Células de Combustível – Protótipos Mestrado Integrado em Engenharia Química Porto, Outubro 2012 Células de Combustível - Protótipos Relatório elaborado no âmbito da Unidade Curricular Projeto FEUP 1º ano – 1º semestre Ano letivo 2012/13 Monitora: Filipa Coelho Supervisora: Alexandra Pinto Albertina Gonçalves Rios Ana Catarina Oliveira Pinto Faria Catarina Bastos Primo Diana Marcela Martins Monteiro Joana Filipa Barbosa Teixeira Magda Sofia Santos Dias da Silva Rute Agostinha Gomes Seabra FEUP 2 Células de Combustível - Protótipos Resumo No contexto energético atual, é urgente encontrar alternativas à utilização de combustíveis fósseis, que, para além de serem um recurso cada vez mais escasso e dispendioso, implicam grandes níveis de emissões poluentes para a atmosfera. As células de combustível são dispositivos eletroquímicos que transformam continuamente energia química em energia elétrica, desde que lhes seja fornecido um combustível e um oxidante. Trata-se de uma forma de obter energia limpa com inúmeras aplicações e que está a ser desenvolvida um pouco por todo o mundo. Presentemente ainda não é viável a sua plena utilização, porém, à medida que forem feitos mais avanços no desenvolvimento destas eficientes células, será cada vez mais vantajosa a sua utilização – tanto do ponto de vista económico como ambiental - e poderá revelar-se um importante recurso energético num futuro não muito longínquo. Palavras-chave: células de combustível, células eletroquímicas, eletrólito, sustentabilidade energética, viabilidade económica, protótipo. FEUP 3 Células de Combustível - Protótipos Agradecimentos Para a elaboração do presente relatório foram essenciais os contributos da monitora Filipa Coelho, sempre disponível para responder a todas as questões, e da supervisora, Dra. Alexandra Pinto, que nos aconselhou quanto ao rumo a dar a este trabalho. Às duas deixamos o nosso agradecimento. Deixa-se também uma palavra de apreço a todas as entidades participantes na Semana do Projeto FEUP. Os conhecimentos adquiridos tanto nas apresentações teóricas como nas aulas práticas decerto nos acompanharão ao longo dos nossos percursos académicos e profissionais. Um agradecimento especial à FEUP por disponibilizar os recursos necessários à preparação deste trabalho. FEUP 4 Células de Combustível - Protótipos Índice de Figuras Figura 1 - Célula de combustível de hidrogénio ........................................................................ 9 Figura 2 - Comparação de vários sons em decibéis ................................................................ 12 Figura 3 - Central elétrica estacionária .................................................................................... 16 Figura 4 - Autocarro movido a hidrogénio .............................................................................. 16 Figura 5 - Célula de combustível aplicada a uma bateria ....................................................... 16 Figura 6 - Fatores a ter em conta relativamente à viabilidade económica de células de combustível ................................................................................................................................ 19 Figura 7 - "Phantom Eye", protótipo lançado pela Boeing………………………………..…………… 21 Figura 8 - Protótipo NEBUS - autocarro movido a hidrogénio…………………………………...….. 22 Figura 7- Distribuição de publicações de patentes por país .................................................. 24 Figura 8 - Evolução do número de publicações de patentes por país ................................... 24 Figura 9 - Evolução de publicações de patentes por ano ....................................................... 25 FEUP 5 Células de Combustível - Protótipos Índice de Tabelas Tabela 1 - Comparação entre combustíveis fósseis e células de combustível em termos de eficiência e de emissões poluentes ........................................................................12 FEUP 6 Células de Combustível - Protótipos Índice Resumo...................................................................................................................................................................... 3 Agradecimentos..................................................................................................................................................... 4 Índice de Figuras ................................................................................................................................................... 5 Índice de Tabelas .................................................................................................................................................. 6 Introdução ............................................................................................................................................................... 8 Contextualização do problema ........................................................................................................................ 9 Importância social e ambiental das células de combustível ............................................................. 11 Vantagens e desvantagens da utilização de células de combustível ............................................. 12 Descrição e funcionamento dos diversos tipos de células de combustíveis .............................. 14 Aplicações .............................................................................................................................................................. 16 Importância e viabilidade económica das células de combustível ................................................. 18 Protótipos atualmente existentes ................................................................................................................ 20 Estudo comparativo sobre o estado de desenvolvimento das células de combustível no mundo...................................................................................................................................................................... 24 Conclusão ............................................................................................................................................................... 26 Referências bibliográficas ............................................................................................................................... 27 FEUP 7 Células de Combustível - Protótipos Introdução No contexto energético mundial os combustíveis fósseis têm uma enorme importância apesar de todas as desvantagens que a sua utilização acarreta: são um bem cada vez mais escasso – e, consequentemente, mais caro – e cuja utilização liberta poluentes extremamente nocivos para o planeta. Para garantir a sustentabilidade do desenvolvimento global, uma das grandes preocupações atuais reside em praticar políticas eficazes de proteção ao meio ambiente. Existe portanto um grande interesse na pesquisa de tecnologias de fontes alternativas renováveis de energia para a substituição da energia gerada pela queima de combustíveis fósseis. Assim, a diversificação de fontes de energia tem vindo a ser encarada como uma prioridade. Uma resposta para esta procura de soluções energéticas pode estar nas células de combustível. Uma célula de combustível pode ser definida como um dispositivo eletroquímico que transforma continuamente a energia química em energia elétrica (e algum calor) desde que lhe seja fornecido um combustível e um oxidante. Diversas são as tecnologias das células de combustível atualmente existentes e muito se tem avançado nas suas pesquisas e desenvolvimento de modo a, no futuro, constituírem uma forma de obter energia economicamente rentável e amiga do ambiente. Este trabalho, além de incluir uma explicação do funcionamento das células de combustível, reunirá também as suas principais vantagens e desvantagens, assim como informação sobre os protótipos já em desenvolvimento por todo o mundo. FEUP 8 Células de Combustível - Protótipos Contextualização do problema Atualmente o consumo global de energia elétrica é de 14 triliões de quilowatt-hora, mas prevê-se que no ano 2020 seja de 22 [1]. Com o aumento da poluição, as limitadas reservas de combustíveis fósseis e a ausência de regulações no sector de distribuição de energia (perdas elétricas, localização e custos de centrais elétricas) tornam-se cada vez mais necessárias investigações e desenvolvimento de novas fontes de energias amigas do ambiente, altamente eficientes e com ciclos de vida renováveis. Uma das respostas a este problema são as células de combustível que, independentemente da escolha do combustível (metanol, etanol, metano, etano, hidrogénio) demonstram capacidade para substituir os combustíveis fósseis de forma gradual sendo eficientes na conversão de energia. As células de combustível foram descobertas há mais de 150 anos, iniciandose a sua história em 1839 por intermédio de William Robert Grove. São células eletroquímicas que convertem continuamente energia química de um combustível e de um oxidante em energia elétrica, através de um sistema elétrodo/eletrólito. Podem converter mais de 90% da energia contida num combustível [2]. Cada célula é constituída por dois elétrodos (um positivo – cátodo -, e um negativo – ânodo) existindo entre eles um eletrólito responsável pelo transporte de iões de um elétrodo para outro. Figura 1 - Célula de combustível de hidrogénio [2] FEUP 9 Células de Combustível - Protótipos Neste exemplo de célula (figura 1) em que o combustível é o hidrogénio e o oxigénio é o oxidante ocorrem as seguintes reações: Ânodo: H2(g) 2 H+(aq) + 2 e- (1) Cátodo: 1/2 O2(g) + 2 H+(aq) + 2 e- H2O(g) (2) O hidrogénio sofre uma reação de oxidação no ânodo, havendo produção de dois protões H+ e de dois eletrões (equação 1). Estes eletrões são transportados através de um circuito elétrico e os protões são transportados do ânodo para o cátodo, através do eletrólito. O oxigénio sofre uma reação de redução no cátodo, onde reage com os protões H+ e com os eletrões provenientes do circuito elétrico. O produto final da reação no cátodo é o vapor de água (equação 2). FEUP 10 Células de Combustível - Protótipos Importância social e ambiental das células de combustível O desenvolvimento de novas formas de obter energia com grande capacidade de aplicação, disponibilidade e portabilidade e que não prejudiquem o ambiente, não mais é que a chave para o progresso industrial e o acompanhamento da evolução dos padrões de vida atuais, bem como das normas e diretivas cada vez mais restritivas. A melhoria no padrão de qualidade de vida da sociedade requer o aperfeiçoamento da qualidade de energia distribuída e dos serviços inerentes, dentro de um processo de sustentabilidade. A aplicação da tecnologia de células de combustível a grande escala contribuiria para a independência de combustíveis fósseis. Esta independência implicaria não só uma redução do custo de energia – numa fase já avançada do desenvolvimento deste tipo de células - como também evitaria conflitos internacionais causados por escassez de recursos energéticos. A nível ambiental, as células de combustível são tecnologias muito promissoras, gerando energia de forma limpa, silenciosa e apresentando baixos níveis de emissão de poluentes, num mundo hoje preocupado com a preservação ambiental. Além disso, a substituição das centrais termoelétricas convencionais que produzem eletricidade a partir de combustíveis fósseis por células de combustível também tem um impacto positivo no ambiente, melhorando a qualidade do ar e reduzindo o consumo de água e a descarga de água residual. FEUP 11 Células de Combustível - Protótipos Vantagens e desvantagens da utilização de células de combustível As células de combustível apresentam inúmeros benefícios, tornando-se numa tecnologia inovadora para imensas aplicações. Destacam-se em especial as seguintes vantagens: Uma célula de combustível desenvolvida a partir de hidrogénio puro emite zero emissões de dióxido de carbono na fonte. Outros géneros de células de combustível, como os que usam gás natural ou hidrocarbonetos, também produzem muito menos emissões do que os combustíveis convencionais. Tabela 1 - Comparação entre combustíveis fósseis e células de combustível em termos de eficiência e de emissões poluentes [3] As células de combustível não necessitam de combustões e têm poucas partes móveis o que as torna muito silenciosas - 60 decibéis, o volume de uma conversa normal. Sendo assim, as células de combustível podem ser colocadas em qualquer lugar sem se tornarem incómodas. Figura 2 - Comparação de vários sons em decibéis [4] FEUP 12 Células de Combustível - Protótipos As células de combustível são mais eficientes do que os sistemas de combustão. Espera-se que os automóveis movidos a células de combustível sejam três vezes mais eficazes do que os que utilizam engenhos de combustão que, em média têm uma eficiência de cerca de 20%. As células de combustíveis estão a ser desenvolvidas para aparelhos eletrónicos portáteis, como computadores e telemóveis. Estas células asseguram durante muito mais tempo a “vida” dos aparelhos do que as baterias atualmente utilizadas, e são mais leves. As células de combustível são um alvo de interesse recente e, por isso apresentam um grande potencial de desenvolvimento, ao contrário das outras. As células de combustível poderão ser a solução para os problemas energéticos no mundo, mas ainda possuem alguns problemas, tais como: Custo: uma das desvantagens é o preço alto das células de combustível, pois os seus constituintes são caros e raros como, por exemplo, a platina. Também acarreta custos quanto ao transporte e distribuição de novos combustíveis como o hidrogénio. Pureza dos componentes utilizados: para não contaminar o catalisador, o hidrogénio usado nas pilhas tem de ser muito puro. Emissão de vapor de água: No caso de utilização de células de combustível a grande escala, a emissão de vapor de água gerada pelas pilhas de hidrogénio leva ao aumento de efeito de estufa. FEUP 13 Células de Combustível - Protótipos Descrição e funcionamento dos diversos tipos de células de combustível Existem diferentes tipos de células que, apesar de serem constituídas por eletrólitos diferentes e atuarem com diferentes temperaturas, funcionam de forma idêntica. Enumeram-se então os cinco tipos de células. Células de combustível com membrana de permuta protónica (CCMPP): estas células são assim denominadas porque o eletrólito é uma membrana de permuta iónica (um polímero). Têm uma temperatura de atuação máxima de 100ºC devido ao facto de a membrana funcionar quando humidificada, ou seja, é a humidade que permite que o eletrólito transfira os protões de um elétrodo (ânodo) para o outro (cátodo). Para compensar o facto de a temperatura ser baixa (comparativamente a outros tipos de células), há um catalisador de platina que se localiza nos elétrodos, que permite aumentar a velocidade das reações eletroquímicas. Este tipo de células de combustível pode ser útil em certos equipamentos elétricos portáteis e ainda em transportes. Células de combustível de ácido fosfórico (FAFC): os seus eletrólitos são constituídos por ácido fosfórico (H3PO4). Atuam a temperaturas que rondam os 200ºC, já que o seu eletrólito é bastante estável a esta temperatura. Existem desvantagens aquando do uso de temperaturas baixas, já que o ácido fosfórico se torna um mau condutor. Células de combustível de óxidos sólidos (SOFC): estas células operam a temperaturas entre os 600 e os 1000ºC. O eletrólito é um óxido de metal sólido e não poroso, óxido de ítrio (Y2O3). Os elétrodos têm diferentes constituições, sendo o ânodo composto por uma solução de cobalto-óxido de zircónio (Co-ZrO2) ou níquel óxido de zircónio (Ni-ZrO2) e o cátodo composto por uma solução de estrôncio-manganato de lantânio (Sr-LaMnO3). FEUP 14 Células de Combustível - Protótipos Células de combustível de carbonatos fundidos (MCFC): este tipo de células de combustível atua a temperaturas que variam entre 600 e 700ºC. Como eletrólito utilizam combinações de carbonatos alcalinos – sódio, potássio e lítio. Estes, quando submetidos a altas temperaturas formam um sal que possui uma grande condutividade de iões carbonato, não sendo necessário por isso recorrer ao uso de metais nobres como catalisadores. São apenas usados níquel no ânodo e óxido de níquel no cátodo. FEUP 15 Células de Combustível - Protótipos Aplicações As células de combustível têm aplicações em várias áreas, entre as quais, centrais elétricas, transportes e equipamentos elétricos portáteis. Nas centrais elétricas a sua aplicação pode ser bastante vantajosa, na medida em que esta nova tecnologia permite que o tamanho das centrais elétricas não seja proporcional à sua eficácia, ou seja, com uma pequena central Figura 3 : Central elétrica estacionária [5] Ao mecanismo nível dos das células podem obter-se grandes rendimentos e por isso diminuir os custos da energia produzida. transportes de este combustível começa a ser usado em vários veículos, desde ligeiros a pesados, devido ao facto de se tornar cada vez mais necessário diminuir as emissões de CO2 para a atmosfera. Além disso, os veículos que utilizam esta tecnologia têm a vantagem de não necessitarem de uma Figura 4 : Autocarro movido a hidrogénio [6] manutenção tão dispendiosa e de produzirem eletricidade que pode ser utilizada para as restantes aplicações do veículo. Relativamente aos equipamentos portáteis, a utilização de células de combustível é sem dúvida vantajosa, uma vez que permite o fornecimento de energia durante períodos de tempo mais longos do que é habitualmente conseguido pelas pilhas comuns. Alguns dos equipamentos onde podem ser utilizadas são os Figura 5 : Célula de combustível aplicada a uma bateria [7] telemóveis, computadores, câmaras de vídeo, entre outros pequenos equipamentos elétricos. Neste tipo de dispositivos são normalmente aplicadas as células de combustível FEUP 16 Células de Combustível - Protótipos alcalinas e as de membrana de permuta iónica, já que são estas aquelas que permitem um maior rendimento independentemente do tamanho. FEUP 17 Células de Combustível - Protótipos Importância e viabilidade económica das células de combustível As células de combustível têm vindo a revolucionar o mundo moderno e demonstram grandes vantagens, não só ao nível ambiental mas também a nível financeiro. Economicamente é importante levar em linha de conta diversos fatores para que a adoção deste tipo de fonte energética seja rentável e eficiente. Porém, o custo destes equipamentos diminuirá ao longo dos anos e, por isso, as células de combustível tornar-se-ão cada vez mais acessíveis a diversas aplicações. A par disto, estas apresentam progressivamente uma maior durabilidade, resultante dos avanços tecnológicos inerentes, o que vem compensar os gastos de instalação. Consequentemente, as diversas vantagens financeiras em relação a outros equipamentos acabam por atrair novos projetos que podem já ser idealizados e estruturados para tirar proveito desta forma de energia. Entre outras, destacamse: Funcionamento contínuo (pois só dependem de uma fonte de energia externa); Independência de investimentos em linhas de transmissão e redes de distribuição; Implementação de centrais de produção desta energia junto dos locais de fornecimento (redução dos custos de transporte); Redução das perdas de energia em transformadores, aparelhagem de proteção (devido à diminuição do número destes equipamentos) – redução dos custos de exploração. FEUP 18 Células de Combustível - Protótipos Independência de investimentos em linhas de transmissão e redes de distribuição Implementação de centrais de produção junto dos locais de fornecimento REDUÇÃO CUSTOS PRODUÇÃO Funcionamento contínuo Redução das perdas de energia em transformadores, aparelhagem de proteção Figura 6 : Fatores a ter em conta relativamente à viabilidade económica de células de combustível FEUP 19 Células de Combustível - Protótipos Protótipos atualmente existentes Protótipo de automóvel movido a hidrogénio [8] O protótipo, lançado pela Riversimple em 2001, utiliza uma rede de pequenas células de combustível que alimentam 4 motores, um por cada roda. Consome apenas 1,60 euros de hidrogénio por 386 quilómetros, aproximadamente. Este veículo tem capacidade para transportar 2 pessoas, apresenta um design favorável e tem capacidade para circular em grandes cidades. O seu abastecimento pode ser feito em casa, comprando uma estação de carregamento. Como este existem vários outros modelos desenvolvidos por diferentes empresas. Protótipo de aeronave movido a hidrogénio A Boeing apresentou em Julho de 2010 o “Phantom Eye”, o seu novo sistema de aviação não-tripulada e movida a hidrogénio. A nave é capaz de voar a mais de 19 mil metros de altura durante quatro dias, sem parar. O sistema de propulsão de hidrogénio gera como único subproduto a água, o que a torna uma aeronave "verde". O “Phantom Eye” possui dois tanques com capacidade para 2,3 litros, 150 cavalos de potência em cada um dos seus quatro motores, 45 metros de envergadura de asas, viaja a 277 km/h, e carrega pouco mais de 200 kg de carga. Inicialmente, o projeto é voltado para uso nas forças armadas, mas a tecnologia poderia estender-se para a aviação comercial. Além da Boeing e da NASA, outras empresas participam no projeto, como a Ford Motor Company (motores), Aurora Flight Sciences (asas); Mahle Powertrain (controlos de propulsão); Ball Aerospace (tanques de combustível) e a DARPA (Defense Advanced Research Projects Agency), agência do governo dos Estados Unidos. [9] FEUP 20 Células de Combustível - Protótipos Figura 7: "Phantom Eye", protótipo lançado pela Boeing [10] Protótipos de autocarro a hidrogénio No Brasil foi criado um protótipo de autocarro em que as células de combustível podem ser abastecidas por hidrogéni. Possui ainda um sistema capaz de transformar a energia libertada durante as travagens em eletricidade. Este sistema de recuperação é o mesmo utilizado nos carros de Fórmula 1, mas neste caso é utilizado para aumentar a eficiência energética e economizar combustível. O hidrogénio é armazenado em dois cilindros com um tubo interno de alumínio revestido por um polímero de alta densidade e amarrado com fibras de carbono. O veículo é carregado com 15 kg de hidrogénio que possibilitam a circulação durante 300 km. [11] Em maio de 1997, a Daimler Buses (Mercedes) criou o NEBUS (New Electric Bus). Com um único depósito de combustível de hidrogénio, o NEBUS tem uma autonomia de 250 quilómetros e pode facilmente percorrer a distância diária normal requerida a um autocarro urbano. O NEBUS demonstrou a sua capacidade operacional durante o serviço regular em Oslo, Hamburgo, Perth, Melbourne, Cidade do México e em Sacramento. O hidrogénio é armazenado em sete depósitos de alumínio com cobertura de fibra de vidro integrados no tejadilho. [12] FEUP 21 Células de Combustível - Protótipos Figura 8 : Protótipo NEBUS - autocarro movido a hidrogénio [13] Célula de combustível compacta para uso pessoal [14] A Horizon Fuel Cell Technologies lançou o “Horizon MiniPak”. É a primeira célula de combustível compacta para uso pessoal, sendo uma célula segura, compacta e acessível. É composta por dois cartuchos de hidrogénio sólido (HidroSTIK) e uma célula de combustível com saída USB padrão, tendo a capacidade de 1000 pilhas AA. Os 2 cartuchos são descartáveis, recarregáveis e 100% recicláveis. O recarregamento dos cartuchos é feito a partir do “HidroFill” que a partir da água e estando ligado a um painel solar ou tomada, armazena o hidrogénio em estado sólido. Protótipos de células de combustível na saúde [15] Uma equipa de investigadores do Massachusetts Institute of Technology (MIT) nos EUA desenvolveu uma célula de combustível que pode ser implantada no cérebro, de modo a permitir tratar problemas de cegueira, paralisias e distúrbios mentais. Estes protótipos, com 1 a 2 mm2 de área, funcionam através da oxidação da glicose (C6H12O6) no ânodo e formação de água no cátodo, partindo também do oxigénio. Os eletrões obtidos a partir da glicose servem para gerar corrente elétrica. Neste processo intervém também um catalisador de platina. FEUP 22 Células de Combustível - Protótipos Este protótipo tem a vantagem de permitir autonomia relativamente a fontes de energia externas, uma vez que o oxigénio e glicose necessários provêm do que é usado no organismo. Protótipos desenvolvidos em Portugal [16] Já nasceu em Portugal a primeira empresa virada para a produção e comercialização de células de combustível. O seu nome é SRE (Soluções Racionais de Energia) e acabou de lançar a “Lucis”, a primeira pilha de combustível nacional. Esta pilha poderá substituir uma bateria convencional de seis quilos, abrindo as portas a uma multiplicidade de utilizações: carrinhos de golfe, iluminação para câmaras de vídeo, cadeiras para pessoas com mobilidade reduzida, veículos industriais elétricos e um grande número de aplicações móveis. A autonomia de uma pilha de combustível deste tipo é de 60 horas, ao contrário das 10 horas de uma bateria tradicional. FEUP 23 Células de Combustível - Protótipos Estudo comparativo sobre o estado de desenvolvimento das células de combustível no mundo Distribuição de publicações de patentes por país (Top 10) 4000 3674 3500 3000 2701 2500 2000 1295 1500 1000 702 321 500 20 41 AT CA 57 216 33 0 DE EP FR GB JP KR US WO Figura 9- Distribuição de publicações de patentes por país [1] Evolução do número de publicações de patentes por país 700 WO US DE CA EP FR JP GB AT KR NºPublicações 600 500 400 300 200 100 0 2001 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 Ano Figura 10 - Evolução do número de publicações de patentes por país [1] FEUP 24 Células de Combustível - Protótipos Em relação à distribuição por países percebe-se nitidamente o elevado contributo dos Estados Unidos e da Alemanha. Nº Publicações Evolução publicações por ano 1400 1200 1000 800 600 400 200 0 Série1 2001 1 2002 2 2003 3 2004 4 2005 5 2006 6 2007 7 2008 8 2009 9 2010 10 Ano Figura 11 - Evolução de publicações por ano [1] Pela análise do gráfico de evolução do número de publicações por ano, verifica-se que existe um aumento significativo de atividade nesta área entre 2001 e 2008. Estes dados apontam para uma clara tendência no aumento da significância tecnológica e económica desta área de investigação e desenvolvimento. Em Portugal também se investigam células de combustível, nomeadamente no INETI (Instituto Nacional de Engenharia e Tecnologia Industrial), no IST (Instituto Superior Técnico, em Lisboa) e na Faculdade de Engenharia da Universidade Porto - no INEGI (Instituto de Engenharia Mecânica e Gestão Industrial) e no Departamento de Engenharia Química. FEUP 25 Células de Combustível - Protótipos Conclusão As limitações nas reservas de combustíveis fósseis e a poluição por eles causada são preocupações cada vez mais alarmantes a nível global. Esta problemática energética representa um forte incentivo para a investigação e desenvolvimento de novas formas de energia amigas do ambiente, altamente eficientes e com ciclos de vida renováveis. Independentemente da escolha de combustível, as células de combustível representam uma alternativa eficiente para a conversão de energia no futuro. Um grande número de organizações e empresas está interessado no desenvolvimento e otimização de protótipos que possam levar à comercialização de células de combustível. Ainda existem diversos problemas importantes por resolver de maneira a lançar a tecnologia no mercado em larga escala. No entanto, vão surgindo novos desenvolvimentos no sentido de melhorar o seu funcionamento: novas membranas de permuta protónica, melhores catalisadores, melhores desenhos das células e novos modos de funcionamento dinâmicos. Considera-se então que as células de combustível serão, mais cedo ou mais tarde, uma tecnologia a adotar em variados setores de atividade. Neste contexto, a Engenharia Química pode assumir uma função de extrema relevância no empenho de tornar viável uma tecnologia limpa, eficiente e renovável. O planeta e o Homem agradecem! FEUP 26 Células de Combustível - Protótipos Referências bibliográficas Consultadas em Outubro de 2012: [1]http://www.marcasepatentes.pt/files/collections/pt_PT/1/300/302/C%C3%A 9lulas%20de%20Combust%C3%ADvel%20%E2%80%93%20Hydrogen%20Fuell %20Cells.pdf [2]http://celulasdecombustivel.planetaclix.pt [3]http://super.abril.com.br/ecologia/novos-suspeitos-aquecimento-global598659.shtml [4] http://www.fuelcells.org/fuel-cells-and-hydrogen/benefits/ [5]http://celulasdecombustivel.planetaclix.pt/aplicacoes.html [6]http://hlagido.wordpress.com/2009/02/page/2/ [7]http://celulasdecombustivel.planetaclix.pt/imageportateis4.html [8]http://quimicanova.sbq.org.br/qn/qnol/1989/vol12n3/v12_n3_%20%2810% 29.pdf [9] http://www.portalh2.com.br/noticias.asp?id=689 [10] http://news.cnet.com/8301-11386_3-20010294-76.html [11] http://www.ap2h2.pt/noticias_ver.aspx?idNoticia=108&lang=pt [12] http://www.mercedesbenz.pt/content/portugal/mpc/mpc_portugal_website/ptng/home_mpc/bus/hom e/buses_world/innovations/alternative_drives/brennstoffzelle.html [13] http://www.mideast.mercedesbenz.com/content/middle_east/mpc/mpc_middleeast_website/en/home_mpc/bu s/home/buses_world/update/news_2009/Citaro_FuelCELL-Hybrid.html [14] http://tecno-mania-br.blogspot.pt/ [15] http://www.wikienergia.pt/~edp/index.php?title=Microc%C3%A9lula_implant%C3%A1vel_de_combust%C3%ADvel_consegue_capturar_e nergia_do_c%C3%A9rebro [16]http://paginas.fe.up.pt/jornadasdeq/6asjornadas/pagina/textos_energias/cel ulasdecomb.htm FEUP 27