Informativo Ciclo 2001 MOTOR DE MISTURA POBRE, HOMOGÊNEA E IGNIÇÃO POR COMPRESSÃO O motor HCCI (Homogeneous Charge Compression-Ignition) é uma combinação dos atuais motores a gasolina e diesel. Nele, a mistura de ar e combustível se realiza fora da câmara de combutão, como nos motores a gasolina de injeção indireta. Porém não se acende por uma centelha, e sim se autoinflama por compressão, como nos motores de ciclo diesel. Seu rendimento em cargas parciais é muito maior que de um motor a gasolina, e sua emissão de NOx e partículas de fuligem, é muito menor do que o diesel. Atualmente várias universidades, centros de investigação e fabricantes de automóveis investigam este tipo de combustão; inclusive já existe um motor de dois tempos no mercado japones. As numerosas investigações em marcha indicam que o motor HCCI tem um futuro claro como passo seguinte na evolução dos motores de combustão interna alternativos. O principal estudo para viabilizar o projeto é controlar com precisão o momento da ignição. Atualmente os motores HCCI adotam multiplas configurações a futuras evoluções. Entretanto, a configuração que parece mais interessante para um automóvel é um motor de quatro tempos, a gasolina que em cargas parciais funcione com combustão HCCI e a plena carga funcione com centelha provocada por vela de ignição e mistura estequiométrica. Com isso se evita a detonação e se consegue uma maior potência. Uma gestão eletrônica adequada pode permitir a passagem de um tipo de combustão a outra no momento apropriado. Também a configuração de motor híbrido HCCI-elétrico pode ser interessante para veículos urbanos. A aplicação em massa do HCCI, poderia obrigar a modificações significativas nas características dos combustíveis atuais. Em qualquer caso, as possibilidades de evolução do motor HCCI são maiores que as de muitos tipos de motores atuais. Por exemplo, os motores a gasolina de dois tempos e de cilindrada superior a 100 cm³ (apropriados para a maioria das motocicletas) não poderão cumprir com as especificações antipoluíção de muitos países. Fábio Ribeiro von Glehn Ano III Jun/01 Nº 68 DICA 537 Informativo Ciclo 2001 Ano III Jun/01 Nº 68 DICA 537 O princípio de funcionamento: Nestes motores a mistura de ar e combustível se realiza fora da câmara de combustão, com baixa pressão e de forma homogênea. Quer dizer, a mistura se faz no mesmo lugar que em um motor a gasolina de injeção indireta e mistura estequiométrica. Por outro lado, a mistura que aspira o motor HCCI é muito pobre em combustível. Posteriormente, esta mistura entra na câmara e é comprimida até que se autoinflama em combustão espontânea, quando o pistão está próximo ao ponto morto superior (como nos motores diesel). Porém nos motores HCCI a ignição não ocorre em um ponto localizado, como no diesel, mas sim ocorre simultaneamente em toda a câmara de combustão. Portanto, não há uma propagação por frente de chama, nem estratificação da mistura. Como em um diesel, não há uma válvula borboleta para variar a carga; o fluxo de ar sempre será o máximo. A carga se controla variando a quantidade de combustível. É preciso usar uma taxa de compressão elevada para estabilizar uma mistura muito pobre, em torno do limite de inflamabilidade (λ=1,2). Os diversos motores experimentais tem trabalhado com taxas de compressão que variam entre 20:1 até 30:1. Em cargas parciais e baixa, a autoignição da mistura não costuma provocar detonações destrutivas. A mistura (pobre e homogenea) mantém a temperatura máxima dos gases queimados relativamente baixa e uniforme em toda a câmara. Todavia, a plena carga a temperatura é maior e a mistura mais rica; podem aparecer combustões detonantes. Segundo os experimentos realizados, os combustíveis mais apropriados para este tipo de combustão são: gasolina, gás natural, biogás e etanol. Porém também se utilizam outros. Um mesmo motor poderia usar mais de um destes combustíveis. Ciclo Engenharia Informativo Ciclo 2001 Quadro comparativo entre diversos tipos de motores e o motor HCCI: Lugar de formação da mistura: 1 - Motor gasolina e injeção indireta 2 - Motor gasolina e injeção direta 3 - Motor diesel 4 - Motor HCCI Ano III Jun/01 Nº 68 tubo de admissão câmara de combustão câmara de combustão ou na précâmara tubo de admissão Distribuição da mistura no cilindro: 1 - Motor gasolina e injeção indireta 2 - Motor gasolina e injeção direta 3 - Motor diesel 4 - Motor HCCI homogênea heterogênea estratificada heterogênea estratificada homogênea Proporção da mistura: 1 - Motor gasolina e injeção indireta 2 - Motor gasolina e injeção direta 3 - Motor diesel 4 - Motor HCCI estequiométrica (λ=1) pobre ou muito pobre muito pobre muito pobre (λ=1,2) Regulação da carga: 1 - Motor gasolina e injeção indireta 2 - Motor gasolina e injeção direta 3 - Motor diesel 4 - Motor HCCI borboleta aceleradora quant. de combustível quant. de combustível quant. de combustível Tipo de ignição: 1 - Motor gasolina e injeção indireta 2 - Motor gasolina e injeção direta 3 - Motor diesel 4 - Motor HCCI centelha centelha autoinflamação autoinflamação Fábio Ribeiro von Glehn DICA 537 Informativo Ciclo 2001 Ano III Jun/01 Nº 68 DICA 537 Pressão de injeção: 1 - Motor gasolina e injeção indireta 2 - Motor gasolina e injeção direta 3 - Motor diesel 4 - Motor HCCI baixa alta muito alta baixa Taxa de compressão aproximada: 1 - Motor gasolina e injeção indireta 2 - Motor gasolina e injeção direta 3 - Motor diesel 4 - Motor HCCI entre 8 e 12/1 entre 10 e 13/1 entre 17 e 23/1 entre 20 e 30/1 Ciclo Engenharia