CONTROLE DA COMBUSTÃO EM FORNALHAS A LENHA
Lopes1, R. P.; Oliveira Filho2, D. ; Donzeles3, S. M. L.; Ferreira1, W. P. M.
1
Doutorando do curso de Energia na Agricultura – UFV/DEA
Prof. da Universidade Federal de Viçosa – UFV/DEA – [email protected]
3
Pesquisador da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais - EPAMIG
2
RESUMO
O uso indiscriminado da lenha constitui o
principal responsável pela sua escassez e alta de
preços. Embora as fornalhas sejam projetadas para
operar com o máximo de eficiência, na prática
observa-se consumo excessivo de combustível e
conseqüente perda de energia pelo seu manejo
inadequado. A combustão incompleta em fornalhas de
fogo direto prejudica a qualidade do produto. Este
trabalho propõe uma metodologia para o controle da
combustão, que consiste no controle da abertura de ar
primário (ar de combustão) garantindo temperaturas
para que ocorra a combustão completa. Construiu-se
um termômetro de baixo custo para medição da
temperatura de combustão. Estabeleceu-se limites na
abertura de entrada de ar primário, de modo garantir
excesso de ar e temperatura de combustão suficientes
para a queima de todos os voláteis. A metodologia
proposta permite o manejo otimizado da fornalha
(mínimo consumo de lenha) e a definição de um plano
de trabalho pelo operador que de antemão saberá a
quantidade de lenha a adicionar em cada intervalo de
tempo. Esta metodologia substitui o manejo de
fornalhas pela utilização de detetores de monóxido de
carbono.
ABSTRACT
The indiscriminate firewood use constitutes
one of the main responsible for its shortage and high
prices. Although the furnaces are projected to operate
with the maximum efficiency, in the practice it is
observed excessive consumption of fuel and
consequent loss of energy by its inadequate operation.
The incomplete combustion in direct fire furnaces can
result in harms of the product quality. This work
proposes a methodology for the control of the
combustion, that consists of the control of the opening
of primary air (combustion air) guaranteeing
temperatures so that it happens the complete
combustion. A low cost thermometer was built for
mensuration of the combustion temperature. It is
settled down limits in the opening of entrance of
primary air, in way to guarantee excess of air and
enough combustion temperature for it burns it of all
the volatile ones. The methodology proposal allows
the handling eficient of the furnace (minimum
firewood consumption) and the definition of a work
plan for the operator that ahead of time will know the
amount of firewood to add in each interval of time.
This methodology substitutes the handling of furnaces
for the use of measurement of monoxide of carbon.
PALAVRAS CHAVES
Controle da combustão, fornalha, instrumentação
KEYWORDS
Combustion control, furnace, instrumentation
INTRODUÇÃO
REVISÃO DE LITERATURA
A utilização racional da energia na secagem
de produtos agrícolas pode contribuir substancialmente
para a economia de combustível e, obviamente, para a
redução dos custos de secagem.
A disponibilidade de energia para a secagem
constitui uma preocupação para os agricultores quer
devido à escassez dos recursos naturais e,
consequentemente, a alta de preços dos mesmos, quer
devido ao aumento freqüente dos combustíveis
derivados do petróleo.
A maioria das fornalhas a lenha não dispõem
de mecanismo de controle do processo de combustão.
Essas fornalhas requerem supervisão constante do
operador e, na maioria das vezes, são operadas
inadequadamente. O manejo inadequado de fornalhas
favorece a combustão incompleta, a contaminação do
produto por resíduos da combustão presentes no ar de
secagem e, dificuldades para a manutenção constante
da temperatura do ar durante a secagem.
Muito das vezes o agricultor insatisfeito com
esta situação, em vez de procurar solucionar o
problema adotando uma fornalha eficiente, usando
lenha adequadamente seca, cortada nas dimensões
compatíveis com a câmara de combustão, e adotar um
manejo correto da fornalha que garanta a operação
eficiente da mesma, procura solução em outras fontes
de energia, que num primeiro momento pode lhe
parecer bastante atrativo pela comodidade e
facilidades de manuseio e controle da combustão, mas
que no futuro pode vir a causar-lhe aborrecimentos
pelas incertezas dos preços e garantia de fornecimento.
Há que se ponderar também, que o mercado
de fornalhas para biomassa tem apresentado opções de
fornalhas que muitas vezes apesar de eficientes e
testadas por instituições de pesquisa reconhecidas pela
comunidade científica nacional, não possuem
mecanismos que auxiliem a operação eficiente da
mesma tais como o controle de: (i) carga de
combustível, (ii) temperatura da combustão, (iii)
entrada de ar frio para combustão entre outros.
Este trabalho tem por objetivo contribuir para
o uso racional da lenha, como combustível para a
geração de calor em fornalhas para aquecimento de ar,
destinadas a secagem de produtos agrícolas, pelo
controle da combustão por meio do controle da
abertura de entrada de ar comburente e da temperatura
de combustão, de modo a garantir o excesso adequado
de ar e a temperatura propícia à combustão completa.
Espera-se que as ações aqui propostas, contribuam
efetivamente para a economia de combustível e para a
preservação dos recursos naturais renováveis
destinados a este fim.
Com o agravamento da poluição ambiental
pela extração e conversão dos combustíveis fósseis,
aliado aos riscos de escassez e aos aumentos
freqüentes dos preços do petróleo, várias fontes
alternativas de energia foram propostas como opções
para a redução do impacto ambiental e dependência
dos derivados de petróleo, desde o primeiro choque
ocorrido em 1973.
Grandes avanços se verificaram nas
tecnologias de aproveitamento da biomassa, como a
obtenção de hidrocarbonetos puros de alto valor
calorífico, prontos para serem utilizados como
combustíveis. Apesar de todo este progresso, é a
biomassa na sua forma mais simples (lenha), o
combustível de subsistência de uma grande parte da
humanidade.
Grande parte da utilização e extração da lenha
ocorre nos países subdesenvolvidos de forma
irracional e sem controle, e com grande prejuízos para
o meio ambiente. O uso final desta matéria prima
compreende processos de conversão primitivos e
ineficientes com grande consumo de lenha,
contribuindo ainda mais para o desmatamento
desmedido. Grande parte desta lenha se destina a
produção de carvão vegetal, cocção de alimentos, uso
em fornalhas para aquecimento de ar para secagem de
produtos agrícolas, e produção de energia térmica em
geradores de vapor para processos industriais e
produção de energia elétrica.
Reitera-se aqui a necessidade de programas
integrados de reflorestamento e de uso racional das
fontes de energia provenientes de biomassa. Os
programas de uso de energia de biomassa devem
englobar ações do ponto de vista do suprimento quanto
do uso final da energia, ou seja, por meio de
planejamento integrado.
Na produção e processamento de produtos
agrícolas, 60 % da energia é utilizada na secagem.
Além destes aspectos, alguns produtos como café
despolpado, sementes de cacau, frutas e hortaliças,
requerem aquecimento indireto do ar de secagem por
meio de fornalhas a fogo indireto, cujo rendimento, em
geral, situa-se em 35 %. O baixo rendimento destas
fornalhas constitui uma característica intrínseca das
mesmas, exigindo por muito mais razão seu manejo de
forma otimizada.
Vários pesquisadores GOMES (1988),
MELAM (1987), OLIVEIRA (1996), SAGLIETTI
(1991), SILVA (1998) e VALARELLI (1991) cientes
do consumo excessivo de energia e do baixo
rendimento apresentado pelas fornalhas comumente
empregadas na secagem de grãos, estudaram novas
concepções de fornalhas, mais eficientes e
econômicas. Entretanto, apesar destes esforços, não
encontrou-se na literatura consultada, estudos de
mecanismos de baixo custo ou de metodologias, que
orientam os operadores de fornalhas a operá-las de
forma otimizada, de modo aproveitar ao máximo a
energia do combustível.
Controle da Combustão
Todo processo de combustão deve atender a
princípios que assegurem economia ou eficiência na
queima de combustível (BAZZO, 1995). Entretanto,
na prática, em condições normais de operação, é muito
difícil o aproveitamento integral da energia disponível
no combustível, razão pela qual se faz necessário um
trabalho de otimização com vistas à minimização das
perdas de energia envolvidas no processo de
combustão.
A combustão é definida como um conjunto de
reações químicas nas quais os elementos combustíveis
se combinam com o oxigênio, liberando energia
quando o combustível atinge a temperatura de ignição.
Uma boa combustão deve liberar a energia do
combustível com um mínimo de perdas devido à
combustão incompleta, seja por falta ou excesso de ar,
umidade do combustível, processo de turbulência e
mistura do ar durante a operação, e outros. Para que a
combustão ocorra eficientemente são necessários os
três “T” da combustão:
a) Temperatura alta o suficiente para iniciar e
manter a queima do combustível;
b) Mistura ou turbulência adequada do ar com o
combustível;
c) Tempo suficiente para a ocorrência da reação de
combustão;
O ar fornecido para a combustão em
quantidade suficiente para a queima completa do
carbono, hidrogênio, enxofre, e outros elementos do
combustível que possam oxidar, é denominado de “ar
teórico. Na prática, a quantidade de ar teórica não é
suficiente para promover a combustão completa. A
quantidade real de ar necessária é maior, por isso
denominada de “excesso de ar”. Comumente é
expressa como uma porcentagem da quantidade do “ar
teórico”. Para combustíveis sólidos o excesso de ar
deve situar-se entre 30 e 60 %. Apesar de ser um
parâmetro importante, deve-se ter cuidados com níveis
de excesso de ar elevados pois podem provocar:
i) Retardamento da reação de combustão;
j)
Redução na eficiência global do sistema de
combustão;
k) Exigência de ventilador mais potente;
Por outro lado, ar em quantidade inferior ao
ar teórico necessário deve ser evitado, pois propiciam
a combustão incompleta - uma parte do carbono se une
ao oxigênio para formar o monóxido de carbono (CO)
e não o dióxido de carbono (CO2), e o aparecimento de
fuligem nos gases de combustão.
Segundo PERA (1990), o consumo de
combustível cresce na razão inversa do excesso de ar.
Valores acima do indicado significam a introdução de
um volume a mais de ar comburente contendo mais
oxigênio e nitrogênio, os quais se tornarão inertes e
subtrairão energia do sistema à saída dos gases às
custas da energia liberada do combustível.
O controle da combustão tem por objetivo
assegurar a mistura eficaz do comburente e
combustível na dosagem correta, no tempo certo e na
temperatura ideal, de modo a garantir a queima
completa do mesmo, ou seja, a liberação de toda
energia contida no combustível.
Na indústria este controle é feito por meio de
instrumentos que monitoram a qualidade dos gases de
combustão. Sensores instalados na câmara de
combustão e na saída dos gases de combustão,
controlam a entrada de ar e a dosagem de combustível
de modo a garantir as condições necessárias a uma boa
combustão. Os principais parâmetros envolvidos neste
controle são o excesso de ar e a temperatura de
combustão. O monitoramento dos teores de CO2 e O2
permitem determinar se o excesso de ar utilizado
apresenta-se adequado à combustão. As quantidades
de CO2 e O2, quando de uma combustão completa,
podem
ser
calculadas
pela
estequiométrica
conhecendo-se a composição do combustível, e
medida experimentalmente por aparelhos. Para lenha,
de acordo com DINIZ a composição em peso dos
elementos combustível da lenha é: carbono 50,3 %,
hidrogênio 6,2 %, oxigênio 43,1 %. Se a quantidade de
CO2 + O2 disponível é menor do que a calculada, temse uma combustão incompleta, ou seja, há gases
incombustos. O excesso de ar deve ser aumentado
pelas aberturas de entrada de ar, diminuição da
espessura da camada de combustível ou aumento da
tiragem. A presença de CO nos gases de combustão
também é uma indicação útil da qualidade da
combustão, pois evidencia que a mesma não está
ocorrendo de forma completa. A presença CO pode ser
usada como indicação da qualidade da combustão haja
vista que o CO é o subproduto da combustão que
queima a temperatura maior.
Os equipamentos utilizados para o controle da
qualidade
da
combustão,
compreendem
os
analisadores de gases por absorção e os analisadores
contínuos. A utilização destes equipamentos em nível
de propriedades agrícolas torna-se inviável pelos
custos, cuidados e conhecimentos técnicos exigidos,
entretanto, pode-se por meio do monitoramento da
temperatura de combustão e do controle das aberturas
de entrada de ar comburente, propiciar as condições
necessárias a uma combustão eficiente com um
mínimo de investimento.
α e β= são constantes dos metais usados e tomados
com relação ao chumbo.
Medida de Temperatura por Termopar
Para a medição da temperatura de combustão
construiu-se um termômetro simples e de baixo custo
utilizando-se dos princípios da termeletricidade, no
qual quando dois metais diferentes são conectados e a
junção é inserida em meios com diferentes
temperaturas, passa a se observar diferentes efeitos,
entre os quais esta o Efeito Seeback que é o
aparecimento de uma diferença de potencial (ddp) em
um circuito fechado formado por dois condutores
metálicos diferentes, se a temperatura das junções
forem diferentes.
A força surgida é denominada então de força
eletromotriz termoelétrica que associada ao conjunto
de dois condutores metálicos é conhecida comumente
por termopar (Notas de Aula). A dependência da força
eletromotriz termoelétrica e a diferença de temperatura
entre as funções podem ser representadas pela seguinte
equação:
E ab = α ab ( T2 − T1 ) +
1
β ab ( T2 2 − T1 2 )
2
(1)
em que
Eab= força eletromotriz produzida com o termopar ab;
T1= temperatura da junção 1;
Tabela 1 - Características do termopar tipo K.
Termopar
Tipo
Cromel + Alumel
K
T2= temperatura da junção 2;
A equação (1) é uma parábola, logo a curva é
crescente, passa por um máximo e depois decresce. O
ponto máximo ocorre quando:
dEab
=0
dT2
(2)
Portanto
α ab
(3)
β ab
Os valores de β são sempre muito menores do
que os de α.
Portanto para pequenos intervalos de
temperatura e que esteja afastado de Tn, a equação (1)
pode ser simplificada para uma reta, descrevendo bem
a variação de Eab com a temperatura.
T2 = Tn = −
Eab = α (T2 − T1 )
(4)
Assim observa-se que a força eletromotriz
termoelétrica é proporcional à diferença entre T1 e T2.
Para a confecção do termômetro protótipo
utilizou-se os metais cromel e alumel para a
construção do par termoelétrico (Tabela 1).
Temperatura útil(oC)
µv/oC
39,4
0 a 1100
Figura 1 – Modelo de fornalha utilizada no teste de
controle da combustão
A fornalha, de fogo direto e fluxo
descendente, possui a câmara de combustão revestida
internamente por tijolos refratários, volume de 0,09
m3 e grelha de dimensões de 0,45 x 0,25 m
refrigerada a água. Fornece energia para aquecimento
de ar para um secador de camada fixa com câmara de
secagem de 4 m de diâmetro e 0,60 m de altura. Um
ventilador centrífugo com vazão de 100 m3.min-1
acionado por um motor de 7,5 cv, insuflava o ar para
o plenum do secador.
Para quantificar a vazão mássica de ar
comburente na entrada da câmara de combustão,
colocou-se sobre a abertura de alimentação desta, um
(T2-T1)oC
25
MATERIAL E MÉTODOS
Este trabalho foi realizado na Área de
Energia na Agricultura, do Departamento de
Engenharia Agrícola da Universidade Federal de
Viçosa, em uma fornalha de alvenaria construída
conforme proposto por SILVA e BERBERT (1999),
Figura 1.
anteparo de madeira com 9 orifícios de 6 cm de
diâmetro (Figura 2).
Figura 2 – Chapa com orifícios para medida da
velocidade de ar comburente na entrada
da câmara de combustão.
Para medir a velocidade do ar, mediu-se com
um anemômetro digital a velocidade do ar na entrada
dos orifícios, primeiramente com todos os orifícios
abertos, depois com 9, 6 e finalmente com 3 orifícios
aberto, ao mesmo tempo em que se media a
temperatura na zona de combustão e as temperaturas
de bulbo seco e úmido do ar ambiente. Para cada
orifício fêz-se três leituras, tomando-se a média das
mesmas. Cada teste teve duração de 1 hora. A
fornalha foi alimentada com lenha seca de eucalipto,
com pedaços com comprimento médio de 39 cm e
diâmetro 8,0 cm. Durante os testes ajustou-se o
registro de entrada de ar frio para mistura com o ar
quente, de modo a obter a temperatura do ar de
secagem em 60°C. O procedimento para
reabastecimento da fornalha, após esta ter atingido o
regime permanente, consistiu na reposição de lenha
em intervalos de 60 minutos, após pesagem da
mesma. De posse da temperatura de bulbo seco e de
bulbo úmido, determinou-se com auxílio do software
Grapsi, a massa específica do ar comburente. Para
cada abertura de entrada de ar, determinou-se a vazão
mássica pela expressão:
.
−
(5)
m = 3600. n . . v. A
em que
.
-1
m - vazão mássica de ar, kg.h
n – número de orifícios abertos;
ρ - massa específica do ar, kg.m-3
−
-1
v - velocidade média do ar, m.s
A – área da entrada de ar no anemômetro, m2.
A quantidade de ar teórico necessário à
combustão completa de 1 kg de lenha foi determinada
pela expressão:
mt =
32 C H O
( + − )
23,2 12 4 32
(6)
em que
mt – massa de ar teórico, kg de ar .kg -1
combustível;
C – teor de carbono em % presente em 1 kg do
combustível;
H – teor de hidrogênio em % presente em 1 kg do
combustível;
O – teor de oxigênio em % presente em 1 kg do
combustível;
Com a vazão mássica de ar comburente
determinada num intervalo de uma hora e a massa de
ar teórica necessária à combustão no mesmo intervalo
de tempo, determinou-se o excesso de ar pela
expressão:
.
m
e% = (
− 1) 100
mt
(7)
Construção do Termômetro Termopar
Utilizou-se 70cm de fio cromel e de fio
alumel que foi inserido em um cano oco de cobre de
2cm de diâmetro e preenchido o seu interior com
massa refratária permitindo que a junção dos metais
não entrasse em contato com o cano de cobre. A
junção entre os dois metais foi feita unindo-se uma
extremidade a outra.
Posteriormente o termômetro foi inserido na
câmara de combustão no interior da fornalha em
contato direto com o fogo, sendo que a outra
extremidade do termômetro ficava fora da fornalha
exposta a temperatura ambiente. Ao longo de um dos
fios do termopar foi ligado um multímetro ajustado na
escala de 200mv.
Ao mesmo tempo, foi introduzido na
fornalha, na mesma posição do protótipo, o
termômetro digital modelo Salvi 1200 K (SALCAS)
para a coleta de dados de temperatura em Graus
Celsius para posterior comparação e correlação com
os valores obtidos para o protótipo.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
O Quadro 1 mostra o consumo de lenha, a
vazão mássica do ar comburente, a temperatura na
zona de combustão, as condições do ar ambiente e o
excesso de ar, para quatro condições de entrada de ar:
entrada de ar livre pela câmara de combustão, e
entrada de ar por 9, 6, e 3 orifícios abertos, ou seja,
para abertura de entrada de ar correspondentes a
100% e com 22,6 %, 15 % e 7,5 % de abertura da
entrada de ar livre.
Quadro 1 – Parâmetros relativos ao consumo de combustível e excesso de ar para 4 níveis de abertura de entrada de
ar primário
Parâmetros
Entrada de ar
100 % aberta*
(0,1125 m2)
21
1,187
18
91,2
160
1046
-
Temperatura do ar ambiente,°C
Massa específica do ar ambiente, kg.m-3
Consumo de lenha, Kg.h-1
Consumo de lenha, kg.h-1.m-3 **
Consumo de lenha, kg .h-1.m-2***
Velocidade média do ar comburente, m.s-1
Temperatura da combustão, °C
Abertura
22,6 %
(0,0254 m2)
23
1,17
20
101,3
178
1,06
992
417
Vazão mássica de ar comburente, kg.h-1
Vazão
mássica
de
ar
comburente
121,23
estequiométrico, kg.h-1
Excesso de ar, %
244
* Área total livre da entrada de ar na câmara de combustão
** Refere-se ao volume da câmara de combustão (volume acima e abaixo da grelha)
*** Consumo por m2 de área de grelha.
Velocidade do ar na entrada da
câmara de combustão, m/s
Ao reduzir a área de entrada de ar comburente
de 22,6 para 7,5 % da área livre de entrada de ar na
câmara de combustão, elevou-se a velocidade do ar na
entrada da câmara de combustão, mas não de maneira
diretamente proporcional a redução da área (Figura 3),
haja vista a compressibilidade do ar.
3
2,5
2
1,5
1
0,5
0
5
10
15
20
25
% de abertura da entrada de ar
Figura 3 – Variação da velocidade do ar na câmara de
combustão em função da porcentagem de abertura da
entrada de ar.
O excesso de ar variou de 244 % passando
por um valor mínimo de 173,3 % e aumentando para
289,6 % para a menor abertura de entrada de ar.
Portanto o excesso de ar foi sempre suficiente para
garantir a presença de comburente no processo. Em
todo os testes verificou-se um excesso de ar acima do
recomendado pela literatura para a combustão de
combustível sólido (excesso de ar de 30 a 60 %).
Acredita-se que, se a fornalha estivesse operando com
carga no secador, tal excesso seria menor.
Abertura
15 %
(0,0168 m2)
28
1,153
22
111,4
195
1,41
1149
364,5
Abertura
7,5 %
(0,00843 m2)
20
1,187
16
81
142
2,79
133,36
95,5
173,3
289,6
1131
372
Em todos os testes atingiu-se a temperatura
necessária à queima completa do combustível. No caso
da lenha a temperatura deve ser superior a 300ºC para
início do processo de combustão, e para a queima
completa dos voláteis superior a 650ºC (referente à
combustão do monóxido de carbono).
Embora se tenha verificado durante os testes,
consumo diferente de lenha devido à produção maior
ou menor de calor, em todos os três casos a combustão
teve os elementos necessários para a queima completa
do combustível, isto é, temperatura, elemento
combustível e comburente.
A determinação da relação abertura de ar e
vazão deve ser feita apenas uma vez pelo fabricante do
sistema de secagem e fornalha, para a identificação da
melhor condição de operação do sistema. Isto
permitirá operar o sistema com máximo de
rendimento, e a automação do controle da combustão.
Os resultados aqui apresentados evidenciam a
possibilidade do controle da combustão por um
método simples e econômico.
No teste do termômetro protótipo, obteve-se
como resultado a Figura 4, a qual apresenta a
correlação obtida entre os dados de temperatura do
termômetro padrão, e os dados de corrente em
milivolts medidos com o voltímetro, obtidos durante o
funcionamento da fornalha.
Observou-se discrepância entre os valores
obtidos entre os dois sensores, devido o
posicionamento dos mesmos dentro da câmara de
combustão. Os valores obtidos foram influenciados
pelo fluxo do combustível dentro da câmara de
combustão.
Isto ocorreu em função do deslocamento da
lenha no interior da câmara de combustão fazendo
com que em alguns momentos o elemento sensor
estivesse em contato com o combustível
incandescente, e em outros somente em contato com o
calor de combustão.
Há que se considerar ainda a inércia
associada aos diferentes tipos de materiais empregados
na construção dos termômetros.
Apesar desses inconvenientes, o erro inerente
às medidas é tolerável devido às elevadas temperaturas
alcançadas no interior da câmara de combustão. De
modo que, mesmo não sendo linear a correlação entre
a força eletromotriz e a temperatura, um erro de 50oC
em temperaturas acima de 800oC não constitui
problema por se estar trabalhando numa faixa de
temperatura capaz de garantir a combustão completa.
Desse modo resultados aqui apresentados evidencia a
possibilidade do uso do termômetro protótipo para
controle de temperatura interna da fornalha desde que
se possua uma tabela padrão com valores de conversão
de valores obtidos em milivolts para temperatura em
graus Celsius.
Corrente mv (Protótipo)
60
55
50
45
40
35
y = 0.126x - 73.948
R2 = 0.9257
30
25
20
750
800
850
900
950
1000
1050
o
Temperatura C (Padrão)
Figura 1 - Valores de temperatura e corrente obtidos na fornalha.
CONCLUSÃO
A metodologia proposta do controle da
combustão pela abertura da entrada de ar primário na
câmara de combustão, mostrou-se satisfatória para
garantia da combustão completa de lenha em fornalhas
de fogo direto, por ter permitido os três elementos
necessários à combustão completa: excesso de ar
(quantidade de oxigênio satisfatória, ou seja,
comburente), temperatura e combustível.
O controle automatizado da combustão de
fornalhas de fogo direto para biomassa permitirá o uso
mais racional desta fonte renovável de energia. Ainda
mais a produção de ar aquecido limpo de subprodutos
da combustão prejudiciais tais como os incombustos
de uma forma geral permitirá a difusão maior desta
tecnologia.
Concluiu-se ainda que, o termômetro
protótipo
construído
apresentou
resultados
satisfatórios quando comparado com os dados do
termômetro de referência, podendo o mesmo ser
utilizado como instrumento para indicação da
temperatura de combustão. A correlação entre os
valores obtidos apresentou coeficiente de correlação
linear de 0,9257 e erro padrão de 2,54%.
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secadores de produtos agrícolas. Botucatu:
Universidade Estadual Paulista, 1991. 123p.
(Tese, Doutorado Agronomia).
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CONTROLE DA COMBUSTÃO EM FORNALHAS A LENHA