0 1 JORGE LUIZ DE SOUZA MOTA Ensino Superior e Empreendedorismo: A influência da formação dada por uma Instituição no Curso de Bacharelado em Turismo. Dissertação apresentada como requisito complementar para obtenção do grau de Mestre em Gestão Empresarial do Centro de Pesquisa e PósGraduação em Administração – CPPA da Faculdade Boa Viagem – DeVry Brasil, sob a orientação da Profª. Drª. Hajnalka Halász Gati Recife, 2014 2 Catalogação na fonte Biblioteca da Faculdade Boa Viagem, Recife/PE M856iMota, Jorge Luiz de Souza. Ensino superior e empreendedorismo: a influência da formação dada por uma instituição no curso de Bacharelado em Turismo / Jorge Luiz de Souza Mota. -- Recife : FBV | Devry, 2014. 139 f. : il. Orientador(a) : Hajnalka Halász Gati. Dissertação (Mestrado) -- Faculdade Boa Viagem | Devry. Inclui anexo e apêndice. 1. Ensino superior. 2. Empreendedorismo. empreendedora. 4. Geração Y. I. Título. 3. Formação DISS 658[14.1] Ficha catalográfica elaborada pelo bibliotecário: Jadinilson Afonso CRB-4/1367 3 4 Dedico à minha esposa, Aliette de Jesus Corrêa que, de forma especial е carinhosa, deu-me força е coragem, apoiando nos momentos de dificuldades; aos meus filhos, Rebeca Maria Couto Mota е Pedro Luiz Couto Mota, pela paciência e compreensão. Aos meus pais, pela criação e educação. Dedico ainda aos Professores e Colegas de turma do Mestrado por todo o conhecimento compartilhado. 5 AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a Deus e a Nossa Senhora de Fátima por me ter dado saúde e força que iluminou essa caminhada. Agradeço a Aliette Corrêa, pessoa com quem amo partilhar a vida. Com você tenho me sentido mais alegre e vivo de verdade. Obrigado pelo carinho, a paciência e por sua capacidade de me incentivar na correria de cada semestre, aguardando pacientemente enquanto eu me ausentava para produzir no computador, às vezes, com humores nem sempre bons, decorrentes da tamanha empreita. Agradeço aos meus familiares pela força, compreensão e carinho ao longo dessa jornada. Agradeço a Tereza Cristina que com sua serenidade acalentava minha mente, corpo e alma. No campo institucional, meus agradecimentos são dirigidos a todos que fazem parte da família FACOTTUR (colaboradores, professores e alunos) e em especial aos Diretores que, com sua visão empreendedora, fomentaram o meu sonho de ser Mestre. Agradeço à professora Elizabeth Tschá, pela confiança ao analisar meu perfil na entrevista de seleção para participar do Núcleo de Pesquisa em Gestão do Conhecimento, Empreendedorismo e Tecnologia, bem como, no incentivo para os primeiros passos desta pesquisa. Por fim, agradeço à minha professora-orientadora Hajnalka Halász Gati, carinhosamente ‘Hay’, pelo acolhimento de “Mãe”, pela sinceridade, atenção, “broncas” e a paciência de me orientar nessa travessia dolorosa e saborosa na busca da perfeição com 3 Fs: Força! Foco! Fé!. Muito obrigado! 6 “Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que a minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem de ouvir um “não”. É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta. Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo...” Fernando Pessoa 7 RESUMO Esta pesquisa buscou compreender como a proposta de formação dada por uma Instituição de Ensino Superior pode influenciar o percurso de Empreendedores com base nos depoimentos de Diretores, Coordenadores, Professores e Alunos do Curso de Turismo da Faculdade de Comunicação, Tecnologia e Turismo de Olinda - FACOTTUR. A abordagem metodológica foi a partir de pesquisa exploratória qualitativa e quantitativa, ou métodos mistos, e a estratégia de pesquisa utilizada foi um levantamento realizado no Curso de Turismo com os alunos pertencentes à Geração Y. A coleta de dados foi realizada por meio de análise de documentos, entrevistas e questionários com questões abertas e fechadas. Os resultados que emergiram na pesquisa foram agrupados em quatro categorias: formação oferecida pela IES; percepção dos alunos; percepção dos alunos em relação aos professores e elementos da prática pedagógica. Essas foram analisadas por meio da análise de documentos, análise de conteúdo e análise estatística. Como principais resultados da pesquisa, tem-se que a formação empreendedora proposta pela Instituição de Ensino Superior - IES direciona para formação dos Empreendedores. Palavras-chave: Ensino Superior. Empreendedorismo. Formação empreendedora. Geração Y. Empreendedores. 8 ABSTRACT This research aims to understand how the formation proposal of a higher education institution can influence the ride of entrepreneurs. The understanding comes based on the testimonials of the directors, coordinators, professors and Students of the Tourism course of Faculdade de Comunicação, Tecnologia e Turismo de Olinda – FACOTTUR. The methodological approach was qualitative and quantitative exploratory research, namely as mixed methods; the research strategy used was a data collection done in the Tourism Course with the Y Generation Students. The data collection relied on documental analysis, interviews and questionnaires with opened and closed questions. The results that emerged from the research were grouped into four categories: Formation offered by the institution; Students perceptions; students perceptions about the professors and pedagogical practices items. These categories were analyzed through documents analysis, content analysis and statistic analysis. As the main results we can point out that there is the entrepreneurial education proposed by the Institution focused to the formation of Y entrepreneurs. Key-words: Higher Education. generation. Entrepreneurs. Entrepreneurship. Entrepreneurial education. Y 9 LISTA DE FIGURAS Figura 1 – A visão integrada de Schumpeter, Mc Clelland e Drucker.....................................48 Figura 2 – Diagrama metodológico da pesquisa.......................................................................67 Figura 3 - Gráfico iniciativas promovidas pela IES para o empreendedorismo.......................86 Figura 4 - Gráfico faixa etária...................................................................................................88 Figura 5 - Gráfico período cursado em 2013.2.........................................................................89 Figura 6 - Gráfico como os alunos consideram a formação empreendedora da FACOTTUR.91 Figura 7 - Gráfico origem da ideia para criar a empresa...........................................................94 Figura 8 - Gráfico Qual o seu sonho.........................................................................................95 Figura 9 - Gráfico características empreendedoras e da Geração Y.........................................97 Figura 10 - Gráfico disciplinas ministradas por professores com perfil empreendedor.........103 Figura 11 - Gráfico características empreendedoras dos professores.....................................104 Figura 12 - Gráfico contribuição para a formação empreendedora da FACOTTUR.............107 Figura 13 - Gráfico tipos de ações pedagógicas e metodologias de ensino em suas aulas.....109 10 LISTA DE QUADROS Quadro 1- Busca de expressões e palavras...............................................................................23 Quadro 2 - Tipos de influências sociais sobre o empreendedor potencial ou efetivo...............47 Quadro 3 - Desenvolvimento da teoria de empreendedorismo e do termo empreendedor.......47 Quadro 4 - Características dos empreendedores de sucesso.....................................................49 Quadro 5 - Resumo das características da Geração Y por diversos autores.............................57 Quadro 6 - Tendências da Geração Y no mercado de trabalho.................................................59 Quadro 7 - Justificativa /razões para o uso dos métodos mistos...............................................62 Quadro 8 – Justificativa /razões para o uso dos métodos mistos com os objetivos específicos.................................................................................................................................64 Quadro 9 - Data de nascimento, alunos e período de formação...............................................71 Quadro 10- Quadro metodológico com instrumentos de coleta...............................................72 Quadro 11 - Procedimentos para coleta de dados qualitativos e quantitativos para métodos mistos........................................................................................................................................74 Quadro 12 - Procedimentos de análise de dados quantitativos e qualitativos recomendados para o planejamento de estudos de métodos mistos..................................................................78 Quadro 13 - Resumo da abordagem metodológica da pesquisa...............................................80 11 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ANEGEPE – Associação Nacional de Estudos em Empreendedorismo BID – Banco Internacional de Desenvolvimento DOU – Diário Oficial da União FACOTTUR – Faculdade de Comunicação, Tecnologia e Turismo de Olinda GEM – Global Entrepreneurship Monitor IBQP - Instituto de Qualidade e Produtividade IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IES – Instituição de Ensino Superior LDB – Lei de Diretrizes e Bases MEC – Ministério da Educação e Cultura OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico ONU – Organização das Nações Unidas QUAL - Qualitativo QUAN – Quantitativo 12 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO...........................................................................................................14 1.1 Problematização............................................................................................................14 1.2 Objetivos.......................................................................................................................20 1.2.1 Objetivo geral..............................................................................................................20 1.2.2 Objetivos específicos..................................................................................................20 1.3 Justificativas..................................................................................................................20 1.3.1 Justificativas teóricas..................................................................................................21 1.3.2 Justificativas práticas...................................................................................................24 1.4 Estrutura da dissertação..................................................................................................26 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA.............................................................................27 2.1 Cultura e educação empreendedora................................................................................27 2.2 Diretrizes do MEC para os Cursos de Turismo..............................................................30 2.2.1 O Curso de Bacharelado em Turismo.........................................................................33 2.3 Ensino superior e educação empreendedora..................................................................35 2.3.1 Ensino de empreendedorismo.....................................................................................38 2.3.2 Formação do empreendedor........................................................................................40 2.4 Teorias Empreendedoras................................................................................................41 2.4.1 Empreendedorismo e empreendedor...........................................................................44 2.4.2 Conhecimento e era do empreendedorismo................................................................51 2.5 Geração Y.......................................................................................................................54 2.5.1 Características da geração Y.......................................................................................56 2.5.2 Geração Y e mercado de trabalho...............................................................................58 3. METODOLOGIA..........................................................................................................61 3.1 Delineamento da Pesquisa..............................................................................................61 3.2 Unidade de análise..........................................................................................................68 3.3 População alvo...............................................................................................................70 3.4 Instrumento de coleta de dados......................................................................................72 3.5 Tratamento e análise dos dados......................................................................................78 3.6 Limites da pesquisa........................................................................................................82 13 4. ANÁLISE E DISCUSSÃO.................................................................................................83 4.1 Categoria 1 - Formação oferecida pela IES....................................................................83 4.2 Categoria 2 - Percepção dos Alunos...............................................................................86 4.2.1 A Importância da Formação Empreendedora da IES..................................................90 4.2.2 Mercado de Trabalho e o sonho empreendedor..........................................................92 4.2.3 Características empreendedoras e da Geração Y........................................................96 4.3 Categorias 3 - Percepção dos Alunos em relação aos Professores.................................98 4.3.1 Disciplinas que contribuíram para sua formação empreendedora...............................98 4.4 Categoria 4 – Elementos da Prática Pedagógica..........................................................107 4.4.1 Contribuições da proposta pedagógica na visão dos alunos......................................107 4.4.2 Métodos de ensino.....................................................................................................108 5. CONCLUSÃO...................................................................................................................113 5.1 Conclusões....................................................................................................................113 5.2 Sugestões......................................................................................................................116 REFERÊNCIAS....................................................................................................................117 APÊNDICE A - Roteiro com o Diretor e Coordenador do Curso de Turismo......................123 APÊNDICE B - Questionários aplicados aos alunos que estão cursando o curso de Bacharelado em Turismo no segundo semestre de 2013.2 na FACOTTUR .........................124 APÊNDICE C - Roteiro da condução do grupo focal com os professores..........................130 APÊNDICE D - Autorização de permissão da pesquisa.......................................................131 APÊNDICE F - Respostas das questões abertas, aplicadas com os alunos que estão cursando o curso de Bacharelado em Turismo no segundo semestre de 2013.2 na FACOTTUR............................................................................................................................132 ANEXO A – Matriz curricular do curso de Turismo.............................................................139 14 1. INTRODUÇÃO Neste primeiro capítulo introdutório destacamos a problemática investigada através da contextualização dos fatores que impulsionaram a realização desta dissertação, os objetivos geral e específicos, as justificativas teóricas e práticas que norteiam este estudo. 1.1 Problematização Vivemos em uma sociedade em transformação, em que o conhecimento e, portanto, a educação desempenha papel fundamental na vida dos cidadãos, na sobrevivência e no desenvolvimento das nações. Um dos grandes desafios no panorama do alto desenvolvimento científico e tecnológico é educar o ser humano capaz de utilizar sua criatividade para gerar inovação e mudanças no cenário em que está envolvido. O mercado de trabalho está passando por uma verdadeira revolução com novos padrões de relações organizacionais, onde o emprego formal está desaparecendo e surge a necessidade de encontrar alternativas de colocação profissional. A maneira dos profissionais enxergarem suas carreiras e a mudança na gestão de recursos humanos tem contribuído para formar o cenário empregatício. As transformações pelas quais a sociedade vem passando podem ser muito bem retratadas por meio da observação das profundas mudanças ocorridas no trabalho, na sociedade e na educação. A mudança na estrutura produtiva de um país ou região não acontece do dia para noite, nem é gerada espontaneamente: existe, no geral, um não aproveitamento do capital de conhecimentos de certas instituições, de produção de saber, - universidades e institutos de pesquisas. (LEITE, 2012). A universidade vem contribuir com essa questão em busca do caminho para reestruturar e renovar seus projetos pedagógicos. Deve ser uma organização que compreende residir em seus próprios recursos internos todo o potencial necessário para sua evolução, que busca permanentemente atualizar sua identidade, em congruência com as mudanças em seu ambiente externo e que faz uso da criatividade, da inovação, do empreendedorismo e da experimentação para desenvolver e aprimorar seu fazer pedagógico, buscando sempre adequálo ao cenário externo. 15 Diante desse cenário, não há dúvidas quanto à importância da educação para o ser humano. A educação é discutida como a forma pela qual o homem se faz homem, sendo, portanto, processo fundamental de transição cultural e estrutural do ser humano. Uma educação que gera no educando a autonomia de pensamento, sentimento, valoração, iniciativa e ação de empreendedor da própria vida, participando de forma consciente, efetiva e criativa na transformação da sociedade em que vive. Uma educação a serviço de uma sociedade pacífica, justa, ética e sustentável, do empreendedorismo comprometido com a construção de uma vida digna para todos, fortalecendo o exercício da cidadania plena, engajada e responsável. Para isso, o projeto pedagógico das escolas deve incluir na formação continuada dos educadores e dos educandos as competências e habilidades do empreendedor. (ARCÚCIO; ANDRADE, 2005, p. 14-15) Lavieri (2010) afirma que a preocupação de melhorar a sociedade através da educação é uma das ideias recorrentes para os educadores, uma preocupação em preparar empreendedores criadores de empresas. Ensino e aprendizagem de empreendedorismo envolvem o desenvolvimento de conhecimentos, habilidades e atitudes e qualidades pessoais apropriadas à idade e ao desenvolvimento dos alunos. Na sociedade do conhecimento, uma organização que ainda tem um papel de destaque é a universidade. Embora não seja o único espaço de busca do saber, a universidade ainda é o grande produtor de conhecimento. Ela é o lugar onde “se pensa”, busca soluções mais apuradas para os problemas que afligem as sociedades. O tema empreendedorismo, a cada dia, ocupa mais tempo e dedicação de estudiosos. No mundo inteiro, busca-se compreender, entre outros, a forma como as pessoas estabelecem suas relações consigo mesmas, com seus negócios e com o ambiente em que se dá essa triangulação. Para Dornelas (2014), empreendedorismo já não é uma palavra desconhecida no vocabulário do brasileiro há algum tempo. Jovens e adultos, homem e mulheres, e até crianças já ouviram falar, leram ou de alguma forma empreenderam no seu dia a dia. O cenário atual é propício para o surgimento de empreendedores. Por esse motivo, a formação do espírito empreendedor está sendo prioridade em muitos países, inclusive no Brasil, haja 16 vista a crescente preocupação das escolas e universidades a respeito do assunto, por meio da criação de cursos e matérias específicas de empreendedorismo, como uma alternativa aos jovens profissionais que se graduam anualmente nos ensinos técnicos e universitários brasileiros (DORNELAS, 2008). É importante considerar que qualquer pessoa pode ser empreendedora, tanto a que está empregada quanto a que quer agir em sua vida pessoal. Mesmo que não queiram ou não venham a ter seu próprio negócio, podem ser beneficiados em sua formação com o desenvolvimento de conhecimentos e habilidades do empreendedorismo. Segundo Dornelas (2014), a diferença entre empreender nos dias de hoje em relação ao passado é que a quantidade de informações à disposição das pessoas e a velocidade das mudanças nunca foram tão grandes como agora. A revolução proporcionada pela inovação tecnológica e as mudanças no mercado de trabalho têm levado jovens e adultos a considerar o empreendedorismo do negócio próprio uma opção de carreira. É necessário preparar as novas gerações para adaptação a um mercado de trabalho e a uma economia impregnada de incertezas, caracterizada pela inovação técnica, flexibilidade laboral e pela globalização da economia. “Na concepção schumpeteriana, o empreendedor pode ser descrito como um agente de mudanças, de transformação do ciclo econômico” (LEITE, 2012, p. 29). Nessa perspectiva, a história de uma geração está baseada em um conjunto de vivências comuns, valores, visão de vida, cenário sociopolítico e a aproximação de idades. Essas características comuns das diferentes gerações influenciam o modo de ser e de viver das pessoas nas sociedades e é este conjunto de comportamentos e valores que diferenciam uma geração de outra. Um dos desafios da sociedade é permanentemente compreender e adaptar-se a estas novas gerações e a todas as mudanças geradas. Na antiga geração de empreendedores, o poder de uma empresa estava na sua capacidade de produzir um bem ou serviço. Na nova geração de empreendedores, as empresas devem ter uma atenção redobrada nas suas ações de mercado e na sua visão de futuro. O papel do empreendedor surge a partir dessa nova realidade. É a existência de indivíduos com 17 capacidade de aprenderem, combinarem novas formas de conhecimento e materializarem em inovações. (DRUCKER, 2008). Ao ensino superior cabe preparar os futuros empreendedores para ampliar a mobilidade profissional, diante das opções de negócios, ante a “incerteza” e a “imprevisibilidade” do mundo atual. (LEITE, 2012). Nesse contexto, podemos afirmar que a formação empreendedora será uma das alternativas para vencer a crise do emprego que vem afetando a sociedade. Pode se perceber que a educação empreendedora pode enfocar a formação do indivíduo ou focar naquele que se interessa por uma oportunidade e que estaria numa fase anterior à criação de um negócio; pode, ainda, voltar-se para os que já estariam na fase de criação de um empreendimento e, até mesmo, para aqueles que estão em fases posteriores à criação e que estão preocupados com as estratégias para permanecer ativo ou expandir o negócio. (LOPES, 2010, p. 25). A questão que se coloca é saber quais as formas de intervir das universidades para estimular o comportamento empreendedor, formando ou desenvolvendo indivíduos com tais características. O desafio agrava-se em função da crescente representatividade dos jovens da Geração Y no mercado de trabalho. O termo Geração Y, refere-se ao grupo de pessoas nascidas entre o início da década de 1980 e o ano 2000, cujos “primeiros” membros, hoje em torno dos 19 a 31 anos de idade, começam a se apresentar de forma significativa como força de trabalho e que brevemente será maioria (LIPKIN e PERRYMORE, 2010). Esse grupo tem sido objeto de estudo de diversas áreas do conhecimento e é marcado por características relacionadas com o ritmo de mudança, a necessidade e o grau de interatividade, o acesso à informação. Para referência deste estudo, adotamos o período para corte demográfico da Geração Y a definição de Lancaster e Stillman (2011) composta por nascidos entre 1982 a 2000. No Brasil, os principais desafios do Ensino Superior, na atualidade, são o aumento do acesso aos jovens estudantes e a inclusão dos mais desprovidos dos pontos de vista socioeconômico e 18 étnico. Aqui, concentramos nossa discussão no Ensino Superior que deve preparar para desenvolver atividades e projetos que gerem valor social e econômico para regiões e países, isto é, gerar negócios inovadores e competitivos, gerar empregos, renda e riqueza. Para Souza Neto (2008), como no Brasil ainda não se atingiu um grau avançado de relacionamento entre empresas e instituições de ensino, no sentido de desenvolver tecnologias e trocar conhecimentos teóricos e empíricos, a crença destas instituições de que o verdadeiro conhecimento está fora dos “muros acadêmicos”, é reforçada, como se o “treinamento” universitário consistisse meramente de um conjunto de teorias inúteis, concebidas a partir de um modelo idealizado, sem considerar o empreendedorismo um fenômeno cultural. As Instituições de Ensino Superior - IES devem despertar para a realidade dos jovens que estão em formação para entrar no mercado de trabalho e enfrentar a crise do desemprego qualificado, isto é, pessoa de formação de nível superior que não consegue emprego no seu campo de formação. O projeto que propomos está vinculado à proposta de formação empreendedora ancorado no Plano de Desenvolvimento Institucional – PDI e no Projeto Pedagógico do Curso – PPC do Curso Bacharelado em Turismo da Faculdade de Tecnologia e Comunicação de Olinda – FACOTTUR que se apresenta como uma proposta diferenciada de formação, embasada em um projeto consistente para a aquisição de competências, habilidades, atitudes, características inovadoras e empreendedoras em consonância com as transformações da sociedade contemporânea e as mudanças de paradigmas enfrentados pelas organizações. De acordo com Panosso Netto e Calciolari (2010), o número de cursos de graduação em Turismo no país, que chegou ao seu ápice em 2002, passou a ter uma redução gradativa, o que repercutiu também na diminuição do número de publicações. Uma hipótese explicativa para o fenômeno pode estar baseada na informatização das agências de turismo e a ausência de uma formação empreendedora. A retomada e um novo alento foi dado pelo grande potencial a ser explorado no Brasil. Segmentos são chamarizes importantes para o aquecimento do setor como o turismo rural, turismo ecológico, turismo cultural e o mercado da maior idade, são diferenciais que confirmam que o setor deve ser mais incentivado. 19 O emprendedorismo é um fenômeno cultural, a compreensão do empreendedorismo no contexto brasileiro depende da referência à cultura brasileira. Teorizar sobre o empreendedorismo brasileiro implica o empenho por formular um saber situado, uma vez que os empreendedores não agem e reagem de maneira idêntica em todos os lugares – suas racionalidades se constroem socialmente “in situ”. E essas racionalidades “situadas” são híbridas, flexíveis, complexas e abertas. (SOUZA e GUIMARÃES, 2005, p.27). Em base disso, as peculiaridades de Pernambuco e, em particular, de Recife e Olinda têm norteado a estruturação do curso de Bacharelado em Turismo oferecido pela FACOTTUR, como cenário de inclusão e inserção no mercado de trabalho. Como diz Julien (2010), o meio é o lugar e ao mesmo tempo o mecanismo coletivo que pode explicar e facilitar os diferentes laços sociais, permitindo assim o desabrochar de um espírito empreendedor, fornecendo os recursos de bases, tais como informação e os meios para transformá-la em conhecimento a fim de enfrentar os desafios da nova economia. De acordo com o autor, o meio é o elemento chave do empreendedorismo regional. Nesse cenário, Olinda, município brasileiro do estado de Pernambuco, possui cerca de 376 mil habitantes (IBGE, 2010), sendo uma das mais bem preservadas cidades coloniais do Brasil e segunda cidade brasileira a ser declarada Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade pela UNESCO, em 1982. Durante todo o ano, em especial no sítio histórico de Olinda, há eventos culturais, como feirinhas de artesanato, reggaes, sambas, maracatus e afoxés. Também há ambientes mais intimistas, como casas de festas, bares e restaurantes culturais, noites literárias, excelente gastronomia e música ao vivo, possibilitando atrativos que estimulam oportunidades de trabalho, emprego e renda em âmbito regional. Ao reconhecer a relevância dessa discussão, urge que a universidade deixe de formar empregados, fruto de uma educação embasada na transmissão, e passe a formar empreendedores, fruto de uma educação embasada na transformação. Somente através de pessoas com perfil empreendedor poderemos construir uma sociedade que promova a cooperação e diminua as diferenças. No contexto específico: Instituição de Ensino, formação empreendedora e Geração Y, esta dissertação tem como pergunta de pesquisa: como a formação dada por uma instituição de ensino superior no Curso de Bacharelado em Turismo pode influenciar o percurso da formação de Empreendedores? 20 1.2 Objetivos Indicam o que se pretende, em intenção da pesquisa. Através dos objetivos geral e específicos, com o intuito de nortear essa pesquisa e despertar o interesse do leitor. 1.2.1 Objetivo geral Verificar a influência da formação dada por uma Instituição de Ensino Superior do Curso de Bacharelado em Turismo no percurso da formação de Empreendedores. 1.2.2 Objetivos Específicos 1- Levantar a proposta de formação oferecida pela instituição de ensino no Curso de Bacharelado em Turismo na formação empreendedora dos alunos da Geração Y. 2- Identificar a percepção dos alunos da Geração Y sobre a formação empreendedora oferecida pelo Curso de Bacharelado em Turismo. 3- Identificar, na percepção dos alunos, os professores que mais influenciaram o comportamento empreendedor. 4- Analisar elementos da prática pedagógica dos professores que contribuíram para formação do espírito empreendedor dos alunos do Curso de Bacharelado em Turismo da Geração Y. 1.3 Justificativas As justificativas teóricas e práticas do estudo apresentam as razões para a realização da pesquisa, importância de contemplar os stakeholders, bem como, o interesse do meio acadêmico e do tema, no sentido de promover o desenvolvimento econômico e social. 21 1.3.1 Justificativas teóricas As Instituições de Ensino Superior devem tomar para si o encargo de tecer uma rede de saberes inter-relacionados capazes de propiciar ao aluno a busca da realização das utopias que levam a quebrar velhos paradigmas e destruir mitos que possam impedir o desenvolvimento de uma sociedade cidadã. As universidades são depositárias das esperanças sociais de grande parte da população, que espera e cobra resultados, benefícios sociais e culturais efetivos das IES. Tais instituições, para darem cumprimento a essa tarefa, necessitam ter uma consistência clara e suas potencialidades e limites, bem como contar com mecanismos capazes de indicar, com clareza, as diretrizes e metas futuras (LOUSADA; MARTINS, 2005, p. 75). De acordo com Arcúcio e Andrade (2005), a complexidade do mundo moderno e os efeitos da globalização exigem que o processo educativo estimule novos conhecimentos, habilidades, competências e valores, promovendo o desenvolvimento do potencial empreendedor que todo ser humano traz consigo, independentemente da educação proporcionada pelas instituições – família, escola e sociedade. O projeto desenvolvido pela Endevor Brasil, em 2012, que teve por objetivo apresentar o panorama das características dos estudantes universitários brasileiros relacionados ao empreendedorismo e do qual participaram 46 instituições e 6.215 estudantes de ensino superior, retrata a importância do estudo de empreendedorismo no ensino superior. A compreensão do impacto dos programas existentes pode tanto ajudar a entender mais sobre o que tem sido alcançado, quanto colaborar na criação de novos programas ou melhorias para os já existentes. É preciso esclarecer que o desenvolvimento de programas de educação empreendedora de qualidade é uma proposta de longo prazo, ainda que a necessidade de criá-los seja imediata. A formatação de bons programas no percurso da formação dos Empreendedores demanda uma sólida fundamentação, mas existe um arcabouço teórico que nos forneça referências tanto para analisar de maneira crítica as iniciativas em andamento quanto para planejar futuras ações. No Brasil, a área de empreendedorismo já tem relativa importância e espaço. A formação de Empreendedorismo, no entanto carece, de um debate mais aprofundado, que busque alicerçá- 22 lo em bases conceituais mais sólidas para ampliar e contribuir no âmbito teórico e prático. Os estudos deixam evidente o distanciamento entre a teoria e a prática, ou seja, entre profissionais preocupados com a educação e aqueles que procuram formar empreendedores. Os estudos de empreendedorismo no ensino superior parecem se justificar pela crescente necessidade de desenvolver potenciais empreendedores, em habilidades e competências que possibilitem a sua inserção e desempenho em uma sociedade altamente competitiva. O tema tem merecido crescente preocupação das empresas, órgãos governamentais e, especialmente, as instituições de ensino superior (STEFANO, DUTRA e FACINI, 2006). Para DRUCKER (2008), é também um reconhecimento ou, no mínimo, a aceitação de que o empreendedorismo é o processo que pode ser aprendido e, portanto, ensinado. Segundo LEITE (2012), o número crescente de trabalhos de investigação sobre a figura do empreendedor, levado a cabo pelas principais universidades do mundo, evidencia, cada vez mais, a importância do estudo de empreendedorismo. Tanto o interesse pelas características e comportamentos dos jovens como o tema do empreendedorismo estão crescendo no mundo inteiro. Organizações como o Fórum Econômico Mundial, a Organização das Nações Unidas (ONU), a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), já começaram a estudar o fenômeno. No Brasil, organizações como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a fundação Dom Cabral, Serviço Brasileiro de Apoio às Micros e Pequenas Empresas (SEBRAE) e a Associação Nacional de Estudos em Empreendedorismo e Gestão de Pequenas Empresas (Anegepe) também se debruçam sobre o tema. Motta, Alcadipani e Bresler (2001) afirmam que existe a necessidade de desenvolvimento de modelos de gestão tipicamente nacionais, que levem em conta nossas especificidades na teorização e na análise organizacional, tendo em vista o estrangeirismo, em nossos modelos de gestão e análises, o que, para o autor, dificulta o processo de encontrarmos soluções para nossos próprios problemas. Souza Neto (2008) corrobora com esse pensamento. Reconhece que, além da enorme relevância dada ao tema “Empreendedorismo” atualmente no Brasil, a 23 discussão atual no campo acadêmico está impregnada pela adoção acrítica de modelos estrangeiros com pouca “adaptabilidade” ao nosso contexto social e cultural. Filion (1999) contribui para essa discussão se detendo no modo de pensar do empreendedor. Alerta para o fato de haver uma vasta pesquisa sobre empreendedorismo, mas que poucos pesquisadores se preocupam com esse modo de pensamento empreendedor e, principalmente, com o sistema de atividades do empreendedor que, além de definir novos contextos e formas de conduta condizentes com a resolução desses novos contextos, procura ampliar e deslocar pensamento para novas formas de análise. Destacamos que um fator de interesse para esta pesquisa foi a ausência de registros de produções científicas nos portais de periódicos, que contemplem empreendedorismo, Geração Y e educação superior em uma mesma pesquisa. As bases pesquisadas foram os portais CAPES e SciELO. Quadro 1 – Busca de expressões e palavras. Termo da Pesquisa SciELO CAPES 1.366 7.835 Empreendedorismo 142 756 Geração Y 336 723 Empreendedorismo e educação 10 147 Empreendedorismo e ensino superior 2 80 Geração Y e empreendedorismo 1 Termo da pesquisa não representa Ensino superior os achados. Empreendedorismo, Geração Y e ensino superior. 0 0 Pesquisa realizada pelo autor em 29 set. 2013. É possível encontrar na base de dados utilizada, na CAPES e SciELO, inúmeros artigos sobre empreendedorismo, Geração Y e ensino superior isoladamente. Porém, quando se trata da educação empreendedora, ensino superior e Geração Y em um mesmo estudo, a produção ainda é ínfima. Nesse sentido, percebemos que se tornam cada vez mais urgentes pesquisas e estudos sobre empreendedorismo, Geração Y e educação superior, pois a educação na universidade deve 24 assumir a responsabilidade de conscientizar, instigar e contribuir para a formação de pessoas criativas, empreendedoras e comprometidas com o desenvolvimento coletivo. 1.3.2 Justificativas práticas Muitos fatores contribuem para o surgimento do empreendedor: personalidade, família, etnia, cultura, religião, exposição a negócios, modelos, experiência de trabalho. Destacam-se também a influência da educação e do conhecimento para encorajar o empreendedorismo, ao desenvolver atitudes, conhecimentos e habilidades empreendedoras. Muitos obstáculos, porém, ainda existem para o pleno exercício de atividades empreendedoras no Brasil. O relatório Global Entrepreneurship Monitor - GEM (2012) destaca que, apesar de o país ter avançado com o crescimento do empreendedorismo iniciado pela identificação de oportunidades, a valorização do empreendedor na sociedade e a disseminação da aspiração para empreender, o país tem muito a melhorar para oferecer boas condições de manifestação do empreendedorismo. Para fazê-lo, segundo o painel de especialistas consultados no estudo, os maiores desafios estão no âmbito de políticas e programas de governo, seguidos da necessidade de se aperfeiçoar a educação, as atividades de ciência e tecnologia, a regulação da competição e a oferta de formação em gestão financeira. De acordo com Souza Neto (2008), o GEM tem sua importância na atualidade como referência sobre a atividade empreendedora mundial e em alguns dados sobre o caso brasileiro. Para o autor, fica claro que não dá para “entender” o Brasil somente com “olhos” desviados pelo ângulo da “megera cartesiana”: por aqui a sabedoria é algo distinto da lógica! Para Dolabela (2003), a concepção da agenda de desenvolvimento de um país afeta o papel que se espera do empreendedor, assim como o de todos os demais atores da sociedade. Daí a importância de levar em conta que, no Brasil, a educação empreendedora deve incluir necessariamente o aumento da capacidade de gerar capital social e capital humano. Assim, apesar da educação empreendedora ser um assunto em processo de valorização, a falta de uma cultura empreendedora e a pouca disposição em discuti-la de maneira mais ampla, atingindo não uma disciplina, mas todo o currículo universitário, ainda bloqueiam os principais efeitos positivos que dela podem advir. 25 Para Demo (2001), em qualquer circunstância, educação e conhecimento representam a estratégia primordial de desenvolvimento humano sustentado, dentro de um enfoque integrado e matricial. Se a universidade fosse o lugar privilegiado da educação e do conhecimento, seria também a usina principal do futuro. Segundo a Lei de Diretrizes e Bases - LDB (Lei nº 9.394/96), em seu artigo 43, a Educação Superior tem por objetivo formar diplomados aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, além de estimular o conhecimento dos problemas do mundo presente, o que tem feito à sociedade esperar muito mais das Universidades do que ser uma instituição centrada basicamente no ensino tradicional. Destacamos que políticos e dirigentes universitários começaram a se dar conta da importância de tratar de empreendedorismo como tema de formação, inclusive nas IES. O foco da educação brasileira apenas na formação de futuros empregados qualificados já se mostra insuficiente diante das necessidades do país. O desafio do estudo, portanto, reside em refletir sobre as atitudes, comportamentos e habilidades dos alunos do curso de Bacharelado em Turismo oferecidos pela Instituição de Ensino Superior – IES, Faculdade de Comunicação e Tecnologia e Turismo de Olinda – FACOTTUR na formação empreendedora. O estudo torna-se relevante para Diretores, Coordenadores, Professores e Alunos da FACOTTUR, na discussão da proposta pedagógica do curso de Turismo no percurso da formação dos alunos Empreendedores. Propiciará à instituição um crescimento de aprendizado mútuo e contínuo, visando o aperfeiçoamento das atividades e recursos da IES, voltado à preparação dos estudantes para tomarem iniciativas empreendedoras, bem como, contribuir com outras IES na criação, desenvolvimento e avaliação de programas de educação empreendedora no ensino superior. Para tal, o estudo contribuirá para preencher a lacuna da formação de empreendedores de modo a garantir que estas tenham a capacidade necessária para identificar oportunidades, explorá-las e gerir sua formação de modo a garantir e existência e o progresso do país. 26 1.4 Estrutura da dissertação O trabalho está estruturado da seguinte forma: o capítulo 1 retrata a contextualização da pesquisa, seus objetivos, bem como as justificativas práticas e teóricas para realização e estruturação desta dissertação. O capítulo 2 trata da revisão da literatura. Em um primeiro momento, foram contempladas as questões culturais e educação empreendedora. Em um segundo momento, apresenta-se o tema empreendedorismo e, por fim, uma base para a compreensão da relação empreendedorismo e Geração Y. No capítulo 3, apresentamos os procedimentos metodológicos, caracterização da pesquisa e a metodologia utilizada no desenvolvimento do estudo. No capítulo 4, são expostos os dados coletados trazendo para análise e discussão as categorias que emergiram neste estudo. O capítulo 5 contempla as conclusões e sugestões finais pertinentes à pesquisa. 27 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA O presente capítulo tem apresentamos a base teórica para os objetivos específicos e orientar o leitor quanto a um conjunto de aspectos que compõem o pano de fundo desta pesquisa, dentre eles cultura organizacional, diretrizes educacionais, ensino superior, empreendedorismo e Geração Y. 2.1 Cultura e educação empreendedora Cultura é um fenômeno dinâmico que nos cerca em todas as horas, sendo constantemente desempenhada e criada por nossas interações com outros e moldada por comportamento de liderança, e um conjunto de estruturas, rotinas, regras e normas que orientam e restringem o comportamento. (SCHEIN, 2009). Originalmente, a palavra cultura significa o cultivo ou cuidado de alguma coisa, relacionandose essencialmente à agricultura e à criação de animais. A partir do século XVI, seu sentido passou a se estender ao processo de desenvolvimento humano, com a ideia de que a identidade humana era criada pela sociedade através da família, comunidade, instituições educacionais, práticas religiosas, etc. A cultura também passou a ser associada à ideia de civilização e de progresso social. No fim do século XVIII, o vocábulo começou a se referir a produtos intelectuais, artísticos e espirituais, adicionando-se um senso de superioridade e elitismo ao significado de cultura. Somente no fim do século XIX, o conceito de cultura foi incorporado pela antropologia, em alusão aos costumes, práticas e crenças das sociedades (THOMPSON, 1995). Segundo Dias (2013), a cultura é um dos temas mais discutidos na atualidade em função da queda de barreiras culturais propiciada pela globalização, que coloca frente a frente diversas perspectivas de existência, muitas vezes tendo de conviver harmonicamente num espaço territorial. Segundo o entendimento do autor, identificado com a literatura científica, cultura é tudo aquilo que é criado e aprendido pelo ser humano num grupo social, compreendendo o conjunto de conhecimentos, símbolos, experiências, costumes, comportamentos etc. 28 (...) cada sistema cultural está sempre em mudança. Entender tal dinâmica é importante para atenuar o choque entre as gerações e evitar comportamentos preconceituosos. Da mesma forma que é fundamental (...) a compreensão das diferenças entre povos de culturas diferentes, é necessário saber entender as diferenças que ocorrem dentro do mesmo sistema. Este é o único procedimento que prepara o homem para enfrentar serenamente este constante e admirável mundo novo do porvir (LARAIA, 2004, p.101). A cultura não pode ser mudada da noite para o dia. Por isso, uma cultura organizacional criativa e inovadora não é uma tarefa das mais fáceis: são necessárias várias mudanças de médio e longo prazo. Um item que compõe a organização e que é fundamental para a criação de um ambiente favorável aos programas de empreendedorismo é chamado de cultura organizacional. Schein (2009) é um dos renomados autores na literatura sobre cultura organizacional. Ele defende a elaboração de conceitos mais profundos e complexos. Para o autor, a cultura organizacional pode ser definida como um padrão de pressupostos básicos compartilhados que o grupo aprendeu a partir da resolução de problemas de adaptação externa e integração interna, e que tem funcionado bem o suficiente para ser considerado válido e para ser ensinado aos novos membros como o modo correto de perceber, pensar e sentir em relação àqueles problemas. Uma das principais características da educação, hoje é a heterogeneidade econômica de seus frequentadores. Essa peculiaridade traz uma variedade de diferenças culturais e, em dada medida, ajuda a educação expressar o intercâmbio entre cultura e experiências de vidas diversas, o que é salutar para todos. O empreendedorismo se estabelece como um fenômeno cultural e, deste modo, fortemente relacionado e embasado no processo educacional, mergulha fundo no estudo do comportamento, das atitudes empreendedoras, das condições ambientais e depois formula métodos de ensino para a sua socialização. Os pilares do ensino empreendedorista são a formação de atitudes e o desenvolvimento das técnicas de planejamento. (FRANZINI, SELA e SELA RAMOS, 2006). Uma atitude empreendedora deve ser compreendida não apenas tendo em vista uma pessoa de forma isolada, mas é necessário abranger o contexto cultural que a cerca. A questão cultural é tratada por Dolabela (2008) no momento em que esclarece que o empreendedorismo é um 29 fenômeno cultural, fruto de hábitos, práticas e valores do meio em que se vive. Para o autor, o nosso tecido cultural, rico e criativo pela sua diversidade, injusto por sua história, livre e alegre por sua visão de mundo, fornece os fundamentos que dão vida à Teoria dos Sonhos e a proposta de sua aplicação na educação. Do ponto de vista do comportamento do empreendedor, o empreendedorismo pode ser, ainda, considerado um fenômeno regional, ou melhor, a visão deste fenômeno não deve estar desprovida de uma análise contextualizada das peculiaridades regionais. (GREBER, 1990). As culturas, necessidades e hábitos de uma região determinam comportamentos, uma vez que empreendedores integram, assimilam e interpretam esses comportamentos e este fato tem reflexos sobre o modo como formam novos negócios. Empreendedores locais podem refletir a cultura de sua própria comunidade e, assim, concentrarem-se na busca de nichos de mercado e satisfação de necessidades específicas do local. Para Filion e Borges (2013), a cultura que está na base de toda maneira de pensar e de agir, se desenvolve em contato com pessoas que incorporam essa cultura e se integraram bem a ela. Isso se aplica a qualquer pessoa que esteja pensando em se tornar um empreendedor. Ele está se preparando, colocando-se em contato com os empreendedores. Não há uma geração espontânea. O conceito de cultura foi assim, desenvolvido para representar, em um sentido mais amplo e holístico, as qualidades de qualquer grupo humano específico que passe de uma geração para a seguinte. (KOTTER e HESKETT, 1994, p. 3). As IES precisam assumir o papel de agentes de mudança educacional, o que levará, obrigatoriamente, a uma mudança na cultura de subserviência que, segundo Souza Neto (2008), tem forte influência no campo acadêmico pela adoção acrítica de modelos estrangeiros de pouca adaptabilidade ao nosso contexto social, econômico e cultural das organizações governamentais, infelizmente tão presentes no Brasil. Trata-se, mais uma vez, de uma forma de superar uma das mais polêmicas questões de nossa cultura: a herança colonial, que traz, como um de seus traços característicos, a reprodução de modelos preexistentes, que origina uma constante dependência da importação de tecnologia estrangeira e exige sempre uma readaptação aos moldes nacionais. (GUERRA e GRAZZIOTIN, 2010, p.86,87). 30 Para as autoras, os desafios que o empreendedorismo impõe à educação formal nas Instituições de Ensino Superior (IES) convergem, em última análise, para um único ponto: o desafio da superação de conceitos pré-concebidos para uma realidade regional. O conceito de cultura empreendedora na pedagogia empreendedora é, em grande medida, a tarefa do professor. É ele que ajudará a construir essa cultura específica, definida com os valores sociais que sustentam a noção de um sistema de vida empreendedor como desejável e que apoiam fortemente a busca de um comportamento empreendedor efetivo pelos indivíduos ou grupos. O perfil desejado pelos estudantes universitários dos cursos de turismo para se inserirem no mercado de trabalho serão discorridas a seguir, nas diretrizes do MEC e na apresentação do curso de turismo da FACOTTUR. 2.2 Diretrizes do MEC para os Cursos de Turismo Quanto ao perfil desejado, o curso de graduação em Turismo deverá oportunizar a formação de um profissional apto a atuar em mercados altamente competitivos e em constante transformação, cujas opções possuem um impacto profundo na vida social, econômica e no meio ambiente. Resolução N0 13, de 24 de novembro de 2006, institui as diretrizes curriculares nacionais do Curso de Graduação em Turismo: Artigo. 40 O curso de graduação em Turismo deve possibilitar formação profissional que revele, pelo menos, as seguintes competências e habilidades: a) compreensão das políticas nacionais e regionais sobre turismo; b) utilização de metodologia adequada para o planejamento das ações turísticas, abrangendo projetos, planos e programas, com os eventos locais, regionais, nacionais e internacionais; c) positiva contribuição na elaboração dos planos municipais e estaduais de turismo; 31 d) domínio das técnicas indispensáveis ao planejamento e à operacionalização do inventário turístico, detectando áreas de novos negócios e de novos campos turísticos e de permutas culturais; e) domínio e técnicas de planejamento e operacionalização de estudos de viabilidade econômico-financeira para os empreendimentos e projetos turísticos; f) adequada aplicação da legislação pertinente; g) planejamento e execução de projetos e programas estratégicos relacionados com empreendimentos turísticos e seu gerenciamento; h) intervenção positiva no mercado turístico com sua inserção em espaços novos, emergentes ou inventariada; i) classificação, sobre critérios prévios e adequados, de estabelecimentos prestadores de serviços turísticos, incluindo meios de hospedagens, transportadoras, agências de turismo, empresas promotoras de eventos e de outras áreas, postas com segurança à disposição do mercado turístico e de sua expansão; j) domínios de técnicas relacionadas com a seleção e avaliação de informações geográficas, históricas, artísticas, esportivas, recreativas e de entretenimento, folclóricas, artesanais, gastronômicas, religiosas, políticas e outros traços culturais, como diversas formas de manifestação da comunidade humana; k) domínio de métodos e técnicas indispensáveis ao estudo dos diferentes mercados turísticos, identificando os prioritários, inclusive para efeito de oferta adequada a cada perfil do turista; l) comunicação interpessoal, intercultural e expressão correta e precisa sobre aspectos técnicos específicos e da interpretação da realidade das organizações e dos traços culturais de cada comunidade ou segmento social; m) utilização de recursos turísticos como forma de educar, orientar, assessorar, planejar e administrar a satisfação das necessidades dos turistas e das empresas, instituições públicas ou privadas, e dos demais segmentos populacionais; n) domínio de diferentes idiomas que ensejem a satisfação do turista em sua intervenção nos traços culturais de uma comunidade ainda não conhecida; o) habilidade no manejo com a informática e com outros recursos tecnológicos; p) integração nas ações de equipes interdisciplinares e multidisciplinares interagindo criativamente nos diferentes contextos organizacionais e sociais; 32 q) compreensão da complexidade do mundo globalizado e das sociedades pós-industriais, onde os setores de turismo e entretenimento encontram ambientes propícios para se desenvolverem; r) profunda vivência e conhecimento das relações humanas, de relações públicas, das articulações interpessoais, com posturas estratégicas para o êxito de qualquer evento turístico; s) conhecimentos específicos e adequado desempenho técnico-profissional, com humanismo, simplicidade, segurança, empatia e ética. Artigo 50 Os cursos de graduação em Turismo deverão contemplar, em seus projetos pedagógicos e em sua organização curricular, conteúdos que atendam aos seguintes eixos interligados de formação: 1. conteúdos básicos: estudos relacionados com os aspectos sociológicos, antropológicos, históricos, filosóficos, geográficos, culturais e artísticos, que conformam as sociedades e suas diferentes culturas; 2. conteúdos específicos: estudos relacionados com a teoria Geral do turismo, teoria da informação e da comunicação, estabelecendo ainda as relações do turismo com a administração, o direito, economia, estatística e contabilidade, além do domínio de, pelo menos, uma língua estrangeira; 3. conteúdos teórico-práticos: estudos localizados nos respectivos espaços de fluxo turístico, compreendendo visitas técnicas, inventário turístico, laboratórios de aprendizagem e de estágios. A proposta curricular do Curso de Bacharelado em Turismo da Faculdade de Comunicação, Tecnologia e Turismo de Olinda - FACOTTUR tem por finalidade capacitar o seu alunado para a obtenção de uma formação generalista, no sentido tanto do conhecimento geral, das ciências humanas, sociais, políticas e econômicas, como também uma formação especializada, constituída de conhecimentos específicos, sobretudo nas áreas culturais, históricas, ambientais, antropológicas, de inventário do patrimônio histórico e cultural, bem com o agenciamento, organização e gerenciamento de eventos e a administração do fluxo turístico. 33 A formação do bacharel em turismo da FACOTTUR tem como proposta, além do conhecimento teórico-prático específico da área, desenvolver um espírito humanístico crítico, que o habilite a contribuir não só para o crescimento e desenvolvimento do turismo, mas também, para a melhoria da qualidade de vida das sociedades, assumindo a posição de cidadão consciente da realidade que o rodeia. 2.2.1 O Curso de Bacharelado em Turismo da FACOTTUR Ancorado no Plano de Desenvolvimento Institucional – PDI, da FACOTTUR, o Curso de Bacharelado em Turismo apresenta-se como uma proposta diferenciada de formação, embasada em um projeto consistente para a aquisição de competências. A ênfase no desenvolvimento de habilidades e aprimoramento das competências transversais de trabalho favorece ao estudante uma atuação aplicada e de qualidade para a estruturação e implementação das políticas e práticas dos Turismólogos. As peculiaridades do Pernambuco, e em particular, de Recife e Olinda têm norteado a estruturação do curso de Turismo oferecido pela FACOTTUR. O novo profissional de turismo prepara-se para atuar local e globalmente, considerando a realidade da atuação do líder responsável pelo desenvolvimento de organizações dos setores público e privado, atendendo às demandas instituídas pela globalização e pelas novas tecnologias. Esse profissional é formado com base em um projeto pedagógico que tem por finalidade o aperfeiçoamento contínuo da política e da prática acadêmica, trazendo ao primeiro plano a questão da qualidade de ensino, nas dimensões política, social e ambiental. Sob este prisma, o processo educativo deve estar voltado para a formação do aluno com competência técnicocientífica e compromisso social. Este processo, por sua vez, é o resultado de um conjunto de relações sociais e de relações com o conhecimento que só pode ser compreendido no contexto social particular em que acontece. No Projeto Pedagógico do Curso de Turismo da FACOTTUR, a formação humanística é priorizada, incentivando e criando condições para que o aluno tenha uma visão sistêmica e interdisciplinar, permitindo que as decisões que venha a tomar sejam embasadas numa ampla compreensão do meio social, político, econômico, cultural e ambiental contemporâneo. 34 Nessa linha, o curso caracteriza-se por uma orientação de permanente estímulo à imaginação, inovação e criatividade do aluno, procurando exercitar seu raciocínio analítico. Inspirar sua capacidade de realização e desenvolver suas habilidades de expressão oral e escrita. Do ponto de vista institucional, essa filosofia se traduz no compromisso de acompanhar a evolução das potencialidades do aluno, adotando procedimentos que orientem seu processo de aprendizagem e estimulem a conscientização do compromisso com sua própria formação, não só como profissional, mas também como cidadão responsável. O Projeto Pedagógico busca, sobretudo, habilitar profissionais comprometidos e preparados para o desempenho das funções que podem ser ocupadas pelos graduados em Turismo. Isso implica a presença, no projeto didático pedagógico, de atitudes e indicadores basilares: (a) A obediência à legislação pertinente às seguintes normas legais (a LDB 9.394/96), Diretrizes Curriculares do Curso de Turismo (Parecer CNE/CES no 67/2003, bem como ao Parecer CNE/CES no 288/2003 e Resolução CNE/CES no 13, de 24 de novembro de 2006), aos Padrões de Qualidade MEC/SESu bem como à Missão pertinente à identidade institucional da Faculdade de Comunicação e Turismo de Olinda - FACOTTUR, prevista em seu Plano de Desenvolvimento Institucional - PDI; (b) A inserção no currículo de disciplinas que compreendem as competências e habilidades profissionais, gerais e específicas, de caráter transversal e interdisciplinar para o enriquecimento do perfil do formando; (c) A inserção de disciplinas inovadoras, de formação complementar, organizadas pela Faculdade de Comunicação e Turismo de Olinda FACOTTUR, de modo a atender as significativas questões da contemporaneidade; (d) O levantamento de indicadores e subsídios do referencial bibliográfico que não se restrinjam somente à formação de um profissional com perfil determinado pelas leis do mercado de trabalho, mas à formação do profissional cidadão, capaz de interagir com a sociedade; (e) Qualificação adequada e comprovada competência por parte dos docentes responsáveis; (f) A participação de todos os docentes na reflexão, análise, diagnóstico e elaboração do Projeto Pedagógico do Curso - PPC; (g) O compromisso da coordenação do Curso de Graduação em Turismo da Faculdade de Comunicação e Turismo de Olinda - FACOTTUR de manterse atenta às suas competências, como garantidora da coerência, da lógica interna entre a proposta e o currículo pleno. 35 A inserção do tema empreendedorismo está presente na proposta de formação da FACOTTUR e no ensino superior tem despertado interesse em virtude das questões educacionais relacionadas aos currículos e aos docentes para atender ao processo de um perfil profissional compatível com as demandas da sociedade atual que serão discorridos a seguir. 2.3 Ensino superior e educação empreendedora Educar quer dizer evoluir sem mudar nossas raízes, reconhecendo a energia que dela emana. É também despertar a rebeldia, a criatividade, a força da inovação, para construir um mundo melhor, é substituir a lógica do utilitarismo e do individualismo pela construção do humano, do social e da qualidade de vida. O paradigma da educação para o novo milênio deve se basear em quatro pilares: aprender a conhecer, aprender a viver juntos, aprender a fazer e aprender a ser, que interagem e são interdependentes. (DELORS, 2010) A educação é o principal fator responsável pelo desenvolvimento de uma pessoa e consequentemente, de um país. Educação significa “mãos livres”, do contrário não será educação. Tem que fornecer algo diferente – ideias conceituais que são literalmente irrealistas e impraticáveis, pelo menos parecem ser assim quando vistas de modo convencional. As pessoas aprendem quando afastam suas descrenças e passam a aceitar ideias desafiadoras que podem remodelar o seu pensamento. Educação é isso. (MINTZNBERG, 2006, p. 232). Os novos tempos oferecem novas realidades ao ensino e, consequentemente, novos desafios na integração dos jovens no mercado de trabalho. Essas mudanças exigem novos esforços por parte das instituições de ensino no sentido de facilitar a inserção no mercado de trabalho. Para Cruz Neto e Tschá (2013), a verdadeira tarefa de educar perpassa sempre pela reflexão sobre o futuro, o que nos coloca diante de análises sobre as transformações que vivem as pessoas, empresas e instituições no mundo contemporâneo. Hoje, com o surgimento da sociedade do conhecimento, temos uma crescente redução dos postos formais de trabalho e o uso cada vez mais frequente do termo “empregabilidade”, o que normalmente implica na 36 necessidade de atitudes empreendedoras por parte dos indivíduos como uma forma de se posicionar no mercado. No que concerne à relação das universidades com a gestão do conhecimento, acredita-se que ambas se relacionam entre si, pelo fato de que as universidades se situam no ponto de interseção da criação, do compartilhamento e da utilização do conhecimento, que fazem parte da gestão do conhecimento. (TSCHÁ, 2011). O ensino superior, como formador de competências, que transforma decisivamente os rumos de um país, deve estar em sintonia com as mudanças sofridas pela sociedade globalizada. Para Garrido (2013), universidade é um ambiente de desenvolvimento intelectual e técnico que prepara os estudantes para o mercado de trabalho. O perfil profissional esperado pelas empresas é aquele em que o profissional deve ser não só possuidor do conhecimento teórico e técnico, mas também ter competências que vão além do explícito na matriz curricular dos cursos superiores. De acordo com Masetto (2003), no processo de ensino existe uma preocupação voltada para a transmissão de informações e experiências, iniciou-se um processo de buscar o desenvolvimento da aprendizagem dos alunos; de aperfeiçoar sua capacidade de pensar; dar um significado para aquilo que é estudado; de perceber a relação entre o professor trata em sala de aula e sua atividade profissional. Segundo Malnic e Steiner (2006), sem prescindir dos valores acadêmicos tradicionais, um dos desafios do ensino superior é conviver com o moderno, que integra o avanço da tecnologia à educação. Sem prescindir da qualidade exigida pela competitividade em nosso mundo globalizado. Etzkowitz e Leydesdorf (1998) afirmam que a capitalização do conhecimento está no cerne de uma nova missão para a universidade, a de conectar-se aos usuários do conhecimento de forma mais próxima e estabelecer-se como um ator econômico por mérito próprio. Nessa perspectiva, de acordo com os autores, a universidade deve ser empreendedora e basear-se em quatro pilares: a liderança acadêmica capaz de formular e implementar uma visão estratégica; controle jurídico sobre os recursos acadêmicos incluindo propriedades 37 físicas da universidade e a propriedade intelectual que resulta da pesquisa; capacidade organizacional de transferir tecnologia por meio de patenteamento, incubação, licenciamentos e o empreendedorismo entre administradores, docentes e alunos. No ensino de empreendedorismo, o professor necessita compreender as motivações dos alunos, para então adequar a metodologia de ensino que precisa ser diferenciada e pertinente ao tema. Segundo Guerra e Grazziotin (2010), os desafios que o empreendedorismo impõe à educação formal nas Instituições de Ensino Superior – IES convergem, para um único ponto: o desafio da superação. O empreendedorismo é uma grande ferramenta que auxilia a pessoa a crescer como cidadão e profissionalmente, através de pró-atividade e a busca contínua da inovação. Logo, é de suma importância a criação da cultura empreendedora nas instituições educacionais, visando desenvolver atividades de estímulo à capacidade de inovar e empreender, mediando o empreendedorismo na vida do aluno, pois isso é um fator implicante para seu sucesso no futuro. A educação empreendedora surge como uma preparação para as exigências e oportunidades futuras. Ela cria um ambiente cultural favorável para isso, através de conhecimento e ferramentas que o aluno poderá utilizar para chegar a seus objetivos, com os novos arranjos que a dinâmica do mundo pós-moderno impõe. Deve proporcionar um ambiente em que os jovens possam desenvolver e utilizar a capacidade de imaginar mudanças, e procurar realizar essas mesmas mudanças. A pedagogia empreendedora toma o empreendedor como alguém capaz de gerar novos conhecimentos a partir de uma plataforma, constituída por “saberes”, acumulados na história de vida do indivíduo e o que são chamados “quatro pilares da educação” – aprender, a saber, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a ser -, constante no relatório da Unesco da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI. (DOLABELA,2003, p. 26). Para Franzini, Sela e Sela Ramos (2006), a educação empreendedora deve incluir necessariamente, o aumento da capacidade de gerar capital social e humano. Os autores ressaltam que a formação empreendedora é o processo de construção de novos padrões de comportamento, a partir de descobertas interessantes sobre as potencialidades pessoais, contexto cultural, motivação e sonhos. 38 Segundo Dolabela (2003), no Brasil, educar na área empreendedora significa buscar a realização da utopia, mas também destruir mitos que atuam como obstáculos. Desenvolver uma educação empreendedora no Brasil significa reconhecer a importância de nossa diversidade cultural, que nos enriquece como povo e nação, acreditar na nossa capacidade de protagonizar os nossos sonhos e construir o nosso futuro. Conforme o autor, o desafio da educação empreendedora é construir novos valores em uma sociedade heterogênea, marcada positivamente pela diversidade cultural, mas negativamente pelas diferenças abissais de renda, poder e conhecimento. Para Leite (2012), há fortes indicações de que uma educação empreendedora produzirá mais e melhores empreendedores do que foram gerados no passado. Empreendedores mais bem preparados terão excelentes condições de saber quando, como e onde iniciar seus empreendimentos, quais as alternativas para traçarem suas carreiras como empreendedores, de que forma maximizar seus objetivos, não só para satisfação pessoal, como também para melhoria da sociedade. De acordo com Guerra e Grazziotin (2010), as IES como educadoras de milhões de jovens, têm enorme responsabilidade de semear uma mentalidade criativa. Criatividade e empreendedorismo mantêm uma interface íntima. A criatividade é condição necessária para a formação de uma mentalidade empreendedora. A educação é fundamental para desenvolver novas tecnologias, bem como para facilitar a questão empreendedora frente às mudanças econômicas e sociais da região. Diante desse cenário, para que todos tirem proveito do crescimento econômico, é preciso alterar os fluxos e os caminhos da renda, da riqueza e do conhecimento por meio de investimento na formação de capital humano, social e na capacitação. 2.3.1 Ensino de empreendedorismo Ensinar é uma profissão de mudanças e de cada vez mais amplas e diferentes expectativas. O ensino é um trabalho baseado em interações entre pessoas e, por isso, complexo e desafiador. Se num passado recente acreditava-se que ensinar era transmitir informações, hoje, ensinar é desencadear um programa de interações com um grupo de alunos, a fim de atingir 39 determinados objetivos educativos relativos à aprendizagem de conhecimentos e à socialização. Segundo Stefano, Dutra e Facini (2006), o ensino de empreendedorismo vem se disseminando com rapidez no Brasil. Está presente na governança, no meio empresarial, nas instituições representativas de classe e de ensino. A primeira matéria na área de empreendedorismo de que se tem notícia surge em 1981, na Escola de Administração de Empresas, da Fundação Getúlio Vargas – FGV, São Paulo, por iniciativa do professor Ronald Degen. O saber empreendedor ultrapassa o domínio dos conteúdos científicos, técnicos e instrumentais. Estes poucos servem para quem não sonha para quem não tem a capacidade de, a partir do sonho, gerar novos conhecimentos que produzam mudanças significativas para o avanço da coletividade (DOLABELA, 2003). As universidades estão passando por um processo de mudanças que as fazem incorporar na sua missão a responsabilidade pelo desenvolvimento econômico e social. Para tal, elas devem adaptar-se a essa sociedade em transformação e desenvolver capacidades que garantam sua sustentabilidade. As IES, ao apostar na formação empreendedora, devem fazê-lo de forma aliada, harmonizada e transversal. Que não discutam o assunto em apenas uma disciplina isolada ou no âmbito de quatro paredes da sala de aula. Ela deve ser vivenciada com intensidade por todos, em todas as direções. O tema deve ser abordado de forma integrada às demais disciplinas, à instituição e à comunidade. Para Guerra e Grazziotin (2010), o assunto empreendedorismo deve ser tratado em todos os cursos e em todos os níveis. A dinâmica ambiental em que as organizações estão inseridas não permite mais que os empreendedores administrem da mesma forma que faziam no passado. As IES devem criar condições para que o aluno possa desenvolver e incorporar habilidades necessárias do complexo e disputado mundo dos negócios em que vivemos. É necessário incentivar e promover a interdisciplinaridade para que as questões voltadas ao empreendedorismo sejam contempladas em todas as disciplinas, por todo o corpo de professores. 40 Para atingir os objetivos, é muito importante envolver e capacitar os professores para a adoção do enfoque do empreendedorismo no desenvolvimento de todos os cursos e disciplinas constantes no currículo. Podemos perceber que a educação empreendedora pode enfocar a formação do indivíduo ou focar naquele que se interessa por uma oportunidade e que estaria numa fase anterior à criação de um negócio; pode, ainda, voltar-se para os que já estariam na fase de criação de um empreendimento e, até mesmo, para aqueles que estão em fases posteriores à criação e que estão preocupados com as estratégias para permanecerem ativos ou expandir o negócio. (LOPES, 2010). Para Franzini, Sela e Sela Ramos (2006), o ensino de empreendedorismo deve ser apontado como prioridade na política governamental de qualquer país que queira desenvolver e ter inovações tecnológicas e, com isso, almeje constituir-se em uma economia competitiva no mundo globalizado. Dolabela (2003) destaca que a pedagogia empreendedora baseia-se no entendimento de que o empreendedorismo, pelo seu potencial como força importante na eliminação da miséria e na diminuição da distância entre ricos e pobres, tem como tema central o desenvolvimento humano, social e econômico sustentável. Mas, prosseguindo na revisão da literatura, outro consenso emerge como relevante: a formação do empreendedor. 2.3.2 Formação do empreendedor A necessidade de aumentar a capacidade empreendedora não se refere apenas à retração atual do nível de emprego – verdadeira, mas decorrência direta de novos padrões de relações sociais e políticas que incluem o mercado, mas não se limitam a ela. A educação empreendedora deve começar na mais tenra idade, porque diz respeito à cultura, que tem o poder de induzir ou de inibir a capacidade empreendedora. (DOLABELA, 2003). A instrução é fundamental na concepção do empreendedor. Para Hisrich e Peters (2004), sua essência transparece na aplicação dos métodos próprios para assegurar a formação e o 41 desenvolvimento do empreendimento e, também, para subsidiar o empreendedor nas dificuldades que desafiam a sua capacidade de enfrentar as adversidades. Mesmo que não queiram ou não venham a ter seu próprio negócio, podem ser beneficiados em sua formação com o desenvolvimento de conhecimentos e habilidades do empreendedorismo. A premissa de que a formação empreendedora não é apenas geradora de aprendizagem para gerir uma empresa, mas, sobretudo, para o pensamento criativo, a geração e inovações e o crescimento do senso de autoestima e de responsabilidade. Guerra e Grazziotin (2010) destacam que o empreendedorismo apresenta-se também como forma de, por um lado, dar chance de mais pessoas ingressarem no mercado de trabalho, por meio da criação de novos empregos, fruto das atividades inventivas por parte dos empreendedores. Os jovens estudantes podem encontrar na educação empreendedora uma forma de enfrentar as desigualdades do mundo contemporâneo, seja como forma de distribuição de renda, de inclusão social ou de buscar novas soluções para a nova dinâmica social pós-moderna. A dinâmica do modelo tradicional baseado no emprego consiste em transformar oportunidades de negócios identificadas e aproveitadas por poucos (empreendedores) em empregos para muitos. A demanda principal do empregador é de competência técnica (know-how), produzido sob a responsabilidade do sistema educacional. (DOLABELA, 2003, p. 27). O processo de aprendizagem não é estático; ele assume características próprias em função dos atores, sendo reconstruídos continuamente porque se vincula ao processo cultural do aluno, do professor, da comunidade, da instituição de ensino. Nos dias atuais o termo empreendedorismo vem sendo utilizado de forma abrangente. A diversidade conceitual sobre empreendedorismo é grande e seus conceitos esbarram em diferentes abordagens das teorias empreendedoras que apresentamos a seguir. 2.4 Teorias Empreendedoras O empreendedorismo não pode ser limitado a certas épocas ou territórios, nem circunscrito à empresa privada. Nem é necessariamente mais presente em certos grupos que em outros. Se 42 sua presença e seu dinamismo podem variar de acordo com as épocas e territórios, e sobretudo pelo modo de funcionamento que se distinguem de um lugar para o outro. Segundo Julien (2010) as diferentes teorias sobre o empreendedorismo não são necessariamente falsas, mas frequentemente concentram-se de forma exagerada no comportamento individual de cada empreendedor ou em territórios ou época. As teorias que apresentamos proporcionam uma excelente base para sistematizar o pensamento que clarifique a importância do empreendedorismo. Para o especialista Louis Jacques Filion, autor da teoria visionária sobre empreendedorismo, ampliou o âmbito da ação do empreendedor ao perceber que o empreendedor imagina, desenvolve e realiza visões. Filion (1999) afirma que o empreendedor é uma pessoa que imagina, desenvolve e realiza visões em todos os tipos de áreas, como política, religião, educação, etc. Para o autor, visão é uma imagem projetada no futuro, do lugar que se quer ver ocupado pelos seus produtos no mercado, assim como a imagem projetada do tipo de organização necessária para consegui-lo. E na perspectiva do autor, segundo Souza Neto (2008), a imaginação é obviamente necessária para que se tenha visão. O termo visão denota habilidade em definir e alcançar objetivos. A Teoria Visionária traz três categorias de visões. Segundo Filion (1993), as visões são emergentes, centrais e complementares. Elas reagem entre si de forma intensa e constante. Visões emergentes representam as ideias ou conceitos de produtos e serviços imaginados pelo empreendedor. Juntas, elas formam um grupo de possibilidades de negócios, do qual o empreendedor escolherá uma entre tantas e a mesma progredirá para a visão central. Novas visões emergentes poderão surgir sendo as mesmas ligadas à visão central (FILION, 1993). Visão central é o resultado de uma ou mais visões emergentes, ou seja, de uma ou mais ideias empreendedoras. Esta se divide em visão externa, que é a projeção no futuro do lugar o qual o empreendedor pretende ocupar no mercado. E a visão interna, que define o tipo de organização que o empreendedor precisa montar para ocupar no mercado o lugar que deseja 43 (visão externa). Percebe-se, portanto, que uma complementa a outra, devendo as mesmas serem claras, coerentes e confiáveis, sob a pena de insucesso da visão central (FILION, 1993). Visões complementares são visões de apoio à visão central. As visões complementares encerram habilidade de comunicação, conhecimento no campo de atuação e liderança (FILION, 1993). No estímulo à reflexão no ato de sonhar Dolabela (2003) apresenta a Teoria Empreendedora dos Sonhos, cuja concepção abrange todos os empreendedores, o que atua na empresa, no governo, no terceiro setor, seja na posição de empregado, seja na de dirigente, autônomo ou proprietário, pois torna o empreendedor como uma forma de ser, independente da área em que possa atuar. Conforme o autor, o sonho que a teoria considera é o sonho estruturante, assim chamado porque pode dar origem e organização a um projeto de vida, articulando sinergicamente desejos, visão de mundo, valores, competências, preferências e autoestima. Contribuindo com esse pensamento, Dornelas (2014) afirma que empreender é a realização máxima dos sonhadores que almejam ver seus sonhos concretizados, alguns empreendem por meio do próprio negócio; outros em grandes empresas. Na visão de Schumpeter (1997), os empreendedores representam o mecanismo de criação e distribuição de riqueza, processo denominado como “destruição criativa”, que consiste em romper com velhos hábitos com o intuito de gerar novas respostas às carências e desejos do mercado. Porque os empreendedores criam novas riquezas por meio da destruição das estruturas de mercados existentes. A teoria schumpeteriana da destruição criativa, o empreendedor como ator central desse processo, gerando o caos no mercado, é o que move a inovação. (LEITE, 2012). Empreender não significa apenas criar novas propostas, inventar novos produtos ou processos, produzir novas teorias. Empreender significa modificar a realidade para dela obter auto realização e oferecer valores positivos para o coletivo. As teorias caracterizam o empreendedor como um ser visionário, que sonha. Cria e inova que apresentamos na próxima seção. 44 2.4.1 Empreendedorismo e Empreendedor Nas últimas décadas, o termo empreendedorismo vem sendo amplamente utilizado em diferentes áreas do conhecimento. Entretanto, a disseminação da palavra empreendedorismo ocorreu juntamente com a relativa frouxidão do conceito. Num sentido mais amplo, empreender vai além de uma atividade intrínseca à iniciativa privada, pois passou a englobar o terceiro setor e a administração pública e os empregados das empresas privadas. Não mais circunscreve apenas o espaço da inovação, mas também das mudanças organizacionais adaptativas (MARTES, 2010). Empreendedorismo é voltado para o desenvolvimento de conhecimentos e habilidades relacionados à criação de um projeto, seja ele um projeto de vida, um projeto técnico, científico, ou laboral. Empreendedorismo é a capacidade voltada para o investimento, para o desbravamento e a expansão de novos mercados, produtos e técnicas. Para Denge (2009), empreendedorismo consiste no fenômeno da geração de negócio em si, relacionado tanto com criação de uma empresa, quanto com a expansão de alguma já existente. Tanto no ato da criação de negócios como nas empresas já existentes, o empreendedorismo voltado para a busca e exploração de oportunidades tende a acelerar a expansão dos empreendimentos, o progresso tecnológico e a geração de riqueza. Na perspectiva de Leite (2012), quando nos referimos ao termo empreendedorismo, temos a tendência de imediatamente associá-lo com empreendimentos empresariais, negócios, iniciativa individual, criação do próprio emprego, geração de emprego e renda, entre outras opções. Está relacionado com gestão bem-sucedida de um empreendimento. Só é possível falar sobre empreendedorismo adotando-se uma visão ampla, já que para compreendê-lo é preciso necessariamente considerar diferentes tipos de indivíduos (de acordo com a idade, sexo, origens, formação do empreendedor etc.), diferentes formas de organização (de acordo com o porte da empresa, o setor, laços com outras empresas, etc.), diversos ambientes econômicos – próximos (o meio) ou mais amplos (o mercado) -, e diversas épocas (o tempo) (JULIEN, 2010, p.22). 45 Na visão de Schumpeter (1997), o empreendedorismo é a busca de novas direções, do diferencial competitivo e de novas conquistas, associadas à inovação, na medida em que sua essência está na percepção e aproveitamento de oportunidades de negócios, no desejo de fundar empreendimentos, de utilizar recursos de uma nova forma, na alegria de criar, de fazer as coisas e de exercitar a energia e a engenhosidade. Um fator que impulsiona o empreendedorismo é a criação do próprio posto de trabalho, em um cenário em que a procura do emprego especialmente o primeiro que se apresenta cada vez mais difícil, não apenas pelo maior grau de exigência, por parte de quem recruta, mas também devido à forte concorrência entre candidatos. De acordo com Leite (2012), os empreendedores percebem novas ideias como grandes oportunidades. A sua segurança econômica não está fundamentada em um emprego, mas no próprio potencial de produzir, pensar, criar e se adaptar. No pensamento de Degen (2009), os empreendedores motivados por oportunidade têm maior impacto sobre o crescimento econômico de um país, porque eles, mais bem preparados, desenvolvem mais negócios baseados em inovação e novas tecnologias, com um potencial de desenvolvimento sustentável. O empreendedorismo é a criação, a inovação, a descoberta e a transformação, cujo resultado gera o desenvolvimento dos negócios, o destaque e o surgimento de oportunidades de sucesso. Para muitos autores, o empreendedorismo é particular e já nasce com o indivíduo; sendo apenas amadurecido e aperfeiçoado com o tempo. Já para outros o empreendedorismo é um ensinamento com o qual os alunos são estimulados a empreender, a enfrentar novos desafios e visualizar oportunidades a fim de atingir o sucesso empresarial e financeiro. Ser empreendedor significa ter capacidade de iniciativa, imaginação fértil para conceber ideias, flexibilidade para adaptá-las, criatividade para transformá-las em oportunidades de negócio, motivação para pensar conceitualmente e capacidade para perceber a mudança como oportunidade. Segundo Leite (2012), ser empreendedor é um sonho de muita gente. Contudo, isso não é fácil. De fato, deixar a segurança proporcionada por um emprego estável é uma atitude difícil. 46 O empreendedor, tanto como gerador de novas empresas quanto administrador de empresas já existentes, passa a ser o eixo central da criação de novos postos de trabalho, intensificando transações econômicas e contribuindo para a competitividade de uma nação (PREVIDELLI e SELA, 2006). “Empreender é essencialmente um processo de aprendizagem proativa, em que o indivíduo constrói ciclicamente a sua representação do mundo, modificando-se a si mesmo e ao seu sonho de auto realização em processo permanente de auto avaliação e auto criação”. (DOLABELA, 2003, p.32). O empreendedor é mais conhecido como aquele que cria novos negócios, mas pode inovar dentro de negócios já existentes, ou seja, é possível ser empreendedor dentro de empresa já constituída. Segundo Filion e Borges (2013), durante muitos anos, a imaginação popular manteve o mito do herói empreendedor, ou seja, aquele que abre uma empresa sozinha e se debate com uma coragem excepcional para sobreviver. Para os autores, o empreendedorismo é um fenômeno coletivo, o empreendedor realizando seu sonho com a participação, a assistência e o apoio de muitas outras pessoas, parentes, parceiros, colaboradores, contatos da sua rede, assim como membros de organizações de apoio. É preciso ter um mínimo de pessoas na rede do empreendedor, o que permite, em primeiro lugar, ser informado sobre o que acontece no setor, estimular a reflexão e o aprendizado. Para Pinchot (1985), um termo – intrapreuner (empreendedor interno) – é introduzido na literatura empresarial para designar uma pessoa que tem espírito empreendedor, mas que, em vez de montar um negócio próprio para viabilizar suas ideias, faz uso da estrutura da empresa onde trabalha. De acordo com Julien (2010), o empreendedor potencial sofre três tipos de influências que podem ser positivas ou negativas, como podemos ver no quadro a seguir: 47 Quadro 2 - Tipos de influências sociais sobre o empreendedor potencial ou efetivo Influências Afetivas Origem Família Simbólicas Educação, trabalho Trabalho, experiências, redes Sociológicas Efeitos Positivo Laços fortes de Encorajamento segurança Normas, crenças, Segurança modelos Enraizamento ou Recursos disponíveis imersão em um meio Negativo Dissuasão Conservadorismo Obstáculos potenciais Fonte: Julien (2010, p. 112) O empreendedor potencial sofre as influências afetivas que vêm principalmente da família, as simbólicas, da transferência de modelos e as sociológicas, do envolvimento gradual em um meio. Essas diferentes influências fazem do empreendedor um ser plural e coletivo que se constrói aos poucos, sem necessariamente vocação particular. Durante as pesquisas que serviram de base para dissertação de acordo com Mendes (2009), foi possível encontrar definições para o termo empreendedor que transcrevemos a seguir: Quadro 3 - Desenvolvimento do termo empreendedor. Período Autor Idade Desconhecido Média Conceito Participante e pessoa encarregada de projetos de produção em grande escala. Século XVII Desconhecido Pessoa que assume risco de lucro (ou prejuízo) em um contrato de valor fixo com o governo. 1725 Richard Pessoa que assume risco é diferente da que fornece capital. Cantillion Jean Baptiste Lucros do empreendedor separados dos lucros de capital Say Francis Walker Distinguir entre os que forneciam fundos e recebiam juros e aqueles que obtinham lucro com habilidades administrativas. 1803 1876 1934 Joseph Schumpeter O empreendedor é um inovador e desenvolve tecnologia que ainda não foi testada. 1961 O empreendedor é alguém dinâmico que corre risco moderados. 1964 Davis McClelland Peter Drucker 1975 Albert Shapero O empreendedor toma iniciativa, organiza alguns mecanismos sociais e O empreendedor maximiza oportunidades. 48 econômicos e aceita os riscos do fracasso. 1980 Karl Vésper O empreendedor é visto de modo diferente por economistas, psicólogos, negociantes e políticos. 1983 Gifford Pinchot O Intraempreendedor é um empreendedor que atua dentro de uma organização já estabelecida. 1985 Robert Hisrich O empreendedorismo é o processo de criar algo diferente e com valor, dedicando tempo e os esforços necessários, assumindo riscos financeiros, psicológicos e sociais correspondentes e recebendo as consequentes recompensas da satisfação econômica e pessoal. 2001 José Carlos O empreendedor é aquele que faz as coisas acontecerem, se antecipa Assis Dornelas aos fatos e tem uma visão futura da organização. 2007 Jerônimo Mendes É o indivíduo criativo capaz de transformar um simples obstáculo em oportunidade de negócios. Fonte: Mendes, 2009, p. 6 Conforme apresentado, o empreendedorismo tem sido analisado por pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento durante vários períodos e isto tem refletido diretamente nas visões criadas sobre o conceito do empreendedorismo. Leite (2012) afirma que, para ser um empreendedor eficaz em uma sociedade baseada no conhecimento, precisa de uma formação sólida. Ele precisa de uma base de conhecimento de pesquisa, competência no uso da habilidade de imaginar, analisar, formular e interpretar. Apresentamos, na figura – 1, uma forma esquematizada do conceito do espírito empreendedor, resultante da visão integrada entre percepção da atitude e comportamento empreendedor como expressam os teóricos Schumpeter, Mc Clelland e Drucker. Figura 1 – A visão integrada de Schumpeter, Mc Clelland e Drucker. Fonte: Leite, 2012, p. 12 49 Os empreendedores são apontados como pessoas com capacidade, habilidades e atitudes próprias que formam suas características de identificação. O empreendedor possui características importantes e necessárias para ter sucesso como podemos observar no quadro abaixo: Quadro 4 – Características dos empreendedores de sucesso Características São visionários Fazem a diferença Descrição Têm a visão de como será o futuro para o seu negócio e sua vida com habilidade de implementar seu sonhos Transformam algo difícil, uma ideia abstrata em algo concreto. Sabem agregar valor aos serviços e produtos que colocam no mercado. Sabem explorar o máximo de oportunidades Transformam ideias em oportunidades através da informação e conhecimento. São determinados e dinâmicos Implementam suas comprometimento. São dedicados Dedicam 24 horas por dia, 7 dias por semana, ao seu negócio. São otimistas apaixonados pelo que fazem Adoram o trabalho que realizam. O principal combustível que os matem mais animados e autodeterminados. São independentes e constroem o próprio destino Á frente das mudanças. Criar algo novo e determinar seus próprios passos. Ser o patrão e gerar empregos. São líderes formadores de equipes Têm um senso de liderança. São respeitados e adorados por sua equipe. São bem relacionados (networking) Constroem uma rede de relacionamento que os auxilia no ambiente externo da empresa, junto a clientes, fornecedores e entidades de classes. Possuem conhecimento São sedentos continuamente. Assumem riscos calculados Sabem gerenciar o risco, avaliando as reais chances de sucesso. Criam valor para sociedade Utilizam seu capital intelectual para criar valor para sociedade, com a geração de empregos, dinamizando a economia e inovando. pelo ações saber com e total aprendem 50 São organizados Os empreendedores sabem obter e alocar os recursos materiais, humanos, tecnológicos e financeiros, de forma racional, procurando o melhor desempenho para o negócio. Fonte: Elaborado pelo autor, adaptado de Dornelas (2008). Todas as características empreendedoras transcritas podem ser transpostas para a educação, pois a teoria do empreendedorismo pode ser utilizada como base para a conquista de uma educação empreendedora, que pode ser disseminada por diretores, coordenadores e alunos empreendedores através de posturas inovadoras em suas salas de aula. Os estudiosos concordam que o empreendedor é uma pessoa que empenha toda sua energia na inovação e no crescimento, manifestando-se de diversas maneiras: criando sua empresa, desenvolvendo alguma coisa nova em uma empresa preexistente ou, ainda, dedicando suas atividades ao empreendedorismo. Ressalta-se, entretanto, que o indivíduo não deve possuir todas as características anteriormente citadas no quadro - 3 para ser denominado empreendedor, mas a presença de grande parte delas denota um perfil voltado ao empreendedorismo. Entre essas características, nota-se a relação que muitas delas têm com o perfil da Geração Y, por exemplo: inovação, criatividade, impaciência, alegria, autoconfiança, quer fazer a diferença no mundo, gosta de desafios, quer se expressar por meio do trabalho. Estas características são discutidas em detalhes no capítulo 2.5.1. De acordo com Previdelli e Sela (2006), o empreendedor é aquele indivíduo que, guiado pela visão, busca aproveitar oportunidades, desenvolve ideias e conceitos que possibilitem caminhar segundo uma direção preestabelecida, mapeando um curso de ação que tolere a mudança e o ajude a responder às mudanças no ambiente. É dotado de energia e está sempre disposto a aceitar a luta, mesmo consciente das incertezas e possibilidades de fracasso. Possui capacidade de iniciativa, imaginação para conceber as ideias, flexibilidade para adaptá-las em uma oportunidade de negócios. Para os autores, o empreendedor é a mola propulsora da economia. 51 Para Salim e Silva (2010), todas as pessoas possuem, em maior ou menor grau, características empreendedoras, mas que nem sempre sabem exercê-las ou não as cultivam. Somos todos empreendedores, mas precisamos exercitar nossas características empreendedoras e aprender as técnicas para aplicá-las de modo adequado. Segundo Dornelas (2008), para uma pessoa ser considerada empreendedora, deve possuir algumas habilidades técnicas, gerenciais e algumas características pessoais: No campo técnico: deve ser capaz de captar informações, ter oratória, liderança em equipe, dentre outros fatores. Habilidades gerenciais: saiba lidar com marketing, finanças, logística, produção, tomada de decisão e negociação. Pessoais: disciplina, persistência, habilidade de correr riscos e inovar. Birley e Musuka (2001) acreditam que os empreendedores recebem influências de origens diversificadas no decorrer dos tempos. Eles podem ser influenciados pela carga genética, pela formação familiar, pelas experiências profissionais anteriores e pelo ambiente econômico em que estão inseridos. O empreendedor pode ser compreendido como um ser social, produto do meio em que vive, sendo um fenômeno regional. No contexto da sociedade moderna e do conhecimento, percebemos a introdução de novos desafios para o empreendedorismo como abordamos na seção a seguir. 2.4.2 Conhecimento e era do empreendedorismo Vivemos uma época de plena era do conhecimento, em que as informações estão disponíveis em tempo real, direcionando as empresas compartilhar os conhecimentos e identificar as ações que levam ao sucesso da organização contemporânea, nesse novo ambiente de globalização e avanço tecnológico, orientado para uma gestão digital e no capital intelectual. O emprego-padrão de hoje, com vínculo salarial, patrão e horário rígido, já é um cenário pertencente ao passado. O novo milênio chegou e, com ele, a era do conhecimento que proporciona acesso a um número de informações muito maior do que podemos absorver e, ao mesmo tempo, nunca se teve tanta incerteza sobre o futuro. Para Leite (2012), a geração de 52 empregos mantém um alto grau de dependência em relação à força criadora dos empreendedores. Faz-se necessário uma aposta na formação de base do empreendedorismo de uma maneira geral, em especial por parte daquelas pessoas que se encontram na situação de desemprego. Garvi (2000) define as organizações que aprendem como aquelas que apresentam habilidades em cinco atividades principais: solução de problemas por métodos sistemáticos, experimentação de novas abordagens, aprendizado com a própria experiência, aprendizado com as melhores práticas alheias e transferência de conhecimento rápido e eficiente em toda organização. A nova economia do conhecimento é fortemente caracterizada pela transição da eficiência individual para a eficiência coletiva. Nessa perspectiva, a atividade empreendedora sofre e gera impactos no meio econômico, social e político no qual a organização se insere. E, em virtude de seu efeito multiplicador, produz emprego, renda, crescimento e desenvolvimento. O empreendedorismo é hoje um fenômeno global, sobre o qual diversas instituições públicas e privadas têm investido para pesquisar e incentivar. Existe uma clara correlação entre o empreendedorismo e o crescimento econômico. Os resultados mais explícitos manifestam-se na forma de inovação, desenvolvimento tecnológico e geração de novos postos de trabalho. A riqueza gerada pelos empreendedores contribui para a melhoria da qualidade de vida da população. De acordo com Drucker (2008), na antiguidade, o conhecimento era usado para o crescimento pessoal e para aumentar a sabedoria e satisfação individual. Com a industrialização, o conhecimento passou a sinalizar características do indivíduo que afetam a produtividade e a educação passou a diferenciar os indivíduos e possibilitar o acesso a determinados círculos e a partir daí possibilitar ganhos de salários. Birley e Musyka (2001) acreditam que os empreendedores recebem influências de origens diversificadas e variadas no decorrer do tempo. Eles podem ser influenciados pela carga genética, pela formação familiar, pelas experiências profissionais anteriores e pelo ambiente econômico em que estão inseridos. 53 O aporte do capital humano é crucial para o desenvolvimento da economia, mesmo nas novas e pequenas empresas. A atual realidade econômica tem sido marcada pela exacerbação dos padrões de concorrência, na qual a necessidade constante de aprendizado e de introdução de novos produtos e serviços torna-se condição obrigatória às empresas que desejam obter vantagens comparativas. Espejo e Previdelle, ancorados em Degen (2006) apontam que: O agente do processo de destruição criativa que, de acordo com Joseph A. Shumpeter é o impulso fundamental que aciona e mantém em marcha o motor capitalista, constantemente criando novos produtos, novos métodos de produção, novos mercados e, implacavelmente, sobrepondo-se aos antigos métodos menos eficientes e mais caros. (2006, p. 24). Para enfrentar essa mudança, é necessário abandonar o sistema rígido de produção e passar para um processo flexível que ofereça qualidade e mude frequentemente para atender clientes exigentes e dispares. As empresas devem trabalhar de forma que permitam estar em relação mais ou menos estreita com diversas empresas e diferentes organismos parceiros. Sendo assim, aumentar a capacidade de inovação, gerando uma economia voltada para o conhecimento, pesquisa e formação, que possibilita às organizações na construção de aprendizado e um savoir-faire em constante aperfeiçoamento, proporcionando às empresas distinguirem-se e melhor enfrentar as incertezas e ambiguidades. Nesse contexto, referenciamos o papel do meio de suma importância para fornecer os recursos base, principalmente a mão de obra e infraestrutura que ajuda as empresas inserir novos negócios, com o despertar de um espírito empreendedor, a fim de enfrentar os desafios da nova economia. A economia empreendedora está desempenhando relevante papel no desenvolvimento econômico pelo estímulo à inovação e à concorrência. Para Mendonça (2010), ao lado da inovação, oportunidade e mudança, o empreendedor, ou melhor, dizendo, o espírito empreendedor não seria algo encontrado apenas na cabeça dos grandes homens ou visionários. As pessoas que enxergam oportunidades e que ousam satisfazer as necessidades vislumbradas nessas oportunidades, qualquer que seja o tamanho ou a natureza da organização, seriam pessoas dotadas do espírito empreendedor. 54 O espírito empreendedor é um potencial de qualquer ser humano e necessita de algumas condições indispensáveis para se materializar e produzir efeitos. Entre essas condições estão, no ambiente macro, a democracia, a cooperação e a estrutura de poder tendendo para a formação de rede. (DOLABELA, 2003, p.24). O meio é a construção social do mercado capaz de facilitar os múltiplos laços entre os recursos e competências, por um lado, e os compradores, por outro lado. Ele age como um espelho social que estimula, tempera ou limita os comportamentos empreendedores. O empreendedor é uma pessoa criativa, marcada pela capacidade de estabelecer e atingir objetivos e que mantem alto nível de consciência do ambiente em que vive, usando-a para detectar oportunidades de negócios. Um empreendedor que continua a apreender a respeito de possíveis oportunidades de negócios e a tomar decisões moderadamente arriscadas que objetivam a inovação continuará a desempenhar o papel empreendedor. (FILION, 1999, p. 19). Percebemos que, para concretização de uma gestão focada na economia do conhecimento, inovação, meio empreendedor e novas tecnologias: faz-se necessário o entendimento desses fatores que direcionam a estratégia o aprendizado organizacional, a cultura organizacional e a gestão das novas tecnologias. De acordo com Drucker (2008) a inovação e o espírito empreendedor são, portanto, necessários na sociedade tanto quanto na economia. Para Leite (2012), compete ao empreendedor a responsabilidade pela sobrevivência da empresa na economia, isto é, pela lucratividade, por seu mercado e seu produto. A compreensão do período histórico permite aprofundar as possibilidades e limitações que se apresentam para o grupo a partir da conjuntura econômica social e cultural que ele vivencia, além de permitir o aprofundamento da discussão sobre o tempo cronológico que define uma geração. Após apresentados às teorias e características empreendedoras, a próxima seção apresenta os conceitos e características da Geração Y. 2.5 Geração Y Vivenciamos uma época que se afigura diferente daquela do passado. Aos poucos, mudamos nossa linguagem e nosso modo de ser. Muitos dos que vemos agora vêm sendo modificados 55 pelas novas tecnologias, como internet, celulares, computadores, o que possibilita uma grande troca de informações em um tempo anteriormente inimaginável. A história de uma geração está baseada em um conjunto de vivências comuns, valores, visão de vida, cenário sociopolítico e a aproximação de idades. Essas características comuns das diferentes gerações influenciam o modo de ser e de viver das pessoas nas sociedades e é este conjunto de comportamentos e valores que diferenciam uma geração de outra. Um dos desafios da sociedade é permanentemente compreender e se adaptarem a essas novas gerações e a todas as mudanças geradas. Para Carelli (2012), o senso comum define que geração é o que separa pais e filhos, adolescentes de cinquentões, pessoas de diversas idades que pensam de maneiras distintas umas das outras. Já na visão da sociologia, a autora destaca que geração é aquela acompanhada de eventos e acontecimentos históricos, é a convivência de pessoas que compartilham os mesmos interesses, valores, sonhos e ideais. Hoje, temos até quatro gerações que trabalham juntas em uma empresa. De acordo com Lancaster e Stillman (2011), os tradicionalistas nascidos antes de 1946, Baby Boomers, são os nascidos entre 1946 e 1964, a Geração X por nascidos entre 1965 e 1981 e a Geração Y composta por nascidos entre 1982 e 2000. Precisamos entender e aproveitar o que cada geração tem de melhor para oferecer. As fronteiras que separam as gerações não são claramente definidas, não podem deixar de ser ambíguas e atravessadas e, definitivamente não podem ser ignoradas. As pessoas de diferentes gerações devem se adaptar a esse cenário. Nenhuma geração está certa ou errada, elas são apenas diferentes e no fundo nenhuma geração pode fazer muita coisa sozinha. A Geração Y pode desempenhar enorme papel na criação da sinergia entre as gerações. Para começar, esses jovens podem perceber que, embora haja relacionamentos íntimos e colaborativos com os pais, terão de criar novas formas de se relacionar no serviço com as Gerações X, Baby Boomeres e Tradicionais cujas dinâmicas familiares a que estão acostumados são outras (LANCASTER e STTILLMAN, 2011, p. 50) As gerações convivem e manifestam influências mútuas e possuem peculiaridades fundamentais que afetam o relacionamento e provocam, em muitos casos, omissão e apatia 56 nas gerações mais experientes, estabelecendo na formação das novas. E no relacionamento entre as gerações que está a chave para o resgate do equilíbrio necessário para estes novos tempos (OLIVEIRA, 2010). Somente a aproximação das idades não é suficiente para enquadrar as pessoas em uma mesma geração. É necessário identificar um conjunto de vivências históricas macrossociais compartilhadas que refletem alguns princípios de visão de mundo e valores comuns. (BAUMAN, 2007, p. 373). Assim, para uma análise geracional, o simples marco cronológico é apenas um ponto referencial, mas não serve como base para delimitar as formas de agir de um grupo etário. Portanto, na próxima seção apresentamos as características da Geração Y. 2.5.1 Características da Geração Y Oliveira (2011) afirma que uma característica marcante da Geração Y é o total domínio das tecnologias recentes. A facilidade que hoje se tem em acessar vários tipos de tecnologia acabou desenvolvendo nos jovens a capacidade de fazer várias atividades simultaneamente. Para a surpresa de muitos, um jovem trabalha, no mesmo instante em que ouve uma música, navega em redes sociais e ao mesmo tempo fala no celular, e mesmo assim não deixa de ser produtivo. Para o autor, os Y são motivados pela novidade, pelo incerto e apresentam como diferencial infinitas redes de relacionamentos criadas por meio da internet, da telefonia, e do networking no decorrer de suas experiências vividas. São adeptos a uma vida agitada, especialistas em se readaptar e impacientes tanto com relação aos resultados quanto à manutenção do status quo. Para Calliari e Motta (2012), esses jovens desejam qualidade de vida e não abrem mão dela. Quer a possibilidade de trabalhar em projetos pessoais, menos formalistas, mais trabalhos em grupo, diálogo permanente, horários flexíveis, possibilidade e tempo de cuidar da própria saúde. 57 Segundo Tapscott (2008), eles demandam oportunidades para aprender e ter maior responsabilidade querem feedbacks instantâneos, primam por balancear a vida profissional e pessoal e anseiam por relações fortes no ambiente de trabalho. Lipkin e Perrymore (2010), psicólogas americanas, designam a Geração Y como multitalentosa, atribuindo a ela outras qualidades como: superestimulada, socialmente consciente, exigente e criativa. As autoras ao defenderem a existência e desenvolvimento de traços característicos de cada geração, também relativizaram a tentativa de classificação rígida e o risco de generalizações, pois alertam para as diferenças existentes dentro de um mesmo grupo geracional. De acordo com Periscinoto (2008), outra característica marcante dos jovens da Geração Y é a capacidade de realizar diversas tarefas ao mesmo tempo. A Geração Y é composta por líderes peculiarmente inovadores e quase irrequietos. Embora em sua grande maioria sejam largamente talentosos, sinceros e criativos, demonstram possuir este lado impaciente que ora lhes serve de âncora, ora de empecilho. Isto pelo fato de que não raro estes jovens estão sujeitos a decisões precipitadas com vistas a objetivos maiores, o que os leva algumas vezes a darem “passos maiores que as pernas”. (PORTES, 2008, p.07). Há alguns anos atrás havia certa generalização quanto ao comportamento e características dos indivíduos, independente da época que viviam. Mas ao passar do tempo, essas características foram mudando nitidamente. No quadro abaixo destacamos algumas características da Geração Y na visão de diversos autores. Quadro 5 – Resumo das características da Geração Y por diversos autores Autor ROBBINS (2005) TAPSCOTT (2008) PERISCINOTO (2008) LIPKIN & PERRYMORE (2010) LANCASTER & STILLMAN (2011) Características Ingresso no mercado de trabalho mais cedo e capacidade de futuro promissor. Facilidade para aprender, são responsáveis e requerem feedbacks instantâneos. Capacidade de realizar diversas tarefas ao mesmo tempo. Multitalentosa, estimulada, socialmente consciente, exigente e criativa. Forte relacionamento com os pais. 58 OLIVEIRA (2011) CALLIARI & MOTTA (2012) KULLOCK (2012) Domínio das tecnologias recentes é bastante prodigiosa em sua capacidade de ideias. Preocupados com a qualidade de vida e cuidado com a saúde e qualificação acadêmica. Questionadores, direcionados para resultados, tomada de decisão rápida. Fonte: Elaborado pelo autor (2013). Os jovens ípsilons são influentes, formam tendências e têm mais escolaridade, mais dinheiro no bolso, mais liberdade e mais vida pela frente. É preciso entendê-los como agentes de mudanças. Agora estão, chegando à posição de destaque em empresas, instituição de ensino e política. Entender essa geração é entender o futuro e como as instituições precisam mudar hoje. A seguir discutimos a relação entre a Geração Y e o trabalho, abordando os aspectos contextuais e particulares deste grupo. 2.5.2 Geração Y e mercado de trabalho A Geração Y também conhecida como a geração da tecnologia, constituída por indivíduos que ingressam mais recentemente no mercado de trabalho, são pessoas que acreditam em si mesmos e em sua capacidade de terem um futuro promissor. De acordo com Calliari e Motta (2012), estima-se que, no Brasil, os ípsilons já correspondem a 30% da população ativa, bem próximo aos profissionais da Geração Baby Boomer (33%) e X (37%). Conforme dados Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE Censo 2010 50.094.118 de habitantes pertencem a Geração Y. As tendências trazidas pela chegada ao mercado de trabalho da Geração Y são provocadoras e representam um desafio ao estilo de trabalho. Toda geração traz consigo perspectivas próprias como ilustra o quadro a seguir: 59 Quadro 6 - Tendências da Geração Y no mercado de trabalho Tendências Geração Y Educação no lar Garantia de direitos Significado Grandes expectativas Necessidade de dinamismo Rede social Colaboração Breve descrição A Geração Y é composta por filhos protegidos, vistos como as melhores criações de seus pais. Conforme seus membros entram na faculdade e no trabalho, os pais, em vez de cortar o cordão umbilical, compram uma extensão. Os membros dessa turma foram criados durante o movimento da valorização da autoestima, ouvindo muito elogios, e viraram adolescentes que se julgam capazes de conquistar tudo o que quiserem na vida. Eles têm muito a oferecer, mas também esperam muitas coisas, de benefícios a promoções. O sonho está deixando de ser “ter um emprego” e passando a ser “ ter um emprego que signifique alguma coisa”. A Geração Y quer ter uma vida boa graças a um trabalho que tenha valor e que contribua para a empresa, o país, uma causa ou para a comunidade. A Geração Y começa a trabalhar com grandes expectativas de realização de sucesso. Infelizmente, a experiência de trabalho nem sempre é o que ela esperava e seus membros mudam de emprego em busca de um que tenha mais a ver com eles. Essa é uma geração que mal conhece um mundo sem computador pessoal. A maioria teve acesso a informações, diversão ou a outras pessoas com um click desde criança. Acesso a informação na velocidade da luz. Essa Geração não apenas está reinventando os modos de comunicação, como também está redefinindo os parâmetros das relações pessoais e de consumo. Tem uma força tremenda na remodelação das formas pelas quais coletamos informações, repassamos os dados e aprendemos com eles. Uma Geração que foi estimulada a argumentar na escola e em casa. Dar ordem saiu de moda; em seu lugar entraram as conversas francas e negociação entre as duas partes cedem. A Geração Y cobra novas formas de liderança e de tomada de decisão baseadas na colaboração. Fonte: Elaborado pelo autor, adaptado de Lancaster e Stillman (2011). Para Calliari e Motta (2012), os ípsilons não acham que trabalhar seja sinônimo de sacrifício da própria individualidade. Se não sentirem prazer em trabalhar, como partes integrantes, como criadores de seus ofícios, não titubeiam em abandonar o barco. Para eles, o bem estar e o equilíbrio devem permear todas as suas atividades. Seguindo o pensamento de Balian (2009), a possibilidade da Geração Y ocupar mais de 50% dos cargos das empresas está cada vez mais próxima, se já não chegou a este percentual em alguns segmentos. Cada geração, particularmente, desenvolve sua maneira de trabalhar de 60 forma peculiar, e muitas vezes as empresas acabam adotando programas de desenvolvimento para lidar com cada geração individualmente, de forma fragmentada, esquecendo-se de olhar o todo. Na visão de Malacrida (2011), os jovens da Geração Y estão alcançando cargos de poder dentro das organizações, com posições de liderança e de comando e não estão deixando a desejar, pelo contrário, estão impressionando seus superiores Baby Boomers ou “X” com atitudes inovadoras e sem impor as hierarquias tradicionais. Segundo Oliveira (2011), nos dias de hoje, 20%, dos gestores das empresas pertence à Geração Y, são eles jovens com elevada formação acadêmica, pelo fato de cada vez mais ser exigido graduação, pós-graduação, especializações e também conhecimentos de línguas. Isso vem pressionando cada vez mais os jovens profissionais, pois nesse ambiente, cada vez mais complexo, é indispensável diferenciar-se através da busca por novos conhecimentos. De forma geral, é possível notar que a Geração Y agrupa pessoas que necessitam de identificação com o trabalho e de aprendizado constante, características marcantes do perfil do Empreendedor. Encerramos este capítulo com as ideias que nortearam os caminhos para os procedimentos metodológicos adotados durante a investigação proposta, que apresentamos no capítulo a seguir. 61 3. METODOLOGIA Em função dos objetivos, este capítulo apresenta os procedimentos metodológicos para alcançá-los. Desta forma, procedemos à estruturação do capítulo de acordo com os seguintes tópicos: o delineamento da pesquisa, unidade de análise, população alvo, instrumentos de coleta de dados, análise dos dados, limites e limitações. 3.1 Delineamento da Pesquisa A reflexão do caminho metodológico para o desenvolvimento da pesquisa depende do alcance do estudo. Assim, o desenho, os procedimentos e outros componentes do processo serão importantes para alcançar os objetivos almejados. O estudo foi delineado para atingir os objetivos, com base em autores como: Roberto Hernández Sampieire (2013), Carlos Fernández Collado (2013), Maria del Pilar Batista Lucio (2013), John W. Creswell (2013), Vicki L. Plano Clark (2013), a partir de um enfoque misto de pesquisa, que envolve um processo de coleta, análise e vínculo de dados quantitativos QUAN e qualitativos - QUAL. Para Hernández Sampieri e Mendoza (2008), os métodos mistos representam um conjunto de processos sistemáticos e críticos da pesquisa e implicam a coleta e a análise de dados quantitativos e qualitativos, assim como sua integração e discussão conjunta, conseguindo um maior entendimento do fenômeno do estudo. As relações interpessoais, as organizações, o consumo, os valores dos jovens, a crise econômica global, a pobreza, e de maneira geral, todos os fenômenos e problemas que as ciências enfrentam atualmente são tão complexos e diversos que o uso de um único enfoque, tanto quantitativo como qualitativo, é insuficiente para trabalhar essa complexidade. (HERNÁNDEZ SAMPIERI e MENDONZA, 2008; CRESWELL et al., 2008). Os métodos mistos encorajam o uso de variadas visões de mundo transformando paradigmas. Isso traz liberdade para o pesquisador que quer usar todos os métodos possíveis para abordar um problema (CRESWELL; CLARK, 2013). 62 A presente pesquisa assume a modalidade de estudo exploratório e, ao mesmo tempo, descritivo. Os estudos exploratórios servem para preparar o terreno e normalmente antecedem as pesquisas com alcance descritivo. São relacionados quando o objeto é examinar um tema ou um problema de pesquisa pouco estudado como nesta pesquisa: a relação da formação empreendedora, ensino superior, Geração Y e o conceito de Empreendedor. Segundo Sampieri, Collado e Lucio (2013), a importância dos estudos exploratórios servem para nos tornar familiarizados com fenômenos relativamente desconhecidos, obter informações sobre a possibilidade de realizar uma pesquisa mais completa relacionada com um contexto particular, pesquisar novos problemas, identificar conceitos ou variáveis promissoras. Descritiva porque busca especificar as características e os perfis de pessoas e grupos. Ou seja, pretende medir e coletar informações de maneira independente e/ou conjunta sobre os conceitos ou as variáveis a que se referem. Para os autores, assim como os estudos exploratórios, servem fundamentalmente para descobrir e pressupor, os estudos descritivos são úteis para mostrar com precisão os ângulos ou dimensões de um fenômeno, acontecimento, comunidade, contexto ou situação. Daí justifica-se nessa dissertação a necessidade da abordagem dos métodos mistos para tratar a problemática da pesquisa, bem como, esclarecer o antigo conflito da “guerra dos paradigmas” o célebre antagonismo, baseados nas limitações de cada enfoque (quantitativo e qualitativo). O quadro a seguir apresenta 17 (dezessete) justificativas/razões para o uso de métodos mistos, relacionados com os objetivos específicos da pesquisa. Quadro 7 – Justificativa /razões para o uso dos métodos mistos. Justificativa 1. Triangulação aumento da validade Refere-se a... ou Constatar dados QUAN e QUAL para corroborar/confirmar ou não os resultados e as descobertas visando maior validade interna e externa do estudo. 2. Compensação Utilizar dados QUAN e QUAL para neutralizar os potenciais pontos fracos de algum dos métodos e fortalecer os pontos fortes de cada um. 63 3. Complementação Obter uma visão mais compreensiva sobre a formulação no caso de empregar ambos os métodos. 4. Extensão (processo Analisar os pontos de maneira mais holística (contagem de sua mais integral) ocorrência, descrição de sua estrutura e sentido de entendimento). 5. Multiplicidade Responder diferentes perguntas de pesquisa (uma quantidade maior (diferentes perguntas de e com mais profundidade). pesquisa) 6. Explicação Maior capacidade de explicação mediante a coleta e análise de dados QUAN e QUAL. Aos resultados de um método ajudam a entender os resultados do outro. 7. Redução de incerteza Um método (QUAN ou QUAL) pode ajudar a explicar os diante dos resultados resultados inesperados do outro método. inesperados 8. Desenvolvimento Criar um instrumento para a coleta dos dados em um método baseado no resultado do outro método, conseguindo assim um instrumento melhor e mais complexo. 9. Amostragem Facilitar a amostragem de casos de um método com o apoio de outro. 10. Credibilidade Quando se usa ambos os métodos se reforça a credibilidade geral dos resultados e procedimentos. 11. Contextualização Propiciar ao estudo um contexto mais complexo, profundo e amplo, mas ao mesmo tempo generalizável e com validade externa. 12. Ilustração Exemplificar de outra maneira os resultados obtidos por um método. 13. Utilidade Maior potencial de uso e aplicação de um estudo (pode ser útil para um maior número de usuários ou aprendiz). 14. Descoberta e Usar os resultados de um método para gerar hipóteses que serão confirmação submetidas a teste com outro método. 15. Diversidade Conseguir uma variedade maior de perspectivas para analisar os dados obtidos na pesquisa (relacionar variáveis e encontrar seus significados). Ver relações “ocultas”, que não foram detectadas com o uso de um 16. Clareza só método. 17. Aperfeiçoamento Consolidar as argumentações provenientes da coleta e análise dos dados por ambos os métodos. Fonte: (SAMPIERI, COLLADO e LUCIO, 2013, p. 556) 64 Fazendo uma relação com os objetivos específicos de nosso estudo na contribuição do enfoque para os métodos mistos apresentamos o quadro a seguir: Quadro 9 – Justificativa /razões para o uso dos métodos mistos com os objetivos específicos Objetivos específicos 1- Levantar a proposta de Justificativa Questões norteadoras 1. Triangulação ou aumento Quais as diretrizes que a formação oferecida pela de validade instituição de ensino no 6. Explicação oferece Curso de Bacharelado 8. Desenvolvimento empreendedora em 10. Credibilidade alunos 11. Contextualização Bacharelado 13. Utilidade Turismo? Turismo na formação empreendedora dos alunos da Geração Y. instituição de na do ensino formação dos curso de em 14. Descoberta e confirmação 16. Clareza 17. Aperfeiçoamento 2- Identificar a percepção 1. Triangulação ou aumento da Quais as razões que dos alunos da Geração validade Y sobre a formação 2. Compensação Curso de Bacharelado empreendedora 3. Complementação em Turismo da Geração oferecida pelo Curso de 4. Extensão Bacharelado Turismo. em levam (processo mais Y integral) 5. Multiplicidade (diferentes 6. Explicação 7. Redução de incertezas diante dos resultados inesperados 8. Desenvolvimento 9. Amostragem 10. Credibilidade 11. Contextualização 12. Ilustração 13. Utilidade 14. Descoberta e confirmação 16. Clareza se alunos do tornarem Empreendedores? perguntas de pesquisa) 15. Diversidade a os 65 17. Aperfeiçoamento 3- Identificar na percepção dos alunos professores os que mais influenciaram o 1. Triangulação ou aumento da Quais os professores que validade despertaram os alunos 2. Compensação na 3. Complementação empreendedora? comportamento 4. Extensão empreendedor. 5. Multiplicidade sua formação (diferentes perguntas de pesquisa) 6. Explicação 7. Explicação 8. Desenvolvimento 9. Amostragem 10. Credibilidade 11. Contextualização 12. Utilidade 14. Descoberta e confirmação 15. Diversidade 17. Aperfeiçoamento 4- Analisar elementos da prática pedagógica dos 1. Triangulação ou aumento da Quais validade práticas desenvolvimento nas professores que 2. Compensação disciplinas ministradas e contribuíram para 3. Extensão que podem despertar o 6. Explicação espírito formação do espírito empreendedor dos alunos do Bacharelado Curso de em Turismo da geração Y. empreendedor 7. Redução de incertezas diante dos alunos da Geração de resultados inesperados Y? 8. Desenvolvimento 9. Amostragem 10. Credibilidade 11. Contextualização 12. Ilustração 13. Utilidade 14. Descoberta e confirmação 15. Diversidade 16. Clareza 17. Aperfeiçoamento Fonte: Elaborada pelo autor, com base em Sampieri, Collado e Lucio (2013). 66 Para deixar claras as formulações mistas, Teddlie e Tashakkori (2009) proporcionam um diagrama que ilustra sua formulação. Apresentamos na figura - 2, uma adaptação para exemplificar o caso a ser estudado nessa dissertação. 67 Figura 2 – Diagrama metodológico da pesquisa. Identificar o tema de interesse Verificar a influência da formação dada por uma Instituição de Ensino Superior do Curso de Bacharelado em Turismo no percurso da formação de empreendedores. Contexto e População Enunciar (e as vezes explicar) as razões para realizar os estudos mistos Formular o Problema Como a formação dada por uma instituição de FACOTTUR, Alunos da Geração Y nascidos. 1982 a 2000. ensino superior no Curso de Bacharelado Triangular dados quantitativos e qualitativos em Turismo pode influenciar o percurso da formação de empreendedores? Objetivo (s) e pergunta (s) qualitativa (s) Levantar instituição a formação de ensino oferecida no Objetivo (s) e pergunta (s) quantitativas (s) pela Curso de Bacharelado em Turismo na formação empreendedora dos alunos da Geração Y. Identificar a percepção dos alunos da geração Y sobre a formação empreendedora oferecida pelo Curso de Bacharelado em Turismo. Identificar na percepção dos alunos os professores que mais influenciaram comportamento empreendedor. Objetivo (s) e pergunta(s) mista (s) Analisar elementos da prática pedagógica dos professores que contribuíram para formação do espírito empreendedor dos alunos do Curso de Bacharelado em Turismo da Geração Y. Fonte: Elaboração do autor, com base em Teddlie e Tashakkori (2009) o 68 3.2 Unidade de análise Como Instituição de ensino superior e ciente de sua responsabilidade regional, a FACOTTUR tem como finalidade e objetivo principal a formação de profissionais aptos a ingressar no mercado de trabalho com atitude humanística, visão permanente de qualidade e detentores do uso de novas tecnologias. Portanto, tendo a cidade de Olinda pertencente à Região Metropolitana do Recife - RMR como cenário de inclusão e inserção ao mercado de trabalho local e regional é que a Faculdade de Comunicação e Turismo de Olinda - FACOTTUR idealizou o Projeto Pedagógico do Curso de Graduação em Turismo. A FACOTTUR preocupa-se em estimular o conhecimento dos problemas de sua comunidade e estabelecer com ela uma relação de reciprocidade. Isto se fará por meio do ensino, seja ele de extensão, graduação ou pós-graduação, bem como, por meio de projetos específicos de intercâmbio de experiências. A construção do conhecimento técnico-científico é a grande meta da instituição. Porém acredita-se que um saber que não tenha claro a sua função para a sociedade é um saber superficial. Por isso, é importante passar dos "saberes” acadêmico para as "competências" profissionais, garantindo um aprendizado de fato. Aprende-se fazendo. Por isso, o saber fazer organiza grande parte do Projeto Político Institucional - PPI e dos Projetos Pedagógicos dos diversos cursos da Faculdade de Comunicação Tecnologia e Turismo de Olinda FACOTTUR. A aprendizagem como resultado de uma parceria é o foco da segunda linha filosófica da instituição. Sabe-se que a aprendizagem é o resultado de uma construção ativa feita entre sujeitos. No entanto, também acreditamos que uma parceria entre aluno, professor e instituição, com os mesmos objetivos e planos de ação, fortalecerão o processo de ensino e aprendizagem, tornando-o mais qualificado e duradouro. Se a aprendizagem estiver selada no princípio da parceria, esta transcenderá não somente os muros da instituição, mas também o tempo. 69 O foco na capacitação pessoal converge com a cultura empreendedora vivenciada na FACOTTUR, cujo intuito reside no comprometimento do estudante com a definição, planificação e monitoramento dos resultados de seus projetos de vida. A pesquisa foi aplicada junto à Faculdade de Comunicação Tecnologia e Turismo de Olinda FACOTTUR com sede a Av. Getúlio Vargas, no 1360, Bairro Novo, CEP-53.030-010, na cidade de Olinda, estado de Pernambuco, instituição de ensino superior mantida pela Sociedade Olindense de Educação e Cultura - SOEC. A história da FACOTTUR remonta a 1999 quando foi fundada pelo idealista e educador Professor Caio Gomes Reis. Apesar de ser uma instituição jovem, a sua estabilidade e o dinamismo são resultados das experiências acumuladas numa caminhada de 15 anos dedicados ao ensino com seriedade e determinação. A FACOTTUR foi credenciada pela portaria MEC nº 937, de 22 de junho de 1999, publicada no Diário Oficial da União - DOU de 22 de junho de 1999. Funciona atualmente com os seguintes cursos superiores de graduação: Curso de Bacharelado em Turismo, autorizado pela Portaria MEC nº 937, de 22 de junho de 1999, publicada no Diário Oficial da União - DOU de 22 de junho de 1999, reconhecido pela Portaria SESu no 68 de 23 de janeiro de 2007, publicada no DOU em 24/01/2007; Curso Superior de Tecnologia em Gestão de Recursos Humanos Eixo Tecnológico em Gestão e Negócios autorizado pela portaria nº 224, de 06 de dezembro de 2010 publicada no DOU de 09.12.2010; Curso Superior de Tecnologia em Processos Gerenciais Eixo Tecnológico em Gestão e Negócios autorizado pela portaria nº 179, de 08 de maio de 2013 publicada no DOU de 09.05.2013 ; Curso Superior de Tecnologia em Logística Eixo Tecnológico em Gestão e Negócios autorizado pela Portaria nº 245, de 31 de maio de 2013 publicada no DOU de 03.06.2013 ; 70 Curso Superior de Tecnologia em Marketing Eixo Tecnológico em Gestão e Negócios autorizado pela Portaria nº 245, de 31 de maio de 2013 publicada no DOU de 03.06.2013. Com grande cuidado em manter-se atualizada e eficiente na sua tarefa principal a educação, à FACOTTUR vem se desdobrando na busca das reformas educacionais dispostas na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e exigidas pela sociedade globalizada. No atual contexto, a FACOTTUR passou a repensar a sua missão e os seus valores como instituição de ensino superior sobre a sua nova condição de intervenção no processo ensinoaprendizagem, procurando capacitar seus egressos, através de uma proposta humanística, à luz dos princípios da ética, da cidadania, da justiça e da moral, para atender às necessidades do mercado de trabalho e da sociedade, sistematizar e socializar conhecimentos em suas áreas de atuação. Nessa perspectiva, a Instituição define como missão e visão: Missão - “Investir no processo ensino-aprendizagem permanente, proporcionando uma educação comprometida com a ética e a cidadania, visando formar cidadãos críticos e reflexivos, para atender às necessidades do mercado de trabalho, inspirando pessoas para produzirem e difundirem o conhecimento”. Visão - ser reconhecida como referência no ensino superior de Pernambuco, promovendo as potencialidades individuais e na capacitação para o trabalho e a cidadania, por meio da produção científica e tecnológica, integradas sob a mediação da extensão, da cultura e das demandas do desenvolvimento regional e, em especial, da Região Metropolitana de Recife. Evidenciamos que dentre os cursos oferecidos pela IES, apenas o Curso de Bacharelado em Turismo foi foco desta pesquisa. 3.3 População alvo Segundo Cooper e Schindler (2003), “uma população é o conjunto completo de elementos sobre os quais desejamos fazer algumas inferências”. Marconi e Lakatos (2006) definem 71 população como “o conjunto de seres animados ou inanimados que apresentam pelo menos uma característica em comum”. O Curso de Bacharelado em Turismo no semestre de 2013.2, conta com um corpo docente de 16 (dezesseis) professores e 178 (cento e setenta e oito) alunos matriculados no segundo, quarto e sexto período, disponibilizado no segundo semestre de 2013. Assim, para fins desta dissertação, adota-se o período para corte demográfico da Geração Y, a definição de Lancaster e Stillman (2011) composta por nascidos entre 1982 e 2000. Faz parte desse corte demográfico, 113 (cento e treze) alunos matriculados no semestre 2013.2, período de realização da coleta de dados da presente pesquisa, conforme apresentamos no quadro a seguir. Quadro 9 – Data de nascimento, alunos e período de formação. Período N0 Alunos 20 40 60 1982 – 31 anos 4 2 2 0 1983 – 30 anos 7 2 1 4 1984 – 29 anos 7 1 2 4 1985 – 28 anos 4 0 2 2 1986 – 27 anos 11 5 4 2 1987 – 26 anos 7 0 3 4 1988 – 25 anos 9 2 5 2 1989 – 24 anos 4 2 1 1 1990 – 23 anos 13 1 4 8 1991 – 22 anos 13 2 5 6 1992 – 21 anos 9 2 4 3 1993 – 20 anos 13 2 5 6 1994 – 19 anos 9 4 3 2 1995 – 18 anos 3 3 0 0 113 28 41 44 Data de Nascimento/anos Total Fonte: Elaborado pelo autor (2014). Um dado relevante que se pode observar no quadro acima é que 85 alunos, 78% do total já cursaram a disciplina de Empreendedorismo. Tal relevância afirma um dado de importância para o estudo proposto, tendo em vista, que, no terceiro período a disciplina de 72 Empreendedorismo é disponibilizada na matriz curricular do Curso de Bacharelado em Turismo. (ANEXO A). Participaram também do estudo o Diretor acadêmico da IES, o coordenador de curso de Turismo e 06 (seis) professores com maior frequência de indicação dos alunos, os quais participaram de um grupo focal. 3.4 Instrumentos de coleta de dados A ideia básica da coleta de dados em qualquer estudo de pesquisa é obter informações que tratam das questões que estão sendo abordadas no estudo. O pesquisador deve decidir os tipos específicos de dados. Quadro 10 - Quadro metodológico com instrumentos de coleta. Objetivos específicos Instrumento de Coleta 1- Levantar a formação oferecida pela instituição de Entrevista (Roteiro Apêndice A) ensino no Curso de Bacharelado em Turismo na formação empreendedora dos alunos da Geração Y. Análise de documentos. (PDI e PPC) Análise do programa da disciplina de empreendedorismo. 2- Identificar a percepção dos alunos da geração Y Questionário (Apêndice B) sobre a formação empreendedora oferecida pelo Curso de Bacharelado em Turismo. 3- Identificar professores na percepção que mais dos alunos influenciaram os Questionário (Apêndice B) o comportamento empreendedor. 4- Analisar elementos da prática pedagógica dos Grupo focal (Roteiro Apêndice C) professores que contribuíram para formação do espírito empreendedor dos alunos do Curso de Questionário ( Apêndice B) Bacharelado em Turismo da geração Y. Fonte: Elaborado pelo autor (2014). Os métodos escolhidos para a coleta de dados conforme apresentado no quadro acima relacionado com os objetivos específicos do estudo foram: entrevista, análise de documentos e 73 questionário. Visando gerar informações e dados obtidos de forma cuidadosa, empírica e sistemática, com o objetivo de apreciar o mérito e julgar os resultados e a efetividade. Entrevista é uma das mais comuns e poderosas maneiras que utilizamos para tentar compreender nossa condição humana. O uso de entrevista permite identificar as diferentes maneiras de perceber e descrever os fenômenos. Com a finalidade de responder o primeiro objetivo específico do estudo foi realizado uma entrevista com os diretores e coordenador da IES visando levantar informações para compreender a formação oferecida no desenvolvimento da capacidade empreendedora. Para reforçar o entendimento do primeiro objetivo, foi feito análise documental dos instrumentos substantivo que delineia os caminhos da instituição: PDI e PPC do curso de Turismo. A opção por este tipo de análise se faz necessário devido à fonte de informações que irá guiar na consulta a determinadas bases documentais. Os documentos são fontes poderosas de onde podem ser retiradas informações e evidências que fundamentem afirmações e declarações do pesquisador. Conforme Curvello (2006) explica, a própria designação, análise documental, compreende a identificação, a verificação e a apreciação de documentos para determinado fim. Em educação, Moreira (2006) destaca que a análise documental é ao mesmo tempo fonte de informação e indicador de metas ou dificuldades encontradas no âmbito do ensino, nas áreas da docência, da aprendizagem e da didática. Para levantamento de dados que norteou o segundo e terceiro objetivos específicos foi aplicado um questionário (Apêndice B) para captar a opinião dos alunos da Geração Y do curso de Bacharelado em Turismo, com perguntas abertas e fechadas visando compreender a influência da formação dada pela FACOTTUR, através do levantamento das disciplinas as quais fizeram a diferença em sua vida pessoal e profissional, bem como, identificar os professores que tiveram atitudes empreendedoras e as práticas desenvolvidas em suas aulas. Segundo Longaray (2003), o questionário deve ser claro, com um número limitado de questões e, para motivar o informante, deve conter uma nota explicando a necessidade e a finalidade da pesquisa. 74 Neste estudo, os alunos apontaram as disciplinas e os professores que contribuíram na sua formação empreendedora, que direcionou para formação de um grupo focal com os professores indicados com maior frequência, visando analisar os elementos da prática pedagógica que contribuíram na formação do espírito empreendedor dos alunos, que dará suporte no esclarecimento do quarto objetivo desta pesquisa. De acordo com Creswell e Clark (2013), ao planejar um estudo de métodos mistos, recomenda-se que o pesquisador avance um elemento qualitativo que inclua procedimentos de coletas de dados “persuasivos” e um elemento quantitativo que incorporem procedimentos quantitativos “rigorosos”. Para os autores, na perspectiva mista, os dados quantitativos e qualitativos podem ser aproveitados em uma mesma pesquisa; e, como todas as formas de coleta dos dados, têm suas limitações. O uso de um desenho misto pode minimizar e até mesmo neutralizar algumas das desvantagens de certos métodos. No quadro abaixo, Creswell e Clark (2013) destaca os elementos para procedimentos de coleta de dados organizados nos principais componentes encontrados na coleta de dados qualitativos e quantitativos recomendados para o planejamento de estudo de métodos mistos o qual adaptamos para esse estudo. Quadro 12 – Procedimentos para coleta de dados qualitativos e quantitativos para métodos mistos. Procedimentos persuasivos da coleta de Procedimentos da Coleta de dados quantitativos dados qualitativos coleta de dados rigorosos Identificação dos locais a serem Uso de procedimentos estudados. Faculdade de amostragem. Comunicação, Público de Tecnologia e Turismo de Olinda. Alvo: 01 Diretores, 07 Identificação dos locais Faculdade de Comunicação, professores, coordenador a serem estudados. e 01 113 Tecnologia e Turismo de Olinda. Identificação dos participantes do alunos do curso de Bacharelado estudo. professores, Turismo da Geração Diretores, coordenadores em e alunos da Y. Identificação dos participantes do estudo. 75 Geração Y do curso de Bacharelado em Turismo Diretores, professores, coordenadores e alunos da Geração Y Observação do tamanho da do amostra. curso Bacharelado Envolvidos no processo de de em Turismo Observação formação do curso de Turismo do tamanho da amostra, a maneira como ela foi determinada e como ela proporciona suficiente poder. Diretores, professores, coordenadores e alunos da Geração Y do curso de Turismo Identificação da da envolver os Identificação da participantes e a razão por que foi estratégia de escolhida (critérios de inclusão). amostragem Corte demográfico da Geração probabilística ou não Y e profissionais envolvidos na probabilística. amostragem para estratégia formação dos alunos. Diretores, Coordenadores Discussão das estratégias de e Professores. recrutamento dos participantes. Discutir estratégias de Palestra de conscientização do tema proposto. recrutamento para participantes. Importância discussão para do formação da tema dos alunos Discutir as permissões necessárias Obtenção para estudar os locais e os permissões de Discussão das permissões necessárias 76 participantes. Formalizar Solicitação prévia. documento para estudar os locais e de autorização. Obter aprovações dos conselhos os participantes. (ANEXO B) Solicitação prévia. Obter aprovações dos de análise institucional conselhos de análise Solicitação prévia. institucional. Discutir os tipos de dados a serem Coleta coletados (entrevista de Solicitação prévia. Discussão dos tipos de abertas, informações dados a serem observação abertas, documentos, Período coletados materiais audiovisuais). estabelecido: (instrumentos, out a dez 2013. observação, Descrito na metodologia dessa dissertação Indicação da extensão de coleta de registro quantificáveis). dados. Descrito na metodologia desse 100% da população alvo do estudo. projeto Estabelecimento das questões da Discussão dos escores entrevista a serem indagadas. relatados para validade e confiabilidade dos instrumentos usados. Menção dos protocolos que serão Registro de dados utilizados entrevistas, (protocolo de protocolo de Escala probabilística Questões discursivas Estabelecer Gravação em instrumentos ou listas áudio de observação). Roteiro dos métodos e serão apresentar exemplos. entrevista (APÊNDICE) Identificação checagem usados de que de Apresentar a metodologia de grupo registro (p.ex., registros de áudio, focal anotações de campo). participantes. para os Todos os métodos para facilitar o registro mediante autorização dos participantes. Identificar questões de coleta de Administração dados antecipados (p. ex., éticas, procedimentos dos Estabelecer como os procedimentos serão 77 logísticas). Cronograma Levantamento prévio através de atividades informações da IES. de para padronizados. realização Através de categorias definidas para a análise do estudo. Identificar as questões éticas antecipadas. Propiciar participante ao total espontaneidade. Fonte: adaptado pelo autor, de Creswell e Clarck (2013, p. 158). A distinção básica que fazemos entre dados qualitativos e quantitativos é que os dados qualitativos consistem em informações obtidas sobre questões abertas, em que o pesquisador não usa categorias e escalas predeterminadas para coletar os dados. Em contraste os dados quantitativos são coletados em questões fechadas baseados em escalas ou categoria de respostas predeterminadas. A coleta de dados foi realizada no período de outubro a dezembro de 2013 na Faculdade de Comunicação, Tecnologia e Turismo de Olinda – FACOTTUR: Diretor na sala de reunião da IES no horário da manhã, entrevista semiestruturada com duração de 40 minutos e registro de áudio. Docentes na sala dos professores da IES no horário da manhã com a mediação do pesquisador e duração de 1 hora com registro de áudio. Alunos no laboratório de informática da IES, acompanhados pelo pesquisador, realizado em três dias no período da manhã e noite, dividido por período e turno. Foi observado que o tempo para preenchimento do questionário ficou entre 10 e 15 minutos. 78 3.5 Tratamento e análise de dados Para análise de dados de métodos mistos de pesquisa, analisa-se separadamente os dados quantitativos usando os métodos quantitativos e os dados qualitativos usando os métodos qualitativos. Também envolvem analisar os dois conjuntos de informações com técnicas que se misturem aos dados e resultados. A análise dos dados nos métodos mistos está relacionada com o tipo de desenho e estratégia escolhida para os procedimentos. Para Creswell e Clark (2013), tanto para análise dos dados quantitativos quanto para análise dos dados qualitativos, os pesquisadores percorrem um conjunto de passos similar: preparar os dados para análise, explorar os dados, analisar os dados, representar a análise e validar os dados e as interpretações. No quadro abaixo, mostramos os procedimentos associados a cada passo para a pesquisa quantitativa e qualitativa recomendados por Creswell e Clark (2013) para o planejamento de análise dos métodos mistos. Quadro 12 – Procedimentos de análise de dados quantitativos e qualitativos recomendados para o planejamento de estudos de métodos mistos. Procedimentos rigorosos da análise de dados quantitativos Codificar os dados atribuindo valores numéricos Preparar os dados para análise com um programa de computador. Limpar o banco e dados Recodificar ou computar novas variáveis para análise por computador Estabelecer um conjunto de códigos. Inspecionar os dados visualmente. Conduzir a análise descritiva. Verificar as tendências e as distribuições Escolher um teste estatístico apropriado. Procedimentos gerais da análise de dados Preparação dos dados para análise Procedimentos persuasivos da análise de dados qualitativos Organizar os documentos e os dados visuais. Preparar os dados para análise com um programa de computador. Exploração dos dados Ler por meio dos dados. Escrever anotações. Descrever um livro de códigos qualitativos. Análise dos dados Codificar os dados. Atribuir rótulo aos 79 Analisar os dados para responder às questões de pesquisa ou testar as hipóteses. Relatar os testes inferenciais, os tamanhos do efeito e os intervalos de confiança. Usar programas de computador estatísticos quantitativos. códigos. Agrupar os códigos em tema (ou categorias). Inter-relacionar os temas (ou as categorias) ou resumir para um conjunto menor de temas. Usar programas de computador de análise de dados qualitativos Representar os Representação das análises dos resultados em dados declarações dos resultados. Apresentar os resultados em tabela e figuras. Explicar como os Interpretação dos resultados resultados tratam as questões ou hipóteses da pesquisa. Comparar os resultados com a literatura usada na pesquisa, as teorias e as explanações anteriores. Representar os achados nas discussões de temas ou categorias. Apresentar modelos visuais, figuras e/ou tabelas. Usar padrões externos. Validação dos dados e dos Validar e checar a resultados. confiabilidade dos escores pelo uso do instrumento no passado. Estabelecer a validade e a confiabilidade dos dados atuais. Avaliar a validade interna e externa dos resultados. Avaliar como as questões da pesquisa foram respondidas. Comparar os achados com a literatura. Refletir sobre o significado pessoal dos achados. Estabelecer novas questões baseadas nos achados. Usar os padrões do pesquisador, do participante e do examinador. Usar estratégias de validação, como checagem do membro, triangulação, evidências não confirmadoras e examinadoras externos. Chegar a precisão do relato. Empregar procedimentos limitados para checar a confiabilidade. Fonte: Elaborado pelo autor (2014). A análise de dados consiste no exame do banco de dados levantados pelo pesquisador para lidar com as questões ou hipóteses da pesquisa. Nos métodos mistos, a diversidade de 80 possibilidades de análise é considerável, além das alternativas conhecidas proporcionadas pela estatística e pela análise temática. Seguindo os passos para a análise de dados. Esta é uma fase importante para manter a coerência do conjunto dos elementos constitutivos da pesquisa. A análise de dados foi feita por meio de análise de documento, análise de conteúdo e análise estatística. Uma fonte valiosa de dados qualitativos são os documentos, os materiais e os artefatos diversos. Eles podem nos ajudar a entender o fenômeno central do estudo. Servem para o pesquisador conhecer de um ambiente, as experiências, vivências ou situações e como é o seu dia a dia. (SAMPIERI, COLLADO e LUCIO, 2013). A análise de documento auxilia na complementação obtida por outros métodos e foi realizado nos documentos disponibilizados pela IES, o Projeto de desenvolvimento Institucional - PDI e o Projeto pedagógico do Curso – PPC do Curso de Turismo e conteúdo programático da disciplina de empreendedorismo. Para a análise das categorias extraídas do material selecionado, foi utilizada a técnica de análise de conteúdo apresentada por Bardin (2011). Tal análise integra um conjunto de técnicas que possibilitam, através de procedimentos sistemáticos de descrição do conteúdo, a realização de inferências acerca da produção e ou da recepção de determinada mensagem. Essa categorização resultou no quadro dos dados de cada objetivo específico que apresentamos abaixo: Quadro 13 - Resumo da abordagem metodológica da pesquisa Pergunta: como a formação dada por uma instituição de ensino superior no Curso de Bacharelado em Turismo pode influenciar o percurso da formação de Empreendedores? Objetivo geral: Verificar a influência da formação dada por uma Instituição de Ensino Superior do Curso de Bacharelado em Turismo no percurso da formação de Empreendedores. Objetivos específicos Questões norteadoras Referencial Teórico 1Levantar a formação Quais as diretrizes que a LOPES (2010) oferecida pela instituição de instituição de ensino oferece na MEC (2006) ensino no Curso de formação empreendedora dos PPC Bacharelado em Turismo na alunos do curso de Bacharelado PDI formação empreendedora dos em Turismo? alunos da geração Y. 2Identificar a percepção Quais as razões que levam os OLIVEIRA (2010) dos alunos da geração Y sobre a alunos do Curso de LANCASTER e STILLMAN formação empreendedora Bacharelado em Turismo da (2011) oferecida pelo Curso de Geração Y a se tornarem CARVALHO (2013) Bacharelado em Turismo. empreendedores ? DORNELAS (2008) LEITE (2012) 81 3Identificar na percepção dos alunos os professores que mais influenciaram o comportamento empreendedor. 4Analisar elementos da prática pedagógica dos professores que contribuíram para formação do espírito empreendedor dos alunos do Curso de Bacharelado em Turismo da Geração Y. Quais os professores que DORNELAS (2008) despertaram os alunos na sua FILION (1999) formação empreendedora? JULIEN (2010) Quais práticas desenvolvimento nas disciplinas ministradas e que podem despertar o espírito empreendedor dos alunos da Geração y? Categorias 1 - Formação oferecida pela IES 2 - Percepção dos Alunos DOLABELA (2003) DELORS (2010) GUERRA e GRAZZIOTIN (2010) MASETTO (2010) Subcategorias 1A importância da formação empreendedora 2Mercado de trabalho e o sonho empreendedor 3Características empreendedoras e Geração Y 3 – Percepção dos alunos em relação aos 1 – Disciplinas que contribuíram para sua professores formação 4 – Elementos da prática pedagógica 1 – Contribuição da proposta pedagógica na visão dos alunos 2 – Métodos de ensino Fonte: Elaborado pelo autor (2014) No contexto das pesquisas, a categorização deve ser feita com o intuito e facilitar o trabalho e a interpretação dos dados, deixando os dados organizados de maneira sistematizada. Isso porque a categoria é um “agrupamento de informações similares em função de características comuns” (LEGENDRE, 1993, p.64). A análise de dados quantitativos consiste no exame do banco de dados para lidar com as questões ou hipótese da pesquisa e usa o teste estatístico apropriado para lidar com as questões. Para Creswell e Clarck (1013), a escolha de um teste estatístico é baseada no tipo de questão que estão sendo formuladas. A análise estatística foi feita por meio de estatística descritiva, apresentado os dados, os valores e as pontuações obtidas para cada variável através do questionário aplicados com os alunos no aplicativo google drive link: <https://docs.google.com/spreadsheet/viewform?formkey=dGZ0b0lTZ0MwWHdBeXY2U FtaktIeUE6MA>. (APÊNDICE B), aplicados com os alunos do Curso de Turismo da Geração Y e tabulados pelo sistema. 82 3.6 Limites da pesquisa Decidimos limitar esta pesquisa à Faculdade de Comunicação, Tecnologia e Turismo de Olinda - FACOTTUR, pela acessibilidade do pesquisador, onde também exerce a função de coordenação geral da faculdade e pela disponibilidade da instituição na liberação para o acesso. Outro limite da pesquisa foi a escolha do Curso de Bacharelado em Turismo. Dentre os alunos que compõem a Geração Y dos os cinco cursos oferecidos pela IES. 83 4. ANÁLISE E DISCUSSÃO Neste capítulo são apresentados os resultados, a análise dos dados e as discussões a respeito das questões que fazem parte deste estudo. Esta pesquisa teve como objetivo geral, compreender a influência da formação dada por uma Instituição de Ensino Superior do Curso de Bacharelado em Turismo no percurso da formação de empreendedores. Para tanto, foram determinados alguns objetivos específicos, os quais orientam a ordem de apresentação dos resultados, nesta seção. 4.1 Categoria 1 - Formação oferecida pela IES O primeiro objetivo específico se propôs levantar a formação oferecida pela instituição de ensino no Curso de Bacharelado em Turismo, através da análise de documentos disponibilizados pela IES, PDI e PCC do Curso de Bacharelado em Turismo, entrevista semiestruturada realizada com o Diretor e o Coordenador do Curso de Turismo e questionário aplicados com os alunos da Geração Y. O papel que o ensino superior tem a desempenhar é complexo, pois deverá responder à demanda científico-tecnológica, incrementar ainda mais as pesquisas de ponta e, ao mesmo tempo, preocupar-se com a formação cultural e ética dos universitários. De forma decisiva, a prática da educação empreendedora no meio acadêmico, abre os caminhos necessários para que a universidade consiga desempenhar o papel social que lhe foi destinado, pois, através da educação empreendedora, conseguiremos formar um maior número de universitários com os perfis necessários para que a tarefa destinada à universidade seja cumprida. Pouco adianta ter como proposta pedagógica o desenvolvimento de empreendedores se não houver uma forte, constante e duradoura vontade e atuação de todos, desde a cúpula. Não se pode esquecer que uma universidade com uma mentalidade empreendedora só é possível com a direção e professores com a mentalidade empreendedora. 84 P1“ A coisa boa da FACOTTUR é que ela dá uma certa autonomia ao professor. Existem as diretrizes, mas não engessa a forma como o professor vai estar em sala de aula. Essa possibilidade de desenvolver a nossa criatividade dentro da metodologia faz com que o professor tenha esse direcionamento empreendedor. Acreditando que o aluno precisa desenvolver o empreendedorismo. E se o docente tem o espírito empreendedor, ele passa para o discente. Podemos conferir com o depoimento vai ao encontro da Missão e da Visão da IES, citadas anteriormente. Tem-se, então, que uma mentalidade empreendedora, a partir da qual se impõe uma nova forma de pensamento, obriga, irremediavelmente, a uma reforma da própria universidade, na qual, entre outras exigências, o incentivo à criatividade e à interdisciplinaridade ocupa um lugar decisivo. Na análise do PDI, percebemos a preocupação de atender às crescentes exigências regionais de mão-de-obra especializada, sempre perseguindo o ideal maior de formar profissionais hábeis e competentes para o mercado de trabalho, como também para servir ao Brasil e à região onde se encontra inserida. Olinda é um município habitacional, comercial e turístico. Pode-se dizer que é uma "semi-cidade dormitório", em relação à capital pernambucana, a vizinha Recife. Os habitantes são majoritariamente de classe média e de classe baixa. Para Julien (2010), o meio é o lugar e ao mesmo tempo o mecanismo coletivo que pode explicar e facilitar os diferentes laços sociais, permitindo assim um espírito empreendedor. O Centro Histórico de Olinda abrange quase um terço da área total do município e é tombado pelo patrimônio histórico. A preservação desse sítio histórico começou na década de 1930, quando os principais monumentos foram tombados. A partir daí, foram promovidas várias ações no sentido de preservar todo o patrimônio histórico, cultural e arquitetônico do município. A FACOTTUR tem como perfil a busca de criar possibilidade de acesso ao ensino a um número cada vez maior de pessoas com o objetivo de manter, ampliar e garantir o sucesso às crescentes exigências regionais de mão-de-obra especializada, sempre perseguindo o ideal maior de formar profissionais hábeis e competentes para o mercado de trabalho, contribuindo com o pensamento de Panosso Netto e Calciolari (2010), que destaca a retomada dos cursos de turismo traz um novo alento dado pelo grande potencial a ser explorado no Brasil. Segmentos são chamarizes importantes para o aquecimento do setor como o turismo rural, turismo ecológico, turismo cultural e o mercado da maior idade, são diferenciais que confirmam que o setor deve ser mais incentivado. 85 Observamos através da analise documental do PPC da FACOTTUR, que o Curso de Turismo adota uma filosofia educacional inovadora, que tem por objetivo geral: formar líderes empreendedores criativos e dinâmicos aptos a analisar a realidade turística nacional e internacional, repensar ações, prospectar cenários, tomar decisões e utilizar as mais modernas ferramentas gerenciais disponíveis no mercado sendo capazes de criar seus próprios negócios turísticos e gerar empregos, no cenário globalizado, buscando ainda alternativas para o desenvolvimento turístico integrado e sustentável das sociedades. Os documentos analisados apresentam que a IES possui perfil voltado a orientar e desenvolver iniciativas que aumentem a qualidade do ensino e com ela a formação de pessoas responsáveis, comprometidas com o seu autodesenvolvimento e com o progresso da sociedade. Para tanto, partilha dessa responsabilidade com os ingressos, os egressos e com as organizações locais. Nesse sentido, a FACOTTUR objetiva ser referência na Região, assumindo o compromisso institucional de promover o desenvolvimento educacional da região e participar da inserção dos egressos no mercado de trabalho. Corroborando com esses pensamentos relato as falas do Diretor e da Coordenação do Curso de Turismo: Diretor “Dentro do processo o que está mais claro é a questão da introdução do projeto interdisciplinar no contexto dos alunos conhecerem a atividade do segmento que vai atuar como funcionam quais os números desse segmento para depois num processo gradativo, chegar a pensar em abrir a própria empresa, fazer uma intervenção e mexer com esse mercado”. Coordenador “O perfil do Curso de Turismo da FACOTTUR é diferenciado dos outros cursos um perfil altamente empreendedor e prático. Tem a bagagem da teoria, mas busca exercitar a junção da teoria com a prática dentro de todas as disciplinas”. Trabalhar Empreendedorismo na universidade é convidar os alunos para que os mesmos realizem seus desejos e, consequentemente, sintam-se motivados para o aprendizado, para a sala de aula e para a vida (DOLABELA, 2003). O gráfico abaixo representa as ações desenvolvidas pela IES proporcionando atividades com empreendedorismo através de simpósios, feiras, cursos palestras e outras ações, 70% dos alunos consideraram ótima e boa. Para Lopes (2010), essa educação enfatiza o uso intenso de 86 metodologias de ensino que permitam aprender fazendo e se caracteriza por isso, pois o indivíduo se defronta com eventos críticos que forçam a pensar de maneira diferente, buscando saídas e alternativas, ou seja, aprendendo com a experiência, com processos. Figura 3 – Gráfico iniciativas promovidas pela IES para o empreendedorismo Fonte: Elaborado pelo autor (2014). O depoimento do Diretor corrobora com os resultados apresentados no gráfico acima quanto às ações para estimular a formação empreendedora oferecida pela IES. Diretor: “Existem uma séries de ações: realização do Management Day voltado para o empreendedorismo, ação de simpósios de mídias sociais que abordou a importância do empreendedorismo, dentro de um universo digital. Para tirar o aluno dessa zona de conforto de querer pensar só dentro do curso dele é fazer a multidisciplinaridade”. Seguindo o pensamento de Masetto (2013), explorar com seus alunos novos ambientes de aprendizagem, valoriza o processo coletivo de aprendizagem. 4.2 Categoria 2 - Percepção dos Alunos O segundo objetivo específico pretende identificar a percepção dos alunos da Geração Y sobre a formação empreendedora e as razões que levam os alunos do curso de Bacharelado em Turismo a se tornarem empreendedores, através de uma abordagem mista com questionário desenvolvido no aplicativo google drive link: <https://docs.google.com/spreadsheet/viewform?formkey=dGZ0b0lTZ0MwWHdBeXY2Um FtaktIeUE6MA>. (Apêndice B), aplicados com os alunos do Curso de Turismo da Geração Y. 87 Primeiramente foi realizada uma apresentação da pesquisa e a relevância do tema empreendedorismo, educação e Geração Y em sala de aula. Após, foi feito o convite aos alunos que se enquadram na pesquisa conforme corte demográfico anteriormente mencionado para respondentes. Os alunos foram conduzidos para o laboratório de informática da IES que contém 25 computadores e, acompanhados pelo pesquisador para realização da pesquisa. Foram apresentadas 13 (treze) questões quantitativas e 04 (quatro) qualitativas. Os dados obtidos por meio do questionário demostram que, dos 178 alunos matriculados no semestre de 2013.2 do Curso de Turismo, 113 alunos, correspondendo 63,48%, fazem parte da Geração Y, Com idade de 16 a 32 anos, dos quais 41,59% responderam à pesquisa conforme gráfico que apresentamos a seguir. Os dados vêm contribuir com a afirmação de Lancaster e Stillman (2010), a Geração Y é a mais volumosa da história, e o seu momento de tomar as rédeas e conduzir a humanidade a outro patamar existencial é iminente. Em todo o mundo, os ípsilons estão nas universidades e começam a adquirir as posições de maior importância no quadro hierárquico das organizações. 88 Figura 4 – Gráfico faixa etária Fonte: Elaborado pelo autor (2014). O perfil dos alunos do Curso de Bacharelado em Turismo, segundo pesquisa mostra que 74% são do sexo feminino e 26% são do sexo masculino; 96% tem renda de 01 a 03 salários mínimos. Valor de referência do salário mínimo na data de realização da pesquisa era R$ 678,00 reais. Corrobora com essa afirmativa o pensamento de Lancaster e Stillman (2010), as condições econômicas, principalmente os reflexos nas classes C, D e E, respondem pelo significativo aumento de matriculados no ensino superior do País. Outro dado relevante é a participação da mulher na universidade, que vem ratificar com a pesquisa GEM Brasil (2012), onde se retrata que as brasileiras estão à frente praticamente da metade das iniciativas empreendedoras no Brasil. Para Dornelas (2014), isso se deve não só ao seu perfil empreendedor, mas a uma mudança de comportamento e da realidade das famílias. No mundo e também no Brasil, as mulheres já têm plena inserção no mercado de trabalho, e o empreendedorismo do próprio negócio se apresenta como opção de carreira. Dentro da abordagem quantitativa, os respondentes foram solicitados a colocar o semestre de graduação que estão frequentando. O período com maior percentual foi o 40 período com 89 49%. Destaco que no semestre de realização da pesquisa, 2013.2, estavam disponíveis para os alunos as disciplinas do 2a, 4a e 6a períodos conforme gráfico a seguir. Figura 5 – Gráfico período cursado em 2013.2 Fonte: Elaborado pelo autor (2014) Um dado relevante apresentado no gráfico acima é que 78% dos alunos já cursaram a disciplina de Empreendedorismo. Tal relevância afirma um dado de importância para o estudo proposto, tendo em vista que, no terceiro período, a disciplina de Empreendedorismo é disponibilizada na matriz curricular do Curso de Bacharelado em Turismo. O ensino de empreendedorismo surge como uma vertente. Aprender a ser empreendedor e tornar-se um deles faz parte integrante do currículo de uma série de cursos de graduação, uma vez que o empreendedorismo e o empreendedor fazem parte dos contextos social, econômico, cultural e de negócios, em diversas áreas de atuação. Com este entendimento, há lugar para estudos sobre o ensino de empreendedorismo em IES que ofereçam disciplinas especificas neste tema no currículo de seus cursos. Nesta categoria encontramos afirmações dos universitários que mostram a importância da disciplina de Empreendedorismo e a interdisciplinaridade, pois os ajuda a ampliar suas visões de mundo pessoal e profissional. Os estudantes destacaram, também, que as disciplinas o auxiliaram a pensar sobre o futuro, sobre a vida, surgindo as seguintes ideias: E41: “Foi da cadeira de Empreendedorismo e também a partir do desenvolvimento do TCC que surgiu a possibilidade desse novo desafio”. 90 E10: “Graças à visão adquirida através das disciplinas mencionadas no item 8 que abrange um novo âmbito de vista para os leigos em determinado assunto. E isso leva a construção de um novo pensamento. E20: “Comecei a pensar diferente depois das matérias ministradas, pois tive conhecimento de coisas que nunca tinha visto”. E15: “Considero o empreendedorismo a chave para o sucesso profissional”. As falas dos estudantes reforçam o pensamento de Dolabela (2003) quando afirma que a educação empreendedora baseia-se no entendimento do que é empreendedorismo. É essencialmente um processo de aprendizagem proativa, em que o indivíduo constrói e reconstrói ciclicamente a sua representação do mundo, modificando-se a si mesmo e ao seu sonho de auto realização em processo permanente de auto avaliação e autocriação. 4.2.1 A Importância da Formação Empreendedora da IES. Este questionamento surgiu a partir da primeira pergunta aos estudantes se eles consideram a formação empreendedora fundamental para sua formação, não é fundamental, mas é importante para a sua formação ou, finalmente, não é importante para a sua formação. Também foi solicitado para o respondente justificar sua resposta, o que vem colaborar com a triangulação ou aumento da validade dos métodos mistos. (SAMPIERI, COLLADO e LUCIO, 2013, p. 556). O resultado mostra que 87% dos alunos consideram fundamental a importância da formação empreendedora e 9% não é fundamental, mas é importante para sua formação. Os dados corrobora ao pensamento de Calliari e Motta (2012) o universitário Y entende o mundo acadêmico como extensão obrigatória e inseparável. Aprender, ou aprimorar-se equivale a aumentar suas oportunidades de carreira e socialização. 91 Figura 6 – Gráfico como os alunos consideram a formação empreendedora da FACOTTUR. Fonte: Elaborado pelo autor (2014). Dos 45 alunos que participaram desta pergunta, 42 justificaram sua afirmativa dado que mostra que a formação empreendedora oferecida pela IES é vista com bons olhos pelos estudantes e que a mesma está preparando-os para um futuro no qual a criatividade e a atitude positiva perante as dificuldades serão alavancas para a sobrevivência no mundo do trabalho. Para Leite (2012), a sua segurança econômica não está fundamentada em um emprego, mas no próprio potencial de produzir, pensar, criar e se adaptar. Obtendo uma visão mais compreensiva sobre a formulação do método misto numa abordagem qualitativa, as justificativas dadas pelos estudantes: E24 “Considero a atenção dada pela FACOTTUR ao desenvolvimento empreendedor dos seus alunos como fundamental, pois é apenas através do empreendedorismo que é possível formar profissionais capazes de criar e gerenciar de forma eficaz o seu próprio negócio. A FACOTTUR está investindo em educação, ideais e métodos de ensino que possibilitem que seus alunos se libertem da subordinação mercadológica, sendo, dessa forma, líderes no mercado profissional e não apenas seres liderados”. E26 “Trabalho no ramo de hotelaria desde 1999 e não tenho tido muita evolução no trabalho que desenvolvia. Após meu ingresso na FACOTTUR, minha forma de pensar e agir em relação ao profissional mudou, tenho conseguido muita evolução tenho certeza que a instituição me ajudou muito.”. Encontramos afirmações dos universitários que mostram que a formação empreendedora é importante, pois os ajuda a ampliar suas visões de mundo pessoal e profissional. O empreendedor deve estar apto a definir os parâmetros do que pretende realizar e os meios utilizados para alcançar o resultado desejado. Uma das grandes diferenças entre o empreendedor e as outras pessoas que trabalham em organizações é que “o empreendedor define o objeto que vai determinar seu próprio futuro”. Reforça o pensamento de Leite (2012) ao afirmar que o conceito de emprego para toda a vida está irremediavelmente afastado do 92 mercado de trabalho. Chegou o momento de reconhecer que a forma tradicional de geração de empregos está saturada. E18 “Acho que hoje em dia o profissional que não tem uma visão empreendedora não vai crescer dentro do mercado de trabalho e irá trabalhar para o resto da vida como empregado dos outros.”; E31 “É fundamental por que com empreendedorismo você pode crescer com sua formação.” E19 “Acho fundamental, pois a faculdade busca formar futuros profissionais, acredito que o empreendedorismo é uma característica importante para qualquer área profissional.” E7 “A formação empreendedora é importante para que os profissionais de qualquer área se destaquem para o turismo é muito importante também pelo fato de estar em contato com pessoas e empresas”. E17 “É fundamental, pois vai estar me instruindo da melhor maneira para que eu possa um dia abrir meu próprio negócio, ser um empreendedor de sucesso”. E 25 “É muito importante, pois o curso de turismo é muito amplo e requer muita criatividade. É fundamental para acompanhar o crescimento global, tudo muda e se renova a todo tempo”. Os estudantes relatam as transformações que ocorreram em seus modos de pensar, de agir, de enxergar o mundo. Enfim, através do contato com a educação empreendedora, transformações positivas ocorreram na vida profissional, pessoal e acadêmica dos alunos pesquisados e são trazidas à reflexão através das colocações acima mencionadas, fortalecendo a concepção da teoria visionária (FILION, 1999; DOLABELA, 2003; DORNELAS, 2014) 4.2.2 Mercado de Trabalho e o sonho empreendedor Nesta subcategoria, os estudantes expõem a sua colocação no mercado de trabalho, o quanto a formação pode estar auxiliando e auxiliará a serem empreendedores em suas profissões e em suas atitudes pessoais e na realização de seu sonho. A pesquisa retrata que 60% dos alunos encontram-se no mercado de trabalho característica destacada por Robbins (2005), que 9% já tem seu próprio empreendimento, fato que vem ratificar uma característica da Geração Y, como cita Calliare e Mota (2012), onde se estima que no Brasil os ípsilons já correspondam a 30% da população ativa e pela características desses jovens, pode-se pensar que talvez seja melhor eles terem o próprio negócio. 93 Outra característica que traz à tona destes jovens que compõem os Empreendedores, está presente quando é perguntado se o universitário tem interesse em abrir uma empresa após sua formação: 72% dos entrevistados responderam que sim. Frente à realidade do mundo do trabalho, há tempos, não basta mais às instituições de ensino superior formar apenas empregados qualificados. Afinal, a grande parte dos estudantes universitários quer ter seu próprio negócio no futuro. Leite (2012) afirma que a formação empreendedora será uma das alternativas para vencer a crise da falta de emprego que vem castigando o mundo todo. Fica bem claro nas respostas dos entrevistados que a possibilidade de montar um empreendimento após terminar a faculdade não pode ser descartada. Contribuindo com o pensamento de Previdelli e Sela (2006) o empreendedor, tanto como gerador de novas empresas quanto administrador de empresas já existentes, passa a ser o eixo central da criação de novos postos de trabalho, intensificando transações econômicas e contribuindo para a competitividade de uma nação. E41 “É fundamental, pois a faculdade mostra que não é tão complicado abrir o seu próprio negócio, e que qualquer pessoa seguindo o plano de negocio, pode abrir sua empresa, desde que siga as regras. Eu mesma, no começo do curso, não pensava em abrir a minha empresa, hoje já tenho outra visão completamente diferente. E42 “Pois sempre tive o sonho de abrir um negócio próprio. Meus familiares possuem seus estabelecimentos, mas foi a partir do curso de turismo que tive um conhecimento mais aprofundado sobre o assunto, e que me mostrou que é isso mesmo que eu quero para minha vida.” E23 “É fundamental por que eu estou começando nessa área, em um pequeno empreendimento e quanto mais experiência melhor.” Mesmo que não queiram ou não venham a ter seu próprio negócio, os estudantes podem ser beneficiados em sua formação com o desenvolvimento de conhecimentos e habilidades do empreendedorismo. Dolabela (2003) reforça que essa migração do conceito âmbito da empresa para todos atinge o empregado em organizações, chamado de intra-empreendedor, alguém capaz de inovar, de propor à instituição onde trabalha caminhos que possam conduzir e ocupação adequada de um espaço no seu ambiente de atuação, otimizando os resultados organizacionais. 94 O entrevistado E40 afirma: “O curso de Turismo é muito amplo, e por isso a formação empreendedora estimula os alunos na tomada de decisão em relação ao próprio negócio. Um empreendimento de sucesso pode começar com uma ideia desenvolvida na instituição de ensino e ser um diferencial no mercado de trabalho. Todo conhecimento adquirido é de suma importância para todos os aspectos de nossas vidas. A ação empreendedora é um estímulo para o desenvolvimento de nossas competências e habilidades no mercado de trabalho”. Este depoimento ratifica o pensamento de Leite (2012) e Julien (2010), os empreendedores percebem novas ideias, em que sua segurança não está só no emprego, mas no próprio potencial de produzir, pensar, criar e se adaptar. Estudo e trabalho permitem ao empreendedor potencial adquirir certas habilidades que o ajudarão a escolher o tipo de empresa que deseja criar ou comprar e, em seguida, a garantir sua viabilidade e sucesso. Logo após, os alunos foram solicitados a responder: qual a origem de sua ideia para abrir uma empresa após sua formação? As respostas confirmam o pensamento de Julien (2010): escola, amigo e mais tarde o ambiente de trabalho exercem um papel no aprendizado e na experiência. Figura 7 – Gráfico origem da ideia para criar a empresa. Fonte: Elaborado pelo autor (2014). Como ferramenta que auxilia a pessoa a desenvolver seus sonhos e ideias, a pesquisa demostra que 30% tem como origem sua ideia para abrir seu negócio, bem como 28% afirma que o ambiente universitário contribui com a ideia. Os dados reforçam que uma educação empreendedora surge como uma preparação para as exigências e oportunidades futuras. Para Souza Neto (2008), o homo imprehenditor brasiliensis, para sonhar e buscar realizar seu 95 sonho, tem de se relacionar com o mundo e com as pessoas através do trabalho e da ação. Para o autor, é desse contexto, acrescido das condições emanadas da brasilidade, que emerge, como metamodelo de empreendedor brasileiro, nosso “herói”: o virador – aquele que “se vira”. Continuando a análise desta subcategoria, trazemos para conhecimento mais uma questão a que se refere às características de empreendedor dos alunos da FACOTTUR: 34% dos universitários têm como sonho, ter o seu próprio negócio. Para Dolabela (2003), o sonho estruturante pode dar origem e organização a um projeto de vida, articulando sinergicamente desejos, visão de mundo, valores, competências, preferências e autoestima. Contribuindo com esse pensamento, Dornelas (2014) afirma que empreender é a realização máxima dos sonhadores que almejam ver seus sonhos concretizados. Figura 8 – Gráfico Qual o seu sonho Fonte: Elaborado pelo autor (2014). O gráfico acima demostra uma forte tendência de uma característica da Geração Y. Em resposta à pergunta: qual o seu sonho, 21% assinalaram compra de um computador. A Geração Y é tecnológica e digital. Mesmo não tendo computador, o aluno busca o acesso à tecnologia e, ao se “virar”, reforça o pensamento de Souza Neto (2008), que das “peculiaridades” é que emergem a figura do virador, daquele que se vira. E ao se virar, permanece indivíduo no mundo de pessoas na materialização mais brasileira possível, permeada de criatividade/improvisação, características apresentadas pelos alunos do Curso de Turismo que compõem a Geração Y. 96 Para Oliveira (2011), tecnologia e diversidade são coisas naturais na vida da Geração Y. Caliiari e Motta (2012) contribuem com a afirmação quando afirmam que tecnologia podia ser o sobrenome dessa geração. Essa geração foi alfabetizada de frente do para um monitor e com as mãos sobre um teclado. A facilidade que hoje se tem em acessar vários tipos de tecnologia de uma geração que nasceu no contexto da modernidade, acabou desenvolvendo nos jovens a capacidade fazer várias atividades simultaneamente. Os alunos, 15%, também sinalizam com casar ou formar uma família, o que reforça a teoria de Lancaster e Stillman (2011): a Geração Y é composta por filhos protegidos vistos como as melhores criações de seus pais. 4.2.3 Características empreendedoras e da Geração Y Nesta subcategoria, as respostas obtidas vão contribuir para a compreensão das características da Geração Y, intercaladas com as características Empreendedoras buscando mapear a relação existente entre os construtos. Foram apresentadas aos universitários 17 características podendo assinalar mais de uma opção. Os dados coletados, representados no gráfico abaixo, destacam as características da Geração Y, apresentadas no (capítulo 2.5.1, quadro 5, p. 45), e citadas pelos universitários: 66% bom relacionamento com os pais. Para Dolabela (2003), a primeira motivação para empreender decorre das relações familiares ou do que podemos chamar de “currículo de relações primárias’’’’’; 64% realizar tarefas ao mesmo tempo, 62% são criativos, 55% precisão de feedbacks instantâneo, 47% domínio de tecnologia e tomada de decisão rápida 43%, características da Geração Y retratadas na fundamentação teórica que corroboram a visão dos autores [Lancaster e Stillman (2011), Periscinoto (2008), Lipkin e Perrymore (2010), Tapscott (2008), Oliveira (2011), Kullock (2012)]. O gráfico também demostra as características empreendedoras apresentadas: 77% são dedicados, 68% são dinâmicos, 55% são bem relacionados (networking) e 53% querem fazer a diferença no mundo. Têm necessidade de satisfação pessoal: 47%; autoconfiança 47%; alta necessidade de realização 38%. São líderes, 36%; inovadores, 30%; visionários, 28% e assumem riscos calculados. Tais características confirmam as afirmações de autores como Dornelas (2008); Leite (2010), Julien (2010), Filion (1999) e Schumpeter (1997). Mas o perfil 97 ideal do empreendedor está em mutação. O empreendedor do século XXI tem competências distintas dos seus antepassados. O comportamento do empreendedor apresenta algumas características marcantes ratificados na pesquisa. Figura 9 – Gráfico características empreendedoras e da Geração Y. Fonte: Elaborado pelo autor (2014). Observou-se que, nas 17 características apresentadas, Geração Y e empreendedorismo se conectam conceitualmente. As respostas a seguir avigoram as afirmações: E24 “Através da formação da FACOTTUR, muitos mitos foram quebrados a respeito do meu curso, o de turismo. Eu acredito estar sendo preparado para a inovação no mercado de trabalho, para o dinamismo em meu curso de turismo e acredito que minha mente esteja sendo moldada para que eu seja dono do meu próprio negócio, muito mais além do que ser apenas um empregado”. E43 “Consigo estabelecer metas e cumpri-las com eficácia. Rapidez nas decisões sou mais dinâmica e criativa. Tenho bom relacionamento com as pessoas e consigo fazer várias atividades ao mesmo tempo.” 98 E27 “Sem dúvida, um espírito empreendedor da Geração Y se alinha perfeitamente com a proposta pedagógica.” E44 “Um espírito empreendedor é sempre bom pra qualquer ser humano independente se é ter um grande negócio ou até mesmo realizar um sonho. Vejo o empreender como uma característica que deve existir em cada um tanto na vida profissional como na pessoal”. As falas dos estudantes trazem à tona o pensamento de Mendonça (2010), ao lado da inovação, oportunidade e mudança, o empreendedor, ou melhor dizendo, o espírito empreendedor não seria algo encontrado apenas na cabeça dos grandes homens ou visionários. As pessoas que enxergam oportunidades e que ousam satisfazer as necessidades vislumbradas nessas oportunidades, qualquer que seja o tamanho ou a natureza da organização, seriam pessoas dotadas do espírito empreendedor. 4.3 Categorias 3 - Percepção dos Alunos em relação aos Professores O terceiro objetivo específico se propôs a identificar na percepção dos alunos quais os professores contribuíram para a formação empreendedora. Essa categoria originou-se das questões 8, 9 e 10, que tinham como objetivo identificar as disciplinas que fazem parte da matriz curricular do curso de Turismo (ANEXO A) cursadas pelo aluno e consideradas significativas por promoverem transformação em sua vida pessoal, profissional e acadêmica. O questionamento também tinha como objetivo identificar se os professores que ministraram as disciplinas tinham perfil empreendedor e citar quais os professores. 4.3.1 Disciplinas que contribuíram para sua formação empreendedora Os estudantes foram questionados sobre as disciplinas que haviam cursado ao longo de sua formação acadêmica até o semestre de 2013.2, período de realização da coleta de dados e que contribuíram ou está contribuindo para sua formação empreendedora. Seguindo o pensamento de Morin (2001), o desenvolvimento da aptidão para contextualizar e globalizar os saberes torna-se um imperativo da educação e deve ultrapassar os limites das disciplinas isoladas. As respostas seguem na tabela-1 e mostram que, as disciplina de 99 Marketing Turístico 77%, Empreendedorismo 70%, Economia Aplicada ao Turismo 57% e Teoria Geral da Administração 51%, têm uma forte contribuição na formação empreendedora. Corroborando com os percentuais, apresentamos os depoimentos dos alunos: E13 “Apesar de ser um curso voltado para o turismo, deve- se ampliar conhecimento em outras áreas e sem contar que no turismo pode- se também empreender”. E14 “A visão empreendedora é de suma importância, no Turismo busco trabalhar na área de eventos, marketing, esse fator será importante quando for abrir meu próprio negócio”. Os resultados dos demais percentuais mostram que a formação empreendedora não pode ser discutida de forma isolada em uma única disciplina. O tema deve ser abordado de forma integrada que é necessário promover as questões de interdisciplinaridade por todo o corpo docente. Lopes (2010) ressalta que para atingir os objetivos de uma formação empreendedora é muito importante envolver e capacitar os professores para a adoção do enfoque do empreendedorismo das disciplinas constantes no currículo. 100 Tabela 1 – Disciplinas que contribuíram para formação empreendedora. Disciplina Marketing Turístico Empreendedorismo Economia Aplicada ao Turismo Teoria Geral da Administração Teoria geral do turismo Planejamento Proj. Organiz. do Turismo I Agências de Viagens e Turismo Psicologia Aplicada ao Turismo Sociologia Aplicada ao Turismo Geografia Turística Inglês Instrumental Direito e Legislação Turística Hist. Cult., Com. e das Artes Filosofia e Ética Estatística Aplicada ao Turismo Português Instrumental História do Brasil e Turismo Ecoturismo Metodologia Cient. Aplic. Turismo Interdisciplinar - Plano de negócios Meios de Hospedagens Planejamento Proj. Organiz. do Turismo II Interdisciplinar - Feira de negócios Estágio Contabilidade Orç. e Custos Qualidade nos Serviços Turísticos Organização e Gestão de Eventos Meios de Transportes Est. Bras. (Pat/Cult/Mus/Folc) Informática Aplicada Alimentos e Bebidas Elaboração de Roteiros Turísticos Recreação e Lazer Espanhol Instrumental Trabalho de Conclusão do Curso Interdisciplinar - Intervenção Turística Total Citação 36 33 27 24 23 23 20 18 17 17 17 16 15 15 15 18 13 13 12 12 10 9 9 8 7 7 6 6 5 5 5 5 5 5 5 5 486 Percentual 77% 70% 57% 51% 49% 49% 43% 38% 36% 36% 36% 34% 32% 32% 32% 28% 28% 28% 26% 26% 21% 19% 19% 17% 15% 15% 13% 13% 11% 11% 11% 11% 11% 11% 11% 11% Fonte: Autor (2014), os alunos podem marcar mais de uma caixa de seleção, então a soma das citações e percentagens pode ultrapassar 100%. As disciplinas que compõem a matriz curricular do curso de Bacharelado em turismo destacadas pelos alunos reforçam o pensamento de Guerra e Grazziotin (2010), as várias disciplinas existem porque nenhum ramo do conhecimento é tão abrangente que possa englobar toda a profundidade da natureza humana. Os resultados propõem, que a FACOTTUR têm iniciativa e promove a interdisciplinaridade que as questões voltadas ao empreendedorismo sejam contempladas em todas as disciplinas, por todo corpo docente. Essa 101 circulação do conhecimento deve ser assumida como um papel central, quando se tem em vista uma formação de uma mentalidade empreendedora. Tal afirmativa é comprovada com as falas dos professores quando apresento no grupo focal os percentuais das disciplinas. P1 “São disciplinas voltadas para o pensamento autônomo. P6 “As respostas fecham com o teor e os conteúdos das disciplinas”. P7 “São disciplinas afins para o empreendedorismo”. Neste sentido, Pardini e Paim (2001) sugerem que a abordagem do ensino de empreendedorismo seja interdisciplinar, num grande entrelaçamento entre comunidade, docente e discente. P1 “Mais que um procedimento pedagógico da instituição, o professor faz uma análise do mercado onde os alunos vão estar inseridos. Vai analisar o mercado e pensar o que ele quer que esse Bacharel e Turismólogo tenham. Você se inserir nesse mercado hoje e ser empregado de alguém não é uma situação muito vantajosa economicamente, mas se você tiver a consciência que pode encontrar nichos de mercado e abrir o seu próprio negócio e você, durante sua formação, fazer uma série de estágios para encontrar o seu caminho, encontrar as possibilidades, ter uma prática dentro desse processo de formação enquanto está na faculdade e encontrar aquela área do mercado turístico que você quer atuar. É passado para o nosso aluno com as conversas em salas onde todos os assuntos estão relacionados nesse processo”. Alimentar o conteúdo programático com a demanda de mercado e a disciplina de empreendedorismo no curso de turismo numa visão macro com a grade curricular desenvolvendo competências empreendedoras está presente na proposta do curso observado na análise documental da ementa que apresentamos a seguir: Objetivo geral “permitir que os alunos possam adquirir conhecimentos sobre os fundamentos do empreendedorismo e formação de uma cultura empreendedora, através de exemplos que venham aguçar a mente do estudante do que é ser empreendedor”. 102 Competências: desenvolver a visão sistêmica, estimular a busca do autoconhecimento e percepção de si mesmo, conhecer o comportamento e atitudes observadas em empreendedores de sucesso, conhecer o processo de criação de um novo empreendimento e o desenvolvimento de plano de negócio. Referencial bibliográfico: DENGER, DOLABELA, DORNELAS, FILION, LEITE, JULIEN. A disciplina de Empreendedorismo, na FACOTTUR, tenta mudar a postura passiva, que geralmente é típica na maioria dos alunos, motivando-os na busca da edificação de uma postura de envolvimento, de ação, de liderança, com conceitos e referencial teórico atualizado, que contribui para uma postura empreendedora. A universidade deve estar dirigida para a formação de estudantes com algumas posturas indispensáveis como: iniciativa de ação e decisão, capacidade de negociação, competência e autonomia para criar e inovar, capacidade de comunicação interpessoal, comprometimento com princípios éticos e capacidade de trabalhar em grupo. Todas essas posturas citadas fazem parte do programa da disciplina de Empreendedorismo ministrada na FACOTTUR, ratificando a importância da disciplina e da ênfase do comportamento dos professores no curso de turismo. Destacamos a interdisciplinaridade presente na estrutura curricular no curso de Turismo. As três disciplinas dos projetos interdisciplinares, que visam ampliar o diálogo entre as disciplinas e os períodos, promovem desenvolver nos alunos o espírito empreendedor e compreendem atividades como: feira de negócios; criação de empresa; diagnóstico organizacional e do turismo; e desenvolvimento de proposta de intervenção. Logo após, os alunos foram solicitados a responderem se as disciplinas que elegeram como significativas foram ministradas por professores com perfil empreendedor. Com apresentamos no gráfico abaixo 85% como “sim”. Esse dado nos mostra que o universitário deseja e aprova que seu professor tenha um perfil empreendedor. 103 Figura 10 – Gráfico disciplinas ministradas por professores com perfil empreendedor. Fonte: Elaborado pelo autor (2014). Os números apresentados pela figura também mostram que a relação professor empreendedor e aprendizagem estão intimamente conectadas. Delors (2010) afirma que o paradigma da educação para o novo milênio deve se basear em quatro pilares: aprender a conhecer, aprender a viver juntos, aprender a fazer e aprender a ser, que interagem e são interdependentes. Se 85% dos estudantes apontaram que as disciplinas foram ministradas por professores com perfil empreendedor, isso confirma o pensamento por Leite (2012), quando apresenta que há indicações que a educação empreendedora produzirá mais e melhores empreendedores que no passado. Os números apresentados também mostram que a relação professor empreendedor e aprendizagem estão intimamente conectados. Apresentamos a seguir, as repostas concebidas das 10 (dez) características, seguindo as definições de autores que já foram apresentadas neste trabalho no capítulo 2.4.3, as atitudes dos professores que ministraram disciplinas e contribuíram empreendedora. para sua formação 104 Figura 11 – Gráfico características empreendedoras dos professores Fonte: Elaborado pelo autor (2014). Merecem destaque 06 (seis) características pessoais escolhidas pelos respondentes desta pesquisa para delinear o perfil dos professores empreendedores da FACOTTUR. Possuem conhecimento: 83% dos alunos pesquisados elegeram esta característica como a mais percebida nas atitudes de seus professores empreendedores. Para Garrido (2013), a universidade é um ambiente de desenvolvimento intelectual e técnico que prepara os estudantes para o mercado de trabalho. Dornelas (2014) traz importante contribuição afirmando, que o conhecimento é um ativo intangível, mas de extrema importância para o sucesso do empreendedor. Sabem tomar decisões: esta característica foi assinalada por 36 estudantes, representando 77% do público participante da pesquisa. Para Dornelas (2008), a pessoa empreendedora não se sente insegura, toma decisões no momento certo, principalmente nos momentos de adversidade e essas atitudes, segundo o autor, levam a pessoa ao sucesso. São dedicados: Como terceira característica escolhida por 33 alunos (70%), a dedicação é, segundo Dornelas (2008), uma característica de um indivíduo empreendedor, pois um empreendedor dedica 24 h por dia, 7 dias por semana, ao seu negócio. 105 São otimistas e apaixonados pelo que fazem e são determinados: foram apontadas por 68% dos alunos. Características empreendedoras retratadas pelos autores, como adoram o trabalho que realizam, principal combustível que os mantém mais animados e autodeterminados, bem como, implementam suas ações com total comprometimento. Criatividade e inovação: estas características foram assinaladas por 29 alunos, correspondendo a 62% do número de citações e representa a última das seis características mais mencionadas pelos alunos. Para Dornelas (2014) ser criativo não é pré-requisito para ser empreendedor, mas os empreendedores criativos geralmente estão mais preparados para inovar. Após a confirmação do “sim” e das características dos professores empreendedores, 38 alunos indicaram os nomes dos professores que contribuíram para montagem de uma tabela X. Possibilitando o pesquisador descoberta e confirmação para uso dos resultados que foi submetida a teste e aplicação do método quantitativo, com apoio de método qualitativo que ratifica a visão dos autores, [Roberto Hernández Sampieire (2013), Carlos Fernández Collado (2013), Maria del Pilar Batista Lucio (2013), John W. Creswell (2013), Vicki L. Plano Clark (2013)]. 106 Tabela 2 – Professores citados pelos alunos com aulas ministradas com perfil empreendedor. Professor P1 P2 P3 P4 P5 P6 P7 P8 P9 P10 P11 P12 P13 P14 P15 P16 P17 P18 P19 P20 P21 P22 P23 P24 Total Citação Percentual 29 27 13 11 9 7 7 6 6 5 5 4 4 4 3 3 3 3 2 2 2 1 1 1 158 76% 71% 34% 29% 24% 18% 18% 16% 16% 13% 13% 11% 11% 11% 8% 8% 8% 8% 5% 5% 5% 3% 3% 3% Fonte: Autor (2014), os alunos puderam indicar mais de um professor, por isso a soma das citações e percentagens pode ultrapassar 100%. A partir das escolhas realizadas pelos universitários, a sala de aula necessita de um profissional que sabe o que diz, que sabe o que faz, que sabe fazer a diferença, que adora sua profissão, que tem postura definida. Do total de 24 professores do curso de turismo, os 06 (seis) professores mais indicados (com 76 % a 18%), foram convidados para realização de um grupo focal, com a proposta de contribuir na elucidação do quarto objetivo específico. Para Gatti (2012), podemos caracterizar a técnica de grupo focal como derivada das diferentes formas de trabalho com grupos. Privilegia-se a seleção dos participantes segundo alguns critérios, conforme o problema em estudo, desde que eles possuam algumas características em comum que os qualifiquem para a discursão em questão, que apresentamos na próxima categoria. 107 4.4 Categoria 4 – Elementos da Prática Pedagógica O quarto objetivo específico pretendeu analisar elementos da prática pedagógica dos professores que contribuíram para formação do espírito empreendedor. Essa categoria emergiu a partir da pergunta realizada aos universitários: que tipos de ações pedagógicas e metodologias de ensino foram utilizados em suas aulas? 4.4.1 Contribuições da proposta pedagógica na visão dos alunos Nesta subcategoria, os estudantes expuseram o quanto à formação empreendedora da FACOTTUR, através de sua proposta pedagógica contribuiu ou já está contribuindo para o desenvolvimento do espírito empreendedor em sua vida acadêmica, pessoal e profissional. O gráfico abaixo demostra que 89% dos alunos consideram significativa para sua formação a proposta pedagógica da IES. Figura 12 – Gráfico contribuição para a formação empreendedora da FACOTTUR. . Fonte: Elaborado pelo autor (2014). Os depoimentos a seguir confirmam os percentuais apresentados no gráfico acima: E15 “Boa parte da contribuição vem da Faculdade, onde estou tendo a oportunidade de contato com profissionais de ótimo nível e qualidade que incentivam os alunos a empreender.” E18 “Através das aulas se abre um mundo de possibilidades e escolhas além de termos o conhecimento técnico para se chegar ao nosso objetivo.” Os resultados que aparecem nesta subcategoria comprovam o sucesso alcançado pelos professores empreendedores em suas aulas, pois um dos objetivos principais da FACOTTUR é formar alunos com perfil empreendedor, já que empreendedorismo faz parte da visão da 108 IES. As respostas dos estudantes comprovam que, nas salas de aula, os professores buscam por essa formação empreendedora. Os entrevistados E42 e E45 reforçam as respostas dos universitários sobre a contribuição de seus professores. E42 “Pois foi a partir do conhecimento adquirido dentro da sala de aula, que tive um aprendizado mais detalhado sobre como posso ser uma empreendedora. E, a partir dos trabalhos acadêmicos, possuí um conhecimento mais aprofundado sobre o que quero para minha vida profissional”. E45 “Através do aprendizado do ser empreendedor, descobrimos novas maneiras de percepção do mundo. Nunca vou esquecer o ensino da professora Marcela em empreendedorismo, e suas ramificações.” A próxima subcategoria traz os métodos de ensino dos professores da FACOTTUR. 4.4.2 Métodos de ensino Os 47 estudantes participantes desta pesquisa, quando perguntados sobre como os professores empreendedores ministram suas aulas, confirmam que as aulas foram aulas criativas, aulas que fizeram a diferença e citam diversas técnicas, recursos e metodologias utilizadas pelos docentes. Apresentamos os resultados dos recursos utilizados pelos professores empreendedores para tornarem suas aulas significativas. Ratificamos que os recursos utilizados não são novidade em educação. Para Cunha (2004), ser inovador inclui mudanças em alguns aspectos, conservando as referências do existente. Implica ainda ir mais adiante, uma vez que dá relevância ao que já é feito. Envolve a ação e o comprometimento com o sujeito da aprendizagem. O gráfico a seguir mostra os resultados: 109 Figura 13 – Gráfico tipos de ações pedagógicas e metodologias de ensino em suas aulas. Fonte: Elaborado pelo autor (2014). Na visão de Calliari e Motta (2012), uma mudança inevitável acontecerá nas instituições de ensino, em especial nas universidades e faculdades, e não apenas porque o modelo GLS (giz, lousa e saliva), enfrente sérios problemas para uma geração tão conectada ou porque o conhecimento se transforma com tal rapidez que o conteúdo perde importância diante da capacidade de o aluno se atualizar, mas também mais professores, ípsilon ou não, adotarão os novos princípios de engajamento, envolvimento, participação e relevância em suas aulas e currículos. Reforçam o aporte teórico os depoimentos dos professores: P7 “Tenho uma ideia de que trazer algo novo não é necessário você fazer diferente. A novidade tem dois condicionantes: você tem que fazer algo de uma forma diferente que repercuta em ganhos”. P6 “Talvez a gente consiga traçar um paralelo entre inovação e novo fazendo um comparativo com o passado da própria instituição. O que a gente faz e o que não era feito é que deu essa dinâmica diferente. No passado, a gente não tinha um perfil organizado dos professores conversarem entre si e discutirem as diretrizes do curso. A partir do momento que se discute as diretrizes do curso, estamos propondo empreendedorismo aos alunos. A partir do momento que propomos o empreendedorismo, vemos estratégias que é levar os alunos para o campo, palestras, seminários, discutir textos, trazer vídeos, movimentar a aula.” 110 O novo é como esses recursos são utilizados pelo professor empreendedor nas suas aulas. Podemos utilizar o recurso da projeção em power point apontados por 79% dos alunos, em todas as aulas de duas maneiras: 1) a primeira, somente clicando a tecla enter, passando os slides e lendo o que está projetado, sem interação com a turma, apenas me preocupando em “passar” os conteúdos que estão no plano da disciplina; 2) a segunda maneira de utilizar o recurso é também clicar a tecla enter, projetar o slide, mas não apenas lê-lo e sim refletindo sobre o assunto, dialogando, debatendo, contextualizando, destacado na pesquisa que os professores da FACOTTUR utilizam o recurso de debates e estudos de caso 94%, preparação para seminários 72%. Os dados apresentados reforçam a visão de Masetto (2003) que destaca parceria e coparticipação professor e aluno no processo de aprendizado, embora essa mudança se apresente de forma incipiente, pois na maioria das situações, ainda encontramos o professor no papel de transmissor de informações e mesmo atuando só com aulas expositivas, “[26% apresentado na pesquisa]”, um número de docentes tem se preocupado em chamar o aluno para se envolver com a matéria que está sendo estudada. Apresentamos as falas dos professores que reforçam as respostas dos alunos através de estudo de casos, debates em sala e visitas técnicas como recursos para sua formação empreendedora. P4 “Dentro do conteúdo ministrado, minhas ferramentas são simples quadro, Datashow, estudos de casos trazendo uma abordagem regional. P6 “É realizamos visitas técnicas com a abordagem de estudos de casos”. P1 “Eu utilizo vários caminhos. Os alunos têm uma tendência de se dispersar, para isso é necessário utilizar textos atuais para um conhecimento, exercícios práticos, despertando o potencial para o conhecimento empreendedor”. Este último depoimento mostra que, no ensino, o professor necessita compreender as motivações dos alunos para então adequar a metodologia de ensino, que precisa ser 111 diferenciada e pertinente ao tema. Nas salas de aula da FACOTTUR, através de professores empreendedores, o objetivo de formar estudantes com visão de mundo, inovadores e empreendedores está sendo alcançados, 49% destacam os livros como metodologia de ensino. Uma educação empreendedora requer uma estrutura acadêmica pedagógica que forneça um repertório de leituras capaz de abrir os caminhos para que novas ideias possam ser articuladas. Para Guerra e Grazziotin (2010) esse tipo de proposta pedagógica é indispensável para o contexto no qual o empreendedorismo deve ser semeado no dia a dia das universidades. É expressivo o depoimento do Coordenador do Curso de Turismo: Coordenador: “São necessários leituras e estudos de caso para novas ideias. Itamaracá é um estudo de caso no curso de turismo da FACOTTUR para o aluno conhecer e manipule as ferramentas para ser um planejador e um consultor turístico que é totalmente empreendedor”. Acreditamos que o professor empreendedor deva ser uma pessoa que faz a diferença na sala de aula e na instituição onde trabalha. Todo professor que tiver características do comportamento empreendedor e praticá-las através da educação empreendedora, será um intraempreendedor, já que ele não é, na grande maioria das vezes, o dono da instituição de ensino, mas é alguém que está trabalhando na universidade agindo como se o negócio fosse seu, portanto, agindo com atitude, criatividade, inovação e vontade de mudar o que não está bom, auxiliando na construção de um novo cenário educacional. Dornelas (2008) afirma que o empreendedor faz a diferença quando transforma algo de difícil definição, uma ideia abstrata, em algo concreto e que funciona. Transportamos essa definição para a sala de aula, afirmamos que o professor empreendedor faz a diferença quando consegue dar sentido para o conteúdo que está trabalhando com seus alunos. Ele faz a diferença quando aguça a imaginação dos alunos, desafiando-os a serem seres críticos e ousados em qualquer momento de suas vidas, do pessoal ao profissional. Do ponto de vista dos estudantes, as palestras em empreendedorismo com (40%) também são relevantes. O contato com profissionais empreendedores atuantes torna-se importante porque o discente pode tirar dúvidas provenientes da teoria e, até mesmo, compará-las com a realidade. Workshops entre turmas e demais alunos (21%), tendem a engrandecer os 112 conhecimentos e habilidades dos envolvidos no processo e comprovam que, nas salas de aula da FACOTTUR, a busca pela formação empreendedora está acontecendo, o processo de educação não é estático e assume características próprias em função dos atores, sendo reconstruídos continuamente. Urge que nas universidades surjam cada vez mais professores empreendedores que saibam conduzir a gestão de sua aula. Dessa maneira forma suas disciplinas adquirem significado para seus alunos, alcançando, assim, o objetivo primeiro de uma sala de aula: a aprendizagem. Além de provocar transformações positivas nos alunos, o empreendedorismo também transforma positivamente a sala de aula, trazendo inovação, criatividade, motivação e movimento para dentro da mesma. Podemos conferir minha colocação através das afirmações que seguem: E42 “Pois foi a partir do conhecimento adquirido dentro da sala de aula, que tive um aprendizado mais detalhado sobre como posso ser uma empreendedora. E a partir dos trabalhos acadêmicos possui um conhecimento mais aprofundado sobre o que quero para minha vida profissional.” E12 “Pois a partir destas cadeiras e suas aulas tive contato com professores não só eficientes, mas também eficazes, mostrando a realidade do mercado e as novas tendências de maneira clara, direta e dinâmica”. Todas as referências ao empreendedor transcritas e analisadas até aqui podem ser transpostas, para a educação, pois acreditamos que a teoria do empreendedorismo pode ser utilizada como base para a conquista de uma formação empreendedora, que pode ser disseminada por professores empreendedores através de posturas inovadoras em suas salas de aula. 113 5. CONCLUSÕES E SUGESTÕES Neste capítulo são apresentadas as considerações finais e sugestões desenvolvidas a partir deste estudo. 5.1 Conclusões Nesta seção são apresentadas as conclusões do estudo, relacionando os dados analisados com os objetivos específicos, apoiamo-nos no referencial teórico para embasar as compreensões do estudo, visando apresentar como a proposta de formação empreendedora auxilia no percurso de Empreendedores. A discussão sobre o tema empreendedorismo na formação empreendedora é um esforço para todo o ensino superior no Brasil. Trata-se de um tema transversal que perpassa a formação e não só a capacidade técnica de nossos cursos de graduação. Há uma necessidade de que uma grande reflexão seja construída por meio de diversos olhares. Precisamos de uma educação que estimule nossos jovens a buscar soluções criativas e, no ensino superior, devemos pensar sobre a formação de jovens com autonomia intelectual, com paixão pela busca do conhecimento e com postura ética que os torne comprometidos com os destinos da sociedade. É preciso que ensinemos novos caminhos, surgindo assim novos rastros a serem desenhados, para que isso aconteça, porém, a universidade precisa formar empreendedores e não empregados. Assim, essa educação enfatiza o uso de metodologias de ensino, que permitam aprender a conhecer, aprender a viver juntos, aprender a fazer e aprender a ser, pois o ser humano se defronta com situações que o forçam a pensar de maneira diferente, buscando saídas e alternativas para sobrevivência. A formação empreendedora coloca-se como uma possível proposta para enfrentar as dificuldades regionais, globais e, assim, formar jovens empreendedores aptos para criar e gerenciar projetos importantes. A análise e discussões dos dados apresentados na pesquisa sobre o contexto geral da formação dos Empreendedores do Curso de Turismo da FACOTTUR, possibilitou situar com um pouco 114 mais de clareza, a conjuntura a partir da qual as bases de uma formação empreendedora devam ser construídas. O caminho para as respostas foi percorrido passando pelos objetivos específicos: Levantar a proposta de formação oferecida pela instituição de ensino no Curso de Bacharelado em Turismo na formação empreendedora dos alunos da Geração Y; identificar a percepção dos alunos da Geração Y sobre a formação empreendedora oferecida pelo Curso de Bacharelado em Turismo; identificar, na percepção dos alunos, os professores que mais influenciaram o comportamento empreendedor e analisar elementos da prática pedagógica dos professores que contribuíram para formação do espírito empreendedor dos alunos do Curso de Bacharelado em Turismo da Geração Y. Ao responder o primeiro objetivo específico, observou-se que a proposta para um perfil empreendedor da IES, fortalece ano a ano e vem sendo discutida com maior serenidade entre os diretores, professores e alunos. Reforçando as Diretrizes do Ministério da Educação e Cultura o Projeto Pedagógico do Curso de Turismo, a missão e visão da FACOTTUR. Desenvolver o perfil empreendedor é capacitar o aluno para que crie, conduza e implemente o processo criativo de elaborar novos planos de vida, trabalho, estudo e negócios. Sendo, com isso, responsável pelo seu próprio desenvolvimento e o de sua organização. Sob essa perspectiva, a disseminação de uma cultura empreendedora passa a ter uma considerável importância frente ao desenvolvimento de um novo comportamento individual e coletivo, e uma das questões daí advindas é como realizar essa formação e como desenvolver uma competência empreendedora. Na percepção dos alunos a formação empreendedora oferecida pela IES está contribuindo e é fundamental para a sua formação. A FACOTTUR tem responsabilidade de formar pessoas para a sociedade, e com o intenso processo de globalização surge à necessidade de prepara-los para um mercado de trabalho em que não mais existem garantias de emprego ou estabilidade, mercado que necessita de profissionais que estejam além de sua área específica, que sejam capazes de gerir seu próprio negócio e realizar seus sonhos. Ao unir as diversas características que conduzem a um perfil característico e típico de pessoas empreendedoras e da Geração Y podemos referenciar a interligação no resultado da pesquisa: 115 realizam diversas tarefas ao mesmo tempo, criativos, domínio de tecnologia, tomada de decisão rápida, bom relacionamento com os pais, visionários, dinâmicos, líderes, assumem riscos calculado, dedicados, bem relacionados (networking), inovadores, precisam de feedback, querem fazer a diferença no mundo, necessidade de satisfação pessoal, possuem autoconfiança, alta necessidade de realização, que ratifica o conceito de Empreendedores. Entre os alunos é percebido que eles possuem um entendimento sobre o papel do professor na formação empreendedora, na proposta metodológica de ensino e ações pedagógicas realizadas pelos docentes da IES. Do ponto de vista dos alunos os professores são preparados e possuem características empreendedoras: sabem tomar decisões, são dedicados, são otimistas, criativos inovadores e possuem conhecimento. Características contribuem na condução de uma aula que desperte um espirito empreendedor, que reforça a ideia de que se o professor é empreendedor em sua prática pedagógica, podemos supor que terá condições mais favoráveis para desenvolver o empreendedorismo de seus alunos. Convém lembrar que para uma educação empreendedora os professores utilizam das tecnologias mais adequadas e apropriadas aos objetivos e às atividades educacionais, para tirar o melhor proveito das técnicas tradicionais, bem como das modernas. Nota-se também que outras disciplinas começam a compreender a educação empreendedora e a interdisciplinaridade é uma realidade presente na formação dos alunos do Curso de Turismo da IES. Dessa forma, conclui-se que ao longo desta dissertação foram trazidas à reflexão as características da educação empreendedora através do embasamento teórico e respostas das pesquisas com: diretores, coordenadores, professores e alunos. Estas afirmações ratificam a ideologia da FACOTTUR para uma formação empreendedora e que influencia seus alunos a serem empreendedores em sua vida pessoal e profissional e que o empreendedorismo é fundamental no projeto pedagógico do curso de turismo. 116 5.2 Sugestões Os resultados deste estudo podem ser complementares aos de outros já realizados, com outros enfoques ou a respeito de outras realidades, servindo de estímulo ou ponto de partida para a realização de novas pesquisas, que ajudem a expandir o conhecimento sobre a temática deste estudo, deste modo sugerem-se estudos sobre: Levantar a proposta de formação empreendedora no Ensino superior com as diversas gerações. Realizar um estudo de observação das aulas dos professores e suas metodologias de ensino empregadas para formação empreendedora. A importância da disciplina de empreendedorismo na formação empreendedora e a interdisciplinaridade nas matrizes curriculares dos cursos de graduação. 117 REFERÊNCIAS ARCÚCIO, M. R. B; ANDRADE, R. C. (Org.). O Empreendedorismo na Escola. Porto Alegre: Artmed, 2005. (Coleção Escola em Ação, n.5). AUDY, Jorge L.N.; MOROSINI, Marília C. (Org.). Inovação e Empreendedorismo na Universidade. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2006. BALIAN, Olga C. Amato. O desafio da Geração Y. Revista RH News, Rio de Janeiro, 2009. Disponível em: <http://www.taygeta.com.br/si/site/0503>. Acesso em: 6 jul. 2013. BARRETO, Luiz. O Desafio da Educação Empreendedora no Brasil. In: SANTOS, Alberto Carlos (Org.). Pequenos negócios: desafios e perspectivas: educação empreendedora: Brasília: Sebrae, 2013. BAUMAN, Zygmunt. Between us, the generations. In: LARROSA, J. (Ed.). 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Qual deve ser o perfil do professor e do aluno empreendedor? 124 APÊNDICE B - Questionários aplicados aos alunos que estão cursando o curso de Bacharelado em Turismo no segundo semestre de 2013.2 na FACOTTUR. Prezado (a) aluno (a): o objetivo deste trabalho é compreender a influência da formação dada pela FACOTTUR aos alunos do Curso de Bacharelado em Turismo no percurso da formação de empreendedores Y. Para isso, é necessário realizar um levantamento das disciplinas que você está cursando e cursou durante os períodos de formação e verificar se as mesmas fizeram a diferença em sua vida pessoal e profissional. A pesquisa quer, também, identificar se os professores das disciplinas ministradas tiveram atitudes empreendedoras ao ministrarem suas aulas. A sua participação é fundamental para o sucesso desta pesquisa, pois os dados levantados contribuirão para a dissertação em Gestão Empresarial pela FBV, do professoro Jorge Luiz de Souza Mota. Cabe ressaltar que as informações coletadas serão tratadas com extremo sigilo, não divulgando nomes de entrevistados. Muito obrigado! Link https://docs.google.com/spreadsheet/viewform?formkey=dDlfUHJxLUtfQ0tHY0dBZXhWSldoenc6MA Idade: _______________ Sexo: F ( ) M( ) Renda: ( ) até R$ 678,00 ( ) R$ 679,00 à R$ 2.034,00 ( ) R$ 2.035,00 à R$ 3.390,00 ( ) acima de R$ 3.390,00 Período: 20 ( ) 40 ( ) 60 ( ) 1- A FACOTTUR tem como foco a formação empreendedora. Você que está cursando o curso de Bacharelado em Turismo considera que a formação empreendedora: ( ) É fundamental para a sua formação 125 ( ) Não é fundamental, mas é importante para a sua formação ( ) Não é importante para a sua formação Justifique sua escolha. ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ 2 - Você está no mercado de trabalho? Sim ( ) Não ( ) 3- Você tem empresa? Sim ( ) Não ( ) Caso sim, há quanto tempo:________ 4 - Você tem desejo de abrir uma empresa após sua formação? Sim ( ) Não ( ) 5- Caso sim qual a origem da ideia para criar a empresa: ( ) Sua ideia ( ) Membros da família ( ) Amigos fora do ambiente universitário ( ) Amigos dentro do ambiente universitários ( ) Estudos universitário ( ) Trabalho atual ou anterior 6- Qual o seu sonho? ( ) Viajar pelo Brasil ( )Comprar a casa própria ( ) Ter seu próprio negócio ( ) Comprar um automóvel ( ) Ter um diploma de nível superior ( ) Ter plano de saúde 126 ( ) Fazer carreira em uma empresa ( ) Ter seguro de vida ( ) Ter seguro para automóvel ( ) Casar ou formar uma família ( ) Comprar um computador ( ) Outros. Especificar:___________________________________________________ 7- Assinale as características que você possui: ( ) Realiza diversas tarefas ao mesmo tempo ( ) Criativo ( ) Domínio de tecnologia ( ) Tomada de decisão rápida ( ) Bom relacionamento com os pais ( ) Visionário ( ) Dinâmico ( ) Líder ( ) Assume risco calculado ( ) Dedicado ( ) Bem relacionado (networking) ( ) Inovador ( ) Outros. Especificar:___________________________________________________ 8- Abaixo relaciono as disciplinas que fazem parte da matriz curricular do curso de Bacharelado em Turismo, dentre as disciplinas que você cursou, qual (quais) contribuíram para sua formação empreendedora. ( ) Teoria Geral do Turismo ( ) Hist. Cult., Com. e das Artes ( ) Sociologia Aplicada ao Turismo ( ) Português Instrumental 127 ( ) Teoria Geral da Administração ( ) Marketing Turístico ( ) História do Brasil e Turismo ( ) Geografia Turística ( ) Metodologia Cient. Aplic. Turismo ( ) Economia Aplicada ao Turismo ( ) Filosofia e Ética ( ) Est. Bras. (Pat/Cult/Mus/Folc) ( ) Estatística Aplicada ao Turismo ( ) Inglês Instrumental ( ) Empreendedorismo ( ) Psicologia Aplicada ao Turismo ( ) Planejamento Proj. Organiz. do Turismo I ( ) Agências de Viagens e Turismo ( ) Ecoturismo ( ) Direito e Legislação Turística ( ) Meios de Hospedagens ( ) Planejamento Proj. Organiz. do Turismo II ( ) Informática Aplicada ( ) Alimentos e Bebidas ( ) Elaboração de Roteiros Turísticos ( ) Meios de Transportes ( ) Recreação e Lazer ( ) Espanhol Instrumental ( ) Contabilidade Orç. e Custos ( ) Qualidade nos Serviços Turísticos ( ) Trabalho de Conclusão do Curso 128 ( ) Estágio ( ) Interdisciplinar - Feira de negócios ( ) Interdisciplinar - Plano de negócios ( ) Interdisciplinar - Intervenção Turística 9- As disciplinas que você elegeu como significativas foram ministradas por professores com perfil empreendedor? Sim ( ) Não ( ) 10- Destaque as características empreendedoras dos professores: ( ) Sabem tomar decisões ( ) São indivíduos que fazem a diferença ( ) São determinados e dinâmicos ( ) São dedicados ( ) São otimistas e apaixonados pelo que fazem ( ) São bem relacionados (networking) ( ) São organizados ( ) Possuem conhecimento ( ) Criatividade e inovação ( ) Outros. Especificar:___________________________________________________ 11- As disciplinas que você considerou significativa para sua formação empreendedora utilizaram que tipos de ações pedagógicas e metodologias de ensino em suas aulas: ( ) Projeção de Power point ( ) Debates e estudos de casos ( ) Workshops entre turmas e demais alunos ( ) Preparação de seminários ( ) Visitas técnicas ( ) Palestras em empreendedorismo 129 ( ) Vídeos ( ) Aulas expositivas ( ) Livros ( ) Outros. Especificar:___________________________________________________ 12- Quanto às iniciativas promovidas pela IES para o empreendedorismo: (simpósios, feiras, cursos, palestra etc...) você considera: ( ) Ótima ( ) Bom ( ) Regular ( ) Fraca ( ) Inexistente 13- A formação empreendedora da FACOTTUR, através de sua proposta pedagógica contribuirá ou já está contribuindo para que você se torne um empreendedor em sua vida acadêmica, pessoal e profissional? Sim ( ) Não ( ) Justifique sua resposta. ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ 14- Porque a escolha do curso de Turismo na FACOTTUR? ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ 130 APÊNDICE C - Roteiro da condução do grupo focal com os professores. Apresentação da dissertação para os professores A influência e práticas pedagógicas para formação empreendedora Apresentação das disciplinas e professores Metodologias de ensino 131 APÊNDICE D - Autorização de permissão da pesquisa. 132 APÊNDICE F Respostas das questões abertas do (Apêndice B), aplicadas com os alunos que estão cursando o curso de Bacharelado em Turismo no segundo semestre de 2013.2 na FACOTTUR. 1- A FACOTTUR tem como foco a formação empreendedora. Você que está cursando o curso de Turismo considera que a formação empreendedora: Justifique sua escolha E4 E7 E8 E9 E10 E12 E13 E14 E15 E16 E17 E18 E19 Nas maiorias das empresas não havia GRHs, levando dificuldades aos empregadores e empregados , por diversos motivos por exemplo, antes não havia um contato aberto com as empresas os funcionários eram tratados como peças eram jogados em setores onde eram lhes atribuídos funções ,como na era de Taylor . Através da implementação do processo de GRHs , essa realidade se modificou ,e de certa forma humanizou e qualificou o trabalho como um todo ,desde da escolha de currículos até palestras motivacionais e educativas para os profissionais de várias áreas. A formação empreendedora é importante para que os profissionais de qualquer área se destaquem, para o turismo é muito importante também pelo fato de estar em contato com pessoas e empresas. eu curso turismo, mas eu vejo essa formação empreendedora da parte dos professores. é fundamental para que o profissional possa se destacar no mercado de trabalho. É importante para que o aluno possa ter noção de como montar seu próprio negócio e saber quais as diretrizes para tornar o projeto possível. Pois é a base para a sua capacitação e conhecimento do mercado (reconhecimento de oportunidades e a capacidade de aproveita-las). Apesar de ser um curso voltado para o turismo, deve- se ampliar conhecimento em outras áreas e sem contar que no turismo pode- se também empreender. A visão empreendedora é de suma importância, no Turismo busco trabalhar na área de eventos, marketing, esse fator será importante quando for abrir meu próprio negócio. Considero o empreendedorismo a chave para o sucesso profissional. Curso de turismo tem haver com o empreender até porque na vasta área do turismo temos um mercado de agencias de viagens de guias de turismo, faz parte sim até porque faz parte do curso intender o empreendedorismo. È fundamental pois vai estar m instruindo da melhor maneira para que eu possa um dia estar vindo a abrir meu próprio negócio, ser um empreendedor de sucesso. acho q hoje em dia o profissional que não tem uma visão empreendedora não vai crescer dentro do mercado de trabalho e irá trabalhar para o resto da vida como empregado dos outros Acho fundamental, pois a faculdade busca formar futuros profissionais, acredito que o empreendedorismo é uma característica importante para qualquer área profissional. 133 E20 E21 E22 E23 E24 E25 E26 E27 E28 E29 E30 E31 E32 E33 E34 E35 E36 E38 E39 E40 E41 E42 é importante porque precisamos teu uma visão diferenciada para as oportunidades que possam surgir em todo processo da vida. Sim, pois tudo estar ligado com isso agora. acredito que ter uma visão empreendedora durante e pós curso é bem importante para atuar em melhor escala no mercado turístico. É fundamental por que eu estou começando nessa área, em um pequeno empreendimento e quanto mais experiência melhor. Considero a atenção dada pela FACOTTUR ao desenvolvimento empreendedor dos seus alunos como fundamental, pois é apenas através do empreendedorismo que é possível formar profissionais capazes de criar e gerenciar de forma eficaz o seu próprio negócio. A FACOTTUR está investindo em educação, idéias e métodos de ensino que possibilite que seus alunos se libertem da subordinação mercadológica, sendo, dessa forma, líderes no mercado profissional e não apenas seres liderados. é muito importante pois o curso de turismo, é muito amplo e requer muita criatividade. é fundamental para acompanhar o crescimento global, tudo muda e se renova a todo tempo. "trabalho no ramo de hotelaria desde 1999 e não tenho tido muita evolução no trabalho que desenvolvia, após meu ingresso na facottur minha forma de pensar e agir em relação ao profissional mudou, tenho conseguido muita evolução tenho certeza que a instituição me ajudou muito ." Evidentemente. Ao sucesso cabe aqueles que souberem se sobressair no mercado competitivo. O futuro turismólogo tem que pensar, sabe fazer, empreender se quiser sair de trás das cortinas, para os holofotes. Acredito que o curso possibilita trabalhar em varias áreas. é muito importante sim pois estou me capacitando para o mercado de trabalho e junto a ele me qualificar melhor para concorrer as oportunidades. Considero importante de acordo com uma boa formação profissional. É fundamental por que com empreendedorismo você pode crescer com sua formação. para o crescimento pessoal e profissional. é fundamental pelo fato de ajudar na ,minha formação profissional sim, por que ajuda muitas pessoas que estão na área abrir sua própria empresa. é fundamental pois irá contribuir com a minha formação no ramo de Turismo. Creio que seja fundamental para minha formação é fundamental, pois nos possibilita a sairmos com uma importante formação para o mercado. pois irá me ajudar se no futuro eu querer abrir meu próprio negocio e me ajudar até varias visões em alguns assuntos. O curso de Turismo é muito amplo, e por isso a formação empreendedora estimula os alunos na tomada de decisão em relação ao próprio negócio. Um empreendimento de sucesso pode começar com uma ideia desenvolvida na instituição de ensino e ser um diferencial no mercado de trabalho. É fundamental, pois a faculdade mostra que não é tão complicado abrir o seu próprio negócio, e que qualquer pessoa seguindo o plano de negocio, pode abrir sua empresa, desde que siga as regras. Eu mesma, no começo do curso, não pensava em abrir a minha empresa, hoje já tenho outra visão completamente diferente. Pois sempre tive o sonho de abrir um negócio próprio. Meus familiares possuem seus estabelecimentos, mas foi a partir do curso de turismo que tive um conhecimento mais aprofundado sobre o assunto, e que me mostrou que é isso mesmo que eu quero para minha vida. 134 E43 E44 E45 E46 E47 E48 Para lidar com pessoas, para traçar objetivos, alcançar as metas estabelecidas tanto para a área profissional, quanto a pessoal. um espírito empreendedor é sempre bom pra qualquer ser humano independente se é ter um grande negócio ou até mesmo realizar um sonho. vejo o empreender como uma característica que deve existir em cada um tanto na vida profissional como na pessoal. Através do aprendizado do ser empreendedor, descobrimos novas maneira depercepção do mundo.Nunca vou esquecer o ensino da professora Marcela em empreeededorismo, e suas ramificações. Após a conclusão do curso, podemos sair com uma visão de mundo diferenciada. e bom ter um base sobre como empreender No ramo do turismo quem tem ou busca ter um olhar empreendedor, faz a diferença no mercado. Aproveitando as oportunidades no dia a dia. 9- As disciplinas que você elegeu como significativas foram ministradas por professores com perfil empreendedor? Caso sim. Qual (quais) professores? E2 E3 E4 E6 E7 E8 E9 E10 E11 E12 E13 E14 E15 E16 E17 E18 E20 E22 E23 E24 E26 E27 E31 E32 E33 E34 E35 Heitor, Tâmisa, Lamartine Pedro Paulo Procópio, Heitor, Lamartine e Tamisa Heitor Arôxa, Lamartine,Renato Santos Tamisa Vicente, Rebecca Cisne Danielle Mesquita, Daniela Coelho e Pedro Procópio Rebecca Cisne, Tâmisa Vicente, Daniele Mesquita. Daniele mesquita Rebecca Cisne, Tamisa Vicente, Juliana Lemoine e Danielle Mesquita Danielle, Rebecca, Renato, Rúbia e Tamisa. Danielle Mesquita, Rodrigo Rangel, Tâmisa Vincente, Renato Santos, Lamartine Rebecca Cisne; Lamartine; Daniele; Procópio; Juliana. Sâmea, Tamisa, Lamartine, Procopio, Daniela, Rebecca Tamisa Vicente, Rocha, Heitor Aroxa, Rebecca Cisne, Alícia Jara. Tamisa vicente, Daniela Mesquita, Daniela coelho e Rebecca Cisne, Eitor Arouxa. Rebeca Cisne, Tamisa Vicente, Rocha.. todos os professores tinham muito perfil empreendedor heitor, tamisa, danielle mesquita, rebecca, daniela coelho Rebeca Cisne, Tamisa Vicente, Daniele, Alicia. Danielle Mesquita, Tamisa Vicente Rebecca Sisne.. Os professores são: Tâmisa Vicente, Rebecca Cisne, Heitor Arôxa, Alícia Jara, Renato Santos e Daniele Coelho. todos no curso de turismo ao meu ver trouxeram um olhar invador , eu marquei todas as diciplinas pois não tenho como deixar de resaltar nenhum dos professores que estão fazendo parte da minha formação mas tenho quatro que queria destacar Rebeca Cisne , Tamisa Visente , Rubia Lossio e Renato Santos . Tâmisa Vicente/ Renato Mendes/ Rebecca Cisne Rebecca Cisne, Tamisa Vicente. Rebecca Cisne Rocha, Tâmisa Vicente, Rebecca Cisne, , Suelany Ribeiro, Rúbia Tâmisa vicente,Rúbia Lossio, Suelany Ribeiro,Rebecca Cisne, Rocha Rebecca, Rocha,Tamisa, Rubia. 135 E36 E38 E39 E40 E41 E42 E43 E44 E45 E46 E47 renato,tamisa e rebeca Tamisa, Luiza, Rebeca, Marcela, Lamartine, Diogo, Thiago,Rodrigo, Juliana Tamisa Vicente, Elaine, Rodrigo, Rebeca Cisne, Lamartine, Juliana, Marcela Marinho , Luisa ,Roberta Madureira e Diogo Elaine Nunes, Lamartine, Luisa Borba, Marcela, Adriana Cavalcanti, Tâmisa Vicente e Thiago Cantalice. Adriana Cavalcanti,Priscila Marques,Marcela Marinho,Tâmisa Vicente Priscilla Marques,Tâmisa Vicente,Marcela Marinho,Adriana Cavalcante. Rebecca Cisne, Marcela Marinho, Tâmisa Vicente e Diogo Helal. Virgínia - históriaLuiza Borba - inglêsMarcela marinho – empreendedorismo Elaine – psicologia Tâmisa Vicente - pot I Daniele mesquita - alimentos e bebidas Professores: Marcela, Rebecca Cisne, Lamartine, Juliana, Cezar, Tamisa, Rodrigo, Thiago, Eloisa. Marcela Marinho Rebecca Cisne Juliana Lemoine Rebecca cisne 13- A formação empreendedora da FACOTTUR, através de sua proposta pedagógica contribuirão ou já estão contribuindo para que você se torne um empreendedor em sua vida acadêmica, pessoal e profissional? Justifique sua resposta. E3 E4 E7 E8 E9 E10 E11 E12 E13 E14 E15 E16 E17 Sim, pois tudo o que estou aprendendo na FACOTTUR irei levar para a minha vida e para o meu trabalho . A facottur serve como intermediária as minhas pretensões profissionais ,tirando me dúvidas e norteando meu caminho. A cada conhecimento que adquirimos nós temos mais experiência para uma carreira empreendedora. os professores passam o interesse de que façamos a diferença no mercado de trabalho na área de turismo, seja na abertura de uma empresa ou na administração dela também. é importante saber como planejar um negócio e como gerir de maneira eficaz e inovadora para que não haja o fracasso. Graças a visão adquirida através das disciplinas mencionadas no item 8 que abrange um novo âmbito de vista para os leigos em determinado assunto. E isso leva a construção de um novo pensamento que não é apenas o empírico. O curso traz uma boa didática em termos técnicos e passa uma vasta visão do mercado de turismo e o que o mesmo espera dos futuros profissionais do turismo. Pois a partir destas cadeiras e suas aulas tive contato com professores não só eficientes, mas também eficazes, mostrando a realidade do mercado e as novas tendências de maneira clara, direta e dinâmica. Sim, pois adquiri mais conhecimento em um área que não tinha a mínima ideia de como funcionava realmente, aprendendo no que o turismo pode influência e de que forma se pode trabalhar e inovar. Me ajudando a planejar e administrar meu próprio negocio. Boa parte da contribuição vem da Faculdade, onde estou tendo a oportunidade de contato com profissionais de ótimo nível e qualidade que incentivam os alunos a empreender. Já estão contribuindo apesar de não me encaixar no perfil de ter algo próprio como empresa. Sim, pois tem me dado uma visão real de mercado. 136 E18 E19 E20 E22 E23 E24 E25 E26 E27 E29 E30 E31 E33 E34 E38 E39 E40 E41 E42 E43 E44 E45 E47 através das aulas se abre um mundo de possiblidades e escolhas além de termos o conhecimento técnico para se chegar ao nosso objetivo Além das disciplinas, os professores incentivam e buscam desenvolver isso nos alunos. comecei a pensar diferente depois das matéria ministradas, pois tive conhecimento de coisas que nunca tinha visto Ainda não, porque tenho um longo caminho a percorrer e muitas coisas para se estudar até tomar minha decisão. Por que me fez ser uma pessoa mais responsável e determinada na quilo que eu quero fazer. Através da formação da FACOTTUR, muitos mitos foram quebrados a respeito do meu curso, o de turismo. Eu acredito estar sendo preparado para a inovação no mercado de trabalho, para o dinamismo em meu curso de turismo e acredito que minha mente esteja sendo moldada para que eu seja dono do meu próprio negócio, muito mais além do que ser apenas um empregado. sim, pois os professores chamam muita atenção para seu alunos, não foca só em uma coisa e sim sempre esta criando, e mostrando a melhor forma de fazer seu negocio. como ja tinha falado até ingressar na facottur eu tinha um comportamento engessado em relação ao meu profissionalismo agora tenho outra visão de todo mercado e minhas possibilidades de adentrar nele Sem dúvida, um espírito empreendedor da geração y se alinha perfeitamente com a proposta pedagógica. ainda estou me relacionando e vendo se é o que realmente vou querer seguir. A FACOTTUR já ministra a contribuição para uma carreira profissional diferenciada. Sim, porque quanto mais conhecimento é melhor. E ao passar dos períodos, você vai crescendo. Esta contribuindo bastante pois esta mim ajudando a ter um futuro profissional muito melhor e como idealizo . através do incentivo do grupo de profissionais do turismo da facottur sim contribui, pois mim deu mais força de vontade para ter meu próprio negocio. Pois em cada período pude acrescentar em meus objetivos e traçar o meu caminho para o futuro com um olhar diferente. Todo conhecimento adquirido é de suma importância para todos os aspectos de nossas vidas. A ação empreendedora é um estímulo para o desenvolvimento de nossas competências e habilidades no mercado de trabalho. Sim, pois foi da cadeira de empreendedorismo e também a partir do desenvolvimento do TCC que surgiu a possibilidade desse novo desafio. Pois foi a partir do conhecimento adquirido dentro da sala de aula, que tive um aprendizado mais detalhado sobre como posso ser uma empreendedora. E a partir dos trabalhos acadêmicos possui um conhecimento mais aprofundado sobre o que quero para minha vida profissional. Consigo estabelecer metas e cumpri-las com eficácia. Rapidez nas decisões, sou mais dinâmica e criativa. Tenho bom relacionamento com as pessoas e consigo fazer várias atividades ao mesmo tempo. sim eles nos mostram o caminho agora o próximo passo é irmos com nossos próprios pés. Amadurecimento no pensar e agir em determinadas situações na vida profissional, com foco na qualidade do serviço prestado (ética profissional). e muito superficial 137 E48 Sim, pelo o motivo de fazer com que eu tenha um novo olhar perante aos desafios que o mercado de trabalho oferece no cotidiano. 14- Porque a escolha do curso de Turismo na FACOTTUR? E2 E3 E4 E5 E6 E7 E8 E9 E10 E11 E12 E13 E14 E15 E16 E17 E18 E19 E20 E21 E22 E24 E25 E26 E27 Porque, eu vê através do site ,entrei contato e estou gostando. Porque era o mas em conta e passou a confiança, apesar de ser um pouco desorganizada que eu percebi isso no decorrer do tempo , também exixte muitas coisas a desejar . Por que ela é voltada a o turismo a mais de 10 anos ,com professores graduados nas melhores universidades do país. Recomendação de algumas pessoas. Boa localização e bons professores. Pois é um curso de bacharelado com pouca duração, minha intenção inicial é me formar para estar mais preparada para o mercado de trabalho. além de ser o mais conceituado de PE, os professores tem amplo conhecimento na área e sabem passar com qualidade e se preocupam se o aluno está absorvendo as informações corretamente e se o aluno consegue desenvolver casos a partir do conteúdo passado pelos professores! Por que é uma instituição bem conhecida em relação a este curso Porque, a faculdade além de ficar próxima a minha residência, é conhecida na região pelo foco no curso de turismo, inclusive seu nome vem do turismo. Porém após ingressar no curso alguns professores deixam a desejar nos ensinos, fazendo com que haja insatisfação por parte de alguns alunos que realmente desejam estudar e aprender de fato. Além do que podemos observar que o Turismo dentro da faculdade não ocupa o lugar de carro chefe como próprio nome da faculdade sugere. Isso é uma pena. Especializar na área e especificamente em eventos, para futuramente abrir uma empresa no ramo tendo total domínio e conhecimento do setor de turismo e eventos. Curiosidade e proximidade da€ residência. É um curso dinâmico no qual não se é obrigado a passar tempo em uma sala e que você pode interagir com outras pessoas somando conhecimento. Curiosidade e também sonho de viajar muito. Na verdade a escolha foi a falta de opção de cursos de Turismo nesta cidade. Primeiramente por questão de preço, e a que se encontrava mas acessível a mim. Pois é a única faculdade que tem reconhecimentos de historicidades na região. além da comodidade de ser mais perto ,pesquisei e vi que o curso de turismo da Facottur é um dos melhores da região Era a faculdade que tinha o melhor conceito entre as faculdades acessíveis. comecei a fazer alguns cursos relacionados e achei que me identificava, e realmente deu certo. Por ser uma pessoa muito extrovertida, fácil de fazer amizades, gosto de ajudar, passear e planejar viagens. É uma instituição boa, tem um preço acessível e ótimos professores. Por que a FACOTTUR é uma das melhores faculdade de TURISMO em PERNAMBUCO. por ser mais barato, por referencia... "por que eu tava cansado de viver as mesmas coisas, então quis viver o novo e conseguir obrigado." É a melhor opção no custo x benefício 138 E29 E30 E31 E32 E33 E34 E35 E36 E38 E39 E40 E41 E42 E43 E44 E45 E47 E48 Devido à grade curricular Devido a curiosidade de conhecer o histórico de cidades. Exercer atividades que possam modificar bairros, etc. (construção de ideias materiais e profissionais) e pelo fato de se tornar um viajante com um olhar que possa mudar o mundo. Escolhi a FACOTTUR, pois é uma faculdade que pode me ajudar a crescer na vida e no mercado. Porque e a melhor da área turismo. Por ser um curso que na qual mim identifico não por gosta só de viajar mais para aprender mais sobre a cultura, costumes de outros países e pelo fato de querer ter meu próprio negocio em relação a atividade turística e por residir em Olinda uma cidade que recebe muitos turistas. Porque o turismo tem crescido muito e quero uma oportunidade na área de eventos. Além de gostar muito de viajar, quero ter o meu próprio negocio no ramo de agencia de viagens ou hotelaria. gosto muito da parte de lazer. Desde de pequena ouço falar do curso. Sempre quis, mas não tinha condições Porque era mais perto da minha casa e tinha um bom resultado. Preço, e professores qualificados. área profissional que se aproxima com um sonho pessoal. Turismo pra mim, foi minha segunda opção de escolha. Porém, como minha mãe trabalhava perto e conhecia a faculdade, aceitei estudar.. E não me arrependo, eu pretendo seguir nesse ramo, fazendo uma pós e tendo a minha empresa. Turismo era minha terceira opção de curso, mas sempre tive vontade de fazer. Como não passei na federal decidi fazer o curso, e como a faculdade fica perto da minha casa decidi fazer nela. Primeiro pra ter mais conhecimento, escolhi essa área. E a FACOTTUR, foi a que tinha a melhor oferta financeira na época. Conheci através de uma menina que estava fazendo a propaganda da Instituição nas ruas. logo de cara vi que só pelo fato de levar no nome faculdade ... e turismo me agradou. Pelo sonho de ser comissária de bordos e dominar a linga inglesa. eu escolhir turismo porque pensava que o curso era bom mais nao foi nada daquilo que imaginava que seria um curso com minha teoria e quase nehuma pratica . teve materias que deveriam ser ministradas desdo inicio do curso com ingles, espanhol e o proprio tcc. deveria existir empresas parceiras que oferece-se estagios ja que nessa area e muito ruim muito ruim consegui se sobressair A minha escolha se deu pelo o fato de já atuar no ramo do turismo. Senti a necessidade de aprofundar os meus conhecimentos através da teoria junto a prática. 139 ANEXO A Matriz curricular do curso de Turismo