AQUASHARE 2012 - Experiências na regulação económica e da qualidade dos serviços Maputo, Maio 2011 João Simão Pires EBES Católica Lisbon School of Business & Economics [email protected] Experiências na regulação económica e da qualidade dos serviços - Tópicos abordados Perspectiva internacional sobre estruturas sectoriais Panorama internacional na regulação dos serviços de águas Regulação económica dos serviços Regulação da qualidade dos serviços Considerações finais AQUASHARE 2012 Perspectiva internacional sobre estruturas sectoriais (i) • Num primeiro exame, constata-se que o grau de agregação territorial da prestação dos serviços de águas é substantivamente dispar à escala internacional, reflectindo em larga medida a forma como a responsabilidade pela provisão destes serviços se encontra administrativamente organizada. Serviços de águas - Estruturas de mercado fragmentadas (economias da OCDE) País (território) Densidade PIB p.c. Escala de referência2 Agregação Agregação Int. vertical populacional (PPP)1 territorial AA+ AR (milhões) (Hab./ Km²) (‘000 USD) # EG (‘000 hab/ EG) % pop. (E. Escala) (E. Gama) (E. Processo) Portugal 10,5 111 21,9 50 125 60% Baixa Elevada Baixa EUA (West Virginia) 1,8 29 46,3 345 5 100% Baixa Parcial Elevada Canada (PE Island) 0,14 24 38,7 14 10 100% Baixa Parcial Elevada França 64,4 118 32,8 2.000 21 66% Baixa Elevada Elevada Grécia 11,0 84 30,0 1.100 10 100% Baixa Elevada Elevada 1 PIB per capita reportado a 2009 e expresso em PPP (Purchasing Power Parity). Fonte: CIA World Factbook. 2 É indicada a percentagem da população servida pelos operadores de maior dimensão, bem como a sua dimensão média. No caso Português tal significa que a dimensão média dos operadores de menor dimensão, que serve o remanescente da população, é de apenas 15 mil habitantes. • • População Ao nível das economias da OCDE, o desenvolvimento da prestação destes serviços através de redes fixas tem início essencialmente durante finais do século XIX e início do século XX, tendo sido uma responsabilidade tipicamente assumida a nível local. Esta tradição municipalista permanece patente até aos dias de hoje, principalmente na Europa e América do Norte na medida em que, com excepção das principais áreas metropolitanas, onde se naturalmente desenvolveram operadores de grande dimensão, a escala de organização permanece de matriz local. AQUASHARE 2012 Perspectiva internacional sobre estruturas sectoriais (ii) • No caso de economias emergentes, designadamente na América Latina, embora se encontrem estruturas fragmentadas de matriz municipal (Colômbia, México, Costa Rica), o desenvolvimento mais recente destes serviços no contexto de processos de rápida urbanização durante o século XX, bem como a adopção de modelos mais centralizados de organização das funções do Estado, poderão estar na génese de estruturas de mercado mais concentradas. Serviços de águas - Estruturas de mercado em economias emergentes • País (território) População Densidade populacional Portugal Colômbia México Costa Rica (milhões) 10,5 44,4 108,7 4,1 (Hab./ Km²) 111 39 56 85 PIB p.c. (PPP) Escala de referência Agregação territorial (‘000 USD) 21,9 8,2 13,9 10,8 # EG 50 2.886 10.500 1.800 (‘000 hab/ EG) 125 15 10 2 % pop. 60% 100% 100% 100% (E. Escala) Baixa Baixa Baixa Baixa Agregação AA+ AR Int. Vertical (E. Gama) Elevada Elevada Parcial Parcial (E. Processo) Baixa Elevada Elevada Elevada Brasil (Brasília) Brasil (Goiás) Brasil (R.G. do Sul) Uruguai Peru 2,4 5,6 10,6 3,5 28,7 423 17 37 19 22 9,4 9,4 9,4 10,7 7,3 1 1+10 1+7 2 50 2.400 4.500/ 110 7.400/ 450 1.800 550 100% 80% 100% 100% 100% Elevada Elevada Elevada Elevada Elevada Elevada Elevada Elevada Parcial Elevada Elevada Elevada Elevada Elevada Elevada Arménia Lituânia Eslováquia República Checa 3,2 3,4 5,5 10,3 101 52 111 132 5,2 15,6 18,7 23,7 2 47 14 1.211 1.350 70 370 9 85% 90% 95% 100% Elevada Média Elevada Baixa Elevada Elevada Elevada Elevada Elevada Elevada Elevada Elevada Já no tocante a países integrantes do antigo bloco Soviético, modelos mais centralizados da organização das funções do Estado terão contribuído para estruturas de organização da prestação dos serviços mais agregadas à escala regional. Perspectiva internacional sobre estruturas sectoriais (iii) • Linha comum aos principais processos de reconfiguração dos serviços de águas nas últimas três décadas tem sido a procura de uma maior agregação da organização territorial da sua prestação passando, em vários casos, por uma avocação da titularidade destes serviços para um nível central ou regional. Serviços de águas - Estruturas concentradas (economias da OCDE) e reconfigurações recentes País (território) População Portugal (milhões) 10,5 Inglaterra e Gales Escócia Irlanda do Norte Irlanda Holanda Itália Kosovo Austrália Austrália (Victoria) Austrália (WA) Chile AQUASHARE 2012 53,7 5,1 1,7 4,3 16,5 59,4 2,1 21 5,2 2,1 16,6 Densidade populacional (Hab./ Km²) 111 PIB p.c. (PPP)1 (‘000 USD) 21,9 344 65 122 60 395 197 220 3 23 1 21 35,5 35,5 35,5 45,1 38,6 31,2 8,2 36,7 36,7 36,7 14 Escala de referência2 # EG 50 22 1 1 34 10 91 7 30 3 1 50 (‘000 hab/ EG) 125 % pop. 60% Agregação territorial (E. Escala) Baixa 2.150 (AA) 5.100 1.700 100 1.600 (AA) 650 300 500 1.200 1.900 330 100% 100% 100% 80% 100% 100% 100% 70% 70% 90% 100% Elevada Elevada Elevada Média AA; AR Elevada Elevada Elevada Elevada Elevada Elevada Agregação AA+ AR (E. Gama) Elevada Int. vertical (E. Processo) Baixa Parcial Elevada Elevada Elevada Baixa Elevada Elevada Elevada Elevada Elevada Elevada Elevada Elevada Elevada Elevada AA; AR Elevada Elevada Elevada Parcial Elevada Elevada Interacção entre o quadro institucional, as estruturas sectoriais e a regulação • Neste quadro, a organização territorial dos serviços de águas e o exercício de funções regulatórias são influenciados pelas características específicas do quadro institucional em que o sector se insere. Iniciativa empresarial privada Estado central Entidades gestoras Exercício de funções regulatórias Iniciativa empresarial pública AQUASHARE 2012 Utilizadores Estado local Experiências na regulação económica e da qualidade dos serviços - Tópicos abordados Perspectiva internacional sobre estruturas sectoriais Panorama internacional na regulação dos serviços de águas Regulação económica dos serviços Regulação da qualidade dos serviços Considerações finais AQUASHARE 2012 Falhas de mercado na provisão de serviços públicos de águas • Os serviços de águas (abastecimento e saneamento) são nucleares à qualidade de vida das populações, à saúde pública, à protecção do ambiente, à competitividade das actividades económicas e ao bem estar global das sociedades. - O seu acesso foi recentemente reconhecido pelas Nações Unidas no quadro dos direitos humanos; A conjugação da natureza destes serviços com as características das tecnologias que suportam a sua prestação tornam-nos alvo de especial atenção por parte das autoridades. Monopólios naturais Economias de escala Externalidades na saúde pública Fontes de falha de mercado Tecnologias capital intensivas AQUASHARE 2012 Externalidades ambientais 8 Crescente difusão de entidades reguladoras sectoriais • Em estudo recente conduzido à escala mundial e publicado pela IWA (Marques, 2010)* foram identificadas 136 autoridades com poderes formais em sede de regulação dos serviços de águas, num total de 57 países, dos quais: 22 no continente Americano 16 na Europa 12 em África 5 na Ásia Cerca de um quarto dos países e da população mundial 2 na Oceânia • Incluindo outras autoridades públicas com direitos de decisão similares, o universo identificado alarga-se para 396 entidades num total de 174 países. AQUASHARE 2012 *Fonte: Marques, R.C. ; “Regulation of Water and Wastewater Services – An International Comparison”, IWA – International Water Association, 2010. Principais preocupações regulatórias • Embora a sua importância relativa varie em função do contexto específico de cada sociedade, encontramos algumas áreas comums de atenção por parte das autoridades com responsabilidades regulatórias: 1. Defesa dos direitos dos utilizadores: • Promoção do acesso tendencialmente universal aos serviços de águas; • Continuidade e qualidade dos serviços; • Moderação dos encargos tarifários; • Condições de acessibilidade económica e não discriminatória por parte das populações socio-economicamente mais frágeis 2. Promoção da eficiência, melhoria contínua e sustentabilidade económico-financeira na prestação dos serviços 3. Transparência, participação pública e estabilidade do quadro legal, regulatório e contratual • No remanescente desta apresentação centramo-nos nos instrumentos e práticas de regulação económica e de qualidade de serviço tipicamente empregues pelas entidades reguladoras. AQUASHARE 2012 Experiências na regulação económica e da qualidade dos serviços - Tópicos abordados Perspectiva internacional sobre estruturas sectoriais Panorama internacional na regulação dos serviços de águas Regulação económica dos serviços Regulação da qualidade dos serviços Considerações finais AQUASHARE 2012 Enquadramento da regulação económica dos serviços de águas Preocupações Protecção dos consumidores/ clientes (acesso, qualidade e preço dos serviços): • Rendas de monopólio • Eficiência • Inovação e melhoria contínua ... Mas com condições de sustentabilidade na sua prestação (atracção de investimentos futuros) AQUASHARE 2012 Principais abordagens Introdução de concorrência no mercado Introdução de concorrência pelo mercado Regulação económica explícita através da fixação de preços das actividades reguladas Regulação explícita dos preços Principais abordagens regulatórias • A regulação económica é geralmente implementada através do controlo do nível global de preços aplicado pelo operador, com base em duas abordagens genéricas: 1. A primeira abordagem é geralmente designada por “allowed rate of return” ou “cost of service regulation”. • • As decisões tarifárias tipicamente assumem um horizonte temporal de curto prazo – um ano (ou até que uma das partes solicite uma revisão tarifária) Variantes dependem criticamente nos custos considerados para efeitos de determinação do nível tarifário (custos históricos vs. orçamentados, custos totais vs. custos elegíveis) 2. A segunda abordagem, sob a designação de “multi-year price cap (ou revenue cap) regulation” estabelece uma trajectória tarifária plurianual (3 a 5 anos), vinculativa quer para o operador, quer para o regulador. • Pretende-se assim introduzir maiores incentivos à melhoria de eficiência por parte do operador bem como maior responsabilização pelo desempenho efectivamente alcançado. AQUASHARE 2012 Ilustração de abordagens do tipo “cost of service” • No caso Moçambicano, a fórmula tarifária preconizada para os PSAA no estudo DAR/ Banco Mundial* enquadra-se no modelo de “cost of service regulation”. Tarifa base (T0) = (C + L)/ Q Em que: • L = Lucro (base negocial 10%) • C = Custos = D + G + O + Mr + Me Sendo: - D = custos de depreciação; - G = gestão administrativa, financeira, técnica e de recursos humanos (incluindo taxas e licenças devidas ao Estado) - O = operação (funcionamento, conexões não pagas pelo consumidor, expansões) - Mr = manutenção de rotina (serviços, peças, produtos) - Me = manutenção extraordinária (reparação, substituição em caso de avarias) AQUASHARE 2012 *Fonte: DAR/ Banco Mundial (2010); “Modelos de gestão para pequenos sistemas de abastecimento de água – PSAAs – em Moçambique”, Relatório Final. Ilustração de “multi- year revenue cap” - Escócia • O desempenho efectivo atingido durante cada ciclo regulatório revela informação que é incorporada na definição da trajectória tarifária para o ciclo regulatório seguinte. Primeiro período vinculativo Segundo período vinculativo Downside ex-post Proveitos necessários (€) Upside ex-post Contratualização ex-ante 5 AQUASHARE 2012 Fonte: PIRES, J. (2011), FUNDEC - IST Tempo (anos) 10 15 Panorama actual das práticas de regulação económica dos serviços de águas • Ainda de acordo com o estudo internacional anteriormente referido, na maioria dos países (60%) em que se encontram implementados métodos explícitos de regulação económica, a abordagem seguida continua a ser do tipo “cost plus”. Allowed rate of return Multi-year price/ revenue caps (“Cost plus”) (“Incentive based regulation”) • Todavia, a adopção de sistemas baseados na definição de trajectórias tarifárias pluri-anuais tem vindo a expandir-se: - Com efeito, os méritos deste tipo de abordagem em criar incentivos mais fortes à eficiência dos operadores, melhor alinhando os seus interesses com os dos consumidores, têm sido crescentemente reconhecidos • Algumas questões-chave a ter em atenção: - Horizonte temporal do compromisso regulador-operador; - Critérios para a definição de metas de desempenho (“yardstick competition”, “empresa modelo”,…); - Estrutura de incentivos à equipa de gestão do operador; - Gestão ex-post do desempenho (quer no caso de “upside”, quer de “downside”) AQUASHARE 2012 Práticas de regulação económica Exemplo Colombiano (CRA) Country Model Asia Country Panamá Price cap (5 years) Armenia Price cap (1 year) Peru “Model firm” (5 years) Philippines RoR Trinidad and Tobago Revenue cap (5 years) Indonesia RoR Uruguay RoR Singapore - Africa Europe Belgium RoR (Wallon) Cape Verde Price cap (5 years) Scotland Revenue cap (4 years) Ghana RoR/Price cap (4 years) France - Mozambique RoR Greece - Niger RoR Netherlands - Kenya RoR England and Wales Price cap (5 years) Tanzania RoR/Price cap (2 years) Ireland - Zambia Price cap (3 years) North Ireland Price cap (5 years) Italy Price cap (5 years) America Barbados RoR Kosovo RoR Belize RoR Lithuania RoR Brazil RoR/Price cap/Revenue cap Portugal RoR Canada RpR Czech Republic - Chile “Model firm” (5 years) Slovak Republic RoR Colombia RoR/Price cap (5 years) Romania RoR Costa Rica RoR Sweden - USA RoR Oceania Honduras RoR Australia Revenue cap and Price cap Jamaica Price cap (3 years) Papua New Guinea Price cap (5 years) México - AQUASHARE 2012 Exemplo da Colômbia Model • O método de regulação económica consiste num price-cap a 5 anos onde o factor de eficiência (“X-factor”) é estimado através de técnicas de benchmarking (DEA) • Tarifas máximas determinadas de acordo com a dimensão do operador (inferior ou superior 25 mil utilizadores) e diferenciadas para o abastecimento e o saneamento de águas residuais • Tarifas incorporam duas componentes de custos: - Custos administrativos, de operação e manutenção; Custos de capital • “Data envelopment analysis” (DEA) do sector (método de fronteira não-paramétrico) é empregue pela agência reguladora na definição de limiares eficientes para os custos administrativos, de operação e manutenção • Os custos de capital são determinados com base nos programas de investimento aprovados para cada operador *Fonte: Marques, R.C. ; “Regulation of Water and Wastewater Services – An International Comparison”, IWA – International Water Association, 2010. Instrumentos complementares da regulação económica – “benchmarking or yardstick competition” • Esta prática regulatória visa criar incentivos à concorrência através da comparação entre operadores similares que operam em mercados geográficos distintos. • Ao utilizar este instrumento regulatório, as agências reguladoras devem seleccionar métricas de desempenho relevantes, influênciáveis pelos operadores e suficientemente gerais. • Métricas de desempenho gerais permitem aos operadores fazer trade-offs económicos – por exemplo, entre despesas de capital e despesas de operação – enquanto que métricas muito parcelares tendem a restringir mais as vias que os operadores podem seguir para melhorar o desempenho. • Sendo uma ferramenta complementar da regulação económica, o benchmarking tende a ser a principal abordagem utilizada na regulação da qualidade de serviço. AQUASHARE 2012 Experiências na regulação económica e da qualidade dos serviços - Tópicos abordados Perspectiva internacional sobre estruturas sectoriais Panorama internacional na regulação dos serviços de águas Regulação económica dos serviços Regulação da qualidade dos serviços Considerações finais AQUASHARE 2012 Panorama actual das práticas de regulação da qualidade dos serviços de águas • Em 80% dos casos internacionais de regulação estudados*, as agências regulatórias monitorizam e supervisionam a qualidade dos serviços e o desempenho dos operadores através de procedimentos de benchmarking - Adicionalmente, todas reportaram uma intenção futura de introduzir este tipo de prática regulatória ou melhorar os sistemas já existentes • As metodologias utilizadas para avaliar a qualidade dos serviços não diferem significativamente: - Indicadores de Desempenho (PI – Performance Indicators) são a ferramenta mais frequentemente utilizada, representando cerca de 95% dos casos • A abordagem seguida, na vasta maioria dos casos, é do tipo “sunshine regulation” (divulgação pública dos resultados da avaliação – “name and shame”) - Todavia, em alguns dos países analizados (cerca de 25%) são aplicadas sanções formais ao incumprimento de alguns níveis de qualidade de serviço exigidos, com impacto na rentabilidade das entidades gestoras AQUASHARE 2012 *Fonte: Marques, R.C. ; “Regulation of Water and Wastewater Services – An International Comparison”, IWA – International Water Association, 2010. Panorama actual das práticas de regulação da qualidade dos serviços de águas Country Quality of Service Asia Country Quality of Service Panamá No Armenia Performance indicators Peru Performance indicators Philippines No Trinidad and Tobago Performance indicators Indonesia Performance indicators Uruguay No Singapore - Europe Africa Belgium Indicators (in ) Cape Verde No Scotland Multiple- techniques Ghana Performance indicators France - Mozambique Performance indicators Greece - Niger Performance indicators Netherlands - Kenya Performance indicators England and Wales Multiple techniques Tanzania Performance indicators Ireland - Zambia Performance indicators North Ireland No America Italy Performance indicators Barbados No Kosovo Performance indicators Belize Total-factor productivity Lithuania Total-factor productivity Brazil Performance indicators Portugal Performance indicators Canada No Czech Republic - Chile Performance indicators Slovak Republic - Colombia Multiple techniques Romania No Costa Rica No Sweden - USA No Oceania Honduras Performance indicators Australia Performance indicators Jamaica No Papua New Guinea Performance indicators México - AQUASHARE 2012 25% dos países aplicam sanções financeiras 12% prevêem mecanismos de compensação directa dos utilizadores Apenas 8% dos reguladores compilam rankings globais de desempenho *Fonte: Marques, R.C. ; “Regulation of Water and Wastewater Services – An International Comparison”, IWA – International Water Association, 2010. Benchmarking ou yardstick regulation Ilustração – sistema utilizado em Portugal • Ficha de avaliação anual da qualidade de serviço de uma entidade gestora – “Sunshine regulation” Identificação da entidade gestora Apresentação da entidade gestora Notas sobre a qualidade de serviço Descrição do sistema Avaliação da qualidade de serviço da entidade gestora Avaliação da qualidade de serviço Quantificação da qualidade de serviço Evolução da qualidade do serviço Identificação do indicador avaliado Recomendações de melhoria da qualidade de serviço AQUASHARE 2012 Fonte: ERSAR, RASARP Vol. III Benchmarking or yardstick regulation Ilustração – sistema utilizado em Portugal • Ficha de benchmarking anual para cada indicador – Mecanismo de competição virtual entre operadores Identificação do indicador de desempenho Definição do indicador de desempenho Gráfico com benchmarking das entidades gestoras em baixa Gráfico com benchmarking das entidades gestoras em alta Evolução do indicador para o sector concessionado Evolução do indicador para o sector concessionado Recomendações de melhoria da qualidade de serviço no sector AQUASHARE 2012 Fonte: ERSAR, RASARP Vol. III Benchmarking or regulation Ilustração – sistema utilizado pelo CRA AQUASHARE 2012 Fonte: CRA, Relatório ao Governo 2010 Experiências na regulação económica e da qualidade dos serviços - Tópicos abordados Perspectiva internacional sobre estruturas sectoriais Panorama internacional na regulação dos serviços de águas Regulação económica dos serviços Regulação da qualidade dos serviços Considerações finais AQUASHARE 2012 Circunstâncias específicas do caso Moçambicano (i) A formulação dos 3 T’s para uma sustentável recuperação de custos (OCDE) Circunstâncias específicas com impacto na facturação e cobrança de receitas tarifárias: • • • Grau de difusão de ligações com contador (validação do número de pessoas por família); Diferentes tipologias de acesso (fontanários, torneira do quintal, ligação domiciliária) Procedimentos de leitura, cobrança e controlo Circunstâncias específicas com impacto na regulação dos serviços: • • • Importância do “3º T” no financiamento dos serviços Prioridade no aumento da cobertura do serviço de abastecimento – 32% (2000), 60% (2009) e 70% (2015) Articulação entre propriedade/ investimento e operação/ prestação dos serviços AQUASHARE 2012 Fontes: OCDE, 2009; “Managing Water for All”; Frade, J.T.V (2011), BEI Circunstâncias específicas do caso Moçambicano (ii) Âmbito do Quadro de Gestão Delegada - - AQUASHARE 2012 Alguns instrumentos regulatórios implementados pelo CRA “Nova estrutura tarifária”, Resolução n.º 1/2009 Estabelecimento das tarifas de água potável nos sistemas abrangidos pelo QGD, Resolução n.º 1/ 2010 “Condições gerais contrato do abastecimento de água potável” Monitorização da qualidade do serviço prestado pelos operadores dos sistemas de abastecimento de água (reforçada com a introdução dos BAQS) Fontes: Website do Conselho de Regulação do Abastecimento de Agua; www.cra.org.mz Circunstâncias específicas do caso Moçambicano (iii) Quadro institucional de descentralização/ desconcentração dos modelos de gestão de PSAA Criação em 2009 da Administração de Infraestruturas de Água e Saneamento (sistemas urbanos secundários), dos Conselhos Provinciais de Águas e Saneamento e alargamento do mandato regulatório do CRA AQUASHARE 2012 Fontes: DAR/ Banco Mundial, “Modelos de gestão para pequenos sistemas de abastecimento de água em Moçambique” Circunstâncias específicas do caso Moçambicano (iv) “Perspectivas de desenvolvimento do CRA - O novo papel do CRA: • Nos próximos anos, o papel do CRA na regulação do sector do abastecimento da água vai ser ampliado para incluir novas responsabilidades. • Os serviços de abastecimento de água a serem regulados pelo CRA estão a ser expandidos rapidamente para os sectores de mercado dos principais centros urbanos, peri-urbanos e cidades secundárias; o âmbito dos serviços está a expandir-se com a inclusão dos sistemas de saneamento. • De forma a desempenhar eficazmente o novo papel, o CRA está a desenvolver um novo modelo de regulação que poderá ser implementado nos próximos anos e que vai socorrer-se de aproximação diferenciada, incluindo: - A regulação directa: Normas emitidas e implementadas directamente pelo CRA; A regulação indirecta: Normas Gerais emitidas pelo CRA e impostas localmente; A regulação consultiva: Normas emitidas e impostas localmente com consulta prévia do CRA” AQUASHARE 2012 Fontes: Website do Conselho de Regulação do Abastecimento de Agua; www.cra.org.mz Muito Obrigado! João Simão Pires EBES Católica Lisbon School of Business & Economics [email protected] AQUASHARE 2012 Exemplo Português Serviços de águas em baixa - situação actual • O grau de agregação territorial dos serviços de águas prestados em baixa manteve-se essencialmente inalterado ao longo das duas últimas décadas, sendo que as principais alterações ocorreram no plano do modelo de gestão adoptado (concessões municipais e criação de empresas municipais). Distribuição geográfica das entidades gestoras de serviços de abastecimento de água em baixa Fonte: ERSAR, RASARP 2009 • Tomando o caso do abastecimento, em 2009 temos 263 entidades gestoras cujo âmbito territorial de actuação, na sua vasta maioria, corresponde ao território de um município. Dispersão dos níveis tarifários praticados actualmente – serviços de águas • A situação actual caracteriza-se por uma muito elevada dispersão dos níveis tarifários praticados, com um elevado número de municípios aplicando aos serviços de águas níveis tarifários claramente insustentáveis. Situações de partida em cada Município de Portugal continental - 2007 7.000 3,00 € Rendimento médio das famílias (eixo da esquerda) 6.000 Encargo médio serviços de águas (eixo da direita) 2,50 € Encargo médio das famílias com os serviços de águas (abastecimento e 2,00 € saneamento) – €/ m³ (2) 5.000 Rendimento médio disponível por agregado familiar – €/ mês (1) 4.000 1,50 € 3.000 €1,25/m³ Média €2.500/ mês ponderada Média ponderada 1,00 € 2.000 0,50 € 1.000 0 0,00 € 0 2.000 4.000 6.000 8.000 10.000 12.000 População residente (‘000 habitantes) – 2007. Municípios ordenados por ordem decrescente do rendimento médio disponível. Notas: (1) Corresponde à media nacional do rendimento disponível dos particulares, ajustada pelo índice de poder de compra per capita de cada Concelho. (2) Encargo médio com os serviços de abastecimento e saneamento por m³ de água consumida apurado para um nível consumo anual de 120 m³ (10 m³/ mês). AQUASHARE 2012 Fontes: INE, 2009 – Estudo sobre o poder de compra concelhio, Banco de Portugal, ERSAR Exemplo Português - Elementos transversais a todos os modelos de gestão (i) Entidades intervenientes (titular, entidade gestora, entidade reguladora) Modelo de gestão directa (SM, SMAS) Delegação em parceria com o Estado (PP²) Modelo de gestão delegada (empresas do SEL, PPPi) Modelo de gestão concessionada (PPPc) • Adequabilidade do nível de proveitos tarifários gerados (suportado em “plano de negócios” a médio-longo prazo) • Implementação progressiva da estrutura tarifária preconizada pela entidade reguladora • Alinhamento dos níveis tarifários gerados por cada serviço com os respectivos custos (suportado em apuramento específico dos custos de cada serviço) • Reporte regular de informação ao público (site da EG) e à entidade reguladora (Portal ERSAR) AQUASHARE 2012 Exemplo Português - Elementos transversais a todos os modelos de gestão (ii) • Novos deveres para todas as entidades gestoras(independentemente do modelo de gestão) no sentido de uma melhoria do planeamento e gestão técnica dos serviços: – “As entidades gestoras devem promover a recolha de informação histórica e previsional quanto aos níveis de utilização dos serviços, à cobertura de serviço, à qualidade de serviço, ao desempenho ambiental, à produtividade e à eficiência da gestão, aos investimentos a realizar, incluindo o respectivo cronograma físico e financeiro, e as demonstrações financeiras de cariz geral e analítico.” – Trata-se de dispor de um equivalente a um “plano de negócios”, com informação desagregada por serviço. • Dever de implementar o sistema de análise de desempenho elaborado pela entidade reguladora (universalização do sistema de avaliação da qualidade de serviço já aplicado às concessionárias) – A sua aplicação também implica a implementação de procedimentos de apuramento analítico de informação específica a cada um dos serviços. AQUASHARE 2012