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ADHEMAR HENRIQUE DA COSTA SANTOS & CÉSAR CRISTIANO ARAÚJO RIOS
AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO ACÚSTICO DAS LAJES TIPO BUBBLEDECK –
UMA AVALIAÇÃO DE ACORDO COM AS EXIGÊNCIAS DA NOVA NORMA DE
DESEMPENHO (NBR 15.575/2013).
Artigo apresentado ao curso de graduação em
Engenharia Civil da Universidade Católica de
Brasília, como requisito parcial para a
obtenção de Título de Bacharel em Engenharia
Civil.
Orientador: Luciana Nascimento Lins
Brasília
2013
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Artigo de autoria de Adhemar Henrique da Costa Santos e César Cristiano Araújo Rios,
intitulado “Avaliação do Desempenho Acústico das Lajes tipo Bubbledeck – Uma avaliação
de acordo com as exigências da Nova Norma de Desempenho (NBR 15.575/2013)”,
apresentado como requisito parcial para obtenção do grau de Bacharel em Engenharia Civil da
Universidade Católica de Brasília, em 22/11/2013, defendido e aprovado pela banca
examinadora abaixo assinada:
__________________________________________________
Profa. MSc Luciana Nascimento Lins
Orientador
Curso de Engenharia Civil – UCB
__________________________________________________
Prof. MSc Nielsen José Dias Alves
Examinador
Curso de Engenharia Civil – UCB
Brasília
2013
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DEDICATÓRIA
Dedicamos este trabalho a Deus, nossos pais e
irmãos, namoradas, amigos e familiares.
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AGRADECIMENTOS
Adhemar Henrique da Costa Santos
Agradeço primeiramente a Deus por ter me dado fé, força e foco para desenvolver com saúde
e vontade este trabalho. Aos meus pais Ademar e Marta que nunca me deixaram fraquejar e
sempre estiveram ao meu lado com as melhores palavras e os melhores conselhos. Aos meus
irmãos Leonardo e Eveline que sempre vibraram com minhas vitórias. A minha companheira
Ana Cecília que todos os dias me fez lembrar-se da importância de seguir em frente mesmo
com as adversidades encontradas no caminho. As minhas avós Neivalda e Maria José por
ensinarem princípios que não se aprendem em sala de aula. Aos meus amigos por terem
sempre o melhor remédio para aliviar o estresse acumulado com a rotina. Aos demais
familiares que torceram por esta conquista. Aos nossos mestres que nos ensinaram
conhecimentos fundamentais para seguirmos em frente. Ao meu parceiro de TCC César por
ter sido responsável e pontual para que todas as atividades fossem concluídas no tempo
estabelecido. A nossa orientadora Luciana por ter acreditado em nosso trabalho e contribuído
permanentemente para a melhor colocação e desenvolvimento das ideias. Aos orientadores de
estagio Flávio, Marcos, Estevam, Eurico, Hélio, José Caetano, Heliane, Toinho, Mark e
Thales por terem ensinado na prática o que se via em sala de aula, mostrando sempre com
paciência os serviços a serem realizados e confiando responsabilidades fundamentais para
formação. Ao consórcio construtor CADF que permitiu a realização dos ensaios necessários
para configuração do nosso trabalho. Ao escritório síntese acústica arquitetônica que
patrocinou nosso trabalho.
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César Cristiano Araújo Rios
A formação como profissional não poderia ter sido concretizada sem a ajuda de nossos
amáveis pais, que no decorrer das nossas vidas, nos proporcionaram, além de muito carinho,
os conhecimentos da integridade, da perseverança e de procurar sempre em Deus a força
maior para o nosso desenvolvimento como ser humano.
Agradeço a todas as pessoas que me deram força para que esta etapa de minha vida tenha sido
concluída com sucesso.
Em especial:
Em primeiro lugar a Deus, pois sem ele, não conseguimos atingir nada em nossa vida.
Aos meus pais Hilton e Cláudia, e irmãos Caio e Nathália, por estarem sempre ao meu lado.
À sobrinha Gabriella, por me passar alegria e descontração em todos os momentos.
A todos os meus familiares e amigos, pela importância que representam em minha vida.
À namorada Paula, pela compreensão e paciência.
Ao engenheiro José Caetano, por te me proporcionado grandes experiências.
Pelos profissionais do Consórcio Brasília 2014, por me favorecer um aprendizado prático fora
da faculdade.
Aos profissionais do Consórcio Construtor CADF, pelo total apoio no decorrer do trabalho de
conclusão de curso.
À Síntese Acústica Arquitetônica, por ter assumido a medição do ensaio e resultados.
À Professora Luciana Nascimento Lins, pela orientação dada em nosso trabalho.
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AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO ACÚSTICO DAS LAJES TIPO BUBBLEDECK –
UMA AVALIAÇÃO DE ACORDO COM AS EXIGÊNCIAS DA NOVA NORMA DE
DESEMPENHO (NBR 15.575/2013).
ADHEMAR HENRIQUE DA COSTA SANTOS & CÉSAR CRISTIANO ARAÚJO RIOS
RESUMO
Com o aumento da demanda de obras civis, o fator qualidade muitas vezes não está no
plano de algumas empresas construtoras, sendo assim, um aspecto no qual não estão se
preocupando é a qualidade acústica de seus empreendimentos. Não existe o costume de se
investigar a causa desse problema que, atualmente, atinge consumidores mais exigentes. A
laje Bubbledeck é um sistema ainda novo no Brasil e mostra-se eficiente na velocidade de
produção, podendo assim, se tornar uma boa escolha para os construtores que buscam
inovação e agilidade. A medição acústica nesse tipo de laje pode ser um complemento
importante na fase inicial na elaboração de um projeto de edifício, podendo mostrar a
eficiência ou deficiência quando comparado com as lajes existentes no mercado. Neste
trabalho, se propôs estudar o conforto acústico estabelecido na norma de desempenho NBR15575/2013 que adotou parâmetros mais exigentes de acústica em locais habitados. Não foi
encontrado nenhum estudo que avaliasse o sistema acústico das lajes Bubbledeck no Brasil,
mas seu fabricante garante que seu desempenho acústico está em conformidade com a nova
norma de desempenho.
Palavras-chave:
Laje Bubbledeck, Desempenho Acústico.
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ABSTRACT
With the increasing demand of civil engineering, the poor quality is often not in the
plan of some construction companies, so, they are not worried about the acoustic quality of its
projects. We aren’t used to investigate the cause of this problem that has been affecting more
demanding consumers. The Bubbledeck slabs are new in Brazil and prove production speed
efficiency and can become a good choice for builders who seeking innovation and agility. The
acoustic measurements is a type of slab that can be an important initial aspect of the
development on a building projects, and show the efficiency or deficiencies when you
compare with another slabs on the marketing. At this resume we intended to study the
acoustic comfort established standard performance NBR-15575/2013 who adopted more
stringent acoustic parameters in habitat places. There are no further studies about this acoustic
system Bubbedeck slabs in Brazil, so manufacturers ensures that the acoustic performance has
the new standards.
Keywords:
Bubbledeck Slab, Acoustic Performance.
8
LISTA DE FIGURAS
Figura 1. Laje Bubbledeck......................................................................................................12
Figura 2. Equipamentos utilizados..........................................................................................14
Figura 3. Representação esquemática do ensaio.....................................................................16
Figura 4. Curva de referência de ruído de impacto (L’nw)....................................................19
Figura 5. Exemplo de como encontrar o valor de L’nw.........................................................19
Figura 6. Croqui do local ensaiado.........................................................................................20
Figura 7. Isolamento com placas de Drywall e lã de rocha....................................................21
Figura 8. Local isolado para medição de ruído......................................................................21
Figura 9. Desenho esquemático do ensaio.............................................................................22
Figura 10. Gráfico dos resultados..........................................................................................24
Figura 11. Piso elevado 41cm................................................................................................25
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LISTA DE QUADROS
Quadro 1. Critério de nível de
........................................................................................15
Quadro 2. Resultados obtidos...................................................................................................23
10
SUMÁRIO
1. Introdução................................................................................................................... 11
2. Material e Métodos..................................................................................................... 12
2.1 Materiais............................................................................................................... 12
2.2 Equipamentos....................................................................................................... 13
2.3 Métodos................................................................................................................. 14
3. Resultados e Discussão............................................................................................... 20
3.1 Resultados............................................................................................................. 20
3.1.2 Níveis de ruído produzido por impacto......................................................... 22
3.2 Discussão............................................................................................................... 25
4. Conclusões..................................................................................................................... 26
5. Recomendações............................................................................................................. 27
6. Referências Bibliográficas........................................................................................... 28
11
1. INTRODUÇÄO
Este trabalho de conclusão de curso tem por finalidade estudar o desempenho acústico
de uma laje tipo Bubbledeck. Este tipo de laje teve origem na Dinamarca e foi criada para
proporcionar uma estrutura de concreto mais leve, pois há uma significativa eliminação de
concreto (sem nenhuma função estrutural) por meio de esferas plásticas entre telas de aço.
A utilização desses elementos esféricos no meio das lajes elimina 35% do peso de uma
laje normal, removendo com isso as restrições de cargas permanentes elevadas e ainda
pequenos vãos. A incorporação das esferas plásticas como formadoras de vácuo permite
colunas com inter-eixos 50% maiores. A combinação dessas esferas com o conceito de lajes
cogumelo permite também o aumento dos vãos nas duas direções – a laje é conectada
diretamente às colunas através de concreto in-situ sem nenhuma viga.
Para que esse sistema construtivo de lajes Bubbledeck possa satisfazer as exigências
de conforto auditivo entre pisos em edificações, torna-se necessário o estudo do seu
desempenho acústico. Assim, a engenharia e arquitetura cumpre uma importante função
social, quando proveem habitações acusticamente apropriadas para os usuários.
Níveis de ruídos acima dos aceitáveis pelos usuários podem causar incômodos. De um
modo geral, para os seres humanos, o ruído também afeta a saúde e o bem estar.
Como objetivo do projeto, há uma breve apresentação da laje Bubbledeck, priorizando
um estudo prático do seu desempenho acústico entre pisos em conformidade com a nova
Norma de Desempenho de Edificações, ABNT NBR 15575, Parte 3, de 2013.
Serão abordados resultados provenientes de um ensaio de campo que será realizado
com o auxílio de instrumentos capazes de fazer a medição do desempenho acústico da laje
Bubbledeck, relacionando-o com a NBR 15.575.
12
2. MATERIAL E MÉTODOS
2.1.
Materiais
Laje Bubbledeck – consiste em uma laje pré-fabricada com esferas plásticas entre telas
de aço (FIG 1), tal esfera tem a finalidade de eliminar o concreto que não exerce nenhuma
função estrutural, assim, pode-se reduzir entre 25% e 35% o peso próprio da laje se
comparado com uma convencional. A laje é conectada diretamente nos pilares por meio de
concreto moldado em loco, não havendo necessidade de vigas.
FIGURA 1 – Laje Bubbledeck
13
2.2.
Equipamentos
Para medição de ruídos de impacto, foram utilizados os seguintes equipamentos
(FIG 2):
Medidor Integrador de nível Sonoro (Decibelímetro):
Fabricante: 01dB
Modelo: Blue Solo
Classe: 01
Número de Série: 61538
Certificado de Calibração: RBC3-8127-430
Calibração válida até: 02/04/2014
Calibrador de nível sonoro:
Fabricante: 01dB
Número de Série: 61538
Certificado de Calibração: RBC2-8123-628
Calibração válida até 02/04/2014
Máquina de impacto padronizado (Tapping Machine):
Fabricante: 01dB
Modelo: Tapping Machine MAC 01
Número de Série: calp 04/01-11/185
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FIGURA 2 – Equipamentos utilizados
2.3
Métodos
O trabalho consiste na realização e avaliação de ensaio de campo que será realizado na
obra do Centro Administrativo do Distrito Federal, localizada no Centro Metropolitano de
Taguatinga Norte.
As medições de ruído de impacto de pisos em lajes Bubbledeck para desenvolvimento
do trabalho serão realizadas conforme recomendações das Normas: NBR 15575-3: 2013 –
Edificações habitacionais – Desempenho, parte 3: Requisitos para os sistemas de pisos
internos; ISO 140-7: 1998 Medições de campo para isolamento de ruído de impacto em pisos
e ISO 717-2: 1996 Isolamento de ruído de impacto.
A norma da ABNT NBR 15775-3: 2013 – Requisitos e critérios para a verificação do
isolamento acústico do sistema de piso entre unidades autônomas e para a isolação ao som
aéreo dos pisos e paredes. Esta norma segue os procedimentos de ensaio e análise de dados
das normas ISO 140-7 e 717-2.
Para coberturas acessíveis posicionadas sobre unidades autônomas e entre pisos que
separam unidades autônomas, deve ser verificado, além da isolação ao som aéreo, o
isolamento de ruídos de impacto resultantes do caminhamento, queda de objetos e outros. O
método de avaliação é descrito na norma ISO 140-7, sendo os impactos gerado por
15
equipamento padrão, constituído de pesos cilíndricos alinhados que entram em contato com a
superfície da laje por meio de movimentos sequenciais.
Os valores mínimos de desempenho são indicados no Quadro 1.
Quadro 1 – Critério de nível de pressão sonora de impacto padrão ponderado,
Elemento
Sistema de piso separando unidades habitacionais autônomas posicionadas em
pavimentos distintos
Sistema de piso de áreas de uso coletivo (atividades de lazer e esportivas, como
home theater, salas de ginástica, salão de festas, salão de jogos, banheiros e
vestiários coletivos, cozinhas e lavanderias coletivas) sobre unidades habitacionais
autônomas.
dB
≤80
≤55
Segundo a norma ISO 140-7: 1998 “medições de campo para isolamento de ruído de
impacto em pisos descreve o método de medição de isolamento de ruído de impacto, usando a
máquina de ruído de impacto padrão”. O ruído de impacto deve ser gerado em pelo menos
quatro diferentes posições aleatoriamente distribuídas no piso de teste. A distância da
máquina de ruído em relação às paredes do recinto deve ser de pelo menos 0,5m. As posições
de microfone no pavimento inferior devem ser no mínimo de 0,7m entre si, 0,5m dos
envoltórios do recinto e 1,0m entre qualquer posição de microfone e o piso superior que esta
sendo excitado pela máquina de ruído (FIG 3).
16
FIGURA 3 – Representação esquemática do ensaio
Um mínimo de quatro posições de microfone deve ser utilizado, distribuídas
uniformemente dentro do espaço permitido para medição do recinto. O nível de pressão
sonora das diferentes posições de microfone deve ser a média logarítmica da energia para
todas as posições da máquina de ruído.
(1.1)
Pela norma, as características do isolamento dos elementos construtivos horizontais,
devem ser expressas em termos de Nível de Pressão Sonora de Impacto, Li (Nível de Ruído
de Impacto). Este é definido como o nível de pressão sonora médio para uma determinada
frequência, medido no recinto receptor quando o elemento horizontal é excitado com uma
fonte padrão. Define-se o Nível de Ruído de Impacto Padronizado, Lnt, como:
17
(1.2)
Onde:
L’nt - Nível de Ruído de Impacto Padronizado [dB];
Li – Nível de Ruído de Impacto [dB];
T- Tempo de reverberação do ambiente receptor [s];
T0 – Tempo de reverberação de referência = 0,5s.
Ressalta-se que em certos casos é necessário realizar a correção do ruído de fundo. O
nível do ruído de fundo deve estar a pelo menos 6dB (de preferência mais que 10dB) abaixo
do nível da combinação do sinal emitido com o ruído de fundo. Se a diferença estiver entre
6dB e 10dB, a correção deve ser realizada de acordo com a seguinte equação:
(1.3)
Onde:
L – Nível do sinal ajustado [dB];
Lsb – Nível da combinação do sinal com o ruído de fundo [dB];
Lb – Nível de ruído de fundo [dB];
Se a diferença for menor ou igual a 6dB em qualquer banda de frequência, usar a
correção de 1,3dB.
18
A máquina de impacto deve conter cinco pesos alinhados. A distância entre o centro
dos suportes da máquina de ruído de impacto e o centro deve ser pelo menos 100mm. Cada
peso, que impacta com o piso, deve ter massa efetiva de 500g e permitir queda livre de 40mm
de altura na velocidade de 0,033m/s. A direção da queda dos pesos deve ser perpendicular à
superfície de teste. O peso que impacta a superfície de teste deve ter formato cilíndrico com
um diâmetro de (30±0,2)mm e a superfície de impacto do peso deve ser constituída de aço e
ter formato esférico com raio de curvatura de (500±100)mm.
A norma ISO 717-2: 1996, relata o método de obtenção do isolamento do ruído de
impacto, o nível de pressão sonora de impacto normalizado ponderado (L’nw), assim,
primeiramente deve-se obter o gráfico com os dados do nível de pressão sonora de impacto
normalizado (L’n), em bandas de terças de oitava (100Hz a 3150Hz), em relação à frequência.
A curva de referência de ruído de impacto (FIG 4) é comparada com os dados medidos,
movimentando-a verticalmente de modo que a soma dos valores que ultrapassam a curva de
referência não exceda 32dB, os valores excedidos são considerados desfavoráveis. Quando a
curva estiver posicionada no ponto mais alto, de acordo com os fundamentos citados, o nível
de pressão sonora de impacto normalizado ponderado (L’nw) é o valor no ponto onde a curva
de referência corta a linha de frequência de 500Hz (FIG 5). O valor de L’nw é compatível
com um ruído de impacto normalizado, tal ruído pode ser caracterizado pelo caminhar de
pessoas e queda de objetos. Porém, o valor de L’nw não leva em consideração os picos dos
níveis de ruído nas baixas frequências e não leva em conta o tempo de reverberação, neste
caso, para ensaios in situ, é recomendado pela NBR 15575 o uso do Nível de Ruído de
Impacto Padronizado Ponderado (L’nt,w)
19
FIGURA 4 – Curva de referência de ruído de impacto (L’nw)
FIGURA 5 – Exemplo de como encontrar o valor de L’nw
20
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
3.1.
Resultados
A medição foi realizada em obra de edifício comercial. As unidades dos pavimentos
superior e inferior, ambas com 9,1m², (FIG 6) ainda estavam em fase de construção, as
paredes estavam rebocadas e emassadas, e não havia esquadrias nos vãos. Por isso os vão
foram vedados com chapas de madeirite e sistema drywall (gesso acartonado + lã de rocha)
para redução da transmissão de ruído, como mostram as Figuras 7 e 8.
FIGURA 6 – Croqui do local ensaiado
21
FIGURA 7 – Isolamento com placas de Drywall e lã de rocha
FIGURA 8 – Local isolado para medição de ruído
22
3.1.2. Níveis de ruído produzido por impacto
A laje de piso da unidade superior é impactada de forma padronizada pela máquina
tapping machine. Esta máquina visa simular a geração de ruído do caminhar de pessoas e
queda de objetos e sua transmissão para o pavimento inferior.
Para tanto, a tapping machine foi colocada em um recinto no pavimento superior,
denominado recinto de emissão. No ambiente imediatamente inferior, denominado recinto de
recepção (Figura 9), foram aferidos os níveis de pressão sonora.
FIGURA 9 – Desenho esquemático do ensaio
De acordo com o solicitado pela norma ISO 140-7: 1998 também foi aferido o nível de
ruído de fundo, que é o nível de pressão sonora presente no ambiente na ausência do ruído de
impacto; e o tempo de reverberação do recinto de recepção, que é o tempo necessário para que
o nível de pressão sonora, após ter sido interrompida a emissão de energia sonora, decresça de
60 dB.
O nível de ruído de fundo indica se há necessidade de se aplicar correções nos níveis
medidos durante a emissão do ruído de impacto.
23
A partir dos valores do nível de ruído e do tempo de reverberação, foram obtidos os
valores do Nível de Pressão Sonora de Impacto Padronizado, L’nt. As aferições foram
realizadas com a máquina em duas posições diferentes no meio emissor. Para cada posição da
máquina foram determinados cinco posições do microfone no ambiente receptor, resultando
em 10 pontos de medição. Todas as medições foram feitas em bandas de oitava, ou seja, o
instrumento tem seletividade de medida de nível sonoro em oito faixas, dentro da faixa
31,5Hz a 8000Hz, desta forma é possível analisar o nível de ruído causado em diferentes
frequências, no caso nas frequências de 63 a 4000Hz, no qual, este intervalo está diretamente
relacionado ao procedimento do ensaio que trabalha com esse intervalo especificamente.
Posteriormente, conforme determinado pela ISO 140-7: 1998, os valores de L’nt de
cada medição foram ponderados em um único resultado, Nível de Pressão Sonora de impacto
Padronizado Ponderado, o L’nt,w. Quanto menor o valor do L’nt,w maior é o índice de
isolamento da laje para ruídos de impacto.
Apesar da medição não ter sido efetuada totalmente de acordo com a norma que
prescreve o ensaio, tivemos resultados satisfatórios, pois, de acordo com os profissionais da
empresa especializada em medições acústicas “Síntese Acústica Arquitetônica”, não haveria
variações consideráveis em sua medição, pois a laje Bubbledeck não possui vigas e o ensaio
foi realizado distante das áreas de capitéis, assim, a partir da ponderação do Nível de Ruído de
Impacto Padronizado, foi encontrado o valor de 69dB.
Quadro 2 – Resultados obtidos
Frequency f (Hz)
63
125
250
500
1000
2000
4000
L’nt (octave), dB
53,1
56,9
59,8
61,6
62,6
67,6
71,2
24
FIGURA 10 – Gráfico dos resultados
Legenda:
- Curva de ponderação (500Hz).
- Curva dos valores de L’nt.
- Linha de referência estipulado pela ISO 717-2.
25
3.2. Discussão
A laje estudada ainda permite o recurso de um piso elevado de 41 centímetros (Figura
11), que permite um melhor isolamento de ruídos transmitidos ao andar inferior. Foi adotada
esta tecnologia para passagem de instalação de cabos de dados, cabos elétricos e ar
condicionado.
Diante dos ensaios realizados e da análise feita neste trabalho, a laje Bubbledeck
atende aos padrões estabelecidos pela NBR 15575-3: 2013.
FIGURA 11 – Piso elevado 41cm
26
4. CONCLUSÕES
O estudo da laje Bubbledeck permitiu conhecer a tecnologia construtiva que iniciou
sua aplicação recentemente no país. Foi possível perceber a tendência à industrialização das
práticas da construção civil, já adotadas em outros países há algum tempo.
O incômodo provocado por ruído de impacto em edificações de andares múltiplos,
devido à queda de objetos no piso e pessoas caminhando nele pode ser atenuando com
sistemas de pisos flutuantes, os quais devem ser estabelecidos antes da execução da obra civil,
durante a fase de projeto e detalhamento.
Nos ensaios foram utilizados materiais para deixar o ambiente o mais favorável
possível para simulação do ensaio, uma vez que a obra estava em execução e o ambiente não
estava acabado.
Os resultados obtidos foram utilizados para avaliar os critérios estabelecidos pela NBR
15575-3: 2013. Observou-se que o limite do critério estabelecido pela NBR 15575-3: 2013,
L´ntw < 80dB, está de acordo com o ensaio realizado, mostrando a eficácia da laje
Bubbledeck relacionada ao isolamento acústico entre lajes.
27
5.
RECOMENTAÇÕES
Propõe-se o desenvolvimento de trabalhos adicionais para dar sequência as pesquisas
realizadas e apresentadas neste artigo de graduação. Dentre as sugestões destacam-se:
 Realização de ensaios em diferentes tipologias de lajes estruturais (lajes nervuradas,
maciças com diferentes espessuras, lajes com forma de concreto celular auto-clavado,
dentre outras);
 Realização de ensaios adicionais de ruído de impacto de pisos para confirmar as
observações feitas na conclusão desde artigo;
 Aumentar o número de amostragens ideal (quatro posições) para verificar o
comportamento dos resultados.
28
6.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 15575- 3:
Edifícios - Desempenho - Parte 3: Requisitos para os sistemas de pisos internos. Brasil,
2013.
GERGES, S. N. Y. Ruído: Fundamentos e Controle. 2ª Edição. Florianópolis: NR Editora,
2000.
INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION (ISO). ISO 140-7:
Acoustics: measurement of sound insulation in buildings and of building elements. Part
VII: Field measurements of impact sound insulation of floors. Genève, Switzerland, 1998.
INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION (ISO). ISO 717-2:
Acoustics: rating of sound insulation in buildings and of building elements. Part II:
Impact sound insulation. Genève, Switzerland, 1996.
SILVA, Y. M. O. Estudo Comparativo Entre Lajes “Bubbledeck” E Lajes Lisas. 2011. 62
p. Projeto de Graduação (Bacharelado em Engenharia Civil) – Universidade Federal do Rio
de Janeiro, Rio de Janeiro.
SOUZA, L. C. L.; ALMEIDA, M. G. Bê-a-bá da Acústica Arquitetônica: ouvindo a
arquitetura. São Carlos: EduFScar, 2011.
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Adhemar Henrique da Costa Santos e César Cristiano Araújo Rios