Análise de Dados de Degradação para Caracterização da Confiabilidade : um estudo de caso em rodas de trens Marta A. Freitas UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS Laboratório de Apoio à Decisão e Confiabilidade (LADEC) DEPTO. DE ENG. DE PRODUÇÃO [email protected] MGEST2012-Ouro Preto-4 e 5 de outubro Colaboradores I Júlio Cesar Ferreira (V & M Tubes; Mestre em Engenharia de Produção - UFMG) I Prof. Dr. Enrico A. Colosimo (Estatística-UFMG) I Profa. Maria Luiza G. de Toledo ( Eng. de Produção- UFOP; Mestre em Estatística, Doutoranda em Engenharia de Produção - UFMG ) I Clódio P. de Almeida (Mestre em Estatística-UFMG) I Janaína Marques (Mestre em Engenharia de Produção UFMG) I Rivert Paulo Braga (Mestre em Engenharia de Produção, Doutorando em Estatística - UFMG) Roteiro • Situação motivadora • Fonte dos dados de confiabilidade e sua natureza • Ensaios (testes) de confiabilidade: objetivos gerais e tipos de ensaios • Ensaios (testes) de vida e de vida acelerados • Ensaios (testes) de degradação • Modelo geral de perfil de degradação (suposições e estimação dos parâmetros) • Aplicação: análise dos dados das rodas • Comentários finais e conclusões Situação motivadora • Data set: medidas de diâmetros de rodas de trens X tempo de acompanhamento: 600 mil Km; X tempos de inspeção: a cada 50 mil Km; X medidas registradas para 14 locomotivas (8 × 14 = 112 rodas); Situação motivadora(cont.) Figura : Localização das rodas e os labels associados Situação motivadora (cont.) • Medidas de degradação⇒ 966 mm-[diâmetro observado no tempo (Km) t]; • Nível crítico que define a falha (Df ) ⇒ uma dada roda é substituída quando atinge o diâmetro de 889 mm ⇒ Df =77 mm; Situacão motivadora (cont) Figura : Perfis das rodas, por posição Situação motivadora (cont.) • Objetivo: Responder à algumas perguntas específicas tais como: X existe efeito das posições de trabalho no desgaste das rodas? X em caso afirmativo, qual é a distribuição do tempo até a falha das rodas nas diferentes posições de trabalho? X qual a estimativa de características de confiabilidade (por posição, se for o caso) tais como: • a distância média percorrida até a falha (MTTF) • quantis da distribuição do tempo até a falha (t0.01 ;t0.05 ; etc.) Fonte dos dados de confiabilidade e sua natureza I Fonte dos dados de Confiabilidade: X ensaios (testes ) X observação de uso no campo X dados de ocorrências durante a garantia X handbooks (manuais) Fonte dos dados de confiabilidade e sua natureza (cont.) I Natureza (tipo) dos dados de confiabilidade: X tempos de falha + tempos de operação (censuras) X medidas de degradação de alguma característica (associada à falha) no tempo (dados de degradação) X registro de eventos recorrentes: tempos de falhas recorrentes + tempos de ocorrência de manutenções preventivas (dados de manutenção) Ensaios (testes) de confiabilidade: objetivos gerais e tipos de ensaios I Objetivo: estimar a distribuição do tempo de vida do produto/componente (MTTF, quantis da distribuição) I Utilidade destas informações: X comparação de produtos X determinação de prazos de garantia ou de validade (produtos alimentícios, medicamentos, smartphones etc.) X "alimentar"fase de projeto Ensaios (testes) de confiabilidade: objetivos gerais e tipos de ensaios (cont.) I Tipos de ensaios (testes) X Ensaios (testes) de vida X Ensaios (testes) de vida acelerados X Ensaios (testes) de degradação [dados do desgaste das rodas das locomotivas] X Ensaios (testes) de degradação acelerados Ensaios (testes) de confiabilidade: objetivos gerais e tipos de ensaios (cont.) ENSAIOS (TESTES)DE VIDA I Dados gerados: tempos até a falha + tempos de operação (censuras) I Análise: paramétrica usual utilizando falhas e censuras e estimação via máxima verossimilhança. I Distribuições:: Exponencial, Weibull, Lognormal, Gama etc. [análise de sobrevivência paramétrica] Ensaios (testes) de confiabilidade: objetivos gerais e tipos de ensaios (cont.) ENSAIOS (TESTES)DE VIDA ACELERADOS I Característica: ensaios realizados sob condições mais estressantes (ex: níveis de temperatura mais altos→ temperatura = variável de estresse) I Dados gerados: tempos até a falha + tempos de operação (censuras - possivelmente em número bem menor) SOB CONDIÇÕES DE ESTRESSE Ensaios (testes) de confiabilidade: objetivos gerais e tipos de ensaios (cont.) I Objetivos do uso da variável de estresse: • reduzir a ocorrência de censuras durante o tempo de ensaio • reduzir o tempo de ensaio I Análise: modelos de regressão + distribuições Weibull, Lognormal etc. I Importante: EXTRAPOLAÇÃO PARA AS CONDIÇÕES DE USO Ensaios (testes) de confiabilidade: objetivos gerais e tipos de ensaios (cont.) ENSAIOS (TESTES)DE DEGRADAÇÃO I Motivação X ensaios de vida acelerados: problema da indução de modos de falha não observáveis em condições normais de uso X modos de falha =⇒ resultado de um processo de degradação Ensaios (testes) de confiabilidade: objetivos gerais e tipos de ensaios (cont.) ENSAIOS (TESTES)DE DEGRADAÇÃO (cont.) I Características principais: X acompanhamento ao longo do tempo de uma variável diretamente relacionada à falha (ex: o tamanho de uma trinca; desgaste da roda de um trem; concentração de bactérias) X definição de um nível crítico que define a ocorrência da falha . Exemplos: falha da roda ocorre quando a redução no diâmetro for de 77 mm X falhas so do tipo "soft": a unidade em observação ainda funciona porém com desempenho prejudicado. X Análise: via modelos gerais de perfis de degradação Modelo geral de perfil de degradação (suposições e estimação dos parâmetros) I Forma do modelo: Yij = Dij + εij = D(tij ; α; βi ) + εij , with i = 1, 2, . . . , n e j = 1, 2, . . . , mi , • Yij é a v.a. representando a quantidade de degradação da i-ésima unidade no tempo tij (i = 1, 2, . . . , n; j = 1, 2, . . . , mi ); Modelo geral de perfil de degradação (suposições e estimação dos parâmetros) (cont.) I Suposições: • εij são i.i.d. segundo uma Normal (0;σε2 ) (σε2 é fixo e desconhecido) • βi = (βi1 , βi2 , . . . , βik )t i = 1, . . . , n são i.i.d. segundo uma distribuição multivariada Λ(β|θ) com densidade f (β|θ), que pode depender de um vetor θ (q × 1) de parâmetros fixos e desconhecidos (precisam ser estimados a partir dos dados) • βi e εij são independentes. Modelo geral de perfil de degradação (suposições e estimação dos parâmetros) (cont.) CARACTERÍSTICA PRINCIPAL DA ANÁLISE ⇓ DUAS ETAPAS • ETAPA 1: ajuste de um modelo para dados longitudinais (estimativa dos parâmetros) • ETAPA 2 : estimação da distribuição do tempo até falha Modelo geral de perfil de degradação (suposições e estimação dos parâmetros) (cont.) Etapa 1: Estimação dos Parâmetros do Modelo: Função de Verossimilhança I Parâmetros do modelo: α, θ and σε2 (todos fixos) f (y |α, θ, σε2 ) = n Y Z i=1 Ξ βi [y −D(tij , α, βi )] σε onde zij = ij Normal Padrão. m Yi 1 φNOR (zij ) f (βi |θ)dβi , σε j=1 e φNOR é a função densidade de uma Modelo geral de perfil de degradação (suposições e estimação dos parâmetros) (cont.) I IMPORTANTE: Suposição usual: X βi = (βi1 , βi2 , . . . , βik )t (i = 1, . . . , n ) i.i.d. Nk (µβ , Σβ ) X parâmetros do modelo: µβ ; Σβ ; α, σε2 (fixos e desconhecidos) X rotinas no SAS, MATLAB, R (lme, nlme) etc. são com base na suposição de normalidade dos efeitos aleatórios Modelo geral de perfil de degradação (suposições e estimação dos parâmetros) (cont.) Etapa 2: Estimação da distribuição do tempo até a falha F(t) I Relação entre o modelo para os dados de degradação e a distribuição do tempo até a falha: • Perfis crescentes com o tempo FT (t) = P(T ≤ t) = P[D(t; α; β) ≥ Df ] • Perfis decrescentes com o tempo FT (t) = P(T ≤ t) = P[D(t; α; β) ≤ Df ] Modelo geral de perfil de degradação (suposições e estimação dos parâmetros) (cont.) I Formas de obtenção de FT (t): X Solução analítica X Integração direta X Simulação de Monte Carlo Aplicação: Análise dos dados de desgaste das rodas 1) ANÁLISE EXPLORATÓRIA BASEADA EM PSEUDO TEMPOS DE FALHA ( análise aproximada, Meeker e Escobar,1998) I Análise aproximada X ajuste (estimação por MQ) do modelo linear para os dados de cada perfil (roda): yij = Di (tij ; β0i ; β1i ) + ij = β0i + β1i tij + εij (j = 1, . . . , 13) Aplicação: Análise dos dados de desgaste das rodas (cont) X estimação dos pseudo tempos de falha (Meeker e Escobar, 1998) para cada perfil (roda) t̂i = Df − β̂0i β̂1i X verificação da adequação de distribuições para o pseudo tempos X ajuste da distribuição com base no pseudo tempos de falha Aplicação: Análise dos dados de desgaste das rodas (cont) Figura : Gráficos de Probabilidade Lognormal dos pseudo tempos de falha, por posição Aplicação: Análise dos dados de desgaste das rodas (cont) Figura : Estimativas pontuais de quantis (p=0.50 e 0.90), por posição, baseadas nos pseudo tempos de falha [valores mais altos hachuriados] [eixo ×lado???] Aplicação: Análise dos dados de desgaste das rodas (cont.) I Conclusões da análise exploratória • os padrões dos perfis de degradação sugerem uma forma funcional linear ( uma reta) para todas as posições, com uma taxa (inclinação) positiva de degradação • a distribuição lognormal é uma boa candidata para a distribuição do tempo até a falha das rodas, qualquer que seja a posição Aplicação: Análise dos dados de desgaste das rodas (cont.) • forma funcional de uma reta+tempos até a falha lognormais → a taxa de degradação (efeito aleatório do modelo) também deve ter distribuição lognormal • há indicação de existência de interações entre as condições de operação ( em particular lado×eixo) que podem estar afetando a taxa de degradação. Aplicação: Análise dos dados de desgaste das rodas (cont.) 2) ESPECIFICAÇÃO DO MODELO Modelo não linear de efeitos mistos (NLME)para a i-ésima unidade: Yij = α0 + e ηi tj + εij (i = 1, . . . , n; j = 1, . . . , mi ) ηi = η Xijt , α , βi = βi + Xijt α Aplicação: Análise dos dados de desgaste das rodas (cont.) Assume-se que: • Os erros εij são i.i.d N(0;σε2 ); σε2 fixo e desconhecido iid • βi ∼ N µβ , σβ2 ; µβ e σβ2 ambos fixos e desconhecidos • Os efeitos aleatórios βi são independentes dos erros εij . Aplicação: Análise dos dados de desgaste das rodas (cont.) Vantagens da parametrização: X a taxa de desgaste é positiva (como sugerido pelos perfis das rodas) X F(t) pode ser obtida analiticamente pois: • η = X t α + β ⇒ η ∼ N X t α + µβ ; σβ2 • e η ∼ logn (X t α + µβ ; σβ ) • T ∼ logn (µT ; σT ) onde µT = log (Df − α0 ) − (X t α + µβ ) and σT = σβ Aplicação: Análise dos dados de desgaste das rodas (cont.) RESULTADOS DO AJUSTE • somente a interação LADO × EIXO foi significante (p < 0, 02) Aplicação: Análise dos dados de desgaste das rodas (cont.) Tabela : Estimativas pontuais e por intervalo por condição de operação NLME Posição Estimativas (×103 Km) [LADO,EIXO] MTTF t0,01 t0,05 [0,0] 1.306,6 196,9 314,6 [E,EXT] [979;1.714]∗ [142;281] [233;438] [0,1] 1.187 171,2 258,5 [E,INT] [893;1.519] [132;242] [218;383] [1,0] 1.057 157,3 254,6 [D,EXT] [773;1.421.8] [117;223] [192;350] [1,1]= 1.573.5 225,1 367,3 [D,INT] [1.195;1.961] [169;330] [279;509] (*)I.C. Bootstrap 90% (valores arredondados) t0,10 408,6 [307;558] 365,8 [284;489] 329,4 [250;450] 477,4 [367;664] Aplicação: Análise dos dados de desgaste das rodas (cont.) Figura : Distribuições do tempo até a falha F (T ) estimadas (por condição de operação)-NLME Conclusões I Ao modelar as log-taxas de desgaste (ηi ) de cada unidade como funções lineares de covariáveias associadas às posições (lado, eixo, truque), foi possível investigar possíveis efeitos das mesmas na distribuição do tempo até a falha I Foi possível identificar qual posição leva as rodas a um maior desgaste ( [lado direito; eixo externo]) I Como as log-taxas de desgaste foram modeladas como funções lineares de efeitos aleatórios com distribuição Normal, foi possível utilizar as funções já implementadas no R (nmle) para o ajuste do modelo I A parametrização utilizada também possibilitou que a distribuição do tempo até a falha fosse obtida de forma analítica