22POLÍTICA A GAZETA TERÇA-FEIRA, 27 DE OUTUBRO DE 2015 ENTREVISTA Homero Mafra “Agesandro disse que, se eu fosse candidato, a filha não seria e ele me apoiaria” _Em busca do terceiro mandato, presidente da OAB no Estado diz que adversários criam factoides para atingi-lo e revela tentativa de acordo MARCELO PREST aquele advogado que me chama de Homerinho – e eu adoro ser chamado assim –, que me liga, que me manda WhatsApp é representado. O advogado sabe que tem na OAB a sua casa, sem discriminação nenhuma. A grande marca dessa gestão é que qualquer advogado fala com o presidente. EDUARDO FACHETTI [email protected] Uma eleição em alta voltagem. Assim pode ser definida a disputa pela cadeira de presidente da OAB no Espírito Santo, ocupada desde 2010 pelo advogado Homero Mafra. Tanto que a disputa, este ano, tem três candidatos: o próprio presidente, que decidiu lançar-seàreeleiçãojácom a pré-campanha em curso; o advogado José Carlos Rizk Filho; e a presidente da Associação dos Procuradores do Estado, Santuzza da Costa Pereira. O clima nos bastidores é duro, tanto que os dois ex-presidentes que antecederam Homero – Agesandro da Costa Pereira (pai de Santuzza) e Antônio Genelhu Júnior – estão em campo pedindo votos. Ontem, Homero foi sabatinado por A GAZETA, com perguntas enviadas por leitores e internautas do portal Gazeta Online. Confira a seguir: O senhor assinou um termo de compromisso com a ONG Transparência Capixaba comprometendo-se com “a luta pelo fim dareeleição”,masagoraé candidato. Do que valeu aquela assinatura? Valeu muito. Todos sabiam que eu não seria candidato a um novo mandato. Todos sabiam que nosso grupo tinha um candidato, que era Luciano Machado. Cheguei a receber o ex-presidente Agesandro da Costa Pereira, perguntando se eu seria candidato. Ele disse que se eu fosse candidato, a filha dele não seria e que ele me Nós temos independência e sabemos o papel da Ordem. Nossos gastos estão no site da OAB. Não sou aquele que olha para o caixa; eu olho para o advogado” apoiaria.Eudisseaele:‘Professor, meu candidato é Luciano Machado’. Mas Luciano teve problema na família e teve que fazer uma opção; optou pela família. Candidatura não se improvisa, não se inventa. Não havia outros nomes? O nome natural era o de Luciano Machado. O outro nome que tínhamos, do dr. Luiz Cláudio Allemand, foi para o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O grupo me chamou para a reeleição. Não quebrei compromisso. As circunstâncias levaram a isso. É bom que as críticassejamaisso,porque aí eles (adversários) não falam das mais de 60 salas que construímos para advogados, no Estado, não falam da ampliação do serviço interfóruns, não têm críticas à gestão. Eles mentem despropositadamente para fazer um factoide. candidato, ele apoiou a filha. Seria desumano um pai não apoiar a filha. O senhor teve apoio do ex-presidente Agesandro no pleito passado. Como é tê-lo, agora, como adversário? Entre mim e Agesandro a discussão se dá em alto nível. Tenho respeito por ele e tenho certeza que ele tem por mim. Tanto que ele disse que me apoiaria como candidato.Comoeunãoera Qual marca o sr. deixa na OAB após essa passagem e por que merece mais três anos de mandato? A grande marca que a gente deixa é uma Ordem aberta, plural, sem prevalência de grupo nenhum, de instituição nenhuma. Há uma defesa intransigente das prerrogativas e interiorização da advocacia, com am- pliação de serviços. Precisamos realizar mais. Estamos enfrentando agora a questão do processo eletrônico e temos que preparar a entidade para um novo tempo, mais digital. Nosso trabalho nos credencia a postular um novo mandato. O que significa uma “Ordem mais aberta”? Uma Ordem em que todo advogado se sinta representado, do mais novo ao mais experiente. Hoje A GAZETA mostrou que o caixa da OAB é de mais de R$13milhõeseocargode presidente é prestigiado, porque o ocupante transita livremente pelos Poderes. Como é feita a gestão desse caixa? A gestão é feita pela diretoria. Nós investimos na leituradoDiárioOficial,namelhoria de salas, no serviço interfóruns. Temos um gasto com pessoal que precisa ser repensado, admito. E temos um diálogo de igualdade com os Poderes. Na greve do TRT (Tribunal Regional do Trabalho), pedimos o corte dosgrevistasacimadaqueles 30% previstos em lei, fomos ao Tribunal de Justiça e dissemos que é impossível um Judiciário tocado por estagiários. Com relação ao governo, denunciamos e continuaremos denunciando torturas. Nós temos independência e sabemos o papel da Ordem. Nossos gastos estão no site da OAB. Não sou aquele que olha para o caixa; eu olho para o advogado, para a sociedade. gazetaonline.com.br Sabatina. Envie sua pergunta para o candidato José Carlos Rizk Filho. Amanhã, às 19 horas, assista à sabatina.