UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL PROGRAMA DE EDUCAÇÃO PARA A DIVERSIDADE ESPECIALIZAÇÃO EM GESTÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS COM FOCO EM RAÇA E GÊNERO - POLO ARAÇUAÍ ANA CRISTINA PEREIRA CARDOSO HUMANIZAÇÃO NA ASSISTÊNCIA AO PARTO – GARANTIA DO DIREITO DE AUTONOMIA ÀS MULHERES Araçuaí – MG. 2012 ANA CRISTINA PEREIRA CARDOSO HUMANIZAÇÃO NA ASSISTÊNCIA AO PARTO – GARANTIA DO DIREITO DE AUTONOMIA ÀS MULHERES Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Programa de Educação para a Diversidade da Universidade Federal de Ouro Preto, como requisito parcial à obtenção do grau Especialista em Gestão de Políticas Públicas com foco em Gênero e Raça. Orientador: Prof. Ms. Adriano Toledo Paiva Araçuaí – MG. 2012 2 HUMANIZAÇÃO NA ASSISTÊNCIA AO PARTO – GARANTIA DO DIREITO DE AUTONOMIA ÀS MULHERES ANA CRISTINA PEREIRA CARDOSO Monografia apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Educação para a Diversidade da Universidade Federal de Ouro Preto, como requisito parcial à obtenção do grau de Especialista em Gestão de Políticas Públicas (Área de Concentração: Gênero, Raça e Etnia) e aprovada pela Banca Examinadora constituída pelos seguintes professores: Prof. Ms. Adriano Toledo Paiva Orientador Prof. Ms. Diego Omar da Silveira Avaliador Profª. Ms. Marileide Lázara Cassoli Avaliador Ouro Preto, Minas Gerais Agosto de 2012 3 AGRADECIMENTOS À Deus, o único digno de toda honra e toda glória, agradeço por ter me dado a sua mão quando fraquejei, me erguendo e encorajando para superar os obstáculos que muitas vezes pareceram intransponíveis. Aos meus pais, que me deram o dom da vida, que sempre foram motivo de inspiração e força, exemplos de vontade e alegria, de rigidez e fé. Agradeço cada segundo de dedicação, cada consolo por lágrimas derramadas e cada sorriso por vitória alcançada, amo vocês. Ao Professor Adriano, meus mais sinceros agradecimentos por ter me acompanhado nessa jornada, partilhando comigo uma parcela do seu conhecimento. Portando, gostaria de render a minha imensa gratidão, por me ajudar na consolidação desse trabalho, saiba que o seu gesto e sua conduta foram meu maior mestre, pois não apenas me transmitiu conhecimento, como me conduziu a abraçar esta especialização. Aos meus colegas de curso e disciplinas que compartilharam comigo seus conhecimentos. A todos aqueles que de alguma forma contribuíram ou torceram pela concretização desta pesquisa. 4 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO............................................................................................... 6 2 PROCEDIMENTOS TEÓRICO- METODOLÓGICO..............................11 2.1 OBJETIVOS.................................................................................................11 2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS ....................................................................11 2.1 METODOLOGIA........................................................................................12 2.1.1 Delineamento.............................................................................................12 2.1.2 Local de estudo......................................................................................... 12 2.1.3 Sujeitos do estudo......................................................................................12 2.1.4 Critérios de inclusão.................................................................................12 2.1.5 Critérios de exclusão.................................................................................13 2.1.6 Desenvolvimento da pesquisa..................................................................13 2.1.7 Duração da coleta de dados.................................................................... 13 2.1.8 Coleta de dados.........................................................................................13 2.1.9 Análise dos dados..................................................................................... 13 2.1.10 Orçamento com fontes de recursos...................................................... 14 CAPITULO I 3 HUMANIZAÇÃO ......................................................................................... 14 CAPITULO II 4 ANÁLISE DOS DADOS...............................................................................18 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS........................................................................ 27 ANEXOI - Termo de Consentimento Livre e esclarecido............................. 29 ANEXO II – Questionários.............................................................................. 31 REFERÊNCIAS.................................................................................................33 5 INTRODUÇÃO O processo de humanização se deu como uma estratégia política da Organização Mundial de Saúde, do Ministério da Saúde (MS) e outros órgãos não-governamentais, que têm proposto melhoria na assistência à mulher e ao recém-nascido, com o objetivo de resgatar o caráter fisiológico no processo do nascimento de forma positiva e sem traumas, visando a redução das taxas de cesariana e mortalidade materno-infantil 1. O conceito de humanização do parto pode ser bastante diversificado, porém, há um movimento defendendo-o como um processo que respeita a individualidade das mulheres, valorizando-a como protagonista e permitindo a adequação da assistência à cultura, crenças, valores e diversidade de opiniões dessas pessoas1. Esta adequação da assistência deve ter valor fundamental, uma vez que não se tratam de questões universais. A desatenção acerca das questões relacionadas as diferenças socioculturais entre as mulheres, pode produzir efeitos tão deletérios, que pode transformar a assistência humanizada, em meros procedimentos técnicos. Embora não haja consenso sobre o que seja a humanização do parto, sabe-se que ela implica no envolvimento e melhoria da formação da equipe de enfermagem e das concepções e práticas onde ela é praticada, estímulo da atuação da enfermeira obstetra na assistência à gestação e parto, que objetiva a melhoria da assistência e o resgate do parto mais natural possível, melhores condições de atendimento, a desmedicalização da assistência, uma visão do cuidado integral à gestante, onde se valoriza tanto seus aspectos físicos como os emocionais, desenvolvendo assim um processo de gestação, parto e pós-parto respeitando a mulher e a família, não só no aspecto biológico, mas também no aspecto psicológico, social e cultural1. É importante ressaltar que a enfermagem tem participado das principais discussões acerca da saúde da mulher, em defesa do Programa de Humanização no Prénatal e Nascimento. Diante disto, o MS tem criado portarias que favorecem a atuação deste profissional na atenção integral a saúde da mulher, privilegiando o período gravídico puerperal, por entender que estas medidas são fundamentais para a diminuição 1 CASTRO, Jamile Claro de e CLAPIS, Maria José. Parto humanizado na percepção das enfermeiras obstétricas envolvidas com a assistência ao parto. Rev. Latino-Americana de Enfermagem [online]. 2005, vol.13, n.6, pp. 960-967. 6 de intervenções, riscos e conseqüente humanização da assistência, tanto em maternidades, como em casas de parto 2. Há que se destacar que a partir do século XX a institucionalização da assistência ao parto fez com que predominasse o parto hospitalar e, assim, os cuidados antes prestados pelas parteiras, passaram a ser de responsabilidade do profissional de saúde. Não se pode negar que a tecnologia e os estudos científicos têm proporcionado avanços inquestionáveis na qualidade da assistência obstétrica, porém, observa-se que a instrumentalização do parto gerou sua medicalização. O parto passa a ser visto como inerentemente problemático, exigindo a intervenção médica como forma de garantir o bom resultado 3 . Contudo, não se deve excluir a necessidade de oferecer recursos tecnológicos apropriados em caso de eventual necessidade. Neste processo, o parto passou a ser vivenciado como um momento de intenso sofrimento físico e moral. Nas maternidades, as mulheres são separadas da família, convivem com ambientes estranhos e pessoas estressadas, aliado ao uso de procedimentos invasivos que causam dor, desconforto e solidão 4 . Além disso, permanecem um longo período no pré-parto, usualmente um espaço coletivo, junto com outras mulheres também em trabalho de parto ou com outras intercorrências obstétricas, sem qualquer privacidade ou atenção às suas necessidades particulares 5. O medo, a tensão e a dor das parturientes nesse modelo de assistência impedem o processo fisiológico do parto normal, o que pode culminar com práticas intervencionistas que, na maioria das vezes, poderiam ser evitadas 6 . De acordo com Moura (2007), um bom desenvolvimento do trabalho de parto, faz-se necessário para o bem estar físico e emocional da mulher, o que favorece a redução dos riscos e complicações. Para tanto, o respeito ao direito da mulher a privacidade, a segurança e conforto, com uma assistência humana e de qualidade, aliado ao apoio familiar durante a parturição, transformam o nascimento num momento único 2 MOURA, Fernanda Maria de Jesus S. Pires et al. A humanização e a assistência de enfermagem ao parto normal. Rev. brasileira de. enfermagem. [online]. 2007, vol.60, n.4, pp. 452-455. 3 CASTRO, Jamile Claro de e CLAPIS, Maria José. Parto humanizado na percepção das enfermeiras obstétricas envolvidas com a assistência ao parto. Rev. Latino-Americana de Enfermagem [online]. 2005, vol.13, n.6, pp. 960-967 4 OLIVEIRA, Zuleyce Maria Lessa Pacheco de and MADEIRA, Anézia Moreira Faria. Vivenciando o parto humanizado: um estudo fenomenológico sob a ótica de adolescentes. Rev. escola de. enfermagem da USP [online]. 2002, vol.36, n.2, pp. 133-140. 5 DIAS, Marcos Augusto Bastos. Humanização da assistência ao parto: conceitos, lógicas e praticas no cotidiano de uma maternidade pública. Ciênc. saúde coletiva [online] 2006, vol.4, n.2,pp. 556-72. 6 MOURA, Fernanda Maria de Jesus S. Pires et al. A humanização e a assistência de enfermagem ao parto normal. Rev. brasileira de. enfermagem. [online]. 2007, vol.60, n.4, pp. 452-455. 7 e especial. O autor discorre ainda sobre a necessidade das parturientes receberem um cuidado no pré-parto e parto que lhes proporcione saúde, incluindo o conforto e bemestar durante o seu processo de parturição. O cuidado e o conforto estão intimamente ligados e são primordiais durante o trabalho de parto e parto. Cuidar é olhar, enxergando; ouvir, escutando; observar, percebendo; sentir, simpatizando com o outro, estando disponível para fazer com ou para o outro. A condição essencial para que ocorra o conforto é proporcionar um ambiente favorável, ou seja, um ambiente em que a pessoa seja cuidada e sinta que está sendo cuidada, permitindo assim o alívio da dor 7. O alívio total da dor não necessariamente implica em uma experiência de parto mais satisfatória. No entanto, se a mulher sentir-se cuidada e confortada esta experiência poderá ser menos traumática, até porque, atualmente, as mulheres não temem apenas a dor no parto, elas sentem medo em relação aos cuidados que receberão, uma vez que as experiências estão repletas de atendimento impessoal e distante 8. O grande desafio que se coloca, para todos os profissionais que prestam esta assistência, é o de minimizar o sofrimento das parturientes, tornando a vivência do trabalho de parto e o parto em experiências de crescimento e realização para a mulher e sua família. Portanto, torna-se necessária a presença do profissional de enfermagem junto a parturiente, a fim de oferecer suporte físico e emocional, principalmente, por meio do uso de novas técnicas9. Muitas são as estratégias que podem ser utilizadas para favorecer o momento do parto. O conforto físico pode ser aumentado pelo uso de técnicas como: ambiente aconchegante, massagens, uso da água para relaxamento, posturas variadas, música, métodos de respiração e práticas alternativas, que favoreçam o bom desenvolvimento do trabalho de parto e forneça conforto e segurança a mulher e seu bebê 10. 7 CARRARO, Telma Elisa et al. Cuidado e conforto durante o trabalho de parto e parto: na busca pela opinião das mulheres. Texto contexto - enfermagem [online]. 2006, vol.15, n.spe, pp. 97-104. 8 DIAS, Marcos Augusto Bastos. Humanização da assistência ao parto: conceitos, lógicas e praticas no cotidiano de uma maternidade pública. Ciênc. saúde coletiva [online] 2006, vol.4, n.2,pp. 556-72. 9 OLIVEIRA, Zuleyce Maria Lessa Pacheco de and MADEIRA, Anézia Moreira Faria. Vivenciando o parto humanizado: um estudo fenomenológico sob a ótica de adolescentes. Rev. escola de. enfermagem da USP [online]. 2002, vol.36, n.2, pp. 133-140. 10 CASTRO, Jamile Claro de e CLAPIS, Maria José. Parto humanizado na percepção das enfermeiras obstétricas envolvidas com a assistência ao parto. Rev. Latino-Americana de Enfermagem [online]. 2005, vol.13, n.6, pp. 960-967. 8 Castro e Clapis (2005) ressaltam, ainda, que o uso de práticas como deambulação da parturiente, presença do acompanhante, oferta de líquidos durante o trabalho de parto, restrição do uso rotineiro de ocitocina e episiotomia e o estímulo ao parto vertical, podem ser desenvolvidas pela equipe de enfermagem. A grande barreira encontrada pela equipe para a implementação destas práticas são, na maior parte das vezes, o número deficiente de recursos humanos disponíveis e a dificuldade de flexibilização das rotinas pré-estabelecidas pela instituição. A presença do acompanhante proporciona bem estar físico e emocional a mulher e favorece uma boa evolução no período gravídico puerperal. O acompanhante passa segurança durante todo o processo parturitivo, o que pode diminuir as complicações na gestação, parto e puerpério, a utilização de analgesia, ocitocina, partos cesáreos e o tempo de hospitalização do binômio, mãe e filho11. Existem ainda acompanhante especificamente treinada para o acompanhamento do trabalho de parto, chamada Doula, que são na maioria das vezes voluntárias. A presença da Doula é relacionada em alguns estudos com menor dor, menor necessidade de analgesia, menor taxa de partos operatórios e maior satisfação com o parto. Estas presenças podem ser consideradas confortantes e cuidativas 12. É importante ressaltar que, apesar de identificarem a importância do acompanhante, colocam-se moldadas por uma norma institucional pré-estabelecida que determina as situações na qual o acompanhante é permitido, o que parece estar em desacordo com o que determina a legislação. A mulher tem direito, por lei, a ter um acompanhante, não cabendo ao profissional decidir quem é o acompanhante ideal e muito menos as condições que justifiquem a presença do mesmo. Além de que já existem vários trabalhos mostrando a importância do acompanhante na prevenção da ocorrência de problemas e intervenções13. Contudo, torna-se importante que os profissionais de saúde estejam sensibilizados quanto à relevância da presença do acompanhante para parturiente no decorrer do trabalho de parto, como também precisam estar preparados para executarem 11 MOURA, Fernanda Maria de Jesus S. Pires et al. A humanização e a assistência de enfermagem ao parto normal. Rev. brasileira de. enfermagem. [online]. 2007, vol.60, n.4, pp. 452-455. 12 DIAS, Marcos Augusto Bastos. Humanização da assistência ao parto: conceitos, lógicas e praticas no cotidiano de uma maternidade pública. Ciênc. saúde coletiva [online] 2006, vol.4, n.2,pp. 556-72. 13 CASTRO, Jamile Claro de e CLAPIS, Maria José. Parto humanizado na percepção das enfermeiras obstétricas envolvidas com a assistência ao parto. Rev. Latino-Americana de Enfermagem [online]. 2005, vol.13, n.6, pp. 960-967. 9 suas atividades junto ao acompanhante e parturiente, informando-os sobre a evolução e condutas a serem realizadas durante o processo de nascimento 14. Algumas pesquisas revelam que as puérperas relatam que a atenção da equipe, o tratamento, o atendimento, a alegria, a segurança, o conforto e o cuidado são positivos para seu bem-estar na situação vivenciada. Estes dados reforçam que ao proporcionar conforto e bem-estar à mulher no trabalho de parto e parto, a equipe de enfermagem auxilia a vivência deste período ao mesmo tempo em que potencializa seu poder vital5. Um fator a ser considerado neste contexto é que, quanto mais cresce o nível de complexidade das ações, por exigir atuação interdisciplinar e intersetorial articulada, torna-se mais difícil a realização destas ações pela insuficiência em número e capacitação de pessoal15. Para tanto, é necessária a aquisição de profissionais qualificados e comprometidos de forma pessoal e profissional, que recebam a mulher com respeito, ética e dignidade, além de serem incentivadas a exercerem a sua autonomia no resgate do papel ativo da mulher no processo parturitivo, como também serem protagonistas de suas vidas e repudiarem qualquer tipo de discriminação e violência, que possam comprometer os direitos de mulher e cidadã. São atitudes simples, mas eficazes que podem influenciar positivamente a realidade da assistência da mãe e seu concepto16 . É indispensável que a equipe da atenção obstétrica seja capacitada e sensibilizada a trabalhar em conjunto e superar conflitos, a fim de que sejam respeitadas as necessidades das mulheres acolhidas no serviço. O que se espera é que a Enfermagem – ciência e arte do cuidar – por estar constantemente próxima da mulher no período de parturição, cuide e conforte-a, para que ela viva este momento de forma saudável e condizente com sua magnitude17. Tanto a equipe de saúde quanto a instituição, devem se preocupar com as necessidades da cliente como principio primordial da assistência de enfermagem, oferecendo condições que, muitas vezes, são representadas por recursos humanos qualificado, por material e equipamentos e pela própria estrutura física do local. 14 PEREIRA, Adriana Lenho de Figueiredo et al. Pesquisa acadêmica sobre humanização do parto no Brasil: tendências e contribuições. Acta paulista de enfermagem [online]. 2007, vol.20, n.2, pp. 205-215. 15 MOURA, Fernanda Maria de Jesus S. Pires et al. A humanização e a assistência de enfermagem ao parto normal. Rev. brasileira de. enfermagem. [online]. 2007, vol.60, n.4, pp. 452-455. 16 MOURA, Fernanda Maria de Jesus S. Pires et al. A humanização e a assistência de enfermagem ao parto normal. Rev. brasileira de. enfermagem. [online]. 2007, vol.60, n.4, pp. 452-455. 17 CARRARO, Telma Elisa et al. Cuidado e conforto durante o trabalho de parto e parto: na busca pela opinião das mulheres. Texto contexto - enfermagem [online]. 2006, vol.15, n.spe, pp. 97-104 10 Através da minha experiência profissional pude perceber que o momento do parto é uma enorme e única experiência para as mulheres. A maternidade ganha um significado diferente para mulheres que buscam viver esse momento a fundo. Sem temer uma das sensações mais mitificadas da humanidade, a dor do parto, elas querem vivenciar o nascimento dos filhos de uma forma natural e sem intervenções invasivas. O direito de serem donas do próprio parto muitas vezes é desrespeitado pelos profissionais de saúde e contestado por familiares. ALGUNS PROCEDIMENTOS TEÓRICO-METODOLÓGICOS: Este trabalho justifica-se na necessidade de sensibilização da equipe de enfermagem, quanto ao parto humanizado e a importância deste para a melhoria da assistência à mulher e ao recém-nascido. Uma vez que, é possível identificar déficits na assistência prestada às clientes, bem como a falta de compreensão da equipe da real importância e papel do acompanhante para a parturiente. Além, dos dados epidemiológicos já apresentados nesta introdução. OBJETIVOS O objetivo geral deste trabalho foi permitir um espaço de reflexão à equipe de enfermagem de uma maternidade acerca da humanização do trabalho de parto por meio de um vídeo educativo, além de avaliar a percepção da equipe com relação a humanização da assistência antes e após a implementação deste vídeo. Uma vez que o mesmo contribuiu para a efetivação de um dos pontos fundamentais da Política Nacional para as Mulheres, ou seja, permitiu a estas o direito de autonomia, poder de decisão sobre suas vidas e corpos num momento especial de suas vidas (parto). OBJETIVOS ESPECÍFICOS: - Investigou o significado do termo humanização para a equipe de enfermagem. - Investigou a percepção das técnicas e auxiliares de enfermagem acerca da assistência humanizada ao parto. 11 - Discutiu as práticas de assistência e as estratégias adotadas na unidade referentes a humanização do parto. - Sensibilizou a equipe quanto alguns aspectos específicos da gestação, uma vez que o conhecimento destes são necessários à uma assistência humanizada. METODOLOGIA Delineamento: Trabalho descritivo, que teve como proposta metodológica a pesquisa na linha qualitativa, esta é uma abordagem que se aprofunda no mundo dos significados das ações e relações humanas, um lado não perceptível e não captável em equações, médias e estatísticas18. Local de estudo: O estudo foi realizado na maternidade do Hospital São Vicente de Paulo, Instituição Filantrópica, localizado na cidade de Araçuaí -MG, cujo objetivo social é a atenção à gestante, mantendo, para isso, atendimento às gestantes, provenientes da cidade e região, inclusive gestantes do distrito de Lelivéldia no qual atuo como enfermeira da atenção básica . A maternidade conta com um total de 20 leitos e atente uma média de 1.320 partos por ano. Trata-se de um hospital conveniado ao SUS, de um município cadastrado no Programa de Humanização do Pré-Natal e Nascimento, que está envolvido com o movimento e incentivo ao parto humanizado. Nesta maternidade, já estão institucionalizadas algumas rotinas e adaptações que fazem parte do ideário da humanização, como alojamento conjunto, estímulo ao aleitamento materno e um programa de Doulas. Sujeitos do estudo Foram envolvidas no estudo as técnicas e auxiliares de enfermagem que trabalham na maternidade do Hospital São Vicente de Paulo e que realizam assistência direta ao parto. Critérios de Inclusão: 18 M i n a y o M C S. O d e s a f i o d o c o n h e c i m e n t o : p e s q u i s a qualitativa. 7ª ed. São Paulo (SP): Hucitec/Abrasco; 2000. 12 Ser componente da equipe de enfermagem (Técnico de Enfermagem ou Auxiliar de Enfermagem) da Maternidade do Hospital São Vicente de Paulo e aceitar participar do projeto, a partir da assinatura de um termo de consentimento livre e esclarecido. Critérios de exclusão: Recusar a participação na oficina e/ou não assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido. Desenvolvimento da pesquisa: A proposta de estudo foi apresentada à Direção da maternidade com o objetivo de solicitar a autorização para sua realização. Após a autorização assinada, o próximo passo foi buscar, junto à instituição, a aproximação com as pessoas com o objetivo de identificar os sujeitos a serem entrevistados. Assim, foi realizada a aplicação de um questionário de perguntas aos sujeitos participantes da pesquisa durante o mês de março de 2012. Seguindo os princípios éticos de pesquisa, os sujeitos, após o conhecimento da pesquisa, assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. A segunda etapa consistiu na apresentação, aos sujeitos inclusos na pesquisa, de um recurso didático – vídeo educativo, o qual o tema central é a humanização da assistência ao parto, juntamente com um material escrito (apostila) para a complementação do material áudio visual. Após a apresentação do material houve um momento de discussão e entrega do material apresentado a todos os participantes. Concluída a 2° etapa, a terceira etapa se deu a partir da aplicação de um segundo questionário de perguntas aos sujeitos participantes. Podendo assim ser realizada a análise e avaliação do estudo. Duração da coleta de dados: Do mês de março ao mês de abril de 2012. Coleta de dados: Deu-se por meio da aplicação de questionários de perguntas sobre humanização do trabalho de parto, que foram aplicados aos sujeitos participantes da pesquisa. Análise dos Dados: 13 Consistiu na análise e comparação das respostas obtidas através dos questionários de perguntas que foram aplicados antes e após a apresentação e distribuição do DVD educativo e apostila complementar, podendo-se assim comparar as respostas obtidas, além da análise da equipe de enfermagem durante a coleta de dados. Orçamento com fontes de recurso: O projeto não teve financiamento de nenhuma instituição, advindo o recurso dos próprios pesquisadores. CAPITULO I HUMANIZAÇÃO “Tornar humano; dar condição humana a; humanar. Tornar benévolo, afável, tratável; humanar. Fazer adquirir hábitos sociais polidos; civilizar. Amansar (animais).Tornar-se humano; humanar-se”19. Esta é a definição da palavra humanizar de acordo com o dicionário Aurélio (2000). Estes sinônimos embora instigantes, não conseguem englobar todos os significados atribuídos a esta palavra, quando ela é utilizada para qualificar uma assistência prestada por profissionais de saúde. Ao longo dos últimos anos, o termo humanização tem sido utilizado com freqüência cada vez maior quando se fala em assistência à saúde. A humanização que ainda não tem conceito consolidado é geralmente utilizada para designar uma forma de cuidar mais atenta, tanto para os direitos de cidadania, quanto para as questões subjetivas estabelecidas entre profissionais e pacientes, visando uma modificação de cultura do atendimento. O movimento pela humanização do parto no Brasil foi impulsionado por experiências em vários Estados. Na década de 1970, surgem profissionais dissidentes, inspirados por práticas tradicionais de parteiras e índios, como Galba de Araújo no 19 Buarque de Holanda Ferreira, Aurélio - Dicionário da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2000. 14 Ceará e Moisés Paciornick (1979) no Paraná, além do Hospital Pio X em Goiás, e de grupos de terapias alternativas como a Yoga, com o Instituto Aurora no Rio 20. Segundo Griboski e Guilhem (2006) na área da assistência a saúde da mulher, este desejo de mudança na qualidade e na humanização do atendimento era manifestado, desde a década de 80, pelo movimento feminista com a reivindicação pela “humanização da assistência à gravidez e ao parto”, e com o questionamento ao modelo médico que tratava o parto como um “evento patológico e arriscado, que utiliza tecnologia agressiva, invasiva e potencialmente perigosa”. É desta época o Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher - PAISM 21 , primeira política pública do ministério da saúde que aponta para a questão da humanização da assistência ao parto. Diniz (2005) discorre sobre a fundação, em 1993, da Rede pela Humanização do Parto e do Nascimento – Rehuna22, que atualmente congrega centenas de participantes, entre indivíduos e instituições. A Rehuna no Brasil há uma forte participação dos movimentos de mulheres e feminista 23 , assim como no movimento internacional 24 . Ainda segundo Diniz (2005) outro marco em termos de políticas públicas foram a criação do Prêmio Galba Araújo para Maternidades Humanizadas, em 1998, e a proposição das Casas de Parto. Os critérios para a concessão do prêmio são baseados na adesão às recomendações da OMS, tais como a presença de acompanhantes no préparto, parto e pós-parto, a assistência aos partos de baixo risco por enfermeiras, e controle das taxas de cesárea. Nas últimas décadas se fortalece a necessidade de mudanças na maneira como se processam os cuidados e a assistência à saúde. Serruya, Lago e Cecatti (2004) criticam a maneira como a apropriação de tecnologia pela medicina interferiu na relação entre profissionais e clientes. Os autores afirmam que como respostas a estas demandas e ainda com a intenção de orientar os rumos da assistência na busca da construção de uma Política Nacional de qualificação 20 DINIZ, Carmen Simone Grilo. Humanização da assistência ao parto no Brasil: os muitos sentidos de um movimento. Ciênc. saúde coletiva [online]. 2005, vol.10, n.3, pp. 627-637. 21 BRASIL, MINISTÉRIO DA SAÚDE. Programa de Atenção Integral à Saúde da Mulher (PAISM), 1983. Disponível em: http://conselho.saude.gov.br/ultimas_noticias/2007/politica_mulher.pdf. [Acessado em: 17 de maio de 2012 ]. 22 BRASIL, MINISTERIO DA SAÚDE. Rede pela Humanização do Parto e do Nascimento – Rehuna, 1993. Disponível em: http://www.rehuna.org.br/index.php/quem-somos. [Acessado em: 19 de maio de 2012 ]. 23 Diniz CSG 2001. Entre a técnica e os direitos humanos: possibilidades e limites das propostas de humanização no parto. Tese de doutorado. Faculdade de Medicina/USP, São Paulo.Goer H. Humanizing birth: a global grassroots movement. Birth31(4):308-314, 2004. 24 Boston Women’s Health Book Collective(BWHBC) 1998. The New Ourbodies, Ourselves. Touchstone Simon and Schuster, Nova York. 15 da atenção ao parto25, temos entre outros exemplos o lançamento pelo Ministério da Saúde (MS) dos projetos Maternidade Segura, Humanização do Pré-Natal e Nascimento (BRASIL, 2000), e em 2000, o Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar (PNHAH), e o Programa de Humanização no Pré-natal e Nascimento (PHPN)26. Os primeiros projetos abordavam mais aspectos relacionados ao cuidado médico do ponto de vista de qualidade técnica da assistência e os aspectos psicossociais das mulheres em trabalho de parto. Os últimos envolvem não apenas a satisfação dos usuários, mas também aspectos relacionados às condições de trabalho, e a satisfação dos próprios profissionais 27. O projeto de Casas de Parto, após um início promissor, encontra limites e resistências principalmente dos médicos. Estas iniciativas inauguraram um processo mais amplo de humanização dos serviços conduzido pelo Ministério da Saúde, como o PHPN e o de Programa de Humanização de Hospitais, lançados em maio e junho de 2000, com objetivo de abranger centenas de instituições 28. O PHPN foi instituído pelo MS, através da Portaria/GM nº 569, de 01/06/2000, tendo como base a análise das necessidades de atenção específica à gestante, ao recémnascido e à mulher no período pós-parto. O objetivo do PHPN é assegurar a melhoria de acesso, da cobertura e da qualidade do acompanhamento pré-natal, da assistência ao parto e puerpério, às gestantes e ao recém-nascido, por meio do Sistema Único de Saúde SUS 29. O PHPN estabelece os princípios da atenção que devem ser prestados e exorta estados, municípios e serviços de saúde a cumprirem seu papel, propiciando a cada 25 SERRUYA, Suzanne Jacob; LAGO, Tânia Di Giácomo and CECATTI, José Guilherme. O panorama da atenção pré-natal no Brasil e o Programa de Humanização do Pré-natal e Nascimento. Rev. Brasileira de Saúde Materno Infantil [online]. 2004, vol.4, n.3, pp. 269-279. 26 BRASIL, MINISTÉRIO DA SAÚDE. Programa de Humanização no Pré-Natal e Nascimento - PHPN, 2000. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/parto.pdf. [Acessado em: 04 de maio de 2012 ] 27 CARRARO, Telma Elisa et al. Cuidado e conforto durante o trabalho de parto e parto: na busca pela opinião das mulheres. Texto contexto - enfermagem [online]. 2006, vol.15, n.spe, pp. 97-104 28 OLIVEIRA, Zuleyce Maria Lessa Pacheco de and MADEIRA, Anézia Moreira Faria. Vivenciando o parto humanizado: um estudo fenomenológico sob a ótica de adolescentes. Rev. escola de. enfermagem da USP [online]. 2002, vol.36, n.2, pp. 133-140. 29 Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticos de Saúde. Área Técnica de Saúde da Mulher. Parto, aborto e puerpério: assistência humanizada à mulher/Ministério da Saúde, Secretaria de Políticas de Saúde, Área Técnica da Mulher. – Brasília: Ministério da Saúde, 2001. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cd04_13.pdf. [Acessado em: 23 de maio de 2012] . 16 mulher o direito de cidadania mais elementar, dar à luz, recebendo uma assistência humanizada e de boa qualidade. Abaixo alguns princípios do programa30. • toda gestante tem direito ao acesso a atendimento digno e de qualidade no decorrer da gestação, parto e puerpério; • toda gestante tem direito ao acompanhamento pré-natal adequado de acordo com os princípios gerais e condições estabelecidas no Anexo I desta Portaria; • toda gestante tem direito de saber e ter assegurado o acesso à maternidade em que será atendida no momento do parto; • toda gestante tem direito à assistência ao parto e ao puerpério e que esta seja realizada de forma humanizada e segura, de acordo com os princípios gerais e condições estabelecidas no Anexo II desta Portaria; • todo recém-nascido tem direito à adequada assistência neonatal; • as autoridades sanitárias dos âmbitos federal, estadual e municipal são responsáveis pela garantia dos direitos enunciados nas alíneas acima. O PHPN tem por objetivo concentrar esforços no sentido de reduzir as altas taxas de morbidade e mortalidade materna e perinatal; adotar medidas que assegurem a melhoria do acesso, da cobertura e da qualidade do acompanhamento pré-natal, da assistência ao parto, puerpério e neonatal; e ampliar as ações já adotadas pelo Ministério da Saúde na área de atenção à gestante, como os investimentos nas redes estaduais de assistência à gestação de alto risco, o incremento do custeio de procedimentos específicos e outras ações, como o Projeto de Capacitação de Parteiras Tradicionais, do financiamento de cursos de especialização em enfermagem obstetrícia e a realização de investimentos nas unidades hospitalares integrantes destas redes31. A percepção pelos próprios profissionais de saúde do que seria um atendimento humanizado é fortemente influenciada por aspectos individuais, profissionais, de raça, classe social, cultura, político, dentre outros. O que para profissionais de saúde pode ser 30 BRASIL, MINISTÉRIO DA SAÚDE. Programa de Humanização no Pré-Natal e Nascimento - PHPN, 2000. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/parto.pdf. [Acessado em: 04 de maio de 2012 ]. 31 BRASIL, MINISTÉRIO DA SAÚDE. Programa de Humanização no Pré-Natal e Nascimento - PHPN, 2000. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/parto.pdf. [Acessado em: 04 de maio de 2012 ] 17 considerado como mais importante para a saúde pode também variar de acordo com estes aspectos 32. A atenção oferecida pela equipe de saúde durante o trabalho de parto é um importante fator relacionado a satisfação da mulher com relação ao atendimento recebido. Quando um membro da equipe faz um vínculo com a parturiente ela se sente acolhida e cuidada. Sendo assim, humanizar é promover assistência de qualidade, ou seja, ter atitude de respeito à dignidade e natureza humana, e se preocupar com a essência, singularidade, totalidade e subjetividade do ser humano, é compreender a experiência que já foi vivenciada pela outra pessoa e propiciar, estimular e permitir a participação ativa da mulher no momento do parto. Oliveira et al. (2008) ressalta que as propostas de humanização do parto, no SUS como no setor privado, têm o mérito de criar novas possibilidades de imaginação e de exercício de direitos, de viver a maternidade, a sexualidade, a paternidade, e a vida corporal. A humanização da assistência hospitalar se sustenta em grande parte no compromisso pessoal, motivação profissional, espírito de cidadania e disponibilidade dos profissionais para o trabalho em equipe, ou seja, a humanização estaria mais na dependência de fatores pessoais e coletivos como disponibilidade, sensibilidade, qualificação, trabalho em equipe e compromisso do grupo do que as condições materiais ou administrativas 33. CAPITULO II ANALISE DOS DADOS O estudo foi realizado na maternidade do Hospital São Vicente de Paulo, Instituição Filantrópica, localizado no município de Araçuaí -MG. Foram envolvidas no estudo 15 profissionais entre técnicas e auxiliares de enfermagem que trabalham na 32 GRIBOSKI, Rejane Antonello; GUILHEM, Dirce. Mulheres e profissionais de saúde: o imaginário cultural na humanização ao parto e nascimento. Texto contexto - enfermagem [online]. 2006, vol.15, n.1, pp. 107-114. 33 DIAS, Marcos Augusto Bastos. Humanização da assistência ao parto: conceitos, lógicas e praticas no cotidiano de uma maternidade pública. Ciênc. saúde coletiva [online] 2006, vol.4, n.2,pp. 556-72. 18 maternidade do Hospital e que realizam assistência direta às mulheres em trabalho de parto. A proposta de estudo foi apresentada à direção da maternidade sendo autorizada pela mesma. Após autorização foi realizada a aplicação de um questionário de perguntas aos sujeitos participantes da pesquisa. Tendo os mesmos assinado um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. A segunda etapa consistiu na apresentação, aos sujeitos inclusos na pesquisa, de um recurso didático – vídeo educativo, o qual o tema central é a humanização da assistência ao parto, juntamente com um material escrito (apostila) para a complementação do material áudio visual. Após a apresentação do material houve um momento de discussão e avaliação do projeto. Concluída a segunda etapa, a terceira etapa se deu a partir da aplicação de um segundo questionário de perguntas aos sujeitos participantes. Podendo assim ser realizada a seguinte análise e avaliação do estudo. A análise dos depoimentos buscou distinguir nas mensagens seus conteúdos latentes e manifestos, interpretando seus significados, articulando de forma hermenêutica, o conteúdo social da produção destes relatos34. Nas entrevistas foram categorizadas os temas centrais tais como sentidos do termo humanização, conhecimento sobre humanização, elementos que dificultam ou favorecem sua implementação, a dinâmica do processo de trabalho e sua interferência na assistência ao parto. A equipe de enfermagem da maternidade cuja pesquisa foi desenvolvida é composta em sua totalidade por profissionais do sexo feminino. Como ressalta Oliveira (2008), os recursos humanos dispensados as maternidades são geralmente do sexo feminino, uma vez que, proporciona às mulheres mais conforto e tranqüilidade. O tempo de serviço na maternidade tem influência acerca do tema proposto uma vez que os profissionais mais antigos apresentam conhecimento mais deficiente acerca do tema, refletindo isto na assistência prestada às gestantes. Fato este, que pode ser percebido nas respostas obtidas das duas funcionárias mais antigas da maternidade ao responderem a pergunta sobre o significado do termo humanização: “É um atendimento promovendo bem estar e conforto” (entrevista n°6). 34 TOMPSON, J.B. Ideologia e Cultura Moderna: teoria social critica na era dos meios de comunicação em massa. Petrópolis;Vozes, 1998. 19 “É saber tratar o paciente” (entrevista n°12). Ou quando perguntadas sobre como acham que deve ser um parto humanizado: “É um parto natural” (entrevista 6). “É o parto normal sem pique ou clister” (entrevista n° 12). Os recursos humanos dos serviços de saúde precisam ser constantemente reciclados. A capacitação das equipes de saúde deve se dar de forma permanente. Uma vez que, a falta de atualização dos profissionais influi diretamente na assistência prestada a clientela2. A partir da análise dos questionários pode se perceber que o conhecimento das entrevistadas acerca do termo humanização é escasso. Assim, dois grupos foram categorizados. Aquele no qual as entrevistadas referem o termo humanização como o conjunto de ações necessárias para atender a paciente com qualidade, empatia e respeito as crenças, culturas e diversidade de opiniões. “Acolher o paciente com o respeito que ele merece respeitando o limite de cada um, sendo amigo antes de ser profissional” (entrevistado 3). “É um atendimento promovendo bem estar e conforto” (entrevistado 6). “(...) É respeitar a singularidade de cada um (...)” (entrevistado 7). “Atender com qualidade (...) mas para isso deve ter estrutura e equipamentos...” (entrevistado 13). E aquele cujas entrevistadas discorrem sobre o fato de colocar-se no lugar da paciente, ou mesmo, enxergá-la como alguém da família. Como demonstram as falas: “É cuidar do outro como se fosse um dos seus” (entrevistado 2) “(...) Pensar como se fosse você que estivesse naquela situação (...)” (entrevistado 6). “(...) Será que se fosse você nesta situação você ia querer ou não certo procedimento?” (entrevistado 8). Algumas das entrevistadas referem que as mulheres por terem vivido tal experiência sabem ser cuidadoras e conhecem as necessidades das mulheres em trabalho de parto. Na entrevista de número 5 e 8 as profissionais apontam: 20 “Nós mulheres, principalmente, as que já tiveram filhos sabemos como tratar as outras mulheres neste momento (...) então sabemos como direcionar um parto humanizado” (entrevistado 5). “É saber o que a mulher precisa naquele momento e oferecer a ela (...) podemos não saber como vocês querem que seja, mas sabemos como as mulheres querem (...)” (entrevistado 8). Das técnicas e condutas adotadas pela instituição a única observada e considerada pela equipe, em geral, como humanizadora é a presença do acompanhante. Os hospitais e maternidades encontram-se em processo de adaptação da estrutura física e recursos materiais para acolher de forma adequada os acompanhantes, uma vez que, a presença deste é regulamentada por lei35. “Nesta maternidade a única forma de humanização é a presença do acompanhante que algumas mulheres têm.” (entrevista n° 1) “Acho que ter um acompanhante é humanização já que é lei (...)” (entrevista n° 4). “No hospital precisa de muita coisa para humanizar (...) mas já esta começando, pois cada vez mais mulheres têm acompanhantes”(entrevista n° 9). Outras não observam nenhuma ação humanizadora desenvolvida pela instituição e ainda consideram a humanização uma utopia. “Essa humanização não existe aqui neste hospital (...) acho que vou aposentar sem ver isso acontecer por aqui” (entrevista n° 2) “Eu não observo ações humanizadoras aqui no setor e acho que é muito difícil desenvolver isso, está fora do nosso alcance” (entrevista n° 11). Vale ressaltar, que mesmo comprovado por evidências, a assistência humanizada ao parto, é geradora de resistências entre profissionais da área da saúde 2. Os hospitais públicos do Brasil têm buscado oferecer uma assistência humanizada ao parto e, muitos têm conseguido. Isto prova que a humanização não é uma utopia como muitos acreditam36. 35 CASTRO, Jamile Claro de e CLAPIS, Maria José. Parto humanizado na percepção das enfermeiras obstétricas envolvidas com a assistência ao parto. Rev. Latino-Americana de Enfermagem [online]. 2005, vol.13, n.6, pp. 960-967. 21 Algumas ações humanizadoras já desenvolvidas pela instituição como alojamento conjunto e incentivo ao aleitamento materno precoce não foram citadas pelas funcionárias da equipe, podendo-se inferir, portanto, que há um déficit de conhecimento por parte das mesmas com relação ao que seriam condutas e técnicas relacionadas ao processo de humanização. Com relação às dificuldades enfrentadas pela equipe para a implementação de ações relacionadas com o processo de humanização, pode-se destacar a presença do acompanhante, a falta de acompanhamento psicológico, e a deficiência de recursos humanos, materiais e físicos. Na entrevista nº10 a profissional relata “Dizem que a presença do acompanhante é humanização, então eles devem ser humanizados primeiros para depois serem acompanhantes”. Na entrevista de nº 4 o relato da profissional é que “(...) tem acompanhante que só atrapalha, eles não ajudam a paciente e ainda atrapalham nosso serviço”. Já na entrevista n° 14 a profissional ressalta “(...) tem muitos acompanhantes que ficam mais nervosos que a própria mulher (...) então eles são com certeza uma barreira para nossa atuação”. Para as profissionais entrevistadas a presença do acompanhante parece ser mais um problema a ser administrado do que um benefício para a evolução do trabalho de parto da mulher. Como em geral vetam ou não informam ao acompanhante a possibilidade de sua presença, algumas vezes estes são dispensados pela recepção e orientados a telefonar mais tarde para saberem noticias do RN e puérpera. A violência nos serviços de saúde pode ser explicada porque estas são instituições que funcionam com as portas abertas sendo acessíveis a qualquer pessoa. Ao mesmo tempo, não possuem os mecanismos de controle e dissuasão que os serviços policiais. Acrescenta-se ainda o fato de que lidam com situações que são muitas vezes envolvidas em um clima emocional intenso e muita tensão que podem desencadear reações violentas. Em algumas das entrevistas pode-se perceber que a violência verbal demonstradas por alguns acompanhantes são um dos motivos pelo quais as profissionais 36 MACHADO, Nilce Xavier de Souza; PRACA, Neide de Souza. Centro de parto normal e a assistência obstétrica centrada nas necessidades da parturiente. Rev. Escola de Enfermagem da USP [online]. 2006, vol.40, n.2, pp. 274-279. 22 não concordam com a presença do acompanhante nas maternidades no trabalho de parto e parto37. A postura dos profissionais de recusar ou dificultar o acesso dos acompanhantes ignora as vantagens demonstradas cientificamente que esta presença traz para a parturiente38. Cabe, portanto, à direção da maternidade, redimensionar o espaço físico e a abordagem da equipe no sentido de potencializar a presença do acompanhante. Com relação ao atendimento psicológico que já é desenvolvido na instituição algumas entrevistadas ressaltam: “As orientações dadas pela psicóloga é uma conduta humanizadora, porém esta deveria disponibilizar mais tempo para a maternidade” (entrevista n° 8). “(...) existem problemas que só uma psicóloga poderia resolver ou amenizar” (entrevista n° 1). Outra profissional destacou além da falta do atendimento psicológico a deficiência de orientações e condutas da enfermeira. “O que dificulta a implementação da humanização neste setor é a falta de orientação tanto da enfermeira quanto da psicóloga, elas deveriam desenvolver um trabalho mais eficaz na maternidade” (entrevista n° 9). As gestantes devem ter à sua disposição orientações e informações que as auxiliem no trabalho de parto, parto e puepério. Uma equipe multi e interdisciplinar composta por médico, enfermeiro, psicólogo, nutricionista, assistente social, fisioterapeuta, e odontólogo, faz-se necessário para suprir as necessidades e expectativas das parturientes 39. Foi citado ainda pelas profissionais como dificuldades enfrentadas pela equipe para o desenvolvimento do processo de humanização da assistência ao parto, o número deficiente de recursos humanos, materiais e físicos disponíveis no setor. O quantitativo de pessoal é considerado uma grande dificuldade de melhoria das condições de trabalho. Ao se diminuir a quantidade de tarefas que cada funcionário tem 37 BISCAIA, A. A saúde um setor particularmente vunerável à violência. Rev. brasileira de enfermagem [online].2004,vol.43,n. 3. 38 HOFMEYER,G.J. Evidence-based intrapartum care. Best Practice & Research Clinical Obstetrics & Gynaecology. Feb;19(1):103-15, 2005.104-1169. 39 DIAS, Marcos Augusto Bastos. Humanização da assistência ao parto: conceitos, lógicas e praticas no cotidiano de uma maternidade pública. Ciência e saúde coletiva [online] 2006, vol.4, n.2,pp. 556-72. 23 para executar, poderia disponibilizar à equipe mais tempo para as parturientes, e consequentemente uma melhoria na qualidade da assistência 20 . As profissionais do setor referem este problema como dificuldade enfrentada pela equipe. “Para desenvolver esta humanização é necessário que contratem mais funcionários, assim podemos dar mais atenção as pacientes” (entrevista n° 11). “Necessita de mais profissionais neste setor para darmos conta de todas as tarefas desenvolvidas” (entrevista n° 7 ). “(...) a contratação de mais profissionais para o setor resolveria muitos dos problemas” (entrevista n° 2). A sobrecarga de trabalho parece interferir muito na possibilidade de humanização. O aumento do quantitativo de recursos humanos não é, entretanto a condição suficiente para alguns profissionais 40. A falta de espaço físico e de mobiliário hospitalar é considerada uma das principais fontes desumanizadoras na assistência à saúde 41 . Como ressalta a profissional entrevistada: “(...) não tem como todas as gestantes terem acompanhante pois não tem lugar para eles dormirem (...) a cadeira que eles usam deveria servir para a gestante amamentar” (entrevista n° 10). A análise dos diversos espaços de atendimento percorridos pela mulher na maternidade faz-se necessária neste contexto. Esta foi realizada a partir da articulação das observações realizadas em cada um dos diferentes locais, com os relatos das entrevistas e também com as falas dos profissionais, entrevistados ou não, mas que tiveram presentes nos diversos momentos do trabalho de campo. As condições de estrutura física e limpeza do ambiente das maternidades e hospitais devem ser adequadas e amplas. Oferecendo a equipe excelentes condições de trabalho e relacionamento interpessoal da equipe. Estes fatores são de fundamental importância para a prestação de uma assistência de qualidade 42. 40 OLIVEIRA, Maria Inês Couto de; DIAS, Marcos Augusto Bastos; CUNHA, Cynthia B; LEAL, Maria do Carmo. Qualidade da assistência ao trabalho de parto pelo Sistema Único de Saúde, Rio de Janeiro (RJ), 1999-2001. Rev. Saúde Pública [online]. 2008, vol.42, n.5, pp. 895-902. 41 DINIZ, Carmen Simone Grilo. Humanização da assistência ao parto no Brasil: os muitos sentidos de um movimento. Ciênc. saúde coletiva [online]. 2005, vol.10, n.3, pp. 627-637. 42 TORNQUIST, Carmen Susana. Paradoxos da humanização em uma maternidade no Brasil. Caderno de Saúde Pública [online]. 2003, vol.19, suppl.2, pp. S419-S427. 24 No hospital em estudo o espaço físico na recepção para a espera das mulheres e seus acompanhantes apesar de ser adequado, deve ser organizado quanto as informações visuais, a informações formal sobre os direitos das mulheres e sobre o atendimento prestado na unidade devem estar clara e visível. A recepção apresenta ótimas condições de trabalho, porém o atendimento dos profissionais com as gestantes e seus acompanhantes deve ser mais acolhedor, havendo necessidade para tanto de presteza na prestação de serviços, além de melhoria na qualidade das informações prestadas. Como se pode observar em uma das respostas obtidas. “A humanização tem que começar da recepção, pois como elas atendem mal acabam atrapalhando nosso serviço (...)” (entrevista n° 2). A sala de admissão deve ser adaptada quanto a permanência dos acompanhantes durante a realização do exame na mulher. As enfermarias também devem ser adequadas para a permanência das mulheres, seus bebês e acompanhantes/visitantes. Presença de informação visual nas enfermarias, pré-parto e sala de admissão contendo as rotinas hospitalares e sua aplicação, direitos e deveres dos acompanhantes, e da parturiente. O relacionamento dos profissionais de saúde com as mulheres e seus acompanhantes deve ser melhorado. O centro obstétrico e sala de parto devem ser adaptados com relação à assistência humanizada. O ambiente pré-parto apresenta possibilidade de deambulação e banho, contudo o mesmo não oferece condições para a permanência do acompanhante devendo ser adaptado para tal. A coordenação deve se organizar para oferecerem aos profissionais da equipe crachás de identificação. A qualidade das informações oferecidas tanto pelos médicos, quanto pela equipe de enfermagem sobre diagnóstico, tratamento, pós atendimento e educação em saúde necessitam ser avaliadas. O projeto obteve uma avaliação positiva, uma vez que, pode-se observar uma melhoria na qualidade das respostas obtidas através da aplicação dos questionários, fato que pode ser percebido ao se comparar as respostas obtidas no primeiro questionário com do questionário respondido após a capacitação implementada pelo projeto. “É um atendimento promovendo bem estar e conforto” (entrevistada 6). 25 “É acolher a mulher de forma digna e amorosa, respeitando os seus direitos, dando condições para ela ter o seu bebê de parto normal, com conforto, menos dor e presença de um acompanhante que ajude ela neste momento” (entrevistada 6). “Acolher o paciente com o respeito que ele merece respeitando o limite de cada um, sendo amigo antes de ser profissional” ( entrevista n° 3). “Um atendimento humanizado deve começar no pré-natal da mulher com um preparo da mãe e da família. A mulher deve ser acolhida na maternidade de maneira que todos as suas necessidades sejam atendidas, pois este é um momento inesquecível de sua vida e ela deve sentir satisfeita” (entrevista n° 3). Surge pela primeira vez nas respostas das profissionais a percepção de que a humanização da assistência não inclui apenas um atendimento focado no cliente, relaciona-se com uma série de fatores que devem ocorrer de forma simultânea, inclusive oferecendo aos profissionais condições biológica, psicológica e social favorável. “(...) os profissionais também devem receber humanização para poderem trabalhar satisfeitos.” ( entrevista n° 5 ). “(...) quando o trabalhador esta de bem com ele mesmo ele pode passar isso para o paciente e oferecer um atendimento humanizado (...)” (entrevista n° 2). “Respeitar o profissional de saúde também é humanização, nós precisamos de melhores condições de trabalho e salário, assim podemos atender o cliente com qualidade” (entrevista n° 10). Com relação às sugestões das entrevistadas para a melhoria da humanização na assistência à parturiente, destaca-se a preparação das gestantes durante o pré-natal nas unidades básicas de saúde, incluindo orientações quanto aos seus direitos e deveres durante a estadia na maternidade, além de informar a elas que o acompanhante de sua escolha deve ser alguém tranqüilo e estável psicologicamente. “(...) se as mulheres fossem preparadas desde o pré-natal esta humanização poderia ser mais fácil” ( entrevista n° 7). “No pré-natal deveria informar para a mulher que o acompanhante deve ser alguém calmo e paciente (...)” (entrevista n° 13). 26 “Um atendimento humanizado deve começar no pré-natal da mulher com um preparo da mãe e da família (...)” ( entrevista n° 3). Observa-se que, com os resultados obtidos, alguns dos objetivos deste estudo foram alcançados. Entretanto, o presente projeto não pretendeu, em nenhum momento, exaurir o assunto, mas deixar subsídios para que a discussão e prática relacionada ao tema central do estudo venham ser estimuladas e ampliadas. Uma gestão eficaz depende de pessoal qualificado e motivado. CONSIDERAÇÕES FINAIS A enfermagem obstétrica nesse cenário assistencial busca incorporar os princípios de cuidado de estímulo à fisiologia do parir, de expressão da sensibilidade, subjetividade e intersubjetividade no ambiente do cuidado. Deste modo, o protagonismo feminino pode ser vivenciado com respeito à cidadania, direitos e autonomia das mulheres. Autonomia significa propriamente a competência humana em dar-se suas próprias leis, agir de maneira soberana em relação a si mesmo, sendo o modo de ser do humano, portanto, uma precondição para a saúde e para a cidadania. Sem essa perspectiva, uma política de saúde não pode ser considerada como tal43. “A autonomia como valor, implica a busca da democratização das relações entre profissionais e pacientes, do compartilhamento de saberes, do reconhecimento, respeito e valorização da multiplicidade, da diversidade e das singularidades, maior responsabilidade e participação dos cidadãos, resgate e valorização da subjetividade e, acima de tudo, de uma ética de solidariedade e responsabilidade” 44. Ainda hoje, a busca por igualdade, liberdade e justiça social é vista como um grande desafio para as mulheres brasileiras, em diversos contextos, como no campo da saúde sexual e reprodutiva. A gestação e o parto, como eventos naturais e fisiológicos, 43 Soares JCRS, Camargo Jr KR. A autonomia do paciente no processo terapêutico como valor para a saúde. Interface (Botucatu). 2007; 11(21): 65-78). 44 SERRUYA, Suzanne Jacob; LAGO, Tânia Di Giácomo and CECATTI, José Guilherme. O panorama da atenção pré-natal no Brasil e o Programa de Humanização do Pré-natal e Nascimento. Rev. Brasileira de Saúde Materno Infantil [online]. 2004, vol.4, n.3, pp. 269-279. 27 fazem parte da vida sexual e reprodutiva da mulher deve ser acompanhada de maneira favorável e não invasiva, possibilitando que a parturiente tome posse do seu trabalho de parto de forma ativa. Os estudos feministas partem do pressuposto que a eqüidade de gênero só pode ser alcançada mediante o empoderamento das mulheres, para que haja o despertar da consciência sobre a discriminação de gênero e melhorar a sua própria percepção, visando à transformação das relações de submissão, o reconhecimento de seus direitos, o estabelecimento de atitude emancipatória para a conquista da cidadania45. Atualmente, as políticas de saúde da mulher vêm ampliando o cuidado à mulher sob a perspectiva de gênero, este compreendido como elemento constitutivo das relações sociais entre homens e mulheres e resultante de uma construção social e histórica, que determina os modelos culturais e comportamentais de masculinidade e feminilidade, representando uma forma primeira de significação de poder46. Nessa perspectiva, o cuidar em enfermagem obstétrica deve necessariamente resgatar a subjetividade, assegurar direitos inalienáveis e construir relações humanas democráticas, superando as assimetrias de poder que ainda permeiam nossa sociedade, em particular na assistência à saúde da mulher. 45 Lisboa TK. O empoderamento como estratégia de inclusão das mulheres nas políticas sociais. In: 8º Seminário Internacional Fazendo Gênero; 2008 Set. 12-15; Florianópolis (SC) [citado 2010 jan. 10]. Disponível em: http://www.fazendogenero8.ufsc.br/sts/ST11/Teresa_Kleba_Lisboa_11.pdf). [Acessado em: 13 de maio de 2012] 46 Ventura M. Saúde feminina e o pleno exercício da sexualidade e dos direitos reprodutivos. In: Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (UNIFEM), organizador. O progresso das mulheres no Brasil [Internet]. Brasília (DF): UNIFEM; 2006 [citado 2010 jan 10]. Disponível em: http://www.generoracaetnia.org.br/publicacoes/Progresso%20das%20Mulheres-BR.pdf). [Acessado em: 15 de abril de 2012] 28 ANEXO I: TCLE - Termo de Consentimento Livre e esclarecido UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL PROGRAMA DE EDUCAÇÃO PARA A DIVERSIDADE ESPECIALIZAÇÃO EM GESTÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS COM FOCO EM RAÇA E GÊNERO - POLO ARAÇUAÍ Termo de Consentimento Livre e Esclarecido Você está sendo convidado(a) para participar da Oficina educativa sobre Humanização na assistência ao parto, para a qual você foi escolhido por fazer parte da equipe de enfermagem da Maternidade do Hospital São Vicente de Paulo, e sua participação não é obrigatória. Você também poderá desistir de participar a qualquer momento e retirar seu consentimento. Sua recusa não trará nenhum prejuízo em sua relação com o pesquisador. Os objetivos deste estudo são: investigar o que significa para a equipe de enfermagem o termo humanização; investigar a percepção das Técnicas e auxiliares de enfermagem sobre o parto humanizado; discutir as práticas de assistência e as estratégias adotadas na unidade referentes a humanização do parto; sensibilizar a equipe quanto alguns aspectos específicos da gestação, necessários a uma assistência adequada às parturientes; avaliar a percepção da equipe antes e após a oficina. Sua participação nesta pesquisa consistirá em assistir a um material áudio visual (DVD) sobre a temática proposta e leitura de uma apostila complementar sobre o tema, além de responder aos questionários de entrevista da pesquisa. Os riscos serão mínimos relacionados ao constrangimento ao responder aos questionamentos da entrevista e a privacidade será garantida. Os benefícios relacionados com a sua participação nesta pesquisa será o de contribuir para a avaliação e possível melhoria da assistência humanizada à mulher e ao recém nascido. Você receberá uma cópia deste termo onde constam o telefone e o endereço do pesquisador principal, podendo tirar suas dúvidas sobre o projeto e sua participação, agora ou a qualquer momento. 29 ______________________________________ Ana Cristina Pereira Cardoso Rua Floriano Peixoto – 162 Bairo Santa Tereza 39.600-000 - Araçuaí / MG Tel: (33) 9905 2331 Declaro que entendi os objetivos, riscos e benefícios de minha participação na pesquisa e concordo em participar. _________________________________________ Nome: ___________________________________ Nome do sujeito da pesquisa Informações: e-mail: [email protected] 30 ANEXO II: QUESTIONÁRIO: Idade: Sexo: ( ) Feminino ( ) Masculino Formação: Auxiliar de enfermagem ( ) Técnico de enfermagem ( ) Tempo de serviço ---------------Tempo de serviço na maternidade -----------------Ao seu ver o que significa o termo humanização? Como você acha que deve ser um parto humanizado? Quais são as técnicas e condutas adotadas pela instituição que você considera como uma abordagem humanizada? Percebe alguma(s) dificuldade(s) para implementar a assistência humanizada durante o trabalho de parto? ( ) SIM Qual ____________________________________ Quais___________________________________ 31 ( ) NÃO APÊNDICE B QUESTIONÁRIO: Idade: Sexo: ( ) Feminino ( ) Masculino Formação: Auxiliar de enfermagem ( ) Técnico de enfermagem ( ) Tempo de serviço ---------------Tempo de serviço na maternidade -----------------Ao seu ver o que significa o termo humanização? Como você acha que deve ser um parto humanizado? Qual a sua sugestão para melhoria da humanização na assistência à parturiente? 32 Referências Bibliográficas BISCAIA, A. A saúde um setor particularmente vunerável à violência. Rev. brasileira de enfermagem [online].2004,vol.43,n. 3. Boston Women’s Health Book Collective(BWHBC) 1998. The New Ourbodies, Ourselves. Touchstone Simon and Schuster, Nova York. BRASIL, MINISTÉRIO DA SAÚDE. Programa de Atenção Integral à Saúde da Mulher (PAISM), 1983. Disponível em: http://conselho.saude.gov.br/ultimas_noticias/2007/politica_mulher.pdf. [Acessado em: 17 de maio de 2012 ]. BRASIL, MINISTERIO DA SAÚDE. Rede pela Humanização do Parto e do Nascimento – Rehuna, 1993. Disponível em: http://www.rehuna.org.br/index.php/quem-somos. [Acessado em: 19 de maio de 2012 ]. BRASIL, MINISTÉRIO DA SAÚDE. Programa de Humanização no Pré-Natal e Nascimento PHPN, 2000. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/parto.pdf. [Acessado em: 04 de maio de 2012 ] Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticos de Saúde. Área Técnica de Saúde da Mulher. Parto, aborto e puerpério: assistência humanizada à mulher/Ministério da Saúde, Secretaria de Políticas de Saúde, Área Técnica da Mulher. – Brasília: Ministério da Saúde, 2001. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cd04_13.pdf. 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