UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO
UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL
PROGRAMA DE EDUCAÇÃO PARA A DIVERSIDADE
ESPECIALIZAÇÃO EM GESTÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS
COM FOCO EM RAÇA E GÊNERO - POLO ARAÇUAÍ
ANA CRISTINA PEREIRA CARDOSO
HUMANIZAÇÃO NA ASSISTÊNCIA AO PARTO – GARANTIA DO DIREITO
DE AUTONOMIA ÀS MULHERES
Araçuaí – MG.
2012
ANA CRISTINA PEREIRA CARDOSO
HUMANIZAÇÃO NA ASSISTÊNCIA AO PARTO – GARANTIA DO DIREITO
DE AUTONOMIA ÀS MULHERES
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao
Programa de Educação para a Diversidade da
Universidade Federal de Ouro Preto, como requisito
parcial à obtenção do grau Especialista em Gestão
de Políticas Públicas com foco em Gênero e Raça.
Orientador: Prof. Ms. Adriano Toledo Paiva
Araçuaí – MG.
2012
2
HUMANIZAÇÃO NA ASSISTÊNCIA AO PARTO – GARANTIA DO
DIREITO DE AUTONOMIA ÀS MULHERES
ANA CRISTINA PEREIRA CARDOSO
Monografia apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Educação
para a Diversidade da Universidade Federal de Ouro Preto, como requisito parcial
à obtenção do grau de Especialista em Gestão de Políticas Públicas (Área de
Concentração: Gênero, Raça e Etnia) e aprovada pela Banca Examinadora
constituída pelos seguintes professores:
Prof. Ms. Adriano Toledo Paiva
Orientador
Prof. Ms. Diego Omar da Silveira
Avaliador
Profª. Ms. Marileide Lázara Cassoli
Avaliador
Ouro Preto, Minas Gerais
Agosto de 2012
3
AGRADECIMENTOS
À Deus, o único digno de toda honra e toda glória, agradeço por ter me dado a
sua mão quando fraquejei, me erguendo e encorajando para superar os obstáculos que
muitas vezes pareceram intransponíveis.
Aos meus pais, que me deram o dom da vida, que sempre foram motivo de
inspiração e força, exemplos de vontade e alegria, de rigidez e fé. Agradeço cada
segundo de dedicação, cada consolo por lágrimas derramadas e cada sorriso por vitória
alcançada, amo vocês.
Ao Professor Adriano, meus mais sinceros agradecimentos por ter me
acompanhado nessa jornada, partilhando comigo uma parcela do seu conhecimento.
Portando, gostaria de render a minha imensa gratidão, por me ajudar na consolidação
desse trabalho, saiba que o seu gesto e sua conduta foram meu maior mestre, pois não
apenas me transmitiu conhecimento, como me conduziu a abraçar esta especialização.
Aos meus colegas de curso e disciplinas que compartilharam comigo seus
conhecimentos.
A todos aqueles que de alguma forma contribuíram ou torceram pela
concretização desta pesquisa.
4
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO............................................................................................... 6
2 PROCEDIMENTOS TEÓRICO- METODOLÓGICO..............................11
2.1 OBJETIVOS.................................................................................................11
2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS ....................................................................11
2.1 METODOLOGIA........................................................................................12
2.1.1 Delineamento.............................................................................................12
2.1.2 Local de estudo......................................................................................... 12
2.1.3 Sujeitos do estudo......................................................................................12
2.1.4 Critérios de inclusão.................................................................................12
2.1.5 Critérios de exclusão.................................................................................13
2.1.6 Desenvolvimento da pesquisa..................................................................13
2.1.7 Duração da coleta de dados.................................................................... 13
2.1.8 Coleta de dados.........................................................................................13
2.1.9 Análise dos dados..................................................................................... 13
2.1.10 Orçamento com fontes de recursos...................................................... 14
CAPITULO I
3 HUMANIZAÇÃO ......................................................................................... 14
CAPITULO II
4 ANÁLISE DOS DADOS...............................................................................18
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS........................................................................ 27
ANEXOI - Termo de Consentimento Livre e esclarecido............................. 29
ANEXO II – Questionários.............................................................................. 31
REFERÊNCIAS.................................................................................................33
5
INTRODUÇÃO
O processo de humanização se deu como uma estratégia política da Organização
Mundial de Saúde, do Ministério da Saúde (MS) e outros órgãos não-governamentais,
que têm proposto melhoria na assistência à mulher e ao recém-nascido, com o objetivo
de resgatar o caráter fisiológico no processo do nascimento de forma positiva e sem
traumas, visando a redução das taxas de cesariana e mortalidade materno-infantil 1.
O conceito de humanização do parto pode ser bastante diversificado, porém, há
um movimento defendendo-o como um processo que respeita a individualidade das
mulheres, valorizando-a como protagonista e permitindo a adequação da assistência à
cultura, crenças, valores e diversidade de opiniões dessas pessoas1. Esta adequação da
assistência deve ter valor fundamental, uma vez que não se tratam de questões
universais. A desatenção acerca das questões relacionadas as diferenças socioculturais
entre as mulheres, pode produzir efeitos tão deletérios, que pode transformar a
assistência humanizada, em meros procedimentos técnicos.
Embora não haja consenso sobre o que seja a humanização do parto, sabe-se que
ela implica no envolvimento e melhoria da formação da equipe de enfermagem e das
concepções e práticas onde ela é praticada, estímulo da atuação da enfermeira obstetra
na assistência à gestação e parto, que objetiva a melhoria da assistência e o resgate do
parto mais natural possível, melhores condições de atendimento, a desmedicalização da
assistência, uma visão do cuidado integral à gestante, onde se valoriza tanto seus
aspectos físicos como os emocionais, desenvolvendo assim um processo de gestação,
parto e pós-parto respeitando a mulher e a família, não só no aspecto biológico, mas
também no aspecto psicológico, social e cultural1.
É importante ressaltar que a enfermagem tem participado das principais
discussões acerca da saúde da mulher, em defesa do Programa de Humanização no Prénatal e Nascimento. Diante disto, o MS tem criado portarias que favorecem a atuação
deste profissional na atenção integral a saúde da mulher, privilegiando o período
gravídico puerperal, por entender que estas medidas são fundamentais para a diminuição
1 CASTRO, Jamile Claro de e CLAPIS, Maria José. Parto humanizado na percepção das enfermeiras
obstétricas envolvidas com a assistência ao parto. Rev. Latino-Americana de Enfermagem [online]. 2005,
vol.13, n.6, pp. 960-967.
6
de intervenções, riscos e conseqüente humanização da assistência, tanto em
maternidades, como em casas de parto 2.
Há que se destacar que a partir do século XX a institucionalização da assistência
ao parto fez com que predominasse o parto hospitalar e, assim, os cuidados antes
prestados pelas parteiras, passaram a ser de responsabilidade do profissional de saúde.
Não se pode negar que a tecnologia e os estudos científicos têm proporcionado avanços
inquestionáveis na qualidade da assistência obstétrica, porém, observa-se que a
instrumentalização do parto gerou sua medicalização. O parto passa a ser visto como
inerentemente problemático, exigindo a intervenção médica como forma de garantir o
bom resultado 3 . Contudo, não se deve excluir a necessidade de oferecer recursos
tecnológicos apropriados em caso de eventual necessidade.
Neste processo, o parto passou a ser vivenciado como um momento de intenso
sofrimento físico e moral. Nas maternidades, as mulheres são separadas da família,
convivem com ambientes estranhos e pessoas estressadas, aliado ao uso de
procedimentos invasivos que causam dor, desconforto e solidão 4 . Além disso,
permanecem um longo período no pré-parto, usualmente um espaço coletivo, junto com
outras mulheres também em trabalho de parto ou com outras intercorrências obstétricas,
sem qualquer privacidade ou atenção às suas necessidades particulares 5.
O medo, a tensão e a dor das parturientes nesse modelo de assistência impedem
o processo fisiológico do parto normal, o que pode culminar com práticas
intervencionistas que, na maioria das vezes, poderiam ser evitadas 6 .
De acordo com Moura (2007), um bom desenvolvimento do trabalho de parto,
faz-se necessário para o bem estar físico e emocional da mulher, o que favorece a
redução dos riscos e complicações. Para tanto, o respeito ao direito da mulher a
privacidade, a segurança e conforto, com uma assistência humana e de qualidade, aliado
ao apoio familiar durante a parturição, transformam o nascimento num momento único
2 MOURA, Fernanda Maria de Jesus S. Pires et al. A humanização e a assistência de enfermagem ao
parto normal. Rev. brasileira de. enfermagem. [online]. 2007, vol.60, n.4, pp. 452-455.
3
CASTRO, Jamile Claro de e CLAPIS, Maria José. Parto humanizado na percepção das enfermeiras
obstétricas envolvidas com a assistência ao parto. Rev. Latino-Americana de Enfermagem [online]. 2005,
vol.13, n.6, pp. 960-967
4 OLIVEIRA, Zuleyce Maria Lessa Pacheco de and MADEIRA, Anézia Moreira Faria. Vivenciando o
parto humanizado: um estudo fenomenológico sob a ótica de adolescentes. Rev. escola de. enfermagem
da USP [online]. 2002, vol.36, n.2, pp. 133-140.
5 DIAS, Marcos Augusto Bastos. Humanização da assistência ao parto: conceitos, lógicas e praticas no
cotidiano de uma maternidade pública. Ciênc. saúde coletiva [online] 2006, vol.4, n.2,pp. 556-72.
6
MOURA, Fernanda Maria de Jesus S. Pires et al. A humanização e a assistência de enfermagem ao
parto normal. Rev. brasileira de. enfermagem. [online]. 2007, vol.60, n.4, pp. 452-455.
7
e especial. O autor discorre ainda sobre a necessidade das parturientes receberem um
cuidado no pré-parto e parto que lhes proporcione saúde, incluindo o conforto e bemestar durante o seu processo de parturição.
O cuidado e o conforto estão intimamente ligados e são primordiais durante o
trabalho de parto e parto. Cuidar é olhar, enxergando; ouvir, escutando; observar,
percebendo; sentir, simpatizando com o outro, estando disponível para fazer com ou
para o outro. A condição essencial para que ocorra o conforto é proporcionar um
ambiente favorável, ou seja, um ambiente em que a pessoa seja cuidada e sinta que está
sendo cuidada, permitindo assim o alívio da dor 7.
O alívio total da dor não necessariamente implica em uma experiência de parto
mais satisfatória. No entanto, se a mulher sentir-se cuidada e confortada esta experiência
poderá ser menos traumática, até porque, atualmente, as mulheres não temem apenas a
dor no parto, elas sentem medo em relação aos cuidados que receberão, uma vez que as
experiências estão repletas de atendimento impessoal e distante 8.
O grande desafio que se coloca, para todos os profissionais que prestam esta
assistência, é o de minimizar o sofrimento das parturientes, tornando a vivência do
trabalho de parto e o parto em experiências de crescimento e realização para a mulher e
sua família. Portanto, torna-se necessária a presença do profissional de enfermagem
junto a parturiente, a fim de oferecer suporte físico e emocional, principalmente, por
meio do uso de novas técnicas9.
Muitas são as estratégias que podem ser utilizadas para favorecer o momento do
parto. O conforto físico pode ser aumentado pelo uso de técnicas como: ambiente
aconchegante, massagens, uso da água para relaxamento, posturas variadas, música,
métodos de respiração e práticas alternativas, que favoreçam o bom desenvolvimento do
trabalho de parto e forneça conforto e segurança a mulher e seu bebê 10.
7 CARRARO, Telma Elisa et al. Cuidado e conforto durante o trabalho de parto e parto: na busca pela
opinião das mulheres. Texto contexto - enfermagem [online]. 2006, vol.15, n.spe, pp. 97-104.
8
DIAS, Marcos Augusto Bastos. Humanização da assistência ao parto: conceitos, lógicas e praticas no
cotidiano de uma maternidade pública. Ciênc. saúde coletiva [online] 2006, vol.4, n.2,pp. 556-72.
9
OLIVEIRA, Zuleyce Maria Lessa Pacheco de and MADEIRA, Anézia Moreira Faria. Vivenciando o
parto humanizado: um estudo fenomenológico sob a ótica de adolescentes. Rev. escola de. enfermagem
da USP [online]. 2002, vol.36, n.2, pp. 133-140.
10
CASTRO, Jamile Claro de e CLAPIS, Maria José. Parto humanizado na percepção das enfermeiras
obstétricas envolvidas com a assistência ao parto. Rev. Latino-Americana de Enfermagem [online]. 2005,
vol.13, n.6, pp. 960-967.
8
Castro e Clapis (2005) ressaltam, ainda, que o uso de práticas como
deambulação da parturiente, presença do acompanhante, oferta de líquidos durante o
trabalho de parto, restrição do uso rotineiro de ocitocina e episiotomia e o estímulo ao
parto vertical, podem ser desenvolvidas pela equipe de enfermagem.
A grande barreira encontrada pela equipe para a implementação destas práticas
são, na maior parte das vezes, o número deficiente de recursos humanos disponíveis e a
dificuldade de flexibilização das rotinas pré-estabelecidas pela instituição.
A presença do acompanhante proporciona bem estar físico e emocional a mulher
e favorece uma boa evolução no período gravídico puerperal. O acompanhante passa
segurança durante todo o processo parturitivo, o que pode diminuir as complicações na
gestação, parto e puerpério, a utilização de analgesia, ocitocina, partos cesáreos e o
tempo de hospitalização do binômio, mãe e filho11.
Existem ainda acompanhante especificamente treinada para o acompanhamento
do trabalho de parto, chamada Doula, que são na maioria das vezes voluntárias. A
presença da Doula é relacionada em alguns estudos com menor dor, menor necessidade
de analgesia, menor taxa de partos operatórios e maior satisfação com o parto. Estas
presenças podem ser consideradas confortantes e cuidativas 12.
É importante ressaltar que, apesar de identificarem a importância do
acompanhante, colocam-se moldadas por uma norma institucional pré-estabelecida que
determina as situações na qual o acompanhante é permitido, o que parece estar em
desacordo com o que determina a legislação. A mulher tem direito, por lei, a ter um
acompanhante, não cabendo ao profissional decidir quem é o acompanhante ideal e
muito menos as condições que justifiquem a presença do mesmo. Além de que já
existem vários trabalhos mostrando a importância do acompanhante na prevenção da
ocorrência de problemas e intervenções13.
Contudo, torna-se importante que os profissionais de saúde estejam
sensibilizados quanto à relevância da presença do acompanhante para parturiente no
decorrer do trabalho de parto, como também precisam estar preparados para executarem
11
MOURA, Fernanda Maria de Jesus S. Pires et al. A humanização e a assistência de enfermagem ao
parto normal. Rev. brasileira de. enfermagem. [online]. 2007, vol.60, n.4, pp. 452-455.
12
DIAS, Marcos Augusto Bastos. Humanização da assistência ao parto: conceitos, lógicas e praticas no
cotidiano de uma maternidade pública. Ciênc. saúde coletiva [online] 2006, vol.4, n.2,pp. 556-72.
13
CASTRO, Jamile Claro de e CLAPIS, Maria José. Parto humanizado na percepção das enfermeiras
obstétricas envolvidas com a assistência ao parto. Rev. Latino-Americana de Enfermagem [online]. 2005,
vol.13, n.6, pp. 960-967.
9
suas atividades junto ao acompanhante e parturiente, informando-os sobre a evolução e
condutas a serem realizadas durante o processo de nascimento 14.
Algumas pesquisas revelam que as puérperas relatam que a atenção da equipe, o
tratamento, o atendimento, a alegria, a segurança, o conforto e o cuidado são positivos
para seu bem-estar na situação vivenciada. Estes dados reforçam que ao proporcionar
conforto e bem-estar à mulher no trabalho de parto e parto, a equipe de enfermagem
auxilia a vivência deste período ao mesmo tempo em que potencializa seu poder vital5.
Um fator a ser considerado neste contexto é que, quanto mais cresce o nível de
complexidade das ações, por exigir atuação interdisciplinar e intersetorial articulada,
torna-se mais difícil a realização destas ações pela insuficiência em número e
capacitação de pessoal15.
Para tanto, é necessária a aquisição de profissionais qualificados e
comprometidos de forma pessoal e profissional, que recebam a mulher com respeito,
ética e dignidade, além de serem incentivadas a exercerem a sua autonomia no resgate
do papel ativo da mulher no processo parturitivo, como também serem protagonistas de
suas vidas e repudiarem qualquer tipo de discriminação e violência, que possam
comprometer os direitos de mulher e cidadã. São atitudes simples, mas eficazes que
podem influenciar positivamente a realidade da assistência da mãe e seu concepto16 .
É indispensável que a equipe da atenção obstétrica seja capacitada e
sensibilizada a trabalhar em conjunto e superar conflitos, a fim de que sejam respeitadas
as necessidades das mulheres acolhidas no serviço. O que se espera é que a
Enfermagem – ciência e arte do cuidar – por estar constantemente próxima da mulher
no período de parturição, cuide e conforte-a, para que ela viva este momento de forma
saudável e condizente com sua magnitude17.
Tanto a equipe de saúde quanto a instituição, devem se preocupar com as
necessidades da cliente como principio primordial da assistência de enfermagem,
oferecendo condições que, muitas vezes, são representadas por recursos humanos
qualificado, por material e equipamentos e pela própria estrutura física do local.
14 PEREIRA, Adriana Lenho de Figueiredo et al. Pesquisa acadêmica sobre humanização do parto no
Brasil: tendências e contribuições. Acta paulista de enfermagem [online]. 2007, vol.20, n.2, pp. 205-215.
15
MOURA, Fernanda Maria de Jesus S. Pires et al. A humanização e a assistência de enfermagem ao
parto normal. Rev. brasileira de. enfermagem. [online]. 2007, vol.60, n.4, pp. 452-455.
16
MOURA, Fernanda Maria de Jesus S. Pires et al. A humanização e a assistência de enfermagem ao
parto normal. Rev. brasileira de. enfermagem. [online]. 2007, vol.60, n.4, pp. 452-455.
17
CARRARO, Telma Elisa et al. Cuidado e conforto durante o trabalho de parto e parto: na busca pela
opinião das mulheres. Texto contexto - enfermagem [online]. 2006, vol.15, n.spe, pp. 97-104
10
Através da minha experiência profissional pude perceber que o momento do
parto é uma enorme e única experiência para as mulheres. A maternidade ganha um
significado diferente para mulheres que buscam viver esse momento a fundo. Sem
temer uma das sensações mais mitificadas da humanidade, a dor do parto, elas querem
vivenciar o nascimento dos filhos de uma forma natural e sem intervenções invasivas. O
direito de serem donas do próprio parto muitas vezes é desrespeitado pelos profissionais
de saúde e contestado por familiares.
ALGUNS PROCEDIMENTOS TEÓRICO-METODOLÓGICOS:
Este trabalho justifica-se na necessidade de sensibilização da equipe de
enfermagem, quanto ao parto humanizado e a importância deste para a melhoria da
assistência à mulher e ao recém-nascido. Uma vez que, é possível identificar déficits na
assistência prestada às clientes, bem como a falta de compreensão da equipe da real
importância e papel do acompanhante para a parturiente. Além, dos dados
epidemiológicos já apresentados nesta introdução.
OBJETIVOS
O objetivo geral deste trabalho foi permitir um espaço de reflexão à equipe de
enfermagem de uma maternidade acerca da humanização do trabalho de parto por meio
de um vídeo educativo, além de avaliar a percepção da equipe com relação a
humanização da assistência antes e após a implementação deste vídeo. Uma vez que o
mesmo contribuiu para a efetivação de um dos pontos fundamentais da Política
Nacional para as Mulheres, ou seja, permitiu a estas o direito de autonomia, poder de
decisão sobre suas vidas e corpos num momento especial de suas vidas (parto).
OBJETIVOS ESPECÍFICOS:
- Investigou o significado do termo humanização para a equipe de enfermagem.
- Investigou a percepção das técnicas e auxiliares de enfermagem acerca da
assistência humanizada ao parto.
11
- Discutiu as práticas de assistência e as estratégias adotadas na unidade
referentes a humanização do parto.
- Sensibilizou a equipe quanto alguns aspectos específicos da gestação, uma vez
que o conhecimento destes são necessários à uma assistência humanizada.
METODOLOGIA
Delineamento:
Trabalho descritivo, que teve como proposta metodológica a pesquisa na linha
qualitativa, esta é uma abordagem que se aprofunda no mundo dos significados das
ações e relações humanas, um lado não perceptível e não captável em equações, médias
e estatísticas18.
Local de estudo:
O estudo foi realizado na maternidade do Hospital São Vicente de Paulo,
Instituição Filantrópica, localizado na cidade de Araçuaí -MG, cujo objetivo social é a
atenção à gestante, mantendo, para isso, atendimento às gestantes, provenientes da
cidade e região, inclusive gestantes do distrito de Lelivéldia no qual atuo como
enfermeira da atenção básica . A maternidade conta com um total de 20 leitos e atente
uma média de 1.320 partos por ano. Trata-se de um hospital conveniado ao SUS, de um
município cadastrado no Programa de Humanização do Pré-Natal e Nascimento, que
está envolvido com o movimento e incentivo ao parto humanizado. Nesta maternidade,
já estão institucionalizadas algumas rotinas e adaptações que fazem parte do ideário da
humanização, como alojamento conjunto, estímulo ao aleitamento materno e um
programa de Doulas.
Sujeitos do estudo
Foram envolvidas no estudo as técnicas e auxiliares de enfermagem que
trabalham na maternidade do Hospital São Vicente de Paulo e que realizam assistência
direta ao parto.
Critérios de Inclusão:
18
M i n a y o M C S. O d e s a f i o d o c o n h e c i m e n t o : p e s q u i s a qualitativa. 7ª ed. São
Paulo (SP): Hucitec/Abrasco; 2000.
12
Ser componente da equipe de enfermagem (Técnico de Enfermagem ou Auxiliar
de Enfermagem) da Maternidade do Hospital São Vicente de Paulo e aceitar participar
do projeto, a partir da assinatura de um termo de consentimento livre e esclarecido.
Critérios de exclusão:
Recusar a participação na oficina e/ou não assinatura do termo de consentimento
livre e esclarecido.
Desenvolvimento da pesquisa:
A proposta de estudo foi apresentada à Direção da maternidade com o objetivo
de solicitar a autorização para sua realização. Após a autorização assinada, o próximo
passo foi buscar, junto à instituição, a aproximação com as pessoas com o objetivo de
identificar os sujeitos a serem entrevistados. Assim, foi realizada a aplicação de um
questionário de perguntas aos sujeitos participantes da pesquisa durante o mês de
março de 2012. Seguindo os princípios éticos de pesquisa, os sujeitos, após o
conhecimento da pesquisa, assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. A
segunda etapa consistiu na apresentação, aos sujeitos inclusos na pesquisa, de um
recurso didático – vídeo educativo, o qual o tema central é a humanização da assistência
ao parto, juntamente com um material escrito (apostila) para a complementação do
material áudio visual. Após a apresentação do material houve um momento de discussão
e entrega do material apresentado a todos os participantes. Concluída a 2° etapa, a
terceira etapa se deu a partir da aplicação de um segundo questionário de perguntas aos
sujeitos participantes. Podendo assim ser realizada a análise e avaliação do estudo.
Duração da coleta de dados:
Do mês de março ao mês de abril de 2012.
Coleta de dados:
Deu-se por meio da aplicação de questionários de perguntas sobre humanização
do trabalho de parto, que foram aplicados aos sujeitos participantes da pesquisa.
Análise dos Dados:
13
Consistiu na análise e comparação das respostas obtidas através dos
questionários de perguntas que foram aplicados antes e após a apresentação e
distribuição do DVD educativo e apostila complementar, podendo-se assim comparar as
respostas obtidas, além da análise da equipe de enfermagem durante a coleta de dados.
Orçamento com fontes de recurso:
O projeto não teve financiamento de nenhuma instituição, advindo o recurso dos
próprios pesquisadores.
CAPITULO I
HUMANIZAÇÃO
“Tornar humano; dar condição humana a; humanar.
Tornar benévolo, afável, tratável; humanar. Fazer
adquirir hábitos sociais polidos; civilizar. Amansar
(animais).Tornar-se humano; humanar-se”19.
Esta é a definição da palavra humanizar de acordo com o dicionário Aurélio
(2000). Estes sinônimos embora instigantes, não conseguem englobar todos os
significados atribuídos a esta palavra, quando ela é utilizada para qualificar uma
assistência prestada por profissionais de saúde.
Ao longo dos últimos anos, o termo humanização tem sido utilizado com
freqüência cada vez maior quando se fala em assistência à saúde. A humanização que
ainda não tem conceito consolidado é geralmente utilizada para designar uma forma de
cuidar mais atenta, tanto para os direitos de cidadania, quanto para as questões
subjetivas estabelecidas entre profissionais e pacientes, visando uma modificação de
cultura do atendimento.
O movimento pela humanização do parto no Brasil foi impulsionado por
experiências em vários Estados. Na década de 1970, surgem profissionais dissidentes,
inspirados por práticas tradicionais de parteiras e índios, como Galba de Araújo no
19
Buarque de Holanda Ferreira, Aurélio - Dicionário da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Nova
Fronteira, 2000.
14
Ceará e Moisés Paciornick (1979) no Paraná, além do Hospital Pio X em Goiás, e de
grupos de terapias alternativas como a Yoga, com o Instituto Aurora no Rio 20.
Segundo Griboski e Guilhem (2006) na área da assistência a saúde da mulher,
este desejo de mudança na qualidade e na humanização do atendimento era
manifestado, desde a década de 80, pelo movimento feminista com a reivindicação pela
“humanização da assistência à gravidez e ao parto”, e com o questionamento ao modelo
médico que tratava o parto como um “evento patológico e arriscado, que utiliza
tecnologia agressiva, invasiva e potencialmente perigosa”. É desta época o Programa de
Assistência Integral à Saúde da Mulher - PAISM 21 , primeira política pública do
ministério da saúde que aponta para a questão da humanização da assistência ao parto.
Diniz (2005) discorre sobre a fundação, em 1993, da Rede pela Humanização do
Parto e do Nascimento – Rehuna22, que atualmente congrega centenas de participantes,
entre indivíduos e instituições. A Rehuna no Brasil há uma forte participação dos
movimentos de mulheres e feminista 23 , assim como no movimento internacional 24 .
Ainda segundo Diniz (2005) outro marco em termos de políticas públicas foram a
criação do Prêmio Galba Araújo para Maternidades Humanizadas, em 1998, e a
proposição das Casas de Parto. Os critérios para a concessão do prêmio são baseados na
adesão às recomendações da OMS, tais como a presença de acompanhantes no préparto, parto e pós-parto, a assistência aos partos de baixo risco por enfermeiras, e
controle das taxas de cesárea. Nas últimas décadas se fortalece a necessidade de
mudanças na maneira como se processam os cuidados e a assistência à saúde.
Serruya, Lago e Cecatti (2004) criticam a maneira como a apropriação de
tecnologia pela medicina interferiu na relação entre profissionais e clientes. Os autores
afirmam que como respostas a estas demandas e ainda com a intenção de orientar os
rumos da assistência na busca da construção de uma Política Nacional de qualificação
20
DINIZ, Carmen Simone Grilo. Humanização da assistência ao parto no Brasil: os muitos sentidos de
um movimento. Ciênc. saúde coletiva [online]. 2005, vol.10, n.3, pp. 627-637.
21
BRASIL, MINISTÉRIO DA SAÚDE. Programa de Atenção Integral à Saúde da Mulher (PAISM),
1983. Disponível em: http://conselho.saude.gov.br/ultimas_noticias/2007/politica_mulher.pdf.
[Acessado em: 17 de maio de 2012 ].
22
BRASIL, MINISTERIO DA SAÚDE. Rede pela Humanização do Parto e do Nascimento – Rehuna,
1993. Disponível em: http://www.rehuna.org.br/index.php/quem-somos. [Acessado em: 19 de maio de
2012 ].
23 Diniz CSG 2001. Entre a técnica e os direitos humanos: possibilidades e limites das propostas de humanização no parto. Tese de doutorado. Faculdade de
Medicina/USP, São Paulo.Goer H. Humanizing birth: a global grassroots movement. Birth31(4):308-314, 2004.
24 Boston Women’s Health Book Collective(BWHBC) 1998. The New Ourbodies, Ourselves. Touchstone Simon and Schuster, Nova York.
15
da atenção ao parto25, temos entre outros exemplos o lançamento pelo Ministério da
Saúde (MS) dos projetos Maternidade Segura, Humanização do Pré-Natal e Nascimento
(BRASIL, 2000), e em 2000, o Programa Nacional de Humanização da Assistência
Hospitalar (PNHAH), e o Programa de Humanização no Pré-natal e Nascimento
(PHPN)26.
Os primeiros projetos abordavam mais aspectos relacionados ao cuidado médico
do ponto de vista de qualidade técnica da assistência e os aspectos psicossociais das
mulheres em trabalho de parto. Os últimos envolvem não apenas a satisfação dos
usuários, mas também aspectos relacionados às condições de trabalho, e a satisfação dos
próprios profissionais 27.
O projeto de Casas de Parto, após um início promissor, encontra limites e
resistências principalmente dos médicos. Estas iniciativas inauguraram um processo
mais amplo de humanização dos serviços conduzido pelo Ministério da Saúde, como o
PHPN e o de Programa de Humanização de Hospitais, lançados em maio e junho de
2000, com objetivo de abranger centenas de instituições 28.
O PHPN foi instituído pelo MS, através da Portaria/GM nº 569, de 01/06/2000,
tendo como base a análise das necessidades de atenção específica à gestante, ao recémnascido e à mulher no período pós-parto. O objetivo do PHPN é assegurar a melhoria de
acesso, da cobertura e da qualidade do acompanhamento pré-natal, da assistência ao
parto e puerpério, às gestantes e ao recém-nascido, por meio do Sistema Único de Saúde
SUS 29.
O PHPN estabelece os princípios da atenção que devem ser prestados e exorta
estados, municípios e serviços de saúde a cumprirem seu papel, propiciando a cada
25
SERRUYA, Suzanne Jacob; LAGO, Tânia Di Giácomo and CECATTI, José Guilherme. O panorama
da atenção pré-natal no Brasil e o Programa de Humanização do Pré-natal e Nascimento. Rev. Brasileira
de Saúde Materno Infantil [online]. 2004, vol.4, n.3, pp. 269-279.
26
BRASIL, MINISTÉRIO DA SAÚDE. Programa de Humanização no Pré-Natal e Nascimento - PHPN,
2000. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/parto.pdf. [Acessado em: 04 de maio de
2012 ]
27
CARRARO, Telma Elisa et al. Cuidado e conforto durante o trabalho de parto e parto: na busca pela
opinião das mulheres. Texto contexto - enfermagem [online]. 2006, vol.15, n.spe, pp. 97-104
28
OLIVEIRA, Zuleyce Maria Lessa Pacheco de and MADEIRA, Anézia Moreira Faria. Vivenciando o
parto humanizado: um estudo fenomenológico sob a ótica de adolescentes. Rev. escola de. enfermagem
da USP [online]. 2002, vol.36, n.2, pp. 133-140.
29
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticos de Saúde. Área Técnica de Saúde da Mulher. Parto,
aborto e puerpério: assistência humanizada à mulher/Ministério da Saúde, Secretaria de Políticas de
Saúde, Área Técnica da Mulher. – Brasília: Ministério da Saúde, 2001. Disponível em:
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cd04_13.pdf. [Acessado em: 23 de maio de 2012] .
16
mulher o direito de cidadania mais elementar, dar à luz, recebendo uma assistência
humanizada e de boa qualidade. Abaixo alguns princípios do programa30.
•
toda gestante tem direito ao acesso a atendimento digno e de qualidade
no decorrer da gestação, parto e puerpério;
•
toda gestante tem direito ao acompanhamento pré-natal adequado de
acordo com os princípios gerais e condições estabelecidas no Anexo I desta Portaria;
•
toda gestante tem direito de saber e ter assegurado o acesso à
maternidade em que será atendida no momento do parto;
•
toda gestante tem direito à assistência ao parto e ao puerpério e que esta
seja realizada de forma humanizada e segura, de acordo com os princípios gerais e
condições estabelecidas no Anexo II desta Portaria;
•
todo recém-nascido tem direito à adequada assistência neonatal;
•
as autoridades sanitárias dos âmbitos federal, estadual e municipal são
responsáveis pela garantia dos direitos enunciados nas alíneas acima.
O PHPN tem por objetivo concentrar esforços no sentido de reduzir as altas
taxas de morbidade e mortalidade materna e perinatal; adotar medidas que assegurem a
melhoria do acesso, da cobertura e da qualidade do acompanhamento pré-natal, da
assistência ao parto, puerpério e neonatal; e ampliar as ações já adotadas pelo Ministério
da Saúde na área de atenção à gestante, como os investimentos nas redes estaduais de
assistência à gestação de alto risco, o incremento do custeio de procedimentos
específicos e outras ações, como o Projeto de Capacitação de Parteiras Tradicionais, do
financiamento de cursos de especialização em enfermagem obstetrícia e a realização de
investimentos nas unidades hospitalares integrantes destas redes31.
A percepção pelos próprios profissionais de saúde do que seria um atendimento
humanizado é fortemente influenciada por aspectos individuais, profissionais, de raça,
classe social, cultura, político, dentre outros. O que para profissionais de saúde pode ser
30
BRASIL, MINISTÉRIO DA SAÚDE. Programa de Humanização no Pré-Natal e Nascimento - PHPN,
2000. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/parto.pdf. [Acessado em: 04 de maio de
2012 ].
31
BRASIL, MINISTÉRIO DA SAÚDE. Programa de Humanização no Pré-Natal e Nascimento - PHPN,
2000. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/parto.pdf. [Acessado em: 04 de maio de
2012 ]
17
considerado como mais importante para a saúde pode também variar de acordo com
estes aspectos 32.
A atenção oferecida pela equipe de saúde durante o trabalho de parto é um
importante fator relacionado a satisfação da mulher com relação ao atendimento
recebido. Quando um membro da equipe faz um vínculo com a parturiente ela se sente
acolhida e cuidada.
Sendo assim, humanizar é promover assistência de qualidade, ou seja, ter atitude
de respeito à dignidade e natureza humana, e se preocupar com a essência,
singularidade, totalidade e subjetividade do ser humano, é compreender a experiência
que já foi vivenciada pela outra pessoa e propiciar, estimular e permitir a participação
ativa da mulher no momento do parto.
Oliveira et al. (2008) ressalta que as propostas de humanização do parto, no SUS
como no setor privado, têm o mérito de criar novas possibilidades de imaginação e de
exercício de direitos, de viver a maternidade, a sexualidade, a paternidade, e a vida
corporal.
A humanização da assistência hospitalar se sustenta em grande parte no
compromisso pessoal, motivação profissional, espírito de cidadania e disponibilidade
dos profissionais para o trabalho em equipe, ou seja, a humanização estaria mais na
dependência de fatores pessoais e coletivos como disponibilidade, sensibilidade,
qualificação, trabalho em equipe e compromisso do grupo do que as condições materiais
ou administrativas 33.
CAPITULO II
ANALISE DOS DADOS
O estudo foi realizado na maternidade do Hospital São Vicente de Paulo,
Instituição Filantrópica, localizado no município de Araçuaí -MG. Foram envolvidas no
estudo 15 profissionais entre técnicas e auxiliares de enfermagem que trabalham na
32
GRIBOSKI, Rejane Antonello; GUILHEM, Dirce. Mulheres e profissionais de saúde: o imaginário
cultural na humanização ao parto e nascimento. Texto contexto - enfermagem [online]. 2006, vol.15, n.1,
pp. 107-114.
33
DIAS, Marcos Augusto Bastos. Humanização da assistência ao parto: conceitos, lógicas e praticas no
cotidiano de uma maternidade pública. Ciênc. saúde coletiva [online] 2006, vol.4, n.2,pp. 556-72.
18
maternidade do Hospital e que realizam assistência direta às mulheres em trabalho de
parto. A proposta de estudo foi apresentada à direção da maternidade sendo autorizada
pela mesma. Após autorização foi realizada a aplicação de um questionário de perguntas
aos sujeitos participantes da pesquisa. Tendo os mesmos assinado um Termo de
Consentimento Livre e Esclarecido. A segunda etapa consistiu na apresentação, aos
sujeitos inclusos na pesquisa, de um recurso didático – vídeo educativo, o qual o tema
central é a humanização da assistência ao parto, juntamente com um material escrito
(apostila) para a complementação do material áudio visual. Após a apresentação do
material houve um momento de discussão e avaliação do projeto. Concluída a segunda
etapa, a terceira etapa se deu a partir da aplicação de um segundo questionário de
perguntas aos sujeitos participantes. Podendo assim ser realizada a seguinte análise e
avaliação do estudo.
A análise dos depoimentos buscou distinguir nas mensagens seus conteúdos
latentes e manifestos, interpretando seus significados, articulando de forma
hermenêutica, o conteúdo social da produção destes relatos34.
Nas entrevistas foram categorizadas os temas centrais tais como sentidos do
termo humanização, conhecimento sobre humanização, elementos que dificultam ou
favorecem sua implementação, a dinâmica do processo de trabalho e sua interferência
na assistência ao parto.
A equipe de enfermagem da maternidade cuja pesquisa foi desenvolvida é
composta em sua totalidade por profissionais do sexo feminino. Como ressalta Oliveira
(2008), os recursos humanos dispensados as maternidades são geralmente do sexo
feminino, uma vez que, proporciona às mulheres mais conforto e tranqüilidade.
O tempo de serviço na maternidade tem influência acerca do tema proposto uma
vez que os profissionais mais antigos apresentam conhecimento mais deficiente acerca
do tema, refletindo isto na assistência prestada às gestantes. Fato este, que pode ser
percebido nas respostas obtidas das duas funcionárias mais antigas da maternidade ao
responderem a pergunta sobre o significado do termo humanização:
“É um atendimento promovendo bem estar e conforto” (entrevista
n°6).
34
TOMPSON, J.B. Ideologia e Cultura Moderna: teoria social critica na era dos meios de comunicação
em massa. Petrópolis;Vozes, 1998.
19
“É saber tratar o paciente” (entrevista n°12).
Ou quando perguntadas sobre como acham que deve ser um parto
humanizado:
“É um parto natural” (entrevista 6).
“É o parto normal sem pique ou clister” (entrevista n° 12).
Os recursos humanos dos serviços de saúde precisam ser constantemente
reciclados. A capacitação das equipes de saúde deve se dar de forma permanente. Uma
vez que, a falta de atualização dos profissionais influi diretamente na assistência
prestada a clientela2.
A partir da análise dos questionários pode se perceber que o conhecimento das
entrevistadas acerca do termo humanização é escasso. Assim, dois grupos foram
categorizados. Aquele no qual as entrevistadas referem o termo humanização como o
conjunto de ações necessárias para atender a paciente com qualidade, empatia e respeito
as crenças, culturas e diversidade de opiniões.
“Acolher o paciente com o respeito que ele merece respeitando o
limite de cada um, sendo amigo antes de ser profissional”
(entrevistado 3).
“É um atendimento promovendo bem estar e conforto” (entrevistado
6).
“(...) É respeitar a singularidade de cada um (...)” (entrevistado 7).
“Atender com qualidade (...) mas para isso deve ter estrutura e
equipamentos...” (entrevistado 13).
E aquele cujas entrevistadas discorrem sobre o fato de colocar-se no lugar da
paciente, ou mesmo, enxergá-la como alguém da família. Como demonstram as falas:
“É cuidar do outro como se fosse um dos seus” (entrevistado 2)
“(...) Pensar como se fosse você que estivesse naquela situação (...)”
(entrevistado 6).
“(...) Será que se fosse você nesta situação você ia querer ou não certo
procedimento?” (entrevistado 8).
Algumas das entrevistadas referem que as mulheres por terem vivido tal
experiência sabem ser cuidadoras e conhecem as necessidades das mulheres em trabalho
de parto. Na entrevista de número 5 e 8 as profissionais apontam:
20
“Nós mulheres, principalmente, as que já tiveram filhos sabemos
como tratar as outras mulheres neste momento (...) então sabemos
como direcionar um parto humanizado” (entrevistado 5).
“É saber o que a mulher precisa naquele momento e oferecer a ela (...)
podemos não saber como vocês querem que seja, mas sabemos como
as mulheres querem (...)” (entrevistado 8).
Das técnicas e condutas adotadas pela instituição a única observada e
considerada pela equipe, em geral, como humanizadora é a presença do acompanhante.
Os hospitais e maternidades encontram-se em processo de adaptação da estrutura
física e recursos materiais para acolher de forma adequada os acompanhantes, uma vez
que, a presença deste é regulamentada por lei35.
“Nesta maternidade a única forma de humanização é a presença do
acompanhante que algumas mulheres têm.” (entrevista n° 1)
“Acho que ter um acompanhante é humanização já que é lei (...)”
(entrevista n° 4).
“No hospital precisa de muita coisa para humanizar (...) mas já esta
começando,
pois
cada
vez
mais
mulheres
têm
acompanhantes”(entrevista n° 9).
Outras não observam nenhuma ação humanizadora desenvolvida pela instituição
e ainda consideram a humanização uma utopia.
“Essa humanização não existe aqui neste hospital (...) acho que vou
aposentar sem ver isso acontecer por aqui” (entrevista n° 2)
“Eu não observo ações humanizadoras aqui no setor e acho que é
muito difícil desenvolver isso, está fora do nosso alcance” (entrevista
n° 11).
Vale ressaltar, que mesmo comprovado por evidências, a assistência humanizada
ao parto, é geradora de resistências entre profissionais da área da saúde 2.
Os hospitais públicos do Brasil têm buscado oferecer uma assistência
humanizada ao parto e, muitos têm conseguido. Isto prova que a humanização não é
uma utopia como muitos acreditam36.
35
CASTRO, Jamile Claro de e CLAPIS, Maria José. Parto humanizado na percepção das enfermeiras
obstétricas envolvidas com a assistência ao parto. Rev. Latino-Americana de Enfermagem [online]. 2005,
vol.13, n.6, pp. 960-967.
21
Algumas ações humanizadoras já desenvolvidas pela instituição como
alojamento conjunto e incentivo ao aleitamento materno precoce não foram citadas
pelas funcionárias da equipe, podendo-se inferir, portanto, que há um déficit de
conhecimento por parte das mesmas com relação ao que seriam condutas e técnicas
relacionadas ao processo de humanização.
Com relação às dificuldades enfrentadas pela equipe para a implementação de
ações relacionadas com o processo de humanização, pode-se destacar a presença do
acompanhante, a falta de acompanhamento psicológico, e a deficiência de recursos
humanos, materiais e físicos.
Na entrevista nº10 a profissional relata “Dizem que a presença do acompanhante
é humanização, então eles devem ser humanizados primeiros para depois serem
acompanhantes”.
Na entrevista de nº 4 o relato da profissional é que “(...) tem acompanhante que
só atrapalha, eles não ajudam a paciente e ainda atrapalham nosso serviço”.
Já na entrevista n° 14 a profissional ressalta “(...) tem muitos acompanhantes que
ficam mais nervosos que a própria mulher (...) então eles são com certeza uma barreira
para nossa atuação”.
Para as profissionais entrevistadas a presença do acompanhante parece ser mais
um problema a ser administrado do que um benefício para a evolução do trabalho de
parto da mulher. Como em geral vetam ou não informam ao acompanhante a
possibilidade de sua presença, algumas vezes estes são dispensados pela recepção e
orientados a telefonar mais tarde para saberem noticias do RN e puérpera.
A violência nos serviços de saúde pode ser explicada porque estas são
instituições que funcionam com as portas abertas sendo acessíveis a qualquer pessoa.
Ao mesmo tempo, não possuem os mecanismos de controle e dissuasão que os serviços
policiais. Acrescenta-se ainda o fato de que lidam com situações que são muitas vezes
envolvidas em um clima emocional intenso e muita tensão que podem desencadear
reações violentas. Em algumas das entrevistas pode-se perceber que a violência verbal
demonstradas por alguns acompanhantes são um dos motivos pelo quais as profissionais
36
MACHADO, Nilce Xavier de Souza; PRACA, Neide de Souza. Centro de parto normal e a assistência
obstétrica centrada nas necessidades da parturiente. Rev. Escola de Enfermagem da USP [online]. 2006,
vol.40, n.2, pp. 274-279.
22
não concordam com a presença do acompanhante nas maternidades no trabalho de parto
e parto37.
A postura dos profissionais de recusar ou dificultar o acesso dos acompanhantes
ignora as vantagens demonstradas cientificamente que esta presença traz para a
parturiente38. Cabe, portanto, à direção da maternidade, redimensionar o espaço físico e
a abordagem da equipe no sentido de potencializar a presença do acompanhante.
Com relação ao atendimento psicológico que já é desenvolvido na instituição
algumas entrevistadas ressaltam:
“As orientações dadas pela psicóloga é uma conduta humanizadora,
porém esta deveria disponibilizar mais tempo para a maternidade”
(entrevista n° 8).
“(...) existem problemas que só uma psicóloga poderia resolver ou
amenizar” (entrevista n° 1).
Outra profissional destacou além da falta do atendimento psicológico
a deficiência de orientações e condutas da enfermeira.
“O que dificulta a implementação da humanização neste setor é a falta
de orientação tanto da enfermeira quanto da psicóloga, elas deveriam
desenvolver um trabalho mais eficaz na maternidade” (entrevista n°
9).
As gestantes devem ter à sua disposição orientações e informações que as
auxiliem no trabalho de parto, parto e puepério. Uma equipe multi e interdisciplinar
composta por médico, enfermeiro, psicólogo, nutricionista, assistente social,
fisioterapeuta, e odontólogo, faz-se necessário para suprir as necessidades e expectativas
das parturientes 39.
Foi citado ainda pelas profissionais como dificuldades enfrentadas pela equipe
para o desenvolvimento do processo de humanização da assistência ao parto, o número
deficiente de recursos humanos, materiais e físicos disponíveis no setor.
O quantitativo de pessoal é considerado uma grande dificuldade de melhoria das
condições de trabalho. Ao se diminuir a quantidade de tarefas que cada funcionário tem
37
BISCAIA, A. A saúde um setor particularmente vunerável à violência. Rev. brasileira de enfermagem
[online].2004,vol.43,n. 3.
38
HOFMEYER,G.J. Evidence-based intrapartum care. Best Practice & Research Clinical Obstetrics &
Gynaecology. Feb;19(1):103-15, 2005.104-1169.
39
DIAS, Marcos Augusto Bastos. Humanização da assistência ao parto: conceitos, lógicas e praticas no
cotidiano de uma maternidade pública. Ciência e saúde coletiva [online] 2006, vol.4, n.2,pp. 556-72.
23
para executar, poderia disponibilizar à equipe mais tempo para as parturientes, e
consequentemente uma melhoria na qualidade da assistência
20
. As profissionais do
setor referem este problema como dificuldade enfrentada pela equipe.
“Para desenvolver esta humanização é necessário que contratem mais
funcionários, assim podemos dar mais atenção as pacientes”
(entrevista n° 11).
“Necessita de mais profissionais neste setor para darmos conta de
todas as tarefas desenvolvidas” (entrevista n° 7 ).
“(...) a contratação de mais profissionais para o setor resolveria muitos
dos problemas” (entrevista n° 2).
A sobrecarga de trabalho parece interferir muito na possibilidade de
humanização. O aumento do quantitativo de recursos humanos não é, entretanto a
condição suficiente para alguns profissionais 40.
A falta de espaço físico e de mobiliário hospitalar é considerada uma das
principais fontes desumanizadoras na assistência à saúde
41
. Como ressalta a
profissional entrevistada:
“(...) não tem como todas as gestantes terem acompanhante pois não tem lugar
para eles dormirem (...) a cadeira que eles usam deveria servir para a gestante
amamentar” (entrevista n° 10).
A análise dos diversos espaços de atendimento percorridos pela mulher na
maternidade faz-se necessária neste contexto. Esta foi realizada a partir da articulação
das observações realizadas em cada um dos diferentes locais, com os relatos das
entrevistas e também com as falas dos profissionais, entrevistados ou não, mas que
tiveram presentes nos diversos momentos do trabalho de campo.
As condições de estrutura física e limpeza do ambiente das maternidades e
hospitais devem ser adequadas e amplas. Oferecendo a equipe excelentes condições de
trabalho e relacionamento interpessoal da equipe. Estes fatores são de fundamental
importância para a prestação de uma assistência de qualidade 42.
40
OLIVEIRA, Maria Inês Couto de; DIAS, Marcos Augusto Bastos; CUNHA, Cynthia B; LEAL, Maria
do Carmo. Qualidade da assistência ao trabalho de parto pelo Sistema Único de Saúde, Rio de Janeiro
(RJ), 1999-2001. Rev. Saúde Pública [online]. 2008, vol.42, n.5, pp. 895-902.
41
DINIZ, Carmen Simone Grilo. Humanização da assistência ao parto no Brasil: os muitos sentidos de
um movimento. Ciênc. saúde coletiva [online]. 2005, vol.10, n.3, pp. 627-637.
42
TORNQUIST, Carmen Susana. Paradoxos da humanização em uma maternidade no Brasil. Caderno de
Saúde Pública [online]. 2003, vol.19, suppl.2, pp. S419-S427.
24
No hospital em estudo o espaço físico na recepção para a espera das mulheres e
seus acompanhantes apesar de ser adequado, deve ser organizado quanto as informações
visuais, a informações formal sobre os direitos das mulheres e sobre o atendimento
prestado na unidade devem estar clara e visível. A recepção apresenta ótimas condições
de trabalho, porém o atendimento dos profissionais com as gestantes e seus
acompanhantes deve ser mais acolhedor, havendo necessidade para tanto de presteza na
prestação de serviços, além de melhoria na qualidade das informações prestadas. Como
se pode observar em uma das respostas obtidas.
“A humanização tem que começar da recepção, pois como elas atendem mal
acabam atrapalhando nosso serviço (...)” (entrevista n° 2).
A sala de admissão deve ser adaptada quanto a permanência dos acompanhantes
durante a realização do exame na mulher. As enfermarias também devem ser adequadas
para a permanência das mulheres, seus bebês e acompanhantes/visitantes. Presença de
informação visual nas enfermarias, pré-parto e sala de admissão contendo as rotinas
hospitalares e sua aplicação, direitos e deveres dos acompanhantes, e da parturiente. O
relacionamento dos profissionais de saúde com as mulheres e seus acompanhantes deve
ser melhorado. O centro obstétrico e sala de parto devem ser adaptados com relação à
assistência humanizada. O ambiente pré-parto apresenta possibilidade de deambulação
e banho, contudo o mesmo não oferece condições para a permanência do acompanhante
devendo ser adaptado para tal. A coordenação deve se organizar para oferecerem aos
profissionais da equipe crachás de identificação. A qualidade das informações
oferecidas tanto pelos médicos, quanto pela equipe de enfermagem sobre diagnóstico,
tratamento, pós atendimento e educação em saúde necessitam ser avaliadas.
O projeto obteve uma avaliação positiva, uma vez que, pode-se observar uma
melhoria na qualidade das respostas obtidas através da aplicação dos questionários, fato
que pode ser percebido ao se comparar as respostas obtidas no primeiro questionário
com do questionário respondido após a capacitação implementada pelo projeto.
“É um atendimento promovendo bem estar e conforto” (entrevistada
6).
25
“É acolher a mulher de forma digna e amorosa, respeitando os seus
direitos, dando condições para ela ter o seu bebê de parto normal, com
conforto, menos dor e presença de um acompanhante que ajude ela
neste momento” (entrevistada 6).
“Acolher o paciente com o respeito que ele merece respeitando o
limite de cada um, sendo amigo antes de ser profissional” ( entrevista
n° 3).
“Um atendimento humanizado deve começar no pré-natal da mulher
com um preparo da mãe e da família. A mulher deve ser acolhida na
maternidade de maneira que todos as suas necessidades sejam
atendidas, pois este é um momento inesquecível de sua vida e ela deve
sentir satisfeita” (entrevista n° 3).
Surge pela primeira vez nas respostas das profissionais a percepção de que a
humanização da assistência não inclui apenas um atendimento focado no cliente,
relaciona-se com uma série de fatores que devem ocorrer de forma simultânea, inclusive
oferecendo aos profissionais condições biológica, psicológica e social favorável.
“(...) os profissionais também devem receber humanização para
poderem trabalhar satisfeitos.” ( entrevista n° 5 ).
“(...) quando o trabalhador esta de bem com ele mesmo ele pode
passar isso para o paciente e oferecer um atendimento humanizado
(...)” (entrevista n° 2).
“Respeitar o profissional de saúde também é humanização, nós
precisamos de melhores condições de trabalho e salário, assim
podemos atender o cliente com qualidade” (entrevista n° 10).
Com relação às sugestões das entrevistadas para a melhoria da humanização na
assistência à parturiente, destaca-se a preparação das gestantes durante o pré-natal nas
unidades básicas de saúde, incluindo orientações quanto aos seus direitos e deveres
durante a estadia na maternidade, além de informar a elas que o acompanhante de sua
escolha deve ser alguém tranqüilo e estável psicologicamente.
“(...) se as mulheres fossem preparadas desde o pré-natal esta
humanização poderia ser mais fácil” ( entrevista n° 7).
“No pré-natal deveria informar para a mulher que o acompanhante
deve ser alguém calmo e paciente (...)” (entrevista n° 13).
26
“Um atendimento humanizado deve começar no pré-natal da mulher
com um preparo da mãe e da família (...)” ( entrevista n° 3).
Observa-se que, com os resultados obtidos, alguns dos objetivos deste estudo
foram alcançados. Entretanto, o presente projeto não pretendeu, em nenhum momento,
exaurir o assunto, mas deixar subsídios para que a discussão e prática relacionada ao
tema central do estudo venham ser estimuladas e ampliadas.
Uma gestão eficaz
depende de pessoal qualificado e motivado.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A enfermagem obstétrica nesse cenário assistencial busca incorporar os
princípios de cuidado de estímulo à fisiologia do parir, de expressão da sensibilidade,
subjetividade e intersubjetividade no ambiente do cuidado. Deste modo, o protagonismo
feminino pode ser vivenciado com respeito à cidadania, direitos e autonomia das
mulheres.
Autonomia significa propriamente a competência humana em dar-se suas
próprias leis, agir de maneira soberana em relação a si mesmo, sendo o modo de ser do
humano, portanto, uma precondição para a saúde e para a cidadania. Sem essa
perspectiva, uma política de saúde não pode ser considerada como tal43.
“A autonomia como valor, implica a busca da democratização das
relações entre profissionais e pacientes, do compartilhamento de
saberes, do reconhecimento, respeito e valorização da multiplicidade,
da diversidade e das singularidades, maior responsabilidade e
participação dos cidadãos, resgate e valorização da subjetividade e,
acima de tudo, de uma ética de solidariedade e responsabilidade” 44.
Ainda hoje, a busca por igualdade, liberdade e justiça social é vista como um
grande desafio para as mulheres brasileiras, em diversos contextos, como no campo da
saúde sexual e reprodutiva. A gestação e o parto, como eventos naturais e fisiológicos,
43
Soares JCRS, Camargo Jr KR. A autonomia do paciente no processo terapêutico como valor para a
saúde. Interface (Botucatu). 2007; 11(21): 65-78).
44
SERRUYA, Suzanne Jacob; LAGO, Tânia Di Giácomo and CECATTI, José Guilherme. O panorama
da atenção pré-natal no Brasil e o Programa de Humanização do Pré-natal e Nascimento. Rev. Brasileira
de Saúde Materno Infantil [online]. 2004, vol.4, n.3, pp. 269-279.
27
fazem parte da vida sexual e reprodutiva da mulher deve ser acompanhada de maneira
favorável e não invasiva, possibilitando que a parturiente tome posse do seu trabalho de
parto de forma ativa.
Os estudos feministas partem do pressuposto que a eqüidade de gênero só pode
ser alcançada mediante o empoderamento das mulheres, para que haja o despertar da
consciência sobre a discriminação de gênero e melhorar a sua própria percepção,
visando à transformação das relações de submissão, o reconhecimento de seus direitos,
o estabelecimento de atitude emancipatória para a conquista da cidadania45.
Atualmente, as políticas de saúde da mulher vêm ampliando o cuidado à mulher
sob a perspectiva de gênero, este compreendido como elemento constitutivo das
relações sociais entre homens e mulheres e resultante de uma construção social e
histórica, que determina os modelos culturais e comportamentais de masculinidade e
feminilidade, representando uma forma primeira de significação de poder46.
Nessa perspectiva, o cuidar em enfermagem obstétrica deve necessariamente
resgatar a subjetividade, assegurar direitos inalienáveis e construir relações humanas
democráticas, superando as assimetrias de poder que ainda permeiam nossa sociedade,
em particular na assistência à saúde da mulher.
45
Lisboa TK. O empoderamento como estratégia de inclusão das mulheres nas políticas sociais. In: 8º
Seminário Internacional Fazendo Gênero; 2008 Set. 12-15; Florianópolis (SC) [citado 2010 jan. 10].
Disponível em: http://www.fazendogenero8.ufsc.br/sts/ST11/Teresa_Kleba_Lisboa_11.pdf). [Acessado
em: 13 de maio de 2012]
46
Ventura M. Saúde feminina e o pleno exercício da sexualidade e dos direitos reprodutivos. In: Fundo de
Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (UNIFEM), organizador. O progresso das mulheres
no Brasil [Internet]. Brasília (DF): UNIFEM; 2006 [citado 2010 jan 10]. Disponível em:
http://www.generoracaetnia.org.br/publicacoes/Progresso%20das%20Mulheres-BR.pdf). [Acessado em:
15 de abril de 2012]
28
ANEXO I:
TCLE - Termo de Consentimento Livre e esclarecido
UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO
UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL
PROGRAMA DE EDUCAÇÃO PARA A DIVERSIDADE
ESPECIALIZAÇÃO EM GESTÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS COM FOCO
EM RAÇA E GÊNERO - POLO ARAÇUAÍ
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
Você está sendo convidado(a) para participar da Oficina educativa sobre
Humanização na assistência ao parto, para a qual você foi escolhido por fazer parte da
equipe de enfermagem da Maternidade do Hospital São Vicente de Paulo, e sua
participação não é obrigatória. Você também poderá desistir de participar a qualquer
momento e retirar seu consentimento. Sua recusa não trará nenhum prejuízo em sua
relação com o pesquisador. Os objetivos deste estudo são: investigar o que significa
para a equipe de enfermagem o termo humanização; investigar a percepção das
Técnicas e auxiliares de enfermagem sobre o parto humanizado; discutir as práticas de
assistência e as estratégias adotadas na unidade referentes a humanização do parto;
sensibilizar a equipe quanto alguns aspectos específicos da gestação, necessários a uma
assistência adequada às parturientes; avaliar a percepção da equipe antes e após a
oficina. Sua participação nesta pesquisa consistirá em assistir a um material áudio visual
(DVD) sobre a temática proposta e leitura de uma apostila complementar sobre o tema,
além de responder aos questionários de entrevista da pesquisa. Os riscos serão mínimos
relacionados ao constrangimento ao responder aos questionamentos da entrevista e a
privacidade será garantida. Os benefícios relacionados com a sua participação nesta
pesquisa será o de contribuir para a avaliação e possível melhoria da assistência
humanizada à mulher e ao recém nascido. Você receberá uma cópia deste termo onde
constam o telefone e o endereço do pesquisador principal, podendo tirar suas dúvidas
sobre o projeto e sua participação, agora ou a qualquer momento.
29
______________________________________
Ana Cristina Pereira Cardoso
Rua Floriano Peixoto – 162
Bairo Santa Tereza
39.600-000 - Araçuaí / MG
Tel: (33) 9905 2331
Declaro que entendi os objetivos, riscos e benefícios de minha participação na
pesquisa e concordo em participar.
_________________________________________
Nome: ___________________________________
Nome do sujeito da pesquisa
Informações:
e-mail: [email protected]
30
ANEXO II:
QUESTIONÁRIO:
Idade:
Sexo: ( ) Feminino
( ) Masculino
Formação: Auxiliar de enfermagem (
)
Técnico de enfermagem (
)
Tempo de serviço ---------------Tempo de serviço na maternidade -----------------Ao seu ver o que significa o termo humanização?
Como você acha que deve ser um parto humanizado?
Quais são as técnicas e condutas adotadas pela instituição que você considera
como uma abordagem humanizada?
Percebe alguma(s) dificuldade(s) para implementar a assistência humanizada
durante o trabalho de parto?
(
) SIM
Qual ____________________________________
Quais___________________________________
31
(
) NÃO
APÊNDICE B
QUESTIONÁRIO:
Idade:
Sexo: ( ) Feminino
( ) Masculino
Formação: Auxiliar de enfermagem (
)
Técnico de enfermagem (
)
Tempo de serviço ---------------Tempo de serviço na maternidade -----------------Ao seu ver o que significa o termo humanização?
Como você acha que deve ser um parto humanizado?
Qual a sua sugestão para melhoria da humanização na assistência à parturiente?
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Ana Cristina Pereira Cardoso - Água, Mulheres e Desenvolvimento