HETEROPTERA AQUÁTICOS COMO BIOINDICADORES NA ANÁLISE DA CONSERVAÇÃO DE MICRO-BACIAS HIDROGRÁFICAS DO RIO PINDAÍBA- MT KARINA DIAS DA SILVA Dissertação apresentada à Universidade do Estado de Mato Grosso, como parte das exigências do Programa de Pós-graduação em Ciências Ambientais para a obtenção do título de Mestre. CÁCERES MATO GROSSO, BRASIL 2009 KARINA DIAS DA SILVA HETEROPTERA AQUÁTICOS COMO BIOINDICADORES NA ANÁLISE DA CONSERVAÇÃO DE MICRO-BACIAS HIDROGRÁFICAS DO RIO PINDAÍBA- MT Dissertação apresentada à Universidade do Estado de Mato Grosso, como parte da exigência do Programa de Pós-graduação em Ciências Ambientais para a obtenção do título de Mestre. Orientadora: Helena Soares Ramos Cabette Co-orientador: Paulo De Marco Jr. CÁCERES MATO GROSSO, BRASIL 2009 FICHA CATALOGRÁFICA Silva, Karina Dias da. Heteroptera aquáticos como bioindicadores na análise da conservação de micro-bacias hidrográficas do Rio Pindaíba – Mato Grosso/Karina Dias da Silva – Cáceres: UNEMAT, 2009. 67 f.; il. Dissertação (Mestrado) – Universidade do Estado de Mato Grosso. Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais, 2009. Orientadora: Helena Soares Ramos Cabette. 1. Insetos aquáticos 2. Rio das Mortes/Mato Grosso 3. Gerrmorpha 4. Nepomorpha 5 biomonitoramento I. Título CDU: 595.7 KARINA DIAS DA SILVA HETEROPTERA AQUÁTICOS COMO BIOINDICADORES NA ANÁLISE DA CONSERVAÇÃO DE MICRO-BACIAS HIDROGRÁFICAS DO RIO PINDAÍBA- MT Essa dissertação foi julgada e aprovada como parte dos requisitos para a obtenção do título de Mestre em Ciências Ambientais Nova Xavantina, 04 de março de 2009. Banca examinadora Profa. Dra. Helena Soares Ramos Cabette Universidade do Estado de Mato Grosso (Orientadora) Prof. Dr. Paulo De Marco Jr. Universidade Federal de Goiás (Co-orientador) Profa. Dra. Mônica Josene Barbosa Pereira Universidade do Estado de Mato Grosso Profa. Dra. Carla Galbiati Universidade do Estado de Mato Grosso CÁCERES MATO GROSSO, BRASIL 2009 Dedico não só a dissertação, como tudo o que sou e o que ainda posso vir a ser a Mariana, minha avó meu orgulho e exemplo de vida. EPÍGRAFE Que o conhecimento não sirva apenas a contemplação, mas também ao desenvolvimento pessoal e coletivo pró-ativo engajado e responsável. Marina Silva AGRADECIMENTOS Primeiramente agradeço a Deus pela vida e pela força perante as dificuldades. A minha família meu pai e minha mãedrasta por estarem sempre me apoiando incondicionalmente, as minhas irmãs (Luciana, Adriana e Larissa) ao meu irmão José Vitor por estarem sempre comigo, e por me suportarem quando nem mesmo eu me suportaria, por me incentivarem, por desculparem as minhas falhas e as minhas faltas, e por serem meu porto seguro. A minha avó dona Mariana, pessoa que amo e admiro, por entender, por respeitar e apoiar minhas decisões. A tia Teda, Carol, Beto, Preto e família e Eloir, e Zeca por me apoiarem, acreditarem no meu esforço e por estarem sempre comigo. Ao povo mais ou menos meus amigos companheiros de jornada que sempre estiveram comigo em todos os momentos: Ully, Márcia, Laura, Danielle, Donizete, Daniel, Samuel, foram tempos muito bons que marcaram para sempre nossas vidas e que ficarão marcados em nossas memórias. Marla que mesmo de longe sempre acompanhou minha caminhada. A Ully meu caso mais antigo de amizade e intrigas por apoiar por me incentivar por ser, moto táxi, banco particular, por me acolher em sua casa, me estender a mão e por me suportar, ser meu ombro amigo, estando sempre ao meu lado sempre que precisei, caminhando comigo em quaisquer que fossem as situações, principalmente no mestrado e por me aceitar como irmã chatolina adotiva (forçada) obrigado amiga você tem um papel fundamental nessa conquista. A tia Bernadete pelas acolhidas em sua casa, a minha amiga Iniss pelos conselhos e pela paciência e empréstimos. A Nara por escutar os meus anseios e por estar sempre presente, valeu amiga. Aos colegas e amigos de laboratório, pela companhia nas coletas a campo, nas dúvidas e nas discussões em laboratório, pelo apoio incondicional e pelos momentos de descontração: Jaqueline, popular Buchão, Denis, vulgo Tapioca, Núbia (Ninê), Yulie (Japa), Bruna (Bolita) Vanessa (Deprá...) Mariana (treis veiz cinco é quinze). E aos novatos: Anselmo, Thyago, Bela, Leandro Brasil, Marcelo e a Ananda famosa secretária da Pós. A Kamilla por ser minha anfitriã em Cáceres, obrigado amiguinha. Ao Adam por me acolher em sua casa mesmo sem me conhecer e se tornar um grande amigo. Aos amigos que conquistei durante o mestrado Georghes, Reginaldo, Aldair, Sandra e José Carlos. A todos os colegas da turma do mestrado pelos bons momentos em Cáceres city. E a Tati e a Maria por juntas termos segurado as pontas quando estávamos longe de casa. A Maria por fazer parte da minha família e por me auxiliar nos piores momentos. Ao Lauro meu amigo que esteve comigo durante todo o tempo. A Helena, minha orientadora, amiga, professora e conselheira que me permitiu descobrir o quão maravilhoso é o mundo da pesquisa, por me acolher em seu laboratório e em sua casa mostrando-me que para tudo sempre tem uma solução, e por confiar no meu trabalho, por respeitar as minhas crises e agonias e por me aceitar como sua orientada e por permitir que eu acreditasse neste momento tão sonhado. Ao professor Paulo De Marco Jr. (UFG) por aceitar ser meu co-orientador e por me acolher em seu laboratório. Á Professora Mônica pelas sugestões e correções no trabalho e por aceitar participar da banca. Ao professor José Inácio Ribeiro (Zeca) UNIPAMPA/RS, por tentar esclarecer minhas dúvidas com os heterópteros. A Ully e a Carol aqui como profissionais, pelas idas a campo e pelas análises de água. Ao Leandro Juen, grande amigo, que foi de grande importância neste processo, ajudando-me a amadurecer idéias, sempre verdes, e me incentivando a vida acadêmica. A Joana e ao Lourivaldo pelos momentos em campo, pelas discussões em laboratório pelos conselhos nos momentos de desespero. Ao Rafael pelas sugestões de correção no texto e ajuda com abstracts. A toda a equipe da Pós Graduação em Ciências Ambientais- UNEMAT. A FAPEMAT pelo apoio financeiro (proc. 0907/2006) A CAPES pela bolsa de Mestrado. RESUMO GERAL Dias-Silva, Karina. Heteroptera aquáticos como bioindicadores na análise da conservação de micro-bacias hidrográficas do Rio Pindaíba- MT. Cáceres: 1 UNEMAT, 2008. XIV + 72 p. (Dissertação – Mestrado em Ciências Ambientais) Os ecossistemas aquáticos têm sido alterados em função de vários impactos ambientais, tendo como conseqüência a diminuição da qualidade da água e perda de biodiversidade aquática, em função da desestruturação do ambiente físico, químico e alteração da dinâmica natural das comunidades biológicas. Os Heteroptera, insetos predadores, quando relacionados ao ambiente aquático apresentam duas infra-ordens de particular interesse, os Nepomorpha – aquáticos e os Gerromorpha – semi-aquáticos, importantes nas cadeias tróficas; no entanto, pouco se tem estudado sobre este grupo. O trabalho proposto envolveu inventariar pela primeira vez estas duas infra-ordens no leste matogrossense e, a partir da riqueza de espécies /morfoespécies se discutiu as relações com a integridade ambiental, fatores físico-químicos da água; definiu-se espécies indicadoras de ambientes conservados (três espécies), bem como discutiu as teorias do River Continuum Concept (RCC), da integridade biótica e do distúrbio intermediário. Foi possível perceber que o Índice de Integridade de Hábitat (HII) foi um protocolo útil para o monitoramento, e determinar que os Gerromorpha possam ser utilizados no monitoramento dessa integridade. Os Córregos mais conservados apresentaram maior riqueza de espécies e estas em maior número nas 4ª ordens dos córregos, corroborando a teoria do RCC. Na análise de guildas comportamentais, os patinadores foram mais ricos que os agarradores, e diferiram dos outros grupos. Essa primeira avaliação indica que os Heteroptera aquáticos e semi-aquáticos serão úteis ao monitoramento de hidrobacias do Cerrado matogrossense e que está havendo perda de diversidade nos córregos degradados, sendo necessárias ações de recuperação da vegetação ripária. Palavras-chave: Nepomorpha; Gerromorpha; integridade de hábitat; qualidade de água; conservação. 1 Comitê orientador: Orientadora- Helena Soares Ramos Cabette, UNEMAT; Co-orientador Paulo De Marco Jr., UFG GENERAL ABSTRACT Aquatic Heteroptera as bioindicators in the analysis of the conservation of micro- hydrographic basins of Rio Pindaíba - MT. The aquatic ecosystems have been altered in function of several environmental impacts, tends as consequence the decrease of the quality of the water and loss of aquatic biodiversity, in function of the destructuring of the physical/chemist environment and alteration of natural dynamics of the biological communities. The Heteroptera, predators insects, when related to the aquatic environment present two infra-orders with particular interest, aquatic Nepomorpha and semi-aquatic Gerromorpha, important in the food chains; however, few studies have been done on this group. The proposed work involved to inventory these two infra-orders in the east Mato Grosso, for the first time and, starting from the richness of species/morphospecies discussed the relationships with the environmental integrity, physical/chemist factors of the water; defined indicative species of conserved environments (3 species), as well as it discussed the theories of River Continuum Concept (RCC), biotic integrity and the intermediate disturbance. It was possible to notice that Habitat Integrity Index (HII) was an useful protocol for the monitoring, and to determine that Gerromorpha could be used in the monitoring of that integrity. The more conserved streams presented larger richness of species and these in larger number in the 4th orders, corroborating the RCC theory. In the analysis of behavioral guilds, the skaters were richer than the clingers ones, and they differed of the other groups. This first evaluation indicates that aquatic and semi-aquatic Heteroptera will be useful to the monitoring of hidrobasins of the matogrossense savannah and that it is having biodiversity loss in the degraded streams, being necessary actions of recovery of the riparian vegetation. Keywords: Nepomorpha; Gerromorpha; habitat integrity; quality of water; conservation. LISTA DE FIGURAS 1º artigo Figura 1. Área de estudo nos Córregos Cachoeirinha, da Mata, Caveira, Papagaio e Taquaral, na Bacia do Rio Pindaíba, MT.............................................................14 Figura 2. Relação entre a riqueza estimada de morfoespécies de Gerromorpha e o Índice de Integridade de Hábitat (HII) Bacia do Rio Pindaíba, MT, 2005 e 2008........................................................................................................................21 Figura 3. Relação entre a riqueza estimada de morfoespécies de Gerromorpha e nitrato dos córregos amostrados na Bacia do Rio Pindaíba, MT, 2005 e 2008........................................................................................................................22 2º artigo Figura 1. Riqueza estimada de morfoespécies de Heteroptera nas ordens dos córregos conservados da Bacia do Rio Pindaíba, Nova Xavantina, MT, 2005/2007/08, pelo procedimento de jackknife.(as barras representam um intervalo de confiança de 95%)...............................................................................47 Figura 2. Comparação entre médias (ANOVA) de riqueza estimada de morfoespécies de Heteroptera em ambientes preservados e degradados, na Bacia do Rio Pindaíba, Nova Xavantina, MT, 2005/2008.................................................47 Figura 3. Comparação entre médias (ANOVA) de riqueza observada de morfoespécies de Heteroptera e guildas comportamentais, na Bacia do Rio Pindaíba, Nova Xavantina, MT, 2005/2008............................................................49 Figura 4. Comparação (ANOVA two way) entre de riqueza observada e hábito (guildas comportamentais) de morfoespécies de Heteroptera em ambientes preservados e degradados, na Bacia do Rio Pindaíba, Nova Xavantina, MT, 2005/2008...............................................................................................................49 Figura 5. Relação entre a riqueza estimada de morfoespécies de Heteroptera e o Índice de Integridade de Habitat, amostrados na Bacia do Rio Pindaíba, MT, 2005 e 2008.....................................................................................................................50 Figura 6. Relação entre a riqueza estimada de morfoespécies de Heteroptera e o Índice de Integridade de Habitat anotado para a terceira ordem, amostrados na Bacia do Rio Pindaíba, MT, 2005 e 2008 ..............................................................50 LISTA DE TABELAS 1ª artigo Tabela 1. Abundância de Heteroptera aquáticos (Nepomorpha) e semi-aquáticos (Gerromorpha) coletados na Bacia do Rio Pindaíba, MT, 2005 e 2008........................................................................................................................17 Tabela 2. Locais de coleta, ordens, siglas, coordenadas geográficas, HII, largura e profundidade média, Bacia do Rio Pindaíba, MT, 20052008........................................................................................................................20 Tabela 3. Valores das Regressões lineares simples da relação entre riqueza estimada das morfoespécies de Heteroptera geral, Nepomorpha e Gerromorpha e os parâmetros físico-químicos da Bacia do Rio Pindaíba - MT, 2005/2008...............................................................................................................23 Tabela 4. Relação da conservação dos córregos (preservado/degradado) com a abundância de espécimes e riqueza estimada de Heteroptera da Bacia do Rio Pindaíba, MT, através do Teste t Student..............................................................24 Tabela 5. Composição de espécies de áreas preservadas e degradadas obtidas através ANOSIM (Análise de Similaridade Bi-fatorial)............................................24 Tabela 6. Autovalores (eingenvalue) da Análise de Correspondência Canônica (CCA) da matriz das características ambientais com a distribuição das espécies, com o nível de significância dado pelo do teste Monte Carlo.................................24 Tabela 7. Correlação das espécies com a matriz das variáveis ambientais na Análise de Correspondência Canônica, com o nível de significância dado pelo teste de Monte Carlo...............................................................................................24 Tabela 8. Espécies de Heteroptera indicadoras de locais preservados na Bacia do Rio Pindaíba, MT, 2005-2008, apontadas pelo IndVal ao nível de corte de 40%.........................................................................................................................25 2º artigo Tabela 1 Valores do Índice de Integridade Habitat (HII) na Bacia do Rio Pindaíba, MT, 2005 e 2007/08...............................................................................................48 Tabela 2. Regressões lineares simples da relação entre riqueza estimada das morfoespécies de Heteroptera e o Índice de Integridade de Habitat (HII) em todas as ordens dos Córregos da Bacia do Rio Pindaíba, MT, 2005 e 2007/08..................................................................................................................48 SUMÁRIO INTRODUÇÃO GERAL............................................................................................1 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS........................................................................5 1 º ARTIGO...............................................................................................................7 INTRODUÇÃO........................................................................................................10 MATERIAL E MÉTODOS.......................................................................................12 RESULTADOS.......................................................................................................16 DISCUSSÃO...........................................................................................................26 CONCLUSÃO.........................................................................................................31 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS......................................................................36 2º ARTIGO..............................................................................................................40 INTRODUÇÃO........................................................................................................42 MATERIAL E MÉTODOS.......................................................................................45 RESULTADOS.......................................................................................................47 DISCUSSÃO..........................................................................................................52 CONCLUSÃO.........................................................................................................56 RECOMENDAÇÕES..............................................................................................58 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS......................................................................60 APÊNDICES...........................................................................................................64 INTRODUÇÃO GERAL A Bacia Hidrográfica do Rio Pindaíba compõem a Bacia do Rio das Mortes e está localizada na região Leste do Estado do Mato Grosso. Tem aproximadamente 10.323km2, em áreas contida principalmente nos municípios de Barra do Garças e Araguaiana e secundariamente nos municípios de Nova Xavantina e Cocalinho. A Bacia tem suas principais nascentes originadas nas bordas do Planalto dos Acantilados (BRASIL, 1981) a Sul e Oeste do município de Barra do Garças, com cotas máximas de altitude em torno de 930 metros, convergindo para o sentido Sul-Norte, na direção da Planície de Inundação do Bananal. De acordo com Rossete (2005), a Bacia Hidrográfica do Pindaíba é do tipo dendrítica, a qual se caracteriza por mostrar uma ramificação arborescente (1491 segmentos de drenagens intermitentes e termitentes) em que os tributários se unem em uma só corrente principal formando ângulos agudos, com solos homogêneos e rochas sedimentares, sendo que o rio principal é classificado de sexta ordem, com base em Strahler (1957). Na área de estudo predominam os latossolos bem drenados, em áreas de relevo plano a suave ondulado, produto de alteração de arenitos da Formação Furnas, e sob vegetação de Cerrado, em grande parte já desmatada, para dar lugar a pastagens e lavouras de soja. São solos profundos, ácidos, distróficos, com baixa fertilidade, a exceção do potássio que apresentou teores elevados (ROSSETE, 2005). É premissa para estudos ecológicos adequados ao desenvolvimento de mecanismos de monitoramento e gestão ambiental, o inventário da fauna e flora e dos fatores abióticos e antropomórficos interferentes. O estudo da entomofauna aquática é fundamental como base de conhecimento das teias alimentares e o estabelecimento de bioindicadores refinados para estudos de impacto e conservação. Nas últimas décadas, os ecossistemas aquáticos têm sido alterados em função de vários impactos ambientais, tais como mineração; construção de 2 barragens e represas; retilinização e desvio do curso natural de rios, desmatamento e uso inadequado do solo em regiões ripárias e de planícies de inundação para agricultura e pecuária, superexploração de recursos pesqueiros; etc. Como conseqüência dessas atividades, está ocorrendo a diminuição da qualidade da água e perda de biodiversidade aquática, em função da desestruturação do ambiente físico, químico e alteração da dinâmica natural das comunidades biológicas. Os rios são coletores naturais das paisagens e refletem o uso e ocupação do solo de sua respectiva bacia de drenagem (GOULART e CALLISTO, 2003). Os principais processos de degradação observados em função das atividades humanas nas bacias de drenagem são o assoreamento e homogeneização do leito de rios e córregos, com a conseqüente diminuição da diversidade de habitats, microhábitats e eutrofização artificial (GOULART e CALLISTO, 2003). Assim, o uso de macroinvertebrados como bioindicadores de alterações do ambientes se dá por apresentarem ciclos de vida longos, tamanho de corpo relativamente grande, ser de fácil amostragem a baixo custo, alta diversidade e riqueza de espécies e identificação relativamente fácil ao nível de família e gêneros e, especialmente, serem sensíveis a alterações no meio ambiente onde vivem (JOHNSON et al., 1993). Para poder entender as adaptações dos insetos aquáticos e suas preferências por hábitats específicos é importante conhecer os principais tipos de ambientes de água – doce. Os insetos aquáticos possuem certos atributos que os torna especificamente aptos para residir em tipos particulares ou segmentos de um hábitat (microhábitats). Algumas dessas adaptações estão diretamente ligadas ao espaço físico (hábitat-nicho) que esses insetos ocupam. Muitos insetos aquáticos podem ser convenientemente, classificados com base nos seus hábitats físicos, pelas formas pelos quais eles se movem dentro e no próprio hábitat (McCAFFERTY, 1983). Fatores que influenciam a utilização de um hábitat particular podem ser agrupados dentro de quatro grandes categorias: (1) restrições fisiológicas (e.g. aquisição de oxigênio, efeito da temperatura, osmoregulação), (2) 3 considerações tróficas (e.g. aquisição de alimentos); (3) restrições físicas (e.g. relação com hábitat) e (4) interações bióticas (e.g. predação, competição, parasitismo) (ANDERSON e WALLACE, 1988). Os macroinvertebrados aquáticos são categorizados quanto a grupos funcionais relacionados com a forma de alimentação em fragmentadores, coletores, raspadores, perfuradores e predadores (CUMMINS e KLUG, 1979) e quanto ao seu hábito comportamental nos corpos d’água classificados em agarradores, escaladores, reptantes, fossadores, patinadores, saltadores, mergulhadores e nadadores (MERRITT e CUMMINS, 1984). Buscando entender o padrão de distribuição dos organismos aquáticos uma das teorias propostas é a de Vannote et al. (1980), a Teoria do River Continuum Concept (RCC), que propõem que as comunidades aquáticas estão ajustadas ao gradiente físico em que o corpo d’água está inserido e que essas comunidades estão ligadas longitudinalmente. Neste caso a distribuição das espécies e dos grupos funcionais (guildas tróficas) está organizada de acordo com o fluxo de energia do ambiente. Assim, a comunidade localizada rio abaixo é dependente dos processos que ocorrem rio acima. Uma vez que os corpos d’água sofrem mudanças da nascente a foz, a Teoria do Distúrbio Intermediário de CONNELL (1978) indica que estas mudanças proporcionam a ocorrência de distúrbios naturais, e que quando um distúrbio acontece possibilita a colonização de novas espécies, a comunidade é então controlada por dominância com tendência de aumento inicial de riqueza de espécies na sucessão ecológica; como resultado dessa colonização logo iniciará a fase de diminuição da riqueza resultante da exclusão competitiva. Assim, se este distúrbio for freqüente ele pode manter a comunidade no seu estágio inicial de sucessão onde ocorrem poucas espécies e se este for muito raro permitirá que as espécies mais competitivas dominem (TOWNSEND et al., 2006). Assim, a Teoria do Distúrbio Intermediário prevê que as comunidades terão mais espécies quando a freqüência dos distúrbios não for nem muito intensa e nem muito rara. As espécies têm funções redundantes no ecossistema, assim se uma é eliminada, outra já é capaz de se expandir e tomar o lugar daquela, pelo menos 4 em parte, a natureza viva nada mais é que um conjunto dos organismos em estado natural e o equilíbrio físico e químico que essas espécies geram por intermédio de sua interação (WILSON, 2008). Os distúrbios de origem antrópicas podem proporcionar a perda de espécies no sistema, porém a Teoria da Integridade Biótica de Karr (1981), que está focada na manutenção dos processos e funções que mantém o ecossistema, admite que as funções só possam ser mantidas com a presença dos elementos bióticos básicos (espécies) que são capazes de executá-las. Um sistema será considerado íntegro se as funções são mantidas adequadamente, sendo possível que as funções estejam presentes mesmo que algumas espécies tenham sido perdidas. Quando se trata registros da fauna de Heteroptera aquáticos e semiaquáticos no Brasil, estes estão dispersos na literatura, havendo poucos estudos sobre a fauna regional, ecológicos ou de hábitats desses grupos (NIESER e MELO, 1997). No Centro-Oeste a situação é ainda mais precária, só recentemente os primeiros levantamentos dessa ordem estão sendo executados na região. O estudo aqui apresentado é um dos primeiros de aspecto taxonômico (não há estudos precedentes na região) e ecológico (não há estudos que relacionem guildas comportamentais, testem teorias como a do RCC ou discutam sobre possíveis espécies úteis ao monitoramento) para a Bacia do Mortes – Araguaia e seus tributários (e.g. Rio Pindaíba). O objetivo desse trabalho foi avaliar a distribuição de espécie (e/ou morfoespécies) de Heteroptera em relação a ambientes com diferentes graus de impacto ambiental. O primeiro capítulo é aplicativo, com respostas das relações da comunidade de Heteroptera com a integridade de hábitat, as variáveis físico químicas, assim como apontar espécies indicadoras de ambientes preservados ou degradados. O segundo capítulo atenta para Heteroptera aquáticos e semi-aquáticos à luz das Teorias do River Continuum Concept (RCC), da Integridade Biótica e do Distúrbio Intermediário. 5 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANDERSON, N.H.; WALLACE, J.B. Habitat, life history, and behavioral adaptations of aquatic insects. p.38-58. In: MERRIT, R.W.; CUMMINS, K.W. (Eds.). An introduction to the aquatic insects of North America. 2.ed. Dubuque: Kendall Hunt Publishing Company,1988. 311p. BRASIL. Goiás: geologia, geomorfologia, pedologia, vegetação, uso potencial da terra. Projeto RADAMBRASIL, Folha SD 22. Ministério das Minas e Energia/ Divisão de Publicação, 1981. 636p. CONNELL, J.H. Diversity in tropical rain forest and coral reefs. 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Para as análises estatísticas utilizaram-se as coletas do período de início de chuva, por serem as de maior abundância e riqueza de espécies. Foram coletados 1439 espécimes distribuídos em 10 famílias, 30 gêneros e 67 morfoespécies. A riqueza de Gerromorpha teve uma relação positiva com o HII, mostrando que com o aumento da integridade ambiental eleva a riqueza de espécies. A abundância, riqueza e composição de espécies nos Córregos preservados diferiram dos córregos degradados, tendo em média nove morfoespécies a mais. Entre os parâmetros físico-químicos, apenas o nitrato influenciou negativamente a riqueza de Gerromorpha. A matriz das variáveis ambientais não afetou a distribuição de espécies. Três espécies (Rhagovelia sp.3, Rhagovelia sp.4 e Tenagobia sp.1) foram indicadoras de locais preservados. 8 Estudos da eficiência de Heteroptera para biomonitoramento são novos no Brasil, no entanto, os resultados indicam que Gerromorpha pode ser usado em ações de recuperação/conservação das áreas de preservação permanente (floresta ripária), por permitir uma mensuração da alteração, bem como, monitorar a efetividade das ações . Palavras Chave: Insetos aquáticos; biomonitoramento; Rio das Mortes, Brasil. Gerromorpha; Nepomorpha 9 ABSTRACT Aquatic (Nepomorpha) and semi-aquatic (Gerromorpha) Heteroptera were inventoried in the coast of five streams (from 1st to 4th order) in Rio Pindaíba Basin - MT for: (1) to relate the species/morphospecies richness in relation to the Habitat Integrity Index (HII) and physical/chemist parameters of the water; and (2) to establish indicative species of environmental quality. In each stream linear transects of 100m were demarcated, divided in 20 segments of five meters each. For the statistical analyses we used the collections of the period at the beginning of rain, because they were the one of larger abundance and richness of species. Were collected, 1439 specimens, distributed in 10 families, 30 genera and 68 morphospecies. The richness of Gerromorpha showed relationship with HII, indicating that those organisms are influenced by the alterations in the riverine forest. The abundance, richness and composition of species in the conserved streams differed of the degraded streams, with 9 morphospecies on average more. Among the physical/chemist parameters, just the nitrate linked negatively with richness of Gerromorpha. The matrix of environmental variables didn't have influence on the distribution of species. Three species (Rhagovelia sp.3, Rhagovelia sp.4 and Tenagobia sp.1) were indicative of preserved locals. Studies of the efficiency of Heteroptera for biomonitoring are new in Brazil, however, the results indicate that Gerromorpha can be an important instrument to beacon actions of recuperation/conservation of permanent preservation areas (riparian forests). Key words: Aquatics insects; Gerromorpha; Nepomorpha; biomonitoring; Rio das Mortes, Brazil. 10 INTRODUÇÃO Os macroinvertebrados bentônicos são integrantes importantes nas comunidades de rios, riachos e lagoas, pois exercem papel de reguladores do sistema atuando como predadores, servindo ainda de alimento para peixes, participando do fluxo de energia e da ciclagem de nutrientes (Abílio et al., 2007). O seu uso como bioindicadores da qualidade de água é recomendado, pois refletem as mudanças e as condições do ambiente sendo ainda sensíveis a alterações bruscas nos corpos d’água (Bueno et al., 2003; Esteves, 1988; Merritt & Cummins, 1984; Roldán-Pérez,1988; Rosenberg & Resh, 1993; Súarez, 2008). Dentre os macroinvertebrados bentônicos os Heteroptera aquáticos constituem um grupo de insetos com uma infinidade de formas, que são reflexos de adaptações a uma ampla variedade de nichos. Aqueles com hábitos aquáticos são classificados na infra-ordem Nepomorpha e os semiaquáticos compõem a infra-ordem Gerromorpha vivendo sobre a coluna d’água (Karaouzas & Gritzalis, 2006; Mascarenhas, 2005; Nieser & Melo, 1997). A disposição e os padrões de abundância de espécies em sistemas lóticos, especialmente das comunidades de insetos aquáticos, são estruturadas pelo tipo de substrato (Reice, 1980), profundidade, vazão, por diferentes variáveis ambientais que atuam em conjunto, tais como o pH, o oxigênio dissolvido, temperatura, competição interespecífica e predação (Hynes, 1970; Vannote et al., 1980; Fincke, 1999; Chesson, 2000; Silveira, 2004). Nos períodos de maior estabilidade hidrológica os gradientes ambientais agem de forma determinística sobre esses padrões, a ocorrência de longas estiagens e escassez de alimento pode alterar a distribuição e composição das espécies (Shuvartz et al., 2005; Callisto et al., 2002; Merritt & Cummins, 1984; Cowell et al., 2004). Entretanto, essas características de habitat sofrem drásticas alterações, quando ocorre a retirada da vegetação ripária, levando a uma alteração das características físico-químicas, desestruturação da comunidade aquática (Towsend & Arbuckle, 1997). 11 A razão pela qual a maioria das espécies está ameaçada é a perda de hábitat (Jenkins & Pimm, 2006). Assim a fragmentação de hábitats é uma das principais causas da atual dinâmica de perturbação natural dos ecossistemas (Tabarelli & Gascon, 2005). As atividades humanas são as principais responsáveis pelas mudanças na vegetação ribeirinha dos corpos d’água, com as mudanças ocorrem alterações das características abióticas e bióticas desses ambientes (Townsend & Arbuckle, 1997). As perturbações ou alterações nos ecossistemas aquáticos podem ser detectadas e até mesmo mensuradas usando bioindicadores ambientais (Oertli, 2008). Uma característica determinante para que um conjunto de espécies seja considerado indicador das características ambientais, em especial para Heteroptera aquáticos, é a forma de como essas espécies respondem às características do hábitat. É possível formular uma teoria de seleção de habitat que ligue o nicho dessas espécies e a susceptibilidade à perda da integridade física dos sistemas aquáticos. Espera-se, que do conjunto de espécies presentes em sistemas sob efeito de alterações antrópicas, existam espécies com diferentes níveis de especificidade de hábitat e que essa característica determina tanto sua habilidade como indicadora quanto sua persistência no sistema. Com base nessas premissas testaremos as seguintes hipóteses: (1) a riqueza de Heteroptera diminui conforme decrescem os valores do Índice de Integridade de Hábitat, pois estes são sensíveis à perda dessa integridade; (2) a riqueza diminui conforme aumenta a largura, a vazão e a profundidade dos córregos, por serem insetos que preferem ambientes sombreados e margens de pequenos córregos (3) que a riqueza responderá a alterações nas variáveis físico-químicas da água, pois estas influenciam na estrutura da comunidade; e, por fim (4) testaremos Heteroptera como indicadores de áreas preservadas, assim como de degradadas, já que as espécies mostram sensibilidade a alterações ambientais. 12 MATERIAL E MÉTODOS Área de estudo A coleta de Heteroptera aquáticos e semi-aquáticos foi realizada na Bacia do Rio Pindaíba, afluente da margem direita do médio Rio das Mortes. Localizada na região Leste de Mato Grosso com aproximadamente 10.323km2, abrangendo parte dos municípios de Araguaiana, Barra do Garças, Cocalinho e Nova Xavantina. Os córregos objeto deste estudo (Fig. 1) foram: Córrego da Mata, Córrego Caveira, Taquaral, Cachoeirinha e Papagaio, afluentes da margem esquerda do Rio Pindaíba. Esses corpos d’água apresentam características relativamente similares quanto à região das nascentes, Serra do Roncador, e ao número de ordens, 1ª a 4ª segundo classificação proposta por (Strahler, 1957). Os Córregos da Mata, Taquaral e Papagaio apresentam mata ciliar mais conservada que os Córregos Cachoeirinha e Caveira, o que gera base de análise distinta entre eles. O clima regional é classificado como Cwa, na classificação de Köppen, com duas estações climáticas bem definidas; um período seco (de maio a setembro) e outro período chuvoso (dezembro a março). As médias anuais de precipitação variam de 1.200mm a 1.600mm e as temperaturas médias em torno de 20º a 25ºC, tendo como os meses mais quentes setembro e outubro (Brasil, 1981). Metodologia As coletas bentônicas de Heteroptera foram realizadas em janeiro (períodos de chuva) de 2005, nos Córregos da Mata, Cachoeirinha, Papagaio e Taquaral, e em 2008 os semi–aquáticos, nestes mesmos córregos, adicionando-se a coleta das duas infra-ordens no Córrego Caveira. Foram demarcados transectos de 100m lineares da margem direita de cada córrego em cada uma das quatro ordens, com amostragem a cada cinco metros perfazendo 20 pontos/ordem/córrego (cada amostra foi composta de 13 três subamostras do substrato tomadas do centro para a margem do corpo d’água (metodologia adaptada De Marco Jr.,1998; Ferreira-Peruquetti & De Marco, 2002; Ferreira-Peruquetti & Fonseca-Gessner, 2003), através de coador de 18cm e malha de 0,50mm, seguida de amostragem de superfície com mesmo padrão, mas apoiado de observação in loco. Durante as etapas de coleta dados dos parâmetros físico-químicos e da integridade ambiental foram obtidos. Para determinar a pontuação do Índice de Integridade de Habitat (HII) foi aplicado em cada local um protocolo, com 12 questões (Apêndice 1), avaliando a estrutura dos corpos d’água quanto ao estado da mata ciliar, padrão de uso da terra além desta faixa, dispositivos de retenção, tipo de substrato, vegetação aquática e detritos (Nessimian et al., 2008). A largura dos córregos foi obtida com trena a laser, a profundidade com ecobatímetro, temperatura da água com termômetro digital e os outros dados abióticos (pH, turbidez, oxigênio dissolvido, condutividade, sólidos totais) foram aferidos com uma sonda Horiba® multiparâmetros; a vazão com correntômetro MJP Geopacks, segundo método de (Pinto & Holtz, 1976). Em laboratório foram determinados: dureza total, cálcio, magnésio pelo método titulométrico EDTA (sal dissódico) a 0,002M, bem como fosfato e nitrato com auxílio de espectofotômetro. Os Heteroptera foram triados em campo, conservados em álcool a 85% e identificados com auxílio de chaves dicotômicas (De Carlo, 1964; De Carlo, 1972; Estévez & Polhemus, 2001; Goodwyn, 2001; Hungerford, 1933; Lauck, 1962; Nieser & Melo, 1997; Nieser et al.,1999; Ribeiro, 2005; Ribeiro, 2007) e o material testemunho encontra-se depositado na Coleção Zoobotânica “James Alexander Ratter” da UNEMAT no Campus de Nova Xavantina. A riqueza estimada de espécies foi obtida a partir do estimador não paramétrico jackknife (StimateS Win 7 5.0) (Colwell, 2005). As relações entre as espécies/morfoespécies com os valores do HII e variáveis físico-químicas foram obtidas com regressão linear simples, testando os pressupostos segundo 14 Figura 1. Área de estudo nos Córregos Cachoeirinha, da Mata, Caveira, Papagaio e Taquaral, na Bacia do Rio Pindaíba, MT. 15 indicativo de (Zar, 1999), sendo utilizado apenas o período do início de chuva, pois este foi o período com maior abundância e riqueza observada; evitando assim efeito da sazonalidade que não era objeto da pesquisa. O teste de t de Student foi utilizado para relacionar abundância e riqueza estimada de morfoespécies/espécies com a conservação dos córregos (Zar, 1999). Eles foram categorizados como preservados e degradados através da observação da presença de mata ciliar nas imagens de satélite da Bacia. Para testar diferenças na composição de espécies de áreas preservadas e degradadas aplicou-se a análise de composição ANOSIM (Análise de Similaridade Bi-fatorial), que consiste em um teste para verificar se há diferença na composição de espécies entre áreas (Melo & Hepp, 2008). A Análise de Correspondência Canônica (CCA) foi aplicada para relacionar as características ambientais com a distribuição das espécies. Essa análise ordena unidades amostrais utilizando menor número possível de eixos, permitindo o cálculo dos escores das variáveis que podem figurar na mesma representação gráfica. Esses escores dos locais são obtidos com o objetivo de maximizar a dispersão dos escores das espécies (Bini, 2004, Karaouzas & Gritzalis, 2006). Para verificar a existência de espécies indicadoras de qualidade ambiental usou-se o IndVal (Indicator Value), que mede o grau de especificidade (relação da espécie com uma variável especifica) e o grau de fidelidade (toda vez que a variável ocorrer - a espécie estará presente) das espécies em relação a uma categoria ambiental. Esses dois valores são multiplicados por 100, criando um índice que varia de 0 a 100 (quanto maior o valor mais consistente o nível de indicação da espécie (consideramos aqueles acima de 40%), e o valor de significância foi obtido através do teste de randomização de Monte Carlo usando 10.000 randomizações (Dufrêne & Legendre, 1997). 16 RESULTADOS Foram capturados 1.439 indivíduos, distribuídos em 10 famílias, 30 gêneros e 68 morfoespécies; desses, Gerromorpha contribuiu com 893 indivíduos (62%), quatro famílias, 16 gêneros e 29 morfoespécies e Nepomorpha com 545 espécimes (38%), seis famílias, 14 gêneros e 38 morfoespécies/espécies (Tabela 1). Gerromorpha foi representado pelas famílias Gerridae (n=223), Hydrometridae (n= 12), Mesoveliidae (n=3) e Vellidae (n= 655); enquanto que Nepomorpha foi por Belostomatidae (n=16), Corixidae (n= 11), Gelastocoridae (n=15), Naucoridae (n=223), Nepidae (n=19) e Notonectidae (n=261). Índice de Integridade de Hábitat sobre a fauna de Heteroptera O Índice de Integridade de Habitat (HII) dos locais de coleta (Tabela 2) foi relacionado com a riqueza estimada de morfoespécies/espécies (Fig. 2; Tabela 3), indicando relação positiva para a Infra-ordem Gerromorpha (r2=0.224, p=0.035), mas não com Nepomorpha e Heteroptera como um todo. Abundância e composição de espécies em áreas preservadas e degradadas A abundância de espécimes foi maior nos córregos preservados (CRM, CRT e CRP) que nos alterados (CRC e CRCV), com em média, 43 indivíduos a mais nas áreas preservadas do que nas degradadas. Observou-se uma perda da riqueza estimada de espécies nas áreas alteradas, apresentando em média nove espécies a menos do que preservadas; as diferenças da abundância de espécimes e riqueza de morfótipos foram significantes entre as áreas (p<0.05; Tabela 4). A composição de espécies, também difere em áreas degradadas e preservadas. Nas áreas preservadas temos um número maior de morfótipos, em média quatro a mais, que nas áreas alteradas (p<0.05; Tabela 5). 17 Tabela 1 Abundância de Heteroptera aquáticos (Nepomorpha) e semiaquáticos (Gerromorpha) coletados na Bacia do Rio Pindaíba, MT, 2005 e 2008. [CRC-Córrego Cachoeirinha; CRCV- Córrego Caveira, CRM- Córrego da Mata, CRPCórrego Papagaio, CRT- Córrego Taquaral]. Locais Gêneros/Morfoespécies/Espécies NEPOMORPHA Belostomatidade Belostoma Latreille, 1807 B. bifoveolatum (Spinola, 1852) B. costalimai (De Carlo, 1938) B. foveolatum ( Mayr, 1863) B. ribeiroi (De Carlo, 1933) Belostoma sp.1 Belostoma sp.2 Belostoma sp.3 Corixidae Tenagobia Bergroth, 1899 Tenagobia sp.1 Centrocorisa Gelastocoridae Gelastocoris Kirkaldy, 1897 Gelastocoris sp.1 Gelastocoris sp.2 Montandonius Melin, 1929 Montandonius sp.1 Naucoridae Ambrysus Stal, 1862 Ambrysus sp.1 Ambrysus sp.2 Ambrysus sp.3 Ambrysus sp.4 Cryphocricos Signoret, 1850 Cryphocricos sp.1 Limnocoris Stal, 1860 Limnocoris sp.1 Limnocoris sp.2 Limnocoris sp.3 Limnocoris sp.4 Limnocoris sp.5 Limnocoris sp.6 Limnocoris sp.7 Limnocoris sp.8 Pelocoris Stal, 1876 Pelocoris sp1 Placomerus La Rivers, 1956 Placomerus sp.1 Degradados CRC CRVC CRM Preservados CRP CRT TOTAL 0 1 0 0 2 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 1 3 0 0 0 1 0 0 1 0 0 0 0 0 0 1 2 2 1 2 1 1 5 4 2 1 1 0 0 8 2 16 0 0 0 0 1 0 6 0 0 2 7 2 0 0 0 4 2 6 3 0 4 0 5 1 0 0 13 4 3 1 6 8 8 0 4 2 18 1 34 15 33 2 0 0 1 0 0 1 0 1 6 0 7 0 0 0 6 3 0 0 3 0 0 0 9 30 8 0 10 0 1 0 0 1 1 4 6 1 0 0 0 7 3 0 29 0 0 1 15 42 18 4 55 1 1 1 0 0 1 2 0 3 1 0 0 0 1 2 18 Continuação tabela 1 Gêneros/Morfoespécies/Espécies Nepidae Curicta Stal, 1861 Curicta sp.1 Curicta sp.2 Ranatra (Fabricius, 1790) R. sattleri De Carlo, 1967 Ranatra sp.1 Ranatra sp.2 Ranatra sp.3 Ranatra sp.4 Notonectidae Buenoa Kirkaldy, 1904 Buenoa sp.1 Martarega White, 1879 Martarega sp.1 Martarega sp.2 Martarega sp.3 Notonecta Linné, 1758 Notonecta sp.1 GERROMORPHA Gerridae Brachymetra Mayr, 1865 Brachymetra sp.1 Brachymetra sp.2 Charmatrometra Kirkaldy,1898 Charmatrometra sp.1 Cylindrostethus Mayr, 1865 Cylindrostethus sp.1 Cylindrostethus sp.2 Limnogonus Stal, 1868 Limnogonus sp.1 Limnogonus sp.2 Neogerris Matsumura, 1913 Neogerris sp.1 Neogerris sp.2 Neogerris sp.3 Ovametra Kenaga, 1942 Ovametra sp.1 Tachygerris Draker, 1957 Tachygerris sp.1 Trepobates Ulher,1894 Trepobates sp.1 Hydrometridae Hydrometra Latreille, 1976 H. argentina Berg, 1879 Hydrometra sp.1 Mesoveliidae Mesovelia Mulsant & Rey, 1852 Locais Degradados CRC CRVC CRM Preservados CRP CRT TOTAL 0 1 1 1 0 0 0 0 1 0 2 2 0 1 1 4 1 0 0 0 1 0 1 1 0 0 1 0 0 0 2 0 0 0 1 1 0 1 2 2 8 2 23 0 0 0 2 25 28 0 1 19 0 0 11 115 0 12 13 0 17 9 0 87 137 1 11 0 0 0 0 11 5 0 0 0 16 7 22 8 23 11 66 26 1 4 11 4 0 20 0 0 0 0 1 0 2 2 2 0 5 2 5 6 0 0 0 0 1 0 0 0 6 0 0 21 3 0 0 0 0 2 0 1 1 0 0 0 0 1 25 3 8 15 3 4 1 31 1 0 0 0 14 15 4 0 11 1 2 18 9 2 0 0 0 0 0 0 0 1 9 3 19 Continuação tabela 1 Gêneros/Morfoespécies/Espécies Mesovelia sp.1 Veliidae Euvelia Euvelia sp.1 Microvelia Westwood, 1834 Microvelia sp.1 Paravelia Polhemus, 1976 Paravelia sp.1 Platyvelia Polhemus & Polhemus, 1993 Platyvelia sp.1 Rhagovelia Mayr, 1863 Rhagovelia sp.1 Rhagovelia sp.2 Rhagovelia sp.3 Rhagovelia sp.4 Rhagovelia sp.5 Rhagovelia sp.6 Rhagovelia sp.7 Stridulivelia Hungerford, 1929 Stridulivelia sp.1 Stridulivelia sp.4 Stridulivelia sp.5 Total de indivíduos Total de taxa Degradados CRC CRVC 1 0 Locais Preservados CRM CRP CRT 1 0 1 TOTAL 3 0 3 0 0 0 3 6 4 0 0 4 14 0 2 2 0 0 4 1 1 1 0 0 3 4 2 0 2 0 24 0 0 0 0 0 0 22 0 8 4 43 50 0 112 9 45 8 65 70 7 32 3 2 2 4 14 2 64 4 59 16 112 136 9 254 16 19 0 0 0 0 0 4 0 0 3 1 0 1 0 1 27 1 1 1439 37 16 35 35 41 Considerando a comunidade de Heteroptera, as espécies Belostoma foveolatum (Mayr, 1863), B. ribeiroi De Carlo, 1933, Belostoma sp.3, Gelastocoris sp.1 e sp.2, Montandonius sp.1, Ambrysus sp.4, Cryphocricos sp.1, Limnocoris sp.4, sp.6, sp.7 e sp.8, Pelocoris sp.1, Ranatra sattlerei De Carlo, 1967, Martarega sp.2, Brachymetra sp.2, Cylindrostethus sp.1 e sp.2, Neogerris sp.1 e Stridulivelia sp.4 e sp.5, ocorreram apenas nos ambientes preservados, por outro lado, Belostoma costalimai De Carlo, 1938, Martarega sp.3, Notonecta sp.1, Limnogonus sp.2, Neogerris sp.3 e Hydrometra argentina Berg, 1879, ocorreram apenas nos ambientes alterados. Parâmetros físico-químicos sobre a comunidade de Heteroptera Os parâmetros físico-químicos da água (Apêndice 2) não mostraram efeito sobre a comunidade geral de Heteroptera (Tabela 3), entretanto, devido 20 a grande diferenças dos hábitos de vida dessas duas infra-ordens, analisou-se o efeito para as infra-ordens Nepomorpha (modos aquático/ bentônicos ou nectônicos) e Gerromorpha (semi-aquático/pleustônicos) separadamente. Quando analisamos o efeito das variáveis físico-químicas da água sobre a riqueza de Nepomorpha, a relação encontrada pôde ser explicada pelo acaso; para Gerromorpha, apenas o nitrato influenciou negativamente a riqueza de morfótipos (r2 = 0.25; p = 0.033) (Fig.3, Tabela 3). A matriz dos parâmetros ambientais não influenciou a ordenação da comunidade no sistema (Tabela 5), a ordenação encontrada pode ser explicada pelo acaso. Apesar das correlações entre as duas matrizes serem extremamente altas (Tabela 6), todas elas podem ser explicadas pelo acaso. Tabela 2 Locais de coleta, ordens, siglas, coordenadas geográficas, HII, largura e profundidade média, Bacia do Rio Pindaíba, MT, 2005-2008. Local C. Cachoeirinha C. Caveira C. da Mata C. Papagaio C. Taquaral Ordem Sigla 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 CRC CRC CRC CRC CRCV CRCV CRCV CRCV CRM CRM CRM CRM CRP CRP CRP CRP CRT CRT CRT CRT Coordenadas geográficas HII S 14º 50' 30" e W 52º 24' 54" S 14º 50' 50" e W 52º 24' 22" S 14º 50' 33" e W 52º 21' 34" S 14º 49' 44,7'' e W 52º 12' 56,3'' S 14º 55,9’ 06” e W 52º 20’ 29” S 14º 59' 53,4'' e W 52º 18 '17,5'' S 14º 57' 28,7'' e W 52º 13' 43,9'' S 14º 42' 47,7'' e W 52º 03' 16,4'' S 14º 29' 51,7'' e W 52º 28 '42,6'' S 14º 59 '25,2'' e W 52º 27' 57,7'' S 14º 59' 59'' e W 52º 26' 29'' S 14º 01' 37'' e W 52º 26' 29'' S 15º 27' 01" e W 52º 24' 30" S 15º 27' 32" e W 52º 24' 42" S 15º 28' 11" e W 52º 24' 32" S 15º 28' 56" e W 52º 21' 47" S 15º 41' 54" e W 52º 20' 03" S 15º 41' 57" e W 52º 19' 56" S 15º 39' 35" e W 52º 13' 52" S 15º 38' 53" e W 52º 12' 53" 0.61 0.69 0.73 0.65 0.59 0.52 0.65 0.58 0.96 0.86 0.82 0.85 0.85 0.66 0.78 0.71 0.96 0.89 0.68 0.62 Larg. média (m) 2.00 2.15 2.45 7.12 1.40 3.17 3.20 17.20 3.20 2.63 6.16 4.86 1.06 1.10 4.77 10.96 1.17 4.43 4.67 9.30 Prof. média (m) 0.30 0.80 0.85 1.20 0.13 0.73 0.6 1.63 0.33 0.30 0.40 0.40 0.10 0.17 0.23 0.53 0.10 0.46 0.97 1.03 21 18 r2 = 0,22; p = 0,0 3; y = -6.19 + 18.65*x 16 Riqueza de Geromorpha 14 12 10 8 6 4 2 0 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 1,0 HII Figura 2. Relação entre a riqueza estimada de morfoespécies de Gerromorpha e o Índice de Integridade de Hábitat (HII), Bacia do Rio Pindaíba, MT, 2005 e 2008. Os autovalores das variáveis não respondem as variações ambientais (p>0.05; Tabela 6) e a distribuição das espécies não está sendo ordenada pelas variáveis físico-químicas (p>0.05; Tabela 7). Espécies indicadoras de áreas preservadas e degradadas Das 79 morfoespécies o Índice de espécies indicadoras (determinadas pelo INDVAL e considerando valores acima de 40%), indicou para locais classificados como preservados apenas três delas: Rhagovelia sp.3, Rhagovelia sp.4 (Gerromorpha) e Tenagobia sp.1 (Nepomorpha) (Tabela 8). Para locais classificados como degradados, as espécies com significância (p<0.05) apresentaram valores de INDVAL abaixo de 40% e não foram consideradas dada sua baixa freqüência nos locais. 22 18 r2 = 0,25;p = 0,033; y = 13.79 - 3.26*x 16 Riqueza de Gerromorpha 14 12 10 8 6 4 2 0 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 3,0 3,5 4,0 4,5 Nitrato (m g/l) Figura 3. Relação entre a riqueza estimada de morfoespécies, de Gerromorpha e nitrato dos córregos amostrados na Bacia do Rio Pindaíba, MT, 2005 e 2008. 23 Tabela 3. Valores das regressões lineares simples da relação entre riqueza estimada das morfoespécies de Heteroptera geral, Nepomorpha e Gerromorpha e os parâmetros físico-químicos da Bacia do Rio Pindaíba, MT, 2005 e 2008. Heteroptera geral Riqueza estimada r 2 P* Equação da reta Nepomorpha 2 r p* Equação da reta Gerromorpha 2 r P* Equação da reta HII 0.138 0.105 y = -3.408 + 27.793*x 0.058 0.304 y = 3.334 + 9.849*x 0.224 0.035* y = -6.192 + 18.659*x T. água (°C) 0.002 0.857 y = 21.964 - 0.119*x 0.002 0.853 y = 9.689 + 0.070*x 0.195 0.066 y = 20.795 - 0.446*x T. ar (°C) 0.082 0.247 y = 37.431 - 0.643*x 0.003 0.821 y = 13.972 - 0.083*x 0.068 0.295 y = 17.884 - 0.349*x pH 0.071 0.284 y = -22.051 + 6.293*x 0.075 0.275 y = -12.653 + 3.719*x 0.164 0.095 y = -28.068 + 5.610*x C. elétrica (µs) 0.003 0.819 y = 19.566 - 0.107*x 0.077 0.263 y = 9.542 + 0.290*x 0.001 0.910 y = 8.097 + 0.032*x Turbidez (NTU) 0.001 0.919 y = 18.749 + 0.005*x 0.034 0.466 y = 11.162 + 0.022*x 0.016 0.614 y = 7.766 + 0.065*x OD (mg/l) 0.001 0.906 y = 20.408 - 0.217*x 0.013 0.646 y = 8.096 + 0.472*x 0.005 0.778 y = 10.404 - 0.291*x Dureza total (mg/l) 0.000 0.971 y = 18.712 + 0.0120*x 0.001 0.909 y = 11.281 + 0.021*x 0.008 0.727 y = 7.616 + 0.067*x Cálcio (mg/l) 0.000 0.965 y = 18.727 + 0.024*x 0.009 0.708 y = 10.973 + 0.121*x 0.017 0.605 y = 7.555 + 0.169*x Magnésio (mg/l) 0.000 0.981 y = 18.729 + 0.0181*x 0.004 0.797 y = 12.173 - 0.113*x 0.001 0.916 y = 8.039 + 0.0463*x (Orto) Fosfato (mg/l) 0.013 0.648 y = 17.439 + 9.158*x 0.025 0.159 y = 10.426 + 7.073*x 0.06 0.323 y = 5.901 + 17.360*x Nitrato (mg/l) 0.134 0.134 y = 25.842 - 4.070*x 0.035 0.455 y = 13.495 - 1.162*x 0.253 0.033* y = 13.794 - 3.258*x Nitrito (mg/l) 0.000 0.998 y = 18.834 + 0.000*x 0.030 0.491 y = 11.250 + 0.029*x 0.007 0.734 y = 8.040 + 0.080*x Vazão (m /s) 0.000 0.990 y = 19.401 + 0.144*x 0.048 0.396 y = 11.169 + 5.840*x 0.048 0.394 y = 9.409 - 6.077*x Larg._média 0.011 0.675 y = 16.730 + 0.218*x 0.035 0.453 y = 10.579 + 0.192*x 0.099 0.202 y = 9.877 - 0.326*x Prof._média 0.030 0.464 y = 15.067 + 3.337*x 0.450 0.212 y = 9.293 + 2.223*x 0.005 0.779 y = 7.095+ 0.676*x 3 ٭estatisticamente significante (p<0.05) 24 Tabela 4. Relação da conservação dos córregos (preservado/degradado) com a abundância de espécimes e riqueza estimada de Heteroptera da Bacia do Rio Pindaíba, MT, através do Teste t Student. Variáveis t-value Df P Conservação x abundância 2.314 36 0.026* Conservação x riqueza estimada 2.490 18 0.022* ٭estatisticamente significante (p<0.05) Tabela 5. Composição de espécies de áreas preservadas e degradadas obtidas através ANOSIM (Análise de Similaridade Bi-fatorial). Média Desvio Padrão ANOSIM statistic R Significância Total Degradado Preservado 11.166 15.166 6.853 3.973 0.301 0.004* Gerromorpha Degradado Preservado 3.500 5.583 4.105 2.810 0.293 0.003* Nepomorpha Degradado Preservado 5.833 7.833 2.994 2.949 0.224 0.012* *estatisticamente significante (p<0.05) Tabela 6. Autovalores (eingenvalue) da Análise de Correspondência Canônica (CCA) da matriz das características ambientais com a distribuição das espécies, com o nível de significância dado pelo do teste Monte Carlo. Eixos Eingenvalue Média Mínimo Máximo P 1 0.717 0.873 0.514 8.702 0.140 2 0.621 0.529 0.412 0.666 0.040 3 0.593 0.468 0.376 0.602 0.020 Tabela 7. Correlação das espécies com a matriz das variáveis ambientais na Análise de Correspondência Canônica, com o nível de significância dado pelo teste de Monte Carlo. [spp-envt Corr = correlação das espécies com as variáveis ambientais]. Eixo spp-envt Corr Média Mínimo Máximo P 1 0.972 0.922 0.873 0.999 0.730 2 0.983 0.986 0.916 1.000 0.740 3 0.983 0.981 0.981 0.999 0.630 25 Tabela 8. Espécies de Heteroptera indicadoras de locais preservados na Bacia do Rio Pindaíba, MT, 2005-2008, apontadas pelo IndVal ao nível de corte de 40%. Espécies (IV) Média Desvio Padrão p Indicação 43.6 27.1 5.86 0.015 Preservado Rhagovelia sp.4 44.8 26.3 5.77 0.008 Preservado Rhagovelia sp.3 40.4 24.4 5.66 0.013 Preservado NEPOMORPHA Tenagobia sp.1 GERROMORPHA 26 DISCUSSÂO Houve uma maior contribuição de Gerromorpha (62%) que de Nepomorpha (38%). Esse resultado pode ser devido ao fato de que os Gerromorpha, estando sobre a superfície da água, apresentar modo de vida gregário e poderem ocupar nichos similares, são de fácil visualização, o que aumenta a eficiência de coleta (Taylor, 1996; Nieser e Melo, 1997). Considerando que a área amostral incluiu cinco córregos e apenas os afluentes da margem esquerda da Bacia do Rio Pindaíba, é relevante salientar que, desses, Gerromorpha morfoespécies/espécies e contribuiu com 16 gêneros e 30 Nepomorpha com 14 gêneros e 38 morfoespécies/espécies para as análises. Há poucos registros de inventários desses insetos no Brasil e a maioria em ambientes lênticos. Uma das poucas exceções é o trabalho de Domingos et al. (2007) na Amazônia Central, que registrou 13 famílias e 31 gêneros. Índice de Integridade de Hábitat sobre a fauna de Heteroptera A comunidade de Heteroptera não respondeu aos valores do HII, resultado similar ao encontrado por Nessimian et al. (2008), que também não encontrou relação da comunidade de insetos aquáticos - Ephemeroptera, Plecoptera e Trichoptera - com o Índice de Integridade de Habitat, em igarapés amazônicos. Segundo Goulart & Callisto (2003) os Heteroptera são organismos tolerantes às perturbações ambientais, apresentando uma grande plasticidade ambiental. A riqueza de Nepomorpha não respondeu as alterações ambientais mensuradas com HII, entretanto, as modificações no ambiente são freqüentes, especialmente as naturais decorrentes de variações sazonais do aumento de vazão típica dos córregos de Cerrado, associados à plasticidade do grupo, fazendo com que respondam como em um distúrbio intermediário, como o 27 predito por Connell (1978), as comunidades ainda podem responder aos processos locais, esses processos podem determinar se as espécies são aptas a se estabelecer e manter sua população uma vez que tenham ocupado um hábitat (McCauley, 2006). Por outro lado, em ambientes que sofreram retirada de mata, promovendo uma homogeneização de habitat, como por exemplo, o CRCV, houve uma acentuada perda de riqueza. Segundo Goulart & Callisto (2003) e Décamps (1993), com a diminuição ou a total retirada da mata ciliar ocorrerá, inicialmente a entrada direta de partículas de solo no corpo d’água, ocasionando assoreamento levando a uma homogeneização de hábitat. No entanto, o HII, apesar de uma fraca relação, exerceu efeito positivo sobre a variação da riqueza estimada de morfoespécies de Gerromorpha. Os locais com índices mais elevados são os mais íntegros e geralmente são sombreados, o que promoveu maior quantidade de abrigos, maior oferta de alimentos e, conseqüentemente maior heterogeneidade de hábitats, possibilitando uma maior riqueza de espécies. Essa relação se dá com a maioria dos integrantes da infra-ordem, que preferem viver em locais sombreados, geralmente entre a vegetação marginal, onde buscam presas, abrigo e local de ovoposição sendo mais sensíveis a alterações na estrutura física dos córregos. De acordo com Taylor (1996), a densidade de cobertura de plantas é um dos fatores mais estudados na influência da distribuição dos semi-aquáticos. Insetos e outros animais respondem comportamentalmente às condições físicas do hábitat, pois a cobertura das árvores pode influenciá-los indiretamente via efeito da composição de presas (Remsburg et al., 2008), além de alterar a disponibilidade de locais para ovoposição, que segundo Nieser & Melo (1997) e Spence & Andersen (1994), é o fator especialmente determinante para esse grupo de insetos. Nossos resultados sugerem que análises para a ordem Heteroptera, não mostram efeitos claros e não fazem sentido biológico, por estarmos agrupando infra-ordens com exigências ecológicas muito distintas. O Índice de Integridade de Hábitat (Nessimian et al., 2008) foi uma ferramenta importante para entender a estrutura dos córregos estudados, mas 28 tendo sido elaborado para córregos amazônicos, deverá sofrer ajustes para ser utilizado nos córregos de Cerrado, adequando os padrões e incluindo novos parâmetros, tais como incidência de luz, para melhor se ajustar e responder às alterações percebidas. Abundância e composição de espécies de áreas preservadas e degradadas Na análise complementar, classificando os córregos em conservados e degradados, com locais de coleta onde o curso d’água sofreu retilinização, represamento (CRCV) e/ou perda da vegetação ripária (CRCV e CRC), durante o processo de colonização agrícola das décadas de 1960 e 70, houve perda significante da abundância e riqueza de morfoespécies, bem como diferenças significantes na composição de Heteroptera e das morfoespécies das infraordens analisadas, o que indica que as perturbações antrópicas produzidas sobre estes ambientes têm alterado a comunidade desses insetos, especialmente no CRCV, onde o impacto sobre o curso do córrego foi bem mais intenso. Vários autores relacionam a influencia da presença de cobertura vegetal sobre a estrutura da comunidade de macroinvertebrados aquáticos (Couceiro et al., 2007; Amorin et al., 2004; Kikuchi & Uieda, 2005), bem como mudanças na estrutura com a retilinização e barragens (Goulart & Callisto, 2003; Houghton, 2004). A maior riqueza de espécies em áreas heterogêneas é devido a uma maior quantidade de recursos e disponibilidade de microhábitats. O aumento da heterogeneidade ambiental aumenta a diversidade de espécies, propicia maior compartilhamento ou divisões de nicho, facilitando as especializações, diminuindo assim, os efeitos das competições inter-específicas (Cramer & Willig, 2005; O’Connor, 1991). Pois as espécies são adaptadas a certas condições ambientais, as perturbações reduzem a taxa de riqueza para muitos grupos especialistas, modificando a distribuição e a abundância nas espécies, podendo alterar os processos ecológicos do sistema (Resch et al., 1988; Covich et al., 1999). 29 Parâmetros físico-químicos sobre a comunidade de Heteroptera A riqueza de Heteroptera e da infra-ordem Nepomorpha não são afetadas pelas variações das condições físico-químicas dos ambientes estudados, sugerindo que as variações não foram determinísticas. De todos os parâmetros analisados, apenas o nitrato teve influência negativa sobre a riqueza das morfoespécies de Gerromorpha. Segundo Hynes (1970) o padrão de distribuição dos macroinvertebrados é fruto da interação entre alimentação e condições físico-químicas da água. Simões (2003) salienta, que manter a integridade da mata ciliar garante benefícios como: estabilização das margens dos rios, moderação da temperatura da água, preservação da teia alimentar aquática, remoção de sedimentos e nutrientes e habitat para vida silvestre. A análise de correspondência canônica, utilizada para avaliar a correspondência das espécies e com as características ambientais não mostrou correlação entre a matriz analisada e a comunidade de espécies, levando-nos a supor que os ambientes não apresentaram variação suficiente para alterar a comunidade analisada e sugerindo que outros fatores não analisados podem estar explicando esta variação. Espaço ou interações entre os organismos podem ser responsáveis pela organização da comunidade. O predomínio da pecuária no entorno dos locais analisados pode ter contribuído para padrões toleráveis de íons dissolvidos nos ambientes analisados, já que nestas áreas é praticada somente a pecuária extensiva. A conversão de florestas nativas em pastagens é tida como um impacto relativamente menos perturbador ao ambiente aquático quando se trata do ponto de vista químico, uma vez que a maioria das pastagens não sofre nenhum tipo de adubação ou aplicações de pesticidas (Ferreira & Casatti, 2006), situação comum nas áreas analisadas. Outra consideração é a de que os insetos podem estar adaptados a amplas variações nos parâmetros físico-químicos, uma vez que os córregos de Cerrado vivenciam ciclos de chuva e seca marcantes, com várias perturbações 30 naturais nas estações chuvosas (pulsos múltiplos de inundação rápidos), que alteram estes parâmetros. Espécies indicadoras de áreas preservadas e degradadas Entre as espécies apontadas pelo Índice de Espécies Indicadoras (INDVAL) como específicas e fiéis de locais preservados obtivemos Rhagovelia sp.3 e Rhagovelia sp.4 e Tenagobia sp.1. As duas primeiras pertencem a família Veliidae de Gerromorpha, são caracterizadas por viverem em ambientes sombreados, tanto em águas correntes como paradas (Roldán-Pérez, 1988). No estudo de Uieda & Gajardo (1996) para verificar composição de macroinvertebrados perifíticos de um riacho de São Paulo, os integrantes de Veliidae estiveram presentes em trechos de poção, em áreas fechadas pela vegetação ripária ou bem sombreadas por mata ciliar marginal. Os Tenagobia, que pertencem à família Corixidae de Nepomorpha, vivem em locais com presença de vegetação e são encontrados em trechos pouco profundos, com pouca correnteza (Roldán-Pérez, 1988; Nieser & Melo, 1997). Essas três espécies respondendo ao INDVAL indicam serem mais sensíveis a alterações ambientais e, portanto, devem ser priorizadas em estudos aprofundados das relações tróficas e de hábito. De forma geral, os resultados vão de encontro ao discutido por diversos autores que consideram que os macroinvertebrados respondem melhor como indicadores da qualidade ambiental dos corpos d’água do que somente o uso dos parâmetros físico-químicos. Fica bem estabelecida a urgência em avançar nos inventários ao nível específico e no aprofundamento no conhecimento dos hábitos e relações inter-específicas para esse grupo. 31 CONCLUSÔES O índice de Integridade de Hábitat (HII) teve uma relação positiva com a riqueza da infra-ordem Gerromorpha, mas não com a infra-ordem Nepomorpha e a comunidade de Heteroptera, não corroborando com a hipótese proposta de que a riqueza de Heteroptera diminuiria conforme decrescessem os valores do Índice de Integridade de Hábitat. Entretanto, é necessário salientar que houve uma perda significante da riqueza de morfoespécies de Heteroptera e das duas infra-ordens (quando tomadas separadamente) nos ambientes degradados, quando a análise se baseou na qualidade ambiental dos córregos e não dos locais de coleta, indicando que o HII deve ser ajustado para uso na avaliação dos córregos do Cerrado. Não houve relação da riqueza estimada de Heteroptera com as variáveis físicas, refutando a hipótese proposta de que haveria diminuição de riqueza conforme aumentasse a largura, profundidade e vazão, dada á preferência por pequenos córregos, sugerindo que a heterogeneidade de microhábitats ao longo dos córregos pode ser suficiente para manter a riqueza no litoral destes. Entre os parâmetros químicos, somente o nitrato teve um efeito negativo na riqueza estimada de Gerromorpha, refutando, em quase sua totalidade, a hipótese de que a riqueza responderia a alterações nas variáveis químicas da água. O índice de espécies indicadoras apontou três morfoespécies como sendo indicadoras de locais preservados Rhagovelia sp.3, Rhagovelia sp.4 e Tenagobia sp.1. Assim, aceita-se a hipótese de espécies indicadoras de locais preservados. No entanto, para indicação de áreas degradas os valores encontrados foram baixos não sendo possível selecionar espécies para essa finalidade, o que refuta a hipótese de que se teria, também, espécies indicadoras de áreas perturbadas. As ações futuras de monitoramento dos Heteroptera em outras bacias hidrográficas devem analisar separadamente as infra-ordens, uma vez que respondem de maneira distinta a parâmetros físico-químicos e ao HII. 32 A associação dos métodos de coleta aplicados aqui, usando coletor de superfície e de fundo deve ser implementadas para um bom registro da riqueza de espécie de Heteroptera. No entanto, se o objetivo é avaliar o efeito da perda de mata ciliar sobre estes organismos, há bons indícios de que bastariam as coletas de superfície e a análise apenas da infra-ordem Gerromorpha, diminuindo tempo e custo de monitoramento. 33 Agradecimentos Pela sua atenção e empenho agradecemos ao Dr. José Ricardo Inácio Ribeiro (UNIPAMPA); ao Biólogo Lourivaldo Amâncio de Castro pelo apoio de campo; à Bióloga Ully Mattilde Pozzobom Costa/ Laboratório de Águas, pelas análises de água; à equipe do Laboratório de Entomologia da UNEMAT; ao Dr Amintas Nazareth Rossete, que forneceu várias das informações sobre a Bacia e pela sua equipe do Laboratório de Análise Ambiental-LANA, que preparou o mapa das áreas amostrais, à UNEMAT pela bolsa PROBIC e à CAPES pela de Mestrado e, à FAPEMAT pelo fomento que permitiu este trabalho. 34 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Abílio, F. J. P., T. L. R. Melo, A. H. F. F.Souza, H. S. Florentino, E. T. Oliveira Junior, B. N. Meireles & A. C. D. Santana, 2007. 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Prentice-Hall, Englewood Cliffs, N.Y., 663 pp. 39 Riqueza de espécies de Heteroptera aquáticos (Gerromorpha e Nepomorpha) no gradiente longitudinal na Bacia do Rio Pindaíba-MT Karina Dias-Silva PPG em Ciências Ambientais/UNEMAT/ Campus de Cáceres [email protected] Helena Soares Ramos Cabette Departamento de Ciências Ambientais/UNEMAT/ Campus de Nova Xavantina [email protected] 2º artigo preparado de acordo com as normas da revista Hydrobiologia RESUMO Os Heteroptera aquáticos (Nepomorpha) e semi-aquáticos (Gerromorpha) foram analisados em cinco córregos (de 1ª a 4ª ordens) na Bacia do Rio Pindaíba –MT, verificando a riqueza de espécies/morfoespécies em relação a classificação dos córregos por ordens, tendo como base a Teoria do Rio Contínuo, que prediz um distribuição continua de predadores ao longo das ordens. Foram estabelecidas guildas comportamentais e as relacionadas com ambientes conservados e degradados, discutindo clímax em diferentes ambientes e, com a perda de espécies em ambientes perturbados. A predição de uma distribuição pouco variável dos predadores no continuum foi refutada, com os córregos de 4ª ordem apresentando maior riqueza que as demais. Vale ressaltar que esses ambientes correspondem à porção intermediária na concepção de Vannote et al. (1980), que prediz uma maior riqueza para os demais grupos funcionais. Os organismos com comportamento agarrador foram menos ricos em ambientes degradados que em ambientes conservados, indicando que esta categoria sofre com a perda da qualidade ambiental. Palavras Chave: Inseto aquático; Heteroptera, Gerromorpha, Nepomorpha; RCC; hábito, leste do Mato Grosso; Brasil. 40 ABSTRACT Species richness of aquatic Heteroptera (Gerromorpha and Nepomorpha) in a longitudinal gradient in Rio Pindaíba Basin - MT. Aquatic (Nepomorpha) and semi-aquatic (Gerromorpha) Heteroptera were analyzed at five streams (from 1st to 4th orders) in Rio Pindaíba Basin - MT, verifying the species/morphospecies richness in relation to classification of the streams orders, tends as base the River Continuum Concept, that predicts a distribution continues of predators along the orders. It was established behavioral guilds and related with conserved and degraded environment, discussing climax in different environment and, with the loss of species in disturbed environment. The prediction of a little variable distribution of the predators in the continuum was refuted, with the streams of 4th order presenting larger richness that others. It is worth to emphasize that those environment correspond to the intermediate portion in the conception of Vannote et al. (1980), that predicts a larger richness for other functional groups. The organisms with grabber behavior were less rich in degraded environment that in conserved environment, indicating that this category suffers with the loss of the environment quality. Key Words: Aquatic insect; semi-aquatic insect; RCC; habit, East of Mato Grosso; Brazil 41 INTRODUÇÃO Sistemas biológicos são complexos e variáveis. Assim, a distribuição e abundância dos macroinvertebrados aquáticos em ambientes lóticos devem ser estudadas em diferentes escalas, tais como diferentes tipos de substrato e trechos específicos dos rios (Voelz et al., 2000; Baptista et al., 1998). Uma estrutura conceitual que permite entender a ecologia de córregos e rios foi apresentada por Vannote et al. (1980) denominada de River Continnum Concept (RCC). Essa teoria prediz mudanças na composição e riqueza de organismos aquáticos no sentido da nascente para a foz em função da variação nos mecanismos de entrada de energia no sistema, importada das margens e produzida no sistema. Propondo ainda, uma adaptação das comunidades lóticas ajustadas às condições físicas do gradiente do corpo d’água, apresentando ligação longitudinal (Vannote et al., 1980; Cowell et al., 2004; Allan, 1975; Minshall et al.,1983; Ross & Wallace, 1982). Nas primeiras ordens dos rios (ambientes conservados) há cobertura vegetal densa, o que proporciona menor penetração de luz e maior aporte de energia alóctone (folhas, galhos, troncos, sementes, frutos, etc), havendo baixa produtividade primária. Porém, em trechos de ordem intermediária (3ª - 4ª), onde há o aumento da largura do córrego, haveria um aumento na penetração de luz solar, adicionando produção autóctone ao sistema, e gradualmente com uma subseqüente diminuição da importância da entrada de matéria alóctone, predominando a produção autotrófica (Fisher & Likens, 1973; Conner & Naiman, 1984; Vanotte et al.,1980). Diante dessas mudanças na estrutura do gradiente dos corpos d’água Cummins & Klug (1979) estabeleceram cinco categorias baseadas no tipo de alimentação: fragmentadores, coletores, filtradores, raspadores e por fim predadores que consomem presas de todos os grupos estando portanto, distribuídos em todo o sistema não sofrendo grandes alterações na estrutura com aumento das ordens dos córregos (Vannote et al., 1980; Marques et al., 1998). 42 Classificados como predadores os Heteroptera aquáticos e semiaquáticos, podem ser categorizados quanto ao hábito comportamental nos corpos d’água como: agarradores, escaladores, reptantes, fossadores, patinadores, saltadores e nadadores (Merritt & Cummins, 1984). Apresentam, ainda, uma diversificada e intrigante variação morfológica dentro dos gêneros, mesmo daqueles da mesma família, podendo ser reflexo das adaptações morfológicas para microhábitas específicos (Polhemus & Polhemus, 2008). A interação entre o distúrbio e diversidade vem sendo debatida para explicar os padrões de diversidade na natureza. Um dos distúrbios mais comuns em ecossistemas aquáticos é o aumento da vazão provocado pela precipitação (Death & Zimmermann, 2005). Quando um distúrbio possibilita a colonização de novas espécies e a comunidade é controlada por dominância, inicialmente haverá um aumento na riqueza em espécies. No entanto, esse aumento é efêmero e de certa forma com baixo valor para a conservação da biodiversidade, pois em sua maioria, as novas espécies são generalistas. Esse aparente aumento de diversidade logo declinará, devido a exclusão competitiva. Assim, se este distúrbio for freqüente ele pode manter a comunidade no seu estágio inicial de sucessão onde ocorrem poucas espécies e se este for muito raro permitirá que as espécies mais competitivas dominem (Townsend et al., 2006). O Distúrbio Intermediário proposto por Connell (1978), no entanto, prevê que as comunidades teriam mais espécies quando a freqüência dos distúrbios não é muito intensa e nem muito rara, servindo como mecanismo de coexistência das espécies, dada diminuição da competição entre elas. Buscando entender o quanto a perda de espécies pode influenciar nos serviços do ecossistema, Karr (1981) propõem a Teoria da Integridade Biótica, esta teoria foca a manutenção dos processos e funções que mantém o ecossistema. Essa abordagem admite que as funções só possam ser mantidas com a presença dos elementos bióticos básicos (espécies) que são capazes de executá-las. Um sistema será considerado íntegro se as funções são mantidas adequadamente, no entanto, é possível que as funções estejam presentes, mas que algumas espécies tenham sido perdidas. Por exemplo, se 43 considerarmos uma planta polinizada por cinco espécies de abelhas, é possível admitir que a perda de espécies de abelhas pela fragmentação do hábitat ou aumento do uso de agrotóxicos não afetaria a planta dada a redundância funcional entre essas espécies, mesmo que a fauna de abelhas seja reduzida a duas espécies, ainda assim, a planta poderia ser convenientemente polinizada e persistir no sistema. Se as funções foram mantidas o ecossistema poderá ser considerado saudável segundo a teoria da integridade biótica (De Marco Jr. & Coelho, 2002; Moulton & Magalhães, 2003). Essa abordagem é principalmente importante na análise dos impactos em paisagens dominadas por atividades humanas. Nesses sistemas, não se espera que grande parte da biodiversidade seja mantida. Um objetivo conservacionista adequado é o de manter a biodiversidade pelo menos no nível em que as funções do sistema sejam garantidas. Assim, além do conhecimento taxonômico e da estrutura quantitativa dos Heteroptera, suas relações com o ambiente também são importantes para subsidiar estratégias de recuperação e de conservação ambiental. O objetivo deste estudo foi testar: (1) a Teoria do River Continuum Concept, que prevê que a riqueza dos predadores não é alterada com o aumento das ordens e a hipótese alternativa de que cada ordem (ou classe de largura do rio) representa um tipo de clímax diferente nessas comunidades, e que haveria diferenças na riqueza de Heteroptera nos trechos até a quarta ordem; (2) a Teoria da Integridade Biótica, onde o grau de perturbação antrópica, acelera a perda de riqueza de espécies. Essa hipótese foi avaliada levando-se em conta diferenças de riqueza nas ordens dos rios e se como predito pela Teoria, a proporção das diferentes guildas (comportamental de predação) de Heteroptera não variam nas áreas não alteradas do sistema. (3) a hipótese geral de perturbação, verificando se a riqueza de espécies diminui com a intensidade de impacto, analisando a hipótese alternativa de que áreas com intensidade intermediária apresentam maior riqueza. Essa hipótese foi avaliada levando em conta diferenças entre ordem dos rios quando elas existem. 44 MATERIAL E MÉTODOS Área de estudo A coleta de Heteroptera aquáticos e semi-aquáticos foi realizada na Bacia do Rio Pindaíba, afluente da margem direita do médio Rio das Mortes, na região Leste de Mato Grosso. Com proximadamente 10.323km2, abrange parte dos municípios de Araguaiana, Barra do Garças, Cocalinho e Nova Xavantina (Rossete, 2005). Os córregos, objeto deste estudo, foram: Córrego da Mata, Caveira, Taquaral, Cachoeirinha e Papagaio, afluentes da margem esquerda do Rio Pindaíba. Esses corpos d’água apresentam características relativamente similares quanto à região das nascentes e ao número de ordens - 1ª a 4ª (segundo classificação proposta por Strahler, 1957). Os Córregos da Mata, Taquaral e Papagaio apresentam mata ciliar mais conservada que os Córregos Cachoeirinha e Caveira, gerando base de análise distinta entre eles. O clima regional é classificado como Cwa, da classificação de Köppen com duas estações climáticas bem definidas; um período seco de cinco meses (de maio a setembro) e outro período chuvoso (dezembro a março). As médias anuais de precipitação variam de 1.200mm a 1.600mm. As temperaturas médias são altas, em torno de 20 a 25ºC, sendo que os meses mais quentes vão de setembro a outubro (Brasil, 1981). Metodologia As coletas de Heteroptera foram realizadas em 2005, nos Córregos da Mata, Cachoeirinha, Papagaio, Caveira e Taquaral, no período de chuva (janeiro), de seca (junho/julho) e início da chuva (outubro/novembro) e em 2007/2008 foram amostrados os Córregos da Mata e Caveira, na seca (julho), no início da chuva (novembro) e de chuva (janeiro). Foram demarcados transectos de 100m lineares da margem direita de cada córrego em cada uma das quatro ordens, com amostragem a cada cinco metros perfazendo 20 pontos/ordem/córrego (cada amostra era composta de 45 três subamostras do substrato tomadas do centro para a margem do corpo d’água (metodologia adaptada De Marco, 1998; Ferreira-Peruquetti & De Marco, 2002; Ferreira-Peruquetti & Fonseca-Gessner, 2003), através de coador de 18cm e malha de 0,50mm, seguida de amostragem de superfície com mesmo padrão, mas apoiado de observação in loco. A integridade de cada local amostrado foi quantificado usado o Índice de Integridade de Habitat (HII) com a aplicação do protocolo de 12 questões (Anexo 1), avaliando a estrutura dos corpos d’água quanto ao estado da mata ciliar, padrão de uso da terra além desta faixa, dispositivos de retenção, tipo de substrato, vegetação aquática e detritos (Nessimian et al. 2008). A riqueza estimada de espécies foi obtida a partir do estimador não paramétrico jackknife (StimateS Win 7.5.0) (Colwell, 2005). A relação entre as espécies/ morfoespécies com o HII foram obtidas com regressão linear simples seguindo os pressupostos de Zar (1999). Para as análises de variação da riqueza de espécies observadas por guildas comportamentais usamos a análise de variância de um fator (ANOVA one way). Para analisar essa mesma variação, porém agora comparando ambientes preservados e degradados foi usado análise de variância dois fatores (ANOVA two way). Os córregos foram categorizados como preservados e degradados através da observação da presença de mata ciliar nas imagens de satélite da Bacia. 46 RESULTADOS Para analisar a distribuição da fauna de Heteroptera através da riqueza estimada de espécies, baseada na Teoria do RCC, foram considerados apenas locais mais conservados, desprezando-se as informações dos Córregos Caveira e Cachoeirinha, uma vez que a Teoria é apoiada por estudos em locais conservados. Quando analisamos a riqueza estimada de morfoespécies de Heteroptera distribuídas pelas ordens dos Córregos, os maiores valores encontrados foram nas quartas ordens (Fig. 1), com pelo menos 10 morfoespécies a mais na quarta ordens dos três córregos analisados; esses locais são indicados como intermediários na teoria do RCC. Quando foram comparadas as riquezas estimadas de morfoespécies dos córregos preservados com os córregos classificados como degradados verficou-se uma perda significativa de riqueza (F(1, 58)=7,874, p=0,007) nesses últimos (Fig. 2), indicando que as perturbações antrópicas promoveram a perda de diversidade. A riqueza observada das morfoespécies classificada em guildas comportamentais apresentou diferença significante entre elas (F(4, 257)=94,889, p>0,001), nessa análise (Fig. 3), os patinadores apresentaram maior riqueza, seguido dos agarradores e em menor contribuição seguiram escaladores, nadadores e saltadores. Quando as morfoespécies foram anotadas pelo seu hábito (guilda comportamental) em cinco categorias (uma vez que não ocorreram reptantes e fossadores), e analisadas em relação à riqueza observada dos córregos conservados x córregos degradados, não houve, diferença significante entre os dois tratamentos (F(4, 252)=1,624; p=0,168), indicando que a conservação da cobertura vegetal não influenciou as guildas comportamentais de Heteroptera; embora ao se usar a técnica de inferência por intervalo de confiança obtidos para cada guilda possamos perceber uma diminuição dos agarradores em áreas degradadas (Fig.4). 47 Riqueza estimada de morfoespécies 70 65 60 55 50 45 40 35 30 1_O 2_O 3_O 4_O Ordem dos córregos Figura 1. Riqueza estimada de morfoespécies de Heteroptera nas ordens dos córregos conservados da Bacia do Rio Pindaíba, Nova Xavantina (MT), 2005/2008, pelo procedimento de jackknife (as barras representam um intervalo de confiança de 95%). 22 F(1, 58)=7,8738, p=0,007 Riqueza de morfoespécies 20 18 16 14 12 10 8 6 Preservado Degradado Conservação dos córregos Figura 2. Comparação entre médias (ANOVA) de riqueza estimada de morfoespécies de Heteroptera em ambientes preservados e degradados, na Bacia do Rio Pindaíba, Nova Xavantina (MT), 2005/2008. 48 Quando relacionadas riquezas estimadas e grau de conservação dos locais (Tabela 1) obtivemos uma relação, embora fraca, indicando de que quanto menor é o grau de conservação menor é a riqueza de espécies de Heteroptera (Fig.5; Tabela 2); ao analisarmos considerando a ordem dos córregos, a relação do HII foi positiva com riqueza nas terceiras ordens desses córregos (Fig. 6). Tabela 1 Valores do Índice de Integridade de Habitat (HII) na Bacia do Rio Pindaíba, MT, 2005 e 2007/08. [CRC-Córrego Cachoeirinha; CRCV- Córrego Caveira, CRM- Córrego da Mata, CRP- Córrego Papagaio, CRT- Córrego Taquaral]. Local CRT CRM CRP CRC CRCV CRT CRM CRC CRP CRCV CRM CRP CRC CRT CRCV CRM CRP CRC CRT CRCV Ordem 1 1 1 1 1 2 2 2 2 2 3 3 3 3 3 4 4 4 4 4 HII 0.96 0.96 0.85 0.61 0.59 0.89 0.86 0.69 0.66 0.52 0.82 0.78 0.73 0.68 0.65 0.85 0.71 0.65 0.62 0.58 Tabela 2. Regressões lineares simples da relação entre riqueza estimada das morfoespécies de Heteroptera e o Índice de Integridade de Habitat (HII) nas ordens dos Córregos da Bacia do Rio Pindaíba-MT, 2005 e 2007/08. Riqueza estimada HII_ 1 ordem HII_ 2 ordem HII_ 3 ordem HII_ 4 ordem r2 0.259 0.168 0.470 0.118 p* 0.053 0.128 0.005* 0.210 Equação da reta y = -8.207 + 23.646*x y = -0.633 + 23.757*x y = -44.943 + 88.489*x y = -4.972 + 25.750*x 49 Riqueza observada de morfoespécies 8 F(4, 257)=94,889, p<0,001 7 6 5 4 3 2 1 0 -1 Patinadores Agarradores Escaladores Nadadores Saltadores Hábito Riqueza observada de morfoespécies Figura 3. Comparação entre médias (ANOVA) de riqueza observada de morfoespécies de Heteroptera e guildas comportamentais, na Bacia do Rio Pindaíba, Nova Xavantina (MT), 2005/2008. 9 F(4, 252)=1,624, p= 0,168 6 Degradado Preservado 3 0 Patinadores Agarradores Escaladores Nadadores Saltadores Hábito Figura 4. Comparação (ANOVA two way) entre de riqueza observada e hábito (guildas comportamentais) de morfoespécies de Heteroptera em ambientes preservados e degradados, na Bacia do Rio Pindaíba, Nova Xavantina (MT), 2005/2008. 50 r2 = 0.091; p = 0.021; y = 1.198 + 19.289*x 40 Riqueza estimada de morfoespécies (Heteroptera) 35 30 25 20 15 10 5 0 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 1,0 Índice de Integridade de Hábitat Figura 5. Relação entre a riqueza estimada de morfoespécies de Heteroptera e o Índice de Integridade de Habitat, amostrados na Bacia do Rio Pindaíba, MT, 2005 e 2007/08. 40 r2 = 0,470; p = 0,005; y = -44.944 + 88.489*x 35 Riqueza estimada 30 25 20 15 10 5 0,64 0,66 0,68 0,70 0,72 0,74 0,76 0,78 0,80 0,82 0,84 HII Figura 6. Relação entre a riqueza estimada de morfoespécies de Heteroptera e o Índice de Integridade de Habitat anotado para a terceira, amostrados na Bacia do Rio Pindaíba, MT, 2005 e 2007/08. 51 DISCUSSÃO Os resultados da análise da riqueza estimada de morfoespécies de Heteroptera nas ordens dos córregos conservados (Fig.1), não corroboram com a teoria de Vanotte et al. (1980), que propõem que a riqueza dos predadores não é alterada ao longo do gradiente longitudinal, mas acata a hipótese alternativa de que a riqueza alteraria entre as ordens dos Córregos (1ª a 4ª ordens) por diferentes clímax em diferentes larguras ou ordem dos rios/córregos. A maior riqueza nas quartas ordens parece, muito mais, acompanhar a idéia de que nesses trechos estariam as maiores riquezas de outros grupos funcionais que servem com presas para Heteroptera, já que segundo Merrit & Cummins (1984) a distribuição dos organismos aquáticos é o resultado da interação entre o hábito, as condições físicas que caracterizam o habitat e a disponibilidade de recursos alimentares. E os córregos apresentam ainda um gradiente longitudinal, nas características físicas e também na biota (Allan, 1975). Adiciona-se a isso, o fato de que os nossos córregos não apresentam valores de larguras graduais entre ordens, há ambientes em que ordens mais baixas apresentam larguras maiores, ou similares, que nas ordens mais elevadas (ex. o Córrego Taquaral que apresenta largura 4,43m na 2ª ordem e apenas 4,67m na 3ª ou do C. da Mata com 3,20m na 1ª ordem e 2,63m na 2ª ordem – veja capitulo 1), além de haver pouca variação na temperatura entre cabeceira até as quartas ordens (Anexo 2), situação divergente daquela analisada por Vanotte et al. (1980). Batista (2006), trabalhando com Odonata na mesma região, percebeu que a largura dos corpos d’água são preditores melhores que as ordens, refletindo melhor as alterações de entrada de energia e de característica físicas do ambiente. Quando analisamos a riqueza estimada de Heteroptera nos ambientes preservados e degradados (Figura 2), ambientes preservados apresentaram 52 maior riqueza do que os alterados indicando perda de diversidade nos córregos degradados. Segundo Foley et al. (2005), uso da terra tem causado declínio na biodiverdidade por perda, modificação e fragmentação de hábitats, degradação do solo e da água. A maioria dos Heteroptera vivem em ambientes sombreados, ou entre as plantas marginais ou ainda nas folhas e troncos retidos no canal dos corpos d’água (Nieser & Melo, 1997; Merrit & Cummins, 1984; Roldán-Pérez, 1988) assim, essa maior riqueza estimada em áreas preservadas pode ser relacionada a heterogeneidade de hábitat nos locais de boa conservação da mata ciliar, e ainda, a maior disponibilidade alimentar por suporte alóctone nesses refúgios (Cramer & Willig, 2005). A dificuldade de recuperação da diversidade desses córregos pode ser maximizada pelo desflorestamento das cabeceiras (especialmente no Córrego Caveira), já que segundo Alexander & Lamp (2002), a recuperação da população e recolonização de hábitat pode ter mais sucesso em córregos com as cabeceiras florestadas devido a dispersão da população sobrevivente que habita estes refúgios e que pode promover a recuperação em uma única geração, mesmo quando composta de poucos indivíduos. Ao analisar a riqueza observada de morfoespécies classificadas em guildas comportamentais (hábito) obteve-se uma predominância significante de patinadores e agarradores, com as três outras categorias contribuindo com um número pequeno de morfoespécies. Essas maiores riquezas se devem ao fato de nestas duas categorias estarem inseridas as duas grandes famílias Veliidae e Gerridae (Gerromorpha), com espécies adaptadas a patinação em águas correntes e a uma grande variedade de ambientes aquáticos, desde as axilas de bromélias e poças de água estagnada a altas montanhas e grandes rios, até o mar aberto (Taylor, 1996; Nieser & Melo, 1997; Merrit & Cummins, 1984); e de Naucoridae (Nepomorpha) que são agarradores, se apresentam como a família mais rica morfologicamente na infra-ordem (Nieser & Melo, 1997). Os Heteroptera aquáticos e semi-aquáticos são notáveis por suas diferentes formas, refletindo adaptações a uma larga variedade de nichos 53 (Merrit & Cummins, 1984). Os insetos aquáticos apresentam um arranjo comportamental complexo que lhes conferem grande vantagem adaptativa ao ocuparem os ecossistemas aquáticos. Assim, determinados aspectos, sejam eles morfológicos, comportamentais ou fisiológicos permitem que as espécies sejam bem sucedidas em um dado ambiente (Baptista, 2008). Quando analisamos as cinco guildas comportamentais presentes, entre ambientes conservados e degradados, não houve diferença significante na riqueza entre esses ambientes (Figura 4), a exceção fica por conta dos agarradores, que se observados com mais rigor, tiveram uma diminuição da riqueza de morfoespécies em áreas degradadas; o que, no geral, corrobora com a hipótese de que as diferentes guildas comportamentais não variam nas áreas alteradas do sistema. Assim, o predito por De Marco Jr. & Coelho (2004) de perda de riqueza, mas manutenção das funções do sistema está posto aqui. As cinco guildas permanecem, embora, claramente houvesse perda de parte da riqueza na categoria de agarradores. Como os Heteroptera são predadores exibem diferentes formas comportamentais para obtenção de alimento, que não sendo limitante, não deve alterar a proporção entre guildas nas áreas alteradas do sistema. Os agarradores, pertencentes à família Naucoridae, dependem de vegetação densa ou de obstáculos formados por ramos ou folhas, ou ainda em fundo com cascalho e areia, condições comuns observadas nos córregos em estado de conservação natural (Nieser & Melo, 1997; Merrit & Cummins, 1984), aqueles mais exigentes podem estar sendo perdidos com a homogeneização dos locais degradados. Na análise do HII (Tabela 1 e 2), com os locais de coleta anotados por valor de integridade, obteve-se relação positiva entre a riqueza e a integridade de hábitat, no geral, e especialmente com córregos de 3ª ordem. A hipótese geral de perturbação, verificando se a riqueza de espécies diminui com a intensidade de impacto foi aceita de modo que o grau de perturbação antrópica acarretou na perda de riqueza de espécies; e são reforçadas pelo resultado obtido para as 3ªs ordens que mostram uma relação positiva da riqueza com Índice de Integridade de Hábitat, já que nas outras 54 ordens há uma amplitude de situações de conservação maior que nas 3ªs. ordens, no geral, mesmo córregos degradados, apresentaram este trecho índices medianos a altos de conservação. Córregos com mata ciliar preservada têm alta diversidade de hábitats aquáticos, como corredeiras e remansos freqüentes, presença de muitos seixos e cascalho e pouca deposição de lama, e substrato vegetal apresentam condições favoráveis à manutenção da diversidade de macroinvertebrados (Callisto et al., 2002, Nessimian et al., 2008; Uieda & Gajardo, 1996; Kikuchi & Uieda, 2005) situação similar aos locais conservados dos córregos analisados, a alta riqueza de morfoespécies encontradas nestes locais indicam uma boa manutenção das interações tróficas alóctones e autóctones nesses ambientes. 55 CONCLUSÃO A distribuição de Heteroptera, analisada em ambientes conservados, não seguiu o padrão da distribuição de predadores da teoria do RCC, sendo mais ricos, e não constantes, conforme houve o aumento das ordens analisadas (até 4ª, classificadas como intermediária pela teoria), indicando climax distinto nas diferentes ordens. A maior riqueza de morfoespécies nos córregos preservados em relação aos degradados indicou que o nível da perturbação presente foi suficiente para promover perda de diversidade, o que nos leva a acatar a hipótese de que o grau de perturbação antrópica acelera a perda de espécies. A manutenção das cinco guildas comportamentais, presentes em córregos preservados, naqueles degradados, nos remetem à aceitação da hipótese de integridade biótica, que prediz que a proporção de diferentes guildas comportamentais não varia nas áreas alteradas do sistema, embora a perda de espécies na guilda dos escaladores indique que as perturbações foram suficientes para eliminar espécies mais exigentes. Considerando os locais, e não córregos, e avaliando a riqueza de morfoespécies em relação com o Índice de Integridade Biótica, obtivemos uma relação positiva, acatando a hipótese geral de perturbação que estabelece que a riqueza de espécies diminua com a intensidade de impacto; rejeitando a hipótese alternativa de que as áreas de intensidade intermediária apresentam maior riqueza: indicando que os distúrbios são de longo prazo ou muito intensos, e não se aplica aqui o conceito do Distúrbio Intermediário que indica que a freqüência dos distúrbios não sendo muito intensa e nem muito rara, serve como mecanismo de coexistência das espécies, dada diminuição da competição entre elas. Quando se busca ferramentas para gestão ambiental, é necessária a união da aplicabilidade com a fundamentação teórica, pois primeiramente é necessário que se estabeleçam quais a ferramentas devem ser trabalhadas e depois como essas responderão ao sistema, para tanto no primeiro capítulo explicitamos quais os procedimentos e quais os melhores indivíduos para se 56 trabalhar quando se visa a conservação de bacias e no segundo tentamos, na luz das teorias responder como a comunidade de Heteroptera se comporta nas diferentes condições do sistema. 57 RECOMENDAÇÕES PARA CONSERVAÇÃO E PRESERVAÇÃO. • Se a diversidade de fauna da bacia a ser trabalhada ainda não for conhecida, o método de coleta deve ser aplicado como um todo, com coletas de superfície e de fundo no litoral. O método de transectos lineares com 20 subamostras e o uso de coador de 18cm é útil, de baixo custo e aparentemente eficiente tanto para as coletas de superfície como de bentônicos, o que o torna recomendável. No entanto se os dados responderem como o obtido aqui poderia se reduzir, para fins de monitoramento, as coletas de superfície e ao estudo de Gerromorpha uma vez que estes têm respondido melhor para o entendimento das variações e perturbações do ambiente. • Embora as cabeceiras sejam áreas muito importantes para a manutenção do sistema aquático como um todo, a conservação das matas ciliares (APPs) devem ser garantidas em todas as ordens dos córregos e rios, uma vez que a riqueza apresenta clímax diferente nas diferentes ordens. Como é muito freqüente, especialmente em regiões que apresentam nascentes em serras, a preservação das cabeceiras estar garantindas, a atenção sobre as ordens maiores devem ser intensificadas. • Mesmo que não tenhamos obtido relações com os parâmetros físico-químicos da água, é necessário a manutenção de coletas destas informações em trabalhos futuros, já que não conhecemos os padrões hidrológicos do leste matogrossense o que torna difícil ajustar protocolos e análises. É evidente aqui a percepção da perturbação e dos efeitos desta sobre a riqueza de espécies. • Sugere-se uma ampliação e revisão de alguns itens do protocolo do Índice de Integridade de Hábitat, tornando-o uma ferramenta mais forte para estudos dos córregos do cerrado. • Um banco de dados e coleção de referência deve ser incrementado para o Cerrado, facilitando estudos de monitoramento com o uso de nível taxonômico de espécie e não de taxas superiores o que pode acarretar em análises equivocadas dos padrões de riqueza e das interações entre espécies nas cadeias tróficas. 58 • Se a proposta de trabalho for avaliar impactos já estabelecidos a um tempo relativamente longo, poderia se utilizar apenas coletas de início de chuvas, onde os insetos representaram maior abundância e também maior riqueza, uma vez que esse período apresentou 60% da abundância de indivíduos coletados e 89% da riqueza observada. • E, por fim, indica-se a inclusão de Heteroptera entre os grupos prioritários para análise na conservação da qualidade da água de córregos e rios uma vez que a fórmula EPT, mais comumente utilizada, inclui apenas o grupo predador de Plecoptera, que nem sempre está presente ao longo de todo o continuum. 59 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Alexander, L. 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Vegetação arbustiva ciliar ausente 2. Mata ciliar ausente com alguma vegetação arbustiva 3. Mata ciliar bem definida de 1 a 5m de largura 4. Mata ciliar bem definida entre 5 e 30m de largura 5. Mata ciliar bem definida com mais de 30m 6. Continuidade da mata ciliar com a floresta adjacente 3) Estado de preservação da Mata Ciliar 1. Cicatrizes profundas com barrancos ao longo do seu comprimento 2. Quebra freqüente com algumas cicatrizes e barrancos 3. Quebra ocorrendo em intervalos maiores que 50m 4. Mata Ciliar intacta sem quebras de continuidade 4) Estado da Mata ciliar dentro de uma faixa de 10m 1. Vegetação constituída de grama e poucos arbustos 2. Mescla de grama com algumas árvores pioneiras e arbustos 3. Espécies pioneiras mescladas com árvores maduras 4. Mais de 90% da densidade é constituída de árvores não pioneiras ou nativas 5) Dispositivos de retenção 1. Canal livre com poucos dispositivos de retenção 2. Dispositivo de retenção solto movendo-se com o fluxo 3. Rochas e/ou troncos presentes, mas preenchidas com sedimento 4. Canal com rochas e/ou troncos firmemente colocados no local 6) Sedimentos no canal 1. Canal divido em tranças ou rio canalizado 2. Barreira de sedimento e pedras, areia e silte comuns 66 3. Algumas barreiras de cascalho e pedra bruta e pouco silte 4. Pouco ou nenhum alargamento resultante de acúmulo de sedimento 7) Estrutura do barranco do rio 1. Barranco instável com solo e areia soltos, facilmente perturbável 2. Barranco com solo livre e uma camada esparsa de grama e arbustos 3. Barranco firme, coberto por grama e arbustos. 4. Barranco estável de rochas e/ou solo firme, coberto de grama, arbustos e raízes 5. Ausência de barrancos 8) Escavação sob o barranco 1. Escavações severas ao longo do canal, com queda de barrancos 2. Escavações freqüentes 3. Escavações apenas nas curvas e constrições 4. Pouca ou nenhuma evidência, ou restrita a áreas de suporte de raízes 9) Leito do rio 1. Fundo uniforme de silte e areia livres, substrato de pedra ausente 2. Fundo de silte, cascalho e areia em locais estáveis 3. Fundo de pedra facilmente móvel, com pouco silte 4. Fundo de pedras de vários tamanhos, agrupadas, com interstício óbvio 10) Áreas de corredeiras e poções ou meandros 1. Meandros e áreas de corredeiras/poções ausentes ou rio canalizado 2. Longos poções separando curtas áreas de corredeiras, meandros ausentes 3. Espaçamento irregular 4. Distintas, ocorrendo em intervalos de 5 a 7 vezes a largura do rio 11) Vegetação Aquática 1. Algas emaranhadas no fundo, plantas vasculares dominam o canal 2. Emaranhados de algas, algumas plantas vasculares e poucos musgos 3. Algas dominantes nos poções, plantas vasculares semi-aquáticas ou aquáticas ao longo da margem 4. Quando presente consiste de musgos e manchas de algas 12) Detritos 1. Sedimento fino anaeróbio, nenhum detrito bruto 2. Nenhuma folha ou madeira, matéria orgânica bruta e fina com sedimento 3. Pouca folha e madeira, detritos orgânicos finos, floculentos, sem sedimento 4. Principalmente folhas e material lenhoso com sedimento 5. Principalmente folhas e material lenhoso sem sedimento 67 Apêndice 2. Variáveis físico- químicas nas coletas de 2005 e 2007/2008. Córrego da Mata (CRM), Córrego Cachoeirinha (CRC), Córrego Taquaral (CRT), Córrego Papagaio (CRP) e Córrego Caveira (CRCV). Temperatura da água (T. Ag.), temperatura do ar (T. Ar), pH, condutividade elétrica (C. elétrica), turbidez (T), oxigênio dissolvido (OD), dureza total (DT), cálcio (C), magnésio (Mg), Fosfato (F), nitrato (N), nitrito (Ni) e vazão (V). LOCAL Ordem T. Ag (°C) T. Ar (°C) pH C. elétrica (µs) T (NTU) OD (mg/l) D (mg/l) C (mg/l) Mg(mg/l) F (mg/l) N (mg/l) Ni (mg/l) V(m3/s) CRM 1 25.25 29.95 6.56 2.52 1 7.95 2.8 0.17 2.66 0.16 1.71 1 0.046 2 19.0 21.1 6.2 3.05 0.37 8.9 5.6 2.39 3.18 0.06 1.03 1 0.22 3 25.5 29.5 6.44 5.5 9.0 7.72 11.5 5.33 6.2 0.11 1.43 7 0.12 4 26.85 30.9 6.41 16.7 14 6.58 13 5.911 7.13 0.27 2.2 2 0.11 CRC 1 Seco Seco Seco Seco Seco Seco Seco Seco Seco Seco Seco Seco Seco 2 25.7 28.2 6.58 13.5 169.25 6.8 10.5 4.21 6.28 0.49 2.53 120 0.04 3 24.45 28.75 6.29 4.57 7.05 4.15 10.62 4.08 6.53 0.18 1.35 4 0.02 4 26.45 31.8 6.61 7.55 12.7 6.67 11.57 5.77 5.81 0.15 0.89 1 0.29 CRT 1 24.25 25 6.6 0.205 22.05 5.89 32.4 16.8 15.59 0.28 1.04 1 0.30 2 20.55 30.55 6.8 12.4 0.155 8.07 13.2 7.77 5.43 0.09 1.53 1 0.11 3 26.15 30.6 6.53 4.17 5.85 6.84 9.7 3.14 6.57 0.14 1.56 4 0.04 4 30.4 31.3 6.49 4.71 5.7 7.11 9.05 3.48 5.57 0.14 1.97 1 0.04 CRP 1 24.1 29.75 6.73 4.76 7.4 7.99 8.52 3.62 4.91 0.14 2.73 1 0.01 2 22.35 31.05 7.1 7.9 0.3 9.01 7.44 3.27 4.17 0.09 0.93 1 0.03 3 24.95 26.65 6.73 7.41 6.65 7.93 7.57 2.78 4.79 0.12 1.7 1 0.12 4 27.95 25.95 6.67 6.99 7.85 7.28 6.61 2.08 4.52 0.1 1.31 1 0.71 CRCV 1 Seco Seco Seco Seco Seco Seco Seco Seco Seco Seco Seco Seco Seco 2 30 31.4 6.44 5.5 9 7.73 11.53 5.33 6.2 0.11 1.43 7 0.12 3 29.4 35.5 5.35 1.5 0.7 6.29 5.84 1 4.84 0.05 3.9 2 0.19 4 28.2 33.3 6.38 12.7 1.1 7.06 7.34 1.57 5.77 0.07 1.8 2 _-_