UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E DE TECNOLOGIA DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL MODELAGEM DE EDIFÍCIOS DE CONCRETO ARMADO COM A CONSIDERAÇÃO DO EFEITO DE TORÇÃO DEVIDO À FORÇA DE VENTO Sérgio Gustavo Ferreira Cordeiro Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Departamento de Engenharia Civil da Universidade Federal de São Carlos como parte dos requisitos para a conclusão da graduação em Engenharia Civil Orientador: Prof. Dr. Guilherme Aris Parsekian São Carlos 2012 AGRADECIMENTOS Primeiramente gostaria de agradecer aos meus professores da graduação pelo conhecimento a mim passado durante o decorrer do curso o qual foi essencial para o entendimento e a realização deste trabalho. Especificamente, meus sinceros agradecimentos ao meu orientador professor Dr. Guilherme Aris Parsekian pela paciência e tempo desprendido sanando as minhas dúvidas a respeito da problemática do tema. Também gostaria de agradecer à TQS Informática Ltda. por ter me fornecido a versão plena do software para realizar as modelagens dos edifícios estudados e também pela disponibilidade em me receber em sua sede para o esclarecimento de algumas dúvidas a respeito dos modelos gerados pelo programa. Por fim agradeço também à AEOLUS Engenharia e Consultoria Ltda. Por ter me fornecido as plantas de forma dos projetos estruturais dos edifícios que foram estudados no trabalho. RESUMO Edifícios em geral, ao serem solicitados pela ação do vento podem sofrer efeitos globais de torção. Esses efeitos de torção na estrutura de um prédio podem surgir devido principalmente à distribuição irregular de pressão do vento na fachada e também à incidências do vento não perpendiculares à essas fachadas. A magnitude desses efeitos pode variar de acordo com diversos fatores como, por exemplo, a turbulência do vento, a altura do edifício, a geometria da sua seção transversal e ainda as condições de entorno da região onde a estrutura se encontra. A norma brasileira de forças devido ao vento em edificações, NBR 6123/1988 e outros códigos normativos internacionais indicam a aplicação de determinadas excentricidades da força de vento nos pavimentos para levar em considerações esses de efeitos de torção. Essas recomendações das normas conseguem abranger os efeitos de torção para edifícios relativamente não muito altos sendo que em edifícios com muitos pavimentos esses efeitos devem ser analisados através de ensaios em túneis de vento. Nesse trabalho foram modelados dois edifícios de concreto armado de 15 e 10 pavimentos sendo que cada um desses foi exposto a 4 situações de vento: Ventos de baixa turbulência não excêntricos, ventos de alta turbulência não excêntricos, ventos de baixa turbulência com excentricidade da norma brasileira sem considerar o efeito de vizinhança cujo valor é de 7,5% da dimensão da fachada ortogonal ao vento e por fim, ventos de alta turbulência com excentricidade da norma considerando o efeito de vizinhança que é de 15% dessa mesma dimensão. O modelo utilizado foi o modelo IV do software TQS que considera um pórtico espacial com barras representando vigas e pilares cujos nós possuem seis graus de liberdade. As ações verticais oriundas das lajes são obtidas pelo processamento dos pavimentos que são discretizados em grelhas planas e posteriormente são lançadas no pórtico. O objetivo principal do trabalho foi analisar no Estado Limite Último (ELU) a influência do efeito de torção nos esforços dos pilares nas proximidades do primeiro pavimento dos edifícios. Além disso, também foi objetivo avaliar como esse efeito de torção afeta a estabilidade global das estruturas dos edifícios através do parâmetro de estabilidade global RM2M1 que relaciona os esforços de 10 e 20 ordem calculados através do processo P∆ . Apartir da análise dos resultados obtidos dos modelos, no dimensionamento em Estado Limite Último do primeiro lance dos pilares dos edifícios, verificou-se que a não consideração do efeito de torção gerou uma situação, para o pilar mais afetado pela torção, onde o coeficiente de segurança γ f = Mrd / Msk foi de 1,26 que é menor do que o valor de 1,40 que a NBR-6118/2003 prescreve para dimensionamento e detalhamento de elementos estruturais. Foi verificado que as situações de vento que geraram os esforços mais críticos nos pilares nas combinações do ELU foram as com ventos excêntricos de baixa turbulência. Por fim, na análise da estabilidade global da estrutura os efeitos de segunda ordem não foram significativos nos edifícios estudados em nenhuma das diferentes solicitações de vento. Além disso, os valores dos parâmetros de estabilidade global RM2M1 permaneceram praticamente os mesmos para as situações de vento com e sem excentricidade. O fato de os parâmetros de estabilidade global não terem sido afetados pelo efeito de torção pode ser explicado, pois se por um lado o giro dos pavimentos provoca maiores deslocamentos da posição de alguns pilares, por outro lado ele também reduz os deslocamentos de outros pilares fazendo com que o deslocamento médio do pavimento seja muito próximo do deslocamento provocado apenas pela incidência do vento sem a torção. Uma melhor maneira de analisar a influência da torção do vento na estabilidade global da estrutura seria calcular um parâmetro de estabilidade para cada pilar da estrutura e assim avaliar o quanto maior seria esse parâmetro em um pilar de extremidade que tivesse um maior deslocamento devido ao giro do pavimento. Por fim, pode se concluir que a influência dos efeitos de torção na estabilidade da estrutura não pode ser quantificada pelo parâmetro de estabilidade global, no entanto esses efeitos podem afetar a segurança no dimensionamento e detalhamento de alguns elementos estruturais. Palavras-chave: Edifícios de concreto armado, excentricidade do vento, efeito de torção. ABSTRACT ABSTRACT Buildings in general, when requested by wind may suffer global torsional effects. These torsional effects in the structure of a building can arise mainly due to the irregular distribution of wind pressure on the facade and also because the wind does not impact perpendicularly to these facades. The magnitude of such effects may vary according to several factors such as wind turbulence, the height of the building, the geometry of his cross section and also the boundary conditions of the region where the structure is located. The Brazilian norm related to wind forces on buildings, NBR 6123/1988 and other international regulatory codes indicate the implementation of eccentricities to the wind force on the pavements in order to consider these torsional effects. These recommendations of the norms can cover torsional effects for not very tall buildings and, in case of buildings with many floors, these torsional effects must be analyzed by testing in wind tunnels. In this study two buildings of reinforced concrete were modeled with 15 and 10 floors and each one of than was exposed to 4 Wind situations: Winds of low turbulence not eccentric, winds of high turbulence not eccentric, low turbulence wind with the Brazilian norm eccentricity without considering the neighborhood effect which is 7,5% of the faced dimension that is perpendicular to the wind impact and finally high turbulence wind with the norm eccentricity considering the neighborhood effect that is 15% of the same dimension. The model used was the IV model of the software TQS that consider a special frame with bars representing beams and columns witch the nodes has six freedom degrees. The vertical actions of the slabs came from the processing of pavements that are discretized in plan grids and then this actions are applied on the frame. The main objective of the study was to analyze, near the state of collapse, the influence that the torsional effect has on the internal forces of the columns near the first floor of buildings. Besides It was also evaluate how this effect influence the global stability of the structures of buildings using the global stability parameter RM2M1 that relates the internal forces of 1st and 2 st order calculated with the P∆ process. Whit the analysis of the models results, during the sizing and detailing, near the Estate of collapse of the columns base, it was verified that the neglection of the torsional effect can caused a situation to the column most affected by torsion effect, where the safety factor γ f = Mrd / Msk was 1.26 , that is smaller than the value of 1.40 prescribed at the NBR-6118/2003 for sizing and detailing of structural elements. It was also verified that the wind situations which caused the most critical internal forces at the columns near the Estate of collapse was the one with eccentric low turbulence wind. Finally, at the analysis of the structure global stability the second order effects were not significant at any of the studied buildings in any different conditions of wind. Beside this, the values of global stability parameters RM2M1 were almost the same for the wind situations with or without eccentricity. The fact that global stability parameters were not affected by the torsional effect can be explained because if on one hand the rotation of the floors increase some columns deformation, on the other hand it can also reduces other`s columns deformation making the mean deformation of the floor becomes very close to the deformation caused only by the incidence of the wind without torsional effect. A better way to analyze the influence of the torsional effect overall the structure stability is by calculating a stability parameter for each columns of the structure and then check how much bigger this parameter would be for a columns which was a higher deformation due to de rotation of the floor. Finally, it can be concluded that the influence of torsional effects on the structure`s stability can not be quantified by the global stability parameter, however these effects may affect safety in the sizing and details of some structural elements. Key-words: Reinforced concrete buildings, Wind eccentricity, Torsional effect. LISTA DE FIGURAS Figura 1: Quarteirões de entorno urbano da cidade de Buenos Aires (Argentina), construídos em escala de simulação 1/300 ....................................................................................... 18 Figura 2: Fotografia do túnel de vento Prof. Joaquim Blessmann ......................................... 18 Figura 3: Perspectiva da balança dinâmica de 3 graus de liberdade para ensaios de modelos aeroelásticos em túnel de vento .................................................................................... 21 Figura 4: Esquema tridimensional de um núcleo estrutural ................................................... 24 Figura 5: Planta de forma do pavimento tipo ........................................................................ 27 Figura 6: Corte esquemático................................................................................................. 28 Figura 7: Flexibilização das ligações viga-pilar de acordo com os critérios do TQS ............. 33 Figura 8: Planta de forma do pavimento tipo do edifício A ................................................... 36 Figura 9: Corte esquemático do edifício A ........................................................................... 37 Figura 10: Visualização tridimensional do edifício A ........................................................... 38 Figura 11: Planta de forma do pavimento tipo do edifício B ................................................. 39 Figura 12: Corte esquemático do edifício B.......................................................................... 40 Figura 13: Visualização tridimensional do edifício B ........................................................... 41 Figura 14: Pórtico espacial do edifico A composto por barras de 6 graus de liberdade .......... 43 Figura 15: Pórtico espacial do edifico B composto por barras de 6 graus de liberdade .......... 43 Figura 16: Definição da linha de projeção das cargas de vento ............................................. 50 Figura 17: Altura para cálculo das áreas de influência da ação do vento nos pilares.............. 51 Figura 18: Vento excêntrico incidindo em um pavimento genérico....................................... 51 Figura 19: Lançamento da ação de vento excêntrica em um pavimento genérico .................. 52 Figura 20: Lançamento da ação de vento excêntrica em um pavimento genérico .................. 52 Figura 21: Rotação de um pavimento tipo intermediário do modelo A –V3 .......................... 53 Figura 22: Rotação de um pavimento tipo intermediário do modelo B –V3 .......................... 54 Figura 23: Representação de um edifício ao ser solicitado pela ação de um vento excêntrico 55 Figura 24: Posição do pilar mais influenciado pelo vento excêntrico para o edifício A ......... 64 Figura 25: Posição do pilar mais influenciado pelo vento excêntrico para o edifício B ......... 67 Figura 26: Momentos fletores no primeiro lance do pilar P13 do edifício A para a combinação crítica – Comparação vento não excêntrico versus vento excêntrico ............................. 72 Figura 27: Detalhamento adotado para o primeiro lance do P13 do edifício A para os modelos A-V1 e A-V3 ............................................................................................................... 73 Figura 28: Envoltória de momento resistente do P13 para o detalhamento adotado e solicitação crítica do modelo A-V1............................................................................... 74 Figura 29: Envoltória de momento resistente do P13 para o detalhamento adotado e solicitação crítica do modelo A-V3............................................................................... 74 Figura 30: Curva normal momento resistente do pilar P13 para o detalhamento adotado e solicitações últimas nos modelos A-V1 e A-V3 ............................................................ 77 Figura 31: Momentos fletores no primeiro lance do pilar P2 do edifício B para a combinação crítica – Comparação vento não excêntrico versus vento excêntrico ............................. 79 Figura 32: Detalhamento 1: Adotado para o primeiro lance do P2 do edifício B para os modelos B-V1 .............................................................................................................. 80 Figura 33: Detalhamento 2: Adotado para o primeiro lance do P2 do edifício B para os modelos B-V3 .............................................................................................................. 80 Figura 34: Envoltória de momento resistente do P2 para o detalhamento 1 e solicitação crítica do modelo B-V1 ........................................................................................................... 81 Figura 35: Envoltória de momento resistente do P2 para o detalhamento 1 e solicitação crítica do modelo B-V3 ........................................................................................................... 82 Figura 36: Envoltória de momento resistente do P2 para o detalhamento 2 e solicitação crítica do modelo B-V3 ........................................................................................................... 82 Figura 37: Curva normal momento resistente do pilar P2 para o detalhamento 1 adotado e solicitações últimas nos modelos B-V1 e B-V3 ............................................................ 85 Figura 38: Curva normal momento resistente do pilar P2 para o detalhamento 2 adotado e solicitações últimas nos modelos B-V1 e B-V3 ............................................................ 85 LISTA DE TABELAS Tabela 1: Pressões nos pavimentos do edifício A geradas por vento de baixa turbulência ..... 47 Tabela 2: Pressões nos pavimentos do edifício A geradas por vento de alta turbulência ........ 47 Tabela 3: Pressões nos pavimentos do edifício B geradas por vento de baixa turbulência ..... 49 Tabela 4: Pressões nos pavimentos do edifício B geradas por vento de alta turbulência ........ 49 Tabela 5: Momento fletor e esforço normal nas bases devido aos ventos de baixa turbulência edifício A ..................................................................................................................... 61 Tabela 6: Relação entre normal total nas bases para modelos com ventos de baixa turbulência – Edifício A.................................................................................................................. 61 Tabela 7: Momento fletor e esforço normal nas bases devido aos ventos de alta turbulência edifício A ..................................................................................................................... 62 Tabela 8: Relação entre normal total nas bases para modelos com ventos de alta turbulência – Edifício A .................................................................................................................... 62 Tabela 9: Momento fletor e esforço normal nas bases devido aos ventos de baixa turbulência edifício B ..................................................................................................................... 65 Tabela 10: Relação entre normal total nas bases para modelos com ventos de baixa turbulência – Edifício B............................................................................................... 65 Tabela 11: Momento fletor e esforço normal nas bases devido aos ventos de alta turbulência edifício B ..................................................................................................................... 66 Tabela 12: Relação entre normal total nas bases para modelos com ventos de alta turbulência – Edifício B .................................................................................................................. 66 Tabela 13: Parâmetros de estabilidade global RM2M1 para os modelos analisados .............. 71 Tabela 14: Normal versus momento resistente para o detalhamento adotado e solicitações nos modelos A-V1 e A-V3 ................................................................................................. 77 Tabela 15: Normal versus momento resistente no P2 para o detalhamento 1 e solicitação nos modelos B-V1 e B-V3 .................................................................................................. 84 Tabela 16: Normal versus momento resistente no P2 para o detalhamento 2 e solicitação nos modelos B-V1 e B-V3 .................................................................................................. 84 SUMÁRIO 1. 2. INTRODUÇÃO ............................................................................................................. 8 1.1 AÇÃO DO VENTO NA ESTRUTURA DE EDIFÍCIOS.................................... 8 1.2 IMPORTÂNCIA DO PROJETO NO CONTEXTO ATUAL ............................ 8 1.3 Justificativa ........................................................................................................... 9 1.4 Objetivos ............................................................................................................. 10 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA..................................................................................... 11 2.1 NATUREZA DAS AÇÕES DO VENTO E SUAS INFLUÊNCIAS SOBRE AS EDIFICAÇÕES .............................................................................................................. 11 2.2 TORÇÃO DEVIDA À AÇÃO DO VENTO EM EDIFICAÇÕES.................... 12 2.3 MODELAGEN DE EDIFÍCIOS DE CONCRETO ARMADO SOLICITADOS PELA AÇÃO DO VENTO............................................................................................. 22 3. MÉTODOLOGIA ........................................................................................................ 30 3.1 apresentação do modelo de cálculo adotado ...................................................... 30 3.1.1 ligação viga-pilar .............................................................................................. 32 3.1.2 CARGAS NA GRELHA E EFEITO CONSTRUTIVO ..................................... 33 3.1.3 rigidez à torção em vigas .................................................................................. 34 3.1.4 plastificações nos estremos de vigas ................................................................. 34 3.1.5 mesa colaborante na seção das vigas ................................................................. 34 3.1.6 engastamento parcial das bases dos pilares na fundação .................................... 34 3.2 Características dos edifícios a serem modelados ............................................... 35 3.2.1 características do edifício A .............................................................................. 35 3.2.2 edifício B .......................................................................................................... 38 3.3 4. modelagens dos edifícios. .................................................................................... 41 CÁLCULO E LANÇAMENTO DAS AÇÕES DE VENTO NO MODELO ................. 44 4.1 Cálculo da ação de vento de acordo com a nbr 6123/1988. ............................... 44 4.1.1 calculo das pressões de vento no edifício a........................................................ 46 4.1.2 cálculo das pressões de vento no edifício b. ...................................................... 48 4.2 lançamento das cargas de vento no modelo. ...................................................... 50 4.2.1 lançamento das cargas de vento não excentricas no modelo .............................. 50 4.2.2 lançamento das cargas de vento excentricas no modelo ..................................... 51 4.3 influência da altura das edifícações na significancia dos efeitos de torção do vento. 54 5. ANÁLISE DOS RESULTADOS ................................................................................. 58 5.1 determinação dos pilares mais afetados pelo efeito de torção – análise comparativa dos esforços oriundos do vento................................................................. 59 5.1.1 RESULTADOS dos esforços característicos de momento fletor e normal na base dos pilares dos modelos do edifício A .......................................................................... 60 5.1.2 RESULTADOS dos esforços de momento fletor e normal na base dos pilares dos modelos do edifício B .................................................................................................. 64 5.2 DETERMINAÇÃO DA COMBINAÇÃO CRÍTICA PARA OS PILARES MAIS AFETADOS PELO EFEITO DE TORÇÃO. .................................................... 68 5.2.1 Combinações críticas para o pilar p13 do edifício A para os modelos com e sem o efeito de torção do vento .............................................................................................. 69 5.2.2 Combinações críticas para o pilar p5 do edifício b para os modelos com e sem o efeito de torção do vento .............................................................................................. 69 5.3 ANÁLISE da influência do efeito de torção nos efeitos de segunda ordem dos pilares. ............................................................................................................................ 70 5.4 Análise comparativa do detalhamento dos pilares mais afetados pelo efeito de torção do vento. .............................................................................................................. 72 5.4.1 Análise da influência do efeito de torção no detalhamento do pilar p13 do edifício A 72 5.4.2 análise da influência do efeito de torção no detalhamento do pilar p5 do edifício b 78 6. CONCLUSÕES ........................................................................................................... 87 6.1 influência do efeito de torção do vento no dimensionamento e detalhamento dos pilares no elu ............................................................................................................ 87 7. 6.2 comparação dos resultados dos edifícios A e B.................................................. 87 6.3 influência do efeito de torção do vento na estabilidade global dos edifícios ..... 88 6.4 Comparacão dos resultados para ventos de baixa e de alta turbulência .......... 89 AVALIAÇÕES ............................................................................................................ 90 7.1 auto-avaliação. .................................................................................................... 90 7.2 avaliação do orientador. ..................................................................................... 91 REFERÊNCIAS ................................................................................................................. 92 8 1. 1.1 INTRODUÇÃO AÇÃO DO VENTO NA ESTRUTURA DE EDIFÍCIOS Na análise estrutural de edifícios de concreto armado, é necessária a análise de três importantes fatores em relação ao efeito do vento em um edifício de múltiplos pavimentos. Primeiramente a estrutura, para as ações no Estado Limite Último, deve ser capaz de resistir aos esforços introduzidos pela ação do vento. Também é importante que a estrutura tenha rigidez o suficiente para satisfazer os limites de deformação previstos na norma para as ações em Estado Limite de Serviço não prejudicando assim a funcionalidade de outros sistemas construtivos que estarão presentes na edificação e também não gerando desconforto visual aos usuários. A ação de vento pode ser absorvida pela estrutura por elementos de contraventamento em estruturas contraventadas ou ainda, como é o mais comum para estruturas de concreto armado monolíticas, ser absorvida pelos próprios pórticos (estruturas aporticadas). Nesse trabalho, o foco será na análise estrutural em Estado Limite Último dos edifícios submetidos aos efeitos de torção. De acordo com a NBR 6123/1988 e outros códigos normativos internacionais como, por exemplo, o NBCC (1990) do Canadá e o DIN-1055 (1977) da Alemanha, é necessário levar em conta na consideração da ação do vento sobre a estrutura uma determinada excentricidade da resultante da força de arrasto que incide na fachada do edifício em relação ao centro de torção da sua planta. A consideração dessa excentricidade visa abranger o máximo possível de situações de incidência do vento em edifícios que muitas vezes podem estar submetidos a efeitos de torção relevantes devido ao vento. A magnitude desses efeitos de torção na estrutura de um prédio pode variar de acordo com o ângulo de incidência do vento em relação às fachadas, de acordo com a secção transversal da edificação, sendo que secções não retangulares geralmente intensificam esses efeitos de torção do vento, e também podem variar de acordo com a turbulência do vento que incide no edifício a qual é função das características de rugosidade do entorno onde a edificação se encontra. 1.2 IMPORTÂNCIA DO PROJETO NO CONTEXTO ATUAL De acordo com a literatura existente sobre o assunto é possível verificar que o efeito de torção devido ao vento nos edifícios se intensifica a medida que a edificação é mais esbelta. Atualmente, devido aos avanços dos softwares de cálculo estrutural, racionalização 9 do consumo de concreto nas estruturas e novas tendências arquitetônicas os edifícios de múltiplos pavimentos modernos vem se tornando cada vez mais esbeltos e, portanto mais sensíveis à torção devido ao vento. Além disso, estudos recentes têm mostrado que mesmo as excentricidades previstas nos códigos normativos podem não resultar em esforços tão significantes quanto os encontrados para determinadas situações em ensaios de modelos reduzidos de edifícios altos em túneis de vento. Na análise estrutural de um edifício é necessário utilizar modelos que simulem as condições de vinculação reais que iram ocorrer entre os elementos estruturais e que permitam a introdução das ações atuantes no edifício durante a sua vida útil. Com os modelos existentes é possível obter os esforços na estrutura levando em consideração a não linearidade geométrica e também a fissuração dos elementos no caso de edifícios de concreto armado. No entanto, existem atualmente diversos modelos estruturais desde os mais complexos até modelos mais simples que exigem menor esforço computacional e softwares menos sofisticados. Cada um desses modelos possuem suas determinadas limitações cabendo ao engenheiro projetista, na análise de cada estrutura, a escolha do modelo adequado. Muitas vezes na análise de estruturas de edifícios são utilizados modelos de pórticos planos. Nesses modelos não é possível introduzir a ação de vento levando em consideração as excentricidades previstas na norma sendo a utilização desses modelos, portanto restrita a situações em que o projetista tenha certeza de que os esforços de torção global na estrutura são desprezíveis comparados aos outros. Contudo é comum a utilização desses modelos em escritórios de cálculo estrutural sem a devida cautela que se deve ter antes de desprezar esses efeitos que surgem devido ao vento nas estruturas. Nesse contexto, o presente trabalho se propõe a avaliar quantitativamente a relevância dos efeitos de torção em edifícios de concreto armado através da comparação de resultados obtidos a partir de modelagens de edifícios de 10 e 15 pavimentos. 1.3 JUSTIFICATIVA Edifícios em geral estão sujeitos a forças laterais devido ao vento. As características dessa ação são muito variáveis, porém usualmente seu efeito é simplificado pela consideração de valores máximos de vento nas duas direções principais do edifício, paralelas aos eixos X e Y. É relativamente comum entre os projetistas estruturais desconsiderar a excentricidade do vento prevista pela NBR 6123/1988 para edifícios de concreto armado de pequeno a médio porte. Essa excentricidade gera efeitos de torção na 10 estrutura dos edifícios que podem acarretar em determinado acréscimo de esforços nos seus elementos gerando uma situação mais desfavorável para dimensionamento desses. O presente trabalho se justifica pelo objetivo de avaliar a significância da não consideração dessa excentricidade em edifícios de concreto armado. O estudo é baseado na revisão da literatura identificando variáveis que afetam a excentricidade do vento como as variações das condições de vizinhança da edificação que alteram a turbulência dos ventos, a condição da forma da planta da edificação, entre outros. Estudos recentes realizados com o auxílio de Túnel de Vento indicam que, pelo menos para edifícios altos de concreto armado, os valores de excentricidades previstos em norma estão contra a segurança levando nesses casos ao subdimensionamento da estrutura para resistir à torção global da edificação. (Fontes 2003, Carpeggiani 2004, Bortoli 2005, Siqueira 2009, Arrais 2011). Portanto se para algumas edificações até os valores previsto em norma podem estar inadequados torna-se importante realizar o estudo da significância dos esforços gerados pela excentricidade do vento prevista na norma, que muitas vezes são desprezadas, para edifícios em concreto armado de pequeno a médio porte. 1.4 OBJETIVOS Este trabalho tem como objetivo avaliar a significância da consideração ou não da excentricidade da ação do vento (efeito de torção), prevista pela NBR 6123/1988, na determinação de esforços nas bases de edifícios de concreto armado e dos parâmetros de estabilidade global desses edifícios. Serão avaliados casos de edifícios solicitados por vento não excêntrico de baixa turbulência e de alta turbulência, como também edifícios solicitados por vento excêntrico de baixa e de alta turbulência de acordo com as recomendações da NBR 6123/1988. Os resultados das modelagens serão comparados sendo que a questão a ser pesquisada é indicar, em termos quantitativos, o quanto o modelo estrutural subestima os esforços e a estabilidade global da edificação quando a torção em planta é desprezada. 11 2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA Neste item procura-se descrever inicialmente a natureza da ação de vento e como essa ação pode levar a efeitos de torção global nas estruturas. Também procura-se descrever as simplificações adotadas em norma para a consideração do efeito do vento em projeto e os modelos estruturais. 2.1 NATUREZA DAS AÇÕES DO VENTO E SUAS INFLUÊNCIAS SOBRE AS EDIFICAÇÕES De maneira geral são vários os fatores que originam as diferenças de pressão atmosférica. Essas diferenças provocam as movimentações de massas de ar que ocasionam uma variação muito irregular da velocidade do vento abaixo da camada limite. Essa é definida como a camada a partir da qual o vento possui um comportamento mais regular e o seu escoamento pode ser considerado em regime uniforme não perturbado. Com isso, a velocidade do vento é definida por variações aleatórias no tempo em torno de um valor médio. A velocidade do vento pode então ser dividida em uma parcela média que é geralmente uma função crescente em relação à altura a partir do solo, pelo menos até o nível da camada limite, e uma parcela flutuante que é função também do tempo. A turbulência de um vento depende então da flutuação dessa segunda parcela que por sua vez é função da altura e também da rugosidade do terreno. A parcela flutuante é ainda função do espaço, ou seja, para um mesmo instante, ela pode assumir valores diferentes em locais diferentes. Quando o vento atravessa um obstáculo, como é o caso das edificações, esse gera pressões e consequentemente forças na superfície desse obstáculo. Esse conjunto de forças, no contexto da aerodinâmica, é correntemente dividido em três parcelas sendo a primeira relativa às forças na direção do escoamento e são denominadas forças de arraste, a segunda parcela corresponde às forças na direção transversal ao escoamento denominadas forças de sustentação e por fim o desvio dessas forças em relação ao centro de torção da secção do obstáculo gera um momento torçor no mesmo. Essas forças são geralmente traduzidas por coeficientes adimensionais denominados coeficientes de força podendo ser coeficientes de arrasto, de sustentação ou de momento (Camarinha, 2009). 12 O vento que atinge uma edificação pode ser classificado, de acordo com o regime de escoamento, como de baixa ou de alta turbulência sendo que isso depende da rugosidade do entorno do edifício, ou seja, maiores rugosidades de entorno produzem ventos mais turbulentos que via de regra, possuem velocidades médias mais baixas, porém parcelas flutuantes mais variáveis em relação aos ventos de baixa turbulência. 2.2 TORÇÃO DEVIDA À AÇÃO DO VENTO EM EDIFICAÇÕES Na maioria das normas e modelagem estrutural de edifícios o vento é considerado como incidindo apenas perpendicularmente às fachadas de uma edificação sendo necessária uma aproximação para um edifício de planta retangular. Também é comum considerar que as ações de vento se distribuem uniformemente pela fachada, fato esse que raramente ocorre na realidade em edificações submetidas ao vento e que leva à desconsideração dos efeitos de torção, pois nessa hipótese as forças de vento se anulam lateralmente em relação ao eixo vertical da edificação. Quando a incidência do vento é oblíqua aos eixos de simetria, ou seja, obliqua às fachadas de edifícios com planta retangular, ou então quando a estrutura não for simétrica, os efeitos de torção devido ao vento tornam-se mais relevantes. Segundo a maioria das normas e códigos os efeitos oriundos da ação do vento possuem uma parcela estática (média) e uma parcela dinâmica (flutuante). Para edifícios com elevada rigidez a parcela dinâmica desses efeitos pode ser considerada não relevante, porém em se tratando de edificações mais esbeltas, esses efeitos começam a se tornar cada vez mais significantes. A parcela dinâmica do vento, por ter variação de pressões no espaço para um mesmo instante, pode originar diferenças de pressões em uma mesma fachada de um edifício originando esforços de torção na estrutura. Segundo Boggs and Dragovich (2006) é necessário avaliar se a resposta dinâmica de uma estrutura aos efeitos do vento acentua os esforços e as deformações dessa de maneira significante. O principal parâmetro da estrutura para avaliar se a sua resposta dinâmica devida à ação do vento será significativa é a frequência fundamental do edifício ou frequência natural de vibração f 0 . De acordo com a ASCE (American Society of Civil Engineers) uma estrutura é classificada como sendo dinamicamente sensível, ou ainda como flexível, quando a sua frequência natural f 0 for menor que 1 Hz, caso contrário a estrutura pode ser considerada como rígida e a resposta dinâmica dessa em relação às ações do vento podem ser consideradas desprezíveis. Uma estimativa inicial do valor de f 0 para edifícios de dimensões convencionais que é muito utilizada é considerar f 0 = 46 / H , 13 onde H é a altura do prédio em metros e a frequência resulta em Hz. Apesar de ser apenas uma regra simples que não considera a rigidez dos elementos estruturais é possível perceber que para edifícios cujas dimensões dos elementos estruturais são usuais e que possuam alturas maiores que 46 m, aproximadamente 16 pavimentos, os efeitos dinâmicos da ação do vento começam a ter uma determinada significância sendo necessária assim uma análise mais cautelosa sobre esses efeitos antes de despreza-los no modelo estrutural do prédio. Os efeitos de torção nas estruturas devido ao vento surgem principalmente por três causas: Forma externa da edificação sendo que as formas não retangulares tendem a sofre maiores esforços de torção, efeitos de interferência da vizinhança que alteram a turbulência do vento que atinge a edificação e efeitos dinâmicos na estrutura devidos à turbulência atmosférica. A norma brasileira NBR 6123/1988 leva em consideração, na análise estática, esses efeitos de torção ao recomendar para edificações de planta retangular a utilização uma excentricidade de 15 % da dimensão em planta da fachada em que o vento incide para o caso de edificações com efeito de vizinhança e de 7,5% dessa dimensão para o caso de edificações sem efeito de vizinhança. Ainda segundo a norma os efeitos de vizinhança devem ser considerados somente até a altura do topo das edificações situadas nas proximidades e que estejam dentro de um circulo de diâmetro igual à altura do prédio em estudo, ou igual a seis vezes a menor dimensão em planta adotando-se o menor entre esses dois valores. A análise dinâmica dos efeitos de vento recomendada pela NBR 6123/1988 resulta em efeitos de torção ainda mais significantes do que os obtidos pela análise estática principalmente em edifícios muito esbeltos com baixa rigidez. No entanto nesse estudo, na modelagem dos edifícios, será realizada apenas a análise estática dos efeitos do vento prevista pela norma brasileira. Como os edifícios estudados não são relativamente altos, a excentricidade dos ventos de alta turbulência será considerada com o efeito de vizinhança até a altura total do edifício sujeita ao vento. Contudo, alguns estudos com túnel de vento, que geralmente representão melhor as ações do vento na estrutura do que outros modos de análise indicam que, para algumas situações de incidência de vento, forma da secção das edificações e condições de vizinhança, até as excentricidades previstas pela norma podem levar a consideração de esforços de torção na estrutura inferiores aos encontrados através dos ensaios no túnel de vento. Além disso, segundo (Isyumov e poole, 1983; Zhang et al.,1994) análises com Túnel de vento têm mostrado que mesmo para edifícios de planta retangular e com eixo de torção 14 coincidindo com o eixo geométrico, para determinados ângulos de incidência oblíquos do vento, aparecem esforços de torção consideráveis na estrutura. Em ensaios em túnel de vento geralmente são tomados registros de pressões de vento nas fachadas dos modelos reduzidos dos edifícios para variados ângulos de incidência. São aferidas de acordo com as formas de secções transversais das edificações dimensões nominais Bx e By para cada planta de edificação no cálculo das excentricidades. Com os registros de pressões são calculados os coeficientes de pressão externa nas faces do modelo a partir da equação 2.1: T 1 p (t )dt T ∫0 Cp = q (2.1) Sendo: p(t): Pressão instantânea na, na superfície da edificação; t: Tempo; T: Intervalo de tempo de amostragem; q= 1 ρV 2 : Pressão dinâmica de referência; 2 Na análise estática dos efeitos do vento são considerados os valores de pressão média do vento para o cálculo das forças cortantes, momentos fletores e de torção, pois as pressões de pico registradas não ocorrem simultaneamente em toda a estrutura. Já na análise dinâmica é mapeada a pressão dinâmica e a velocidade de escoamento do vento em qualquer ponto da seção transversal da edificação permitindo assim analisar os efeitos dinâmicos de torção devida ao vento. Com os coeficientes de pressão médios são determinadas as componentes das forças totais do vento na base da edificação pelas equações 2.2 e 2.3 e a partir dessas os coeficientes de forma globais são obtidos pelas equações 2.4 e 2.5. Fx = Ax.Cp.q (2.2) Fy = Ay.Cp.q (2.3) 15 Cx = Fx q.By.H (2.4) Cy = Fy q.Bx.H (2.5) Sendo: Ax, Ay: Áreas das fachadas da edificação onde os ventos x e y incidem; Bx, By: Dimensões nominais da secção transversal do prédio; H: Altura de referência. Por fim, como o coeficiente de torção é definido pela equação 2.6: Ct = Mt q.Bx.By.H (2.6) Onde Mt é o momento torçor em relação o ponto de origem dos eixos x e y. É possível determinar as excentricidades do vento ex e ey para uma edificação de planta retangular equivalente com dimensões em planta Bx e By por suas definições expressas pelas equações 2.7 e 2.8: ex = Mt q.Ct.Bx.By.H Ct.By = = Fy q.Cy.Bx.H Cy (2.7) ey = Mt q.Ct.Bx.By.H Ct.Bx = = Fx q.Cx.By.H Cx (2.8) Ao analisarmos o fato de que para algumas situações o vento, segundo alguns estudos, pode gerar esforços de torção global na edificação superiores do que os 16 considerados no cálculo adotando as excentricidades previstas pela norma, é possível perceber a cautela que se deve ter em relação aos esforços gerados pela ação do vento. Nesse contexto, existem modelos estruturais como é o caso dos modelos de pórtico plano que desconsideram essa excentricidade prevista pela norma e que, portanto possuem determinados limites de utilização que muitas vezes não são respeitados no cálculo estrutural de edificações. A seguir são comentados alguns desses estudos que demonstram a importância dos efeitos de torção devido ao vento em edificações. Segundo Fontes (2003) em seu estudo sobre importância dos efeitos de vizinhança na resposta dinâmica de um edifício à ação do vento deduziu que a vizinhança de uma edificação pode alterar significativamente os coeficientes aerodinâmicos com os quais são calculadas as forças oriundas do vento nas estruturas ou até mesmo fazer com que surjam efeitos relevantes como a inversão dos esforços e momentos torçores ou ainda o aumento de sucções. Portanto, principalmente devido ao grande numero de possibilidades, é praticamente impossível para as normas e códigos fornecer parâmetros que abranjam todas as situações, ou seja, a vizinhança causa muitas vezes efeitos imprevisíveis sobre a edificação. O desbalanceamento na distribuição instantânea de pressões do vento nas fachadas das edificações e a excentricidade da massa aerodinâmica com o centro elástico causam a parcela dinâmica da torção nos prédios. Além disso, a tendência atual de se produzir formas arquitetônicas cada vez mais complexas e muitas vezes assimétricas paras os edifícios acabam agravando esses efeitos de torção. Em seu trabalho, além da análise dos efeitos de vizinhança o autor também avaliou os efeitos do vento com ângulos de incidência variando de 0 a 90 graus com incrementos de 15 graus para um edifício localizado na Avenida Paulista em São Paulo que possui 60 m de altura e base de 25,15 m x 16,15 m. Foi simulado um vento de baixa turbulência e também um vento de alta turbulência que se equivalem às categorias I e V da NBR 6123/1988 respectivamente. Para os dois casos os modelos foram ensaiados sem vizinhança e para o vento de alta turbulência também foram realizados ensaios com quatro situações distintas de vizinhança na escala 3/1000. Os ensaios foram realizados no túnel de vento Prof. Joaquim Blessmann do Laboratório de Aerodinâmica das construções da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Cada tomada de pressão foi ligada a um multimanômetro a álcool, além das leituras feitas através de um micromanômetro de água tipo Betz. Isso possibilitou visualizar instantaneamente como se distribuem as pressões ao longo do modelo sendo possível assim determinar os coeficientes aerodinâmicos a serem utilizados na análise dinâmica. Os resultados experimentais dessa pesquisa para os efeitos de torção devido ao vento foram comparados com as recomendações da NBR 6123/1988 e da norma canadense NBC 1985 para a análise dinâmica e também com os resultados obtidos nos ensaios em um modelo 17 estático realizado por Rieira et al (1994) onde os coeficientes de pressão externa, de força e de arrasto foram determinados simulando a vizinhança real onde o edifício realmente está inserido. O autor por fim conclui que para algumas situações das situações de vizinhanças e para determinados ângulos de incidência do vento as excentricidades definidas por ambas as normas são inferiores às determinadas através do ensaio sendo que sempre em quase todos os casos na determinação experimental da excentricidade relativa à face da menor dimensão da edificação as prescrições da NBR para a consideração dessa excentricidade eram contra a segurança. Além disso, o auto também conclui que apesar de se mostrar no geral mais consistente que a norma canadense, as considerações da norma brasileira, para o modelo sem vizinhança com vento de alta turbulência, resultam em respostas contra a segurança , quando comparadas com os resultados obtidos com o vento simulado incidindo a 0, 15 e 30 graus. Em outro estudo sobre as interferências do entorno urbano sobre as ações do vento em edifícios, Bortoli (2005), produziu-se para os ensaios em túnel de vento um campo de velocidades de fundo que é caracterizado como um terreno suburbano e definido pela norma brasileira como terreno de categoria IV. Para a análise primeiramente foram construídos dois modelos que reproduzem os modos de vibração de prédios com dimensões transversais iguais às médias estatísticas obtidas das estruturas construídas e com alturas de duas até quatro vezes a altura média. Mediram-se na base os valores médios e flutuantes dos momentos torçor, momentos no sentido longitudinal e transversal com o modelo isolado para posterior comparação com os valores obtidos dos códigos de vento brasileiro (NBR 6123/1988) e argentino (CIRSOC 102) e também posicionado em entornos superficiais urbanos. Para analisar o campo de velocidades médias e flutuantes do vento em centros urbanos foram construídos em escala de 1/300 seis modelos fiscos de 26 quarteirões simulando assim os parâmetros básicos da rugosidade superficial do microcentro da cidade de Buenos Aires na Argentina. Os ensaios dos modelos forma realizados no túnel de vento de camada limite Jacek P. Goreck da Facultad de Ingeniería de la Universidad Nacional del Nordeste (U.N.N.E., Argentina). A Figura 1 refere-se à simulação do entorno urbano da cidade de Buenos Aires (Argentina). 18 Figura 1: Quarteirões de entorno urbano da cidade de Buenos Aires (Argentina), construídos em escala de simulação 1/300 Fonte: Bortoli (2005) Os resultados obtidos no estudo apontam que para os momentos médios (análise estática) os valores indicados pelos Códigos normativos analisados foram superiores aos experimentais. Porém para os momentos torçores flutuantes (análise dinâmica), algumas situações de condições de entorno resultaram em valores experimentais superiores às indicações de análise dinâmica desses códigos. É importante ressaltar que nesse estudo os modelos ensaiados possuíam secção transversal retangular na qual geralmente os esforços de torção devido ao vento são significativamente menores quando comparados com os esforços que ocorrem em edificações com plantas arquitetônicas mais variadas. Carpeggiani (2004) analisou, em modelos reduzidos ensaiados em túnel de vento, a torção devida aos efeitos de estáticos da ação de vento em edifícios de diversas configurações arquitetônicas. Os ensaios foram realizados no túnel de vento Prof. Joaquim Blessmann do Laboratório de Aerodinâmica das construções da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o qual foi projetado especificamente para ensaios estáticos e dinâmicos de modelos de construções civis. O túnel permite a simulação das principais características de ventos naturais. A Figura 2 mostra a fotografia do túnel de vento de onde foram tirados os resultados da pesquisa. Figura 2: Fotografia do túnel de vento Prof. Joaquim Blessmann 19 Fonte: Carpeggiani (2004) Foram analisados 11 edifícios de formas arquitetônicas variadas com alturas de 56,5 m a 149.5 m. Para a análise foram construídos modelos reduzidos dos prédios em escalas que variam de 1:220 a 1:400. Os modelos receberam tomadas de pressão nas fachadas com medidas a cada 15 graus de incidência do vento, com esses registros das pressões foram calculados os coeficientes de pressão externa médios, as componentes das forças totais de vento na base da edificação, os coeficientes de forma globais, o coeficiente de torção e por fim as excentricidades ex e ey . A partir dessas excentricidades obtidas experimentalmente para cada um dos edifícios analisados, seus valores foram comparados com estimativas indicadas pelas normas brasileira (NBR 6123 (1988)), canadense (NBCC (1990)), alemã (DIN-1055 (1977)) e também com as recomendações teóricas de Isyumov (1983). O autor conclui que para edifícios com formas transversais atípicas às retangulares, as excentricidades são superiores aos valores indicados pela norma brasileira. O autor ainda recomenda para fins de codificação e projeto que a norma brasileira adote um único valor para a excentricidade, ou seja, 15 % da maior da edificação em planta, para edifícios com formas transversais retangulares, independente da consideração ou não dos efeitos de vizinhança. Devido a essas discrepâncias entre as indicações de normas e resultados experimentais determinados em ensaio de túnel de vento para os valores de momento torçor em edifícios vários outros estudos foram realizados visando adequar a norma de vento, Siqueira (2009), em seu estudo, procurou adequar os momentos de torção em edifícios de concreto armado devido à ação do vento, calculados pela NBR 6123/1988. Para isso foi realizada uma comparação dos resultados obtidos segundo a norma com os resultados obtidos em ensaios no túnel de vento Prof. Joaquim Blessmann (TV-2), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, para 10 edifícios altos. As edificações analisadas possuíam alturas de 86 até 152 metros de altura e formas variadas de arquitetura para abranger um maior numero de casos. Os modelos reduzidos eram em sua maioria na escala 1/400 e as pressões de vento para o cálculo do momento de torção foram tomadas a cada 15 de ângulo de incidência do vento. Nos cálculos feitos a partir da norma foram considerados intervalos de tempo de 10s para o cálculo da velocidade média. Os valores do S1 foram determinados de acordo com as características do terreno de cada edificação, o valor de S2 foi calculado a cada 5 m ao longo da altura do edifício e o valor de S3 foi mantido igual a 1 para todos os edifícios. Os resultados mostraram que para os casos com efeito de vizinhança os valores de excentricidade obtidos estão, em geral, abaixo dos indicados pela norma. Porém, nos casos sem efeito de vizinhança a excentricidade de 7,5% da maior dimensão prevista pela norma foi, em diversos casos, superada pelas obtidas através do 20 túnel de vento. Vale ressaltar que o autor só levou em consideração a ação estática do vento não considerando efeitos dinâmicos. Além disso, Os resultados experimentais utilizados em sua pesquisa pertenciam a um trabalho de outro autor sendo apenas os cálculos das indicações da norma de autoria própria. Assim como Siqueira (2009), Arrais (2011) fez um estudo comparativo entre os valores obtidos em ensaios de túnel de vento e especificações da NBR 6123/1988 para as pressões exercidas pela ação do vento em fachadas de edifícios altos. Os ensaios utilizados nessa pesquisa foram realizados entre os anos de 2007 e 2009 por solicitações de empresas construtoras e/ou calculistas e, portanto foram simulados todos os detalhes significativos da edificação real para que as condições de semelhança fossem preservadas. Foram analisados quatro edifícios com alturas de 81, 129,129 e 147 metros, para esses edifícios foram construídos modelos em escalas reduzidas sendo a escala de 1/300 adotada para o edifício de menor altura e de 1/400 para os outros. Os modelos foram ensaiados no túnel de vento da Universidade federal do Rio Grande de Sul sendo que esses foram girados 360 graus sendo registradas tomadas de pressão para diversos ângulos de incidência, nos ensaios foram simulados ventos com perfil potencial de velocidades média equivalentes a uma rugosidade entre as categorias III e IV da norma brasileira. Devido a limitações da norma, no cálculo das pressões nas fachadas obtidas pelas indicações normativas, os edifícios foram considerados como tendo secção transversal retangular equivalente de dimensões Bx e By e, além disso, foram considerados apenas o vento com os ângulos de incidência de 0 e 90 graus não sendo considerados nesse cálculo os efeitos dinâmicos previstos na norma. Os resultados mostraram que na grande maioria os resultados de pressões nas fachadas encontrados de acordo com as prescrições da norma foram inferiores aos resultados obtidos em túnel de vento sendo que o autor atribui essas discrepâncias às aproximações dos cálculos normativos na consideração de cálculo para edificações com plantas retangulares e também a consideração de apenas ângulos de incidência perpendiculares às fachadas. Além desses estudos com modelos ensaiados em túnel de vento, Oliveira (2009) em seu trabalho desenvolveu um mecanismo de balança dinâmica de três graus de liberdade que permite obter a resposta de edifícios altos submetidos à ação do vento a partir de ensaios em túnel de vento com modelos em escala reduzida. Buscou-se determinar essa resposta em termos de suas componentes médias e flutuantes. No modelo é admitido que a parcela dinâmica do vento contempla os dois modos fundamentais de vibração livre em flexão que são ortogonais entre si e aproximados de forma linear e também o modo de torção que é aproximado de forma constante. O equipamento desenvolvido no trabalho é na realidade um sistema mecânico com três graus de liberdade que correspondem a rotação de 21 três eixos ortogonais entre si em torno de um mesmo ponto sendo que tal mecanismo possibilita a regulagem da rigidez torcional, do momento de inércia de massa e do amortecimento estrutural de cada um dos três movimentos. A Figura 3 ilustra tal mecanismo denominado de balança de três graus de liberdade. Figura 3: Perspectiva da balança dinâmica de 3 graus de liberdade para ensaios de modelos aeroelásticos em túnel de vento Fonte: Oliveira (2009) Foram obtidos resultados em ensaios em túnel de vento utilizando esse mecanismo com o edifício CAARC Standard Tall Buildings, que é um edifício alto com 183 m de altura e de planta retangular de 30,48 m por 45,72 m, tomado como padrão para calibração de técnicas de modelagem aeroelásticas realizadas no túnel de vento da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Tais resultados foram comparados com resultados obtidos em ensaios do mesmo edifício, por meio de modelagem aeroelásticas, realizados em outros pesquisadores. Devido à coerência dos valores encontrados foi possível aferir que o modelo simula satisfatoriamente o comportamento dinâmico de prédios altos submetidos às ações do vento. O uso de determinado equipamento simplifica o processo de modelagem aeroelástica de edificações, pois permite que os modelos sejam apenas cascas rígidas com o formato dos protótipos, não sendo necessário respeitar as leis de semelhança de massa ou das características elásticas dos materiais. No entanto o equipamento se limita apenas a análises de edificações para as quais o conhecimento da resposta nos dois primeiros modos de vibração livre em flexão e o modo de torção seja o suficiente para simular as condições reais dessas. 22 2.3 MODELAGEN DE EDIFÍCIOS DE CONCRETO ARMADO SOLICITADOS PELA AÇÃO DO VENTO A Construção de edifícios com formas e sistemas estruturais mais complexos tem se tornado cada vez mais frequentes. Geralmente essas formas mais complexas das plantas das edificações, quando submetidas à ação de vento, promovem a acentuação das excentricidades entre o centro elástico e o ponto de aplicação instantânea de forças aerodinâmicas. Além disso, os edifícios altos modernos estão se tornando cada vez mais esbeltos e leves o que faz com que a consideração dos esforços estáticos e dinâmicos de torção devido ao vento seja cada vez mais importantes na concepção do projeto estrutural dessas edificações. Os efeitos dinâmicos do vento que podem acentuar a torção em estruturas de concreto armado são consideráveis em casos de edifícios esbeltos e flexíveis onde a forma das secções transversais se assemelharem a círculos, elipses, triângulos ou ainda retângulos com uma dimensão predominante sobre a outra. No entanto, a torção devida aos efeitos estáticos do vento não deve ser desprezada na estrutura independente da sua forma de secção transversal. Para a análise das ações horizontais é indicado a utilização de modelos de pórticos tridimensionais ou pelo menos de pórticos planos associados, porém esse ultimo não considera os efeitos de torção gerados pelas ações laterais de vento limitando assim o seu uso. Devido aos cálculos com grande numero de equações o auxílio de computador e de softwares de cálculo estrutural é geralmente a melhor opção. GIONGO (2007). Ainda segundo Giongo (2007), no modelo de pórticos planos a análise é feita associando-se todos os pórticos de uma direção por barras rígidas bi-rotuladas, no nível de cada pavimento, que representam o efeito de diafragma rígido das lajes compatibilizando assim os deslocamentos horizontais da estrutura de cada pavimento. A ação do vento é então lançada no primeiro pilar da associação de pórticos e assim, devido à sua rigidez as barras bi-rotuladas não deformam axialmente compatibilizando os deslocamentos horizontais da estrutura e distribuindo os esforços oriundos dessa ação para todos os pórticos associados proporcionalmente à rigidez de cada um. Para considerar a fissuração do concreto armado, é razoável considerar uma redução na inércia dos elementos estruturais sendo que a NBR 6118/2003 recomenda uma redução de 20% para os pilares e de 60% para as vigas, pois essas fissuram mais ao serem solicitadas. Vale ressaltar novamente que esse modelo não considera o efeito de torção devido ao vento previsto pela NBR 6123/1988. Já nos modelos de pórticos tridimensionais, aparecem os esforços devido aos efeitos de torção global sejam eles derivados da ação do vento ou ainda das assimetrias na estrutura que podem levar a esses efeitos ao serem carregadas verticalmente. Além 23 disso, a tridimensionalidade possibilita a introdução de ventos em quaisquer direções. Nesses modelos ainda podem surgir esforços de torção das vigas da estrutura o que já não ocorre em modelos de pórticos planos, porém esses esforços não influenciam diretamente na estabilidade global da estrutura. As considerações de redução de inércia das vigas e dos pilares para considerar os efeitos de fissuração do concreto armado também são válidas para esse modelo. Muitos dos métodos de modelagem de edifícios submetidos à ação do vento utilizados hoje em dia não resultam em resultados satisfatórios para prédios com geometrias não retangulares, pois geralmente não contemplam os efeitos torcionais. Além disso, não é recomendada a utilização desses modelos para estruturas muito flexíveis, pois o movimento dessas estruturas afeta as forças aerodinâmicas de vento que atuam nelas e que podem acentuar esses efeitos. Portanto, torna-se importante o estudo sobre modelagem de edifícios levando em consideração a torção devida ao vento sobre a estrutura. Quando um edifício é solicitado pela ação do vento, toda a estrutura é mobilizada sendo que cada elemento estrutural desenvolve esforços internos que são diretamente relacionados à sua rigidez. Nesse contexto é plausível que alguns elementos de baixa rigidez possam ser desprezados devido à participação quase nula no sistema de contraventamento. No entanto, sabe-se que quanto maior numero de elementos considerados na análise, maior será a eficiência da estrutura gerando projetos mais econômicos, pois a ação do vento se distribuirá por todos esses elementos. Quando os edifícios tendem a apresentar deslocabilidades acima dos limites admissíveis para os parâmetros de estabilidade global, normalmente em estruturas muito esbeltas, tem se buscado arranjos estruturais visando reduzir tais deslocamentos. Um dos arranjos mais comuns utilizados são combinações de pilares paredes que formam uma seção aberta denominada de núcleo estrutural ou de rigidez. Portanto, nesses casos, tal núcleo, devido à sua elevada rigidez, seria o principal responsável por absorver os esforços oriundos do vento. Os núcleos estruturas de concreto armado são geralmente caixas de escada e elevadores e também são muito importantes no isolamento da escada em caso de incêndios. Pereira (1997) Estudou a modelagens de núcleos de rigidez e suas influencias sobre as estruturas de contraventamento de edifícios de concreto armado e também analisou a consideração de vigas secundárias, ou seja, vigas que não se apoiam diretamente em pilares, na análise do contraventamento de uma estrutura. De acordo com o autor, a consideração de vigas secundárias em alguns casos é essencial para a obtenção de um modelo com um bom grau de aproximação em relação ao comportamento real da estrutura. 24 Isso devido ao fato de que os esforços internos transmitidos nas ligações dessas vigas com as vigas primárias podem ser relevantes. Portanto, ao se analisar a estrutura de contraventamento não considerando essas vigas, apesar de passar uma ideia de se estar a favor da segurança, pois menos elementos estariam absorvendo os esforços de vento no cálculo do que na estrutura real, essa consideração faz com que os esforços nas ligações viga-viga sejam desprezados. Esses esforços tornam-se mais relevantes quanto maior for a rigidez dos elementos envolvidos e menor for a quantidade de elementos do sistema de contraventamento. Na análise estrutural o autor adotou o processo de YAGUI (1978), que utiliza a técnica dos elementos finitos, para a modelagem de núcleos estruturais. O processo consiste na análise da estrutura tridimensional obtida ao se substituir cada parede do núcleo por um pórtico plano equivalente. Esses pórticos, que representam os pilares paredes do núcleo rígido da estrutura, são constituídos por uma viga rígida horizontal de comprimento igual à maior dimensão em planta do pilar e engastada a um único pilar central (barra flexível). Além disso, são travados horizontalmente pelas lajes aos níveis dos pisos (diafragma rígido). A Figura 4 ilustra o esquema estrutural equivalente a um núcleo rígido obtido por esse processo. Figura 4: Esquema tridimensional de um núcleo estrutural Fonte: Pereira (1997) Para avaliar a coerência do processo de YAGUI este foi comparado com o processo de TARANTH, o qual é baseado na teoria de flexo-torção de VASOV que adota hipóteses mais gerais ao utilizar um elemento de barra com sete graus de liberdade sendo um dos graus adicional para levar em conta o efeito do empenamento do pilar parede. Foram analisados por esses dois processos quatro núcleos com secções transversais diferentes, foi considerada uma altura equivalente a um edifício de quinze pavimentos com três metros de piso à piso. As estruturas foram submetidas a cargas concentradas aplicadas nos níveis dos pavimentos no centro de cisalhamento das secções analisadas. As cargas eram de 10 25 kN na direção x, 10 kN na direção y e um momento torçor de 10 kN.m em torno do eixo z. Os resultados do processo de YAGHI mostram-se bem coerentes em relação ao processo de TARANTH principalmente no que diz respeito à flexão simples e a torção pura. Vale resaltar que no trabalho os edifícios estudados não contêm núcleos de rigidez e, portanto os esforços devido ao vento serão absorvidos pelos pórticos da estrutura. Costa (2003) também estudou modelos para análise de estruturas de edifícios de múltiplos andares sujeitos a ações de forças laterais. No trabalho foram analisadas quatro estruturas com plantas distintas em concreto armado de 16 andares com pé-direito de 3 m. Em todos os casos, todos os pilares foram considerados engastados na fundação. As ações de vento, todas de natureza estática, foram obtidas de acordo com a NBR 6123/1988 e foram aplicadas forças equivalentes à ação do vento, apenas para a direção do vento que incide perpendicular à maior fachada, nos níveis das 16 lajes dos quatro edifícios. As estruturas foram analisadas segundo quatro modelos clássicos usuais em projetos estruturais: Modelo dos pórticos planos independentes com áreas de influência (PPI-AI): Nesse modelo às ações de vento são lançadas proporcionalmente à área influência de fachada de cada pórtico e são absorvidas, portanto apenas pelos pórticos paralelos a direção do vento sendo desconsiderada a contribuição dos pilares isolados e das vigas na direção perpendicular ao vento; Modelo dos pórticos planos independentes compatibilizados no topo (PPI-CT): Nesse modelo, além dos pórticos paralelos a direção do vento, para resistir a essa ação, os pilares isolados são unidos por pares de barras bi-rotuladas de grande rigidez axial e ainda, o núcleo estrutural central é incorporado um pórtico central. A ação de vento é lançada como uma carga concentrada no último pavimento proporcionalmente a rigidez de cada pórtico compatibilizando assim os deslocamentos desses no topo. Nesse caso a contribuição das vigas na direção perpendicular ao vento também não é considerada; Modelo dos pórticos planos alinhados (PPA): Nesse modelo os pórticos paralelos à direção do vento, o núcleo de rigidez e os pilares isolados são alinhados e ligados entre si por barras rotuladas de grande rigidez axial em todos os pavimentos fazendo com que todos trabalhem junto tendo-se então a compatibilização dos deslocamentos laterais em todos os andares. Assim como nos outros, nesse caso a contribuição das vigas na direção perpendicular ao vento também não é considerada; Modelo pórtico espacial (PE): Nesse modelo, para um edifício retangular, trabalham para resistir à ação do vento todos os pórticos nas duas direções formando uma estrutura reticulada tridimensional denominada pórtico espaciais na qual as lajes funcionam como 26 diafragmas rígidos. Portanto, nesse modelo as vigas na direção perpendicular ao vento influenciam nos resultados. Por ser o que mais se aproxima da estrutura real, esse modelo foi tomado como sendo referência para os outros três modelos. O trabalho conclui que o modelo PPA obteve resultados mais próximos dos de referência do que o modelo de pórticos planos independentes compatibilizados no topo que por sua vez obteve resultados melhores do modelo de pórticos planos independentes com áreas de influência. Contudo, mesmo o modelo PPA, obteve para alguns casos valores muito discrepantes de esforços em relação aos de referência, principalmente para estruturas assimétricas. Sendo assim, o uso desses modelos deve ser limitado em escritórios de cálculo estrutural. Vale reassaltar, que nesse estudo não é considerada a excentricidade do vento prevista pela NBR 6123 em nenhum dos quatro modelos, sendo assim analisados os esforços na fundação: Fz, normal na direção do eixo dos pilares forças; Fy, cortante nos pilares devido ao vento na direção y e Mx que é o momento fletor na base dos pilares devido ao vento y oriundos apenas da flexão do vento e, portanto desprezando a parcela dos esforços devido aos efeitos de torção oriundos da ação estática do vento como também os da parcela oriundos da ação dinâmica que podem ser muito relevantes na resposta da estrutura para determinadas situações. Vanderbilt e Corley (1983) analisaram como o método do pórtico plano equivalente pode ser modificado visando assim analisar um edifício como um todo modelando pórticos planos paralelos. Além disso, o autor também avaliou a influência da consideração do tipo de ligação viga pilar nos resultados para análises das ações verticais e horizontais. Os autores recomendam ao analisar um edifício como um todo pelo método dos pórticos planos equivalentes que primeiramente liguem-se os pórticos paralelos das direções para todas as análises, mas principalmente para as análises das ações laterais. Além disso, também é recomendado considerar a influencia da largura colaborante das lajes no cálculo da rigidez da viga para computar a transmissão parcial dos momentos fletores dessas para os pilares. Nesse trabalho, novamente não é considerada a torção devido ao vento. Carvalho (2004) estudou a modelagem de uma estrutura de 30 andares utilizando o método dos elementos finitos que possibilita a análise de modelos tridimensionais compostos por lajes, vigas e pilares. A estrutura foi analisada segundo quatro modelos estruturais distintos sendo dois modelos clássicos, onde todo o carregamento é aplicado simultaneamente depois da estrutura estar concluída e dois modelos de cálculo evolutivos, onde se considera as etapas de carregamento de acordo com a construção da edificação. Em nenhum modelo o autor analisou a estabilidade lateral da estrutura devido às cargas de vento. O estudo conclui que os modelos evolutivos apresentaram esforços na estrutura superiores aos modelos clássicos evidenciando que, pelo menos para edifícios altos, esses 27 modelos são os mais recomendados. Visto que o autor não considera a ação do vento esse trabalho se mostra significativo para a pesquisa apenas pelo fato de evidenciar que, em edifícios altos onde as cargas os efeitos da ação de vento costumam ser mais acentuados, os modelos clássicos podem não ser os mais adequados para obter os esforços oriundos das ações verticais às quais a estrutura vai estar submetida na fase de construção. Muitos outros estudos têm sido realizados no intuito de se comparar modelos de análise estrutural simplistas com os modelos mais realistas que representam a estrutura como um todo visando avaliar as limitações dos modelos mais simples possibilitando assim a utilização desses em projetos estruturais utilizando softwares que requerem menor esforço computacional e são mais acessíveis. Nesse contexto, Fontes e Pinheiro (2006) em seu trabalho realizaram a análise de um edifício de oito pavimento mais um subsolo por quatro modelos estruturais. O edifício possui um térreo, que é igual aos seis pavimentos tipo e uma cobertura que também é basicamente igual ao tipo com um acréscimo de lajes de 20 cm de espessura da casa de máquinas localizadas sobre os poços de elevadores. A planta do pavimento tipo do edifício e o corte esquemático são ilustrados nas Figuras 5 e 6 respectivamente. Figura 5: Planta de forma do pavimento tipo 28 Figura 6: Corte esquemático Fonte: Fontes e Pinheiro (2006) A estrutura foi carregada verticalmente com peso próprio, cargas de revestimentos nas lajes de 1,5kN / m 2 e sobrecarga de 2,0kN / m 2 . Além disso, também foram adicionadas cargas das divisórias e do elevador sendo que a escada descarrega diretamente no solo. As ações laterais de vento foram calculadas de acordo com a NBR 6123. Nesse estudo foi adotada a categoria IV para o terreno e classe B para a edificação, os Fatores topográfico e estatístico S1 e S3 foram considerados com valor unitário e a velocidade básica do vento foi adotada como 40km / h . Não foi considerado no cálculo o desaprumo de acordo com as recomendações normativas, pois o vento nesse caso foi a ação mais significante, porém as excentricidade do vento previstas na norma não foram levadas em conta. Os modelos de cálculo utilizados foram: Modelos de pórticos planos associados: Nesse modelo os pórticos planos, de cada direção, são associados por barras bi-rotuladas com um metro de comprimento, um metro de largura e 13 cm de espessura (espessura das lajes L1, L2 e L3). As ações de vento, nesse modelo, são lançadas integralmente como forças concentradas aplicadas, em cada pavimento, no primeiro pilar dos pórticos associados. Modelo de pórtico espacial: Essa modelagem foi realizada apenas com o esqueleto composto por vigas e pilares sendo que esses elementos apresentam ligações rígidas entre si, com trechos flexíveis definidos pelas distâncias entre os eixos dos apoios, não foi considerada a laje nesse modelo. A ação de vento na estrutura foi lançada como forças concentradas nos pilares em cada pavimento e de forma ponderada em relação à rigidez de cada pilar. Modelo de pórtico espacial com lajes: A principal diferença desse modelo para o anterior foi a inclusão das lajes visando assim demonstrar a influência na compatibilização 29 dos deslocamentos horizontais de todos os pavimentos. A ação de vento foi lançada do mesmo modo que no exemplo anterior. Modelo de pórtico espacial com lajes e trechos rígidos: Esse modelo é semelhante ao anterior apenas com a inserção de trechos rígidos na interseção de vigas e pilares de acordo com a NBR 6118/2003, sendo assim, para os pilares com secção de 30 cm x 40 cm o trecho rígido considerado foi de 8,5 cm e para os pilares com secção de 30 cm x 40 cm foi de 28,5 cm. A ação de vento foi lançada do mesmo modo que nos dois exemplos anteriores. Todos os modelos foram analisados primeiramente só com as ações verticais e depois foram analisados também com as ações laterais (ações de vento). O estudo conclui que o modelo de pórticos planos mostrou-se satisfatório na análise das ações verticais sendo não aconselhável apenas para estruturas muito assimétricas que podem gerar esforços significativos de torção do edifício devido a essa assimetria. Na análise das ações laterais é necessário modelar as lajes ou pelo menos representa-las como barras rígidas para poder compatibilizar os deslocamentos horizontais da estrutura, nessa análise a introdução de trechos rígidos levou a resultados mais realistas isso devido ao fato da interseção de vigas e pilares não se comportar como barra flexível. Já na verificação da estabilidade global da estrutura através do coeficiente γ Z houve pouca variação entre os modelos estudados. Contudo, nesse trabalho, novamente não é considerado e efeito de torção devido ao vento que pode gerar esforços significativos na estrutura e provavelmente levar a discrepâncias entre os resultados dos modelos analisados. Ao analisar os vários tipos de modelagens de edifícios de concreto armado é importante salientar que muitos desconsideram os efeitos de torção devido ao vento previstos pelas normas como é o caso da análise por pórticos planos associados. Com isso para avaliar esses efeitos de torção em uma estrutura é importante realizar uma modelagem que represente melhor a estrutura como um todo como é o caso do pórtico espacial onde os efeitos de torção podem ser considerados na modelagem do edifício ao se aplicar cargas de vento como forças concentradas e momentos torçores resultantes da multiplicação da força total de vento no pavimento pelas excentricidades recomendadas pela norma na estrutura tridimensional. Portanto, nesse trabalho, o modelo utilizado para representar as estruturas que servirão de base para o estudo será o de pórtico espacial com lajes e trechos rígidos sendo que as ações verticais nas lajes de cada pavimento serão analisadas pelo método de discretização em grelha e os esforços oriundos de tal método serão transmitidos para o pórtico espacial. 30 3. MÉTODOLOGIA Nessa pesquisa serão modelados dois edifícios de concreto armado com o auxílio do software de cálculo estrutural TQS. Os edifícios serão analisados em quatro distintas solicitações do vento calculadas de acordo com a norma brasileira NBR 6123/1988: 1) Solicitados por um vento não excêntrico de baixa turbulência; 2) Solicitados por um vento não excêntrico de alta turbulência; 3) Solicitados por um vento de baixa turbulência com excentricidade de 7,5% da dimensão da fachada de incidência que corresponde, de acordo com a norma, à situação sem o efeito de vizinhança; 4) Solicitados por um vento de alta turbulência calculado com excentricidade de 15% da dimensão da fachada de incidência que corresponde,de acordo a norma, à situação com o efeito de vizinhança; Será realizada uma análise quantitativa dos resultados dos esforços nas bases dos pilares obtidos por essas modelagens visando avaliar a significância da consideração ou não da excentricidade da ação do vento, prevista pela NBR 6123/1988 para edifícios de concreto armado de médio porte. Também será analisada a influência do efeito de torção na estabilidade global da estrutura e por fim será escolhido para cada um dos edifícios o pilar em que o efeito de torção mais influenciou nos resultados de esforços visando comparar a proximidade da solicitação em relação à ruptura nos modelos com e sem o efeito de torção tentando assim quantificar quão mais crítica a situação com vento excêntrico podem ser para alguns elementos da estrutura de um edifício de concreto. 3.1 APRESENTAÇÃO DO MODELO DE CÁLCULO ADOTADO Será adotado para a análise estrutural dos edifícios o modelo IV do software TQS. Esse é um modelo de pórtico espacial composto por elementos lineares (barras) conectados por nós que possuem seis graus de liberdade. As barras representam o conjunto de vigas e pilares que formam a estrutura do edifício. O conjunto de lajes e vigas dos pavimentos é discretizado separadamente do pórtico espacial em grelhas com três graus de liberdade nos nós. As ações verticais dos pavimentos são inseridas nessas grelhas que após serem processadas, transferem as reações nas vigas geradas pelas ações das lajes para o pórtico 31 espacial de vigas e pilares. As ligações entre as barras das grelhas e as vigas são flexibilidades e, além disso, as vigas que funcionam de apoio para as grelhas também se deformam, ou seja, a grelha possui apoios elásticos fazendo com que o valor das reações de laje nas vigas que serão transferidas para o pórtico seja mais próximos dos valores reais. Na consideração das ações verticais será adotada para as lajes uma sobrecarga permanente de 0,15Tf / m 2 para considerar o peso de revestimentos. As cargas acidentais nas lajes dos modelos serão adotadas conforme a NBR 6120/1980 sobre Cargas para o cálculo de edificações, e o peso próprio da estrutura é gerado automaticamente no modelo pelo TQS. Outros carregamentos como cargas lineares de alvenaria, cargas do reservatório de água e cargas dos elevadores e escadas foram calculados para cada edifício e lançadas nos modelos. Já em relação às ações laterais de vento essas serão calculadas de acordo com a NBR 6123/1988 e serão lançadas então no modelo estrutural sendo que os detalhes sobre a inserção dessas cargas serão apresentados mais adiante. Vale resaltar que os efeitos de desaprumo não serão considerados na estrutura, pois de acordo com a NBR 6118/2003 esse não deve ser considerado em conjunto com as ações de vento. Para considerar o efeito de diafragma rígido das lajes, a inércia lateral de todas as vigas que são apoio de laje é adotada como sendo de 10m 4 . Esse valor elevado de inércia faz com que a viga não se deforme lateralmente e, portanto ao se deslocar e ou girar na horizontal leva o pavimento inteiro junto garantindo a compatibilidade dos deslocamentos dos pilares, seja ela devido a um deslocamento horizontal das lajes do pavimento ou a uma rotação em planta dessas lajes para o caso de vento excêntrico. A não linearidade física da estrutura será levada em conta no Estado Limite Último (ELU) de acordo com o modelo simplificado da norma NBR 6118/2003 que prevê uma redução de inércia de 70% para as lajes, de 60% para as vigas e de 20% para os pilares levando assim em consideração a fissuração do concreto desses elementos. A análise da estabilidade global do modelo será realizada pelo processo P∆ onde a relação entre os momentos de 10 e 20 ordem calculados por esse processo será comparada para os modelos com vento excêntrico e modelos com vento não excêntrico com o intuito de verificar a influência do efeito de torção na estabilidade global da estrutura. Os esforços gerados pelo modelo do TQS nos elementos estruturais são mais coerentes do que de outros modelos na análise de edifícios de concreto devido a alguns refinamentos que visam simular melhor o comportamento das estruturas de concreto armado. Esses refinamentos são referentes à ligação viga-pilar, ao efeito construtivo de 32 deformação axial gradativa dos pilares, à rigidez à torção em vigas, à plastificação nos extremos de vigas e por fim, referente ao engastamento parcial das bases dos pilares do pórtico na fundação sendo cada um desses itens descritos mais detalhadamente abaixo. 3.1.1 LIGAÇÃO VIGA-PILAR Em relação às ligações viga-pilar do modelo de pórtico gerado pelo TQS existem duas considerações muito importantes que são a adoção de trechos rígidos de barras nas proximidades das ligações e também a flexibilidade dessa ligação: A consideração dos trechos rígidos visa simular o comportamento rígido da região próxima à ligação em estruturas de concreto armado. Tal região pode ser considerada na modelagem como um trecho de barra rígida. A principal interferência na introdução desses trechos está na definição do vão teórico das vigas que, devido ao comportamento rígido próximo à ligação, pode ser reduzido visto que a consideração desses trechos se da atribuindo-se uma “extensão do apoio” o que acaba reduzindo o vão teórico da viga e consequentemente reduzindo os esforços e deslocamentos da mesma levando a resultados mais condizentes com as estruturas reais de concreto armado. O comprimento dos trechos rígidos é definido de acordo com um critério de projeto cujo padrão segue o item 14.6.2.1 da NBR 6118/2003 que define a “extensão do apoio” como sendo 0,3 da altura da viga. Já em relação à flexibilidade da ligação viga-pilar, a rigidez efetiva na ligação é incorporada ao modelo através de “molas” posicionadas nos extremos das barras e cujas rigidezes são calculadas de forma aproximada conforme a equação 3.1 que corresponde à rigidez de um pilar equivalente que apoia a viga: K mola = 4.E.I L (3.1) Onde E é o modulo de elasticidade longitudinal do pilar; L é o comprimento travado do pilar (pé-direito); I é o momento de inércia calculado a partir de uma seção equivalente do pilar que efetivamente será considerada na rigidez da ligação. No TQS a seção equivalente que efetivamente será considerada na rigidez da ligação pode ser determinada pela largura efetiva colaborante ( LEPMOL × b ), onde b é a largura da viga, e a espessura do pilar. A figura 7 ilustra como o TQS permite que seja configurada a rigidez dessas ligações de acordo com dois parâmetros: o LEPMOL (Multiplicador da largura equivalente do pilar/ apoio independente) e o REDMOL (Redutor 33 do coeficiente de mola) cujos valores que foram adotados nos modelos São 3 e 4 respectivamente. Figura 7: Flexibilização das ligações viga-pilar de acordo com os critérios do TQS Fonte: Manuais do TQS (2012) Esse valores vieram de estudos empíricos onde foi demonstrado que a largura efetiva do pilar que colabora na rigidez da ligação impedindo o giro da viga é da ordem de 3 vezes a largura da viga (LEPMOL=3) e também que a rigidez da mola é certa de 4 vezes menor do que a rigidez do pilar equivalente no seu comprimento travado. Vale ressaltar que a flexibilização da ligação viga-pilar é fundamental para a obtenção de valores de esforços mais adequados nos elementos e também, devido fato de considerar a rigidez da ligação mais próxima da real, Os deslocamentos do pórtico espacial são também mais condizentes. Em geral, a flexibilização das ligações fazem com que o edifício seja mais deslocável e, portanto com efeitos de segunda ordem mais significativos, porém esse aumento é factível uma vez que as ligações viga-pilar nas estruturas não funcionam como engaste perfeito. 3.1.2 CARGAS NA GRELHA E EFEITO CONSTRUTIVO No modelo do TQS o carregamento vertical nas vigas oriundo lajes é definido por cargas concentradas calculadas apartir da modelagem de grelha dos pavimentos. Essa consideração faz com que a distribuição das cargas da laje nas vigas seja mais precisa do que o modelo de áreas de influência por linhas de ruptura. Além disso, no modelo as cargas verticais são gradativamente adicionadas simulando como a estrutura é construída pavimento por pavimento. Sendo assim, as deformações axiais que ocorrem nos lances dos pilares a cada acréscimo de carga 34 proveniente de um novo andar são compensadas construtivamente. O TQS incorpora de forma aproximada essa compensação ao modelo aumentando a rigidez axial dos pilares do pórtico espacial, ou seja, aumentando a área dos pilares por meio de um fator multiplicador MULAXI cujo valor padrão do TQS adotado nos modelos é 3. É importante lembrar que essa adaptação no modelo do pórtico espacial vale somente para a análise do comportamento do edifício com a atuação das ações verticais. Para ações horizontais, como é o caso do vento, não é considerado a majoração da área de pilares. 3.1.3 RIGIDEZ À TORÇÃO EM VIGAS No modelo a rigidez à torção das vigas é reduzida por um fator para os casos de vigas onde a torção não é essencial para o equilíbrio da estrutura (Torção de compatibilidade). O valor padrão desse fator é 100, ou seja, a inércia à torção dessas vigas é dividida por 100 na modelagem do pórtico. Vale lembrar que nos casos das vigas onde a torção é necessária ao equilíbrio da estrutura (torção de equilíbrio) a inércia não é reduzida. 3.1.4 PLASTIFICAÇÕES NOS ESTREMOS DE VIGAS Para se considerar a plastificação, ou seja, a fissuração do concreto nas regiões próximas as ligações viga-pilar o TQS permite configurar todas essas ligações do pórtico por meio de um fator de engastamento parcial de vigas (ENGVIG) que pode variar de 0 (rótula) a 1 (engaste). Esse "fator de engastamento" que corresponde ao valor da plastificação, na realidade, consiste no valor do fator de restrição à rotação entre a viga e o pilar, isto significa que, um valor de 0,80 não corresponde exatamente a uma redução de 20% do momento total elástico, mas sim um valor próximo. No caso de edifícios de concreto armado o padrão desse fator no modelo é de 1 que corresponde ao engaste. Vale lembrar também que através do modelador é possível alterar esse valor de plastificação para cada extremidade de cada viga. Nos modelos dos edifícios desse estudo esse fator foi considerado como sendo o padrão de 1 do TQS para todas as vigas sendo portanto a rigidez das ligação vigapilar determinadas apenas elasticamente de acordo com os coeficientes de mola calculados conforme à rigidez de cada pilar de apoio. 3.1.5 MESA COLABORANTE NA SEÇÃO DAS VIGAS O modelo considera uma largura de mesa colaborante da laje no cálculo da inércia das vigas que é calculada então como seção T em todo vão. Essa largura colaborante é calculada de acordo com o vão de cada viga conforme propõe o item 14.6.2.2 da NBR 6118/2003. 3.1.6 ENGASTAMENTO PARCIAL DAS BASES DOS PILARES NA FUNDAÇÃO No modelo os apoios dos pilares são definidos como elásticos, caso contrário pode acontecer de no modelo existir algumas restrições de apoio infinitamente rígidas em um ponto intermediário do pórtico espacial que podem acabar absorvendo erroneamente uma 35 reação horizontal irreal. Isso ocorre principalmente para as restrições de torção (rotação Z) e de translações em X e Y (planos horizontais). Por este motivo, no modelo foi incorporado um critério que permite atribuir valores de coeficientes de mola para cada um dos seis graus de liberdade do apoio das bases (3 translações e 3 Rotações) fazendo com que o apoio das bases seja elástico. O valor padrão para os coeficientes de rotação Z e translação X e Y são de 50.000 Tf.m/rad e 50.000 Tf/m respectivamente, sendo este um valor elevado tentando simular o engastamento perfeito, mas que já permitem pequenas liberações nestes graus de liberdade. Já os coeficientes para a translação Z e rotações X e Y são definidos como engastes perfeitos, pois estes devem ser bem calculados, para que não ocorram deturpações nos resultados, principalmente na rigidez global e quanto a deformações diferenciais dos apoios que podem interferir nos esforços da estrutura. 3.2 CARACTERÍSTICAS DOS EDIFÍCIOS A SEREM MODELADOS Serão modelados dois edifícios cujas plantas de forma foram dimensionadas por um escritório de cálculo estrutural. Os edifícios são empreendimentos reais que serão executados na cidade de São Carlos – SP. Os prédios objetos de estudo são Ambos em concreto armado e com plantas consideravelmente assimétricas que serão denominados nesse trabalho como edifício A e edifício B. Apesar de ser apresentada apenas a planta de forma do pavimento tipo, por ser a mais significativa para o estudo, os edifícios foram modelados no TQS com as plantas de forma de todos os pavimentos fornecidas pelo escritório de cálculo estrutural Aeolus Engenharia e Consultoria S/C Ltda. A seguir serão descritas algumas das características específicas de cada um dos edifícios. 3.2.1 CARACTERÍSTICAS DO EDIFÍCIO A O edifício possui 15 pavimentos mais ático sendo um térreo, um primeiro pavimento, dez pavimentos tipos, um duplex e uma cobertura. A altura total da edificação é de 48,95 m sendo as dimensões em planta do retângulo equivalente à seção do prédio que serão utilizadas para o cálculo da ação do vento de 17,10m e 23,04m. As figuras 8 e 9 e 10 abaixo são referentes à planta de forma do pavimento tipo, a um corte esquemático e à visualização tridimensional do edifício A gerada pelo TQS: 36 Figura 8: Planta de forma do pavimento tipo do edifício A Fonte: Projeto estrutural Aeolus engenharia e consultoria (2012) 37 Figura 9: Corte esquemático do edifício A Fonte: Projeto estrutural Aeolus engenharia e consultoria (2012) 38 Figura 10: Visualização tridimensional do edifício A 3.2.2 EDIFÍCIO B O edifício possui 10 pavimentos mais ático sendo um térreo, um primeiro pavimento, sete pavimentos tipos e uma cobertura, com uma altura total de 38,00 m. As dimensões em planta do retângulo equivalente à seção do prédio que serão utilizadas para o cálculo da ação do vento são de 22,75m e 14,47m. A seguir as figuras 11, 12 e 13 são referentes à planta de forma do pavimento tipo, a um corte esquemático e à visualização tridimensional do edifício B: 39 Figura 11: Planta de forma do pavimento tipo do edifício B Fonte: Projeto estrutural Aeolus Engenharia e Consultoria (2012) 40 Figura 12: Corte esquemático do edifício B Fonte: Projeto estrutural Aeolus Engenharia e Consultoria (2012) 41 Figura 13: Visualização tridimensional do edifício B 3.3 MODELAGENS DOS EDIFÍCIOS. Para cada edifício foram criados quatro modelos idênticos onde a única diferença entre eles é em relação à ação de vento onde em cada um foi lançado um dos quatro tipos diferentes de solicitação do vento que foram descrito no início desse capítulo. Em cada um desses oito modelos serão analisados os resultados de esforços para as quatro direções de vento, pois como as estruturas não são simétricas elas não necessariamente responderão igual às solicitações de 0 e 180 e às solicitações de vento de 90 e 270 graus. Além disso, devido a essa assimetria da estrutura, já existe um efeito de torção decorrido apenas dos carregamentos verticais, ou seja, existe uma rotação da estrutura no sentido do lado em que o edifício é menos rígido devido às ações verticais. Para obter a pior situação de efeito de torção de vento, a excentricidade foi inserida torcendo as estruturas em um sentido para os ventos 0 e 90 graus, e no outro sentido para os ventos 180 e 270 graus no intuito de descobrir qual é o pior dos dois sentidos de torção para cada pilar dos edifícios. Foram feitos, portanto oito modelos que serão denominados no trabalho da seguinte maneira: - Modelo A-V1: Modelo do edifício A com a ação de um vento de baixa turbulência não excêntrico; 42 - Modelo A-V2: Modelo do edifício A com a ação de um vento de alta turbulência não excêntrico; - Modelo A-V3: Modelo do edifício A com a ação de um vento de baixa turbulência com excentricidade de 7,5% da dimensão em planta perpendicular ao vento (Sem efeito de vizinhança); - Modelo A-V4: Modelo do edifício A com a ação de um vento de alta turbulência com excentricidade de 15% da dimensão em planta perpendicular ao vento (com efeito de vizinhança); - Modelo B-V1: Modelo do edifício B com a ação de um vento de baixa turbulência não excêntrico; - Modelo B-V2: Modelo do edifício B com a ação de um vento de alta turbulência não excêntrico; - Modelo B-V3: Modelo do edifício B com a ação de um vento de baixa turbulência com excentricidade de 7,5% da dimensão em planta perpendicular ao vento (Sem efeito de vizinhança); - Modelo B-V4: Modelo do edifício B com a ação de um vento de alta turbulência com excentricidade de 15% da dimensão em planta perpendicular ao vento (com efeito de vizinhança); Esses modelos foram processados com as cargas verticais e as devidas cargas de vento sendo seus resultados analisados para uma posterior comparação entre os modelos A-V1 com A-V3, A-V2 com A-V4, B-V1 com B-V3 e B-V2 com B-V4, ou seja, os mesmo modelos sendo que a única diferença está na é a excentricidade do vento. As figuras 14 e 15 são relativas aos modelos do tipo A e do tipo B respectivamente montados com o modelo IV do TQS de pórtico espacial de vigas e pilares. 43 Figura 14: Pórtico espacial do edifico A composto por barras de 6 graus de liberdade Figura 15: Pórtico espacial do edifico B composto por barras de 6 graus de liberdade 44 4. CÁLCULO E LANÇAMENTO DAS AÇÕES DE VENTO NO MODELO 4.1 CÁLCULO DA AÇÃO DE VENTO DE ACORDO COM A NBR 6123/1988. Os carregamentos oriundos das ações de vento serão calculados de acordo com as prescrições da NBR 6123/1988 para duas condições diferentes de vento, vento de baixa e de alta turbulência, e serão aplicados no modelo em quatro situações diferentes onde serão lançados primeiramente os dois casos de vento sem considerar as excentricidades e depois considerando as excentricidades conforme já descrito anteriormente. Em ambos os casos de vento será adotada uma velocidade básica de vento V0 = 40m / s , o fator topográfico S1 = 1,00 que corresponde a terrenos planos e um fator estatístico S3 = 1,00 correspondente a edificações de uso residencial. Já o cálculo do fator de rugosidade do terreno S 2 será realizado para a cota de cada um dos níveis dos pavimentos dos edifícios considerando um terreno de categoria IV da norma que corresponde a terrenos cobertos por obstáculos numerosos pouco espaçados como é o caso das regiões centrais das cidades. Além disso, os edifícios serão considerados como de classe B que são edificações cuja maior dimensão está entre 20m e 50m. De acordo norma, esse fator pode ser calculado pela expressão: S 2 = b.Fr .( z / 10 ) p (4.1) Onde os valores dos parâmetros b e p para a categoria de terreno adotada e a classe B das edificações são 0,85 e 0,125 respectivamente. Já o fator de rajada Fr é sempre de 0,98. Para o cálculo da força de arrasto do vento primeiramente é necessário calcular a pressão dinâmica que é dada pela equação 4.2: q = 0,613.VK 2 (4.2) 45 Sendo a equação válida para unidades SI, ou seja, q em N / m 2 e VK em m / s . Na expressão 4.3 abaixo, Vk é a velocidade característica do vento que pode ser calculada apartir da velocidade básica do vento V0 e dos fatores S1 , S 2 e S3 : VK = V0..S1.S 2 .S3 (4.3) Como o fator S 2 será calculado a cada nível de pavimento teremos pressões de vento diferentes atuando em cada pavimento sendo essas pressões crescentes em relação à altura que o pavimento se encontra. Além da pressão dinâmica do vento, para o cálculo da força de vento é necessário o cálculo do coeficiente de arrasto Ca que é aplicável a corpos de eixo vertical com seção transversal constante ou pouco variável como é o caso dos edifícios em estudos. O coeficiente de arrasto muitas vezes é função do numero de Reynolds (turbulência do vento) e também função das dimensões da edificação. Com isso, para a determinação desse coeficiente a norma recomenda a utilização de dois ábacos diferentes, um para ventos de baixa turbulência e outro para ventos de alta turbulência. Por fim, a força de arrasto Fa do vento pode ser calculada pela equação 4.4 como sendo: Fa = Ca .q. Ae (4.4) Onde Ca é o coeficiente de arrasto, q é a pressão dinâmica do vento e Ae é a área de incidência do vento na fachada. Nos modelos o vento será lançado como cargas concentradas nos pilares nos níveis de cada pavimento e no caso de vento excêntrico como um momento torçor total em cada pavimento em um pilar central sendo o efeito de diafragma rígido válido devido a elevada rigidez lateral das vigas. Cada uma dessas cargas é calculada de acordo com a pressão do vento no pavimento em que ela atua e de acordo com a área de influência de cada pilar. Vale lembrar que mesmo com o lançamento das cargas sendo feito por área de influência o efeito de diafragma rígido será considerado devido às grelhas existentes nas 46 mesmas cotas de aplicação dessas cargas. A seguir é detalhado o cálculo da pressão atuante em cada pavimento dos edifícios e também o lançamento das forças e momentos de vento no modelo. 4.1.1 CALCULO DAS PRESSÕES DE VENTO NO EDIFÍCIO A Para o cálculo das pressões primeiramente é necessário obter coeficientes de arrastos de ventos de alta e de baixa turbulência para as duas direções de vento. Esses coeficientes podem ser obtidos entrando nos ábacos para ventos de alta e de baixa turbulência com as seguintes relações geométricas: h / l1 e l1 / l2 sendo h a altura com vento no edifício (desconsiderando os níveis abaixo do térreo), l1 a dimensão em planta perpendicular à incidência do vento e l2 a outra dimensão em planta. Para os ventos de 0 e 180 graus temos as seguintes relações: h / l1 = 45,90 = 1,99 23,04 l1 / l2 = 23,04 = 1,35 17,10 Com isso, entrando no ábaco de baixa turbulência o valor de coeficiente de arrasto obtido é Ca = 1,32 . Já entrando com essas mesmas relações no ábaco de alta turbulência encontramos um valor de Ca = 1,02 . Já para os ventos de 90 e 270 graus temos: h / l1 = 45,90 = 2,68 17,10 l1 / l2 = 17,10 = 0,74 23,04 Para essa direção de incidência do vento os valores o coeficiente de arrasto de baixa e de alta turbulência encontrados foram de Ca = 1,17 e Ca = 0,93 respectivamente. Através do corte esquemático dos pavimentos foram obtidas as cotas dos níveis dos pavimentos e assim foi calculado um fator de rugosidade do terreno S 2 para cada pavimento, com exceção do térreo, pela equação 4.1. Por fim, com os coeficientes de arrasto, a velocidade básica do vento V0 , os fatores S1 , S 2 e S3 foram calculados os valores de pressão nos níveis de cada pavimento para os ventos de alta e de baixa 47 turbulência incidindo nas quatro direções. As tabelas 1 e 2 resumem esses valores de pressões: Tabela 1: Pressões nos pavimentos do edifício A geradas por vento de baixa turbulência PRESSÃO DO VENTO DE BAIXA TURBULÊNCIA NOS PAVIMENTOS - EDIFÍCIO A PAVIMENTO COTA (m) Fator S2 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 6.20 9.05 11.90 14.75 17.60 20.45 23.30 26.15 29.00 31.85 34.70 37.85 41.00 44.15 45.95 48.95 0.78 0.82 0.85 0.87 0.89 0.91 0.93 0.94 0.95 0.96 0.97 0.98 0.99 1.00 1.01 1.02 Vk (m/s) q (N/m²) 31.39 32.91 34.05 34.98 35.76 36.44 37.04 37.57 38.06 38.51 38.93 39.35 39.75 40.12 40.32 40.64 603.90 663.79 710.82 750.01 783.88 813.85 840.83 865.44 888.12 909.18 928.87 949.26 968.43 986.51 996.42 1012.30 Vento 0 e 180 (Ca=1,32) Vento 90 e 270 (Ca=1,17) Ca.q (tf/m²) Ca.q (tf/m²) 0.08 0.07 0.09 0.08 0.09 0.08 0.10 0.09 0.10 0.09 0.11 0.10 0.11 0.10 0.11 0.10 0.12 0.10 0.12 0.11 0.12 0.11 0.13 0.11 0.13 0.11 0.13 0.12 0.13 0.12 0.13 0.12 Tabela 2: Pressões nos pavimentos do edifício A geradas por vento de alta turbulência PRESSÃO DO VENTO DE ALTA TURBULÊNCIA NOS PAVIMENTOS - EDIFÍCIO A PAVIMENTO COTA (m) Fator S2 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 6.20 9.05 11.90 14.75 17.60 20.45 23.30 26.15 29.00 31.85 34.70 37.85 41.00 44.15 45.95 48.95 0.78 0.82 0.85 0.87 0.89 0.91 0.93 0.94 0.95 0.96 0.97 0.98 0.99 1.00 1.01 1.02 Vk (m/s) q (N/m²) 31.39 32.91 34.05 34.98 35.76 36.44 37.04 37.57 38.06 38.51 38.93 39.35 39.75 40.12 40.32 40.64 603.90 663.79 710.82 750.01 783.88 813.85 840.83 865.44 888.12 909.18 928.87 949.26 968.43 986.51 996.42 1012.30 Vento 0 e 180 (Ca=1,02) Vento 90 e 270 (Ca=0,93) Ca.q (tf/m²) Ca.q (tf/m²) 0.06 0.06 0.07 0.06 0.07 0.07 0.08 0.07 0.08 0.07 0.08 0.08 0.09 0.08 0.09 0.08 0.09 0.08 0.09 0.08 0.09 0.09 0.10 0.09 0.10 0.09 0.10 0.09 0.10 0.09 0.10 0.09 48 4.1.2 CÁLCULO DAS PRESSÕES DE VENTO NO EDIFÍCIO B. No edifício B o cálculo para determinar as pressões se repete sendo que as relações geométricas desse para obtenção dos coeficientes de arrasto por intermédio dos ábacos de norma são descritas abaixo para cada direção de incidência do vento: Para os ventos de 0 e 180 graus temos as seguintes relações: h / l1 = 33,55 = 3,32 14,47 l1 / l2 = 14,47 = 0,64 22,75 Com isso, entrando no ábaco de baixa turbulência o valor de coeficiente de arrasto obtido é Ca = 1,07 . Já entrando com essas mesmas relações no ábaco de alta turbulência encontramos um valor de Ca = 0,89 . Já para os ventos de 90 e 270 graus temos: h / l1 = 33,55 = 1,47 22,75 l1 / l2 = 22,75 = 1,57 14,47 Sendo que para essa direção de incidência do vento os valores o coeficiente de arrasto de baixa e de alta turbulência encontrados foram de Ca = 1,30 e Ca = 1,03 respectivamente. Novamente, através do corte esquemático dos pavimentos foram obtidas as cotas dos níveis dos pavimentos e assim foi calculado um fator de rugosidade do terreno S 2 para cada pavimento, com exceção do térreo, pela equação 4.1. Por fim, com os coeficientes de arrasto, a velocidade básica do vento V0 , os fatores S1 , S 2 e S3 foram calculados os valores de pressão nos níveis de cada pavimento do edifício B para os ventos de alta e de baixa turbulência incidindo nas quatro direções. As tabelas 3 e 4 resumem esses valores de pressões: 49 Tabela 3: Pressões nos pavimentos do edifício B geradas por vento de baixa turbulência PRESSÃO DO VENTO DE BAIXA TURBULÊNCIA NOS PAVIMENTOS - EDIFÍCIO B PAVIMENTO COTA (m) Fator S2 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 7.30 10.15 13.00 15.85 18.70 21.55 24.40 27.25 30.10 31.60 33.10 38.00 Vk (m/s) q (N/m²) 32.03 33.38 34.43 35.29 36.03 36.68 37.25 37.77 38.24 38.47 38.70 39.37 629.07 683.10 726.70 763.62 795.85 824.58 850.59 874.40 896.42 907.39 917.97 950.20 0.80 0.83 0.86 0.88 0.90 0.92 0.93 0.94 0.96 0.96 0.97 0.98 Vento 0 e 180 (Ca=1,07) Vento 90 e 270 (Ca=1,30) Ca.q (tf/m²) Ca.q (tf/m²) 0.07 0.08 0.07 0.09 0.08 0.09 0.10 0.08 0.10 0.09 0.09 0.11 0.09 0.11 0.09 0.11 0.10 0.12 0.12 0.10 0.10 0.12 0.10 0.12 Tabela 4: Pressões nos pavimentos do edifício B geradas por vento de alta turbulência PRESSÃO DO VENTO DE ALTA TURBULÊNCIA NOS PAVIMENTOS - EDIFÍCIO B PAVIMENTO COTA (m) Fator S2 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 7.30 10.15 13.00 15.85 18.70 21.55 24.40 27.25 30.10 31.60 33.10 38.00 0.80 0.83 0.86 0.88 0.90 0.92 0.93 0.94 0.96 0.96 0.97 0.98 Vk (m/s) q (N/m²) 32.03 33.38 34.43 35.29 36.03 36.68 37.25 37.77 38.24 38.47 38.70 39.37 629.07 683.10 726.70 763.62 795.85 824.58 850.59 874.40 896.42 907.39 917.97 950.20 Vento 0 e 180 (Ca=0,89) Vento 90 e 270 (Ca=1,03) Ca.q (tf/m²) Ca.q (tf/m²) 0.06 0.06 0.06 0.07 0.06 0.07 0.07 0.08 0.07 0.08 0.07 0.08 0.08 0.09 0.08 0.09 0.08 0.09 0.08 0.09 0.08 0.09 0.08 0.10 Com as pressões de vento nos pavimentos dos edifícios foi possível calcular a força total de vento em cada pavimento e depois distribuir essas forças totais em forças de vento nos pilares em cada nível de pavimento proporcionais à área de influência de fachada desses para cada uma das situações de incidência de vento. Com as excentricidades do vento em cada caso, também é possível calcular o momento torçor atuante em cada pavimento dos modelos. A seguir é descrito como o TQS lança essas cargas nos modelos. 50 4.2 4.2.1 LANÇAMENTO DAS CARGAS DE VENTO NO MODELO. LANÇAMENTO DAS CARGAS DE VENTO NÃO EXCENTRICAS NO MODELO Para lançar o vento calculado conforme a norma no modelo primeiramente o software determina a cota do nível de cada pavimento da estrutura acima do térreo. Para cada cota defini-se a geometria da planta de forma do pavimento e escolhe-se uma linha arbitrária ortogonal à direção do vento. Sobre essa linha, projetam-se os extremos do edifício e os centros de gravidade dos pilares. A figura 16 ilustra essa situação. Figura 16: Definição da linha de projeção das cargas de vento Fonte: Manuais do TQS (2012) A projeção dos pilares extremos sobre a linha define a largura do edifício em que atuará o vento. A divisão dessa linha se dá pela projeção dos centros dos pilares que formam trechos entre estes. A área de influência em que a pressão de vento aturará nessa direção é então calculada com a largura do edifício e o pé-direito do piso e assim é obtida a força total de vento no pavimento. Com a pressão de vento no pavimento é possível distribuir essa força total entre os pilares no piso, proporcionalmente a uma área de influência de cada pilar. A área de influência de cada pilar Será calculada da metade do trecho anterior até a metade do trecho posterior sendo a outra dimensão dessa área determinada pela metade da altura do pavimento superior até metade da altura do inferior menos no primeiro piso acima do Térreo aonde a força oriunda do andar inferior vai toda para esse pavimento. A figura 17 é uma representação disso. Apesar de as cargas de vento serem lançadas nos pilares proporcionais à área de influência, os esforços gerados por essas cargas serão distribuídos de acordo com a rigidez de cada pórtico visto que as barras das vigas no modelo possuem uma elevada inércia lateral ( 10m 4 ) que simula o efeito de diafragma rígido redistribuindo os esforços para os pórticos. 51 Figura 17: Altura para cálculo das áreas de influência da ação do vento nos pilares Fonte: Manuais do TQS (2012) 4.2.2 LANÇAMENTO DAS CARGAS DE VENTO EXCENTRICAS NO MODELO A situação de uma força de vento “F” incidindo com uma excentricidade “e” em um pavimento de um edifício é equivalente a incidência dessa mesma força centrada mais um momento torçor de valor igual a “F.e”. A figura 18 ilustra essa situação para um pavimento de um edifício genérico utilizado como exemplo: Figura 18: Vento excêntrico incidindo em um pavimento genérico No caso do TQS, conforme já descrito anteriormente, a força total de vento no pavimento é distribuída nos pilares proporcionalmente às áreas de influência de fachada de cada um. No entanto, o momento torçor atuante em um pavimento é lançado com seu valor total em um pilar central da estrutura (pilar mais próximo do centro de ridigidez da planta do pavimento). A figura 19 abaixo ilustra o lançamento de um vento excêntrico no pavimento genérico. 52 Figura 19: Lançamento da ação de vento excêntrica em um pavimento genérico Ao incidir um vento excêntrico em um pavimento, devido ao efeito de diafragma rígido, a laje não se deforma axialmente, o pavimento inteiro sofre um deslocamento ∆ e um giro ∅ em torno do centro de rotação da planta conforme ilustrado na figura 20. Figura 20: Lançamento da ação de vento excêntrica em um pavimento genérico 53 No modelo do TQS, o que garante o giro e o deslocamento únicos do pavimento, efeito diafragma rígido, é novamente a elevada inércia lateral das vigas do pavimento que faze com que o pavimento gire como um todo ao invés do pilar central ser torcido. Através da deformação do pavimento é possível perceber que os pilares mais influenciados pelo efeito de torção do vento são os pilares mais afastados do centro de torção do pavimento visto que esses são os que mais se deslocam em função do vento e, portanto é esperado que para esses pilares do modelo o momento fletor na base aumente proporcionalmente ao deslocamento. Vale resaltar, que as rigidezes dos pórticos também influenciam na distribuição dos esforços nos pilares devido ao efeito de diafragma rígido e, portanto pilares de pórticos mais rígidos absorveram uma maior parte dos esforços gerados pelo vento, seja ele excêntrico ou não. As figuras 21 e 22 demonstram como se deu, em escala ampliada, a deformação em um pavimento tipo intermediário nos modelos dos edifícios A e B para um das situações de vento excêntrico visando verificar se o pavimento realmente girou como um todo garantindo assim o efeito de diafragma rígido. Figura 21: Rotação de um pavimento tipo intermediário do modelo A –V3 54 Figura 22: Rotação de um pavimento tipo intermediário do modelo B –V3 Por meio das figuras foi possível perceber que o modelo simulou de forma satisfatória o efeito de diafragma rígido mesmo para as situações de incidência excêntrica de vento, portanto os resultados dos modelos apresentados no próximo capitulo e que serão utilizados para analisar esse efeito de torção podem ser considerados confiáveis. 4.3 INFLUÊNCIA DA ALTURA DAS EDIFÍCAÇÕES NA SIGNIFICANCIA DOS EFEITOS DE TORÇÃO DO VENTO. Para entender melhor como a altura da edificação pode influenciar nos efeitos de torção será idealizado uma simplificação onde um pilar engastado na base estaria representando um edifício por inteiro. De acordo com a NBR 6123/1988, a pressão de vento é uma função da altura: q (h ) = 0,613 × (Vo .S1.S 2 .S3 ) 2 (4.5) Ao fixarmos o tipo de terreno do edifício, o uso da edificação e a velocidade básica do vento temos: q (h ) = 0,613 × (Vo .S1.S 2 .S3 ) = 0,613 × (V0 .S1.S3 ) × ( S 2 ) 2 = K1 × S2 2 2 2 (4.6) Conforme explicado anteriormente, o fator S2 é o único de leva em consideração à altura do vento e para um vento de categoria IV e uma edifícação classe B esse fator é: S2 (h ) = b.Fr .(h / 10 ) = 0,85 × 0,98(h / 10 ) p 0,125 = K 2 × h 0.125 Portanto, temos a pressão do vento como sendo a seguinte função da altura: (4.7) 55 q (h ) = K × (S 2 ) = K1 × ( K 2 × h 0,125 ) 2 = K 3 × h 0, 25 2 (4.8) Onde K 3 é uma constante e h é a altura de incidência do vento. A figura 23 abaixo ilustra essa situação de distribuição de pressão ao longo da altura do pilar que representa o edifício. Figura 23: Representação de um edifício ao ser solicitado pela ação de um vento excêntrico Portanto para essa distribuição de pressão a força total de vento no edifício pode ser calculada integrando a função q(h): h1, 25 F (h ) = ∫ q (h)dh = K 3 × + C = K 4 × h1, 25 + C 1,25 (4.9) Como temos a condição de para uma altura de 0 m não existir força de vento temos que a constante C da integração vale 0: F (0 ) = 0 C = 0 e portanto a força total de vento no edifício vale: F (h ) = K 4 × h1, 25 (4.10) 56 Para a distribuição exponencial da força temos que, o ponto de aplicação da resultante é o centro de gravidade da figura e, portanto pode ser calculado pela divisão do momento estático dessa figura sobre sua área que para o caso resulta em: 1,25 × h = K5 × h . 2,25 Com isso foi possível calcular o momento fletor total atuante na base e o momento torçor total em função da altura h do prédio apartir das expressões 4.11 e 4.12 respectivamente: M F (h ) = F (h ) × K 5 × h = K 4 × h1, 25 × K 5 × h = K 6 × h 2, 25 M T (h ) = F (h ) × e = K 4 × h1, 25 × e = K 7 × h1, 25 (4.11) (4.12) Onde: K n : São constantes; e: é a excentricidade do vento que de acordo com a norma é constante; h: é a altura total do pilar que representa o edifício no exemplo. Assim é possível perceber de maneira simplificada, que os esforços oriundos da flexão nos pilares causada pelo vento aumentam mais rapidamente com a crescente da altura, com expoente 2,25, do que os esforços oriundos da torção do vento cujo expoente foi de 1,25. Portanto a medida que os edifícios são mais altos os efeitos de torção são menos significantes em comparação com os da flexão do vento. Assim é esperado que edifícios mais baixos venham a sofrer maior influência do efeito de torção no dimensionamento e detalhamento dos elementos. No entanto, conforme já citado na revisão bibliográfica, em edifícios altos as excentricidades da NRB-6123/1988 não são suficientes para abranger os efeitos de torção que podem correr nesses edifícios seja pela distribuição variável de pressão nas fachadas ou ainda devido a incidências de vento não perpendiculares essas fachadas. Isso indica que provavelmente a excentricidade a ser considerada para abranger esses efeitos de torção deve ser uma função crescente em relação à altura, porém a nível de edifícios de médio porte, como é o caso desse trabalho, essa variação deve ser pequena e portanto os valores da norma são válidos. No desconhecimento da teoria que associa essas excentricidades com as alturas de edifícios, para os prédio muito altos é aconselhável realizar a análise dos efeitos de torção com modelos reduzidos em tuneis de vento. 57 Vale lembrar ainda que em edificações muito baixas os esforços oriundos do vento começam a perder a significância perto dos oriundos das ações verticais e, além disso, em geral os esforços oriundos do desaprumo passam a ser mais importantes que o vento e, portanto nesse caso, conforme a NBR 6118/2003, o vento não deve ser adotado na análise estrutural da edificação. Com isso, os edifícios escolhidos para esse trabalho não foram nem muito altos e nem muito baixos onde no caso os edifícios A e B possuem 15 lajes mais ático e 10 lajes mais ático respectivamente. Esperasse, portanto que o edifício B que é menor dos dois seja o mais afetado pelo efeito da torção do vento. 58 5. ANÁLISE DOS RESULTADOS Nesse trabalho, a influência do efeito de torção devido à força de vento nas edificações será mensurada por meio da análise de três fatores: O momento fletor, o nível de compressão nas bases dos pilares, e também o parâmetro R M 2M 1 que é a relação dos momentos de 20 e 10 ordem calculados pelo processo P∆ Visando avaliar a influência do efeito da torção na análise da estabilidade global dos edifícios. O momento fletor combinado com o esforço de normal na base dos pilares são os principais esforços para o dimensionamento e detalhamento desses elementos. Conforme explicado no final do capítulo anterior, o efeito de torção devido ao vento pode levar a um acréscimo de momentos fletores e variações de esforços normais para alguns pilares da estrutura, portanto os momentos fletores e os esforços normais nas bases podem ser considerados como bons parâmetros para mensurar a importância da torção devida ao vento. Já o parâmetro R M 2M 1 mede a significância dos efeitos de 20 ordem na estrutura. No caso de vento excêntrico esse pode alterar as deslocabilidades dos pilares e, portanto se com o vento não excêntrico o efeito de segunda ordem não era importante, com a consideração da torção esse efeito pode se tornar importante sendo então necessário majorar os esforços de primeira ordem antes do dimensionamento e detalhamento dos elementos estruturas. Com isso o parâmetro R M 2 M 1 também foi escolhido nesse trabalho para avaliar a significância desse efeito de torção nos edifícios de concreto armado. Os modelos a serem comparados na analise do efeito de torção serão sempre aqueles que possuem a mesma estrutura (A ou B), o mesmo tipo de solicitação de vento (Baixa ou alta turbulência) onde a única coisa que se altera é incidência do vento, que pode ser excêntrica ou não. No capítulo anterior, os oito modelos já foram descritos e associados em quatro pares que serão comparados para a análise final do trabalho. Será também determinado o pilar de cada edifício onde o efeito de torção mais influenciou no dimensionamento e detalhamento e então esses serão analisados para as solicitações críticas do Estado Limite Último nos modelos com e sem o efeito de torção. 59 5.1 DETERMINAÇÃO DOS PILARES MAIS AFETADOS PELO EFEITO DE TORÇÃO – ANÁLISE COMPARATIVA DOS ESFORÇOS ORIUNDOS DO VENTO. Os resultados de momento fletor e normal na base dos pilares dos modelos devido à ação do vento foram comparados no intuito de determinar o pilar mais afetado pela torção de vento. Esses resultados serão apresentados nesse tópico com seus valores característicos. Pilares cujos momentos fletores são elevados e que são ao mesmo tempo pouco comprimidos ou até tracionados são geralmente os pilares mais solicitados necessitando assim de uma maior taxa de armadura. No entanto, devido aos problemas de instabilidade, após certo nível de compressão o acréscimo de normal pode provocar uma redução na resistência do pilar para evitar que ocorra a instabilidade desse elemento. Como as verificações dos pilares são feitas para o Estado Limite Último, espera-se que para esses níveis de normal em pilares de edifícios, que geralmente são muito comprimidos, o acréscimo desse esforço venha a levar o pilar a uma pior condição de dimensionamento, ou seja, uma redução de resistência devido à problemas de instabilidade. Levando em consideração esses fatores de dimensionamento dos pilares, foram analisados os acréscimos dos valores de momento e as variações de esforço normal na base causados apenas pelo vento com a sua incidência excêntrica e sendo tomando como referência os valores desses esforços devido apenas às solicitações de vento não excêntrico. É importante resaltar que os esforços nos pilares que se alteram devido à torção causada pelo vento são apenas a parcela oriunda dessa ação sendo que a parcela de esforços devido às ações verticais permanece a mesma para todos os pilares independente das solicitações de vento. A principio será analisado as relações entre momentos causados pelos ventos excêntricos sobre momentos causados pelos ventos não excêntricos. Serão apresentados os esforços normais devido à cada tipo de solicitação de vento sendo que esses esforços serão somados com as normais devido as cargas verticais. Com isso é possível obter o valor total da normal nos pilares para cada tipo de vento e, portanto também serão apresentadas as relações entre a normal total nos pilares para vento excêntrico sobre a normal total nos pilares para ventos não excêntricos. As ações verticais também podem gerar momentos fletores nas bases dos pilares. No entanto, como primeiramente deseja-se obter qual o pilar mais influenciado pela ação do vento excêntrico, foram analisados apenas os valores de momento gerados pelo vento. Já mais adiante, quando será realizado o dimensionamento do pilar de cada edifício, serão considerados todos esses esforços na combinação mais crítica do Estado Limite Último. 60 Nas análises dos resultados serão considerados apenas os valores de momento que são significativos desprezando aqueles casos de valores pequenos, pois esses além de serem insignificantes para o dimensionamento e detalhamento da estrutura ainda possuem uma margem de erro muito grande associada e, portanto suas análises deixam de fazer sentido. Além disso, esses valores pequenos não são importantes no dimensionamento no Estado Limite Último uma vez que provavelmente ocasionaram em armaduras mínimas para esses elementos. Os Valores de esforços normais devido à ação horizontal que são correspondentes aos momentos não significativos também não serão analisados. Esses valores desprezíveis de momentos e suas respectivas normais geradas apenas pela ação do vento foram apresentados em vermelho nas tabelas e, portanto as comparações entre os esforços nos modelos serão realizadas desconsiderando esses valores onde no lugar dos resultados para essas situações aparece indicado “NC” que significa não calculado. Nessas tabelas os valores de momento fletor foram apresentados em módulo, pois nesse caso os sinais só indicam o sentido da flexão onde para pilares retangulares, que são duplamente simétricos, os sentidos do momento não influenciam no dimensionamento desses (considerando que também serão armados simetricamente como geralmente são detalhados). Já no caso das normais nos pilares, o sinal positivo indica compressão e o negativo tração. 5.1.1 RESULTADOS DOS ESFORÇOS CARACTERÍSTICOS DE MOMENTO FLETOR E NORMAL NA BASE DOS PILARES DOS MODELOS DO EDIFÍCIO A Os resultados de momento fletor e esforço normal devido apenas às ações do vento na base dos pilares para os modelos do edifício A: A-V1, A-V3; A-V2 e A-V4, com ventos baixa e alta turbulência respectivamente, encontram-se descritos a baixo nas tabelas. Além disso, também foi apresentada a normal nos pilares devido às ações verticais cujos valores foram somados às normais devido aos ventos no intuito de comparar o esforço normal nos modelos com torção de vento com o dos modelos sem esse efeito. As tabelas 5 e 6 são referentes aos esforços nos modelos com vento de baixa turbulência, A-V1 e A-V3, valendo lembra que para o segundo foi considerada uma excentricidade de 7,5% da dimensão perpendicular à incidência do vento. 61 Tabela 5: Momento fletor e esforço normal nas bases devido aos ventos de baixa turbulência - edifício A MOMENTO FLETOR E ESFORÇO NORMAL NA BASE DOS PILARES DEVIDO AOS VENTOS DE BAIXA TURBULÊNCIA- EDIFÍCIO A MODELO A-V1 (Vento não excêntrico) PILARES P1 P2 P3 P4 P5 P6 P7 P8 P9 P10 P11 P12 P13 P14 P15 P16 P17 P18 P19 P20 P21 P22 P23 P24 MODELO A-V3 (Vento Excêntrico) Relação entre os Momentos (M A-V3/M A-V1) VENTO 0 VENTO 180 VENTO 270 VENTO 0 VENTO 180 VENTO 270 VENTO 90 VENTO 90 VENTO 0 VENTO 180 VENTO 90 VENTO 270 My (tf/m²) N (tf) My (tf/m²) N (tf) Mx (tf/m²) N (tf) Mx (tf/m²) N (tf) My (tf/m²) N (tf) My (tf/m²) N (tf) Mx (tf/m²) N (tf) Mx (tf/m²) N (tf) 1.00 -7.50 1.00 7.50 9.30 21.70 9.30 -21.70 0.60 -10.20 1.50 5.10 10.60 23.00 8.00 -20.40 NC NC 1.14 0.86 1.50 -6.80 1.50 6.80 14.90 38.50 14.90 -38.50 0.90 -6.50 2.10 7.40 15.40 38.30 14.50 -38.70 NC NC 1.03 0.97 1.60 4.30 1.60 -4.30 10.60 38.70 10.60 -38.70 1.00 5.70 2.30 -3.10 10.30 38.10 10.90 -39.40 NC NC 0.97 1.03 1.50 8.40 1.50 -8.40 10.40 24.80 10.40 -24.80 0.90 11.30 2.00 -5.80 9.10 23.40 11.70 -26.10 NC NC 0.88 1.13 8.90 -17.70 8.90 17.70 11.10 -21.70 11.10 21.70 6.30 -12.10 11.60 23.80 11.50 -24.60 10.90 18.90 NC NC NC NC 9.30 19.50 9.30 -19.50 8.40 -29.60 8.40 29.60 6.70 11.60 12.20 -27.90 8.20 -25.60 8.70 33.60 NC NC NC NC 1.10 -11.20 1.10 11.20 13.70 0.10 13.70 -0.10 0.90 -9.60 1.30 13.30 15.70 -0.80 11.90 -1.10 NC NC 1.15 0.87 1.10 14.60 1.10 -14.60 15.30 0.20 15.30 -0.20 0.90 12.80 1.40 -17.10 13.50 1.30 17.30 0.90 NC NC 0.88 1.13 1.30 -14.40 1.30 14.40 27.00 -24.30 33.00 37.70 1.50 -17.60 1.20 11.10 0.91 1.11 NC NC 29.60 -30.40 29.60 30.40 33.90 -47.80 33.90 47.80 2.40 -8.40 2.40 8.40 30.90 -42.40 37.70 54.70 2.40 -11.40 2.30 5.40 0.91 1.11 NC NC 34.80 31.20 34.80 -31.20 2.10 -4.90 2.10 4.90 31.70 28.10 38.90 -35.40 2.10 -3.10 2.20 6.70 0.91 1.12 NC NC 2.00 -19.00 2.00 19.00 52.40 39.60 64.20 -57.60 1.80 -14.60 2.20 23.40 0.91 1.11 NC NC 57.60 47.70 57.60 -47.70 28.20 -33.40 28.20 33.40 1.60 16.20 1.60 -16.20 30.90 -41.60 26.40 27.00 1.80 19.80 1.40 -12.70 1.10 0.94 NC NC 32.30 -48.60 32.30 48.60 2.20 3.30 2.20 -3.30 35.20 -54.50 30.30 44.70 2.20 5.70 2.10 -0.90 1.09 0.94 NC NC 33.40 33.10 33.40 -33.10 2.10 5.30 2.10 -5.30 36.40 37.50 31.30 -30.10 2.10 3.50 2.20 -7.10 1.09 0.94 NC NC 2.00 21.90 2.00 -21.90 60.10 60.60 52.00 -42.70 1.70 17.50 2.20 -26.20 1.09 0.94 NC NC 55.20 50.40 55.20 -50.40 1.10 -13.20 1.10 13.20 14.70 -0.90 14.70 0.90 1.30 -15.40 0.90 11.70 16.70 0.00 12.80 1.80 NC NC 1.14 0.87 1.00 16.20 1.00 -16.20 15.00 -4.40 15.00 4.40 1.20 18.40 0.90 -14.90 13.20 -5.20 16.90 3.50 NC NC 0.88 1.13 8.30 -23.10 8.30 23.10 8.10 26.90 8.10 -26.90 10.80 -31.80 6.10 15.50 8.40 31.00 7.90 -23.00 NC NC NC NC 8.30 22.70 8.30 -22.70 8.30 29.70 8.30 -29.70 10.90 31.40 6.10 -15.20 8.10 25.80 8.60 -33.70 NC NC NC NC 2.20 -6.20 2.20 6.20 10.00 -21.20 10.00 21.20 3.20 -3.80 1.40 8.70 11.30 -22.40 8.80 20.00 NC NC 1.13 0.88 1.40 -2.90 1.40 2.90 10.20 -38.50 10.20 38.50 1.90 -1.10 0.80 4.70 10.50 -39.40 9.90 37.70 NC NC 1.03 0.97 1.40 3.60 1.40 -3.60 10.40 -38.60 10.40 38.60 1.90 2.20 0.80 -5.00 10.10 -38.00 10.70 39.30 NC NC 0.97 1.03 1.20 6.80 1.20 -6.80 11.00 -21.30 11.00 21.30 1.70 4.90 0.80 -8.90 9.70 -20.30 12.40 22.20 NC NC 0.88 1.13 Tabela 6: Relação entre normal total nas bases para modelos com ventos de baixa turbulência – Edifício A RELAÇÕES ENTRE NORMAIS DEVIDAS A VENTOS DE BAIXA TURBULÊNCIA EXCÊNTRICOS SOBRE NÃO EXCÊNTRICOS - EDIFÍCIO A Normais devido às Normais totais (tf) - Modelo A-V1 (Vento não excêntrico) Normais totais (tf) - Modelo A-V3 (Vento excêntrico) Relação entre as normais (N A-V3/N A-V1) ações verticais (tf) Vento 0 Vento 180 Vento 90 Vento 270 Vento 0 Vento 180 Vento 90 Vento 270 Vento 0 Vento 180 Vento 90 Vento 270 P1 P2 P3 P4 P5 P6 P7 P8 P9 P10 P11 P12 P13 P14 P15 P16 P17 P18 P19 P20 P21 P22 P23 P24 128.3 75.7 80.4 139.8 298.2 311.4 196 214.9 232.7 342.2 344.5 284.6 240.8 344.5 330.6 289 215.6 225.2 312.7 327 152.1 84 87.9 145.8 NC NC NC NC NC NC NC NC 202.30 294.40 375.70 332.30 207.40 295.90 363.70 339.40 NC NC NC NC NC NC NC NC NC NC NC NC NC NC NC NC 263.10 390.00 313.30 236.90 274.20 393.10 297.50 238.60 NC NC NC NC NC NC NC NC 150.00 114.20 119.10 164.60 NC NC 196.10 215.10 NC NC NC NC NC NC NC NC 214.70 220.80 NC NC 130.90 45.50 49.30 124.50 106.60 37.20 41.70 115.00 NC NC 195.90 214.70 NC NC NC NC NC NC NC NC 216.50 229.60 NC NC 173.30 122.50 126.50 167.10 NC NC NC NC NC NC NC NC 208.40 299.80 372.60 324.20 199.20 290.00 368.10 349.60 NC NC NC NC NC NC NC NC NC NC NC NC NC NC NC NC 270.40 396.90 309.10 227.00 267.80 389.20 300.50 246.30 NC NC NC NC NC NC NC NC 151.30 114.00 118.50 163.20 NC NC 195.20 216.20 NC NC NC NC NC NC NC NC 215.60 220.00 NC NC 129.70 44.60 49.90 125.50 107.90 37.00 41.00 113.70 NC NC 194.90 215.80 NC NC NC NC NC NC NC NC 217.40 228.70 NC NC 172.10 121.70 127.20 168.00 NC NC NC NC NC NC NC NC 1.03 1.02 0.99 0.98 0.96 0.98 1.01 1.03 NC NC NC NC NC NC NC NC NC NC NC NC NC NC NC NC 1.03 1.02 0.99 0.96 0.98 0.99 1.01 1.03 NC NC NC NC NC NC NC NC 1.01 1.00 0.99 0.99 NC NC 1.00 1.01 NC NC NC NC NC NC NC NC 1.00 1.00 NC NC 0.99 0.98 1.01 1.01 1.01 0.99 0.98 0.99 NC NC 0.99 1.01 NC NC NC NC NC NC NC NC 1.00 1.00 NC NC 0.99 0.99 1.01 1.01 Já as tabelas 7 e 8 são referentes aos esforços nos modelos com vento de alta turbulência, A-V2 e A-V4, valendo lembra que nesse caso no segundo foi considerada uma excentricidade de 15% da dimensão perpendicular à incidência do vento considerando assim que ventos mais turbulentos podem gerar maiores efeitos de torção. 62 Tabela 7: Momento fletor e esforço normal nas bases devido aos ventos de alta turbulência - edifício A MOMENTO FLETOR E ESFORÇO NORMAL NA BASE DOS PILARES DEVIDO AOS VENTOS DE ALTA TURBULÊNCIA - EDIFÍCIO A MODELO A-V2 (Vento não excêntrico) PILARES P1 P2 P3 P4 P5 P6 P7 P8 P9 P10 P11 P12 P13 P14 P15 P16 P17 P18 P19 P20 P21 P22 P23 P24 MODELO A-V4 (Vento excêntrico) Relação entre os momentos (M A-V4/M A-V2) VENTO 0 VENTO 180 VENTO 270 VENTO 0 VENTO 180 VENTO 270 VENTO 90 VENTO 90 VENTO 0 VENTO 180 VENTO 90 VENTO 270 My (tf/m²) N (tf) My (tf/m²) N (tf) Mx (tf/m²) N (tf) Mx (tf/m²) N (tf) My (tf/m²) N (tf) My (tf/m²) N (tf) Mx (tf/m²) N (tf) Mx (tf/m²) N (tf) 0.80 -5.80 0.80 5.80 7.40 17.30 7.40 -17.30 0.10 -9.90 1.50 1.90 9.50 19.30 5.30 -15.20 NC NC 1.28 0.72 1.20 -5.30 1.20 5.30 11.80 30.60 11.80 -30.60 0.30 -4.70 2.10 6.00 12.60 30.30 11.20 -30.90 NC NC 1.07 0.95 1.30 3.30 1.30 -3.30 8.40 30.80 8.40 -30.80 0.30 5.40 2.30 -1.40 7.90 29.80 9.00 -31.80 NC NC 0.94 1.07 1.10 6.50 1.10 -6.50 8.20 19.70 8.20 -19.70 0.30 10.90 2.00 -2.40 6.20 17.50 10.30 -21.80 NC NC 0.76 1.26 6.80 -13.60 6.80 13.60 8.80 -17.20 8.80 17.20 2.80 -4.80 11.00 22.90 9.40 -21.80 8.40 12.70 NC NC NC NC 7.20 15.10 7.20 -15.10 6.70 -23.50 6.70 23.50 3.10 2.70 11.50 -27.90 6.30 -17.20 7.10 29.80 NC NC NC NC 0.80 -8.70 0.80 8.70 10.90 0.10 10.90 -0.10 0.50 -5.90 1.20 11.80 14.00 -1.30 7.90 -1.60 NC NC 1.28 0.72 0.90 11.30 0.90 -11.30 12.20 0.10 12.20 -0.10 0.50 8.20 1.20 -14.90 9.20 1.80 15.30 1.50 NC NC 0.75 1.25 1.00 -11.40 1.00 11.40 18.60 -13.60 27.80 34.30 1.30 -16.60 0.80 6.20 0.81 1.21 NC NC 22.90 -23.50 22.90 23.50 26.20 -36.90 26.20 36.90 1.90 -6.60 1.90 6.60 21.20 -28.10 31.80 47.00 2.00 -11.40 1.80 1.90 0.81 1.21 NC NC 1.70 -3.90 1.70 3.90 21.70 18.90 32.90 -30.20 1.60 -1.10 1.80 6.70 0.81 1.22 NC NC 26.90 24.10 26.90 -24.10 44.50 36.90 44.50 -36.90 1.60 -15.10 1.60 15.10 35.90 23.70 54.20 -51.40 1.20 -8.10 1.90 22.10 0.81 1.22 NC NC 1.30 12.90 1.30 -12.90 25.60 -37.80 18.60 15.20 1.60 18.60 1.00 -7.30 1.17 0.85 NC NC 21.80 -25.80 21.80 25.80 25.00 -37.50 25.00 37.50 1.70 2.60 1.70 -2.60 29.10 -45.90 21.60 30.70 1.80 6.40 1.60 1.20 1.16 0.86 NC NC 1.70 4.20 1.70 -4.20 30.10 31.80 22.20 -20.40 1.60 1.30 1.80 -7.10 1.17 0.86 NC NC 25.80 25.60 25.80 -25.60 42.70 39.00 42.70 -39.00 1.60 17.40 1.60 -17.40 49.60 53.80 37.00 -26.00 1.20 10.40 1.90 -24.30 1.16 0.87 NC NC 0.80 -10.20 0.80 10.20 11.70 -0.70 11.70 0.70 1.10 -13.40 0.50 7.60 14.80 0.70 8.70 2.20 NC NC 1.26 0.74 0.80 12.50 0.80 -12.50 11.90 -3.50 11.90 3.50 1.10 15.50 0.50 -10.10 9.00 -4.80 14.90 2.10 NC NC 0.76 1.25 6.40 -17.80 6.40 17.80 6.50 21.40 6.50 -21.40 10.20 -30.90 2.90 5.70 6.90 27.80 6.10 -15.10 NC NC NC NC 6.50 17.50 6.50 -17.50 6.60 23.60 6.60 -23.60 10.30 30.50 2.90 -5.40 6.20 17.30 7.00 -30.00 NC NC NC NC 1.70 -4.80 1.70 4.80 8.00 -16.80 8.00 16.80 3.20 -1.00 0.30 8.70 10.00 -18.80 6.00 14.90 NC NC 1.25 0.75 1.00 -2.20 1.00 2.20 8.10 -30.60 8.10 30.60 1.90 0.50 0.20 5.00 8.50 -32.00 7.70 29.20 NC NC 1.05 0.95 1.00 2.70 1.00 -2.70 8.20 -30.70 8.20 30.70 1.90 0.60 0.20 -4.90 7.80 -29.60 8.70 31.80 NC NC 0.95 1.06 1.00 5.30 1.00 -5.30 8.70 -16.90 8.70 16.90 1.70 2.20 0.20 -8.50 6.60 -15.30 10.90 18.50 NC NC 0.76 1.25 Tabela 8: Relação entre normal total nas bases para modelos com ventos de alta turbulência – Edifício A RELAÇÕES ENTRE NORMAIS DEVIDAS A VENTOS DE ALTA TURBULÊNCIA EXCÊNTRICOS SOBRE NÃO EXCÊNTRICOS - EDIFÍCIO A Normais devido às Normais totais (tf) - Modelo A-V2 (Vento não excêntrico) Normais totais (tf) - Modelo A-V4 (Vento excêntrico) Relação entre as normais (N A-V4/N A-V2) ações verticais (tf) Vento 0 Vento 180 Vento 90 Vento 270 Vento 0 Vento 180 Vento 90 Vento 270 Vento 0 Vento 180 Vento 90 Vento 270 P1 P2 P3 P4 P5 P6 P7 P8 P9 P10 P11 P12 P13 P14 P15 P16 P17 P18 P19 P20 P21 P22 P23 P24 128.3 75.7 80.4 139.8 298.2 311.4 196 214.9 232.7 342.2 344.5 284.6 240.8 344.5 330.6 289 215.6 225.2 312.7 327 152.1 84 87.9 145.8 NC NC NC NC NC NC NC NC 209.20 305.30 368.60 321.50 215.00 307.00 356.20 328.00 NC NC NC NC NC NC NC NC NC NC NC NC NC NC NC NC 256.20 379.10 320.40 247.70 266.60 382.00 305.00 250.00 NC NC NC NC NC NC NC NC 145.60 106.30 111.20 159.50 NC NC 196.10 215.00 NC NC NC NC NC NC NC NC 214.90 221.70 NC NC 135.30 53.40 57.20 128.90 111.00 45.10 49.60 120.10 NC NC 195.90 214.80 NC NC NC NC NC NC NC NC 216.30 228.70 NC NC 168.90 114.60 118.60 162.70 NC NC NC NC NC NC NC NC 219.10 314.10 363.40 308.30 203.00 298.60 362.40 342.80 NC NC NC NC NC NC NC NC NC NC NC NC NC NC NC NC 267.00 389.20 314.30 233.20 256.00 375.20 310.20 263.00 NC NC NC NC NC NC NC NC 147.60 106.00 110.20 157.30 NC NC 194.70 216.70 NC NC NC NC NC NC NC NC 216.30 220.40 NC NC 133.30 52.00 58.30 130.50 113.10 44.80 48.60 118.00 NC NC 194.40 216.40 NC NC NC NC NC NC NC NC 217.80 227.30 NC NC 167.00 113.20 119.70 164.30 NC NC NC NC NC NC NC NC 1.05 1.03 0.99 0.96 0.94 0.97 1.02 1.05 NC NC NC NC NC NC NC NC NC NC NC NC NC NC NC NC 1.04 1.03 0.98 0.94 0.96 0.98 1.02 1.05 NC NC NC NC NC NC NC NC 1.01 1.00 0.99 0.99 NC NC 0.99 1.01 NC NC NC NC NC NC NC NC 1.01 0.99 NC NC 0.99 0.97 1.02 1.01 1.02 0.99 0.98 0.98 NC NC 0.99 1.01 NC NC NC NC NC NC NC NC 1.01 0.99 NC NC 0.99 0.99 1.01 1.01 Apartir dos resultados foi possível verificar que em geral houve um acréscimo significativo nos momentos fletores de alguns dos pilares. Também foi possível perceber alguns casos de pilares onde a solicitação excêntrica causou além de um acréscimo no momento fletor, um acréscimo de esforço normal de compressão do pilar, ou seja, com a 63 consideração do efeito de torção do vento o pilar passaria e estar solicitado por um maior valor de momento e com um maior nível compressão sendo que no Estado Limite Último essa situação provavelmente é mais desfavorável para o dimensionamento desses elementos. No entanto, através das tabelas, verifica-se que nem em todos os casos de aumento de momento fletor devido à incidência excêntrica foram acompanhados também de aumento nos esforços normais de compressão. Coforme já explicado anteriormente, como nos modelos excêntricos os pares de vento, 0 e 180; 90 e 270 torceram a estrutura em sentidos contrários e como já era de se esperar, se por um lado um sentido de giro gera uma situação desfavorável para alguns pilares e favorável para outros, o outro sentido de giro inverte essa situação. Com isso, foi possível avaliar sempre a pior situação para cada um dos pilares para fazer a comparação. Para os valores de momento significantes obtidos das modelagens do edifício A o pilar que foi mais influenciado pelo efeito da torção do edifício foi o P13 para o vento com ângulo de incidência de 0 grau, pois esse é um pilar onde houve um aumento considerável no momento fletor sendo que também possui um elevado nível de normal, da ordem 200 tf. Apesar de não ser um dos pilares mais afastados do centro de rigidez da planta do edifício A, esse é um pilar que possui uma elevada rigidez no sentido do vento à 0 graus. Além disso, esse pilar pertence a um dos pórticos mais rígidos para esse sentido de vento e, portanto é um pilar que absorve uma maior parte dos esforços de vento em relação aos outros. A figura 24 ilustra a posição do pilar 13 na planta do pavimento tipo do edifício A. 64 Figura 24: Posição do pilar mais influenciado pelo vento excêntrico para o edifício A Apesar do efeito de torção ter gerado um maior acréscimo no valor do momento fletor para o vento de alta turbulência do que para o vento de baixa turbulência, a pior situação para esse pilar ocorreu para um vento de baixa turbulência, onde a força de vento é maior e a excentricidade é de 7,5% da dimensão perpendicular à incidência do vento. Nessa situação o momento gerado pelo vento foi de 30,90 tf.m e a normal no pilar foi de 199,20 tf. O acréscimo de momento fletor no pilar P13 para esse caso foi de (30,90 − 28,20) = 2,7tf .m , ou seja, um aumento relativo de 10% da situação de vento excêntrico (B-V3) para a situação referência não excêntrica (B-V1). Esse aumento foi acompanhado de um acréscimo de esforço normal de ( 207,40 − 199,20) = 8,2tf aumentando assim o nível de compressão do pilar que para o Estado Limite Último, esperase que reduza mais a resistência do pilar. 5.1.2 RESULTADOS DOS ESFORÇOS DE MOMENTO FLETOR E NORMAL NA BASE DOS PILARES DOS MODELOS DO EDIFÍCIO B Já os resultados de momento fletor e esforço normal devido apenas às ações do vento na base dos pilares para os modelos do edifício B: B-V1, B-V3; B-V2 e B-V4, com ventos baixa e alta turbulência respectivamente, encontram-se descritos nas tabelas a baixo. Além disso, novamente foi apresentada a normal nos pilares devido às ações 65 verticais cujos valores foram somados às normais devido aos ventos no intuito de comparar o esforço normal nos modelos com torção de vento com os modelos sem esse efeito. As tabelas 9 e 10 são referentes aos esforços nos modelos com vento de baixa turbulência, B-V1 e B-V3, lembrando novamente no segundo foi considerada uma excentricidade de 7,5% da dimensão perpendicular à incidência do vento. Tabela 9: Momento fletor e esforço normal nas bases devido aos ventos de baixa turbulência - edifício B MOMENTO FLETOR E ESFORÇO NORMAL NA BASE DOS PILARES DEVIDO AOS VENTOS DE BAIXA TURBULÊNCIA - EDIFÍCIO B MODELO B-V1 (Vento não excêntrico) PILARES P1 P2 P3 P4 P5 P6 P7 P8 P9 P10 P11 P12 P13 P14 P15 P16 P17 P18 P19 P20 MODELO B-V3 (Vento excêntrico) Relação entre os momentos (M B-V1/ MB-V3) VENTO 0 VENTO 180 VENTO 270 VENTO 0 VENTO 180 VENTO 270 VENTO 90 VENTO 90 VENTO 0 VENTO 180 VENTO 90 VENTO 270 My (tf/m²) N (tf) My (tf/m²) N (tf) Mx (tf/m²) N (tf) Mx (tf/m²) N (tf) My (tf/m²) N (tf) My (tf/m²) N (tf) Mx (tf/m²) N (tf) Mx (tf/m²) N (tf) 0.60 -0.40 0.60 0.40 5.00 5.90 5.00 -5.90 0.50 -1.00 0.60 -0.50 7.20 8.20 2.80 -3.70 NC NC NC NC 1.40 4.30 1.40 -4.30 15.80 34.20 15.80 -34.20 1.20 1.60 1.40 -6.60 19.30 41.80 12.30 -26.60 NC NC 1.22 0.78 1.40 0.90 1.40 -0.90 15.30 33.00 15.30 -33.00 1.20 0.90 1.40 -0.90 15.40 33.00 15.30 -33.00 NC NC 1.01 1.00 1.40 -5.20 1.40 5.20 21.80 33.50 21.80 -33.50 1.20 -2.30 1.40 7.70 16.80 25.30 26.80 -41.60 NC NC 0.77 1.23 0.60 -0.40 0.60 0.40 4.20 4.90 4.20 -4.90 0.50 0.40 0.60 1.20 2.10 2.40 6.40 -7.40 NC NC NC NC 22.70 -13.90 22.70 13.90 0.70 -5.00 0.70 5.00 19.90 -11.90 21.40 13.80 1.00 -7.80 0.40 2.30 0.88 0.94 NC NC 1.00 1.20 1.00 -1.20 23.10 -5.80 23.10 5.80 0.90 1.30 0.90 -0.70 28.10 -6.70 18.00 4.80 NC NC 1.22 0.78 1.00 2.70 1.00 -2.70 22.30 -12.50 22.30 12.50 0.90 2.50 0.90 -2.60 22.40 -12.50 22.20 12.60 NC NC 1.00 1.00 1.00 -3.30 1.00 3.30 16.80 -10.20 16.80 10.20 0.90 -3.70 0.90 2.30 12.90 -8.10 20.60 12.20 NC NC 0.77 1.23 26.40 14.10 26.40 -14.10 0.80 -3.70 0.80 3.70 23.10 12.00 24.90 -13.90 0.40 -0.80 1.20 6.60 0.88 0.94 NC NC 1.40 -13.60 1.40 13.60 11.10 -13.90 11.10 13.90 1.30 -11.70 1.30 13.50 13.50 -16.60 8.70 11.20 NC NC 1.22 0.78 34.50 2.50 34.50 -2.50 2.10 -17.90 2.10 17.90 31.20 2.40 31.40 -2.40 2.10 -17.90 2.10 17.90 0.90 0.91 NC NC 2.50 9.40 2.50 -9.40 10.40 -11.10 10.40 11.10 2.30 7.90 2.30 -9.60 8.00 -8.70 12.70 13.60 NC NC 0.77 1.22 21.20 -0.40 21.20 0.40 0.70 2.30 0.70 -2.30 19.30 -0.70 19.10 0.00 1.00 3.30 0.40 -1.30 0.91 0.90 NC NC 22.60 2.30 22.60 -2.30 0.50 1.90 0.50 -1.90 20.60 2.40 20.30 -1.70 0.30 0.80 0.80 -3.00 0.91 0.90 NC NC 0.80 -12.20 0.80 12.20 16.40 -14.50 16.40 14.50 0.80 -10.60 0.70 11.90 20.00 -16.50 12.90 12.50 NC NC 1.22 0.79 25.00 -0.10 25.00 0.10 0.90 -0.80 0.90 0.80 24.20 -0.10 20.90 0.10 0.90 -0.80 0.90 0.80 0.97 0.84 NC NC 0.80 12.00 0.80 -12.00 15.00 -13.20 15.00 13.20 0.80 10.40 0.70 -11.70 11.60 -11.40 18.50 15.10 NC NC 0.77 1.22 0.50 -2.40 0.50 2.40 4.90 -3.80 4.90 3.80 0.50 -1.80 0.40 2.70 7.00 -5.20 2.80 2.50 NC NC NC NC 0.50 2.40 0.50 -2.40 4.30 -3.20 4.30 3.20 0.50 1.80 0.40 -2.70 2.10 -1.80 6.50 4.60 NC NC NC NC Tabela 10: Relação entre normal total nas bases para modelos com ventos de baixa turbulência – Edifício B RELAÇÃO NORMAIS DEVIDAS A VENTOS DE BAIXA TURBULÊNCIA EXCÊNTRICOS SOBRE NÃO EXCÊNTRICOS - EDIFÍCIO B Normais devido às Normais totais (tf) - Modelo B-V1 (Vento não excêntrico) Normais totais (tf) - Modelo B-V3 (Vento excêntrico) Relação entre as normais (N B-V3/N B-V1) ações verticais (tf) Vento 0 Vento 180 Vento 90 Vento 270 Vento 0 Vento 180 Vento 90 Vento 270 Vento 0 Vento 180 Vento 90 Vento 270 P1 P2 P3 P4 P5 P6 P7 P8 P9 P10 P11 P12 P13 P14 P15 P16 P17 P18 P19 P20 88.7 200 172.7 192.2 80.1 148.1 248.8 220.1 157.8 143.8 258.6 323.1 224.9 124.1 120.8 176.6 148.5 173.9 112.8 111.5 NC NC NC NC NC 134.20 NC NC NC 157.90 NC 325.60 NC 123.70 123.10 NC 148.40 NC NC NC NC NC NC NC NC 162.00 NC NC NC 129.70 NC 320.60 NC 124.50 118.50 NC 148.60 NC NC NC 94.60 234.20 205.70 225.70 85.00 NC 243.00 207.60 147.60 NC 244.70 NC 213.80 NC NC 162.10 NC 160.70 109.00 108.30 82.80 165.80 139.70 158.70 75.20 NC 254.60 232.60 168.00 NC 272.50 NC 236.00 NC NC 191.10 NC 187.10 116.60 114.70 NC NC NC NC NC 136.20 NC NC NC 155.80 NC 325.50 NC 123.40 123.20 NC 148.40 NC NC NC NC NC NC NC NC 161.90 NC NC NC 129.90 NC 320.70 NC 124.10 119.10 NC 148.60 NC NC NC 96.90 241.80 205.70 217.50 82.50 NC 242.10 207.60 149.70 NC 242.00 NC 216.20 NC NC 160.10 NC 162.50 107.60 109.70 85.00 173.40 139.70 150.60 72.70 NC 253.60 232.70 170.00 NC 269.80 NC 238.50 NC NC 189.10 NC 189.00 115.30 116.10 NC NC NC NC NC 1.01 NC NC NC 0.99 NC 1.00 NC 1.00 1.00 NC 1.00 NC NC NC NC NC NC NC NC 1.00 NC NC NC 1.00 NC 1.00 NC 1.00 1.01 NC 1.00 NC NC NC NC 1.03 1.00 0.96 NC NC NC NC 1.01 NC 1.01 NC 1.01 NC NC 0.99 NC 1.01 NC NC NC 1.05 1.00 0.95 NC NC 0.95 0.95 1.01 NC 1.01 NC 1.01 NC NC 0.99 NC 1.01 NC NC 66 Por fim, as tabelas 11 e 12 são referentes aos esforços nos modelos com vento de alta turbulência, B-V2 e B-V4, onde nesse caso foi considerado para o segundo uma excentricidade de 15% da dimensão perpendicular à incidência do vento. Tabela 11: Momento fletor e esforço normal nas bases devido aos ventos de alta turbulência - edifício B MOMENTO FLETOR E ESFORÇO NORMAL NA BASE DOS PILARES DEVIDO AOS VENTOS DE ALTA TURBULÊNCIA - EDIFÍCIO B MODELO B-V2 (Vento não excêntrico) PILARES P1 P2 P3 P4 P5 P6 P7 P8 P9 P10 P11 P12 P13 P14 P15 P16 P17 P18 P19 P20 MODELO B-V4 (Vento excêntrico) Relação entre os momentos (M B-V4/M B-V2) VENTO 270 VENTO 0 VENTO 180 VENTO 270 VENTO 0 VENTO 180 VENTO 90 VENTO 90 VENTO 0 VENTO 180 VENTO 90 VENTO 270 My (tf/m²) N (tf) My (tf/m²) N (tf) Mx (tf/m²) N (tf) Mx (tf/m²) N (tf) My (tf/m²) N (tf) My (tf/m²) N (tf) Mx (tf/m²) N (tf) Mx (tf/m²) N (tf) 0.50 -0.30 0.50 0.30 4.00 4.70 4.00 -4.70 0.40 -1.50 0.50 -1.00 7.40 8.30 0.50 -1.10 NC NC NC NC 1.20 3.60 1.20 -3.60 12.50 27.10 12.50 -27.10 0.90 -0.80 1.20 -7.60 18.00 39.20 7.00 -15.10 NC NC 1.44 0.56 1.20 0.80 1.20 -0.80 12.20 26.20 12.20 -26.20 0.90 0.80 1.30 -0.80 12.30 26.20 12.10 -26.20 NC NC 1.01 0.99 1.20 -4.30 1.20 4.30 17.30 26.50 17.30 -26.50 0.90 0.40 1.20 8.70 9.40 13.60 25.20 -39.40 NC NC 0.54 1.44 0.50 -0.30 0.50 0.30 3.30 3.90 3.30 -3.90 0.40 1.00 0.50 1.70 0.10 0.00 6.70 -7.80 NC NC NC NC 18.90 -11.60 18.90 11.60 0.50 -4.00 0.50 4.00 15.90 -9.20 18.40 12.20 1.00 -8.40 0.10 -0.40 0.84 0.97 NC NC 0.80 1.00 0.80 -1.00 18.30 -4.60 18.30 4.60 0.70 1.40 0.80 -0.30 26.30 -6.10 10.30 3.00 NC NC 1.44 0.56 0.80 2.20 0.80 -2.20 17.70 -9.90 17.70 9.90 0.70 2.10 0.80 -2.10 17.90 -9.90 17.60 10.00 NC NC 1.01 0.99 0.80 -2.80 0.80 2.80 13.30 -8.10 13.30 8.10 0.70 -3.60 0.80 1.40 7.20 -4.80 19.40 11.30 NC NC 0.54 1.43 0.60 -2.90 0.60 2.90 18.50 9.20 21.40 -12.40 0.00 1.60 1.30 7.50 0.84 0.97 NC NC 22.00 11.70 22.00 -11.70 1.20 -11.30 1.20 11.30 8.80 -11.00 8.80 11.00 1.00 -9.00 1.00 12.00 12.60 -15.30 5.00 6.70 NC NC 1.43 0.57 28.70 2.10 28.70 -2.10 1.70 -14.20 1.70 14.20 25.80 2.00 26.30 -2.00 1.70 -14.20 1.70 14.20 0.90 0.92 NC NC 2.10 7.80 2.10 -7.80 8.20 -8.80 8.20 8.80 1.90 5.90 1.90 -8.60 4.50 -4.90 11.90 12.70 NC NC 0.55 1.43 17.60 -0.30 17.60 0.30 0.50 1.80 0.50 -1.80 16.20 -0.80 15.70 -0.30 1.00 3.40 0.10 -0.30 0.92 0.89 NC NC 0.40 1.50 0.40 -1.50 17.30 2.30 16.80 -1.10 0.00 -0.30 0.90 -3.30 0.92 0.89 NC NC 18.80 1.90 18.80 -1.90 0.70 -10.10 0.70 10.10 13.00 -11.50 13.00 11.50 0.70 -8.20 0.50 10.40 18.70 -14.70 7.40 8.40 NC NC 1.44 0.57 0.70 -0.60 0.70 0.60 21.60 -0.10 16.00 0.10 0.70 -0.60 0.70 0.60 1.04 0.77 NC NC 20.80 -0.10 20.80 0.10 0.70 10.00 0.70 -10.00 11.90 -10.50 11.90 10.50 0.70 8.10 0.50 -10.20 6.50 -7.50 17.40 13.50 NC NC 0.55 1.44 0.40 -2.00 0.40 2.00 3.90 -3.00 3.90 3.00 0.40 -1.10 0.30 2.60 7.30 -5.20 0.50 0.90 NC NC NC NC 0.40 2.00 0.40 -2.00 3.40 -2.60 3.40 2.60 0.40 1.10 0.30 -2.60 0.10 -0.30 6.90 4.80 NC NC NC NC Tabela 12: Relação entre normal total nas bases para modelos com ventos de alta turbulência – Edifício B RELAÇÃO NORMAIS DEVIDAS A VENTOS DE ALTA TURBULÊNCIA EXCÊNTRICOS SOBRE NÃO EXCÊNTRICOS - EDIFÍCIO B Normais devido às Normais totais (tf) - Modelo B-V2 (Vento não excêntrico) Normais totais (tf) - Modelo B-V4 (Vento excêntrico) Relação entre as normais (N B-V4/N B-V2) ações verticais (tf) Vento 0 Vento 180 Vento 90 Vento 270 Vento 0 Vento 180 Vento 90 Vento 270 Vento 0 Vento 1 Vento 2 Vento 3 P1 P2 P3 P4 P5 P6 P7 P8 P9 P10 P11 P12 P13 P14 P15 P16 P17 P18 P19 P20 88.7 200 172.7 192.2 80.1 148.1 248.8 220.1 157.8 143.8 258.6 323.1 224.9 124.1 120.8 176.6 148.5 173.9 112.8 111.5 NC NC NC NC NC 136.50 NC NC NC 155.50 NC 325.20 NC 123.80 122.70 NC 148.40 NC NC NC NC NC NC NC NC 159.70 NC NC NC 132.10 NC 321.00 NC 124.40 118.90 NC 148.60 NC NC NC 93.40 227.10 198.90 218.70 84.00 NC 244.20 210.20 149.70 NC 247.60 NC 216.10 NC NC 165.10 NC 163.40 109.80 108.90 84.00 172.90 146.50 165.70 76.20 NC 253.40 230.00 165.90 NC 269.60 NC 233.70 NC NC 188.10 NC 184.40 115.80 114.10 NC NC NC NC NC 138.90 NC NC NC 153.00 NC 325.10 NC 123.30 123.10 NC 148.40 NC NC NC NC NC NC NC NC 160.30 NC NC NC 131.40 NC 321.10 NC 123.80 119.70 NC 148.60 NC NC NC 97.00 239.20 198.90 205.80 80.10 NC 242.70 210.20 153.00 NC 243.30 NC 220.00 NC NC 161.90 NC 166.40 107.60 111.20 87.60 184.90 146.50 152.80 72.30 NC 251.80 230.10 169.10 NC 265.30 NC 237.60 NC NC 185.00 NC 187.40 113.70 116.30 NC NC NC NC NC 1.02 NC NC NC 0.98 NC 1.00 NC 1.00 1.00 NC 1.00 NC NC NC NC NC NC NC NC 1.00 NC NC NC 0.99 NC 1.00 NC 1.00 1.01 NC 1.00 NC NC NC NC 1.05 1.00 0.94 NC NC 0.94 0.94 1.02 NC 1.02 NC 1.02 NC NC 0.98 NC 1.02 NC NC NC 1.07 1.00 0.92 NC NC 0.92 0.92 1.02 NC 1.02 NC 1.02 NC NC 0.98 NC 1.02 NC NC Novamente com os resultados foi possível perceber que em geral houve um acréscimo significativo nos momentos fletores de alguns dos pilares e também que em alguns pilares a solicitação excêntrica causou além de um acréscimo no momento fletor, um acréscimo de compressão do pilar, piorando a situação final para o dimensionamento desses elementos no Estado Limite Último. Verifica-se de novo que nem em todos os casos 67 de aumento de momento fletor devido à incidência excêntrica os esforços normais de compressão foram aumentados. Foi verificado novamente o fato que nos modelos excêntricos os pares de vento, 0 e 180; 90 e 270 torceram a estrutura em sentidos contrários buscando escolher para cada pilar sempre o pior sentido da torção. Para os valores de momento significantes obtidos das modelagens do edifício B o pilar que foi mais influenciado pelo efeito da torção do edifício foi o P2 para o vento com ângulo de incidência de 90 sendo esse, como o esperado, um pilar relativamente afastado do centro de rigidez da planta e que pertencente a um pórtico rígido que absorve uma maior parte dos esforços de vento. A figura 25 ilustra a posição do pilar P2 na planta do pavimento tipo do edifício B. Figura 25: Posição do pilar mais influenciado pelo vento excêntrico para o edifício B Apesar do efeito de torção ter gerado um maior acréscimo no valor do momento fletor para o vento de alta turbulência do que para o vento de baixa turbulência, a pior situação para esse pilar ocorreu para um vento de baixa turbulência, onde a força de vento é maior e a é de excentricidade de 7,5% da dimensão perpendicular à incidência do vento. Nessa situação o momento gerado pelo vento foi de 19,30 tf.m e a normal no pilar foi de 241,80 tf. O acréscimo de momento fletor no pilar P2 para esse caso foi de (19,30 − 15,80) = 3,5tf .m , ou seja, um aumento relativo de 22% da situação de vento excêntrico (B-V3) para a situação referência não excêntrica (B-V1). Esse aumento foi 68 acompanhado de um acréscimo de esforço normal de ( 241,80 − 234,20) = 7,6tf aumentando assim o nível de compressão do pilar que para o Estado Limite Último, esperase novamente que isso esteja associado a uma redução da resistência do pilar. 5.2 DETERMINAÇÃO DA COMBINAÇÃO CRÍTICA PARA OS PILARES MAIS AFETADOS PELO EFEITO DE TORÇÃO. O TQS avalia o Estado Limite Último (ELU) da estrutura dos edifícios por meio de oito combinações últimas, ou seja, o dimensionamento final dos pilares é feito de acordo com a combinação entre essas oito que for a mais crítica para cada pilar. As combinações do ELU são descritas abaixo: 1a Combinação: 1,4(PP + Perm + Ac + 0,6V (90) ) 2a Combinação: 1,4(PP + Perm + Ac + 0,6V (270) ) 3a Combinação: 1,4(PP + Perm + Ac + 0,6V (0) ) 4a Combinação: 1,4(PP + Perm + Ac + 0,6V (180) ) 5a Combinação: 1,4(PP + Perm + V (90) + 0,5 Ac ) 6a Combinação: 1,4(PP + Perm + V (2700) + 0,5 Ac ) 7 a Combinação: 1,4(PP + Perm + V (0) + 0,5 Ac ) 8a Combinação: 1,4(PP + Perm + V (180) + 0,5 Ac ) Onde: PP é o peso próprio da estrutura; Perm são as ações permanentes na estrutura; V é a ação do vento já majorada, caso necessário, pelo parâmetro RM2M1 respectivo de cada situação; Ac é a ação acidental nas lajes dos pavimentos. Nesse trabalho será analisado o detalhamento dos pilares mais afetados pelo efeito de torção do vento. No entanto, será verificado apenas o detalhamento do primeiro lance dos modelos. 69 5.2.1 COMBINAÇÕES CRÍTICAS PARA O PILAR P13 DO EDIFÍCIO A PARA OS MODELOS COM E SEM O EFEITO DE TORÇÃO DO VENTO Foi verificado através dos resultados do TQS que os modelos que geraram os esforços mais críticos para o pilar P13 do edifício A foram os modelos com vento de baixa turbulência A-V1 e A-V3 cujas combinações de ELU críticas respectivas serão descritas abaixo: Combinação crítica A-V1: Combinação crítica A-V3: 1,4(PP + Perm + V (180) + 0,5 Ac ) 1,4(PP + Perm + V (180) + 0,5 Ac ) Verifica-se que a mesma combinação levou ao caso crítico de esforços na base do pilar P19 para ambos os modelos. Ao contrario do que se esperava a combinação crítica não ocorreu para o vento de 0 grau, mas sim para o de 180. Isso provavelmente indica que mesmo com um momento menor na base do pilar para esse sentido de vento, o fato de esse estar mais comprimido nessa situação provavelmente gerou maiores reduções no momento resistente devido aos problemas de instabilidade ocasionando então na situação mais crítica de dimensionamento. Além disso, a direção do vento crítico foi a esperada uma vez que a dimensão da fachada adotada no cálculo das ações de vento perpendicular à incidência de 180 graus é de 23,04 m que é maior que a outra direção de vento onde esse valor era de 17,10 m. 5.2.2 COMBINAÇÕES CRÍTICAS PARA O PILAR P5 DO EDIFÍCIO B PARA OS MODELOS COM E SEM O EFEITO DE TORÇÃO DO VENTO Já para o pilar P2 do edifício B os modelos que geraram os esforços mais críticos foram os modelos B-V1 e B-V3 para as situações sem e com o efeito de torção do vento respectivamente. As combinações de ELU críticas respectivas dos modelos serão descritas abaixo: Combinação crítica B-V1: 1,4(PP + Perm + V (90) + 0,5 Ac ) Combinação crítica B-V3: 1,4(PP + Perm + V (90) + 0,5 Ac ) Verifica-se que a mesma combinação levou ao caso crítico de esforços na base do pilar P2 para ambos os modelos. No caso desse pilar aconteceu o que se esperava, a combinação crítica ocorreu para o vento de 90 graus que foi o sentido de vento que gerou os maiores momentos na base do pilar para os modelos B-V1 e B-V3. Novamente a direção do vento crítico foi a esperada visto que a dimensão da fachada adotada no cálculo das ações de vento perpendicular à incidência de 90 graus é de 22,75 m que é maior que a outra direção de vento onde esse valor era de 14,47 m. 70 5.3 ANÁLISE DA INFLUÊNCIA DO EFEITO DE TORÇÃO NOS EFEITOS DE SEGUNDA ORDEM DOS PILARES. Além dos esforços no primeiro lance destravado dos pilares, também foi avaliada a significância dos efeitos de 20 nos modelos com e sem a consideração da torção do vento. Essa avaliação foi realizada pelo parâmetro RM2M1 que é determinado apartir dos momentos de 10 e 20 ordem calculados pelo processo iterativo P∆. A equação 5.1 é a definição desse parâmetro de estabilidade global. RM 2 M 1 = 1 + M2 M1 (5.1) Onde: M1 é o momento das forças horizontais em relação à base do edifício, momentos de 10 ordem; M2 é o somatório das forças verticais multiplicadas pelos deslocamentos médios dos nós da estrutura sob ação das forças horizontais, resultantes do processo P∆. Foi escolhido esse processo ao invés do parâmetro γ z para avaliar os efeitos de 20 ordem na estrutura, pois o P∆ considera a não-linearidade geométrica da estrutura de uma maneira mais sofisticada do que o γ z já que se trata de um processo iterativo incremental, ou seja, os carregamentos de vento são aplicados de maneira incremental sendo possível obter deslocamentos para cada etapa do processo que serão utilizados na etapa seguinte para o cálculo dos novos momentos devidos a esses deslocamentos e que serão somados aos momentos iniciais de vento. O processo se repete até que acha uma convergência desses valores de deslocamento e, portanto se obtenha um valor final para o momento de 20 ordem. Apesar disso, vale resaltar que o método considera a nãolinearidade física de acordo com o processo simplificado da norma que prevê reduções nas inércias de pilares, vigas e lajes de 20, 60 e 70% respectivamente. No entanto, devido a algumas considerações do modelo, o TQS realiza na verdade um processo semelhante ao P∆ que é denominado de “P∆ em dois passos” que será apresentando resumidamente a seguir: Conforme já explicado anteriormente, na análise das ações verticais visando simular os efeitos construtivos no modelo a rigidez axial dos pilares foi aumentada. No entanto, na análise das ações horizontais, essa majoração não pode ser considerada, pois caso contrário estaríamos contra a segurança. No caso da análise por P∆ é necessário 71 considerar os dois tipos de ações atuando simultaneamente na estrutura e, portanto surge um dilema de como tratar as condições distintas de rigidez dos pilares da estrutura apartir da aplicação concomitante das ações verticais e horizontais. Devido a esse dilema, foram feitas algumas adaptação no processo P∆ que resultaram no processo “P∆ em dois passos”. O 1º passo é o cálculo linear da estrutura, sem iterações, com a aplicação somente das ações verticais. Nessa etapa, as rigidezes axiais dos pilares são majoradas (para contemplar os efeitos construtivos) e a distribuição de forças normais (necessárias para montar a matriz de rigidez geométrica) e os esforços nos elementos (vigas e pilares) são armazenados. Já o 2º passo do processo consiste no cálculo não-linear, iterativo, com a aplicação somente das ações horizontais. Nessa etapa, as rigidezes axiais dos pilares não são majoradas. Na primeira iteração, consideram-se as deformações obtidas no 1º passo (matriz de rigidez geométrica armazenada do 1º passo). Nas iterações seguintes, corrige-se sucessivamente essa matriz com os acréscimos de esforços normais provocados pelas ações horizontais. Esse processo é repetido até a obtenção da convergência (equilíbrio final da estrutura). Os resultados finais, isto é, os deslocamentos nodais, esforços nas barras e reações de apoios (1ª ordem + 2ª ordem), são a somatória das parcelas obtidas nos dois passos. Os parâmetros RM2M1 dos modelos A-V1, A-V3, B-V1 e B-V3 foram obtidos do TQS para suas respectivas combinações críticas do Estado Limite Último e serão apresentados a seguir na tabela 13: Tabela 13: Parâmetros de estabilidade global RM2M1 para os modelos analisados PARÂMETRO DE ESTABILIDADE GLOBAL RM2M1 OS MODELOS NAS SUAS RESPECTIVAS COMBINAÇÕES CRÍTICAS RM2M1 A -V1 A -V3 B-V1 B-V3 1,4(PP+Perm+V(180)+0,5Ac) 1,4(PP+Perm+V(180)+0,5Ac) 1,4(PP+Perm+V(90)+0,5Ac) 1,4(PP+Perm+V(90)+0,5Ac) 1.070 1.070 1.048 1.049 Apartir dos valores de RM2M1 foi possível perceber que o efeito de torção devido ao vento não alterou os valores dos parâmetros RM2M1 de estabilidade global dos edifícios uma vez que esses valores permaneceram praticamente iguais independente da situação de vento. 72 Através dos resultados é possível afirmar que para ambos os edifícios os efeitos globais de segunda ordem não foram muito significantes, ou seja, os momentos de 20 ordem não foram maiores que 10% dos momentos de 10 ordem ( RM 2 M 1 ≤ 1,1 ) e, portanto os esforços devido às ações de vento não serão majorados por esse parâmetro na análise dos pilares. 5.4 ANÁLISE COMPARATIVA DO DETALHAMENTO DOS PILARES MAIS AFETADOS PELO EFEITO DE TORÇÃO DO VENTO. Novamente com o auxílio do TQS, os esforços na base dos pilares P13 do edifício A e P2 do edifício B para os modelos A-V1, A-V3, B-V1 e B-V3 foram obtidos para as suas respectivas combinações críticas. A seguir será feita uma análise comparativa dos esforços nesses pilares em cada modelo visando comparar os com efeito de torção do vento com os sem esse efeito para cada edifício. Nessa análise, o Fck do concreto foi adotado como 25MPa e o aço adotado foi o CA − 50 . 5.4.1 ANÁLISE DA INFLUÊNCIA DO EFEITO DE TORÇÃO NO DETALHAMENTO DO PILAR P13 DO EDIFÍCIO A Através da figura 26 são apresentados os diagramas de momento fletor com seus valores de cálculo oriundos da combinação crítica dos modelos sem e com o efeito de torção do vento no primeiro lance do pilar P13 do edifício A. Esses modelos são respectivamente o A-V1 e A-V3. Também é apresentada a normal de cálculo dos modelos para essa combinação. Figura 26: Momentos fletores no primeiro lance do pilar P13 do edifício A para a combinação crítica – Comparação vento não excêntrico versus vento excêntrico A-V1(Nd=355,80 tf) A-V3 (Nd=370,40 tf) Foi então adotado um detalhamento para o primeiro lance do pilar P13 em que esse não rompesse em nenhuma das combinações do ELU inclusive na combinação crítica dos 73 modelos A-V1 e A-V3. A figura 27 indica esse detalhamento que foi adotado para o primeiro lance do pilar. Figura 27: Detalhamento adotado para o primeiro lance do P13 do edifício A para os modelos A-V1 e A-V3 Para esse detalhamento do pilar, foi calculada uma envoltória de momento resistente através do método do pilar padrão acoplado a diagramas normal, momento, curvatura (N,M,1/r) com o auxílio da calculadora de pilares do TQS para o esforço normal na combinação última crítica dos modelos A-V1 e A-V3. Esse método é adequado para a determinação dos momentos resistentes segundo a NBR-6118/2003 uma vez que mesmo havendo variação de momento solicitante ao longo da altura do lance, a seção do pilar é constante e seu índice de esbeltez é menor que 90. As figuras 28 e 29 são as representações dessas envoltórias de resistência sendo também apresentado o ponto que representa a solicitação mais crítica para cada um dos modelos cujos valores foram tirados dos diagramas apresentados na figura 26 nesse capítulo. Os valores dos momentos resistentes da envoltória, os momentos solicitantes e normais e foram apresentados nessas figuras a seguir com seus valores de cálculo. 74 Figura 28: Envoltória de momento resistente do P13 para o detalhamento adotado e solicitação crítica do modelo A-V1 Figura 29: Envoltória de momento resistente do P13 para o detalhamento adotado e solicitação crítica do modelo A-V3 De acordo com as envoltórias, é possível perceber que para ambas as situações, com e sem o efeito de torção do vento, o pilar não rompe. Porém para o modelo com o efeito de torção o ponto que representa a solicitação mais crítica do ELU encontra-se um pouco mais próximo da ruptura, ou seja, de estar fora da envoltória de momento resistente. Visando avaliar o quão mais próximo da ruptura esse pilar se encontra no modelo com vento excêntrico em relação ao outro modelo foram montadas duas curvas de normal versus momento resistente, uma para os valores de cálculo e outra para os valores 75 característicos dessas resistências sendo que assim foi possível então lançar nesse mesmo gráfico os dois pontos que representam as solicitações críticas com seus valores de cálculo e os dois pontos que representam as solicitações críticas com valores característicos para cada um dos modelos juntamente com essas curvas. Abaixo é descrito com foram calculados esses quatro pontos e essas duas curvas: Com os valores das solicitações nos modelos A-V1 e A-V3 que foram apresentados na figura 26 foi possível realizar a somar vetorial dos valores de momentos nas duas direções para determinar os valores dos momentos resultantes solicitantes de cálculo. Já para obter os momentos solicitantes característicos, os valores de cálculo foram divididos por 1,4. As equações 5.2, 5.3, 5.4 e 5.5 explicam o descrito acima: Msd = (Mxsd 2 + Mysd 2 ) (5.2) Mxsk = Mxsd 1,4 (5.3) Mysk = Mysd 1,4 (5.4) Msk = (Mxsk 2 + Mysk 2 ) (5.5) Os valores de momento solicitante de cálculo e característicos dos modelos são então associados aos valores de cálculo e característicos das suas respectivas normais. Os valores de cálculo das normais já foram apresentados anteriormente e a seguir são apresentados os valores característicos de cada modelo: Nsk = Nsd 355,80 = = 254,14tf 1,4 1,4 (A-V1) Nsk = Nsd 370,40 = = 264,57tf 1,4 1,4 (A-V3) Para conseguir as curvas de momento resistente de cálculo e solicitante, novamente foi usada a calculadora do TQS adotando o método do pilar padrão. No entanto, para cada uma dessas curvas, os modelos foram configurados de maneira diferente: Para obter os valores da curva de momento resistente de cálculo, foi utilizada a configuração inicial do TQS onde nos modelos é adotado o coeficiente de minoração de resistência do aço igual a 1,15 e o do concreto igual a 1,4. Já para obter os valores da curva de momento resistente característico, o coeficiente de minoração do aço foi alterado para 1 e o Fck do concreto foi alterado para os pilares sendo adotado 1,4 × 25 = 35MPa onde nos 76 cálculos da resistência, esse valor será dividido por 1,4 obtendo assim o Fck característico de 25MPa . A seguir foi descrito o procedimento adotado para determinar os pontos dessas duas curvas: Para obter cada um dos pontos de momento resistente das curvas para o detalhamento adotado, foi fixado um valor de normal e então os momentos nas duas direções foram sendo aumentados na mesma proporção que acorreram os aumentos dos momentos solicitantes do modelo A-V1 para o modelo A-V3 até que ocorra a ruptura da envoltória de momento resistente para o determinado nível de normal analisado e, portanto nesse limite, se obtém os valores de cálculo dos momentos resistentes Mxr e Myr. Vale lembrar que a envoltória de momento resistente utilizada foi calculada através do método do pilar padrão para o detalhamento adotado e para o determinado valor fixado de normal. Resumindo, para um determinado valor de normal temos: Mxr = Mxs( A − V 1) + X .( Mxs ( A − V 3) − Mxs( A − V 1)) (5.6) Myr = Mys( A − V 1) + X .( Mys ( A − V 3) − Mys( A − V 1)) (5.7) Onde foi adotado um valor de X que leva o ponto desses momentos até as proximidades da ruptura. O processo foi repetido para vários valores de normal, sendo possível determinar para cada nível de normal os valores de cálculo de momento resistente Mxr e Myr. Para montar essas curvas de normal e momento resistente, foi realizada a soma vetorial de cada um desses pares de momentos resistentes, tanto os de cálculo quanto os característicos: Mrd = (Mxrd 2 + Myrd 2 ) (5.8) Mrk = (Mxrk 2 + Myrk 2 ) (5.9) A tabela 14 a seguir resume os valores de momento resistentes de cálculo e característico encontrados para cada valor de normal e também os valores dos momentos solicitantes cálculo e característicos para cada modelo. 77 Tabela 14: Normal versus momento resistente para o detalhamento adotado e solicitações nos modelos A-V1 e A-V3 N (tf) 0 50 100.00 150.00 200.00 254.14 264.57 300.00 355.80 370.40 400.00 450.00 Curva de normal momento resistênte P13 A-V1 (Sem torção de vento) A-V3 (Com torção de vento) Mxrd (tf.m) Myrd (tf.m) Mrd (tf.m) Mxrk (tf.m) Myrk (tf.m) Mrk (tf.m) Mxsd (tf.m) Mysd (tf.m) Mrd (tf.m) Msk (tf.m) Mxsd (tf.m) Mysd (tf.m) Msd (tf.m) Msk (tf.m) 47.72 13.62 49.63 57.88 16.10 60.08 52.17 14.71 54.20 63.60 17.50 65.96 54.71 15.33 56.82 67.41 18.43 69.88 55.98 15.64 58.12 69.95 19.05 72.50 55.34 15.48 57.46 71.23 19.36 73.81 52.17 14.71 54.20 70.58 19.20 73.14 23.20 7.07 24.25 51.53 14.55 53.54 69.95 19.05 72.50 25.01 7.51 26.12 48.99 13.93 50.93 68.68 18.74 71.19 43.93 12.70 45.73 65.50 17.96 67.92 32.48 9.90 33.96 42.10 12.23 43.84 64.87 17.81 67.27 35.02 10.52 36.57 38.20 11.30 39.84 62.96 17.34 65.30 30.58 9.44 32.00 58.52 16.26 60.74 - Através dos valores da tabela 14 foram então montadas as curvas de normal versus momento resistente para o detalhamento que foi adotado no pilar P13 e também lançados os pontos que representam as solicitações nas combinações críticas do Estado Limite Último para cada um dos modelos, A-V1 (Sem efeito de torção do vento) e A-V3(Com o efeito de torção do vento) com seus valores de cálculo e característicos. A figura 30 é referente a essas curvas e as solicitações dos modelos. Figura 30: Curva normal momento resistente do pilar P13 para o detalhamento adotado e solicitações últimas nos modelos A-V1 e A-V3 Pelo do gráfico foi possível perceber que o modelo com vento excêntrico gerou um ponto de solicitação um pouco mais próximo da curva de momento resistente quando comparado com o do modelo com vento não excêntrico. Essa maior proximidade não foi suficiente para que na verificação com os valores de cálculo o pilar chegasse a romper. 78 Apartir dos resultados é possível calcular os coeficientes de segurança das solicitações ( γ f ) do pilar em cada modelo e assim estimar o quão mais próximo da ruptura o pilar ficou quando solicitado pelo vento excêntrico sendo armado desprezando esse efeito: Mrd 45,73 ≤1→ ≤ 1 → γ f = 1,88 γ f .Msk γ f .24,25 (A-V1) Mrd 43,84 ≤1→ ≤ 1 → γ f = 1,68 γ f .Msk γ f .26,12 (A-V3) Com os coeficientes foi possível perceber que no modelo com o efeito de torção do vento (A-V3) a solicitação crítica em Estado Limite Último para o pilar P13 do edifício A está (1,88 − 1,68) = 20% mais próxima da ruptura quando comparada com a solicitação crítica do modelo sem o efeito de torção (A-V1). Mesmo assim, em ambos os casos o coeficiente de segurança das solicitações foi maior que 1,4 que é o valor recomendado pela NBR 6118/2003 para o dimensionamento e detalhamento de elementos estruturais. O valor esperado do γ f para o modelo A-V1 era próximo de 1,4. No entanto, de acordo com o detalhamento adotado pelo TQS esse valor foi maior e um dos motivos pode ter sido que a área de aço real adotada é função das bitolas comerciais. Além disso, pode ser que devido à alguma outra combinação do ELU o posicionamento das barras não pudesse ser alterado restando apenas a opção de aumentar a diâmetro dessas para o próximo valor comercial. 5.4.2 ANÁLISE DA INFLUÊNCIA DO EFEITO DE TORÇÃO NO DETALHAMENTO DO PILAR P5 DO EDIFÍCIO B A seguir também são apresentados, na figura 31, os diagramas de momento fletor com seus valores de cálculo oriundos da combinação crítica dos modelos sem e com o efeito de torção do vento no primeiro lance do pilar P2 do edifício B, modelos B-V1 e B-V3 respectivamente. Também é apresentada a normal de cálculo dos modelos para essa combinação. 79 Figura 31: Momentos fletores no primeiro lance do pilar P2 do edifício B para a combinação crítica – Comparação vento não excêntrico versus vento excêntrico B-V1(Nd=300,00 tf) B-V3 (Nd=310,70 tf) Assim como no pilar P13 do edifício A, buscou-se um detalhamento para o primeiro lance do pilar P2 em que o pilar não rompesse em nenhuma das combinações do ELU inclusive na combinação crítica dos modelos B-V1 e B-V3. No entanto, o detalhamento adotado pelo TQS no modelo B-V1 não foi adequado para a solicitação da combinação crítica do modelo B-V3 onde o pilar estaria, para os valores de cálculo, rompendo (Parte em vermelho do diagrama do modelo B-V3). Com isso, foram adotados dois detalhamentos diferentes, um para o pilar no modelo sem efeito de torção do vento (B-V1) e outro para o modelo com esse efeito (B-V3). As figuras 32 e 33 indicam esses detalhamentos que foram adotados nesses modelos para o primeiro lance do pilar. 80 Figura 32: Detalhamento 1: Adotado para o primeiro lance do P2 do edifício B para os modelos B-V1 Figura 33: Detalhamento 2: Adotado para o primeiro lance do P2 do edifício B para os modelos B-V3 Para cada um desses detalhamentos do pilar, foi calculada uma envoltória de momento resistente através do método do pilar padrão acoplado a diagramas normal, momento, curvatura (N,M,1/r) com o auxílio da calculadora de pilares do TQS para o esforço 81 normal na combinação última crítica nos modelos B-V1 e B-V3 sendo esse método, conforme explicado anteriormente, adequado para a determinação dos momentos resistentes do pilar. Também foi montada uma terceira envoltória com o detalhamento 1 e o esforço normal de cálculo oriundo do modelo B-V3. As figuras 34, 35 e 36 são as representações dessas envoltórias de resistências sendo também apresentado o ponto que representa a solicitação mais crítica para cada um dos modelos onde os valores foram tirados dos diagramas apresentados na figura 31 nesse capítulo. Vale lembrar que os valores dos momentos resistentes da envoltória, os momentos solicitantes e a normal foram apresentados nessas figuras a seguir com seus valores de cálculo. Figura 34: Envoltória de momento resistente do P2 para o detalhamento 1 e solicitação crítica do modelo B-V1 82 Figura 35: Envoltória de momento resistente do P2 para o detalhamento 1 e solicitação crítica do modelo B-V3 Figura 36: Envoltória de momento resistente do P2 para o detalhamento 2 e solicitação crítica do modelo B-V3 Novamente, percebe-se que para o modelo B-V3 os esforços da combinação crítica do ELU foram geraram uma solicitação mais desfavorável para o pilar do que os esforços dessa combinação para o modelo B-V1. Essa diferença para o caso do pilar P2 do edifício B ocasionou até na mudança do detalhamento para que a verificação do pilar fosse atendida com os valores de cálculo. Essa situação pode ser verificada na figura 35 pelo ponto 83 solicitante fora da envoltória considerando os valores de cálculo da resistência e solicitação. No entanto, será verificado mais adiante que para os valores característicos não houve a ruptura do pilar, o ponto apenas ficou um pouco mais próximo da envoltória. Nesse caso, visando analisar o quão mais próximo da ruptura as solicitações do modelo com efeito de torção do vento estão, para os dois detalhamentos foram montadas duas curvas de normal versus momento resistente com valores de cálculo e duas com valores característicos onde foi então possível lançar em dois gráficos as curvas de resistência de cálculo e característica respectivas a cada um dos detalhamentos. Nesses mesmos gráficos também foram lançados os dois pontos que representam as solicitações de cálculo e os dois pontos que representam os valores característicos dessas solicitações para cada um dos modelos. Com os valores das solicitações nos modelos B-V1 e B-V3 que foram apresentados na figura 31 foram determinados os valores dos momentos solicitantes e normal com seus valores característicos de maneira análoga à utilizada no pilar P13 do edifício A: Os valores de cálculo das normais já foram apresentados anteriormente e a seguir são apresentados os valores característicos de cada modelo: Nsk = Nsd 300,00 = = 214,29tf 1,4 1,4 Nsk = Nsd 310,70 = = 221,93tf 1,4 1,4 (B-V1) (B-V3) As curvas de momento resistente de cálculo e característica também foram calculadas de maneira análoga às curvas do pilar P13 do edifício A para cada um dos detalhamentos, sendo que nesse caso os momentos resistentes nas duas direções são proporcionais aos aumentos que ocorreram nessas direções do modelo B-V1 para o modelo B-V3. A tabela 15 a seguir resume os valores de momento resistentes de cálculo e característico para cada valor de normal encontrados para o pilar P2 com o detalhamento 1 e também os momentos solicitantes de cálculo e característicos dos modelos B-V1 e B-V3. 84 Tabela 15: Normal versus momento resistente no P2 para o detalhamento 1 e solicitação nos modelos B-V1 e B-V3 Curva de normal momento resistênte P2 - Detalhamento 1 N (tf) 0.00 50.00 100.00 150.00 214.29 221.93 250.00 300.00 310.70 350.00 Mxrd (tf.m) 8.44 9.66 10.20 10.27 9.86 9.77 9.45 8.58 8.40 7.21 Myrd (tf.m) 21.14 31.96 36.73 37.36 33.71 32.91 30.04 22.42 20.83 10.33 Mrd (tf.m) 22.76 33.39 38.12 38.75 35.12 34.33 31.49 24.01 22.46 12.60 Mxrk (tf.m) 9.50 10.76 11.57 11.93 12.05 12.02 11.84 11.57 11.48 11.03 Myrk (tf.m) 30.53 41.66 48.81 51.99 53.04 52.79 51.20 48.81 48.02 44.04 B-V1 (Sem torção de vento) B-V3 (com torção de vento) Mrk (tf.m) Mxsd (tf.m) Mysd (tf.m) Msd (tf.m) Msk (tf.m) Mxsd (tf.m) Mysd (tf.m) Msd (tf.m) Msk (tf.m) 31.97 43.03 50.16 53.34 54.39 5.95 14.42 15.60 54.14 6.21 16.69 17.81 52.55 50.16 8.33 20.19 21.84 49.37 8.69 23.37 24.93 45.40 - Já tabela 16 abaixo resume os valores de momento resistentes de cálculo e característicos para cada valor de normal encontrados para o detalhamento 2 do pilar P2 juntamente com os momentos solicitantes de cálculo e característico dos modelos B-V1 e BV3. Tabela 16: Normal versus momento resistente no P2 para o detalhamento 2 e solicitação nos modelos B-V1 e B-V3 Curva de normal momento resistênte P2 - Detalhamento 2 Nd (tf) 0.00 50.00 100.00 150.00 214.29 221.93 250.00 300.00 310.70 400.00 Mxrd (tf.m) 10.74 11.32 11.64 11.64 11.21 11.12 10.82 10.24 10.06 8.08 Myrd (tf.m) 41.50 46.58 49.45 49.45 45.63 44.84 42.13 37.04 35.45 17.96 Mrd (tf.m) 42.87 47.94 50.80 50.80 46.99 46.20 43.50 38.43 36.85 19.69 Mxrk (tf.m) 12.20 12.92 13.55 13.73 13.68 13.64 13.46 13.10 13.01 11.93 Myrk (tf.m) 54.38 60.74 66.30 67.89 67.42 67.10 65.51 62.33 61.53 51.99 B-V1 (Sem torção de vento) B-V3 (com torção de vento) Mrk (tf.m) Mxsd (tf.m) Mysd (tf.m) Msd (tf.m) Msk (tf.m) Mxsd (tf.m) Mysd (tf.m) Msd (tf.m) Msk (tf.m) 55.73 62.10 67.67 69.26 68.79 5.95 14.42 15.60 68.47 6.21 16.69 17.81 66.88 63.69 8.33 20.19 21.84 62.89 8.69 23.37 24.93 53.34 - Através dos valores das tabelas 15 e 16 foram então montados dois gráficos, um com as curvas de normal versus momento resistente de cálculo e característica para o detalhamento 1 do pilar P2 e os pontos que representam as solicitações críticas dos modelos, B-V1 (Sem efeito de torção do vento) e B-V3(Com o efeito de torção do vento) e o outro com as curvas de normal versus momento resistente de cálculo e característica para o detalhamento 2 do pilar P2 e também com mesmos pontos de solicitações. As figuras 37 e 38 são referentes a esses gráficos com as curvas correspondentes aos detalhamentos 1 e 2 respectivamente. 85 Figura 37: Curva normal momento resistente do pilar P2 para o detalhamento 1 adotado e solicitações últimas nos modelos B-V1 e B-V3 Figura 38: Curva normal momento resistente do pilar P2 para o detalhamento 2 adotado e solicitações últimas nos modelos B-V1 e B-V3 86 Através dos gráficos foi possível perceber que, para os valores característicos, o modelo com vento excêntrico gerou um ponto de solicitação um pouco mais próximo das curvas de momento resistente quando comparado com o do modelo com vento não excêntrico. Já para os valores de cálculo é possível perceber que com o detalhamento 1, o ponto de solicitação do modelo B-V3 foi superior à resistência do pilar sendo por esse motivo adotado o detalhamento 2 com mais armadura evitando assim essa situação Com esses resultados foram calculados os coeficientes de segurança das solicitações γ f de cada modelo quando é adotado o detalhamento 1 visando assim estimar o quão mais próximo da ruptura o pilar ficou quando solicitado pelo vento excêntrico e sendo armado desprezando esse efeito: Mrd 24,01 ≤1→ ≤ 1 → γ f = 1,54 γ f .Msk γ f .15,60 (B-V1) Mrd 22,46 ≤1→ ≤ 1 → γ f = 1,26 γ f .Msk γ f .17,81 (B-V3) Com os coeficientes, foi possível perceber que para o modelo com o efeito de torção do vento (B-V3) a solicitação crítica em Estado Limite Último para o pilar P2 do edifício B está (1,54 − 1,26) = 28% mais próxima da ruptura quando comparada com a solicitação crítica do modelo sem o efeito de torção (B-V1). Para o pilar P2 com o detalhamento que foi adotado para o modelo sem o efeito de torção (detalhamento 1), o coeficiente γ f encontrado foi menor do que 1,4 que é o valor determinado pela NBR 6118/2003 para o dimensionamento e detalhamento de elementos estruturais e, portanto pode se dizer que não considerando o efeito da torção, estaríamos com uma segurança inferior a recomendada pela norma no que diz respeito a esse pilar. 87 6. 6.1 CONCLUSÕES INFLUÊNCIA DO EFEITO DE TORÇÃO DO VENTO NO DIMENSIONAMENTO E DETALHAMENTO DOS PILARES NO ELU Apartir das análises realizadas no item 5.4 do capítulo anterior foi possível perceber que o efeito de torção afetou os resultados de esforços solicitantes em Estado Limite Último para alguns dos pilares dos edifícios sendo que os pilares mais influenciados dos edifícios A e B foram os pilares P13 e P2 respectivamente. Como era de se esperar, esses pilares pertencem a pórticos rígidos e que, portanto absorvem grande parte dos esforços de vento devido ao efeito de diafragma rígido das lajes e, além disso, esses pilares são relativamente afastados do centro de rigidez da planta do pavimento tipo, ou seja, são pilares que sofreram maiores deslocamentos com o giro dos pavimentos em relação aos pilares centrais. Com os resultados foi verificado que para esses pilares mais influenciados nos edifícios A e B os valores de momentos solicitantes característicos na base desses ficaram respectivamente 20% e 28% mais próximos da ruptura quando comparados com as situações dos modelos sem os efeitos de torção do vento. Vale resaltar que devido a essa pior situação devido ao efeito de torção o dimensionamento da base do pilar P2 do edifício B resultou em um coeficiente de segurança γ f = 1,26 nas verificações do ELU quando adotado um detalhamento que sem considerar a torção levaria a um coeficiente de γ f = 1,54 . Portanto, com a torção o pilar estaria com um coeficiente menor do que γ f = 1,40 que é o adotado na NRB 6118/2003 para majorar as ações no dimensionamento e detalhamento de elementos estruturais. Portanto é possível concluir que ao desprezarmos o efeito de torção do vento no dimensionamento e detalhamento dos pilares, poderemos estar, para alguns dos elementos da estrutura, com coeficientes de segurança menores do que o da norma. Nesse sentido pode-se dizer que a segurança estabelecida pela norma para o dimensionamento desse elemento estaria sendo reduzida ao se detalhar o pilar sem considerar os efeitos de torção do vento. 6.2 COMPARAÇÃO DOS RESULTADOS DOS EDIFÍCIOS A E B Pode ser feita também uma comparação entre os resultados encontrados no dimensionamento e detalhamento dos pilares mais afetados pela torção do vento para 88 ambos os edifícios. Nesses pilares dos edifícios A e B, a consideração da torção de vento fez com que esses ficassem mais próximos da ruptura quando comparados com a situação de ventos sem o efeito de torção. O pilar P2 do edifício B foi o que mais se aproximou da ruptura com a torção do vento ficando 28% mais próximo de romper enquanto que o pilar P13 do edifício A ficou 20%. Portanto, de acordo com o item 4.3 do capítulo 4, e, portanto como esperado, o edifício B foi o mais influenciado pelo efeito de torção do vento uma vez que sua altura considerada para o cálculo do vento é de 33,55 que é menor do que a do edifício A no qual o valor utilizado nesse cálculo foi de 45,90 m. Apesar disso, vale resaltar que significância dos efeitos de torção nos edifícios de concreto armado também depende de inúmeras variáveis como, por exemplo, a geometria do edifício, onde fachadas mais largas podem aumentar a importância desse efeito e também dependendo da configuração dos pórticos do edifício esses efeitos podem causar variações significativas os esforços últimos nas bases desses edifícios. Por fim vale lembrar, que para edifícios muito altos, conforme citado na revisão bibliográfica, as excentricidades previstas pela NBR 6123/1988, podem não ser suficientes para levar em consideração os efeitos de torção do vento que efetivamente ocorrerão na estrutura e que podem ser devidos à distribuições variáveis de pressão na fachada ou ainda por incidência de vento não ortogonal à essa fachada. É provável, conforme citado no capitulo 4, que a excentricidade que deve ser considerada para abranger os efeitos de torção em edifícios seja uma função crescente com a altura, no entanto, no desconhecimento de teorias que definam essa função, o ideal para avaliar esses efeitos em edifícios altos é realizar uma análise de modelos reduzidos em túneis de vento ao invés de adotar as excentricidades prescritas na norma. 6.3 INFLUÊNCIA DO EFEITO DE TORÇÃO DO VENTO NA ESTABILIDADE GLOBAL DOS EDIFÍCIOS Com os valores dos parâmetros de estabilidade global RM2M1 da tabela 13 no item 5.3 foi possível perceber que esses permaneceram praticamente inalterados independente da solicitação de vento ser excêntrica ou não. Isso provavelmente se deve ao fato de no cálculo do parâmetro de estabilidade global ser considerado um deslocamento médio dos pavimentos. O giro dos pisos não altera esse valor médio uma vez que mesmo que alguns pilares se desloquem mais com a rotação, outros se deslocam menos fazendo com que o deslocamento médio do pavimento permaneça o mesmo. Isso explicaria por que esses parâmetros não se alteraram independente da consideração ou não da torção do vento. Assim pode-se concluir que parâmetros de estabilidade global calculados apartir dos 89 deslocamentos médios dos pavimentos não são capazes de quantificar a influência da torção do vento na estabilidade global da estrutura uma vez que com o giro do pavimento alguns dos pilares da estrutura podem possuir deslocamentos superiores ao deslocamento médio do piso. Portanto os efeitos de 20 ordem nesses elementos podem ser significativos mesmo que o edifício, em relação à deformada média dos pavimentos, seja pouco deslocável. O ideal nessa situação seria calcular um parâmetro de estabilidade para cada pilar do edifício e assim determinar para cada um se os efeitos de 20 ordem são ou não importantes para o dimensionamento do mesmo. 6.4 COMPARACÃO DOS RESULTADOS PARA VENTOS DE BAIXA E DE ALTA TURBULÊNCIA Por fim, Com a análise realizada no item 5.1, foi verificado que apesar de ventos de baixa turbulência possuir excentricidades maiores do que as dos ventos de alta turbulência, sendo que nesse trabalho foram adotadas respectivamente excentricidades de 15% e 7,5% da dimensão da fachada perpendicular à incidência do vento, os modelos com vento de baixa turbulência excêntricos foram os que geraram as solicitações mais críticas nas bases dos dois pilares analisados no estudo. Apesar da excentricidade desses ventos ser menor, o valor da força total de vento nos pavimentos é maior sendo que o valor do momento torçor total nos pavimentos é obtido pela multiplicação dessa força pela excentricidade. Sabe-se que comparando ventos de baixa e de alta turbulência as forças nos pavimentos não chegam a dobrar como é o caso da excentricidade. Com isso, o momento torçor no pavimento devido aos ventos de alta turbulência é ainda um pouco maior do que os de baixa turbulência mesmo com esse aumento da força de vento. Esse fato pode ser realmente verificado no item 5.1 do capítulo 5 onde as maiores diferenças de solicitações entre modelos com e sem o efeito de torção ocorreram para ventos de alta turbulência. No entanto, os esforços de normal e de momento fletor nas bases oriundos das combinações no ELU dependem não somente da flexão causada pelo momento torçor total nos pavimentos como também da flexão em relação a base causada pela força total de vento que no caso dos ventos de baixa turbulência é consideravelmente maior. Portanto, para as verificações últimas dos pilares os modelos com vento excêntrico de baixa turbulência foram os que ocasionaram os piores esforços solicitantes nas bases dos edifícios. 90 7. 7.1 AVALIAÇÕES AUTO-AVALIAÇÃO. Durante o desenvolvimento do trabalho de conclusão de curso as etapas foram cumpridas conforme o cronograma e o planejamento inicial. O foco do estudo não foi muito alterado em relação às ideias iniciais. As principais dificuldades encontradas foram na elaboração da revisão bibliográfica, pois não foram encontradas muitas fontes a respeito da elaboração de modelagens realizadas no intuito de comparar especificamente as diferenças nos esforços finais encontradas entre edifícios solicitados por vento não excêntrico e vento excêntrico. Apesar disso, os conceitos sobre a natureza das ações de vento e como as ações dos diferentes tipos de vento podem ser lançadas no modelo foram encontrados em muitos trabalhos. Outra dificuldade encontrada foi em relação a descobrir e entender todas as adaptações que foram feitas no modelo VI de pórtico espacial do TQS que visam simular com mais propriedade as respostas do modelo em relação às respostas reais encontradas em edifícios de concreto armado. Com relação à modelagem em si não houveram muitas dificuldade devido ao fato de eu estar familiarizado com o programa já que estou o utilizando no estágio desde janeiro de 2012. Por fim, houve certa dificuldade nas análises dos resultados devido ao grande quantidade de resultados que os oito modelos forneceram. 91 7.2 AVALIAÇÃO DO ORIENTADOR. O aluno desenvolveu o trabalho com dedicação e procurou desenvolver seu conhecimento no tema e aplicar os conceitos em um exemplo prático, em consonância com o objetivo do TCC. Creio que os resultados de aprendizagem, desenvolvimento e contribuição ao meio técnico são muito bons. 92 REFERÊNCIAS ALVES DE CARVALHO, B. Análise comparativa pelo método dos elementos finitos de modelos tridimensionais clássicos e evolutivos método dos elementos finitos de modelos tridimensionais clássicos e evolutivos do sistema estrutural de um edifício alto em concreto armado. 2004. 134p. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Estruturas) – Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Estruturas, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2004. ARRAIS, G. P. Pressões exercidas pelo vento em fachadas de edifícios altos: Estudo comparativo dos valores obtidos através de ensaios em túnel de vento e especificações normativas. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul/Departamento de Engenharia Civil, 2011. 79 p. Trabalho de Conclusão de Curso. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6120: Cargas para o cálculo de edificações, Rio de Janeiro, 1980. 5 p. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6123: Forças devidas ao vento em edificações, Rio de Janeiro, 1988. 66 p. BARROS, C. B. C. Considerações sobre alguns modelos clássicos para análise estrutural de edifícios de andares múltiplos sujeitos à ação de forças laterais. 2003. 170p. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Estruturas) – Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Estruturas, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2003. BOGGS, D.; DRAGOVICH, J. The nature of Wind loads and dynamic response. Concrete International, v. 240, p. 15-44, 2006. CAMARINHA, R. M. M. Acção longitudinal do vento em edifícios altos. Lisboa: Universidade Técnica de Lisboa/Departamento de Engenharia Civil e Arquitectura, 2009. 60 p. Apostila. CARPEGGIANI, E. A. Determinação dos efeitos estáticos de torção em edifícios altos devido à ação do vento. 2004. 160p. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Estruturas) – Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo, São Carlos, 2004. DE BORTOLI, M. E. Efeito do entorno urbano sobre as ações do vento em edifícios. 2005. 214p. Tese (Doutorado em Engenharia Civil) – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil – PPGEC, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2005. FONTES, A. C. D. Importância dos efeitos de vizinhança na resposta dinâmica de um edifício à ação do vento. 2003. 155p. Dissertação (Mestrado em Engenharia Civil) – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil – PPGEC, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2003. FONTES, F. F.; PINHEIRO, L. M. Análise de um edifício por vários modelos estruturais. In: SIMPÓSIO EPUSP SOBRE ESTRUTURAS DE CONCRETO, VI, 2006, São Carlos. Anais do VI Simpósio EPUSP sobre Estruturas de Concreto São Carlos: USP, 2006. p. 233250. 93 GIONGO, J. S. Concreto Armado: Projeto estrutural de edifícios. São Carlos: Universidade de São Paulo/Departamento de Engenharia de Estruturas, 2007. 176 p. Apostila. LOREDO-SOUZA, A. M. Ação estática do vento sobre o Empreendimento Planolar – Barra Tower, Balneário Camboriú, SC. Porto Alegre: LAC/UFRGS, 2007. 60 p. Relatório técnico. OLIVEIRA, M. G. K. Desenvolvimento de uma balança dinâmica de três graus de liberdade para estudo dos efeitos de flexo-torção em edifícios altos submetidos à ação do vento. 2009. 207p. Tese (Doutorado em Engenharia Civil) – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil – PPGEC, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2009. PEREIRA, G. S. Contribuições à análise de estruturas de contraventamento de edifícios em concreto armado. 1997. 97p. Dissertação (Mestrado em Engenharia Civil) – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil – PPGEC, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 1997. SIQUEIRA, G. M. Estudo da torção devida ao vento em edifícios altos: comparação entre túnel de vento e NBR 6123/1988. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul/Departamento de Engenharia Civil, 2009. 70 p. Trabalho de Conclusão de Curso. VANDERBILT, D. M.; CORLEY, G. W. Frame analysis of concrete buildings. Concrete International., V. 5, n. 12, p. 33-43, 1983. 94