Capital da Notícia www.unibrasil.com.br Jornal Laboratório do Curso de Jornalismo Curitiba/PR - Maio/2005 - Edição 18 Informação a serviço da sociedade Transporte coletivo é alvo de críticas Freddy Pinheiro No terminal Capão da Imbuia, passageiros sofrem pela falta de espaço na plataforma do biarticulado O transporte Coletivo Urbano adotado por Curitiba é modelo nacional, inclusive já foi exportado para cidades norte-americanas e européias. No entanto, o sistema deixou muito a desejar nos últi- mos anos, já não é tão eficiente e satisfatório como o vendem. Atrasos freqüentes, ônibus lotados e fiscais da URBs em desvio de função, dentre outros problemas, como a falta de ônibus, têm con- tribuído para que a qualidade do transporte tenha piorado em Curitiba. Em dias úteis o tubo do inter II - Detran - e a plataforma do biarticulado que faz sua linha no terminal Capão da Imbuia lotam no horário de pico, fazendo com que o passageiro se sujeite a andar espremido sem espaço até mesmo para se apoiar. Pág 04 PERSONAGEM ESPORTE & LAZER Tudo por amor ao próximo Opção de lazer para idosos no Capão da Imbuia Michelle Sessi Moradora do Bairro Alto, Niuza Simei, 54 anos, dedica sua vida a ajudar pessoas carentes há quinze anos. Em 2003, fundou a Associação Comunitária das Mulheres do Bairro Alto, que ajuda a comunidade do bairro, pessoas de Colombo e até de Pinhais, com o trabalho voluntário. Pág 03 ESPECIAL Faculdade presta trabalho social a pessoas carentes A comunidade é beneficiada com atendimento jurídico, na área cível, trabalhista e previdenciária. Além de proporcionar acesso ao laboratório de informática. Pág 05 Palestras, reuniões, artesanato e bingos são algumas das atividades organizadas pela Comunidade de São Benedito para atrair pessoas da chamada Terceira Idade com o intuito de proporcionar entretenimento e uma vida social ativa. Pág 08 Time do Bairro Alto se destaca com jogadores experientes, que atuaram no Atlético e Vila Real de Portugual Pág 08 VARIEDADES Estresse, 90%da população sofre desse mal O excesso de tarefas, as dificuldades financeiras e a preocupação de se manter no mercado de trabalho, são fatores essenciais para que as pessoas sintam uma carga emocional alta e acabem sofrendo de algum mal. Muitas pessoas estão buscando nas academias uma saída para as dores musculares causadas pela tensão emocional. Jaqueline T. Mendes Pág 06 Lan houses invadem os bairros e conquistam os jovens Pág 07 2 O Curitiba, maio de 2005 Capital da Notícia P I N I Ã O Deficiência no transporte coletivo de Curitiba Voluntariado Por Kellen Galvão Por Kleyton Presidente Considerado um exemplo nacional e até mesmo internacional, o transporte coletivo de Curitiba demonstra sinais de desgastes. Atrasos, excessos de passageiros e outras dificuldades, como manter a tarifa com um padrão justo e acessível, mesmo com a crescente quantidade de ônibus utilizados, e as ações de vândalos, são os desafios enfrentados pela atual administração municipal. Certamente a explosão demográfica pela qual passou a cidade, nos últimos 13 anos, contribuiu para as mazelas visíveis no transporte público. Porém tal afirmação não se justifica, já que este é um direito inviolável do cidadão em qualquer cidade do mundo. Meses atrás ouvi de um sujeito, que provavelmente residia em Curitiba, que o ideal seria a desintegração do transporte coletivo, ou seja, não permitir o uso de terminais ou estações-tubos da capital por ônibus da Região Metropolitana. Porque segundo ele, a maior parte dos usuários que usufruem o transporte público da cidade são de outros municípios, provocando assim as superlotações. Talvez, em primeiro plano, em curto prazo, resolveria o problema, no entanto, se chegasse a ser adotada tal sugestão, os maiores prejudicados seriam as pessoas que residem nesses municípios mais afastados, e que provavelmente teriam de pagar um valor elevado para ter aceso ao centro de Curitiba. Definitivamente não seria inteligente adotar tal prática. Imagino que estudos urbanísticos poderiam melhorar a situação, como, por exemplo, avaliar se é possível financeiramente desenvolver através de parcerias com empresas privadas, projetos relevantes que sanariam os problemas em curto prazo. Muitas pessoas alegam que tudo seria resolvido se houvesse a instalação do tão falado metrô, que ligaria os pontos mais populosos da capital, ou então aumentar a quantidade de ônibus no horário de pico, que ao meu ver, não seria muito viável, levando em consideração a grande frota de ônibus em circulação. Penso que o transporte público de qualidade é um bem adquirido pela população, independente do Estado, município ou região. Deve ser oferecido mediante a uma tarifa adequada, permitindo o deslocamento de cada indivíduo de acordo com suas necessidades. Então, cabe a administração municipal, por meio dos seus técnicos (e nossas verbas), resolver tal embaraço a fim de garantir ao usuário as melhores condições possíveis de deslocamento. Não só no transporte, mas também na saúde, educação ambiental e tantos outros. Entendo que Curitiba se distanciou de um modelo mundial exemplar a ser seguido por outras capitais, e entrou para o enorme grupo das cidades em busca de soluções para resolver seus entraves sociais. Conhecido desde séculos, o voluntário, neste século 21 veio para preencher espaços deixados pelo governo. Ele se esforça em diminuir as necessidades ocasionadas por transformações ao longo dos anos. A partir da década de 80, quando ocorreu uma decentralização, na qual o Estado diminuiu seus financiamentos para a Assistência Social, a prática do voluntariado adquiriu consistência. A década de 90 abre portas para o milênio e para a possibilidade de pensar em outra forma de entender a ação voluntária. As pessoas sonham com um modelo que ultrapasse o anterior e apresente o voluntário como cidadão motivado por valores de participação e solidariedade. Ele doa seu tempo, trabalho e talento de maneira espontânea em prol de causas de divulgação interesse social e comunitário. Historicamente o trabalho voluntário em nosso país esteve atrelado à idéia da prática da caridade, e a sua motivação era exclusivamente de cunho religioso. Atualmente o fato é que esse trabalho vive um momento de mercantilização e banalização, pois virou “status” ser voluntário desde o ano Internacional do Voluntariado em 2003. Mas, não se pode generalizar o caso, já que existe muita gente querendo ajudar o próximo sem o intuito de se promover. Para que essa solidariedade dê resultados é preciso união, persistência e muita força de vontade para que, com pequenos atos, possamos transformar a sociedade. É um trabalho que deve ser feito como o do pedreiro que de tijolo em tijolo, constrói uma casa. Um órgão que possibilita que esse trabalho seja feito com organização, é a Associação dos Bairros, pois através dela podemos reunir pessoas e formar grupos para sanar necessidades emergenciais e solucionar problemas ocasionados pela pobreza nas comunidades. Assim sendo, pode se melhorar a qualidade de vida dos moradores do bairro da instituição ou até mesmo outras comunidades, além de trazer muitos benefícios no que diz respeito à infra-estrutura. Kellen Galvão é estudante do 4o período do curso de Jornalismo da UniBrasil FRASES “Praticamente é a única carne que como, já que dificilmente sobra dinheiro para comprar coisa melhor” Janinha Pedrosa de Oliveira, 19 anos, desempregada, que há três anos é beneficida por ação voluntária. Complexo de Ensino Superior do Brasil Jornal laboratório Capital da Notícia Expediente Diretor Geral: Prof. Dr. Clèmerson Merlin Clève / Diretor Acadêmico: Prof. Dr Lodércio Culpi Coordenador do Curso de Jornalismo: Prof. Roberto Nicolato / Professores responsáveis: João Augusto Moliani (Planejamento Gráfico e Editorial), Ana Paula Mira (Redação e Revisão) e Jorge Luiz Kimieck (Fechamento). Alunos editores: Juliana Mathoso (Variedades/ 7), Kellen Galvão (Capa e Opinião), Kleyton Miguel Presidente (Especial), Michelle Sessi (Personagem e Esporte & Lazer), Miguel Stupka (Variedades/6)) O jornal Capital da Noticia é uma publicação do Curso de Jornalismo da Unibrasil, produzido pelos alunos do 4º periodo, que circula nos bairros Capão da Imbuia, Bairro Alto, Tarumã e Cajuru. Tiragem: 2.000 exemplares Endereço: Rua Konrad Adenauer, 442 - CEP: 82820-540 - Jornal Laboratório Telefone: 361-4200 r:4252/tarde - Endereço eletrônico: [email protected] “Cansei de ficar em casa, com tanta gente precisando de amor e um pouco mais de conforto.” Niuza Simei, presidente da Associação Comunitária das Mulheres do Bairro Alto, justificando o fato de ter se tornado líder comunitária, mesmo sem o apoio de hoje. “Até 15 minutos é aceitável, porém teve um dia que a espera foi de 35, algo inaceitável”. Nei Birk, estudante de jornalismo e fotógrafo. “O homem é muito machista, só se tiver baile ele vem” Marise Albuquerque, coordenadora dos encontros de idosos sobre a falta de participação dos homens “O Serviço Social tem como atribuição a responsabilidade e o compromisso pelo acolhimento das demandas do público que visa usufruir os serviços sociais prestados” Assistente Social, Carolina Senegaglia “Grande parte das pessoas que nos procuram desejam se livrar de problemas que estão ligados diretamente à economia familiar” Mariana F. Cavalhieri, 21 anos, estudante de direito. P Capital da Notícia E R S O N A G E M Curitiba, maio de 2005 3 Voluntária é exemplo de solidariedade Moradora ajuda sozinha mais de 700 pessoas carentes na região do não há problemas relacionados às drogas e violência. Todas as quartas-feiras, em seu quintal, ela distribui um lanche gratuito a quem quiser. Antes, um pastor evangélico voluntário lê um trecho da Bíblia. “Também é preciso alimentar a alma. Porém, não prego religião nenhuma. O amor é minha única bandeira”, diz, sorridente. Depois, o proprietário de um frigorífico doa retalhos (sobras) de frango, que são igualmente divididos entre os presentes, em sacolas de supermercado, com 2kg cada. Janinha Pedrosa de Oliveira, 19 anos, desempregada, pega os retalhos há três anos. Ela mora em Colombo com a filha, um irmão e uma sobrin h a . “ Pr a t i c a mente é a única Kellen Galvão e Michelle Sessi Michelle Sessi Mãe, colaboradora, amiga, irmã, confidente, uma santa. São muitos os adjetivos usados para definir o caráter de Niuza de Jesus Oliveira Simei, 54 anos. As pessoas que tentam defini-la - algumas nem tentam mais, pois lhes faltam palavras - são os beneficiados por seu trabalho como líder comunitária. Morando há mais de 25 anos no Bairro Alto, cursou até a quarta série do Ensino Fundamental. Desde que se casou, há 38 anos, trabalhou como doméstica e teve quatro filhas: duas casadas e duas já mortas. Uma delas repôs a família antes de morrer, ao deixar duas filhas que, desde que eram adolescentes até hoje, estão sob sua guarda de Niuza e a auxiliam no trabalho comunitário Ela não é dona-decasa e mesmo que quisesse não teria tempo para desempenhar tal função. Após decidir deixar de trabalhar como doméstica, que segundo ela, ganhava pouco e não era valorizada, dedicou-se dois anos ao lar. A inércia do dia-à-dia e a indignação com o descaso dos governantes e da sociedade com relação às mazelas sociais, fizeram com que começasse pequenas mobilizações. “Cansei de ficar em casa, com tanta gente precisando de amor e um pouco mais de conforto. Se o filho de um vizinho caiu e quebrou o braço, chamo o outro para levar ao hospital; faltou açúcar ou roupa para alguém? Pego na despensa, vejo no guardaroupa o que está sobrando e passo para frente”, explica. Durante vários anos, arrecadou as sobras de um ou de outro e da própria família, para ajudar quem estivesse precisando - de comida até material de construção. Há cerca de cinco anos, na gestão do prefeito Cássio Taniguchi, o então secretário Municipal da Saúde, Luciano Ducci, implantou nos postos de saúde da cidade o programa “Anjos do Bairro”. Uma espécie de pacto pela vida, a idéia visava promover uma interação entre comunidade e funcionários dos postos de saúde, para que eles se ajudassem no atendimento. A partir deste programa, é que o trabalho de Niuza tornou-se mais expressivo, pois angariou ainda mais colaboradores oriundos do projeto: aos poucos, o trabalho de ambos foi se integrando. Hoje, ela conta com 33 voluntários, todos também integrantes do Anjos do Bairro. Implantado em vários bairros da capital, no Bairro Alto, onde permanece até hoje, é que o programa teve mais visibilidade, reconhecimento e duração. A fama da líder comunitária foi se espalhando pela região e aos poucos, ao invés de Ser até quem necessitava, as pessoas é que começaram a buscála. Hoje, batem em sua porta moradores principalmente de Pinhais, Colombo e Bairro Alto. Para organizar melhor a “logística” do auxílio, foram feitas fichas no computador de terceiros (ela não tem o equipamento nem impressora em casa), e foi confeccionado um diário de atendimento, numa agenda velha. Entre adultos, idosos e crianças, são cerca de 700 pessoas que se beneficiam constantemente de seu trabalho. A maioria dos beneficiados são carrinheiros, normalmente com problemas de saúde, muitos filhos, vivendo em situação miserável. Isso quan- carne que como, já que dificilmente sobra dinheiro para comprar coisa melhor”, conta. Toda semana, passam por lá cerca de 300 pessoas. Às vezes falta lanche e frango, como constatou pessoalmente a reportagem. Os recursos para a realização das ações são do próprio bolso da família. Seu m a r i d o , Edgar Simei, metalúrgico aposentado, ganha R$ 770,00. Ela arrecada lixo reciclável, vende, e com isso consegue mais cerca de R$ 100,00 por mês. Ou seja, quando algo necessário não é arrecadado, ela compra com o dinheiro da única renda da família, como os lanches de quarta-feira. Às terças, uma voluntária dá aulas de biscuit e montagem de flores com meias de seda. Às quintas, outra voluntária dá aulas de tricô, crochê e bordado. Tudo na casa da lí- Às quartas-feiras, em sua própria casa, ela distribui lanches gratuitos e retalhos de frango à população carente. der comunitária. Os produtos em breve passarão a ser vendidos em uma banca de artesanato, no centro da cidade. A renda será revertida para as próprias artesãs. Além de alimentos, ela consegue vagas em creches, escolas (inclusive especiais, quando é o caso), clínicas de recuperação para dependentes químicos, velório para famílias pobres, etc. O asfalto e o meiofio da rua onde mora foi conseguido através de seu trabalho, juntamente com a comunidade. “Quase todos os vereadores da Câmara Municipal conhecem meu trabalho. Alguns já me ofereceram ajuda em troca de apoio nas eleições. Mas nunca aceitei, pois temo perder a autonomia no modo como desenvolvo meu trabalho que é em equipe, ou que usem ele em benefício de terceiros”, explica. Niuza não possui nenhum tipo de vínculo político. Pa r a f a c i l i t a r a vinda de ajuda, Niuza está montando, com a ajuda de uma contadora voluntária, uma associação de deverá ser de utilidade pública. Com isso, além da isenção de impostos, ficará mais fácil conseguir um barracão para melhorar o atendimento e angariar doações. Em compensação, não deverá obter lucro. Esporadicamente, ela recebe ajuda do deputado estadual Luis Carlos Martins, que doa cadeiras de rodas, do deputado federal Gustavo Fruet, e da primeira-dama de Curitiba, Fernanda Richa. Por meio de ofícios encaminhados à FAS, Fundação de Ação Social, da Prefeitura, já foram conseguidos, desde a gestão do novo prefeito, doações de alimentos, roupas e materiais para artesanato. “A primeira dama tem me dado apoio sem nunca pedir nada em troca”, afirma. A líder comunitária mostra vocação para a política. Muitos lhe perguntam porque ela ainda não saiu candidata. “Mas meu lugar é no meio do povo, amo o que faço, faço por amor e mais nada. Ser vereadora significaria um distanciamento de quem realmente precisa. Eu quero sempre estar em meio aos pobres”, diz. O que não deixa de ser um belo discurso político. SERVIÇO: ASSOCIAÇÃO COMUNITÁRIA DAS MULHERES DO BAIRRO ALTO RUA RIO AMAZONAS, 391, PRÓXIMO À PONTE QUE FAZ A DIVISA COM O MUNICÍPIO DE PINHAIS, NO TARUMÃ. TEL.: 238-5498. 4 E Curitiba, maio de 2005 S P E C I A L Capital da Notícia Transporte coletivo perde qualidade Atrasos e ônibus lotados mostram que serão necessários investimentos no sistema Freddy Pinheiro Frederico Pinheiro Um fato esta sendo observado em toda a cidade nas estações tubo: fiscais do transporte coletivo no desvio de função. Constantemente é possível verificar que eles não portam pranchetas ou blocos de anotações para registrarem irregularidade no sistema. Mas, coincidência ou não, os fiscais estão nas estações próximas às escolas e colégios no horário de saída dos alunos. No tubo Detran, entre as 22 e 23 horas, constatou-se a presença de três fiscais que observavam todo o embaraço da superlotação de passageiros no tubo e das enormes filas nas calçadas. Segundo declarações dos usuários da linha Inter II, que em suas paradas inclui a estação Detran, ônibus lotados e atrasos são freqüentes. Para Tarcísio Pereira, 25 anos, que é metalúrgico, esse problema atinge diretamente os trabalhadores. “Sou obrigado a sair cinco minutos antes da empresa em que trabalho devido aos atrasos dos ônibus”, diz. Assim como ele, seus colegas, dependem diariamente do Inter II. Para trabalharem, devem negociar seus horários com os patrões, o pior é quando o coletivo atrasa por mais tempo, caso relatado pelo passageiro Mário Santos de 47 anos, Operador de Maquinas, ele conta que certa vez o Inter II atrasou 30 minutos, mas o atraso é em média de 15 minutos. Ele declara que já precisou ir a pé por ter perdido o último alimentador do Piratini (ônibus que serve a região do Pinheirinho). Outro usuário do transporte público não satisfeito é o do fotógrafo Nei Henrique Birk, 33 anos, que não esconde a indignação de constatar atrasos de até 35 minutos do Linha Direta Interbairros II, “até 15 minutos é aceitável, porém teve um dia que a espera foi de 35, algo inaceitável”. Pedro Gil, 37 anos, fiscal do transporte coletivo a mais de 12 anos e dirigente do Sindiurbano, sindicato que defende a categoria, afirma que talvez o problema atenuasse se não fosse o desvio de função, “Apresentamos, em abril do ano passado, uma denuncia no Ministério Público estadual para tentar resolvermos isso”. Segundo a Assessoria de Imprensa da Prefeitura Municipal, responsável pelo transporte coletivo de Curitiba administrada pela Urbs, uma das responsabilidades dos fiscais do transporte coletivo é de inibir as invasões no sistema do transporte coletivo e orientar quanto ao pagamento da tarifa; acionando órgãos de Segurança Pública (Guarda Municipal ou Polícia Militar do Paraná). “sou obrigado a sair cinco minutos antes (...) devido aos atrasos dos ônibus” Usuários na fila esperam ônibus; espaço fisico na estação mostra-se insuficiente Um dia na vida de um trabalhador e estudante Freddy Pinheiro Frederico Pinheiro Retornar da faculdade até o bairro onde moro não é fácil , vai ser um grande percurso de embarque e desembarque ,paradas em várias estações tubo e terminais.O trajeto da universidade até a estação tubo Detran , localiz a d a n a Av. Vi c t o r Ferreira do Amaral, dura em média dez minutos a pé. Mas o meu destino será o bairro Osternack, onde resido. Já na estação, grandes filas se formam do lado de fora ,são passageiros que tentam chegar à roleta para pagar a passagem e entrar no tubo. O ônibus Inter II está no ponto,porém, é impossível entrar nesse coletivo. Por isso tenho que esperar o próximo que demora l5 minutos. Espero mais sete minutos e entro no biarticulado que vai me levar até o terminal do Boqueirão. Desembarco lá as 23:52 hs. Em passos apressados, consigo embarcar no terceiro coletivo, mas desta vez levo sorte, porque o motorista espera alguns minutos. Sem opção, vou novamente em pé. Parece existir uma espécie de monopólio no transporte coletivo. O cobrador e o motorista ficam bem atentos, pois a linha é alvo de assaltantes, fora alguns passageiros alcoolizados que incomodam durante o trajeto .Desço no ponto perto da minha casa, olho no relógio já são 00:13 minutos de um novo dia , mais quatro minutos e finalmente estou em minha residência. “Parece existir uma espécie de monopólio no transporte coletivo” Fiscais em desvio de função tentam combater invasões E Capital da Notícia S P E C I A L 5 Curitiba, maio de 2005 Faculdade presta serviços sociais Estudantes de Direito são responsáveis por auxílios jurídicos à população carente Kleyton Presidente Os trabalhos sociais desenvolvidos pelas instituições de ensino superior atualmente são fundamentais para sanar dificuldades enfrentadas pela população menos favorecidas de Curitiba. O desgaste na infra-estrutura governamental, e os poucos recursos disponíveis entre as parcelas menos abastadas da sociedade, fazem com que muitas pessoas procurarem auxílio nesses centros universitários. Segundo a Assistente Social, Carolina Senegaglia, do Núcleo de Práticas Jurídicas (NPJ), das Faculdades Integradas do Brasil, o trabalho social é essencial para atender a população desprovida de ajuda do Estado. “O Serviço Social tem como atribuição a responsabilidade e o compromisso pelo acolhimento das demandas do público que visa usufruir os serviços sociais prestados”, explica. A Faculdades Integradas do Brasil, localizada no Bairro Tarumã, em Curitiba, é uma dessas instituições que beneficiam a população, oferecendo atendimento, orientação e acompanhamento jurídico às questões relacionadas à área cívil (família, sucessões, contratos, entre outros), trabalhista e previdenciária. A aposentada Olga Salazar, 72 anos, procurou assistência jurídica para elaborar seu inventário, e diz que o trabalho sem fim lucrativo, oferecido pela faculdade é uma iniciativa interessante, e deveria ser estendida a todas as faculdades da cidade. “É importante esse trabalho gratuito, pois sem ele muitas pessoas estariam prejudicadas”, argumenta. Os serviços são gratuitos, e contam com a participação de professores, alunos e advogados. Podem se benefici- Kleyton Presidente ar pessoas em que a situação econômica não permita pagar os custos do processo ou os horários do advogado, sem prejuízo do sustento próprio ou da família. Para os alunos de Direito, o trabalho social é uma grande oportunidade para cumprir a carga horária exigida na conclusão do curso, além de exercitar a cidadania e a responsabilidade social.. A estudante Mariana F. Cavalhieri, 21 anos, fala que os casos mais freqüentes dizem respeito a entraves familiares que afetam diretamente a vida financeira da família. “Grande parte das pessoas que nos procuram desejam se livrar de problemas que estão ligados diretamente à economia familiar”, explica. Envolvido com trabalhos culturais, em diversos municípios do Paraná, Miguel Ângelo Pacheco, 43 anos, diz que mais do que prestar serviços à comunidade, o trabalho social deve ser considerado uma obrigação, pois segundo ele, as universidades foram criadas justamente para atender as parcelas mais pobres da população. “A primeira faculdade foi desenvolvida na Europa, na Idade Média, e tinha por objetivo desenvolver trabalhos que melhorassem a vida da população daquele lugar”, esclarece. O atendimento no Núcleo de Práticas Jurídicas da UniBrasil, é feito primeiro pelo Serviço Social, para a realização de entrevista preliminar e, posteriormente, é encaminhado para o atendimento jurídico junto aos acadêmicos do curso de Direito da faculdade, os quais são orientados e supervisionados por professores e advogados. “ É importante esse trabalho gratuito, pois sem ele muitas pessoas estariam prejudicadas” Advogada e aluno prestam consulta a usuário no Núcleo de Práticas Jurídicas da Uni Brasil Informática Na parte da tarde, a UniBrasil proporciona a população acesso aos laboratórios de informática, visando integrar digitalmente, a população menos favorecida da região. Segundo o estagiário responsável pelos laboratórios de informática. As pessoas que normalmente freqüentam estes espaços são adolescentes em busca de entretenimento. “Os sites mais acessados são os de jogos, acompanhados pelos provedores de e-mails”, diz. Para os adolescentes é uma grande oportunidade de se familiarizar com o mundo digital, e através dessa aproximação surgem responsabilidades. Aline Cristina Dias, 14 anos, diz que sempre que quando pode usufrui dos computadores da instituição para desenvolKleyton Presidente ver suas atividades escolares. “Quando tenho trabalhos da escola e disponho de tempo livre venho até aqui para fazelos. Com a internet as pesquisas tornamse mais fáceis” explica. Com a enorme exclusão digital dos dias atuais, os projetos sociais que tem por objetivos a alfabetizar digital mente, tornam-se cada vez mais relevantes. A importância social das instituições de ensino superior para sanar tal situação é uma realidade aceitável, tendo em vista que os trabalhos realizados pelos órgãos públicos deixam a desejar. Segundo Mariana Rodrigues Feitosa, 15 anos, a oportunidade oferecida por essas instituições privadas é importante não só para vida escolar, mas também para a futura vida profissional. “Estando em contato agora com o computador, no futuro provavelmente será mais fácil entrar no mercado de trabalho”. SERVIÇO: NÚCLEO DE PRÁTICAS JURÍDICAS DA UNIBRASIL HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO: DAS 8 ÀS 12 HORAS DE SEGUNDA A SABÁDO. DAS 14 ÀS 18 HORAS DE SEGUNDA A SEXTA-FEIRA (TERÇA, QUARTA E QUINTA ATÉ AS 20 HORAS) LABORÁTÓRIOS DE INFORMÁTICA. HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO: DE SEGUNTA A SEXTA-FEIRA DAS 12 ÀS 18 HORAS. (LABORATÓRIOS MONITORADOS POR ESTAGIÁRIOS) FACULDADES INTEGRADAS DO BRASIL RUA: KONRAD ADENAUER, 442 TARUMÃ CEP - 82820-540 CURITIBA-PR TELEFONE: 55 (41) 361-4200 Adolescentes no laboratório de informática além da familiarização com o mundo digital também responsabilidade escolar 6 Curitiba, maio de 2005 V Capital da Notícia A R I E D A D E S Estresse causa problemas de saúde Problemas de ordem emocional afetam 90% da população Jaqueline T. Mendes Jaqueline Mendes Grande parte da população que dá entrada em hospitais ou em postos de saúde com sintomas que não são facilmente diagnosticados voltam para suas residências sem uma solução para o problema. A maior parte desses casos está relacionada ao estresse. O Médico do Posto de Saúde do Capão da Imbuia, Carlos Alberto da Silva, 32, afirma que, pelo fato do cidadão estar grande parte do dia preocupado com a vida emocional, profissional e familiar, faz com que o corpo libere uma descarga excessiva de adrenalina na circulação sangüínea do indivíduo, provocando uma alteração no seu comportamento. Segundo Silva, muitas pessoas deixam de buscar a ajuda de profissionais sem sequer dar a importância devida ao assunto. “No diaa-dia, muitos profissionais de várias áreas estão na busca de uma saída para esse problema. Apesar do número de interessados pelo assunto ainda ser considerado insignificante, pode-se pensar que estas pessoas ainda farão a diferença”, diz Silva. Os mé-dicos que estão habilitados a tratar desses casos acreditam que já é um começo de conscientização. A funcionária pública Norli do Rocio Vieira, 52, relata que trabalha há vinte anos no mesmo setor e que um dos seus maiores dramas é o estresse que o seu trabalho provoca. Conta que, apesar de gostar do que faz, não consegue controlar a ansiedade que sente por conta das metas que precisa cumprir ao longo do dia. “Por mais que eu tente não consigo deixar o meu trabalho só porque senti um mal estar causado pela ansiedade e pelo meu ritmo de vida”, afirma. Excesso de trabalho causa tensão emocional A estudante de Direito, Ana Paula Junqueira, 26, estágiária do Detran, declara que trabalha pela manhã e estuda à noite e que, apesar da vida agitada, sente se bem em pensar que estaria mais estressada se não tivesse sequer um estágio para poder ajudar seus pais a pagar sua faculdade. “Tenho dois irmãos e meus pais têm que sustentar a casa e o nosso estudo. Não posso pensar em ficar parada, já fico nervosa, talvez essa seja a maior causa das minhas ansiedades”, diz Paula demonstrando sua indignação. A psicóloga Marisa dos Santos afirma que aproximadamente 90% da população incluindo as crianças está afetada pelo estresse. Os adultos, por estarem o tempo todo em busca de sobrevivência como, por exemplo, se manter no emprego, são os mais atingidos pela doença. Segundo Marisa, os órgãos públicos estão começando a fazer um levantamento dos casos mais sérios de estresse. A intenção é divulgar um boletim para mostrar os sintomas e dar uma sugestão de tratamento sem que seja necessária a utilização de medicamentos. Medidas de prevenção O excesso de tarefas, as dificuldades financeiras e a preocupação de se manter no mercado de trabalho são fatores essenciais para que as pessoas sintam uma carga emocional alta e acabem sofrendo de algum mal. Muitas pessoas estão buscando nas academias uma saída para as dores musculares causadas pela tensão emocional. Quem não tem a possibilidade de freqüentar esses locais pode praticar caminhadas, sugestões feitas pelos médicos. Ilka Machado Galli, 63, artista plástica, faz exercício numa academia próxima de sua casa, há um ano. “Comecei com sérios problemas de saúde. Tinha insônia, palpitações e uma irritação incontrolável; depois que iniciei os exercícios me sinto bem melhor”. Ilka disse ainda que teve que mudar completamente seu comportamento. “O médico mandou que fizesse uma dieta alimentar rigorosa, exercício e acima de tudo controle psicológico, só assim poderia evitar outro incidente como o que tinha sofrido; foi o que fiz e estou bem melhor de saúde”, declara. Os freqüentadores de academias de ginástica são pessoas de todas as idades. Pela parte da manhã, 30% dos freqüentadores são idosos que buscam uma melhor qualidade de vida. Nos 60% restantes estão incluídos adolescentes e adultos que, apesar de fazerem exercícios para manter a forma física, demonstram uma séria preocupação com uma melhor qualidade de vida. O estresse causa ansiedade, falta de ar, palpitação, insônia, sensação de cansaço ao acordar e fadiga. Quando está num estágio mais avançado pode causar sérias complicações de saúde, como enfarto, depressão, arritmias e também sintomas que são impossíveis de serem diagnosticados pelos médicos. São sintomas que se manifestam repentinamente e da mesma maneira desaparecem. Os médicos aconselham que se o paciente tem esses sintomas busque ajuda o quanto antes, porque a tendência desse problema é se agravar e causar sérios problemas. Árvore deu nome ao Bairro Tarumã Texto e foto: Rosedete Moscaleski O bairro Tarumã ganhou esse nome devido a grande quantidade de árvores conhecidas como “tarumãs” existentes na região. Em 1950, a localização onde hoje fica o bairro Tarumã, caracterizava-se pela existência de extensos campos e banhados. A partir da instalação, nas suas imediações, do Jockey Club do Paraná, a região começou a se desenvolver. Esse foi também o fator decisivo para o aumento da população que acabou se instalando em ambos os lados da BR-116, próximo das indústrias e empresas de prestação de serviços. Sua área total é de 4.167.000 metros quadrados, representando 0,96% da área total do município de Curitiba, ou seja, uma ocupação de menos de 1% de toda a capital. O bairro fica a 4,8 quilômetros do marco zero da cidade. É na ponte da Avenida Victor Ferreira do Amaral, sobre o rio Atuba que se inicia o bairro Tarumã. Segue o rio até a estrada de ferro Curitiba-Paranaguá, limitando-se à marginal da BR-116, rua Agamenon Magalhães, divisa com o Estádio Pinheirão, rua Armando Prince e termina na Victor Ferreira do Amaral. Segundo à Prefeitura de Curitiba, e de acordo com os dados da estimativa do Censo do IBGE (Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) viviam em 2004, no bairro Tarumã, um total de 7.44 pessoas, o que correspondia a 0,44% da população total do Município. Daquele total, 3396 eram homens (48,20%) e 3649 mulheres (51,80%). O número de domicílios levantado, data do ano 2000, somando 2.147 unidades. Em 1998 havia somente dois conjuntos habitacionais, construídos por intermédio do antigo Inocoop. A taxa de crescimento populacional anual entre 1996 a 2000 girava em torno de 0,75%. Em contrapartida ao baixo número de moradores, o Tarumã, entretanto, é um dos bairros de Curitiba que mais possui espaço livre com área verde. Foram contabilizadas no ano 2000 um total de 103.222,03 metros quadrados de área verde, o que dá uma fração de 15,10 m2 por habitante. O Tarumã tinha em 2004 apenas uma escola municipal e em 2003 possuía três estabelecimentos de ensino estadual. Há ainda um Instituto de Ensino Superior, que funciona a partir de 2004. Também uma creche municipal e um Pia Ambiental, com um anexo construído em 2004. O bairro possui alguns destaques: entre eles o Colégio Militar de Curitiba, o Ginásio de Esportes Almir de Almeida, o Hipódromo de Curitiba, o Estádio do Pinheirão e a Escola Madre Antônia, que em 2002 deixou de ser municipal e passou para a esfera estadual. V Capital da Notícia 7 Curitiba, maio de 2005 A R I E D A D E S Diz-me como jogas e te direi quem és Lan Houses chegam a bairros de Curitiba e conquistam os jovens Leda Garzuze “Informática ao alcance de todos” ou quase. Essa é a promessa de uma nova modalidade de serviço que, agora, começa a se estender nos bairros e na região metropolitana. São casas de jogos e acesso à Internet as chamadas: “LAN House”. O conceito dessas casas vem da Coréia que em 1996 foi o primeiro país a montar esse tipo de serviço. No Brasil a onda das lan house começou em 1998 e está se expandindo nas grandes cidades. Em Curitiba, já começou o movimento de expansão até os bairros. Exemplo disso é que só no bairro Cajuru há oficialmente 4 lan houses. Funcionando de segunda à segunda, com preços que variam de R$2,00 a R$ 2,50 a hora, a Delta Force é uma lan house inaugurada há cerca de nove meses e já atende uma clientela variada. Em horários de pico Leda Garzuze Jogos eletrônicos são uma opção a mais de diversão geralmente às sextas durante a tarde e no sábado, chega haver fila de espera para usar um dos dez micro computadores da casa. Inicialmente, as lan house eram consideradas uma evolução das casas de jogos de vídeo game, já que proporcionam jogos de combate, estratégia e guerra via computador. O diferencial era a possibilidade de jogar equipe contra equipe. Na mesma onda vieram os cyber cafés, espaços geralmente conjugados com outra atividade comercial em que os usuários podem usar outras funções do computador, não só os jogos. Nos bairros, entretanto, as lan house funcionam com as duas idéias misturadas. Engana-se quem pensa que só vai encontrar adolescentes silenciosos com olhar fixo na tela, jogando horas sem parar. O ambiente é bem mais variado que isso, há ao mesmo tempo pessoas abrindo sua primeira conta de endereço eletrônico (e-mail) ou imprimindo currículo profissional. E os adolescentes são mais ruidosos do que o esperado... Isso não quer dizer que a inclusão digital já chegou com força total nos bairros. “Já veio gente aqui pedindo manutenção de computador ou perguntando se vendemos peças” afirma Allan Giardi proprietário da Delta Force. “Talvez pra frente a gente diversifique o negócio, por enquanto só como lan house mesmo”. É difícil determinar o motivo do sucesso desse tipo de serviço nos bairros, não é só pelo acesso à Internet. Há nos faróis do saber acesso gratuito, desde que marcado antecipadamen- Leda Garzuze Computadores também são usados para estudos te, e livrarias ou digitadores também fazem o serviço de impressão de currículos. Para alguns este espaço no bairro representa uma opção de lazer. Thiago da Silva Coelho (o Tigrão como é conhecido) exemplifica isso. Passa em média 3 horas por dia na lan house jogando “CS”, “Move” ou “DD”, além de checar seu e-mail e, às vezes usar o batepapo virtual (messenger) mesmo tendo computador em casa. “O legal é a bagunça com os amigos e não dá pra jogar em equipe em casa”, justifica Thiago. Ele também não utiliza mais o farol do saber: “Usei mais na época do colégio pra fazer pesquisa, trabalhos, agora como já terminei os estudos, não uso mais”. Como ele, outros jovens vêem na lan house uma opção a mais de entretenimento e convívio com os amigos. SERVIÇO DELTA FORCE: RUA LUIZ 1.460 - CAJURU FUNCIONA DAS 9 ÀS 22 H FRANÇA, Pa r a saber mais ADRENALINA: RUA DOS FERROVIÁRIOS - VILA VFICINAS - CAJURU FUNCIONA DIARIAMENTE DAS 9 ÀS 22 H Lan House - “Lan” quer dizer rede local de computadores e “House” casa. Portanto, a tradução é algo como: casa/loja de rede de computadores. Cyber Café - É um local que agrega acesso à internet em conjunto com algum outro tipo de serviço. Na maioria das vezes, uma cafeteria, livraria ou sebo. Mercados da região leste não vendem roupas Klaus Junginger Esqueça as escadas rolantes, os preços exorbitantes, as vitrines sedutoras e todo o luxo ostentado pelos shopping centers. O negócio agora é comprar roupa nos supermercados. Mas só se você não morar em um dos quatro bairros da zona leste de Curitiba (Tarumã, Capão da Imbuia, Bairro Alto e Cajuru). Os repórteres do Capital da Notícia foram visitar supermercados destes bairros e descobriram que neles não há roupas para comprar. Administrador da filial do Tarumã dos mercados Benato, Eliseu Teixeira, de 44 anos, diz que não vende roupas em seu mercado por falta de espaço e que o assunto ainda não foi estudado pela gerência das lojas. Abel Cilla, proprietário da rede de supermercados Cilla, no Bairro Alto, diz ainda não ter se acostumado com a idéia de um supermercado comercialzar produtos de confecções, e que tem pouca noção da margem de lucro praticada nesse tipo de produto. "Eu sei que estou deixando de faturar, mas o nosso negócio é tradicional", comenta. Já Odete Lara, empregada doméstica, 44, reclama dessa resistência dos donos das lojas. "Facilita muito a Klaus Junginger vida da gente que vai para o mercado e já resolve tudo de uma vez", diz Odete com cara de desânimo. É certo que, se vender roupas em supermercados fosse uma mau negócio, as grandes redes jamais teriam começado a fazê-lo. Como não dependem exclusivamente da venda de calças, camisas e roupa íntima para sobreviver, os mercados podem praticar preços que fazem os olhos do consumidor brilhar e pensar duas vezes antes de ir comprar em uma loja no centro da cidade. Infelizmente, porém, os moradores dos bairros que compõem a zona leste da capital dos curitibanos terão de esperar que os proprietários de supermercados acordem para esta realidade. SUPERMERCADOS QUE VENDEM ROUPAS MAIS PRÓXIMOS DA ZONA LESTE: EXTRA HIPERMERCADOS TEL (41) 360-1400 - AV MAL HUMBERTO DE ALENCAR CASTELO BRANCO, 230 ALTO DA XV CARREFOUR PINHAIS TEL: (41) 669-6464 - RODOVIA DEP. JOÃO LEOPOLDO JACOMEL, 3939, EM PINHAIS 8 Curitiba, maio de 2005 E SPORTE & L AZER Capital da Notícia Alternativa de lazer para terceira idade Bingos da Comunidade São Benedito reúne idosos do Capão da Imbuia Miguel Gilberto Stupka Miguel Stupka O salão estava vazio, apenas algumas pessoas esperavam pelo início do encontro. Em poucos minutos, as mesas foram arrumadas e o público começou a aumentar. Alegres, dispostos e cheios de vida, os membros da terceira idade que se reúnem semanalmente no salão paroquial da comunidade São Benedito, no bairro Capão da Imbuia, têm nas tardes de quarta-feira a oportunidade para se descontrair, assistir palestras, brincar e conversar. Para Edy Maria da Silva, de 78 anos, os encontros são uma ótima oportunidade para passar o tempo. “Gosto de sair, isso me distrai”, afirma. Ela perdeu o marido atropelado por um motoqueiro, 7 meses antes de comemorarem as bodas de ouro. Para não se sentir só, recorre aos encontros para passar o tempo, apesar da dificuldade de locomoção. “A gente faz um esforço e vem”, conclui. Para o coordenador do grupo da terceira idade do bairro, Iran Albuquerque, esse tipo de trabalho é importante para inserir o idoso na comunidade. “Eles não podem ter uma vida sedentária, senão perdem a auto-estima”, diz ao lembrar que eles gostam de se reunir para jogar conversa fora e se divertir. Erasmina Bibian dos Santos, de 64 anos, diz que participa dos encontros há dois anos e não perde nenhum. Gosta de rever as amigas, jogar bingo e fazer o trabalho de artesanato que é vendido na feirinha, sempre realizada nos encontros. Para ela, participar da reunião é uma forma de esquecer os problemas, além de poder levar algum prêmio para casa, dependendo da sorte. A maior parte dos participantes é Concentrados nas cartelas, os participantes acompanham cada pedra sorteada de mulheres. Dos 46 participantes no dia 27 de abril, por exemplo, apenas dois eram homens. “O homem é muito machista, só se tiver baile ele vem”, diz Marise Albuquerque, também coordenadora dos encontros no local. Outra idéia aprovada pelos idosos é a cobrança de uma mensalidade de três reais, que aliada aos valores arrecadados em bingos, lanches e da venda dos artesanatos, dá a oportunidade de viajarem, conhecerem novos lugares, se divertirem com os passeios. Tirando o idoso de casa, a propensão para que ele adoeça é bem menor, segundo Rosa Imai, que é dentista da Unidade de Saúde do bairro e profere palestras nas reuniões. Em outros tempos, estes idosos vinham à unidade de saúde apenas para buscar remédios, hoje quase nem aparecem. Num dos encontros realizado os freqüentadores tiveram a oportunidade de tomar a vacina contra a gripe. Dessa forma, eles não precisam se deslocar até a Unidade de Saúde para se vacinarem. História Os encontros de idosos oferecem a seus participantes a ocupação do tempo livre através de diversas atividades de lazer como por exemplo cultura, intelecto, físico, manual e artístico. No Brasil, esse serviço foi implantado pioneiramente na cidade de São Paulo, nos anos 60, pelo SESC, e expandiu-se rapidamente para o demais estados, nos anos seguintes. Time do Bairro Alto empolga a torcida Maurício Kern Maurício Kern Um time renovado, este é o novo plantel do Clube Atlético Bairro Alto (CABA ), na disputa do campeonato da suburbana de 2005. Jogadores que atuam por amor a camisa, este é o lema do grupo para chegar ao sucesso e às vitórias ao longo da competição. A equipe conta com jogadores experientes com passagens em times profissionais, sendo eles China, Cultural, Adriano e Bá. Um dos destaques é o jogador João Fagundes, mais conhecido por China, que iniciou sua carreira no Coritiba, e teve passagens pelo Malutron, Fortaleza e Vila Real, em Portugal. ele já recebeu proposta para trabalhar nos Estados Unidos, comandando uma escolinha de futebol, mas ainda está estudando a proposta. Outro nome forte é o atleta Mário Reis. Ele trabalha em uma distribuidora de frutas, e aos sábados é o lateral direito do time. Iniciou a carreira no Atlético Paranaense. Um dos jogadores mais novos é Jorge Morona, 21 anos, estudante do ensino médio. Ele pretende cursar uma faculdade no futuro, mas o que ele sabe fazer é Jogadores do CABA acreditam na conquista do título em 2005 marcar gols e empolgar a torcida. O jovem técnico do CABA, Rosinaldo Soares, 35 anos, tem a em sua primeira experiência no comando técnico de uma equipe amadora. Ele aposta na garra e na união do grupo para superar todos os desafios ao longo da competição.Ele possui uma grande largada como treinador, foi campeão invicto dirigindo uma equipe no município de Colombo, e após a conquista, recebeu o convite para comandar o time do Bairro Alto nesta temporada. “Minha principal filosofia é buscar para o time jogadores moradores da região do Bairro Alto”, diz empolgado. A transmissão dos jogos da suburbana é realizada pelo Jornalismo daTV Educativa, e aos domingos à noite o programa Gol de Ouro faz uma retrospectiva de todos os jogos amadores. Também há a cobertura das rádios Banda B, Capital e Eldorado, que informam os resultados dos jogos, além do jornal Tribuna do Paraná, onde é divulgada a situação de cada time no campeonato. O atual presidente, Acir Novalkowski, faz um apelo para que os torcedores compareçam em grande número nos jogos do CABA, no estádio Pedro Almeida. “A suburbana envolve o torcedor e traz o comprometimento de grandes atletas, no intuito de demonstrar suas habilidades em prol do futebol amador”, afirma Novalkowski. Parece que um futuro promissor acena.