ISBN 978-85-61091-05-7 VI EPCC Encontro Internacional de Produção Científica Cesumar 27 a 30 de outubro de 2009 ATUAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA EM UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE: RELATO DE EXPERIÊNCIA Thais de Carvalho Fialho1; Ana Paula Augusto Gobi1, Tarsila Fleischmann do Amaral1, Tayla Carvalho Isidoro da Silva1, Cristiane Faccio Gomes2 RESUMO: A Saúde Coletiva e a Promoção da Saúde são áreas incipientes em Fonoaudiologia, ciência esta que originou-se de um caráter individual e reabilitador. A Fonoaudiologia possui um papel significativo na manutenção da saúde e da qualidade de vida, uma vez que a comunicação permeia todas as relações humanas, propicia a participação social, a aprendizagem e contribui para a integridade emocional, portanto, a integração e exclusão do homem na sociedade dependem em grande parte, da sua competência em se comunicar. Dessa forma a atuação fonoaudiológica em Unidades Básicas de Saúde, compreendendo a atenção primária à saúde é de grande importância. O objetivo do presente estudo foi descrever experiências das estagiárias do curso de Fonoaudiologia em Saúde Pública no nível primário de atenção à saúde. No período de março a junho de 2009 ocorreu o estágio curricular obrigatório de Fonoaudiologia Preventiva em uma Unidade Básica de Saúde, no qual foi realizado primeiramente um diagnóstico institucional e após as necessidades levantadas foram propostas, elaboradas e aplicadas diferentes atividades de promoção e prevenção à saúde fonoaudiológica. A experiência proporcionada pelo estágio na Unidade Básica de Saúde foi de grande valor para as discentes, além possibilitar a criação do vínculo com os profissionais da Unidade, com a comunidade e com as instituições que recebem cobertura da Unidade. PALAVRAS-CHAVE: Fonoaudiologia; Atenção Primária à Saúde; Unidade Básica de Saúde. 1 INTRODUÇÃO Segundo o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS, 2007), a Conferência de Alma-Ata, promovida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), aprovou como meta de seus países membros a “saúde para todos no ano 2000”, tendo como definição de Atenção Primária à Saúde (APS) “uma atenção à saúde essencial, baseada em métodos, tecnologias e práticas, cientificamente comprovadas e socialmente aceitáveis, cujo acesso seja garantido a todas as pessoas e famílias da comunidade mediante sua plena participação, a um custo que a comunidade e o país possam suportar, em todas as etapas de seu desenvolvimento social e econômico global da comunidade. A APS representa o primeiro nível de contato dos indivíduos, da família e da comunidade com o sistema de saúde, levando a Atenção à Saúde o mais próximo possível de onde residem e trabalham as pessoas, constituindo o primeiro elemento de um processo permanente de assistência sanitária (OMS, 1979). 1 Discentes do curso de Fonoaudiologia. Departamento de Fonoaudiologia do Centro Universitário de Maringá – Cesumar. Maringá – PR. [email protected]; [email protected]; [email protected]; [email protected] 2 Docente do Curso de Fonoaudiologia. Departamento de Fonoaudiologia do Centro Universitário de Maringá – Cesumar, Maringá – Paraná. [email protected] VI EPCC CESUMAR – Centro Universitário de Maringá Maringá – Paraná - Brasil Conforme afirma o CONASS (2007), a APS vem demonstrando ser um elementochave na constituição dos sistemas nacionais de saúde, por sua capacidade de influenciar nos indicadores de saúde e com grande potencial regulador da utilização dos recursos de alta densidade tecnológica, garantindo o acesso universal aos serviços que tragam reais benefícios à saúde da população. A estratégia brasileira para a APS é a Estratégia Saúde da Família (ESF) com o Programa Saúde da Família (PSF). Primeiramente, em 1991, ocorreu a implantação do Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS), o primeiro passo dessa nova modalidade de prestação de assistência à saúde da população. O Programa de Agentes Comunitários da Saúde (PACS) é composto por pessoas que residem na comunidade há pelo menos dois anos, com idade superior a 18 anos, alfabetizados, conheçam bem a comunidade onde vivem e tenham espírito de solidariedade e liderança. A evolução do PACS demonstrou a necessidade da ampliação de competências para o atendimento das necessidades da família, o que resultou na criação do PSF (CIANCIARULLO; SANTOS, 2002). De acordo com o Ministério da Saúde (BRASIL, 2009), a Estratégia de Saúde da Família é entendida como uma estratégia de reorientação do modelo assistencial, operacionalizada mediante a implantação de equipes multiprofissionais em unidades básicas de saúde. Estas equipes são responsáveis pelo acompanhamento de um número definido de famílias, localizadas em uma área geográfica delimitada. As equipes atuam com ações de promoção da saúde, prevenção, recuperação, reabilitação de doenças e agravos mais freqüentes, e na manutenção da saúde desta comunidade. Entre os profissionais que trabalham na Estratégia de Saúde da Família está o Fonoaudiólogo. Este, como afirma Befi (1997), iniciou suas atividades no sistema público, alguns pela secretaria de educação outros pela secretaria da saúde, entre as décadas de 1970 e 1980, no entanto essa atuação era de caráter reabilitador, devido sua formação na graduação. A Fonoaudiologia, para Panhoca; Lacerda e Chun (1998), trata-se de uma profissão recente, uma ciência jovem e de uma área de conhecimento ainda incipiente, que luta para se estabelecer. Conforme relata Cavalheiro (1997), ainda desconhecida por muitos, a Fonoaudiologia tem suas origens na década de 1930. No artigo primeiro, parágrafo único, da lei 6965/81, disposta em 09 de dezembro de 1981, está regulamentada a profissão do fonoaudiólogo, “fonoaudiólogo é o profissional com graduação plena em Fonoaudiologia que atua em pesquisa, prevenção, avaliação e terapia fonoaudiológica, nas áreas de comunicação oral e escrita, voz e audição, bem como no aperfeiçoamento dos padrões de fala e voz” (BRASIL, 2009). É importante entender o homem como ser social e por isso, comunicativo, sempre em relação dialética com seu meio (PANHOCA; LACERDA; CHUN, 1998). A Fonoaudiologia possui um papel significativo na manutenção da saúde e da qualidade de vida, uma vez que a comunicação permeia todas as relações humanas, propicia a participação social, a aprendizagem e contribui para a integridade emocional, portanto, a integração e exclusão do homem na sociedade dependem em grande parte, da sua competência em se comunicar (ANDRADE, 1996; BEFI, 1997; PANHOCA; LACERDA; CHUN, 1998). Dessa forma, a atuação fonoaudiológica em Unidades Básicas de Saúde, compreendendo a atenção primária à saúde é de grande importância e o objetivo deste trabalho foi descrever experiências das estagiárias do curso de Fonoaudiologia em Saúde Pública no nível primário de atenção à saúde. 2 MATERIAL E MÉTODOS No período de março a junho de 2009, as acadêmicas do presente relato de experiência cumpriram estágio curricular obrigatório em Fonoaudiologia Preventiva. O VI EPCC CESUMAR – Centro Universitário de Maringá Maringá – Paraná - Brasil estágio ocorreu uma parte em um hospital filantrópico e outra parte em uma Unidade Básica de Saúde (UBS), ambos na região noroeste do Paraná. No entanto, este relato de experiência trata apenas da atuação das alunas do curso de Fonoaudiologia na UBS, compreendendo a atuação na atenção primária à saúde. Primeiramente foi realizado um diagnóstico institucional do local de atuação e em seguida foram propostas, elaboradas e aplicadas diferentes atividades de acordo com as necessidades levantadas. Para a realização das atividades foram utilizados os seguintes materiais: equipamentos audiovisuais; folders explicativos sobre voz, aleitamento materno e audição; figuras ilustrativas; um otoscópio da marca HEINI 2000 SE; cabina acusticamente tratada; instrumentos com tons não calibrados, dentre eles: agogô, tambor e pratos, um equipamento OtoRead Ltd, modelo ILO 292 DP Echaport plus/ versão 1.8, acoplado a um microcomputador portátil; desenhos para colorir; cartolinas; canetinhas e lápis de cor; audiômetro AC-33; fone TDH39; fantoches; CD música educativa; aparelho de som. 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO A seguir são descritas as atividades realizadas durante o estágio na UBS, assim como o número de sujeitos alcançados nesta atuação. 1 – Primeiramente foi realizada palestra para os funcionários da UBS, na própria unidade, sobre o que é Fonoaudiologia e suas áreas de abrangência, assim como respondidas as dúvidas desses funcionários sobre temas em Fonoaudiologia. Esta atividade foi proposta afim de um melhor trabalho multidisciplinar e em equipe, pois foi a primeiro serviço de Fonoaudiologia que a UBS recebeu, dessa forma foi observada a importância da realização dessa atividade. Participaram da palestra 27 funcionários entre eles: ginecologista, psicóloga, nove auxiliares de enfermagem, três enfermeiras, onze agentes comunitários de saúde e dois zeladores de ambos os sexos. 2 – A partir da necessidade levantada pelos agentes comunitários de saúde (ACS) foi realizada Triagem Auditiva Neonatal, supervisionado pela professora Cássia Menin Cabrini Junqueira responsável pelo estágio que realiza este exame (Emissões Otoacústicas Evocadas). Os bebês que participaram da triagem apresentavam idade superior a seis meses, residem na área de cobertura da UBS na qual foi realizado o estágio e estavam na lista de espera para a realização do exame, no entanto não conseguiam liberação para o mesmo devido à idade avançada, uma vez que o aparelho que realiza o exame em manutenção na época em que esses bebês deveriam realizar o exame. A triagem foi realizada na clínica de Fonoaudiologia do Cesumar em dois dias pré-determinados. Os ACS passaram para as estagiárias uma lista com 23 nomes de bebês que não haviam realizado a triagem auditiva neonatal e as famílias desses bebês foram contatadas pelos ACS para comparecer nos dias marcados à clínica de Fonoaudiologia do Cesumar, no entanto compareceram nove bebês com idade entre sete e 11 meses, de ambos os sexos. 3 – Foram realizadas também orientações para pais e/ou responsáveis durante o grupo puericultura sobre a saúde em geral de seus filhos no que diz respeito à área da Fonoaudiologia: Audição. Linguagem e Motricidade Orofacial (amamentação). A atuação das alunas ocorreu em quatro dias do grupo de puericultura, divididos pela faixa etária da criança (de 0 a três meses, de três meses a seis meses, de seis meses a um ano, de um ano a dois anos de idade). Os grupos de puericultura ocorreram em uma sala na Unidade Básica de Saúde. Receberam orientações nove mães, dois pais e uma avó. 4 – Ocorreram também durante o estágio cinco visitas domiciliares junto às ACS na área de cobertura da UBS, sendo realizadas orientações a respeito da saúde da população no que diz respeito à área da Fonoaudiologia de acordo com suas necessidades e dúvidas. Receberam orientações três mães de lactentes e dois idosos acamados. VI EPCC CESUMAR – Centro Universitário de Maringá Maringá – Paraná - Brasil 5 – A partir da solicitação da Unidade Básica de Saúde, as alunas realizaram triagem auditiva e orientações, no que diz respeito à área de Fonoaudiologia, para a população no evento realizado em um sábado na UBS, Maringá Saudável. Participaram da triagem auditiva e das orientações tanto crianças de ambos os sexos com faixa etária de 3 a 10 anos como adultos de ambos os sexos com faixa etária de 30 a 70 anos. 6 – Foram realizadas atividades educativas com as crianças da instituição de crianças LBV, localizada ao lado da UBS, e também na creche Municipal Ana Chiquetti Men, na qual as crianças recebem a cobertura da UBS. Devido ao interesse das diretoras das instituições a data para cada atividade foi agendada previamente, sendo um dia para cada instituição no período vespertino. As atividades educativas abordaram questões sobre hábitos deletérios, audição e linguagem. Participaram da atividade educativa 75 crianças da LBV com faixa etária de cinco a onze anos de ambos os sexos e 50 crianças da creche de ambos os sexos com faixa etária de três a cinco anos. 7 – Foram realizadas duas palestras para professores sobre aquisição e desenvolvimento da linguagem, aquisição e desenvolvimento da escrita, hábitos deletérios, gagueira e voz dos professores. Uma palestra foi realizada na instituição para crianças LBV e a outra na creche Municipal Ana Chiquetti Men, ambas com autorização prévia da direção da instituição com os dias e horários pré-determinados. Na LBV participaram duas pedagogas, uma psicóloga, uma assistente social, um professor de educação física, uma cozinheira e uma pessoa responsável pela recreação das crianças. Na creche participaram da palestra 12 professoras, uma orientadora pedagógica e a diretora da instituição. 4 CONCLUSÃO A experiência proporcionada pelo estágio na Unidade Básica de Saúde foi de grande valor para as discentes do curso de Fonoaudiologia, uma vez que proporcionou o encontro das estagiárias ainda em fase de graduação com a demanda, com a população usuária do Sistema único de Saúde, sendo que este ramo de atuação da Fonoaudiologia em Saúde Pública é promissor, pois a Fonoaudiologia atual começou a preocupar-se com atenção primária à saúde e a população carece desse tipo de atendimento. Como pioneiro, o serviço de Fonoaudiologia nessa UBS ainda pode melhorar, no entanto o vínculo com a UBS, com a comunidade e com as instituições que recebem a cobertura da UBS já foi estabelecido, auxiliando, dessa forma, o desenvolvimento de um ótimo trabalho. REFERÊNCIAS ANDRADE, Claudia Regina Furquim de. Fonoaudiologia preventiva: teoria e vocabulário técnico-científico. São Paulo: Lovise, 1996 BEFI, Débora. In: A inserção da Fonoaudiologia na Atenção Primária à saúde. In: BEFI, Débora (Org.). Fonoaudiologia na atenção primaria à saúde. São Paulo: Lovise, 1997. BRASIL. Legislação. Lei no 6.965, de 9 de dezembro de 1981. Obtido via internet http://www.jusbrasil.com.br, 2009. BRASIL, Ministério da Saúde. Política Nacional de Humanização. Obtido via internet http://e-legis.anvisa.gov.br, 2009. VI EPCC CESUMAR – Centro Universitário de Maringá Maringá – Paraná - Brasil CAVALHEIRO, Maria Tereza Pereira. A saúde e a educação na prática e na formação do fonoaudiólogo. In: LACERDA, Cristina B. F.; PANHOCA, Ivone (Org.). Tempo de fonoaudiologia I. São Paulo: Cabral Editora Universitária, 1997. CIANCIARULLO, Tamara Iwanow; GUALDA, Dulce Maria Rosa; SILVA, Gilberto Tadeu Reis da; CUNHA, Isabel Cristina Kowal Olm. Saúde na família e na comunidade. São Paulo: Robe, 2002. CONASS - CONSELHO NACIONAL DE SECRETÁRIOS DE SAÚDE. Atenção Primária e Promoção da Saúde. Brasília: CONASS, 2007. OMS - ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Alma-Ata. In: MINISTÉRIO DA SAÚDE. Conferência Internacional sobre cuidados primários de Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 1979. PANHOCA, Ivone; LACERDA, Cristina Broglia Feitosa de; CHUN, Regina Yu Shon. Formação em Fonoaudiologia: a constituição de um caminhar. In: LACERDA, Cristina Broglia Feitosa de; PANHOCA, Ivone (Org.). Tempo de fonoaudiologia II. São Paulo: Cabral Editora Universitária, 1998. VI EPCC CESUMAR – Centro Universitário de Maringá Maringá – Paraná - Brasil