Marília Inez Figueiredo Aplicação de Gabaritos na Análise da Dentadura Decídua Faculdade de Odontologia – PUCMINAS Belo Horizonte - 2003 Marília Inez Figueiredo Aplicação de Gabaritos na Análise da Dentadura Decídua Dissertação apresentada ao Programa de Mestrado da Faculdade de Odontologia da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, como requisito parcial à obtenção do título de Mestre em Odontologia. Área de concentração: Odontopediatria Orientador: Prof. Dr. Roberval de Almeida Cruz Faculdade de Odontologia - PUCMINAS Belo Horizonte - 2003 Quando você está trabalhando, o passar das horas deve soar como música extraída de uma flauta. ... E o que é trabalhar com amor? É como tecer uma roupa com fios que vem do coração como se fosse o seu bem-amado a usá-la... - Kalil Gibran, O profeta. Dedico este trabalho... aos meus pais (Francisco e Maria) e irmãos (Meg, Maurício e Maysa) que, com ternura e amor, sempre me apoiaram e estimularam na conquista de meus ideais; exemplos de amor e honestidade; ao meu marido Carlos Alberto (Kaka) meu amor, que com carinho, dedicação, paciência... soube compreender e abdicar de momentos importantes em nossa trajetória, dando-me força e coragem para continuar minha busca pelo conhecimento; ao meu querido filho, João Eduardo, minha maior alegria; anjinho querido que me acompanhou desde os primórdios desse trabalho, em meu ventre e se privou de momentos importantes no início de seu desenvolvimento, minhas desculpas e agradecimento; ao grande amigo e colega José Aloízio, que sempre me incentivou a seguir em frente. Sua ajuda ilimitada é estímulo para a obtenção deste título. Aos meus sogros e cunhados, muito obrigada. Amo todos vocês! Divido minha alegria e dirijo-me com gratidão. Transformo em palavras sentimentos de agradecimentos que permanecerão em meu coração... para sempre! Agradecimentos especiais Ao Professor Dr. Roberval de Almeida Cruz, Coordenador Geral dos Programas de Mestrado da Faculdade de Odontologia da PUC-MG, meu orientador, a quem muito estimo e admiro; pelo estímulo, apoio, disponibilidade e paciência. Entretanto, ainda mais que sua participação preciosíssima neste trabalho realizado com a inigualável experiência e competência que o caracteriza, gostaria de agradecê-lo por todas as lições de vida que recebi e por sua amizade. À Professora Dra. Cláudia Valéria de Sousa Resende Penido, Coordenadora do Programa de Mestrado em Odontopediatria, da Faculdade de Odontologia da PUC-MG, por toda a amizade, carinho, incentivo, colaboração; por seu trabalho dedicado à frente das atividades teóricas e clínicas do curso. Sua disponibilidade e apoio durante a realização deste trabalho aumentaram grandemente meus conhecimentos técnico-científicos e pessoais. Sua ajuda e aconselhamentos foram fundamentais para meu desempenho; À Professora Dra. Vânia Célia Vieira de Siqueira, Assistente Doutora da Disciplina de Ortodontia da Faculdade de Odontologia de Piracicaba – UNICAMP e Adjunta III da Disciplina de Ortodontia da Faculdade de Odontologia da PUCMG. Agradeço especialmente pela sua inestimável demonstração de companheirismo, amizade e carinho. Criteriosa em seus ensinamentos; por seus conselhos muito bemvindos no decorrer desta caminhada; À Professora Dra. Sucena Matuk Long, Doutora em Odontopediatria/ Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo, Professora do Curso de Odontopediatria - Universidade Paulista/UNIP e Adjunta da Universidade Cidade de São Paulo- UNICID, pela disponibilidade e ajuda durante a execução deste trabalho; Ao Professor Dr. Ênio Tonani Mazzieiro, Coordenador do Programa de Mestrado em Ortodontia, da Faculdade de Odontologia da PUC-MG, pela amizade, atenção, pela capacidade à frente do Centro de Odontologia e Pesquisa, exemplo de mestre dedicado; Ao Professor Dr. Félix de Araújo Souza, Digníssimo Diretor da Faculdade de Odontologia da PUC-MG, pela atenção e competência; Aos queridos professores do Programa de Pós-Graduação em Odontopediatria, pelos ensinamentos e contribuições que enriqueceram minha trajetória; A todos os demais professores pelas experiências transmitidas de forma segura, pelos caminhos do conhecimento; Aos meus queridos colegas de mestrado, amigos, companheiros: Luís Cândido Pinto da Silva, Mário Sérgio Fonseca, Renata Antonini Pimenta, Xislana Cheroto Versiani, ajudaram-me, deram-me força, dedicação e carinho; nossa convivência foi muito enriquecedora e agradável e isso constitui para mim um dos fatos mais marcantes deste período. Meus amigos para sempre, obrigada! A vitória toma um tom especial quando não se vence só! Aos colegas Dr. Carlos Roberto Assis, Dra. Giselle Poggiali, Dr. Marcelo Flávio Mendlovitz, Dr. Tarcísio Junqueira Pereira, pela gentileza e colaboração na obtenção da amostra, ajudando imensamente para o desenvolvimento da pesquisa; À querida Mônica Andréia Miranda pela ajuda inestimável, dedicação e amizade. Sua vibração e colaboração foram fundamentais para a elaboração deste trabalho. Aos colegas das turmas de Mestrado em Ortodontia pelos bons momentos em nosso convívio; pelo carinho e ensinamentos que aperfeiçoaram minha trajetória; Às colegas do Curso de Especialização em Odontopediatria e Atendimento à Pacientes com Necessidades Especiais, nossa convivência agradável e enriquecedora; Aos pacientes que sempre nos fazem repensar e aprender a tornarmos pessoas mais humanas e generosas; Às queridas Fátima Salgueiro, Silvânia e Angélica pelo profissionalismo, carinho e amizade; Aos funcionários da Secretaria da Pós-graduação da Faculdade de Odontologia da PUC-MG, que prestaram ajudas inestimáveis, o meu carinho e gratidão; A todas as funcionárias da Faculdade por sua parcela de ajuda diária no cumprimento de suas funções; Às diretoras e funcionários das escolas e creches, às crianças e responsáveis que colaboraram imensamente para que a pesquisa se efetivasse; À revisão criteriosa e cuidadosa do professor Johny Maffra; exemplo de dedicação e amor à profissão; Aos amigos do Núcleo de Radiologia Brasil, pela paciência, dedicação e eficiência; Às amigas bibliotecárias pela disponibilidade e ajuda; A todos que, de alguma forma, contribuíram para a execução da pesquisa ajudando-me... Expresso meu reconhecimento ao Fundo de Incentivo à pesquisa pelo apoio financeiro. Acima de tudo a DEUS que iluminou meus caminhos para conquistar mais esta etapa, concedendo-me a graça de sempre acreditar... “Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como preces nem repetidas com fervor; apenas respeitadas como a única coisa que resta a uma pessoa inundada de sentimentos. Porque metade de mim é o que ouço, mas a outra metade é o que calo...” Oswaldo Montenegro “Somente os fortes alcançam a vitória, porque os fracos logo se deixam vencer pelo desânimo... Somente os fortes conquistam os altos cumes, porque sabem escalar a montanha passo a passo e lentamente vencer os percalços... Toda subida exige esforços, perseverança e coragem. Aqueles que temem os desafios ou que já antecipam o fracasso são vencidos pelo descrédito em si mesmos e serão, na certa, derrotados... Pois, antes de tudo, é a força interior que nos faz capazes de vencer!” Francisca de Fátima Macedo Mendonça SUMÁRIO LISTA DE FIGURAS LISTA DE TABELAS e GRÁFICO RESUMO 1 INTRODUÇÃO 2 REVISÃO DA LITERATURA i iv v 1 6 2.1 2.2 Dentadura decídua: importância clínica de sua avaliação Dentadura decídua: características normais 7 19 2.3 Dentadura decídua: análise morfológica 30 3 OBJETIVOS 43 4 4.1 METODOLOGIA Formação da amostra 45 46 4.1.1 Grupo A 47 4.1.2 Grupo B 55 4.1.3 Observações gerais 56 4.2 Obtenção dos modelos de gesso padrão 56 4.3 Aplicação dos gabaritos 58 4.4 Análise e interpretação dos dados 62 5 6 7 8 9 10 RESULTADOS DISCUSSÃO CONCLUSÕES REFERÊNCIAS ABSTRACT ANEXOS 65 79 114 116 133 135 LISTA DE FIGURAS Figura 01 Arco do tipo I de Baume com trespasse vertical normal vista frontal Arco do tipo I de Baume com trespasse horizontal normal - vista lateral 49 Figura 03 Arco do tipo II de Baume com trespasse vertical normal - vista frontal 50 Figura 04 Arco tipo II de Baume com trespasse horizontal normal – vista lateral 50 Figura 05 Relação de caninos normal e plano terminal mesial, lado direito 51 Figura 06 Relação de caninos normal e plano terminal mesial lado esquerdo 51 Figura 07 Relação de caninos normal e plano terminal reto, lado direito 52 Figura 08 Relação de caninos normal e plano terminal reto lado esquerdo 52 Figura 09 Arco tipo I de Baume - vista oclusal superior 53 Figura 10 Arco tipo I de Baume - vista oclusal inferior 53 Figura 11 Arco tipo II de Baume - vista oclusal superior 54 Figura 12 Arco tipo II de Baume - com giroversões dentárias - vista oclusal inferior 54 Figura 13 Modelos de estudo padrão – vista frontal 57 Figura 14 Figura 15 Modelos de estudo padrão - vista oclusal Aplicação do gabarito sobre modelo de arco tipo I superior, normal 58 60 Figura 16 Aplicação do gabarito sobre modelo de arco tipo I inferior, 60 Figura 02 49 Figura 17 normal Aplicação do gabarito sobre modelo de arco tipo I superior, alterado 61 Figura 18 Aplicação do gabarito sobre modelo de arco tipo I inferior, alterado 61 Figura 19 Gabarito de Long 84 Figura 20 Comprimento de arco dentário (L) 84 Figura 21 Diagrama de Carrea 85 Figura 22 Arco tipo I superior e inferior? Misto? 92 Figura 23 Arco tipo I superior e inferior? 92 Figura 24 Arco tipo II superior e inferior? 93 Figura 25 Arco tipo I superior e inferior 93 Figura 26 Arco tipo II superior e I inferior? 94 Figura 27 Arco tipo II superior e inferior? Misto? 94 Figura 28 Arco tipo II superior e inferior 95 Figura 29 Arco tipo I superior e inferior 95 Figura 30 Má oclusão envolvendo erro morfológico no sentido vertical (mordida aberta anterior) 97 Figura 31 Má oclusão envolvendo erro morfológico no sentido vertical, (sobremordida aumentada) 98 Figura 32 Má oclusão envolvendo erro morfológico no sentido ânteroposterior, (sobressaliência aumentada) 99 Figura 33 Má oclusão envolvendo erro morfológico intra-arco (apinhamento dentário inferior-transitório) 100 Figura 35 Má oclusão envolvendo erro morfológico no sentido transversal - 104 ii mordida cruzada posterior unilateral esquerda Figura 36 Má oclusão envolvendo erro morfológico no sentido transversal 105 (atresia do arco dentário superior) Figura 37 Má oclusão envolvendo erro morfológico no sentido sagital 106 (relação de caninos de classe II), vertical (sobremordida profunda) e transversal (mordida cruzada posterior unilateral, lado direito) Figura 38 Má oclusão envolvendo erro morfológico no sentido sagital (relação de classe III de caninos), vertical (mordida aberta anterior) e transversal (mordida cruzada posterior unilateral direita) 107 Figura 39 Má oclusão envolvendo erro morfológico no sentido sagital (relação de classe III de caninos) e transversal (atresia do arco dentário superior) Má oclusão envolvendo erro morfológico no sentido ânteroposterior e vertical 108 Quadro 1 Composição da amostra 47 Quadro 2 Interpretação do teste estatístico “Kappa” 63 Quadro 3 Resumo do teste de Kappa com respectivo valor de significância 73 Quadro 4 Resultados dos testes diagnósticos por tipos de arcos de Baume e arcadas 78 Figura 40 iii 109 LISTA DE TABELAS e GRÁFICO Tabela 01 Medidas descritivas dos dados pessoais e dados clínicos das crianças 67 Tabela 02 Medidas descritivas dos dados clínicos das crianças 69 Tabela 03 Medidas descritivas dos dados clínicos das crianças 71 Tabela 04 Medidas descritivas dos dados clínicos das crianças 72 Tabela 05 Medidas descritivas das distâncias molares dos arcos dentários das crianças 73 Tabela 06 Medidas descritivas da distância molar das crianças 74 Tabela 07 Resultado do teste de concordância de Kappa entre as variáveis “Gabarito Arco Tipo I Superior e Critérios clínicos, segundo LONG” Resultado do teste de concordância de Kappa entre as variáveis “Gabarito Arco Tipo II Superior e Critérios Clínicos, segundo LONG” 75 Tabela 09 Resultado do teste de concordância de Kappa entre as variáveis “Gabarito Arco Tipo I Inferior e Critérios Clínicos, segundo LONG” 77 Tabela 10 Resultado do teste de concordância de Kappa entre as variáveis “Gabarito Arco Tipo II Inferior e Critérios Clínicos, segundo LONG” 77 Gráfico 01 Caracterização das crianças segundo a avaliação de LONG Tabela 08 (1999) e SILVA FILHO (2002) iv 76 110 RESUMO A alta prevalência da má oclusão desde a dentadura decídua tem sido denunciada pelas pesquisas contemporâneas. Os arcos dentários decíduos são freqüentemente diagnosticados por critérios clínicos conhecidos, e, nesta fase de desenvolvimento, trata-se principalmente dos problemas inter-arcos, que têm impacto corretivo imediato. LONG (1999) desenvolveu gabaritos para analisar a dentadura decídua. Objetivando avaliar sua eficácia diagnóstica, foram sobrepostos em 198 pares de modelos de crianças, distribuídas em 02 grupos, 59 com dentaduras normais e 139 com más oclusões diversas. O grupo (A) foi estratificado em 42 arcos superiores e 36 inferiores tipo I de Baume e 17 superiores e 23 inferiores, tipo II de Baume. O grupo (B) foi composto por 78 modelos superiores e 75 inferiores tipo I, e 61 superiores e 64 inferiores tipo II de Baume. Os resultados revelaram que os gabaritos propostos não se aplicam à avaliação diagnóstica da normalidade ou anormalidade da dentadura decídua. PALAVRAS-CHAVE: Dentadura decídua, análise morfológica, oclusão normal, oclusão decídua, má- oclusão. v 1 . INTRODUÇÃO Introdução 2 I 1. NTRODUÇÃO Os arcos dentários decíduos com normalidade de oclusão devem ser preservados e acompanhados, durante o desenvolvimento do paciente, até a dentadura permanente, para que se mantenham as características oclusais e funcionais. No entanto, fatores etiológicos ambientais, genéticos e funcionais podem causar interferências, desde os estágios iniciais da dentadura provocando desvios morfológicos. A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera os desvios morfológicos que acometem a população, caracterizados como más oclusões, como o terceiro problema odontológico de saúde pública. É consenso que a má oclusão pode estar presente nos estágios que antecedem a maturidade oclusal, a partir da dentadura decídua e sua prevalência é denunciada pelas altas taxas encontradas nas pesquisas contemporâneas. A dentadura decídua compreende um estágio curto e estático do desenvolvimento da oclusão que, em média, estende-se dos 03 aos 06 anos de idade. Provavelmente sua efêmera existência evoca menos preocupação por parte dos odontólogos, mormente os ortodontistas, explicando a escassez de literatura pertinente a esse estágio de desenvolvimento (SILVA FILHO et al., 2002). O conhecimento dos padrões normais de crescimento e de desenvolvimento dos arcos dentários decíduos é importante para capacitar o especialista a acompanhar, de modo eficaz, as etapas evolutivas e as transformações naturais que ocorrem durante esta fase, a fim de diagnosticar, prognosticar, prevenir e interceptar más oclusões na dentadura sucessora. Algumas merecem abordagem terapêutica precoce na dentadura decídua ou a partir do início da dentição mista, Assim, é preciso determinar se o arco dentário decíduo está normal ou com problemas morfológicos e conhecer a ação dos prováveis fatores que compreendem a pluralidade etiológica da má oclusão. As alterações observadas na dentadura decídua que conduzem à decisão para o tratamento precoce estão fundamentadas em bases clínicas e biológicas. Para exemplificar, sabe-se que padrões de má oclusão do tipo Classe II de Angle, estabelecidos na dentadura decídua, como degrau distal na avaliação do plano terminal dos segundos molares decíduos e Classe II de caninos não se autocorrigem, sem intervenção, na transição para a dentadura mista. As mordidas abertas anteriores e cruzadas ântero-posteriores estão presentes em percentagem grande de crianças neste estágio de desenvolvimento e, a interferência dos hábitos bucais viciosos e das obstruções das vias aéreas superiores afeta o bebê, desde os primórdios da vida pré e pós-natal, provocando alterações dimensionais nos seus arcos dentários. Os arcos dentários decíduos normais ou alterados são freqüentemente diagnosticados pelos odontopediatras e ortodontistas, por meio de critérios clínicos conhecidos. O diagnóstico objetivo, prático e essencialmente clínico normalmente é priorizado. Trata-se, principalmente, dos problemas que tem impacto corretivo imediato. Na dentadura decídua não há indicação para correção da relação intra-arco (morfologia do arco dentário e relação dente-osso). Além Introdução 4 disso, é plenamente viável fazer o diagnóstico da relação inter-arcos clinicamente, sem qualquer auxílio técnico. Pensando na relação custo-benefício a longo prazo, há indicação apenas para correção da relação inter-arcos alterada: mordidas cruzadas (posteriores e anteriores), mordida aberta dento-alveolar e padrão de Classe III de Angle. Este tipo de tratamento ortodôntico interceptativo é mundialmente difundido e aplicado pela maioria dos ortodontistas e odontopediatras. Os diagramas já desenvolvidos, principalmente para a dentadura decídua, são escassos e não têm sido aplicados pelos especialistas na clínica diária. De qualquer forma, discute-se a análise morfológica da dentadura decídua desde 1920, quando CARREA determinou o “triângulo eqüilátero infantil” e elaborou diagramas para auxiliar a compreensão de padrões de normalidade dos arcos decíduos e seus desvios. Usualmente os diagramas não têm sido aplicados, nem citados na literatura. LONG (1994) demonstrou que a metodologia para estudo da forma dos arcos dentários era bastante variada, abordando principalmente a dentadura permanente. Face esta constatação pretendeu elaborar análise da dentadura decídua, que fosse de fácil aplicação. Assim, desenvolveu gabaritos específicos para arcos decíduos, obtidos através de computação eletrônica. Concluiu que a forma do arco se ajusta sempre ao mesmo padrão (curva elíptica), tanto nos arcos tipo I, quanto nos arcos tipo II de Baume, em ambos os sexos, propondo sua utilização para sobreposição em modelos de gesso. Em 1999, foi aperfeiçoada a metodologia, estabelecendo-se alguns elementos de referência a serem marcados Introdução 5 nos modelos de gesso, onde os gabaritos selecionados eram sobrepostos. A aplicação desses gabaritos foi recomendada para utilização clínica rotineira (LONG & CHELOTTI, 2002). Considerando fisiologicamente a estabilidade da dentadura decídua, a necessidade do conhecimento dos padrões de normalidade, a importância do diagnóstico precoce de más oclusões com etiologia multifatorial e a contribuição científica para comprovação de métodos pesquisados, foi proposta a verificação da aplicabilidade daqueles gabaritos em modelos de dentaduras decíduas normais e alteradas, objetivando avaliar sua eficiência clínica à luz dos critérios clínicos conhecidos, que caracterizam oclusão normal e má oclusão. 2. REVISÃO DA LITERATURA Revisão da literatura 2. 7 REVISÃO DA LITERATURA O desenvolvimento da oclusão, as características normais da dentadura decídua e sua evolução para a permanente têm sido bastante estudados (BAUME, 1950; CLINCH, 1951; FOSTER & HAMILTON, 1969; MOORREES et al., 1969; ISSÁO & GUEDES PINTO, 1978; BISHARA et al., 1988). Entretanto, a literatura revela escassez de estudos pertinentes às análises morfológicas da dentadura decídua, por meio de gabaritos ou diagramas (CARREA, 1920; LONG, 1999). Para contribuir com o estudo do problema, será feita, por partes, uma revisão da literatura sobre a importância clínica da avaliação da dentadura decídua, suas características normais, e sobre a descrição de algumas análises já desenvolvidas, envolvendo seus aspectos práticos e suas aplicações. 2.1 - Dentadura decídua: importância clínica de sua avaliação A necessidade da existência de métodos determinantes da morfologia de arcos dentários normais tem sido ressaltada, na busca da prevalência, etiologia e desenvolvimento das más oclusões na dentadura decídua, visto ser consenso que as más oclusões manifestam-se desde este estágio de desenvolvimento (BOGUE, 1913; SILLMAN, 1940; WEST, 1969; INFANTE, 1975; HUGGARE et al., 1993; BISHARA et al., 1995; McCONNELL et al., 1996; BACCETTI et al., 1997; Revisão da literatura 8 MARTINS, 1998; CASSIDY et al., 1998; TOMITA et al., 1998; SILVA FILHO et al., 1999; LEGOVIC & MADY, 1999; CASTRO, 2001; LARSSON, 2001; WARREN & BISHARA, 2001; LENCI, 2002; SILVA FILHO et al., 2002). ALEXANDER & PRABHU (1998) citou BROWNS (1841), relatando desde essa época que a dentadura decídua estava completamente estabelecida por volta de 02 a 03 anos de idade; que os 03 anos seguintes para a iniciação da dentição mista eram cruciais, pois ocorrem mudanças normais de crescimento e adaptabilidade funcional; que no período da dentadura decídua a má oclusão pode ser iniciada, e, se não for diagnosticada e tratada a tempo, pode tornar-se mais complexa. Há muito tempo também é sabido que obstruções das vias respiratórias induzem à atresia da maxila, alterando a forma dos arcos decíduos (BOGUE, 1913). Tem sido destacada a necessidade do acompanhamento ortodôntico em crianças, para a prevenção de má oclusão. Muito poderia ser realizado, se os dentistas fossem treinados para reconhecer a boa oclusão, aplicando medidas simples para prevenir os distúrbios (SILLMAN, 1940; 1948). Muitas das más oclusões observadas na dentadura decídua são a antecipação do que será encontrado na dentadura mista e permanente, se não forem tratadas. Embora alguns prefiram adiar o tratamento, com base na discordância de anormalidade, poucas são as alterações que se autocorrigem (WEST, 1969). INFANTE (1975) revelou que os hábitos de sucção do polegar foram altamente correlacionados à mordida cruzada posterior e concordava que fatores Revisão da literatura 9 etiológicos de má-oclusão na dentadura decídua agravavam com o avanço da idade. Hábitos de sucção são reconhecidamente fatores que contribuem para o aumento significante no grau de anormalidades de oclusão, para o estreitamento maxilar, para a incidência de mordida aberta anterior e cruzada posterior (POPOVICH, 1967; GRABER, 1974; MOYERS, 1991). HUGGARE et al. (1993) avaliaram o comprimento, o perímetro e a largura dos arcos dentários em três grupos de crianças, residentes em localidades com temperaturas baixas. Constataram que a exposição prolongada dessas crianças em ambientes frios, pode induzir respostas morfo-genéticas similares às induzidas por obstruções nasofaringeanas, tornando os arcos dentários superiores mais estreitos, menores e profundos. O apinhamento dos dentes anteriores foi citado por BISHARA et al. (1995) como um dos fenômenos mais complexos na Ortodontia. Os autores concluíram que os terapeutas que estejam interessados em tratamento precoce devem fundamentar suas decisões de diagnóstico na análise de tamanho dentáriocomprimento do arco na dentadura mista e não na dentadura decídua. Isto indica que as mudanças nas estruturas dentofaciais são complexas e que os processos que atuam influenciando a relação entre os dentes, arcadas dentárias e face, embora identificáveis, não são ainda completamente entendidos ou predictíveis. Pais e profissionais precisam aceitar o fato de que, até o presente momento, é difícil durante o estágio da dentadura decídua se prever a magnitude da futura MTDCA (mudança na relação tamanho dentário-comprimento do arco superior e inferior), desde a erupção completa da dentadura decídua -idade média= 4,0 anos - até a Revisão da literatura 10 erupção dos segundos molares - idade média=13,3 anos. Os autores descreveram: “é preciso lembrar que mudanças nas dimensões do arco bem como na posição e inclinação dentárias são, em parte, mecanismos compensatórios que servem para manter o equilíbrio entre as várias demandas funcionais e estruturas impostas na face e dentadura. Muitas destas mudanças são difíceis de prever no estágio da dentadura decídua”. Os achados de McCONNELL et al. (1996) revelaram a interferência da forma do arco decíduo na impactação de caninos superiores permanentes, principalmente em casos de deficiência transversa da maxila. Para isso, avaliaram se o tamanho do arco, principalmente em largura, contribuiria para o apinhamento dentário, podendo ser fator causador da impactação de caninos e revelaram que deficiência maxilar transversa, na porção anterior do arco, foi verificada nos pacientes com caninos impactados. Os resultados demonstraram que a impactação também foi diferente, segundo as formas dos arcos: 54% na afilada, 39% na ovóide e 7% na quadrada. As medidas das distâncias entre molares e caninos explicaram 36% das variações na incidência de caninos impactados, comparando com 5% relacionados ao comprimento e perímetro do arco. Os autores descreveram que estes dados aplicam-se na prevenção da impactação de caninos pela criação de espaços para suas irrupções, minimizando inclusive a possibilidade de reabsorções nas raízes dos incisivos laterais adjacentes, e mencionaram a importância do estudo da forma e tamanho dos arcos dentários. Revisão da literatura 11 Um estudo longitudinal realizado por BACCETTI et. al. (1997) indicou que os sinais clínicos da má oclusão Classe II são evidentes na dentadura decídua e persistem até a dentadura mista. Os autores compararam um grupo de 25 indivíduos não tratados e com má oclusão Classe II na dentadura decídua (caracterizada pela presença simultânea de degrau distal, de relação Classe II dos caninos decíduos e de trespasse horizontal excessivo) a um grupo controle de 22 indivíduos não tratados, com oclusão ideal (plano terminal reto, relação de caninos decíduos Classe I, e trespasse horizontal e vertical mínimos) no mesmo estágio dentário. As crianças foram monitoradas durante 02 anos e meio na transição da dentadura decídua para a mista, período em que não houve tratamento ortodôntico. Os resultados revelaram que as crianças que apresentavam má oclusão Classe II mantiveram todas as características oclusais desta má oclusão ou tornaram-se acentuadas durante a transição para a dentadura mista. No mesmo ano, BETTS et al. relataram que quando displasias sagitais e verticais ocorrem concomitantemente à alterações na dimensão transversal elas geralmente “mascaram” clinicamente qualquer deficiência transversal existente. Em função disto, a dimensão transversal, com exceção dos óbvios comprometimentos vestíbulo-linguais (mordidas cruzadas) mostra-se menos representada tanto na literatura quanto nos planejamentos de casos ortodônticos. A estimativa da prevalência de más oclusões na dentadura decídua foi pesquisada em crianças por CARVALHO et al. (1998). Os autores salientaram que as más oclusões de Classe II de Angle e as mordidas abertas anteriores têm sido reportadas como sendo as de maior prevalência nessa fase de Revisão da literatura 12 desenvolvimento. Descreveram que condições de más oclusões transversais e verticais não se autocorrigem e que a presença destas alterações indicam problemas de alinhamento em potencial na dentadura permanente, requerendo tratamento ortodôntico interceptativo em estágio precoce de desenvolvimento. CASSIDY et al. (1998) avaliaram a influência genética na forma do arco dentário em pacientes ortodônticos e determinaram que o componente genético é de aproximadamente 50%. Apesar disso, salientaram que o tamanho e a forma do arco contêm maiores influências ambientais que os fatores hereditários e que é necessário entender melhor quais os fatores intrínsecos que modulam o tamanho e a forma do arco, durante o desenvolvimento do indivíduo. Neste mesmo ano, SILVA FILHO et al. investigaram o diagnóstico e tratamento do apinhamento primário, diferenciando-o em temporário e definitivo. Os autores mencionaram que o apinhamento primário temporário se corrigirá espontaneamente, requerendo apenas o acompanhamento longitudinal e não é tratado na fase da dentadura decídua. O apinhamento primário definitivo, por outro lado, constitui má oclusão e deverá ser tratado com uma mecânica extracionista ou expansionista, dependendo de sua etiologia. Os hábitos bucais deletérios alteram as funções exercidas pela musculatura peri e intrabucal, contribuindo negativamente para o desenvolvimento normal da oclusão. As más oclusões mais comuns, conseqüentes aos hábitos bucais deletérios incluem a mordida aberta anterior, a atresia maxilar com mordida cruzada posterior, a protrusão maxilar e a retrusão mandibular, a vestibuloversão dos incisivos superiores, a linguoversão dos Revisão da literatura 13 incisivos inferiores (nos hábitos de sucção digital), e a sobressaliência excessiva (ALMEIDA et al., 1999). Os autores evidenciaram a necessidade de intervenção precoce do hábito numa ação conjunta do dentista com o otorrinolaringologista, o fonoaudiólogo e o psicólogo, para a remoção dos fatores etiológicos (hábitos) e correção das irregularidades morfológicas causadas. Nas mãos do odontólogo fica ainda a responsabilidade de identificar o hábito e encaminhar o paciente infantil para os demais profissionais (HAYASAKI et al.,1998, ALMEIDA et al., 2002, GURGEL et al., 2003) O estudo da epidemiologia das más oclusões data de 1916. CHIAVARO mostrou que 28,9% de crianças apresentavam algum distúrbio no desenvolvimento da oclusão dentária decídua. Pesquisas mais recentes, como as de MARTINS et al. (1998), revelaram que no Brasil, os dados de má oclusão para a dentadura decídua são escassos e se originam de pequenas amostras. Os autores realizaram um levantamento em 3100 crianças de creches de rede municipal mantidas pelo serviço público e selecionaram 838 delas, com dentadura decídua, que foram avaliadas por meio de exame clínico. Os resultados da investigação mostraram que a má oclusão na dentadura decídua acometia 80,2% das crianças na faixa etária de 2 a 6 anos, distribuindo-se igualmente entre os sexos e sem influência do fator nível sócio-econômico, considerando-se a renda familiar de 01 a mais de 10 salários mínimos. Os dados também demonstraram que os hábitos de sucção de chupeta ou de dedo são fatores capazes de causar uma maior incidência de anormalidades de oclusão dentária decídua. Revisão da literatura 14 No mesmo ano, uma pesquisa sobre a prevalência de má oclusão em 2139 crianças de 3 a 5 anos de idade, de ambos os sexos, foi realizada por TOMITA et al. A avaliação das características anátomo-funcionais da oclusão foi verificada, segundo a classificação de ANGLE (1899) e outras condições como trespasse horizontal e vertical, apinhamento dentário, mordida cruzada posterior e anterior e mordida aberta anterior também foram pesquisadas. Os resultados revelaram prevalência de má oclusão de 51,3% para o sexo masculino e 56,9% para o feminino, sem diferenças estatisticamente significativas. As maiores taxas de má oclusão foram observadas no grupo etário de 03 anos, decrescendo significativamente com a idade. Em 1999, SILVA FILHO et al. realizaram um levantamento epidemiológico que revelava a incidência surpreendente de 80% de má oclusão em crianças brasileiras na dentadura decídua. Os autores salientaram a atresia maxilar, como manifestação morfológica da má oclusão, desenvolvendo mordida cruzada, cuja forma mais comum encontrada foi a mordida cruzada posterior unilateral funcional. No mesmo ano, um acompanhamento longitudinal feito por LEGOVIC & MADY (1999) em crianças com oclusão normal na dentadura decídua para determinar a tendência de surgimento de má oclusão na dentadura permanente, denunciou que 72,7% delas desenvolveram má oclusão após a irrupção dos dentes permanentes. As más oclusões desenvolvidas foram: má oclusão Classe I de Angle, com apinhamento dentário acentuado, má oclusão de Classe II, mordida cruzada anterior, perda de dentes e mordida aberta anterior. Por isso, a incerteza Revisão da literatura 15 de normalidade nos estágios futuros da dentadura a partir de uma oclusão normal na dentadura decídua configura a necessidade de acompanhar o desenvolvimento da oclusão, com o propósito de afastar os prováveis fatores etiológicos em potencial da má oclusão e a atuação precoce e racional da mecanoterapia por profissionais preparados, com propósito profilático (SILVA FILHO et al., 2002a). Em 2001, CASTRO verificou as características da dentadura decídua, incluindo forma dos arcos dentários, grau de sobressaliência e de sobremordida, associando-as com: sexo, fases de evolução da dentição decídua e hábitos de sucção nutritivos e não nutritivos. Foram avaliadas 185 crianças entre 06 e 39 meses de idade, de ambos os sexos. A forma mais freqüente encontrada para o arco superior foi arredondada (68,1%), e para o inferior, a forma em “U” (91,9%). A sobressaliência exagerada foi observada em 29,1% das crianças e a mordida aberta anterior em 42,9%. A evolução da dentição influenciou no aumento da forma triangular do arco superior, no grau de sobressaliência e de sobremordida negativa, relacionando as más oclusões com hábito de chupeta e dedo, aleitamento artificial e longo período de uso de mamadeira. As medidas do arco dentário decíduo de crianças norte americanas brancas, nascidas entre 1992 e 1995, foram comparadas às medidas do arco de crianças nascidas entre 1946 e 1948, num estudo realizado por WARREN & BISHARA (2001), com o propósito de investigar mudanças seculares que podem ocorrer nas dimensões do arco dentário. As amostras foram similares em termos de localização geográfica, grupos étnicos e raciais, status sócio-econômico, e ainda, crianças com trespasse horizontal normal (< 4mm), relação ântero- Revisão da literatura 16 posterior de molares normal, sem mordida aberta anterior e ausência de mordida cruzada. As medidas dos comprimentos de arco superior e inferior, distâncias entre molares e caninos, trespasse horizontal e vertical foram realizadas. Os resultados indicaram que o comprimento dos arcos superior e inferior em ambos os sexos foram significativamente menores em meninos nascidos nos dias de hoje, mas não em meninas. Estes dados sugerem que a média das dimensões dos arcos pode ser menor em crianças nascidas na atualidade que naquelas nascidas em gerações passadas. Os autores concluíram que novas pesquisas deverão ser realizadas para determinar se as menores dimensões do arco dentário estão associadas com mais apinhamento nas dentaduras decídua, mista e permanente, além de outros fatores ambientais. No mesmo ano, um estudo longitudinal de meninas, do nascimento aos 03 anos de idade, sobre hábitos de sucção, mastigação e de alimentação, e o desenvolvimento de mordida cruzada, foi desenvolvido por LARSSON. O autor concluiu que os pais devem ser orientados para reduzir o “tempo da chupeta na boca” da criança e que a relação oclusal transversa na criança com hábito de chupeta deve ser avaliada entre 2 e 3 anos de idade. Interferência de contatos dos caninos decíduos, e mordida cruzada posterior, foram alterações verificadas nesta investigação. Um estudo de LENCI (2002) sobre a incidência de má oclusão entre crianças de 03 a 06 anos de idade revelou que grande porcentagem da população estudada (219 crianças) apresentou mordida aberta (45,7%); mordida cruzada (13,7%) e mordida profunda (90%). Estes dados confirmaram as alterações na Revisão da literatura 17 forma dos arcos dentários decíduos e a necessidade urgente de implantar métodos de diagnóstico, prevenção e tratamento que possam evitar a evolução destas más oclusões. Estudo epidemiológico, realizado por SILVA FILHO et al., no mesmo ano, evidenciou a ação dos prováveis fatores que compreendem a pluralidade etiológica da má oclusão, num universo que inclui genética e ambiente, em estágio precoce do desenvolvimento da oclusão. Os pesquisadores avaliaram 2016 crianças no estágio de dentadura decídua e encontraram dados relevantes. Destacaram que aproximadamente 07 de cada 10 crianças apresentam algum tipo de má oclusão e concluíram que a variável sexo não interferiu na relação entre a presença ou ausência de má oclusão, mas interferiu na manifestação das más oclusões relacionadas aos hábitos de sucção, mais prevalentes no sexo feminino. Os autores relataram também, que a prevalência de má oclusão e os hábitos de sucção foram mais freqüentes em crianças de escolas públicas que particulares, ressaltando a relação destes fatores com o nível sócio-econômico. Em ordem decrescente de incidência, as más oclusões foram assim quantificadas: mordida aberta anterior (27,97%), mordida cruzada posterior unilateral (11,6%), mordida aberta anterior associada à mordida cruzada posterior (6,9%), mordida cruzada anterior (3,57%), perda precoce de dentes decíduos (2,8%), mordida cruzada posterior bilateral (1,19%), mordida cruzada posterior unilateral associada à mordida cruzada anterior (0,79%) e mordida cruzada total (0,19%). O apinhamento dentário foi prevalente em 11,1%. Revisão da literatura 18 O diagnóstico objetivo, prático e essencialmente clínico normalmente é priorizado. Trata-se principalmente dos problemas que tem impacto corretivo imediato. Na dentadura decídua não há indicação para correção da relação intraarco (morfologia do arco dentário e relação dente-osso). Além disso, é plenamente viável fazer o diagnóstico da relação inter-arcos clinicamente, sem qualquer auxílio técnico. Pensando na relação custo-benefício à longo prazo, há indicação apenas para correção da relação inter-arcos alterada: mordidas cruzadas (posteriores e anteriores), mordida aberta dento-alveolar e padrão de Classe III de Angle (SILVA FILHO et al. 2002 b). Para displasias dentárias e esqueléticas de Classe II, leves ou moderadas, WIESLANDER (1993) e BACCETTI (1997), indicam tratamento para o final do estágio de dentadura mista. Este tipo de tratamento ortodôntico interceptativo é mundialmente difundido e aplicado pela maioria dos ortodontistas e odontopediatras (TURLEY, 1988; SUGAWARA et al., 1990; NGAN & WEI, 1990; BURZIN & NANDA, 1995; URSI, 1996; NGAN & FIELDS, 1996 e 1997; JANSON et al., 1998; ALMEIDA et al., 1999; SIQUEIRA et al. 2002; SILVA FILHO et al., 2002 a; GURGEL, 2003). SILVA FILHO et al. (2003) relataram que a compatibilidade morfológica dimensional entre os arcos dentários superior e inferior constitui questão relevante na relação inter-arcos para o estabelecimento de uma oclusão normal. Salientaram que o arco dentário superior é muito vulnerável e está freqüentemente sujeito a alterações, podendo perder sua configuração parabólica e assumir uma forma triangular, determinando, quando na ausência de discrepância transversa no arco inferior, a mordida cruzada posterior. Revisão da literatura 19 Os trabalhos apresentados mostraram a prevalência das alterações morfológicas da dentadura decídua, justificando sua avaliação precoce. No entanto, para se determinar a anormalidade é fundamental possuir o conhecimento básico do que é a dentadura decídua normal. 2.2 - Dentadura Decídua: características normais A avaliação dos arcos decíduos e seus aspectos de normalidade preocupam os especialistas. Citam-se constantemente os trabalhos clássicos de BAUME (1950); CLINCH (1951); FOSTER & HAMILTON (1969); MOORREES et al.. (1969); ISSÁO & GUEDES PINTO (1978); MAIA (1987); BISHARA (1988); acrescentam-se outros recentes de MARTINS (1998); TROTTMAN et al. (1999); GIMENEZ et al. (2001); DI NICOLÓ et al. (2002); SILVA FILHO et al. (2002b). Os critérios de normalidade foram pesquisados por BAUME (1950), por meio de revisão bibliográfica e estudo clínico sobre o crescimento e desenvolvimento em 30 crianças. A conclusão foi que, após a formação completa dos arcos decíduos, esses não sofrem alterações em suas dimensões sagital e transversal, a não ser quando submetidos a fatores ambientais desfavoráveis, como, por exemplo, cáries interproximais na região posterior dos arcos, determinantes do seu encurtamento. BAUME determinou dois tipos morfológicos distintos de arcos decíduos: tipo I, que apresenta espaçamentos generalizados na região anterior e tipo II, sem espaços nesta região e afirmou que o tipo I não Revisão da literatura 20 evolui para o tipo II, pois estes são de natureza congênita e não dependem do desenvolvimento. Os arcos tipo I apresentam os espaços primatas normalmente localizados entre os caninos e incisivos laterais, no arco superior, e entre caninos e primeiros molares, no arco inferior. No ano seguinte, CLINCH revelou que constitui característica dominante da dentadura decídua os dentes encontrarem-se alinhados na linha do rebordo alveolar, com espaços fisiológicos distribuídos principalmente entre os dentes anteriores, em quantidade e posição variáveis; a relação terminal em plano é mais prevalente nos primeiros anos de idade, mas, ainda no período da dentadura decídua, ocorre transformação desta relação para degrau mesial. PARFITT (1956) caracterizou os arcos em tipo I, quando os diastemas mediam 0.5 mm ou mais e a somatória fosse igual ou superior a 2,5mm. Identificaram arcos em tipo II quando se apresentavam sem diastemas na região anterior superior e inferior, ou cuja somatória fosse menor que 2,5 mm. Classificaram ainda em arcos mistos aqueles que apresentavam somatória de espaços anteriores de canino a canino igual ou maior que 2,5mm em apenas um dos arcos, superior ou inferior. BAUME (1958) salientou que a análise morfológica normal da oclusão da dentadura decídua deveria considerar: a disposição dos dentes decíduos em ambos os arcos (com ou sem espaços primatas); a acomodação do germe dos dentes permanentes (em uma posição escalonada); a relação incisal dos segmentos anteriores (caracterizada por um leve trespasse vertical e horizontal) e a relação oclusal dos segmentos posteriores em ambos os arcos (averiguada pela relação de Revisão da literatura 21 oclusão dos segundos molares decíduos, em plano e em degrau mesial) e pela relação de caninos, determinada pela distância entre suas superfícies distais (2,5 mm, - 0.5), em média. BAUME destacou que a relação terminal dos segundos molares decíduos e a relação de caninos permanecem inalteradas, durante o desenvolvimento da dentadura decídua, e que, após a rizogênese completa, tanto as dimensões transversais quanto as longitudinais são praticamente imutáveis, até a irrupção dos dentes permanentes. Alterações na dentadura decídua sem importância para a oclusão, que podem ser diagnosticadas como aceitáveis, foram comentadas por SILLMAN (1964), em estudo feito em pacientes de ambos os sexos, do nascimento até os 25 anos de idade. Neste estudo, ainda observou que os aumentos significativos em comprimento e largura dos arcos ocorriam até o estabelecimento da dentadura decídua, e que esta não sofria grandes alterações, dos 3 aos 6 anos de idade WLADISLAVOV (1968) ressaltou que a relação distal mais prevalente dos segundos molares decíduos é em plano vertical. Em 1969, FOSTER & HAMILTON estudaram a oclusão dos dentes decíduos em 100 crianças com 2,5 e 03 anos de idade e concluíram que existe grande variação nos padrões de oclusão encontrados e que o conceito de oclusão normal “ideal” pode ser seguramente aplicado a uma enorme variedade de condições que aparecem na dentadura decídua, ao término da irrupção dos dentes. Classificaram a relação molar como Classe I, II ou III quando os planos terminais dos arcos dentários decíduos eram reto, em degrau distal ou mesial respectivamente. Similarmente, os caninos estavam na relação de Classe I, Revisão da literatura 22 quando a ponta da cúspide do canino superior ocluía em chave com o canino e primeiro molar inferior; na relação de Classe II, quando a ponta da cúspide do canino superior estava anterior à relação de Classe I, e em Classe III, quando estava posterior à relação de Classe I. Os autores revelaram também que os espaços primatas estão presentes em 87% dos arcos dentários decíduos superiores e em 78% dos arcos decíduos inferiores das crianças britânicas; e que crianças com dentadura normal apresentavam dentes decíduos alinhados, porém sem espaçamento entre eles. MOORREES et al. (1969) mostraram que a quantidade de sobremordida sofre grande variação individual, que vai desde a mordida de topo à sobremordida profunda; que esta, na dentadura decídua, pode transformar-se numa sobremordida normal aos 18 anos de idade e que a largura do arco dentário não se altera entre as idades de 04 a 06 anos. Consideraram que a relação terminal dos segundos molares decíduos deveria estar em plano, exceto quando existem discrepâncias no tamanho dentário entre molares superiores e inferiores. NANDA (1972) relatou sobre a permanência da mesma relação terminal dos segundos molares decíduos, entre as idades de 4 a 6 anos. Em outra pesquisa realizada em 1973, NANDA et al. examinaram 2500 crianças, de 02 a 06 anos de idade e observaram que a relação terminal em plano, ou Classe I, e em degrau mesial ou Classe III, para molares e caninos, de acordo com os métodos descritos por FOSTER & HAMILTON (1969), foi predominante em todas as idades e foi considerada normal. Revisão da literatura 23 ALBEJANTE (1975) avaliou uma amostra de 74 crianças com idades de 3 a 6 anos, na qual houve predominância do plano terminal reto em todas as idades, principalmente nas crianças entre 4 e 6 anos de idade. As características normais da dentadura decídua foram descritas por ISSÁO & GUEDES PINTO (1978). Citaram que o plano oclusal dos dentes decíduos é reto, sem curva de Spee e que os dentes se dispõem verticalmente em sua base apical. Numa vista ântero-posterior, os dentes inferiores apresentam o longo eixo com ligeira convergência para lingual, e os superiores, uma ligeira divergência, considerados de apical para oclusal. Este fato evidencia o paralelismo entre o longo eixo dos dentes decíduos, com ausência de curva de Wilson. A relação entre os pontos mais distais dos segundos molares decíduos superiores e inferiores pode ser: 76% em plano, 14% em degrau mesial para a mandíbula e 10% formando degrau distal para a mandíbula. Segundo os autores, a relação distal dos segundos molares decíduos em plano é mais comum aos 03 anos de idade. Aproximadamente aos 5 e 6 anos ocorre a transformação para degrau mesial, em função da força exercida pelo primeiro molar permanente sobre a porção distal do segundo molar decíduo, mesializando- o. De acordo com FOSTER & GRUNDY (1986), quando avaliada longitudinalmente, a relação de caninos de Classe I de ANGLE foi a mais incidente, durante os três períodos distintos de desenvolvimento da dentição, e a tendência à relação de Classe II de ANGLE foi a mais estável. A relação ânteroposterior de caninos, estabelecida durante a dentadura decídua, não sofreu alterações em 50% e 76% das amostras, respectivamente. Revisão da literatura 24 As características cefalométricas foram estudadas em crianças com dentadura decídua normal, por FERREIRA (1987). Foi demonstrado que a componente vertical é predominante no padrão de crescimento da face, que o perfil facial dos tecidos moles caracteriza-se por uma maior convexidade e que os dentes decíduos anteriores caracterizam-se por apresentarem uma inclinação mais vertical e um posicionamento mais retruído em sua base apical. Pesquisando a prevalência de más oclusões, MAIA (1987) colheu, no exame clínico, informações que identificavam os vários tipos de oclusões da população em estudo. Foram examinados escolares na faixa etária de 03 e 06 anos, antes da irrupção dos primeiros molares permanentes. Foi utilizado o sistema de classificação de ANGLE (1899), adaptado por BAUME, em que a relação dos segundos molares foi considerada, para identificação da oclusão. Considerou-se normal a relação terminal reta desses elementos dentários, ou plano terminal com degrau mesial para a mandíbula, desde que a relação dos caninos estivesse normal em ambas situações. O degrau distal para a mandíbula foi considerado Classe II e o degrau mesial excessivo para a mandíbula classificado como Classe III. A relação de caninos decíduos também foi avaliada e considerada normal, quando o vértice da cúspide do superior oclui na embrasura entre o canino e o primeiro molar decíduo inferiores na dentadura decídua. BISHARA et al. (1988) descreveram que a compreensão das mudanças ântero-posteriores que ocorrem na oclusão entre as dentaduras decídua e permanente é crucial para o envolvimento clínico no tratamento ortodôntico precoce. Segundo os autores, a irrupção dos primeiros molares permanentes era Revisão da literatura 25 guiada pela superfície distal dos segundos molares decíduos e o plano terminal reto era mais prevalente, seguido do degrau mesial e do degrau distal. A curva de Spee na dentadura decídua foi avaliada por ROULET (1988), com o objetivo de comprovar a sua inexistência nesta fase de desenvolvimento oclusal, conforme tem sido relatado na literatura. A autora analisou 40 crianças, lecucodermas, de ambos os sexos e comprovou que, apesar do aparecimento de outros tipos de curva na amostra geral, a curva linear foi a mais freqüente. Segundo SILVA FILHO et al. (1990), o apinhamento na dentadura decídua não tem valor terapêutico, pois não é tratado neste estágio de desenvolvimento oclusal, sendo desconsiderada a relação dente-osso, como determinante de normalidade ou anormalidade. Dessa forma, os autores consideraram que a oclusão decídua normal pode manifestar-se com diastemas, sem diastemas e com apinhamento, diferentemente da relação de apinhamento na dentadura mista, com prevalência quase 05 vezes maior, que deve passar pela lupa atenta do ortodontista. GUEDES PINTO (1994) destacou o fato de que a análise da dentadura decídua deve ser sempre realizada para prevenir problemas futuros de má oclusão, mesmo que no presente as condições locais sejam boas. O modelo de estudo deve ser analisado pela vista vestíbulo-lingual, ântero-posterior e oclusal; deve-se verificar a presença ou não de diastemas, a relação distal dos molares decíduos e a forma do arco dentário. Revisão da literatura 26 O diagrama de Carrea foi sugerido por TOLEDO (1996), para aplicação na dentadura decídua, além da análise do plano terminal dos segundos molares decíduos, da relação de caninos e dos tipos de arcos segundo Baume. Os critérios para identificação de oclusão normal decídua foram definidos por MARTINS et al. (1998) como: relação de molares e caninos normais, ou seja, canino superior ocluindo na ameia entre o canino inferior e o primeiro molar decíduo; relação terminal dos segundos molares decíduos em plano vertical ou em degrau mesial; ausência de mordidas cruzadas anterior e/ou posterior; sobressaliência de 1 a 3mm; sobremordida de até 1/3 da coroa do incisivo inferior; ausência de apinhamentos; presença ou ausência de diastemas interincisivos e espaços primatas; ausência de anomalias dentárias de forma e número. Em levantamento epidemiológico para avaliar as perdas precoces de molares decíduos e primeiros molares permanentes, como fator etiológico de más oclusões, MAIA (1999) examinou 1519 crianças nos vários estágios de desenvolvimento da oclusão. O autor chamou a atenção para o número de crianças com características oclusais que não se encaixavam como má oclusão, pois possuíam todas as relações ântero-posteriores, transversais e verticais em harmonia, mas exibiam potencialidade para desenvolver má oclusão. Também não se agrupavam como oclusão normal, pela presença de hábitos anormais ou perda precoce de dentes. Ficou demonstrado que 5,30% das crianças em fase de dentadura decídua se enquadravam naquela categoria que denominou má oclusão em potencial. Os dados do trabalho mostraram que 67,35% das crianças exibiam Revisão da literatura 27 má oclusão na dentadura decídua e que 27,35% possuíam oclusão normal. Propôs então colocar a porcentagem de oclusão em potencial entre as oclusões normais, visto que na vivência do autor, esses tipos de problemas clínicos lograram êxito quando medidas, como orientação ao desencorajamento do hábito, antes de produzir a má oclusão, ou a manutenção dos espaços até a erupção normal dos dentes permanentes, são efetivadas. TROTTMAN et al. (1999) pesquisaram as desarmonias oclusais nas dentaduras decíduas de crianças brancas e negras. Todas as crianças foram avaliadas em posição de oclusão cêntrica. Consideraram relações anormais de oclusão na dentadura decídua quando: a relação de sobressaliência era maior que 4 mm; a relação de sobremordida era excessiva, quando os incisivos superiores cobriam completamente os incisivos inferiores; a caracterização de mordida aberta anterior ocorria, quando havia algum espaço visível entre a superfície incisal dos incisivos superiores e inferiores e consideraram que as crianças que não exibiam espaçamento anterior inferior visível, no arco mandibular, participavam da categoria de crianças com apinhamento dentário. Em relação ao plano terminal de segundos molares decíduos, BARBOSA et al. (2000) revelaram que o degrau mesial era o mais prevalente, seguido do plano terminal reto e degrau distal, e os arcos tipo I, os mais freqüentes, independentemente do tipo de plano terminal observado. GIMENEZ et al. (2001) examinaram 50 jovens leucodermas, entre 03 e 05 anos de idade, com dentaduras decíduas normais e observaram que, a maior parte da amostra estudada (58%) apresentava plano terminal reto, 24% relação de Revisão da literatura 28 degrau mesial e 18% degrau distal. Destacaram que os resultados estão em concordância com os dados da literatura e concluíram que a dentadura decídua merece um estudo minucioso, com acompanhamento longitudinal durante a fase de transição para a dentadura permanente, no intuito de detectar possíveis alterações e, assim, aplicar a ortodontia interceptora, tratando precocemente as más oclusões do tipo Classe II e Classe III (de Angle) adequadamente. Estudos que relatam o desenvolvimento da sobressaliência na dentadura decídua, relação dos arcos dentários no sentido ântero-posterior, foram revisados por DI NICOLÓ et al. (2002). Os autores observaram que, durante a fase da dentadura decídua, o valor médio encontrado para a medida da distância entre a superfície vestibular do incisivo central inferior e a face incisal do incisivo central superior com os dentes em oclusão, definida como sobressaliência, foi de 2,18 mm. Segundo os autores, este valor se mostrou discordante dos valores encontrados por LEIGHTON (1969) e por FOSTER & GRUNDY (1986), os quais mostraram valores médios de 3,0 mm e 3,2 mm, respectivamente. “O conceito de oclusão normal na visão contemporânea é usualmente baseado no arranjo dos dentes na idade adulta. Entretanto, o desenvolvimento da oclusão na criança pode desviar de maneira significante do conceito de oclusão normal no adulto. Há algum tempo os dentistas confundiam um estágio do desenvolvimento normal com uma má oclusão” (MONSERAT et al., 2002). Os autores relataram que para diferenciar o desenvolvimento de uma má oclusão do desenvolvimento de uma oclusão normal, torna-se necessário avaliar as várias mudanças que ocorrem na inclinação axial, forma e dimensão do arco, Revisão da literatura 29 intercuspidação, sobremordida, sobressaliência, etc., durante o processo de maturação. A epidemiologia da má oclusão na dentadura decídua, assim como a relação intra-arco: diastemas, ausência de diastemas e apinhamento foi tema de dois artigos elaborados por SILVA FILHO et al. (2002 a e b). Os autores comentaram que, para identificarem a oclusão decídua normal, precisam fazer adaptações por meio de referências oclusionais normais da dentadura permanente. O arco dentário decíduo superior deve conter por completo o arco dentário inferior. Para isto, as morfologias dos arcos dentários devem ser compatíveis entre si e a dimensão transversal do arco superior deve ser proporcionalmente maior que àquela do arco inferior. A relação sagital entre os arcos que, em regra, tende a refletir a relação sagital esquelética, é determinada pela relação de caninos. A normalidade é definida pela relação interarcos de Classe I de Angle, quando a ponta de cúspide do canino superior oclui na ameia entre o canino e primeiro molar decíduo inferior. Não foi levada em consideração a relação distal entre os molares decíduos, para a definição sagital entre os arcos dentários, função que ficou atribuída exclusivamente à relação de caninos. A relação de incisivos normal apresenta trespasses horizontal e vertical positivos, considerando até o extremo de topo-a-topo como normal. A relação intra-arco entre as 539 crianças com oclusão normal (26,74%) foi assim distribuída: 0,18% apresentava apinhamento ântero-superior; 0,56% apresentava apinhamento ântero-superior e inferior; 5,94% apinhamento ântero-inferior; 12,62% ausência de diastema ânterosuperior e 13,56% ausência de diastema ântero-inferior; 79,96% diastema ântero- Revisão da literatura 30 inferior e 86,65% diastema ântero-inferior. Os resultados revelaram que a relação intra-arco não é determinante de normalidade ou anormalidade e que pode ser encontrado oclusão normal com diastemas (86,65% superior e 79,96% inferior) e sem diastemas (12,62% superior e 13,56% inferior), e oclusão normal com apinhamento (6,68%), sendo 0,18% no arco superior, 5,94% no inferior e 0,56% simultaneamente nos dois arcos. Desta forma, o apinhamento dentário não foi considerado característica de má oclusão. Os aspectos mencionados podem ser utilizados para determinação de normalidade e desvios de normalidade na dentadura decídua. 2.3 - Dentadura decídua: análise morfológica A análise estática da oclusão, compreendendo a relação inter-arcos no sentido transversal, sagital e vertical; e intra-arco, considerando a presença e ausência de diastemas e apinhamentos, pode ser avaliada por meio de critérios clínicos de normalidade, descritos por diversos autores, desde o início do século passado, até a atualidade. Dentre estes aspectos, a análise morfológica por meio de diagramas de contorneamento vem sendo indicada desde 1930, quando os traçados pretendiam determinar geometricamente a forma das arcadas dentárias (INTERLANDI, 2002). A forma do arco foi estudada por HAWLEY (1905), que propôs o método geométrico para pré-determinar os arcos dentários. O arco ideal fundamentou-se Revisão da literatura 31 num triângulo eqüilátero, com a base representando a largura entre os côndilos mandibulares; os dentes anteriores inferiores se dispuseram no arco de um círculo, com o raio determinado pela largura combinada dos incisivos inferiores e caninos, tendo os pré-molares e molares alinhados com os segundos e terceiros molares voltados para o centro. Desde então, vários autores utilizaram modelos matemáticos curvos diferentes, mas a estabilidade destas formas de arco não foi estabelecida. Em 1920, CARREA pesquisou a dentadura permanente, para posteriormente analisar a morfologia da dentadura decídua. Ele concluiu que os arcos decíduos superior e inferior (vista oclusal) devem abordar um triângulo eqüilátero, com cada um de seus lados variando de 27 a 30 mm. Os pontos de referência para se traçar o triângulo são a porção mais palatina dos dois segundos molares decíduos e o ponto entre os incisivos centrais decíduos. Uma vez determinado o centro do triângulo, ao se traçar uma circunferência, esta passará, no arco superior e inferior, pelas superfícies incisais de canino a canino. Na região posterior do arco superior, a circunferência passa pelo sulco principal do primeiro molar, cortando a cúspide disto-palatina do segundo molar e, no arco inferior, pela cúspide vestibular do primeiro molar e pelo sulco principal do segundo molar decíduo. De posse desses dados, CARREA mostrou que os gabaritos devem ser confeccionados numa placa de resina transparente, de 6 x 6 cm de lado e 2 mm de espessura, em número de quatro (28, 30, 32 e 34 mm) com suas respectivas bissetrizes passando pela crista marginal mesial dos primeiros molares decíduos. O plano mediano deverá coincidir com a linha mediana do modelo. Nos Revisão da literatura 32 indivíduos com arco do tipo II (sem diastemas), normalmente os diagramas apresentam lados de triângulo menor, e nos de arco tipo I (com diastemas) apresentam maior lado. Mais tarde, BARROW & WHITE (1952) avaliaram as mudanças que ocorriam no desenvolvimento dos arcos dentários superiores e inferiores, em 528 modelos seriados advindos de 51 pacientes. O período em que os modelos foram obtidos, anualmente, foi do término da irrupção dos dentes decíduos até a irrupção dos segundos molares permanentes. Os autores encontraram 5% dos pacientes apresentando arcos com a forma cônica, 65% com a forma trapezoidal e 30% com a forma oval, podendo então a dentadura decídua ser enquadrada nestas três formas. A criança até 06 anos de idade apresenta as arcadas dentárias em forma de círculos, semelhantes em todos os indivíduos (MONTI, 1958). Segundo o autor a arcada mandibular determina a oclusão dentária, a forma e o tamanho do arco maxilar. No período da transição da dentadura decídua para a mista as arcadas vão sofrendo modificações, em relação direta com o crescimento geral do indivíduo e as formas vão se diferenciando. Os arcos dentários da dentadura permanente sofrem constantes evoluções, que se iniciam com as trocas dentárias até a irrupção dos terceiros molares e estão sujeitas a fatores diversos, apresentando formas variadas. MOYERS (1969) revelou que a forma da maioria dos arcos decíduos apresentava-se ovóide e que estes arcos exibiam menos variações em sua forma que os permanentes. Revisão da literatura 33 No mesmo ano, CURRIER comentou sobre a análise geométrica computadorizada da forma do arco dentário humano. Cinco anos mais tarde, GRABER (1974) mostrou que a medida circunferencial entre o ponto distal do segundo molar decíduo do lado direito, até o mesmo ponto do lado esquerdo, quase não se altera, até a irrupção dos incisivos permanentes. ALBEJANTE (1975) avaliou as alterações dimensionais e alguns aspectos morfológicos do arco dentário decíduo. Não encontrou diferenças significativas, quando avaliou a distância intercaninos, a distância intermolares e o comprimento do arco dentário decíduo em 74 crianças leucodermas, de ambos os sexos, com idade média de 3 a 6 anos, com oclusão clinicamente normal e dentadura decídua completa. Todas as dimensões avaliadas foram maiores no sexo masculino. Ocorreu a tendência de ambos os arcos superiores e inferiores serem do mesmo tipo, I ou II de Baume, sendo que na maxila, o arco tipo I foi mais prevalente no sexo masculino e o tipo II no sexo feminino. No entanto, a mandíbula apresentou maior prevalência do arco tipo I em ambos os sexos. A presença de espaços primatas ocorreu com maior freqüência na maxila, em ambos os sexos e aparecia bilateralmente. No ano seguinte, ALMEIDA (1976) estudou a morfologia dos arcos dentários decíduos pela geometria analítica. Analisando 40 modelos de escolares leucodermas com oclusão normal, na faixa etária de 03 a 05 anos, divididos em dois grupos, sendo 20 do sexo masculino e 20 do sexo feminino, e subgrupos com arcos tipo I e II de Baume, propôs verificar se os pontos preconizados por Carrea Revisão da literatura 34 formavam ou não um triângulo eqüilátero, se existia diferença no tamanho dos lados do triângulo em ambos os sexos e arcos tipo I e II e se o posicionamento dos pontos nos dentes em relação à circunferência poderia ser verificado. Os resultados mostraram que, na adaptação da circunferência de Carrea às arcadas decíduas inferiores, o triângulo formado foi o isósceles, que os pontos da região anterior se situavam fora da circunferência e na região posterior ficavam dentro dela. O autor concluiu que estes dados mostraram a necessidade de uma análise que permitisse uma avaliação da forma do arco decíduo, com os dentes decíduos posicionados na curva dos arcos e não fora dela. Um guia plástico, com a forma elíptica do arco dentário, milimetricamente marcado, foi usado para determinar o comprimento e a forma do arco dentário permanente em modelos ortodônticos, por WHITE (1977). O autor revelou que uma área comum de concordância na forma dos arcos dentários é a região anterior do arco, que é parte de uma curva. Esta curva foi descrita como: elipse, parábola, parte de uma elipse trifocal e curva catenária. O autor revelou que a forma do arco maxilar é uma medida mais larga que aquela selecionada para o arco mandibular e que os dentes aparentemente arranjados num arco, dependem da forma do osso basal e devem ser orientados segundo o contorno ósseo. Estudando a morfologia do arco dentário decíduo, em crianças de 03 a 06 anos, leucodermas, com dentadura decídua completa e considerada “normal”, USBERTI (1979) concluiu, além de outros fatores, que o arco tipo I de Baume é mais freqüente que o tipo II, em ambos os sexos; que em crianças do sexo Revisão da literatura 35 masculino; existiu predominância de arco tipo I e que o aumento da relação terminal dos segundos molares decíduos em degrau mesial para a mandíbula, em detrimento da relação terminal em plano reto, parece estar mais vinculado ao surto de crescimento maior da mandíbula, em relação à maxila ou deslizamento mandibular para frente. O autor salientou ainda que o comprimento total do arco decíduo não sofre modificações evidentes, tanto na maxila como na mandíbula, em crianças de ambos os sexos, portadoras de arcos tipo I e II de Baume. BANKER et al. (1984), após avaliarem 39 crianças com dentaduras decíduas normais, demonstraram que a configuração do arco decíduo tem a forma ovóide. Concluíram também que existe enorme variedade de condições normais encontradas em crianças, na fase de dentadura decídua e que os critérios de oclusão normal não podem ser rígidos e devem ser eficientemente analisados. No mesmo ano, CAMBEROS examinou 40 crianças leucodermas, na faixa etária de 03 a 05 anos, em 4 grupos de 10 crianças de ambos os sexos e tipos de arcos I e II de Baume. Determinou uma equação exponencial para analisar a forma do arco dentário decíduo, em ambos os tipos, inferior e superior, relatando que a curva é do tipo hiperbólica. Observou ainda que não existe diferença na forma do arco decíduo, quando comparados os sexos e os tipos de arcos I ou II de Baume, nem quando comparou arco decíduo superior com arco decíduo inferior, lado direito e esquerdo. As inclinações vestíbulo-linguais, dos dentes posteriores inferiores decíduos, foram estudadas por CONSTANTE PALACIOS et al. (1986). Os autores concluíram que a média dos ângulos vestíbulo-linguais, formados pelo Revisão da literatura 36 plano da face oclusal do primeiro molar decíduo do lado direito com o primeiro molar decíduo do lado esquerdo, é de 168,31 graus, enquanto a média do mesmo ângulo para o segundo molar decíduo de um lado com o outro é de 158,31 graus. Os autores encontraram diferença estatisticamente significante entre as médias dos ângulos, quando compararam primeiros e segundos molares inferiores. De acordo com FELTON et al. (1987), por mais de 100 anos muitos pesquisadores tentaram definir qual a forma ideal do arco dentário humano, usando os conceitos de que ele é simétrico por natureza e pode ser representado por fórmula algébrica ou geométrica. As formas investigadas incluíam: elipse, parábola, curva catenária, fórmulas matemáticas como secções cônicas e funções polinomiais, e outras, facilitadas na atualidade pelas análises computadorizadas. Todas essas formas têm recebido elogios e críticas de muitos pesquisadores. Recentemente tem-se optado individualizar a forma do arco, a partir do arco mandibular. Os autores concluíram que não há forma de arco permanente “universal”, aplicável a todos os casos. A partir da amostra de 40 crianças, de 3 a 5 anos, com oclusão normal, CAMBEROS et al. (1991) aplicaram um método baseado em coordenadas cartesianas, para avaliar a forma do arco decíduo. Três pontos de referência foram marcados nas faces incisais e oclusais dos dentes decíduos anteriores e posteriores, respectivamente. Utilizaram microscópio comparador e concluíram, novamente, que a curva hiperbólica foi a que se adaptou, com maior freqüência, aos arcos superiores e inferiores de ambos os tipos de arcos e sexos, sem qualquer diferenciação. Revisão da literatura 37 ZYTKIEVITZ (1992) propôs verificar a possibilidade de estabelecer relação entre os achados de seu estudo e os conceitos estabelecidos por CARREA (1920). O tamanho e a forma dos arcos dentários decíduos foram avaliados em 100 crianças leucodermas, com 4 a 6 anos de idade e dentadura decídua completa e normal. Concluiu que sua amostra ajustou-se aos preceitos de Carrea. Contudo, os pontos por onde passavam as circunferências traçadas para ambos os arcos e sexos não eram os mesmos. LONG (1994) avaliou 40 pares de modelos de crianças brasileiras, leucodermas, dos sexos feminino e masculino, entre 03 e 06 anos de idade, que apresentavam dentadura decídua clinicamente normal. Estratificou a amostra quanto ao tipo de arco (I ou II de Baume) e quanto ao sexo. Em modelos de gesso dos arcos dentários dessas crianças demarcou pontos de referência nas cúspides de maior estabilidade e maior facilidade de reprodução e estabeleceu a forma dos arcos decíduos como sendo uma curva cônica (elipse). Definiu gabaritos para uma possível utilização em análise da dentadura decídua por comparação, para distâncias molares (DM) variando entre 32 e 48 mm. As mudanças na forma do arco têm sido analisadas, tradicionalmente, segundo o comportamento de suas dimensões lineares como a largura, o comprimento e a circunferência (BeGOLE & LYEW, 1998). Entretanto, estes propuseram um novo método para analisar as mudanças na forma do arco dentário e o índice de recidiva do tratamento ortodôntico, por meio de curvas “spline”. Segundo os autores, este método de análise utiliza funções matemáticas que não necessariamente produzem curvas simétricas para representar o arco dentário; Revisão da literatura 38 visto que os outros métodos estudados até então, utilizam figuras geométricas com funções simétricas para representá-lo. Em 1999, para que os gabaritos desenvolvidos em 1994 permitissem emprego clínico, LONG construiu gabaritos simplificados gerados por computação eletrônica, para determinação das posições dentárias ideais na dentadura decídua. Selecionou 40 pares de modelos em gesso da dentadura decídua com oclusão clinicamente normal, de crianças leucodermas e brasileiras, na faixa etária entre 03 e 05 anos. Utilizou 20 pares de modelos do arco tipo I e 20 do arco tipo II. Sobre os modelos foram marcados pontos nas superfícies oclusais e incisais dos dentes. Para os incisivos anteriores superiores e inferiores foram marcados os pontos médios da superfície incisal; caninos superiores e inferiores, a ponta da cúspide ou faceta de desgaste; ponto médio entre as cúspides vestibulares dos primeiros molares superiores e inferiores direito e esquerdo, ponta da cúspide disto-vestibular dos segundos molares decíduos superiores e inferiores. A escolha do gabarito era dependente do tipo de arco (I ou II) da arcada (superior ou inferior) e da distância molar (DM). Em cada gabarito observaram-se retas médias, em vermelho, e retas-limite, máximas e mínimas, em azul, dadas pelo desvio-padrão da amostra. Entre estas foi estabelecido um setor circular que representa o lugar geométrico para localização dos pontos representativos dos dentes decíduos, no arco dental, dentro do intervalo considerado de normalidade. A largura e a forma do arco foram revisadas por LEE (1999) revelando que as alterações na largura do arco não devem ser consideradas isoladamente, e Revisão da literatura 39 a interdependência dos arcos possui implicações significantes na sua largura. Devido à forma ântero-posterior divergente dos arcos dentários, os movimentos de todo um arco necessitam de modificação da sua largura para acomodação do outro arco. O autor também comentou que a dentadura é estabelecida em posição de equilíbrio entre os músculos dos lábios e bochechas e a pressão da língua e evidencia que há vários aspectos nas alterações dimensionais do arco que devem ser consideradas no planejamento do tratamento. Estas considerações podem ser extrapoladas para o desenvolvimento precoce da dentadura, salientando os diversos fatores que atuam no desenvolvimento do arco dentário. A curva em plano frontal, semelhante à curva de Wilson (curvatura formada entre as faces oclusais dos molares) na dentadura permanente, foi pesquisada por SANT´ANA (2001), que concluiu: existe a presença de uma curva transversal ou frontal na dentadura decídua nos diferentes grupos de crianças na faixa etária de 03 e 05 anos de idade. As curvas não demonstraram um padrão de distribuição uniforme. WARREN & BISHARA (2001) investigaram as alterações dimensionais dos arcos dentários decíduos de crianças americanas, através de estudo comparativo entre as medidas de uma amostra contemporânea e de outra amostra obtida 50 anos mais cedo. Segundo os autores, as dimensões das dentaduras decíduas têm sido avaliadas por meio de diversas técnicas, por muitos pesquisadores, o que dificulta os estudos comparativos. No entanto, a essência dos trabalhos refere-se às medidas do comprimento, largura intercanina e intermolar, e profundidade dos arcos (trespasse horizontal e vertical). Revisão da literatura 40 A aplicação dos gabaritos de LONG (1999) em arcos dentários com más oclusões foi publicada por LONG & CHELOTTI (2002). Os autores recomendaram que: os modelos devem ser obtidos; o tipo de arco I ou II de Baume, superior e inferior, definido; os pontos de referência pré – estabelecidos em 1999, marcados com lápis sobre as cúspides incisais e oclusais. Em seguida, a curva correspondente à forma do arco deve ser definida em relação à reta base correspondente à distância molar que deve ser estabelecida, tentando-se centralizar a perpendicular à reta base, de forma que passe pela região interincisal. Depois, se os pontos marcados, nos demais dentes decíduos estão coincidentes com as áreas de posicionamento dental na curva selecionada. Quando o ponto representativo do dente estiver dentro desta área estará numa posição normal no arco, senão, avaliar, por exemplo, como dirigir a correção ortodôntica para que seu modelo venha alcançar o padrão de normalidade para dentadura decídua, enquadrando-se no gabarito selecionado. Mostraram também como analisar as possibilidades de achados clínicos encontrados com a sobreposição dos gabaritos em modelos com alteração da oclusão e sugeriram soluções para utilização clínica dos mesmos, direcionando possíveis correções. No mesmo ano, ZANET et al. avaliaram 30 pares de modelos de arcos dentários decíduos de crianças na faixa etária entre 4 e 6 anos de idade, para testar os gabaritos de LONG. Os autores relataram que alguns dos pacientes analisados possuíam diversos problemas de oclusão e outros, oclusão clinicamente normal. Nos modelos dessas crianças foram marcados os pontos de referência nas porções mais vestibulares das superfícies oclusais e incisais, de Revisão da literatura 41 acordo com LONG (1999); e para cada modelo definida a distância intermolar em milímetros. Os gabaritos foram sobrepostos aos modelos de acordo com o tipo de arco caracterizado e verificou-se o posicionamento vestíbulo-lingual de cada um dos dentes das arcadas dentárias superior e inferior. Os resultados revelaram que 60% dos dentes analisados na maxila estavam vestibularizados em relação à posição ideal, enquanto que na mandíbula, 50% dos dentes apresentaram um bom posicionamento. Os autores concluíram que os gabaritos são de simples aplicação clínica e podem ser muito úteis na determinação precoce de problemas na dentadura decídua. Após ter publicado vários artigos sobre padrões morfológicos referentes à arcada dentária humana, em números restritos de desenhos pré-formados de dimensões estáveis, justificados pela insuficiência de trabalhos e temas referentes à oclusão dentária, INTERLANDI (2002) escreveu que devido à multiplicidade de variáveis contidas nos diagramas de contorneamento ortodôntico, seria inviável a proposição de traçados essencialmente individuais provenientes de amplo tratamento estatístico. Por este motivo, aceitando esta circunstância, ele indica que seja elaborado um diagrama cujo valor exceda o de simples guia de simetria, para constituir-se num instrumento individual que segue alguns critérios de indispensável utilidade clínica e que continua sendo determinado pelo arco dentário inferior. Esta consideração havia sido feita por INTERLANDI em 1994. Estes diagramas, no entanto, têm sido utilizados para o tratamento ortodôntico da dentadura permanente. Revisão da literatura 42 Nota-se que poucas análises dimensionais ou geométricas foram pesquisadas, para aplicação na dentadura decídua. Menciona-se, inclusive, alguns dados importantes revelados por autores que pesquisaram a dentadura permanente, para a discussão, posteriormente. 3. OBJETIVOS Objetivos 3. 44 OBJETIVOS Estudar os gabaritos de Long em modelos de estudo padrão de crianças portadoras de dentaduras decíduas com oclusão normal e alterada, para: 1. verificar sua utilidade e eficiência clínica, à luz dos critérios que identificam oclusão normal; 2. determinar a acuidade desses gabaritos; 3. examinar se os gabaritos se aplicam melhor à análise da oclusão normal ou à da alterada. Metodologia 4. METODOLOGIA Metodologia 4. 46 METODOLOGIA 4.1 – Formação da Amostra Participaram desta pesquisa 198 crianças, selecionadas após o exame de uma população de 1500 crianças, estudantes em escolas infantis e creches ligadas às Secretarias de Educação Municipal e Estadual de Belo Horizonte, Minas Gerais, mediante permissão e autorização dos responsáveis pelas instituições e pelas crianças (anexo IV). Todas as 198 crianças da amostra pesquisada eram brasileiras, leucodermas, faixa etária entre 03 e 06 anos de idade, apresentando dentadura decídua completa. Foram constituídos 02 grupos: um composto de crianças com oclusão clinicamente normal (Grupo A) e outro composto de crianças com oclusão clinicamente alterada (Grupo B). Os grupos foram caracterizados por modelos de gesso padrão de cada criança e as amostras foram estratificadas, segundo o tipo de arco de Baume (I ou II) e a arcada dentária superior ou inferior; conforme detalhado no Quadro1. Metodologia 47 Quadro 1 Composição da Amostra ARCADA Maxila Mandíbula Oclusão segundo critérios clínicos Normal - Grupo A Alterada - Grupo B Total Normal - Grupo A Alterada - Grupo B Total Arco de Baume Tipo I Tipo II Total 42 78 120 17 61 78 59 139 198 36 75 111 23 64 87 59 139 198 4.1.1 - Grupo A O Grupo A foi composto por 59 crianças, com oclusão clinicamente normal, dentadura decídua completa, hígida, sem cáries, restaurações ou anomalias de forma e número, selecionadas de acordo com o tipo de arco de Baume. Estas crianças foram moldadas para a obtenção de 118 modelos de estudo padrão. Os modelos foram estratificados em 78 arcos tipo I de Baume (42 superiores e 36 inferiores) e 40 arcos tipo II de Baume (17 superiores e 23 inferiores) independentemente, isto é, as crianças poderiam possuir as duas arcadas dentárias com arcos tipo I ou com arcos tipo II ou arcadas superiores com arcos tipo I e inferiores tipo II e vice versa. Levou-se em conta apenas o fator normalidade dos arcos. Para que a amostra fosse semelhante àquela que LONG utilizou para desenvolver seus gabaritos procurou-se caracterizá-la conforme os critérios Metodologia 48 clínicos definidos pela autora (1999). Dessa forma, como critérios de formação do grupo de crianças com oclusão normal, para essa pesquisa, foram observados: • arcos dentários decíduos hígidos e completos, sem cáries interproximais ou oclusais; • espaçamento entre os dentes decíduos: espaços primatas ou generalizados (arcos tipo I), (Figuras 1, 2, 9 e 10), ou sem espaçamentos (arcos tipo II), (Figuras 3, 4, 11 e 12) - (BAUME, 1950); • relação terminal dos segundos molares decíduos em plano reto ou degrau mesial para a mandíbula, (Figuras 5, 6, 7 e 8) - (BAUME, 1950); • relação de caninos normal com o vértice do canino superior no mesmo plano vertical da superfície distal do canino inferior, em oclusão cêntrica (Figuras 5, 6, 7 e 8) - (FOSTER & HAMILTON, 1969); • relação de trespasse horizontal: relação de incisivos normal, positiva, com trespasse horizontal não excedendo 02 mm entre os incisivos superiores e inferiores, (Figuras 2 e 4) - (FOSTER & HAMILTON, 1969); • relação de trespasse vertical: as bordas dos incisivos centrais inferiores contatando as palatinas dos incisivos centrais superiores, em oclusão cêntrica, não excedendo a metade de suas coroas clínicas (Figuras 1 e 3) (FOSTER & HAMILTON, 1969). A presença de qualquer dente permanente parcial ou totalmente irrompido e qualquer tratamento ortodôntico prévio excluía a criança da pesquisa. Metodologia 49 Apresentam-se algumas situações clínicas que ilustram as características de normalidade obtidas: Figura 1 – Arco do tipo I de Baume com trespasse vertical normal – vista frontal Figura 2 – Arco do tipo I de Baume com trespasse horizontal normal- vista lateral Metodologia 50 Figura 3 – Arco do tipo II de Baume com trespasse vertical normal – vista frontal Figura 4 - Arco tipo II com trespasse horizontal normal – vista lateral Metodologia 51 Figura 5 - Relação de caninos normal e plano terminal mesial, lado direito Figura 6 - Relação de caninos normal e plano terminal mesial lado esquerdo Metodologia 52 Figura 7 - Relação de caninos normal e plano terminal reto, lado direito Figura 8 - Relação de caninos normal e plano terminal reto lado esquerdo Metodologia Figura 9 – Arco tipo I de Baume - vista oclusal superior Figura 10 – Arco tipo I de Baume - vista oclusal inferior 53 Metodologia 54 Figura 11- Arco tipo II de Baume - vista oclusal superior Figura 12- Arco tipo II de Baume - com giroversões dentárias- vista oclusal inferior Metodologia 55 4.1.2 – Grupo B Crianças com dentaduras decíduas com má–oclusão também foram avaliadas com o objetivo de verificar a aplicabilidade dos gabaritos. O grupo B foi composto por 139 crianças possuidoras de 278 modelos de arcos dentários decíduos completos, com alterações morfológicas, devido a problemas diversos de oclusão, diagnosticada clinicamente como más oclusões tipo: mordida aberta anterior, mordida cruzada posterior unilateral lado direito e esquerdo, mordida cruzada posterior bilateral, mordida cruzada anterior, relação de caninos de classe II de Angle, relação ântero posterior de Classe III de Angle. Casos com relação de classe I de caninos, com sobremordida profunda, sobressaliência aumentada, e apinhamento dentário foram considerados má oclusão, segundo padrões clínicos de normalidade definidos por LONG (1999), (Figuras 31,32 e 33). Os dentes decíduos deveriam ser hígidos ou restaurados, sem cáries, com morfologia coronária mantida. Os 278 modelos foram estratificados em 78 arcos superiores e 61 inferiores (tipo I de Baume), e 75 modelos de arcos superiores e 64 inferiores (tipo II de Baume), (Quadro 1). Como critério de exclusão para obtenção dessa amostra, observouse a presença de qualquer dente permanente parcial ou totalmente irrompido e qualquer tratamento ortodôntico prévio. Algumas situações clínicas que ilustram as características de anormalidade são representadas pelas Figuras 30 a 40, veja capítulo discussão. Metodologia 56 4.1.3 - Observações Gerais As informações de identificação dos modelos assim como os dados do exame clínico das crianças foram obtidos por um único pesquisador, com a ajuda de uma auxiliar. Este exame foi realizado em cadeiras comuns existentes nas escolas, em sala com luz natural, sendo utilizado como instrumentos apenas abaixadores de língua descartáveis. Posteriormente, as crianças foram examinadas por meio de exame clínico tradicional, para que se complementassem as fichas clínicas individuais, especialmente elaboradas para a pesquisa (Anexo III). No momento da moldagem para obtenção dos modelos de estudo padrão, fotografias de algumas crianças foram feitas, mediante permissão dos responsáveis, para serem utilizadas na ilustração da dissertação. 4.2 - Obtenção dos Modelos de Gesso Padrão Para a moldagem das crianças, foram utilizadas moldeiras infantis (Morelli, Sorocaba, Brasil), acrescentadas com cera utilidade (Wilson®, Polidental, São Paulo, Brasil), para permitir moldagem com limites mais perfeitos e nítidos, utilizando-se alginato (Avagel®, Dentsply, Petrópolis, Brasil), conforme instruções do fabricante. Os modelos foram vazados com gesso branco ortodôntico (Alfa Super Alvo Especial®, Asfer, São Caetano do Sul, Brasil), em máquina a vácuo Metodologia 57 (Turbomix®, EDG, Rio de Janeiro, Brasil), recortados em máquina apropriada (Metalvander, Piracicaba, Brasil), tratados e identificados. A relação de oclusão foi registrada em cera rosa no 7 (Wilson®, Polidental, São Paulo, Brasil), com a criança ocluindo em cêntrica. Todos os modelos foram obtidos de forma padrão, figuras 13 e 14. Figura 13 - Modelos de estudo padrão – vista frontal Metodologia 58 Figura 14 - Modelos de estudo padrão - vista oclusal 4.3 - Aplicação dos Gabaritos Pontos de referência, definidos por LONG (1999), foram marcados com lápis nas superfícies oclusais e incisais dos dentes dos modelos de gesso; selecionou-se o gabarito correspondente ao tipo de arco (I ou II de Baume), superior e/ou inferior, (anexos I e II); Metodologia 59 o gabarito foi aplicado sobre o modelo, coincidindo a reta base nas cúspides disto-vestibulares dos 2os molares decíduos, para estabelecer a distância molar (DM), tentando centralizar a perpendicular à reta base, de forma que passasse pela região interincisal, simultaneamente, a curva correspondente à forma do arco para essa DM deveria ter todos os pontos referentes aos dentes decíduos, coincidindo sobre a curva selecionada. se algum ponto representativo do dente não coincidisse com a curva de normalidade, seria considerado fora do padrão de normalidade. As ilustrações abaixo mostram exemplos da aplicação dos gabaritos em modelos com normalidade de oclusão – critérios clínicos e gabaritos (Figuras 15 e 16), e em modelos com alteração de oclusão – critérios clínicos e gabaritos (Figuras 17 e 18). Metodologia 60 Figura 15 - Aplicação do gabarito sobre modelo arco tipo I superior, normal Figura 16 - Aplicação do gabarito sobre modelo de arco tipo I inferior, normal. Metodologia 61 Figura 17 - Aplicação do gabarito sobre modelo de arco tipo I superio,r alterado. Figura 18 - Aplicação do gabarito sobre modelo de arco tipo I inferior, alterado. Metodologia 62 Observação: O projeto foi registrado em 02/2002 e aprovado em 24/05/02 pela COEP – COMISSÃO DE ÉTICA EM PESQUISA, da PUC Minas Gerais. 4.4 - Análise e Interpretação dos Dados Os dados foram anotados em fichas específicas preparadas para a pesquisa, (Anexo III), tabulados e submetidos à avaliação estatística. Utilizou-se o teste Qui-quadrado com o objetivo de comparar o grupo de crianças com oclusão normal e o grupo de crianças com má oclusão quanto ao sexo, idade e dados clínicos. Este teste tem como objetivo comparar grupos independentes quanto à ocorrência de algum evento, por exemplo o percentual de casos em relação à presença de más oclusões. O teste exato de Fisher foi utilizado nos casos em que ocorreram valores esperados menores do que 5. O índice de concordância de Kappa é um teste não-paramétrico utilizado para avaliar o nível de concordância entre métodos de diagnóstico. Neste trabalho, o índice de Kappa forneceu o nível de concordância entre os dois métodos de diagnóstico da má oclusão: gabarito e critérios clínicos. Metodologia 63 O índice de Kappa é interpretado conforme o quadro abaixo: Quadro 2 Interpretação do teste estatístico “Kappa” Intervalo Interpretação < 0,40 Concordância fraca Concordância de razoável à boa 0,40 ├─ 0,75 Concordância excelente ≥ 0,75 Para avaliar a acuidade do gabarito no diagnóstico da má oclusão, à luz dos critérios clínicos, utilizou-se os valores de: sensibilidade (S), especificidade (E), valor de predição positiva (VPP), valor de predição negativa (VPN), valor falso positivo (FP) e falso negativo (FN). A sensibilidade mede a capacidade do gabarito apresentar um diagnóstico de má oclusão em uma criança que apresentou alteração pelos critérios clínicos e a especificidade mede a capacidade do gabarito apresentar um diagnóstico normal em um indivíduo que apresentou normalidade pelos critérios clínicos. S= Total de indivíduos com alteração pelos dois métodos × 100 Total de indivíduos com alteração pelo gabarito E= Total de indivíduos normais pelos dois métodos × 100 Total de individuos normais pelo gabarito Metodologia 64 Já o valor de predição positiva avalia a probabilidade do gabarito obter um resultado alterado corretamente. Sendo que 100, menos o valor encontrado, é exatamente o falso positivo, que é a probabilidade de um resultado positivo estar incorreto. VPP = Total de indivíduos com alteração pelos dois métodos × 100 Total de indivíduos com alteração pelo gabarito E, o valor de predição negativa avalia a probabilidade do gabarito obter um resultado normal correto e 100 menos este valor é o falso negativo, que é a probabilidade de um resultado negativo estar incorreto. VPN = Todos os Total de indivíduos normais pelos dois métodos × 100 Total de indivíduos normais pelo gabarito resultados foram considerados significativos para uma probabilidade de significância inferior a 5% (p < 0,05). Tendo portanto, pelo menos 95% de confiança nas conclusões apresentadas. 4. RESULTADOS Resultados 4. 66 RESULTADOS Este estudo teve como principal objetivo avaliar a eficácia do gabarito proposto para o diagnóstico de má oclusão. Para tanto, 198 crianças foram diagnosticadas segundo critérios clínicos e segundo o gabarito de Long. Ressalta-se que o gabarito leva em consideração cada arcada individualmente. Desta forma, foram avaliadas 396 arcadas. O Quadro 1 (ver metodologia) mostra a distribuição das crianças conforme o tipo de arcada e o diagnóstico segundo os critérios clínicos. De acordo com a Tabela 1 que descreve os dados pessoais e clínicos das crianças, considerando-se os critérios clínicos utilizados por LONG (1999), não foram observadas diferenças significativas entre as crianças com má oclusão e o grupo com oclusão normal, no que diz respeito ao sexo e à idade. O grupo oclusão normal revelou 52,5% de crianças do sexo feminino e 47,5% do sexo masculino e o grupo com má oclusão, 53,2% do sexo feminino e 46,8% do sexo masculino. Quanto à idade, observou-se maior ocorrência de crianças de 4 e 5 anos nos dois grupos. Foi verificada diferença significativa entre os grupos quanto à avaliação do plano terminal de segundos molares, tanto do lado direito quanto do lado esquerdo. Os resultados revelaram que no grupo de oclusão normal observou-se plano terminal reto em 64,4% do lado direito e em 67,8% do lado esquerdo e no grupo com má oclusão esta característica foi observada em 52,5% do lado direito e em 55,4% do 67 Resultados lado esquerdo. Além disto, verificou-se maior percentual de casos com degrau distal no grupo com má oclusão TABELA 1 Medidas descritivas dos dados pessoais e dados clínicos das crianças Variável Idade 3 anos 4 anos 5 anos 6 anos Total Normal Oclusão Alterada 6 (10,2) 30 (50,8) 19 (32,2) 4 (6,8) 59 (100,0) Total 17 (12,2) 52 (37,4) 61 (43,9) 9 (6,5) 139 (100,0) 23 82 80 13 198 p = 0,339 (Teste Qui-quadrado) Sexo Feminino Masculino Total 31 (52,5) 28 (47,5) 59 (100,0) 74 (53,2) 65 (46,8) 139 (100,0) 105 93 198 p = 0,929 (Teste Qui- quadrado) Plano terminal de molares – Lado direito Reto Degrau M Degrau D Total 38 (64,4) 20 (33,9) 1 (1,7) 59 (100,0) 73 (52,5) 45 (32,4) 21 (15,1) 139 (100,0) 111 65 22 198 p = 0,020 (Teste Qui-quadrado) Plano terminal de molares – Lado esquerdo Reto Degrau M Degrau D Total 40 (67,8) 19 (32,2) 0 (0,0) 59 (100,0) 77 (55,4) 42 (30,2) 20 (14,4) 139 (100,0) p = 0,008 (Teste Qui-quadrado) 117 61 20 198 Resultados 68 A Tabela 2 descreve as relações de caninos e o tipo de arco de Baume presente na amostra. Quanto à relação de caninos, todas as crianças do grupo com oclusão normal apresentaram classe I em ambos os lados. No grupo com má oclusão foi verificada relação de classe II do lado direito em 29,2% dos casos e do lado esquerdo em 33,1% dos casos; e, relação de classe III em 6,5% dos casos do lado direito e em 5 % do lado esquerdo. Ressalta-se que não foram observadas diferenças significativas entre os grupos quanto à caracterização da mandíbula. Já em relação à avaliação da maxila os grupos diferem significativamente. No grupo com oclusão normal, foram verificados arcos superiores do tipo I em 71,2% dos casos e do tipo II em 28,8% dos casos. Foram observados 56,1% de indivíduos com arcos superiores do tipo I e 43,9% do tipo II, no grupo com má oclusão. Quanto à avaliação da mandíbula, verificou-se no grupo com oclusão normal 61% de arcos do tipo I e 39% do tipo II e no grupo com má oclusão, 54% do tipo I e 46% do tipo II. Ressalta-se que não foram observadas diferenças significativas entre os grupos quanto à caracterização da mandíbula. Já em relação à avaliação da maxila os grupos diferem significativamente. 69 Resultados TABELA 2 Medidas descritivas dos dados clínicos das crianças Variável Relação de caninos – Lado Direito CLI CLII CLIII Total Normal Oclusão Alterada 59 (100,0) 0 (0,0) 0 (0,0) 59 (100,0) Total 89 (64,0) 41 (29,5) 9 (6,5) 139 (100,0) 148 41 9 198 p < 0,001 (Teste Qui-quadrado) Relação de caninos – Lado Esquerdo CLI CLII CLIII Total 59 (100,0) 0 (0,0) 0 (0,0) 59 (100,0) 86 (61,9) 46 (33,1) 7 (5,0) 139 (100,0) 145 46 7 198 p < 0,001 (Teste Exato de Fisher) Arco de Baume – Maxila Tipo I Tipo II Total 42 (71,2) 17 (28,8) 59 (100,0) 78 (56,1) 61 (43,9) 139 (100,0) 120 78 198 p = 0,047 (Teste Qui-quadrado) Arco de Baume – Mandíbula Tipo I Tipo II Total 36 (61,0) 23 (39,0) 59 (100,0) 75 (54,0) 64 (46,0) 139 (100,0) p = 0,360 (Teste Qui-quadrado) 111 87 198 Resultados 70 A presença ou ausência de espaços primatas e a relação de trespasse horizontal encontrada nos arcos dentários é descrita na Tabela 3. A avaliação dos espaços primatas mostrou ocorrência em ambos os lados na maioria dos casos do grupo com oclusão normal, tanto na maxila (76,3%) quanto na mandíbula (71,2%). No grupo com má oclusão a avaliação da maxila mostrou 61,2% de casos com ocorrência em ambos os lados e 28,8% com ausência. E a avaliação da mandíbula mostrou 44,6% de casos com espaço primata em ambos os lados e a ausência em 43,9%. A diferença observada entre os grupos mostrou-se significativa. No grupo com oclusão normal foi verificada relação de trespasse horizontal normal em todos os casos; no grupo com má oclusão observou-se sobressaliência acentuada em 33,1% dos casos e mordida cruzada anterior em 20,9%, havendo diferenças significativas entre os grupos. 71 Resultados TABELA 3 Medidas descritivas dos dados clínicos das crianças Variável Espaços primatas – Maxila Lado direito Lado esquerdo Ambos Ausente Total Normal Oclusão Alterada 6 (10,2) 3 (5,1) 45 (76,3) 5 (8,5) 59 (100,0) 11 (7,9) 3 (2,2) 85 (61,2) 40 (28,8) 139 (100,0) Total 17 6 130 45 198 p = 0,007 (Teste exato de Fisher) Espaços primatas – Mandíbula Lado direito Lado esquerdo Ambos Ausente Total 6 (10,2) 2 (3,4) 42 (71,2) 9 (15,3) 59 (100,0) 11 (7,9) 5 (3,6) 62 (44,6) 61 (43,9) 139 (100,0) 17 7 104 70 198 p = 0,001 (Teste exato de Fisher) Trespasse horizontal Normal Acentuado Cruzada Total 59 (100,0) 0 (0,0) 0 (0,0) 59 (100,0) 64 (46,0) 46 (33,1) 29 (20,9) 139 (100,0) 123 46 29 198 p < 0,001 (Teste Exato de Fisher) No que diz respeito à avaliação do trespasse vertical, Tabela 4, todos os casos do grupo com oclusão normal apresentaram relação normal e no grupo com má oclusão foi verificada normalidade neste critério em 60,4% dos casos, sendo que esta diferença foi significativa. A mordida cruzada não foi identificada no grupo com oclusão normal e em 77% dos casos no grupo com má oclusão, havendo diferença significativa entre os grupos. 72 Resultados Em relação ao apinhamento, sua ausência foi verificada em todos os casos pertencentes ao grupo com oclusão normal e em 82% do grupo com má oclusão. Ressalta-se que os dois grupos diferem significativamente em relação à ocorrência de apinhamento. TABELA 4 Medidas descritivas dos dados clínicos das crianças Variável Trespasse vertical Normal Acentuado Aberto Topo Total Normal Oclusão Alterada 59 (100,0) 0 (0,0) 0 (0,0) 0 (0,0) 59 (100,0) 84 (60,4) 34 (24,5) 15 (10,8) 6 (4,4) 139 (100,0) Total 143 34 15 6 198 p < 0,001 (Teste exato de Fisher) Mordida cruzada Anterior Posterior Localizada Posterior / Localizada Anterior / Posterior Ausente Total 0 (0,0) 0 (0,0) 0 (0,0) 0 (0,0) 0 (0,0) 59 (100,0) 59 (100,0) 5 (3,6) 11 (7,9) 2 (1,4) 3 (2,2) 11 (7,9) 107 (77,0) 139 (100,0) 5 11 2 3 11 166 198 p = 0,002 (Teste exato de Fisher) Apinhamento Superior Inferior Ambos Ausente Total 0 (0,0) 0 (0,0) 0 (0,0) 59 (100,0) 59 (100,0) 3 (2,2) 13 (9,4) 9 (6,5) 114 (82,0) 139 (100,0) 3 13 9 173 198 p = 0,002 (Teste exato de Fisher) 73 Resultados As Tabelas 5 e 6 mostram as medidas das distâncias molares avaliadas em cada arco dentário das crianças. TABELA 5 Medidas descritivas das distâncias molares dos arcos dentários das crianças Oclusão Distância Molar Normal Alterada Total Superior 1 (1,7) 1 (0,7) 2 40 0 (0,0) 1 (0,7) 1 41 2 (3,4) 5 (3,6) 7 42 2 (3,4) 6 (4,3) 8 43 14 (23,7) 33 (23,7) 47 44 10 (16,9) 15 (10,8) 25 45 11 (18,6) 21 (15,1) 32 46 3 (5,1) 12 (8,6) 15 47 13 (22,0) 32 (23,0) 45 48 1 (1,7) 8 (5,8) 9 49 1 (1,7) 2 (1,4) 3 50 1 (1,7) 2 (1,4) 3 51 0 (0,0) 1 (0,7) 1 52 59 (100,0) 139 (100,0) 198 Total Inferior 36 37 38 38 40 41 42 43 44 45 46 47 Total 1 (1,7) 1 (1,7) 3 (5,1) 7 (11,9) 20 (33,9) 4 (6,8) 12 (20,3) 3 (5,1) 7 (11,9) 1 (1,7) 0 (0,0) 0 (0,0) 59 (100,0) 0 (0,0) 2 (1,4) 13 (9,4) 4 (2,9) 29 (20,9) 11 (7,9) 20 (14,4) 14 (10,1) 36 (25,9) 3 (2,2) 6 (4,3) 1 (0,7) 139 (100,0) 1 3 16 11 49 15 32 17 43 4 6 1 198 74 Resultados A distância molar variou de 40 a 52 mm, com uma média igual a 45,9 mm na avaliação da arcada superior e de 36 a 47 mm, com uma média igual 41,6 mm, nas medidas da arcada inferior. TABELA 6 Distância Molar Superior Inferior Medidas descritivas da distância molar das crianças Medidas descritivas Mínimo Máximo Mediana Média 40,0 52,0 46,0 45,9 36,0 47,0 42,0 41,6 Desvio 2,2 2,2 Os resultados apresentados no Quadro 3 e Tabelas 7 a 10 mostram uma baixa concordância entre gabarito e critérios clínicos independente do tipo de arco avaliado. . Quadro 3 Resumo do teste de Kappa com respectivo valor de significância 75 Resultados Arco de Baume Maxila - Tipo I Maxila - Tipo II Mandíbula - Tipo I Mandíbula - Tipo II Kappa p 0,362 0,072 0,072 0,055 0,170 0,501 0,549 0,072 Considerando-se a maxila com arco tipo I (Tabela 7), observou-se que, entre as crianças com oclusão normal pelos critérios clínicos, o gabarito indicou alteração em 81% dos casos. E no grupo diagnosticado com má oclusão pelos critérios clínicos, 12,8% foram considerados como normal pelo gabarito. Neste caso o índice de Kappa foi igual a 0,072. TABELA 7 Resultado do teste de concordância de Kappa entre as variáveis “Gabarito Arco Tipo I Superior e Critérios clínicos, segundo LONG” Oclusão segundo Gabarito Arco Tipo I Superior Normal Alterado Oclusão - segundo Critérios Clínicos n Normal 8 Alterada 10 Total 18 Resultado do teste de Kappa Estimativa = 0,072 % 19,0 12,8 15,0 n 34 68 102 % 81,0 87,2 85,0 p = 0,362 Total 42 78 120 76 Resultados Na análise da maxila com arco tipo II (Tabela 8), obteve-se resultado similar. No grupo com oclusão normal avaliada clinicamente, observou-se discordância pelo gabarito na maioria dos casos (82,4%). E no grupo com má oclusão, na maioria dos casos (88,5%) houve o mesmo diagnóstico pelo gabarito. O índice de concordância neste caso foi igual a 0,072. TABELA 8 Resultado do teste de concordância de Kappa entre as variáveis “Gabarito Arco Tipo II Superior e Critérios Clínicos, segundo LONG” Oclusão segundo Gabarito Arco Tipo II Superior Normal Alterado Oclusão - segundo Critérios clínicos Normal Alterada Total n 3 7 10 % n % 17,6 14 82,4 11,5 54 88,5 12,8 68 87,2 Resultado do teste de Kappa Estimativa = 0,072 p = 0,501 Total 17 61 78 Avaliando-se os resultados da Tabela 9 (arco inferior tipo I Æ Kappa = 0,055), foi verificado que 75% dos casos com oclusão normal pelos critérios clínicos foram diagnosticados com má oclusão pelo gabarito, e 11,5% dos casos com má oclusão foram diagnosticados com oclusão normal pelo gabarito. 77 Resultados TABELA 9 Resultado do teste de concordância de Kappa entre as variáveis “Gabarito Arco Tipo I Inferior e Critérios Clínicos, segundo LONG” Oclusão segundo Gabarito Arco Tipo I Inferior Normal Alterado Oclusão - segundo Critérios clínicos Normal Alterada Total n 9 15 24 % n % 25,0 27 75,0 20,0 60 80,0 21,6 87 78,4 Resultado do teste de Kappa Estimativa = 0,055 p = 0,549 Total 36 75 111 E, para a mandíbula com arco tipo II (Kappa = 0,170), observou-se discordância entre os dois métodos na maioria dos casos do grupo com oclusão normal pelos critérios clínicos. E, no grupo com má oclusão verificou-se que o gabarito indicou oclusão normal em 7,8% dos casos. TABELA 10 Resultado do teste de concordância de Kappa entre as variáveis “Gabarito Arco Tipo II Inferior e Critérios Clínicos, segundo LONG” Oclusão segundo Gabarito Arco Tipo II Inferior Normal Alterado Oclusão - segundo Critérios clínicos Normal Alterada Total N 5 5 10 % n % 21,7 18 78,3 7,8 59 92,2 11,5 77 88,5 Resultado do teste de Kappa Estimativa = 0,170 p = 0,072 Total 23 64 87 78 Resultados O Quadro 4 mostra as medidas de acuidade do gabarito à luz dos critérios clínicos. Como podem ser observados, os resultados não são favoráveis para o gabarito. Quadro 4 Resultados dos testes diagnósticos por tipos de arcos de Baume e arcadas Arco de Baume Níveis Tipo I Maxila Tipo II Tipo I Mandíbula Tipo II Teste Sensibilidade Especificidade Valor predito positivo Valor predito negativo Falso positivo Falso negativo Sensibilidade Especificidade Valor predito positivo Valor predito negativo Falso positivo Falso negativo Sensibilidade Especificidade Valor predito positivo Valor predito negativo Falso positivo Falso negativo Sensibilidade Especificidade Valor predito positivo Valor predito negativo Falso positivo Falso negativo Resultado 87,2 19,0 66,7 44,4 33,3 55,6 88,5 17,6 79,4 30,0 20,6 70,0 80,0 25,0 69,0 37,5 31,0 62,5 92,2 21,7 76,6 50,0 23,4 50,0 6. DISCUSSÃO Discussão 6. 79 DISCUSSÃO A iniciação do desenvolvimento da má oclusão nos períodos iniciais da formação da dentadura decídua tem sido postulado e denunciado exaustivamente nas pesquisas. No entanto, poucos são os trabalhos que avaliam esta dentadura sob seus aspectos morfológicos e definem abordagens terapêuticas para esta fase de desenvolvimento. Pesquisando a literatura para a determinação do estado da arte em relação à dentadura decídua, deparou-se com os gabaritos de LONG (1999). Estes gabaritos foram desenvolvidos com o objetivo de avaliar se a dentadura decídua está em processo de desenvolvimento normal ou alterado. Na revisão da bibliografia, foi estudada a análise de CARREA, apresentada em 1920, que desenvolveu diagramas para caracterizar a dentadura humana, ressaltando seu caráter geométrico. No entanto, a revisão revelou escassez de outros trabalhos que se preocuparam em utilizar diagramas para avaliar a dentadura decídua. INTERLANDI (2002) declarou que, nos idos do século passado, os traçados como os de Bonwill-Hawley eram plenamente justificáveis, uma vez que a morfologia dos arcos não se submetera ainda, às complexidades do “tema oclusão” que iriam vigorar posteriormente na Ortodontia, e, acrescentando, aos fatores etiológicos ambientais causadores das más oclusões. Por isto, tornou-se interessante testar os gabaritos de LONG, para verificar sua aplicabilidade na dentadura decídua, conforme proposto na metodologia deste trabalho. Discussão 80 Conforme citado por LONG (1999), a ausência de diferenças na morfologia dos arcos dentários quanto ao sexo já foi demonstrada por CAMBEROS et al. (1991); RABERIN et al. (1993); BRANDÃO et al., (1996); ALMEIDA et al. (1998) e SILVA FILHO et al., (2002b). Portanto, este parâmetro não foi considerado na pesquisa de LONG e tampouco nesta, para a seleção de crianças. Os dados deste trabalho sugerem que não há diferença estaticamente significativa entre os resultados das medidas encontradas nos dois grupos sexuais da amostragem (Tabela 1). Nesta pesquisa, foi verificada diferença significativa entre os grupos quanto à avaliação do plano terminal de molares, tanto do lado direito quanto do lado esquerdo. Os resultados da Tabela 1 estão de acordo com CLINCH (1951); WLADISLAVOV (1968); MOORREES et al. (1969); NANDA (1973); ALBEJANTE (1975); ISSÁO & GUEDES-PINTO (1978); BISHARA et al. (1988); GIMENEZ et al. (2001). Na maioria dos casos do grupo com oclusão normal houve a ocorrência de espaços primatas em ambos os lados, tanto na maxila quanto na mandíbula, resultados que concordam com os obtidos por FOSTER & HAMILTON (1969) que avaliaram crianças britânicas. O arco tipo I de Baume foi mais observado no grupo com oclusão normal; valores semelhantes foram encontrados por BARBOSA et al. (2000), que revelaram serem esses, os mais freqüentes, independentemente do tipo de plano terminal verificado. Discussão 81 LONG (1999) analisou 40 crianças com oclusão clinicamente normal para representar as características de normalidade e definir seus 04 gabaritos. a partir da análise de 20 modelos de arcos dentários decíduos tipo I superiores e 20 inferiores, e 20 modelos de arcos dentários decíduos tipo II superiores e 20 inferiores. Em cada gabarito, encontram-se 06 curvas elípticas que caracterizam 06 medidas de DM para cada arco decíduo tipo I ou II de Baume. Portanto, os 04 gabaritos correspondem a 24 formas elípticas de arcos dentários diferentes e, sendo assim, em sua amostra aleatória que constitui 80 modelos, para uma situação que apresenta muitas variáveis, a autora pode ter avaliado uma média de 03 a 04 modelos de cada uma das 24 elipses diferentes dos 04 gabaritos; esses números não foram revelados em seu trabalho. LONG relatou que suas DM médias foram: 45,44 e 40,99 mm para arcos tipo I superior e inferior respectivamente, e, 45,27 e 40,65 mm para arcos tipo II superior e inferior respectivamente. As medidas referentes às distâncias molares encontradas nos modelos deste trabalho variaram entre 40 e 52 mm, no arco superior e 36 a 47 mm no arco inferior, com uma média em torno de 41,6 mm (Tabela 5). Estes modelos representam a forma e o tamanho do arco elíptico; mas a forma do arco é muito diversificada e pode ser influenciada por diferentes fatores, inclusive pela região geográfica do indivíduo (HUGGARE, 1993). Com a variabilidade de fatores que interferem no perímetro do arco dentário, dessa forma interferindo na largura, comprimento e, devido às diferenças entre os tamanhos dentários e a presença ou não de espaços primatas e diastemas ou ausência de diastemas nos arcos dentários 82 Discussão decíduos, a população amostral avaliada por LONG que possibilitou o desenvolvimento de gabaritos pode ter sido pouco representativa. Neste trabalho, foram avaliadas 59 crianças com normalidade de oclusão e 139 crianças com más oclusões diversas. Segundo análises estatísticas preliminares, uma amostra com 60 modelos de arcos dentários decíduos normais tipo I (30 S e 30 I), e outra com 60 modelos de arcos tipo II (30 S e 30 I) de Baume e mesmo número para a amostra de crianças com oclusão dentária alterada, representaria variabilidade de arcos dentários suficiente para avaliar a aplicabilidade dos gabaritos de Long. Conseguiu-se maior quantidade de modelos do arco tipo I, mais freqüente na população infantil, tanto para os arcos dentários normais quanto alterados e um pouco menos para arcos tipo II normais, menos freqüente na população. Procurou-se aplicar os gabaritos em maior número de modelos de arcos dentários tipo I, com o objetivo de aumentar a diversidade das formas de arcos. E mesmo assim, outros estudos sempre são necessários. No momento das observações, o exercício da sobreposição dos gabaritos sobre os modelos de gesso não é difícil. Principalmente quando os arcos dentários coincidem com eles. Observa-se imediatamente que ele se encaixa na curva elíptica, entretanto, os modelos de gesso precisam estar recortados de forma padrão, para que permaneçam estáticos sobre o plano. Os gabaritos foram confeccionados em plástico flexível. Segundo metodologia deste trabalho procurou-se padronizar todos os modelos; LONG não mencionou o preparo dos modelos de sua amostra. Discussão 83 Para a sobreposição dos gabaritos aos modelos, LONG explicou que a DM entre os segundos molares decíduos é o primeiro parâmetro a ser medido, para identificar o gabarito a ser aplicado. As distâncias molares definidas para os quatro gabaritos variam de 04 em 04 mm (32, 36, 40, 44, 48, 52) (Figura 19). Pelos resultados obtidos agora, verificou-se que existem vários modelos com DM intermediárias àquelas descritas e o número de 06 elipses inseridas para cada gabarito referentes às medidas das DM parece insuficiente. No entanto, as medidas das distâncias molares mínimas e máximas foram bastante similares (32 a 52 e 36 a 52mm). Poderia ser sugerida a colocação de outras curvas intermediárias entre essas medidas; talvez a confecção de gabaritos medidos de 1 em 1 mm, com o objetivo de determinar exatamente a posição do dente em seu alvéolo, pois DM intermediárias foram encontradas neste estudo (ver Tabela 5). Assim, questiona-se, se é importante avaliar o posicionamento dentário exato de cada dente decíduo nesta fase da dentadura. Ainda não foi descrito na literatura qual aparelho ortodôntico, ortopédico ou removível que poderia colocar os dentes milimetricamente em suas posições intra-alveolares, tanto no sentido vestíbulolingual quanto mésio-distal. A fase da dentadura decídua é transitória e muito curta. O comprimento de arco (Figura 20) é limitado pela reta base onde LONG indicou o posicionamento dos seus gabaritos, referente à distância entre os segundos molares decíduos que deve ser definida logo após a marcação dos pontos disto-vestibulares (Figura 19). CARREA também limitou seus diagramas (Figura 21), ao definir em 28, 30, 32 e 34 mm as medidas de cada lado do 84 Discussão triângulo. Conseqüentemente, a circunferência definida por cada um desses lados do triângulo determinaria valores de perímetro de arco e de comprimento de arco, que podem não se aplicar em uma grande variabilidade de casos. Figura 19 – Gabarito de Long Figura 20 – Comprimento de arco dentário (L) 85 Discussão Figura 21 – Diagrama de Carrea Pode-se deduzir que, os comprimentos de arcos sugeridos por CARREA (1920) e aplicados por ISSÁO & GUEDES-PINTO (1978) e TOLEDO (1996), e também por LONG (1999), definidos pelas distâncias molares determinantes de normalidade para a maioria dos arcos dentários decíduos encontrados na população leucoderma brasileira, podem variar mais, não envolvendo grande parte dessa população. ALMEIDA (1976), USBERTI (1979), CAMBEROS (1984) e ZYTKIEVITZ (1992) podem ter utilizado amostras reduzidas, de 40, 120, 40, 100 crianças respectivamente, heterogênea. Elas podem estar representando bem as individualidades observadas em cada população: comportamento, descendência, educação e base cultural. Mas, talvez, a população amostral analisada nessas 86 Discussão pesquisas não represente amostras de formas variadas de arcos dentários decíduos estatisticamente significativa. De acordo com LONG & CHELOTTI (2002), “o gabarito deve ser posicionado na medida da DM obtida, tentar centralizar a perpendicular à reta base, de forma que passe pela região incisal. Verificar os pontos marcados nos demais dentes decíduos que devem estar coincidentes com as áreas de posicionamento dental na curva selecionada”. No trabalho atualmente desenvolvido, observou-se que a aplicação do gabarito sobrepondo-o à reta referente à DM, limita o comprimento do arco. Isto acontece porque, ao sobrepor o gabarito primeiramente sobre a reta que caracteriza a DM do modelo ocorre encurtamento do comprimento do arco; os gabaritos ficam aquém das curvaturas anteriores, evidenciando, em muitos casos, a vestibularização dos dentes anteriores, conforme também determinaram ZANET et al. (2002). Eles concluíram que, 60% dos dentes analisados na maxila estavam vestibularizados em relação à posição ideal. Autores que desenvolveram gabaritos para a dentadura permanente, como INTERLANDI (1994), BeGOLE & LYEW (1998), sugeriram a referência da curvatura anterior para determinar a forma do arco dentário humano. Outros autores estudaram a forma geométrica de arcos dentários, usando pontos oclusais vestibulares, semelhantes aos mencionados por LONG (1999), para posicionar seus gabaritos (CURRIER, 1969; FELTON et al., 1987; RICHARDS et al., 1990; DAVIS & BEGOLE, 1998; ALMEIDA et al, 1998). No entanto, verificou-se no estudo atual, que os pontos disto-vestibulares das Discussão 87 cúspides dos segundos molares decíduos referenciados por LONG (1999) para sobrepor seus gabaritos são mais lingualizados e estreitam o arco dentário nas extremidades. Isto leva à falsa impressão de que o segundo molar decíduo está inclinado para lingual, o que não ocorre na maioria das vezes. Este foi um dos motivos que justificou a não sobreposição de todos os pontos de referência propostos, principalmente os pontos referentes às cúspides distovestibulares dos segundos molares decíduos, conforme citado. Resultados que poderiam sugerir correções desnecessárias, visto que LONG indica normalidade somente quando todos os pontos se sobrepõem. As diferenças de forma observadas para o segundo molar decíduo, que ocorre em muitos casos que foram avaliados, pode também determinar a marcação de sua cúspide disto-vestibular numa posição mais estreitada e denunciar o posicionamento vestíbulo-lingual do segundo molar alterado. Talvez isto também justifique o trabalho de ALMEIDA (1976). Aplicando o diagrama de Carrea em sua amostra, ele verificou que o triângulo determinado na circunferência era isósceles e não eqüilátero observando ainda que, na região anterior, os pontos relativos aos dentes apresentavam tendência de se situarem fora da circunferência determinada. De qualquer forma, o círculo formado pelo triângulo também determinaria somente uma forma de arco dentário. USBERTI (1979) estudou a morfologia do arco dentário decíduo em crianças na faixa etária de 3 a 6 anos, sugerindo a análise equacional, com vistas às perspectivas futuras na idade adulta. BANKER et al. (1984) demonstraram que a configuração do arco decíduo tem a forma ovóide, mas que os critérios de Discussão 88 oclusão normal não podem ser rígidos e devem ser eficientemente analisados, nesta fase de desenvolvimento da dentição. CAMBEROS (1984) determinou uma equação exponencial para analisar a forma do arco dentário decíduo, em ambos os tipos de arcos de Baume, inferior e superior, relatando que a curva é do tipo hiperbólica. ZYTKIEVITZ (1992) não conseguiu estabelecer relação de seus achados com os conceitos estabelecidos por CARREA (1920), pois os pontos por onde passavam as circunferências, traçadas para ambos os arcos e sexos, não eram os mesmos. Pode-se concluir desses dados que poucos têm sido os estudos que avaliam a dentadura decídua por meio de análises geométricas ou matemáticas, definindo padrões de forma dos arcos dentários. Apesar de ISSÁO & GUEDES PINTO (1978) e TOLEDO (1996) sugerirem a análise da dentadura decídua por meio dos diagramas de Carrea, não é usual sua utilização na prática diária. O gabarito define se a forma do arco dentário é cônica: elíptica, hiperbólica, parabólica, faz parte de uma curva catenária, etc... Isto pode não ser determinante. As amostras que têm sido pesquisadas podem não estar representando dados importantes de uma população de crianças e podem estar determinando conceitos. Outros estudos podem ser necessários. ENGEL (1979) escreveu: “os arcos préformados, atualmente disponíveis, não correspondem a um grande número de casos ortodônticos, pois eles não abrangem todas as variações, quanto ao tamanho e dimensões da arcada humana”. Essa observação poderia ser extrapolada para as variações de forma e tamanho dos arcos dentários decíduos, pois certamente, esses arcos dentários permanentes desenvolveram-se a partir dos arcos decíduos. Discussão 89 FELTON et al. (1987) concluíram não haver uma forma de arco permanente “universal” aplicável a todos os casos; que muitas formas geométricas de arcos dentários têm sido sugeridas, fórmulas matemáticas, etc., principalmente devido ao desenvolvimento das análises computadorizadas. No entanto, essas figuras geométricas aplicam-se ao arco dentário permanente que se apresenta mais estável e os pesquisadores estão tentando definir formas de arcos para proporcionar estabilidade e longevidade ao tratamento ortodôntico, conforme estudou também WHITE (1977). Na visão contemporânea, no entanto, procura-se individualizar a forma do arco (INTERLANDI, 2002). O fato de LONG (1999) estudar a morfologia da dentadura decídua por meio de diagramas, justificando a pouca ênfase dada ao estudo da forma da dentadura decídua, faz pensar que a autora acredita que somente a avaliação clínica de oclusão não é suficiente para se detectar normalidade e anormalidade nessa fase. E que é necessário “lançar mão” de um método de diagnóstico que não seja clínico, facilmente aplicável para avaliar essa dentadura. CARREA (1920) elaborou diagramas para a dentadura decídua. Mas isto aconteceu no início do século passado e muitos trabalhos têm sido elaborados para avaliar o desenvolvimento das dentições em todos os seus aspectos. O período da dentadura decídua ocorre aproximadamente dos 03 aos 06 anos em média e não se tem notícia do uso desses diagramas na rotina clínica diária. Na dentadura permanente, pode ser que gabaritos facilitem a padronização de uma forma de arco dentário mais estável, quando ela é individualizada para cada forma de arco que o osso basal do paciente determina (WHITE, 1977; INTERLANDI, 2002). Discussão 90 A dentadura decídua é uma fase de transição. A forma geométrica isolada do arco dentário não pode ser utilizada única e exclusivamente para a determinação de normalidade ou anormalidade desta dentadura (SILVA FILHO et al., 2003). A análise isolada do modelo superior é importante quando nos mostra que a forma é triangular e não parabólica, denunciando uma atresia maxilar o que pode levar a mordidas cruzadas. A atresia maxilar pode estar presente nos dois arcos dentários (maxilar e mandibular), em análise isolada dos modelos e não apresentar mordida cruzada em análise de oclusão dos modelos. Mas existe discrepância dente-osso, o que justifica a expansão do arco superior. Os dados desta pesquisa revelaram que a forma do arco dentário de todas as crianças avaliadas, tanto do grupo normal quanto do alterado, se enquadra na forma elíptica determinada por LONG (1999) (Tabela 5). Esta é uma observação importante, pois revela a forma elíptica dos arcos dentários decíduos, em todos os 396 modelos estudados. Outro fator a ser considerado refere-se aos dois tipos de configurações que podem ser encontrados nos arcos dentários decíduos: os arcos tipo I e II de BAUME. O tipo espaçado, caracterizado por amplos diastemas entre os dentes anteriores e pequenos diastemas entre os dentes posteriores, e o tipo cerrado, distinguido por um arco dentário estreito e com ausência de diastemas entre os dentes. Como classificar então esses tipos de arcos se não foram encontradas todas essas características? BAUME (1950) não identificou arcos tipo I ou II superiores e inferiores.. Assim, para a aplicação do gabarito de Long aos modelos, deve-se determinar o tipo de arco, se I ou II, para maxila e mandíbula. PARFITT (1956) caracterizou os arcos em tipo I, quando os diastemas mediam 0.5 mm ou Discussão 91 mais. USBERTI (1979) e CAMBEROS (1984), (MATHIAS, 1984), seguiram PARFITT. Identificaram arcos com diastemas generalizados, na região anterior, superior e inferior, cuja somatória fosse igual ou superior a 2,5mm e arcos sem diastemas, na região anterior, superior e inferior, cuja somatória fosse menor que 2,5 mm. Classificaram ainda em arcos mistos quando apresentava somatória de espaços anteriores de canino a canino igual ou maior que 2,5mm em apenas um dos arcos, superior ou inferior. ALMEIDA (1976) considerou arco tipo I quando existiam espaços entre os incisivos centrais, incisivos centrais e laterais, incisivos laterais e caninos e tipo II, quando nenhum espaçamento era visto entre estes dentes. ROSSATO & MARTINS (1993) consideraram arcos tipo I, com valores positivos de espaço presente acima de 1,5 mm; e tipo II, com valores inferiores a 1,5 mm. Desde 1950, comenta-se sobre os arcos tipos I e II, segundo Baume. No entanto, os autores que utilizam esta classificação não citam as individualidades encontradas; nem mesmo mencionam a dificuldade que é, na prática, caracterizar um arco dentário, se tipo I ou II de Baume, principalmente quando nos estágios que imediatamente antecedem o início do 1º período transitório, depois que esses arcos sofreram interferências de muitos fatores etiológicos e os espaços muitas vezes se “movem” ou se “fecham”. E ainda se são definidos quando o paciente está em oclusão dentária ou em arcos individualizados ou modelos separados. As Figuras 22 a 29 exemplificam a variabilidade de tamanho de espaçamentos entre os dentes de cada arco dentário ilustrado. LONG não citou que critérios foram utilizados para caracterizar os tipos de arcos e isto é muito importante em seu trabalho, pois determinou gabaritos diferentes para cada tipo de arco de Baume. Discussão Figura 22 – arco tipo I superior e inferior? misto? Figura 23 – arco tipo I superior e inferior? 92 Discussão Figura 24 – arco tipo II superior e inferior? Figura 25 – arco tipo I superior e inferior 93 Discussão Figura 26 – arco tipo II superior e I inferior? Figura 27 – arco tipo II superior e inferior? Misto? 94 Discussão 95 Figura 28– arco tipo II superior e inferior? Figura 29 – arco tipo I superior e inferior Os critérios clínicos que determinam se a oclusão dentária decídua está normal ou alterada, revelados pela literatura clássica, diferem de outros trabalhos atuais e promovem informações e resultados diferentes. Para a obtenção da amostra de crianças com dentaduras decíduas normais para esta pesquisa, precisou-se dispor dos critérios clínicos já reportados por BAUME (1950); CLINCH (1951); FOSTER & HAMILTON (1969); MOORREESS (1969); NANDA (1973); BISHARA et al., (1988); ISSÁO & GUEDES-PINTO (1994); Discussão 96 TOLEDO (1996); MARTINS (1998); LONG (1999); MAIA (1999); GIMENEZ et al. (2001) e muitos outros autores contemporâneos que caracterizam a oclusão decídua normal como dependente da relação terminal dos segundos molares decíduos, da relação de caninos de classe I de Angle, da relação de sobressaliência de 0 a 2mm e de sobremordida até a metade da coroa clínica do incisivo inferior. Não mencionam a relação intra-arco. Os critérios clínicos que determinam anormalidade, adotados pelos autores citados, em relação à sobremordida e à sobressaliência foram: relação de sobremordida excessiva, quando ultrapassa o valor de 2mm ou metade da coroa clínica do incisivo inferior; relação de trespasse horizontal alterada, também considerada 0 < ou = a 2mm. SILVA FILHO et al. (2002) relataram que a relação intra-arco não é determinante de normalidade ou anormalidade. Oclusão normal traduz uma relação sagital de Classe I de caninos (ANGLE), uma relação transversal adequada e a morfologia dos arcos dentários compatível entre si. MOORREES et al (1969), MATHIAS (1984) e TROTTMAN (1999) consideram sobremordida e sobressaliência aumentadas (Figuras 31 e 32), e presença de apinhamento, (Figura 33), normais para este estágio de desenvolvimento, pois não são tratados nesta fase. As crianças devem ser acompanhadas pelo profissional e normalmente a intervenção terapêutica acontece na fase da dentadura mista. As sobremordidas excessivas e as más oclusões classes II são acompanhadas e tratadas numa fase posterior do desenvolvimento oclusal (WIESLANDER, 1993; NGAN & FIELDS, 1996; BACETTI, 1997), Figura 37. As sobressaliências aumentadas (Figura 32) e as mordidas abertas (figura 30) podem ser sinal de hábito de sucção e interposição lingual, que podem 97 Discussão ser reduzidas com o controle dos hábitos bucais e intervenção de fonoaudiologista (LEIGHTON, 1969; POPOVITCH & THOMPSON, 1975; MELSEN et al. 1979; FOSTER & GRUNDY, 1986; NGAN, 1996; LARSSON, 2001; MONSERAT et al. 2002; SILVA FILHO et al., 2002a). a b Figura 30 - Má oclusão envolvendo erro morfológico no sentido vertical (mordida aberta anterior). Diagnóstico: má oclusão classe I com mordida aberta anterior; vistas: frontal a e lateral, b. 98 Discussão a b Figura 31 - Má oclusão envolvendo erro morfológico no sentido vertical, (sobremordida aumentada) –Diagnóstico: má oclusão classe I, com sobremordida aumentada; vistas frontal (a) e de perfil (b). 99 Discussão a b Figura 32 - Má oclusão envolvendo erro morfológico no sentido ânteroposterior, (sobressaliência aumentada) –Diagnóstico: má oclusão classe I, com sobressaliência aumentada; vistas frontal (a) e de perfil (b). 100 Discussão a b Figura 33 - Má oclusão envolvendo erro morfológico intra-arco (apinhamento dentário inferior-transitório). Diagnóstico: má oclusão classe I com apinhamento dentário anterior inferior; vistas a e b. Discussão 101 A filosofia de tratamento praticada pelos ortodontistas de modo geral, do Brasil e do exterior (TURLEY, 1988; SUGAWARA et al., 1990; NGAN, 1990; BURZIN & NANDA, 1995; NGAN & FIELDS (1996 e 1997); URSI, 1996; JANSON et al., 1998; ALMEIDA et al., 1999; SIQUEIRA et al. 2002; SILVA FILHO et al., 2002 a e b; GURGEL, 2003), na fase de dentadura decídua, é praticamente semelhante. Sabe-se que a etiologia da má oclusão é multifatorial; hábitos de sucção de dedo, chupeta, mamadeira, obstruções das vias aéreas superiores, fatores genéticos e que esses multifatores podem estar interferindo na morfologia dos arcos e alterarem individualmente a posição dos dentes, desde o início do estágio de desenvolvimento oclusal. As interferências oclusais e os hábitos para-funcionais são fatores que podem estar presentes. Além desses fatores, tão importante quanto esclarecer as características oclusionais da oclusão é definir o padrão facial, que, em regra, encontra-se definido nesta idade (SILVA FILHO et al., 2002a). O padrão de crescimento desfavorável pode estar atuando e isto também é fundamental para modificar a morfologia do arco dentário. Por que então avaliar a oclusão decídua por meio de gabaritos? Terapeuticamente o que é tratado nesta fase? Alterações dentárias individuais são tratadas? Discussão 102 A maioria dos autores contemporâneos defende a identificação precoce dos fatores etiológicos, causadores da má oclusão, e indicam o controle ou a remoção dos mesmos (SOUKI, 1996; FERREIRA, 1987; BISHARA, 1988; SILVA FILHO, 1990; GUEDES PINTO, 1994; HENRIQUES et al., 2000; CASTRO, 2001; ALMEIDA et al., 2002; LENCI, 2002). Alguns indicam intervenção na dentadura decídua para as alterações inter-arcos (MOYERS, 1969; CARVALHO, 1998; SILVA FILHO et al., 1999), Figuras 30, 34, 35, 36, 37 e 38. Há controvérsias quanto à indicação do tratamento das más oclusões classe III na fase de dentadura decídua, (McNAMARA, 1987; NGAN, 1996) ou início da mista (TURLEY, 1988; CAPELOZZA FILHO, 2002), Figuras 39 e 40. 103 Discussão a b Figura 34 – Má oclusão envolvendo erro morfológico no sentido transversal. Diagnóstico: má oclusão classe I com mordida cruzada posterior unilateral lado direito, vistas frontal e lateral; figs: a e b 104 Discussão a b Figura 35 – Má oclusão envolvendo erro morfológico no sentido transversal. Diagnóstico: má oclusão classe I com mordida cruzada posterior unilateral lado esquerdo, vistas frontal e lateral; figs: a e b. 105 Discussão a b Figura 36 - Má oclusão envolvendo erro morfológico no sentido transversal (atresia do arco dentário superior). Diagnóstico: má oclusão classe I com mordida cruzada anterior e posterior lado direito; vistas frontal e lateral; figs: a e b 106 Discussão a b Figura 37 - Má oclusão envolvendo erro morfológico no sentido sagital (relação de caninos de classe II), vertical (sobremordida profunda) e transversal (mordida cruzada posterior unilateral, lado direito). Diagnóstico: má oclusão classe II com mordida cruzada posterior unilateral, lado direito e sobremordida profunda; vistas: frontal a e lateral, b. 107 Discussão a b Figura 38 - Má oclusão envolvendo erro morfológico no sentido sagital (relação de classe III de caninos), vertical (mordida aberta anterior) e transversal (mordida cruzada posterior unilateral direita). Diagnóstico: má oclusão classe III com mordida cruzada posterior unilateral, lado direito e mordida aberta anterior; vistas: frontal a e lateral, b. 108 Discussão a B b Figura 39 - Má oclusão envolvendo erro morfológico no sentido sagital (relação de classe III de caninos) e transversal (atresia do arco dentário superior). Diagnóstico: má oclusão classe III com mordida cruzada anterior; vistas frontal e lateral; figs: a e b 109 Discussão a b Figura 40 - Má oclusão envolvendo erro morfológico no sentido ânteroposterior e vertical. Diagnóstico: má oclusão classe III com mordida de topo anterior;vistas: frontal a e lateral, b. 110 Discussão Se a amostra fosse definida segundo SILVA FILHO et al.(2002a), o número de crianças apresentando oclusão normal seria: 112 (224 arcos) ao invés de 59 crianças (118 arcos). Uma alteração percentual de 26,8% a mais de crianças consideradas normais. Da mesma forma, considerando-se os critérios clínicos de LONG, 70,2% das crianças foram diagnosticadas com má oclusão. Segundo os critérios de SILVA FILHO et al., observa-se 43,4% das crianças com má oclusão, diferença bastante significativa. Estes resultados podem ser verificados no Gráfico 1. 100 90 80 70,2 (139) Porcentagem 70 60 56,6 (112) 50 43,4 (86) Normal Alterada 40 30 29,8 (59) 20 10 0 Oclusão_L Oclusão_OG Oclusão GRÁFICO 1: Caracterização das crianças segundo a avaliação de LONG (1999) e SILVA FILHO (2002) Discussão 111 Os erros morfológicos presentes na forma do arco deveriam ser analisados por meio de critérios clínicos já exaustivamente definidos em todos os artigos que abordam problemas de oclusão desenvolvidos para dentaduras decídua, mista ou permanente. Numa primeira consulta, o profissional de saúde está em contato direto com o paciente; todas essas más oclusões são muito facilmente identificáveis por um profissional de saúde bem treinado. Estes conceitos são importantes de serem aprendidos, executados e avaliados na rotina clínica dos consultórios de saúde, de maneira geral. Promover o relacionamento entre as áreas da saúde afins, seria, inclusive, muito enriquecedor para a população como um todo. As atitudes terapêuticas preventivas poderiam ser acionadas por volta dos 03 a 04 anos de idade. Os pais deveriam ser instruídos para reduzir o tempo de uso da chupeta e outros hábitos quando houvesse; encaminhar seus filhos ao otorrino em caso de obstruções das vias respiratórias, ao fonoaudiólogo em casos de alterações de fala e interposições linguais, etc. Posteriormente, por volta dos 05 a 06 anos, orientados para uma consulta ao ortodontista, com o objetivo de avaliar o desenvolvimento da dentição (ALMEIDA et al., 1999). Esta seria uma atitude de promoção de saúde sob a ótica da maioria dos autores contemporâneos, que revelam aproximadamente 70% das crianças apresentando dentaduras decíduas alteradas ou com tendência a desenvolverem má oclusão desde a idade de 03 anos. A linguagem do diagnóstico clínico é imprecisa. KEELING et al. (1997) revelaram que houve excelente confiabilidade somente para a avaliação da presença de uma mordida cruzada posterior quando sete ortodontistas julgaram padrões dentários e faciais da má-oclusão numa amostra de crianças da escola Discussão 112 primária. Convexidade facial, sobremordida, trespasse horizontal, classificação de molar e apinhamento dentário foram observações que tiveram confiabilidade aceitável. Os terapeutas que cuidam de crianças não precisam fazer diagnósticos precisos e sim enviar o paciente para o profissional que trata do problema, se conseguirem visualizar que a dentição está desenvolvendo problemas. E isto não é difícil, basta observar figuras 34 a 40. Os dados deste trabalho revelaram que independente do tipo de arco avaliado maxilar ou mandibular observou-se um resultado falso negativo superior ao falso positivo. A probabilidade de ocorrer erro no diagnóstico de oclusão normal é maior do que a probabilidade de ocorrer erro no diagnóstico de má oclusão. Pode-se citar por exemplo os diagnósticos de oclusão normal e má oclusão dos arcos dentários superiores do tipo II, onde 70% e 20,6%, respectivamente, dos diagnósticos estavam errados. Valores falsos positivos diagnosticados com o gabarito não indicariam correções de más oclusões e valores falsos negativos sugeririam ao profissional a iniciativa de posicionar os pais e a população sobre a alta incidência de más oclusões e, assim, o alerta para a necessidade de correção das mesmas. O número de pais preocupados com a oclusão de seus filhos aumentaria. Outros não se preocupariam com más oclusões que não foram diagnosticadas corretamente. Quando pesquisas fossem feitas os dados não representariam a realidade. Deve-se ressaltar também a sensibilidade e especificidade do gabarito, sendo que em todos os casos observou-se alta sensibilidade e baixa especificidade. Este resultado mostra que o gabarito tem alta capacidade de identificar má oclusão em Discussão 113 populações sabidamente alteradas, e baixa capacidade de identificar oclusão normal, em populações sabidamente normais. E em relação ao aspecto social, o que dizer? Se as crianças desta amostra fossem avaliadas por meio dos gabaritos para determinar se os dentes estão bem posicionados ou não no arco dentário, para determinar se a criança estaria apresentando uma dentição alterada. Que medidas deveriam ser tomadas? Esta criança deveria ser acompanhada pelo seu dentista? Deveria ser tratada, encaminhada? Tudo isto gera custos. E a receptividade e posicionamento dos pais? A fase da dentadura decídua constitui uma etapa transitória rápida e os dentes começam seu processo de esfoliação por volta dos 5 aos 6 anos de idade iniciando processo de movimentação no alvéolo. Além disso, pacientes iniciam seu desenvolvimento praticando hábitos bucais viciosos que podem e devem ser removidos nos primeiros anos de vida (03 a 04) e a posição dentária pode ser melhorada, segundo muitos autores já citados. Conclui-se então que gabaritos analisam somente aspectos intraarcos não determinantes nesta fase da dentadura como auxiliar de diagnóstico clínico. 7. CONCLUSÕES Conclusões 7. 115 CONCLUSÕES A partir da amostra utilizada e segundo a metodologia adotada, podese concluir que: 1. os critérios clínicos que identificam oclusão normal para avaliar a dentadura decídua foram mais eficientes que os gabaritos de LONG, pois os gabaritos discordaram do diagnóstico clínico normal em 78% dos casos; 2. 80% dos casos estudados que possuíam erros morfológicos pelo diagnóstico clínico concordaram com o diagnóstico pelo gabarito, mas houve divergência de resultados para 20% dos casos; 3. os resultados não foram favoráveis para o emprego clínico dos gabaritos propostos a diagnosticar a normalidade ou anormalidade da dentadura decídua, visto que avaliam aspectos intraarcos não determinantes nesta fase da dentadura como auxiliar de diagnóstico clínico. Referências bibliográficas 8. REFERÊNCIAS Referências bibliográficas 8. 117 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. ANGLE, E. H. Classification of malocclusion. 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The practical and essentially clinical diagnosis is usually a prior procedure for this development phase, deals mainly in the problems that have immediate corrective impact. Recently, charts were developed in order to analyse the condition of the deciduous dentition (LONG, 1999). The aim of this dissertation is to apply LONG´s charts in 59 normal dentitions casts (A sample) and 139 abnormal (B sample), having as its chief goal the evaluation of its clinical casts, efficiency in relation to clinical criteria which caracterize normal and malocclusion. A sample was stratified in 72 superior arches and 76 inferior, type I of Baume and 17 superior casts and 23 inferior arches type II of Baume. In B sample the composition is made from 78 superior dental arches and 75 inferior, type I and 61 superior arches and 64 inferior of type II, in casts many different types of malocclusions. A total of 396 casts were examined. The results showed that he proposed charts don´t apply to the primary dentition evaluation. Anexos 135 Key words: deciduous dentition, morphologic analysis, normal occlusion, deciduous occlusion, malocclusion. Anexos 136 10. ANEXOS Anexo I GABARITOS PARA ARCOS TIPO I DE BAUME - SUPERIOR E INFERIOR Anexos Anexo II GABARITOS PARA ARCOS TIPO II DE BAUME, SUPERIOR E INFERIOR 137 Anexos 138 Anexo III FICHA DE DADOS PESSOAIS E CLÍNICOS DADOS PESSOAIS Nome: Nº Idade: __anos,___meses Data de nascimento: ___/___/_______ Data da moldagem: ____/_____/_____ Filiação: PaiMãeEndereço: Telefone: Responsável: Endereço: Telefones: Parente próximo: Endereço: Raça: Nacionalidade: Sexo: Tel: DADOS CLÍNICOS Dentadura decídua completa Todos os dentes hígidos Restaurações oclusais Plano termin. de molares Relação de caninos Arco de Baume Espaços Primatas Sobressaliência Sobremordida Mordida cruzada Apinhamento dentário ant Hábitos: sucção de dedo Sucção de chupeta Amamentação LD LE LD Sim Sim Restaurações proximais Reto Reto CL I Não Não Degrau M Degrau M CL II Degrau D Degrau D CL III LE CL I _ CL II CL III Maxila Mandíbula Maxila Mandíbula Normal Normal Anterior Superior Presente Presente Mamadeira Tipo I Tipo I LD LD Acentuada Acentuada Posterior Inferior Passado Passado Peito Tipo II Tipo II LE LE M.Cruzada Aberta Localizada Até _, meses Até _, _meses Resultado da análise dos gabaritos ARCO SUPERIOR ARCO INFERIOR NORMAL GABARITO NORMAL GABARITO ALTERADO GABARITO ALTERADO GABARITO OCLUSÃO NORMAL ALTERADA Dedo Ortod. Anexos 139 Anexo IV TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Título da Pesquisa: Aplicação de Gabaritos na Análise da Dentadura Decídua Eu, _________________________________________________________, portador(a) da Identidade nº _____________________, tipo ___________ , responsável por __________________________________________, estou sendo convidado a participar da pesquisa a ser realizada no Programa de Mestrado em Odontologia (Odontopediatria) da Faculdade de Odontologia da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Estou ciente de que, para participar da pesquisa, minha filha será submetida a procedimentos de moldagem para obtenção de modelos de estudo e de confecção de fotografias intra e extrabucais, realizados conforme padronização de documentação odontológica. Foi a mim esclarecido que todo o procedimento clínico será realizado dentro das normas de biossegurança necessárias, de forma que a criança estará exposta a desconfortos do procedimento, mas, sem risco para sua saúde. Este estudo servirá para avaliar a prevalência de alterações dentárias com o objetivo de estudo para a prevenção e conquista de saúde bucal. Os procedimentos de moldagem e confecção de modelos, relacionados ao estudo, serão inteiramente gratuitos e foram devidamente esclarecidos. Declaro que compreendi que os resultados da pesquisa serão publicados na dissertação de Mestrado e em revistas de literatura científica e educativa, estando a criança sujeita a ser identificada pelas fotografias; e, concordando com isso, autorizo de livre e espontânea vontade a realização do procedimento de moldagem e fotografias em meu (minha) filho(a) para esses fins descritos. Ciente, dos termos deste documento, recebo uma cópia e firmo o mesmo. Nome do participante ou representante legal Assinatura _____________________________________________________________ Nome do pesquisador Belo Horizonte, ____ de _______________de 2002. Assinatura