GESTÃO DE CUSTOS DA LOGÍSTICA REVERSA EM UM ESTUDO DE CASO INDUSTRIAL Aliana Adelina Gomes Enzo Morosini Frazzon GESTÃO DE CUSTOS DA LOGÍSTICA REVERSA: EM UM ESTUDO DE CASO INDUSTRIAL Aliana Adelina Gomes Enzo Morosini Frazzon Universidade Federal de Santa Catarina Departamento de Engenharia de Produção e Sistemas RESUMO Para desenvolver um produto, uma empresa combina vários fatores de produção. Para isso, atividades são desenvolvidas desde a entrada de matéria-prima até a saída do produto acabado. Neste ciclo produtivo apesar da representatividade econômica, percebe-se que o descarte ininterrupto pode causar danos ao meio ambiente. Para isso, técnicas de gerenciamento desta cadeia podem ser utilizadas para conter estes impactos. Neste sentido, o presente trabalho tem como objetivo demonstrar um modelo de gestão de custos aplicável à logística reversa. A demonstração ocorreu por meio de um estudo de caso em uma Indústria de duchas no Oeste de Santa Catarina. A metodologia utilizada evidencia que a aplicação de um método de gerenciamento baseado em custos, pode ser utilizada em Logística Reversa para ganhos de imagem/marca. ABSTRACT To develop a product, a company combines various factors of production. To this end, activities are developed since the entry of raw materials to the finished product output. This production cycle despite the economic representativeness, we realize that the uninterrupted disposal can cause damage to the environment. To this end, this chain management techniques can be used to contain these impacts. In this sense, the present work aims to demonstrate a management model applicable to the reverse logistics costs. The demonstration took place by means of a case study in an Industry of showers in western Santa Catarina. The methodology shows that the application of a method based management costs, can be used in Reverse Logistics for gains in image / brand. 1. INTRODUÇÃO Com as transformações que o mundo empresarial tem passado, torna-se imprescindível do ponto de vista estratégico, a Logística Reversa como fator auxiliar no gerenciamento do fluxo de materiais, do seu ponto de consumo até seu ponto de origem. Esse fluxo inverso é ferramenta essencial na gestão estratégica e vem crescendo devido o reaproveitamento de produtos, e diminuindo impactos ambientais. Na atualidade, diversos são os motivos que tornam a Logística Reversa (LR), um assunto relevante, dentre eles cita-se a redução do ciclo de vida mercadológico dos produtos e sua obsolescência precoce, o descontrole do mercado consumidor em substituir em demasia seus produtos e o alto custo de reparo dos bens diante do preço de venda de mercado. Em uma perspectiva de negócios, enquanto o gerenciamento logístico está preocupado com o fluxo de materiais e informações da cadeia produtiva, o gerenciamento da logística reversa está preocupado com o retorno dos resíduos de produtos, tornando-os inertes ao meio ambiente (Rogers e Tibben-Lembke 1999). A cadeia de suprimentos reversa é uma área da Logística Empresarial que planeja, opera e controla o fluxo e as informações logísticas ao retorno dos bens pós-venda de pós- consumo ao ciclo de negócios ou ao ciclo produtivo, através dos canais de distribuição reversos (Leite, 2003). Com o novo perfil do consumidor, mais exigente e preocupado com as questões ambientais, 1 desencadeou o desenvolvimento dessa área na logística empresarial, chamado de canal de distribuição reverso (CDR), que é responsável pelo fluxo direto, incluindo o retorno, o reuso, a reciclagem e a disposição segura de seus componentes e materiais constituintes após o final da vida útil, ou ainda, após apresentarem não conformidade, defeito, quebra ou inutilização (Pereira, et al., 2012). A Logística Reversa (LR) tem sido fonte de diversas discussões nos últimos anos, esta prática tem sido adotada por diversas empresas no mundo, assim a proposta do presente trabalho é verificar a aplicação desta ferramenta em uma Indústria de duchas. O objetivo do presente artigo é demonstrar um modelo de gestão de custos aplicável à logística reversa. Para tanto foi utilizado um estudo de caso em uma Indústria de duchas no Oeste de Santa Catarina. São ainda apresentados os conceitos da logística reversa e exploradas possíveis aplicações industriais, demonstrando o custo efetivo do processo em comparação com os custos de um processo de produção tradicional, sem reaproveitamento de material. 2. CADEIAS DE SUPRIMENTOS E OS CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO REVERSOS Nas cadeias de suprimentos é necessário o gerenciamento dos retornos denominado de logística reversa (Cooper, Lambert e Pagh, 1997). A preocupação com os canais de distribuição reversos é recente, desta maneira, a atenção das empresas com retorno dos produtos ao ciclo produtivo ou de negócios, e, consequentemente, o seu valor readquirido no mercado secundário pelo reuso ou pela reciclagem de seus materiais, é uma abordagem relativamente nova (Leite, 2003). O fluxo direto pode se processar por meio de diversas possibilidades conhecidos como etapas de atacadistas ou distribuidores, chegando ao varejo e ao consumidor final (Leite, 2003). Figura 1: Canais de distribuições diretos e reversos Fonte: Leite (2003) 2 Percebe-se que o canal de distribuição reverso de pós-consumo são constituídos pelo fluxo reverso de produtos que retornam ao ciclo produtivo de alguma maneira. 2.1 A Economia Reversa na Cadeia de Suprimentos Na década 70, os primeiros conceitos de LR começa a surgir, associado a distribuição, porém, aplicados de forma inversa e com objetivo de atender as necessidades provenientes do pós consumo. Costa e Valle (2006) escrevem que “a atenção para a logística reversa esteve focada essencialmente para questões ambientais pelo fato da reciclagem ser um de seus pontos principais”. Todavia, percebe-se que em muitas aplicações o resultado financeiro pode ser percebido como positivo. Logística Reversa é um termo utilizado de forma genérica. Atualmente, a Logística Reversa está bastante ligada a assuntos ecológicos e ambientais, porém, frequentemente vem sendo vinculada a questão econômica, devido ao fato de empresas estarem procurando aumentar lucros, reduzindo custos, para melhorar a competitividade e diminuir seus prejuízos. Para Stock (1998) a Logística Reversa refere-se ao papel da Logística no retorno de produtos, redução na fonte, reciclagem, substituição de materiais reusa de materiais, disposição de resíduos, reforma reparação e remanufatura. Normalmente os fabricantes não se sentem responsáveis pelo retorno de seus produtos, o maior problema apontado por Caldwell (1999), é a falta de sistemas informatizados que permitam a integração da Logística Reversa ao fluxo normal de distribuição. Embora, algumas empresas entendam a importância do fluxo reverso e queiram implementar o gerenciamento da Logística Reversa, a escassez de sistemas informatizados que mensure o impacto destes retornos, dificultando o controle deste processo. Chaves (2005) afirma que: “as mudanças no comportamento de consumo das pessoas também têm contribuído para a incorporação da logística reversa por parte da empresas”. De acordo Rogers e Tibben-Lembke (1999), o fato de que o fluxo reverso não representa receitas, mas custos e como tal recebem pouca ou nenhuma prioridade nas empresas. Porém, empresas que possuem um bom sistema logístico conseguem grandes vantagens competitivas sobre aquelas que não possuem. Acredita-se também que as empresas que se adequarem com maior rapidez a este fluxo reverso, as questões ambientais, conseguirão além de uma possível redução em seus custos também uma melhor imagem na sociedade e consequentemente melhores resultados em relação aos clientes. Os autores Dekker & Brito (2002) citam que o fluxo de retorno pode ser dividido em três grandes grupos, são eles: • Retorno de Manufatura: quando internamente na produção de um bem ocorre algum rejeito devido ao controle interno de qualidade. Este bem precisa retornar a um ponto anterior para ser remanufaturado. • Retorno de Distribuição: este fluxo reverso é caracterizado quando o retorno tem origem 3 na cadeia de distribuição do produto, após este já ter sido manufaturado e disponibilizado ao mercado. Refere-se, portanto a recalls, ajuste de estoque e retornos comerciais. • Retorno do cliente: quando um produto encontra-se com o consumidor final e este inicia a cadeia de retorno devido a questões de qualidade, garantia fim de uso ou fim do ciclo de vida do produto. Para Leite (2009) os fluxos de retorno e a aplicação da logística reversa são intrínsecos ao aumento da disponibilização de produtos ao mercado. Como mostra a figura 2: Figura 2: Fluxo dos canais reversos Fonte: Souza et al 2012 apud Leite 2009. Outros objetivos econômicos de canais reversos podem ser o de reuso, onde há uma revalorização de produtos e componentes em alguns segmentos como automotivo, eletroeletrônico, siderúrgico, metalúrgico, embalagens, entre outros (Pereira et al., 2012). A figura 2 define todas as etapas do fluxo dos canais reversos. 2.2 Mapeamento das atividades aplicação do método de custeio ABC O mapeamento dos fluxos reversos está inserido na rede de distribuição reversa, na qual indica quais os caminhos que os produtos irão percorrer até seu descarte final. Ao contrario do que alguns autores sugerem o ciclo de vida de um produto não termina com a 4 compra do consumidor final, atualmente discute-se o ciclo de vida do produto em relação ao impacto deste no ambiente já que a forma de descarte do mesmo pode ser benéfica ou prejudicial ao meio ambiente e a sociedade. As discussões sobre sustentabilidade, que segundo estudiosos esta pautada no equilíbrio entre o econômico, o social e o ambiental sugere as empresas a preocupação com o todo, não apenas com as partes, afinal cuidar do produto até o descarte é a nova forma de gerar valor aos produtos e ao negócio. A figura 3 mostra as etapas da logística reversa na organização em estudo. Coleta de Duchas em pontos estratégicos Montagem/ Componentes eletrônicos Retorno a Indústria Seleção Pintura/ Estamparia Limpeza Separação/ Embalagem Distribuição Figura 3: Atividades do processo logístico reverso na Indústria de Duchas. Fonte: Autores O fluxo reverso faz com que os produtos voltem ao processo de produção, para que este fluxo seja possível é necessário um conjunto de atividades que a organização deve realizar, tais como: separação material, formas ou pontos de coleta, reciclagem do material, entre outros. Leite (2003) diz que: “todos os produtos tem uma vida útil que deve ser conhecida para possibilitar a logística reversa de forma adequada”. Assim o autor define os produtos em três linhas, sendo: bens duráveis: vida útil de alguns anos a algumas décadas; bens semiduráveis: vida útil de alguns meses a dois anos; bens descartáveis: vida útil de algumas semanas. Ainda, segundo o autor: “os bens duráveis poderão ser reaproveitados ou ter seus componentes aproveitados”. Considerando a caracterização de Leite (2003), entende-se o produto objeto do presente estudo como bem durável, afinal as duchas segundo empresa tem vida útil média de cinco anos. Neste sentido, aplica-se a metodologia que, segundo Lima et al (2010) diz que a ideia do custeio ABC é assumir os custos das várias atividades da organização e compreender seu comportamento através de bases que representem a relação entre os produtos e essas atividades. Desta forma, pode-se dizer que o ABC propõe que os custos sejam atribuídos às atividades e não aos produtos. Ao contrário de métodos tradicionais, de acordo com La Londe e Pohlen apud Faria e Costa (2010) o custeio baseado em atividade evoluiu e tem como premissa obter informações mais precisas, ao invés de alocar os custos logísticos como um todo para depois aloca-los a produtos. 5 Martins (2008) diz que este sistema tem como fundamento básico a busca do princípio da causa, ou seja, procura identificar de forma clara, por meio de rastreamento, o agente causador do custo, para lhe imputar o valor. O Custeio Baseado em Atividades é uma metodologia de custeio que procura reduzir sensivelmente as distorções provocadas pelo rateio arbitrário dos custos indiretos. Essa ideia é corroborada por Faria e Costa apud Amaral (2012), que partindo de estudo desenvolvido por La Londe e Pohlen (1998), acrescentam que o ABC: Determina os fatores que direcionam os custos logísticos; Fornece dados de custos mais precisos; Atribui o custo logístico aos grupos de produtos; Determina como a logística contribui com a rentabilidade da empresa; Promove a mensuração dos clientes, regiões ou canais de mensuração mais rentáveis; Favores a verificação dos benefícios de custos resultantes de esforços da reengenharia. 3. ESTUDO DE CASO A indústria objeto de pesquisa está no mercado há 16 anos produzindo duchas elétricas, preocupada com sua responsabilidade social e ambiental teve iniciativa em implantar a Logística Reversa, no ano de 2011, a mesma não teve investimento inicial, apenas ocorreu ampliação em seu espaço físico por outros motivos. Sediada na cidade de Pinhalzinho, oeste Catarinense, atua no Sul e Sudeste do país. Em seu mix de produtos industrializados e comercializados estão as duchas, onde o corpo das duchas é confeccionado dentro da empresa, em uma de suas injetoras, após passa pelo trabalho manual onde são inseridos seus componentes eletrônicos, então é embalado e entra no mercado com garantia de 1 ano. Dados fornecidos pela empresa constatou-se que no ano de 2011, i) quantidade de duchas vendidas compreende 105 mil unidades/ano; ii) quantidade de duchas recondicionadas/ reaproveitadas compreende 4,5 mil peças ano, iii) em análise feita deste produto no mercado, estima-se que em média 2 mil duchas produzidas são descartadas e não retornam a origem, com base nestas informações, apresenta-se a tabela 1: Tabela 1: Destino produção total anual: Dados da Empresa Destinos Em utilização Retornando a Indústria Descartados incorretamente; Permanecem nos pontos de vendas. Descartados em espaço de reciclagem especializado Duchas produção 67.200,00 4.515,00 1.995,00 30.450,00 840,00 105.000,00 % 64,00 4,30 1,90 29,00 0,80 100,00 Fonte: Elaborado pelos autores Para recondicionar uma ducha, o corpo da ducha passa por um processo de limpeza para que ela seja vendida como nova. A empresa tem postos de recolhimento juntamente com suas assistências técnicas autorizadas. Dados atuais da empresa informam que dos 105 mil duchas 6 produzidos e comercializados anualmente apenas 4,3% retornam ao ponto de origem, o que sugere a necessidade de melhoramentos no sistema de logística reversa e nas ações de conscientização em relação ao descarte adequado desse tipo de produto. Acredita-se que será necessário desenvolver novas ações de conscientização nos clientes varejista, ações de atuação neste mercado reverso como oferecer benefícios aos clientes que retornarem duchas do às lojas de venda por exemplo, podem impactar de forma expressiva os números apresentados. Segundo Hansen e Mowen (2001) as atividades são o foco do custeio baseado em atividade. Logo, identifica-las é a primeira etapa lógica no projeto. Quando se tem uma lista de atividades, seus atributos são usados para defini-las. Como descreve a tabela 2: Tabela 2: Mapeamento das atividades reversas e direcionadores de recursos Atividades Compra/Coleta Retorno Seleção Limpeza Pintura/Estamparia Componentes Eletrônicos Itens de Custo Direcionadores de Custo Duchas ICMS Frete ICMS Unit. / Valor Alíquota Quant. Kg/ Valor Alíquota Mão e Obra Mão de Obra Água Material de Limpeza Mão de Obra Tinta Depreciação Energia Elétrica Mão de Obra Componentes Estimativa/ valor por unid. Estimativa/ valor por unid. Valor/consumo m3 Valor/consumo por und. Estimativa/ valor por unid. Valor/ consumo por und. Valor maq./vida útil/ período. Valor KW/ hora mensal Estimativa/ valor por unid. Valor/ consumo unit. Fonte: Autores Após identificação das atividades, classifica-se de acordo com a utilização do recurso em custos diretos e indiretos, tabela 3: Tabela 3: Alocação dos custos quanto às atividades Atividades Compra/Coleta Retorno Seleção Limpeza Pintura/Estamparia Componentes Eletrônicos Alocação dos custos diretos as atividades Duchas X ICMS X Mão e Obra Água Material de Limpeza Mão de Obra Tinta X X X X X X Mão de Obra Componentes X X Alocação dos custos indiretos as atividades Depreciação Energia Elétrica Frete ICMS X X X X Fonte: Autores 7 Com base nas informações da empresa, na produção anual de 105 mil unidades, sendo 4,3% retornam a indústria, ou seja, 4.515 mil unidades. São alocados os custos diretos e indiretos do processo. Custos como depreciação é calculado através do valor do bem de compra, como é o caso da estamparia com investimento de 40 mil, deduzindo 10% a.a. Demais custo indireto calcula-se custo total dividido pelas 4.515 unidades. A partir das etapas expostas, são calculados os custos unitários da matéria prima reciclada e comparada com o custo de produção de uma ducha nova, para isso foi considerado a mesma quantidade produzida ducha nova, ou seja, 4.515 unidades. Tabela 4: Comparativo custo por produto a cada 4.515 unidades Atividades Ducha Nova Ducha Recondicionada R$ R$ 2,80 Compra/Coleta Retorno R$ - R$ 5,00 Seleção R$ - R$ 5,00 Limpeza R$ - R$ 2,70 Pintura/Estamparia R$ 2,00 R$ 5,00 Componentes Eletrônicos R$ Margem de Contribuição R$ 17,00 R$ 9,00 18,00 R$ 7,50 R$ 37,00 R$ Fonte: Autores 37,00 Custo total De acordo com o quadro, percebe-se que o custo da ducha recondicionada antes da margem de contribuição, corresponde a 66,10% maior que o custo da ducha nova, porém, em virtude da quantidade recolhida no ano de 2011 e mesmo tendo uma lucratividade menor do que a ducha nova, a empresa pretende manter a abordagem, embasada na percepção das vantagens comerciais decorrentes da adoção de práticas de empresa sustentável. Analisar a importância da logística reversa apenas no olhar de custo, é limitar a análise, já que a busca não é só para o aumento real da lucratividade, mas sim para o aumento real da imagem da marca no mercado, para a redução real do impacto do produto na sociedade e no meio ambiente, os custos são sim importantes, contudo a ideia de gerar valor agregado para os clientes passa por novas atitudes em relação às responsabilidades na empresa não apenas da origem até o consumo, mas fazendo o caminho inverso do consumo até a origem. 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS Atualmente a sociedade vem se preocupando com os aspectos sustentáveis. Por parte da indústria há esforços a reutilizações, reprocessamento, e em questões ecológicas, que definirão a imagem positiva das empresas e poderão gerar possíveis oportunidades econômicas. De acordo com a pesquisa realizada, percebe-se que a Logística Reversa além de surgir como alternativa de renda proporciona a valorização da imagem da empresa no mercado e isso por si agregar valor a marca. Este estudo identificou e sugere que as indústrias da região, busquem dar maior atenção a questões de sustentabilidade, principalmente, porque é uma ferramenta estratégica e fonte de vantagem competitiva para algumas empresas. No caso desta indústria, mesmo percebendo que sua margem de contribuição diminui quando 8 se trata do recondicionamento da ducha, o impacto gerado nas vendas totais foi positivo e faz com que a empresa perceba a importância em investir em Logística Reversa. Foi possível identificar que as ações que sugerem o equilíbrio entre o econômico, o social e o ambiental são positivas na sociedade e que relação consumo tende a ser facilitada, pois o consumidor também percebe os benefícios direta e indiretamente. Atualmente o retorno do produto ao ciclo de produção ocorre por meio da assistência técnica. Os produtos em garantia são encaminhados para a empresa disponibilizando ao consumidor a reposição do produto imediato na troca com o defeito. Já os produtos considerados descartáveis pelo mercado consumidor, ou seja, aqueles que já estão, há algum tempo em uso e não estão mais no período vigente da garantia da fábrica, são entregues nesses postos de assistência. Por sua vez a assistência desconta um determinado valor da peça que não está mais sendo usado, assim, o consumidor adquire um produto novo com desconto como forma de incentivo para entrega do produto que não está impossibilitado do uso. De acordo com a pesquisa realizada pela empresa em suas revendas e por sua vez com seus consumidores finais, acredita-se que o impacto resultante nas vendas utilizando esse tipo de desconto e a busca pela empresa em ser “indústria sustentável”, contribuiu com um acréscimo de 15% nas vendas no ano de 2011. Embora, este aumento tenha se mostrado tímido, a ideia de investir em logística reversa busca resultados ainda mais positivos, em relação à sustentabilidade tem se intensificado nos últimos anos, o que deixa a empresa otimista pensando em futuros investimentos em maquinário e mais ações de conscientização, já que não tiveram investimento inicial, pois todas as máquinas utilizadas no processo reverso já estavam de posse da empresa. Agradecimentos Os autores agradecem as sugestões recebidas pelos revisores deste trabalho, que permitiram aprimorar o texto e eliminar diversas inconsistências. 5. REFERÊNCIAS AMARAL, Juliana Ventura. Trade-offs de custos logísticos. 2012. 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