1 UNIVERSIDADE ANHEMBI MORUMBI MARCELINO ROSA LINHA DE PROJETOS FUNDAÇÃO TRANSMISSÃO: E DEFINIÇÃO SÃO PAULO 2009 CRITÉRIOS DO TIPO DE DE 2 MARCELINO ROSA LINHA DE PROJETOS FUNDAÇÃO TRANSMISSÃO: E DEFINIÇÃO CRITÉRIOS DO TIPO DE DE Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como exigência parcial para a obtenção do título de Graduação do Curso de Engenharia Civil da Universidade Anhembi Morumbi Orientador: Profª Drª Gisleine Coelho de Campos SÃO PAULO 2009 3 MARCELINO ROSA LINHA DE TRANSMISSÃO: CRITÉRIOS DE PROJETOS E DEFINIÇÃO DE FUNDAÇÃO Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como exigência parcial para a obtenção do título de Graduação do Curso de Engenharia Civil da Universidade Anhembi Morumbi Trabalho____________ em: ____ de_______________de 2009. Profª Drª GISLEINE COELHO DE CAMPOS ______________________________________________ Nome do Orientador Profº Me.CLAUDIO LUIZ RIDENTE GOMES ______________________________________________ Nome do professor da banca Comentários:_________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ 4 Dedico este trabalho aos meus pais, José Rosa e Augusta de Oliveira Rosa (in memorian) que me incentivou em toda minha vida para chegar neste momento, minha esposa Márcia Pascoalete Rosa e aos meus filhos Vinícius Marcelino e Letícia Márcia, que sem eles nada teria o sentido de ser. 5 AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a Deus nosso Pai, por conceder a mim a oportunidade de vida e saúde. A minha orientadora, Profª Drª Gisleine Coelho de Campos, que acreditou em mim, e deu forças para a execução desta monografia. A minha esposa Márcia, que esteve ao meu lado em todos os momentos, incentivando para que nunca deixasse o objetivo ficar pelo caminho. Aos meus filhos queridos, que por diversas vezes, nestes anos, perderam momentos de lazer e carinho, em função de minha ausência. E ao amigo Engº Ronaldo Magalhães, da Ronama Engenharia, que abriu a porta de sua empresa e passou todas as informações possíveis para que este trabalho pudesse ser executado. 6 RESUMO Nas construções em geral, assim como no projeto e na implantação de uma linha de transmissão de energia elétrica, o planejamento adequado é a base prioritária para uma execução com baixo custo, menor impacto ambiental e redução no tempo de execução, onde o conhecimento do engenheiro civil é fundamental para atingir as metas acima mencionadas. A abordagem deste trabalho foi desde a necessidade de expansão, que normalmente é concebida na Área de Planejamento até a execução das fundações. Aprofundou-se no assunto que diz respeito à Fundação que é atribuição do Engenheiro Civil no segmento projeto de linha de transmissão. Assim, tudo pode ser visto, com maior detalhe, no estudo de caso tratado neste trabalho; que mostra a obra de construção de uma torre de travessia do sistema de transmissão em 500 kV, Punta Del Tigre – Las Brujas, em uma ilha do Rio Sta. Lucia, no Uruguai, onde a tecnologia da construção civil fez a diferença. Palavras chave: Projeto de linha de transmissão; Fundações. 7 ABSTRACT In constructions in general, as well as the design and implementation of a transmission line of electricity, proper planning is a priority basis for implementing a low cost, less environmental impact and reduction in run time, where the knowledge engineer civil society is fundamental to achieving the goals mentioned above. The approach of this work was from the need for expansion, which is usually conceived in the Planning Department to the implementation of the foundations. Deepened in the matter for the Foundation which is the role of Civil Engineer in the design segment line transmission line. Thus, everything can be seen in more detail, in the case study addressed in this work, which shows the work of building a tower on an island in Uruguay where the technology of construction made the difference. Keywords: Foundations, Transmission Lines 8 LISTA DE FIGURAS Figura 5. 1 – Fluxo de projeto de fundação 26 Figura 6. 1 – Ilustração tipo de fundação - tubulão 39 Figura 6. 2 – Ilustração tipo de fundação – sapata 41 Figura 6. 3 – Ilustração tipo de fundação - estaca 43 Figura 6. 4 – Ilustração tipo de fundação - bloco 45 Figura 6. 5 – Ilustração tipo de fundação - grelha 46 Figura 7. 1 – Foto Ilustrativa Torre 33 – Cura do Concreto 49 Figura 7. 2 – Perfil de Sondagem torre 33 – Tipo SPT – Folha 1 52 Figura 7. 3 – Perfil de Sondagem torre 33 – Tipo SPT – Folha 2 53 Figura 7.4 – Orientação – Cargas das fundações inclinadas 56 Figura 7. 5 – Blocos isolados – Cargas das fundações vertical/método tradicional 58 Figura 7. 6 – Blocos interligados – método tradicional 59 Figura 7. 7 –Configuração final adotada - Ilustração Orientada do pórtico 63 Figura 7. 8 – Dimensão da fundação 64 Figura 10. 1 – Anexo A - Ilustração da peça estrutural chamada FUSTE e STUB. 78 9 LISTA DE TABELAS Tabela 5. 1 – Parâmetros geotécnicos típicos empregados em projetos 33 Tabela 7. 1 – Dado característicos da torre 33 50 Tabela 7. 2 – Condições para o cálculo 55 Tabela 7.3 – Resumo geral das cargas de compressão 57 Tabela 7. 4 – Resumo geral das cargas de tração 57 Tabela 7.5 – Resumo das cargas de compressão – método tradicional 58 Tabela 7. 6 – Resumo geral das cargas de tração – direção vertical/método tradicional Tabela 7. 7 – Resumo – Cargas interligado e Carga auxiliares na viga 59 60 Tabela 7. 8 – Continuação do Resumo – Cargas interligado e Carga auxiliares na viga 61 Tabela 7.9 – Resumo geral das cargas máximas de tração, compressão e da viga 62 Tabela 7. 10 – Características dos materiais 65 Tabela 7. 11 – Características do aço 65 Tabela 7. 12 – Dados característicos do solo 66 Tabela 7.13 – Características da estaca metálica 66 10 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ABNT Associação Brasileira de Norma Técnica ANEEL Agência Nacional de Energia Elétrica AMN Associação de Normalização do Mercosul CESP Companhia Energética de São Paulo CPT Cone Penetration Test CSM Comitê Setorial do Mercosul ETD Estação de Transformadora e Distribuidora IPT Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de SP LT Linha de Transmissão LTA Linha de Transmissão Aérea MME Ministério de Minas e Energia NBR Norma Brasileira SEP Sistema Elétrico de Potência SPT Standard Penetration Test UNAMA Universidade do Amazonas UTE Administração Nacional e Transmissão de Energia 11 LISTA DE SÍMBOLOS cm Unidade de medida métrica (centímetro) Hertz Unidade de Freqüência Kgf Unidade de medida de força Kv Unidade de Tensão Elétrica m Unidade de medida métrica (metro) m/s Unidade de medida de velocidade mm Unidade de medida métrica (milímetro) MVA Unidade de Potência Elétrica tf.m Unidade de medida de força tf/m Unidade de medida de força 12 SUMÁRIO INTRODUÇÃO ......................................................................................................... 15 1. OBJETIVOS ...................................................................................................... 16 2.1 Objetivo Geral .......................................................................................................... 16 2.2 Objetivo Específico ................................................................................................ 16 3 MÉTODOS DE TRABALHO ............................................................................. 17 4 JUSTIFICATIVA ............................................................................................... 18 5 LINHA DE TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA .................................... 20 5.1 Critérios de projeto de linha de transmissão.................................................. 20 5.2 Gestão de Projeto ................................................................................................... 24 5.3 Projeto de Fundações para Linhas de Transmissão .................................... 25 5.3.1 .. Introdução .................................................................................................................. 25 5.3.2 .. Normatização ............................................................................................................ 27 5.3.3 .. Investigação Geológica e Geotécnica ................................................................... 29 5.3.3.1 Métodos de Superfície Erro! Indicador não definido. 5.3.3.2 Métodos de Subsuperfície. 30 5.4 Tipificação dos solos e suas características geotécnicas.......................... 33 5.5 Critérios e Definições de fundações ................................................................. 34 5.5.1 .. Fundações: Característica e Ensaio para verificação de desempenho........... 36 6 6.1 DIMENSIONAMENTO DE FUNDAÇÃO ........................................................... 37 Alternativa de Fundações para Linha de Transmissão................................ 38 13 6.1.1 .. Torres autoportantes ................................................................................................ 38 6.1.1.1 Tubulão 39 6.1.1.2 Sapata 41 6.1.1.3 Estaca 43 6.1.1.4 Bloco 45 6.1.1.5 Bloco ancorado 45 6.1.1.6 Grelha 46 6.1.2 .. Torres estaiadas ....................................................................................................... 47 6.1.3 .. Postes ......................................................................................................................... 48 7 ESTUDO DE CASO – LT 500 KV, PUNTA DEL TIGRE – LAS BRUJAS – URUGUAY ............................................................................................................... 49 7.1 Localização e características da obra .............................................................. 49 7.2 A torre 33 – Dados técnicos ................................................................................ 50 7.3 Análise Geológica e Geotécnica ........................................................................ 50 7.4 Análise Comparativa da solução de fundação considerada para a torre 33, travessia do Rio Sta. Lucia. ...................................................................................... 54 7.5 Etapas sucessivas do desenvolvimento do projeto das fundações no rio Sta. Lucia .............................................................................................................................. 55 7.5.1 .. Dados de projeto ....................................................................................................... 55 7.5.2 .. Cálculo Estrutural...................................................................................................... 56 7.5.3 .. Descrição sumária da Fundação do tipo Estaca Metálica no leito do Rio Santa Lucia ............................................................................................................................ 64 7.5.4 .. Projeto executivo da fundação ............................................................................... 65 7.6 8 Metodologia para execução das fundações.................................................... 67 ANÁLISE DOS RESULTADOS ........................................................................ 69 14 9 CONCLUSÃO ................................................................................................... 71 10 REFERÊNCIAS ................................................................................................ 73 ANEXO A – ILUSTRAÇÃO DA PEÇA ESTRUTURAL “FUSTE” ........................... 78 ANEXO B – SONDAGEM TIPO BORRO ................................................................ 79 15 INTRODUÇÃO A energia elétrica que alimenta a indústria, comércio e residências é gerada principalmente em usinas hidrelétricas, onde a passagem da água por turbinas geradoras transforma a energia mecânica, originada pela queda d’água, em energia elétrica. Segundo o MME – Ministério de Minas e Energia (2007), no Brasil a matriz de energia elétrica é 44,5% produzida a partir de fontes renováveis e 54,5% por fontes não renováveis. A partir da usina a energia é transformada, e em subestações elétricas, e elevada a níveis de tensão (69/88/138/240/440 kV), definidos no SEP- Sistema Elétrico de Potência e transportada em corrente alternada (60 Hertz) através de cabos elétricos, até as subestações rebaixadoras, delimitando a fase de Transmissão. Deste ponto em diante a energia é transportada por cabo, o qual apóia-se nas estruturas metálicas (Torres) suportadas nas fundações. Logo, as fundações servem de base para as estruturas, e seu tipo de aplicação depende das características geotécnicas, do relevo do solo, bem como dos carregamentos e da logística de execução, contemplando os equipamentos a serem utilizados. Normalmente, adotam-se fundações do tipo grelha metálica, estacas, tubulão e sapata em obra de linhas de transmissão. Assim, esta questão fundação/solo é aprofundada na revisão bibliográfica e com mais clareza no estudo de caso, que trata de uma torre de travessia em uma ilha no Uruguai. 16 1. OBJETIVOS Este trabalho tem como objetivo discutir conceitos de implantação e projeto de fundação de linhas de transmissão de energia elétrica. 2.1 Objetivo Geral Discutir critérios de projeto de linha de transmissão e de suas respectivas fundações. Serão abordados com maior objetividade a sustentação e o meio físico que a energia elétrica precisa para ser transportada e chegar até a transformação e distribuição. 2.2 Objetivo Específico O objetivo específico do presente trabalho é estudar os critérios de análise e concepção de projeto e levar em consideração a importância da definição da fundação para implantação de uma linha de transmissão. O trabalho é desenvolvido de acordo com os seguintes eixos: i. Critérios de Projeto: Hipótese de carregamento, programas para cálculo de estruturas e fundações; ii. Definição da fundação: Localização da estrutura, investigação geotécnica e tipo de fundação. iii. Estudo de caso: solução de engenharia, critérios de projeto (torre de travessia) e solução de fundação. O trabalho apresenta uma análise de viabilidade, “num momento anterior à tomada de decisão”, definindo diretrizes para avaliação prévia do empreendimento, desenvolvendo uma cadeia sistemática dos acontecimentos, objetivando apresentar critérios relevantes de projeto e mostrar o peso que tem a escolha das fundações. 17 3 MÉTODOS DE TRABALHO Para formatar e compilar as informações contidas neste trabalho usou-se vasta bibliografia, desde simples comentários do Fórum do setor elétrico, publicações específicas sobre o assunto, monografias, normas, resoluções, artigos regulatórios e também a experiência de técnicos do setor. Aprofundou-se no que diz respeito ao Projeto de Fundação, que é uma das atribuições do Engenheiro Civil, e se constitui num importante insumo na definição do traçado e custo de um sistema de transmissão, demonstrando o peso ponderável deste item neste tipo de empreendimento. O estudo de caso procurou destacar a importância da escolha da solução de fundações, retratando a construção de uma torre de travessia, de grade porte, em uma ilha do Rio de Sta. Lucia, no Uruguai, onde a tecnologia da construção civil foi o diferencial. A entrevista do estudo de caso foi realizada com a Empresa de Engenharia e Projeto – Ronama Engenharia, que projetou e fiscalizou a obra. 18 4 JUSTIFICATIVA Nas construções em geral, assim como na implantação de uma linha de transmissão de energia elétrica, o planejamento adequado é a base prioritária para uma execução com baixo custo, menor impacto ambiental e redução no tempo de execução, onde o conhecimento do engenheiro civil é fundamental para se atingir as metas acima mencionadas. Obras de construção de linha de transmissão, transformação e distribuição de energia elétrica são obras de grandes investimentos financeiros e impactos, onde os valores podem variar em função do local de implantação. Em se tratando de local urbano ou em área de expansão habitacional as dificuldades se pontecializam. De acordo com a Bandeirante Energia (2008), a base de custo para este tipo de obra é o quilômetro de linha. O valor médio do quilômetro de linha em área urbana é na ordem de R$ 1.500.000,00 (um milhão e quinhentos mil reais). Os custos de uma obra do segmento energético são pagos por investidores, empréstimos, sendo a maior parte repassada ao cliente final. Há equalização financeira entre o valor investido na implantação do empreendimento e o retorno do investimento para companhia e seus investidores. Normalmente, este acordo entre as partes tem como base à data de energização da linha, que é exatamente quando a empresa começa ter receita em função do empreendimento. A Empresa tem como objetivo a necessidade de que o empreendimento entre em operação o mais rápido possível e seja considerado na base de cálculo a revisão tarifária concedida pela ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica. Em muitos casos não se consegue atingir o tempo hábil entre o prazo de entrega e a energização da linha, o que gera atraso e prejuízo, face à postergação do retorno do investimento. 19 Assim, no período em que a companhia poderia estar recebendo receita, ela ainda está construindo a LTA (Linha de Transmissão Aérea) e a ETD (Estação Transformadora e Distribuidora). Desta forma, para minimizar os prejuízos são aplicadas técnicas construtivas para projetos de fundações e montagens das torres. As fundações têm um papel muito importante neste tipo de empreendimento, dependendo da solução definida poderá impactar diretamente no tempo de execução da obra e custo, impactando diretamente na data de energização da linha. 20 5 LINHA DE TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA Em função das características do sistema elétrico, foram desenvolvidas várias tecnologias de transporte de energia, cujo objetivo é assegurar uma melhor qualidade com um menor custo por energia transportada. Uma linha de transmissão é constituída de vários componentes, que dependem fundamentalmente do nível de tensão e potência a ser transmitida, definindo condutores, cadeia de isoladores, padrão estrutural e tipos de fundação. 5.1 Critérios de projeto de linha de transmissão A NBR-5422(ABNT, 1985), Projeto de Linha Aérea de Transmissão de Energia Elétrica, fixa as condições básicas para o projeto de linha de transmissão de energia elétrica com tensão máxima, valor eficaz fase-fase, acima de 38kv e não superior a 800 kV, de modo a garantir níveis mínimos de segurança e limitar perturbações em instalações próximas. Esta norma é dividida em 13 (treze) itens e 3 (três) anexos, sendo que os itens 7 e 8 tratam diretamente dos suportes, fundações e esforços mecânicos. São eles: O item 7 – Suportes e Fundações, os suportes e suas fundações devem atender às prescrições da NBR 6134(ABNT, 1980), NBR 6229(ABNT, 1973), NBR 6231(ABNT, 1980), NBR 6124(ABNT, 1980), NBR 6118(ABNT, 2007) e NBR 6122(ABNT, 1996); sendo as NBR 6118(ABNT, 2007) – Projeto e execução de obras de concreto armado - Procedimento e NBR 6122(ABNT, 1996) – Projeto e Execução de Fundações – Procedimento. A Norma 5422(ABNT, 1985) considera como carga de projeto os seguintes itens: a- Esforços transmitidos carregamentos; b- Peso próprio do suporte; pelos cabos decorrentes dos 21 c- Peso dos isoladores e das ferragens; d- Pressão do vento no suporte; e- Pressão do vento nos isoladores e ferragens dos cabos; f- Cargas especiais. No item 7.2 da Norma, trata das hipóteses de carga e define as combinações convenientes entre si, de modo a obter um conjunto de hipóteses de carga. O item 7.3 da Norma, trata diretamente das fundações, na qual os itens: a- 7.3.1 Diz que os suportes devem ser fixados ao solo de maneira a garantir sua estabilidade sob as ações das cargas atuantes, conforme as hipóteses de cálculo adotadas; b- 7.3.2 Este item recomenda que as características do solo sejam determinadas ao longo do eixo da linha para elaboração dos projetos de fundações; c- 7.3.3 Trata das fundações construídas abaixo do nível do lençol freático. Recomenda: 1. No cálculo da estabilidade da fundação, considerar a redução de peso da fundação e do solo, devido à pressão hidrostática, na condição mais desfavorável do nível do lençol; 2. No cálculo das tensões de compressão no terreno, considerar o lençol d’água situado no nível da base da fundação. d- 7.3.4 Diz que as fundações devem ser de material resistente à corrosão ou assim protegido. Ainda em critérios de projeto de linha de transmissão, existem numerosas soluções tecnicamente viáveis para a transmissão de energia elétrica entre dois pontos. Porém, apenas um número relativamente pequeno é capaz de assegurar um serviço de padrão ótimo e, ao mesmo tempo, proporcionar o transporte do kWh a um custo mínimo. 22 O estudo de otimização de uma transmissão visa exatamente identificar essas soluções e, dentre elas, escolher aquela mais adequada ao caso particular. Sob o ponto de vista puramente econômico, a solução mais adequada é aquela em que a soma dos custos das perdas de energia durante a vida útil da linha mais o custo do investimento é mínima. Decorre daí que todas as alternativas possíveis, consideradas aceitáveis sob o ponto de vista técnico, devem ser examinadas e comparadas entre si. (FUNCHS e ALMEIDA, 1982, p. 61). FUNCHS e ALMEIDA (1982, p. 61) observam ainda que: A rigor, o trabalho de projeto mecânico se inicia somente após os estudos de otimização, quando a escolha final já tenha sido feita, com a definição da classe de tensão, tipos de estruturas, bitolas e composições dos cabos condutores e pára-raios, composição das cadeias de isoladores, etc. Para os estudos de otimização, são feitos verdadeiros anteprojetos de cada solução, em que os elementos básicos para os cálculos mecânicos e elétricos já são definidos, dados à influência que podem exercer sobre o custo de cada uma das soluções. O projeto definitivo obedecerá, então, aos parâmetros assim determinados. Na solução de quaisquer problemas de Engenharia o projetista deve iniciar os estudos basicamente pelas chamadas hipóteses de carga, através das quais se procuram fixar valores dos esforços solicitantes, normais e excepcionais que poderão incidir sobre a estrutura e fundações (FUNCHS e ALMEIDA, 1982). Procura-se também estabelecer segurança mínima da obra, dos seres vivos e das propriedades adjacentes ao empreendimento. Desse modo o projetista é limitado, em seu arbítrio para escolha dos elementos mencionados pelos “Códigos de Segurança ou pelas Normas Técnicas”, que estabelecem condições mínimas de segurança, fixando, em geral tanto as hipóteses de cargas mínimas e máximas admissíveis para os diversos materiais aplicados no projeto. Essas cargas são definidas através de elementos estruturais que são submetidos a certo tipo de esforço, e se estes forem suficientemente elevadas, poderão levar a estrutura à destruição ou ruptura; esse valor é a chamada carga de ruptura. 23 FUNCHS e ALMEIDA (1982, p. 63) observam ainda sobre a carga de ruptura de componentes estruturais que: Seu valor também não pode ser considerado singular ou absoluto: nos materiais técnicos usados em obra, se aceita tolerâncias de fabricação tanto em suas dimensões físicas finais, quanto em suas características específicas (peso, resistência específica à tração ou compressão, etc.). Admite-se, pois, um valor médio para cada grandeza e uma tolerância. Esta será tanto menor quanto mais rigorosas forem às especificações de fabricação, de controle de qualidade e aceitação. Nessas condições, as cargas de ruptura devem ser entendidas como grandeza estatística, definível, por exemplo, por seu valor médio e pelo desvio-padrão ou pela variância. Pode-se, pois a cada valor de esforço que atua sobre um elemento estrutural, associar um risco de falha. Este será tanto menor quanto maior for à relação carga ruptura/carga máxima atuante. Essa relação determina o fator de segurança. Portanto o risco de falha é inversamente proporcional ao fator de segurança, para uma dada solicitação. Por outro lado, quanto maior for o fator de segurança, maior as dimensões dos elementos estruturais e, portanto, seu custo. Por outro lado, as cargas que atuam sobre as estruturas, principalmente decorrentes de fenômenos naturais, não podem ser definidas com precisão e para quaisquer valores determinados, existe um risco. Essa relação (risco e precisão) pode ser minimizada utilizando o fator de segurança cuja utilização e valor são diretamente proporcionais ao custo da obra. Decorre, portanto, do mencionado anteriormente, a orientação para que estruturas e fundações sejam dimensionadas em termos de risco de falha, nos quais esses devem ser associados a intervalos de tempo, em geral compatível com a vida útil estimada para a obra (FUNCHS E ALMEIDA, 1982). Para efeito de análise comparativa das soluções adotadas para as torres e cabos nas travessias do Rio Sta. Lucia, quatro critérios foram abordados (CASAGRANDE; SGANZERIA; GALIANO, 1981): a) “clearance” mínimo dos cabos em relação ao nível de água, tendo em vista a navegação de navios de grande porte, e alturas máximas permitidas para as torres levantadas em consideração às áreas de aproximação dos aeroportos de Belém; 24 b) Aspectos construtivos das execuções das fundações no meio dos rios; c) Aspectos financeiros, pelos altos custos envolvidos na construção, em especial das execuções das fundações das torres; d) Prazo de construção, visto que os cronogramas já fixados não permitam folgas (sob pena de as travessias atrasarem a transmissão de energia par Belém). 5.2 Gestão de Projeto Existem inúmeras definições para estudo de viabilidade, expostas de variadas formas por diversos autores. Gehbauer (2002) descreve que o estudo de viabilidade do empreendimento é a comparação entre a estimativa de custo do mesmo e os rendimentos que se esperam obter por meio da sua comercialização. Ele compreende todo planejamento técnico básico necessário, desde a idéia inicial, até a elaboração do anteprojeto. Para empresas de incorporação / construção, é durante o estudo de viabilidade do empreendimento que fatores como localização, capital e concepção do produto são combinados, de tal forma que se obtenha uma incorporação bem sucedida. Bezerra da Silva (1995) coloca que para que o estudo de viabilidade se aproxime da realidade, deve-se partir de um bom cenário, dispor de um bom modelo matemático para simulação, conhecer os indicadores de qualidade fornecidos pelo modelo de cálculo e saber interpretar os indicadores, estabelecendo critérios particulares de decisão. 25 5.3 Projeto de Fundações para Linhas de Transmissão 5.3.1 Introdução Segundo Magalhães (2007) p.3-6, a melhoria da relação custo-benefício para as fundações de linhas de transmissão tem sido perseguida pelas empresas concessionárias de energia elétrica e empresas de projeto que prestam serviços ao setor. Este esforço conjunto tem demonstrado que soluções mais econômicas estão diretamente ligadas ao nível qualitativo e quantitativo das informações geológicas e geotécnicas obtidas para cada empreendimento. Os benefícios tangíveis desta prática se materializam num desenvolvimento uniforme dos trabalhos de construção onde as eventuais “surpresas” decorrentes de horizontes geotécnicos adversos, são vias de regra evitadas. Considerando ainda as ponderações do autor, há também o fato de se poder interagir com outras atividades de projeto da LT, balizando modificações de traçado, projetos de aterramento e até tipos de solos encontrados ao longo do itinerário da rota da linha de transmissão. A utilização de “softwares” para cálculo e otimização das fundações, tem sido outra importante ferramenta para execução de projeto de LT’S. Vale destacar, entretanto, que o uso das mais avançadas tecnologias seria ineficaz caso fossem empregados parâmetros geotécnicos irreais, em função de uma campanha deficiente de investigação do solo. Os resultados obtidos na inversão de recursos nas áreas de prospecção do solo e de tecnologias que permitem melhor exprimir o comportamento das fundações, têm demonstrado um promissor retorno no que concerne ao custo final do empreendimento, sua confiabilidade e desempenho. Segue na figura 5.1, fluxo básico de projeto de fundação. 26 Tipificação dos solos- I e II Estimativa dos parâmetros geotécnicos Cálculo das fundações Normais Tubulão Sapata Investigação geológica e geotécnica de campo Sondagens SPT, simultaneamente à locação das torres e shear vane. Ensaios de laboratório. (Triaxiais, índices físicos, adensamento,...etc) Cálculo das fundações Especiais Estacas Tirantes Chumbadores Aplicação das fundações tipificadas X realidade geotécnica Lista de Construção da LT c/ definição das fundações. Figura 5. 1 – Fluxo de projeto de fundação Fonte: Ronama Engenharia – Memorial de cálculo de fundação (2005). 27 5.3.2 Normatização A NBR-6122 (ABNT, 1996), Projeto e Execução de Fundações, fixam as condições básicas a serem observadas no projeto e execução de fundações de edifícios, pontes e demais estruturas. Basicamente a norma fixa: a- Definições de tipo de fundações; b- Investigações geotécnicas, geológicas e observações locais; c- Cargas e segurança nas fundações; d- Fundações superficiais; e- Fundações profundas; f- Escavações; g- Observações do comportamento e instrumentação de obras de fundações. Além da NBR 6122(ABNT, 1996), se pede para consultar as seguintes normas: ♦ Portaria 3.214 do Ministério do Trabalho ♦ NBR 6118(ABNT, 2007) - Projeto e execução de obras de concreto armado - Procedimento ♦ NBR 6484(ABNT, 2001) - Execução de sondagens de simples reconhecimento dos solos - Método de ensaio ♦ NBR 6489(ABNT, 1984) - Prova de carga direta sobre terreno de fundação - Procedimento ♦ NBR 6502(ABNT, 1995) - Rochas e solos - Terminologia ♦ NBR 7190(ABNT, 1997) - Cálculo e execução de estruturas de madeira - Procedimento ♦ NBR 8681(ABNT, 2003) - Ações e segurança nas estruturas - Procedimento ♦ NBR 8800(ABNT, 2008) - Projeto e execução de estruturas de aço de edifícios - Procedimento ♦ NBR 9061(ABNT, 1985) - Segurança de escavação a céu aberto - Procedimento 28 ♦ NBR 9062(ABNT, 2006) - Projeto e execução de estruturas de concreto pré-moldado - Procedimento ♦ NBR 9603(ABNT, 1986) - Sondagem a trado - Procedimento ♦ NBR 9604(ABNT, 1996) - Abertura de poço e trincheira de inspeção em solo com retirada de amostra deformada e indeformada - Procedimento ♦ NBR 9820(ABNT, 1997) - Coleta de amostras indeformadas de solos em furos de sondagens - Procedimento ♦ NBR 10905(ABNT, 1989) - Solo - Ensaios de palheta in situ – Método de ensaio ♦ NBR 12069 (ABNT, 1991)- Solo - Ensaio de penetração de cone in situ (CPT) - Método de ensaio ♦ NBR 12131(ABNT, 1996) - Estacas - Prova de carga estática - Método de ensaio ♦ NBR 13208(ABNT, 2007) - Estacas - Ensaio de carregamento dinâmico - Método de ensaio Em relação ao estudo de caso, que trata de uma obra realizada fora do âmbito nacional brasileiro, cabe informar que segundo a o engenheiro Ronaldo Magalhães, da Ronama Engenharia, projetista do linhão no Uruguai, as normas utilizadas da ABNT estão asseguradas pela Harmonização das Normas dos Estados Partes do Mercosul. Desta forma para consolidar as informações que assegura o uso das normas ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnica, a AMN – Asociacíon Mercosur de Normalización, que tem como objetivo e por finalidade a padronização do desenvolvimento da normalização e atividade conexas, bem como da qualidade de produtos e serviços, nos paises membros do Mercosul. A AMN, a desenvolve suas atividades de normalização por intermédio de comitês Setoriais Mercosul (CSM). 29 5.3.3 Investigação Geológica e Geotécnica 5.3.3.1 Conceito Com base na apresentação da UNICAMP, relata que o objetivo da investigação geológica é delimitar espacialmente as unidades geológicas e determinar suas características e propriedades geomecânicas através de um plano de investigações. A seguir, estão discriminadas as seguintes definições: a- Unidade geológica: é um corpo geológico espacialmente delimitado, com características específicas e comportamento similar face à determinada solicitação. b- Corpo geológico: Camada, zona ou trecho capaz de ser delimitado em superfície e/ou em subsuperfície, com características e propriedades singulares. c- Comportamento similar: Comportamento semelhante face à mesma solicitação. d- Solicitação: Ação sobre o ambiente geológico imposta e induzida ou resultante da interação com a ocupação antrópica. Segundo Silva (2008), os estudos geológico-geotécnicos para o projeto de estradas, exigem o emprego de vários tipos de investigações geofísicas e mecânicas, levando em conta a diversidade de materiais ocorrentes ao longo do traçado e dos objetivos visados. Nas fases que antecedem o Projeto Final são comumente empregados métodos de investigações de superfície; logo na fase de Projeto final, os métodos passam a ser de subsuperfície, além de ensaios de campo e de laboratório específicos (SILVA, 2009, p.7 apud OLIVEIRA et. al, 1998). 30 5.3.3.2 Métodos de Subsuperfície. De acordo com SILVA (2008) p.8, descreve que os métodos de investigação mais comumente empregados nos estudos e que se enquadram nesta categoria são: a- Mapeamento geológico: deverão constar todos os aspectos geológicos relevantes ao projeto em escala 1: 25.000 a 1: 10.000. b- Poços exploratórios: permitem caracterização dos diversos tipos de solo, além de fornecer informações sobre os níveis do lençol freático, medição precisa da altitude das estruturas geológicas ainda presentes e coleta de amostras deformadas e indeformadas para ensaios de laboratório; c- Sondagens a trado: permitem coleta de amostras deformadas que serão submetidas á classificação; d- Sondagens à percussão e Borro1: permite estudar fundações de aterro onde outras investigações ou estudos de superfície relevaram a ocorrência de solos de baixa capacidade de suporte; e- Sondagens rotativas: permite definir com precisão o topo rochoso ou avaliar as propriedades do maciço rochoso e ainda estudar a fundação de obras de arte; f- Investigação geofísica: pode indicar a espessura do capeamento, a profundidade do nível de água, às condições de rocha em subsuperfície, definindo as categorias para a escavação, recomendada para as fases iniciais de estudo, na escolha de traçados. As etapas de investigação geológica e geotécnica se constituem, basicamente, dos seguintes itens: a) investigação preliminar b) investigação de projeto c) definição de parâmetros geotécnicos d) verificação de construção 1 Ver Anexo B – Fundação do Tipo Borro 31 A investigação preliminar se desenvolve a partir da análise de cartas geológicas ou sondagens efetuadas em LT’S paralelas ou próximas que abranjam a área do empreendimento, sendo examinados os tipos de solos encontrados na rota da LT e seus potenciais problemas geotécnicos. As informações obtidas são os insumos para o programa de investigação preliminar do solo, que consiste da coleta dos dados geotécnicos qualitativos da região, através de um exame da geologia superficial do traçado e dos dados de sondagem, a trado, realizadas a partir de pontos notáveis da LT e com espaçamento equivalente ao vão médio, ou previamente estabelecido em função das cartas mencionadas. Os resultados obtidos do programa preliminar permitem definir os tipos e camadas de solos atravessados pela LT, a ocorrência de nível d’água e sua profundidade, a existência de estratos rochosos, solos instáveis e uma noção superficial da resistência dos mesmos, obtida pela dificuldade do avanço do furo. Todas estas informações se constituem importantes subsídios para definição do programa de investigação de projeto. Esta etapa dos trabalhos quando executada paralelamente ao levantamento topográfico do perfil da LT permite interagir, conforme já observado, com a etapa de plotação das estruturas. A investigação de projeto, que sucede a fase de locação das estruturas, visa obter informações quantitativas do solo. Nesta fase são realizadas sondagens tipo “SPT” em suportes de maior importância estrutural na linha de transmissão, tais como: ancoragens, terminais e estruturas de travessia, dentre outras. Vale notar que em circunstâncias específicas, são plenamente justificáveis as execuções de ensaios de campo e laboratório, para melhor caracterizar os parâmetros geotécnicos. Serão também efetuadas sondagens “SPT” em estruturas de suspensão, em número e profundidade definidos no projeto, com o propósito de correlacionar os tipos de solo com as suas características resistentes, promovendo a máxima racionalização dos recursos para este fim. A definição dos parâmetros geotécnicos é, geralmente, efetuada de duas maneiras distintas. A primeira, considerada de ordem natural, consiste na análise estatística de todos os dados do solo levantados nas duas fases de investigação anteriores, obtendo-se uma correlação entre os tipos de solo e suas resistências características. Esta análise visa agrupar, geralmente em duas grandes categorias, denominadas 32 normais, os tipos de solo - com respectivas características físicas - de ocorrência mais freqüente ao longo da rota da LT. Faz-se também a definição unidades geotécnicas constituídas por solos instáveis ou muito resistentes que venham requerer soluções especiais de fundações, como estacas, chumbadores, tirantes. A segunda, ditada por circunstâncias especiais inerentes ao atendimento de prazos limitados e para contemplar a logística do empreendimento, demanda uma abordagem diferenciada da obtenção dos parâmetros geotécnicos. Estes últimos são, neste caso, tipificados por faixas de solo com características teoricamente especificadas e que visam cobrir toda uma gama de solos que possam, realmente, ocorrer ao longo da rota da LT. Na definição dos parâmetros, serão considerados aspectos tais como: magnitude das cargas nas fundações, profundidade provável das mesmas, tipos de solicitações predominantes. É importante observar que os dados do solo coletado serão utilizados após o dimensionamento das fundações típicas e na aplicação destas, a cada tipo de estrutura implantada ao longo da linha de transmissão. Dá-se o nome de verificação de construção à atividade de confrontação das características do solo, com aquelas previstas no projeto de fundação e o especificado na lista de construção, para cada estrutura da LT. O objetivo será avaliar a correta adequação do projeto previsto face às condições geológicas e geotécnicas efetivamente constatadas in-loco. Os meios para efetuar a referida constatação vão, desde a análise tátil-visual, até a utilização de penetrômetros, Teste de Placa, “Shear Vane”, “Speed Test” e outros equipamentos que permitam quantificar os parâmetros geotécnicos no local de execução das fundações. 33 5.4 Tipificação dos solos e suas características geotécnicas Ainda com base no relatório Magalhães (2007) p.7, as discriminações e tipificação dos solos são realizadas em um primeiro instante de forma teórica. Isto significa que os parâmetros geotécnicos foram arbitrados sem o concurso das informações geotécnicas disponíveis ao longo da LT. Este fato implica no projeto de uma série de fundações para cada tipo de solo, cuja aplicação será feita por retro-análise na conclusão e interpretação dos resultados dos programas de prospecção geológicos e geotécnicos. Para entender o relato do parágrafo anterior, normalmente são feitas aglutinações de tipos de solos, de modo que se possa empregar em uma mesma fundação dois tipos de solos distintos, considerando apenas às suas propriedades coesivas e resistências mecânicas. Esta prática colabora na uniformidade do projeto e propiciando vantagens face ao resultado econômico que se pretende obter. Apresenta-se na tabela 5.1, os tipos de solos estimados e suas respectivas características. Vale observar que a nomenclatura para os solos G e F, corresponde, respectivamente, a solos “Granulares” e “Finos”. Os primeiros compreendem as areias, areias siltosas e argilosas. Os solos “Finos” são os solos argilosos, siltosos, argilo-arenosos, argilo-siltosos ou ainda, os silto-arenosos. Tabela 5. 1 – Parâmetros geotécnicos típicos empregados em projetos Específico Natural Ângulo no Solo de Atrito kgf/cm2 graus Coesão lateral Kgf/cm2 1600 1800 1,6 2,9 30 0,1 0,15 IF 1600 1700 2,0 2,5 21 0,45 0,30 IIG 1600 1600 1,0 1,7 25 0,1 0,10 IIF 1500 1600 1,0 1,5 21 0,25 0,15 2200 - >10 - - - 4,7 a SPT (N) Golpes unda IG Fundação Prof Rasa kgf/cm2 Aderência a Profund Kgf/m3 Rasa Unidade Tensão Profund Peso Solo Tipo IGF 7 – 10 IIGF 4–6 ROCHA SÃ Impenetrável Fonte: Ronama Engenharia – Memorial de cálculo de fundação (2005). 34 5.5 Critérios e Definições de fundações A definição do tipo de fundação, seu dimensionamento estrutural e geotécnico deverão ser executados levando em consideração os limites de ruptura e deformabilidade para a capacidade de suporte do solo à compressão, ao arrancamento e aos esforços horizontais, valendo-se de métodos racionais de cálculos consagrados na engenharia geotécnica. (CASAGRANDE; SGANZERIA; GALIANO, 1981): Ainda em de acordo com os referidos autores, no projeto das fundações, para atender aos critérios de coordenações de falhas (Gestão de Risco), as solicitações transmitidas pela estrutura a suas fundações devem ser majoradas pelo fator mínimo. Estas solicitações, calculadas com as cargas de projeto da torre, considerando suas condições particulares de aplicação: Vão Gravante, Vão de Vento, Ângulo de desvio e Fim de LT, Altura da torre, passa a ser consideradas como cargas de projeto das fundações. Segundo Ashcar (1999, p. 2), os métodos mais utilizados pela CESP para o cálculo da capacidade de carga à tração (arrancamento) das fundações para as torres metálicas são: Método do cone e Método do cilindro de atrito. O dimensionamento à resistência lateral (esforço horizontal) das fundações em tubulão tem sido feito pelo Método de Wiggins (Journal of the Power Division). Em fundação rasa, compara-se o momento resistente (pesos do solo e concreto) com o momento atuante na base da fundação. Para o cálculo da capacidade de carga do solo à compressão é mais usual determinar a tensão do solo por correlação com o número de golpes da sondagem tipo SPT, necessitando-se experiência profissional. Também se aplica o Método de Terzaghi (teórico). Convém alertar que a carga de trabalho e a carga última (carregamento da torre) estão relacionadas com a tensão admissível e a tensão de ruptura do solo, respectivamente. 35 Ainda, de acordo com o referido autor, é recomendável realizar sondagens (SPT, Rotativa e Borro) ao longo da linha, para que as fundações das estruturas sejam dimensionadas com segurança e otimização. Recomenda-se executar sondagens tipo SPT, próximas ao piquete central, em todas as estruturas de ancoragem e fim de linha, e em locais tais como: travessias de rios, aterros, fundos de vale, alagados, erosões e encostas. Os custos das sondagens representam de 0,5% a 1% do custo total de uma LT de 138 kV, circuito duplo. Esta porcentagem varia conforme a região (normal, de serra e litorânea) da obra. Para LT de 460 kV, circuito duplo, os custos das sondagens são inferiores a 0,3% do total. De acordo com o relatório, Ashcar (1999, p. 2), A CESP, ainda orienta que é importante realizar, em média, uma sondagem SPT a cada cinco estruturas e dependendo do conhecimento da região, esta proporção poderá variar até 1 para 10. Também são executadas sondagens tipo Borro, em todas as estruturas da linha, exceto nos locais das sondagens SPT/Rotativa. Dependendo da região, é necessário fazer sondagem Rotativa em cada pé da torre metálica, devido à diferença de materiais atravessados. Vale lembrar que, antes de executar as sondagens, deve-se aferir seus equipamentos, principalmente o peso do martelo padrão e o comprimento do amostrador padrão Em aspectos gerais, uma linha de transmissão de energia elétrica caracteriza-se por serem obras de grande extensão linear, geralmente com difíceis condições de acesso, suportada por estruturas metálicas do tipo poste ou torre. Portanto, pode-se dizer que as fundações das torres de uma linha de transmissão têm o merecido tratamento especial, que as tornam quase um segmento autônomo no campo da engenharia de fundações. 36 5.5.1 Fundações: Característica e Ensaio para verificação de desempenho As fundações de cada estrutura deverão ser projetadas estruturalmente e geotecnicamente de forma a adequar todos os esforços resultantes de cada torre as condições específicas de seu próprio solo de fundação. Tais como: I.A prova de carga visa, por meios diretos, determinar as características de deformação ou resistência do terreno, ou de elementos estruturais da fundação. II.A execução de provas de carga permite otimizar os projetos de fundação, assim como comparar os resultados práticos com os previstos nas teorias existentes. III.A realização de provas de carga (compressão e arrancamento) também é importante para verificar a necessidade de reforço das fundações nas seguintes situações: novas condições de pressão de vento atuando numa LT em relação às consideradas no projeto original e recapacitação de LT. As propriedades físicas e mecânicas do solo de fundação de cada estrutura deverão ser determinadas de forma reconhecidamente científica, de modo a retratar, com precisão, os parâmetros geomecânicos do solo, sendo executadas as seguintes etapas: IV.Estudo e análise fisiográfica preliminar do traçado da LT com a conseqüente elaboração do plano de investigação geotécnica; V.Reconhecimento do subsolo com a caracterização geológica e geotécnica do terreno, qualitativamente e quantitativamente, determinando os parâmetros geomecânicos; VI.Parecer geotécnico com a elaboração de diretrizes técnicas e recomendações para o projeto. No cálculo das fundações deverão ser considerados os aspectos regionais geomorfológicos que influenciem o estado do solo de fundação, quer no aspecto de sensibilidade, expansibilidade ou colaptividade levando-se em conta a sazonalidade. 37 DIMENSIONAMENTO DE FUNDAÇÃO 6 Com base nos trabalhos do IPT (1989), o dimensionamento de fundações de linhas de transmissão se faz em alguns aspectos através de métodos diferentes dos usuais para os demais tipos de obras de engenharia civil. • Devido a sua grande extensão, há o natural interesse de se realizar as fundações das torres com alguns elementos típicos, para os quais desenvolvem projetos padronizados, considerando especificas as fundações utilizadas em casos especiais tais como: • Travessias de rios; • Terrenos acidentados; • Caixas estaqueadas; • E outros. Ainda segundo IPT (1989), outro lado é comum nos projetos de linhas de transmissão uma falta de conhecimento detalhado das características do subsolo, o que induz à utilização de métodos empíricos e expeditos de dimensionamento. A rotina do dimensionamento de maneira geral consta de três fases, em cada uma sendo analisado um tipo específico de carregamento. • Em primeiro lugar, consideram-se as cargas horizontais, as quais, visto que da profundidade depende a resistências laterais, são condições importantes na determinação da geometria da fundação; • Posteriormente, são consideradas as cargas de compressão e de arrancamento. Salienta-se que, já que os esforços acidentais provêm, sobretudo, da ação do vento as deformações do solo submetido às cargas de compressões, desde que não excessivas, serão lentas e praticamente sem conseqüências para a torre. 38 O mesmo não acontece com os esforços de arrancamento, uma deficiência da fundação com relação ao arrancamento, por ocasião da solicitação máxima, produz deformações rápidas que tendem para a situação de ruptura. 6.1 Alternativa de Fundações para Linha de Transmissão O tipo de fundação mais adequada para as torres de uma determinada linha de transmissão, do ponto de vista técnico e econômico, não pode ser fixada a priori, mas dependerão de uma análise envolvendo a grandeza das cargas, as condições dos subsolos e a logística de implementação das mesmas, ou seja, considerar a mão de obra, material e equipamento. A seguir são feitas recomendações e informações técnicas sobre os tipos de fundação de torres autoportantes, torres estaiadas e postes, nas fases de projeto e de construção. 6.1.1 Torres autoportantes As torres autoportantes são estruturas metálicas compostas de uma parte reta superior e uma parte piramidal na base. São formadas por módulos treliçados. Assim, as torres autoportantes utilizam os seguintes tipos de fundação: Tipo Tubulão Tipo Sapata Tipo Estaca Tipo Bloco Tipo Grelha 39 6.1.1.1 Tubulão Tubulões são elementos estruturais de fundação profunda, cilíndrica, construída concretando-se um poço (revestido ou não) aberto no terreno, geralmente dotado de base alargada. A NBR 6122/96 recomenda que a base do tubulão deve ser dimensionada, de modo a evitar alturas superiores a 2m. Indicados para obras que apresentam cargas elevadas, os tubulões são empregados em grande escala em áreas que apresentam dificuldade de cravação de espaços ou de escavação mecânica (áreas com alta densidade de matacões, lençóis d'água elevados ou cotas insuficientes entre o terreno e o apoio da fundação). A figura 6.1 ilustra fundação do tipo tubulão aplicada em torres de linha de transmissão. Figura 6. 1 – Ilustração tipo de fundação - tubulão Fonte: Projeto de fundação de Linha de transmissão – Ronama Engenharia - 2008 Normalmente a sua execução é manual, podendo ser mecanicamente. Na maioria dos casos, duas condicionantes devem ser respeitadas para o seu emprego: a) O solo deverá ter um mínimo de coesão, de modo a possibilitar a escavação sem necessidade de escoramento 40 b) O nível d’água deverá estar situado abaixo da cota de apoio da fundação, durante a fase de execução. Este fato evita a ocorrência de gradientes hidráulicos prejudiciais à estabilidade de escavação. As condições anteriores são de certo modo atendidas, face às características dos solos residuais tropicais, que mesmo em horizontes de predominância arenosa, apresentam moderada coesão, proveniente da rocha matriz. O tubulão revela-se especialmente indicado, no caso de fundações em encostas ou terrenos erodíveis, por ter menor volume de escavação e prescindir do reaterro, evitando desse modo, alterações nas condições naturais do terreno. A profundidade do tubulão varia de 3,0 m a 10,0 m, pois depende do tipo de solo e dos esforços na fundação. São executados manualmente (fuste2 de 70 cm no mínimo) ou mecanicamente, com base alargada ou não. Em solo seco, o tubulão é moldado “in loco” e recomenda-se fazer um alargamento mínimo na sua base, igual ao diâmetro do fuste¹, abrindo em ângulo de 30 graus com a vertical até atingir a dimensão necessária para compatibilizar as cargas aplicadas com a capacidade portante do solo. Em solo submerso, tem-se dado preferência à fundação cilíndrica (sem alargamento de base) com o uso de camisas metálicas ou de concreto (sem bolsa), mas com profundidade maior que o tubulão com base alargada, devido à tração. No caso de tubulão com base alargada, recomenda-se escavar apenas o fuste¹ com a perfuratriz (mecanicamente), em geral com diâmetro varia de 0,70m a 1,20 m. O alargamento de base tem sido melhor executado manualmente. Se as escavações forem feitas em época de chuva e em solo arenoso, fofo (1 a 2 golpes SPT), aconselha-se utilizar camisa metálica (recuperável) no fuste¹ de cada fundação, para evitar desmoronamentos do solo e acidentes com operários. 2 Ver Anexo A – Ilustração da peça estrutural “FUSTE” 41 6.1.1.2 Sapata São elementos de fundação superficial, posicionado em níveis próximos da superfície do terreno, construídos em concreto armado, dimensionado de modo que as tensões de tração não sejam resistidas pelo concreto, mas sim pelo emprego de barras de aço. A figura 6.2 ilustra fundação do tipo sapata aplicada em torres de linha de transmissão. Figura 6. 2 – Ilustração tipo de fundação – sapata Fonte: Projeto de fundação de Linha de transmissão – Ronama Engenharia - 2009 Esta fundação é aplicada a pequena profundidade, variável de 2,0 a 4,0 m, devido à dificuldade de escavação mais profunda (presença de água e desbarrancamento). Por isso, não deve ser utilizada em locais sujeitos à erosão. A sapata deve ser executada com escavação total, ou seja, retirada de todo o terreno atuante na vertical sobre a base (geralmente quadrada ou retangular) da fundação. O pilarete da sapata pode ser vertical ou inclinado. Atualmente, tem-se utilizado o pilarete inclinado, com mais freqüência, pois, a resultante da carga de compressão 42 com os horizontais associados passam mais próxima ao centro de gravidade da fundação, reduzindo o momento na base e, conseqüentemente, as suas dimensões e custo da fundação. A ocorrência de solos resistentes próximos à superfície, constitui uma indicação clara ao emprego de fundações diretas, desde que não existam camadas subjacentes compressíveis. Há também circunstâncias em que o emprego da fundação ocorre com bastante propriedade: a) Solos arenosos instáveis, com ou sem presença do lençol freático. b) Solos com baixa capacidade de suporte, superficial, com nível d’água, onde um aumento das dimensões na base viabilizaria a fundação, em face de recalques totais ou diferenciais. c) Na ocorrência de rocha muito fraturada, onde o emprego de chumbadores torna-se contra-indicado. A escavação, nestas condições, poderá ser feita com o uso de explosivos para facilitar o avanço. A sapata é viável economicamente para torres de suspensão, em virtude dos pequenos esforços na fundação. Para torres de ancoragem e terminal (grandes esforços), devem ser feitas comparações de custo com as fundações em bloco e estaqueada. 43 6.1.1.3 Estaca São elementos alongados, cilíndricos ou prismáticos que se cravam com equipamento chamado bate-estaca, ou se confeccionam no solo de modo a transmitir às cargas para as camadas profundas do terreno. Estas cargas são transmitidas ao terreno através do atrito das paredes laterais da estaca contra o terreno e/ou pela ponta. A figura 6.3 ilustra fundação do tipo estaca aplicada em torres de linha de transmissão. Figura 6. 3 – Ilustração tipo de fundação - estaca Fonte: Projeto de fundação de Linha de transmissão – Ronama Engenharia - 2009 As fundações estaqueadas geralmente são constituídas de estacas verticais e inclinadas (engastadas num bloco), sendo as últimas destinadas a combater os esforços horizontais. Os tipos mais utilizados de estacas são: pré-moldadas de concreto armado e metálico. 44 Antes de escolher este tipo de fundação devem-se observar, no campo, as condições de acesso para o bate-estaca. Se este equipamento ficar sob linha energizada será preciso verificar a distância da estaca ao cabo condutor. As estacas metálicas devem ser protegidas contra corrosão, através de um cobrimento (encapsulamento) de concreto de 5 cm, até 1,0 m abaixo do nível de água. Se a cravação da estaca for interrompida a pequena profundidade (menos de 5 m), com comprimento insuficiente para combater o esforço de tração, então se pode adotar a fundação em caixa estaqueada. Esta caixa (concreto armado) é preenchida com solo compactado, a fim de aumentar o peso do bloco e compensar a profundidade da estaca. Nas torres de transmissão, normalmente trabalha-se com energia de cravação de 1,5 tf.m e com nega igual ou inferior a 3 cm nos últimos 10 golpes. Sugere-se utilizar flange (em vez de stub3) no topo de cada pilarete destas fundações, como dispositivo de fixação da torre, constituído de chumbadores e chapa de base. A aplicação de flange facilita e agiliza os serviços de reconstrução da torre, numa eventual danificação na interface torre/fundação. O uso de estacas injetadas é pouco usado, devido ao maior custo em relação à estaca pré-moldada. 3 Ver Anexo A – Ilustração da peça estrutural “STUB” 45 6.1.1.4 Bloco Os blocos sobre estacas são elementos estruturais de fundação cuja finalidade é transmitir as ações oriundas da superestrutura para o solo. O uso deste tipo de fundação se justifica quando há camadas superficiais de solo local. Quando essas camadas não suportam estas cargas, é necessário atingir camadas mais profundas que sirvam de apoio à fundação, associando o bloco com estacas. A figura 6.4 ilustra fundação do tipo bloco (estacas) em torres de linha de transmissão. Figura 6. 4 – Ilustração tipo de fundação - bloco Fonte: Projeto de fundação de Linha de transmissão – Ronama Engenharia - 2008 O bloco é aplicado à pequena profundidade, variável de 2,5 a 3,5 m, devido à dificuldade de escavação manual. Portanto, não deve ser utilizado em locais sujeitos à erosão e em encostas íngremes. A fundação normalmente é executada com escavação total. No caso de o bloco ser moldado “in loco”, deve-se fazer o fuste¹ com diâmetro mínimo de 80 cm (depende da resistência do solo) para facilitar a escavação. 6.1.1.5 Bloco ancorado 46 Esta fundação é utilizada na ocorrência de rocha não escavável manualmente, a pequena profundidade (1,0 a 3,0 m), onde a construção de bloco simples (peso) é insuficiente para suportar o arrancamento, exigindo, portanto, a sua ancoragem. Geralmente são usados chumbadores com diâmetro de 25 mm, aço CA-50 A, e introduzidos num furo de 50 mm, no mínimo. Os projetos fixam o comprimento útil das ancoragens engastadas na rocha sã ou quase sã, medianamente a pouco fraturada. Recomenda-se ensaiar, por estrutura, pelo menos um chumbador ao arrancamento. 6.1.1.6 Grelha A grelha é aplicada em terreno seco e com profundidade que varia de 2,0 a 4,0 m. Não deve ser aplicada em locais sujeitos à erosão ou em áreas alagadiças. Se houver um pequeno nível de água no fundo da fundação (cerca de 0 m), faz-se o esgotamento, através de bombeamento, e concreta-se até o mesmo nível inicial. Figura 6. 5 – Ilustração tipo de fundação - grelha Fonte: Fundações de linhas de transmissão de energia elétrica: relatório 27.072.IPT (1989) As principais vantagens da grelha consistem na rapidez de execução da fundação (escavação, montagem e reaterro) e na facilidade de transporte, principalmente em locais de difícil acesso para o uso de concreto. 47 Ashcar (1999, p. 2), a CESP tem constatado diversos casos de corrosão nas grelhas, principalmente quando as mesmas estão aplicadas em solos consideradas agressivos e até mesmo em regiões com uso intensivos de fertilizantes e agrotóxicos. A agressividade do solo pode ser detectada pela medição da resistividade do solo e do coeficiente de despolarização. Neste tipo de solo, recomenda-se fazer uma proteção anticorrosiva ou catódica nas fundações com grelha. Vale também chamar a atenção para a instalação da grelha na escavação. Devem ser feitos dois sulcos no fundo da cava para encaixar os perfis “C” da grelha e permitir que as cantoneiras “L” fiquem assentadas no terreno 6.1.2 Torres estaiadas Os tipos de fundações mais empregados nas torres estaiadas da CESP são: - Estai: bloco de concreto (tronco cônico e prismático) - Mastro central: tubulão e sapata. As Fundações dos Estais são submetidas apenas a esforços de tração (na direção do estai). Na fundação do mastro central atuam esforços de compressão (verticais e horizontais). Em geral, as fundações em bloco prismático para estai são projetadas até 3,0 m de profundidade. Para os estais com fundação em bloco tronco cônico, sugere-se que a profundidade não ultrapasse 4,0 m. Isto se deve ao custo da haste-âncora que fica embutida em cada fundação. Para a estabilidade das fundações dos estais é fundamental fazer o controle de qualidade de compactação em cada uma das cavas. Recomenda-se que o reaterro seja compactado em camadas de 20 cm de espessura (no máximo), de modo que se obtenha densidade seca igual ou superior 48 3 a 1,8 tf/m e grau de compactação igual ou superior a 95% do Proctor Normal. A compactação deve ser feita com teor de umidade próxima da ótima. Durante a execução, é importante verificar o posicionamento da haste-âncora, devendo estar com a inclinação indicada no projeto. Para o mastro central, sugere-se, calcular projetos-padrão de tubulão com profundidade variável de 3,0 a 5,0 m. Normalmente a sapata é projetada com pequena profundidade (1,0 a 1,5 m). Os cuidados na execução das fundações para o mastro central são semelhantes às das torres autoportantes. 6.1.3 Postes As fundações mais usuais, a partir de 69 kV, para engastamento de poste em solo seco são: bloco cilíndrico ou retangular (moldado “in loco”) e caixa de concreto. Em solo submerso, as fundações mais utilizadas são: bloco cilíndrico com tubos de revestimento de concreto (incorporados) e bloco retangular com escoramento. Nos postes de suspensão, os preenchimentos das cavas, das fundações, normalmente são feitos com reaterro compactado em solo seco e brita ou concreto em solo submerso. Nos postes de ancoragem e terminal as cavas geralmente são preenchidas com concreto simples. A utilização de caixa de concreto é recomendada especialmente no caso de a cava da fundação ser preenchida com areia adensada com circulação de água, em solo arenoso. Se esta fundação (bloco) fosse moldada “in loco”, seria necessária muita água para adensar a areia, devido à permeabilidade deste solo. A execução com caixa de concreto permite um maior espaço de tempo entre a escavação e a colocação do poste, em comparação com a fundação moldada “in loco”, além de evitar desbarrancamento do solo. Porém, apresenta a desvantagem de ser mais cara e demorada. 49 7 ESTUDO DE CASO – LT 500 KV, PUNTA DEL TIGRE – LAS BRUJAS – URUGUAY A UTE – Administração Nacional e Transmissão de Energia tiveram a necessidade de ampliar a potência instalada, com a construção de uma linha de transmissão, para atender a demanda de carga do Uruguai. A foto abaixo ilustra a magnitude da obra. Figura 7. 1 – Foto Ilustrativa Torre 33 – Cura do Concreto Fonte: Relatório Fotográfico – Ronama Engenharia - 2005 7.1 Localização e características da obra A LT – Linha de transmissão localiza-se no Uruguai e sua construção foi para atender a demanda de carga do país. Esta linha de 90 km de extensão interligou a Central Térmica Punta Del Tigre – Lãs Brujas e a LT 150 kV em Montevidéu – Vila Rodrigues. 50 7.2 A torre 33 – Dados técnicos Tabela 7. 1 – Dado característicos da torre 33 Fonte: Ronama Engenharia – Memorial de cálculo de fundação de estacas metálicas da torre 33 (2005). 7.3 Análise Geológica e Geotécnica Par obter os dados necessários para os projetos detalhados das fundações das torres da travessia (nas margens e centro do Rio Sta. Lucia) procedeu-se uma minuciosa investigação e análise geológica e geotécnica do eixo da linha de transmissão nos trechos das travessias. A região da linha de transmissão em questão abrange principalmente aluviões quartenários e sedimentos terciários da Formação Barreira e é extremamente plana. 51 Nos aluviões recentes, predominam superficialmente sedimentos de consistência muito mole, constituído por argilas siltosas com matéria orgânica e com intercalações de lentes de areia e/ ou siltosas e, em profundidade, predominam as areias finas, as grossas argilosas, e eventuais intercalações arenosas com cascalhos. Nas sondagens efetuadas ao longo do traçado, na área critica junto ao rio, constataram-se valores de SPT, para sedimentos terciários, em torno de 20 golpes, alcançando freqüentemente mais de 50 golpes a profundidades maiores ou em horizontes laterizados. Já nos sedimentos quartenários, as camadas argilosas, que apresentaram valores de SPT de zero a 5 golpes, ocorreram desde a superfície até profundidades superiores a 70 metros (na travessia do Rio Sta. Lucia) . Pequenas ocorrências de areia e silte com cascalho forneceram valores de SPT variando de 5 a 45 golpes. Especificamente sobre o leito e margens do Rio Sta. Lucia, constatou o seguinte: - O leito do rio é caracterizado por espesso pacote (em torno de 28m) de argila siltosas com matérias orgânicas e pequenas lentes de areia fina e grossa e longo abaixo, predominando na areia média e grossa argila. O mesmo sucede nas margens, exceto que as lentes arenosas são mais espessas (em torno de 3 a 4 m). Os valores de SPT para as argilas são basicamente baixos, em torno de 5 golpes, ao passo que nas areias os valores de SPT variam desde 20 golpes até valores extremamente altos. O contato aluvião/Formação Barreira não foi atingido. Abaixo figura 7.2, perfis de sondagem do Rio Sta. Lucia. 52 Figura 7. 2 – Perfil de Sondagem torre 33 – Tipo SPT – Folha 1 Fonte: Relatório Fotográfico – Ronama Engenharia - 2005 53 Figura 7. 3 – Perfil de Sondagem torre 33 – Tipo SPT – Folha 2 Fonte: Ronama Engenharia – Memorial de cálculo de fundação de estacas metálicas da torre 33 (2005). 54 7.4 Análise Comparativa da solução de fundação considerada para a torre 33, travessia do Rio Sta. Lucia. As considerações se originaram de uma campanha de sondagem geológica e geotécnica que evidenciou o solo incompetente para receber fundações diretas e indicou a presença do nível d’água acima do terreno. Logo, a fundação por tubulão foi descartada. Além da existência de água no local da torre, em determinado período do ano, identificou-se também como obstáculo para o uso de tubulão: - Dificuldade de locação do equipamento e para transportá-lo para ilha; - Deveria ser encamisado e com ar-comprimido. A solução convergiu para se usar estacas metálicas ou de concreto. Porém, logo se eliminou o uso das estacas de concreto, que poderiam ser: - Do tipo Franki, essa solução foi descartada, pois algumas das estacas seriam cravadas inclinadas; - Do tipo estaca de concreto (pré-moldadas), pois não tinha no mercado uruguaio e se fossem importadas, deveriam ser de grandes diâmetros e capacidade de carga. Desta forma, em virtude dos fatos, a solução convergiu para usar estacas metálicas. Em função da solução mencionada, para garantir a sua empregabilidade, foram realizadas pré-análises para saber se local poderia ter água do mar; o resultado foi negativo. Mas mesmo assim, para proteger a estrutura (torre), foi utilizado estrutura do tipo pórtico, que eleva a estrutura acima do solo. 55 7.5 Etapas sucessivas do desenvolvimento do projeto das fundações no rio Sta. Lucia As dificuldades de execução das fundações, decorrente das condições locais e a vantagem de utilização dos mesmos equipamentos nas outras duas torres de travessia, determinaram a escolha de uma solução com as mesmas características geométricas em ambas as torres. O perfil geotécnico do local da travessia mostra que as fundações com estacas metálicas são a solução adequada, desde que solucionados os problemas de corrosão metálica, principalmente nas regiões expostas a oscilações do nível d’água. 7.5.1 Dados de projeto Na seqüência segue os dados utilizados para elaboração do projeto de fundação de torre 33. a- No Rio Sta. Lucia existe uma lâmina d’água de aproximadamente 2 metros e uma camada de argila orgânica de aproximadamente 30 metros, até atingir um solo apropriado para o apoio da fundação; b- Velocidade da água: 2 m/s; c- Esforços característicos das fundações (sem coeficiente de majoração). A tabela 7.2, relaciona as tangentes a ser utilizada, para definição dos esforços transversais e longitudinais. Tangente de abertura das pernas da torre Tabela 7. 2 – Condições para o cálculo R e s u m o g e ra l d a s c a rg a s d e c o m p re s s ã o H IP C O M B. 1 1 1 3 3 B B B B B FZ -2 5 -2 5 -2 5 -2 5 -2 5 FY 6 6 6 1 1 7 3 3 9 6 3 4 4 7 5 2 3 2 7 9 1 -1 -1 1 -1 FX 1 1 1 0 0 8 9 9 7 8 5 1 1 8 3 8 0 0 3 7 -3 3 -3 11 11 6 6 6 2 2 1 0 0 8 9 5 7 7 9 1 R ESU LTAD O 12397 12444 12444 15611 15651 Fonte: Ronama Engenharia – Memorial de cálculo de fundação de estacas metálicas da torre 33 (2005). SO M 1 1 1 2 2 A 54 55 55 20 21 7 1 1 7 2 3 7 7 2 9 56 7.5.2 Cálculo Estrutural A seguir será apresentada uma série de tabelas e figuras, onde os dados apresentados demonstrarão padronização orientativa e os dados finais demonstrando a magnitude da obra estudada. O trabalho não tem o objetivo de demonstrar como foi calculado o elemento estrutural (viga e pilar), mas será apresentado critério básico para cálculo estrutural até definir qual as cargas a serem considerada no cálculo das fundações. Assim o cálculo estrutural foi desenvolvido com os seguintes critérios: • Cálculo estático no regime elástico; • Dimensionamento no estado limite último; • Verificações das fissuras e deformações no estado limite de utilização. Como medida de segurança, foi admitida uma corrosão de 1,5 a 2,0 mm na espessura do perfil (estaca metálica), durante a vida útil da linha. A figura 7.4, mostra a padronização das orientações e siglas utilizada no cálculo da fundação. Carga das Fundações inclinadas. Resum ogeraldascargasdetração HIP CO M B. 1B 1B 1B 3B 3B FZ 212952 212563 212562 208293 207867 FY FX RESULTADO SO M A 11177 2896 11546 14073 -11213 -2890 11579 14103 -11213 2890 11579 14103 10106 10580 14631 20686 -10135 10566 14641 20701 Figura 7.4 – Orientação – Cargas das fundações inclinadas Fonte: Ronama Engenharia – Memorial de cálculo da fundação de estacas metálicas da torre 33 (2005). 57 A tabela 7.3, mostra o resumo das forças de compreensão em relação à hipótese de cálculo e combinação de eventos. Exemplo : vento e perda da estabilidade do solo. Estes dados foram extraídos de uma série de ensaios realizados em programa especifico para cálculo estrutural (Análise de Estrutura – Elementos Finitos). Tabela 7.3 – Resumo geral das cargas de compressão RESUMO GERAL DAS CARGAS DE COMPRESSÃO HIP COMB. FZ FY FX RESULTADO SOMA 1 B -256732 11858 -3615 12397 15473 1 B -256343 -11910 3607 12444 15517 1 B -256342 -11910 -3607 12444 15517 3 B -251977 10783 11289 15611 22072 3 B -251659 -10837 11291 15651 22129 Fonte: Ronama Engenharia – Memorial de cálculo de fundação de estacas metálicas da torre 33 (2005). A tabela 7.4, mostra o resumo das forças de tração em relação à hipótese de cálculo e combinação de eventos. Exemplo: vento e rompimento de cabo. Tabela 7. 4 – Resumo geral das cargas de tração RESUMO GERAL DAS CARGAS DE TRAÇÃO HIP COMB. FZ FY FX RESULTADO SOMA 1 B 212952 11177 2896 11546 14073 1 B 212563 -11213 -2890 11579 14103 1 B 212562 -11213 2890 11579 14103 3 B 208293 10106 10580 14631 20686 3 B 207867 -10135 10566 14641 20701 Fonte: Ronama Engenharia – Memorial de cálculo de fundação de estacas metálicas da torre 33 (2005). As tabelas 7.3 e 7.4, apresentas os resumos das cargas na estruturas, elas foram analisadas e estriadas de uma coletânea de ensaios , a qual serão utilizados para projetar as fundações. A fundação é calculada em programas específicos de fundação. 58 A figura 7.5, mostra a padronização das orientações e siglas utilizada no cálculo da fundação. Carga das Fundações verticais. LEGENDA: FX - Horizontal Longitudinal (direção positiva 0-X). FY - Horizontal transversal (direção positiva 0-X). FZ - Vertical (direção positiva 0-Z). O eixo 0-X está paralelo ao eixo da linha. Figura 7. 5 – Blocos isolados – Cargas das fundações vertical/método tradicional Fonte: Ronama Engenharia – Memorial de cálculo de fundação de estacas metálicas da torre 33 (2005). A tabela 7.5, mostra o resumo das forças de compressão pelo método tradicional em relação à hipótese de cálculo e combinação de eventos. Tabela 7. 5 – Resumo das cargas de compressão – método tradicional RESUMO GERAL DAS CARGAS DE COMPRESSÃO HIP COMB FZ FY FX 1 B -253476 40676 -32432 1 B -253092 -40684 32381 3 B -248782 39067 39573 3 B -248468 -39085 39540 Fonte: Ronama Engenharia – Memorial de cálculo de fundação de estacas metálicas da torre 33 (2005). 59 A tabela 7.6, mostra o resumo das forças de tração na direção vertical pelo método tradicional em relação à hipótese de cálculo e combinação de eventos. Tabela 7. 6 – Resumo geral das cargas de tração – direção vertical/método tradicional HIP 1 3 RESUMO GERAL DAS CARGAS DE TRAÇÃO COMB FZ FY FX B 210252 35080 26799 B 205652 33486 33960 Fonte: Ronama Engenharia – Memorial de cálculo de fundação de estacas metálicas da torre 33 (2005). A figura 7.4, mostra a padronização das orientações e siglas utilizada no cálculo da fundação. Carga das Fundações bloco interligados. PÉ 3 LEGENDA: PÉ 1 PÉ 4 PÉ 2 FX - Horizontal Longitudinal (direção positiva 0-X). FY - Horizontal transversal (direção positiva 0-X). FZ - Vertical (direção positiva 0-Z). VT1 E VT2 - Vigas transversais. VL1 E VL2 - Vigas longitudinais O eixo 0-X está paralelo ao eixo da linha. Figura 7. 6 – Blocos interligados – método tradicional Fonte: Ronama Engenharia – Memorial de cálculo de fundação de estacas metálicas da torre 33 (2005) 60 A tabela 7.7, mostra as forças de tração e compressão nos quatro pés do pórtico e as cargas auxiliares em relação à hipótese de cálculo e combinação de eventos. Da referida tabela, será extraído os valores das cargas máximas de tração (-) e compressão (+). Estes dados poderão ser analisados na tabela 7.9, resumo das cargas máximas de projeto da estrutura porticada. Tabela 7. 7 – Resumo – Cargas interligadas e Cargas auxiliares na viga CARGA NOS BLOCOS INTERLIGADOS PÉ 1 PÉ 2 PÉ 3 HIP PÉ 4 CARGAS AUXILIARES NA VIGA VT1 VT2 VL1 VL2 FZ 210252. -253476 210252 -253476 37878. 37878 37878 37878 2798 2798 FY FX 0. 0 0 0 -26799 32432 FZ -253092 209868 -253091 209867 1 -37878 -37878 -37878 -37878 2806 2806 FY FX 0 0 0 0 32381 -26750 FZ -121320 -121611 78480 78002 2 -13 -13 13 13 15491 9885 FY FX 21794 21769 21794 21769 2791 2841 FZ 55008 -248782 205652 -98243 3 26717 26717 26732 26732 12349 -6754 FY FX 17397 17382 17398 17382 -16563 22190 FZ -248468 54693 -97824 205231 3 -26732 -26732 -26718 -26718 12354 -6750 FY FX 17398 17383 17398 17383 22142 -16516 FZ -35910 -42867 -2015 -1121 4.3 2262 2262 -2262 -2262 5090 231 FY FX 3805 760 3805 760 2473 2868 FZ -42552 -36224 -701 -2434 4.4 -2277 -2277 2277 2277 5092 229 FY FX 775 3791 775 3791 2820 2520 FZ -39221 -39555 -1362 -1768 4.5 -4 -4 4 4 5091 220 FY FX 2287 2279 2287 2279 2647 2695 FZ -22781 -23866 -19056 -19172 5.1 271 271 -270 -270 3024 2482 FY FX 421 62 421 62 2726 2805 FZ -24944 -24158 -17416 -18225 5.2 -435 -435 436 436 3182 2316 FY FX 103 670 103 670 2761 2762 FZ 14504 -176328 138481 -51506 6 16426 16426 15825 15825 10435 -5567 FY FX 7711 7245 7711 7245 -9707 14596 Fonte: Ronama Engenharia – Memorial de cálculo de fundação de estacas metálicas da torre 33 (2005) 1 61 A tabela 7.8, é a continuação da tabela 7.79, que demonstra o resumo das forças de tração e compressão nos quatro pés do pórtico e as cargas auxiliares em relação à hipótese de cálculo e combinação de eventos. Tabela 7. 8 – Continuação do Resumo – Cargas interligadas e Cargas auxiliares na viga CARGA NOS BLOCOS INTERLIGADOS PÉ 1 PÉ 2 PÉ 3 HIP PÉ 4 CARGAS AUXILIARES NA VIGA VT1 VT2 VL1 VL2 FZ -176534 14709 -50812 137787 -16795 -16795 -15457 -15457 10438 -5564 FY FX 7074 7881 7074 7881 14564 -9676 FZ -12861 -15027 -12861 -15027 7A 0 0 0 0 1832 1832 FY FX 0 0 0 0 1692 1975 FZ -1362 -14696 -13962 -14696 7B 0 0 0 0 1879 1879 FY FX 0 0 0 0 1835 1931 FZ -10564 -28422 -10564 -28422 7C 0 0 0 0 2522 2522 FY FX 0 0 0 0 1382 3709 FZ -15729 -33586 -15729 -33586 7D 0 0 0 0 3197 3197 FY FX 0 0 0 0 2042 4369 FZ -24290 -25024 -24290 -25024 7E 0 0 0 0 3167 3167 FY FX 0 0 0 0 3160 3256 FZ -32852 -16463 -32852 -16463 7F 0 0 0 0 3198 3198 FY FX 0 0 0 0 4274 2137 FZ -29455 -30188 -29455 -30188 7G 0 0 0 0 3840 3840 FY FX 0 0 0 0 3820 3916 Fonte: Ronama Engenharia – Memorial de cálculo de fundação de estacas metálicas da torre 33 7 (2005). 62 A tabela 7.11, compilação geral, resumo das cargas de tração e compressão de todas as peças do pórtico (pilar e vigas) e estrutura (torre). A informações contidas nesta tabela, servirá de base para dimensionamento das fundações. Tabela 7. 9 – Resumo geral das cargas máximas de tração, compressão e da viga RESUMO GERAL DAS CARGAS MÁXIMA DE COMPRESSÃO HIP COMB FZ FY FX 1 B -253476 37878 0 2 B -121320 -13 21794 2 B -121611 -13 21769 3 B -248782 26717 17382 3 B -98243 26732 17382 3 B -248468 -26732 17398 RESUMO GERAL DAS CARGAS MÁXIMA DE TRAÇÃO HIP COMB FZ FY FX 1 B 210252 37878 0 2 B 78480 13 21794 3 B 205652 26732 17397 RESUMO GERAL DAS CARGAS MÁXIMA DAS VIGAS VIGAS HIP. COMPRESSÃO HIP. TRAÇÃO TRANSVERSAL 2 -9885 2 15491 LONGITUDINAL 1 -26799 1 32432 Fonte: Ronama Engenharia – Memorial de cálculo de fundação de estacas metálicas da torre 33 (2005). 63 A figura 7.7, ilustra a distribuição das estacas, vigas, bem como as suas distâncias equivalentes entre si. Figura 7. 7 –Configuração final adotada - Ilustração Orientada do pórtico Fonte: Ronama Engenharia – Memorial de cálculo de fundação de estacas metálicas da torre 33 (2005). Como cada estaca vertical resistirá a um esforço de compressão de 43.404,99 Kgf. e tração de 83,53 Kgf, para um deslocamento admitido da ordem de 5 cm, resultou na necessidade de se utilizar 16 estacas para cada bloco de fundação de cada pé do pórtico. 64 7.5.3 Descrição sumária da Fundação do tipo Estaca Metálica no leito do Rio Santa Lucia A ilustração 7.8, mostra o tipo de fundação adotada, que é constituída por quatro blocos de concreto estrutural (um para cada pé da torre), que por sua vez são estaqueadas com perfil metálicas do tipo “I” (16 estacas para cada bloco), seção (h=20,32cm e bw=10,16), com estrutura de travamento porticadas em concreto estrutural. Figura 7. 8 – Dimensão da fundação Fonte: Ronama Engenharia – Memorial de cálculo de fundação de estacas metálicas da torre 33 (2005). 65 7.5.4 Projeto executivo da fundação 7.5.4.1 Características dos materiais A tabela 7.12, demonstra as características de cálculo e projeto, fornecendo informações importantes para o cálculo da fundação da torre 33. Características dos materiais. Tabela 7. 10 – Características dos materiais Resistência caracteristica do concreto Resistência de cálculo Resistência a tração Tensão de corte nominal de cálculo Tensão nominal de restência de cálculo Tensão pontual do concreto Peso específico do concreto Peso específico do concreto submergido fck= fcd= fyd= twd tc tp yc y'c 180,00 128,57 12,86 32,14 6,04 19,09 2.500,00 1.500,00 kgf/cm² kgf/cm² kgf/cm² kgf/cm² kgf/cm² kgf/cm² kgf/cm³ kgf/cm³ Fonte: Ronama Engenharia – Memorial de cálculo da fundação de estacas metálicas da torre 33 (2005). 7.5.4.2 Características do aço A tabela 7.13, demonstra os dados básicos necessários para o cálculo da fundação da torre 33. Característica do aço. Tabela 7. 11 – Características do aço Tipo Tensão característica de fleencia Tensão característica de cálculo Cobrimento fyk= fyd= c= CA 50A 50000 kgf/cm² 4347,83 kgf/cm² 4 cm Fonte: Ronama Engenharia – Memorial de cálculo da fundação de estacas metálicas da torre 33 (2005). 66 7.5.4.3 Características do solo A tabela 7.14, demonstra os dados básicos necessários para o cálculo da fundação da torre 33. Característica do solo. Tabela 7. 12 – Dados característicos do solo Tensão admissível no solo e na base (6>SPT>=0) Peso especifico do solo saturado Peso especifico do concreto Resistência unitária media para atrito lateral, estaca solo (a partir da cota 1,40m) Nível d'água σ< 0,50 Kgf/cm² 1.000,00 Kgf/m³ 1.600,00 Kgf/m³ f= 0,53 Kgf/cm² N.A = 1,60 m γg = γs / c = Fonte: Ronama Engenharia – Memorial de cálculo de fundação de estacas metálicas da torre 33 (2005). 7.5.4.4 Características das Estacas Metálicas - Viga “I” A tabela 7.15, demonstra os dados característicos da estaca metálica (perfil “I”) necessária para o cálculo da fundação da torre 33. Característica da estaca metálica. Tabela 7.13 – Características da estaca metálica Seção transversal - tipo metálica Altura Aço estrutural Maior dimensão da estaca Resisdência caracteristica do aço Coeficiênte de minoração da resistência do aço Peso linear da estaca Perimetro da estaca Comprimento de engastamento da esta no bloco h bw De fyk>= 20,32 10,16 A36 20,32 2530 cm kgf/cm² pl= pe= eeb 1,4 27,3 60,96 20 cm kgf/m cm cm γc cm cm Fonte: Ronama Engenharia – Memorial de cálculo de fundação de estacas metálicas da torre 33 (2005). 67 7.6 Metodologia para execução das fundações Os trabalhos foram realizados com rigoroso controle de qualidade. Adotaram-se às seguintes precauções e fluxo de etapas: a) Presença de investigações suficientes e com qualidade técnica (sondagem), garantindo o bom desempenho da obra; b) Interpretação adequada dos dados de investigados; c) Representação adequada do comportamento do solo pelo uso de correlações empíricas aplicáveis a situação; d) Dimensionamento de elementos estruturais das fundações como vigas de equilíbrio e estacas com cargas horizontais, etc. e) Armaduras de estacas tracionadas calculadas com verificação da fissuração; f) Uso de emendas padrões em estacas metálicas verificando a tração. g) Adoção de solução estrutural na qual os esforços horizontais são equilibrados pelas fundações; h) Fundações: - Profundidade mínima de projeto; - Peso mínimo ou característica do martelo de cravação; - Tensões características dos materiais das estacas; - Detalhamento de emendas; - Exigência no controle de comportamento de estacas; - Proteção contra a erosão; i) Elemento estrutural da fundação: - Qualidade adequada do concreto - Presença de regularização com concreto magro no fundo da cava da fundação. - Execução de fundação com dimensões e geometria corretas. - Esgotamento da água na cava durante a concretagem (qualidade e integridade). - Adensamento suficiente e vibração adequada do concreto. - Cuidado para evitar estrangulamento de seção de pilares enterrados. 68 - Armaduras bem posicionadas e suficientes - Junta de dilatação bem executada j) Procedimentos básicos: - Locação correta das estacas e blocos - Inclinação final executada em acordo com o projeto - Limpeza da cabeça da estaca para vinculação ao bloco - Presença correta da armadura de fretagem - Características do concreto adequadas k) Cravação das estacas - Energia de cravação correta - Nega correta 69 8 ANÁLISE DOS RESULTADOS Neste trabalho as análises a serem consideradas estão na aplicabilidade de soluções de fundações para as torres de linha de transmissão em geral. Procurou-se evidenciar que a melhoria da relação custo-benefício para as fundações de torres de linhas de transmissão tem sido perseguida pelas empresas concessionárias de energia elétrica e empresas de projeto que prestam serviços no setor elétrico. Partindo do comentário anterior, isto pode ser observado no próprio estudo de caso, pois retrata a dificuldade para a implantação da torre 33, desafiando o projetista a descartar soluções triviais de fundação e aplicar tipo de fundação mais complexo e especifica para o local. Ao que se refere ao estudo de caso, algo muito importante a comentar é a questão da normatização dos processos de dimensionamento e cálculo de fundação. A obra foi realizada em outro país, mas os cálculos foram com base na ABNT. Assim, no período de entrevista com a projetista, foi exposto o fato, esclarecendo que a utilização das normas da ABNT estava assegurada em função da Harmonização das Normas, realizada pela AMN, para os Estados Partes do Mercosul. Cabe ainda comentar sobre a necessidade de se desenvolver métodos de organização do processo, no que se diz respeito à aplicação de gestão de projeto, que a própria revisão bibliográfica buscou demonstrar a sua importância para o bom desenvolvimento dos trabalhos. Ainda se tratando da revisão bibliográfica, ressaltou-se a importância de realizar sondagens (SPT, Rotativa e Borro) ao longo da linha, para que as fundações das estruturas sejam dimensionadas com segurança e otimização. Também foram citadas algumas recomendações e orientações dos projetistas de linha e fundação, a qual um deles, relata que as sondagens do tipo SPT são realizadas próximas ao piquete central, em todas as estruturas de ancoragem e fim de linha, e em locais tais como: travessias de rios, aterros, fundos de vale, alagados, erosões e encostas. Este mesmo Projetista ponderou sobre realizar a sondagem 70 SPT, em média, a cada cinco estruturas e dependendo do conhecimento da região, esta proporção poderá variar até 1 para 10. Já outro projetista responsável pelo empreendimento no projeto do linhão no Uruguai, adota em seus projetos uma sondagem para cada torre, podendo ser mais que uma dependendo da situação geológica e geotécnica do local. Quanto ao comentário anterior, se observa de um lado a experiente companhia energética e do outro, empresas especializadas e atualizadas em projeto de linha e fundação. Ambas desenvolvem projetos, mas com perfil técnico diferente. Assim, os resultados obtidos neste trabalho enfatizam a questão técnica para o projeto de fundação de torres de linha de transmissão e a aplicabilidade de métodos de sondagens e solução de fundação. Em função da pesquisa realizada neste trabalho, considera-se como critério básico para êxito neste tipo de obra, adotar como solução a realização de sondagem em cada torre, investimento em Gestão de Projeto e Análise de Risco do empreendimento. Ressalta-se que ainda cabe uma pesquisa mais aprofundada quanto a metodologia aplicada pelas empresas citadas neste trabalho, uma vez que a tendência é realizar sondagem para cada torre e não mais sondagem a borro. Por fim, se evidencia que o uso de tecnologia em projetos de fundação e de práticas fundamentadas de aplicação de fiscalização em período permanente na realização das campanhas de sondagens e nas etapas de execução das fundações, é fundamental para eficiência de todo projeto de linha de transmissão. 71 9 CONCLUSÃO Conclui-se que nas construções em geral, assim como nas implantações de linha de transmissão de energia elétrica o planejamento adequado é fator preponderante para o sucesso do empreendimento, considerando os aspectos de uma execução com baixo custo, menor impacto ambiental e redução no tempo de execução. Assim, foi observado que uma boa empresa parceira para execução do projeto de fundação de linha de transmissão, bem como o conhecimento do engenheiro civil, são fundamentais para se atingir as metas de implantação da linha . Verificou-se que os critérios de fundação são os mesmo em qualquer lugar onde se projeta uma linha de transmissão, apenas diferindo quanto às questões geológicas e geotécnicas, as quais são fundamentais para um projeto de fundação. Isto ficou evidente no estudo de caso, onde os critérios e soluções foram os mesmos recomendados e desenvolvidos na revisão bibliográfica. Desta forma, o trabalho abordou as principais fases, critérios, soluções e sugestões para implementação de projeto de fundação de torre de linha de transmissão. Destacando os tópicos abordados por ASHCAR (1999), onde ele cita às recomendações para aplicação das sondagens SPT ao longo da linha, uma para cada 5 ou 10 torres dependendo do tipo solo. Logo, segundo afirmação da Ronama Engenharia, atualmente se realiza uma sondagem por torre, evitando usar a sondagem tipo borro. Por isso, pode se dizer que o processo vem evoluindo, destacando-se o aprimoramento do conhecimento do engenheiro civil e das aplicações e soluções de fundação. O estudo de caso evidenciou essa mudança, ao demonstrar diversos tipos de fundações até chegar à solução mais adequada para a obra em estudo. Portanto, a relevância de desenvolver este trabalho foi demonstrar os procedimentos para o bom andamento de um projeto de fundação para torres de 72 linha de transmissão, bem como enfatizar que o sucesso ou fracasso do projeto está na concepção dos trabalhos e nas soluções de engenharia pesquisada. Além disso, é relevante observar que os trabalhos de projeto de fundação se desenvolvem em ambiente multidisciplinar, podendo até ser tratado como um segmento quase que autônomo na engenharia civil pelas suas especificidades. Neste trabalho que abordou as fases de implantação de linha de transmissão, bem como de projetos de fundações é possível concluir que os critérios citados são utilizados em qualquer obra deste gênero; que o planejamento, com aplicação de tecnologias, normatizações, experiência profissional, responsabilidade e conhecimento amplo do empreendimento e o local de implantação é fundamental para se obter êxito na execução de obras em geral e principalmente em projeto de fundação de torres de linha de transmissão. 73 REFERÊNCIAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6118: Projeto de estruturas de concreto – Fixa Condições: ABNT, 2007. ______. NBR 6122: Projeto e execução de fundações- Fixa Condições: ABNT,1996 ______. NBR 6124: Determinação da elasticidade, carga de ruptura, absorção de água e da espessura do cobrimento em postes e cruzetas de concreto arrmado Prescreve o Método de Ensaios: ABNT, 1980. ______. NBR 6229: Postes de Eucalipto preservados sob pressão. São Paulo Prescreve o Modo de Ensaios: ABNT, 1973. ______. NBR 6231: Postes de madeira - Resistência à flexão - Prescrevem os Métodos de Ensaios: ABNT,1980. ______. NBR 6484: Solo - Sondagens de simples reconhecimentos com SPT Método de Ensaios: ABNT, 2001. ______. NBR 6489: Prova de carga direta sobre terreno de fundação - Fixa as Condições Gerais: ABNT, 1984. ______. NBR 6502: Rochas e solos - Define os Termos Relativos aos Materiais: ABNT, 1995. ______. NBR 7190: Projeto de estruturas de madeira - Fixa as Condições Gerais: ABNT, 1997. ______. NBR 8681 – Versão Corrigida 2004: Ações e segurança nas estruturas Fixa os Requisitos Exigíveis na Verificação da Segurança: ABNT, 2003. ______. NBR 8800: Projeto de estruturas de aço e de estruturas mistas de aço e concreto de edifícios - Estabelece os Requisitos Básico ABNT, 2008. 74 ______. NBR 9061: Segurança de escavação a céu aberto - Fixa as Condições de Segurança: ABNT, 1985. ______. NBR 9062 – : Projeto e execução de estruturas de concreto pré-moldado Estabelece os Requisitos Exigíveis para o Projeto: ABNT,2006. ______. NBR 9603: Sondagem a trado - Fixa as Condições: ABNT, 1986 ______. NBR 9604: Abertura de poço e trincheira de inspeção em solo, com retirada de amostras deformadas e indeformadas - Fixa as Condições Exigíveis para os Procedimentos: ABNT, 1986. ______. NBR 9820: Coleta de amostras indeformadas de solos de baixa consistência em furos de sondagem - Fixa as Condições Exigíveis para os Procedimentos: ABNT, 1997. ______. NBR 10905: Solo - Ensaios de palheta in situ - Prescreve o Método: ABNT, 1989. ______. NBR 12069: Solo - Ensaio de penetração de cone in situ (CPT) - Prescreve o Método: ABNT, 11991. ______. NBR 12131: Estacas - Prova de carga estática - Método de ensaio - Método para Executar: ABNT, 2006. ______. NBR 13208: Estaca - Ensaios de carregamento dinâmico - Especifica um Método de Ensaio: ABNT, 2007. ASHCAR, Rubens. RECOMENDAÇÕES E INFORMAÇÕES TÉCNICAS SOBRE FUNDAÇÕES DE LINHAS DE TRANSMISSÃO. In: ERLAC, 8., 1999, Ciudad Del Este. Linhas de Transmissão. São Paulo - Sp - Brasil: -, 1999. p. 1 - 6. 75 BEZERRA DA SILVA, M. Planejamento Financeiro para o Setor da Construção Civil. Texto Técnico 11 (TT/PCC/11). São Paulo: EPUSP, 1995, p.47 . BOTELHO, Manoel Henrique Campos. Concreto Armado Eu te Amo. 3ª São Paulo: Edgard Blucher, 2002. p. 1-440. BOTELHO, Manuel Henrique Campos. RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS PARA ENTENDER E GOSTAR: UM TEXTO CURRICULAR. São Paulo: Studio Nobel, 1988. 1-301 p. Asociación Mercosur de Normalización-AMN. Documentos – Demais documentos – Cartilha AMN - Proyecto de Acceso a los Mercados y a la Integración a través de la Normalización Técnica AMN-BID-FOMIN ATN/ME-8532-RG. Educação profissional. Disponível em: http://www.amn.org.br/es/Cartilha_AMN_FINAL2.pdf>. Acesso em: 19 novembro de 2009. CAMPOS, Gisleine Coelho de. FUNDAÇÕES DE LINHAS DE TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA: RELATÓRIO 27.072. São Paulo - Sp: IPT - Instituto de Pesquisas Tecnológicas - SP, 1989. p.1-34. CASAGRANDE, João A. A.; SGANZERIA, Flavio; GALIANO, Donato B.. SISTEMA DE TRANSMISSÃO DA UHT TUCURUÍ: TRAVESSIA DOS RIOS GUAMÃ E ACARÁ DA LINHA DE 230 kV CIRCUITO DUPLO VILA DO CONDE - BELÉM. Balneário De Camburiú: Bc/lt/14, 1981. p. 1-35. FUCHS, Rubens Dario; ALMEIDA, Márcio Tadeu De (Org.). PROJETOS MECÂNICOS DAS LINHAS AÉREAS DE TRANSMISSÃO. Itajubá: Efei / Edgard Blucher, 1982. p.61-67 e 280-318. 76 GEHBAUER, F. Planejamento e Gestão de Obras. Curitiba: Editora Cefet – PR, 2002. MAGALHÃES, Ronaldo Telles Nunes. LINHA DE TRANSMISSÃO: ANÁLISE COMPARATIVA DO DESEMPENHO DAS FUNDAÇÕES EM CONCRETO E METÁLICO, PARA ESTRUTURA DE LINHA DE TRANSMISSÃO. São Paulo: Cigrebrasil, 1981. 1-14 p. MAGALHÃES, Ronaldo Telles Nunes. RELATÓRIO DE CARREGAMENTOÍ: CRITÉRIO DE PROJETOS – LT 500 KV DE CONEXÃO DA CENTRAL TÉRMICA PUNTA DEL TIGRE LINHA DE 150 kV - MONTEVIDEO B. Vila Rodrigues: Rel/001r02, 2005. 1-84 p. MAGALHÃES, Ronaldo Telles Nunes. MEMÓRIAL DE CÁLCULO DE FUNDAÇÃO PARA ESTACAS METÁLICAS USADAS NA TORRE 33, S0DMR: CÁLCULO DA FUNDAÇÃO DA TORRE 33 – LT 500 KV DE CONEXÃO DA CENTRAL TÉRMICA PUNTA DEL TIGRE LINHA DE 150 kV - MONTEVIDEO B. Vila Rodrigues: Rel/001r00, 2006. 1-14 p. MAGALHÃES, Ronaldo Telles Nunes. MEMÓRIAL DE CÁLCULO DE FUNDAÇÃO PARA ESTACAS METÁLICAS USADAS NA TORRE 33, S0DMR: ÁNALISE ESTÁTISTICA – LT 500 KV DE CONEXÃO DA CENTRAL TÉRMICA PUNTA DEL TIGRE LINHA DE 150 kV-MONTEVIDEO - Vila Rodrigues: Rel/001-r00, 2005. p.1-29 77 MAGALHÃES, Ronaldo Telles Nunes.PARÂMETROS GEOTÉCNICOS P/ FUNDAÇÕES TIPIFICADAS: CRITÉRIOS DE PROJETO – LT 138 KV, CD, MOGI MIRIM –JAGUARIÚNA III -SÃO PAULO – São Paulo: Rel/ CT0-E0-000-r 00, 2007. p. 1- 12 SILVA, João Paulo Souza (Comp.). O Papel das Informações GeológicoGeotécnicas na Construção Rodoviária. REVISTA ESPAÇO DA SOPHIA - Nº 11. FEVEREIRO/2008.Disponívelem:http://www.espacodasophia.com.br/colunistas/joao _paulo_souza_silva_o_papel_das_informacoes_geológicogeotecnicas_na_construcao_rodoviaria.pdf>. Acesso em: 14 jun. 009. SPE, Secretaria De Planejamento E Desenvolvimento Energético (Org.). Matriz Energética Brasileira 2030. Matriz Energética Brasileira 2030, Brasília/distrito Federal, n., p.1-254, 01 nov. 2007. Anual. Disponível em: <http://www.mme.gov.br/mme/galerias/arquivos/publicacoes/pne_2030/MatrizEnerge ticaNacional2030.pdf>. Acesso em: 01 nov. 2007. UNICAMP. Origem Themag Engenharia Ltda.: Método de Investigação Geológica. Disponível em: < http://www.ige.unicamp.br/site/aulas/155/Investiga%E7%F5es%20parte%201.ppt>. Acesso em: 06 junho 2009. 78 ANEXO A – ILUSTRAÇÃO DA PEÇA ESTRUTURAL “FUSTE” A figura 10.1, ilustra a peça estrutura denominada fust e stub. Estas peças têm a função de Ligar a estrutura (torre) e bloco na fundação. Figura 10. 1 – Anexo A - Ilustração da peça estrutural chamada FUSTE e STUB. Peça estrutural “STUB” Peça estrutural “FUSTE” Fonte: Ronama Engenharia – Memorial de cálculo de fundação de estacas metálicas da torre 33 (2005). 79 ANEXO B – SONDAGEM TIPO BORRO SONDAGENS TIPO BORRO (Material extraído de especificação técnica de projeto de linha de transmissão, doado pela Empresa ISA – CTEEP – Campainha de Transmissão de Energia Elétrica Paulista, sucessora da CESP – Companhia Energética de São Paulo). 1- Método O método consiste em determinar o número de golpes necessários à penetração dinâmica de uma haste metálica, provida de ponta, cravada continuamente, sem extração de amostra. Crava-se uma haste de 32 mm de diâmetro, no solo, através da queda de um peso de 60 kg de uma altura de 75 cm e conta-se o número de golpes para a haste penetrar cada 30 cm (resistência do solo). Como resultado, apresenta-se um gráfico da variação dessa resistência à penetração com a profundidade. 2- Equipamentos A CTEEP fornecerá todos os equipamentos necessários para a execução das sondagens tipo BORRO, que serão entregues na obra da Linha de Transmissão. Os equipamentos deverão ser mantidos em boas condições de uso. 3- Denominação As sondagens tipo BORRO, executadas em Linhas de Transmissão, terão os números das torres onde estão se executando os furos. Quando for necessária a execução de mais de um furo num mesmo ponto de investigação, os furos subseqüentes terão a mesma numeração do primeiro, acrescida da denominação: Furo A, Furo B, Furo C, etc. 80 4- Execução da Sondagem Tipo BORRO Inicialmente deve ser feita a limpeza de uma área que permita o desenvolvimento de todas as operações sem obstáculos. A cravação das hastes é feita da maneira descrita na seqüência de montagem para ensaios. Introduz-se uma haste no solo até profundidade adequada, emenda-se em sua extremidade superior a haste sucessiva, deslocando-se, em seguida, a cunha para cima e passando novamente a percuti-la com o peso levantado 75 cm acima dela. Repete-se essa operação até a profundidade determinada na Especificação Técnica (Anexo I). A retirada das hastes, após o término da perfuração, é feita invertendo-se o movimento (batendo-se de baixo para cima) para soltar as hastes introduzidas no solo (atrito lateral), retirando-se as hastes com ajuda das chaves tenaz e grifo. Seqüência de Montagem do Equipamento: a) Montar o tripé; b) Colocar como segue: prato, porta cunha e o peso de 60 kg; c) Colocar a haste; d) Marcar na haste, do prato à parte inferior da cunha , 0,30 m (um ensaio), 0,60 m (dois ensaios) ou 0,90 m (três ensaios); e) Prender a cunha; f) Marcar 0,75 m de altura de queda, a partir da parte superior da cunha; g) Fazer movimentos repetidos de levantar o peso na altura de queda e deixar cair livremente, anotando os golpes para cada 0,30 m correspondente a um ensaio; h) Ao encostar a cunha no prato, coloca-se o anel grande sobre o portacunha para desprender a cunha; 81 i) Iniciam-se novos ensaios até a profundidade desejada; j) Ao chegar ao final do ensaio, retira-se o peso, o prato, a cunha e portacunha e introduz-se o peso na posição inversa. Retirada das hastes; k) “Notando-se a presença de água no solo, com profundidade igual ou inferior a 6,00 m, deverá ser feita a perfuração com trado, diâmetro 3”, para a leitura do nível d'água (N.A.). O furo feito com o trado deverá ser re-aterrado logo após a medição do nível d'água (N.A.). A sondagem tipo BORRO será dada por terminada quando atendidas as orientações da Especificação Técnica (Anexo I). 5- Apresentações dos Resultados Os resultados de cada sondagem tipo BORRO (perfis individuais) deverão ser apresentados conforme modelo de perfil de sondagem (Anexo II). ANEXO I ESPECIFICAÇÃO PARA PROFUNDIDADES DE SONDAGENS TIPO BORRO Com menos de 3,00 m de profundidade, as sondagens Borro serão interrompidas se ocorrer camada com mais de 40 golpes para penetrar 30 cm. Executar neste caso, mais duas sondagens Borro, ou seja, uma no pé da torre situada na cota mais baixa do terreno, e outra no pé da torre situada na cota mais alta do terreno. Entre 3,00 m e 10,20 m, as sondagens Borro serão interrompidas ao se atingir camada com mais de 40 golpes para penetrar 30 cm ou atingir 30 golpes/30cm em três medições consecutivas, limitando-se a profundidade a 10,20 m. 82