ESTE SUPLEMENTO FAZ PARTE INTEGRANTE DO DIÁRIO ECONÓMICO Nº 5789 DE 29 DE OUTUBRO DE 2013 E NÃO PODE SER VENDIDO SEPARADAMENTE
Prémios
DESENVOLVIMENTO
SUSTENTÁVEL
Conheça os 10 melhores
na sustentabilidade em Portugal
Paula Nunes
◗ Mais de 400 empresas concorreram ao prémio desde o seu início
◗ Efacec, CGD e Zon ocupam os três primeiros lugares do Prémio
◗ Quem é o ‘advisory board’ que ajudou a escolher os vencedores
II Diário Económico Terça-feira 29 Outubro 2013
O ‘ADVISORY
BOARD’ DA EDIÇÃO
2012/2013
ALBERTO CASTRO,
ANTÓNIO GOMES MOTA,
ANTÓNIO MEXIA,
FERNANDA PARGANA,
Director da Universidade de Economia
e Gestão da Católica do Porto
Presidente Conselho Administração
da Soares da Costa
CEO da EDP
Secretária Geral do BCSD
Mais de 400 empresas já
participaram no Prémio
desde o seu início
Na edição deste ano participaram 161 empresas. Grande parte são PME.
IRINA MARCELINO
[email protected]
“A
sustentabilidade é como andar de bicicleta. Tem de se
estar sempre a pedalar ou
corre-se o risco de cair”. A
frase, dita pelo CEO da Brisa
António Sousa, acabaria por
ser repetida por outros intervenientes da manhã de quarta-feira passada, manhã de chuva e de caos no trânsito em
Lisboa em que foram entregues os prémios de
Desenvolvimento Sustentável referentes a
2012 e 2013. A frase utilizada resume a forma
como as políticas de desenvolvimento sustentável devem ser implementadas: de forma
continuada. Pedro Rocha Matos, ‘partner’ da
Heidrick & Struggles, promotora do prémio
em parceria com o Diário Económico e o INDEG/ISTCE, diz mais: a sustentabilidade deve
estar no DNA da empresa e, de preferência,
ter o CEO como o seu grande motor.
A EFACEC é uma empresa que tem no seu
mapa genético a sustentabilidade. A grande
vencedora deste ano, que na edição anterior
ficara em terceiro lugar do ranking e em primeiro a nível sectorial, “mesmo num contexto de mudança de CEO e de rumo estratégico,
com aposta clara no mercado internacional”,
lembra Pedro Rocha Matos, “reforçou o seu
enfoque no pilar estratégico da sustentabilidade e o resultado está à vista”. A Caixa Geral
de Depósitos, que venceu no seu sector e alcançou o segundo lugar do ranking, na anterior edição tinha recebido o prémio de “Maior
Subida”, ou seja, “confirmou a sustentabilidade da sua trajectória, num contexto de extrema adversidade do seu sector”, considera o
responsável da Heidrick & Struggles. A ZON,
que alcançou o terceiro lugar e venceu no seu
sector, na edição anterior apenas venceu no
seu sector, “o que demonstra a consistência
da aposta na sustentabilidade num sector extremamente competitivo e global”.
A edição deste ano do Prémio Desenvolvimento Sustentável recebeu mais candidaturas, quer de empresas, quer de autarquias, e
mesmo de PME, que têm já um peso conside-
Quem chegou
e venceu
Apenas dois em 10
vencedores (Instituto
Português de Oncologia
do Porto e Câmara Municipal
de Cascais) chegaram,
viram e venceram. 57%
dos concorrentes eram
novos participantes do
Prémio de Desenvolvimento
Sustentável. 31% das
concorrentes eram PME.
Um prémio
que mede
“Este prémio permite medir
a sustentabilidade, e isso
coloca o tema no radar
dos investidores, que olham
sempre para o que
é mensurável”, considera
Fernanda Pargana,
Secretária Geral do BCSD.
A especialista, que também
pertende ao ‘advisory
board’, diz ainda que
para se mostrar
às empresas a importância
do tema sustentabilidade
é essencial mostrar-lhes
que “é economicamente
interessante”.
rável no total dos candidatos (31%). Nesta
quinta edição inscreveram-se 161 empresas,
mais 8% que na edição anterior. Nas cinco
edições do Prémio já participaram mais de
400 empresas. “Estes números ilustram bem
a relevância atribuída à sustentabilidade”, crê
Rocha de Matos.
A importância do tema sustentabilidade para
as empresas está a crescer, mesmo em altura
de crise. “No contexto actual de crise, maior é
a relevância da sustentabilidade, pois encontrar referenciais de sucesso, ter a oportunidade de efectuar ‘benchmarking’, são factores
cruciais para o desenho da estratégia de negócio”, afirma o responsável da Heidrick &
Struggles. “Adoptar a filosofia do ‘triple bottom line’ (económico, ambiental, social) é incorporar no DNA da empresa práticas de gestão estruturantes, responsáveis, comprovadas e que conferem robustez e capacidade
atlética às empresas para fazer face às adversidades e desafios constantes com que se deparam e que num contexto de crise são agudizados”, considera ainda.
Os critérios analisados pelo ‘advisory board’
em cada uma das empresas são internacionais
e iguais aos utilizados pelo Dow Jones Sustainability Index. Este ano introduziu-se ainda
uma novidade na análise das empresas: as visitas às empresas finalistas. “Foi uma experiência extraordinária. Uma grande disponibilidade, mobilização de intervenientes e grande
vontade e sentimento de orgulho na partilha
das práticas de sustentabilidade. Se em 2008,
quando iniciamos o prémio era verdadeiramente desafiante mobilizar participantes e fazer entender “o que isso da sustentabilidade”
hoje a sustentabilidade é perfeitamente transversal entre sectores e empresas de grande,
média e pequena dimensão e faz parte do léxico empresarial”, refere Pedro Rocha Matos.
Além da Efacec, da CGD e da Zon, foram premiadas a Lipor, Novabase, Eurest, Câmara de
Cascais, Accenture, IPO do Porto e Jerónimo
Martins. Foram ainda homenageados os membros do Advidory Board Brisa, PT e EDP. ■
ANÁLISE
A nova filosofia
Infelizmente, a economia portuguesa
continua a um passo da bancarrota. Mesmo
depois de todos os sacrifícios impostos aos
portugueses, a estabilidade financeira não
está assegurada. Isto porque o caminho da
austeridade está esgotado. Agora resta uma
solução: o crescimento económico. Porém,
é mais fácil dizer do que acontecer. Num
país habituado a viver à conta do Estado, a
retoma é mais difícil porque nenhum ministro
da Economia conseguirá decretar o
crescimento económico. Dependerá sempre
da capacidade e vontade dos gestores,
Terça-feira 29 Outubro 2013 Diário Económico III
PAULO BENTO,
VASCO DE MELLO,
VÍTOR GONÇALVES,
ZEINAL BAVA,
Presidente INDEG-IUL ISCTE
Executive Education
CEO da Brisa
Pró-Reitor da Universidade Técnica
de Lisboa
CEO da PT
2 P E R G U N TA S A
PEDRO ROCHA MATOS, ‘PARTNER’
DA HEIDRICK & STRUGGLES
Fotografia de “família” dos vencedores
e promotores da edição 2012/2013
do Prémio Desenvolvimento Sustentável.
“Sustentabilidade
tem de ser
sentida no DNA
da empresa”
Paula Nunes
Para o ‘partner’ da Heidrick & Struggles, a estratégia de sustentabilidade deve ter o CEO da
empresa como seu motor.
das empresas
BRUNO PROENÇA
Director Executivo
do Diário Económico
empresários e empreendedores. Este é o
seu momento na História de Portugal. Têm
a oportunidade de mostrarem o que valem,
percebendo que são obrigados a dar um
passo em frente. Os modelos do passado
estão esgotados - por isso, o país chegou
a este estado calamitoso. As empresas do
futuro têm que dar vários passos em frente,
adoptando as melhores práticas de gestão.
E no esqueleto dessas metodologias está
o conceito da sustentabilidade, que se divide
em três dimensões: a financeira, a social
e a ambiental. As empresas do futuro
necessitam de ter lucros para sobreviverem
mas não podem viver para os lucros.
É uma missão curta. Têm que existir
para as pessoas e para melhorar a vida
das comunidades onde estão inseridas.
Sem perceberem isto, os empresários não
conseguem reinventar a economia nacional
e relançar o desenvolvimento do país.
Os prémios que o Diário Económico atribui
em conjunto com a Heidrick & Struggles
e o INDEG/ISCTE têm como objectivo
premiar as empresas que já se destacam
pelas boas práticas. ■
Quais são os principais problemas que destaca nas
empresas, no que respeita
às suas políticas de sustentabilidade?
A “Sustentabilidade” como prática de gestão
tem que ser um “valor corporativo” e ter o
CEO da empresa como o seu grande motor.
Encarar a “Sustentabilidade” como um mero
mecanismo de reporting, um processo administrativo ou um argumento de marketing,
tem um fim anunciado. Disto isto, a sustentabilidade tem que estar reflectida em toda a cadeia de valor, tem que ser praticada por todos
os colaboradores da empresa, tem que ser
sentida no DNA de toda a empresa e tem que
ter alcance efectivo na comunidade envolvente de ‘stakeholders’. O maior problema é
quando a “sustentabilidade” é apenas um
quadrado no organigrama… em vez de um objectivo estratégico de negócio mensurável,
desmultiplicado para todas as áreas da empresa e todos colaboradores e encarado como
um indicador de desempenho e barómetro de
retorno para os accionistas da empresa.
E em que é que as empresas portuguesas são
melhores?
As empresas portuguesas têm vindo a percorrer um caminho extraordinário em vários dos
critérios de sustentabilidade. Temos cinco
grandes empresas portuguesas cotadas em índices de sustentabilidade internacionais, o
que poderia parecer inimaginável há cinco
anos. O que eu destacaria nas empresas portuguesas é a ambição, a vontade, o espírito
empreendedor, a flexibilidade, a capacidade
de se reinventarem e de lidar com a adversidade. Não nos podemos esquecer que somos o
mais antigo Estado-nação da Europa, temos
uma das 10 línguas mais faladas no mundo,
temos várias empresas com décadas de existência e vários empresas portuguesas com
grande relevância internacional e tudo isto
vindo de um país com 92 mil km2. ■ I.M.
IV Diário Económico Terça-feira 29 Outubro 2013
PRÉMIO DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
Efacec vence primeiro prémio
de Desenvolvimento Sustentável
Empresa recebeu o principal prémio e venceu no sector indústria e energia, pondo no mesmo patamar
os aspectos ambientais, sociais e financeiros. João Bento, CEO, foi receber o galardão.
RAQUEL CARVALHO
raquel,[email protected]
As acções desenvolvidas
Na vertente económica, Pedro Esquível destaca o processo de internacionalização crescente bem como diversas iniciativas de racionalização dos recursos, “que envolvem melhorias na eficiência e eficácia dos processos”,
explica. Entre essas melhorias, destacam-se
“a implementação de processos avançados
para a gestão do risco em projectos e as melhorias nos processos de governação”, diz.
O director de desenvolvimento sustentável da
Efacec refere ainda “o forte investimento no
desenvolvimento de produtos mais verdes e a
1º
João Bento, CEO da Efacec.
“As dimensões
económicas e
sociais são muito
imoportantes.
Deixámos de ser
um criador de
emprego e por
isso passámos
a apostar mais
a comunidade
envolvente,
a gestão de risco
e os modelos
de governo”,
afirma
João Bento,
CEO da Efacec.
Paula Nunes
N
a Efacec, a grande vencedora dos prémios de desenvolvimento sustentável,
tendo recebido o primeiro
prémio, e o prémio sectorial indústria e energia, “a
sustentabilidade é formalmente a política integradora de todas as políticas do grupo e é permanentemente comunicada às partes interessadas do grupo. Orienta
todas as estratégias corporativas, que seguem
um modelo 3Ps e asseguram um equilíbrio
constante entre a resolução dos problemas
actuais e a mitigação dos riscos do médio/longo prazos”, garante Pedro Esquível,
director de desenvolvimento sustentável, que
revela que “os aspectos ambientais e sociais
são tratados com a mesma atenção dos aspectos financeiros mais imediatos”.
O responsável não tem dúvidas que “qualquer
empresa ambiciona ter mais valor, e isso passa necessariamente pela implementação de
novos conceitos de gestão e novas práticas”.
Além disso, diz estar consciente de que “não
poderíamos realizar muitos dos nossos negócios se não tivéssemos já hoje as preocupações
de sustentabilidade”. Até porque, realça, “os
clientes mais importantes são já muito exigentes em termos de sustentabilidade”.
É com a noção da importância de se ser socialmente responsável que a Efacec “estabelece os
seus objectivos enquadrando-os nas perspectivas económica, ambiental e social, que são
muito bem compreendidas pelos colaboradores e pela sociedade em geral, tornando a nossa actuação muito clara e transparente”, diz,
esclarecendo que “a partir dos objectivos estabelecidos nasce um grande número de iniciativas enquadráveis na sustentabilidade”.
presença nas cadeias de valor das tecnologias
ambientais”, dandoênfase às “redes inteligentes da energia e aos sistemas de carregamento dos veículos eléctricos”. Pedro Esquível ressalva o investimento “na redução dos
seus próprios impactes ambientais sendo de
destacar a reabilitação dos seus edifícios mais
antigos, tornando-os bastante mais eficientes
do ponto de vista energético”.
Na vertente social, “enquadram-se os objectivos de desenvolvimento e satisfação dos colaboradores”, informa. Assim, a empresa
aposta em acções de formação para toda a comunidade(coordenada pela Efacec Academy), na realização de um processo integrado de melhoria da satisfação de colaboradores
(designado por efaVoice) e também em diversas iniciativas para uma melhor conciliação
do trabalho com a vida familiar.
Ainda nesta vertente, Pedro Esquível dá enfoque “aos diversos esforços de cidadania, nos
quais se incluem os programas de voluntariado, as parcerias com o programa Porto de Futuro e Junior Achievement, o programas de
apoio social (designado por EfaAjudar) e todo
um conjunto de participações activas com o
movimento associativo e as universidades”.
Importante referir que a empresa não tem
uma componente isolada de investimento no
segmento desenvolvimento sustentável. “Os
investimentos significativos nas áreas da inovação e da internacionalização são considerados vitais para a sustentabilidade da Efacec e
na nossa perspectiva não podem ser excluídos
desse segmento”, refere, frisando, no entanto, que, “na área específica do apoio às suas
comunidades, a Efacec disponibilizou em
2012 cerca de meio milhão de euros. ■
PUB
275
VI Diário Económico Terça-feira 29 Outubro 2013
PRÉMIO DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
Bruno Proença, director adjunto do Diário
Económico, com José de Matos, da CGD,
Paula Nunes
e Pitta Abreu, da EDP.
CGD reduziu 35% das emissões
de CO2 em seis anos
Banco fica na segunda posição do Prémio de Desenvolvimento Sustentável e na categoria de serviços
financeiros. A Caixa Geral de Depósitos que tem um programa corporativo de sustentabilidade.
RAQUEL CARVALHO
[email protected]
E
ntre 2006 e 2012, a Caixa Geral
de Depósitos reduziu em 35%
as emissões globais de gases de
efeito de estufa, por colaborador, e em cerca de 20% a factura energética. Estes são os
resultados do sistema de gestão ambiental implementado pelo banco, com
vista a reduzir os impactos da sua actividade e
optimizar os recursos. Estas são algumas das
medidas desenvolvidas com o objectivo de ser
uma empresa sustentável. Neste caso, na esfera ambiental. Mas muitas outras são realizadas, no âmbito social e financeiro.
“A sustentabilidade representa para a Caixa
um desafio fundamental para o sucesso das
empresas e para a projecção de futuro dos países”, afirma Francisco Viana, director de comunicação e marca da CGD, que recebeu o 2º
prémio e ganhou na categoria de serviços financeiros.
2º
“Este não foi
um período fácil
para a CGD.
Mas continuámos
a considerar
que a aposta na
sustentabilidade
devia continuar”,
José de Matos,
CEO da CGD.
A empresa tem incorporado aspectos de sustentabilidade nos processos organizacionais e
definiu um Programa Corporativo de Sustentabilidade que, diz, “constitui um contributo
essencial para a criação de valor e para a gestão da reputação da nossa marca”. Francisco
Viana acredita que “esta abordagem assegura
uma gestão de risco mais eficiente, a identificação de oportunidades de negócio e o estabelecimento de relações construtivas e de
parceria com os diferentes stakeholders”. É
com esse objectivo e com a preocupação em
estar alinhada com suas as expectativas, que o
banco “aufere anualmente a opinião e satisfação relativamente ao nosso desempenho sustentável e a oportunidades de evolução. A
partir dos resultados obtidos, identificamos
vectores de melhoria para a gestão e reporting
de aspectos económicos, ambientais e sociais”, esclarece. Explica ainda que a actuação
do banco “abrange cinco áreas-chave: banca
responsável, promoção do futuro, protecção
do ambiente, envolvimento com a comunidade e gestão do activo humano, tendo cada
uma um plano de acção e objectivos mensuráveis”, e informa que a cultura de sustentatabilidade é visível também, “no desenvolvimento de soluções financeiras de baixo carbono, que facilitam a redução do impacte ambiental dos clientes e a projeção de redução
de custos de exploração”.
Paralelamente, “e porque representa a razão
de ser da Caixa desde a sua constituição, continuamos a incentivar a inclusão social e financeira, por via de modelos de microfinanciamento, do desenvolvimento das PME e do
incentivo ao empreendedorismo”, frisa, destacando “a dedicação dos colaboradores às
comunidades envolventes, às boas causas sociais e ambientais e à literacia financeira,
através do exercício do voluntariado corporativo”. ■
Terça-feira 29 Outubro 2013 Diário Económico VII
ZON focada em questões ambientais
A
ZON recebeu o terceiro
prémio e venceu no sector
das tecnologias, média e
telecomunicações. Um reconhecimento do enfoque
que dá ao desenvolvimento
sustentável, realizando acções “que visam o alinhamento dos princípios
de sustentabilidade nas dimensões económica, social e ambiental em toda a cadeia de valor e em estreita relação com a parte operacional através de um modelo funcional transversal a todos os níveis”, informa Luis Moura,
director de recursos humanos.
O conceito de sustentabilidade, diz, “reflecte
uma abordagem de negócio responsável e
equilibrada, que investe na confiança dos
clientes, colocando a tecnologia digital ao
serviço das comunidades e da sociedade, que
respeita a natureza e o ambiente, e cria valor
acionista de longo prazo, ao abraçar oportunidades e gerir riscos resultantes de desenvolvimentos económicos, ambientais e sociais”. Exemplo disso são os programas de
PUB
3º
“A sustentabilidade
não é uma moda
da gestão, mas
algo que as equipas
consideram fulcral.
Em Portugal falta
a cultura de
divulgação pública
de boas práticas.”,
afirma Luís Moura,
director de RH
da Zon.
formação e gestão do talento, e melhoria contínua de processos e qualidade operacional,
que, garante, “conseguiram resultados positivos muito expressivos na relação com o
cliente”. Além disso, o programa EcoZON obteve em 2010 o Certificado 100R da Sociedade
Ponto Verde que “confirma que a reciclagem
é feita a 100%”, explica Luis Moura, informando que “o programa inclui numerosas
medidas a nível comportamental dos colaboradores, fornecedores e clientes e deu origem
ao embalamento verde e ao sistema integrado
de controle e redução de energia”.
De referir que a ZON “procura embeber em
todas as actividades a agenda da sustentabilidade porque esta demonstrou ser um instrumento com forte potencial para integrar, suportar e proteger as actividades de negócio
num enquadramento de médio e longo prazo”, frisa, lembrando a preocupação da empresa em passar a mensagem da importância
da sustentabilidade além-fronteira, o que
conseguiu com o evento ZON North Canyon
Show by Garrett McNamara. ■ R.C.
Luís Moura, director corporativo
de recursos humanos da Zon.
Paula Nunes
Vencedora do terceiro prémio e ainda no sector tecnologias, média e telecomunicações.
VIII Diário Económico Terça-feira 29 Outubro 2013
PRÉMIO DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
Lipor: a melhor PME
e primeira no sector
de infra-estruturas
Rogério Carapuça,
presidente do Conselho
de Administração da Novabase.
A sustentabilidade é parte da visão de negócio da Lipor,
empresa que trata o lixo de concelhos como o Porto.
Fernando Leite, administrador
Paula Nunes
executivo da Lipor.
Novabase:
a empresa que mais
evoluiu no Prémio
A Novabase esteve em destaque na edição deste ano, por ter sido a empresa que
registou a maior subida no ranking geral.
Sónia Vasconcelos, ‘associate manager’
da área de Corporate Development, garante que “a educação e a formação são a
grande aposta” da empresa, destacando
algumas iniciativas. Com o Design
Thinking, a empresa “cria soluções centradas nas pessoas”, explica. Já através
da Novabase Academy capta os melhores
talentos, tendo desde 2006 criado mais
“Este prémio é para
o conjunto de pessoas
que todos os dias lutam
pela sustentabilidade da
empresa”, diz o presidente
da Novabase.
de 750 postos de trabalho para recém-licenciados e diplomados.
Sónia Vasconcelos frisa ainda as parcerias com universidades nacionais e outras de referência mundial, como a Carnegie Mellon University e o MIT (Massachusetts Institute of Technology) e os
cursos de Verão para crianças que a Novabase promove em conjunto com a
CAISL (Carlucci American International
School of Lisbon) em que, “através das
artes, do teatro, da música, ensinamos
inglês e tecnologias de informação”. A
parceria, com o apoio da Câmara Municipal de Sintra, já abrangeu 840 crianças.
“Acreditamos que, se lhes dermos as
ferramentas certas, nos irão surpreender
no futuro”, diz a responsável.
A ‘associate manager’ da área de Corporate Development da Novabase faz ainda
referência ao projecto FST Novabase, que
visa “ligar a universidade com o mundo
real, através do qual apoiamos a criação
do primeiro carro de competição português com propulsão eléctrica, um projecto com projecção internacional desenvolvido por estudantes do Instituto
Superior Técnico”, diz.
De referir ainda as várias medidas de
controlo dos impactos ambientais implementadas nos últimos dois anos pela
Novabase, a certificação do sistema de
gestão nas normas de gestão ambiental e
de segurança e saúde no trabalho, bem
como “o melhoramento dos mecanismos
de comunicação com os nossos colaboradores, despertando a sua atenção para
situações de risco para a sua saúde e
bem-estar”, enumera Sónia Vanconcelos. “A visão da Novabase é tornar a vida
das pessoas mais simples e mais feliz” e
que é a pensar nelas que são desenvolvidas as soluções”, sempre pensando na
sustentabilidade. ■ R.C.
Paula Nunes
A empresa tenta reduzir internamente os impactos
ambientais e aposta forte da educação e formação.
São sete os principios de sustentabilidade assumidos pela Lipor - Serviço Intermunicipalizado de Gestão de Resíduos
do Grande Porto - vencedora no sector
construção, gestão de infra-estruturas,
transporte e logística, tendo sido também considerada a melhor PME nesta
edição: assumir o desafio da sustentabilidade, apostar na prevenção, estreitar
relações com as partes, encarar os resíduos como recursos, definir e aplicar
uma hierarquia para a gestão de resíduos, ser auto-suficiente e aplicar os
princípios do poluidor-pagador.
Desde 2006 que a sustentabilidade “é a
visão de negócio da organização”, estando toda a estratégia assente em objectivos que promovem o maior desenvolvimento dos seus três pilares: social, ambiental e económico, refere Fernando
Leite, administrador delegado da Lipor.
A missão é “conceber, adoptar e implementar soluções sustentáveis de gestão
de resíduos, tendo em consideração as
necessidades dos nossos parceiros e das
comunidades que servimos”, diz. Todos
os colaboradores estão alinhados, recebendo formação na área. Aliás, o compromisso da empresa com o desenvolvimento sustentável “é consequência directa da estratégia que o conselho de administração e a equipa de gestão definiram, no sentido de trabalhar para que a
Lipor seja uma organização de futuro, e
que a sustentabilidade seja uma forma de
estar”, ressalva Fernando Leite.
Todos os anos a empresa lança o relatório
de sustentabilidade e desenvolve iniciativas na área da eficiência energética.
Promove o projecto 2M - Menos Resíduos, Menos Carbono, o projecto da
“No momento actual,
com as dificuldades
que o sector público
atravessa, este prémio é
muito importante”, afirma
o administrador executivo.
Agenda 21 Local em freguesias da área de
influência, o projecto inclusivo reciclar
mais, reabilitar mais, os projectos de
compostagem doméstica e de agricultura biológica, as hortas, os projectos de
prevenção, a sensibilização e educação
ambiental na comunidade escolar e a recuperação dos passivos ambientais. A Lipor tem ainda um plano de investimentos para este ano de 900 mil euros, “com
uma execução de perto de 80%”, alocados sobretudo para projectos de prevenção, como o projecto payt, os projectos
da estratégia 2m e de responsabilidade
social externa. ■ R.C.
PUB
X Diário Económico Terça-feira 29 Outubro 2013
Paula Nunes
Paula Nunes
Paula Nunes
PRÉMIO DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
Eurest vence
no sector
do imobiliário,
turismo e lazer
Câmara
de Cascais
em destaque entre
as autarquias
Accenture
ganha no sector
dos serviços
profissionais
A actuar no sector da restauração há 40 anos, a Eurest,
vencedora no sector do imobiliário, turismo e lazer,
pauta-se por um elevado grau de responsabilidade social. “O desenvolvimento sustentável faz parte do nosso
código genético, estando implícito a todos os níveis
hierárquicos e em todas as tarefas quotidianas”, frisa
Henrique Leite, director geral, que garante serem servidas refeições “de qualidade
superior, seguras do ponto “Não são
de vista de segurança ali- precisas grandes
mentar e nutricionalmente
organizações
equilibradas”.
internas
Além disso, a empresa está
focada na redução do des- nem grandes
perdício alimentar, desen- operações
volvendo “estratégias que de marketing
consciencializam os consu- para se ser
midores para esta preocusustentável”,
pação”, explica. A ideia é
disse Henrique
“alavancar a difusão desta
realidade”, assegura, dando Leite, director
ênfase às acções desenvol- geral da Eurest.
vidas ao nível da educação
alimentar e promoção de hábitos saudáveis. Um exemplo é a declaração nutricional das emendas, que analisa
as propriedades nutricionais do produto. O director geral destaca também o projecto ‘Choose Beans’, que promove uma alimentação mais sustentável através da
substituição da proteína animal por proteína vegetal, do
projecto Aproveitamento Integral dos Alimentos e do
Feel Green – Choose Veg, que promove uma alimentação mais sustentável com menor pegada ecológica. De
referir ainda o trabalho na área da saúde e segurança no
trabalho, ‘o safety, we place it first’.
Quanto ao investimento alocado à área, Henrique
Leite garante que esta “não é uma rubrica que conste
no orçamento, mas sim uma estratégia transposta por
todos os colaboradores no exercício das suas funções”. ■ R.C.
A Estratégia de Sustentabilidade de Cascais, para o horizonte de 2020, reflecte a política da autarquia nesta
área. A ideia é que “o conceito esteja patente em todos
os instrumentos de planeamento e mecanismos de intervenção. E que através deles, a prática seja um reflexo
da priorização e a aplicação desse princípio em acções
concretas”, admite Carlos Carreiras, presidente da autarquia. O documento ressalva “a importância das comunidades locais e os seus contributos”, revela, informando que as políticas de
participação “visam a “O nosso objectivo
melhoria da qualidade de
é manter, a par
vida, garantindo a sustenda sustentabilidade,
tabilidade económica local e a preservação dos as palavras futuro
valores ambientais e cul- e esperança”,
turais”.
Carlos Carreiras,
E são cinco os eixos estra- presidente
tégicos: Cascais território
da Câmara
com qualidade de vida urde Cascais.
bana, território com criatividade conhecimento e
inovação, território com valores ambientais, coeso e
inclusivo e um território de cidadania activa. Nesse âmbito, são desenvolvidas algumas iniciativas, das quais
Carlos Carreiras destaca o projecto hortas de Cascais, o
acompanhamento proactivo de proximidade com as associações de moradores, colectividades, grupos desportivos e recreativos, o projecto Tutor de Bairro, onde
os munícipes são voluntários e interlocutores junto da
autarquia na gestão do seu bairro, o projecto FixCascais,
em que cada pessoa é convidada a ajudar a Câmara a
melhorar o território, e as Assembleias Locais, realizadas nas diferentes Freguesias do Concelho e abertas à
comunidade que “permitem um diálogo entre o executivo e a população”, diz. A autarquia promove ainda Espaços Mais Perto, com atendimento descentralizado,
voluntariado jovem e programas de educação e sensibilização ambiental. ■ R.C.
A Accenture pretende, até 2015, dotar 500 mil pessoas a
nível mundial com as competências necessárias para
encontrar emprego ou dar início a um negócio, através
da iniciativa ‘Skills to Succeed’. Para alcançar este objectivo em cinco anos, a consultora, que ganhou no sector serviços profissionais, focalizou-se no impacto obtido através do trabalho realizado com várias ONG, estabelecendo parcerias estratégicas. Até ao momen- “O nosso objectivo
to, “a Accenture capacitou é, quando sairmos,
já mais de 320 mil pessoas
deixar uma firma
com estas competências,
melhor que
desde 2010, sendo que em
Portugal
a
Junior quando entrámos,
Achievment, através de uma firma sólida
450 voluntários, já formou para as novas
mais de nove mil alunos do gerações”,
ensino básico ao secundádefende Galamba
rio”, informa José Galamba
de Oliveira,
de Oliveira, Presidente da
presidente
Accenture Portugal.
A empresa implementou da Accenture.
um Sistema de Gestão Ambiental nos escritórios de Lisboa e Porto, que permite
adoptar as melhores práticas de prevenção e controlo
da poluição e quer lançar iniciativas globais “agregadoras de comunicação interna incentivando a minimização do impacto no ambiente”, diz. Além disso, já dedicou 6400 horas a ajudar organizações sociais e fundações a serem mais eficientes. O responsável destaca que
a Accenture encoraja “os colaboradores a serem voluntários, contribuindo para o bem-estar das comunidades
nas quais actua”. Anualmente, diz, “cerca de 120 colaboradores dão mais de 800 horas do seu tempo às acções de voluntariado.
“O modo responsável como a Accenture entende o negócio e promove o desenvolvimento sustentável na sociedade em que opera faz parte do seu ADN”, remata o
responsável. ■ R.C.
Terça-feira 29 Outubro 2013 Diário Económico XI
>> T R Ê S P R É M I O S
E XC E L Ê N C I A
>> Três empresas do ‘Advisory
Board’ mereceram um
agradecimento especial pelo
caminho que têm feito na área
da sustentabilidade.
Paula Nunes
Paula Nunes
ANTONIO SOUSA
IPO Porto
vence no sector
dos serviços
de saúde
Jerónimo
Martins
premiada
no grande retalho
Vencedor sectorial nos serviços de saúde, o IPO do Porto quer ser uma referência na área da sustentabilidade
nos domínios económico, social e ambiental. “Dai que
tenha definido um conjunto de políticas com vista a
esse objectivo. José Laranja Pontes, presidente do conselho de administração destaca as que visam “a melhoria organizacional inerentes ao processo de dupla “Este prémio é o
acreditação/reacreditação reconhecimento
hospitalar, a certificação
de um caminho
de serviços clínicos e não
clínicos pelas ISO/EN/NP que o IPO
9001. Frisa a promoção da começou a fazer
protecção ambiental, que há alguns anos.
se consubstancia no “tra- Achámos agora
tamento das águas resi- que tinha chegado
duais, recolha e tratamento
a hora de aceitar o
dos resíduos sólidos e líquidos, avaliação e contro- desafio”, afirma
lo dos efluentes gasosos, Francisco Rocha
protecção contra as radia- Gonçalves, vogal
ções ionizantes e a substi- do Conselho de
tuição do gás propano pelo Administração.
gás natural” .
A instituição implementou
o processo clínico electrónico e o sistema PACS que
permite reduzir o consumo de papel e facilita a troca de
informação clínica entre instituições e criou um ecoponto onde se centraliza o armazenamento, a triagem e
o tratamento de resíduos sólidos e líquidos. Laranja
Pontes salienta ainda a construção de raíz do novo edifício de radioterapia, com menos impacto ambiental, e
a implementação de medidas de combate ao desperdício, como redutores de caudal de água, centralização de
impressões, impressões apenas a preto e branco, e a
substituição de lâmpadas tradicionais por económicas.
O presidente do conselho de administração explica que
o investimento nesta área “é transversal à organização”. ■ R.C.
Os objectivos da Jerónimo Martins na área do desenvolvimento sustentável são definidos a três anos”, diz Sara
Miranda, Chief Communications & Corporate Responsibility Officer. E com cinco grandes eixos de actuação:
promover a saúde pela alimentação, respeitar o ambiente, comprar com responsabilidade, apoiar as comunidades e ser um empregador de referência.
O grupo, que ganhou na categoria grande retalho, já reduziu quase 9% a pegada de carbono, mais de 9% o
consumo de energia e mais 2% o consumo de água.
No ano passado, fez reformulações nutricionais de
“A Jerónimo
produtos de marca própria: “em Portugal e na Martins é uma
Polónia foram eliminadas empresa desenhada
1.241 toneladas de açúcar, para a
19 toneladas de sal e 36 sobrevivência,
toneladas de gordura”, para se superar e
diz. Houve ainda reforsuperar gerações.
mulações de produtos
para crianças e lança- A sustentabilidade
mentos de opções mais é como um bonsai,
saudáveis. Sara Miranda se não a cuidarmos
sublinha ainda “oito pro- todos os dias,
dutos marca própria desela morre”, refere
tinados a consumidores
Sara Miranda,
com necessidades especiais, enriquecidos com responsável pela
vitaminas e sais mine- comunicação da JM.
rais”, e o facto da empresa
privilegiar a aquisição de produtos locais (80% em Portugal, 90% na Polónia e na Colômbia).
A nível social, de frisar os donativos em géneros alimentares, em 2012, no total de onze milhões de euros e
a existência de um fundo para apoiar os colaboradores
em dificuldades, sendo que o ano passado, correspondeu a um investimento total de dois milhões de euros
que apoiou mais de dois mil colaboradores e suas famílias. ■ R.C.
CEO BRISA
“A sustentabilidade
é como uma bicicleta,
não se pode deixar de pedalar.
Se a sustentabilidade fizer
parte da cultura empresarial,
os colaboradores entendem-na
e seguem-na. Sobre
a sustentabilidade no negócio
da Brisa, talvez tenhamos
de passar a falar menos
de infraestruturas e mais
de mobilidade”.
LUIS PACHECO
MELO
CFO PT
“Temos trabalhado
activamente e intensamente
nas boas práticas
de sustentabilidade
na PT. E todas as boas
práticas que foram sendo
implementadas na empresa
em Portugal têm agora
uma dimensão muito maior,
pois vamos estendê-las
à nossa operação no Brasil”.
PITA DE ABREU
Administrador Executiivo Grupo
EDP
“A sustentabilidade devia ser
tão natural que nem devia ser
preciso falar dela. Se todas
as pessoas tivessem dentro de
si as boas práticas, seria tudo
mais fácil. Nestes momentos
mais pessimistas é importante
sublinhar o papel das empresas
que tentam ter boas práticas
e ter um papel diferente
das outras”.
PUB
Download

DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Conheça os 10