ANALISE DE DECISÃO E ESTUDOS DE CUSTO-EFETIVIDADE - PPGEpi 2009 Custos e o Setor Saúde Prof. Giácomo Balbinotto Neto PPGE/UFRGS Bibliografia Sugerida Rascati, K. L (2010). Introdução à Farmacoeconomia, Porto Alegre, Artmed. (cap.2) Drummond, M.F et al. Methods for Economic Evaluation of Health Care Promagrammes. Cambridge, Cambridge University Press. (cap.4) 2 Bibliografia Sugerida Drummond, M.F e McGuire, A. (2001) Economic Evaluation in Health Care. Oxford University Press (cap.4) 3 PROF. GIACOMO BALBINOTTO NETO (PPGE/UFRGS) 1 ANALISE DE DECISÃO E ESTUDOS DE CUSTO-EFETIVIDADE - PPGEpi 2009 Bibliografia Sugerida Phillips, C. J. (2005). HEALTH Economics: Na Introduction for health professionals. Blackwell Publishing (cap.3) 4 5 Economia Insumos Custos Cuidados de Saúde Resultados (Outcomes) 6 PROF. GIACOMO BALBINOTTO NETO (PPGE/UFRGS) 2 ANALISE DE DECISÃO E ESTUDOS DE CUSTO-EFETIVIDADE - PPGEpi 2009 O ponto de vista econômico do tratamento médico A escolha de um tratamento parece ser uma questão puramente médica para algumas pessoas, mas médicos e outros prestadores estão cada vez mais cientes de que tratamentos alternativos podem ser avaliados e comparados d numa base b econômica. ô i É necessário ái examinar os custos de técnicas alternativas. Os médicos também estão cada vez mais sensíveis ao lado econômico do relacionamento médico paciente. As preferências dos pacientes são consideradas válidas ao se determinar a adequação de um dado tratamento. Folland, Goodman e Stano (2008, p. 38) 7 Os Aspectos Econômicos em Saúde Os aspectos econômicos associados à medicina eram secundários à preocupação do médico, que tinha como principal objetivo o cuidado e o bem-estar do paciente. A preocupação com a saúde e os benefícios das terapêuticas continua sendo o foco, mas desconhecer os custos envolvidos e ignorar a importância da gestão dos recursos disponíveis é algo incompatível com a realidade atual. Daltio, Mari, Ferraz (2007) - Revista de Psiquiatria Clínica, 34 (2) 8 Evolução dos gastos com medicamentos do Ministério da Saúde 37,9% 6.000 Gastos (milh hões R$) 34,0% 31,6% 33,9% 5.000 27,0% 4.000 4.289 26,6% 5.222 4.664 25% 3.000 20% 1.980 1.912 2.000 1.147 1.000 35% 30% 3.379 3.057 40% 516 1.355 1.580 15% 10% 814 5% 0% 0 2003 2004 2005 Medicamentos dispensação excepcional 2006 Total medicamentos 2007 2008 % Disp Excep/Total Fonte: MS/SCTIE/DECIT – Alexandre, R. Politicas Públicas para Medicamentos Excepcionais. Apresentação V Congresso Ciências Farmacêuticas - Riopharma. PROF. GIACOMO BALBINOTTO NETO (PPGE/UFRGS) 9 3 ANALISE DE DECISÃO E ESTUDOS DE CUSTO-EFETIVIDADE - PPGEpi 2009 Gastos com medicamentos em relação ao orçamento do Ministério da Saúde 14,00% 12,30% 12,00% 9,50% 10,00% 8 00% 8,00% 6,00% 11,20% 11,20% 2006 2007 10,10% 7 20% 7,20% 5,80% 4,00% 2,00% 0,00% 2002 2003 2004 2005 2008 Fonte: MS/SCTIE/DECIT – Alexandre, R. Politicas Públicas para Medicamentos Excepcionais. Apresentação V Congresso Ciências Farmacêuticas - Riopharma. 10 Recursos e gastos em saúde em diferentes países: Brasil e OECD País Gastos totais (% PIB) 2006 2006 1995 8,8 7,4 67,0 95,8 4,5 2229 1611 14,2 12,1 9,7 76,2 72,6 2,0 3606 2259 12,4 Bélgica 10,4 8,2 69,1 71,1 5,0 3488 1854 16,8 16,7 Canadá 10,0 9,0 70,4 71,4 4,7 3678 2057 17,4 13,8 1440 14,6 13,0 76,0 74,1 2000-2006 5,6 2006 Gastos farmacêuticos (% gasto total) 10,1 7,7 1995 Gastos em saúde (dólar per capita ppp) Áustria 8,2 2006 Taxa anual de crescimento (%) Austrália Finlândia 1995 Gastos públicos (% gasto total) 2668 1995 9,2 França 11,1 9,9 79,7 78,6 4,2 3449 1997 16,4 16,0 Alemanha 10,6 10,1 76,9 81,6 1,4 3371 2275 14,8 12,9 Itália 9,0 7,3 77,2 71,9 2,8 2614 1538 Japão 8,2 6,9 82,7 70,8 2,5 2474 20,0 1551 20,7 19,8 22,3 México 6,6 5,6 44,2 42,1 5,2 794 386 22,9 ... Nova Zelândia 9,3 7,2 77,8 77,2 6,7 2448 1244 12,4 14,8 Noruega 8,7 7,9 83,6 84,2 2,8 4520 1863 8,5 9,0 Portugal 10,2 7,8 70,6 62,6 3,3 2120 1036 21,3 23,6 Espanha 8,4 7,4 71,2 72,2 6,0 2458 1193 21,7 19,2 Suécia 9,2 8,0 81,7 86,6 4,7 3202 1746 13,3 12,3 Reino Unido 8,4 6,9 87,3 83,9 5,1 2760 1350 ... Estados Unidos 15,3 13,3 45,8 46,3 5,0 6714 3656 12,6 8,9 Média da OECD 8,9 7,6 73,0 72,9 5,2 2824 1494 17,6 16,3 15,3 Brasil * 7.2 8.4 ... ... ... ... ... ... ... 11 Gastos em saúde na OECD, 2004 http://www.oecd.org/dataoecd/5/27/36984860.pdf 12 PROF. GIACOMO BALBINOTTO NETO (PPGE/UFRGS) 4 ANALISE DE DECISÃO E ESTUDOS DE CUSTO-EFETIVIDADE - PPGEpi 2009 Custos em Economia da Saúde Custos em economia da saúde dizem respeito a todos os recursos consumidos durante o fornecimento de cuidados à saúde. 13 Custos em Economia da Saúde A análise dos custos em saúde envolve a identificação, mensuração e valoração de todos os recursos que são usados nos cuidados em saúde. O objetivo aqui é valorar o uso dos recursos escassos (materiais, drogas, tempo d médicos, dos édi tempo dos d pacientes i e etc)) que são ã necessários para produzir certos efeitos em saúde – os desfechos (outcomes) da intervenção. Assim, podemos ser capazes de ponderar os sacrifícios contra os ganhos da intervenção e determinar a necessidade relativa de uma determinada intervenção. cf. Drummond e McGuire (2004, p. 68) 14 Custos em Economia da Saúde Custo de aquisição: o preço de compra de uma droga, dispositivo ou outra intervenção de cuidados à saúde, para uma instituição ou pessoa. Custo permissível: a cobrança pelos serviços prestados ou suprimentos fornecidos por um provedor de saúde que se qualifica como gastos a serem cobertos pelo pagador do seguro ou do governo. Custo auxiliar: a taxa associada a serviços adicionais, tais como trabalho de laboratório, radiografia e anestesia que são realizados antes e/ou secundariamente ao procedimento principal. 15 PROF. GIACOMO BALBINOTTO NETO (PPGE/UFRGS) 5 ANALISE DE DECISÃO E ESTUDOS DE CUSTO-EFETIVIDADE - PPGEpi 2009 Custos em Economia da Saúde Custo evitado: um desperdício financeiro potencial (de utilização de recursos) que é evitado pelo uso de uma intervenção alternativa de cuidados à saúde, tipicamente comparado ao padrão. Custo intangível: custo atribuído à quantidade de sofrimento que ocorre devido à doença ou à intervenção de cuidados à saúde. Este custo está crescentemente sendo incluído nas avaliações de utilidade. Custo do próprio bolso: porção do pagamento que recai sobre um indivíduo a ser feita com seu próprio dinheiro e recursos, ao contrário da porção paga pela seguradora. Por exemplo, co-participação e os custos dedutíveis são custos do próprio bolso. 16 Pressões sobre os custos em saúde Novas Tecnologias Aumento na demanda Gastos com saúde Regulamentação Governamental Aumento das expectativas Envelhecimento da população Problemas estruturais 17 Pressões sobre os custos em saúde Demografia Informações (população que envelhece) (consumidor informado) Inovação (tenologias em saúde) Custos Padrão de vida (expectativa de qualidade de vida) Estilo de Vida (abuso) Estrutura institucional (incentivos) Efeito relativo dos preços (Intensidade das Habilidades) PROF. GIACOMO BALBINOTTO NETO (PPGE/UFRGS) 18 6 ANALISE DE DECISÃO E ESTUDOS DE CUSTO-EFETIVIDADE - PPGEpi 2009 Mudanças pressionam os custos em saúde DEMANDA POR CUIDADOS DE SAÚDE RECURSOS DISPONÍVEIS • Transição epidemiológica; • Mudanças demográficas (envelhecimento); • Transição Político - Institucional; • Incorporação de novas tecnologias. Mudanças pressionam os custos em saúde Transição Epidemiológica: - Doenças agudas em jovens; Doenças crônicas em velhos; Reemergência de doenças endêmicas; Aids em alta; Estilo de vida como determinante da saúde; Problemas ambientais (poluição atmosférica, solo, etc) . 20 Mudanças pressionam os custos em saúde Transição Epidemiológica: Implicações na Prática Profissional - - - Ê f Ênfase na prevenção ã das d d doenças e promoção ã da d saúde; Objeto: família mais do que indivíduos; Capacitação de provedores de cuidados na própria família; Ênfase especial na maternidade e na perimaternidade; Ênfase na preservação da estrutura familiar. 21 PROF. GIACOMO BALBINOTTO NETO (PPGE/UFRGS) 7 ANALISE DE DECISÃO E ESTUDOS DE CUSTO-EFETIVIDADE - PPGEpi 2009 Mudanças pressionam os custos em saúde Transição Epidemiológica: Implicações na Estrutura do Sistema de Saúde - - - Ações intersetoriais (educação, assistência social, judiciário, empregadores,..); Desenvolvimento de redes formais e informais de apoio familiar; Ações de promoção, prevenção e reabilitação em face de problemas emergentes: violência doméstica, doença mental, gravidez na adolescência e de alto risco, riscos ambientais ... 22 Mudanças pressionam os custos em saúde Transição Demográfica: - o envelhecimento da população; a urbanização da população; a inserção da mulher no trabalho; nova estrutura familiar; mais pessoas aposentadas. 23 Mudanças pressionam os custos em saúde Transição Demográfica: Implicações na Prática Profissional - - - Mudança de enfoque dos cuidados de doenças agudas em jovens para doenças crônicas em velhos; Deslocamento do objeto: de indivíduo para famílias: da cura para prevenção e promoção; Abordagens voltadas para hábitos e estilos de vida; Educação para a saúde com especial ênfase nas mulheres: autocuidado e apoio ao grupo familiar. 24 PROF. GIACOMO BALBINOTTO NETO (PPGE/UFRGS) 8 ANALISE DE DECISÃO E ESTUDOS DE CUSTO-EFETIVIDADE - PPGEpi 2009 Mudanças pressionam os custos em saúde Trans. Demográfica: Implicações na Estrutura do Sistema de Saúde - Ampliação dos locais, horários e estratégias de atendimento (ex. cuidado domiciliar); Incorporação de novos praticantes (ex. terapeutas de famílias em problemas de saúde mental); Estabelecimento de grupos-alvo (ex. mulheres grávidas, crianças até 6 anos, famílias de baixa renda, idosos). Desenvolvimento de estratégias e capacitação para atenção a idosos; Incentivo ao papel da mulher como provedora de cuidados para a família. 25 Mudanças pressionam os custos em saúde Transição Político-Institucional e Tecnologias: - Aumento da disputa por recursos; - Escalada de novas tecnologias; - Cultura hospitalista e tecnológica; 26 Mudanças pressionam os custos em saúde Transição Político-Institucional e Tecnológica: Implicações • • • • As novas tecnologias aplicadas à saúde tem conseguido: aumentar a duração e a qualidade de vida; Aumentar as taxas de cura em situações clínicas definidas; Reduzir a dor e o sofrimento; Recuperar a capacidade funcional e profissional do paciente. 27 PROF. GIACOMO BALBINOTTO NETO (PPGE/UFRGS) 9 ANALISE DE DECISÃO E ESTUDOS DE CUSTO-EFETIVIDADE - PPGEpi 2009 Termos de Custeio Por que calcular custos? 28 Por que avaliar e medir custos em saúde? A justificativa fundamental da avaliação econômica é que os recursos são limitados em relação aos seus benefícios potenciais. Assim, se se deseja maximizar o bem-estar social, é necessário ter-se em conta todos os efeitos que daquelas decisões que afetam direta ou indiretamente a alocação de recursos. 29 Por que avaliar e medir custos em saúde? As análises do tipo custo da doença são importantes para criar um conjunto de informações necessárias tanto à decisão sobre prioridades de investimento em saúde quanto para verificar o impacto da implantação de ações e programas no setor da saúde. 30 PROF. GIACOMO BALBINOTTO NETO (PPGE/UFRGS) 10 ANALISE DE DECISÃO E ESTUDOS DE CUSTO-EFETIVIDADE - PPGEpi 2009 Termos de Custeio Os custos são calculados para estimar os recursos (ou insumos) que são utilizados na produção de um bem ou serviço. Os recursos utilizados O tili d na produção d ã de d um bem b ou serviço não estão mais disponíveis para a produção de outro. Com base na teoria econômica, o custo “efetivo” de um recurso é o seu custo de oportunidade – o valor da melhor alternativa abdicada ou da melhor opção “seguinte” – e não necessariamente a quantia que troca de mãos. 31 Custos em Saúde Para o cálculo de custos, é necessário verificar a freqüência com que tais eventos ocorrem em uma população1. Exemplo: Custo do Tratamento da Cefáleia Crônica (hipotético). Preço do Medicamento R$ 0,20 / comprimido Número de tomadas diárias 6 Custo diário de tratamento R$ 1,20 Duração média do tratamento 2 dias Custo total do medicamento R$ 2,40 1 se ocorrer em 100% dos casos, significa que o valor deve ser integralmente aplicado nos custos de tratamento. 32 Custos em Saúde Caso não ocorra em 100% dos casos, o valor deve ser ponderado pela freqüência de utilização do recurso. Ex: parte dos pacientes precisará consultar um médico, frente a intensidade da dor e ao insucesso do tratamento. Consultas médicas para avaliação Custo da consulta 1 R$ 25,00 % de pacientes que precisam de consulta 5% C sto ponderado Custo ponde ado da cons consulta lta médica R$ 1,25 1 25 Medicações suplementares R$ 3,00 / dose Número de doses diárias Tempo de tratamento % de pacientes que usam esta medição Custo da medicação suplementar Freqüência de pacientes que vão precisar de tratamento 2 5 dias 50% R$ 15,00 5% Custo ponderado da medicação suplementar R$ 0,75 C R$ 2 00 d f lh d PROF. GIACOMO BALBINOTTO NETO (PPGE/UFRGS) 33 11 ANALISE DE DECISÃO E ESTUDOS DE CUSTO-EFETIVIDADE - PPGEpi 2009 Custos em Saúde O custo médio final do tratamento da cefaléia crônica, considerando todos os custos envolvidos no tratamento: Custo total do Medicamento R$ $ 2,40 , Custo da Falha de Tratamento R$ 2,00 Custo médio final do Tratamento R$ 4,40 34 Como Descrever os Custos em Saúde Custo / tratamento Custo / pessoa pessoa / ano Custo / p Custo / caso prevenido Custo / vida salva Cost / QALY (quality-adjusted life year) Cost / DALY (disability-adjusted life year) 35 Vantagens dos estudos sobre custos das doenças - - - Ajudam no processo de busca de eficiência dos gastos no sistema de saúde; Permite estabelecer prioridades de investigação e monitorização; Permite comparar e avaliar as diferentes terapêuticas; Ajudam a decidir e a interpretar orçamentos. 36 PROF. GIACOMO BALBINOTTO NETO (PPGE/UFRGS) 12 ANALISE DE DECISÃO E ESTUDOS DE CUSTO-EFETIVIDADE - PPGEpi 2009 Custo de Oportunidade Custos de Oportunidade C t associados Custos i d às à oportunidades t id d deixadas d i d de lado, caso a empresa (hospital, clínica, serviço de saúde, médico etc) não empregue seus recursos da maneira mais rentável. 37 Custo de Oportunidade Reflete o volume de recursos usados, sejam humanos, materiais ou monetários. Admitindo que existam dois programas (A e B) de saúde diferentes e os recursos disponíveis permitem a execução de apenas um deles. Assim, o custo de oportunidade de A é dado pelos benefícios econômicos que o programa B poderia determinar se fosse implantado. 38 Custo em Saúde Os custos de oportunidade em saúde referemse aos benefícios perdidos quando selecionamos uma terapia alternativa, comparando-a com uma outra melhor alternativa existente. existente O que importa aqui não é o quanto a intervenção em saúde custa, mas o que nós devemos abrir mão quando usamos tal intervenção. 39 PROF. GIACOMO BALBINOTTO NETO (PPGE/UFRGS) 13 ANALISE DE DECISÃO E ESTUDOS DE CUSTO-EFETIVIDADE - PPGEpi 2009 Custos de Oportunidade “Opportunity costs, means that the real cost of a health care programme’s implementation is not the number of dollars appearing on the programme’ss budget programme budget, but rather the health outcomes achievable in some other health care programme which have been forgone by committing the resources to the first programme.” Michael Drummond et.all (1997). 40 Custo de Oportunidade Curva (Fronteira) de Possibilidade de Produção - Gráfico que mostra as várias combinações de produto que a economia pode produzir potencialmente, dados os fatores de produção e a tecnologia disponíveis. disponíveis - É a fronteira máxima que a economia pode produzir, dado os recursos produtivos limitados. Mostra as alternativas de produção da sociedade, supondo os recursos plenamente empregados. 41 Custo de Oportunidade Fronteira de Possibilidades de Produção Trade off Fr o n te i r a de P os sib i li d a d e s d e P r od u ç ã o Ex.: + Produto X - Produto Y Custo de Oportunidade Ex.: C => B O custo de oportunidade de 200 unid. de Y é 50 de X. 750 Qtd . Pr o od . Y B => C D B 450 C 250 A 150 200 250 Qt d. P r o d uz id a de X 42 PROF. GIACOMO BALBINOTTO NETO (PPGE/UFRGS) 14 ANALISE DE DECISÃO E ESTUDOS DE CUSTO-EFETIVIDADE - PPGEpi 2009 Custo de Oportunidade Fronteira de Possibilidades de Produção Razão da Concavidade da Curva Devido a Inflexibilidade dos recursos de produção. Qtd. Pro od. Y => Lei dos custos de oportunidade crescentes Frontei ra de Possi bi l i da des de Produçã o 750 700 600 450 250 50 100 150 200 250 Qtd. Produzida de X 43 Custo de Oportunidade em Saúde Os custos de oportunidade em farmacoecoeconomia referem-se aos benefícios perdidos quando selecionamos uma terapia alternativa, comparando-a com uma outra melhor alternativa existente. O que importa aqui não é o quanto a intervenção em saúde custa, mas o que nós devemos abrir mão quando usamos tal intervenção. 44 Medição de custos: quais custos considerar? Custos fixos e custos variáveis A produção total é uma função de insumos variáveis iá i e insumos i fixos. fi Logo, o custo total de produção é igual ao custo fixo (custo dos insumos fixos) mais o custo variável (custo dos insumos variáveis): CT = CF + CV 45 PROF. GIACOMO BALBINOTTO NETO (PPGE/UFRGS) 15 ANALISE DE DECISÃO E ESTUDOS DE CUSTO-EFETIVIDADE - PPGEpi 2009 Medição de custos: quais custos considerar? Custos fixos e custos variáveis Custo fixo Não depende do nível de produção Custo variável Depende do nível de produção 46 Medição de custos: quais custos considerar? Custo médio e custo marginal Custo marginal (CMg) é o custo de aumentar a produção em uma unidade. Dado que o custo fixo não afeta o custo marginal, este pode ser escrito da seguinte forma: CMg = ΔCV ΔCT = Δq Δq 47 Medição de custos: quais custos considerar? Custo médio e custo marginal Custo total médio (CTMe) é o custo por unidade de produção, ou a soma do custo fixo médio (CFMe) e do custo variável médio (CVMe): CTMe = CFT CVT + q q 48 PROF. GIACOMO BALBINOTTO NETO (PPGE/UFRGS) 16 ANALISE DE DECISÃO E ESTUDOS DE CUSTO-EFETIVIDADE - PPGEpi 2009 Custos no curto prazo T1 Custos no curto prazo Nível de Custo produção fixo (CF) 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 50 50 50 50 50 50 50 50 50 50 50 50 Custo variável (CV) Custo total (CT) Custo marginal (CMg) 0 50 78 98 112 130 150 175 204 242 300 385 50 100 128 148 162 180 200 225 254 292 350 435 --50 28 20 14 18 20 25 29 38 58 85 Custo fixo médio (CFMe) Custo variável médio (CVMe) --50 25 16,7 12,5 10 8,3 7,1 6,3 5,6 5 4,5 Custo total médio (CTMe) --50 39 32,7 28 26 25 25 25,5 26,9 30 35 --100 64 49,3 40,5 36 33,3 32,1 31,8 32,4 35 49 39,5 Custos no curto prazo O custo total é a soma vertical de CF e CV. Custo 400 (dólares por ano) CT CV O custo variável aumenta com o nível de produção a uma taxa que varia, varia dependendo da ocorrência de rendimentos crescentes ou decrescentes. 300 200 O custo fixo não varia com o nível de produção 100 50 CF Produção 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 50 Custos no curto prazo Curva de custo da empresa Custo 100 (dólares por ano) CMg 75 50 CTMe CVMe 25 CFMe 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 Produção (unidades/ano) 51 PROF. GIACOMO BALBINOTTO NETO (PPGE/UFRGS) 17 Slide 49 T1 Mesma tabela do slide 19. Thelma; 26/8/2005 ANALISE DE DECISÃO E ESTUDOS DE CUSTO-EFETIVIDADE - PPGEpi 2009 Custos no longo prazo Custo de uso do capital Custo de uso do capital = depreciação econômica + (taxa de juros)(valor do capital) 52 Custos no longo prazo Custo de uso do capital Exemplo Um hospital adquire um equipamento com uma vida útil esperada de 30 anos, por $150 milhões. Depreciação econômica anual = $150 milhões/30 = $5 milhões Taxa de juros = 10% 53 Custos no longo prazo Custo de uso do capital Exemplo Custo de uso do capital = $5 milhões + (0,10)($150 milhões – depreciação) Ano 1 = $5 milhões + milhões) = $20 milhões (0,10)($150 Ano 10 = $5 milhões + milhões) = $15 milhões (0,10)($100 54 PROF. GIACOMO BALBINOTTO NETO (PPGE/UFRGS) 18 ANALISE DE DECISÃO E ESTUDOS DE CUSTO-EFETIVIDADE - PPGEpi 2009 Custos no longo prazo Custo de uso do capital Taxa por real (R$) de capital r = Taxa de depreciação + Taxa de juros 55 Custos no longo prazo Exemplo Custo de uso do capital Taxa de depreciação p ç = 1/30 / = 3,33% , ao ano Taxa de retorno = 10% ao ano Custo de uso do capital r = 3,33 + 10 = 13,33% ao ano 56 Medição dos Custos em Saúde O custo representa o valor de todos os insumos (trabalho, materiais, pessoal, entre outros) utilizados na produção e distribuição de bens ou serviço (Finkler, 1982; Bombardier & Eisenberg, Eisenberg 1985). 1985) Ele representa o elemento comum dos métodos da farmacoeconomia, que engloba os recursos considerados relevantes na aplicação do tratamento. 57 PROF. GIACOMO BALBINOTTO NETO (PPGE/UFRGS) 19 ANALISE DE DECISÃO E ESTUDOS DE CUSTO-EFETIVIDADE - PPGEpi 2009 Categorização dos Custos (i) custos diretos médicos; (ii) custos diretos não médicos; (iii) custos indiretos; (iv) custos intangíveis. 58 Categorização dos Custos Médicos Diretos Intangíveis Não-Médicos NãoDiretos Indiretos Medição dos Custos em Saúde CATEGORIAS DE CUSTOS CUSTOS DIRETOS São os recursos consumidos diretamente no tratamento ou na intervenção. Podem ser médicos ou não não-médicos. médicos CUSTOS MÉDICOS hospitalizações,medica mentos, exames, próteses, honorários etc CUSTOS INDIRETOS Custos indiretos estão relacionados as perdas para a sociedade i d d resultantes l d da doença ou seu tratamento (impacto na produção) ex. perda de produtividade CUSTOS Ñ-MÉDICOS transporte do paciente, alimentação, residência temporária etc 60 PROF. GIACOMO BALBINOTTO NETO (PPGE/UFRGS) 20 ANALISE DE DECISÃO E ESTUDOS DE CUSTO-EFETIVIDADE - PPGEpi 2009 Categorização dos Custos: Custos Diretos Médicos Os custos diretos médicos referem-se aos insumos médicos utilizados diretamente para prestar o tratamento. 61 Categorização dos Custos: Custos Diretos Médicos Custos diretos são aqueles relacionados diretamente aos serviços de saúde, que implicam dispêndios imediatos, de identificação objetiva, objetiva correspondendo aos cuidados médicos e não médicos. (Bombardier & Eisenberg, 1985; 1989; Lew et al., 1996). 62 Categorização dos Custos: Custos Diretos Médicos - Exemplos - medicamentos; - monitoramento de medicamentos; - administração de medicamentos; - aconselhamento e consultas com p pacientes;; - exames diagnósticos; - hospitalizações; - atendimento ambulatorial; - atendimento no setor de emergência; - atendimentos médicos domiciliares; - serviços de ambulância; - serviços de enfermagem. 63 PROF. GIACOMO BALBINOTTO NETO (PPGE/UFRGS) 21 ANALISE DE DECISÃO E ESTUDOS DE CUSTO-EFETIVIDADE - PPGEpi 2009 Categorização dos Custos: Custos Diretos Médicos Custos Diretos: Fixos Não variam com o volume de serviços ç p prestados. Variáveis Variam com o volume de serviços prestados. 64 Categorização dos Custos: Custos Diretos não Médicos Os custos diretos não médicos são custos dos pacientes e famílias que estão diretamente associados ao tratamento, mas que são de natureza médica. 65 Categorização dos Custos: Custos Diretos não Médicos - custos de transporte para recebimento da assistência à saúde (ônibus, gasolina, taxi, etc); - assistência não médica relacionada a condições de saúde (entrega de refeições no domicílio, serviços domésticos); - pernoites em hotéis durante a assistência a pacientes e família de fora da cidade; - adaptações domiciliares; - custo de ida e volta ao hospital, clínica, ambulatório etc; 66 PROF. GIACOMO BALBINOTTO NETO (PPGE/UFRGS) 22 ANALISE DE DECISÃO E ESTUDOS DE CUSTO-EFETIVIDADE - PPGEpi 2009 Categorização dos Custos: Custos Indiretos Os custos indiretos envolvem custos que resultam da perda de produtividade em virtude de doença ou morte. Os benefícios indiretos são, que são economias atribuíveis a se evitarem custos indiretos, são aumentos nos rendimentos ou produtividade que ocorrem divido ao programa ou a uma intervenção médica. 67 Categorização dos Custos: Custos Indiretos Os custos indiretos são relacionados à perda da capacidade produtiva do indivíduo ante o processo de adoecimento ou mortalidade precoce. Eles representam dias de trabalho perdidos, incapacidade de realizar as atividades profissionais, tempo gasto em viagens para receber cuidado médico e morte prematura decorrente da doença. (Bombardier & Eisenberg, 1985; Eisenberg, 1989; Villar, 1995; Lew et al., 1996). 68 Categorização dos Custos: Custos Indiretos Os custos indiretos são relacionados à perda da capacidade produtiva do indivíduo diante do processo de adoecimento ou mortalidade precoce. Eles representam dias de trabalho perdidos, incapacidade de realizar as atividades profissionais, tempo gasto em viagens para receber cuidado médico e morte prematura decorrente da doença. (Bombardier & Eisenberg, 1985; Eisenberg, 1989; Villar, 1995; Lew et al., 1996). 69 PROF. GIACOMO BALBINOTTO NETO (PPGE/UFRGS) 23 ANALISE DE DECISÃO E ESTUDOS DE CUSTO-EFETIVIDADE - PPGEpi 2009 Categorização dos Custos: Custos Indiretos - perda de produtividade do paciente (redução dos salários); - perda de produtividade para um acompanhante não remunerado (membro da família, vizinho, amigo, etc); - perda de produtividade devido a mortalidade prematura; - aposentadoria prematura; 70 Categorização dos Custos: Custos Indiretos - Exemplo http://www.arthritis-research.org/Documents/productivity_acr_2003.ppt#279,2,Productivity 71 Custo Diretos e Indiretos ASMA Diretos Indiretos 60 40 20 0 Hospitalização Medicamentos Visitas ambulatoriais Pronto-socorro Smith D.H et al. Am J Resp Crit Care Med 156 :787-93,1997 72 PROF. GIACOMO BALBINOTTO NETO (PPGE/UFRGS) 24 ANALISE DE DECISÃO E ESTUDOS DE CUSTO-EFETIVIDADE - PPGEpi 2009 As Abordagens na Medição dos Custos Indiretos Há três abordagem para se medir os custos indiretos nos estudos de farmacoeconomia: 1) abordagem do capital humano (human capital approach); 2) abordagem da disposição a pagar (willingness approach). 3) abordagem da fricção (friction approach). 73 Definição de Capital Humano Capital humano é o conhecimento, as habilidades e a experiência que tornam um indivíduo mais produtivo e, assim, capaz de auferir rendas maiores durante a vida 74 Definições de Capital Humano Gary Becker (1962) - capital humano é qualquer atividade que implique num custo no período corrente e que aumente a produtividade no futura pode ser analisada dentro da estrutura da teoria do investimento. 75 PROF. GIACOMO BALBINOTTO NETO (PPGE/UFRGS) 25 ANALISE DE DECISÃO E ESTUDOS DE CUSTO-EFETIVIDADE - PPGEpi 2009 Os Investimentos em Capital Humano Gary Becker's most noteworthy contribution is perhaps to be found in the area of human capital, i.e., human competence, and the consequences of investments in human competence. The theory of human capital is considerably older than Becker's work in this field. His foremost achievement is to have formulated and formalized the microeconomic foundations of the theory. In doing so, he has developed the human-capital approach into a general theory for determining the distribution of labor income. The predictions of the theory with respect to the wage structure have been formulated in so-called humancapital- earnings functions, which specify the relation between earnings and human capital. These contributions were first presented in some articles in the early 1960s and were developed further, both theoretically and empirically, in his book, Human Capital, written in 1964. 76 A estimação da earning function Em logaritmos obtemos que: log Ys = log Yo + sln (1+r) log Ys = ln Yo + rs r mede a taxa de retorno de um investimento em um ano a mais de educação. 77 EARNINGS AND CHRONIC RENAL DISEASE IN BRAZIL - 1998 Authors: Márcia Regina Godoy [PPGE/UFRGS] Giacomo Balbinotto Neto [UFRGS/PPGE] Eduardo Pontual Ribeiro [UFRJ/PPGE] 78 PROF. GIACOMO BALBINOTTO NETO (PPGE/UFRGS) 26 ANALISE DE DECISÃO E ESTUDOS DE CUSTO-EFETIVIDADE - PPGEpi 2009 Economics of Renal Disease 9 Objective: verify the impact of the Chronic Renal Disease on the incomes [Labor Market]. 9 D Data Source: S P Pesquisa i N i Nacional l de d Amostra A por Domicíclios (PNAD)/1998, a Brazilian Household Survey. 9 Method: Quantile Regression (QR). 79 EARNINGS AND CHRONIC RENAL DISEASE Equation: logWθ = α 0θ + α1θ E + α 2θ S + α 3θ I + α 4θ I 2 + α 5θ D + α 6θ C + εθ θ ∈ (0,1) W: log wage/hour; E: years of education; S: gender; I: years, D: dummy for CRD; C: dummy for color There are separate regressions by gender. Sample of the men and women among 18-55 years. 80 Results from OLS and Quantile Regression MQO RQ .10 RQ .25 RQ .50 RQ .75 RQ .90 Sexo -0.359 -0.308 -0.324 -0.359 -0.383 -0.378 (78.23)** (35.28)** (64.00)** (65.71)** (54.43)** (42.75)** Estudo 0.141 0.122 0.130 0.141 0.147 0.150 (258.33)** (111.90)** (172.00)** (215.07)** (212.91)** (162.88)** Idade 0.874 0.793 0.878 0.947 1.014 (54.74)** (32.77)** (36.49)** (40.93)** (39.98)** (26.61)** Idade 2 -0.088 -0.077 -0.083 -0.089 -0.093 -0.099 (38.52)** (24.66)** (27.27)** (29.00)** (26.64)** (18.08)** Branco 0.104 0.101 0.110 0.108 0.104 0.101 (23.36)** (12.76)** (19.25)** (18.28)** (20.66)** (12.80)** Renal -0.111 -0.112 -0.132 -0.119 -0.115 -0.103 (8.33)** (4.72)** (7.15)** (7.91)** (5.77)** (5.26)** Const. 0.246 -0.127 0.051 0.233 0.485 0.744 (9.30)** (3.51)** (1.39) (6.66)** (12.93)** (12.00)** 0.44 0.1704 0.2155 0.2610 0.3033 0.3213 R 2 / 2 P.R 0.717 Estatística t entre parênteses. ** Estatisticamente significante a 1%. Nº Observações: 111.988 81 PROF. GIACOMO BALBINOTTO NETO (PPGE/UFRGS) 27 ANALISE DE DECISÃO E ESTUDOS DE CUSTO-EFETIVIDADE - PPGEpi 2009 A Abordagem do Capital Humano (Human Capital Approach) Na abordagem do capital humano, os custos indiretos geralmente são avaliados com base na morbidade,, incapacidade p ou mortalidade prematura. 82 A Abordagem do Capital Humano (Human Capital Approach) A abordagem do capital humano pressupõe que o valor de benefícios a saúde seja igual à produtividade econômica que eles perdem (que seria igual a taxa de salário de mercado). 83 A Abordagem do Capital Humano (Human Capital Approach) Existem dois componentes básicos para o cálculo do capital humano: a taxa salarial (w) e o tempo perdido (t – medidos em dias ou anos) em decorrência da doença. As estimativas de renda podem ser obtidas, no Brasil, a partir de dados da PNAD, RAIS etc, ou qualquer outra fonte de dados que forneça estimativas de renda baseadas em gênero, idade ou ocupação. O tempo perdido (dias ou anos) em decorrência da doença por der obtido por relatório próprio. 84 PROF. GIACOMO BALBINOTTO NETO (PPGE/UFRGS) 28 ANALISE DE DECISÃO E ESTUDOS DE CUSTO-EFETIVIDADE - PPGEpi 2009 A Abordagem do Capital Humano (Human Capital Approach) Na abordagem do capital humano estima-se o valor presente das renda futuras de um indivíduo. Esta abordagem tem sido usada principalmente em aplicações legais que requerem estimativas dos danos causados. Ela estima também a perda em termos do PIB (produto interno bruto) resultante da mortalidade e da morbidade ou ainda dos ganhos de produção resultantes da poupança e da extensão da vida dos indivíduos. 85 A Abordagem do Capital Humano (Human Capital Approach) A incapacidade pode ser temporária ou permanente. Ela é aplicada aos indivíduos que fazem parte da população econômicamente ativa de um país. A incapacidade permanente refere-se a perda permanete do produto do trabalho no mercado ou doméstico devido a uma doença. A quantificação da perda de rendimento geralmente é baseada no pressuposto de que as pessoas incapacitadas, se elas pudessem trabalhar, iriam ter a mesma experiência que a população em condições similares. 86 A Abordagem do Capital Humano (Human Capital Approach) Os custos indiretos na abordagem do capital humano são vistos como os rendimentos presentes e futuros, perdidos pelo indivíduo como resultado de uma doença. Os indivíduos são assumidos que poderiam produzir durante a tempo que permanecem no mercado de trabalho e poderiam ser valorados do mesmo modo que os indivíduos que estão no mercado de trabalho em condições saudáveis, ceteris paribus. 87 PROF. GIACOMO BALBINOTTO NETO (PPGE/UFRGS) 29 ANALISE DE DECISÃO E ESTUDOS DE CUSTO-EFETIVIDADE - PPGEpi 2009 A Abordagem do Capital Humano (Human Capital Approach): Críticas - A teoria do capital humano não mede da disposição dos indivíduos a evitar os riscos de acidentes, morte ou doenças e nem mede o que um indivíduo d íd estaria disposto d a pagar para reduzir os riscos dos mesmos. Isto é feito pela abordagem willingness to pay. 88 Willingness-to-Pay Approach Willingness-to-Pay Approach O método da disposição a pagar busca avaliar tanto os aspectos indiretos como intangíveis de uma doença ou condição. Ele busca determinar quanto as pessoas estão dispostas a pagar para reduzir a chance de um desfecho adverso de saúde. 90 PROF. GIACOMO BALBINOTTO NETO (PPGE/UFRGS) 30 ANALISE DE DECISÃO E ESTUDOS DE CUSTO-EFETIVIDADE - PPGEpi 2009 Willingness-to-Pay Approach De acordo com a teoria do bem-estar, o benefício que um indivíduo recebe de um serviço ou intervenção é definido como a d disposição ã máxima á que um indivíduo d íd está á disposto a pagar pelo serviço ou intervenção. O benefício para a sociedade da intervenção é a soma da disposição a pagar de cada indívíduo. 91 Willingness-to-Pay Approach Nesta abordagem, a vida é avalida de acordo com o que os indivíduos estão dispostos a pagar por uma mudança que reduza a probabilidade de morte ou doença. Esta abordagem é útil para indicar como os indivíduos valorizam a vida e a saúde quando deriva-se preferências sociais para políticas públicas. 92 Willingness-to-Pay Approach A abordagem Willingness-to-Pay determina os custos indiretos quando são consideradas as preferências dos indivíduos. Esta abordagem busca mediar o montante monetário máximo que um indivíduo estaria disposto a investir para preserver sua vida ou saúde para limitar os fatores de risco e saúde. Esta abordagem é utilizada nos EUA, Inglaterra, Australia e países escandinavos. 93 PROF. GIACOMO BALBINOTTO NETO (PPGE/UFRGS) 31 ANALISE DE DECISÃO E ESTUDOS DE CUSTO-EFETIVIDADE - PPGEpi 2009 Willingness-to-Pay Approach Vamos assumir aqui que um tratamento é introduzido e que desloque o seu status de saúde de um estado de doença específico (HD) para um de plena saúde (H*). A disposição di i ã a pagar é igual i l ao montante t t máximo á i de d recursos monetários que você estaria disposto a pagar pelo tratamento que restaurasse a sua plena saúde enquanto mantivesse o mesmo nível de bem-estar geral ou a sua utilidade. Se você tivesse que pagar mais do que este máximo, a perda de renda iria mais do que compensar o ganho de bem-estar devido a mudança no estado de saúde. 94 Willingness-to-Pay Approach Utilidade (U) U(H*) U(HD) U* 0 Y1 Y0 Renda (Y) Willingness-to-Pay 95 Willingness-to-Pay Approach A disposição a pagar é uma medida de quanto um indivíduo valoriza uma determinada melhoria na saúde. Isto varia entre indivíduos e depende da severidade da doença bem como da disposição e capacidade de trocar recursos monetários por saúde. 96 PROF. GIACOMO BALBINOTTO NETO (PPGE/UFRGS) 32 ANALISE DE DECISÃO E ESTUDOS DE CUSTO-EFETIVIDADE - PPGEpi 2009 Willingness-to-Pay Approach Visto que a disposição a pagar varia entre os pacientes, tanto devido as diferenças nas preferências como na renda, a curva de demanda é negativamente inclinada inclinada, indicando que mais pacientes irão escolher o tratamento a preços mais baixos. Na figura abaixo, a área sob a curva de demanda representa a disposição a pagar pelo tratamento (a soma da disposição a pagar de cada paciente). 97 Willingness-to-Pay Approach preço Total de pacientes dispostos a pagar pelo tratamento 0 Todos os pacientes 98 Averting Behavior Approach PROF. GIACOMO BALBINOTTO NETO (PPGE/UFRGS) 33 ANALISE DE DECISÃO E ESTUDOS DE CUSTO-EFETIVIDADE - PPGEpi 2009 Averting Behavior Approach O método de averting behavior examina as medidas preventivas tomadas para evitar a exposição ao risco ou mitigar os efeitos das d doenças. Os investimentos realizados em medidas preventivas são usadas como uma proxy para a disposição a pagar (willingness-to-pay) para evitar uma doença particular. 100 Friction Costs Friction Costs O método dos custos de fricção foi introduzido por Koopmanschap e Ineveld (1992), Koopmanschap e Rutten (1993) e Koopmanschap et al. (1995) como uma melhoria do método do capital humano. Segundo esta abordagem, a teoria do capital humano representaria uma medida potencial do valor da produção perdida devido a doença ao invés da perda corrente. [cf. Sculper (2004, p.102) in: Drummond e McGuire (2004)] 102 PROF. GIACOMO BALBINOTTO NETO (PPGE/UFRGS) 34 ANALISE DE DECISÃO E ESTUDOS DE CUSTO-EFETIVIDADE - PPGEpi 2009 Friction Costs O método dos custos de fricção foi introduzido por Koopmanschap at al. (1992) como uma melhoria do método do capital humano. O custos Os t de d fricção f i ã mede d somente t a perda d de d produção d ã do indivíduo doente até o momento que um novo trabalhador (previamente desempregado) o substitui. Além disso, os custos de contratação e treinamento devem ser também incluídos. O pressuposto subjacente do método de fricção é que a economia não está sempre operando na situação de pleno emprego. 103 Friction Costs O método dos custos de fricção é um método de estimação dos custos de produtividade que busca calcular as perdas de produção durante o período í d de d substituição b ã do d trabalhador b lh d doente, d isto é, entre o início de sua ausência no trabalho e a sua substituição definitiva. 104 Friction Costs Referem-se aos custos de substituição de um indivíduo doente por um saudável. Friction costs incluem os custos associados com o montante de tempo despendido na susbstitução de um trabalhador doente, aos custos de treinamento para um trabalhador novo ou temporário e os custos referentes a redução de produtividade durante a ausência do trabalho do trabalhador adoentado. 105 PROF. GIACOMO BALBINOTTO NETO (PPGE/UFRGS) 35 ANALISE DE DECISÃO E ESTUDOS DE CUSTO-EFETIVIDADE - PPGEpi 2009 Friction Costs A abordagem dos custos de fricção adota uma abordagem social que leva em conta apenas os custos da substituição entre os trabalhadores. Na prática ela leva a menores custos do que a abordagem do capital humano, mas parece ser mais realista. [cf. Walley, Haycox e Bolland (2004, p.95) 106 Friction Costs A abordagem dos custos de fricção é baseada na idéia de que o pico de perda de produtividade de um trabalhador depende do tempo necessário á que uma empresa requer para substituí-lo obtendo um nível similar de produtividade. [cf. Rychlik (2002, p.18)] 107 Friction Costs Referem-se aos custos de substituição de um indivíduo doente por um saudável. Friction costs incluem l os custos associados d com o montante de tempo associado a susbstitução de um trabalhador doente, aos custos de treinamentos para um trabalhador novo ou temporário e os custos referentes a redução de produtividade durante a ausência do trabalho do trabalhador adoentado. 108 PROF. GIACOMO BALBINOTTO NETO (PPGE/UFRGS) 36 ANALISE DE DECISÃO E ESTUDOS DE CUSTO-EFETIVIDADE - PPGEpi 2009 FC X HC Holanda (1988, bilhões de gilders) Koopmanschap at al. (1995) Categoria de custos Capital Humano Custos de Fricção Ausência do trabalho 23,8 9,2 Invalidez 49,1 0,15 Mortalidade 8,0 0,15 Total 89,9 9,5 % da renda nacional líquida 18% 2,1% 109 Categorização dos Custos: Custos Intangíveis Os custos intangíveis incluem custos de dores, sofrimento, ansiedade ou fadiga que ocorrem devido a uma doença ou ao tratamento de uma doença doença. Os benefícios intangíveis são a contenção ou a mitigação dos custos intangíveis, são benefícios resultantes da redução da dor e do sofrimento relacionados a um programa ou a uma intervenção. 110 Categorização dos Custos: Custos Intangíveis Custos Intangíveis: referem-se aos custos psicológicos da doença (ansiedade e depressão), custo psicológico associado à perda de trabalho ou incapacidade de trabalhar, da dependência física, do isolamento social, dos conflitos familiares, da dor, da alteração de suas atividades da vida diária, da piora da qualidade de vida. Em resumo são os custos psicológicos com o preconceito por seqüelas deixadas pela doença. 111 PROF. GIACOMO BALBINOTTO NETO (PPGE/UFRGS) 37 ANALISE DE DECISÃO E ESTUDOS DE CUSTO-EFETIVIDADE - PPGEpi 2009 Categorização dos Custos: Custos Intangíveis Os custos intangíveis são custos de difícil mensuração monetária. Embora muito importantes para os pacientes, ainda necessitam de significado econômico. São os custos do sofrimento, da dor, da tristeza, da redução da qualidade de vida (Bombardier & Eisenberg, 1985; Eisenberg, 1989; Villar, 1995; Lew et al., 1996). 112 Categorização dos Custos: Custos Intangíveis - dor e sofrimento; fadiga; ansiedade; desconforto; náusea. De um modo geral reduzem a qualidade de vida. 113 Exemplos 114 PROF. GIACOMO BALBINOTTO NETO (PPGE/UFRGS) 38 ANALISE DE DECISÃO E ESTUDOS DE CUSTO-EFETIVIDADE - PPGEpi 2009 Custos Marginais em Saúde Custo marginal Custo marginal (CMg) é o custo de aumentar a produção em uma unidade. D d que o custo Dado t fixo fi não ã afeta f t o custo t marginal, este pode ser escrito da seguinte forma: ΔCV ΔCT CMg = = Δq Δq T37 115 Custos Marginais em Saúde “what would be the costs (and consequences) of having a little more or a little less?” 1975 – seminall article l in NEJM, analysis of a proposed protocol of sequential stool guaiac testing for colon cancer. - here, average cost figures obscure a steep rise in marginal costs. 116 What do we gain from the sixth stool guaiac? D Neuhauser, and AM Lweicki The six sequential stool guaiac protocol has been advocated for screening of colonic cancer. Analysis of the expenditures involved in such a program shows that the cost of detecting cancer rises exponentially so that the marginal cost of the sixth test may be 20 000 times the average cost 20,000 cost. The marginal cost is decreased with D Neuhauser, and AMwith Lweicki lower test sensitivity and increased lower prevalence of colonic cancer. This result shows that even an inexpensive test can become quite costly in terms of cases detected. The marginal cost per case detected depends on the prevalence of the condition in the population screened and the sensitivity of the test applied. 117 PROF. GIACOMO BALBINOTTO NETO (PPGE/UFRGS) 39 Slide 115 T37 Mudei as letras 'Q', de maiúscula para minúscula. Thelma; 26/8/2005 ANALISE DE DECISÃO E ESTUDOS DE CUSTO-EFETIVIDADE - PPGEpi 2009 Custos Marginais em Saúde Neuhauser D, Lewicki AM. What do we gain from the sixth stool guaiac? N Engl J Med. 1975;293:226-8. 118 Custos Marginais em Saúde Neuhauser D, Lewicki AM. What do we gain from the sixth stool guaiac? N Engl J Med. 1975;293:226-8. 119 A Aborgagem de Drummond e col. (2005) PROF. GIACOMO BALBINOTTO NETO (PPGE/UFRGS) 40 ANALISE DE DECISÃO E ESTUDOS DE CUSTO-EFETIVIDADE - PPGEpi 2009 A Aborgagem de Drummond e col. (2005) Drummond e col. (2005) sugeriram uma categorização alternativa que incluía quatro categorias a seguir: (i) custos do setor de assistência à saúde; (ii) custos de outros setores; (iii) custos do paciente e da família; (iv) custos de produtividade 121 Custos do Setor de Assistência à Saúde Os custos do setor de assistência a saúde referem-se os recursos médicos consumidos por entidades de assistência a saúde. Esses tipos de custos são similares aos da definição de custos diretos médicos, mas não incluem custos diretos médicos pagos pelos pacientes (franquias, coparticipação nos pagamentos) ou por outras entidades não relacionadas à assistência à saúde. 122 Custos de Outros Setores Referem-se aos custos que algumas doenças e tratamentos causam sobre outros setores não relacionados à assistência à saúde, como os setores de habitação, serviços domésticos, e serviços educacionais. 123 PROF. GIACOMO BALBINOTTO NETO (PPGE/UFRGS) 41 ANALISE DE DECISÃO E ESTUDOS DE CUSTO-EFETIVIDADE - PPGEpi 2009 Custos do Paciente e da Família Os custos do paciente e da família incluem os custos do paciente e de sua família sem considerar se são de natureza médica ou não médica. 124 Custos de Produtividade Os custos de produtividade são análogos ao termo econômico custos indiretos. 125 A Descrição dos Custos em Saúde Custo / tratamento Custo / pessoa Custo / pessoa / ano Custo / caso prevenido Custo / vida salva Cost / DALY (disability-adjusted life year) 126 PROF. GIACOMO BALBINOTTO NETO (PPGE/UFRGS) 42 ANALISE DE DECISÃO E ESTUDOS DE CUSTO-EFETIVIDADE - PPGEpi 2009 As Perspectivas dos Estudos As Perspectivas dos Estudos Para se estabelecer quais são custos importantes a serem medidos, a perspectiva do estudo deve ser determinada. Perspectiva é um termo econômico que descreve de quem são os custos relevantes com base no propósito do estudo. 128 As Perspectivas dos Estudos Farmacoeconômicos Determina quais custos são relevantes para a análise: Sociedade; Pagador; Hospital; Paciente; Para o governo; Para a indústria farmacêutica; Para o pesquisador. 129 PROF. GIACOMO BALBINOTTO NETO (PPGE/UFRGS) 43 ANALISE DE DECISÃO E ESTUDOS DE CUSTO-EFETIVIDADE - PPGEpi 2009 As Perspectivas dos Estudos Farmacoeconômicos A perspectiva é um ponto fundamental quando consideramos qualquer avaliação econômica, isto é, qual é o ponto de vista considerado no estudo conduzido - o do serviço de saúde – onde somente os custos diretos são considerados – ou do ponto de vista social, onde são estudados também os custos indiretos. De um modo geral, a perspectiva social é considerada a mais apropriada. Walley, Haycox and Bolland (2004, p.10) 130 As Perspectivas dos Estudos Farmacoeconômicos Pharmacoeconomic outcomes may be measured from three perspectives: societal, institutional, or individual. The perspective chosen is often determined by the nature of the query. For example, it may be desirable to determine the cost of a health care intervention to society as a result of an inquiry into a potential reduction in gross national product. Alternatively, managed care institutions need cost evaluations of health care interventions as a method of formulary development. Finally, individuals may want to know the cost of a health care intervention to determine the change in their quality of life; the cost of medications and other health care interventions may mean not having enough left over for other activities. Just as each of these perspectives asks a different question, each answer requires the evaluation of a different set of costs. 131 As Perspectivas dos Estudos Farmacoeconômicos: Custos a Serem Incluídos nos Estudos Exemplos de custos Paciente Médico Hospital Plano de saúde Sociedade sim sim sim Custos Médicos Diretos Tempo do médico não sim Outros (enfermagem, etc) sim não sim sim sim Drogas sim sim sim sim sim Instrumentos médicos (seringas, ultrasom) não não sim sim sim Testes de Laboratório não não sim sim sim Custos Diretos não médicos Administração não não sim sim sim Facilidades físicas (clinica) não não sim não sim Infra-estrutura (telefones/eletricidade) não sim não sim Custos de deslocamento do paciente sim não não não Cuidados temporários sim não não não sim sim não não não sim sim Custos indiretos Tempo de visita médica Tempo doente e em recuperação sim não não não sim Contratação de empregada de apoio sim não não não sim PROF. GIACOMO BALBINOTTO NETO (PPGE/UFRGS) 132 44 ANALISE DE DECISÃO E ESTUDOS DE CUSTO-EFETIVIDADE - PPGEpi 2009 Ajustes dos custos em relação ao tempo Quando os custos são estimados a partir de informações coletadas em mais de um anos antes do estudo, é necessário que seja feito um ajuste de custos custos, que também é chamado de padronização de custos. Se forem usados dados restropectivos para a avaliação de recursos utilizados ao longo de diversos anos no passado, estes custos devem ser ajustados, ou valorados em determinado ponto do tempo. 133 Ajustes dos custos em relação ao tempo: padronização dos custos Se tiverem sido coletados dados restrospectivos ao longo de alguns anos sobre pacientes que receberam tratamento para a mesma infecção, a utilização de custos unitários de um ponto do tempo levaria a padronização e permitiria comparações mais uniformes. 134 Ajustes dos custos em relação ao tempo: padronização dos custos (Exemplo) Recursos médicos utilizados para tratar infecção moderada Atendimentos médico Serviços de laboratório para cultura de organismos Medicamento antibiótico TOTAL Unidade de cada recurso Custo por unidade em reais de 2005 Custo total em reais de 2005 Dois atendimentos $62,00 $124,00 Um serviço de laboratório $53,00 $53,00 28 cápsulas $1,03 $28,84 - - $205,84 135 PROF. GIACOMO BALBINOTTO NETO (PPGE/UFRGS) 45 ANALISE DE DECISÃO E ESTUDOS DE CUSTO-EFETIVIDADE - PPGEpi 2009 Ajustes dos custos em relação ao tempo: padronização dos custos Um outro método utilizado para padronizar os custos passados é a multiplicação de todos os custos do ano em que os dados foram coletados pela taxa de inflação médica daquele ano. 136 Ajustes dos custos em relação ao tempo: padronização dos custos (Exemplo) Recursos médicos utilizados para tratar infecção moderada Atendimentos médico Estimativa de custo do recurso Ano da estimativa de custo Custo ajustado para reais de 2005 $115,00 2003 125,46 Serviços de laboratório para cultura de organismos $50,00 2004 52,25 Medicamento antibiótico $28,84 2005 TOTAL 28,84 206,55 IPM de 2004 = 4,4%; IPM de 2005 = 4,5% $115 x 1,045 x 1,045 $50 x 1,045 137 Trazendo custos (ou benefícios) futuros para o presente: discounting Se os custos são estimados com base em reais gastos ou poupados em anos futuros, é necessário que se realize um outro tipo de modificação, chamada discounting (desconto), pois existe um valor l temporal t l associado i d ao dinheiro, di h i visto i t que as pessoas preferem receber seu dinheiro hoje, em vez de em algum momento posterior. Portanto o dinheiro recebido hoje vale mais do que a mesma quantia recebida numa data posterior. 138 PROF. GIACOMO BALBINOTTO NETO (PPGE/UFRGS) 46 ANALISE DE DECISÃO E ESTUDOS DE CUSTO-EFETIVIDADE - PPGEpi 2009 Trazendo custos (ou benefícios) futuros para o presente: discounting A questão do “Discounting” Quando o discouting deve ser considerado na análise em saúde? Quando a estratégia em estudo envolve custos que acontecerão não apenas no momento presente, mas também no futuro. 139 Trazendo custos (ou benefícios) futuros para o presente: discounting A questão do “Discounting” Real ($) hoje tem maior valor que o mesmo Real ($) no futuro! Não é uma correção da inflação! 140 Trazendo custos (ou benefícios) futuros para o presente: discounting As modificações do valor do dinheiro no tempo são estimadas utilizando-se uma taxa de desconto, que busca aproximar o custo do uso dos recursos na sociedade. 141 PROF. GIACOMO BALBINOTTO NETO (PPGE/UFRGS) 47 ANALISE DE DECISÃO E ESTUDOS DE CUSTO-EFETIVIDADE - PPGEpi 2009 Trazendo custos (ou benefícios) futuros para o presente: discounting Utilizando-se a taxa de desconto, podemos calcular o valor presente de despesas e economias futuras das intervenções em saúde. A taxa de desconto geralmente aceita para intervenções em saúde situa-se na faixa de 3% a 6%. Contudo elas podem variar de 0% a 10% nas análises de sensibilidade. 142 Trazendo custos (ou benefícios) futuros para o presente: discounting O fator de desconto é igual a: t FD = [1 / (1 + r) ] onde: r = taxa de desconto t = é o número de anos no futuro em que o custo ou a economia ocorrerá. 143 Trazendo custos (ou benefícios) futuros para o presente: discounting (taxa de desconto de 5%) Exemplo de disconting de custos avaliados no início de cada ano Ano em que os custos são incorridos Custos estimados g sem disconting Cálculo Valor Presente Ano 1 5.000 5.000/1 5.000 Ano 2 3.000 3.000/1.05 2.857 Ano 3 4.000 2 3.628 4.000/ (1,05) Total 12.000 - 11.485 144 PROF. GIACOMO BALBINOTTO NETO (PPGE/UFRGS) 48 ANALISE DE DECISÃO E ESTUDOS DE CUSTO-EFETIVIDADE - PPGEpi 2009 Trazendo custos (ou benefícios) futuros para o presente: discounting (taxa de desconto de 5%) Exemplo de disconting de custos avaliados no final de cada ano Ano em que os custos são incorridos Custos estimados sem disconting g Cálculo Valor Presente Ano 1 5.000 5.000/1,05 4.762 Ano 2 3.000 3.000/1.05 2.721 Ano 3 4.000 3.455 2 4.000/ (1,05) Total 12.000 - 10.938 145 Custos Médios versus Custos Marginais ou Incrementais Na prática clinica ou para o tomador de decisão em termos de políticas públicas em saúde, uma opção consiste em comparar um novo tratamento com o tratamento padrão (por exemplo). Assim, utiliza-se o cálculo da variação dos custos dividido pela variação dos desfechos. O resultado deste cálculo se chama de razão custo-efetividade incremental (RECEI) ou incremental cost-effectiveness ratio (ICER) 146 Custos Médios versus Custos Marginais ou Incrementais Velhociclina Novociclina Custo total $325 $450 Efetividade 87% de sucesso 91% de sucesso Custo-efetividade médio $325/0,87 = 373 por sucesso $450/0,91= 494 por sucesso Custo-efetividade incremental (a) - ($450-$335)/(0,91-0,87)= 3,125 para cada sucesso adicional (a) Diferença nos custos dividida pela diferença de efetividade. PROF. GIACOMO BALBINOTTO NETO (PPGE/UFRGS) 147 49 ANALISE DE DECISÃO E ESTUDOS DE CUSTO-EFETIVIDADE - PPGEpi 2009 Custos Médios versus Custos Marginais ou Incrementais Assim, estima-se que, custe $12.500 a mais para tratar 100 pacientes com o tratamento NC a fim de se obterem quadro sucessos extras (ou $3,125 por sucesso extra). 148 Recursos para estimativas de custos Quanto mais próximo o estudo clínico for da prática do “mundo real”, melhor será a estimativa desse método. 149 Recursos para estimativas de custos: medicamentos O preço médio de atacado geralmente é utilizado para se calcular o custos dos produtos farmacêuticos. Ele é considerado o preço de tabela ou o preço sugerido, de medicamentos, podendo ser encontrado em fontes disponíveis nos hospitais ou ANVISA. 150 PROF. GIACOMO BALBINOTTO NETO (PPGE/UFRGS) 50 ANALISE DE DECISÃO E ESTUDOS DE CUSTO-EFETIVIDADE - PPGEpi 2009 Recursos para estimativas de custos: serviços médicos Os serviços médicos, como atendimentos em consultórios ou ambulatórios e procedimentos laboratoriais e cirúrgicos de pacientes externos, costumam ser incluídos nas estimativas de custos diretos médicos. 151 Recursos para estimativas de custos: pessoal A estimativa do tempo do pessoal pode incluir o uso de estimativas baseadas em serviços similares, podendo, ainda, envolver métodos mais precisos de mensuração do trabalho, podendo incluir o uso de crônometro para medir quanto tempo leva uma atividade, em média, para ser realizada ou um atendimento executado. 152 Recursos para estimativas de custos: Hospitalizações O nível utilizado é determinado pela importância dos custos relativos ao hospital em relação à avaliação geral, à perspectiva do estudo, à d disponibilidade b l d d de d dados d d sobre b custos e aos recursos disponíveis para conduzir o estudo (mais precisão implica em mais tempo!!) 153 PROF. GIACOMO BALBINOTTO NETO (PPGE/UFRGS) 51 ANALISE DE DECISÃO E ESTUDOS DE CUSTO-EFETIVIDADE - PPGEpi 2009 Recursos para estimativas de custos: Diárias O método menos preciso de se estimar custos hospitalares é o método do custeio da diária. Para cada dia que um paciente permanece no ambiente hospitalar, um custo médio por dia para todos os tipos de hospitalização é utilizado como multiplicador. 154 Recursos para estimativas de custos: grupo de diagnósticos relacionados (GDR) O método do GDR é utilizado para classificar clinicamente diagnósticos e procedimentos similares que utilizam os mesmos recursos. 155 Recursos para estimativas de custos: Microcusteio O microcusteio é o método mais preciso de estimativa de custos hospitalares e envolve a coleta de informações sobre o uso de recursos para cada componente de uma intervenção para estimar e comparar intervenções. intervenções O microcusteio costuma acarretar uma análise dos prontuários hospitalares dos pacientes para determinar que serviços específicos (medicamentos, serviços de laboratórios, procedimentos) foram utilizados e atribuir um custo a cada serviço. 156 PROF. GIACOMO BALBINOTTO NETO (PPGE/UFRGS) 52 ANALISE DE DECISÃO E ESTUDOS DE CUSTO-EFETIVIDADE - PPGEpi 2009 Bibliografia - Livros 157 Bibliografia - Livros 158 Bibliografia - Livros 159 PROF. GIACOMO BALBINOTTO NETO (PPGE/UFRGS) 53 ANALISE DE DECISÃO E ESTUDOS DE CUSTO-EFETIVIDADE - PPGEpi 2009 Bibliografia - Livros 160 Bibliografia - Periódicos 161 Bibliografia - Periódicos 162 PROF. GIACOMO BALBINOTTO NETO (PPGE/UFRGS) 54 ANALISE DE DECISÃO E ESTUDOS DE CUSTO-EFETIVIDADE - PPGEpi 2009 Sites recomendáveis http://stats.oecd.org/Index.aspx?DatasetCode=HEALTH 163 O Valor Intrinseco da Saúde ! “the enjoyment of the highest attainable standard of health is one of the fundamental rights of every human being…” (World Health Organization) “health is among the most important conditions of human life and a critically significant constituent of human capabilities which we have reason to value” (A. Sen, 2002) 164 Fim... Ou para aqueles interessados... Será apenas um novo começo... PROF. GIACOMO BALBINOTTO NETO (PPGE/UFRGS) 55