Coleta Primária de Dados na Polícia Militar do Estado de Goiás1 Anclo Marcio Silva2 Cárita Celine da Silva Borges3 Karina Nunes dos Santos4 Resumo: A Análise Criminal estuda os fenômenos criminais através da identificação e mensuração de problemas. A primeira atividade do analista é debruçar-se sobre os dados disponíveis a respeito dos crimes ocorridos para melhor compreender os fenômenos. Se os dados utilizados nos estudos não forem condizentes com a realidade, as conclusões serão equivocadas. Uma das diversas fontes de dados é o Boletim de Ocorrência (BO) registrado pela PM. O BO, quando registrado por um policial militar cônscio de sua importância no processo da análise criminal, responsável direto pelo levantamento de dados que servem como base para a tomada de decisões, é uma fonte inquestionavelmente valiosa em informações. O presente artigo expõe a análise dos boletins produzidos pelos Policiais Militares do Estado de Goiás, considerado como peça fundamental para a atividade de análise criminal. Palavras-chave: análise criminal; boletim de ocorrência; registro policial. Introdução O estudo detalhado de cada crime ocorrido é o primeiro passo para chegar a algumas conclusões cobradas pela sociedade e pelo próprio estado-administração: quem é o autor do fato? O que motiva o autor a transgredir as regras sociais? A vítima poderia ter agido de modo a evitar ou impedir que o fato tivesse ocorrido? O local, o horário, a presença ou a ausência de outras pessoas contribuíram para que o crime ocorresse daquela forma? O autor do fato deve ser punido? O que fazer para que outros casos semelhantes não aconteçam? A evolução dos estudos sociais mostra como o crime é um fato inerente à vida em sociedade. O modo de encarar o agressor e a maneira de reagir ao ato praticado variou muito ao longo dos tempos e também de acordo com a cultura local. O foco dos estudiosos passou por diversas 1- Artigo apresentado como pré-requisito para a conclusão do 1º Curso de Análise Criminal, ministrado pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de Goiás, com Coordenação da Gerência de Análise de Informações. Orientado pelo Profº Ms. Alécio Filipe e Profª Ms. Karoline Andrade de Alencar Isecke. 2- 1º Ten QOPM, Polícia Militar de Goiás. Bacharel em Direito pela UNIVERSO. Discente no 1º Curso de Análise Criminal da SSP-GO. E-mail: [email protected] 3- Cap QOPM, Polícia Militar de Goiás. Bacharel em Direito pela UNIVERSO. Discente no 1º Curso de Análise Criminal da SSP-GO. E-mail: [email protected] 4- 1º Ten QOPM, Polícia Militar de Goiás. Bacharel em Direito pela PUC-GO. Discente no 1º Curso de Análise Criminal da SSP-GO. E-mail: [email protected] 57 nuances, passando de uma visão monocromática a uma análise mais holística. Todos esses esforços, uns considerados como vitoriosos, outros nem tanto, contribuíram para que hoje a criminologia se coloque como uma disciplina holística que permeia vários outros ramos do saber e que assume a preocupação de trabalhar de uma maneira científica. Molina (2006, apud Cerewuta, 2013, p.4) define criminologia como: A ciência empírica e interdisciplinar que tem por objeto o crime, o delinquente, a vítima e o controle social do comportamento delitivo; e que aporta uma informação válida, contrastada e confiável, sobre a gênese, dinâmica e variável do crime - contemplado este como fenômeno individual e como problema social, comunitário - assim como sobre sua prevenção eficaz, as formas e estratégias de reação ao mesmo e as técnicas de intervenção positiva no infrator. A partir da definição acima, entende-se como objetos de estudo o crime, o delinquente, a vítima, e o controle social. Nesse contexto, surge a Análise Criminal, como “uma coleção de métodos para planejar ações e políticas de segurança pública, obter dados, organizá-los, analisá-los, interpretá-los e deles tirar conclusões” (PEIXOTO. 2008, p.4). A Criminologia e Análise Criminal adotam como metodologia o Estudo Empírico-Indutivo, com observação e mensuração dos fatos. A aproximação do fato delitivo e análise dos dados permitem inferir conclusões quanto ao fenômeno ‘crime’. Destacase: todas as conclusões são inferidas do estudo da realidade. O controle social, as estratégias de reação ao crime, às técnicas de intervenção são resultantes do estudo feito a partir das análises dos fatos. Diante do exposto, é intuitivo concluir que todo o processo metodológico de estudo fica comprometido quando as bases de dados utilizadas para a produção do conhecimento específico não 58 é confiável. Falta de integridade, disponibilidade e ferramentas adequadas para o manuseio destes dados, bem como a inexistência de planejamento para a execução do método, comprometem os resultados das análises. A preocupação com as bases de dados utilizadas no trabalho do analista criminal deu origem ao presente artigo. Aborda-se a importância da coleta primária de dados realizada pelo agente do Estado que comparece ao local do crime. Esse artigo traz à baila algumas reflexões sobre o tema para que informações importantes não sejam ignoradas ou distorcidas pelos Órgãos de Segurança Pública. 1 – Metodologia &ŽŝĨĞŝƚĂƵŵĂƉĞƐƋƵŝƐĂĚŽĐƵŵĞŶƚĂůĐŽŵŽĮƚŽ ĚĞŝĚĞŶƟĮĐĂƌŽŵŽĚŽĐŽŵŽŽƐŽůĞƟŶƐĚĞKĐŽƌƌġŶĐŝĂƐ ǀġŵ ƐĞŶĚŽ ƉƌĞĞŶĐŚŝĚŽ ƉĞůŽƐ ƉƌŽĮƐƐŝŽŶĂŝƐ ĚĂ WŽůşĐŝĂ DŝůŝƚĂƌ 'ŽŝĂŶĂ͘ &ŽƌĂŵ ĂŶĂůŝƐĂĚŽƐ ŽƐ ŽůĞƟŶƐ ĚĞ Ocorrências registrados por Policiais Militares, no Município de Goiânia, nos meses de abril e maio do ano 2013. Foram selecionadas as ocorrências com ŶĂƚƵƌĞnjĂƐ ĚĞ ŚŽŵŝĐşĚŝŽ͕ ƚĞŶƚĂƟǀĂ ĚĞ ŚŽŵŝĐşĚŝŽ͕ latrocínio, uso de drogas e furtos. Buscou-se com a análise do material identificar se há falhas no registro dos dados, em especial nos campos referentes a ambiente e dados das pessoas envolvidas e qualificadas como vítimas ou autoras. Esses grupos de dados foram selecionados pela estreita ligação com a criminologia ambiental, vitimologia, e busca pela autoria do crime. Também buscou-se inferir qual a percepção do policial com relação as características ligadas à situação atendida, qual a dedicação no registro dos dados, e se existe um comportamento diferenciado no preenchimento documental de acordo com a gravidade do ocorrido. A revisão bibliográfica trouxe o aparato teórico do estudo. 2 – Desenvolvimento 2.1 – A importância do Boletim de Ocorrência da PM O Estado disponibiliza as vítimas e as testemunhas de crimes o atendimento emergencial pela Polícia Militar. Mesmo nos casos em que o crime ocorre sem a percepção imediata dessas pessoas, a Polícia Militar, embora não tenha por missão constitucional a investigação dos crimes, costuma ser acionada, pois disponibiliza um atendimento que se faz mais cômodo. Através do 190, número por todos reconhecido para “problemas de polícia”, o cidadão é capaz de notificar o crime sem precisar sair de casa. Ademais, mesmo quando o crime já ocorreu, a Polícia Militar, normalmente, comparece ao local do crime, atendendo presencialmente o solicitante. A facilidade de acionamento faz com que a PM seja a primeira, e muitas vezes a única, Instituição de Segurança Pública a comparecer no local do crime. Muitas vezes, a Polícia Civil, responsável pela investigação de crimes, sequer é cientificada do fato pelos envolvidos, o que pode resultar em casos de subnotificação. Do modo como a Segurança Pública está estruturada, a realidade mostra que a Corporação PM é que comparece ao local do crime no momento mais próximo a ocorrência do fato delituoso. Isso faz com que o Policial Militar seja o agente que tem condições de coletar diversos dados que só poderão ser obtidos e observados in loco. A riqueza de detalhes coletada nesses casos é inquestionável. A importância do registro desses dados para posterior conversão em informação para a análise criminal é imensa. Desta forma, o “BO” pode constituir uma fonte documental valorosa para uma atividade que possui a metodologia de estudo empírico-indutiva. Várias outras fontes podem ser utilizadas de modo complementar, ou até como fonte principal. No entanto, ignorar o Boletim confeccionado pelo agente estatal que está no local do fato é desprezar dados que podem ser cruciais na investigação e no estudo de políticas públicas de redução da criminalidade. Todas essas características que tornam o Boletim de Ocorrência peça de grande importância para análise criminal justificam a preocupação com a qualidade do preenchimento desse documento. 2.2 – O Modelo de BO e a posição Institucional A Polícia Militar não institucionalizou um modelo específico de formulário para preenchimento dos dados que compõem um Boletim de Ocorrência. Essa é uma questão relevante, pois cada Unidade Policial Militar teria a possibilidade de adotar um formulário que achar mais conveniente. A falta de regulamentação traz outra consequência grave: a ausência de análise e revisões periódicas sobre esse formulário “padrão”. Um formulário desenvolvido em determinada época pode se tornar incompleto com o passar do tempo. Um exemplo disso seria a coleta de dados referentes à identificação de gênero e orientação sexual de vítimas e autores. Há alguns anos, para a Segurança Pública era suficiente analisar o sexo dos envolvidos. Hoje, após o crescimento dos crimes relacionados à homofobia, a coleta de dados referentes ao sexo biológico torna-se insuficiente para determinados estudos. No caso da capital goiana, um modelo “padrão” rico em detalhes é adotado, com diversos campos para inserção de informações (embora carente de revisões). Todas essas informações podem passar a fazer parte de um banco de dados rico e frutífero. No entanto, foram identificadas algumas unidades da capital que adotaram um padrão de formulário próprio, com menos campos para preenchimentos. Em anexo segue o Boletim mais utilizado, apelidado 59 de “padrão”, e o boletim menos detalhado. Mais uma questão merece destaque: não é adotada nenhuma prática institucionalizada de treinamento específico para o policial no que se refere ao preenchimento do BO. Embora o preenchimento possa parecer intuitivo, a contextualização desse trabalho é de extrema importância para que o policial se dedique a fazer um preenchimento com precisão. Ainda, além de não haver preocupação com o treinamento, também não há adoção rotineira e constante de medidas de verificação de qualidade do preenchimento dos dados, ainda que por amostragem. Ocorrências preenchidas de modo que tornará o documento completamente inutilizável podem se tornar comuns sem que o problema seja percebido e enfrentado pela PM. 2.3 – O preenchimento feito pelo Policial No período e local analisado, houve o registro de um total de 6312 boletins de ocorrências. Destas, pelo critério natureza, 521 boletins atenderam os padrões propostos pela análise do artigo. Todos eles foram registrados por policiais em Goiânia, nos meses de abril e maio do ano de 2013. Dos 521, 140 boletins possuíam as naturezas de homicídio, tentativa de homicídio e latrocínio. Com naturezas uso de drogas e furtos foram observados 381 boletins. As informações relativas ao ambiente foram classificadas em: ausentes, precárias ou satisfatórias. Ressalva-se: existe uma divisão no formulário com campos para preenchimento seletivo de dados do ambiente, e as observações foram feitas nessa divisão. Não há campos para escrita livre, somente campos seletivos. Os registros que apresentaram todos os campos preenchidos foram considerados satisfatórios. Os casos de preenchimento parcial, 60 ou de forma contraditória (como “rua cercada de muro”), foram considerados precários. Os que não apresentaram nenhum preenchimento, ausentes. As informações relativas às vítimas e autores foram classificadas como (i) inexistentes, (ii) meramente documentais, ou (iii) detalhadas. As detalhadas incluem, além dos dados documentais (quando a pessoa é identificada e está presente) características como grau de escolaridade e características físicas. Aqui cabe destacar que alguns boletins, como já dito, não seguem o “padrão”, pois sequer apresentam espaço para informação de dados sobre ambiente ou de dados referentes a características das pessoas envolvidas. Esses casos foram classificados como dados ambientais ausentes, e dados pessoais meramente documentais ou inexistentes. O percentual de preenchimento de dados, segundo a classificação proposta, é apresentado na Figura 1. Figura 1: Comparação de gráficos referente a preenchimento de dados de Ambientes e Pessoas Fonte: dados da pesquisa. Seguem duas figuras compostas por gráficos e tabelas apresentando resultados mais detalhados das pesquisas. Nos casos de dados referentes a Ambiente, Figura 2, em todas as naturezas analisadas, a maioria dos dados foram preenchidos de modo considerado satisfatório. Nos casos de dados referentes a Pessoas, Figura 3, percebeu-se que na maior parte dos casos é feita apenas a anotação de dados documentais na maioria das naturezas analisadas. Figura 2: Gráfico e Tabela referente a preenchimento dados de Ambiente Fonte: dados da pesquisa. 61 Figura 3: Gráfico e Tabela referente a preenchimento dados de Pessoas Fonte: dados da pesquisa. 2.4 – A formação do banco de dados informatizado Mesmo não sendo o foco desse artigo, seria irresponsabilidade não lembrar que o preenchimento de um formulário escrito que não seja posteriormente inserido em banco de dados informatizado constitui uma burocracia pela mera burocracia. Em virtude da grande quantidade de dados coletados, torna-se impossível fazer o cruzamento de dados de maneira manual. A atividade de análise criminal é extremamente dependente de ferramentas de tecnologia da informação e, consequentemente, de um banco de dados completo, íntegro e confiável, que reflita da maneira mais próxima possível à realidade dos fatos. Além disso, a ausência de estudos fundamentados com os dados coletados pode até constituir fator de desmotivação do policial, criando uma cultura de descrédito no serviço por ele desempenhado, o que acaba por prejudicar a qualidade dos registros. 62 Considerações Finais De todas as análises feitas, chegou-se à conclusão que os Boletins de Ocorrências da PMGO fornecem grande quantidade de dados e devem ser utilizados como fonte de pesquisa para a análise criminal. Percebeu-se também que o preenchimento nem sempre é completo (às vezes porque autor ou vítima não se encontra presente no local da ocorrência). Apesar disso, não há dúvidas de que tais documentos podem ser considerados fontes confiáveis e devem integrar um banco de dados informatizado (não podendo ser desprezados em caixas de arquivo morto). No caso de informações referentes ao ambiente, constatou-se que a ausência de dados ocorreu predominantemente nos casos em que o formulário adotado destoa do formulário mais utilizado, e que não apresenta os campos para a coleta dessas informações (ver Anexo B). Tal situação se dá em especial nas Unidades Especializadas, como a ROTAM, BPMCHOQUE, 6ªCIPM-GIRO, GRAER e COE. No caso de dados de pessoas, percebeu-se que há menor preocupação com a coleta de dados referentes a características físicas e particularidades outras, predominando apenas transcrição de dados documentais. Observou-se também que a coleta de características físicas resume-se a dados visíveis como cor da pele. Dados que dependem da entrevista do policial, como grau de instrução, são pouco preenchidos. Também ficou claro que a natureza da ocorrência não é fator predominantemente determinante no empenho do policial em preencher todos os dados. Durante as análises, a sequência temporal pareceu mais relevante que a natureza do fato. Houve sequência de dias em que a coleta mostrou-se mais deficitária, enquanto em outras sequências houve notória dedicação e cuidado no preenchimento dos dados. A exceção ficou para os casos de Uso de Entorpecentes: nessa natureza, embora haja poucos casos de registro, há extremo empenho em coletar dados de características físicas dos autores. De tudo o que foi observado, a maior conclusão está na necessidade de uma definição, por parte da Instituição PM, de um Boletim de Ocorrência (formulário de coleta de dados) padrão. Um estudo específico com definição de quais dados devem ser coletados precisa ser realizado para tal providência. Isso evitará que determinados boletins (como os que não possuem campos reservados a dados de ambientes e características de pessoas) estejam fadados a serem uma fonte incompleta de dados. A revisão periódica e institucional (do formulário padrão) também precisa ser feita com critério. A cobrança e fiscalização institucional quanto ao preenchimento do formulário deve ser rotineira, pois essa prática influencia no comportamento do policial quando do preenchimento do formulário. Por fim, salienta-se que o grupo de ocorrências selecionado como amostra apresentase, aos olhos de um analista, como pedra bruta a ser lapidada. No anexo A estão os campos disponíveis (atualmente) para preenchimento. Com esses dados preenchidos e transpostos para um banco de dados informatizado seria possível traçar o perfil das vítimas de determinado crime ou mensurar o impacto da presença de câmeras, alarme, cães de guarda na redução de crime, por exemplo. Também seria possível traçar padrões e tendências, permitindo estabelecer políticas públicas mais embasadas e com maiores probabilidades de acerto. 63 Referências Bibliográficas ANGELIS, major pmdf. Curso de análise criminal nível especialista. Tecnologias e softwares aplicados à análise criminal, Goiânia, 2013. (Apostila do 1º Curso de Análise Criminal – Nível Multiplicador. Secretaria de Segurança Pública do Estado de Goiás). CEREWUTA, Pollyanna Marinho Medeiros. Teorias Criminais de Suporte à Análise Criminal. Goiânia, 2013, 19p. (Apostila do 1º Curso de Análise Criminal – Nível Multiplicador. Secretaria de Segurança Pública do Estado de Goiás). DURANTE, Marcelo Otoni; FILIPE, Alécio; MAGALHÃES, Luiz Carlos. Fundamentos da Estatística. Subsídio para Análise Criminal. 2013, 46p. (Apostila do 1º Curso de Análise Criminal – Nível Multiplicador. Secretaria de Segurança Pública do Estado de Goiás). ISECKE, Kaloline Andrade de Alencar. Manual técnico para elaboração de artigos científicos. Goiânia, 2012. LAKATOS, Eva Maria. Metodologia do trabalho científico: procedimentos básicos, pesquisa bibliográfica, projeto e relatório, publicações e trabalhos científicos. 6ª edição. São Paulo, Atlas, 2001. OLIVEIRA, Claudiomar dos Santos. Metodologia cientifica: planejamento e técnicas de pesquisa: uma visão holística do conhecimento humano. São Paulo, LTr, 2000. 64 PEIXOTO, Betânia Totino. Análise Criminal. Fábrica de Cursos. 2008, 102p. (Apostila do Curso Análise Criminal – Módulo 1. Secretaria Nacional de Segurança Pública, Ministério da Justiça). RODRIGUES, Dallbian Guimarães. Criminologia Ambiental. Goiânia, 2013. (Apostila do 1º Curso de Análise Criminal – Nível Multiplicador. Secretaria de Segurança Pública do Estado de Goiás). SECRETARIA DE SEGURANÇA PÚBLICA DO ESTADO DE GOIÁS. Manual de Interpretação Estatística. Goiânia, 2012. 19p. ANEXO A 65 ANEXO B 66