1,06
0,01
1,08
1,01
IMC
24,48
4,22
32,6
17,68
Fonte: Próprio Autor
Analisando as informações observa-se que a média do IMC é de 24,48 (DP ± 4,22), e que
existem indivíduos com o Índice de Massa Corporal acima do considerado como valores
aceitáveis para a faixa etária analisada. Podemos observar no gráfico 01 a quantidade de
indivíduos que se encontram em cada nível de IMC (Eutrofia, Sobrepeso e Obesidade).
GRÁFICO 01
GRÁFICO 02
Fica claro então que, com base nas informações expostas anteriormente no gráfico, quase
50% dos indivíduos estão acima do peso ideal, ou seja, fora dos índices aceitáveis de IMC
que orbita entre 18,5 a 24,9, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Ainda na Tabela 01, observamos que os indivíduos analisados encontram-se com o
Percentual de Gordura com média de 17,95 (DP ± 6,52). Este valor analisado isoladamente
seria considerado compreendido em uma categoria ótima de adiposidade se levarmos em
consideração a variação de 10 a 20% de porcentagem de gordura que é uma classificação
proposta por Lohman (1987) apud et al PIRES (2002), porem os dados demonstrados no
Gráfico 02 expõe que muitos indivíduos estão acima desta faixa e alguns abaixo dela.
3.2 APTIDÃO FÍSICA
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Agora, de maneira individual, analisaremos o desempenho físico dos homens e das
mulheres do efetivo do 1º CFO com base nas provas físicas aplicadas no TAF na Academia
do Barro Branco, utilizadas para avaliar o seu desempenho.
Tais provas foram desenvolvidas e concebidas com intuito de reproduzir ou simular os
esforços físicos atinente à aquelas que serão, em tese, realizadas, mesmo que
esporadicamente, durante a atividade operacional em casos de ocorrências de gravidade
como por exemplo ações de Controle de Distúrbios Civis, contenção de infratores
agressivos, etc.
As tabelas a seguir demonstram valores Médio, Máximos e Mínimos alcançados durante a
execução das provas físicas.
TABELA 02: Análise da Capacidade Física dos Alunos do 1º CFO
(Masculino)
Média Física
Desvio
Padrão
TABELA
03: Análise da Capacidade
dos
Alunos doMáximo
1º CFO
(Feminino)Barra
100
Apoio
deMetros
Frente
8,4
Média
12”70
39,6
Abdominal
100
Metros
40 Segundos
Abdominal
45,3
15”72
225,4
41,5
2555,2
217,8
12'
40Cooper
Segundos
Fonte: Próprio Autor
Cooper 12'
2205,4
Desvio 4,2
Padrão
3”97
13,7
Mínimo
19
Máximo
12”00
60
1
Mínimo
20”20
31
10,3
4”77
88,2
5,1
60
14”80
305
51
38
19”49
220
31
608,7
14,8
3110
249
1790
193
196,2
2530
1940
Fonte: Próprio Autor
Observando as tabelas pode-se concluir erroneamente, com base nas marcas obtidas, que
há um razoável nível de condicionamento físico. Porém ao ser levado em consideração os
valores mínimos obtidos nas provas, nota-se que estes estão muito a quem dos valores de
desempenho aceitáveis. Tal afirmativa pode ser corroborada com análise dos gráficos que
seguem.
GRÁFICO 03
GRÁFICO 04
GRÁFICO 05
GRÁFICO 06
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Observa-se que, dentre as provas aplicadas no primeiro dia de avaliações, no exercício de
Barra Fixa, aplicado somente aos homens, sendo que 57% dos indivíduos necessitam de
um melhor preparo muscular de membros superiores. Em contra partida analisando o gráfico
correspondente à prova de apoio de frente, prova esta aplicada somente às mulheres,
verifica-se que apenas 16% delas encontram-se fora da faixa de excelente desempenho.
Na prova de 100 metros rasos 73% do efetivo feminino está abaixo do ideal e 39% dos
homens encontram-se nas mesmas condições demonstrando que há a necessidade de
treinamento específico para provas de velocidade.
GRÁFICO 07
GRÁFICO 08
Da mesma maneira que foi observando anteriormente, nas provas do segundo dia de
avaliações ocorre que as marcas alcançadas também estão abaixo do ideal indicado para
cada teste.
Por fim a prova de 12 minutos “Cooper”, demonstra que 48% dos homens avaliados
encontram-se abaixo dos índices considerados como ideias para a prova. Em pior situação
estão as mulheres, pois, 78% encontram-se com marcas abaixo do ideal para a prova.
Porem pode-se analisar outro fator relevante com base na prova de “Cooper”, sendo este o
VO2 Máximo que é definido como a maior quantidade de oxigênio que um indivíduo é capaz
de captar ao respirar ar atmosférico, ao nível do mar, transportar aos tecidos pelo sistema
cardiovascular e utilizá-lo durante em um esforço físico por unidade de tempo DELGADO
(2004).
Segundo GUEDES & GUEDES (1995, apud DELGADO 2004), os indivíduos cuja aptidão
cardiorrespiratória exibe níveis mais elevados tendem a apresentar maior eficiência nas
atividades do cotidiano e a recuperar-se mais rapidamente, após a realização de esforços
físicos mais intensos.
Levando em consideração a classificação dada por HEYWARD (1977), constante na tabela
04, é possível parametrizar a capacidade cardiorrespiratória dos cadetes que realizaram a
prova de Cooper.
TABELA 04
Faixa Etária
20 a 29
Fraco
≤37
≤31
Classificação do VO2 Máximo
Regular
Bom
Muito Bom
Homens
38 a 41
42 a 44
45 a 48
Mulheres
32 a 34
35 a 37
38 a 41
Excelente
>49
>42
Fonte: adaptado (HEYWARD, 1977 apud MOREIRA et al 2013)
Segundo esta tabela foi feita a análise do desempenho da capacidade cardiopulmonar dos
avaliados conforme os gráficos 09 e 10 demonstram os seguintes resultados.
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GRÁFICO 09
GRÁFICO 10
Segundo a classificação dada por HEYWARD (1977), ao observar os dois últimos gráficos
nota-se 92% dos Homens estão localizados entre o rendimento “Bom” e “Excelente” e 78%
das Mulheres estão situadas nas mesmas circunstâncias. Obviamente que
independentemente dos resultados demonstrados com a análise do VO2 Máximo, os valor
correspondentes às necessidades ideias para a prova de Cooper ainda estão abaixo do
esperado.
Conclusão
Com base nos dados coletados e analisados verifica-se que as condições antropométricas e
de aptidão física dos cadetes do 1º ano do curso de Bacharelado em Ciências Policiais está
boa quando comparada com o nível da população brasileira (OMS TEM O DADO DE QUE
49% DA POPULAÇÃO BRASILEIRA ESTÁ ACIMA DO PESO), porém, em decorrência das
peculiaridades do trabalho policial há necessidade da melhoria das condições físicas e
antropométricas dos avaliados.
Para tanto sugere-se que seja realizado um estudo longitudinal, no mínimo realizado
anualmente até a formatura (2015), a fim de se verificar se a atual política de educação
física da APMBB alcança resultados positivos na mudança do perfil analisado, o que pela
ciência fica comprovado ser ineficaz da forma que é realizada atualmente, pela ausência de
uma periodização e principalmente pelo descumprimento dos princípios do treinamento
desportivo.
Importante observar que as aulas de educação física da APMBB devem ter como objetivos
principais informar o futuro Oficial de conhecimentos básicos para executar treinamentos e,
consequentemente, prepará-lo para que alcance a sua melhor forma física no período de
realização do TAF. Para tanto há necessidade de uma sistematização da educação física na
academia, através de procedimentos obrigatórios como a realização de uma avaliação física
no início das atividades de cada ano letivo para que se analise as condições físicas e
antropométricas, além de verificar através de comparações, a melhora dos cadetes.
Conclui-se ainda que as aulas desenvolvidas devem seguir rigorosamente os princípios do
treinamento desportivo, com destaque aos princípios da individualidade biológica e da
continuidade, sendo a última fundamental para que haja a supercompensação.
Há ainda a necessidade de desenvolvimento de um processo de periodização do
treinamento para os 3 anos de formação, adequando-o quando o perfil dos cadetes for muito
diferenciado.
REFERêNCIAS
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Maranhão, Centro de Ciências da Saúde, Curso de Licenciatura em Educação Física. São
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Leonardo dos Santos & FERREIRA Lamarck Alves & SOUSA Maria do Socorro Cirilo de.
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Rádio Patrulha e Guarda de Presídio. Fit Perf J. 2009 p91 e 92.
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MACHADO Eduardo Schneider. Universidade de Brasília, Faculdade de Educação Física,
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MOREIRA, Gerson Silva & SOUSA, Ana Angélica Rocha De & MIRANDA, Karen Ferreira &
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Academic Graduate in Physical Education University Anhanguera Uniderp - Campo Grande,
MS (BRASIL), Fiep Bulletin - Volume 83 - Special Edition - Article I – 2013.p03.
PAULO, Luiz Fernando de Lima. Perfil Antropométrico e a Aptidão Física dos Policiais
Militares do Estado de São Paulo. Revista ENAF Science Volume 5, número 1, abril de
2010. p06.
PIRES, Edna Aparecida Goulart & PIRES, Mário César & PETROSKI, Édio Luiz Adiposidade
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Cineantropometria & Desempenho Humano, Volume 4 – Número 1 – p. 7-16 – 2002. p11.
Programa Padrão de Treinamento Policial Militar (PPT-4-PM) - Teste de Aptidão Física
(TAF) e Prática de Treinamento Físico na Polícia Militar do Estado de São Paulo - Despacho
Nº Dsist-005/322/02. 2002.
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PERFIL ANTROPOMÉTRICO E MOTOR DA 13ª COMPANHIA INDEPENDENTE DE
POLÍCIA MILITAR, FORMIGA-MG, BRASIL
ARAÚJO, S.R. 1
ALMEIDA, M.C. 2
SIMPLÍCIO, A.T. 1
1 Universidade Federal de Viçosa Campus Florestal- Minas Gerais- Brasil
2 Centro Universitário de Formiga – Minas Gerais - Brasil
Email: [email protected]
ABSTRACT
The present study aimed verify the antrophometric and motor 13th Military Police Company
Idependent of Formiga MG. Aimed to confirm whether anthropometric affect the results of
tests of military engines.The methodology was used descriptive research design and how the
field study and research techniques were to the identification of body mass (kg), height (cm)
and body composition, in addition to the tests required by the TAF, which consists of flat bar,
free shot 200 meter race, Cooper test of 2400 meters and abdominal strength. The research
was justified, considering that the success in the tasks performed by the military is associated
daily to his good physical condition. It was proved that the military are not well conditioned
and that they presented a percentage of high fat and can thus impair their quality of life as
well as your order functions and integrity of the population. The results are presented
quantitatively and analytically in the form of tables. The results showed that there is much
difference in anthropometric parameters as engine, showing the importance of making such
an assessment.
Key words: Anthropometric profile. Profile engine. physical assessment
RESUMO
O presente estudo teve como finalidade verificar o perfil antropométrico e motor da 13ª
Companhia Independente de Polícia Militar da cidade de Formiga - MG. Objetivou-se
confirmar se o perfil antropométrico interfere nos resultados dos testes motores dos
militares. Como metodologia foi utilizada a pesquisa descritiva, e como delineamento o
estudo de campo e as técnicas de pesquisa foram á identificação da massa corporal (Kg),
estatura (Cm) e composição corporal, além dos testes exigidos pelo TAF, que consiste em
barra fixa, tiro livre de 200 metros de corrida, teste de Cooper de 2.400 metros e força
abdominal. A pesquisa teve como justificativa, a consideração que o sucesso nas tarefas
realizadas pelos militares está associado diariamente ao seu bom condicionamento físico.
Comprovou-se que os militares não estão bem condicionados e que os mesmos
apresentaram um percentual de gordura elevado, podendo assim prejudicar a sua qualidade
de vida, bem como suas funções de ordem e a integridade da população. Os resultados
foram apresentados quantitativamente e analiticamente em forma de tabelas. Os resultados
obtidos mostraram que existe diferença tanto no perfil antropométrico quanto motor,
mostrando a importância de se fazer esse tipo de avaliação.
Palavras-chave: Perfil antropométrico. Perfil motor. Avaliação física
INTRODUÇÃO
Costa, (2001) define que a obesidade compreende valores excessivos de gordura corporal
que estão fortemente associados ao aumento dos fatores de risco para saúde, bem como
dos índices de morbidade e mortalidade. Assim a obesidade é um sério problema de saúde,
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já que reduz a expectativa de vida pelo aumento do risco de desenvolvimento de doença
arterial coronariana, hipertensão arterial e diabetes tipo II. Naves; Paschoal, (2007) afirma
que a obesidade é um dos maiores problemas de saúde pública e uma das doenças
crônicas não transmissíveis que, epidemiologicamente, mais cresce em todo mundo. No
Brasil, os dados da Pesquisa Nacional sobre Saúde e Nutrição (PNSN) de 1989 mostram
que o índice de obesidade na região Sudeste era de 10,5% e, na região Nordeste, de
8,7%.Esses resultados nos levam a concluir que a prevalência da obesidade tem crescido,
inclusive, nas regiões mais pobres do Brasil.
A aptidão física relacionada à saúde como, a capacidade de realizar as atividades do
cotidiano com vigor e energia e demonstrar traços e capacidades associados a um baixo
risco de desenvolvimento prematuro de distúrbios orgânicos provocados pela falta de
atividade física. (PATE, 1988).
Os militares desenvolveram sua própria maneira de identificar a capacidade física de seus
ingressantes na carreira, o teste conhecido como o TAF. Conforme a Resolução Nº 3321
(1996), Decreto Nº 18445(1977), por Cordeiro, coronel PM Comandante- Geral, o TAF
(Teste de Avaliação Física) tem por finalidade avaliar o condicionamento físico dos militares
da Policia Militar de Minas Gerais. Que compõe-se de controle fisiológico (CF) , Teste de
capacitação física (TCF) e o Teste Ergométrico(TE), que substituirá o TCF, nas situações
previstas na Resolução, exceto quando indicado apenas como exame complementar. O
controle fisiológico compreende em exame clinico e exames complementares, inclusive o
TE, a critério do médico examinador.O TCF constitui-se de provas físicas realizadas em
02(dois) dias, sendo no primeiro dia -Força muscular de abdome - flexão abdominais Resistência Anaeróbia: Corrida de 200metros e no segundo dia - Força muscular de
membros superiores: -barra fixa - mínimo de 02 (duas); - Resistência aeróbica - corrida de
2.400 (dois mil e quatrocentos metros): tempo máximo de 12 (doze) minutos.
Sendo assim este estudo teve por objetivo Avaliar o perfil antropométrico e motor da 13ª
Companhia Independente de Policia Militar de Formiga – MG. Sendo que devido ao fato que
os militares não terem uma prática diária de atividade física, podem assim desenvolver um
quadro de obesidade e não exercendo sua função com tal importância. E com a prática de
atividade física, podendo diminuir os fatores de risco. Não se trata de estabelecer métodos
de guia de forma padronizada, mas sim enfocar aspectos que possam ser implementados no
batalhão.
METODOLOGÍA
Cuidados éticos
O estudo foi previamente submetido ao comitê de Ética do UNIFOR-MG, foi feito contato
prévio com o comando da 13ª Cia. PM Ind.de Formiga-MG para autorização, esclarecendo
ao mesmo o objetivo deste estudo.Todos os militares participantes foram informados sobre o
objetivo do estudo e os procedimentos e métodos a que seriam submetidos.
Amostra
A amostra do estudo foi desenvolvida com 17 militares da 13ª Cia. PM Ind. De Formiga-MG,
onde foram sorteados para uma melhor fidedignidade para o estudo.
Procedimentos de coleta de dados
A coleta de dados se dará nas instalações do Centro Universitário de Formiga UNIFOR-MG.
Onde os testes também serão realizados. Participaram deste estudo 17 militares da 13ª
Companhia Independente de Polícia Militar de Formiga – MG, com idade mínima da amostra
foi de 21 anos e a máxima de 46 anos, onde os mesmos foram sorteados para uma maior
fidedignidade. Onde todos assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido.
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A coleta teve as seguintes etapas: a) medidas do peso corporal e estatura; b)
mensuração das dobras cutâneas que constitui em quatro dobras que são: Tricipital,
subescapular, supra-iliaca e panturrilha, o protocolo utilizado foi de Petroski; c) os testes
motores exigidos pelo TAF, que foram divididos em dois dias:
1º - No primeiro dia:
-Força muscular de abdome - flexão abdominal (em 1 minuto)
-Resistência Anaeróbia: Corrida de 200metros
2º - No segundo dia:
- Força muscular de membros superiores: -barra fixa - mínimo de 02 (duas);
- Resistência aeróbica - corrida de 2.400 (dois mil e quatrocentos metros): tempo máximo de
12 (doze) minutos.
ANÁLISE ESTATÍSTICA
Para a análise estatística foi utilizado o software SPPSS (11,0), foram determinados o
mínimo, máximo, média, desvio padrão e coeficiente de variação. Para
quantificar
o
percentual de gordura foi utilizado um software de avaliação física, Physical Test 6.2 da
empresa Terra Azul.
RESULTADOS E DISCUSSÕES
Os resultados obtidos com os testes realizados foram apresentados em forma de tabela,
para que assim possamos fazer uma melhor análise dos resultados e posteriormente uma
correlação entre as variáveis antropométricas e motoras dos militares.
TABELA 1
Resultados descritivos da avaliação antropométrica da amostra
Variáveis
N
Unidade Mínimo Máximo Média
Idade
17 Anos
21,00
46,00
32,52
MC
17 KG
61,70
95,30
79,28
Estatura
17 cm
1,61
1,95
1,76
IMC
17 Kg/cm² 21,40
29,56
25,28
%gordura
17 %
12,57
37,24
23,30
Rel.
17 Índice
7,8
0,96
0,87
cintura/quadril
DP
7,9
9,9
8,8
2,0
5,6
5,0
CV
24,28
12,48
500
7,91
24,04
57,47
Verifica-se alta em relação à idade (24,28%), com um mínimo 21 anos máximo 46 em média
de 32,52 anos. Já em relação a MC, tem uma variabilidade média (12,48%) tendendo para
baixo, ou seja, próxima de uma variabilidade pequena (10%). O que mostra uma
homogeneidade da variável. Em relação a estatura(m), temos um grupo com coeficiente de
variação de (5%). O IMC aponta em média o sobrepeso (25,28 K/m²), com coeficiente de
variação homogêneo pequeno (7,91%).Não se pode dizer o mesmo em relação ao
percentual de gordura que com média de (23,3%) aponta um coeficiente de variação alto
(24,04%) e mostra homogeneidade da variável.
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TABELA 2
Resultado descritivo da avaliação motora e tempo de serviço na PM
Variáveis
N
Unidade
Mínimo
Máximo
Média
DP
Abdominal
17 Repetições
37,00
66,00
48,76
9,7
CV
19,89
Corrida de 12
200 m
Segundos
26,31
30,87
28,44
1,3
4,57
Corrida de 17
2400 m
Minutos
10,26
14,50
11,64
1,1
9,45
Barra
Repetições
2,00
10,00
6,81
2,6
38,17
anos
2,00
25,00
10,23
8,39
82,01
Tempo
serviço
PM
11
de 17
na
Coeficiente de variação alto (19,89%) com resultado mínimo de 37 e máximo de 66,
repetições em 1 minuto, retrata uma alta variabilidade da amostra na resistência abdominal.
Já na corrida de 200m temos um resultado homogêneo 4,57% abaixo de 10% sendo
considerado homogêneo. Mas em relação força de membros superiores, verifica-se
resultado discrepante de heterogêneo 38,17%, com resultado de 2 e 10 barras, também
verifica-se como muito alta variabilidade 82,01% o tempo de serviço na polícia militar de 2 a
25 anos.
TABELA 3
Relação entre IMC e T. PM
Variáveis
Tempo de Serviço na PM
IMC
0,73**
** correlação significativa por p<0,01
Os resultados encontrados no presente estudo, indicados na tabela 3 conclui que o aumento
do IMC está correlacionado com o tempo de serviço na PM. Ferreira et. al, (2006) afirma
que, o exercício físico aliado a uma alimentação saudável tem sido indicado como um
mecanismo para a redução da gordura corporal e do sobrepeso.
TABELA 4
Relação entre Tempo S. PM e idade
Variáveis
Tempo de Serviço na PM
** correlação significativa por p<0,01
Idade
0,93**
O resultado da análise da Correlação de Pearson na tabela 4 demonstra o que realmente é
óbvio, quanto mais idade tem o Militar, mais tempo de serviços terá o mesmo na corporação.
Isso mostra porque a o índice de correlação é tão alto (r=0.933), onde uma correlação
perfeita é 1,0.
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TABELA 5
Relação entre T. PM e percentual de gordura.
Variáveis
% de Gordura
Tempo de Serviço na 0,62**
PM
** correlação significativa por p<0,01
Pode-se concluir na tabela acima, que a correlação entre porcentagem de gordura e com o
tempo de serviço na PM está em relação direta sendo quanto maior o T. PM, maior seu
percentual de gordura. Visto que com a não prática de atividade física diária, o metabolismo
do individuo se torna mais lento, com isto a um aumento significativo no percentual de
gordura. Hill; Melby, (1995) a atividade física pode promover elevação do gasto energético
total no decorrer do exercício e durante a fase de recuperação ou, de forma crônica, em
decorrência de alterações na taxa metabólica de repouso. Pollock; Wilmore, (1993)
Estabelece o percentual de gordura sendo valor de 16% para homens e de 23 % para
mulheres.
TABELA 6
Relação T. PM e cintura/quadril
Relação CQ
Variáveis
Tempo de Serviço na PM 0,71**
** correlação significativa por p<0,01
Na tabela 6, concluiu-se que o tempo de serviços na Policia Militar desse estudo,
correlacionou de forma direta com a relação Cintura/quadril, assim quanto maior tempo de
serviços prestados, maior risco de aumentar estes perímetros, visto que não praticam
atividade física diária, depois que passam á ingressar na PM. A Organização Mundial da
Saúde (1996), indica o uso da antropometria para a vigilância dos fatores de risco para
doenças crônicas, devem ser medidos os perímetros da cintura e do quadril, pois o aumento
da deposição de gordura abdominal na população pode fornecer um indicador sensível dos
problemas de saúde pública relacionados com o sobrepeso e suas consequências. Diante
disso há maior o risco de desenvolver estas patologias (cardiopatias, diabetes tipo
2,hipertensão arterial etc.).
CONCLUSÃO
Através deste estudo procurou-se mostrar o quanto é importante a realização de testes
antropométricos e motores, para o controle de peso dos policiais. Os resultados mostram
que o maior tempo de prestação de serviço na Polícia Militar, tem uma relação direta com o
percentual de gordura adquirido por eles e consequentemente a relação cintura e quadril
que pré – dispõe os militares ao um perfil antropométrico e motor, progressivamente,
distanciando da necessidade ocupacional da exigência da profissão deles.
Estes resultados apontam para a necessidade de reflexão conjunta visando prevenção da
saúde e consequentemente um perfil antropométrico e motor compatível com exigência da
profissão. Outros estudos incluindo uma amostra maior poderão apresentar maiores
informações sobre o assunto.
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exercício na prevenção e controle da obesidade. RER.ED.FÍS. nº 133 - 15-24, 2006.
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Clin Nutr. 1059-66, 1995.
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São Paulo, v.6,n.1, p.189-199, 2007.
NELSON FERNANDO CORDEIRO CORONEL PM COMANDANTE-GERAL DEW MINAS
GERAIS.Dispõe sobre o Teste de Avaliação Física (TAF,) a ser aplicado na Instrução Anual
da tropa e dá outras providências. RESOLUÇÃO Nº 3321 ,DE 24 DE SETEMBRO DE 1996.
QCG, em Belo Horizonte, 24 de Setembro de 1996.
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PATE, R.R. The evolving definition of physical fitness. Quest. v.40,n.3,p174-179.1988.
POLLOCK, M.L., WILMORE, J.H. Exercícios na Saúde e na Doença : Avaliação e Prescrição
para Prevenção e Reabilitação. MEDSI Editora Médica e Científica Ltda., 233-362, 1993.
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FATORES MOTIVACIONAIS NA INICIAÇÃO ESPORTIVA:
UMA ABORDAGEM FEITA EM UMA ESCOLA PARTICULAR DE BELO HORIZONTE, COM
CRIANÇAS DE 11 E 12 ANOS, DO SEXO MASCULINO.
MARIANA, C.G1; PINTO, A.F2; PUSSIELDI, G.A1;
1 - Universidade Federal de Viçosa, Campus Florestal – Minas Gerais – Brasil.
2 - Centro Universitário Belo Horizonte – Minas Gerais - Brasil
[email protected]
RESUMO
A motivação é um fator psicológico que está relacionado à atividade física, seja no
aspecto da aprendizagem ou do desempenho. É ela quem nos permite um maior
envolvimento ou uma simples participação em atividades esportivas. Este trabalho teve por
objetivo identificar os motivos que levam alunos à prática esportiva e comparar o nível de
motivação dos alunos entre as modalidades de futsal, vôlei, basquete, handebol e natação.
Participaram do estudo 97 crianças com faixa etária de 11 e 12 anos, do sexo masculino,
alunos de uma escola particular de Belo Horizonte. Os alunos responderam ao questionário
de motivação para a prática esportiva, onde se analisou os motivos que os levam à prática
esportiva e se existem diferenças nos níveis de motivação entre das modalidades. Os
resultados mostraram que os principais motivos que levam esses alunos à prática esportiva
são para desenvolver habilidades, manter a saúde, porque gostam, para exercitar-se e para
ser um atleta. Obtiveram-se diferenças significativas na comparação dos níveis de
motivação nas seguintes modalidades: Futsal e Vôlei - aprender novos esportes, para ser
jogador quando crescer, para emagrecer. Futsal e Basquete - vencer, encontrar amigos,
manter a saúde, manter o corpo em forma, aprender novos esportes, para ser jogador
quando crescer, para emagrecer. Futsal e Handebol - vencer, para ser jogador quando
crescer, para emagrecer. Futsal e natação - vencer, ser o melhor no esporte, fazer amigos,
aprender novos esportes, para ser jogador quando crescer, para emagrecer. Vôlei e
Basquete - vencer, manter a saúde, desenvolver a musculatura, manter o corpo em forma.
Basquete e Handebol - porque gostam, manter o corpo em forma, para não ficar em casa.
Basquete e Natação - para exercitar-se, manter a saúde, desenvolver a musculatura, manter
o corpo em forma, para não ficar em casa. Handebol e Natação - para exercitar-se, ser o
melhor no esporte, ter bom aspecto, para se divertirem e emagrecer. Pode-se concluir que
os motivos para a iniciação esportiva em diferentes modalidades não são os mesmos.
Sugere-se para novos estudos uma ampliação da amostra.
PALAVRAS-CHAVES: Motivação; Iniciação Esportiva, Esportes.
ABSTRACT
The motivation is a psychological factor that is related to the physical activity, either in
the aspect of the learning or the performance. Who is it in allows to a bigger involvement or a
simple participation them in sports activities. This study had for objective to identify the
reasons that take children to the sport practical and to compare the level of motivation in
different sports like Futsal, volleyball, basquetball, handball and swimming. Ninety seven
children (11 and 12 years)male had participated of the study of a private school of Belo
Horizonte. The students had answered to the questionnaire of motivation for the sport
practical, where she analyzed the reasons that take them to the sport practical and if
differences in the motivation levels exist between sports. The results had shown that the
main reasons that take these children to the sport practical are for developing abilities,
keeping the health, because they like, to exercise it and to be an athlete. One got significant
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differences in the comparison of the levels of motivation in the following sports: Futsal and
Volleyball - to learn new sport, to be player when to grow, to lost fat. Futsal and Basquetball to win, to find friends, to keep the health, to keep the body in form, to learn new sports, to be
player when to grow, to lost fat.Futsal and Handball - to be successful, to be player when to
grow, to lost fat.Futsal and swimming - to be successful, to be best in the sport, to make
friends, to learn new sports, to be player when to grow, to lost fat.Volleyball and Basquetball to win, to keep the health, to develop the muscles, to keep the body in form.Basquetball and
Handball - because they like, to keep the body in form, not to be in house.Basquetball and
Swimming - to exercise themselves, to keep the health, to develop the muscles, to keep the
body in form, not to be in house.Handball and Swimming - to exercise itself, to be best in the
sport, to have good aspect, to be had fun and to lose fat. It can be concluded that the
reasons for the sport initiation in different modalities are not the same ones. A magnifying of
the sample is suggested for new studies.
KEYWORDS: Motivation, Initiation in sport; Sports;
INTRODUÇÃO
A Iniciação Esportiva é sempre tema de debates, pela grande diversidade dos
conhecimentos práticos e teóricos. "Alguns professores criam regras próprias, os médicos
divergem, mas é importante que professores inovem seus métodos de trabalho, e sigam sua
própria intuição, para que crianças tenham várias possibilidades dentro da aprendizagem
motora. Não basta ter talento, é preciso ter método, não se pode deixar de fazer o melhor,
com técnica, dedicação, método e paixão" (GRECO e BENDA, 1998).
A chamada fase da Iniciação Esportiva Universal, o I.E.U., conforme Greco e Benda (1998),
"é uma alternativa pedagógica importante para a faixa etária entre os 4-6 anos aos 11-12
anos. É nessa fase que as crianças despertam para o prazer da atividade física e
desenvolvem suas habilidades esportivas.”.
Existem inúmeros fatores motivadores a iniciação esportiva como a necessidade física, o
gosto por um determinado esporte, ou mesmo por opção dos pais. Devido aos benefícios de
uma atividade física regular a vida esportiva tem se iniciado cada vez mais cedo e é
essencial que os professores estejam atentos às motivações de seus alunos, para que não
ocorra um abandono precoce das atividades.
OBJETIVO
Este trabalho teve como objetivo identificar os motivos dos alunos de uma escola particular
de Belo Horizonte com idade entre 11 e 12 anos e do sexo masculino para a realização da
prática esportiva de Futsal, Vôlei, Basquete, Handebol e Natação e comparar esses motivos
entre as respectivas modalidades.
MATERIAL E MÉTODOS
Amostra
Participaram 97 crianças, com faixa etária de 11 e 12 anos, todas do sexo masculino.
São estudantes que praticam na escola no contra-turno uma das cinco modalidades
esportivas: basquete, futsal, voleibol, handebol e natação. Esses alunos praticam essas
atividades em treinamentos de 2 a 3 vezes por semana.Instrumento
Foi utilizado o Questionário de Motivação para a Prática Esportiva (GAYA e
CARDOSO, 1998) composto por 19 perguntas objetivassubdivididos em 3categorias:
competência desportiva, amizade/lazer e saúde, para cada criança.
Procedimentos
Todos os responsáveis dos alunos assinaram o Consentimento Livre e Esclarecido
para participarem da pesquisa que é uma obrigatoriedade do CNS Resolução 196/96.A
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escola deu a autorização por escrito para execução da pesquisae foram feitos contatos com
os professores de cada modalidade esportiva Os questionários foram aplicados durante as
praticas esportivas de cada modalidade em um ambiente tranquilo, sem interferência externa
e distribuídos aleatoriamente, respeitou-se uma distância necessária entre eles. Foi
esclarecido aos mesmos como deveria ser preenchido o questionário, quanto à importância
da sinceridade e do caráter anônimo.
Procedimentos Estatísticos
Os questionários foram interpretados através análise descritiva e comparação de
médias, utilizando o teste t-student para comparação entre grupos, através do programa
estatístico SPSS versão 11.0 com nível de significância de p  0,05.
RESULTADOS
TABELA 1
Comparação de médias entre os grupos
Natação
Vôlei
Basquete
Futsal
Handebol
Media  S.D. Media  S.D. Media  S.D. Media  S.D. Media  S.D.
1* 2,08±1,100
3,00±0,756
2,64±1,287
4,00±0,000
3,28±0,895
2* 3,88±0,338
3,73±0,458
2,96±1,020
3,13±0,640
3,67±0,485
3
2,17±0,816
1,93±1,100
1,68±1,215
1,67±0,724
2,44±0,922
4* 2,75±0,847
2,33±1,113
3,04±1,207
2,80±1,207
2,50±1,295
5* 3,79±0,415
3,80±0,414
3,52±0,770
3,07±0,799
3,56±0,705
6* 3,54±0,721
3,67±0,617
3,28±1,208
3,33±1,047
3,72±0,461
7* 2,04±1,083
2,80±0,862
2,28±1,173
1,73±0,594
2,44±0,856
8
2,71±0,955
3,27±0,594
3,60±0,816
3,67±0,488
3,44±0,705
9
3,25±0,847
3,27±0,799
3,40±0,957
3,73±0,704
3,56±0,784
10* 3,46±0,509
3,67±0,488
2,88±1,130
3,13±0,990
3,44±0,856
11* 2,75±0,608
2,67±0,816
2,96±1,060
1,53±1,060
3,11±1,023
12* 2,29±1,233
3,07±0,961
2,28±1,208
1,80±0,862
3,22±0,808
13* 2,38±1,245
3,33±0,976
2,48±1,159
1,53±0,743
3,00±0,907
14* 3,42±0,654
3,67±0,488
2,76±1,332
2,40±0,632
3,56±0,705
15 3,75±0,442
3,67±0,488
3,56±0,870
3,73±0,458
3,72±0,461
16* 2,42±0,929
3,40±0,910
2,52±1,159
1,27±0,458
3,17±0,786
17* 1,88±0,947
1,73±0,799
3,16±1,179
4,00±0,000
2,44±1,042
18* 2,04±0,999
1,93±1,100
1,96±1,241
1,00±0,000
2,61±1,420
19* 1,75±0,989
1,80±1,014
1,28±0,614
1,53±0,915
2,06±1,349
Nota: Comparação de médias entre as modalidades esportivas (Futsal X Vôlei, Futsal X
Basquete, Futsal X Handebol, Futsal X Natação, Vôlei X Basquete, Vôlei X Handebol, Vôlei
X Natação, Basquete X Handebol, Basquete X Natação, Handebol X Natação). Diferença
significativa*(P  0,05).
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Gráfico1: Comparação de Médias dos motivos que levam alunos à prática esportiva
DISCUSSÃO
Os resultados mostraram que o principal motivo que levam os alunos à prática
esportiva é para desenvolver habilidades, que obteve 18,43 de média da preferência das 97
crianças. Isso demonstra que a motivação dessas crianças está relacionada ao crescimento
individual de habilidades dentro dos respectivos esportes. O grande prazer está em evoluir
no esporte e conseguir realizar aquilo que antes parecia impossível.
A segunda opção foi para manter a saúde, tendo 17,74 de média da preferência e em
quarto lugar a opção para exercitar-se, com 17,37. A grande maioria das crianças, por
influência dos pais, dos professores, da sociedade de um modo geral e da mídia estão
atentando para os benefícios que a atividade física proporcionam. Pensando nesses
benefícios, as pessoas cada vez mais cedo estão colocando seus filhos para praticarem
alguma atividade física. Para Pereira et. Al, (2011) A iniciação esportiva é o período em que
a criança começa a aprender de forma específica e planejada a prática esportiva.
Procurando uma iniciação esportiva que contemple toda a complexidade entende como o
período em que a criança inicia a prática regular e orientada de uma ou mais modalidades
esportivas, e o objetivo imediato é dar continuidade ao seu desenvolvimento de forma
integral, não implicando em competições regulares..
Em terceiro lugar está o gosto pela prática esportiva, com 17,54 de média. Esse dado
demonstra uma motivação intrínseca, onde os benefícios internos são fatores decisivos na
escolha dessa prática. Isso é demonstrado no estudo de Machado et al. (2005) diz que os
adolescentes se motivam mais à prática regular da atividade física quando o prazer está
associado a essa prática.
O quinto motivo mais relevante foi para ser um atleta com 17,21 de média, o esporte é
um poderoso fator mobilizador; influencia o comportamento das crianças, fazendo com que
se espelhem em seus ídolos e transformem-nos em ícones capazes de criar e destruir
padrões, moldar comportamentos e ditar modas que se espalham em uma velocidade
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espantosa, talvez nessa perspectiva a criança almeja chegar onde seu ídolo está e muitas
vezes iniciam-se na fase de especialização e competição muito cedo, podendo ocasionar
malefícios futuros ou mesmo abandono precoce da prática esportiva.
O caráter lúdico do esporte passou a inexistir nos dias atuais, tendo o rendimento
esportivo ocupando este lugar pertencente ao lúdico. Por outro lado, por almejar tanto ser
um atleta no futuro a criança se envolve com a prática esportiva, de tal forma, que ela tomo
gosto, não abandona o esporte e se beneficia com os benefícios físicos, psicológicos e
sociais que a prática oferece.
Nos resultados da comparação entre os esportes obteve-se diferenças significativas
na comparação dos níveis de motivação nas seguintes modalidades:
Futsal e Vôlei - aprender novosesportes, onde 11 alunos de futsal consideram pouco
importante e na modalidade de vôlei 10 atletas, consideram muito importante. Outro motivo
que obteve diferença significativa e todos os alunos de futsal consideram muito importante
foi para ser jogador quando crescer, no entanto nenhum aluno de vôlei dá muita importância
a isso. Todos os alunos de futsal consideram nada importante o item emagrecer, já o grupo
de vôlei mais da metade dão alguma importância a esse item.
Futsal e Basquete - vencer, todos os atletas de futsal consideram muito importante vencer,
mas menos da metade do grupo de basquete tem essa mesma opinião. No item encontrar
amigos, nenhum aluno de futsal considera esse episódio
como muito importante, diferente do grupo de basquete que veem isso com devida
importância. A grande maioria dos alunos do basquete consideram muito importante manter
a saúde e manter o corpo em forma, diferente do grupo de futsal que dão pouca importância
à essas perguntas. O item aprender novos esportes, no grupo de futsal diferente do
basquete dá pouca ou nenhuma importância à esse fato. Outro motivo que obteve diferença
significativa e todos os alunos de futsal consideram muito importante foi para ser jogador
quando crescer, no entanto, alguns alunos de basquete dão muita importância a isso, mas
outros não consideram isso importante. O contrário ocorre na pergunta para emagrecer,
onde todos os alunos de futsal consideram nada importante e alguns alunos de basquete
também, já outros dão importância a esse item.
Futsal e Handebol - mais uma vez os itens vencer, e para ser jogador quando crescerestão
em evidência, todos os atletas de futsal consideram muito importante, alguns alunos de
handebol também, mas outros não consideram isso importante. No itempara emagrecer
todos os alunos de futsal consideram nada importante, já no handebol mais da metade
consideram importante ou muito importante esse fato.
Futsal e natação - ressaltando mais uma vez o item vencer, onde a maioria dos alunos da
natação consideram nada importante e do futsal muito importante. Na pergunta para ser o
melhor no esporte, a maioria dos alunos de natação consideram importante, já no grupo de
futsal a maioria consideram nada ou pouco importante, os outros acham muito importante.
Nos itens fazer amigos, aprender novos esportes e emagrecer a maioria do grupo de futsal
consideram pouco ou nada importante, diferente do grupo da natação que dão importância a
esse fato. O oposto acontece no item para ser jogador quando crescer, onde todos os
alunos de futsal consideram muito importante e a maioria do grupo de natação consideram
nada importante. Essas divergências de opiniões podem ser pelo fato do grupo de futsal
ser considerada uma equipe competitiva, tendo como um objetivo serem jogadores
futuramente. Isso leva os aluno a quererem vencer sempre e obterem resultados que os
levem ao objetivo almejado. Talvez pelo do Brasil ser considerado o país do futebol e essa
prática esportiva estar sendo considerada um "esporte espetáculo", esse fato está
motivando os alunos a se espelharem e estar iniciando essa prática muito cedo, já que a
idade pesquisada é a mesma e as outras modalidades serem consideradas como iniciação.
Outro fato que poderia justificar esse resultado seria a instituição dar suporte maior à prática
do futsal, atentando para o fato de colher benefícios futuros, iniciando a especialização mais
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cedo. Esses dados nos mostram também que os grupos de vôlei, basquete, handebol e
futsal dão mais importância aos aspectos relacionados ao bem estar, a socialização e a
saúde.
Vôlei e Basquete - Mais uma vez o item vencer, está em evidência, o grupo de vôlei
consideram importante esse fato, já o grupo de basquete divergem as opiniões. Nos itens
manter a saúde, desenvolver a musculatura e manter o corpo em forma o grupo de vôlei
consideram importante e muito importante, já o grupo de basquete divergem as opiniões.
Basquete e Handebol - pela primeira vez o item porque gostam, aparece como significante,
dessa forma o grupo de handebol considera importante e muito importante esse item, no
entanto o grupo de basquete alguns tem essa mesma opinião outros já divergem opiniões. O
mesmo acontece no item manter o corpo em forma. O oposto acontece na pergunta para
não ficar em casa, onde a maioria do grupo de basquete considera nada importante e o
grupo de handebol diverge as opiniões.
Basquete e Natação - Nos itens para exercitar-se, manter a saúde, desenvolver a
musculatura e manter o corpo em forma, a grande maioria do grupo de natação consideram
importante e muito importante, porem, o grupo de basquete divergem as opiniões. Já o
resultado do item, para não ficar em casa nos mostra que a grande maioria do grupo de
basquete considera nada importante, já o grupo de natação alguns dão importância a esse
fato. Esses dados podem ser justificados pelo fato da natação nessa instituição não ter um
caracter competitivo onde a busca pela qualidade de vida e busca pela saúde se destacam
dos outros motivos.
Handebol e Natação - para exercitar-se mais uma vez o grupo da natação prioriza a
importânciada saúde mais que outro esporte, agora o handebol. Nos itens para ser o melhor
no esporte e ter bom aspecto, o grupo da natação consideram esse fato importante, já o
grupo de handebol divergem as opiniões. E nos itens para se divertirem e emagrecer a
maior parte dos alunos da natação consideram nada importante, enquanto a maior parte dos
alunos de handebol consideram muito importante. Pode-se observar que o grupo de
handebol dá importância a motivação intrínseca (para se divertirem) e divergem de opiniões
relacionadas a melhoria da saúde. Esse resultado vai de encontro ao estudo de Paim (2004)
que conclui em seu estudo que o motivo de "Ter Alegria", obteve (100%) da preferência dos
alunos estudados.
CONCLUSÕES
Pode-se concluir que os motivos que levam alunos na iniciação esportiva à prática
esportiva nas modalidades de futsal, vôlei, basquete, handebol e natação de uma escola
particular de Belo Horizonte são para desenvolver habilidades, manter a saúde, porque
gostam, para exercitar-se e para serem atletas.
Porém, na comparação em diferentes modalidades os motivos não são os mesmos,
houve diferença significativa entre as seguintes modalidades Futsal e Vôlei; Futsal e
Basquete, Futsal e Handebol, Futsal e natação, Vôlei e Basquete, Basquete e Handebol,
Basquete e Natação,Handebol e Natação. É importante ressaltar as modalidade de futsal e
natação, pois o futsal apresentou um caráter mais competitivo tendo alguns motivos com
opiniões unânimes e foi diferente significativamente com todas as outras modalidades e a
natação que se destaca pela procura da saúde e qualidade de vida.
Sugere-se
para
novos estudos uma ampliação da amostra, uma comparação entre gêneros, já que o estudo
abordou apenas o sexo masculino, instituições esportivas, o estudo abordou apenas
comparações entre as cinco modalidades, pois elas foram realizadas comparando-se duas
modalidades por vez.
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ANÁLISE DO NÍVEL DE ATIVIDADE FÍSICA E ESTADO DE HUMOR NO PRIMEIRO
SEMESTRE ESCOLAR DE ADOLESCENTES ESTUDANTES DO ENSINO MÉDIO
SILVA, F.J.1, PUSSIELDI, G.A.1
1-Universidade Federal de Viçosa, Campus Florestal, Florestal, Minas Gerais - Brasil
[email protected]
RESUMO
A prática regular de atividade física tem sido apresentada como um método eficaz na
prevenção de doenças. Somado a estes fatores, os benefícios psicológicos do exercício
físico também aparecem com devida importância. Poucos estudos investigaram a relação
exercício-humor em adolescentes. O objetivo deste estudo foi analisar o nível de atividade
física, relatado por adolescentes no IPAQ e o escore obtido em um teste que avalia o estado
de humor (POMS), no inicio e ao final do primeiro semestre escolar. Participaram do estudo
24 estudantes do gênero masculino, com idades 15 a 18 anos, regularmente matriculados
nas aulas de Educação Física do ensino médio da rede Federal do município de Florestal. A
analise estatística foi feita através do programa Graphic Prism 4.0 utilizando-se o Studenttest com p≤0,05. Conclui-se que o aumento do nível da atividade física foi benéfico na
manutenção do estado de humor, pois no inicio do semestre o estresse é bem menor
comparando-se ao final.
ABSTRACT
The regular practice of physical activity has been shown as an effective method to prevent
diseases. In addition to these factors, the psychological benefits of exercise also appear with
due importance. Few studies have investigated the relationship between exercise and the
state of mood in adolescents. The aim of this study was to analyze the level of physical
activity reported by adolescents on the IPAQ and score obtained on a test that assesses
mood state (POMS), the beginning and the end of the first school semester. The study
included 24 male students aged 15-18 years involved in the physical education, education
average network Federal of Florestal City. Statistical analysis was performed using the Graph
Prism 4.0 Program with the Student-test with p≤0,05. We conclude that the increased level of
physical activity was beneficial in maintaining the state of mood, since the beginning of the
semester stress is much smaller compared to the end.
INTRODUÇÃO
A prática regular de atividade física tem sido apresentada como um método eficaz na
prevenção de doenças cardiovasculares, diabetes, obesidade e hipertensão arterial.
Somado a estes fatores, os benefícios psicológicos do exercício físico também aparecem
com devida importância. Entre estes, pode-se mencionar os benefícios proporcionados à
saúde metal, pois se verifica a melhora do humor, autoconfiança, controle do estresse,
redução da ansiedade e uma estabilidade emocional. Portanto a associação da atividade
física e os benefícios referentes a esta, resultam em melhores condições de saúde e
qualidade de vida (ARAÚJO e ARAÚJO, 2000; PARDINI et al., 2001; HALLAL, 2006;
WERNECK, et al.,2006; PALMA, 2007; PETROSKI, et al. 2008). Os estudos sobre os efeitos
psicológicos do exercício, tem se dado, na medida em que a saúde deixou de ser
considerada uma condição meramente física e passou a ser concebida como uma interação
de aspectos físicos, psicológicos e sociais, na qual a saúde mental é crucial para o bemestar geral dos indivíduos (COELHO, 2010; NAVARRO e WERNECK, 2011).
O estudo dos mecanismos envolvidos na regulação e na melhoria do estado psicológico pelo
exercício pode auxiliar no desenvolvimento de estratégias de adesão aos programas de
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atividade física, sendo de grande relevância para as ciências do esporte e para a saúde
pública (WERNECK et al.,2005). Os mesmos autores afirmam que existem diferentes
hipóteses para explicação das mudanças psicológicas induzidas pelo exercício, mas que,
isoladamente nenhuma delas, oferece consistência, não existindo até o momento um
consenso sobre o real mecanismo deste fenômeno. É de grande importância que o
desenvolvimento efetivo do interesse pela prática de atividade física seja realizado na
adolescência, não apenas para obtenção de melhor estado de saúde no presente, mas
também na tentativa de promover a prática regular de atividade física na idade adulta
(LOPES et al., 2005). Pessoas fisicamente ativas e com maior aptidão física possuem um
melhor estado de humor do que aquelas sedentárias, tendo o exercício um efeito protetor
contra a incidência de sintomas depressivos em idades superiores (NAVARRO e
WERNECK, 2011). A atividade física na adolescência apresenta grande importância, não
apenas por aspectos específicos da prescrição de exercícios físicos a essa faixa etária,
como para todo o contexto biopsicossocial que envolve esse período da vida (TEIXEIRA et
al.,2003). Entretanto, sabe-se que variáveis como: tipo e intensidade de exercício realizado,
a aptidão física dos praticantes a preferência pela atividade e o ambiente da prática, podem
influenciar as respostas psicológicas ao exercício (WERNECK, 2006; COELHO, 2010).
Tanto o exercício aeróbico quanto anaeróbico promovem melhorias no estado de humor. No
entanto ainda não se determinou um efeito de dose-resposta entre exercício e saúde
psicológica. Não se sabe até que ponto uma maior quantidade de atividade física é mais
benéfica do que uma menor quantidade (WERNECK, et al.,2006). Apesar da associação
positiva entre atividade física e saúde psicológica, através das evidências disponíveis,
observam-se poucos estudos que verificaram a relação entre o nível de atividade física e o
estado de humor em adolescentes nas aulas de Educação Física Escolar. Em suma, as
condutas e atitudes desenvolvidas no esporte escolar, permitem ao estudante se comunicar
e expressar suas emoções, o que atribui à Educação Física uma responsabilidade ainda
maior sobre o desenvolvimento emocional dos alunos, já que nessas aulas o corpo se
apresenta com maior liberdade (MORAES e BALGA, 2007). Assim, este estudo se propôs a
analisar o nível de atividade física, relatado por adolescentes no IPAQ e o escore obtido em
um teste que avalia o estado de humor (POMS), no inicio e ao final do semestre escolar, de
estudantes do ensino médio da rede Federal do município de Florestal.
METODOLOGIA
Amostra
A amostra foi selecionada de uma forma aleatória simples e compreendeu 24 estudantes do
gênero masculino, com idades 15 a 18 anos, regularmente matriculados nas aulas de
Educação Física do ensino médio da rede Federal do município de Florestal.
Procedimentos Éticos
Ao apresentarem-se como voluntários, os participantes foram informadas, quanto ao objetivo
e aos procedimentos metodológicos do estudo. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética
em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade Federal de Viçosa, protocolo número
135/2011. O consentimento para a participação no estudo foi obtido pela assinatura dos
responsáveis de cada voluntário do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, estando
cientes de que a qualquer momento poderiam, sem constrangimento, deixar de participar do
mesmo. Foram tomadas todas as precauções no intuito de preservar a privacidade dos
voluntários e garantindo o anonimato.
Instrumentos
Para analise do nível de atividade física utilizou-se o IPAQ, questionário proposto pela
Organização Mundial da Saúde (1998) validado por Pardini et al. (2001).O questionário
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utilizado foi à versão curta. As perguntas contidas no questionário referem-se ao tempo que
um indivíduo gasta fazendo atividade física na última semana. As perguntas incluem as
atividades realizadas no trabalho, para ir de um lugar a outro, por lazer, por esporte, por
exercício ou como parte das suas atividades em casa ou no jardim. Para a avaliação dos
resultados, o nível de atividade física foi classificado como: muito ativo; ativo; irregularmente
ativo (A e B) e sedentário.
Para analise do estado de humor, utilizou-se o POMS, questionário de avaliação do estado
de humor (MCNAIR et al. 1971) e com o constructo e validação de Terry et al. (1999) e
traduzido ao português e validado por Peluso (2003). A versão utilizada consta de 24
questões em uma escala Tipo Likert de quatro pontos que representam cada uma das
facetas que fazem parte do instrumento original, sendo os valores 0 = nada; 1 = um pouco; 2
= moderado; 3 = bastante; e 4 = extremamente. Assim para o preenchimento do questionário
é necessário assinalar o número que melhor descreve como o indivíduo vem se sentindo
nos últimos 3 dias.
Para a avaliação dos resultados foram utilizadas as 24 variáveis, onde os domínios são
assim distribuídos: Raiva (variáveis: mal-humorado, rancoroso, aborrecido, furioso);
confusão (variáveis: confuso, aturdido, desorientado, inseguro); depressão (variáveis: infeliz,
desanimado, miserável, deprimido); fadiga (variáveis: esgotado, apático, cansado, exausto);
tensão (variáveis: nervoso, preocupado, ansioso, aterrorizado); vigor (variáveis: animado,
ativo, enérgico, alerta).
Procedimentos
Para obtenção dos dados foram feitas duas aplicações no primeiro semestre escolar, dos
questionários de Atividade Física e Estado de Humor. A primeira aplicação foi realizada no
inicio do semestre escolar e a segunda ao final do semestre. Todas as explicações prévias
sobre os procedimentos foram apresentadas antes do início da administração. Cada
estudante recebeu os questionários (Atividade Física e Estado de Humor), com um total de
duas folhas para ser respondido individualmente e sem consulta ao colega ou a qualquer
outra pessoa. Os questionários foram preenchidos nas aulas de Educação Física, no ginásio
poliesportivo da Universidade Federal de Viçosa, Campus Florestal. Nenhum questionário
pode ser levado para casa para ser respondido posteriormente. Não foi estipulado um tempo
para preenchimento do questionário sendo seu preenchimento de caráter voluntário.
Procedimentos Estatísticos
Para a análise estatística utilizou-se o pacote estatístico Graphic Prism 4.0. Seguindo-se os
seguintes passos: 1º) Tabulação de todos os dados em uma única tabela; 2º) Estatística
descritiva apresentando a média, o desvio padrão e o erro padrão; 3º) Verificação da
normalidade através Shapiro-Wilk test para todas as variáveis; 4º) Análises das variáveis
através do Student-test segundo a validação do questionário de estado de humor na língua
portuguesa, com nível de significância de p 0,05.
RESULTADOS
Na comparação das médias, o grupo de alunos estudados, através do Student test, não
foram encontradas diferenças estatisticamente significativas, comparando-se o inicio e o
final do semestre letivo, entre todas as variáveis do perfil do estado de humor, com nível de
significância para amostras relacionadas com p ≤ 0.05 (Fig. 1).
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Confusão
Raiva
1.00
Depressão
1.5
1.5
1.0
1.0
0.5
0.5
0.75
0.50
0.25
0.00
0.0
Início
a)
Final
b)
0.0
Início
Fadiga
Final
c)
Início
Tensão
2
Final
Vigor
1.5
3
1.0
2
0.5
1
1
0
0.0
Início
d)
Final
e)
0
Início
Final
f)
Início
Final
Figura 1. Comparação das variáveis do estado de humor no início e no final do semestre
letivo, em adolescentes estudantes do ensino médio da rede Federal do município de
Florestal (a-Raiva; b-Confusão; c-Depressão; d-Fadiga; e-Tensão; f-Vigor).
Na avaliação do nível de atividade física, o grupo de alunos estudados, de acordo com o
questionário adotado para análise desta variável, pode ser considerado, que ao final do
período os meninos estão mais ativos comparando-se ao inicio. O teste t de Student para
medidas independentes revelou que teve diferença significativa para amostras relacionadas
com p ≤ 0.05 (Fig. 2)
IPAQ
3
*
2
1
0
Início
Final
Figura 2. Comparação do nível de atividade física antes e depois do semestre letivo, em
adolescentes estudantes do ensino médio da rede Federal do município de Florestal.
DISCUSSÃO
O objetivo do presente estudo foi analisar o nível de atividade física e o estado de humor
relatado por adolescentes, observando as possíveis alterações no inicio e ao final do
primeiro semestre escolar. Observou-se que ao final do semestre letivo, os meninos
apresentaram um maior nível de atividade física. Essa maior prática de exercício, mostrou
influência sobre o estado de humor. Com base nestes resultados pode-se dizer que o
aumento do nível da atividade física foi benéfico na manutenção do estado de humor, pois
no inicio do semestre o estresse é bem menor comparando-se ao final, visto que neste
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período os compromissos estudantis aumentam, como exemplo encontra-se: a preparação
para as avaliações finais e prazo limitado para entrega de trabalhos. Aliados a esses fatores
surgem o medo da reprovação e de decepcionar os familiares, as pressões sociais, o
número de disciplinas para estudar e o grau de dificuldade das mesmas.
Esses achados se diferem aos de: Peluso, 2003; Esteves et al., 2005; Werneck et al.,2005;
Werneck, et al.,2006; Coelho, 2010 e Werneck, 2011. Estes estudos mostram que um maior
nível de atividade física promovem um aumento de vigor e menor distúrbio total do estado de
humor. No entanto, vale ressaltar que este trabalho possuiu algumas limitações. A primeira,
assim como explanou Peluso em 2003, é inerente a qualquer trabalho que utilize
instrumentos de auto avaliação de estado de humor e atividade física, é que o estudo se
baseia em dados de natureza subjetiva, sujeitos a algumas falhas como as distorções de
respostas. De acordo com o mesmo autor a maneira de distorção mais comum é a que se
refere o quanto algo e desejado socialmente, que acontece quando o questionário é
preenchido de forma positiva. Alguns autores, por exemplo, encontraram evidências de que
o efeito da atividade física sobre a saúde mental, em parte se devem, a uma expectativa de
melhora do estado de humor por parte dos indivíduos que se exercitam e não de um efeito
direto da atividade, sendo que as alterações psicológicas resultam de uma interação ótima
entre o indivíduo, o exercício e o ambiente, envolvendo diferentes mecanismos psicológicos
e fisiológicos que atuam simultaneamente (PELUSO, 2003; WERNECK, 2011). No entanto
não há razões para acreditar que esse tipo de limitação invalide os resultados encontrados.
Outra limitação se deve, em razão do tipo de estudo transversal e das limitações do método,
os resultados encontrados no presente estudo devem ser analisados com cautela, pois não
sugerem uma relação de causa e efeito nem de dose-resposta entre o exercício e o estado
de humor. Estudos experimentais realizados recentemente nesta área já suportam a relação
de causa e efeito, mas não ainda a relação de dose-resposta como os estudos de Teixeira
(2003), Werneck et al. (2005), Coelho (2010) e Navarro e Werneck (2011).
Um dos aspectos positivos do presente estudo é que corrobora as evidências advindas de
pesquisas com adultos, na medida em que suporta o potencial do aumento da prática
regular da atividade física, e este aumento auxiliou na manutenção do estado de humor em
indivíduos mais jovens. Em relação à explicação da relação entre exercício e humor, ainda
não existe um consenso sobre os mecanismos envolvidos neste fenômeno, porém acreditase que os benefícios psicológicos do exercício ocorram tanto em função de fatores
fisiológicos, como o aumento da aptidão física, aumento do nível de endorfina, serotonina e
ondas cerebrais alfa, como por fatores psicológicos e sociais, como o aumento da
autoestima, autoeficácia, sensação de prazer, contato com as pessoas (WERNECK et
al.,2005).
CONCLUSÕES
Em face dos resultados encontrados no presente estudo, pode-se concluir que o aumento do
nível da atividade física foi benéfico na manutenção do estado de humor. Pois, no final do
semestre o estresse é bem maior comparando-se ao inicio, devido ao aumento dos
compromissos estudantis. Sabe-se que um estilo de vida mais ativo, através da prática da
atividade física regular, tem se mostrado um fator eficaz na prevenção de doenças e na
promoção da saúde tanto física quanto mental, devendo, por isso, ser estimulada durante
toda a vida. Neste contexto, cabe aos profissionais da Educação Física a tarefa de fazer
com que um número cada vez maior de pessoas adquira o hábito de se exercitar, a começar
pela Educação Física nas escolas, de modo que crianças, jovens e adultos possam desfrutar
os benefícios que o exercício proporciona.
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RESPOSTAS DO RENDIMENTO FÍSICO E DA MANUTENÇÃO DA SAÚDE EM ADULTOS
PRATICANTES DE CICLISMO APÓS PERÍODO DE 12 SEMANAS DE TREINAMENTO
CALDAS, L. R. R.¹; REZENDE, L.M.T.1; PEREIRA, L.A.2; PUSSIELDI, G. A.¹
1- Universidade Federal de Viçosa Campus Florestal – Florestal – Minas Gerais – Brasil.
2 - Prefeitura Municipal de Florestal – Florestal – Minas Gerais - Brasil
[email protected]
RESUMO
Introdução: O treinamento de atletas consiste em um treino sistematizado onde deve-se
trabalhar as valências físicas mais importantes de acordo com a modalidade praticada, além
de trabalhar os aspectos técnicos da modalidade, buscando desenvolver um treinamento
otimizando os aspectos físicos, psíquicos, emocionais e técnicos. A relação entre o exercício
físico e a resposta imune do organismo teve um grande impulso a partir de meados da
década de 1970, dentre os estudos envolvendo o exercício e a resposta imune destaca-se o
interesse de estudar as infecções das vias aéreas superiores em atletas que são submetidos
a treinamentos que exigem muito esforço físico. Quando um atleta é submetido à grandes
esforços durante o exercício físico, ocorre um desvio na homeostase orgânica deste
indivíduo que leva à reorganização das resposta de diversos sistemas, dentre estes
sistemas encontra-se o sistema imune. Estudos que relacionam o exercício físico com o
sistema imune em sua maioria afirmam que a prática de exercício físico de maneira
adequada melhora a ação do sistema imune. Objetivos: Estudar a resposta imune do
organismo frente ao treinamento sistematizado de ciclismo, através do controle de infecções
nas vias aéreas superiores de atletas de ciclismo. Metodologia: Foram selecionados 6 (seis)
atletas de ciclismo, praticantes de ciclismo por pelo menos 5 (cinco) anos, todos homens,
tendo uma média de idade de 35 anos. Ao início do estudo foram explicados os métodos da
pesquisa aos voluntários. O estudo foi realizado de forma que se verificassem os resultados
de 12 (doze) semanas de treinamento de ciclismo, dividido em 3 (três) mesociclos, o
treinamento foi elaborado buscando sempre a otimização do treinamento dos indivíduos.
Durante o período em que os atletas participaram do estudo, eles preenchiam um
questionário URTI (NOVAS et al. 2003) afim de detectar algum episódio de infecção das vias
aéreas superiores. Resultados e Conclusões: Após as12 (doze) semanas de treinamento
não foi encontrado o surgimento de nenhum episódio de URTI ou aparição de doença. Desta
forma sugerimos que o treinamento desenvolvido neste estudo proporcionou a manutenção
do estado de saúde dos voluntários, que pode ser traduzido como um aumento do estado de
saúde do indivíduo. Podemos concluir que com bases nos dados apresentados por nossa
amostra que o treinamento de ciclismo de forma sistematizada e controlada para o grupo
estudado, por um período de 12 (doze) semanas, proporciona manutenção ou até mesmo
melhora do estado de saúde em ciclistas treinados.
PALAVRAS-CHAVE: Exercício Físico; Resposta Imune; Ciclismo
ABSTRACT
Introduction: The training of athletes consists of a systematic training which should work the
most important physical valences according to the sport practiced, besides working the
technical aspects of the sport, to develop training optimizing the physical, psychological,
emotional and technical. The relationship between physical exercise and the body's immune
response has a big boost from the mid-1970, among studies involving exercise and immune
response highlights the interest of studying the upper airway infections in athletes who
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undergo trainings that require much physical effort. When an athlete is subjected to great
efforts during exercise, there is a deviation in this individual organic homeostasis leading to
reorganization of the response of various systems, among these systems is the immune
system. Studies that relate exercise with the immune system mostly claim that physical
exercise adequately improves the action of the immune system. Objectives: To study the
body is immune response against the systematized training cycling, through the control of
infections in the upper airways of athletes cycling. Methodology: Were selected six (6) cycling
athletes, practicing cycling for at least five (5) years, all men, with an average age of 35
years. At the beginning of the study were explained the methods of research volunteers. The
study was carried out so that if they check the results of twelve (12) weeks of cycling training,
divided into three (3) mesocycles, training was elaborated always seeking to optimize the
training of individuals. During the period in which the athletes participated in the study, they
completed a questionnaire URTI (NOVAS et al. 2003) in order to detect any episodes of
infection of the upper airways. Results and Conclusions: After twelve (12) weeks of training
not found the emergence of any episode of URTI or appearance of disease. Thus we suggest
that the training developed in this study that the maintenance of the health status of
volunteers, which translates to an increase in health status of the individual. We can
conclude that with bases on the data presented by our sample that cycling training in a
systematic and controlled for study group, for a period of twelve (12) weeks, provides
maintenance or even improvement of health status in trained cyclists.
KEY-WORDS: Exercise; Immune Response; Cycling.
INTRODUÇÃO
Segundo Black (2002) exercícios moderados e regulares podem provocar um aumento no
nível de anticorpos de cerca de 20% e também das células NK, mas que o exercício
excessivo reduz o sistema imunológico, tornando mais vulnerável à infecção principalmente
do trato respiratório superior. Estudos mostram que atividade física de alta intensidade e
duração pode aumentar o risco de infecção do trato respiratório superior pela diminuição dos
níveis de Ig-A no sistema imunológico. No entanto, Klentrou et al. (2002) afirmam que o
exercício moderado e regular aumenta a capacidade aeróbica e a concentração de IgA
salivar, o que proporciona um aumento no nível de performance diminuindo o risco de
infecção.
É necessário destacar outra consideração, que o treinamento é visto como precursores de
aumento de doenças (GLEESON e PYNE, 2000; FRIMAN e WESSLÉN, 2000). Disto se
origina a necessidade de verificar se o treinamento intenso de longa duração, como é o caso
do ciclismo e com um controle das respostas dos marcadores de “overtraining”,
responsáveis pelo aumento de doenças, ocorrem processos que possam afastar os sujeitos
do treinamento.
TAMBÉM VERIFICAMOS QUE AINDA SÃO ESCASSOS OS TRABALHOS REALIZADOS
COM CONTROLE DAS RESPOSTAS AO AUMENTO DE DOENÇAS EM PERÍODOS
DETERMINADOS (PYNE ET AL. 2000; PETRIE ET AL. 2004). OS TRABALHOS
REALIZADOS ANTERIORMENTE SÃO, EM SUA GRANDE MAIORIA, DAS RESPOSTAS
DEPOIS DO EXERCÍCIO AGUDO (FEBBRAIO ET AL., 2003; KELLER ET AL., 2003;
NEMET ET AL., 2003; VASSIKOPOULOS ET AL., 2003; LUNDBY E STEENSBERG, 2004;
KELLER ET AL., 2005;WALSH ET AL., 2011), MAS NÃO EM CICLISMO.
SEGUNDO MAGLISCHO (2003), A APLICAÇÃO EFETIVA DOS PROGRAMAS DE
TREINAMENTO NECESSITA DE MONITORIZAÇÃO ADEQUADA DAS MUDANÇAS
TANTO NOS ASPECTOS AERÓBICOS COMO NOS ANAERÓBICOS PARA A
DETERMINAÇÃO DAS POSSÍVEIS MELHORAS. AINDA ASSIM, UM ÓTIMO
TREINAMENTO PODE SER CONSIDERADO COMO UM PROCESSO PARA A
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ADMINISTRAÇÃO DA QUANTIDADE TOTAL DE TREINAMENTO E RECUPERAÇÃO
(ROOSE ET AL., 2009).
OBJETIVOS
Estudar as variações dos níveis da incidência de doenças, durante um período de doze
semanas de treinamento de ciclismo.
MATERIAIS E MÉTODOS
Foram selecionados 6 (seis) indivíduos do gênero masculino com idade média de 43 ± 8,7
anos, todos os indivíduos praticantes de ciclismo de forma regular por pelo menos 5 (cinco)
anos, a amostra apresentou um perfil homogêneo. Os procedimentos que foram utilizados
no projeto de pesquisa foram previamente explicados à todos os atletas, e todos assinaram
o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido que é uma obrigatoriedade do Conselho
Nacional de Saúde, resolução nº 196/96 baseado na Declaração de Helsinque (1964 e
resoluções posteriores). O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisas em
Seres Humanos da Universidade Federal de Viçosa sob o protocolo de número 033/2011.
Os atletas ficaram cientes de tudo que seria realizado no projeto e de que sua participação
no mesmo seria de forma voluntária, e que os mesmos poderiam desvincular-se do projeto a
qualquer momento sem que houvesse nenhum impedimento para isso. Os exames médicos
feitos anteriormente a pesquisa diagnosticaram que todos os atletas estavam aptos à prática
de atividade física. O questionário de Infecção das Vias Aéreas Respiratórias Superiores URTI (NOVAS et al. 2003) foi preenchido pessoalmente pelos sujeitos. Cada um deles
recebeu uma cópia do questionário e levaram para casa. Nesse questionário o indivíduo
preencheu diariamente o surgimento de diversas doenças, uso de medicamento, entre
outras alterações que poderiam ser utilizadas para detectar alguma infecção das vias aéreas
respiratórias superiores. Foi explicado pelo pesquisador a forma de preenchê-lo.
A escala de Percepção Subjetiva do Esforço foi aplicada durante todas as sessões e nos
diferentes exercícios durante o programa de treinamento de 12 semanas.
O controle do programa de treinamento foi feito diariamente contrastando as cargas
objetivadas com as realizadas com supervisão do pesquisador principal com o apoio do
bolsista de iniciação científica.
Os atletas cumpriram os treinamentos sem nenhum problema. Paralelamente aos
treinamentos houve o acompanhamento do estado de saúde dos atletas através de um
questionário que era preenchido pelos atletas ao final de cada dia de treinamento com o
propósito de detectar qualquer mudança no estado de saúde dos mesmos segundo o
controle de doenças nas vias respiratórias superiores URTI (NOVAS et al. 2003).
RESULTADOS
Os indivíduos apresentaram-se homogêneos tendo uma média de idade de 43 anos, com
um desvio padrão (SD) de 8,7 anos. A média da massa corporal encontrada foi de 68,5
Quilogramas com um desvio padrão de 6,7 Kg. A estatura média da amostra foi de 169
centímetros com desvio padrão de 4,3 cm. Já o percentual de gordura médio encontrado foi
de 15, 1 com um desvio padrão de 7,2.
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TABELA 1: Caracterização da Amostra
Indivíduos Idade Massa Corporal
(anos) (Kg)
18
62,7
1
40
80,3
2
38
64
3
56
63,5
4
34
69,5
5
6
47
70,8
Média
43,0
68,5
S.D.
8,7
6,7
Estatura
(cm)
166,5
171
165
167
175,5
174.5
169,0
4,3
%G
5,85
24,04
14,95
16,04
8,01
21,57
15,1
7,2
Durante as 12(doze) semanas, os atletas foram acompanhados no desenvolvimento do
treinamento e ao final de cada treino eles aplicavam uma intensidade ao treinamento, e
preenchiam um protocolo de estado de saúde.
Após as 12 (doze) semanas de treinamento não foi encontrado o surgimento de nenhum
episódio de URTI ou aparição de doença. Desta forma sugerimos que o treinamento
desenvolvido neste estudo proporcionou a manutenção do estado de saúde dos voluntários,
que pode ser traduzido como um aumento do estado de saúde do individuo.
Discussão
Neste estudo não foram encontradas aumento de doenças pelos praticantes de ciclismo que
encontravam-se em um treinamento durante 12 semanas. Nos últimos anos têm se
verificado um aumento do interesse nos aspectos relacionados com a saúde, exercício, o
bem-estar físico e psicológico como verificado em Gaz e Smith (2012). Assim, considera-se
que a prática sistemática de atividade física é uma sólida alternativa na promoção e melhora
da qualidade de vida do sujeito (PELUSO e ANDRADE, 2005; WALSH et al., 2011).
O resultado encontrado em nosso estudo está de acordo com as observações de Samulski
(2008), onde diz que para que as pessoas tenham manutenção da saúde é necessária uma
atitude positiva com relação à atividade física, saúde e qualidade de vida, e as atividades
devem ser motivantes e prazerosas com exercícios em nível moderado, metodologia
aplicada em nosso trabalho. E a atividade física é atualmente reconhecida como um
importante fator promotor de saúde em todas as idades (KILLIAN e JONES, 2000).
A atividade física pode ter um importante papel na administração de distúrbios mentais leves
e moderados, incluindo a ansiedade, com uma melhora através dos exercícios regulares,
sendo os benefícios semelhantes da meditação e do relaxamento (PALUSKA e SCWENK,
2000), no entanto, tais variáveis não foram estudadas no presente trabalho para comprovar
a sua eficácia na manutenção nos níveis de saúde.
O exercício físico gera uma mudança no estado de homeostase orgânica, levando à
reorganização da resposta de diversos sistemas, entre eles o sistema imune. Assim, as
respostas inatas e adquiridas do sistema imune vão sofrer modificações de acordo com o
estímulo recebido (ROSA e VAISBERG, 2002), no entanto esta mudança provocada pelas
adaptações normais em um ciclo de treinamento não aumentaram a susceptibilidade no
aumento de doenças como relatado Nieman et al. (2012).
Gaz e Smith (2012) em seus estudos mostraram que o estudo dos mecanismos envolvidos
na regulação e na melhoria do estado psicológico pelo exercício pode auxiliar no
desenvolvimento de estratégias de adesão aos programas de atividade física, sendo de
grande relevância para as ciências do esporte e para a saúde pública, principalmente no que
se trata em relação à manutenção do estado de homeostase.
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A parte mais difícil do processo de treinamento é encontrar o equilíbrio ótimo, onde o
treinamento não tem um estimulo débil e nem ocasiona o sobretreinamento (overtraining),
que é frequentemente encontrado em atletas de elite (MAGLISCHO, 2003). É necessária a
planificação, que possibilita alternar períodos de carga com recuperação para evitar fadiga
excessiva (SMITH, 2003). Neste processo de planificação deve-se manipular a carga de
trabalho através das variáveis de intensidade, duração e frequência, com uma combinação
de força, velocidade e resistência realizadas com coordenação e eficiência (SMITH, 2003).
O rendimento vê-se influenciado por muitas variáveis e não pode-se determinar
frequentemente com um alto grau de precisão como no laboratório, por isso as mudanças
induzidas pelo treinamento não são facilmente quantificáveis (NOAKES, 2000).
O objetivo mais importante para um treinador e um atleta é melhorar as habilidades físicas,
técnicas e psicológicas até o máximo possível, para alcançar os mais altos níveis de
rendimento e desenvolver um programa de treinamento preciso e controlado, para assegurar
que o pico de rendimento seja conseguido em um momento concreto da temporada.
(MUJIKA et al. 2004). Por isso é necessária a quantificação do treinamento. Dentro dos
aspectos do controle de treinamento estão a carga de trabalho, a recuperação, o
rendimento, a resposta do lactato sanguíneo, a resposta da frequência cardíaca, o controle
da percepção subjetiva do esforço, outras respostas bioquímicas e o controle das variáveis
psicológicas.
CONCLUSÃO
Podemos concluir com bases nos dados apresentados por nossa amostra que o
treinamento de ciclismo de forma sistematizada e controlada para o grupo estudado, por um
período de 12 (doze) semanas, proporciona manutenção ou até mesmo melhora do estado
de saúde em ciclistas treinados.
Sugerimos outros estudos controlando novas variáveis, principalmente as bioquímicas
para comprovação dos resultados encontrados.
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ANÁLISE DA RELAÇÃO ENTRE ESTADO DE HUMOR E AUTO-ESTIMA ENTRE IDOSAS
FISICAMENTE ATIVAS E IDOSAS NÃO PRATICANTES DE ATIVIDADE FÍSICA
CARVALHO, M.A.1; SILVA, A.D.P.2; PUSSIELDI, G.A.1
1 - Universidade Federal de Viçosa, Campus Florestal – Minas Gerais – Brasil.
2 –Centro Universitário Belo Horizonte, Minas Gerais – Brasil
[email protected]
RESUMO
O presente estudo procurou analisar a relação entre o Estado de Humor e a Autoestima
entre idosas fisicamente ativas e não praticantes de atividade física. Em esse estudo
participaram 62 idosas, sendo 31 fisicamente ativas e 31 não praticantes de atividades
físicas, todas com idades acima de 65 anos, com média de idades de 67,6 anos. Os dados
obtidos foram analisados através do programa estatístico SPSS 11.0, tendo sido realizada
uma análise comparativa entre os grupos da amostra a partir dos critérios de classificação
apresentados pelo questionário utilizado (POMS – Profile ofMoodStates). Os resultados
mostraram que a prática de atividade física tende a contribuir para a diminuição da
depressão e consequentemente, para a melhora da autoestima em idosas com idades acima
de 65 anos.
Palavras chaves:Estado de Humor, Autoestima, Atividade Física, Idosas.
ABSTRACT
The present study sought to examine the relationship between the Mood State and SelfEsteem among active elderly women and not physically active. In this research participated
62 elderly, 31 physically active and 31 non-practicing physical activities, all aged over 65
years with a mean age of 67.6 years. Data were analyzed using SPSS 11.0, being performed
a comparative analysis between the sample groups from the classification criteria presented
by the questionnaire used (POMS - Profile Of Mood States). The results showed that
physical activity tends to contribute to the reduction of depression and consequently to
improved self-esteem in elderly aged over 65 years.
Keywords:Mood State, Self-Esteem, Physical Activity, Elderly Women.
INTRODUÇÃO
Existe, atualmente, uma grande preocupação, por parte de toda população mundial, com o
bem estar físico e mental durante o processo de envelhecimento, esse processo causa na
vida do indivíduo uma série de mudanças que terão consequências fisiológicas, sociais e
psicológicas.
O trabalho com o idoso, portanto, deve ser cercado por uma série de preocupações com as
possíveis consequências do processo de envelhecimento, com suas causas e necessidades,
e devem ser levados em consideração os aspectos que o leva à busca pela atividade física.
Rezende & Caldas (2003) colocam como responsabilidade dos programas de atividade física
para idosos a contribuição para a sua integridade biopsicossocial. Ressaltam a importância
das necessidades biológicas, as motivações e os desejos para a orientação do trabalho
nesses programas especiais, facilitando seu acesso e otimizando seus resultados.
Também Costa & Campos (2003), discorrem sobre o trabalho com a Terceira Idade,
afirmando que as atividades e programas com essa faixa etária têm objetivos, atividades e
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propostas diferenciadas, oferecendo oportunidades para o lazer, a sociabilização, a cultura e
a construção da consciência de cidadania, e devem procurar desenvolver a consciência da
necessidade de se envelhecer de forma saudável e trabalhar com clareza as relações dos
indivíduos com a sociedade em que estão inseridos.
OBJETIVOS
O estudo teve como objetivo principal verificar a relação entre Estado de Humor e
Autoestima comparando idosas fisicamente ativas e não praticantes de atividade física.
Objetivou-se também analisar a influência da prática regular de atividades físicas na relação
entre Estado de Humor e Autoestima entre os dois grupos da amostra,por meio da
comparação dos sentimentos relacionados à raiva, confusão, depressão, fadiga, tensão e
vigor.
O estudo busca comprovar a importância da Educação Física com relação à promoção do
bem-estar biopsicossocial na vida de idosas com idade acima de 65 anos.
METODOLOGIA
Para o desenvolvimento desta pesquisa contou-se com uma amostra composta por 62
voluntárias, do gênero feminino, com idades a partir de 65 anos, tendo apresentado média
de idades de 67,6 anos. Sendo 31 fisicamente ativas – integrantes de programas de
atividade física voltados à Terceira Idade - e 31 não praticantes de atividade física – alojadas
em um Lar Geriátrico – ambasos grupos da cidade de Belo Horizonte.
Foram consideradas, para este estudo, como idosas fisicamente ativas aquelas que
praticavam regularmente alguma atividade física durante a semana e como não praticante
de atividade física, aquelas que não praticavam nenhum tipo de atividade física ou que a
faziam esporadicamente.
O questionário utilizado para o desenvolvimento da pesquisa foi o POMS
(ProfileOfMoodStates) apresentado por Terry, Lane e Forgaty (2001), conforme Anexo 3,
que analisa os estados de humor do indivíduo. O questionário foi utilizado em sua versão
curta que contém 24 sentimentos com intensidades consideradas de 0 a 4, sendo,
respectivamente, nada; um pouco; moderado; bastante; e extremamente agrupadas em seis
grupos de classificação, sendo eles: Raiva, Confusão, Depressão, Fadiga, Tensão e Vigor.
Os dados foram coletados nos locais onde as integrantes da amostra de fisicamente ativos
praticavam as atividades físicas e a amostra das não praticantes de atividade física foram
coletadas no Lar onde se encontravam abrigadas.
As integrantes da mostra foram orientadas sobre a voluntariedade de participação e sobre a
liberdade para desistência da participação em qualquer momento do estudo, assinaram o
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e foram informados que a utilização dos dados
seria de caráter anônimo. O presente estudo teve aprovação do Comitê de Ética em
Pesquisa com Seres Humanos da Universidade Federal de Viçosa sob o protocolo número
UFV – 96/006640.
Para a obtenção dos resultados finais foi feita a análise fatorial conforme orientações do
questionário original POMS (Profile OfMoodStates), e em seguida calculou-se a média
ponderada por grupo de classificação.
Para a comparação das médias entre os grupos da amostra utilizou-se o teste “tStudent” e para a análise estatística foi utilizado o programa SPSS 11.0 tendo sido
considerada como diferença estatisticamente significativa aquela com p ≤0,05.
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RESULTADOS
Os resultados obtidos através dos procedimentos estatísticos estão apresentados na Tabela
1.
Tabela 1
Resultados por Grupo de Classificação.
GR.
GRUPO N MÉDIA
DESVIO
ERRO
CLASSIFICAÇÃO S
PADRÃO
PADRÃO
1
4 0,3871
0,16448
0,08224
RAIVA
2
4 1,1048
0,54130
0,27065
1
4 0,3790
0,10658
0,05329
CONFUSÃO
2
4 0,7823
0,26650
0,13325
1
4 0,3629
0,18507
0,09254
DEPRESSÃO
2
4 0,8387
0,61938
0,30969
1
4 0,6452
0,27498
0,13749
FADIGA
2
4 1,5645
0,19972
0,09986
1
4 0,9274
0,47290
0,23645
TENSÃO
2
4 1,3710
0,21799
0,10900
1
4 2,7984
0,33973
0,16987
VIGOR
2
4 1,6694
0,35078
0,17539
Gupo 1 = Fisicamente Ativas e Grupo 2 = Não praticantes de atividade física
* p  0,05
I.S.
0,162
0,140
0,009*
0,635
0,266
0,802
Onde os Grupos 1 e 2 são, respectivamente, fisicamente ativas e não praticantes de
atividade física. A coluna N representa o número de sentimentos que compõem o grupo de
classificação. E a coluna I.S. representa o índice de significância encontrado para cada
sentimento.
Gráfico 1foi feito baseado nos dados da Tabela 1 que apresenta a comparação entre
as médias obtidas para cada grupo de classificação com relação à amostra Fisicamente
Ativa e à amostra Não Praticante de Atividade Física.
Figura 1:Comparação das médias obtidas por grupo de classificação
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DISCUSSÃO
De acordo com os valores dos resultados apresentados anteriormente verificou-se
que apenas o grupo de classificação depressão apresentou diferença estatisticamente
significativa ao se considerar p ≤ 0,05, tendo sido encontrado 0,009 como índice de
significância para este grupo.
Confirmando o resultado do grupo de classificação depressão, Andrade (2003), em
estudos feitos sobre o efeito das atividades aquáticas sobre os níveis de depressão em
idosas com idades acima de 60 anos, afirmou que esse tipo de exercício causa redução
desses níveis nos praticantes, além de aumentar a saúde mental e melhorar a qualidade de
vida.
Segundo o American CollegeofSports Medicine (ACSM, 2010), mesmo que a
participação em programas de atividade física não aumente os níveis de performance
fisiológica, ela aumenta o status de saúde, reduzindo os fatores de risco para doenças
cardiovasculares mantendo também a funcionalidade física, podendo ter grande impacto
sobre a qualidade de vida do idoso. Essa afirmativa concorda com o resultado encontrado
para o grupo depressão visto que um dos componentes deste grupo é o sentimento Infeliz.
Entretanto, os resultados encontrados entre os grupos da amostra não confirmam esses
resultados visto que não foram estatisticamente significativos para os fatores de raiva,
tensão e vigor.
Segundo Savioli (2009) vários outros estudos indicam uma influência positiva da
atividade física no controle de peso e melhora da distribuição da gordura corporal; melhora
do estado de humor; alívio dos sintomas de depressão e ansiedade; e elevação dos padrões
de saúde relacionados a qualidade de vida.
CONCLUSÕES
Pode-se concluir que o nível de depressão, representado pelos sentimentos Infeliz,
Desanimado, Miserável e Deprimido, tende a ser menor em idosas que praticam atividade
física regularmente.
Assim, considerando-se os achados sobre a relação entre estado de humor
relacionado à depressão com a auto-estima na Terceira Idade, pode-se concluir que a
diminuição nos níveis de depressão, ocasionados pela prática de atividade física, tende a
proporcionar um aumento no nível de autoestima de idosas fisicamente ativas.
Convém, portanto, propor que a atividade física para a Terceira Idade seja sempre
incentivada, visto que esta tende a trazer vários benefícios para a vida desses indivíduos. E,
não menos importante, que os profissionais de Educação Física busquem aperfeiçoar e
expandir os conhecimentos para que se possa contribuir com o envelhecimento mais
saudável.
REFERÊNCIAS
AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE.Diretrizes do ACSM para os testes de
esforço e sua prescrição. 8 ed. São Paulo: Guanabara Koogan, 2010.
ANDRADE, A.D. Benefícios da Atividade Física no Meio Aquático paraIdosos Depressivos. A
Terceira Idade, São Paulo, v.14, n.27, p.42-52, mai. 2003.
COSTA, F.G. CAMPOS, P.H.F. Representação social da velhice, exclusão e práticas
Institucionais. II Fórum das Jornadas de Representações Sociais. Rio de Janeiro. Set.2003.
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REZENDE, M. CALDAS, C.P. A dança de salão na promoção da saúde do idoso. A Terceira
Idade, v.14, n. 27, p. 7-27, 2003.
SAVIOLI, R.M.Umcoração saudável.São Paulo: Canção Nova, 2009.
ENDEREÇO: Rua Stelio Mendes Barroca, número 39, bairro Califórnia – Florestal/MG CEP: 35.690-000
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COMPARAÇÃO DA QUALIDADE DE VIDA ATRAVÉS DO WHOQOL-BREF EM IDOSOS
ACIMA DE 65 ANOS PRATICANTES REGULARES E NÃO PRATICANTES DE ATIVIDADE
FÍSICA
SOARES, L. L.1; PEREIRA, L.A2.; AZEVEDO, C. A.3; PUSSIELDI, G. A.4.
1 - Graduando em Educação Física na Universidade Federal de Viçosa/ Campus FlorestalFlorestal- Minas Gerais – Brasil;
2 - Professora do Programa de Terceira Idade da Prefeitura Municipal de Florestal – Minas
Gerais - Brasil
2 - Graduada em Educação Física UNI-BH- Belo Horizonte – Minas Gerais- Brasil;
3 - Professor e Pesquisador da Universidade Federal de Viçosa, Campus Florestal –
Florestal – Minas Gerais - Brasil.
Email - [email protected]
RESUMO:
A velhice é mais uma etapa da vida, e devemos nos preparar para vivê-la da melhor maneira
possível. Um programa de exercícios deve estar dirigido nesta idade a melhorar a
capacidade física do indivíduo diminuindo o efeito deletério e conseguir maximizar o contato
social do indivíduo e reduzir os problemas psicológicos, como ansiedade e depressão nesta
idade. A atividade física regular, associada às alterações fisiológicas e bem orientada
durante o envelhecimento, pode auxiliar a manter a vida diária com mais qualidade e ainda
reintegrar o idos socialmente. Outro fator importante a ser ressaltado é que a atividade física
praticada regularmente promove efeitos psicológicos como: aumento da autoestima,
aumento da autoconfiança, mais imaginação, maior autossuficiência, melhora da memória,
maior funcionamento intelectual e maior autocontrole. Conhecendo os benefícios da
atividade física esse estudo teve como objetivo verificar a sua influência na qualidade de
vida através de uma comparação entre idosos praticantes de atividade física e não
praticantes acima de 65 anos. A amostra foi composta por 62 (sessenta e dois) idosos,
masculino e feminino, sendo 31 praticantes regulares de atividade física e 31 não
praticantes. Para avaliar a qualidade de vida dos sujeitos utilizou-se o questionário de
Qualidade de Vida WHOQOL. Para as análises dos dados foi utilizada a média ponderada
de cada grupo. Utilizou-se o Teste t, de Student para comparação das médias entre as
variáveis dos grupos obtidas através do instrumento de avaliação. Todos os dados foram
tratados no programa SPSS 11.0. Os resultados mostraram, quando comparou-se os dois
grupos, que foi encontrado diferenças significativas apenas na variável domínio 2
(Psicológico). Assim, verificou-se com o estudo que idosos praticantes de atividade física
quando comparados com os não praticantes, não mostraram diferenças relevantes na
melhora dos domínios físicos, relações sociais, meio ambiente e gerais. Conclui-se que a
atividade física aponta efeitos benéficos nos aspectos psicológicos diretamente relacionados
à saúde mental e ao envelhecimento.
Palavras-Chave: Atividade Física; Idosos; Qualidade de vida.
ABSTRACT:
Old age is another stage of life, and we must prepare to live it the best way possible. An
exercise program should be directed at this age to improve the physical capacity of the
individual reducing the deleterious effect and can maximize the individual's social contact and
reduce psychological problems such as anxiety and depression in this age. Regular physical
activity, associated with physiological changes and targeted during aging, may help maintain
daily life with more quality and still socially reintegrate gone. Another important factor to be
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noted is that regular physical activity promotes psychological effects such as increased selfesteem, increased self-confidence, more imagination, more self-sufficiency, improved
memory, greater intellectual functioning and higher self. Knowing the benefits of physical
activity, this study aims to investigate the influence of physical activity on quality of life
through a comparison between elderly regular physically active and not practicing over 65
years. The sample consisted of 62 (sixty two) elders, male and female, 31 regular physically
active and 31 non-practitioners. To assess the quality of life of individuals used the Quality of
Life questionnaire WHOQOL. For the statistical analysis we used the weighted average of
each group. We used the t test of Student for comparison of means between groups of
variables obtained through the evaluation instrument. All data were processed using SPSS
11.0. The results showed, when we compared the two groups, we found significant
differences only in the variable domain 2 (psychological). Thus, it was found in the study that
elderly practitioners of physical activity compared to non-practitioners showed no significant
differences in the improvement of the physical variables, social relationships, environment
and general. Thus it can be concluded that physical activity indicates beneficial effects on the
psychological aspects and overall mental health related to aging.
Keywords: Physical Activity, Elderly, Quality of life.
INTRODUÇÃO
O envelhecimento vem acompanhado de uma série de efeitos nos diferentes sistemas do
organismo que, de certa forma, diminuem a aptidão e o desempenho físico. No entanto,
muitos destes efeitos deletérios são secundários à falta de atividade física. Por esta razão a
prática do exercício físico regular torna-se fundamental nesta época da vida (MATSUDO,
MATSUDO & BARROS NETO, 2000; RIBEIRO et al. 2008).
Em razão de grande parte das evidências epidemiológicas sustentar efeito positivo de um
estilo de vida e/ou do envolvimento dos indivíduos em programas de atividade física e
exercício na prevenção e minimização dos efeitos deletérios do envelhecimento, os
cientistas enfatizam cada vez mais a necessidade de que a atividade física seja parte
fundamental dos programas mundiais de promoção de saúde. Não se pode pensar hoje em
“prevenir” ou minimizar os efeitos do envelhecimento sem que, além das medidas gerais de
saúde, se inclua a atividade física. Esta preocupação tem sido discutida não somente nos
chamados países desenvolvidos ou do primeiro mundo, como também nos países em
desenvolvimento como é o caso do Brasil (MATSUDO, 2002).
Com o controle das doenças infectocontagiosas e a melhora na qualidade de vida, a
expectativa de vida e o número de pessoas que atingem a terceira idade tendem a
aumentar. Dentre os fatores que tem contribuído para este fenômeno, estão, sem dúvida, a
preocupação pelo estilo de vida e o incremento da atividade física. O envelhecimento vem
acompanhado de uma série de efeitos nos diferentes sistemas do organismo que de certa
forma diminuem a aptidão e o desempenho físico. No entanto muitos desses efeitos são
secundários à falta de atividade física. Por esta razão a pratica da atividade física regular,
torna-se fundamental nessa época da vida (GUDLAUGSSON et al., 2012).
É facilmente observado, que com o passar dos anos homens e mulheres apresentam
dificuldades crescentes no desempenho de tarefas do cotidiano de suas vidas. Este declínio
no desempenho pode provocar alterações na qualidade de vida dos indivíduos, e algumas
vezes causar dependência de outros para a execução de suas tarefas diárias (GOMES
NETO & CASTRO, 2012).
Pesquisas recentes correlacionando alterações na atividade física em adultos inicialmente
sedentários com redução subsequentes na mortalidade têm confirmado a hipótese de que a
atividade física regular aumenta a longevidade (ACSM, 2011).
Outro ponto importante é a qualidade de vida relacionada com a atividade física. Ribeiro et
al. (2008) apontam em seu estudo que outro ponto importante a ser ressaltado é que a
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atividade física melhora a qualidade de vida e com isso há uma melhoria de rendimento
(saúde) físico, psíquico e social. Essa preocupação passa a ser prioritária em todo tipo de
programação. A atividade física favoreceu esse trabalho de redimensionamento e mudança
de postura, pois seus efeitos são muito mais sensíveis, mensuráveis e imediatos.
Interligando elementos socioculturais, físicos e psíquicos surgindo uma nova visão de
corporeidade do idoso.
OBJETIVO
O objetivo do estudo foi verificar a influência da atividade física na qualidade de vida através
de uma comparação entre idosos praticantes de atividade física e não praticantes acima de
65 anos através do Questionário WHOQOL-bref proposto pela Organização Mundial de
Saúde.
METODOLOGIA
A amostra foi composta por 62 (sessenta e dois) idosos, masculino e feminino, sendo 31
praticantes regulares de atividade física e 31 não praticantes. Utilizou-se o questionário de
Qualidade de Vida WHOQOL - Abreviado na versão em português do Programa de Saúde
Mental, Genebra. Ao apresentarem-se como voluntários, os idosos foram informados,
quanto ao objetivo e aos procedimentos metodológicos do estudo. O estudo teve aprovação
do Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade Federal de Minas
Gerais sob o número de protocolo 053/04. O consentimento para a participação no estudo,
por escrito, foi obtido de cada voluntário, após os esclarecimentos necessários, estando
todos cientes de que a qualquer momento poderiam, sem constrangimento, deixar de
participar do mesmo. Foram tomadas todas as precauções no intuito de preservar a
privacidade dos voluntários. O questionário foi aplicado em forma de entrevista, pois vários
idosos tinham problema de visão, dificultando o entendimento do questionário e vários
outros idosos eram analfabetos. O questionário foi aplicado no local em que praticavam
atividade física e os não praticantes no local onde residiam. A coleta dos dados teve
duração de duas semanas, uma para os praticantes de atividade física e uma para os não
praticantes. Para as análises dos dados foi utilizada a média ponderada de cada grupo de
acordo com o instrumento utilizado essa análise foi feita com base no Teste t, de Student
onde se comparou as médias entre as varáveis dos grupos do instrumento. Utilizou-se para
análise estatística o programa SPSS 11.0 com p ≤ 0,05.
RESULTADOS
O gráfico 1 apresenta o resultado do Domínio Físico quando comparou-se os grupos de
praticantes (Grupo 1) e não praticantes (Grupo 2). Não foi encontrada diferença significativa
entre os dois grupos.
Gráfico 1: Diferença entre os grupos no Domínio Físico
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O gráfico 2 apresenta o resultado da variável Domínio Psicológico entre os grupos
praticantes (Grupo 1) e não praticantes (Grupo 2). Quando se comparou os dois grupos, foi
a única variável que encontrou-se diferença estatisticamente significativa para p 0,05.
Gráfico 2: Diferença entre os grupos no Domínio Psicológico
*
*
*
O gráfico 3 apresenta o resultado do Domínio Relações Sociais entre os grupos praticantes
(Grupo 1) e não praticantes (Grupo 2), onde também não foi encontrado diferença
estatisticamente significativa.
Gráfico 3: Diferença entre os grupos no domínio 3
O gráfico 4 apresenta o resultado do Domínio Meio Ambiente entre os grupos praticantes
(Grupo 1) e não praticantes (Grupo 2). Não foi encontrada diferença estatisticamente
significativa entre os grupos.
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Gráfico 4: Diferença entre os grupos no Domínio Meio Ambiente
O gráfico 5 apresenta o resultado do Domínio Geral entre os grupos praticantes (Grupo 1) e
não praticantes (Grupo 2). Não foi encontrada diferença estatisticamente significativa entre
os grupos.
Gráfico 5: Diferença entre os grupos no domínio geral
DISCUSSÃO
A análise das variáveis domínios físicos, relação social, meio ambiente e geral não
apresentou diferença significativa entre os grupos.
O achado nesse estudo contradiz o que Gudlaugsson et al. (2012) que citam no seu
trabalho onde afirma que cada vez mais é evidente o reconhecimento dos efeitos benéficos
que a atividade física proporciona a saúde física, mental, ambiental, social e psicológica das
pessoas idosas, pois sabe-se que o envelhecimento diminui a atividade dos idosos,
ocasionando modificações físicas, biológicas, psicológicas e também ocorre
desengajamento social.
No entanto, Gomes Neto & Castro (2012) salientam a necessidade de estudos longitudinais,
para verificar se o exercício é fator causal em relação a performance motora superior, e
especialmente, se a atividade física pode servir como uma intervenção no efetivo estilo de
vida, para reverter ou diminuir o declínio do desempenho motor relacionado a idade em
indivíduos mais velhos.
É importante considerar o que Moré (2002) verificou em seu estudo, que o exercício físico
regular bem orientado pode auxiliar na melhor qualidade da vida diária e reintegrar o idoso
nas relações sociais.
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Na análise da variável domínio psicológico, foi encontrada diferença estatística significativa,
como em vários outros estudos. Segundo Matsudo; Matsudo & Barros Neto (2000) tem sido
relatados efeitos da atividade física e do exercício físico nos aspectos biológicos e ligados à
saúde. As evidencias apontam também para efeitos nos aspectos psicológicos e sociais do
envelhecimento tais como melhora do autoconceito, melhora da autoestima, melhora da
imagem corporal e da socialização.
Martínez et. al. (2003) observaram que exercício físico realizado frequentemente pode
ajudar a tratar a depressão e melhorar os níveis de ansiedade.
Segundo Guimarães et al. (2012), no plano psicológico, em geral, cabe indicar que a
atividade física resulta beneficamente em uma ampla gama de problemas psicológicos e em
geral para a saúde mental dos sujeitos.
Gaz & Smith (2012), afirmam que a atividade física tem um importante papel na prevenção
dos transtornos mentais como nos casos de depressão, ansiedade e dependentes de
medicamentos.
Na revisão feita Gaz & Smith (2012) estudos que analisaram a relação da atividade física,
envelhecimento e bem estar psicológico, os autores encontraram que a maioria reportou
uma associação positiva entre essas variáveis que os programas mais longos demonstraram
consistentemente resultados mais positivos.
A influência benéfica da atividade física sobre a dimensão emocional da qualidade de vida
se dá sob múltiplos aspectos. Considera-se, em primeiro lugar, a ação benéfica que exerce
sobre os efeitos nocivos do estresse e o melhor gerenciamento das tensões próprias do
viver (NASCIMENTO JÚNIOR, CAPELARI & VIEIRA, 2012).
Em resumo Gaz & Smith (2012) relatam uma forma global dos benefícios psicológicos
proporcionados pela atividade física: redução de estado de ansiedade, redução dos níveis
de depressão, considerando que ansiedade e depressão são sintomas relacionados com o
estresse, redução dos níveis de neurose, ajuda na redução de casos severos de depressão,
que requer normalmente tratamento com medicamento, redução de estresse, tensão
muscular, redução dos efeitos emocionais em todos idades e sexo.
Nas observações realizadas por Matsudo; Matsudo & Barros Neto (2000) foi possível
concluir que os estudos epidemiológicos confirmam que as pessoas moderadamente ativas
fisicamente têm um risco menor de desordens mentais do que as sedentárias.
CONCLUSÃO
Podemos concluir que a atividade física aponta efeitos benéficos nos aspectos psicológicos,
problemas psicológicos e em geral para a saúde mental relacionada ao envelhecimento uma
vez que verificou-se com o estudo que idosos praticantes de atividade física quando
comparados com os não praticantes, não mostraram diferenças relevantes na melhora das
varáveis física, relação social, meio ambiente e geral mas foi possível verificar uma diferença
estatística significativa na variável psicológica no grupo praticante regular de atividade física.
REFERÊNCIAS
AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE - ACSM. Diretrizes do ACSM para testes de
esforço e sua prescrição. 8 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2011.
GAZ, D.V.; SMITH, A.M. Psychosocial benefits and implications of exercise. PM R. v.4, n.11,
p.812-817. 2012. doi: 10.1016/j.pmrj.2012.09.587.
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GOMES NETO, M.; CASTRO, M.F. Estudo comparativo da independência funcional e
qualidade de vida entre idosos ativos e sedentários. Revista Brasileira de Medicina do
Esporte. v.18, n.4, p.234-237, 2012.
GUDLAUGSSON, J.; GUDNASON, V.; ASPELUND, T.; SIGGEIRSDOTTIR, K.;
OLAFSDOTTIR, A.S.; JONSSON, P.V.; ARNGRIMSSON, S.A.; HARRIS, T.B.;
JOHANNSSON, E. Effects of a 6-month multimodal training intervention on retention of
functional fitness in older adults: a randomized-controlled cross-over design. Int J Behav Nutr
Phys Act. v.10, n.9, 107. 2012, doi: 10.1186/1479-5868-9-107.
GUIMARÃES, A.C.A.; SCOTTI, A.V.; SOARES, A.; FERNANDES, S.; MACHADO, Z.
Percepção da qualidade de vida e da finitude de adultos de meia idade e idoso praticante e
não praticante de atividade física. Revista Brasileira de Geriatria e Gerontoloigia. v.15, n,4,
p.661-670, 2012.
MARTÍNEZ, A.; SOTO, M.; IZQUIERDO, M. Asociación de la condicion física saludable y los
indicadores del estado de salud (I). v. 20 n. 96, p. 339-345, 2003.
MATSUDO, S.M. Envelhecimento, atividade física e saúde. Revista Brasileira de Educação
Física. v. 10, n.1, p.193-207, 2002.
MATSUDO, S.M.; MATSUDO, V.K.R.; BARROS NETO, T.L. Efeitos benéficos da atividade
física na aptidão física e saúde mental durante o processo de envelhecimento. Revista
Brasileira de Atividade Física e Saúde v. 5, n. 2, p. 60-70, 2000.
MORÉ, I. Como entrar na terceira idade com uma melhor qualidade de vida. 2002. 42f.
Monografia – Faculdades Integradas de Palmas – FACILPAL, Palmas, 2002.
NASCIMENTO JÚNIOR, J.R.A.; CAPELARI, J.B.; VIEIRA, L.F. Impacto da atividade física
no estresse percebido e na satisfação de vida dos idosos. Revista da Educação Física /
UEM. v.23, n.4., 2012. Acessível em: <http://www.scielo.br/pdf/refuem/v23n4/14.pdf.>.
RIBEIRO, A.P.; SOUZA, E.R.; ATIE, S.; SOUZA, A.C; SCHILITHZ, A.O. A influência das
quedas na qualidade de vida de idosos. Ciência e Saúde Coletiva, v.13, n.4, p.1265-1273,
2008.
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RESUMOS
CORRELAÇÃO ENTRE AGILIDADE E FREQUÊNCIA CARDÍACA EM ATLETAS
AMPUTADOS
REIS, R.M.¹; RIBEIRO, V.B¹.; CUNHA, R.G.²
1: Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP – Ribeirão Preto, São Paulo, 2: Instituto
Metodista Izabela Hendrix – Belo Horizonte, Minas Gerais
email: [email protected]
Introdução: Indivíduos com amputação unilateral de membros inferiores apresentam um
padrão de marcha assimétrico. Para o membro amputado, a fase de apoio é de curta
duração, há um prolongamento do tempo da fase de balanço e um maior comprimento de
passada. Assim, eles têm um consumo de gasto energético de 10 a 30% maior em relação a
um indivíduo não deficiente. Para suprir esta demanda, a frequência cardíaca (FC) tem um
aumento de 62% nestes indivíduos. A prática de esportes adaptados tem sido estimulada
para promover uma melhora na funcionalidade do amputado. Um dos ganhos destas
atividades é a melhora na agilidade para realizar ações, tanto no esporte quanto no
cotidiano. Além disso, esperam-se ganhos na capacidade cardiorrespiratória. Dessa forma, o
objetivo deste estudo é verificar se a agilidade de indivíduos amputados interfere na sua
freqüência cardíaca. Metodologia: Foram avaliados 14 jogadores de futebol para amputados,
todos do gênero masculino, com idade entre 20 e 40 anos. Para avaliação da agilidade foi
realizado o Teste de Agilidade. Realizou-se o Teste Vai-e-Vem, onde foi coletado o valor da
freqüência cardíaca (FC) imediatamente ao término do teste. À partir deste valor, foi
calculado o percentual (%) da FC atingida em relação à frequência cardíaca máxima
(FCmáx.) prevista pela idade (220- idade) de cada jogador. Para análise estatística foram
realizados o teste de KomogrovSmirnov para distribuição da amostra e a correlação de
Pearson entre as variáveis Agilidade e o %FCmáx. prevista pela idade atingido durante o
teste Vai-e-Vem, com intervalo de confiança a 99%. Resultados: Foi observada uma
correlação inversa entre as variáveis Agilidade e %FCmáx. prevista pela idade, de valor bom
(R = - 0.7). Isso demonstra que quanto maior a agilidade, menor o %FCmáx. prevista pela
idade atingido pelos jogadores durante o teste Vai-e-vem. Conclusão: Foi possível observar
que o aumento da agilidade de um indivíduo pode levar à melhora de sua funcionalidade
uma vez que indivíduos com maior agilidade atingiram um menor %FCmáx. prevista pela
idade para a realização do mesmo esforço durante o teste de Vai e Vem.
Palavras-chave: amputados, agilidade, frequência cardíaca
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CORRELAÇÃO ENTRE VELOCIDADE, AGILIDADE E COMPORTAMENTO TÉCNICOTÁTICO DE JOGADORES DE FUTEBOL PARA AMPUTADOS
REIS, R.M.¹; RIBEIRO, V.B¹.; CUNHA, R.G.²
1: Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP – Ribeirão Preto, São Paulo, 2: Instituto
Metodista Izabela Hendrix – Belo Horizonte, Minas Gerais
email: [email protected]
Introdução: O esporte adaptado surgiu no período pós-guerra, com o objetivo de reabilitar e
reintegrar os amputados e lesados medulares decorrentes dos combates. Dentre os
esportes coletivos destaca-se a modalidade do futebol para amputados. Devido à
necessidade de direcionar cada vez mais o treinamento destes atletas, tem-se utilizado de
avaliações físico-táticas para avaliar o desempenho e tornar mais específico o treinamento
dos jogadores. Sendo assim, buscou-se analisar a efetividade de um treinamento para a
velocidade e a agilidade de jogadores amputados e suas possíveis influências nos aspectos
táticos nos jogos de futebol como: finalizações, bolas recuperadas, passes certos e faltas
sofridas. Metodologia: 14 jogadores de um time de futebol para amputados passaram por
uma avaliação física antes e após um treinamento durante uma competição de nível
internacional. Esta avaliação incluía o Teste de Velocidade de 20m, Teste de Agilidade e
Aspectos Técnico-Táticos do esporte. Resultados: Houve aumento estatisticamente
significante após o treinamento tanto para velocidade (p = 0,02) quanto para agilidade (p =
0,04). Ao correlacionar ambas variáveis houve uma correlação baixa no período prétreinamento (r = 0,22) e moderada no pós-treinamento (r = 0,45). O teste de agilidade
também apresentou uma correlação moderada com as variáveis técnico-táticas analisadas,
exceto para bolas recuperadas. Conclusão: Houve aumento significativo das variáveis
velocidade e agilidade após o treinamento. Contudo, houve apenas uma correlação
satisfatória entre a agilidade e as variáveis técnico-táticas analisadas. Estes resultados são
importantes para definir quais os melhores métodos de treinamento que poderão beneficiar
uma ou outra característica dos jogadores, como as capacidades técnicas e táticas.
Palavras-chave: amputados, futebol, agilidade
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PREDITORES PSICOLÓGICOS, REAÇÕES E O PROCESSO DE INTERVENÇÃO
PSICOLÓGICA EM ATLETAS LESIONADOS
RIBEIRO, V.B1; REIS, R.M1; LOPES, I.P.2; SILVA, F.G.2; OLIVEIRA, S.R.G2.
1-Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto-USP- Ribeirão Preto - São Paulo Brasil; 2Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri -Diamantina - Minas Gerais [email protected]
Introdução: Atualmente a intervenção psicológica vem sendo cada vez mais inserida no
esporte e tem sido de grande valia principalmente na prevenção e reabilitação de lesões.
Além do psicólogo do esporte, é importante entender como outros profissionais da saúde
podem atuar em conjunto nas intervenções psicológicas, buscando a melhor forma de
trabalhar com este atleta. O objetivo deste estudo foi verificar a produção científica nos
últimos anos acerca dos processos de lesão e reabilitação a partir de uma visão da
psicologia do esporte. Metodologia: Realizou-se uma revisão bibliográfica, abrangendo
publicações do ano de 2002 a 2012, indexadas na base de dados Pubmed e dissertações e
teses disponíveis no portal da Capes. Para as buscas foram utilizados os seguintes termos:
''lesões atléticas e psicologia''; “lesões atléticas e apoio social”; “lesões atléticas e estresse
psicológico” e “lesões atléticas com intervenção”. Os artigos encontrados foram divididos
em três tópicos: 1) Traços Psicológicos Preditores de Lesão (TPPL), 2) Reações dos Atletas
Lesionados (RAL) e 3) Técnicas de Intervenção Psicológicas, a Abordagem Multidisciplinar e
o Apoio Social (TIPAMAS). Resultados: No total foram encontradas 41 publicações, sendo 3
delas dissertações. Dessas 41, 10 delas continham o assunto TPPL (24%); 15 com RAL
(37%) e 19 com TIPAMAS (46%). Cada publicação poderia ser incluída em um ou mais
assuntos.
Conclusão: Os cuidados que devem ser tomados frente aos preditores
psicológicos de lesões esportivas é uma das áreas com maior necessidade de ser
investigada, tendo em vista que é uma forma de prevenir que fatores internos do próprio
ambiente esportivo assim como fatores externos da vida do atleta, como problemas
familiares e a falta de apoio possam aumentar o estresse e gerar alterações de ansiedade,
que elevam as possibilidades do desencadeamento da lesão. Quanto às reações
apresentadas pelo atleta lesionado, estas são bem discutidas e devem ser mais bem
gerenciadas, uma vez que podem influenciar, acelerando ou retardando o retorno do atleta.
Diversas técnicas de intervenção psicológica foram descritas, entretanto, essas ainda não
têm sido muito bem aplicadas no meio esportivo, uma vez que existe uma deficiência no
conhecimento das mesmas por parte dos profissionais da saúde, além do distanciamento
destes com o psicólogo do esporte, o que acaba prejudicando na recuperação do atleta.
Palavras-chave: lesões atléticas, psicologia, apoio social.
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PREVALÊNCIA DE JOVENS UNIVERSITÁRIOS TABAGISTAS E A RELAÇÃO COM A
PRÁTICA DE EXERCÍCIO FÍSICO E O CONSUMO DE BEBIDAS ALCÓOLICAS
RIBEIRO, V.B1.; REIS, R.M1; LOPES, I.P2.; IRENO, M.S.M2; MARTINS, F.L.M2.; LIMA, V.P2.
1-Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto-USP- Ribeirão Preto - São Paulo Brasil; 2Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri -Diamantina - Minas Gerais [email protected]
Introdução: Segundo o relatório de 2008 da Organização Mundial da Saúde (OMS)sobre a
epidemia de tabagismo global, o tabaco é a droga mais consumida no mundo e fator de risco
para seis das oito principais causas de morte,matando prematuramente de um terço à metade de todos usuários, em média em 15 anos. A cada dia, cerca de 100 mil jovens começam a fumar, e 80% se encontram em países em desenvolvimento. A idade média da
iniciação ao fumo do tabaco é de 15 anos, o que levou a OMS a considerar o tabagismo com
uma doença pediátrica.Este trabalho teve como objetivo identificar a prevalência do
tabagismo em jovens universitários e sua associação com a prática de exercício físico e o
consumo de bebidas alcóolicas. Metodologia: Foram entrevistados 360 universitários, de
ambos os gêneros, com idade entre 18 e 24 anos. Foram avaliados com relação ao hábito
tabágico: nível dependência nicotínica e a outros hábitos associados como a prática de
atividade física e o consumo de bebidas alcóolicas.Para ser considerado tabagista, deveria
ter atingido o nível mínima dependência nicotínica do questionário de Fargestrom. Já para
ser ativo, praticar exercício físico pelo menos três vezes por semana. Para análise estatística
foram testadas as variáveis independentes por meio de análise univariada (teste do quiquadrado), sendo considerado o valor de p < 0,05 para significância estatística bem como o
teste exato de Fisher. Resultados: Encontrou-se uma prevalência de tabagistas de 6,9%.Não
foi encontrada diferença estatística no consumo do tabaco entre os gêneros (p = 0, 071). A
maioria dos fumantes não realizava exercício físico, entretanto, não foi encontrada diferença
estatisticamente significativadiferença quanto à prática de exercício físico entre a população
tabagista e não tabagista (p=0,088). Foi encontrado que 100,0% da população tabagista
consomem bebidas alcoólicas, sendo encontrado 60,3 % na população não tabagista.
Conclusão: Na população estudada, a prevalência de tabagismo foi baixa, principalmente
por não se ter avaliado os tabagistas esporádicos. Com relação à prática de exercício físico,
não foi encontrado número de praticantes expressivo em nenhum dos grupos estudados,
dado este preocupante, uma vez que essa atividade é considerada como incentivadora para
mudança de maus hábitos de vida. Salienta-se a necessidade da criação de programas
preventivos de educação em saúde que visem o incentivo à cessação tabágica e a
divulgação de informações sobre os malefícios causados tanto pelo tabagismo quanto pelo
consumo de bebidas alcoólicas.
Palavras-chaves: Adolescente; Estudantes; Tabagismo.
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COMPARAÇÃO DOS DESVIOS POSTURAIS ENTRE CRIANÇAS BAILARINAS SURDAS E
SADIAS
REIS, R.M.¹; RIBEIRO, V.B.¹; BONUGLI, G.P.¹; GONTIJO, R.C.
1: Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP – Ribeirão Preto, São Paulo, 2: Instituto
Metodista Izabela Hendrix – Belo Horizonte, Minas Gerais
email: [email protected]
Introdução:Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), existem mais de 120
milhões de pessoas no mundo com deficiência auditiva, sendo 8,7 milhões com idade
variando de 0 a 19 anos. A deficiência auditiva total, comumente chamada de surdez,
interfere de forma decisiva no desenvolvimento cognitivo e motor da criança e do
adolescente. A relação existente entre os sistemas auditivo e vestibular aumenta a
probabilidade de indivíduos surdos terem lesão de receptores vestibulares. Essas alterações
geram alteração da sensibilidade cinestésica que favorece mudanças no tônus muscular, na
consciência corporal e no alinhamento da coluna vertebral e das demais articulações do
corpo. A dança para crianças e adolescentes surdas têm sido utilizada como forma de
melhorar o aprendizado cognitivo, motor e a consciência corporal. Assim o objetivo deste
estudo foi comparar a análise postural de bailarinas sadias e surdas. Métodos: Foram
analisadas as posturas de 14 voluntárias sadias e 14 surdas, do sexo feminino, com idade
entre 10 e 16 anos, praticantes de ballet há pelo menos três anos. A análise postural foi
realizada nos planos anterior, lateral e posterior. Os seguintes ângulos foram mensurados:
alinhamento horizontal da cabeça, alinhamento dos acrômios, alinhamento das espinhas
ilíacas antero-superiores, ângulos frontais dos membros inferiores, ângulo Q, assimetria das
escápulas, ângulo entre perna/retropé, alinhamento da cabeça em relação à C7, lordose
cervical, cifose torácica, lordose lombar, alinhamento entre as espinhas ilíacas anterior e
posterior e alinhamento vertical do tronco. Os ângulos mensurados através do programa
SAPO®. Para comparar os resultados entre os grupos foi utilizado o teste T não pareado,
p<0.05 com 99% de confiança. Resultados: Apenas os ângulos frontais dos membros
inferiores esquerdo (p=0.006) e direito (p=0.003), o ângulo Q do lado direito (p=0.008) e
alinhamento da cabeça em relação à C7 (p=0.006), foram estatisticamente diferente entre os
grupos de bailarinas sadias e surdos. Os demais ângulos não apresentaram diferenças
significativas. Conclusão: Uma vez que a postura de bailarinas surdas mostrou-se similar ao
de bailarinas sadias com a mesma faixa etária e tempo de treinamento, o ballet mostrou-se
uma ferramenta capaz de melhorar a conscientização corporal em crianças surdas, uma vez
que esta população geralmente tem sua postura alterada, prevenindo-se futuras lesões
ortopédicas ou dores crônicas.
Palavras-chave: postura, surdez, dança
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USO DA PLATAFORMA VIBRATÓRIA NA PROTUSÃO DE OMBRO: ESTUDO PILOTO
VICENTE,L.G.¹; VAZ,T.O.¹; FABRIN,S.¹ VERRI,E.D.¹
¹Centro Universitário Claretiano de Batatais–São Paulo-Brasil
[email protected]
INTRODUÇÃO: A protusão de ombro (PPO) pode ser causada por um desequilíbrio
muscular da cintura escapular. Considerando que a PPO é resultado do desequilíbrio entre
força e flexibilidade, a literatura relata que seu tratamento pode ser efetivo na plataforma
vibratória, comprovadamente ela atua como instrumento auxiliar e acelerador na reabilitação
de capacidades como força, flexibilidade e resistência muscular.OBJETIVO: Observar se o
tratamento da PPO complementado com a plataforma vibratória é mais efetivo que o
convencional.MÉTODO: Participaram duas mulheres, sedentárias, 21 anos, com PPO.
Avaliamos suas posturas pela Escala de New York, medida da distancia do acrômio ao solo,
báscula da escápula e sulco deltopeitoral. Depois o desequilíbrio muscular foi avaliado com
os testes de força, de retração, e a eletromiografia avaliou o grau de ativação dos
mm.trapézio e peitoral maior. O procedimento foi fortalecimento do m. trapézio e
alongamento da cadeia anterior de ombro. Com uma paciente exposta a vibração e a outra
não.RESULTADOS: Após 10 sessões de tratamento a paciente tratada sem a vibração não
apresentou resultados significativos. Já na paciente exposta a vibração a escápula
aproximou-se 1cm da coluna. O acrômio aproximou-se 5cm do solo, o sulco deltopeitoral
normalizou-se e, as retrações de peitorais desapareceram, resultados indicativos de maior
flexibilidade de peitorais. No teste de força trapézio fibras médias e inferiores, e romboides,
enfraquecidos anteriormente, alcançaram grau 5. Na eletromiografia durante a abdução
horizontal de ombro o m.trapézio superior passou de uma ativação de 189,27µv para
639,47µv e TFM de 141,63µv para 407,26µv indicando fortalecimento dos mesmos, o TFI
passou de 382,25µv para 177,03µv também indicando fortalecimento já que na abdução
horizontal ele atua mais estabilizando a escápula, durante a adução horizontal o TFS passou
de 244µv para 259,68µv, o TFM de 21,29µv para 17,76µv e TFI de 108,74µv para 10,73µv
essa diminuição da ativação ocorreu devido a melhora no posicionamento da articulação
escapulo-torácica causada pela melhor sinergia da musculatura escapular da paciente,
exigindo menor força de fixação do trapézio, o TFS obteve esse leve aumento devido ao
melhor posicionamento do ombro que permitiu uma melhor rotação superior
escapular.CONCLUSÃO: O tratamento com a plataforma vibratória foi mais efetivo que o
convencional, servindo como acelerador do tratamento, resultado importante considerando
que a população moderna despende pouco tempo cuidando da saúde.
PALAVRAS-CHAVE: Plataforma vibratória, desequilíbrio, protusão
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ÍNDICE DE LESÕES DE COTOVELO EM PRATICANTES DE TÊNIS DE CAMPO DE
UBERABA
SILVA, T.M.1; MARQUES, B.R.M.2; PEREIRA, D.F.3; BORGES, M.L.4; SOUSA JUNIOR,
J.G.5; QUEIROZ JUNIOR, C.A.6.
1-Centro de Ensino Superior de Uberaba – Minas Gerais – Brasil. 2-Centro de Ensino
Superior de Uberaba – Minas Gerais – Brasil. 3-Centro de Ensino Superior de Uberaba –
Minas Gerais – Brasil. 4-Centro de Ensino Superior de Uberaba – Minas Gerais – Brasil. 5Centro de Ensino Superior de Uberaba – Minas Gerais – Brasil. 6-Centro de Ensino Superior
de Uberaba – Minas Gerais – Brasil.
[email protected]
Palavras chave: cotovelo, lesão, tênis.
INTRODUÇÃO: O tênis se originou no século XII e início de XIII, na França, teve as
primeiras regras feitas por Guy Forbert. No Brasil em 1924 foi fundada a Federação Paulista
de Tênis e em 1955 surgiu a Confederação Brasileira de Tênis (CONFEDERAÇÃO, 2007).
No tênis se realizam vários movimentos e técnicas na sua execução que são fundamentais
no esporte (CRESPO, 1999). A qualidade das raquetes pode possibilitar o aparecimento de
lesões musculares. As lesões músculo-esqueléticas causam danos nos tecidos e dificultam
o desempenho dos desportistas afetando musculatura, ossos, órgãos e outras estruturas.
(Machado, 2004; Thomas, 1970). As lesões musculares alteram a função muscular, podendo
ser evitadas através de um bom condicionamento físico (SALLES, 2005). As principais
causas de lesão são o treinamento físico inadequado, retração muscular acentuada,
desidratação, nutrição inadequada e a temperatura ambiente desfavorável (SALLES, 2005,
p.1). A epicondilite é uma patologia que ocorre por esforços repetitivos e devido a uma
técnica inadequada na seqüência de alguns golpes (SILVA apud MACHADO, 2004, p.26).
Outra lesão comum é a tendinose ou cotovelo de tenista. De acordo com Motta e Cohen
(2004, p.9), a técnica correta na prática esportiva irá permitir uma melhor performance e a
prevenção de lesões.
OBJETIVO: Conhecer as lesões originadas da prática do tênis de campo e suas possíveis
causas.
METODOLOGIA: Realizado por meio de questionário onde foram entrevistados 113
praticantes amadores de tênis de campo de ambos os sexos com idade entre 10 e 60 anos.
Os dados foram coletados entre 10 e 16 de setembro de 2007, com atletas de Uberaba de
três clubes de tênis verificando o índice de lesões de cotovelo, sendo observados os tipos de
materiais utilizados dividindo a faixa etária entre 10 a 39 e 40 a 60 anos.
RESULTADOS:
Dos 113 entrevistados, 95 do sexo masculino (33 não lesados e 62
lesados) e também 18 do sexo feminino (4 não lesadas e 14 lesados). Dos lesados, 20
treinavam duas vezes na semana, 31 três vezes na semana, 14 pessoas quatro vezes na
semana e 11 pessoas treinavam 5 e 6 vezes por semana. Em relação aos tipos de lesão,
foram encontrados 12 lesados no ombro, 12 na coluna vertebral, 32 no cotovelo, 12 no
joelho, 4 no punho e mão e 4 no tornozelo.
CONCLUSÃO: O tênis possibilita vários benefícios psicossociais para os praticantes, desde
que se tenha uma boa orientação por parte de profissionais capacitados, fim de buscar um
bom condicionamento, boa execução dos fundamentos, prevenindo assim lesões e dando
maior qualidade de vida aos seus praticantes.
[email protected]
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AS PRINCIPAIS LESÕES ESPORTIVAS NOS JOGADORES DE VOLEIBOL E A
CONTRIBUIÇÃO DA FISIOTERAPIA NA REABILITAÇÃO DESTES ATLETAS: REVISÃO
DE LITERATURA
CARMO, H.C.C.¹; ENDO,C.²
1
Centro Universitário Barão de Mauá - Ribeirão Preto/SP- Brasil
Centro Universitário Barão de Mauá - Ribeirão Preto/SP - Brasil
[email protected]
2
INTRODUÇÃO Considerado o segundo esporte na preferência dos brasileiros
(Confederação Brasileira de Voleibol, 2012), o voleibol é um esporte com elevado risco de
lesões, devido a necessidade de grandes esforços físicos e repetitivos para a sua prática. As
principais articulações acometidas por lesões neste esporte são o tornozelo, o joelho e
ombro, respectivamente. Diante deste contexto, observa-se a importância do fisioterapeuta
nestas equipes e o quanto este profissional deve estar familiarizado com os tipos e
mecanismos de lesões ocorridas no voleibol e suas formas de tratamento. OBJETIVO:
discutir e apresentar as principais lesões no voleibol, e demonstrar a contribuição da
fisioterapia na reabilitação dos atletas da modalidade. METODOLOGIA: Realizada revisão
de literatura compreendendo o período entre 2000 e 2012, na qual foram encontrados 160
artigos, sendo selecionados para este estudo 99, os quais faziam referência as principais
lesões encontradas no voleibol e as formas de tratamento fisioterapêutico.RESULTADOS:
verificou-se que as entorses de tornozelo, notadamente as ocorridas por inversão, são as
mais frequentes, representando cerca de 15 a 60% de todas as lesões da modalidade
(CHIAPA, 2001; et al., 2009). a articulação do joelho é a segunda mais lesionada no voleibol,
sendo a tendinopatia patelar, a patologia mais frequente. O mecanismo de lesão está
relacionado a intensidade de treinos e performance de saltos realizados nos fundamentos de
bloqueio, ataque e saque. Em relação as lesões de ombro, Reeser et al. (2006) relatam que
o ombro é a terceira articulação mais acometida no voleibol, representando cerca de 20% do
total de lesões no esporte, sendo a tendinopatia do manguito rotador a lesão mais frequente
(Verhagen et al., 2001).Quanto as abordagens fisioterapêuticas adotadas verifica-se a
utilização da técnica PRICE, terapia manual e técnicas de flexibilidade e fortalecimento.
CONCLUSÕES: Devido a elevada repetição de gestos esportivos, como, saltos, elevação
dos membros superiores acima da cabeça e flexão dos joelhos, justifica-se que as principais
lesões sejam as entorses de tornozelo e as tendinopatias as quais têm como mecanismo de
lesão a sobrecarga e o overuse. A partir disto, o fisioterapeuta envolvido em equipes
esportivas deve ter conhecimento dos mecanismos geradores de lesões e como preveni-las
e tratá-las qualitativamente. Palavras-chave:lesões esportivas;voleibol;fisioterapia.
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DROGAS: O PAPEL DO PROFESSOR DE EDUCAÇÃO FÍSICA NA CONSCIENTIZAÇÃO
DOS ALUNOS DO ENSINO MÉDIO
¹MASSON, L. F. F; ²BERTOLO, M
¹ Aluna do Curso de Educação Física – UNILAGO – União das Faculdades dos Grandes
Lagos. São José do Rio Preto / SP - Brasil.
²Professora Mestre em Educação Física. Coordenadora e professora do Curso de Educação
Física – UNILAGO – União das Faculdades dos Grandes Lagos. São José do Rio Preto / SP
- Brasil.
[email protected]
INTRODUÇÃO: Considerando a idade dos alunos que compõem o ensino médio não
podemos deixar de mencionar que se trata de uma fase de inúmeras provações e escolhas,
fase na qual a opção por um caminho impróprio poderá causar prejuízos individuais e
sociais. Nesse sentido verifica-se a importância do papel do profissional de educação física
na conscientização e apoio aos alunos nessa fase, principalmente em se tratando de
abordar temas transversais, como drogas, violência, orientação sexual, respeito, dignidade
entre outros, no intuito de contribuir para a formação social e integral dos mesmos.
OBJETIVO: De todos os temas citados o estudo irá se pautar apenas na importância da
abordagem e conscientização sobre as drogas com alunos do ensino médio, por conta de
ser atualmente considerado um dos principais problemas sociais que vem atingindo de
forma avassaladora todas as classes econômicas e pessoas de diferentes faixas etárias. No
entanto, levando em consideração a afirmação de Carlat-Marlatt (2008) o público mais
atingido pelo consumo são os adolescentes que acabam vivenciando esse vício para se
firmar em um grupo, para se sentirem mais comunicativos ou apenas para esquecer sua
realidade social e familiar. METODOLOGIA: Trata-se de um estudo bibliográfico de natureza
social, efetuada junto ao sistema de acervo da biblioteca da UNILAGO, e em pesquisas na
internet em sites acadêmicos, com o uso dos seguintes termos: Escola, educação física e
drogas, a partir das técnicas de análise textual, interpretativa e crítica, conforme Severino
(2000). CONCLUSÃO: Podemos considerar que o professor de educação física tem uma
grande responsabilidade em formar e orientar esses alunos para que saibam lidar com
esses problemas sociais, pois os mesmos tem a rica possibilidade de ministrar suas aulas
ao ar livre lidando com o corpo em movimento e relacionando cada gesto, cada regra e cada
concepção de vida com os vários assuntos necessários para a formação de seus alunos,
que, inúmeras vezes não são abordados por suas famílias por falta de conhecimento ou
preconceitos.
Palavra Chave: Escola, educação física e drogas.
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O USO DO WII E DA PLATAFORMA VIBRATÓRIA NAS ALTERAÇOES
MUSCULOESQUELÉTICAS E COGNITIVAS DA ESCOLIOSE
VAZ, T.O1; VICENTE, L.G1; SOUZA, S.B.1; FABRIN, S.1; VERRI, E.D1.
1- Centro Universitário Claretiano
[email protected]
de
Batatais
–
São
Paulo
–
Brasil
A escoliose ocasiona um grande problema postural na população, e provoca grandes
quadros de dor devido às alterações musculoesqueléticas, partindo desta premissa surgiu a
idéia de melhorar a autoestima da paciente e principalmente restabelecer a força,
flexibilidade e resistência muscular nos portadores de escoliose através de um recurso
fisioterapêutico inovador, o Wii associado à Plataforma Vibratória (PV). Através da revisão
literária observou-se que a Nintendo® Wii é um instrumento interativo para o tratamento das
doenças musculoesqueléticas sendo possível atuar também na área cognitiva dos
indivíduos. O objetivo deste estudo foi realizar a reabilitação da escoliose utilizando o Wii Fit
Plus (WFP) e a PV com o intuito de melhorar as condições musculoesqueléticas e cognitivas
do sujeito de pesquisa. Participou do estudo uma paciente do sexo feminino, sedentária, 21
anos, submetida à avaliação postural, utilizando a escala de New York e a Biofotogrametria
realizada na primeira terapia e no decorrer da décima e décima quinta sessão. A cada inicio
de terapia o teste de gravidade foi utilizada através da plataforma Wii, na sequência a
paciente participou de dois jogos utilizados para melhorar o equilíbrio, flexibilidade e também
interagir com o lúdico. Na PV foram realizados três tipos de exercícios de isostreching, com
três repetições cada, na intensidade de 30 Hertz por 30 segundos, realizando a reeducação
postural. No primeiro dia de terapia a paciente apresentou uma classificação severa pela
escala de New York, na décima sessão a paciente obteve uma pontuação de 55,
classificada como moderada e na avaliação realizada na decima quinta sessão obteve 61
pontos o indica um padrão de normalidade. O teste de centro de gravidade do primeiro dia
de terapia produziu o seguinte resultado: lado esquerdo (E) 44,9% e direito (D) 55,1%,
décima sessão lado (E) 49,3% e (D) 50,7%, décima quinta sessão foi 50,1% (E) 49,9% (D),
com visível alinhamento de ombro. Conclui-se, portanto que houve uma melhora qualitativa
na postura estática e dinâmica, reduzindo totalmente o quadro álgico, se faz necessário
novos estudos para comprovação dos resultados e um número maior de sujeitos de
pesquisa utilizando também grupos de controle.
Palavras Chaves: WII, ESCOLIOSE, PLATAFORMA VIBRATÓRIA.
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ANÁLISE ANTROPOMÉTRICA E A APTIDÃO FÍSICA DOS CADETES DO 1º ANO DO
CURSO DE BACHAREL EM CIÊNCIAS POLICIAIS DA ACADEMIA DE POLÍCIA MILITAR
DO BARRO BRANCO
MANTOVANE1, L.; NETO,C.B1; DEJANE, T.C; PAULO, L.F.L1
1
Academia de Polícia Militar do Barro Branco – São Paulo – Brasil
RESUMO:INTRODUÇÃO: Os policiais realizavam o trabalho sempre andando nas ruas,
subindo e descendo morros e escadas, verificando locais escuros e fazendo revistas a
suspeitos.Com o advento da tecnologia e, sobretudo, das diferentes formas de crimes
enfrentados pelos policiais, surge à necessidade de seleção e preparação para o novo
trabalho policial (Oliveira Junior; Silva, 2010).Foi necessário definir e mensurar quais as
capacidades físicas necessárias para desempenhar este trabalho.Dependendo da função, o
indivíduo pode expor-se a situações fisicamente arriscadas, tais como: conduzir automóveis
ou motocicletas em alta velocidade, usar a força para conter uma pessoa ou envolver-se em
confrontos armados (Hagen, 2006).OBJETIVO: analisar o perfil antropométrico e a aptidão
física dos Cadetes do 1º ano do curso de Bacharelado em Ciências Policiais da Academia
de Polícia Militar do Barro Branco (CBCPAPMBB) no início do período de formação.
METODOLOGIA:a coleta dos dados contou com n=123, com idade média de 24,7 anos
(DP±5,09), sendo 109 homens e 14 mulheres. A coleta foi realizada antes do início das
aulas de educação física na APMBB. Utilizou-se o adipômetro científico Sanny AD1010,
estadiômetro certificado pelo Inmetro, balança digital WISO W903, protocolo de Petrosky,
1995 e a fórmula de Siri, 1961. A mensuração do VO 2máx indireto foi calculado com base na
fórmula proposta por Cooper. Os cadetes foram submetidos ao Teste de Aptidão Física
(TAF) da APMBB composto pelas seguintes provas: barra fixa e 100m, abdominal remador e
teste de 40”, teste de cooper.RESULTADO:a média do percentual de gordura é de 17,95%
(DP± 6,52), IMC 24,48 (DP±4,22) classificando-os como ótima. A aptidão física dos cadetes
é classificada como razoável. Os cadetes possuem um VO2máx classificado como ótimo,
média de 43,4 ml/kg/min. CONCLUSÃO:há necessidade de se periodizar o treinamento dos
cadetes a fim de que atinjam a melhor forma física no TAF, além de sistematizar alguns
procedimentos para que se verifique anualmente de forma comparada o perfil
antropométrico, para que as políticas de educação física da APMBB adote as providências
necessárias para melhoria do perfil antropométrico e da aptidão física dos cadetes ao longo
da formação..
Palavras-chave: policiais militares, aptidão física, perfil antropométrico
1
[email protected]
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Órgão de divulgação científica do 2º ENAF Ribeirão Preto/SP e 10º ENAF BH /MG
COMPARAÇÃO DOS DESVIOS POSTURAIS ENTRE CRIANÇAS BAILARINAS SURDAS E
SADIAS
REIS, R.M.¹; RIBEIRO, V.B.¹; BONUGLI, G.P.¹; GONTIJO, R.C.
1: Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP – Ribeirão Preto, São Paulo, 2: Instituto
Metodista Izabela Hendrix – Belo Horizonte, Minas Gerais
email: [email protected]
Introdução:Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), existem mais de 120
milhõesde pessoas no mundo com deficiência auditiva, sendo 8,7 milhões com idade
variando de 0 a 19 anos. A deficiência auditiva total, comumente chamada de surdez,
interfere de forma decisiva no desenvolvimento cognitivo e motor da criança e do
adolescente. A relação existente entre os sistemas auditivo e vestibular aumenta a
probabilidade de indivíduos surdos terem lesão de receptores vestibulares. Essas alterações
geram alteração da sensibilidade cinestésica que favorece mudanças no tônus muscular, na
consciência corporal e no alinhamento da coluna vertebral e das demais articulações do
corpo. A dança para crianças e adolescentes surdas têm sido utilizada como forma de
melhorar o aprendizado cognitivo, motor e a consciência corporal. Assim o objetivo deste
estudo foi comparar a análise postural de bailarinas sadias e surdas. Métodos: Foram
analisadas as posturas de 14 voluntárias sadias e 14 surdas, do sexo feminino, com idade
entre 10 e 16 anos, praticantes de ballet há pelo menos três anos. A análise postural foi
realizada nos planos anterior, lateral e posterior. Os seguintes ângulos foram mensurados:
alinhamento horizontal da cabeça, alinhamento dos acrômios, alinhamento das espinhas
ilíacas antero-superiores, ângulos frontais dos membros inferiores, ângulo Q, assimetria das
escápulas, ângulo entre perna/retropé, alinhamento da cabeça em relação à C7, lordose
cervical, cifose torácica, lordose lombar, alinhamento entre as espinhas ilíacas anterior e
posterior e alinhamento vertical do tronco. Os ângulos mensurados através do programa
SAPO®. Para comparar os resultados entre os grupos foi utilizado o teste T não pareado,
p<0.05 com 99% de confiança. Resultados: Apenas os ângulos frontais dos membros
inferiores esquerdo (p=0.006) e direito (p=0.003), o ângulo Q do lado direito (p=0.008) e
alinhamento da cabeça em relação à C7 (p=0.006), foram estatisticamente diferente entre os
grupos de bailarinas sadias e surdos. Os demais ângulos não apresentaram diferenças
significativas. Conclusão: Uma vez que a postura de bailarinas surdas mostrou-se similar ao
de bailarinas sadias com a mesma faixa etária e tempo de treinamento, o ballet mostrou-se
uma ferramenta capaz de melhorar a conscientização corporal em crianças surdas, uma vez
que esta população geralmente tem sua postura alterada, e prevenindo futuras lesões
ortopédicas ou dores crônicas.
Palavras-chave: postura, surdez, dança
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CORRELAÇÃO ENTRE AGILIDADE E FREQUÊNCIA CARDÍACA EM ATLETAS
AMPUTADOS
REIS, R.M.¹; RIBEIRO, V.B¹.; CUNHA, R.G.²
1: Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP – Ribeirão Preto, São Paulo, 2: Instituto
Metodista Izabela Hendrix – Belo Horizonte, Minas Gerais
email: [email protected]
Introdução: Indivíduos com amputação unilateral de membros inferiores apresentam um
padrão de marcha assimétrico. Para o membro amputado, a fase de apoio é de curta
duração, há um prolongamento do tempo da fase de balanço e um maior comprimento de
passada. Assim, eles têm um consumo de gasto energético de 10 a 30% maior em relação a
um indivíduo não deficiente. Para suprir esta demanda, a frequência cardíaca (FC) tem um
aumento de 62% nestes indivíduos. A prática de esportes adaptados tem sido estimulada
para promover uma melhora na funcionalidade do amputado. Um dos ganhos destas
atividades é a melhora na agilidade para realizar ações, tanto no esporte quanto no
cotidiano. Além disso, esperam-se ganhos na capacidade cardiorrespiratória. Dessa forma, o
objetivo deste estudo é verificar se a agilidade de indivíduos amputados interfere na sua
frequência cardíaca. Métodos: foram avaliados 14 jogadores de futebol para amputados,
todos do gênero masculino, com idade entre 20 e 40 anos. Para avaliação da agilidade foi
realizado o Teste de Agilidade. Realizou-se o Teste Vai-e-Vem, onde foi mensurada a
frequência cardíaca, na qual foi calculada seu percentual diante da frequência cardíaca
máxima (%FCmáx.) prevista pela idade (220- idade). Para análise estatística foi realizado o
teste de KomogrovSmirnov para distribuição da amostra e a correlação de Pearson entre as
variáveis Agilidade e (%FCmáx.) prevista atingida, com intervalo de confiança a 99%,
através do software GraphPadPrism versão 5. Resultados: Foi observada uma correlação
inversa entre as variáveis Agilidade e %FCmáx. prevista atingida, de valor bom (R = - 0.7).
Isso mostra que quanto maior a agilidade, menor o %FCmáx. prevista atingida indivíduos.
Conclusão: Foi possível observar que o aumento da agilidade de um indivíduo pode levar à
melhora de sua funcionalidade.uma vez que indivíduos com maior agilidade atingiram um
menor %FCmáx. prevista para a realização do mesmo esforço durante o teste de Vai e Vem.
Palavras-chave: amputados, agilidade, frequência cardíaca
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O TRABALHO EM EQUIPE NA EDUCAÇÃO PRFISSIONAL: ATIVIDADES DE ENSINO
COLETIVAS COMO FERRAMENTAS RELACIONAIS PARA FORMAÇÃO DE
COMPETÊNCIAS E ATUAÇÃO DE FUTUROS TRABALHADORES
ANDRADE, D. B. M.¹
IFPE - Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco – Belo Jardim –
Brasil.
E-mail: [email protected]
Introdução: Numa escola profissionalizante, a integração social torna-se uma habilidade
importante para o bom funcionamento da vida institucional. Hoje, a exigência de
conhecimentos das mais diferentes especialidades que a nova tecnologia tem solicitado vem
contribuindo significativamente para fortalecer a necessidade do Trabalho em Equipe.
Ninguém poderia acumular, sozinho, todas as áreas de conhecimento necessários para o
melhor atendimento das necessidades atuais (DRUZZIAN, 2002). A docência na Educação
Profissional compreende um saber específico: o conteúdo capaz de instrumentalizar o
exercício profissional (ARAUJO, 2008). Nesse contexto, a Educação Física é uma disciplina
importante na formação para o trabalho na medida em que ela fornece saberes e vivências
necessárias a quem irá atuar profissionalmente nos contingentes coletivos de trabalho. Em
suas aulas isso é facilmente observado, na medida em que utiliza atividades de ensino, na
maioria delas coletivas, através da prática de esportes, dança, luta, ginástica, e jogos, as
quais poderiam trazer importantes ferramentas relacionais para a atuação profissional futura.
Objetivo: O objetivo do estudo é identificar e analisar as contribuições dos Trabalhos em
Equipe, ou seja, atividades de ensino coletivas como recurso para a formação de
competências, no contexto da Educação Profissional. Metodologia: Como forma de obtenção
dos dados, foi utilizada uma ampla revisão bibliográfica, a fim de atender aos objetivos
propostos. Resultados: Por meio dos estudos realizados, muitos autores relatam que, no
momento em que a Equipe se forma, diferentes saberes e vivências são disponibilizados e
compartilhados pelos seus membros. Esses são transformados em saberes comuns a todos,
ou seja, tornam-se conhecimento adquirido. Isso é aprendizagem. Conclusões: No contexto
da Educação Profissional, o Trabalho em Equipe deve ser valorizado não apenas como uma
prática mais eficiente e efetiva para a construção do conhecimento e formação de
competências, mas também pelos valores que promove e desenvolve no aluno, de forma
direta e objetiva, como o aumenta da auto-estima. Assim sendo, o ensino através de
Trabalhos em Equipe possibilita o desenvolvimento de habilidades em contextos que
reproduzem situações futuras a serem vividas no mundo do trabalho. Palavras-chave:
trabalho em equipe, educação profissional, competências.
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O USO DE CRISTAIS RADIÔNICOS PARA TRATAMENTO DE CONSTIPAÇÃO
INTESTINAL
CAMPOS, S.L.1*; OLIVEIRA, K.R.; LOPES, G.L.
1-
Instituto de Pós-Graduação Unisaúde (IGPU), Uberlândia/MG - Brasil
- [email protected]
*
A auriculoterapia é uma técnica milenar Chinesa , que consiste na estimulação de pontos do
pavilhão auricular através da colocação de sementes, micro -agulhas, cristais, ouro, prata,
cobre ou outros. A técnica baseia-se na “ligação” de órgãos, membros e várias partes do
corpo ao pavilhão auricular através de zonas somatotópicas. Neste trabalho, utilizaremos
cristais radiônicos, que são pequenas esferas de cristal com 1 mm de diâmetro. Os cristais
são conhecidos por suas propriedades amplificadoras, transmissoras e focalizadoras de
energias. É necessário entender inicialmente que o uso desta técnica apoia-se no conceito
de energia, que seria diretamente relacionada ao conceito de atividade. Uma das maiores
queixas nos consultórios de acupuntura é o de “intestino preguiçoso”, ou constipação
intestinal. Mais frequente em mulheres, a constipação intestinal relaciona-se diretamente à
hábitos de vida, como alimentação, prática de atividade física, hábitos pessoais e outros.
Nesse trabalho foram avaliadas 10 mulheres com queixa de intestino preguiçoso que
responderão a um questionário específico de inclusão na pesquisa. Foram acompanhadas
durante dois meses, com regularidade de troca dos cristais uma vez por semana. Observouse ao final do trabalho que 80% das participantes relataram aumento/melhora de seus
hábitos intestinais, concluindo-se assim que a pesquisa obteve bons resultados. Sugere-se a
partir desse trabalho que sejam feitas mais pesquisas de caráter mais amplo e com grupos
maiores e mais heterogêneos.
Palavras-chave: Auriculoterapia, Intestino preso, Terapias alternativas.
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PREDITORES PSICOLÓGICOS, REAÇÕES E O PROCESSO DE INTERVENÇÃO
PSICOLÓGICA EM ATLETAS LESIONADOS
RIBEIRO, V.B1; REIS, R.M1; LOPES, I.P.2; SILVA, F.G.2; OLIVEIRA, S.R.G2.
1-Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto-USP- Ribeirão Preto - São Paulo Brasil; 2Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri -Diamantina - Minas Gerais [email protected]
Introdução: Atualmente a intervenção psicológica vem sendo cada vez mais inserida no
esporte e tem sido de grande valia principalmente na prevenção e reabilitação de lesões.
Além do psicólogo do esporte, é importante entender como outros profissionais da saúde
podem atuar em conjunto nas intervenções psicológicas, buscando a melhor forma de
trabalhar com este atleta. O objetivo deste estudo foi verificar a produção científica nos
últimos anos acerca dos processos de lesão e reabilitação a partir de uma visão da
psicologia do esporte. Metodologia: Realizou-se uma revisão bibliográfica, abrangendo
publicações do ano de 2002 a 2012, indexadas na base de dados Pubmed e dissertações e
teses disponíveis no portal da Capes. Para as buscas foram utilizados os seguintes termos:
''lesões atléticas e psicologia''; “lesões atléticas e apoio social”; “lesões atléticas e estresse
psicológico” e “lesões atléticas com intervenção”. Os artigos encontrados foram divididos
em três tópicos: 1) Traços Psicológicos Preditores de Lesão (TPPL), 2) Reações dos Atletas
Lesionados (RAL) e 3) Técnicas de Intervenção Psicológicas, a Abordagem Multidisciplinar e
o Apoio Social (TIPAMAS). Resultados: Foram incluídas três dissertações do total de 41
publicações selecionadas, sendo que 10 delas continham o assunto TPPL (24%); 15 com
RAL (37%) e 19 com TIPAMAS (46%). Conclusão: Os cuidados que devem ser tomados
frente aos preditores psicológicos de lesões esportivas é uma das áreas com maior
necessidade de ser investigada, tendo em vista que é uma forma de prevenir que fatores
internos do próprio ambiente esportivo assim como fatores externos da vida do atleta, como
problemas familiares e a falta de apoio possam aumentar o estresse e gerar alterações de
ansiedade, que elevam as possibilidades do desencadeamento da lesão. Quanto às reações
apresentadas pelo atleta lesionado, estas são bem discutidas e devem ser mais bem
gerenciadas, uma vez que podem influenciar, acelerando ou retardando o retorno do atleta.
Diversas técnicas de intervenção psicológica foram descritas, entretanto, essas ainda não
têm sido muito bem aplicadas no meio esportivo, uma vez que existe uma deficiência no
conhecimento das mesmas por parte dos profissionais da saúde, além do distanciamento
destes com o psicólogo do esporte, o que acaba prejudicando na recuperação do atleta.
Palavras-chave: lesões atléticas, psicologia, apoio social.
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CORRELAÇÃO ENTRE VELOCIDADE, AGILIDADE E COMPORTAMENTO TÉCNICOTÁTICO DE JOGADORES DE FUTEBOL PARA AMPUTADOS
REIS, R.M.¹; RIBEIRO, V.B¹.; CUNHA, R.G.²
1: Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP – Ribeirão Preto, São Paulo, 2: Instituto
Metodista Izabela Hendrix – Belo Horizonte, Minas Gerais
email: [email protected]
Introdução: O esporte adaptado surgiu no período pós-guerra, com o objetivo de reabilitar e
reintegrar os amputados e lesados medulares decorrentes dos combates. Dentre os
esportes coletivos destaca-se a modalidade do futebol para amputados. Devido à
necessidade de direcionar cada vez mais o treinamento destes atletas, tem-se utilizado de
avaliações físico-táticas para avaliar o desempenho e tornar mais específico o treinamento
dos jogadores. Sendo assim, buscou-se analisar a efetividade de um treinamento para a
velocidade e a agilidade de jogadores amputados e suas possíveis influências nos aspectos
táticos nos jogos de futebol como: finalizações, bolas recuperadas, passes certos e faltas
sofridas. Métodos: 14 jogadores de um time de futebol para amputados passaram por uma
avaliação física antes e após um treinamento durante uma competição de nível
internacional. Esta avaliação incluía o Teste de Velocidade de 20m, Teste de Agilidade e
Aspectos Técnico-Táticos do esporte. Resultados: Houve aumento estatisticamente
significante após o treinamento tanto para velocidade (p = 0,02) quanto para agilidade (p =
0,04). Ao correlacionar ambas variáveis houve uma correlação baixa no período prétreinamento (r = 0,22) e moderada no pós-treinamento (r = 0,45). O teste de agilidade
também apresentou uma correlação moderada com as variáveis técnico-táticas analisadas,
exceto para bolas recuperadas. Conclusão: Houve aumento significativo das variáveis
velocidade e agilidade após o treinamento. Contudo, houve apenas uma correlação
satisfatória entre a agilidade e as variáveis técnico-táticas analisadas. Estes resultados são
importantes para definir quais os melhores métodos de treinamento que poderão beneficiar
uma ou outra característica dos jogadores, como as capacidades técnicas e táticas.
Palavras-chave: amputados, futebol, agilidade
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PREVALÊNCIA DE JOVENS UNIVERSITÁRIOS TABAGISTAS E A RELAÇÃO COM A
PRÁTICA DE EXERCÍCIO FÍSICO E O CONSUMO DE BEBIDAS ALCÓOLICAS
RIBEIRO, V.B1.; REIS, R.M1; LOPES, I.P2.; IRENO, M.S.M2; MARTINS, F.L.M2.; LIMA, V.P2.
1-Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto-USP- Ribeirão Preto - São Paulo Brasil; 2Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri -Diamantina - Minas Gerais [email protected]
Introdução: Segundo o relatório de 2008 da Organização Mundial da Saúde (OMS)sobre a
epidemia de tabagismo global, o tabaco é a droga mais consumida no mundo e fator de risco
para seis das oito principais causas de morte,matando prematuramente de um terço à metade de todos usuários, em média em 15 anos. A cada dia, cerca de 100 mil jovens começam a fumar, e 80% se encontram em países em desenvolvimento. A idade média da
iniciação ao fumo do tabaco é de 15 anos, o que levou a OMS a considerar o tabagismo com
uma doença pediátrica.Este trabalho teve como objetivo identificar a prevalência do
tabagismo em jovens universitários e sua associação com a prática de exercício físico e o
consumo de bebidas alcóolicas. Métodos: Foram entrevistados 360 universitários, de ambos
os gêneros, com idade entre 18 e 24 anos. Foram avaliados com relação ao hábito tabágico:
nível dependência nicotínica e a outros hábitos associados como a prática de atividade física
e o consumo de bebidas alcóolicas.Para ser considerado tabagista, deveria ter atingido o
nível mínima dependência nicotínica do questionário de Fargestrom. Já para ser ativo,
praticar atividade física pelo menos três vezes por semana. Para análise estatística foram
testadas as variáveis independentes por meio de análise univariada (teste do qui-quadrado),
sendo considerado o valor de p < 0,05 para significância estatística bem como o teste exato
de Fisher. Resultados: Encontrou-se uma prevalência de tabagistas de 6,9%.Não foi
encontrada diferença estatística no consumo do tabaco entre os gêneros (p = 0, 071). A
maioria dos fumantes não realizava exercício físico, entretanto, não foi encontrada diferença
estatisticamente significativadiferença quanto à prática de exercício físico entre a população
tabagista e não tabagista (p=0,088). Foi encontrado que 100,0% da população tabagista
consomem bebidas alcoólicas, sendo encontrado 60,3 % na população não tabagista.
Conclusão:Na população estudada, a prevalência de tabagismo foi baixa, principalmente por
não se ter avaliado os tabagistas esporádicos. Com relação à prática de exercício físico, não
foi encontrado número de praticantes expressivo em nenhum dos grupos estudados, dado
este preocupante, uma vez que essa atividade é considerada como incentivadora para
mudança de maus hábitos de vida. Salienta-se a necessidade da criação de programas
preventivos de educação em saúde que visem o incentivo à cessação tabágica e a
divulgação de informações sobre os malefícios causados tanto pelo tabagismo quanto pelo
consumo de bebidas alcoólicas.
Palavras-chaves: Adolescente; Estudantes; Tabagismo.
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AVALIAÇÃO DA COMPOSIÇÃO CORPORAL E DA FORÇA MUSCULAR DE ATLETAS DE
HANDEBOL DURANTE UMA TEMPORADA
RODRIGUES, C.1; CARNEIRO, A.J.2; RIBEIRO, S.F.M.2; BRAGA, C.M.B.2; SIMEÃO
JÚNIOR, A.C.3; PFRIMER, K.1,2;
1 Universidade Paulista, Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil
2 Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto-FMRP, Universidade de São Paulo-USP,
Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil
3 Faculdade de Ciências Farmacêuticas-FCFAR, Universidade Estadual Paulista-UNESP,
Araraquara, São Paulo, Brasil
E-mail: [email protected]
O desempenho esportivo depende de vários fatores, dos quais se destaca a composição
corporal e a força muscular. A avaliação destas variáveis é fundamental para caracterizar o
perfil dos atletas e verificar o desempenho durante os treinamentos. Os objetivos dessa
pesquisa foram avaliar a composição corporal e a força manual após o período de
treinamento e verificar a correlação do índice de massa corporal com o percentual de
gordura corporal. Foram avaliados 23 atletas de handebol da cidade de Cravinhos–SP. As
avaliações ocorreram no início do período de treinamento e outra após sete meses. Foram
feitas as avaliações de composição corporal por bioimpedância elétrica, pregas cutâneas,
força muscular pelo dinamômetro, além de peso e altura. Os resultados mostram que maior
parte dos atletas (57%) está com o peso acima do recomendado, assim como o percentual
de gordura corporal, obtendo a média de 27±6,3%. Contudo, ao comparar o grupo avaliado
no inicio do período de treinamento com o grupo avaliado após os treinos, verifica-se um
aumento do peso corporal em 1,8kg, ganho de 3,6% de massa magra e diminuição da
gordura corporal em 4,1%. Os atletas se encontram bem hidratados, obtendo o percentual
médio de água corporal 72,5+12,2L. A avaliação antropométrica mostra que as maiores
alterações ocorreram nas pregas cutâneas do peitoral e supra-ilíaca. A força manual do time
após os treinos aumentou 2kg para a mão esquerda e 3,6kg para a direita. Há uma
correlação linear moderada de 0,6 entre o índice de massa corporal com o percentil de
gordura. Há uma correlação linear forte de 0,7, entre o percentual de gordura da
bioimpedância com a fórmula de Durnin (1974) e moderada para o protocolo de Guedes
(1994) e o de Falkner (1968). Apesar dos atletas não terem recebido acompanhamento
nutricional para melhora do estado nutricional e do desempenho esportivo, os atletas
melhoram sua composição corporal, aumentando a massa magra e diminuído a gordura e
aumentando a força.
Palavras-Chaves: Composição corporal, Força manual, Desempenho esportivo.
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PERCEPÇÃO NA MELHORIA DA QUALIDADE DE VIDA POR IDOSOS PRATICANTES DE
HIDROGINÁSTICA
OLIVEIRA, C.F.1;
TRIGO, R.W.M.1;
GIANASI, L.A.1.
1
Centro Universitário de Formiga – Minas Gerais – Brasil
[email protected]
RESUMO
A crescente preocupação com saúde durante o processo de envelhecimento tem levado
vários idosos a procurarem a hidroginástica como uma alternativa para a prevenção e o
tratamento de alterações físicas e psicológicas. A prática da hidroginástica consiste de uma
atividade corporal contínua em ambiente aquático, tornando os exercícios mais eficazes, na
proteção das articulações dos impactos que seriam causados pelos mesmos exercícios, se
fossem executados em outro ambiente. Visando reforçar a melhoria da qualidade de vida, o
presente estudo procurou analisar a capacidade de percepção das possíveis melhorias na
qualidade de vida de idosos praticantes de hidroginástica. Para essa pesquisa utilizou-se
uma amostra de 17 idosos (3 homens e 14 mulheres) de uma academia de Santo Antônio do
Monte - MG, sendo todos ativos na modalidade, com idades entre 60 e 89 anos. Foi utilizado
como instrumento de medida o questionário genérico de avaliação de qualidade de vida SF
36, validado por Ciconelli et.al (1999), o mesmo foi respondido pelos alunos de
hidroginástica que entregaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE)
assinado e compareceram no dia da entrega do questionário. O referido instrumento possui
11 questões no total. Para viabilizar a resposta aos objetivos propostos no estudo, utilizou-se
apenas 6 questões. Foram excluídos da pesquisa todos os alunos que não apresentaram o
TCLE assinado ou que não compareceram na academia no dia das aulas. O questionário foi
aplicado em duas das aulas semanais de hidroginástica e durante duas semanas, para
oportunizar a maior participação possível na pesquisa. De acordo com analise dos dados
percebe-se que a longo prazo, os idosos não conseguem percebe houve melhoras na sua
qualidade de vida, fato que não ocorre em um espaço temporal menor. Os resultados
apontam que a aderência à hidroginástica está relacionada às melhorias da saúde física e
mental, do convívio social/amizade/socialização e em especial às melhorias na auto-estima.
Conclui-se que a prática da hidroginástica para idosos é uma atividade física recomendada,
que possui grandes benefícios e que podem ser percebidos pelos praticantes em um curto
prazo, por isso a importância da atuação do profissional de Educação Física, como elemento
motivador de todo o processo.
Palavras-Chave: Hidroginástica; Idosos; Percepção; Qualidade de Vida.
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ADAPTAÇÕES FISIOLÓGICAS ENTRE O DESMPENHO COMPETITIVO E O LIMIAR DE
LACTATO DE DOIS NADADORES PARALÍMPICOS
CERQUEIRA, C.S¹,2, CARVALHO, P.M¹, DA SILVA JÚNIOR, J.A1.
1- Associação Niteroiense dos Deficientes Físicos (ANDEF) – Niterói – RJ – Brasil;
2- Time Rio Paralímpico (SMPD/CPB) – Rio de Janeiro – RJ - Brasil;
[email protected]
Introdução: Há tempos recomenda-se a monitoração das variáveis fisiológicas para a
prescrição do treinamento, havendo pouca informação na literatura sobre o tema na natação
paralímpica. Objetivo: Estabelecer associações entre o desempenho competitivo e o limiar
de lactato dentro de um programa de treinamento periodizado, numa abordagem de estudo
de caso. Metodologia: A amostra foi constituída por dois nadadores (um atleta do sexo
masculino de 31 anos e da classe S5 e um atleta do sexo feminino de 17 anos e da classe
S9), participantes do Circuito Brasil Paralímpico de Natação - 2010. Os atletas foram
avaliados em três ocasiões para as variáveis limiar de lactato mínimo e desempenho
competitivo através do Índice Técnico de Circuito (ITC - calculado pela razão da média dos
três melhores tempos do ranking mundial (MTRM)) da prova e classe pelo tempo do atleta
na mesma prova e classe. Para as análises de associação foi empregado o coeficiente de
correlação de Pearson, com nível de significância de P < 0,05. Resultados: A tabela abaixo
contém os resultados encontrados. Observou-se associação significativa entre o ITC e a
velocidade de limiar para o atleta do sexo masculino (r = 0,997; P = 0,049). Não foram
observadas associações significativas para a concentração de lactato no limiar (r = -0,984; P
= 0,113). Já para o sexo feminino não foram observados associações significativas para as
mesmas variáveis (r = 0,852; P = 0,351 e r = -0,963; P = 0,175, respectivamente). Apesar da
não significância estatística, destaca-se elevados valores de correlação (r > 0,85). A
utilização de apenas três avaliações podem explicar os resultados encontrados.
LA
ITC (%)
(km/h)
(mmol/L)
(meses) M
F
M
F
M
F
M
F
M
F
M
F
0
77,6 58,8 63,7 47,5 18,0 19,2 3,1
4,1
7,6
7,2
263 260
3
76,8 61,4 65,1 50,9 12,5 17,4 3,4
4,2
4,7
4,9
270 266
6
74,4 63,3 63,7 50,7 11,6 16,2 3,7
4,4
3,6
3,2
276 267
Tabela: MC - massa corporal; MCM - massa corporal magra; MG - massa de gordura; LA limiar aeróbio; ITC – Índice Técnico de Circuito.
Conclusão: Os dados obtidos parecem indicar dados relevantes para a prescrição do
treinamento. Contudo, para ampliar a compreensão do fenômeno investigado, recomenda-se
que sejam feitos estudos com outros atletas, objetivando aumentar o número de dados
avaliados.
Fase
MC (kg)
MCM (Kg)
MG (kg)
Palavras Chave: Natação Paralímpica, Limiar de Lactato, Desempenho Competitivo.
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TREINAMENTO FUNCIONAL PARA GANHO DE FLEXIBILIDADE
BIESDORF, Marisa.1;
MATSUDA, O. Luis. 2;
1
Acadêmica da 6ª fase do Curso de Educação Física do Centro Universitário para o
Desenvolvimento do Alto Vale do Itajaí - Rio do Sul - Santa Catarina - Brasil.
2 Professor Titular de Fisiologia Humana e do Exercício do Centro Universitário para o
Desenvolvimento do Alto Vale do Itajaí.
[email protected]
O presente artigo discorre sobre o treinamento funcional para o ganho da flexibilidade. É um
treino que busca a melhoria da aptidão física e está diretamente relacionado a saúde a
performance, utilizando uma metodologia segura na prevenção das articulações e lesões
músculo esqueléticas. A flexibilidade é a capacidade de realizar movimentos articulares o
mais amplamente possível em qualquer direção, o que possibilita a execução de
movimentos com grandes amplitudes. Esse trabalho evidencia o ganho da flexibilidade
através da pratica do treinamento funcional. Uma vez que a flexibilidade é considerada
fundamental para o aperfeiçoamento de movimentos simples ou complexos, bem como para
a manutenção da saúde e qualidade de vida. Ao final, por meio de testes foi possível avaliar
se o real ganho da flexibilidade através do treinamento. Fica evidente como esse tipo de
exercício pode servir para a produção de movimentos mais eficientes. E para desenvolver
essa aptidão e melhorar as funções musculares dos indivíduos o exercício funcional torna-se
um dos meios mais eficazes.
Palavras Chave: treinamento funcional; flexibilidade; funções musculares.
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MORTE SÚBITA NO FUTEBOL: O QUE OS ESTUDOS MOSTRAM
LEITE, D.M.M.1; LIMA, A.L. 2; GALDINO, F.C. 3; SILVA, M. V.1.
1- Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais- Belo Horizonte -Minas Gerais- Brasil.
2- Paysandu Sport Club- Belém- Pará- Brasil
3- Universidade Vale do Rio Verde- Betim- Minas Gerais -Brasil
1- Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais- Belo Horizonte- Minas Gerais- Brasil/
Cruzeiro Esporte Clube- Belo Horizonte- Minas Gerais -Brasil
[email protected]
Apesar de todo o avanço da medicina esportiva, a morte súbita continua a ocorrer durante
ou após a prática esportiva em atletas profissionais, principalmente no futebol causando
grande comoção na população mundial. Ainda não há um total consenso sobre qual a sua
real incidência. Esse estudo teve como objetivo apresentar por meio de revisão de literatura
o que os estudos dizem sobre a morte súbita cardíaca (MSC) e suas principais causas em
atletas profissionais de futebol, abrangendo também diferentes modalidades esportivas e
praticantes de exercício físico. A metodologia utilizada foi por revisão bibliográfica
integrativa, sendo selecionados para análise dez artigos científicos de diferentes
indexadores com base no tema proposto. Os resultados apresentaram que a principal causa
de morte súbita cardíaca em atletas abaixo de 35 anos é por cardiomiopatia hipertrófica e
acima dos 35 anos é por doença arterial coronariana. Para evitar o aumento no número de
mortes, é necessária uma avaliação de pré-participação (APP) proposto pela American
Heart Association, seguido de exames complementares para a detecção de possíveis
anomalias cardíacas silenciosas. No Brasil seria importante a padronização de protocolos de
avaliação em atletas profissionais e amadores, seguindo as recomendações da Diretriz da
Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte. É de suma importância à
realização de mais pesquisas relacionadas à carga de treinamento imposta aos atletas, tipo
e intensidade do exercício, número de jogos dentre outros fatores; e se esses fatores
auxiliam para o desencadeamento de eventos cardíacos que levam a morte súbita durante e
após a prática do futebol para um maior esclarecimento do tema dentro do cenário esportivo
nacional e internacional.
Palavras- chave: Morte súbita cardíaca. Morte súbita no esporte. Causas de morte súbita
cardíaca.
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RESPOSTAS FISIOLÓGICAS AO EXERCÍCIO EM UMA CÂMARA DE PRESSÃO
NEGATIVA PARA MEMBROS INFERIORES (LBNP)
BORDIN, A.M.1; ARAÚJO, T.C.1; MARTINATO, M.C.M.1; RUSSOMANO, T.1, BAPTISTA,
R.R.1
1. Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – Porto Alegre – RS – Brasil
E-mail: [email protected]
Introdução:Durante voos espaciais ocorrem diversas alterações fisiológicas em função da
microgravidade. A câmara de LBNP(lowerbody negative pressure) é uma técnica útil e
inovadora e única forma de simular os efeitos da gravidade terrestre em pesquisas na
microgravidade.Assim, a ação conjunta da câmara de LBNP com exercícios pode ser
interessante no sentido de minimizar os efeitos do espaço no corpo humano. Em uma
pesquisa em parceria com a Embry-RiddleUniversity dos EUA o nosso Centro de Pesquisa
construiu um equipamento de exercícios especialmente projetado para ser usado em
conjunto com a câmara de LBNP. Objetivos:Este primeiro estudo tem como objetivo geral
realizar uma avaliação preliminar deste equipamento, verificando se ele promove respostas
fisiológicas acima dos níveis de repouso. O objetivo específico deste estudo foi avaliar as
respostas fisiológicas (FC, VE, VO2, VCO2, e RER) em homens e mulheres, ao equipamento
de exercício dentro de uma câmara de LBNP. Metodologia: Foram avaliados 9 sujeitos, 5
homens e 4 mulheres, com idade média de23,78±7,10 anos, peso 64,86±9,47 kg e estatura
163,89±6,94 cm.Foram mensuradas as respostas fisiológicasem repouso durante 5 minutos
e em seguida durante 10 minutos de exercício dentro da câmara de LBNP no equipamento
construído. As respostas ventilatórias foram medidas por um analisador de gases VO2000 e
a FC foi medida por um monitor cardíaco. As respostas fisiológicas de repouso e de
exercício foram comparadas através do teste t de Student, utilizando-se um nível de
significância de p<0,05. Resultados: A FC aumentou de 76,36±9,80 em repouso para
146,61±17,55 bpm em exercício (p<0,0001). A VE aumentou de 6,51±2,21 em repouso para
40,67±10,33 mL/kg/min(p<0,0001). O VO2 aumentou de 3,44±0,56 em repouso para
21,26±3,42 mL/kg/min em exercício. O VCO2 aumentou de 4,24±0,92 para 27,63±3,77
mL/kg/min em exercício(p<0,0001). A RER aumentou de 1,23±0,11 em repouso para
1,31±0,12 em exercício (p=0991). Conclusão: Concluímos que o equipamento de exercício
trouxe respostas fisiológicas acima dos níveis de repouso, mostrando-se, portanto, eficaz em
promover um estresse compatível com uma atividade física. Verifica-se também pelo RER
que o exercício parece ser predominantemente anaeróbico utilizando-se dos carboidratos
como fonte de energia.
Palavras-chaves: Microgravidade, exercício, LBNP.
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EFEITO DO TREINAMENTO CONTRA-RESISTÊNCIA NO DESEMPENHO MOTOR DE
INDIVÍDUOS COM A DOENÇA DE PARKINSON
ORSSATTO, L.B.R.1
QUEIROZ, B.M.1
LEAL NETO, J.S.1
MARCHESAN, M.1
1.Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC – Florianópolis – SC – Brasil
[email protected]
Introdução: A doença de Parkinson (DP) caracteriza-se como uma patologia neurológica
degenerativa que afeta os neurônios dopaminérgicos, comprometendo o desempenho motor
dos indivíduos. Dentre as intervenções para redução do impacto desta patologia na
capacidade funcional e mobilidade dos parkinsonianos destaca-se o treinamento contra
resistência (TCR). Apesar de existirem ainda poucos estudos que explorem esta relação, o
TCR vem sendo uma alternativa válida para combater os efeitos da DP contribuindo para
uma melhor qualidade de vidas destes indivíduos. Objetivo: Verificar o efeito do TCR no
desempenho motor de indivíduos com a DP. Métodos: Participaram do estudo seis
indivíduos (n=6), com variação de idade de 56 a 76 anos, 68,5(média) ± 7,2 (desvio padrão),
classificados entre os estágios 1 e 3, da escala Hoehn e Yarhr (modificada). O programa de
TCR foi realizado durante 16 semanas (3x/semana), em dias alternados, com intensidade
progressiva, composto de sete exercícios para os principais grupos musculares. O
desempenho motor foi verificado usando-se os seguintes testes: “sentar e levantar” (SL)
cinco vezes de uma cadeira, verificando o tempo gasto (s); teste de caminhada de 10 metros
(10m); e teste de força de preensão manual (FPM), utilizou-se o braço em que o indivíduo
considerava mais forte, verificadas pelo dinamômetro mecânico (Takei, Japão). A
comparação das médias (pré e pós-treinamento) foi feita usando-se o teste “t” de Student
para amostras pareadas. Resultados: As médias e os desvios padrão dos testes aplicados
na avaliação do desempenho motor foram: FPM média 34,75±10,84 pré-treinamento e
35,33± 9,92 pós-treinamento. O teste de SL média 11,82±2,59 pré-treinamento e 11,98±2,80
pós-treinamento. Para o teste de 10m, as médias foram 6,07±0,83 pré–treinamento e
6,72±1,02. Os resultados indicam uma manutenção do desempenho motor dos indivíduos
avaliados. Fatores como as características degenerativas da DP e o nível de
condicionamento inicial dos podem ter influenciado a relação entre os efeitos observados.
Outros estudos precisam ser realizados para melhor compreensão dos efeitos do TCR no
desempenho motor de indivíduos com a DP. Conclusão: Não foram observadas diferenças
significativas no desempenho motor de indivíduos com DP submetidos ao programa de TCR.
A manutenção do desempenho motor é de fundamental importância para a qualidade de
vida do portador de DP. Palavras-Chave: Doença de Parkinson, Treinamento ContraResistência, Desempenho Motor.
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ANÁLISE COMPARATIVA ATRAVÉS DO TESTE KTK EM CRIANÇAS PARTICIPANTES
DO PROJETO MINAS OLÍMPICA E ESCOLARES: UM ESTUDO DE CASO
RAMOS, A.M.A.1;
TRIGO, R.W.M.1;
GIANASI, L.A.1.
1
Centro Universitário de Formiga – Minas Gerais – Brasil
[email protected]
RESUMO
Este estudo analisou os níveis de coordenação motora de crianças na faixa etária de sete
anos, que participam de um projeto social além das aulas de Educação Física escolar e um
grupo de crianças da mesma faixa etária que participam apenas das aulas de Educação
Física escolar da cidade de Piumhi-MG. O desenvolvimento motor nesta faixa etária
proporciona um desenvolvimento global dos indivíduos, favorecendo inclusive o
desenvolvimento cognitivo, facilitando assim o processo de alfabetização. Este estudo
objetivou comparar o nível de coordenação motora entre crianças participantes de um
projeto social e crianças participantes de aulas de Educação Física escolar. É um estudo
exploratório realizado através de uma pesquisa de campo, caracterizando-se um estudo de
caso. O Teste KTK foi aplicado em 16 crianças na faixa etária de sete anos, sendo 8
crianças participantes do Projeto Minas Olímpica e 08 crianças que praticam exclusivamente
as aulas de Educação Física escolar, sendo 3 meninos e 5 meninas em cada grupo. O
instrumento utilizado no estudo foi o Teste de KTK que permite investigar e classificar o nível
de coordenação motora de crianças e jovens dos cinco aos quatorze anos de idade. É um
instrumento de fácil aplicação, composto por atividades na trave de equilíbrio, saltos e
transferência sobre plataformas. Foram excluídos da pesquisa todos os sujeitos que não
apresentaram o TCLE assinado ou que não compareceram nos locais de aula nos dias de
aplicação dos testes. Observou-se que os resultados das crianças que realizam atividades
físicas regulares além das aulas de Educação Física, alcançaram resultados significativos
em todos os elementos avaliados, atingindo a soma de 310 pontos, enquanto as crianças
que participam apenas das aulas regulares de Educação Física, alcançaram um total de
287. Diante destes dados e dos resultados indicados pelo protocolo utilizado, os
participantes do projeto foram classificadas como escore de 71, o que classifica este grupo
como Perturbação na Coordenação, enquanto as crianças da escola atingiram o escore de
63, que os classifica Insuficiência na Coordenação. Portanto, conclui-se que quanto maior
for os estímulos motores, maior será o desenvolvimento global dos sujeitos, confirmando
que quanto maior for a estimulação, melhor será o desenvolvimento motor das crianças.
Palavras-Chave: Coordenação motora; Teste KTK; Atividade física.
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COMPARAÇÃO DA MELHORIA PSICOMOTORA EM CRIANÇAS DE 6 A 10 ANOS
PRATICANTES DE GINÁSTICA RÍTMICA COM CRIANÇAS NÃO PRATICANTES
COUTO, C.M.1;
TRIGO, R.W.M.1;
GIANASI, L.A.1.
1
Centro Universitário de Formiga – Minas Gerais – Brasil
[email protected]
RESUMO
A psicomotricidade é uma habilidade motora muito presente na vida do individuo, pois está
relacionada ao processo de maturação, visto que o corpo é a origem das aquisições
cognitivas, afetivas e orgânicas. O trabalho psicomotor contribui de maneira significante para
a formação do esquema corporal. Este estudo teve como objetivo comparar os níveis de
melhoria psicomotora em crianças praticantes e não praticantes de Ginástica Rítmica (GR).
A pesquisa foi realizada em uma academia que desenvolve um trabalho de GR e em uma
escola pública da cidade de Córrego Fundo/MG. A amostra foi composta por 8 alunas de 6 a
10 anos que praticam a Ginástica Rítmica na academia e 8 alunas da mesma faixa que só
participam das aulas de Educação Física na escola. A escolha das alunas foi feita de forma
aleatória. Como instrumento de avaliação foi utilizado uma Bateria Psicomotora (BPM),
proposta por ROSA NETO (2002), onde foram avaliados alguns dos elementos básicos e
que são mais desenvolvidos pela prática da GR como o equilíbrio, a organização espacial e
a motricidade global dessas crianças. Foram excluídos da pesquisa as alunos que não
apresentaram o TCLE assinado ou que não compareceram nos dias das aulas combinados.
Os testes foram aplicados em duas aulas de dança nas alunas da academia e durante duas
aulas de Educação Física nas alunas da escola. De acordo com os resultados, as alunas
que praticam GR obtiveram média final em todos os testes realizados 10,1, ou seja,
conseguiram realizar a maioria dos testes aplicados com facilidade. Por outro lado, as
alunas não praticantes atingiram média final nos testes realizados de 7,9, demonstrando que
este grupo possui um desempenho psicomotor inferior às praticantes de GR. Portanto, após
a análise dos dados levantados e fundamentados no conteúdo teórico, podemos confirmar a
hipótese levantada no estudo, pois a pratica da GR pode interferir positivamente no
desenvolvimento psicomotor de crianças. Sugere-se que esta modalidade esportiva faça
parte dos conteúdos programáticos das aulas de Educação Física escolar, com a finalidade
de propiciar aos estudantes estímulos variados que favoreçam o seu desenvolvimento
global.
Palavras-Chave: Ginástica Rítmica. Psicomotricidade. Educação Física escolar.
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FIBROMIALGIA X EXERCÍCIO FÍSICO
ZWANG, M.1
MATSUDA, L.O.1
MATSUDA, J.B.1
Centro Universitário para o Desenvolvimento do Alto Vale do Itajaí - Rio do Sul – Brasil
[email protected]
Resumo
A palavra Fibromialgia é conhecida como uma dor crônica ou síndrome dolorosa não
inflamatória em algumas partes do nosso corpo, o Colégio Americano de Reumatologia
define como uma desordem de etiologia desconhecida que incluem dores crônicas por 3
meses ou mais, dores musculares em pontos específicos do corpo (11 à 18 pontos gatilhos),
fadiga, distúrbio do sono e outros sintomas associados. Várias pesquisas indicam como
hipóteses etiológicas a natureza do indivíduo, bioquímica, alterações do sistema
dopaminérgico ou serotoninérgico, outra possível causa pode estar relacionada ao
funcionamento do sistema endócrino, imune e vascular. A fibromialgia atinge cerca 2% a 4%
da população adulta nos países ocidentais, e no Brasil é de 2,5%, sendo a segunda doença
reumática que atinge a população brasileira e com números maiores para as mulheres que
são 5 a 9 vezes mais afetadas do que os homens. A idade predominante do aparecimento
dos sintomas oscila entre os 20 e os 50 anos. O presente estudo tem como objetivo relatar
sobre os efeitos de diferente intensidade de exercício físico em indivíduos com fibromialgia.
Como metodologia foi realizada uma revisão bibliográfica, de artigos científicos nacionais e
internacionais, nos sites: Scielo, Lilacs, Google acadêmico, com os descritivos: fibromialgia,
exercício físico e dor.Nos resultados, os artigos descrevem o exercício físico como um
movimento corporal, produzido pela contração da musculatura esquelética, provocando um
aumento do gasto energético acima dos valores basais, promovendo assim uma melhora na
capacidade física. Um exemplo disto é o exercício desempenhado em intensidade
submáxima (40% a 80% da frequência cardíaca máxima), que promove ganhos no
condicionamento aeróbio, e apresenta um efeito analgésico, por estimular a liberação de
endorfina, o que pode ser útil para o paciente aliviando à dor. As investigações apontam que
os exercícios físicos são usados como uma intervenção (não farmacológica), obtendo
resultados expressivos (positivo) em determinadas atividades, mas também há atividades
que não traz os resultados esperados que é a diminuição da dor.Finalmente, a maioria dos
trabalhos analisados sugerem que o indivíduo com fibromialgia têm intolerância ao exercício
de intensidade comum, causando dor, evitando desta forma a atividade física, justificando a
necessidade de mais estudos para definir uma estratégia de atividade física para o indivíduo
com fibromialgia.
Palavras-chaves: fibromialgia, exercício físico, dor.
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IMPACTO DO PROGRAMA LAZER ATIVO NO ESTILO DE VIDA DE TRABALHADORES
DE UMA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO CIVIL DE GRANDE PORTE EM PORTO VELHO
JUNIOR, P.R.Q.1;
SILVA, T.N.2;
MACHADO, M.S.C.3;
CELI, D.R.3;
NETO, L.G.O.4
1-Serviço Social da Indústria – Rondônia – Brasil;
2-Serviço Social da Indústria – Rondônia – Brasil;
3-Serviço Social da Indústria – Rondônia – Brasil;
4-Universidade Federal de Rondônia – Rondônia – Brasil.
[email protected]
Resumo
O estilo de vida é um dos fatores que tem influência determinante na qualidade de vida do
indivíduo, contribuindo positivamente ou negativamente, sendo uma relação estreita entre
estilo de vida e saúde do trabalhador com a influência direta no desempenho profissional. O
objetivo deste trabalhou foi verificar o impacto do programa Lazer Ativo no estilo de vida dos
trabalhadores de uma empresa do setor da Construção Civil de Grande Porte do município
de Porto Velho/RO. A amostra foi composta por 633 trabalhadores na avaliação diagnóstica
e de impacto,, de ambos os sexos, entrevistados por uma equipe do SESI/RO e atendidos
no ano de 2012. O instrumento de pesquisa é padrão da instituição para verificação do estilo
de vida, e foram comparados os dez indicadores do estilo de vida. Ao analisar os
indicadores percebeu-se que que houve uma redução de seis indicadores do geraram
impactos positivos, com ênfase maior para Exposição ao Sol com 25,6p.p% e Inatividade
Física no Lazer com 31,9p.p%, e os piores impactos referem-se ao Abuso de Bebida
Alcoólica com aumento de 13,7p.p% no qual representa um grande alerta e inatividade
Física nos Deslocamento com 34p.p% devido a construção ser em outro município.
Independente dos resultados negativos, quando se observa o Índice Geral de Estilo de Vida
dos trabalhadores percebe-se um im pacto positivo de 0,3p.p%. Podemos concluir que os
serviços de SESI Ginástica na Empresa, Circuito do Bem Estar, SESI Corporativo e Gestão
de Eventos, todos compõe o programa Lazer Ativo, contribuíram positivamente para a
promoção da saúde e bem estar dos trabalhadores da indústria.
Palavras Chaves: Estilo de Vida, SESI, Saúde do Trabalhador, Lazer.
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NÍVEL DE ATIVIDADE FÍSICA ASSOCIADO AO RISCO CARDÍACO DOS ALUNOS DE
EDUCAÇÃO FÍSICA DE UM CENTRO UNIVERSITÁRIO
SOUZA, B.T.B.1;
TRIGO, R.W.M.1;
FERREIRA, R.V.1.
1
Centro Universitário de Formiga – Minas Gerais – Brasil
[email protected]
RESUMO
Tem-se observado que nos tempos atuais, o estilo de vida das pessoas está repleto de
atividades hipocinéticas, que favorecem a prevalência de sobrepeso. Com o aumento da
necessidade de trabalho e a priorização das atividades laborais, houve uma diminuição na
quantidade de calorias gastas nas ocupações diárias (trabalho, afazeres domésticos),
contribuindo assim para um gasto calórico menor do que o ingerido. Os estudantes
universitários, não fogem a esta regra, principalmente os acadêmicos dos cursos noturnos
de instituições particulares de ensino, que dividem o seu dia entre as atividades laborais
responsáveis pela manutenção dos estudos e as atividades acadêmicas. Este estudo
objetivou analisar o nível de atividade física (NAF) associado ao risco cardíaco de alunos
matriculados no curso de Educação Física em todos os períodos no Centro Universitário de
Formiga (UNIFOR), através da relação cintura quadril (RCQ). A amostra compreendeu 81
alunos, sendo 48 do sexo masculino e 33 do sexo feminino, com idade entre 20 e 43 anos,
todos acadêmicos dos cursos de licenciatura e bacharelado em Educação Física do referido
Centro Universitário. O instrumento utilizado para mensurar o NAF, foi o IPAQ versão curta,
instrumento validado por Matsudo et al. (2001). Para a aferição da RCQ utilizou-se uma fita
flexível da marca WCS, sendo a cintura medida no ponto médio entre o último arco costal e
a crista ilíaca, e o quadril no ponto de maior protuberância posterior dos glúteos, Costa
(2001). Foram excluídos da pesquisa todos os acadêmicos que não apresentaram o TCLE
assinado e os questionários incompletos ou rasurados. Houve relevância em resultados de
NAF com 94% entre classificados como muito ativos e ativos para homens e as mulheres
com 91%. Os resultados relativos ao risco cardíaco demonstram que os homens,
apresentam risco baixo em 67% dos avaliados, e em 33% risco moderado. Já as mulheres
apresentam 45,5% das avaliadas com risco baixo e 45,5% com risco moderado, ocorrendo
ainda 9% com risco alto. Porém, houve resultados heterogêneos para NAF associado ao
risco cardíaco em resultados de significância a correlação de Pearson, mostrando
necessidade de novos estudos e abordagens.
Palavras-Chave: Atividade Física, Risco Cardíaco, Sedentarismo.
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1 VOLUME 08 - NÚMERO 02 - 2013 - MAGAZINE