ESTE SUPLEMENTO FAZ PARTE INTEGRANTE DO DIÁRIO ECONÓMICO Nº 5789 DE 29 DE OUTUBRO DE 2013 E NÃO PODE SER VENDIDO SEPARADAMENTE Prémios DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Conheça os 10 melhores na sustentabilidade em Portugal Paula Nunes ◗ Mais de 400 empresas concorreram ao prémio desde o seu início ◗ Efacec, CGD e Zon ocupam os três primeiros lugares do Prémio ◗ Quem é o ‘advisory board’ que ajudou a escolher os vencedores II Diário Económico Terça-feira 29 Outubro 2013 O ‘ADVISORY BOARD’ DA EDIÇÃO 2012/2013 ALBERTO CASTRO, ANTÓNIO GOMES MOTA, ANTÓNIO MEXIA, FERNANDA PARGANA, Director da Universidade de Economia e Gestão da Católica do Porto Presidente Conselho Administração da Soares da Costa CEO da EDP Secretária Geral do BCSD Mais de 400 empresas já participaram no Prémio desde o seu início Na edição deste ano participaram 161 empresas. Grande parte são PME. IRINA MARCELINO [email protected] “A sustentabilidade é como andar de bicicleta. Tem de se estar sempre a pedalar ou corre-se o risco de cair”. A frase, dita pelo CEO da Brisa António Sousa, acabaria por ser repetida por outros intervenientes da manhã de quarta-feira passada, manhã de chuva e de caos no trânsito em Lisboa em que foram entregues os prémios de Desenvolvimento Sustentável referentes a 2012 e 2013. A frase utilizada resume a forma como as políticas de desenvolvimento sustentável devem ser implementadas: de forma continuada. Pedro Rocha Matos, ‘partner’ da Heidrick & Struggles, promotora do prémio em parceria com o Diário Económico e o INDEG/ISTCE, diz mais: a sustentabilidade deve estar no DNA da empresa e, de preferência, ter o CEO como o seu grande motor. A EFACEC é uma empresa que tem no seu mapa genético a sustentabilidade. A grande vencedora deste ano, que na edição anterior ficara em terceiro lugar do ranking e em primeiro a nível sectorial, “mesmo num contexto de mudança de CEO e de rumo estratégico, com aposta clara no mercado internacional”, lembra Pedro Rocha Matos, “reforçou o seu enfoque no pilar estratégico da sustentabilidade e o resultado está à vista”. A Caixa Geral de Depósitos, que venceu no seu sector e alcançou o segundo lugar do ranking, na anterior edição tinha recebido o prémio de “Maior Subida”, ou seja, “confirmou a sustentabilidade da sua trajectória, num contexto de extrema adversidade do seu sector”, considera o responsável da Heidrick & Struggles. A ZON, que alcançou o terceiro lugar e venceu no seu sector, na edição anterior apenas venceu no seu sector, “o que demonstra a consistência da aposta na sustentabilidade num sector extremamente competitivo e global”. A edição deste ano do Prémio Desenvolvimento Sustentável recebeu mais candidaturas, quer de empresas, quer de autarquias, e mesmo de PME, que têm já um peso conside- Quem chegou e venceu Apenas dois em 10 vencedores (Instituto Português de Oncologia do Porto e Câmara Municipal de Cascais) chegaram, viram e venceram. 57% dos concorrentes eram novos participantes do Prémio de Desenvolvimento Sustentável. 31% das concorrentes eram PME. Um prémio que mede “Este prémio permite medir a sustentabilidade, e isso coloca o tema no radar dos investidores, que olham sempre para o que é mensurável”, considera Fernanda Pargana, Secretária Geral do BCSD. A especialista, que também pertende ao ‘advisory board’, diz ainda que para se mostrar às empresas a importância do tema sustentabilidade é essencial mostrar-lhes que “é economicamente interessante”. rável no total dos candidatos (31%). Nesta quinta edição inscreveram-se 161 empresas, mais 8% que na edição anterior. Nas cinco edições do Prémio já participaram mais de 400 empresas. “Estes números ilustram bem a relevância atribuída à sustentabilidade”, crê Rocha de Matos. A importância do tema sustentabilidade para as empresas está a crescer, mesmo em altura de crise. “No contexto actual de crise, maior é a relevância da sustentabilidade, pois encontrar referenciais de sucesso, ter a oportunidade de efectuar ‘benchmarking’, são factores cruciais para o desenho da estratégia de negócio”, afirma o responsável da Heidrick & Struggles. “Adoptar a filosofia do ‘triple bottom line’ (económico, ambiental, social) é incorporar no DNA da empresa práticas de gestão estruturantes, responsáveis, comprovadas e que conferem robustez e capacidade atlética às empresas para fazer face às adversidades e desafios constantes com que se deparam e que num contexto de crise são agudizados”, considera ainda. Os critérios analisados pelo ‘advisory board’ em cada uma das empresas são internacionais e iguais aos utilizados pelo Dow Jones Sustainability Index. Este ano introduziu-se ainda uma novidade na análise das empresas: as visitas às empresas finalistas. “Foi uma experiência extraordinária. Uma grande disponibilidade, mobilização de intervenientes e grande vontade e sentimento de orgulho na partilha das práticas de sustentabilidade. Se em 2008, quando iniciamos o prémio era verdadeiramente desafiante mobilizar participantes e fazer entender “o que isso da sustentabilidade” hoje a sustentabilidade é perfeitamente transversal entre sectores e empresas de grande, média e pequena dimensão e faz parte do léxico empresarial”, refere Pedro Rocha Matos. Além da Efacec, da CGD e da Zon, foram premiadas a Lipor, Novabase, Eurest, Câmara de Cascais, Accenture, IPO do Porto e Jerónimo Martins. Foram ainda homenageados os membros do Advidory Board Brisa, PT e EDP. ■ ANÁLISE A nova filosofia Infelizmente, a economia portuguesa continua a um passo da bancarrota. Mesmo depois de todos os sacrifícios impostos aos portugueses, a estabilidade financeira não está assegurada. Isto porque o caminho da austeridade está esgotado. Agora resta uma solução: o crescimento económico. Porém, é mais fácil dizer do que acontecer. Num país habituado a viver à conta do Estado, a retoma é mais difícil porque nenhum ministro da Economia conseguirá decretar o crescimento económico. Dependerá sempre da capacidade e vontade dos gestores, Terça-feira 29 Outubro 2013 Diário Económico III PAULO BENTO, VASCO DE MELLO, VÍTOR GONÇALVES, ZEINAL BAVA, Presidente INDEG-IUL ISCTE Executive Education CEO da Brisa Pró-Reitor da Universidade Técnica de Lisboa CEO da PT 2 P E R G U N TA S A PEDRO ROCHA MATOS, ‘PARTNER’ DA HEIDRICK & STRUGGLES Fotografia de “família” dos vencedores e promotores da edição 2012/2013 do Prémio Desenvolvimento Sustentável. “Sustentabilidade tem de ser sentida no DNA da empresa” Paula Nunes Para o ‘partner’ da Heidrick & Struggles, a estratégia de sustentabilidade deve ter o CEO da empresa como seu motor. das empresas BRUNO PROENÇA Director Executivo do Diário Económico empresários e empreendedores. Este é o seu momento na História de Portugal. Têm a oportunidade de mostrarem o que valem, percebendo que são obrigados a dar um passo em frente. Os modelos do passado estão esgotados - por isso, o país chegou a este estado calamitoso. As empresas do futuro têm que dar vários passos em frente, adoptando as melhores práticas de gestão. E no esqueleto dessas metodologias está o conceito da sustentabilidade, que se divide em três dimensões: a financeira, a social e a ambiental. As empresas do futuro necessitam de ter lucros para sobreviverem mas não podem viver para os lucros. É uma missão curta. Têm que existir para as pessoas e para melhorar a vida das comunidades onde estão inseridas. Sem perceberem isto, os empresários não conseguem reinventar a economia nacional e relançar o desenvolvimento do país. Os prémios que o Diário Económico atribui em conjunto com a Heidrick & Struggles e o INDEG/ISCTE têm como objectivo premiar as empresas que já se destacam pelas boas práticas. ■ Quais são os principais problemas que destaca nas empresas, no que respeita às suas políticas de sustentabilidade? A “Sustentabilidade” como prática de gestão tem que ser um “valor corporativo” e ter o CEO da empresa como o seu grande motor. Encarar a “Sustentabilidade” como um mero mecanismo de reporting, um processo administrativo ou um argumento de marketing, tem um fim anunciado. Disto isto, a sustentabilidade tem que estar reflectida em toda a cadeia de valor, tem que ser praticada por todos os colaboradores da empresa, tem que ser sentida no DNA de toda a empresa e tem que ter alcance efectivo na comunidade envolvente de ‘stakeholders’. O maior problema é quando a “sustentabilidade” é apenas um quadrado no organigrama… em vez de um objectivo estratégico de negócio mensurável, desmultiplicado para todas as áreas da empresa e todos colaboradores e encarado como um indicador de desempenho e barómetro de retorno para os accionistas da empresa. E em que é que as empresas portuguesas são melhores? As empresas portuguesas têm vindo a percorrer um caminho extraordinário em vários dos critérios de sustentabilidade. Temos cinco grandes empresas portuguesas cotadas em índices de sustentabilidade internacionais, o que poderia parecer inimaginável há cinco anos. O que eu destacaria nas empresas portuguesas é a ambição, a vontade, o espírito empreendedor, a flexibilidade, a capacidade de se reinventarem e de lidar com a adversidade. Não nos podemos esquecer que somos o mais antigo Estado-nação da Europa, temos uma das 10 línguas mais faladas no mundo, temos várias empresas com décadas de existência e vários empresas portuguesas com grande relevância internacional e tudo isto vindo de um país com 92 mil km2. ■ I.M. IV Diário Económico Terça-feira 29 Outubro 2013 PRÉMIO DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Efacec vence primeiro prémio de Desenvolvimento Sustentável Empresa recebeu o principal prémio e venceu no sector indústria e energia, pondo no mesmo patamar os aspectos ambientais, sociais e financeiros. João Bento, CEO, foi receber o galardão. RAQUEL CARVALHO raquel,[email protected] As acções desenvolvidas Na vertente económica, Pedro Esquível destaca o processo de internacionalização crescente bem como diversas iniciativas de racionalização dos recursos, “que envolvem melhorias na eficiência e eficácia dos processos”, explica. Entre essas melhorias, destacam-se “a implementação de processos avançados para a gestão do risco em projectos e as melhorias nos processos de governação”, diz. O director de desenvolvimento sustentável da Efacec refere ainda “o forte investimento no desenvolvimento de produtos mais verdes e a 1º João Bento, CEO da Efacec. “As dimensões económicas e sociais são muito imoportantes. Deixámos de ser um criador de emprego e por isso passámos a apostar mais a comunidade envolvente, a gestão de risco e os modelos de governo”, afirma João Bento, CEO da Efacec. Paula Nunes N a Efacec, a grande vencedora dos prémios de desenvolvimento sustentável, tendo recebido o primeiro prémio, e o prémio sectorial indústria e energia, “a sustentabilidade é formalmente a política integradora de todas as políticas do grupo e é permanentemente comunicada às partes interessadas do grupo. Orienta todas as estratégias corporativas, que seguem um modelo 3Ps e asseguram um equilíbrio constante entre a resolução dos problemas actuais e a mitigação dos riscos do médio/longo prazos”, garante Pedro Esquível, director de desenvolvimento sustentável, que revela que “os aspectos ambientais e sociais são tratados com a mesma atenção dos aspectos financeiros mais imediatos”. O responsável não tem dúvidas que “qualquer empresa ambiciona ter mais valor, e isso passa necessariamente pela implementação de novos conceitos de gestão e novas práticas”. Além disso, diz estar consciente de que “não poderíamos realizar muitos dos nossos negócios se não tivéssemos já hoje as preocupações de sustentabilidade”. Até porque, realça, “os clientes mais importantes são já muito exigentes em termos de sustentabilidade”. É com a noção da importância de se ser socialmente responsável que a Efacec “estabelece os seus objectivos enquadrando-os nas perspectivas económica, ambiental e social, que são muito bem compreendidas pelos colaboradores e pela sociedade em geral, tornando a nossa actuação muito clara e transparente”, diz, esclarecendo que “a partir dos objectivos estabelecidos nasce um grande número de iniciativas enquadráveis na sustentabilidade”. presença nas cadeias de valor das tecnologias ambientais”, dandoênfase às “redes inteligentes da energia e aos sistemas de carregamento dos veículos eléctricos”. Pedro Esquível ressalva o investimento “na redução dos seus próprios impactes ambientais sendo de destacar a reabilitação dos seus edifícios mais antigos, tornando-os bastante mais eficientes do ponto de vista energético”. Na vertente social, “enquadram-se os objectivos de desenvolvimento e satisfação dos colaboradores”, informa. Assim, a empresa aposta em acções de formação para toda a comunidade(coordenada pela Efacec Academy), na realização de um processo integrado de melhoria da satisfação de colaboradores (designado por efaVoice) e também em diversas iniciativas para uma melhor conciliação do trabalho com a vida familiar. Ainda nesta vertente, Pedro Esquível dá enfoque “aos diversos esforços de cidadania, nos quais se incluem os programas de voluntariado, as parcerias com o programa Porto de Futuro e Junior Achievement, o programas de apoio social (designado por EfaAjudar) e todo um conjunto de participações activas com o movimento associativo e as universidades”. Importante referir que a empresa não tem uma componente isolada de investimento no segmento desenvolvimento sustentável. “Os investimentos significativos nas áreas da inovação e da internacionalização são considerados vitais para a sustentabilidade da Efacec e na nossa perspectiva não podem ser excluídos desse segmento”, refere, frisando, no entanto, que, “na área específica do apoio às suas comunidades, a Efacec disponibilizou em 2012 cerca de meio milhão de euros. ■ PUB 275 VI Diário Económico Terça-feira 29 Outubro 2013 PRÉMIO DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Bruno Proença, director adjunto do Diário Económico, com José de Matos, da CGD, Paula Nunes e Pitta Abreu, da EDP. CGD reduziu 35% das emissões de CO2 em seis anos Banco fica na segunda posição do Prémio de Desenvolvimento Sustentável e na categoria de serviços financeiros. A Caixa Geral de Depósitos que tem um programa corporativo de sustentabilidade. RAQUEL CARVALHO [email protected] E ntre 2006 e 2012, a Caixa Geral de Depósitos reduziu em 35% as emissões globais de gases de efeito de estufa, por colaborador, e em cerca de 20% a factura energética. Estes são os resultados do sistema de gestão ambiental implementado pelo banco, com vista a reduzir os impactos da sua actividade e optimizar os recursos. Estas são algumas das medidas desenvolvidas com o objectivo de ser uma empresa sustentável. Neste caso, na esfera ambiental. Mas muitas outras são realizadas, no âmbito social e financeiro. “A sustentabilidade representa para a Caixa um desafio fundamental para o sucesso das empresas e para a projecção de futuro dos países”, afirma Francisco Viana, director de comunicação e marca da CGD, que recebeu o 2º prémio e ganhou na categoria de serviços financeiros. 2º “Este não foi um período fácil para a CGD. Mas continuámos a considerar que a aposta na sustentabilidade devia continuar”, José de Matos, CEO da CGD. A empresa tem incorporado aspectos de sustentabilidade nos processos organizacionais e definiu um Programa Corporativo de Sustentabilidade que, diz, “constitui um contributo essencial para a criação de valor e para a gestão da reputação da nossa marca”. Francisco Viana acredita que “esta abordagem assegura uma gestão de risco mais eficiente, a identificação de oportunidades de negócio e o estabelecimento de relações construtivas e de parceria com os diferentes stakeholders”. É com esse objectivo e com a preocupação em estar alinhada com suas as expectativas, que o banco “aufere anualmente a opinião e satisfação relativamente ao nosso desempenho sustentável e a oportunidades de evolução. A partir dos resultados obtidos, identificamos vectores de melhoria para a gestão e reporting de aspectos económicos, ambientais e sociais”, esclarece. Explica ainda que a actuação do banco “abrange cinco áreas-chave: banca responsável, promoção do futuro, protecção do ambiente, envolvimento com a comunidade e gestão do activo humano, tendo cada uma um plano de acção e objectivos mensuráveis”, e informa que a cultura de sustentatabilidade é visível também, “no desenvolvimento de soluções financeiras de baixo carbono, que facilitam a redução do impacte ambiental dos clientes e a projeção de redução de custos de exploração”. Paralelamente, “e porque representa a razão de ser da Caixa desde a sua constituição, continuamos a incentivar a inclusão social e financeira, por via de modelos de microfinanciamento, do desenvolvimento das PME e do incentivo ao empreendedorismo”, frisa, destacando “a dedicação dos colaboradores às comunidades envolventes, às boas causas sociais e ambientais e à literacia financeira, através do exercício do voluntariado corporativo”. ■ Terça-feira 29 Outubro 2013 Diário Económico VII ZON focada em questões ambientais A ZON recebeu o terceiro prémio e venceu no sector das tecnologias, média e telecomunicações. Um reconhecimento do enfoque que dá ao desenvolvimento sustentável, realizando acções “que visam o alinhamento dos princípios de sustentabilidade nas dimensões económica, social e ambiental em toda a cadeia de valor e em estreita relação com a parte operacional através de um modelo funcional transversal a todos os níveis”, informa Luis Moura, director de recursos humanos. O conceito de sustentabilidade, diz, “reflecte uma abordagem de negócio responsável e equilibrada, que investe na confiança dos clientes, colocando a tecnologia digital ao serviço das comunidades e da sociedade, que respeita a natureza e o ambiente, e cria valor acionista de longo prazo, ao abraçar oportunidades e gerir riscos resultantes de desenvolvimentos económicos, ambientais e sociais”. Exemplo disso são os programas de PUB 3º “A sustentabilidade não é uma moda da gestão, mas algo que as equipas consideram fulcral. Em Portugal falta a cultura de divulgação pública de boas práticas.”, afirma Luís Moura, director de RH da Zon. formação e gestão do talento, e melhoria contínua de processos e qualidade operacional, que, garante, “conseguiram resultados positivos muito expressivos na relação com o cliente”. Além disso, o programa EcoZON obteve em 2010 o Certificado 100R da Sociedade Ponto Verde que “confirma que a reciclagem é feita a 100%”, explica Luis Moura, informando que “o programa inclui numerosas medidas a nível comportamental dos colaboradores, fornecedores e clientes e deu origem ao embalamento verde e ao sistema integrado de controle e redução de energia”. De referir que a ZON “procura embeber em todas as actividades a agenda da sustentabilidade porque esta demonstrou ser um instrumento com forte potencial para integrar, suportar e proteger as actividades de negócio num enquadramento de médio e longo prazo”, frisa, lembrando a preocupação da empresa em passar a mensagem da importância da sustentabilidade além-fronteira, o que conseguiu com o evento ZON North Canyon Show by Garrett McNamara. ■ R.C. Luís Moura, director corporativo de recursos humanos da Zon. Paula Nunes Vencedora do terceiro prémio e ainda no sector tecnologias, média e telecomunicações. VIII Diário Económico Terça-feira 29 Outubro 2013 PRÉMIO DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Lipor: a melhor PME e primeira no sector de infra-estruturas Rogério Carapuça, presidente do Conselho de Administração da Novabase. A sustentabilidade é parte da visão de negócio da Lipor, empresa que trata o lixo de concelhos como o Porto. Fernando Leite, administrador Paula Nunes executivo da Lipor. Novabase: a empresa que mais evoluiu no Prémio A Novabase esteve em destaque na edição deste ano, por ter sido a empresa que registou a maior subida no ranking geral. Sónia Vasconcelos, ‘associate manager’ da área de Corporate Development, garante que “a educação e a formação são a grande aposta” da empresa, destacando algumas iniciativas. Com o Design Thinking, a empresa “cria soluções centradas nas pessoas”, explica. Já através da Novabase Academy capta os melhores talentos, tendo desde 2006 criado mais “Este prémio é para o conjunto de pessoas que todos os dias lutam pela sustentabilidade da empresa”, diz o presidente da Novabase. de 750 postos de trabalho para recém-licenciados e diplomados. Sónia Vasconcelos frisa ainda as parcerias com universidades nacionais e outras de referência mundial, como a Carnegie Mellon University e o MIT (Massachusetts Institute of Technology) e os cursos de Verão para crianças que a Novabase promove em conjunto com a CAISL (Carlucci American International School of Lisbon) em que, “através das artes, do teatro, da música, ensinamos inglês e tecnologias de informação”. A parceria, com o apoio da Câmara Municipal de Sintra, já abrangeu 840 crianças. “Acreditamos que, se lhes dermos as ferramentas certas, nos irão surpreender no futuro”, diz a responsável. A ‘associate manager’ da área de Corporate Development da Novabase faz ainda referência ao projecto FST Novabase, que visa “ligar a universidade com o mundo real, através do qual apoiamos a criação do primeiro carro de competição português com propulsão eléctrica, um projecto com projecção internacional desenvolvido por estudantes do Instituto Superior Técnico”, diz. De referir ainda as várias medidas de controlo dos impactos ambientais implementadas nos últimos dois anos pela Novabase, a certificação do sistema de gestão nas normas de gestão ambiental e de segurança e saúde no trabalho, bem como “o melhoramento dos mecanismos de comunicação com os nossos colaboradores, despertando a sua atenção para situações de risco para a sua saúde e bem-estar”, enumera Sónia Vanconcelos. “A visão da Novabase é tornar a vida das pessoas mais simples e mais feliz” e que é a pensar nelas que são desenvolvidas as soluções”, sempre pensando na sustentabilidade. ■ R.C. Paula Nunes A empresa tenta reduzir internamente os impactos ambientais e aposta forte da educação e formação. São sete os principios de sustentabilidade assumidos pela Lipor - Serviço Intermunicipalizado de Gestão de Resíduos do Grande Porto - vencedora no sector construção, gestão de infra-estruturas, transporte e logística, tendo sido também considerada a melhor PME nesta edição: assumir o desafio da sustentabilidade, apostar na prevenção, estreitar relações com as partes, encarar os resíduos como recursos, definir e aplicar uma hierarquia para a gestão de resíduos, ser auto-suficiente e aplicar os princípios do poluidor-pagador. Desde 2006 que a sustentabilidade “é a visão de negócio da organização”, estando toda a estratégia assente em objectivos que promovem o maior desenvolvimento dos seus três pilares: social, ambiental e económico, refere Fernando Leite, administrador delegado da Lipor. A missão é “conceber, adoptar e implementar soluções sustentáveis de gestão de resíduos, tendo em consideração as necessidades dos nossos parceiros e das comunidades que servimos”, diz. Todos os colaboradores estão alinhados, recebendo formação na área. Aliás, o compromisso da empresa com o desenvolvimento sustentável “é consequência directa da estratégia que o conselho de administração e a equipa de gestão definiram, no sentido de trabalhar para que a Lipor seja uma organização de futuro, e que a sustentabilidade seja uma forma de estar”, ressalva Fernando Leite. Todos os anos a empresa lança o relatório de sustentabilidade e desenvolve iniciativas na área da eficiência energética. Promove o projecto 2M - Menos Resíduos, Menos Carbono, o projecto da “No momento actual, com as dificuldades que o sector público atravessa, este prémio é muito importante”, afirma o administrador executivo. Agenda 21 Local em freguesias da área de influência, o projecto inclusivo reciclar mais, reabilitar mais, os projectos de compostagem doméstica e de agricultura biológica, as hortas, os projectos de prevenção, a sensibilização e educação ambiental na comunidade escolar e a recuperação dos passivos ambientais. A Lipor tem ainda um plano de investimentos para este ano de 900 mil euros, “com uma execução de perto de 80%”, alocados sobretudo para projectos de prevenção, como o projecto payt, os projectos da estratégia 2m e de responsabilidade social externa. ■ R.C. PUB X Diário Económico Terça-feira 29 Outubro 2013 Paula Nunes Paula Nunes Paula Nunes PRÉMIO DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Eurest vence no sector do imobiliário, turismo e lazer Câmara de Cascais em destaque entre as autarquias Accenture ganha no sector dos serviços profissionais A actuar no sector da restauração há 40 anos, a Eurest, vencedora no sector do imobiliário, turismo e lazer, pauta-se por um elevado grau de responsabilidade social. “O desenvolvimento sustentável faz parte do nosso código genético, estando implícito a todos os níveis hierárquicos e em todas as tarefas quotidianas”, frisa Henrique Leite, director geral, que garante serem servidas refeições “de qualidade superior, seguras do ponto “Não são de vista de segurança ali- precisas grandes mentar e nutricionalmente organizações equilibradas”. internas Além disso, a empresa está focada na redução do des- nem grandes perdício alimentar, desen- operações volvendo “estratégias que de marketing consciencializam os consu- para se ser midores para esta preocusustentável”, pação”, explica. A ideia é disse Henrique “alavancar a difusão desta realidade”, assegura, dando Leite, director ênfase às acções desenvol- geral da Eurest. vidas ao nível da educação alimentar e promoção de hábitos saudáveis. Um exemplo é a declaração nutricional das emendas, que analisa as propriedades nutricionais do produto. O director geral destaca também o projecto ‘Choose Beans’, que promove uma alimentação mais sustentável através da substituição da proteína animal por proteína vegetal, do projecto Aproveitamento Integral dos Alimentos e do Feel Green – Choose Veg, que promove uma alimentação mais sustentável com menor pegada ecológica. De referir ainda o trabalho na área da saúde e segurança no trabalho, ‘o safety, we place it first’. Quanto ao investimento alocado à área, Henrique Leite garante que esta “não é uma rubrica que conste no orçamento, mas sim uma estratégia transposta por todos os colaboradores no exercício das suas funções”. ■ R.C. A Estratégia de Sustentabilidade de Cascais, para o horizonte de 2020, reflecte a política da autarquia nesta área. A ideia é que “o conceito esteja patente em todos os instrumentos de planeamento e mecanismos de intervenção. E que através deles, a prática seja um reflexo da priorização e a aplicação desse princípio em acções concretas”, admite Carlos Carreiras, presidente da autarquia. O documento ressalva “a importância das comunidades locais e os seus contributos”, revela, informando que as políticas de participação “visam a “O nosso objectivo melhoria da qualidade de é manter, a par vida, garantindo a sustenda sustentabilidade, tabilidade económica local e a preservação dos as palavras futuro valores ambientais e cul- e esperança”, turais”. Carlos Carreiras, E são cinco os eixos estra- presidente tégicos: Cascais território da Câmara com qualidade de vida urde Cascais. bana, território com criatividade conhecimento e inovação, território com valores ambientais, coeso e inclusivo e um território de cidadania activa. Nesse âmbito, são desenvolvidas algumas iniciativas, das quais Carlos Carreiras destaca o projecto hortas de Cascais, o acompanhamento proactivo de proximidade com as associações de moradores, colectividades, grupos desportivos e recreativos, o projecto Tutor de Bairro, onde os munícipes são voluntários e interlocutores junto da autarquia na gestão do seu bairro, o projecto FixCascais, em que cada pessoa é convidada a ajudar a Câmara a melhorar o território, e as Assembleias Locais, realizadas nas diferentes Freguesias do Concelho e abertas à comunidade que “permitem um diálogo entre o executivo e a população”, diz. A autarquia promove ainda Espaços Mais Perto, com atendimento descentralizado, voluntariado jovem e programas de educação e sensibilização ambiental. ■ R.C. A Accenture pretende, até 2015, dotar 500 mil pessoas a nível mundial com as competências necessárias para encontrar emprego ou dar início a um negócio, através da iniciativa ‘Skills to Succeed’. Para alcançar este objectivo em cinco anos, a consultora, que ganhou no sector serviços profissionais, focalizou-se no impacto obtido através do trabalho realizado com várias ONG, estabelecendo parcerias estratégicas. Até ao momen- “O nosso objectivo to, “a Accenture capacitou é, quando sairmos, já mais de 320 mil pessoas deixar uma firma com estas competências, melhor que desde 2010, sendo que em Portugal a Junior quando entrámos, Achievment, através de uma firma sólida 450 voluntários, já formou para as novas mais de nove mil alunos do gerações”, ensino básico ao secundádefende Galamba rio”, informa José Galamba de Oliveira, de Oliveira, Presidente da presidente Accenture Portugal. A empresa implementou da Accenture. um Sistema de Gestão Ambiental nos escritórios de Lisboa e Porto, que permite adoptar as melhores práticas de prevenção e controlo da poluição e quer lançar iniciativas globais “agregadoras de comunicação interna incentivando a minimização do impacto no ambiente”, diz. Além disso, já dedicou 6400 horas a ajudar organizações sociais e fundações a serem mais eficientes. O responsável destaca que a Accenture encoraja “os colaboradores a serem voluntários, contribuindo para o bem-estar das comunidades nas quais actua”. Anualmente, diz, “cerca de 120 colaboradores dão mais de 800 horas do seu tempo às acções de voluntariado. “O modo responsável como a Accenture entende o negócio e promove o desenvolvimento sustentável na sociedade em que opera faz parte do seu ADN”, remata o responsável. ■ R.C. Terça-feira 29 Outubro 2013 Diário Económico XI >> T R Ê S P R É M I O S E XC E L Ê N C I A >> Três empresas do ‘Advisory Board’ mereceram um agradecimento especial pelo caminho que têm feito na área da sustentabilidade. Paula Nunes Paula Nunes ANTONIO SOUSA IPO Porto vence no sector dos serviços de saúde Jerónimo Martins premiada no grande retalho Vencedor sectorial nos serviços de saúde, o IPO do Porto quer ser uma referência na área da sustentabilidade nos domínios económico, social e ambiental. “Dai que tenha definido um conjunto de políticas com vista a esse objectivo. José Laranja Pontes, presidente do conselho de administração destaca as que visam “a melhoria organizacional inerentes ao processo de dupla “Este prémio é o acreditação/reacreditação reconhecimento hospitalar, a certificação de um caminho de serviços clínicos e não clínicos pelas ISO/EN/NP que o IPO 9001. Frisa a promoção da começou a fazer protecção ambiental, que há alguns anos. se consubstancia no “tra- Achámos agora tamento das águas resi- que tinha chegado duais, recolha e tratamento a hora de aceitar o dos resíduos sólidos e líquidos, avaliação e contro- desafio”, afirma lo dos efluentes gasosos, Francisco Rocha protecção contra as radia- Gonçalves, vogal ções ionizantes e a substi- do Conselho de tuição do gás propano pelo Administração. gás natural” . A instituição implementou o processo clínico electrónico e o sistema PACS que permite reduzir o consumo de papel e facilita a troca de informação clínica entre instituições e criou um ecoponto onde se centraliza o armazenamento, a triagem e o tratamento de resíduos sólidos e líquidos. Laranja Pontes salienta ainda a construção de raíz do novo edifício de radioterapia, com menos impacto ambiental, e a implementação de medidas de combate ao desperdício, como redutores de caudal de água, centralização de impressões, impressões apenas a preto e branco, e a substituição de lâmpadas tradicionais por económicas. O presidente do conselho de administração explica que o investimento nesta área “é transversal à organização”. ■ R.C. Os objectivos da Jerónimo Martins na área do desenvolvimento sustentável são definidos a três anos”, diz Sara Miranda, Chief Communications & Corporate Responsibility Officer. E com cinco grandes eixos de actuação: promover a saúde pela alimentação, respeitar o ambiente, comprar com responsabilidade, apoiar as comunidades e ser um empregador de referência. O grupo, que ganhou na categoria grande retalho, já reduziu quase 9% a pegada de carbono, mais de 9% o consumo de energia e mais 2% o consumo de água. No ano passado, fez reformulações nutricionais de “A Jerónimo produtos de marca própria: “em Portugal e na Martins é uma Polónia foram eliminadas empresa desenhada 1.241 toneladas de açúcar, para a 19 toneladas de sal e 36 sobrevivência, toneladas de gordura”, para se superar e diz. Houve ainda reforsuperar gerações. mulações de produtos para crianças e lança- A sustentabilidade mentos de opções mais é como um bonsai, saudáveis. Sara Miranda se não a cuidarmos sublinha ainda “oito pro- todos os dias, dutos marca própria desela morre”, refere tinados a consumidores Sara Miranda, com necessidades especiais, enriquecidos com responsável pela vitaminas e sais mine- comunicação da JM. rais”, e o facto da empresa privilegiar a aquisição de produtos locais (80% em Portugal, 90% na Polónia e na Colômbia). A nível social, de frisar os donativos em géneros alimentares, em 2012, no total de onze milhões de euros e a existência de um fundo para apoiar os colaboradores em dificuldades, sendo que o ano passado, correspondeu a um investimento total de dois milhões de euros que apoiou mais de dois mil colaboradores e suas famílias. ■ R.C. CEO BRISA “A sustentabilidade é como uma bicicleta, não se pode deixar de pedalar. Se a sustentabilidade fizer parte da cultura empresarial, os colaboradores entendem-na e seguem-na. Sobre a sustentabilidade no negócio da Brisa, talvez tenhamos de passar a falar menos de infraestruturas e mais de mobilidade”. LUIS PACHECO MELO CFO PT “Temos trabalhado activamente e intensamente nas boas práticas de sustentabilidade na PT. E todas as boas práticas que foram sendo implementadas na empresa em Portugal têm agora uma dimensão muito maior, pois vamos estendê-las à nossa operação no Brasil”. PITA DE ABREU Administrador Executiivo Grupo EDP “A sustentabilidade devia ser tão natural que nem devia ser preciso falar dela. Se todas as pessoas tivessem dentro de si as boas práticas, seria tudo mais fácil. Nestes momentos mais pessimistas é importante sublinhar o papel das empresas que tentam ter boas práticas e ter um papel diferente das outras”. PUB