AGORA 11 número 2006 - [Jan/Julho] Temas da Formação Info-Ágora : - Actividades do CF Ágora em 2005 - Plano de Formação em TIC - 2006 Revista do Centro de Formação Ágora Inclui Plano de Formação 2006 (1.ª Fase) UNIÃO EUROPEIA Fundo Social Europeu índice EDITORIAL 3 João Paulo Janicas OPINIÃO Manifesto 5 Ana Paula Duarte, Esmeralda Gomes, Jorge Jerónimo, Lourdes Pires e Nautília Abrantes Aulas de substituição: porque sim ou porque não? 7 José Vieira Lourenço O Erro de Sócrates 9 Fernando Marques ACTIVIDADES DE ESCOLA Escola, Cidadania, História - Memória do Futuro 10 Mª da Glória Rodrigues Jornais Escolares FORMAÇÃO Parceria Escola - Família: “Um caminho para a intervenção educativa” 11 Maria Helena Antunes Costa Reis Fernandes Compreender a Dislexia 14 Maria da Piedade Ramos Curso Vamos fotografar melhor 18 Trabalhos dos formandos Educação para a Sustentabilidade 20 António Eloy De Olhos na Floresta - A Participação Cívica na Defesa da Floresta 22 Andreia Gama Uma aula vicentina: primeira edição 23 A Escola da Noite Comunicação e Relações Interpessoais: uma reflexão 25 Rute Santos índice INFOÁGORA Actividades do Centro de Formação Ágora em 2005 27 Formação contínua de professores na área das TIC - 2006 29 Editorial Revista Ágora n.º 11 Director João Paulo Janicas Conselho Editorial Antero Maia António Gomes Ferreira Elvira Braga Francisco Paz João Maria André José António Franco Equipa Redactorial Fernanda Campos João Paulo Janicas Colaboração neste número Ana Paula Duarte, Andreia Gama, António Eloy, Fernando Marques, João Paulo Janicas, José Vieira Lourenço, Mª da Glória Rodrigues, Maria da Piedade Ramos, Maria Helena Fernandes, Rute Santos, os formandos das acções Práticas de Expressão Plástica na Infância e Vamos fotografar melhor e os elementos d' A Escola da Noite Foto da capa Sílvia Almeida Design de comunicação e imagem Pedro Vicente Propriedade Centro de Formação Ágora Escola Secundária D. Duarte Rua António Augusto Gonçalves Santa Clara 3040-241 Coimbra “Olá, guardador de rebanhos, Aí à beira da estrada, Que te diz o vento que passa?” “Que é vento, e que passa, E que já passou antes, E que passará depois. E a ti o que te diz?” “Muita coisa mais do que isso. Fala-me de muitas outras coisas. De memórias e de saudades E de coisas que nunca foram.” “Nunca ouviste passar o vento. O vento só fala do vento. O que lhe ouviste foi mentira, E a mentira está em ti.” Alberto Caeiro O Guardador de Rebanhos, X João Paulo Janicas (*) V ivemos um tempo de indefinição, de incertezas e de descontentamento. Talvez não seja assim que o queiram os nossos eleitos. Por certo não o queriam assim os eleitores. Mas é assim que o momento é vivido. Talvez os nossos governantes saibam muito bem qual o melhor rumo a dar à Educação no nosso país. Talvez tenham, de facto, uma política educativa. Talvez... Mas, para já, não podemos senão estar convencidos de que os verdadeiros Tiragem 1 500 exemplares Dep. Legal N.º 199598/03 argumentos das medidas tomadas são apenas razões de mercearia, quer respeitem ao défice, quer a interesses no negócio da educação. Mesmo as melhores políticas são difíceis de aceitar por imposição. A base da cidadania é o reconhecimento. E este passa pelo direito a ser ouvido. É isso que ensinamos aos nossos alunos, pelo menos há três décadas. É certo que sempre houve alguns incompetentes ou para quem “tanto faz”. Sempre houve, editorial Tel. 239 810 235 Fax. 239 810 237 E-mail: [email protected] Pág. web: http:\\www.cfagora.net Impressão Tipografia Damasceno como haverá agora. Mas os que não desistem, não Os artigos assinados não expressam necessariamente o ponto de vista da direcção podem admitir ser desrespeitados. Como também não podem abdicar do que é o seu trabalho: ensinar. 3 Foto de Sílvia Almeida na Acção 48/2005 - Vamos fotografar melhor Outros dias, não. Outros dias, não me importa nada. Quero lá saber! Suspendem-me, anulam-me, ignoram-me e depois querem que me esforce?! Quero lá saber! Qualquer dia, vou-me embora. Se queriam motivar-me, podiam ter pensado noutras formas de expiar o défice! E eu tenho lá culpa de não haver mais crianças! Também para quê? Estamos todos ao abandono! Qualquer dia, vou-me embora. Faltam 15 anos. Faltavam... Agora, já me resignei a outros tantos… sentado neste banco, ao pé do campo de jogos, envolto em nevoeiro… — Quem vem lá? Ah… Ninguém… Está um nevoeiro terrível! É que não se vê um palmo à frente do nariz… E para mais, o vento… Estou sentado no banco de cimento ao lado do campo de jogos. Observo vagamente, à esquerda, as raparigas que, à vez à vez, se fotografam nos telemóveis (à noite, hão-de ilustar o seu profile no Hi5 com poses de Shakiras, Britneys e Lindsay Lohans); em frente, os vultos dos rapazes que correm fielmente atrás da bola (alguns, ainda irão entregar à grande indústria o seu tributo, nos treinos duas tardes por semana e no jogo de sábado de manhã, e a alma, nas partidas virtuais da consola ou do computador); à direita, atrás do bloco que contornei à vinda, um monstro (de anoraque vermelho com quatro pernas e duas cabeças, sem braços) alberga dois jovens que andam desde ontem num beijo matinal eterno. Aqui sentado, faço a minha marcação à distância. Chega bem (afinal, isto não é uma aula a sério; é uma Aula de Substituição, a terceira, desde segunda-feira). Nada mais me pode ser pedido. Nada. Apenas que vigie, que esteja atento. Que exerça o meu magistério… sem influência. Sinto-me pastor, não professor... mas um pastor cujo rebanho não reconhece e já está encerrado no redil. Há dias em que volto a ter uma vontade enorme de ensinar. Vontade de sentir aquele arrepio, quando acontece os olhos dos alunos escancararem-se, mesmo na minha frente, à compreensão do mundo. Saudades de voltar a ser O Espectador, O Interlocutor, O Confidente, O Amigo, O Guia, O Guru… O Professor. Agora sou, o substituto. Sopra um vento frio continental. Será que o inverno vai durar para sss... Que papel volante é este que tropeçou nas minhas pernas? Vou apanhá-lo. 15 estrelas douradas num rectângulo azul ao canto... Dois bonequinhos das cores da nação sobre Prodep… Hum!? O que é que diz? “Acção de Formação: Oficina Ser Professor. Duração: horas de trabalho presencial-todas; horas de trabalho autónomo-quanto mais melhor. Número de créditos: não aplicável. Formador: o próprio. Conteúdos:…” Ora, isto não me interessa. Está bem, está! A formação já não serve para nada! E, além disso, esta ainda interessa menos – não é específica da minha área! Continua o nevoeiro… E o vento… Eles ainda estão por aí, não estão? Deixa-os estar. É verdade que eu podia pegar nesta turma, neste alunos com que vou estar quase uma hora e fazer uma aula. Uma Aula. Uma aula, mesmo de substituição, é uma aula, ou não? Eu sou Professor, eles Alunos… Podia falar-lhes da simbologia do Nevoeiro, da arte da Fotografia, da Música dos anos 60, 70 ou 80, do Amor, de Desporto, de Tempos Livres, da Liberdade, do Mundo, podíamos ler um livro ou o jornal, pintar um quadro colectivo, investigar sobre caracóis, sobre Nelson Mandela, procurar o significado dos nomes de cada um… Mas para quê? Nem sequer o nome deles sei. Se calhar nunca mais nos vamos encontrar. Meu Deus! Nunca mais nos vamos encontrar!? O que é que eu estou aqui a fazer parado? — Hei! Turma... Venham cá todos! (*) Professor da Escola Secundária D. Duarte Director do CF Ágora editorial Jornais Escolares 4 ( No Agrupamento de Escolas de Taveiro nasceu um novo jornal, o Chuva de Estrelas. Este n.º 1 reúne um conjunto grande de notícias, fotos e textos que testemunham as actividades, no 1.º Período, nos jardins e escolas do Agrupamento. Chamam a atenção a secção “Desabafos de um caderno diário”, onde alguns alunos dão largas à imaginação e escrevem sobre o que pensam e sentem os seus cadernos diários, e os artigos que falam de iniciativas que juntam crianças e idosos: no Jardim de Infãncia de Ameal, integrado no projecto “Os avós também foram meninos”, os avós foram ensinar aos netos como eram os magustos no seu tempo; na Escola Básica 2, 3, vários alunos investigaram junto dos seus avós como era o Natal quando eles eram crianças... Longa vida para o Chuva de Estrelas! MANIFESTO Revista Ágora (*) Ó glória de mandar, ó vã cobiça Desta vaidade a quem chamamos Fama! Ó fraudulento gesto, que se atiça, Cua aura popular, que honra se chama! Que castigo tamanho e que justiça Fazes no peito vão que muito te ama! Que mortes, que perigos, que tormentas, Que crueldades nelas experimentas! Dura inquietação d' alma e da vida Fonte de desamparos e adultérios Sagaz consumidora conhecida De fazendas, de reinos e de impérios! Chamam-te ilustre, chamam-te subida, Sendo dina de infames vitupérios; Chamam-te Fama e Glória soberana, Nomes com quem se o povo néscio engana! A que novos desastres determinas De levar estes Reinos e esta gente? Que perigos, que mortes lhe destinas, Debaixo dalgum nome preminente? Que promessas de reinos e de minas D' ouro, que lhe farás tão facilmente? Que famas lhe prometerás? Que histórias? Que triunfos? Que palmas? Que vitórias? Luís de Camões, Os Lusíadas, Canto IV - estrofes 95-97 Hoje, mais de quinhentos anos passados sobre a epopeia dos Descobrimentos, tão brilhantemente evocada pelo nosso "desgraçado vate", continuaremos a ser Velhos do Restelo, avessos à mudança e ao risco que ambos logicamente acarretam? Limitar-nos-emos a olhar com nostalgia para esse passado glorioso, sem nada fazer para repetir o espírito que o habitou? Pessoa, quatro séculos depois de Camões, ousou anunciar a "Nova Terra" e os "Novos Céus" que nasceriam da vontade lusa de renascer do "Brilho sem luz e sem arder" em que a Nação mergulhara, por séculos, à espera do Desejado que viesse conduzi-la à HORA. Mas, também ele se enganou, porque a Nação não foi capaz de aproveitar A ALVORADA anunciadora do Quinto Império e, depois dele, outros e outros… Deveremos, portanto, concluir que seremos incapazes de uma nova aventura épica? Teremos dei- xado naufragar as Naus que nos levariam a uma “Índia nova, que não existe no espaço” em naus que são construídas “daquilo de que os sonhos são feitos”, mas que persiste em habitar cada um dos Homens descontentes que nunca desistiram do Sonho de chegar? Queremos acreditar que não e que seremos capazes de reconstruir as Naus, conduzindo-as, de forma gradual mas eficaz, ao Destino que prepararmos e quisermos atingir. E tudo isto para falar do estado do país e da educação que TODOS - Ministério da Educação, professores, funcionários, alunos, pais, encarregados de educação e sociedade, em geral - temos vindo a construir, mais mal que bem, a julgar pelos resultados com que anualmente nos confrontamos. Nada que possamos fazer, dirão os leitores mais cépticos. Sim, mas a pergunta mais lógica não opinião Foto de Pedro Fonseca na Acção 48/2005 - Vamos fotografar melhor 5 N.º 11 | Janeiro 2006 deveria ser: nada que NÃO possamos fazer? Não está exactamente aí a diferença entre o Velho do Restelo - personagem de costas voltadas ao futuro - e o Pessoa de Mensagem, entre a resignação e a motivação para a acção? É um facto que as mudanças têm sido atabalhoadas e ao sabor do gosto dos vários ministros que têm ocupado a cadeira da educação, não se vislumbrando um rumo pré-definido ou um mínimo de preocupação em estabelecer um pacto de regime que garanta a estabilidade do sistema. É também sabido que essas mudanças vieram este ano com tal força que nos continuamos a sentir impotentes, sem saber onde procurar apoio e segurança, porque aquilo que sempre faltou, continuou a não ser contemplado: ALICERCES suficientemente fortes para sustentar um TELHADO que persistem em impor-nos sem que esteja levantada a CASA que o sustentará. E, contudo, é a HORA! É a HORA de, com as condições mínimas que temos - sem deixar, todavia, de lutar pelas máximas fazer ver aos “senhores da educação” que estamos dispostos a contribuir para a formação exigente e rigorosa dos nossos jovens! Peçamos, então, as condições máximas: Queremos uma Reforma Educativa, sim, mas exigente, coerente, devidamente amadurecida e avaliada! Queremos a reformulação dos Programas, sim, mas não queremos laxismo ou facilitismo na sua aplicação - como tem sido apanágio dos “fazedores de reformas” - e que também elas sejam devidamente amadurecidas e avaliadas! Queremos escolas condignas, com recursos humanos e materiais suficientes, diversificados e de qualidade para garantir um real sucesso educativo - e não só o meramente administrativo - que as reformas e os programas preconizam! Queremos escolas efectivamente seguras e que sejam espaços agradáveis mas exigentes, de modo a podermos oferecer uma formação integral do aluno! Queremos uma formação/avaliação dos professores efectivamente justa, que premeie o trabalho de qualidade, assegurando, assim, a progressão diferenciada! Queremos uma avaliação dos alunos centrada nas diferenças, que acompanhe, tanto os que necessitam de mais tempo para progredir na sua aprendizagem, como também aqueles cujo ritmo de progressão exija um acompanhamento que prima pela maior profundidade e exigência! Queremos, por fim, contribuir para a solidificação de um sistema direccionado para a excelência, seja em que área/curso for, uma vez que atingir esta meta é assegurar que este Povo poderá de novo “arar” os mares outrora navegados, emergindo, qual Fénix, desta “apagada e vil tristeza” que persistimos em deixar que se nos cole à pele! Se tudo confluir, enfim, a HORA será real! Se todos quisermos, seremos capazes de, num futuro próximo, deixar de dizer, como a grande Sophia, ainda que num contexto OUTRO: Tempo Tempo Tempo Tempo de de de de solidão e incerteza medo e tempo de traição injustiça e de vileza negação UTOPIA? E como avançar sem ELA? Elementos da Comissão Provisória da Escola Secundária de D. Duarte (*) opinião Jornais Escolares 6 ( O Alvinho, n.º 18, jornal semestral do Agrupamento de Escolas de São Pedro de Alva, faz da comemoração dos 10 anos da Escola sede a sua notícia de capa. Depois disso, são as actividades de todo o 1.ª período lectivo passadas em revista: o Halloween, o Magusto no dia de S. Martinho a Festa de Natal... E isto não só na Escola-sede, mas nos diferentes jardins de infãncia e escolas do 1.º ciclo do Agrupamento. Aliás, é aos textos e ilustrações destes “colaboradores” que, nesta edição do jornal, damos o nosso destaque. Também o merece o conjunto de entrevistas, género a que esta publicação tem dado grande atenção nos números mais recentes, através das quais O Alvinho dá a conhecer à comunidade educativa os seus próprios protagonistas e outros intervenientes do meio envolvente: os Bombeiros de Penacova, a Junta de Freguesia da Paradela da Cortiça ou o Rancho Folclórico “As Paliteiras de Chelo”. J. Vieira Lourenço (*) Desde o final do ano lectivo anterior que se adivinhava que o presente ia começar envolto em grande polémica! Tudo por causa do Despacho nº 17387/2005, de 12 de Agosto, que veio definir novas regras na organização do horário semanal do pessoal docente e que veio instituir a obrigatoriedade de ocupação plena dos alunos do Ensino Básico em actividades educativas. Como era de prever, a medida desagradou sobretudo aos discentes, que assim, sem mais nem menos, viram alterar-se um certo estado de coisas a que estavam habituados! Qual o ex-aluno ou aluna que não recorda com saudade os feriados dos seus professores, mesmo que fossem dados pelos professores preferidos? Mas a medida desagradou igualmente aos Foto de Sílvia Almeida na Acção 48/2005 - Vamos fotografar melhor docentes, sobretudo porque alguns tentaram ver nela mais um elemento ao serviço da política da tutela educativa que pretendia mostrar à opinião pública que era necessário obrigar os docentes a passarem mais tempo nas escolas! E se isso era necessário… a conclusão só podia ser uma! Até agora os docentes passam pouco tempo na escola! Se passam pouco tempo… trabalham pouco… se trabalham pouco… não ajudam os nossos meninos e meninas! Como era de esperar, contada a história assim, a medida só podia agradar aos pais! Até que enfim, suspiraram estes, há um governo que se preocupa com os nossos filhos! Até que enfim, voltaram a suspirar, há alguém que põe na linha os malandros dos professores! O autor deste escrito declara, desde já - para que ninguém tenha dúvidas -, que pertence ao grupo daqueles que encaram esta medida como extremamente positiva. E declara também, desde já, que até hoje ainda não conseguiu vislumbrar o sentido de alguns argumentos traçados contra a dita medida! Mas vejamos porquê. De acordo com o definido pelo ME nessas orientações, a ocupação plena dos alunos visa garantir, sobretudo, que o tempo que estes passam na escola seja efectivamente tempo de aprendizagem e tempo de reforço de aprendizagens. Colocada assim a questão, é difícil não concordar com a medida. De facto, pode alguém de bom senso discordar? Quem não aprova que, em caso de falta de alguma actividade prevista, a escola disponibilize outras actividades educativas? Parece elementar. Além disso, esta medida, agora tornada obrigatória no ensino oficial, era já posta em prática em algumas escolas oficiais (e com sucesso, diga-se!) para não falar do caso do ensino particular onde é prática corrente há muitos anos. Então porquê tanta polémica? Na nossa opinião, tal polémica deve-se única e simplesmente a dois factores: em primeiro lugar, porque os professores viram alargados os seus horários de permanência na escola; em segundo lugar, porque foram absolutizadas as aulas de substituição. Ora estas apareciam no documento do ME como um exemplo entre outros. É certo que apareciam nomeadas à cabeça, mas não eram de facto as únicas medidas propostas. Aconteceu também que a reacção das escolas, perante as propostas do ME, foi muito diferente. Se algumas foram capazes de se organizar no sentido de respeitar a medida, mas sem absolutizar as ditas aulas de substituição, outras houve que levaram à letra o despacho! E daí que tenham concluído: se temos à cabeça as aulas de substituição …vamos às aulas de substituição! Lamentavelmente, foi muito o tempo perdido a discutir o que são as aulas de substituição e qual o seu estatuto! E foi óbvio que, enquanto se discutiram estas questões, não foi possível analisar com rigor, com distanciamento crítico, as propostas do ME. E algumas escolas, sempre tão reivindicativas, perderam mais uma oportunidade para mostrar a sua autonomia e, sobretudo, a sua criatividade. Revista Ágora opinião AULAS DE SUBSTITUIÇÃO: Porque sim ou porque não? 7 Foto de Teresa Miraldo na Acção 48/2005 - Vamos fotografar melhor opinião 8 Felizmente que muitos docentes, em muitas escolas, foram capazes e continuarão a ser capazes de transformar estas actividades educativas em actividades ricas, críticas, criativas e interessantes. Felizmente que há testemunhos de alunos e alunas que consideram positiva esta medida e que vêem nela um contributo fundamental para uma escola mais democrática e mais rica em igualdade de oportunidades. Muitas escolas, graças a tal medida e graças à obrigatoriedade de os professores permanecerem mais tempo no local de trabalho, foram capazes de criar ou de revitalizar um conjunto de actividades (projectos, salas de apoio específicas, consultórios, oficinas, etc) que são um contributo essencial, sobretudo para os alunos mais carenciados do ponto de vista económico e com mais dificuldades de aprendizagem. Outros, pertencentes aos diversos graus de ensino, vá lá saber-se porquê, foram os primeiros a achincalhar tais actividades. Alguns meios de comunicação, sempre ávidos de polémica, brindaram-nos a este propósito com autênticas pérolas literárias e pedagógicas! Um senhor doutor da Universidade do Porto, por exemplo, professor da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação lamentava que as aulas de substituição "tenham convertido os professores em amas-secas de meninos". Outra docente, ouvida em dia de greve por um repórter da TV, gritava a plenos pulmões que estava em greve contras as aulas de substituição! Porque era inadmissível que uma professora de Educação Física tivesse de dar aulas de Inglês! No mesmo dia, também na TV, um dirigente sindical (provavelmente um exemplo acabado do saber de experiência feito e com larga experiência pedagógica!) vociferava que estava na hora de acabar com esta palhaçada, porque os professores não têm nenhum curso de animadores culturais! Um outro docente escrevia no jornal que estas aulas de substituição eram um verdadeiro martírio, uma vez que a rapaziada gritava que não as queria e levantava-se em motim! E mais, declarava o angustiado professor: “Ninguém os controla dentro de uma sala. Os rapazes levantam-se e vão para a janela atirar beijos às raparigas que passam”. Ainda uma outra professora de Filosofia lamentava a sua sorte mas simultaneamente, exaltava a sua esperteza! Confessava que teve de ir substituir um colega de Educação Física! Mas teve muita sorte porque estava um lindo dia de sol! E enquanto os meninos jogavam futebol, ela e as meninas assistiram ao jogo! Podia recordar aqui outros exemplos e poderia igualmente lembrar alguns testemunhos de muitos alunos e alunas que são os primeiros a declarar que estas aulas não servem para nada, já que os próprios professores lhes confessam que não concordam com elas, nem sabem o que fazer! Mas bastam estes exemplos. Por mais voltas que dê, como já disse, não consigo entender estes brilhantes argumentos! Como é possível que, seja a própria classe docente a abandalhar algo que levado a sério, poderia ter todo o sentido e todo o alcance pedagógico? Como é possível que alguns membros desta classe passem, a si mesmos, certificados de incompetência? Por que motivo um professor ou uma professora, encarregado de qualquer actividade educativa alternativa, tem de passar imediatamente a ama seca de meninos e meninas? Quem se atreve a pedir, na maior parte dos casos, a um professor de Educação Física que dê Educação Musical? Ou a um professor de Filosofia que dê Educação Física? No caso citado da colega de Filosofia a alternativa escolhida, que só ocupou uma parte da turma, terá sido a melhor? Será que esta colega de Filosofia, não perdeu uma oportunidade, talvez única, para propor a estes alunos e alunas um debate sobre um tema do seu agrado e com valor formativo? Ou, admitindo mesmo que os rapazes jogassem futebol, as raparigas não poderiam ter sido aconselhadas a dirigirem-se para a Biblioteca/Mediateca, ou para qualquer outro projecto da escola, ocupando o seu tempo com proveito? Não andará a criatividade de alguns fugida pelas ruas da descrença e do pessimismo militante? Admitindo que tudo isto possa ter, em muitas situações, alguns aspectos mais polémicos (ou porque não há condições físicas em algumas das escolas; ou porque os horários dos discentes são sobrecarregados…e outros aspectos facilmente enumeráveis) não será possível olhar para o lado positivo da medida? Será que tudo o que vem do ME, só porque vem de tal procedência, deve ser, sem mais, destruído e ridicularizado? Espero e desejo que as interrogações aqui lançadas possam estimular outras reflexões. (*) PQND da Escola Secundária da Quinta das Flores O ERRO DE SÓCRATES Fernando Moreira Marques (*) “(…) É porque possuem o saber, o verdadeiro e supremo saber intuitivo do Bem e do Ser, que os sábios-magistrados-filósofos são aptos e dignos e têm, portanto, a obrigação de governar a Cidade. (…) Os outros guardas, seus ajudantes e auxiliares, não chegam até lá. (…) Os simples cidadãos contentam-se com a fé, a opinião justa que os sábios lhes inculcam”. A. KOYRÉ, Introdução à Leitura de Platão Errar na escola, durante o processo de aprendizagem, é um passo necessário ao crescimento da pessoa e ao sucesso da sua relação com os objectos culturais que o currículo põe em jogo. Na teia do diálogo pedagógico, o erro emerge como uma oportunidade de reflexão sobre os itinerários de 'compreender e fazer', onde se partilha com os outros, modos diferentes de pensar e resolver problemas. Para o(a) professor(a), é também um tempo para confrontar, no painel de vozes da turma, o valor da vontade e do método no acesso ao conhecimento. Sem o trabalho sistemático sobre o erro, a Escola não cumpre uma das suas funções primaciais: a de evitar que o erro se transforme numa prática social desresponsabilizada. Pelo contrário, nos meandros desejavelmente iluminados da política educativa, o erro adulto é dificilmente tolerável. Menos ainda quando tais erros se transfiguram em actos arbitrários de imposição de uma vontade, dita legítima, com temperos de soberba e arrogância. Como refere Philippe Meirieu (2005) perante um problema envolvendo uma pilha, fios e lâmpadas, quem tem razão não é quem grita mais forte, quem se impõe aos outros, quem tem mais poder para seduzir com um discurso de propaganda, mas quem consegue realizar as ligações de maneira a que as lâmpadas acendam. De facto, não é humilhando gratuitamente os educadores e professores, nem pretendendo transformar a profissão docente num ofício sem rosto nem carácter, que o desafio do conhecimento iluminará as nossas escolas. Quem comete erros desta natureza e trata de forma leviana o rigor e a verdade, ainda não entendeu o papel institucional da Escola numa sociedade democrática. O processo de educação e de formação que se joga no espaço escolar é o cerne da cidadania activa e, consequentemente, o lugar da edificação dos valores da liberdade, da solidariedade e da construção de um conhecimento socialmente útil. Querer submeter a Escola à estreita lógica da produção e anunciar que esse objectivo é tanto um paradigma da eficácia quanto um acto indispensável da moderna forma de governar a educação, é uma forma viciosa de pôr em risco a escola pública e de trair a cidadania democrática. É preciso ter tempo para aprender. É preciso ter tempo para ensinar. É preciso ter tempo para reflectir. É preciso ter tempo para pensar, para fazer e para pensar sobre o fazer. É preciso ter tempo para ouvir e para falar, para criar e experimentar. É preciso ter tempo para ler e para escrever, para brincar e para sonhar. É preciso ter tempo para mudar e para pensar sobre o mudar. É preciso ter tempo para compreender o mundo e saber dizer sim ou não! Quem conhece o modo de ser da escola democrática sabe que este currículo só é viável se a lógica da produção não contaminar o seu funcionamento nem homogeneizar as suas práticas discursivas sobre o sucesso. Longe estará o futuro, se o provincianismo populista e a (des)ética política insistirem em transformar a pedagogia e a gestão escolar em territórios de especialidade de excelsos capatazes. (*) PQN da Escola E B 2, 3 de Cantanhede opinião Foto de Cristina Janicas na Acção 48/2005 - Vamos fotografar melhor 9 Organização: Instituto de História Económica e Social - FLUC, Associação de Professores de História e do Centro de Formação Ágora Escola, Cidadania, História Memória do Futuro Mª da Glória Rodrigues (*) actividades de escola - o ensino da História e a cidadania Numa sociedade democrática, a educação é fundamentalmente uma educação para a democracia. A escola democrática tem a obrigação de garantir ao aluno, terminada a escolaridade obrigatória, o conhecimento dos fundamentos da cidadania. 10 A escola democrática forma cidadãos que compreendem o mundo em que vivem, que sabem definir o bem comum e praticar a solidariedade entre indivíduos e povos. A escola democrática garante a apropriação dos princípios da cidadania, dando a conhecer a construção progressiva da humanidade, o processo evolutivo do reconhecimento da dignidade humana, a luta contra todas as formas de opressão, as acções em prol da solidariedade, a denúncia do racismo e da xenofobia. Nesta escola o professor, reconfigurador do currículo prescrito, criador de currículo, promove a educação para a cidadania, consciente de que a escola é um dos múltiplos lugares onde essa educação se realiza. No workshop A formação de professores de História, Maria da Glória Rodrigues apresenta uma comunicação intitulada “Escola, cidadania, História-Memória do Futuro” O carácter transversal da educação para a cidadania, presente em todas as áreas disciplinares, promove a interacção entre saberes, currículos expressos e currículos ocultos. A disciplina de História, porque se debruça sobre a evolução da humanidade nos seus múltiplos e complexos campos, pode, tanto no currículo expresso como no currículo oculto, contribuir, de modo substantivo, para dotar os alunos das competências fundamentais para o exercício da cidadania activa. Os professores, motivando os alunos com a sua imaginação e criatividade, com a sua competência científica e colocando as boas práticas pedagógicas ao serviço da educação para a vida, da educação para a paz, da educação para a aceitação do Outro, da educação para a autonomia, da educação para o desenvolvimento do pensamento crítico que permite emitir opiniões e tomar partido, esses professores vão ajudar a construir a memória do futuro dos seus alunos, num tempo em que a efemeridade, o imediato, o instantâneo, a rapidez das mudanças nos fazem crer que, antes de nós, nada aconteceu. (*) P. D. N. D. na Escola Secundária de D. Duarte Parceria Escola-Família: “Um caminho para a intervenção educativa” Maria Helena Antunes Costa Reis Fernandes (**) A participação dos pais na vida escolar encontra-se institucionalizada através do Decreto Lei 172/91 que determina que estes passem a ter representatividade nos Conselhos de Turma e no Conselho Pedagógico. O Despacho Normativo 30/2001 vem reforçar essa participação, permitindo que os pais sejam ouvidos nas tomadas de decisão relativas à avaliação dos seus filhos. No entanto, a excessiva formalização de que se reveste a relação escola/família, em vez de promover a cooperação, intimida os pais, não criando um clima de calma e feliz convivência, tão necessária ao desenvolvimento integral da criança/jovem. Envolver os pais nas actividades de aprendizagem, em casa, é uma forma de incentivar uma interacção que não se fique pelo cumprimento da legislação, mas corresponda a uma efectiva e satisfatória ponte entre a escola e a família. Os pais são importantes na aprendizagem e no progresso escolar das crianças. Para que os pais possam desempenhar o seu papel, com eficácia, necessitam que o professor os informe acerca das competências que a criança deve adquirir em cada momento da aprendizagem e de como podem estar envolvidos em actividades articuladas com trabalho, que o professor desenvolve na sala de aula. Isto pode ser feito comunicando aos pais os objectivos de aprendizagem, através de uma informação semanal ou mensal, estabelecendo contratos entre aluno-pais-professor, ensinando aos pais a importância da monitorização e elaborando actividades de aprendizagem interactivas, onde os pais sejam chamados a participar. No âmbito da Oficina de Formação - Parceria Escola - Família. Envolvimento dos pais no desenvolvimento de competências de estudo - desenvolveram-se projectos cujo principal objectivo consistiu em demonstrar aos encarregados de educação que todas as aquisições e vivências devem ser tidas em conta e valorizadas pela escola, e que a Família é um grande potencial para a consolidação das aprendizagens. Pelo seu carácter inovador e pela adesão que colheram junto dos pais, quatro desses trabalhos serão divulgados através da revista do Centro de Formação, esperando que sejam uma motivação para outras pontes escola/família. Segue-se a apresentação de um dos trabalhos, desenvolvido num contexto de alunos com NEEs. Leonor Castro Nunes (*) "Para educar uma criança é necessária toda uma aldeia" Provérbio africano, citado por Marques (1990) Trabalho prático com 5 alunos com NEE, dos 2º, 3º e 4º anos do Ensino Básico, destinado a reforçar a relação entre Família e Escola, através do entrelaçamento das aprendizagens nessas duas instituições, de forma a tornar mais funcional o processo de aprendizagem destes alunos. A partir desta filosofia educativa, propôs-se ao pais que, em casa, com os filhos, estimulassem o cumprimento de determinadas tarefas de entreajuda caseira, de forma a contribuir para a responsabilização dos seus educandos, e para a gestão do tempo dispensado para a execução das mesmas. Nota: Estes alunos estão integrados em turmas do ensino regular e têm apoio educativo fora da sala de aula, para sistematizar as aprendizagens e realizar outras tarefas. Para além destes, ainda se encontram mais 4 alunos, para os quais pretendemos também alargar esta experiência. Destes alunos, 90% pertence a família monoparentais, vivendo a cargo de avós ou de tios, ou seja, com grande instabilidade familiar, vivendo de parcos recursos económicos. As habilitações literárias variam entre a 4.ª classe e o 6.º ano de escolaridade. O QUE VAMOS FAZER? Em casa: pedir aos encarregados de educação que façam, em conjunto com os filhos, um levantamento das tarefas caseiras em que estes colaboram, preenchendo um pequeno questionário. Depois da recolha de informação e discutido com os alunos aquilo que eles fazem em casa, será enviado para os encarregados de educação outro tipo de grelha, para que registem com o aluno, semanalmente, a sequencialização da tarefa e se o aluno a faz de forma autónoma ou apenas com a sua supervisão Na escola, e em conjunto com os alunos: fazer o levantamento desse estudo, através de um cartaz onde já se encontram registadas todas as tarefas feitas pelos alunos, os dias da semana e o local para assinalarem se a actividade foi realizada sozinho ou com ajuda. Cada um deles, e olhando para os registos que traz de casa, vai fixar o seu nome e marcar nos locais próprios, as respostas que dá às questões apresentadas: oficina de formação - Parceria Escola-Família Oficina de Formação Parceria Escola-Família. Envolvimento dos pais no desenvolvimento de competências de estudo 11 (Verificar no gráfico da semana, que trazem preenchido de casa) - Que tarefas gostam mais de fazer? - Quantos dias repetiram as mesmas tarefas? - Quantos dias tiveram a tarefa executada com correcção? - Em que dias fizeram a tarefa sozinhos? - Em que dia fizeram as tarefas com ajuda dos pais? COMO VAMOS FAZER? Solicitar a autorização aos pais Elaborar e aplicar Encarregados de Educação questionários aos Articular as tarefas realizadas em Casa e na Escola: Cruzamento da informação de forma a tornar mais credíveis as aprendizagens nestes dois espaços: o sentir da escola em casa e vice-versa. oficina de formação - Parceria Escola-Família O QUE PRETENDEMOS? 12 Pretendemos demonstrar aos encarregados de educação que todas as aquisições e vivências devem ser tidas em conta e valorizadas pela escola e que a Família é um grande potencial para a consolidação das aprendizagens. Objectivos Específicos para a Família: - Verificar o cumprimento das tarefas em casa - Contactar com mais frequência o professor na escola - Informar (oralmente ou por escrito) o Professor das dificuldades dos educandos na execução das tarefas - Atribuir reforço positivo, verbal ou material, pelo cumprimento das tarefas, ao fim de um determinado tempo (quinzenal ou mensal) - Estimular, no educando, hábitos de inter-ajuda para que se tornem bons filhos e bons cidadãos Objectivos Específicos para o Professor: - Ser claro nas instruções ao Encarregado de Educação, para que este possa colaborar sem frustrações - Não propor tarefas aos pais, para além da sua capacidade de resposta - Motivar os alunos para a aprendizagem da leitura, escrita e cálculo - Contribuir para o desenvolvimento de competências ao nível dos valores/atitudes, ou seja para a responsabilização (Área da Socialização) Consolidação de Conhecimentos - Disciplinas Envolvidas - Matemática: quantificar, sequencializar tarefas e sequencializá-las na semana (gestão de tempo). - Língua Portuguesa: cada aluno irá registar, por escrito, os objectos de que precisa para realizar as tarefas. Primeira Tarefa: Em casa, o encarregado de educação e o aluno vão registar as tarefas que este faz ao longo da semana Nome do aluno: __________________________ Encarregado de Educação: _________________ (Colocar um X, nas tarefas que o seu educando faz) Segunda Tarefa: Ajudar o educando a ordenar a tarefa que realiza: (Colocar um X) Terceira Tarefa: Ajudar o seu educando a seleccionar em documentação (livros, publicidade) os objectos que fazem parte da tarefa e do espaço onde se realiza a tarefa: Na escola: verificação das aprendizagens feitas em casa Jornais Escolares ( O Nevadinha, jornal do Agrupamento de Escolas de Penacova, apresentou no final do 1.º Período o seu n.º 19, agradavelmente colorido, na sua capa e contracapa, com trabalhos de alunos desde o 1.º Ciclo ao 6.º ano. Salientam-se a presença da Associação de Pais e E. E. do Agrupamento nas páginas d’O Nevadinha para dar notícia das suas iniciativas e as reflexões e conselhos sobre a nossa atitude em relação às florestas, bem vivos que ainda estão na nossa memória os fogos de Verão, que atingiram o país em geral e, com especial violência, o concelho de Penacova. Quarta Tarefa: Os objectos da cama e do quarto de dormir Em baixo estão colocados cartões que contêm o nome dos objectos relacionados com a tarefa: o aluno tem de legendar a gravura correctamente. Quadro de Carla Mariana na Acção 28/2005 Práticas de Expressão Plástica na Infãncia Área de Língua Portuguesa Competências Gerais: Compreender, Interpretar, Elaborar pensamento, Reter informação, Desenvolver competências da comunicação oral e escrita Sub - Área: Comunicação oral Sub - Área: Comunicação Escrita Área de Matemática Competências Gerais: Desenvolver noções de Tempo e Medidas Sub - Área: Grandezas e Medidas Momentos de avaliação É importante que os alunos saibam, na escola e em casa, o que se espera deles; que eles identifiquem as mudanças observadas, de forma a empenharem-se no seu próprio desenvolvimento pessoal e social, será o nosso objectivo por excelência. Indicadores de sucesso: O aluno será capaz de: - Sequencializar histórias ouvidas - Sequencializar imagens - Sequencializar números - Associar palavras a imagens - Associar Tempo/semana/ tarefa - Escrever palavras do quotidiano - Escrever pequenas frases sobre as tarefas - Verificar as imagens que correspondem a tarefas que executa - Memorizar palavras para aplicá-las em frases CONCLUSÃO Ao iniciarmos este trabalho, estávamos longe de imaginar a adesão dos pais/encarregados de educação implicados, e que nos desse tanto prazer conversar pessoalmente com alguns pais e ler as respostas que nos foram dando sobre as tarefas que vão e pretendem desenvolver com os seus educandos - atitude que a escola deverá ter em conta e aproveitar cabalmente. Uma melhor compreensão e aceitação das famílias e comunidades será um primeiro passo para se encetarem as adaptações curriculares e das instituições e se efectuar uma “programação flexível e ajustada aos alunos, aos projectos de escola e aos interesses, saberes e experiências dos alunos” (Canário, 1997:55). Há que alargar os horizontes da acção educativa, que não se cinge à sala de aula mas se estende ao conjunto da instituição escolar e à comunidade. Urge abrir a escola a uma multiplicidade de “capitais culturais”, até agora rejeitados ou desprezados, em favor da “cultura oficial”, pretensamente superior e maioritária. Há que encarar todos os alunos e suas famílias com elevadas expectativas. E, como já se disse, é necessário repensar muitas das práticas pedagógicas quotidianas: estudos vários revelam que a maioria dos professores portugueses prepara as actividades educativas para “a maioria dos alunos”, que é meio caminho andado para esquecer as especificidades de cada um deles. Assim nos ajude o engenho e a arte... (*) Formadora da Oficina Parceria Escola-Família (2005) (**) Professora de Educação Especial oficina de formação - Parceria Escola-Família PROGRAMA CURRICULAR A DESENVOLVER COM OS ALUNOS Área de Socialização: Competências Gerais: Relacionar-se, adequadamente com os colegas e adultos Sub - Área: Comportamento sócio - afectivo 13 Compreender a Dislexia Maria da Piedade Ramos(*) O que é a dislexia? O insucesso escolar afecta um elevado número de alunos, incidindo, sobretudo, na área da leitura e da escrita e afectando todas as áreas em que o domínio da língua escrita é fundamental. formação - compreender a dislexia Foto de Sílvia Almeida na Acção 48/2005 - Vamos fotografar melhor 14 A maioria das crianças aprende a ler sem dificuldade, enquanto outras não conseguem adquirir essa competência, devido a factores de natureza cognitiva. Existe ainda outro grupo de crianças, que diferentes estudos situam entre 4% a 10% da população escolar, para quem essa aprendizagem é lenta, laboriosa e difícil, apesar de não existirem défices sensoriais ou cognitivos que constituam uma etiologia explicativa das dificuldades que manifestam. Estamos, assim, perante uma dificuldade inesperada que Heaton e Winterson (1996, in Cruz, 1999) classificam de desvantagem escondida, uma dificuldade específica para a aprendizagem da leitura, para a qual não existem causas visíveis (escolaridade inadequada, desvantagem sócio-económica, deficiência física ou cognitiva, desordem neurológica visível, problemas emocionais....). Para designar as dificuldades específicas na aprendizagem da leitura, são utilizadas diversas expressões, tais como distúrbio de leitura ou legastenia, sendo, contudo, o termo dislexia, o mais utilizado (Rebelo, 1993). A definição de dislexia tem sido objecto de constante controvérsia, não existindo uma definição universalmente aceite. Etimologicamente, a palavra dislexia é constituída pelo radical dis, que significa distúrbio ou dificuldade, e pelo radical lexia, que significa leitura no latim e linguagem no grego, ou seja, o termo dislexia refere-se a distúrbios na leitura ou a distúrbios na linguagem (Lerner, 2003). Uma das primeiras definições de dislexia, com impacto internacional, foi a definição proposta pela Federação Mundial de Neurologia, em 1969: Dislexia - Distúrbio que se manifesta pelas dificuldades de aprender a ler, apesar do ensino convencional, de inteligência adequada e de oportunidades sócio-culturais depende de perturbações cognitivas fundamentais que são frequentemente de origem constitucional (Critchley, 1970) Esta definição utiliza critérios de exclusão (inteligência adequada, oportunidades sócio-culturais, ensino convencional), que foram objecto de discussão, pela ambiguidade e imprecisão desses critérios e pela falta de clarificação das características das dificuldades manifestadas pelos disléxicos. As definições tradicionais de dislexia, como a da Federação Mundial de Neurologia, tendem a referir, como única característica inclusiva da dislexia, as dificuldades de leitura, e a incidir em factores de exclusão, parecendo mais preocupadas em clarificar o que não é a dislexia, do que em caracterizá-la. Actualmente, na sequência das investigações realizadas nas últimas décadas sobre a aquisição da linguagem e o funcionamento dos módulos que a constituem, bem como sobre a sua relação com a aprendizagem da leitura e da escrita, nomeadamente, sobre a relação entre a consciência fonológica e a aprendizagem da leitura e da escrita, a dislexia é definida para além das dificuldades de leitura, sendo considerada uma perturbação específica do sistema de linguagem. Um exemplo destas definições é a proposta pela Research Committee of the Orton Dyslexia Society, em 1994: É um distúrbio específico da linguagem, de origem constitucional, caracterizado por dificuldades em descodificar a palavra, reflectindo habitualmente insuficientes capacidades de processamento fonológico. Estas dificuldades são muitas vezes inesperadas em relação à idade e às capacidades cognitivas e académicas; não resultam de atraso geral do desenvolvimento ou de uma alteração sensorial. Manifesta-se através de várias dificuldades em diferentes formas da linguagem, incluindo muitas vezes problemas com a aquisição de competências de escrita e de soletração (Lyon, 1995) Estas dificuldades, segundo Fonseca (2002: 10), são consequência de perturbações e problemas “subtis, invulgares, multicomplexos, por vezes, inexplicáveis de processamento da informação não simbólica, e sobretudo, simbólica”, podendo as crianças e jovens disléxicos manifestar dificuldades de compreensão, análise e Foto de Sílvia Almeida na Acção 48/2005 - Vamos fotografar melhor escrita (lentidão na aprendizagem da leitura, dificuldades em escrever, problemas sérios com a ortografia). - Haverá muitas vezes: dificuldades na matemática, sobretudo na assimilação de símbolos e de padrões; problemas com a memória a curto prazo e com a organização, dificuldades em seguir indicações de trajectos espaciais e em executar sequências de tarefas complexas; problemas com a compreensão de textos (que são consequência da forma como foram descodificados); aptidões inconstantes. - Haverá por vezes: dificuldades com a linguagem falada; problemas na apreciação das distâncias e com a percepção do espaço; confusão entre esquerda e direita. Considerando a dislexia como uma perturbação da linguagem, resultante de uma dificuldade ao nível do processamento fonológico da informação, que se manifesta ainda antes do início da aprendizagem formal da leitura e da escrita, ou seja, ainda em idade pré-escolar, existem alguns sinais que constituem indícios de risco de uma futura dislexia. Para muitos autores, a linguagem e as competências leitoras emergentes constituem os sinais preditores mais relevantes de futuras dificuldades, enquanto as competências motoras e perceptivas não são preditores significativos. Shaywitz (2003) defende que a dislexia se manifesta de forma diferente, desde a primeira infância até à idade adulta, e que constitui uma fragilidade encapsulada, dado que os disléxicos, a par das dificuldades que manifestam, possuem muitas áreas fortes, tais como: raciocínio, resolução de problemas, compreensão, formação de conceitos, pensamento crítico, conhecimentos em geral, vocabulário. Quanto aos sinais de alerta, refere: Sinais de alerta da dislexia Se reconhecermos que, para intervir de forma adequada e eficiente, é essencial avaliar e identificar a dislexia, o mais precocemente possível, a primeira questão que surge refere-se a Que sinais podem ser indício de uma dislexia? Relativamente aos sinais de alerta para um (possível) caso de dislexia, a Associação Internacional de Dislexia (2003) considera que: - Haverá sempre: dificuldades com a linguagem 1. Na primeira infância Os sinais precoces envolvem, sobretudo, a linguagem. O primeiro sinal de que existe um problema de linguagem poderá ser um atraso de linguagem. 2. Anos Pré-Escolares - Problemas na aprendizagem de rimas infantis e na apreciação de ritmos. - Palavras mal pronunciadas; uma persistente “fala de bebé”. formação - compreender a dislexia utilização dos sistemas e subsistemas da linguagem falada e escrita. Nesta linha de pensamento, Shaywitz (2003) considera que a dislexia reflecte um problema ao nível da linguagem que se situa numa componente específica do sistema de linguagem - o módulo fonológico. Este módulo constitui a parte funcional do cérebro onde os sons da linguagem são reunidos para formar palavras e as palavras são separadas nos sons que as constituem. Ainda de acordo com a mesma autora, a existência deste módulo ajuda a compreender porque é que pessoas inteligentes têm dificuldade em aprender a ler. Esta perspectiva, conhecida como hipótese do défice fonológico, considera que é o funcionamento deficitário deste módulo que limita a qualidade e a rapidez com que os disléxicos podem analisar os sons da fala. Este défice pode manifestar-se aquando da constituição do módulo fonológico, isto é, aquando da aquisição da língua materna e condiciona a organização dos outros módulos constituintes do sistema de linguagem (lexical, sintáctico, semântico, ortográfico). Como refere Catts (1989): Dislexia - é uma perturbação desenvolvimental da linguagem que envolve défice(s) específico(s) no processamento de informação fonológica. A perturbação geralmente está presente ao nascimento e persiste até à vida adulta. Uma característica proeminente da perturbação é uma dificuldade específica na leitura. Contudo, antes durante e após a dificuldade de leitura a perturbação manifesta-se em várias dificuldades na codificação fonológica, incluindo problemas no armazenamento e recuperação de informação e no uso de códigos fonológicos na memória. Adicionalmente, podem ser observadas dificuldades na produção de fala e na consciência metalinguística acerca dos segmentos sonoros da fala. Esta definição de dislexia implica mudanças na forma como tradicionalmente se define, avalia e intervém na dislexia, possibilitando a identificação precoce de crianças em risco e a planificação de uma intervenção atempada e, consequentemente, mais eficaz. 15 N.º 11 | Janeiro 2006 - Dificuldade na aprendizagem (e memória) do nome das letras. - Falhas no reconhecimento das letras do seu próprio nome. formação - compreender a dislexia 3. Cinco anos e primeiro ano de escolaridade - Falhas na compreensão de que as palavras se podem subdividir. - Dificuldade na aprendizagem da associação de letras a sons. - Erros na leitura que mostram a inexistência de conexão entre sons e letras. - Incapacidade de ler uma sílaba numa palavra ou de ler palavras monossilábicas. - Queixas sistemáticas sobre a dificuldade em ler, ou fuga às actividades de leitura. - História de problemas de leitura na família 16 4. Sinais de alerta de dislexia a partir do segundo ano de escolaridade 4.1 Problemas na fala - Deficiente pronúncia de palavras longas, não familiares, ou complexas; dificuldade na segmentação de palavras - esquecer-se de partes de palavras ou confundir a ordem das partes das palavras.. - Fala não fluente - muitas pausas e hesitações. - Uso de linguagem imprecisa. - Dificuldade em encontrar a palavra exacta, assim como confusão em palavras com sons semelhantes. - Necessidade de mais tempo para construir uma resposta oral, ou incapacidade para dar uma resposta verbal rapidamente, quando questionado. - Dificuldade em lembrar pedaços isolados de informação verbal: datas, números de telefone, listas... - Leitura feita com substituições, omissões e má pronúncia. - Leitura lenta e hesitante, silabada, feita com dificuldade, não fluente. - Leitura que omite inflexões e sons. - Dependência do contexto para discernir o significado do que está a ler. - Melhor capacidade para compreender as palavras, no contexto, do que na leitura de palavras isoladas. - Desempenho pobre em testes de múltipla escolha. - Dificuldade em finalizar os testes em tempo adequado. - Substituição de palavras do texto por outras que lhe são familiares. - Soletração desastrosa. - Dificuldade em ler o enunciado dos problemas de matemática. - Trabalho de casa que parece nunca mais acabar. - Má caligrafia, apesar de poderem apresentar excelente facilidade no traçado de palavras. - Extrema dificuldade na aprendizagem de uma língua estrangeira. - Falta de gosto pela leitura e fuga à leitura de livros, mesmo por puro prazer, uma vez que esta lhes parece um aborrecimento. - Apesar de a leitura poder melhorar, no aspecto da precisão, continuam a persistir problemas de fluência e continua a necessitar de muito investimento pessoal. - Baixa auto-estima, com uma dor que nem sempre é visível aos outros. - Uma história de leitura, soletração e aprendizagem de língua estrangeira com problemas, em alguns membros da família. 5. Sinais de alerta de dislexia em jovens e adultos 4.2 Problemas na leitura - Progressos muitos lentos na aquisição da capacidade de leitura. - Falta de estratégias para ler novas palavras. - Dificuldades em ler palavras desconhecidas ou em palavras que têm de ser pesquisadas, e em fazer suposições quando está a ler uma palavra. - Falhas sistemáticas, quando quer ler novas palavras. - Dificuldade em ler pequenas palavras de ligação, como esse, para, em… - Dificuldades na leitura de palavras polissilábicas, ou falhas na aproximação ao som da palavra lida, na sua tota-lidade. - Omissão de partes de palavras aquando da sua leitura. - Terror em ler em voz alta ou fuga à leitura em voz alta. 5.1 Problemas na oralidade: - Persistência de dificuldades de linguagem, próprias dos primeiros estádios de desenvolvimento linguístico. - Deficiente pronúncia de nomes de pessoas e locais e trocas de partes de palavras. - Dificuldade em lembrar nomes de pessoas e lugares, e confusões entre nomes com sonoridade idêntica. - Dificuldade em ir buscar as palavras que necessita de utilizar. - Falta de fluidez linguística, especialmente se está em situações incómodas. - Menos vocabulário oral do que vocabulário auditivo e hesitações em dizer palavras que possam ser mal pronunciadas. Em jeito de conclusão... Estes sinais de alerta oferecem um “retrato” da dislexia. A sua identificação pode tornar possível um diagnóstico de indícios de risco de uma dislexia em crianças que apresentam défices de linguagem que podem, mais tarde, provocar problemas de leitura e de escrita. Se estas crianças receberem atempadamenre a ajuda especializada de que carecem, a sua entrada no mundo escolar será, decerto, mais fácil. Esteja também atento a estes sinais em jovens e adultos que, depois de terem conseguido atingir um determinado nível de competência na leitura, continuam a revelar “marcas” dos problemas inicias (leitura lenta e feita com grande esforço, persistentes dificuldades na ortografia). Se considerar que um dos seus aluno manifes- Foto de Sílvia Almeida na Acção 48/2005 - Vamos fotografar melhor ta algum destes problemas , verifique a sua persistência. Não se preocupe com pistas isoladas ou que aparecem raramente. Preocupe-se com a sua persistência: a ocorrência de um número considerável destes sintomas, durante um longo período de tempo, representa, possivelmente, um caso de dislexia. Esteja, pois, atento a estes sinais. É da maior importância que a dislexia seja despistada e tratada o mais precocemente possível e não esqueça que: “A dislexia não é uma doença, mas sim uma mente diferente. Muitas vezes é uma mente brilhante - há conhecimento de disléxicos famosos, produtivos e bastante criativos. Cada um de nós é único, diferente de todos os outros, podendo lidar com a linguagem de forma diversa e peculiar.” (Orton Dyslexia Society) Referências Bibliográficas CATTS, H. (1989). Defining dyslexia as a development language disorder. Annals of Dyslexia, 39, pp. 50-64. CLINE, T. (2000). Multilingualism and Dyslexia: Chalenges for Research and Practice. Dyslexia: An International Jounal of Research and Practice, Vol. 6.1 pp. 3-12. CRITCHLEY, M. (1970). The dyslexic child. London: Heineman Medical Books. CRUZ, V. (1999). Dificuldades de Aprendizagem - Fundamentos. Porto: Porto Editora. FONSECA, V. (2002). Dislexia, Cognição e Aprendizagem - Uma abordagem neuropsicológica às dificuldades de aprendizagem da leitura. In Cadernos da APDIS - Nº 1, pp.10-23. LERNER, J. W. (2003). Learning Disabilities: Theories, diagnosis and Teaching Strategies. Boston: Hougton Mifflin Company. LYON, G. R. (1995). Toward a definition of dyslexia. Annals of Dyslexia, 45, pp. 3-30. REBELO, J. A. S. (1993). Dificuldades da leitura e da escrita em alunos do Ensino Básico. Porto: Edições Asa. SHAYWITZ S. (2003). Overcoming Dyslexia. New York: Randon House, Inc.. Formadora e Docente Especializada em Educação Especial, Mestre em Gestão Curricular. Exerce clínica privada, no âmbito do diagnóstico e reeducação de crianças e jovens com necessidades educativas, sobretudo, dislexia. (*) formação - compreender a dislexia 5.2 Problemas na leitura: - Um historial, em criança, de dificuldades na leitura e na soletração. - Leitura que se foi tornando mais correcta ao longo do tempo, mas que continua a implicar muito esforço. - Falta de fluência. - Embaraços causados pela leitura em voz alta: evita envolver-se em trabalhos de grupo ou em ler discursos escritos (apresentação de trabalhos, por exemplo). - Problemas de leitura e pronúncia fora do comum em palavras como nomes de pessoas, de ruas, de pratos de comida num menu. - Persistência dos problemas de leitura. - Substituição, durante a leitura, de palavras que não conseguem pronunciar por palavras inventadas, mas que se adequam ao contexto. - Fadiga extrema, após e durante a leitura. - Leitura lenta da maioria de materiais impressos: livros, manuais, legendas em filmes estrangeiros. - Penalização sistemática em testes de múltipla escolha. - Necessidade de muito mais horas do que seria necessário, para ler os materiais de apoio às aulas. - Frequente penalização da vida social, em prol dos estudos. - Preferência por livros com figuras, gráficos ou ilustrações, por livros com poucas palavras por página ou com grandes manchas brancas nas páginas (pouca concentração de texto por página). - Pouca inclinação para a leitura por puro prazer. - Soletração que permanece desastrosa e uma preferência por palavras menos complicadas na escrita e que são de fácil soletração. 17 Curso de Formação Vamos fotografar melhor - iniciação às técnicas fotográficas Formador: José Maria Pimentel Î foto de Ana LuÌsa Domingues Ó formação - Vamos fotografar melhor foto de Manuel Gouveia Ô 18 foto de Isabel Costa foto de SÌlvia Almeida Ò foto de Cristina Janicas Ó foto de Leonilde Ferreira formação - Vamos fotografar melhor Ò 19 Educação para a sustentabilidade António Eloy (*) jornadas - A Educação Ambiental nas escolas 1 - Existem inúmeras definições de desenvolvimento sustentável ou, como prefiro, de sustentabilidade. Gosto, particularmente, daquela que a define como "o bem estar do presente, sem que com esse se comprometa a continuidade das memórias e a viabilidade de um futuro sadio". É em torno desta ideia que se articula o bom senso que todos, na generalidade, normalmente produzimos. Os problemas enfrentam-se quando os discursos se estruturam em projectos e realidades. Sabemos que a acção do homem, qualquer que ela seja, sobre ou na natureza, causa impactes que a construção/reconstrução da natureza, no quadro do que chamamos hominização e desenvolvimento social degradou, mas também melhorou o espaço, a paisagem e a ocorrência de espécies. 20 A produção de energia é o “ex-libris” em torno do qual vemos desenvolverem-se todos, ou quase todos os grandes progressos da humanidade. Mas também todos os grandes conflitos com Gaia (a terra mãe, viva, com todos os seus elementos). Desde o domínio da água, nas grandes civilizações clássicas - Mesopotâmia, Egipto, China ou Incas e Aztecas, com os seus grandes projectos de irrigação e desenvolvimento da energia mecânica, e o desenvolvimento, nessas sociedades, da agricultura que, com os seus excedentes e o poder daí resultante, é base dos primeiros Estados Organizados - à revolução industrial que, a partir de Inglaterra, estruturou a base do actual mapa político, pelo menos até ao final da II Guerra Mundial, é a energia e o seu domínio que vão marcar a história. Sabemos que a produção e o uso das várias formas de energia é a base do nosso modo de vida e bem-estar, mas também ameaça às memórias e risco para o futuro. As chamadas “alterações climáticas”, resultantes do aumento do dióxido de carbono emitido pelos diversos combustíveis fósseis, a que se agregam emissões de outras origens (barragens, gado, fogos) e outros poluentes atmosféricos, são um problema, um problema gravíssimo, que requer acção. De todos e de cada um. 2 - De todos e de cada um, e em todas e cada uma das áreas curriculares. Na história, porque a história do homem é a transformação da natureza em cultura, é acção e construção com a sucessão do tempo a deixar referentes. Na geografia, porque o clima, o eixo da terra que o determina, é um dos elementos que constrói o território, e as alterações previsíveis vão-lhe alterar a fisionomia. Na educação visual, porque a construção reconstrução que vamos, em todas as circunstâncias, fazer do nosso mundo, vai implicar artes de desenho desse mundo. Na matemática, porque as modelizações vão ser urgentes, imprescindíveis para, com os programas informáticos, trabalhar cenários, que serão fundamentais para fazer prospecção e derivar futuros. Na física e na química, porque antes de tudo é aqui que vamos saber o que é possível fazer, onde intervir, que inovações fazer, inventando novos paradigmas e formas de produção. No Português, no francês, no inglês e noutras línguas porque temos de comunicar e trocar ideias, elaborar propostas, construir projectos e significá-los, primeiro, na nossa língua, usando o vocabulário com que “roupamos” as ideias e, logo, nas línguas de comunicação internacionais, onde as re-“vestimos” de novo e alindamos. Nas Ciências da Natureza, porque temos de saber o que existe e como vai continuar, que adaptações se farão, que alterações novos habitats irão produzir nas espécies. O que Darwin diria de tudo isto? Tudo muda menos o Arizona, como dizia o “Principezinho” de Saint Exupéry, ou será que o próprio Arizona mudará? E, claro, na Filosofia, pois só ela pode dar um carácter global à existência e à forma como nos vemos, somos e queremos. A discussão ontológica (conhecimento do ser) sobre a terra viva, Gaia, e o que fazemos dela, com ela. 3 - Em todas as disciplinas, em todas as áreas curriculares os temas da energia, as alterações climáticas e a sustentabilidade podem ser ancorados, constituir base para o desenvolvimento do saber cívico, articulado com as competências técnicas e científicas. Diz saber antigo que tudo está ligado a tudo, pois fazer da escola, a alavanca para potenciar uma cidadania informada é um grande desafio. Contamos contribuir para que este desafio possa encontrar melhores ventos para navegar. (*) - Formador e colaborador da Eólica da Cabreira jornadas A Educação Ambiental nas escolas 13 Outubro 2006 Painel 1 Estratégias de Educação Ambiental Manuel Gomes (DGIDC) António Eloy (Eólica da Cabreira) Andreia Gama (QUERCUS) Moderadora: Isabel Cunha (Ass. Prof. Biol. e Geol.) Painel 2 Biodiversidade e desenvolvimento sustentável Jorge Paiva (Depart. de Botânica FCTUC) Virgínia Rodrígues (ADEGA e Proxecto Rios) Ramsés Pérez (ADEGA) Moderador: João Maria André (Dep. Fil. FLUC) Painel 3 Com(o) viver... com os resíduos Ana Filipa Penedos (Dep. Ambiente CMC) Fátima Matos Almeida (ASPEA) Moderador: João Paulo Dias (ProUrbe) jornadas A Educação Ambiental nas escolas 14 Outubro 2006 Workshop A À descoberta da mata do Jardim Botânico Workshop B Proxecto Rios, a participação para o estudo e defesa dos cursos fluviais Coordenação: Virgínia Rodrígues e Ramsés Pérez Workshop C Visita de estudo: Aterro Sanitário de Coimbra e Centro Municipal de Compostagem de Resíduos Verdes Coord.: Ana F. Penedos Workshop D Resíduos e C.ª Coord.: Fátima Mendes Almeida jornadas - A Educação Ambiental nas escolas Coordenação: Jorge Paiva 21 De Olhos na Floresta - A Participação Cívica na Defesa da Floresta jornadas - A Educação Ambiental nas escolas Andreia Gama (*) 22 A paisagem florestal cobre mais de 1/3 do território nacional e, em conjunto com outras associações vegetais, encerra uma grande biodiversidade e garante o necessário equilíbrio ecológico. A floresta integra um importante património natural, com enorme relevância do ponto de vista social, económico e ambiental, que pode rapidamente ser destruído devido ao risco de incêndio existente na floresta portuguesa e à forma displicente como o fogo é utilizado junto aos espaços florestais. Os ecossistemas florestais têm funções ambientais de fundamental importância, nomeadamente, na protecção do solo contra a erosão, na regularização do regime hídrico, na fixação de carbono da atmosfera, na produção de oxigénio e no suporte de uma elevada diversidade biológica. Portugal apresenta 7 vezes mais incêndios do que Espanha, 20 vezes mais do que Itália e 22 vezes mais que a Grécia. Dados de 2004 indicam que a maioria das ignições têm origem humana, sendo que 36% se devem a comportamentos negligentes (falta de cuidado no uso do fogo na proximidade dos espaços florestais - fogueiras, queimadas agrícolas, foguetes e fogo de artifício, beatas, etc.). O desenvolvimento de mecanismos que promovam e motivem o envolvimento de todos os cidadãos na prevenção e minimização dos incêndios florestais é primordial, para que, nos próximos anos, se apresente uma redução significativa do número de ignições, bem como da área consumida pelas chamas. Em 2004, cientes de que a prevenção e minimização dos incêndios florestais - para além das necessárias medidas a desenvolver e a implementar pelos organismos responsáveis e proprietários florestais - carecem de um profundo envolvimento de toda a sociedade portuguesa, surge o Projecto “De Olhos na Floresta”, o qual pretende envolver toda a população na defesa da floresta contra incêndios. Este é um projecto de sensibilização da sociedade, que ambiciona consciencializar cada cidadão do seu papel na protecção da floresta, da relação entre o Homem e os espaços florestais. Pretende, igualmente, estabelecer uma rede de cidadãos, em todo o território nacional, comprometidos, motivados e informados para c o m u n i c a r, através do número 117, as situações de risco ou de incêndio detectadas no decorrer das suas actividades diárias habituais. Desta forma, pretende-se que a informação chegue mais rapidamente às entidades competentes, permitindo-lhes uma intervenção mais célere que previna a deflagração de incêndios e minimize a extensão da área ardida. O projecto conta já com mais de 400 Vigilantes. O projecto realiza diversas saídas de campo, para as quais convida os Vigilantes a participar, dando-lhes a conhecer a realidade florestal do país, a sua beleza e os seus problemas, tentando assim aproximar o cidadão comum da natureza, fazê-lo sentir parte integrante desta. Pretende desenvolver actividades/projectos conjuntas/os com as escolas, ajudando na implementação de projectos relacionados com a floresta e o papel de cada cidadão na sua defesa e protecção. Há que conhecer a floresta para que a possamos defender e dela beneficiar. Que cada cidadão esteja De Olhos na Floresta! Contactos: Quercus - De Olhos na Floresta Apartado 4120 | 3031-901 Coimbra e-mail: [email protected] Fax: 239 491 240 (*) Elemento da QUERCUS; Coordenadora do Projecto “De Olhos na Floresta” Uma aula vicentina: primeira edição (*) Decorreu, entre 27 de Outubro e 5 de Novembro de 2005, a primeira edição da acção de formação “Uma aula vicentina”, organizada pel'A Escola da Noite - Grupo de Teatro de Coimbra e pelo Centro de Formação Ágora. Centrada no trabalho que temos desenvolvido, enquanto estrutura de criação artística, a partir dos textos de Gil Vicente, a iniciativa teve a duração de 25 horas e viu esgotadas as inscrições até ao número limite de participantes previamente definido. Prestes a assinalar 14 anos de actividade regular, o percurso d'A Escola da Noite é marcado pela atenção particular atribuída à obra vicentina, a partir da qual apresentámos nove espectáculos e com a qual fomos construindo a nossa própria linguagem artística e a nossa forma própria de abordar, trabalhar e apresentar Gil Vicente. Paralelamente, os espectáculos vicentinos foram-nos também oferecendo, ao longo dos anos, algumas das melhores oportunidades para a aproximação ao público escolar da cidade e da região, com o qual nos orgulhamos, hoje, de manter uma relação de cumplicidade, com benefícios e prazeres mútuos. Depois do projecto “Vicente n'A Escola” (2002/03), no qual pudemos, a partir de um novo espaço, intensificar ainda mais a ligação às escolas, e da publicação de “Ensaios Vicentinos” (que tem naturalmente, nos professores dos ensinos básico e secundário os seus principais destinatários), surgiu finalmente, em 2005, a possibilidade de darmos resposta às múltiplas solicitações dos agentes educativos no campo da formação, nesta área. “Uma aula vicentina” resultou, assim, da conjugação de uma aspiração antiga da companhia (que desejava, desde há muito, poder dar este passo) com a necessidade e o interesse manifestados pelos professores com quem temos trabalhado. A receptividade do Centro de Formação Ágora à nossa proposta e a certificação atribuída pelo Ministério da Educação vieram confirmar-nos a pertinência da iniciativa e, simultaneamente, aumentar a nossa responsabilidade enquanto entidade formadora. Foi, pois, com uma expectativa entusiasmada que preparámos a primeira edição desta acção de formação, envolvendo nela a globalidade da equipa da companhia (encenadores, cenógrafo, figurinista, actores, técnicos e produtores), num total de 15 pessoas, de forma a proporcionar, aos formandos, uma experiência diferente e enriquecedora. Assumimos, propositadamente, os nossos espectáculos como ponto de partida: não se tratava de uma formação de actores, nem de encenadores, nem sequer de expressão dramática ou corporal. Pretendemos partilhar com os professores o nosso trabalho artístico, expondo-o à discussão e ao esclarecimento, desde as suas fases iniciais. Para além de apresentarmos, em palco, no próprio contexto da formação, dois espectáculos integrais - “Ensalada” e “O Juiz da Beira: aula prática”-, foram realizadas leituras encenadas (“Farsa de Inês Pereira” e “Auto da Índia”), foram visionados vídeos e fotografias de espectáculos anteriores e procedemos à montagem de uma instalação, na própria sala de espectáculos (onde decorreu a formação) que proporcionou aos formandos o contacto directo com figurinos, adereços e elementos cenográficos utilizados nas nossas produções vicentinas. O Juiz da Beira: aula prática (28 ª produção | 2003) encenação António Augusto Barros © Augusto Baptista curso de formação - Uma aula vicentina 23 curso de formação - Uma aula vicentina Auto da Visitação e outras cousas... (26 ª produção | 2002) encenação António Augusto Barros © Augusto Baptista 24 A partir daqui, e após as explanações realizadas pelos formadores (todos eles com responsabilidades directas na construção dos espectáculos apresentados), foram promovidas sessões de debate muito vivas e participadas pelos professores em torno dos aspectos que caracterizam a criação teatral: a estrutura textual, o contexto em que a obra foi elaborada, as opções de encenação, a descodificação dos sentidos, as propostas de espaço cénico, objectos e figurinos, os mecanismos intrínsecos ao jogo teatral do actor (fisicalidades e musicalidades). Sem nunca cair na tentação de fornecer respostas definitivas ou fechadas - porque era de arte e de opções artísticas que muitas vezes se estava a falar e o objecto da formação era a abordagem específica de Gil Vicente proposta pela companhia -, esta formação pretendia abrir o leque de opções e recursos à disposição dos professores (fosse para a sala de aula ou para os grupos de teatro dinamizados por alguns deles), dando-lhes a oportunidade de contactarem de uma forma directa, in loco e incondicional com os métodos e processos de trabalho de uma companhia de teatro profissional, não meramente como espectadores passivos mas, sim, como elementos a cuja curiosidade, participação e sentido crítico apelávamos de uma forma sincera. Esta formação constituiu, também - e nós assumimo-lo -, uma óptima forma de melhor conhecermos a receptividade do nosso trabalho junto de um público particularmente atento, interessado e informado como são os professores. Principalmente por se tratar da primeira edição, aguardávamos, com natural ansiedade, a entrega dos relatórios críticos finais, nos quais os formandos fariam o balanço da formação que receberam. A unanimidade na avaliação positiva e elogiosa que quiseram registar provoca-nos três sentimentos, diferentes, mas complementares. Satisfação, em primeiro lugar, pelo facto de o esforço da companhia (a preparação e a concretização da acção ocuparam cerca de um mês de trabalho a toda a estrutura d'A Escola da Noite) ter valido a pena e ter correspondido às melhores expectativas - quer às nossas, quer, sobretudo, às dos professores que nela participaram; um sentimento de responsabilidade, em segundo lugar, porque representa uma nova fase no aprofundamento do nosso trabalho com o público escolar, da qual não faz sentido regredir; entusiasmo, finalmente, porque nos motiva a fazer mais e melhor e nos indica que estamos no caminho certo no que diz respeito ao contributo que nos cabe dar, de uma forma continuada e consistente, para o reforço da tão mal-tratada, ignorada ou simplesmente incompreendida relação entre cultura e educação. Ensalada encenação António Augusto Barros 35ª produção | 2005 © Augusto Baptista Para a maior parte dos participantes, esta acção deveria ter continuidade - tanto para que outros professores pudessem frequentá-la, como para que, quem já a frequentou, pudesse tirar ainda mais partido desta proximidade com o processo de criação teatral. Para A Escola da Noite, naturalmente, também. (*) A Escola da Noite Fevereiro de 2006 Neste início do século XXI, a Escola Portuguesa vive momentos de incerteza, de preocupação e desafio face ao futuro. Estamos perante uma sociedade que não se compadece com uma escola parada no tempo, mas exige uma escola activa, dinâmica e aberta ao meio. Por isso, a escola de hoje clama por novas posturas, novas responsabilidades de todos os que nela intervêm e contribuem para uma melhoria do ensino, quer sejam pessoal não docente, docente, pais ou outros. dos recursos tecnológicos, financeiros e materiais. Nos dias de hoje, o reconhecimento da importância do Auxiliar de Acção Educativa na escola torna-se primordial, na medida em que executam tarefas, tomam decisões, controlam e coordenam funções importantes para o funcionamento da escola. Considerarmos a Escola como uma “organização específica” que comporta múltiplas possibilidades de criação de dinâmicas organizativas que se podem traduzir por singularidades nos seus modos de estruturação e funcionamento, significa que ela é um sistema constituído por comportamentos ou acções levadas a cabo por agentes educativos, organizados de Estamos perante uma realidade atravessada pela diversidade de culturas, ideologias, modos de vida e interesses, marcada pelo seu carácter indiscutível de choques culturais, de conflitos interpessoais e de relações de poder. Percebemos que para coexistir, comunicar e trabalhar com os outros é necessário aprender a enfrentar a diferença, o conflito e as diferentes relações sociais de poder que habitam o território escolar. A eficácia e a eficiência da Escola só poderão ser atingidas se existir uma compreensão profunda e sistemática dos Auxiliares de Acção Educativa e de todos os outros intervenientes educativos que nela trabalham e vivem. Esse objectivo só será alcançado se os Auxiliares de Acção Educativa deixarem de ser considerados como um mero recurso ao mesmo nível maneira a produzirem determinados produtos destinados à sociedade em que se insere. O ser entendida deste modo implica que os elementos que a compõem estabeleçam entre si relações interpessoais. O estabelecimento das relações interpessoais deve-se à comunicação que se estabelece entre a comunidade educativa. Sendo uma habilidade que pode ser aperfeiçoada, progressivamente, desde que haja disponibilidade e abertura para que cada um se dê ao outro, de forma verdadeira e autêntica, torna-se indispensável que a citada comunicação permita o enriquecimento do próprio sujeito, do grupo e da sociedade na qual se insere. É através da interacção que se estabelece com os que o rodeiam que o homem se realiza e satisfaz as suas necessidades de afecto, de estima e de auto-rea- Trabalho a acrílico de Estrela Roseiro na Acção 28/2005 Práticas de Expressão Plástica na Infância Rute Santos (*) formação de pessoal não docente - Comunicação e Relações interpessoais Comunicação e Relações Interpessoais: uma reflexão 25 formação de pessoal não docente - Comunicação e Relações interpessoais 26 lização. Os outros são o espelho que nos permite medir o nosso desempenho, procurando atingir metas cada vez mais altas; é através dos outros que medimos o risco da nossa existência e aprendemos a admitir e a aceitar diferentes pontos de vista e modos de ser. No entanto, se os outros são importantes para nós, o inverso também é verdadeiro, o que faz com que, ao tomarmos consciência do valor da nossa comunicação e da nossa interacção com os ou-tros, brotem o desejo e a necessidade de reflectir sobre a problemática das relações interpessoais, contribuindo para que elas se tornem cada vez mais dinâmicas e enriquecedoras. O indivíduo é o resultado do encontro e das interacções que vai estabelecendo ao longo do seu desenvolvimento com as pessoas que o rodeiam. Gerir essa relação, de forma harmoniosa e produtiva, é um desafio permanente. Este foi o desafio que acompanhou a acção de formação "Comunicação e Relações interpessoais" que se realizou na Escola Secundária Quinta das Flores, entre os dias 17 e 29 de Junho de 2005, e que contemplou os seguintes objectivos: - Dar a conhecer aos Auxiliares de acção Educativa diferentes formas de comunicar e interagir; - Melhorar as relações interpessoais entre os profissionais não docentes; - Desenvolver atitudes facilitadoras da melhoria do processo de comunicação, no contexto profissional; - Reconhecer a importância da comunicação nas interacções pessoais e profissionais; - Desenvolver competências para uma gestão eficaz dos conflitos, no local de trabalho. Partindo do princípio de que a formação procura melhorar as práticas dos Auxiliares de Acção Educativa, procurou-se, ao longo da formação, privilegiar as experiências e saberes dos formandos pois, como nos diz Cortesão e Stoer, “os saberes anteriores devem ser rentabilizados”1 e não percepcionados como saberes a menosprezar, desqualificando o indivíduo em formação. Assim, partiu-se da identificação e análise de situações profissionais e significativas dos formandos para chegar à fundamentação teórica de tais actos. Contudo, temos consciência de que, no desenvolvimento dos trabalhos, recorremos, em deter- minadas alturas, a uma metodologia de natureza mais expositiva, para clarificar alguns conceitos e transmitir conhecimentos. Ao longo dos diversos momentos deste curto percurso de formação foram reflectidos e analisados criticamente os problemas reais do contexto, produzindo conhecimento e perspectivando estratégias de intervenção. Afiguram-se estas situações de formação dado que “as pessoas formam-se à medida que reflectindo, estudando e analisando criticamente as situações e problemas, vão produzindo e construindo estratégias de intervenção” (1994, p.380)2 . O facto de se ter valorizado os saberes de que cada um é portador e de se terem criado condições para a participação de todos, no decorrer do processo de formação, levando os formandos a tomarem consciência do seu papel enquanto profissionais intervenientes e críticos face ao instituído, tornou-os agentes da sua própria formação. Este processo de formação contribuiu para que os Auxiliares de Acção Educativa reconhecessem os seus saberes intrínsecos e analisassem o tipo de comportamento que assumiam face a diferentes situações de conflito. Acentuou-se, neste confronto de ideias e de experiências, a diversidade de perspectivas relativamente à mesma realidade. Em síntese, esta formação permitiu que os formandos se apercebessem que é no encontro cruzado de diferentes papéis educativos que se delimita o papel do auxiliar e que, da articulação resultante das diferentes forças, atribuições, responsabilidades, motivações, esforços e “competências” emana um espaço educativo de desenvolvimento, segurança e bem-estar de todos. Na heterogeneidade do tecido escolar, há que salientar, a função dos agentes educativos, sendo que a criação de espaços de reflexão para a plena consciencialização do contributo individual se assume como estratégia fundamental. O Auxiliar de Acção Educativa, face ao papel que desempenha dentro da comunidade educativa, deve ter um lugar neste contexto. (*) Formadora especializada em Psicologia da Educação 1) Cortesão, I & Stoer, (1994). A"potencialidade de acontecer" formação: potencialidades de investigação-acção. In Interacção cultural e aprendizagem: correspondência escolar e classes de descoberta. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. 2) Idem. Jornais Escolares ( A 31.ª edição d’O Júnior, revista do Instituto de Almalaguês, como vem sendo hábito, chama a atenção pela qualidade do seu grafismo e da sua impressão. Para além disso, está profundamente documentado com referências às numerosas actividades desenvolvidas no 1.º Período e textos de autores, quer alunos e docentes do Instituto, quer nomes grandes da nossa Literatura, como Alexandre O’Neill e António Gedeão. Uma notícia interessante tem a ver com o trabalho de investigação, levado a cabo pelos alunos de Biologia do 12.º ano, sobre as características hereditárias - tais como a inserção do cabelo, a presença de sardas, a capacidade de enrolar a língua e a cor dos olhos -, estudo esse que incidiu sobre os alunos da Escola e é apresentado em gráficos na pág. 7. (*) No ano de 2005, entre 1 Fevereiro e 29 de Dezembro, o CF Ágora desenvolveu o Projecto de Formação 05.01/C/00529.007/04, no âmbito da Acção 5.1 da Medida 05 do PRODEP III (Formação Contínua de Docentes e outros Agentes da Educação Pré-Escolar e dos Ensinos Básico e Secundário), englobando 44 acções/46 turmas de formação, divididas em 9 acções/10 turmas tendo como destinatários formandos não docentes e 35 acções/36 turmas dirigidas a professores dos diversos graus de ensino. As acções foram de duração variável, entre as 7 e as 100 horas e, no seu conjunto, perfizeram um total de 1272 horas presenciais e 240 horas não presenciais. O universo de formandos envolvidos nas acções de formação financiadas pelo Prodep, partiu de um conjunto de 1389 candidaturas (face a 1653 em 2004), tendo sido admitidos 888 (764 em 2004), dos quais iniciaram as acções 779 (722 no ano passado), tendo-as concluído 719 (690 em 2004), o que significa uma percentagem de desistência/reprovação, no decurso da acção, de 7,7 % (face 4,43 % em 2004) e uma percentagem de desistências, antes da acção ter tido início, de 12,2 % (5,5 % em 2004). Tal como vem acontecendo ao longo dos anos anteriores, relativamente à proveniência dos formandos que frequentaram as acções do CF Ágora, verifica-se um grande número proveniente de escolas não associadas e de outras localidades (45,31%). No que se reporta ao local de realização das acções, apesar da maioria das turmas (26) ter decorrido na escola-sede, realizaram-se acções noutras escolas associadas - E. S. Quinta das Flores (9), E. B. 2, 3 Poeta Manuel da Silva Gaio (6), E. S. c/ 3.º CEB de Penacova (1), E. B. 2, 3 de Taveiro (1), - ou ainda noutros espaços, a saber, o Pavilhão da A. A. C.-O. A. F. (1) e o Auditório da CCRC (1). Relativamente às áreas temáticas de formação, quanto à formação do Pessoal Docente, verifica-se, na sequência da experiência dos anos anteriores, uma grande diversidade temática das acções, as quais abrangeram a maioria das áreas definidas como prioritárias pelo Ministério da Educação para o ano em causa: a formação no âmbito das TIC, abrangida por um conjunto de 12 Acções/13 turmas, foi predominante orientada em todos os cursos para a utilização em sala de aula por todos os docentes, para além de ter em atenção a formação específica de docentes da disciplina de Introdução às Tecnologias de Informação e Comunicação; a Educação para a Cidadania, a Educação para a Saúde e as questões disciplinares, procuraram criar condições nas escolas para o desenvolvimento de projectos neste âmbito; a área do ensino especial, no caso na deficiência mental e da dislexia, disgrafia e disortografia, procurou articular-se com a activi- dade desenvolvida pelos docentes do ensino especial a trabalhar nas escolas associadas do CF Ágora e indo ao encontro das carências de formação dos docentes a braços com estas situações educativas; as didácticas do Português, da Matemática e das ciências experimentais, bem as acções promovidas no âmbito da formação nos novos programas do Secundário (11.º e 12.º anos), em articulação com os CFAE's do distrito e a DGDIC, visaram a actualização dos docentes em áreas disciplinares específicas; a prioridade de formação no âmbito da gestão e administração escolar foi visada com uma Acção orientada para a auto-avaliação e a qualidade das escolas. Quanto às áreas destacadas como prioritárias pela Comissão Pedagógica, tendo em conta necessidades apresentadas pelas escolas/Agrupamentos associados ou grupos de docentes, privilegiou-se a formação em campos específicos ligados à revisão curricular do Ensino Básico, nomeadamente as áreas do estudo acompanhado e da relação com a família, a formação no âmbito da aquisição/actualização de competências disciplinares específicas em áreas carenciadas, concretamente relativas à avaliação nas línguas estrangeiras (solicitação do Dep. de Línguas da E. S. Quinta das Flores) e às competências na área da Educação Visual e Educação Visual e Tecnológica e a formação no domínio das expressões, em particular dirigidas ao ensino pré-escolar e do 1º Ciclo. Salientam-se ainda os casos particulares da Oficina Construir (conceber, desenvolver e avaliar) o Projecto Curricular no 1.º CEB e a Acção de curta duração (7h) Elaboração de projectos curriculares nos 2.º e 3.º ciclos (solicitações do Agup. Poeta Manuel da Silva Gaio), a Acção de curta duração (15 h) O papel do Director de Turma e a formação cívica, (solicitação da EB 2 António José de Almeida e Esc. Sec. com 3.º C de Penacova) e a Acção de curta duração (7 h) O treino da voz para o trabalho docente, realizada para os docentes da EB 2, 3 de Taveiro; por fim, as Jornadas A Educação Ambiental nas Escolas, promovidas com a colaboração de docentes da escolas secundárias Jaime Cortesão e D. Duarte e da EB 2, 3 António José de Almeida, procurando sensibilizar para o desenvolvimento de projectos de educação ambiental nas escolas. info-ágora - actividades em 2005 Imagem de Nuno Patinho - cartaz da Jornadas A Educação Ambiental nas escolas Actividades do Centro de Formação Ágorra em 2005 27 28 Para além das iniciativas com financiamento do Prodep, o CF Ágora realizou ou co-organizu outras actividades, sobretudo de índole formativa, que envolveram mais 195 formandos: - Gestão Curicular da Disciplina de TIC (em co-organização com os CFAE's do distrito de Coimbra), tendo como formadores Manuel da Silva Pinto, Lídia Oliveira, Margarida Almeida e Maria José Marcelino; - Escola Promotora de Saúde I e Escola Promotora de Saúde II (Solicitação do Inst. de Almalaguês), na E. S. D. Novas peças Março: 2, 4, 9, 11, 15, 17, 22, 24, 27, 29 e 31 Abril: 20, 22 e 28; Maio: 5 e 6 21h45 I Teatro.-estúdio Bonifrates info-ágora - actividades em 2005 Quanto à formação do Pessoal Não Docente: destaca-se um conjunto de Acções no âmbito da nova legislação respeitante ao estatuto do Pessoal Não Docente (Decreto-Lei n.º 184/2004, de 29 de Julho), apresentadas em articulação com os CFAE's de Coimbra (CF Álvaro Silveira e CF do Calhabé) e Sicó Norte, de modo a oferecer aos interessados desta área geográfica todos os temas previstos no referido diploma para a formação de Assistentes de Acção Educativa e a formação de Chefes dos Serviços de Administração Escolar; nas restantes propostas procuraram contemplar-se, de modo privilegiado, a formação em Tecnologias da Informação e Comunicação na perspectiva do seu contributo no processo organizacional da escola e a formação em áreas específicas de qualificação e modernização do Pessoal Não Docente, a saber, a formação de técnicos profissionais de laboratório, a problemática da educação, higiene e segurança alimentar e o trabalho dos auxiliares de acção educativa com crianças NEE. de O CF Ágora prestou apoio a actividades das escolas e docentes associados, envolvendo apoio logístico, empréstimo de material bibliográfico, audiovisual ou desportivo e, ainda, a utilização da sala de formação e dos recursos aí instalados. Colaborou também na organização da Mostra de Teatro Escolar, que se realizou entre 3 a 7 de Maio de 2005, no Museu dos Transportes (8 grupos de Teatro escolar e, entre actores e espectadores, cerca de mil alunos envolvidos). Destaca-se também no ano de 2005 a publicação de mais dois números da Revista Ágora, em Fevereiro, o n.º 9, tendo como dossier temático Temas da Formação, e em Julho, o n.º 10, tendo como dossier temático Agrupamentos de escolas: um balanço; e dos Cadernos da Formação II, O Professor no século XXI. Formação e Intervenção. Actas das II Jornadas Pedagógicas da Escola Secundária D. Duarte. Por fim, o ano ficou assinalado pela formalização de uma nova parceria, desta feira com o CEIFAC Centro Integrado de Apoio Familiar de Coimbra. (*) Adaptado do Relatório de Avaliação Interna do Plano de Formação 2005 do CF Ágora Teatro da Ao abrigo do Protocolo com o CF Ágora os docentes e não docentes de escolas associadas do CF Ágora dispõem de descontos nos bilhetes dos espectáculos. Bonifrates Março: 11, 18, 25 e 27;Abril: 1, 22 e 25; Maio: 6, 13, 20 e 27; Junho: 1 15h30 I Teatro.-estúdio Bonifrates Cartaz de Inês Lourenço para a Mostra de Teatro Escolar 2006 PROGRAMA A DIVULGAR OPORTUNAMENTE Duarte, com o Formador João Frade; - Novos olhares sobre alguns programas de Francês do Secundário (solicitação e co-organização do grupo de Francês da Esc. Sec. D. Duarte), com a Formadora Manuela Sousa Tavares; - As relações humanas no trabalho - PND (Solicitação dos Agrupamentos de Escolas Inês de Castro e Silva Gaio), com a Formadora Rute Santos; - A Escola face à Dislexia (Solicitação do Agrupamento de Escolas Inês de Castro) com a Formadora Maria da Piedade Ramos - Metodologia de Projecto - 1º Ciclo EB (Solicitação do Agrupamento de Escolas Poeta Manuel da Silva Gaio) com o Formador José António Tavares; - Educadores de Infância como agentes de prevenção de comportamentos de risco - da teoria à prática (Co-organização com o CEIFAC), tendo como Formadores os Técnicos do CEIFAC e do I. D. T. - Oficinas de Escrita (Solicitação e co-organização do grupo de Português da Escola Sec. D. Duarte), tendo como Formadoras Graça Trindade, Madalena Relvão e Rosa Oliveira; Contactos e reservas pelo telefone 239716095. Bilhetes à venda no local a partir das 20h45. Formação contínua de professores na área das TIC - 2006 Proposta de quadro de referência 2 - A formação será realizada pela Rede de Centros de Formação de Professores (CFP) acreditados pelo CCPFC: - CFAES (Centros de Formação de Associação de Escolas); - IES (Instituições do Ensino Superior); - Centros de Formação de Professores de associações profissionais, organizações científicas e outras entidades devidamente acreditadas; A formação de professores deverá ser obrigatoriamente articulada, apoiada e acompanhada por entidades da especialidade (Centros de Competência ou IES). 3 - Áreas de intervenção 2005-06. A formação contínua de professores deverá realizar-se nas seguintes áreas de intervenção: a) - “Animação e dinamização de projectos TIC nas Escolas” - Destinatários: Coordenadores/responsáveis TIC e professores envolvidos em projectos TIC nas escolas; b) - “A utilização das TIC nos processos de ensino e aprendizagem” - Destinatários: Professores de todas as áreas c) - “Factores de liderança na integração das TIC nas escolas” - Destinatários: Elementos dos Conselhos Executivos e Pedagógicos das escolas e agrupamentos d) - “Utilização das TIC em contextos inter e transdisciplinares” - Destinatários: Professores da disciplina TIC do 9º e 10º ano; e) - Os novos programa na área da Informática (em articulação com a DGIDC e DGFV); - Destinatários: Professores envolvidos na aplicação dos novos programas; 4 - Concepção, acompanhamento e avaliação. Para a prioridade e) os CFP deverão articular com a DGIDC e DGFV. Para as prioridades a), b), c) e d) o CRIE irá articular com os Centros de Competência a elaboração de um “kit” que preveja a concepção, acompanhamento e avaliação em cada uma das áreas, que posteriormente serão disponibilizados às entidades formadoras para financiamento junto ao PRODEP. Os Centros de Competência poderão associar-se para este efeito. (...) 5 - Articulação com os CFP. Os CFP apresentarão a financiamento as Acções propostas quando: - Possuam formadores com as competências definidas para cada acção e com disponibilidade para receber formação; - Assegurem a formação segundo os princípios definidos pelo CRIE e com o “kit” construído pelos CC's; - Realizem a selecção dos formandos em articulação com as escolas e agrupamentos de escolas de acordo com o definido para cada acção; - Procedam a uma avaliação rigorosa do processo e do impacto da formação; - Os CFP poderão articular entre si (através de redes de CFP) a formação a apresentar de forma a assegurar as competências necessárias anteriormente enunciadas e a dar resposta às necessidades de formação regionalmente detectadas: Excepcionalmente, o CRIE poderá apreciar planos de formação que pelas suas características respondam a necessidades concretas de formação e que possam não se enquadrar neste quadro de acção. Divulgação - Plano de Formação em TIC's - 2006 1 - A formação contínua de professores na área das TIC a desenvolver no ano de 2006, resultado do Programa “Ligar Portugal” e das orientações do ME para esta área deverá incorporar os seguintes princípios: - Ter como primeiro objectivo a utilização das TIC pelos alunos nas escolas; - Integrar modalidades mistas (“blended”), com uma componente presencial e outra a distância e com o apoio de plataformas de aprendizagem online (LMS); - Estar contextualizada com o trabalho quotidiano do professor, prevendo uma componente prática de trabalho na escola; - Prever a criação de produtos e publicação “online” resultantes do trabalho concreto dos alunos com TIC (e.g. port-folios); - Incluir momentos de auto-formação e proporcionar formação inter-pares (“peer-coaching”); - Realizar-se em modalidades activas de formação (e.g. oficina, projecto, círculo de estudos) acreditadas pelo CCPFC; - Enquadrar-se no projecto educativo das escolas a que os professores/formandos pertencerem, nomeadamente na sua componente TIC; - Apoiar iniciativas nacionais na área das TIC, nomeadamente Concursos de Projectos, assim como os Planos TIC das escolas e agrupamentos; - Prever a avaliação do processo e do impacto da formação; (*) ((*) in “Proposta de quadro de referência: Formação contínua de professores na área das TIC - 2006 Documento de trabalho – versão 1.2”, da CRIE - Equipa de Missão Computadores, Redes e Internet nas Escolas 29 tema B A utilização das TIC nos processos de ensino-aprendizagem Duração: 25h presenciais + 25h trab. autónomo | Cred. base: 2 créditos (a) Modalidade: Oficina de Formação Formadores: Turma B1 - Margarida Campos Turma B2 - Eugénio Pereira Turma B6 - Isabel Pedrosa Turma B7 - José Rêgo Destinatários Professores de todas as áreas e níveis do Ensino Básico Conteúdos 1. Apresentação de experiências, por parte dos formandos e do formador, de utilização das TIC como instrumento didáctico; 2. Potencialidades das TIC no processo de ensino aprendizagem – apresentação de boas práticas; 3. Metodologias de integração das TIC, com particular destaque para a Internet, no processo de construção e produção do conhecimento; As TIC como: a) Meio de informação que suporte o aprender pesquisando, descobrindo e confrontando. b) Contextos que ofereçam meios seguros de exploração para aprender fazendo. c) Meio de comunicação que sustentem o aprender comunicando e colaborando. 4. Estratégias de utilização das TIC numa perspectiva de reorganização e gestão de sala de aula, adaptadas aos espaços e equipamentos disponíveis nas escolas; 5. Produção e utilização de recursos para o ensino e aprendizagem: a. Concepção de recursos de suporte à actividade dos professores; b. Concepção de recursos para o apoio à aprendizagem dos alunos; 6. Capacidade de produção de produtos e recursos pelos alunos. 7. Construção de uma ou duas actividades a realizar em contexto de sala de aula, por parte de cada um dos formando/grupo de formandos; 8. Intervenção no terreno/aplicação das actividades; 9. Avaliação da/s actividade/es realizada/as – reflexão, análise e discussão em grupo; Algumas sugestões de trabalho Divulgação - Plano de Formação em TIC's - 2006 Cada formando elaborará um portfólio que poderá consistir em: • Planos de Unidades/ projectos; • Apresentações multimédia; • Publicações (boletim informativo, folheto, …) • Recursos educativos digitais; • Planeamento de “WebQuests” e de “caça ao tesouro”; • Produção de “WebQuizes”; • Fichas e testes em formato digital; • Ferramentas de avaliação dos materiais elaborados. 30 Avaliação dos formandos Avaliação Contínua Avaliação dos trabalhos produzidos Relatório dos formandos Relatório do formador Creditação (a) Creditação base atribuída pelo CCPFC; a creditação final e definitiva oscilará entre 50 e 100% da creditação base e será atribuída pela Comissão Pedagógica a partir de parecer fundamentado de um Consultor de Formação ou de um especialista na temática da Oficina, sobre relatório produzido pela Formador. Turma B1 Local de realização e Cronograma Turma B2 Local de realização e Cronograma Escola Sec. D. Duarte Escola Sec. da Quinta das Flores Maio: dias 4, 9, 11, 18 e 30; (18h30-21h00/21h30) Junho: dias 8, 22 e 29; (18h30-21h00 ou 21h30) Julho: dia 13 (18h30-21h00 ou 21h30) Maio a Julho (a divulgar oportunamente) Turma B6 Local de realização e Cronograma Turma B7 Local de realização e Cronograma Escola Sec. D. Duarte Escola Sec. D. Duarte Setembro a Dezembro (a divulgar em Julho) Setembro a Dezembro (a divulgar em Julho) Factores de Liderança na integração das TIC nas escolas Duração: 25 h presenciais + 25 h trab. autónomo | Cred. base: 2 créditos Modalidade: Oficina de Formação tema C (a) Formador: José Torres Pereira Destinatários Elementos dos órgãos de gestão administrativa e pedagógica das escolas/agrupamentos. Conteúdos • Introdução e enquadramento - Os princípios do Quadro de Referência das TIC 2006 - Gestão do “processo TIC” das escolas - Aspectos organizacionais - Identificação do Coordenador TIC - O plano TIC da escola/agrupamento • Liderança (transformacional, versátil, relacional) • Mudança o Estratégias e factores críticos - Variáveis de mudança • Liderança tecnológica e Inovação • Princípios orientadores • Construção de uma visão colectiva • Construção de uma equipa comprometida • Estabelecimento de colaborações e parcerias • Criação de ambientes promotores da aprendizagem • Condução e gestão da mudança, do desenvolvimento e da inovação - presencial inicial (8h) - não presencial: on-line, autónomo e a distância (12,5h) - presencial intermédio (8h) - não presencial: on-line, autónomo e a distância (12,5h) - presencial final e avaliação (9h) Avaliação dos formandos • Propostas de Plano/Projecto TIC • Participação presencial e on-line • Produtos resultantes do projecto • Auto-avaliação (relatório de reflexão crítica) Creditação Creditação base atribuída pelo CCPFC; a creditação final e definitiva oscilará entre 50 e 100% da creditação base e será atribuída pela Comissão Pedagógica a partir de parecer fundamentado de um Consultor de Formação ou de um especialista na temática da Oficina, sobre relatório produzido pela Formador. (a) Turma C1 Local de realização e Cronograma Escola Sec. D. Duarte Divulgação - Plano de Formação em TIC's - 2006 Metodologia Sessões: Setembro a Dezembro (a divulgar em Julho) 31 tema D As TIC em contextos inter e transdisciplinares Duração: 25 h presenciais + 25 h trab. autónomo | Cred. base: 2 créditos (a) Modalidade: Oficina de Formação Formadora: Lídia Oliveira Destinatários Preferencialmente, professores de TIC (disciplina do 9º e 10º anos de escolaridade) com habilitação para leccionarem a disciplina de TIC do 9º e do 10º anos de acordo com o despacho de habilitações n.º 14 637/2005 (2ª série). Divulgação - Plano de Formação em TIC's - 2006 Razões justificativas A disciplina das TIC no 9º e no 10º anos de escolaridade é uma das peças existentes actualmente nas nossas escolas e com ela pretende-se desenvolver nos jovens competências que lhes permitam a utilização generalizada das tecnologias de forma autónoma, crítica e produtiva, sendo que para tal “o ensino das TIC deverá ser feito em articulação e interacção com as demais disciplinas, por forma a que os alunos sejam confrontados com a utilização das aplicações informáticas mais comuns em contextos concretos e significativos”. (p.3 do Programa da Disciplina de TIC). É nesta perspectiva que propomos esta oficina de formação, destinada a professores de TIC, de forma a promover neles competências no domínio das metodologias de trabalho inter e transdisciplinar com utilização das TIC. Assim, as metodologias propostas passam pelo desenvolvimento de trabalho de projecto e trabalho colaborativo, construção de portfólios com os alunos, desenvolvimento de espírito crítico, entre outras. Deverá também estar presente nesta Oficina, formação pedagógica e tecnológica, ao nível do desenvolvimento do projecto curricular de turma, uma vez que o Conselho de Turma será o espaço privilegiado para os professores de TIC apresentarem propostas e planearem actividades com os seus parceiros. Conteúdos • Introdução e enquadramento - Os princípios do Quadro de Referência da Formação para as TIC 2006 - A disciplina de TIC - Análise crítica do programa e das orientações curriculares - Trabalho de grupo no Conselho de Turma: envolvimento de outros professores - Articulação com a formação CRIE 2006 • O papel das TIC na promoção de mais e melhor aprendizagem - Metodologias de trabalho promotoras da inter e da transdisciplinaridade - Modelos de desenvolvimento - As TIC no ensino/aprendizagem - Trabalho Prático, trabalho de projecto e trabalho colaborativo e construção de portfólios com TIC - Interdisciplinaridade horizontal e vertical (níveis de ensino) - A disciplina TIC como instrumento transversal de desenvolvimento TIC na escola - Avaliação das aprendizagens: objectivos, estratégias e instrumentos – papel das TIC Avaliação • Qualidade das propostas de desenvolvimento curricular na disciplina de TIC • Qualidade da participação presencial e on-line • Qualidade dos produtos resultantes do projecto • Auto-avaliação (relatório de reflexão crítica) Creditação Creditação base atribuída pelo CCPFC; a creditação final e definitiva oscilará entre 50 e 100% da creditação base e será atribuída pela Comissão Pedagógica a partir de parecer fundamentado de um Consultor de Formação ou de um especialista na temática da Oficina, sobre relatório produzido pela Formador (a) Turma D1 Local de realização e Cronograma Escola Sec. D. Duarte Setembro a Dezembro (a divulgar em Julho) 32 tema Linux, Caixa Mágica e Openoffice.org E Duração: 25 horas | Créditos: 1 crédito Modalidade: Curso de Formação Formador: Manuel Tavares Destinatários Prof. dos Cursos Tecnológicos de Informática do Ensino Secundário Metodologias Organização em sessões teórico-práticas com duração de 3h com a seguinte tipologia: Sessões teórico-práticas para debate de conceitos e exploração de materiais de aprendiagem. Sessões de carácter essencialmente prático para exploração do sistema operativo e aplicações e aprendizagem dos procedimentos essenciais. Conteúdos Introdução ao Sistema Operativo Linux (5 horas) Iniciação ao StarOffice 7 (4 horas) Aplicações Linux para Estação de Trabalho (4 horas) Folha de Cálculo do StarOffice 7.0 (4 horas) Linux Avançado (4 horas) Ferramenta de Apresentação do StarOffice 7 (4 horas) Avaliação Avaliação Contínua da participação nas Sessões Trabalho individual Turma E1 Local de realização e Cronograma Escola Sec. D. Duarte Junho dia 28 (9h30-13h00 e 14h30-18h00) Julho dias: 5 e 7 (9h30-13h00 e 14h30-18h00) dia 13 (9h00-13h00) Divulgação - Plano de Formação em TIC's - 2006 Objectivos Compreender a história do Linux. Arranque do sistema Linux. Configurar o sistema. Executar as principais aplicações. Definir o conceito de Shell e usar os principais grupos de comandos. Configurar e optimizar o X-Windows. Configurar o ambiente de janelas do Linux CM. Utilizar o gestor de ficheiros Konqueror para gerir ficheiros e directorias. Compreender os componentes e funcionalidades da suite de aplicações. Migrar para a suite de aplicações OpenOffice a partir de outras ferramentas de escritório. Utilizar as funcionalidades do OpenOffice para criar documentos de texto. Melhorar o aspecto de documentos através da adição de objectos e a utilização das funcionalidades de formatação do módulo StarOffice Writer. Criar folhas de cálculo, organizar dados e trabalhar com fórmulas e funções. Importar, exportar e trocar dados a partir do StarOffice Calc. Utilizar quadros e objectos. Criar e formatar apresentações e desenhos apelativos e eficazes com os módulos StarOffice Impress e StarOffice Draw. 33 tema E Introdução ao Tratamento de Imagem e Desenho Vectorial Duração: 25 horas | Créditos: 1 crédito Modalidade: Curso de Formação Formador: João Martiniano Destinatários Prof. dos Cursos Tecnológicos de Design e de Multimédia do Ensino Secundário Divulgação - Plano de Formação em TIC's - 2006 Objectivos Conhecer os conceitos base nas áreas de tratamento de imagem e desenho vectorial. Dotar os professores de conhecimentos para trabalhar de forma autónoma com um aplicativo de tratamento de imagem e/ou desenho vectorial. Dotar os professores de conhecimentos para partilhar saberes e recursos. Fomentar a mudança de atitude do professor em relação à integração das TIC no ambiente educativo. Aplicar conhecimentos no desenvolvimento de materiais, conjugando ou não o tratamento de imagem com o desenho vectorial. Promover o desenvolvimento de aplicações interdisciplinares, no âmbito do tratamento de imagem e do desenho vectorial. 34 Conteúdos 1. Conceitos iniciais (1,5 horas) (Introdução; componentes de uma imagem digital; tipos de imagens; resolução; cores; formatos de ficheiros; diferenças de cor entre monitores e impressoras 2. Introdução ao aplicativo (1 hora) Introdução; elementos do interface; janelas 3. Operações básicas (2,5 horas) (Criar nova imagem; abrir imagem; gravar imagem; imprimir imagem; obter e interpretar informações sobre uma imagem; ferramentas básicas; os comandos undo e redo 4. Desenhar (3 horas) Ferramentas de desenho; 5. Tratamento de imagem (6,5 horas) Operações básicas de manipulação; aplicação de efeitos; ajustes de imagem 6. Selecções (2,5 horas) Introdução; ferramentas; manipulação de selecções 7. Camadas (1,5 horas) Introdução; manipulação de camadas 8. Desenho vectorial (6,5 horas) Introdução; operações básicas; desenho de objectos definidos pelo utilizador / objectos irregulares; organização de objectos Avaliação Assiduidade. Trabalhos desenvolvidos nas sessões. Relatório crítico da Acção. Turma E2 Local de realização e Cronograma Escola Sec. da Quinta das Flores Maio dias: 15, 17 e 22; (18h-21h) Junho dia 5 (18h-21h) dia 29 (9h30-12h30) Julho dias: 4, 6, 11 e 13 (9h30-12h30) Oficina 25+25 Oficina 25+25 Curso Curso Curso Factores de Liderança na Integração das TIC nas Escolas As TIC em contextos inter e transdisciplinares Linux, Caixa Mágica e Openoffice.org Introdução ao Tratamento de Imagem e Desenho Vectorial Microcontrolador 8051 B C D E E4 Prof. dos grupos 2.º B e 12.º B do Ensino Básico e do Ensino Secundário Manuel Tavares E2 Rogério Baldaia António Silva Pereira João Martiniano Manuel Tavares E1 E3 Margarida Campos D2 José Torres Pereira B10 Lídia Oliveira Celso Costa B9 D1 Fernando Antunes B8 José Torres Pereira José Rêgo B7 C1 Isabel Pedrosa B6 Isabel Pedrosa B4 Emanuel Dias Hélder Azenha B3 B5 Eugénio Pereira B2 Prof. dos Cursos Tecnológicos de Design e de Multimédia Prof. do Curso Tecnológico de Informática Professores da disciplina TIC do 9º e 10º ano Elementos dos Conselhos Executivos e Pedagógicos das escolas e agrupamentos Professores de todas as áreas Margarida Campos Rigoberto Correia Daniel Peixoto Mário Lopes Formadores B1 A1 Coordenadores /responsáveis TIC e professores envolvidos em projectos TIC nas escolas A2 Destinatários CFAE Sicó-Norte / Ag. Esc. Condeixa-a-Nova CFAE do Calhabé / Esc. Sec. Avelar Brotero Local de Realização CFAE Álvaro Silveira / Ag. Esc. Martim de Freitas CFAE Ágora / Esc. Sec. D. Duarte CFAE Ágora / Esc. Sec. D. Duarte CFAE Sicó-Norte / Ag. Esc. Condeixa-a-Nova CFAE Álvaro Silveira / Ag. Esc. Martim de Freitas CFAE Álvaro Silveira / Ag. Esc. Martim de Freitas CFAE Ágora / Esc. Sec. D. Duarte CFAE Ágora / Esc. Sec. D. Duarte CFAE do Calhabé / Esc. Sec. Avelar Brotero CFAE Sicó-Norte / Ag. Esc. Condeixa-a-Nova CFAE Álvaro Silveira / Ag. Esc. Martim de Freitas CFAE Ágora / Esc. Sec. D. Duarte CFAE Sicó-Norte / Ag. Esc. Condeixa-a-Nova Setembro a Dezembro (2 sessões presenciais e as restantes on-line) CFAE do Calhabé / Esc. Sec. Avelar Brotero Maio: 15, 17 e 22 Junho: 5 (18h-21h) CFAE Ágora / Esc. Sec. D. Duarte e 29 Julho: 4, 6, 11 e 13 (9h30-12h30) Setembro 28 Junho 5 e 7 de Julho (9h30-13h CFAE Ágora / Esc. Sec. D. Duarte e 14h30-18h) e 13 de Julho (9h-13h) Setembro a Dezembro Setembro a Dezembro Setembro a Dezembro Setembro a Dezembro Setembro a Dezembro Setembro a Dezembro Setembro a Dezembro Setembro a Dezembro Setembro a Dezembro Maio: 3, 17, 24 e 31 (16h-20h) Junho: 7 e 14 (16h-20h30) Abril a Junho Maio a Julho (início a 4 de Maio às 18h00) Maio: 4, 9, 11, 18 e 30 Junho: 8, 22, 29 CFAE Ágora / Esc. Sec. D. Duarte Julho: 13 (18h30-21h00 ou 21h30) Setembro a Dezembro Setembro a Dezembro Calendarização Fundo Social Europeu UNIÃO EUROPEIA 1 - O Período normal de Inscrição decorrerá entre 21 de Março de 2006 e 22 de Abrll de 2006. A selecção será publicitada, por ordem cronológica de realização das acções, a partir de 29 de Abrll de 2006 e os formandos seleccionados serão contactados pessoalmente, por via telefónica ou postal. 2 - Os Critérios de Selecção dos formandos são os seguintes: 1.º - Leccionar numa escola associada dos CFAE's promotores (CFAE's Ágora, Álvaro Silveira, Calhabé e Sicó-Norte); 2.º - Data mudança de Escalão; 3.º - Ordem de inscrição; no caso das Acções dos temas C e D em que também são considerados no 1.º Critério os formandos associados dos CFAE's da Lousã, VN Poiares, Beira Serra e Oliveira do Hospital. 3 - As Fichas de Inscrição devem ser afixadas publicamente nos lugares próprios dos estabelecimentos de ensino, podendo ser policopiadas. 4 - Serão aceites como válidas as Fichas de Inscrição que, devidamente confirmadas pela Secretaria da Escola/Agrupamento ou Entidade Responsável, sejam remetidas por Fax ao Centros de Formação promotores, no prazo indicado. No entanto, os originais das Fichas de Inscrição terão que ser, posteriormente, entregues. 5 - Depois de iniciada a Acção, deverão ser entregues, para além dos restantes documentos, fotocópias do recibo de vencimento relativo aos meses em que decorre a Acção. 30 25 25 Oficina 25+25 A utilização das TIC nos Processos de Ensino Aprendizagem H. Oficina 25+25 M. Coordenação, animação e dinamiz. de Projectos TIC nas Escolas Acção de Formação A TEMA Formação TIC’s 2006 observações