Capital da Notícia
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Jornal Laboratório do Curso de Jornalismo
Curitiba/PR - Maio/2005 - Edição 18
Informação a serviço da sociedade
Transporte coletivo é alvo de críticas
Freddy Pinheiro
No terminal Capão da Imbuia, passageiros sofrem pela falta de espaço na plataforma do biarticulado
O transporte Coletivo Urbano
adotado por Curitiba é modelo nacional, inclusive já foi exportado
para cidades norte-americanas e
européias. No entanto, o sistema
deixou muito a desejar nos últi-
mos anos, já não é tão eficiente
e satisfatório como o vendem.
Atrasos freqüentes, ônibus lotados
e fiscais da URBs em desvio de
função, dentre outros problemas,
como a falta de ônibus, têm con-
tribuído para que a qualidade do
transporte tenha piorado em
Curitiba. Em dias úteis o tubo do
inter II - Detran - e a plataforma
do biarticulado que faz sua linha
no terminal Capão da Imbuia
lotam no horário de pico, fazendo com que o passageiro se sujeite a andar espremido sem espaço até mesmo para se apoiar.
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PERSONAGEM
ESPORTE & LAZER
Tudo por amor ao próximo
Opção de lazer para idosos no Capão da Imbuia
Michelle Sessi
Moradora do Bairro Alto,
Niuza Simei, 54 anos,
dedica sua vida a ajudar
pessoas carentes há
quinze anos. Em 2003,
fundou a Associação
Comunitária das Mulheres
do Bairro Alto, que ajuda
a comunidade do bairro,
pessoas de Colombo e até
de Pinhais, com o trabalho
voluntário.
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ESPECIAL
Faculdade presta trabalho social a pessoas carentes
A comunidade é beneficiada com atendimento jurídico, na área cível,
trabalhista e previdenciária. Além de proporcionar acesso ao laboratório de informática.
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Palestras, reuniões, artesanato e bingos são algumas das atividades
organizadas pela Comunidade de São Benedito para atrair pessoas
da chamada Terceira Idade com o intuito de proporcionar
entretenimento e uma vida social ativa.
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Time do Bairro Alto se destaca com jogadores
experientes, que atuaram no Atlético e Vila Real de Portugual
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VARIEDADES
Estresse, 90%da população sofre desse mal
O excesso de tarefas, as dificuldades financeiras e a preocupação de se manter no mercado de
trabalho, são fatores essenciais
para que as pessoas sintam uma
carga emocional alta e acabem
sofrendo de algum mal. Muitas
pessoas estão buscando nas academias uma saída para as dores
musculares causadas pela tensão
emocional.
Jaqueline T. Mendes
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Lan houses invadem os bairros e conquistam os jovens
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2
O
Curitiba, maio de 2005
Capital da Notícia
P I N I Ã O
Deficiência no transporte
coletivo de Curitiba
Voluntariado
Por Kellen Galvão
Por Kleyton Presidente
Considerado um exemplo
nacional e até mesmo internacional, o transporte coletivo de Curitiba demonstra sinais de desgastes. Atrasos, excessos de
passageiros e outras dificuldades, como manter a tarifa com
um padrão justo e acessível,
mesmo com a crescente quantidade de ônibus utilizados, e as
ações de vândalos, são os desafios enfrentados pela atual administração municipal. Certamente
a explosão demográfica pela qual
passou a cidade, nos últimos 13
anos, contribuiu para as mazelas
visíveis no transporte público.
Porém tal afirmação não se justifica, já que este é um direito
inviolável do cidadão em qualquer
cidade do mundo.
Meses atrás ouvi de um
sujeito, que provavelmente residia em Curitiba, que o ideal seria
a desintegração do transporte
coletivo, ou seja, não permitir o
uso de terminais ou estações-tubos da capital por ônibus da Região Metropolitana. Porque segundo ele, a maior parte dos usuários que usufruem o transporte
público da cidade são de outros
municípios, provocando assim as
superlotações.
Talvez, em primeiro plano,
em curto prazo, resolveria o problema, no entanto, se chegasse
a ser adotada tal sugestão, os
maiores prejudicados seriam as
pessoas que residem nesses municípios mais afastados, e que
provavelmente teriam de pagar
um valor elevado para ter aceso
ao centro de Curitiba. Definitivamente não seria inteligente adotar tal prática.
Imagino que estudos urbanísticos poderiam melhorar a
situação, como, por exemplo,
avaliar se é possível financeiramente desenvolver através de
parcerias com empresas privadas, projetos relevantes que sanariam os problemas em curto
prazo. Muitas pessoas alegam
que tudo seria resolvido se houvesse a instalação do tão falado metrô, que ligaria os pontos
mais populosos da capital, ou
então aumentar a quantidade de
ônibus no horário de pico, que
ao meu ver, não seria muito viável, levando em consideração
a grande frota de ônibus em
circulação.
Penso que o transporte público de qualidade é um bem adquirido pela população, independente do Estado, município ou
região. Deve ser oferecido mediante a uma tarifa adequada,
permitindo o deslocamento de
cada indivíduo de acordo com
suas necessidades. Então, cabe
a administração municipal, por
meio dos seus técnicos (e nossas verbas), resolver tal embaraço a fim de garantir ao usuário
as melhores condições possíveis
de deslocamento.
Não só no transporte, mas
também na saúde, educação
ambiental e tantos outros. Entendo que Curitiba se distanciou de
um modelo mundial exemplar a
ser seguido por outras capitais,
e entrou para o enorme grupo
das cidades em busca de soluções para resolver seus entraves
sociais.
Conhecido desde séculos, o voluntário, neste século 21 veio
para preencher espaços deixados pelo governo. Ele se esforça em
diminuir as necessidades ocasionadas por transformações ao longo
dos anos.
A partir da década de 80, quando ocorreu uma decentralização,
na qual o Estado diminuiu seus financiamentos para a Assistência
Social, a prática do voluntariado adquiriu consistência. A década de 90
abre portas para o milênio e para a possibilidade de pensar em outra
forma de entender a ação voluntária.
As pessoas sonham com um modelo que ultrapasse o anterior e
apresente o voluntário como cidadão motivado por valores de participação e solidariedade. Ele doa seu tempo, trabalho e talento de maneira
espontânea em prol de causas de
divulgação
interesse social e comunitário.
Historicamente o trabalho
voluntário em nosso país esteve
atrelado à idéia da prática da caridade, e a sua motivação era exclusivamente de cunho religioso.
Atualmente o fato é que esse
trabalho vive um momento de
mercantilização e banalização, pois
virou “status” ser voluntário desde o ano Internacional do
Voluntariado em 2003. Mas, não se pode generalizar o caso, já que
existe muita gente querendo ajudar o próximo sem o intuito de se
promover.
Para que essa solidariedade dê resultados é preciso união, persistência e muita força de vontade para que, com pequenos atos,
possamos transformar a sociedade. É um trabalho que deve ser feito
como o do pedreiro que de tijolo em tijolo, constrói uma casa.
Um órgão que possibilita que esse trabalho seja feito com organização, é a Associação dos Bairros, pois através dela podemos reunir pessoas e formar grupos para sanar necessidades emergenciais e
solucionar problemas ocasionados pela pobreza nas comunidades.
Assim sendo, pode se melhorar a qualidade de vida dos moradores do bairro da instituição ou até mesmo outras comunidades,
além de trazer muitos benefícios no que diz respeito à infra-estrutura.
Kellen Galvão é estudante do 4o período do curso de Jornalismo da UniBrasil
FRASES
“Praticamente é a única carne
que como, já que dificilmente
sobra dinheiro para comprar coisa melhor”
Janinha Pedrosa de Oliveira, 19 anos,
desempregada, que há três anos é
beneficida por ação voluntária.
Complexo de Ensino Superior do Brasil
Jornal laboratório Capital da Notícia
Expediente
Diretor Geral: Prof. Dr. Clèmerson Merlin Clève / Diretor Acadêmico: Prof. Dr Lodércio Culpi
Coordenador do Curso de Jornalismo: Prof. Roberto Nicolato / Professores responsáveis: João Augusto Moliani (Planejamento Gráfico e Editorial), Ana Paula Mira (Redação e
Revisão) e Jorge Luiz Kimieck (Fechamento). Alunos editores: Juliana Mathoso (Variedades/
7), Kellen Galvão (Capa e Opinião), Kleyton Miguel Presidente (Especial), Michelle Sessi (Personagem e Esporte & Lazer), Miguel Stupka (Variedades/6))
O jornal Capital da Noticia é uma publicação do Curso de Jornalismo da Unibrasil, produzido
pelos alunos do 4º periodo, que circula nos bairros Capão da Imbuia, Bairro Alto, Tarumã e
Cajuru. Tiragem: 2.000 exemplares
Endereço: Rua Konrad Adenauer, 442 - CEP: 82820-540 - Jornal Laboratório
Telefone: 361-4200 r:4252/tarde - Endereço eletrônico: [email protected]
“Cansei de ficar em casa,
com tanta gente precisando de
amor e um pouco mais de conforto.”
Niuza Simei, presidente da Associação
Comunitária das Mulheres do Bairro
Alto, justificando o fato de ter se
tornado líder comunitária, mesmo sem
o apoio de hoje.
“Até 15 minutos é aceitável,
porém teve um dia que a espera
foi de 35, algo inaceitável”.
Nei Birk, estudante de jornalismo e
fotógrafo.
“O homem é muito machista,
só se tiver baile ele vem”
Marise Albuquerque, coordenadora
dos encontros de idosos sobre a falta
de participação dos homens
“O Serviço Social tem como atribuição a responsabilidade e o compromisso pelo acolhimento das demandas
do público que visa usufruir os serviços
sociais prestados”
Assistente Social, Carolina Senegaglia
“Grande parte das pessoas
que nos procuram desejam se livrar
de problemas que estão ligados diretamente à economia familiar”
Mariana F. Cavalhieri, 21 anos, estudante de direito.
P
Capital da Notícia
E R S O N A G E M
Curitiba, maio de 2005
3
Voluntária é exemplo de solidariedade
Moradora ajuda sozinha mais de 700 pessoas carentes na região
do não há problemas relacionados às
drogas e violência.
Todas as quartas-feiras, em
seu quintal, ela distribui um lanche gratuito a quem quiser. Antes,
um pastor evangélico voluntário lê
um trecho da Bíblia. “Também é
preciso alimentar a alma. Porém,
não prego religião nenhuma. O
amor é minha única bandeira”, diz,
sorridente. Depois, o proprietário de
um frigorífico doa retalhos (sobras)
de frango, que são igualmente divididos entre os presentes, em sacolas
de supermercado, com 2kg cada.
Janinha Pedrosa de Oliveira, 19 anos,
desempregada, pega os retalhos há três anos.
Ela mora em Colombo
com a filha, um irmão e uma sobrin h a . “ Pr a t i c a mente é a única
Kellen Galvão e Michelle Sessi
Michelle Sessi
Mãe, colaboradora, amiga,
irmã, confidente, uma santa. São
muitos os adjetivos usados para definir o caráter de Niuza de Jesus Oliveira Simei, 54 anos. As pessoas que
tentam defini-la - algumas nem tentam mais, pois lhes faltam palavras - são os beneficiados por
seu trabalho como líder comunitária. Morando há mais de
25 anos no Bairro Alto, cursou até a quarta série do
Ensino Fundamental.
Desde que se casou,
há 38 anos, trabalhou
como doméstica e teve
quatro filhas: duas casadas e duas já mortas.
Uma delas repôs a família antes de morrer,
ao deixar duas filhas
que, desde que eram
adolescentes até
hoje, estão sob sua
guarda de Niuza e a
auxiliam no trabalho
comunitário
Ela não é dona-decasa e mesmo que quisesse não teria tempo
para desempenhar tal função. Após decidir deixar de
trabalhar como doméstica,
que segundo ela, ganhava
pouco e não era valorizada,
dedicou-se dois anos ao lar.
A inércia do dia-à-dia e a indignação com o descaso dos
governantes e da sociedade
com relação às mazelas sociais, fizeram com que começasse pequenas mobilizações.
“Cansei de ficar em casa, com
tanta gente precisando de amor e um
pouco mais de conforto. Se o filho de
um vizinho caiu e quebrou o braço,
chamo o outro para levar ao hospital;
faltou açúcar ou roupa para alguém?
Pego na despensa, vejo no guardaroupa o que está sobrando e passo
para frente”, explica.
Durante vários anos, arrecadou
as sobras de um ou de outro e da própria família, para ajudar quem estivesse precisando - de comida até
material de construção.
Há cerca de cinco anos, na gestão do prefeito Cássio Taniguchi, o então secretário Municipal da Saúde,
Luciano Ducci, implantou nos postos
de saúde da cidade o programa “Anjos do Bairro”. Uma espécie de pacto
pela vida, a idéia visava promover uma
interação entre comunidade e funcionários dos postos de saúde, para que
eles se ajudassem no atendimento.
A partir deste programa, é que
o trabalho de Niuza tornou-se mais expressivo, pois angariou ainda mais colaboradores oriundos do projeto: aos
poucos, o trabalho de ambos foi se
integrando. Hoje, ela conta com 33
voluntários, todos também integrantes do Anjos do Bairro. Implantado em
vários bairros da capital, no Bairro
Alto, onde permanece até hoje, é que
o programa teve mais visibilidade, reconhecimento e duração.
A fama da
líder comunitária
foi se espalhando
pela região e aos
poucos, ao invés
de Ser até quem
necessitava, as
pessoas é que começaram a buscála. Hoje, batem
em sua porta moradores principalmente de Pinhais,
Colombo e Bairro Alto.
Para organizar melhor a
“logística” do auxílio, foram feitas fichas no computador de terceiros (ela
não tem o equipamento nem impressora em casa), e foi confeccionado um
diário de atendimento, numa agenda
velha. Entre adultos, idosos e crianças,
são cerca de 700 pessoas que se beneficiam constantemente de seu trabalho.
A maioria dos beneficiados são
carrinheiros, normalmente com problemas de saúde, muitos filhos, vivendo em situação miserável. Isso quan-
carne que como, já que dificilmente
sobra dinheiro para comprar coisa
melhor”, conta. Toda semana, passam por lá cerca de 300 pessoas. Às
vezes falta
lanche e frango,
como
constatou pessoalmente a
reportagem.
Os recursos para a
realização das
ações são do
próprio bolso
da família.
Seu m a r i d o ,
Edgar Simei,
metalúrgico aposentado, ganha R$
770,00. Ela arrecada lixo reciclável,
vende, e com isso consegue mais cerca de R$ 100,00 por mês. Ou seja,
quando algo necessário não é arrecadado, ela compra com o dinheiro da
única renda da família, como os lanches de quarta-feira.
Às terças, uma voluntária dá
aulas de biscuit e montagem de flores com meias de seda. Às quintas,
outra voluntária dá aulas de tricô,
crochê e bordado. Tudo na casa da lí-
Às quartas-feiras, em
sua própria casa, ela
distribui lanches
gratuitos e retalhos de
frango à população
carente.
der comunitária. Os produtos em breve passarão a ser vendidos em uma
banca de artesanato, no centro da
cidade. A renda será revertida para
as próprias artesãs.
Além de alimentos, ela consegue vagas em creches, escolas (inclusive especiais, quando é o caso),
clínicas de recuperação para dependentes químicos, velório para famílias pobres, etc. O asfalto e o meiofio da rua onde mora foi conseguido
através de seu trabalho, juntamente com a comunidade. “Quase todos
os vereadores da Câmara Municipal
conhecem meu trabalho. Alguns já
me ofereceram ajuda em troca de
apoio nas eleições. Mas nunca aceitei, pois temo perder
a autonomia no modo como
desenvolvo meu trabalho
que é em equipe, ou que
usem ele em benefício de
terceiros”, explica.
Niuza não possui nenhum tipo de vínculo
político.
Pa r a f a c i l i t a r a
vinda de ajuda, Niuza está
montando, com a ajuda de
uma contadora voluntária,
uma associação de deverá
ser de utilidade pública.
Com isso, além da isenção
de impostos, ficará mais
fácil conseguir um barracão para melhorar o atendimento e angariar doações. Em compensação,
não deverá obter lucro.
Esporadicamente, ela
recebe ajuda do deputado estadual Luis Carlos Martins, que
doa cadeiras de rodas, do deputado federal Gustavo Fruet, e
da primeira-dama de Curitiba,
Fernanda Richa. Por meio de ofícios
encaminhados à FAS, Fundação de
Ação Social, da Prefeitura, já foram
conseguidos, desde a gestão do novo
prefeito, doações de alimentos, roupas e materiais para artesanato. “A
primeira dama tem me dado apoio
sem nunca pedir nada em troca”,
afirma.
A líder comunitária mostra vocação para a política. Muitos lhe perguntam porque ela ainda não saiu
candidata. “Mas meu lugar é no meio
do povo, amo o que faço, faço por amor
e mais nada. Ser vereadora significaria um distanciamento de quem realmente precisa. Eu quero sempre estar
em meio aos pobres”, diz. O que não
deixa de ser um belo discurso político.
SERVIÇO:
ASSOCIAÇÃO COMUNITÁRIA DAS
MULHERES DO BAIRRO ALTO
RUA RIO AMAZONAS, 391, PRÓXIMO À
PONTE QUE FAZ A DIVISA COM O MUNICÍPIO DE
PINHAIS, NO TARUMÃ. TEL.: 238-5498.
4
E
Curitiba, maio de 2005
S P E C I A L
Capital da Notícia
Transporte coletivo perde qualidade
Atrasos e ônibus lotados mostram que serão necessários investimentos no sistema
Freddy Pinheiro
Frederico Pinheiro
Um fato esta sendo observado
em toda a cidade nas estações tubo:
fiscais do transporte coletivo no desvio de função. Constantemente é possível verificar que eles não portam pranchetas ou blocos de anotações para registrarem irregularidade no sistema.
Mas, coincidência ou não, os fiscais estão nas estações próximas às escolas e colégios no horário de saída dos
alunos. No tubo Detran, entre as 22 e
23 horas, constatou-se a presença de
três fiscais que observavam todo o embaraço da superlotação
de passageiros no tubo
e das enormes filas nas
calçadas.
Segundo declarações dos usuários da
linha Inter II, que em
suas paradas inclui a
estação Detran, ônibus lotados e atrasos
são freqüentes. Para
Tarcísio Pereira, 25
anos, que é metalúrgico, esse problema atinge diretamente os trabalhadores. “Sou obrigado a sair cinco minutos antes da empresa em que trabalho devido aos
atrasos dos ônibus”, diz. Assim como
ele, seus colegas, dependem diariamente do Inter II. Para trabalharem,
devem negociar seus horários com os
patrões, o pior é quando o coletivo
atrasa por mais tempo, caso relatado
pelo passageiro Mário Santos de 47
anos, Operador de Maquinas, ele conta que certa vez o Inter II atrasou 30
minutos, mas o atraso é em média
de 15 minutos. Ele declara que já
precisou ir a pé por ter perdido o
último alimentador do Piratini (ônibus que serve a região do
Pinheirinho). Outro usuário do transporte público não satisfeito é o do
fotógrafo Nei Henrique Birk, 33 anos,
que não esconde a indignação de
constatar atrasos de até 35 minutos
do Linha Direta Interbairros II, “até 15
minutos é aceitável, porém teve um
dia que a espera foi de 35, algo inaceitável”.
Pedro Gil, 37 anos, fiscal do
transporte coletivo a mais de 12
anos e dirigente do
Sindiurbano, sindicato que defende a
categoria, afirma
que talvez o problema atenuasse se
não fosse o desvio
de função, “Apresentamos, em abril
do ano passado,
uma denuncia no
Ministério Público
estadual para tentar
resolvermos isso”.
Segundo a Assessoria de Imprensa da Prefeitura Municipal, responsável pelo transporte coletivo
de Curitiba administrada pela Urbs,
uma das responsabilidades dos fiscais do transporte coletivo é de
inibir as invasões no sistema do
transporte coletivo e orientar
quanto ao pagamento da tarifa;
acionando órgãos de Segurança Pública (Guarda Municipal ou Polícia
Militar do Paraná).
“sou obrigado a
sair cinco
minutos antes (...)
devido aos atrasos
dos ônibus”
Usuários na fila esperam ônibus; espaço fisico na estação mostra-se insuficiente
Um dia na vida de um trabalhador e estudante
Freddy Pinheiro
Frederico Pinheiro
Retornar da faculdade até o
bairro onde moro não é fácil , vai ser
um grande percurso de embarque e
desembarque ,paradas
em várias estações tubo
e terminais.O trajeto da
universidade até a estação tubo Detran , localiz a d a n a Av. Vi c t o r
Ferreira do Amaral, dura
em média dez minutos a
pé. Mas o meu destino
será o bairro Osternack,
onde resido.
Já na estação, grandes filas se
formam do lado de fora ,são passageiros que tentam chegar à roleta
para pagar a passagem e entrar no tubo.
O ônibus Inter II está no ponto,porém,
é impossível entrar nesse coletivo.
Por isso tenho que esperar o próximo
que demora l5 minutos. Espero mais
sete minutos e entro no biarticulado
que vai me levar até o terminal do
Boqueirão. Desembarco lá as 23:52
hs. Em passos apressados, consigo
embarcar no terceiro coletivo, mas desta vez levo sorte, porque o motorista espera alguns minutos. Sem opção, vou
novamente em pé.
Parece existir uma
espécie de monopólio no transporte coletivo.
O cobrador e o
motorista ficam bem
atentos, pois a linha é alvo de assaltantes, fora alguns passageiros
alcoolizados que incomodam durante o trajeto .Desço no ponto perto
da minha casa, olho no relógio já são
00:13 minutos de um novo dia , mais
quatro minutos e finalmente estou
em minha residência.
“Parece existir
uma espécie de
monopólio no
transporte
coletivo”
Fiscais em desvio de função tentam combater invasões
E
Capital da Notícia
S P E C I A L
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Curitiba, maio de 2005
Faculdade presta serviços sociais
Estudantes de Direito são responsáveis por auxílios jurídicos à população carente
Kleyton Presidente
Os trabalhos sociais desenvolvidos pelas instituições de ensino superior atualmente são fundamentais para
sanar dificuldades enfrentadas pela população menos favorecidas de Curitiba.
O desgaste na infra-estrutura governamental, e os poucos recursos disponíveis entre as parcelas menos abastadas
da sociedade, fazem
com que muitas pessoas procurarem auxílio nesses centros
universitários.
Segundo a Assistente Social, Carolina Senegaglia, do
Núcleo de Práticas
Jurídicas (NPJ), das
Faculdades Integradas do Brasil, o trabalho social é essencial para atender a
população desprovida de ajuda do Estado. “O Serviço Social tem como atribuição a responsabilidade e o compromisso pelo acolhimento das demandas do
público que visa usufruir os serviços sociais prestados”, explica.
A Faculdades Integradas do Brasil, localizada no Bairro Tarumã, em
Curitiba, é uma dessas instituições que
beneficiam a população, oferecendo
atendimento, orientação e acompanhamento jurídico às questões relacionadas
à área cívil (família, sucessões, contratos, entre outros), trabalhista e
previdenciária.
A aposentada Olga Salazar, 72
anos, procurou assistência jurídica para
elaborar seu inventário, e diz que o trabalho sem fim lucrativo, oferecido pela
faculdade é uma iniciativa interessante, e deveria ser estendida a todas as
faculdades da cidade. “É importante
esse trabalho gratuito, pois sem ele
muitas pessoas estariam prejudicadas”,
argumenta.
Os serviços são gratuitos, e contam com a participação de professores,
alunos e advogados. Podem se benefici-
Kleyton Presidente
ar pessoas em que a situação econômica não permita pagar os custos do processo ou os horários do advogado, sem
prejuízo do sustento próprio ou da família.
Para os alunos de Direito, o trabalho social é uma grande oportunidade para cumprir a carga horária exigida
na conclusão do
curso, além de
exercitar a cidadania e a responsabilidade
social.. A estudante Mariana F.
Cavalhieri, 21
anos, fala que
os casos mais
freqüentes dizem respeito a entraves
familiares que afetam diretamente a
vida financeira da família. “Grande
parte das pessoas que nos procuram
desejam se livrar de problemas que estão ligados diretamente à economia familiar”, explica.
Envolvido com trabalhos culturais, em diversos municípios do Paraná,
Miguel Ângelo Pacheco, 43 anos, diz que
mais do que prestar serviços à comunidade, o trabalho social deve ser considerado uma obrigação, pois segundo
ele, as universidades foram criadas justamente para atender as parcelas mais
pobres da população. “A primeira faculdade foi desenvolvida na Europa, na
Idade Média, e tinha por objetivo desenvolver trabalhos que melhorassem
a vida da população daquele lugar”,
esclarece.
O atendimento no Núcleo de Práticas Jurídicas da UniBrasil, é feito primeiro pelo Serviço Social, para a realização de entrevista preliminar e, posteriormente, é encaminhado para o
atendimento jurídico junto aos acadêmicos do curso de Direito da faculdade, os quais são orientados e supervisionados por professores e advogados.
“ É importante esse
trabalho gratuito, pois
sem ele muitas pessoas
estariam prejudicadas”
Advogada e aluno prestam consulta a usuário no Núcleo de Práticas Jurídicas da Uni Brasil
Informática
Na parte da tarde, a UniBrasil
proporciona a população acesso aos laboratórios de informática, visando integrar digitalmente, a população menos
favorecida da região. Segundo o estagiário responsável pelos laboratórios de
informática. As pessoas que normalmente freqüentam estes espaços são adolescentes em busca de entretenimento.
“Os sites mais acessados são os de jogos, acompanhados pelos provedores de
e-mails”, diz.
Para os adolescentes é uma grande oportunidade de se familiarizar com
o mundo digital, e através dessa aproximação surgem responsabilidades. Aline Cristina Dias, 14 anos, diz que sempre que quando pode usufrui dos computadores da instituição para desenvolKleyton Presidente
ver suas atividades escolares. “Quando
tenho trabalhos da escola e disponho de
tempo livre venho até aqui para fazelos. Com a internet as pesquisas tornamse mais fáceis” explica.
Com a enorme exclusão digital
dos dias atuais, os projetos sociais que
tem por objetivos a alfabetizar digital
mente, tornam-se cada vez mais relevantes. A importância social das instituições de ensino superior para sanar
tal situação é uma realidade aceitável,
tendo em vista que os trabalhos realizados pelos órgãos públicos deixam a
desejar. Segundo Mariana Rodrigues
Feitosa, 15 anos, a oportunidade oferecida por essas instituições privadas é
importante não só para vida escolar,
mas também para a futura vida profissional. “Estando em contato agora com
o computador, no futuro provavelmente
será mais fácil entrar no mercado de
trabalho”.
SERVIÇO:
NÚCLEO DE PRÁTICAS JURÍDICAS DA
UNIBRASIL
HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO: DAS 8 ÀS
12 HORAS
DE SEGUNDA A SABÁDO. DAS 14 ÀS 18
HORAS DE SEGUNDA A SEXTA-FEIRA (TERÇA, QUARTA E QUINTA ATÉ AS 20 HORAS)
LABORÁTÓRIOS DE INFORMÁTICA. HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO: DE SEGUNTA A
SEXTA-FEIRA DAS 12 ÀS 18 HORAS. (LABORATÓRIOS MONITORADOS POR ESTAGIÁRIOS)
FACULDADES INTEGRADAS DO BRASIL
RUA: KONRAD ADENAUER, 442 TARUMÃ
CEP - 82820-540 CURITIBA-PR
TELEFONE: 55 (41) 361-4200
Adolescentes no laboratório de informática além da familiarização com o mundo digital também responsabilidade escolar
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Curitiba, maio de 2005
V
Capital da Notícia
A R I E D A D E S
Estresse causa problemas de saúde
Problemas de ordem emocional afetam 90% da população
Jaqueline T. Mendes
Jaqueline Mendes
Grande parte da população que dá
entrada em hospitais ou em postos de
saúde com sintomas que não são facilmente diagnosticados voltam para suas
residências sem uma solução para o problema. A maior parte desses casos está
relacionada ao estresse. O Médico do
Posto de Saúde do Capão da Imbuia,
Carlos Alberto da Silva, 32, afirma que,
pelo fato do cidadão estar grande parte
do dia preocupado com a vida emocional, profissional e familiar, faz com que
o corpo libere uma descarga excessiva
de adrenalina na circulação sangüínea
do indivíduo, provocando uma alteração
no seu comportamento. Segundo Silva,
muitas pessoas deixam de buscar a ajuda de profissionais sem sequer dar a importância devida ao assunto. “No diaa-dia, muitos profissionais de várias
áreas estão na busca de uma saída para
esse problema. Apesar do número de interessados pelo assunto ainda ser considerado insignificante, pode-se pensar que estas pessoas ainda farão a diferença”, diz Silva. Os mé-dicos que
estão habilitados a tratar desses casos
acreditam que já é um começo de
conscientização.
A funcionária pública Norli do
Rocio Vieira, 52, relata que trabalha há
vinte anos no mesmo setor e que um
dos seus maiores dramas é o estresse
que o seu trabalho provoca. Conta que,
apesar de gostar do que faz, não consegue controlar a ansiedade que sente
por conta das metas que precisa cumprir ao longo do dia. “Por mais que eu
tente não consigo deixar o meu trabalho só porque senti um mal estar causado pela ansiedade e pelo meu ritmo
de vida”, afirma.
Excesso de trabalho causa tensão emocional
A estudante de Direito, Ana Paula
Junqueira, 26, estágiária do Detran,
declara que trabalha pela manhã e estuda à noite e que, apesar da vida agitada, sente se bem em pensar que estaria mais estressada se não tivesse sequer um estágio para poder ajudar seus
pais a pagar sua faculdade. “Tenho dois
irmãos e meus pais têm que sustentar a
casa e o nosso estudo. Não posso pensar em ficar parada, já fico nervosa, talvez essa seja a maior causa das minhas
ansiedades”, diz Paula demonstrando
sua indignação. A psicóloga Marisa dos
Santos afirma que aproximadamente
90% da população incluindo as crianças
está afetada pelo estresse. Os adultos,
por estarem o tempo todo em busca de
sobrevivência como, por exemplo, se
manter no emprego, são os mais atingidos pela doença. Segundo Marisa,
os órgãos públicos estão começando a
fazer um levantamento dos casos mais
sérios de estresse. A intenção é divulgar um boletim para mostrar os sintomas e dar uma sugestão de tratamento
sem que seja necessária a utilização de
medicamentos.
Medidas de prevenção
O excesso de tarefas, as dificuldades financeiras e a preocupação de
se manter no mercado de trabalho são
fatores essenciais para que as pessoas
sintam uma carga emocional alta e acabem sofrendo de algum mal. Muitas
pessoas estão buscando nas academias
uma saída para as dores musculares causadas pela tensão emocional. Quem não
tem a possibilidade de freqüentar esses
locais pode praticar caminhadas, sugestões feitas pelos médicos. Ilka Machado
Galli, 63, artista plástica, faz exercício
numa academia próxima de sua casa,
há um ano. “Comecei com sérios problemas de saúde. Tinha insônia, palpitações e uma irritação incontrolável;
depois que iniciei os exercícios me sinto bem melhor”. Ilka disse ainda que
teve que mudar completamente seu comportamento. “O médico mandou que fizesse uma dieta alimentar rigorosa,
exercício e acima de tudo controle psicológico, só assim poderia evitar outro
incidente como o que tinha sofrido; foi
o que fiz e estou bem melhor de saúde”, declara.
Os freqüentadores de academias de ginástica são pessoas de todas
as idades. Pela parte da manhã, 30%
dos freqüentadores são idosos que
buscam uma melhor qualidade de
vida. Nos 60% restantes estão incluídos adolescentes e adultos que, apesar de fazerem exercícios para manter a forma física, demonstram uma
séria preocupação com uma melhor
qualidade de vida. O estresse causa
ansiedade, falta de ar, palpitação,
insônia, sensação de cansaço ao acordar e fadiga. Quando está num estágio mais avançado pode causar sérias complicações de saúde, como
enfarto, depressão, arritmias e também sintomas que são impossíveis de
serem diagnosticados pelos médicos.
São sintomas que se manifestam repentinamente e da mesma maneira
desaparecem. Os médicos aconselham
que se o paciente tem esses sintomas
busque ajuda o quanto antes, porque
a tendência desse problema é se agravar e causar sérios problemas.
Árvore deu nome ao Bairro Tarumã
Texto e foto: Rosedete Moscaleski
O bairro Tarumã ganhou esse nome devido a grande quantidade de árvores conhecidas
como “tarumãs” existentes na região. Em 1950,
a localização onde hoje fica o bairro Tarumã, caracterizava-se pela existência de extensos campos e banhados.
A partir da instalação, nas suas imediações, do Jockey Club do Paraná, a região começou a se desenvolver. Esse foi também o fator
decisivo para o aumento da população que acabou se instalando em ambos os lados da BR-116,
próximo das indústrias e empresas de prestação
de serviços.
Sua área total é de 4.167.000 metros quadrados, representando 0,96% da área total do
município de Curitiba, ou seja, uma ocupação de
menos de 1% de toda a capital. O bairro fica a
4,8 quilômetros do marco zero da cidade.
É na ponte da Avenida Victor Ferreira do
Amaral, sobre o rio Atuba que se inicia o bairro
Tarumã. Segue o rio até a estrada de ferro
Curitiba-Paranaguá, limitando-se à marginal da
BR-116, rua Agamenon Magalhães, divisa com o
Estádio Pinheirão, rua Armando Prince e termina
na Victor Ferreira do Amaral.
Segundo à Prefeitura de Curitiba, e de acordo com os dados da estimativa do Censo do IBGE
(Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) viviam em 2004, no bairro Tarumã, um
total de 7.44 pessoas, o que correspondia a 0,44%
da população total do Município. Daquele total,
3396 eram homens (48,20%) e 3649 mulheres
(51,80%).
O número de domicílios levantado, data
do ano 2000, somando 2.147 unidades. Em 1998
havia somente dois conjuntos habitacionais,
construídos por intermédio do antigo Inocoop. A
taxa de crescimento populacional anual entre
1996 a 2000 girava em torno de 0,75%.
Em contrapartida ao baixo número de
moradores, o Tarumã, entretanto, é um dos bairros de Curitiba que mais possui espaço livre com
área verde. Foram contabilizadas no ano 2000
um total de 103.222,03 metros quadrados de área
verde, o que dá uma fração de 15,10 m2 por
habitante.
O Tarumã tinha em 2004 apenas uma escola municipal e em 2003 possuía três estabelecimentos de ensino estadual. Há ainda um Instituto de Ensino Superior, que funciona a partir de
2004. Também uma creche municipal e um Pia
Ambiental, com um anexo construído em 2004.
O bairro possui alguns destaques: entre
eles o Colégio Militar de Curitiba, o Ginásio de
Esportes Almir de Almeida, o Hipódromo de
Curitiba, o Estádio do Pinheirão e a Escola Madre
Antônia, que em 2002 deixou de ser municipal e
passou para a esfera estadual.
V
Capital da Notícia
7
Curitiba, maio de 2005
A R I E D A D E S
Diz-me como jogas e te direi quem és
Lan Houses chegam a bairros de Curitiba e conquistam os jovens
Leda Garzuze
“Informática ao alcance de todos” ou quase. Essa
é a promessa de uma nova modalidade de serviço que,
agora, começa a se estender nos bairros e na região
metropolitana. São casas de jogos e acesso à Internet
as chamadas: “LAN House”.
O conceito dessas casas vem da Coréia que em
1996 foi o primeiro país a montar esse tipo de serviço. No Brasil a onda das lan house começou em 1998 e
está se expandindo nas grandes cidades. Em Curitiba,
já começou o movimento de expansão até os bairros.
Exemplo disso é que só no bairro Cajuru há oficialmente 4 lan houses.
Funcionando de segunda à segunda, com preços
que variam de R$2,00 a R$ 2,50 a hora, a Delta Force
é uma lan house inaugurada há cerca de nove meses e
já atende uma clientela variada. Em horários de pico Leda Garzuze
Jogos eletrônicos são uma opção a mais de diversão
geralmente às sextas durante a tarde e
no sábado, chega haver fila de espera
para usar um dos dez micro computadores da casa.
Inicialmente, as lan house eram
consideradas uma evolução das casas de
jogos de vídeo game, já que proporcionam jogos de combate, estratégia e
guerra via computador. O diferencial era
a possibilidade de jogar equipe contra
equipe. Na mesma onda vieram os cyber
cafés, espaços geralmente conjugados
com outra atividade comercial em que
os usuários podem usar outras funções
do computador, não só os jogos.
Nos bairros, entretanto, as lan
house funcionam com as duas idéias
misturadas. Engana-se quem pensa que
só vai encontrar adolescentes silenciosos com olhar fixo na tela, jogando horas sem parar. O ambiente é bem mais
variado que isso, há ao mesmo tempo
pessoas abrindo sua primeira conta de
endereço eletrônico (e-mail) ou imprimindo currículo profissional. E os adolescentes são mais ruidosos do que o
esperado...
Isso não quer dizer que a inclusão digital já chegou com força total nos
bairros. “Já veio gente aqui pedindo
manutenção de computador ou perguntando se vendemos peças” afirma Allan
Giardi proprietário da Delta Force. “Talvez pra frente a gente diversifique o
negócio, por enquanto só como lan house
mesmo”.
É difícil determinar o motivo do
sucesso desse tipo de serviço nos bairros, não é só pelo acesso à Internet.
Há nos faróis do saber acesso gratuito, desde que marcado antecipadamen-
Leda Garzuze
Computadores também são usados para estudos
te, e livrarias ou digitadores também fazem o serviço de impressão
de currículos.
Para alguns este espaço no bairro representa uma opção de
lazer. Thiago da Silva Coelho (o Tigrão como é conhecido) exemplifica
isso. Passa em média 3 horas por dia na lan house jogando “CS”,
“Move” ou “DD”, além de checar seu e-mail e, às vezes usar o batepapo virtual (messenger) mesmo tendo computador em casa. “O
legal é a bagunça com os amigos e não dá pra jogar em equipe em
casa”, justifica Thiago. Ele também não utiliza mais o farol do saber: “Usei mais na época do colégio pra fazer pesquisa, trabalhos,
agora como já terminei os estudos, não uso mais”. Como ele, outros jovens vêem na lan house uma opção a mais de entretenimento
e convívio com os amigos.
SERVIÇO
DELTA FORCE: RUA LUIZ
1.460 - CAJURU
FUNCIONA DAS 9 ÀS 22 H
FRANÇA,
Pa r a
saber
mais
ADRENALINA:
RUA DOS FERROVIÁRIOS - VILA VFICINAS - CAJURU
FUNCIONA DIARIAMENTE DAS 9 ÀS 22 H
Lan House - “Lan” quer dizer rede local de computadores e “House” casa. Portanto, a tradução é
algo como: casa/loja de rede de computadores.
Cyber Café - É um local que agrega acesso à internet
em conjunto com algum outro tipo de serviço. Na
maioria das vezes, uma cafeteria, livraria ou sebo.
Mercados da região leste não vendem roupas
Klaus Junginger
Esqueça as escadas rolantes, os
preços exorbitantes, as vitrines sedutoras e todo o luxo ostentado pelos
shopping centers. O negócio agora é comprar roupa nos supermercados. Mas só
se você não morar em um dos quatro
bairros da zona leste de Curitiba (Tarumã,
Capão da Imbuia, Bairro Alto e Cajuru).
Os repórteres do Capital da Notícia foram visitar supermercados destes
bairros e descobriram que neles não há
roupas para comprar. Administrador da
filial do Tarumã dos mercados Benato,
Eliseu Teixeira, de 44 anos, diz que não
vende roupas em seu mercado por falta
de espaço e que o assunto ainda não foi
estudado pela gerência das lojas.
Abel Cilla, proprietário da rede de
supermercados Cilla, no Bairro Alto, diz
ainda não ter se acostumado com a idéia
de um supermercado comercialzar produtos de confecções, e que tem pouca
noção da margem de lucro praticada
nesse tipo de produto. "Eu sei que estou deixando de faturar, mas o nosso
negócio é tradicional", comenta.
Já Odete Lara, empregada doméstica, 44, reclama dessa resistência
dos donos das lojas. "Facilita muito a
Klaus Junginger
vida da gente que vai para o mercado e
já resolve tudo de uma vez", diz Odete
com cara de desânimo. É certo que, se
vender roupas em supermercados fosse
uma mau negócio, as grandes redes jamais teriam começado a fazê-lo. Como
não dependem exclusivamente da venda de calças, camisas e roupa íntima
para sobreviver, os mercados podem
praticar preços que fazem os olhos do
consumidor brilhar e pensar duas vezes
antes de ir comprar em uma loja no centro da cidade.
Infelizmente, porém, os moradores dos bairros que compõem a zona leste da capital dos curitibanos terão de
esperar que os proprietários de supermercados acordem para esta realidade.
SUPERMERCADOS QUE VENDEM ROUPAS
MAIS PRÓXIMOS DA ZONA LESTE:
EXTRA HIPERMERCADOS
TEL (41) 360-1400 - AV MAL HUMBERTO DE
ALENCAR CASTELO BRANCO, 230 ALTO DA XV
CARREFOUR PINHAIS
TEL: (41) 669-6464 - RODOVIA DEP. JOÃO
LEOPOLDO JACOMEL, 3939, EM PINHAIS
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Curitiba, maio de 2005
E SPORTE & L AZER
Capital da Notícia
Alternativa de lazer para terceira idade
Bingos da Comunidade São Benedito reúne idosos do Capão da Imbuia
Miguel Gilberto Stupka
Miguel Stupka
O salão estava vazio, apenas algumas pessoas esperavam pelo início
do encontro. Em poucos minutos, as mesas foram arrumadas e o público começou a aumentar. Alegres, dispostos e
cheios de vida, os membros da terceira
idade que se reúnem semanalmente no
salão paroquial da comunidade São Benedito, no bairro Capão da Imbuia, têm
nas tardes de quarta-feira a oportunidade para se descontrair, assistir palestras, brincar e conversar.
Para Edy Maria da Silva, de 78
anos, os encontros são uma ótima oportunidade para passar o tempo. “Gosto
de sair, isso me distrai”, afirma. Ela
perdeu o marido atropelado por um
motoqueiro, 7 meses antes de comemorarem as bodas de ouro. Para não se
sentir só, recorre aos encontros para
passar o tempo, apesar da dificuldade
de locomoção. “A gente faz um esforço
e vem”, conclui.
Para o coordenador do grupo da
terceira idade do bairro, Iran Albuquerque, esse tipo de trabalho é importante
para inserir o idoso na comunidade.
“Eles não podem ter uma vida sedentária, senão perdem a auto-estima”, diz
ao lembrar que eles gostam de se reunir
para jogar conversa fora e se divertir.
Erasmina Bibian dos Santos, de
64 anos, diz que participa dos encontros há dois anos e não perde nenhum.
Gosta de rever as amigas, jogar bingo
e fazer o trabalho de artesanato que é
vendido na feirinha, sempre realizada
nos encontros. Para ela, participar da
reunião é uma forma de esquecer os problemas, além de poder levar algum prêmio para casa, dependendo da sorte.
A maior parte dos participantes é
Concentrados nas cartelas, os participantes acompanham cada pedra sorteada
de mulheres. Dos 46 participantes no
dia 27 de abril, por exemplo, apenas
dois eram homens. “O homem é muito
machista, só se tiver baile ele vem”,
diz Marise Albuquerque, também coordenadora dos encontros no local.
Outra idéia aprovada pelos idosos é a cobrança de uma mensalidade
de três reais, que aliada aos valores arrecadados em bingos, lanches e da venda dos artesanatos, dá a oportunidade
de viajarem, conhecerem novos lugares, se divertirem com os passeios.
Tirando o idoso de casa, a propensão para que ele adoeça é bem menor, segundo Rosa Imai, que é dentista
da Unidade de Saúde do bairro e profere palestras nas reuniões. Em outros
tempos, estes idosos vinham à unidade
de saúde apenas para buscar remédios,
hoje quase nem aparecem.
Num dos encontros realizado os
freqüentadores tiveram a oportunidade
de tomar a vacina contra a gripe. Dessa
forma, eles não precisam se deslocar até
a Unidade de Saúde para se vacinarem.
História
Os encontros de idosos oferecem a
seus participantes a ocupação do
tempo livre através de diversas atividades de lazer como por exemplo
cultura, intelecto, físico, manual e
artístico. No Brasil, esse serviço foi
implantado pioneiramente na cidade
de São Paulo, nos anos 60, pelo SESC,
e expandiu-se rapidamente para o
demais estados, nos anos seguintes.
Time do Bairro Alto empolga a torcida
Maurício Kern
Maurício Kern
Um time renovado, este é o novo
plantel do Clube Atlético Bairro Alto
(CABA ), na disputa do campeonato da
suburbana de 2005. Jogadores que atuam por amor a camisa, este é o lema do
grupo para chegar ao sucesso e às vitórias ao longo da competição.
A equipe conta com jogadores experientes com passagens em times profissionais, sendo eles China, Cultural, Adriano
e Bá. Um dos destaques é o jogador João
Fagundes, mais conhecido por China, que
iniciou sua carreira no Coritiba, e teve passagens pelo Malutron, Fortaleza e Vila Real,
em Portugal. ele já recebeu proposta para
trabalhar nos Estados Unidos, comandando uma escolinha de futebol, mas ainda
está
estudando
a
proposta.
Outro nome forte é o atleta Mário Reis. Ele trabalha em uma distribuidora de frutas, e aos sábados é o
lateral direito do time. Iniciou a carreira no Atlético Paranaense. Um dos
jogadores mais novos é Jorge Morona,
21 anos, estudante do ensino médio.
Ele pretende cursar uma faculdade no
futuro, mas o que ele sabe fazer é
Jogadores do CABA acreditam na conquista do título em 2005
marcar gols e empolgar a torcida. O
jovem técnico do CABA, Rosinaldo Soares, 35 anos, tem a em sua primeira
experiência no comando técnico de uma
equipe amadora. Ele aposta na garra e
na união do grupo para superar todos os
desafios ao longo da competição.Ele
possui uma grande largada como treinador, foi campeão invicto dirigindo uma
equipe no município de Colombo, e após
a conquista, recebeu o convite para comandar o time do Bairro Alto nesta temporada. “Minha principal filosofia é buscar para o time jogadores moradores da
região do Bairro Alto”, diz empolgado.
A transmissão dos jogos da suburbana é realizada pelo Jornalismo
daTV Educativa, e aos domingos à noite
o programa Gol de Ouro faz uma retrospectiva de todos os jogos amadores.
Também há a cobertura das rádios Banda B, Capital e Eldorado, que informam
os resultados dos jogos, além do jornal
Tribuna do Paraná, onde é divulgada a
situação de cada time no campeonato.
O atual presidente, Acir
Novalkowski, faz um apelo para que os
torcedores compareçam em grande número nos jogos do CABA, no estádio
Pedro Almeida. “A suburbana envolve o
torcedor e traz o comprometimento de
grandes atletas, no intuito de demonstrar suas habilidades em prol do futebol
amador”, afirma Novalkowski. Parece
que um futuro promissor acena.
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18 - Curso de Jornalismo do UniBrasil