XXV CONGRESSO BRASILEIRO DE ZOOTECNIA
ZOOTEC 2015
Dimensões Tecnológicas e Sociais da Zootecnia
Fortaleza – CE, 27 a 29 de maio de 2015
ALIMENTAÇÃO DAS COLÔNIAS DE ABELHAS: UMA ALTERNATIVA PARA O PERÍODO DA
ENTRESSAFRA
Fábia de Mello Pereira1
INTRODUÇÃO
As abelhas são insetos sociais da ordem Hymenoptera que passam por uma metamorfose completa,
durante a qual modificam seu hábito alimentar e por isso são classificadas como insetos holometabólicos
(TERRA & FERREIRA, 2009).
A nutrição desses insetos influencia na capacidade produtiva e reprodutiva. O fornecimento de
alimento energético estimula a produção de cria, porém a quantidade e o valor nutritivo do pólen limitam o
crescimento e, no caso de abelhas sociais, afeta a capacidade da colônia em cuidar das crias mais novas.
O fundamento da exploração apícola é baseado na vegetação floral existente em uma região. O
conjunto de plantas que fornecem alimento às abelhas em uma determinada região denomina-se flora apícola
(FREITAS, 1996). A flora apícola ideal é fornecedora de grande quantidade de alimento, possibilitando um
constante desenvolvimento das colônias e coleta de mel por todo o ano (ALCOFORADO FILHO &
GONÇALVES, 2000). Sua qualidade depende das espécies vegetais naturais ou cultivadas, condições
climáticas e fertilidade do solo da região.
Na ausência de floradas, quando a reserva de alimento na colônia for insuficiente, é aconselhável o
fornecimento de alimentação artificial às abelhas, proporcionando o aumento da postura da rainha e
reduzindo a perda de peso das colmeias. Segundo Schmidt & Hanna (2006), doenças, aplicação de defensivos
agrícolas e acaricidas, bem como o manejo constante, também podem causar um estresse nutricional nas
abelhas, exigindo o fornecimento de alimento.
O produtor deve ficar atento para o fluxo de alimento nas suas colônias, suspendendo o fornecimento
da suplementação tão logo identifique o início das floradas na região.
EXIGÊNCIAS NUTRICIONAIS DAS ABELHAS
Deficiência de proteínas, carboidratos, lipídeos, minerais, vitaminas e água podem prejudicar o
desenvolvimento, manutenção e reprodução das colônias, reduzir a vida das abelhas, provocar estresse e
facilitar o aparecimento de doenças. A deficiência nutricional reduz a longevidades das abelhas, o que afeta a
capacidade da colônia em cuidar das crias mais novas e a produção. Estudos revelam que o aumento da
longevidade das operárias pode incrementar a produção de mel em 25% a 40%. Por outro lado, níveis
excessivos de nutrientes podem causar um desbalanço nutricional nos processos biológicos e elevar os custos
da alimentação suplementar (SINGH & SINGH, 1996; HORR, 1998; PEREIRA et al., 2011).
Apesar de proteínas, lipídeos, vitaminas e minerais serem essenciais para a criação de larvas e
desenvolvimento de abelhas novas, as abelhas mais velhas podem sobreviver somente com carboidratos e
água. Todos os outros nutrientes são catabolizados dos estoques armazenados durante o período de
crescimento. Os carboidratos são importantes no fornecimento de energia, que será usada na síntese de
matéria orgânica, contração muscular, condução de impulsos nervosos, produção de aminoácidos, produção
de cera, entre outros (HAYDAK, 1970; STANDIFER et al., 1977; DIETZ, 1975).
Contudo, nem todo açúcar pode ser metabolizado. Glicose, frutose, sacarose, maltose, trealose e
melezitose podem ser utilizados pelas abelhas adultas, sendo os quatros primeiros usados com maior
eficiência. Observa-se um efeito tóxico acumulativo dos seguintes açúcares, na ordem decrescente: rafinose,
galactose, ácido glucurônico, ácido galacturônico e ácido poligalacturônico. São igualmente tóxicos: lactose,
estaquiose e pectina. As abelhas não utilizam, ainda, manose, dextrina, inulina, ramanose, xilose e arabinose
(BARKER, 1977; CRAILSHEIM, 1988a, b).
As proteínas são fundamentais nas fases de crescimento e reprodução; sua falta prejudica a produção
de óvulos e enzimas, o desenvolvimento da cria, glandular e muscular, síntese de proteínas imunológicas e
longevidade das abelhas adultas. A ausência ou escassez de proteína na dieta das abelhas torna falha a síntese
1
Pesquisadora da Embrapa Meio-Norte. E-mail: [email protected]
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de novas proteínas e a atividade fisiológica geral do organismo, reduzindo a longevidade (DIETZ, 1975;
CREMONEZ, 2001; ALQAMI, 2006).
O nível ótimo de desenvolvimento das colônias ocorre quando se fornecem 20% a 23% de proteína
bruta. Contudo, para o crescimento e desenvolvimento das abelhas é necessário o fornecimento de proteínas
com a composição de aminoácidos correta. As exigências mínimas de aminoácidos essenciais para as abelhas
em 20% de proteína digestível são: 3% arginina, 2,5% fenilalanina, 1,5% histidina, 4% isoleucina, 4,5%
leucina, 3% lisina, 1,5% metionina, 3% treonina, 1% triptofano e 4% valina (De GROOT, 1953; HERBERT
JR. et al., 1977).
No organismo, os aminoácidos serão usados para síntese de outros aminoácidos, proteínas, compostos
de pequeno peso molecular e produção de energia, como pode ser verificado de forma resumida na Tabela 1.
Tabela 1: Importância dos aminoácidos no desenvolvimento de abelhas Apis mellifera
Aminoácido
Importância
Fonte
Lisina
Desenvolvimento larval
Haydak (1970)
Arginina
Desenvolvimento larval
Haydak (1970)
Prolina
Substrato energético durante o vôo e na retina
Berguer et al. (1997)
Tirosina
Precursora do hormônio octopamina
Candy et al. (1997)
Triptofano
Síntese da vitamina niacina
Lajolo & Tirapegui (1998)
Histidina
Neurotransmissor das células fotorreceptoras
Nassel (1999)
Neurotransmissor muscular
Wolfersberger (2000)
Transportado para os neurônios da retina
Marcaggi & Coles (2001)
Alanina
Fonte energética nos fotorreceptores
Marcaggi & Coles (2001)
Glicina
Fagoestimulante
Kim & Smith (2000)
Glutamato
Os insetos acumulam os lipídeos para serem usados nos estágios de desenvolvimento em que não
ocorre alimentação. Além da função energética, os lipídeos são importantes na síntese de hormônios,
impulsos nervosos, reserva energética e função estrutural (DADD, 1973; PARRA et al., 2009).
Sintetizados a partir de proteínas e carboidratos, os lipídeos não são normalmente constituintes das
dietas, contudo, sua redução na alimentação compromete a taxa de desenvolvimento normal da cria. Os
ácidos linoléico e linolênico não são sintetizados pelos insetos, sendo essenciais o fornecimento dos mesmos
(DADD, 1973; WINSTON, 1987).
Embora importantes, vitaminas e sais minerais não são fatores limitantes para os insetos, já que a
necessidade é mínima e estes nutrientes encontram-se bem distribuídos nas fontes naturais. Como as
exigências nutricionais são pequenas (quantidade traço) por vezes é difícil determinar a quantidade
necessária ou a influência desses no metabolismo, pois qualquer impureza de outros componentes fornecidos
pode satisfazer as necessidades exigidas (STANDIFER et al., 1977; PARRA et al., 2009).
Para os insetos é necessário o fornecimento das vitaminas lipossolúveis A, D, E e K e das vitaminas
hidrossolúveis tiamina, riboflavina, ácido nicotínico, piridoxina, ácido pantotênico, biotina, colina e ácido
fólico (DADD, 1973; HERBERT Jr. et al., 1978). Krol (1993) observou que o fornecimento de vitamina B1
aumenta a área de cria em 40% e a produção de mel em 30 a 45% nas colônias de Apis mellifera.
Dietas deficientes em tiamina e riboflavina reduzem a postura da rainha e a longevidade das abelhas
adultas (PARRA et al., 2009; HERBERT Jr. et al., 1978).
Os sais minerais considerados essenciais para os insetos são cobre, ferro, zinco, potássio, fósforo,
magnésio, manganês, sódio, cálcio, cloro, iodo, cobalto e níquel (STANDIFER et al., 1977; PARRA et al.,
2009). A inclusão de sais minerais na alimentação das abelhas em pequena quantidade pode ser favorável.
Entretanto, o consumo dos mesmos em excesso afeta negativamente as abelhas adultas. A adição de 0,2 a
0,5% de NaCl e 0,2% de KCl na alimentação das abelhas aumenta a atividade das enzimas amilase e lipase,
auxiliando na digestão do pólen (DIETZ, 1975).
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A presença do ferro no corpo das abelhas vem aguçando a curiosidade dos pesquisadores, pois se
supõe que o mesmo seja usado na orientação durante o voo, captando ondas eletromagnéticas. Há existência
de grânulos ricos em ferro no corpo gorduroso de rainhas de Apis mellifera e Scaptotrigona postica. Contudo,
a elevada quantidade de fosfato deve dificultar a percepção magnética destes grânulos, que devem ocorrer
também em outros órgãos do corpo, possivelmente nos pelos presentes no dorso do abdome. Apesar de ser
essencial, o metabolismo do ferro libera radicais livres que prejudicam os componentes das membranas
celulares, os ácidos nucléicos e outros (KEIM et al., 2002; NICHOL et al., 2002).
ALIMENTAÇÃO SUPLEMENTAR
Na ausência de floradas, quando a reserva de alimento na colônia for insuficiente, é aconselhável o
fornecimento de alimentação artificial às abelhas, proporcionando o aumento da postura da rainha e
reduzindo a perda de peso das colmeias. Segundo Schmidt & Hanna (2006), doenças, aplicação de defensivos
agrícolas e acaricidas, bem como o manejo constante, também podem causar um estresse nutricional nas
abelhas, exigindo o fornecimento de alimento.
As dietas energéticas e proteicas podem ser fornecidas nas diferentes épocas do ano. O fornecimento
de açúcar com proteína deve ser realizado no período de escassez de alimento no campo, com a finalidade de
preparar as colônias para produção de mel, nos serviços de polinização, para aumentar o número de colônias
no apiário, incrementar a produção de cera e geleia real, produzir zangões para acasalamento das rainhas,
prevenir intoxicação com o pólen do barbatimão (Stryphnodendron sp.) e do falso-barbatimão
(Dimorphandra mollis) e para recuperação das colônias (STANDIFER et al., 1977; CREMONEZ et al.,
1998; LENGLER, 2000; RAAD, 2002).
Quando o objetivo da alimentação é evitar a intoxicação com o pólen do barbatimão
(Stryphnodendron sp.) ou do falso-barbatimão (Dimorphandra mollis) é recomendado que a ração seja
fornecida 30 dias antes do período de florada dessas plantas. Para a produção de mel, o alimento deve ser
fornecido 90 dias antes da florada, com a substituição da rainha ocorrendo 30 dias após o início do
fornecimento (RAAD, 2002).
O alimento fornecido para as abelhas pode conter somente a fração energética, somente a fração
proteica ou os dois, dependendo da disponibilidade de recursos naturais na região. Diversas fórmulas
alimentares já foram testadas para as abelhas, sendo importante observar sempre as características da
palatabilidade, deterioração, custos, disponibilidade no mercado e valor nutricional. No caso do pólen, não se
conhece nenhum substituto 100% eficaz e a atratividade do alimento tem sido o grande obstáculo para se
obter uma dieta eficaz (CREMONEZ, 1996; LENGLER, 2000; CREMONEZ, 2001).
ALIMENTO ENERGÉTICO
O estoque de mel ou o fornecimento de alimento energético são importantes para a produção de cria e
coleta de pólen. Somente a presença do alimento proteico não estimula a postura da rainha nas colônias que
não dispõem de açúcar. O alimento energético substitui o mel nas colônias e tem que ser rico em açúcar.
Apesar desse alimento não sustentar a criação das larvas, estimula a postura da rainha e permite rápido
crescimento da população. Estudos sobre o tipo de açúcar mais aceito pelas abelhas africanizadas
demonstram que a glicose tem uma aceitação mais homogênea e que a presença de frutose, xilose, ribose e
arabinose provocam uma redução na aceitabilidade da dieta (SUZUKI et al., 1992).
Apesar de várias pesquisas já terem sido realizadas, ainda existe uma controvérsia grande sobre o tipo
de açúcar mais recomendado para o fornecimento às abelhas, sacarose, frutose ou glicose. Contudo, várias
pesquisas indicam a necessidade em se ter cuidado com xaropes que contenham altos índices de
hidroximetilfurfural (HMF), para evitar a intoxicação das abelhas com o alimento (SANFORD, 1996;
MALDONADO, 1999).
O xarope de açúcar invertido por hidrólise ácida possui um teor de HMF que causa mortalidade para
as abelhas. Pesquisas indicam que o HMF causa ulcera intestinal nas abelhas, resultando em disenteria.
Quanto maior o teor de HMF no xarope, maior a mortalidade, não havendo diferença estatística em abelhas
confinadas por 26 dias alimentadas com xarope contendo 57, 100, 150, 200 e 250 ppm de HMF (BAILEY,
1966; JACHIMOWICZ & SHERIBINY, 1975; LEBLANC et. al, 2009).
Existem várias receitas para alimentação energética das colônias. O alimento energético mais
difundido é o xarope água e açúcar. Como observado por Souza et al. (1998), não se verifica diferença
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estatística entre o consumo de xaropes com concentrações de 25 a 50% de açúcar. No entanto, quanto mais
concentrado esse xarope, maior a efetividade da alimentação.
Para evitar que se estrague, o xarope deve ser produzido no dia que for usado e deve ser consumido
em 24 horas. Após este período, inicia-se a fermentação e o alimento restante deve ser descartado. Para
manutenção das colônias pode ser fornecido 0,5 litro/semana/colônia, contudo, quanto maior a quantidade
fornecida, maior a população e a resistência das colônias. Colônias muito fracas não conseguem consumir
esta quantidade de alimento no prazo necessário; nesse caso, deve-se fornecer uma quantidade menor de
alimento, evitando prejuízo.
O enriquecimento do xarope com aminoácidos tem sido usado por alguns apicultores. Contudo, como
em geral esse complemento é comercializado em forma de pó, para evitar a precipitação, a quantidade
colocada no xarope é pequena. Pesquisas realizadas na Embrapa Meio-Norte não demonstram diferença entre
o desenvolvimento das colônias de Apis mellifera alimentadas com xarope, xarope invertido e xarope
enriquecido com formulação de aminoácidos em pó.
Outra receita de alimento energético muito difundida é o xarope invertido. Produzido com 5 kg de
açúcar, 1,7 L de água e 5 g de ácido tartárico ou ácido cítrico, esse xarope permanece no fogo por 40 a 50
minutos. O ácido inverte a sacarose em glicose e frutose, pré-digerindo o xarope e facilitando a absorção do
alimento pelas abelhas, mas também aumenta o teor de HMF, tornando o xarope tóxico. Para evitar a
formação do HMF é recomendado reduzir o tempo de fervura para 2 minutos (LENGLER, 2000; LE BLANC
et. al, 2009).
Pesquisas realizadas na Embrapa Meio-Norte demonstram que o tempo máximo de fervura para evitar
níveis indesejados de HMF é de 25 minutos. Com relação à inversão do açúcar, verificou-se que seria
necessário que o xarope fosse fervido por 63 minutos para que a velocidade de redução da sacarose
começasse a diminuir. Ou seja, um período de tempo inferior a esse não é suficiente para que a adição do
ácido atinja seu objetivo principal, reduzir a sacarose para facilitar a assimilação pelas abelhas. Com base nos
resultados, sugere-se que o xarope invertido seja fervido por 15 minutos (PEREIRA et al., 2011).
O xarope invertido pode também ser produzido com quantidade menor de açúcar. A principal
vantagem da adição do ácido ao xarope é a conservação do alimento. A depender das condições ambientais e
de higiene com que o alimento é produzido, o xarope invertido pode demorar alguns dias ou até semanas para
fermentar. Como o ácido confere ao alimento um odor diferenciado do mel e do açúcar, esse xarope não
incentiva o saque, reduzindo os problemas de morte de abelhas e perda de colônias por abandono. Brighenti
et al. (2006) avaliaram o efeito do alimento energético no tempo de vida de operárias Apis mellifera e
verificaram maior longevidade quando as abelhas são alimentadas com xarope de sacarose a 50% acrescido
de 1% de ácido cítrico.
O limão pode ser utilizado em substituição ao ácido cítrico. Nesse caso deve-se utilizar 50g de sumo
de limão, aproximadamente suco de quatro limões pequenos, e deixar o xarope ferver entre 30 e 45 minutos.
Quanto maior o tempo de fervura, maior a inversão. O suco de limão ainda apresenta a vantagem de produzir
menor teor de HMF no xarope do que o próprio ácido cítrico (PEREIRA et al., 2011).
ALIMENTOS PROTÉICOS
Alimentos proteicos eficientes para as abelhas devem ser bem consumidos e conter a quantidade de
proteínas, lipídeos, vitaminas e minerais requerida para o crescimento, desenvolvimento e reprodução.
Nenhuma dieta testada para substituir o pólen foi completamente eficiente.
A maior parte dos alimentos fornecidos para as colônias buscam atender o teor de proteína bruta das
abelhas, não havendo preocupação no balanceamento de outros nutrientes. Essa característica se justifica pelo
alto custo de uma ração que contenha os aminoácidos essenciais, vitaminas e minerais necessários em sua
formulação. Por outro lado, no Brasil, quando o produtor fornece alimentação para suas colônias, na maior
parte das vezes, busca somente complementar o alimento coletado pelas operárias no campo, raramente a
ração é a única fonte de alimento no apiário. Dessa forma, as pesquisas se concentram mais em produzir um
alimento palatável e que seja bem aceito e consumido pelas abelhas.
A farinha de soja vem sendo fornecida com sucesso às colônias de Apis mellifera sem causar
prejuízos. Pura ou misturada com farinha de milho, farinha de trigo, levedura de cana-de-açúcar, entre outros,
os resultados no desenvolvimento das colônias tem sido sempre positivos (CASTAGNINO et al., 2006;
CREMONEZ et al., 1998; CREMONEZ, 2001). Entretanto, os produtores que produzem mel certificado
como orgânico não podem usar soja, ou qualquer outro alimento citado acima, para a alimentação de suas
colônias, a menos que os mesmos também sejam orgânicos.
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Alguns apicultores fornecem para as suas colônias rações formuladas para outros espécies animais.
Entretanto, muitas vezes essas rações contém antibióticos ou outros medicamentos necessários para o
desenvolvimento do animal a que se destinam e que não são necessários para as abelhas. O uso de rações
com medicamentos pode contaminar os produtos das colônias e posteriormente vir a dificultar a
comercialização.
Uma forma de solucionar os problemas mencionados é buscar alimentos que ocorram naturalmente na
região para uso na alimentação das colônias. Algumas alternativas já são usadas pelos produtores e foram
pesquisadas pela Embrapa. Os melhores resultados são listado a seguir.
Jatobá (Hymenaea courbaril L.): Alguns apicultores do Piauí, ao migrarem suas colônias para a região
do Crato, Ceará, com a finalidade de aproveitar a florada de cipó-uva, fornecem como alimento proteico o
jatobá. A forma de fornecimento do jatobá pelos apicultores, que somente quebram seu fruto e deixam no
alvado das colônias, pode contribuir para uma baixa efetividade dessa alimentação. Para ser fornecido às
abelhas, deve-se retirar a polpa do jatobá, que, após ser seca, é moída, produzindo uma farinha bem fina. Por
ser um fruto de casca bem dura, a dificuldade da extração da polpa desestimula a utilização desse fruto como
fonte de alimentação.
Por apresentar um baixo teor de proteína bruta, o fornecimento de jatobá não é recomendado in natura,
podendo ser utilizado somente na formulação de alimentos alternativos ou misturado ao xarope (100g de
massa/1litro de xarope) enriquecendo o alimento energético (OLIVEIRA & SOUZA, 1996; RIBEIRO
FILHO, 1999).
Apesar do jatobá ter somente 8% de proteína bruta, a alimentação de colônias com uma pasta de polpa
de jatobá e mel apresenta resultados efetivos, proporcionando um maior ganho de peso das colmeias e um
aumento na postura da rainha (SILVA, 1997).
Feno de folha de mandioca (Manihot esculenta) e de leucena (Leucaena leucocephala): As folhas de
mandioca e leucena devem ter o pecíolo eliminado logo após a colheita e ser colocadas para secar até que
sejam facilmente esfareladas com as mãos, quando deverão ser moídas e peneiradas. Processadas desta
forma, as folhas de mandioca não possuem ácido cianídrico e não são tóxicas para as abelhas, o rendimento é
de 19% e o teor de proteína bruta é de 26,73%. As folhas de leucena possuem um rendimento de 28% e
26,90% de proteína bruta (PEREIRA, 2005; PEREIRA et al., 2007; PEREIRA et al., 2011).
Farelo de babaçu (Orbygnia martiana): O farelo de babaçu é um subproduto da extração industrial do
óleo de babaçu facilmente encontrado em estabelecimentos comerciais de produtos agropecuários, onde é
conhecido como ralão. O teor de proteína bruta deste farelo é de 18,62%, o custo é baixo e para que possa ser
fornecido para as abelhas é necessário que seja moído e peneirado. Não é tóxico para as abelhas, entretanto,
por conter uma grande quantidade de óleo, o ralão fica rançoso com certa facilidade, o que pode ocasionar a
morte das abelhas. Por isso sua utilização deve ser realizada com cuidado (PEREIRA, 2005; PEREIRA et al.,
2007).
Algaroba (Prosopis juliflora): A vagem de algaroba necessita ser seca, moída e peneirada da mesma
forma que os produtos citados anteriormente. Não apresenta toxicidade para as abelhas, possui 7,36% de
proteína bruta e pode ser fornecida in natura, em forma de pasta ou enriquecendo o xarope (RIBEIRO
FILHO, 1998; PEREIRA, 2005; PEREIRA et al., 2007).
Essas alternativas podem ser também misturadas entre si ou com outros alimentos mais palatáveis
e/ou nutritivos.
A adição de suplementos proteicos no xarope ou no pólen substituto vem sendo realizada por muitos
apicultores e meliponicultores que observam maior desenvolvimento das colônias. Os resultados até o
momento não têm apontado diferença significativa no desenvolvimento de colônias alimentadas com
suplementos sólidos ou líquidos adicionados ao xarope ou ao alimento proteico. Castagnino et al. (2006) não
verificaram vantagem financeira no fornecimento de xarope enriquecido com suplemento proteico para as
abelhas Apis mellifera, uma vez que as colônias se desenvolvem da mesma forma quando alimentadas
somente com xarope. Os suplementos proteicos, além de conterem aminoácidos e vitaminas, possuem
probióticos e prebióticos. Segundo Szymaś e Przybył (2007) o fornecimento de probióticos para abelhas
facilita a digestão e absorção de nutrientes e aumenta a longevidade. Observa-se a necessidade de realizar
estudos mais aprofundados sobre esse assunto.
Os alimentos citados acima podem ser fornecidos às colônias em alimentadores individuais,
adquiridos em estabelecimentos comerciais, ou em bandejas colocadas sobre os quadros e protegidas por
melgueiras vazias.
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ALIMENTAÇÃO DE ABELHAS-SEM-FERRÃO
A criação de abelhas sem ferrão vem sendo apontada como uma alternativa para gerar renda de forma
sustentável para as comunidades que trabalham com agricultura familiar. Apesar desse mérito, a atividade
ainda é carente de pesquisas referente ao manejo das espécies, principalmente no que diz respeito à
alternativa de alimentação no período da entressafra.
O fornecimento de alimento deve ser realizado sempre que as colônias estiverem fracas e que não
houver disponibilidade no campo. Alguns modelos de colmeias possuem um alimentador externo, que facilita
a alimentação sem a necessidade de abrir as colônias frequentemente.
O alimento mais usado é o xarope de água e açúcar 50%. Pode ser fornecido, também, mel de abelha
africanizada. As abelhas sem ferrão são muito seletivas quanto ao alimento e às vezes é necessário testar
várias combinações e diluições do xarope para obter boa aceitação e consumo.
Em uma pesquisa realizada em Teresina, PI, na Embrapa, colônias de jandaira (Melipona subnitida)
foram alimentadas com suco de caju (Anacardium occidentale L.) e suco de manga (Mangifera indica L.) e
colônias de uruçu (Melipona scutellaris) com suco de caju. Realizou-se a pesagem das colmeias e medição
do volume de cria e alimento estocado. Os resultados foram comparados com colônias alimentadas com o
xarope invertido. Nas colônias de jandaíra alimentadas com xarope invertido e suco de manga a quantidade
de cria aumentou. Nas colônias alimentadas com suco de caju, o volume de cria manteve-se constante
durante os três meses de experimento. Nas colônias de uruçu houve uma ligeira redução no peso das
colmeias, 2% nas colônias alimentadas com xarope e 8% nas colônias alimentadas com suco de caju. Os
resultados demonstram que os sucos de manga e caju podem ser fornecidos para a manutenção das colônias,
sendo o suco de manga uma alternativa mais interessante para jandaira (PEREIRA et al., 2011).
Quanto ao alimento proteico, sabe-se que existe uma simbiose obrigatória entre abelhas-sem-ferrão e
alguns microorganismos que fermentam o pólen e auxiliam na digestão (MACHADO, 1971), assim, para
melhor aproveitamento do alimento proteico fornecido a essas abelhas, é necessário que o mesmo passe por
um processo de fermentação.
Camargo (1976) recomenda que a cada 20 g do alimento que se pretende fornecer para as abelhas,
misture-se 30 mL de mel e um pouco de pólen da própria espécie de abelha que será alimentada, pois os
microrganismos que auxiliam na fermentação dos alimentos podem ser diferentes em cada espécie de abelha.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Para que a alimentação seja eficiente e atinja seu objetivo é importante que o alimento seja fornecido
ao final da tarde, evitando o saque. Outras precauções que devem ser consideradas quando o produtor for
alimentar suas colônias são: evitar derramar alimento próximo ao apiário e evitar desperdício e fornecimento
de alimento fermentado, disponibilizando uma quantidade de alimento que possa ser consumida no mesmo
dia.
As recomendações descritas reduzem o abandono das colônias no apiário e podem aumentar a
produção em até quatro vezes. Entretanto, a alimentação não pode ser usada como única forma de manejo
para evitar o enfraquecimento e abandono. É preciso ficar atento para a falta de água e de sombreamento,
idade das rainhas, ataque de inimigos naturais, mortandade das abelhas e, principalmente, na flora apícola da
região. Atualmente, com as mudanças climáticas, os apicultores de algumas regiões observam necessidade de
um manejo mais intensivo em suas colônias. Um programa de reflorestamento da região onde as colônias
estão instaladas pode reduzir os efeitos das mudanças climáticos e a necessidade de alimentação alternativa.
REFERÊNCIAS
ALCOFORADO FILHO, F. G.; GONÇALVES, J. C. Flora apícola e produção de mel orgânico no Piauí. IN:
IN: Vilela, S.L.O.; Alcoforado Filho, F.G. (org) Cadeia Produtiva do mel no estado do Piauí. Teresina:
Embrapa Meio-Norte, p. 48-59, 2000.
ALQAMI, A. S. Influence of some proteins diets on the longevity and some physiological conditions of
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BAILEY, L. The effect of acid-hydrolyzed sucrose on honeybees. Journal of Apicultural Research, v. 5, n.
3, p. 127-136, 1966.
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