PROGRAMA DE MESTRADO PROFISSIONAL EM SAÚDE E GESTÃO DO TRABALHO JULIANE MARIA GERALDO MORELLI TEMPO DE TRATAMENTO EM FONOAUDIOLOGIA VERSUS BALIZADORES PRECONIZADOS ITAJAÍ, SC 2014 JULIANE MARIA GERALDO MORELLI TEMPO DE TRATAMENTO EM FONOAUDIOLOGIA EM UM SERVIÇO PÚBLICO VERSUS BALIZADORES PRECONIZADOS Dissertação do Mestrado Profissional em Saúde e Gestão do Trabalho da Universidade do Vale do Itajaí como requisito para a obtenção do título de mestre no Mestrado Profissionalizante em Saúde e Gestão do Trabalho. Orientadora: Profª. Drª. Luciane Peter Grillo. ITAJAÍ, SC 2014 Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana. Carl Jung AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus por saber que não estou sozinha, que sua presença me confortou e me conduziu na construção e realização desta pesquisa. Agradeço aos meus pais por terem me presenteado com o Mestrado e pela oportunidade de realizar este sonho. Amo vocês! Agradeço ao meu marido e minha filha pelo apoio e compreensão nos momentos de ausência. Obrigada por existirem na minha vida! Agradeço a minha orientadora Profª. Drª. Luciane Peter Grillo por ter me aceitado como orientanda conduzindo o caminho a trilhar para a minha pesquisa. Obrigada pela sua atenção e dedicação! Agradeço ao Profº e Mestre Leo Lynce pelo seu apoio, dedicação e conhecimento transmitido, tornando-o imprescindível para a construção deste trabalho! Agradeço aos membros da banca de Qualificação: Profª. Drª Stella Maris Brum Lopes, Profª Drª Tatiana Mezadri por terem me impulsionado para um novo rumo em minha pesquisa! Agradeço a Secretaria Municipal de Saúde de Balneário Camboriú, pela oportunidade de realização desta pesquisa. Agradeço os profissionais de Fonoaudiologia e funcionários do Posto de Atenção Infantil pela atenção proporcionada no que se refere à coleta de dados e informações importantes para o desenvolvimento desta pesquisa. Obrigada pela atenção e disponibilização de seu tempo de trabalho para me receber! Agradeço aos meus amigos, familiares e colegas pelo incentivo e por entenderem minha ausência nesta etapa tão importante da minha vida! Agradeço ao primo Guilherme e minha irmã Jamylle pela disponibilidade e ajuda. RESUMO Os aspectos da fala, da linguagem, da voz, da motricidade e da audição são atributos da saúde fundamentais para a qualidade de vida dos indivíduos. O presente estudo objetivou verificar o perfil e a demanda dos usuários, bem como, o tempo de tratamento fonoaudiológico comparando com os balizadores do tempo de terapia fonoaudiológica dos pacientes infanto-juvenis cadastrados e atendidos pelo setor de Fonoaudiologia de um serviço público de um município no Sul do Brasil. O estudo foi realizado a partir da coleta e análise dos dados de prontuários referentes à origem do encaminhamento, ano de atendimento, características sociodemográficas, ocorrência (queixa relatada na entrevista inicial), parecer fonoaudiológico e tempo de permanência no tratamento. A população foi constituída por todos os indivíduos cadastrados no setor de Fonoaudiologia deste serviço no período de janeiro de 2007 a dezembro de 2012. Em relação à adequação do balizador o sexo feminino apresentou percentual significativamente superior comparado ao masculino em relação ao tempo e duração, no balizador frequência não apresentaram diferenças. O balizador tempo apresentou melhores resultados, porém, bem distantes dos valores preconizados. A não conformidade foi maior para as queixas de audiologia, motricidade orofacial e voz. Os piores resultados foram para o balizador frequência, sendo que a queixa de voz apresentou 50% de adequação. A identificação do perfil e os resultados da comparação dos balizadores do tempo de terapia fonoaudiológica dos usuários atendidos poderão orientar a realização de programas de prevenção da saúde e práticas voltadas à atenção integral, tanto nas ações individuais quanto nas coletivas. Destaca-se, entre os achados, a maior ocorrência do sexo masculino, adolescentes, queixa mais frequente a de Linguagem, encaminhamentos realizados na maioria por médicos, seguidos por educadores e fonoaudiólogos. Palavras-chave: serviços de saúde, criança, adolescente, Fonoaudiologia, saúde. ABSTRACT The aspects of speech, language and hearing are health attributes that are fundamental for the quality of life of individuals. The aim of the present study was to trace the profile and demand of users, verifying the amount of time required for speech and hearing therapy, and comparing the parameters of speech and hearing therapytime in young patients registered and treated by a speech and hearing therapy department of a public facility in a city in the South of Brazil. The study was carried out through data collection and analysis of the medical records regarding the origin of referral of the patient, the year of treatment, sociodemographic characteristics, event (complaint reported in the initial interview), speech and hearing therapy evaluation, and time spent in treatment. The population consisted of all individuals registered in the speech and hearing therapy department of this service from January 2007 until December 2012. Regarding the adaptation parameter, there was a slightly higher percentage among females than males for time and duration, but there were no differences for the parameter frequency. The time parameter presented better results, but was far from the recommended value; the nonconformity was higher for the audiology complaints, orofacial motor skills and voice. The poorest results were for the frequency parameter, for which the voice complaint presented 50% adequacy. The identification of orofile and the results of comparison of the time of speech and hearing therapy parameter of the users treated will guide programs health incentive programs and practices geared toward full health care, both in individual and group actions. Among the results, there was a prevalence of males, the teenagers’ life cycle; the most common complaint is language, referrals mostly made by doctors, followed by educators and speech and hearing therapists. Key words: speech and hearing therapy, health services, child, teenager. LISTA DE QUADROS Quadro 1…………………………………………………………………………………19 Quadro 2…………………………………………………………………………………21 LISTA DE TABELAS Tabela 1........................................................................................................28 Tabela 2........................................................................................................29 Tabela 3........................................................................................................29 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................ 10 2 JUSTIFICATIVA.............................................................................................................................. 12 4 OBJETIVOS..................................................................................................................................... 15 4.1 Objetivo Geral............................................................................................................................... 15 4.2 Objetivos Específicos .................................................................................................................. 15 5 REVISÃO DA LITERATURA ........................................................................................................ 16 5.1 Fonoaudiologia no Campo da Saúde Pública ......................................................................... 16 5.2. Principais Distúrbios Fonoaudiológicos .................................................................................. 18 5.3. Balizadores de Tempo de Terapia Fonoaudiológica............................................................. 20 5.4 Complicações Fonoaudiológicas na Infância .......................................................................... 22 6 MÉTODO .......................................................................................................................................... 24 6.1 Desenho do Estudo ..................................................................................................................... 24 6.2 Local da Pesquisa ....................................................................................................................... 24 6.3 População de Estudo .................................................................................................................. 25 6.4 Coleta de Dados .......................................................................................................................... 25 6.4.1 Caracterização da população: ................................................................................................ 25 6.4.2 Caracterização do tratamento fonoaudiológico: .................................................................. 26 6.5 Aspectos Éticos ............................................................................................................................ 27 6.6 Análise de Dados ......................................................................................................................... 27 7 RESULTADOS E DISCUSSÃO ................................................................................................... 28 8 CONSIDERAÇÕES FINAIS .......................................................................................................... 36 9 REFERÊNCIAS ............................................................................................................................... 37 ANEXOS ................................................................................................. Erro! Indicador não definido.0 10 1 INTRODUÇÃO O Sistema Único de Saúde (SUS) tem como princípio básico a universalidade no atendimento de saúde, garantindo acesso aos serviços através das entidades conveniadas ao sistema a todos os usuários, integrando-se aos princípios da equidade, integralidade, resolubilidade e gratuidade, buscando soluções para melhoria da qualidade de vida da população (NATALINI, 2001). Entre as décadas de 70 e 80 os profissionais fonoaudiólogos deram início no sistema público de saúde, ocorrendo sua inclusão em escolas, creches, berçários, unidades de saúde, bem como na coletividade (BERNARDI, 2007). A Fonoaudiologia é uma ciência recente e seu campo de atuação cresce a cada dia e expande seu domínio e atuação na busca de reorganizar seus serviços desenvolvendo novas formas de atuação, de modo a contemplar as necessidades dos serviços públicos no campo da prevenção e promoção de saúde pública e coletiva (SOUZA, CUNHA (2005); LENZ et.al., 2006). A Fonoaudiologia a partir da contribuição de todas suas áreas de atuação deve garantir melhorias nas condições de saúde geral e contribuir para a promoção da saúde integral dos usuários atendidos (SOUZA; CUNHA, 2005). Porém, para que tais profissionais estejam aptos para atuar no serviço público devem ter conhecimentos específicos sobre fonoaudiologia e saúde coletiva, sendo capaz de identificar alterações fonoaudiológicas, elaborar e efetivar ações, buscar soluções e por fim adotar as medidas necessárias de prevenção a fim de proporcionar um atendimento de qualidade. As desordens fonoaudiológicas constituem importante segmento nos agravos à saúde infantil-juvenil, sendo necessária a estruturação de programas fonoaudiológicos. Em sua precariedade o sistema de saúde brasileiro deixa a desejar na rede de apoio ao atendimento às pessoas com desordens na comunicação (PENTEADO; SERVILHA, 2004). De acordo com Girardeli et al. (2012) torna-se relevante conhecer o perfil e o tempo de tratamento dos pacientes atendidos pelo serviço de Fonoaudiologia, porque possibilita a identificação das demandas populacionais pela atuação fonoaudiológica e, com isso, subsidiar o planejamento e a organização de ações que dêem conta das necessidades de planejar e intervir junto à população. 11 O Conselho Federal de Fonoaudiologia publicou em 2013 os balizadores de tempo, instrumento idealizado para atender às necessidades sobre o tempo de assistência fonoaudiológica em problemas relacionados à saúde que resultou em diferentes tabelas indicadoras da duração do tratamento para cada problema. Como princípio, o Instrumento Balizador de Tempo (IBT) leva em consideração os aspectos de funcionalidade humana relativos à Fonoaudiologia. Suas categorias foram selecionadas para justificar a duração de tratamentos para os problemas mais comuns na área da Fonoaudiologia. Em adição, o IBT também norteia a frequência semanal de atendimentos e a duração em minutos de cada consulta fonoaudiológica (CONSELHO FEDERAL DE FONOAUDIOLOGIA, 2013). O instrumento balizador de tempo de tratamento em Fonoaudiologia foi criado de acordo com as demandas da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Porém, existe a possibilidade de se tornar um instrumento universal em Fonoaudiologia, constituindo importante ferramenta de gestão a necessidade criada pelo Ministério da Saúde, instâncias gestoras (instituições públicas e privadas) e fonoaudiólogos. (CONSELHO FEDERAL DE FONOAUDIOLOGIA, 2013). Diante disto, o objetivo do presente estudo foi caracterizar o período de tratamento fonoaudiológico de um serviço público de acordo com a terapia proposta e compará-lo com os balizadores de tempo de terapia fonoaudiológica propostos pelo Conselho Federal de Fonoaudiologia no município de Balneário Camboriú, Santa Catarina. 12 2 JUSTIFICATIVA Considera-se de fundamental importância o pleno desenvolvimento da linguagem, audição e aquisição da fala, como atributos da saúde. Complicações nestas áreas desenvolverão comprometimentos que acarretarão no desempenho comunicativo, que gera sofrimento e interferências sociais e provoca desajustes na qualidade de vida dos indivíduos. A comunicação humana constitui-se por um complexo sistema que envolve a expressão corporal, a escrita e a comunicação ultrapassando a esfera biológica. Os indivíduos acometidos pelos distúrbios da comunicação e seus familiares sofrem com as repercussões, sendo difícil mensurá-los. Portanto, é necessário conhecer mais detalhadamente a ocorrência de tais desordens para a promoção de ações efetivas de prevenção ou a busca por sua minimização (GOULART; CHIARI, 2007). A comunicação é essencial no processo de desenvolvimento humano. Insere ou repele o indivíduo no ambiente em que vive, por isso, requer e merece atenção especial na saúde pública. Para que isto aconteça é necessário que os indivíduos acometidos por tais complicações sejam assistidos o mais cedo possível por profissionais especialistas que tenham o compromisso com a saúde pública. Tornase imprescindível a inserção de profissionais fonoaudiólogos na atenção/assistência a saúde da população para atender esta demanda de forma humanizada e holística (SOUZA; CUNHA; SILVA, 2005). Quantificar os resultados da terapia é estratégia importante para a prática clínica. Conhecer o tempo médio de fonoterapia contribui para a construção de resultados positivos em cada alteração trabalhada, possibilitando ao fonoaudiólogo a partir destes dados, aprimorar suas técnicas e reduzir o tempo de terapia. O paciente e sua família tendo conhecimento do tempo de tratamento terão participação mais ativa no processo (MARQUES; FRICHE; MOTTA, 2010). Estudos que caracterizam a demanda e os serviços fonoaudiológicos foram encontrados e nenhum foi publicado até o momento comparando o tempo de tratamento fonoaudiológico com os balizadores publicados recentemente (CONSELHO FEDERAL DE FONOAUDIOLOGIA, 2013). Portanto, faz-se necessário conhecer o perfil e a demanda da população infanto-juvenil que utiliza o serviço público municipal de Fonoaudiologia e, possibilitar por meio dos dados investigados 13 direcionar o tipo de assistência prestada e proporcionar a gestão municipal uma contribuição que possibilite possíveis intervenções em promoção, proteção e reabilitação da saúde motivo pelo qual se justifica este trabalho. 14 3 PROBLEMA O tempo de tratamento fonoaudiológico em um serviço público está de acordo com os balizadores propostos? 15 4 OBJETIVOS 4.1 Objetivo Geral Verificar a adequação do tratamento fonoaudiológico de um serviço público municipal de acordo com os balizadores propostos pelo Conselho Federal de Fonoaudiologia. 4.2 Objetivos Específicos • Descrever as características demográficas dos usuários; • Identificar a distribuição dos distúrbios fonoaudiológicos, o tempo, a frequência, a duração do atendimento e a origem dos encaminhamentos. 16 5 REVISÃO DA LITERATURA 5.1 Fonoaudiologia no Campo da Saúde Pública De acordo com o Conselho Federal de Fonoaudiologia (CONSELHO REGIONAL DE FONOAUDIOLOGIA, 2002), o Fonoaudiólogo é um profissional de saúde e educação, que atua de forma autônoma e independente nas instituições públicas e privadas. A atuação da Fonoaudiologia na Saúde Pública é muito ampla, abrangendo as Unidades Básicas de Saúde para a baixa, média e alta complexidade, além de atuar em escolas, creches, consultórios, clínicas, home care, asilos e casas de saúde, instituição de ensino superior entre outros. As especialidades de atuação fonoaudiológica reconhecidas são a Audiologia, Linguagem, Motricidade Orofacial, Saúde Coletiva, Voz, Disfagia e Fonoaudiologia Educacional. No Brasil, a Lei 6965 de 09 de dezembro de 1981, regulamentou a profissão de Fonoaudiólogo. Juntamente com a Lei, foram criados os Conselhos Regional e Federal, com a finalidade de fiscalizar e orientar o exercício profissional. A atuação do Fonoaudiólogo na saúde pública vem crescendo anualmente e isto se reflete nas práticas e conceitos reavaliados com objetivo de um serviço de qualidade de acordo com os preceitos do Sistema Único de Saúde (MOREIRA; MOTA, 2009). Lipay e Almeida (2007) apresentam algumas considerações em relação à Fonoaudiologia na Saúde Pública referindo que, A introdução da Fonoaudiologia no Sistema Único de Saúde é recente e marcada por contratempos como a falta de formação profissional para atuação na Atenção Primária a Saúde, o desconhecimento do sistema e possibilidades de atuação do fonoaudiólogo nesse contexto, além da existência de demanda reprimida para o atendimento fonoaudiológico, o que levou à opção pela intervenção clínica na rede básica de atendimento à saúde. Essa situação resultou em um isolamento do profissional, que teve dificuldade para se integrar à equipe da unidade de saúde. O Fonoaudiólogo deve procurar uma forma de atuação profissional mais ampla, pois, em sua formação, recebe conhecimentos globais em relação às questões culturais, emocionais, físicas, ambientais e econômicas, mas, é preciso 17 que modifique sua abordagem e perceba a pessoa que necessita de sua ajuda e não apenas o distúrbio, a queixa e a patologia. Humanizar a atuação, contribuir com a coletividade e atuar em políticas sociais de maior impacto juntamente com outros profissionais interessados no bem estar biopsicossocial da população (LYPAI; ALMEIDA, 2007). A concretização dos SUS como política de saúde no final da década de 80 possibilitou algumas mudanças no redimensionamento da concepção de saúde e gerou a reorganização dos serviços, a mudança do modelo de atenção à saúde, a formação dos profissionais e abriu espaço de contratações para os quadros públicos com a inserção do fonoaudiólogo dentre outros profissionais (PENTEADO; SERVILHA, 2004). Pesquisas que relacionam a Fonoaudiologia e a Saúde Pública referem que o conhecimento do perfil dos usuários que utilizam o serviço de Fonoaudiologia, contribui significativamente para o desenvolvimento de políticas de promoção da saúde, bem como, para a implementação de práticas voltadas à atenção integral da saúde por meio de ações individuais e de alcance coletivo (FREIRE,1992, GONÇALVES; et al, 2000, DINIZ; BORDIN, 2011). Desse modo, os estudos epidemiológicos objetivam disponibilizar recursos capazes de ampliar a eficácia da atenção prestada em todos os níveis de atenção à saúde, sobretudo ao que se vincula à prevenção (LIMA; GUIMARÃES; ROCHA, 2008). Na literatura foram encontrados alguns trabalhos que delineiam o perfil dos usuários e a demanda de serviços de Fonoaudiologia. Os resultados encontrados mostram a predominância do sexo masculino, encaminhamentos realizados por profissionais médicos e a queixa mais frequente a alteração de fala (Barros; Oliveira, 2010, Costa; Souza, 2009, Cézar; Maksud, 2007, Diniz; Bordin, 2011, Girardeli, et al., 2012). Há diferentes distúrbios de comunicação que podem comprometer a voz, a fluência, a articulação dos sons da fala, os símbolos da linguagem e o código utilizado na comunicação, prejudicando a capacidade de ouvir e entender o que nos falam, pois, a linguagem é um processo complexo envolvendo a interação de todos seus componentes: fonologia, semântica, morfologia, sintaxe e pragmática, desta forma, sua aquisição e organização relacionam-se a capacidades internas do ser humano, a maturação do sistema nervoso central e o meio em que está inserido, 18 devendo este ser rico em estímulos para possibilitar as experiências lingüísticas (LIMA, et. al., 2007). 5.2. Principais Distúrbios Fonoaudiológicos A Classificação Internacional de Doenças e de Problemas Relacionados à Saúde (CID10) é um documento que visa atender as necessidades de informação diagnóstica e registra uma classificação estatística de doenças agrupadas e adequadas aos objetivos de estudos epidemiológicos gerais e para a avaliação de assistência à saúde (CONSELHOS DE FONOAUDIOLOGIA, 2007). De acordo com o Conselho Federal de Fonoaudiologia (CONSELHO REGIONAL DE FONOAUDIOLOGIA, 2007), a terminologia que será utilizada neste estudo seguiu os padrões do Código Internacional de Doenças (CID-10) por meio de um manual elaborado pelos conselhos de Fonoaudiologia de todas as regiões, um guia prático de consulta rápida da CID-10 pelo fonoaudiólogo, referenciando sua prática e auxiliando nas ações relacionadas com os Distúrbios da Comunicação e, estabelecendo os seguintes grupos de doenças conforme Quadro 1 a seguir. 19 Quadro 1- CID-10. Código F80.0 F80.1/ F80.2 F81.0 F81.1 F81.2 F81.8 F81.9 F82/ R27.8 F83/ F90 F88 F98.5 G51 H90 H90.0 H90.8 H91 H91.3 H93.2 Q35 Q36 Q37 R13 R47.0 R47.1 R48.0 R48.1 R48.2 R48.8 R49.0 R49.1 R49.2 Z39.1 P92.5 Z10.0 Z01.1 Z46.1 Z50 Z71.9 Z71.2 Z71.0 Descrição dislalia atraso de linguagem dislexia disortografia discalculia infantil agrafia dificuldade de aprendizagem disgrafia transtorno psicomotor agnosia de desenvolvimento disfemia paralisia de Bell surdez congênita neurossensorial surdez bilateral surdez sensoneural mista outras perdas de audição surdo-mudez disacusia fissura palatina fissura labial fissura lábio-palatina disfagia afasia/disfasia anartria/disartria alexia/dislexia agnosia apraxia acalculia/agrafia/agramatismo disfonia afonia hiernasalidade/hiponasalidade supervisão ao aleitamento materno dificuldade neonatal na amamentação no peito exame de saúde ocupacional exame dos ouvidos e da audição colocação e ajustamento do AASI cuidados envolvendo o uso de procedimento de reabilitação aconselhamento não especificado consulta para explicação de exames pessoa que consulta no interesse de um terceiro 20 5.3. Balizadores de Tempo de Terapia Fonoaudiológica O parâmetro do Balizador de Tempo de Tratamento em Fonoaudiologia (IBT) surgiu com o objetivo de atender as demandas da Agência Nacional de Saúde Suplementar, porém com a possibilidade de se tornar um instrumento universal em Fonoaudiologia. Este instrumento resultou em diferentes tabelas indicadoras da duração do tratamento para cada especialidade levando em consideração os aspectos da funcionalidade humana para justificar a duração de tratamentos para os problemas mais comuns na área e nortear a frequência semanal de atendimentos e a duração em minutos de cada consulta fonoaudiológica. (CONSELHO FEDERAL DE FONOAUDIOLOGIA, 2013). Os parâmetros de tempo, frequência e duração do tratamento na assistência fonoaudiológica preconizados pelo Conselho Federal de Fonoaudiologia (CONSELHO FEDERAL DE FONOAUDIOLOGIA, 2013) estão apresentados no Quadro 1. 21 Quadro 2. Parâmetros fonoaudiológico. de tempo, frequência Especialidades CID Audiologia H81- transtorno da função vestibular H90 perda da audição por transtornos de condução e/ou neurossensorial (implante coclear) H81- transtorno função vestibular (causa mecânica) H90- perda de audição por transtornos de condução e/ou neurossensorial (adulto) H81- transtorno da função vestibular (doença neurológica de base) H91- perda de audição por transtornos de condução e/ou neurossensorial (criança) 30 6 e 12 2x 30 <6 2x 30 <6 2x 30 24 2x 30 24 2x 30 R470- afasia >12 2x 45 R480- dislexia e alexia >12 2x 45 F840- autismo infantil >12 2x 45 6 2x 45 >12 2x 45 >12 2x 45 12 2x 45 >12 2x 45 >12 2x 45 3 2x 30 6 2x 30 <6 2x 30 F81.0- transtornos específicos de leitura F80.2- transtornos retardo de linguagem Disfagia P92.5- dificuldade neonatal na amamentação no peito P92.5- - dificuldade neonatal na amamentação no peito ( presença de síndrome) F80.0- transtornos específicos da articulação da fala (sem doença de base) K07- anomalias dentofaciais <12 2x 30 R47.1- disartria Q35-Q37- fenda labial palatina (correção cirúrgica) R13- disfagia (doença neurológica de base) >12 2x 30 <6 2x 30 <6 2x 30 R49- distúrbios da voz 2a4 2x 30 R49- distúrbios da voz (pós-operatório) 2a4 2 a 3x 30 6 2 a 3x 30 4a6 1 a 2x 30 6 1 a 2x 30 2a3 1a2 30 2a3 1a2 30 R49- distúrbios da voz (neurológico) Voz Tempo Frequência Duração (meses) (semana) (minutos) 2x F80.0- transtornos específicos da articulação da fala F80.1- transtornos específicos da linguagem Motricidade Orofacial duração 6 e 12 F98.5- gagueira F81.3- transtornos mistos das habilidades escolares Linguagem e R49- distúrbios da voz (infantil) R49- distúrbios da voz (póslaringectomia/sem prótese/voz exofágica) R49- distúrbios da voz (póslaringectomia/voz primária) R49- distúrbios da voz (póslaringectomia/ prótese secundária) R49- distúrbios da voz (endócrinas) 6 2a3 30 R49- distúrbios da voz (psiquiátricos) 6 2a3 30 Fonte: Conselho Federal de Fonoaudiologia, 2013. do tratamento 22 5.4 Complicações Fonoaudiológicas na Infância Há diferentes distúrbios de Comunicação que podem comprometer a voz, a fluência, a articulação dos sons da fala, os símbolos da linguagem e o código utilizado na comunicação, prejudicando a capacidade de ouvir e entender o que nos falam, pois, a linguagem é um processo complexo envolvendo a interação de todos seus componentes: fonologia, semântica, morfologia, sintaxe e pragmática, desta forma, sua aquisição e organização relacionam-se a capacidades internas do ser humano, a maturação do sistema nervoso central e o meio em que está inserido, devendo este ser rico em estímulos para possibilitar as experiências lingüísticas (LIMA, et al, 2007). Capellani e Oliveira (2004) apresentam considerações sobre os problemas de linguagem que interferem no processo de leitura e escrita. Referem que o processo de aquisição de linguagem apresenta várias concepções que valorizam a ação comunicativa da linguagem da criança; outros, a forma da linguagem; outros o conteúdo e correlatos anatômicos e fisiológicos da linguagem. É crescente o número de crianças que apresentam dificuldades no aprendizado da leitura e escrita em decorrência de alterações anteriores no processo de aquisição e desenvolvimento da linguagem. Em seus estudos com população de indivíduos na fase pré-escolar Haje e Faiad (2005) encontraram com maior freqüência alterações em relação às queixas de distúrbio articulatório, alterações miofuncionais dos órgãos fonoarticulatórios, distúrbio de leitura e escrita e atraso de aquisição e desenvolvimento da linguagem. Nesta categoria, incluem-se os distúrbios da fluência, originado por dificuldades do cérebro em compreender o término de um som ou uma sílaba e passar para o próximo, fazendo com que a pessoa consiga iniciar a palavra, repetindo algum som ou sílaba, até que o cérebro consiga gerar a ordem do término da palavra. Portanto, a dificuldade central na gagueira estaria na automatização deficiente dos movimentos da fala, dos núcleos de base na fala (INSTITUTO BRASILEIRO DE FLUÊNCIA, 2013). Na área da motricidade orofacial a reabilitação das disfunções estomatognáticas torna-se primordial na fase de desenvolvimento e crescimento. O indivíduo com padrão oral ou oronasal de respiração poderá apresentar alterações 23 craniofaciais e dentárias, alterações dos órgãos fonoarticulatórios, das funções orais e em alguns casos, alterações corporais (JUNQUEIRA, et al, 2002). A audição é pré-requisito para a aquisição da linguagem, ambas estão correlacionadas e interdependentes. A deficiência auditiva é um dos distúrbios que podem interferir no desenvolvimento da linguagem e da fala, um dos principais distúrbios. Muitos são os indicadores de risco pré e peri natal, sendo a detecção precoce, um fator determinante para o prognóstico, e a reabilitação, de extrema importância sua realização (GATTO; TOCHETTO, 2007). Em relação à voz, qualquer distúrbio pode trazer profundas implicações na vida social, pois a fala é o meio de expressão e comunicação mais importante. O diagnóstico correto das disfonias infantis deve ser realizado precocemente devido a gama de fatores etiológicos relacionados (TAVARES; LABIO; MARTIN, 2010). 24 6 MÉTODO 6.1 Desenho do Estudo Trata-se de um estudo transversal observacional retrospectivo. 6.2 Local da Pesquisa A pesquisa foi realizada no setor de Fonoaudiologia de um serviço público municipal na região Sul do Brasil, localizado no Estado de Santa Catarina. O referido município possui 120.926 (cento e vinte mil e novecentos e vinte e seis habitantes) (INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA, 2013), sendo que a população infanto-juvenil na faixa etária de 0-14 anos é de 19.451 (dezenove mil e quatrocentos e cinquenta e um) habitantes. O setor de saúde no qual foi realizada a pesquisa, foi fundado em 2003 e denomina-se Posto de Atenção Infantil. Atende crianças e adolescentes na faixa etária de 0-14 anos. O atendimento do setor de Fonoaudiologia iniciou em 2006 e este serviço conta com cinco fonoaudiólogos, quatro atuando em fonoterapia e um na realização de exames audiológicos. Em relação à atuação fonoaudiológica atual, são realizados pelo serviço de fonoterapia, aproximadamente 528 (quinhentos e vinte e oito) atendimentos por mês e pelo serviço de audiologia, 72 (setenta e dois) procedimentos/mês. Atualmente, há uma demanda reprimida para este serviço de aproximadamente 130 pacientes para a realização de tratamento fonoaudiológico. Isto ocorre pelo tempo de tratamento que, muitas vezes, é longo e necessário, dependendo do diagnóstico. O serviço de Fonoaudiologia realiza aproximadamente 2000 atendimentos por ano entre novas consultas e retornos. A rede de saúde do município é formada por unidades de atendimento, sendo unidade de atenção básica e unidade de referência (especializado). A Unidade de Atenção Básica é composta pela equipe de Estratégia de Saúde da Família (ESF) e conta também com o médico Pediatra. Chamado mais frequentemente de “posto de saúde do bairro”, de onde a família reside. A Unidade de Referência (Especializada) têm como função receber pacientes com características 25 específicas, encaminhados das unidades de atenção básica ou do profissional que detecta e esgota suas possibilidades de intervenção, de acordo com seu campo de atuação. O paciente inicia seu processo na atenção básica e somente é encaminhado às unidades especializadas quando se esgotam as alternativas de tratamento na atenção básica, ou quando suas necessidades, quadro (patologia), possuem características de programas específicos disponíveis na rede. No caso de escolas e núcleos infantis que contam com o serviço de Psicologia e Fonoaudiologia Escolar, após a avaliação inicial e a elaboração de parecer descritivo, encaminha para a Fonoaudiologia Clínica e/ou Otorrinolaringologia do PAI. Caso a escola ou o núcleo infantil não possua o serviço de Psicologia ou Fonoaudiologia Escolar, o profissional que detectar a necessidade deverá encaminhar para o médico pediatra do posto de saúde do bairro onde a criança mora para avaliação, este pediatra definirá o(s) encaminhamento(s) necessário(s) de acordo com a demanda. Nos casos em que a família considerar necessário a avaliação psicológica ou fonoaudiológica e a escola ou o núcleo infantil não dispor destes profissionais, orienta-se a consultar o médico Pediatra do bairro onde reside, ou médico da família, na falta do Pediatra. 6.3 População de Estudo A população do estudo foi constituída pelos prontuários de crianças (até 10 anos) e adolescentes (10-14 anos) inscritos no serviço e que concluíram seu tratamento no período de 2007 a 2012. O critério de inclusão foram todos os usuários que receberam alta fonoaudiológica durante os anos referenciados para este estudo. 6.4 Coleta de Dados 6.4.1 Caracterização da população: As informações dos prontuários dos usuários selecionadas foram: ano de início do atendimento até a alta fononoaudiológica, sexo e idade. 26 6.4.2 Caracterização do tratamento fonoaudiológico: • Distribuição dos Distúrbios: foram pesquisados nos prontuários os motivos da consulta fonoaudiológica (queixa inicial) apresentado pelo responsável e ou usuário na primeira consulta, assim como a hipótese diagnóstica firmada. As alterações dos distúrbios da comunicação foram consideradas de acordo com o respectivo Código Internacional de Doença (CID) e separadas em cinco grupos: Audiologia, Linguagem, Motricidade Orofacial, Disfagia e Voz. • Tempo, frequência e duração do tratamento: o tempo de tratamento do paciente que esteve em atendimento fonoaudiológico foi verificado por meio do registro dos meses de atendimento, frequência de atendimento e duração da consulta, do início do tratamento até a alta fonoaudiológica. • Origem dos encaminhamentos: foi registrado o tipo de profissional citado e agrupados em: médicos, fonoaudiólogos, psicólogos, dentistas, profissionais da área da educação e outros. Foram utilizados os parâmetros de tempo, frequência e duração do tratamento na assistência fonoaudiológica preconizados pelo Conselho Federal de Fonoaudiologia (Conselho Federal de Fonoaudiologia, 2013) através do Instrumento Balizador de Tempo de Tratamento Fonoaudiológico de acordo com as diferentes áreas de especialidades: Audiologia, Linguagem, Motricidade Orofacial, Disfagia e Voz. Utilizou-se os seguintes passos para o uso do Instrumento Balizador: • Identificação do código da CID-10 principal em Fonoaudiologia; • Localização da categoria em um dos cinco balizadores, separados em Audiologia, Linguagem, Motricidade Orofacial, Voz e Disfagia; • Acesso às informações relativas ao tempo de tratamento, conforme descrição, em meses, frequência de atendimento e duração da consulta. 27 6.5 Aspectos Éticos O projeto de pesquisa foi aprovado pela Comissão de Ética em Pesquisa da Universidade do Vale do Itajaí sob o número 479.294/13. Os resultados desta pesquisa foram encaminhados à Secretaria de Saúde e à coordenação da Unidade de Saúde que autorizou a realização da pesquisa. Os profissionais que atuam neste serviço público auxiliaram na coleta das informações desta pesquisa. 6.6 Análise de Dados A análise dos dados foi descritiva e as possíveis associações entre a queixa, sexo e faixa etária com os resultados dos balizadores de tempo, freqüência e duração foram examinadas por meio da prova de qui-quadrado e posterior comparação e proporções a fim de se identificar diferenças significativas entre os percentuais. Foi adotado um nível de significância de 5%. As descrições tabelares, gráficas e as análises inferenciais foram realizadas com o auxilio dos aplicativos STATISTICA e Microsoft EXCEL. 28 7 RESULTADOS E DISCUSSÃO Os resultados e a discussão foram apresentados na forma de um artigo encaminhado à publicação, intitulado: “Tempo de Tratamento em Fonoaudiologia em um Serviço Público Versus Balizadores Preconizados”. O presente estudo envolveu a investigação de 423 prontuários de atendimentos em Fonoaudiologia. A Tabela 1 apresenta as características dos usuários. Observa-se a predominância do sexo masculino (66,9%), adolescentes (53,0%), queixa predominante de linguagem (86,5%) e encaminhamentos por profissionais médicos (49,1%). Tabela 1 - Características dos usuários. Balneário Camboriú, 2013-2014. Características dos indivíduos Sexo Masculino Feminino Ciclo de vida Criança (até10 anos) Adolescentes (10-14 anos) Queixa Linguagem Motricidade Orofacial Audiologia Voz Disfagia Origem dos encaminhamentos Médico Educador Fonoaudiólogo Psicólogo Dentista Outros N (%) 283 (66,9) 140 (33,1) 199 (47,0) 224 (53,0) 366 (86,5) 26 (6,1) 17 (4,1) 8 (1,9) 6 (1,4) 207 (49,1) 96 (22,7) 86 (20,4) 19 (4,5) 4 (0,9) 11 (2,4) Fonte: autora No presente estudo o parâmetro tempo foi o que apresentou melhores resultados, porém, bem distantes dos valores preconizados. Observa-se que a adequação foi significativamente menor nas queixas de Audiologia, Motricidade Orofacial e Voz quando comparadas as queixas de Linguagem e Disfagia. O parâmetro frequência foi o que apresentou os piores resultados. Observa-se que somente a queixa Voz apresentou valores acima de 50% de adequação. 29 Em relação ao parâmetro duração, o grupo de Linguagem e Voz apresentou maior adequação conforme Tabela abaixo. Tabela 2 – Distribuição dos valores absoluto e percentual de adequação do serviço aos balizadores de tempo, frequência e duração em relação à área da queixa. Balneário Camboriú, 2013- 2014. Adequação ao balizador Tempo* Queixa (n) % (n) Audiologia (n=17) 23,5a (4) Linguagem (n=366) 52,2b (191) Motricidade Orofacial (n=26) Frequência** % (n) Duração*** % (n) 0a (0) 0,0 (0,0)a 0,8a (3) 99,7(365)b 34,6a (9) 15,4b (4) 7,7(2)a Disfagia (n=6) 66,7b (4) 0,0ab (0) 16,7(1)a Voz (n=8) 25,0a (2) 87,5c (7) 100,0 (8)b *p=0,03182 ** p<0,00001 *** p<0,00001 Prova do qui-quadrado. As letras iguais ao lado dos percentuais de conferência correspondem a proporções iguais no teste de proporções ao nível de 5%. A Tabela 3 mostra a associação dos balizadores de tempo, frequência e duração em relação ao sexo. Observa-se que, em relação ao balizador tempo, o sexo feminino apresentou percentual significativamente superior quando comparado ao sexo masculino em relação a adequação. Resultado oposto foi encontrado no balizador duração. Homens e mulheres não apresentaram diferenças no balizador frequência. Tabela 3 – Distribuição dos valores absoluto e percentual de adequação do serviço aos balizadores de tempo de tratamento fonoaudiológico com o tempo, frequência e duração de acordo com o sexo, Balneário Camboriú, 2013- 2014. SEXO Masculino (n=283) Feminino (n=140) Total geral Adequação ao balizador Tempo * Frequência** % (n) % (n) (45,6)129 (57,9) 81 (49,6) 210 * p<0,0.0001 ** p=0,83238 *** p=0,03410 Prova do qui-quadrado ao nível de 5%. (3,2) 9 (3,6) 5 (3,3) 14 Duração*** % (n) (91,2) 258 (84,3) 118 (88,9) 376 30 DISCUSSÃO Neste estudo foi delineado o perfil dos usuários e a comparação do tratamento fonoaudiológico de um serviço público municipal de acordo com os balizadores de tempo, freqüência e duração propostos pelo Conselho Federal de Fonoaudiologia. Em relação aos resultados dos balizadores, verificou-se no serviço avaliado a não adequação dos parâmetros tempo, duração e freqüência em grande parte das especialidades avaliadas. Os resultados não adequados foram encontrados no balizador de freqüência, seguido de duração e tempo. Em relação ao sexo, as mulheres apresentaram valores superiores no parâmetro tempo e os homens no parâmetro duração, não houve diferença entre os sexos no parâmetro frequência. Na literatura foram encontrados alguns trabalhos que delineiam o perfil dos usuários e a demanda de serviços de Fonoaudiologia. Na região Nordeste, no município de Recife (PE) foram avaliados 239 pacientes, evidenciou-se o predomínio do sexo masculino (61%), faixa etária de 0-11 anos (54%), encaminhamentos realizados por profissionais médicos (28%), uma única queixa fonoaudiológica (72%), sendo a mais frequente alterações de voz (16%), seguido de desvio fonológico (14%), atraso de linguagem (11%) e disfluência (10%) (BARROS; OLIVEIRA, 2010). Em uma clínica-escola em Salvador (BA) avaliou-se 210 atendimentos, encontrou-se predominância da faixa etária compreendida entre 0 e 12 anos (52%), sexo masculino (51,4%), 49% da origem dos encaminhamentos foram realizados por profissionais da saúde e 64,8% apresentaram apenas uma queixa fonoaudiológica (COSTA; SOUZA, 2009). Na região Sudeste, Cézar e Maksud (2007) caracterizaram a demanda de 161 usuários infanto-juvenis de Fonoaudiologia no serviço público municipal e encontraram a predominância do sexo masculino (66%), origem dos encaminhamentos realizados por profissionais médicos (41%) e por escolas (40%), a queixa mais frequente foi alterações de fala (46%) seguido de linguagem (18%) e de motricidade oral (15%). Com relação ao número de queixas por encaminhamento, 38% apresentou uma queixa, 53% duas queixas e 9% três queixas associadas. 31 Estudo realizado na região sul, no município de Porto Alegre (RS), em que foram analisados 243 prontuários, 65% dos indivíduos eram do sexo masculino, com predomínio de menores de 13 anos de idade, a maior parte dos encaminhamentos foi realizada por médico pediatra (35%), seguido de profissional vinculado ao Programa Saúde do Escolar (15%) e por otorrinolaringologistas (15%). Os motivos das consultas mais frequentes foram alterações de fala (67%) e atraso de linguagem (7%) (DINIZ; BORDIN, 2011). Em Curitiba (PR) foram avaliados 208 prontuários em uma clínica-escola do curso de Fonoaudiologia e observaram que 53% dos indivíduos eram do sexo masculino com idade média de 21 anos. Verificou-se que 48,8% dos encaminhamentos foram realizados por profissionais da saúde. As queixas mais incidentes foram de alterações na linguagem oral (48%), seguido por problemas auditivos (17%). Quanto ao parecer fonoaudiológico, 35% dos prontuários apresentaram dificuldades na linguagem oral e 19,9% manifestaram surdez (GIRARDELI, et al, 2012). Em Itajaí (SC), Gondin et al. (2012), realizaram um estudo com o objetivo de verificar a prevalência das perdas auditivas e seus determinantes através de um estudo de base populacional, seguindo protocolo preconizado pela Organização Mundial de Saúde, no intuito de criar uma base de dados padronizada com informações epidemiológicas sobre deficiência auditiva no Brasil. Dos 379 indivíduos, o sexo feminino (54%) predominou neste estudo. Em relação aos resultados dos estudos relatados, todos corroboram a predominância do sexo masculino, encaminhamentos realizados por profissionais médicos, queixa mais frequente de alterações na fala, resultados semelhantes foram encontrados neste estudo, com por exemplo, a predominância do sexo masculino, evidencia de 53% de adolescentes e, isto traz a possibilidade de reflexão para os serviços que estão sendo oferecidos com a chegada tardia para o atendimento. Destaca-se também a queixa de Linguagem 86,5% e merece atenção especial especificando as alterações de fala, fonologia, fonética com intervenções e programas que minimizem este percentual e a otimização do atendimento. Para a queixa de audiologia, foram encontrados 17 casos de deficiência auditiva em usuários em atendimento durante o período referenciado para este estudo. Salientase que no local é realizado avaliações audiológicas e quando detectados os casos de perda auditiva, estes são encaminhados para serviços de referência em outro município, o que justifica o pequeno número de usuários. Em relação a queixa de disfagia, foram encontrados 6 casos avaliados e posteriormente encaminhados para 32 outros serviços de referência no atendimento especializado à pessoa com deficiência no município. Salienta-se que estes encaminhamentos são advindos de um hospital municipal próximo ao posto de atenção infantil (PAI). O local aonde foi realizado este estudo atende a população infanto-juvenil do município, oriundas dos encaminhamentos realizados por profissionais médicos de um hospital municipal próximo, de escolas e núcleos de educação infantil. As escolas municipais possuem em seu quadro funcional o fonoaudiólogo na realização de triagens e encaminhamentos e, a maioria é atendida pelos profissionais fonoaudiólogos no posto de atenção infantil. O referenciado local possui uma equipe multiprofissional com psicólogos, médicos, enfermeiros que realizam as avaliações, tratamentos e encaminhamentos necessários. São utilizados protocolos para as avaliações e os prontuários não são informatizados, o que gerou dificuldades na coleta dos dados em relação ao registro das informações e falta de dados. O tempo de atendimento referenciado pelo serviço é de 45 minutos e a duração depende da evolução do usuário até a alta fonoaudiológica Uma das limitações deste estudo foi a ausência de trabalhos publicados sobre os balizadores de tempo no tratamento fonoaudiológico, impossibilitando a comparação dos resultados obtidos com a literatura. 33 CONCLUSÃO Acredita-se que os dados obtidos possam auxiliar na melhor organização do serviço com prioridade para os parâmetros em ordem decrescente, frequência, duração e tempo e a importância de se instrumentalizar programas para otimizar os serviços públicos de saúde em que a demanda é cada vez maior. Torna-se relevante a investigação da chegada tardia destes usuários para o serviço de Fonoaudiologia. Sugere-se um diálogo do serviço com escolas e lugares que realizam estes encaminhamentos. Conhecer o perfil epidemiológico é o primeiro passo para a elaboração de políticas voltadas para o atendimento e detectar deficiências do sistema e as necessidades de melhoria. A caracterização dessa demanda, comparada a outros serviços, possibilitará delinear com maior critério a atuação do fonoaudiólogo junto às instituições e a criação de políticas mais abrangentes no contexto da Saúde Pública, em especial na área de Linguagem, área de maior demanda. Este estudo pretendeu oferecer uma contribuição para as pesquisas em Fonoaudiologia na área da saúde coletiva. 34 REFERÊNCIAS ATLAS DE DESENVOLVIMENTO HUMANO NO BRASIL. Disponível em: http://www.atlasbrasil.org.br/2013/pt/perfil_print/balneário-camboriu_sc. Acesso em 06 nov. 2013. BARROS, P.M.L.; OLIVEIRA, P.N. Perfil dos Pacientes Atendidos no setor de Fonoaudiologia de um Serviço Público de Recife – PE. Revista CEFAC. v. 12, n. 1, p. 128-33, 2010. CÉSAR, A.M.; MAKSUD, S.S. 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Destacam-se entre seus achados, a predominância do sexo masculino, adolescentes, queixa mais freqüente a de Linguagem, encaminhamentos realizados na maioria por médicos, seguidos por educadores e Fonoaudiólogos. A caracterização dessa demanda, comparada a outros serviços possibilitará delinear com maior critério a atuação do fonoaudiólogo junto às instituições e a criação de políticas mais abrangentes no contexto da Saúde Pública, em especial na área de Linguagem, área de maior demanda. Acredita-se que os dados obtidos possam auxiliar na melhor organização do serviço, priorizando os parâmetros em ordem decrescente frequência, duração e tempo preconizado pelo Conselho Federal de Fonoaudiologia, evidenciando-se a importância de se instrumentalizar programas para otimizar os serviços públicos de saúde em que a demanda é cada vez maior. .Torna-se relevante a investigação da chegada tardia destes usuários para o serviço de Fonoaudiologia. Sugere-se um diálogo do serviço com escolas e lugares que realizam estes encaminhamentos. Priorizar os motivos da alta com estratégias terapêuticas, orientações e adesão ao tratamento minimizando as possíveis desistências e abandono que muitas vezes ocorrem . Ampliar o diálogo com o gestor na busca de estratégias para otimizar o serviço e a relação custo-benefício. Sugere-se a utilização do Instrumento Balizador de Tempo de Tratamento e da CIF com a possibilidade de referenciar a prática e no auxílio das ações relacionadas com os Distúrbios da Comunicação. Este estudo pretendeu oferecer uma contribuição para as pesquisas em Fonoaudiologia na área da saúde coletiva. 37 9 REFERÊNCIAS ATLAS DE DESENVOLVIMENTO HUMANO NO BRASIL. Disponível em: http://www.atlasbrasil.org.br/2013/pt/perfil_print/balneário-camboriu_sc. Acesso em 06 nov. 2013. BARROS, P.M.L.; OLIVEIRA, P.N. Perfil dos Pacientes Atendidos no setor de Fonoaudiologia de um Serviço Público de Recife – PE. 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