Título: Soja Convencional x Transgênica
Veiculo: Ambiente Brasil / Online
Seção: BIOTECNOLOGIA
Página: Online
Data: 11/04/2012
Valor: RS 0,00
Soja Convencional x Transgênica
Ambiente Brasil - PR - BIOTECNOLOGIA - 11/04/2012
A soja tem a sua origem na Ásia, especificamente na China. É uma planta autógama e apresenta os dois órgãos reprodutores (autofecundação). Por causa dessa definição, a probabilidade de o meio ambiente interferir nos cruzamentos entre as plantas são mínimas (2%), de acordo com os geneticistas.
A soja tem a sua origem na Ásia, especificamente na China. É uma planta
autógama e apresenta os dois órgãos reprodutores (autofecundação). Por
causa dessa definição, a probabilidade de o meio ambiente interferir nos
cruzamentos entre as plantas são mínimas (2%), de acordo com os
geneticistas. Levando em consideração o total da área plantada com soja
no mundo (74 milhões de hectares), e na hipótese de que toda essa área
poderá ser plantada com a soja transgênica, as chances de ocorrerem
cruzamentos entre plantas são significativas. Assim sendo, os riscos
também são potencializados para os casos de cruzamentos entre a soja
convencional e a transgênica, principalmente dentro de uma mesma
propriedade. Esse fato pode contaminar o material genético convencional.
No caso da China, se isso vier acontecer, os danos poderão ser
irreparáveis. Naquele país é que são encontradas as plantas nativas de
soja.
É importante ressaltar que, no caso dos produtores brasileiros, a atual
situação da disponibilidade financeira para o plantio da soja vai se
tornando a cada ano mais escassa e com muitas exigências a serem
cumpridas pelo produtor junto às instituições financeiras; essa realidade
leva a que eles busquem alternativas de crédito que viabilizem a sua
atividade. Esse espaço está sendo ocupado pelas empresas multinacionais
do setor agrícola.
Para atender às suas necessidades de financiamento, os produtores, na
maioria das vezes, assinam contratos com todos os riscos, que podem até
abranger a penhora da terra. A parte mais frágil é a do produtor; por falta
de infra-estrutura (silos próprios), ele quase sempre vende a soja logo
após a colheita, sem levar em conta se o período é, ou não, o mais
recomendado financeiramente. Por isso, os sojicultores vêm se tornando
m a i s u m i n s t r u m e n t o d e m ã o-de-o b r a d a s g r a n d e s e m p r e s a s
multinacionais, do que empresários do segmento da soja.
Esse resultado é fruto do quadro que vivenciamos, em que as “trades” da
soja estão também concentrando a comercialização de fertilizantes.
Do outro lado da ponta estão as multinacionais de defensivos, que
também concentram a comercialização das sementes. No meio desse
modelo, o produtor - com a sua fazenda e equipamentos - se encontra
numa situação anômala vendo a sua capacidade de decidir o que plantar
cada vez mais limitada. Com a liberação dos transgênicos, essa situação
tende a se agravar.
Atualmente não existe, no mundo, plantio comercial de soja transgênica
híbrida. Entretanto, a Monsanto já tem o produto estéril na prateleira. Só
falta, estrategicamente, convencer os produtores brasileiros de soja
convencional a utilizarem a tecnologia da soja geneticamente modificada e
caracterizar o País como produtor de transgênicos. Com isso, tem-s e a
garantia sobre o controle do comércio mundial de sementes e defensivos
(herbicidas) de soja. Quando a Monsanto atingir esse objetivo (Brasiltransgênico), após um prazo máximo de 2 anos, o produto híbrido deverá
estar disponível no mercado.
A produtividade de milho, no Brasil, não avançou, nos últimos 10 anos,
nas mesmas proporções do que a da soja, exatamente por causa dessa
amarra tecnológica (híbridos), em que um saco de semente de milho
híbrido (20 kg, equivalentes a 60 mil sementes) custa, em média, R$
157,00 no cultivo de um hectare; o mais importante dessa política é que
este tipo de material não pode ser utilizado pelos produtores na safra
seguinte por ser estéril. É muito provável que os gastos com o
desenvolvimento da tecnologia transgênica tenham sido superiores aos do
desenvolvimento das sementes híbridas convencionais de milho. Por isso,
é de se esperar que a taxa tecnológica a ser cobrada para a semente da
soja seja superior à do milho híbrido. Ressalte-se que aproximadamente
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seguinte por ser estéril. É muito provável que os gastos com o
desenvolvimento da tecnologia transgênica tenham sido superiores aos do
desenvolvimento das sementes híbridas convencionais de milho. Por isso,
é de se esperar que a taxa tecnológica a ser cobrada para a semente da
soja seja superior à do milho híbrido. Ressalte-se que aproximadamente
30% dos produtores de milho e soja cultivam grãos (seleção própria).
Esses serão os primeiros a serem excluídos da atividade, por causa de
uma tecnologia que só beneficia os donos da patente.
Esta tecnologia visa à dominação e ao lucro por parte das empresas
multinacionais (híbridos). No caso das sementes transgênicas nãohíbridas, os danos na renda dos produtores é um pouco menor, em relação
aos transgênicos-hibridos, uma vez que os produtores, no primeiro ano,
têm os mesmos custos com as sementes híbridas e variedades
(transgênicas), e a partir do segundo ano, eles poderão multiplicar suas
sementes apenas no caso das variedades-transgênicas, mas isso só
acontecerá se os agricultores pagarem uma taxa tecnológica de
reutilização (nos EUA, esse custo é de aproximadamente de US$
6,50/bushel).
ab
Essas despesas invariavelmente anulam qualquer ganho possível com a
redução de custos na aplicação de herbicidas na soja transgênica. Com a
semente transgênica, não deverá haver mais fuga na cobrança da taxa
tecnológica, por parte das empresas donas das patentes; como ocorre no
momento, com as variedades convencionais. Com um simples teste de
campo (borrifar Round-U p n a l a v o u r a ) , e m 2 4 h o r a s é p o s s í v e l ,
visualmente, detectar alterações na coloração das plantas entre a lavoura
transgênica e a convencional.
A Monsanto, até o momento, está sozinha na tecnologia da soja em
escala comercial de sementes modificadas geneticamente. O resultado
dessa estratégia visa ao domínio do mercado brasileiro de sementes e
herbicidas. Caso se libere o plantio da soja transgênica no País, poderá
r e d u z i r a z e r o a e v a s ã o d e r e c e i t a s d e “royalties”, por parte das
multinacionais.
Os produtores que cultivam a soja convencional com o sistema de
sementes próprias, pequenos na sua maioria; integram os grupos dos que
não têm escala comercial nem renda para o uso da tecnologia transgênica.
Eles se mantêm na atividade porque o principal insumo (semente) é
próprio. Além disso, as empresas donas das patentes não têm como
distinguir em tempo hábil, os nomes comerciais das variedades plantadas,
com vista à cobrança de “royalties”.
Com certeza, a tecnologia transgênica deverá acabar com essa classe de
sojicultores, principalmente no Rio Grande do Sul. É a ciência em defesa
da ampliação do mercado e dos lucros das empresas multinacionais na
agricultura, em detrimento da produção e da renda agrícola. Que fique
bem claro a CTNBio nunca analisou ou acompanhou pesquisas de campo,
até porque não é o seu papel, entretanto, analisou as referências
científicas da Monsanto sobre a soja transgênica, e com base nos dados
apresentados, aprovou o plantio no Brasil.
A disponibilidade de sementes de soja transgênica, utilizadas no plantio
em escala comercial, para qualquer parte do mundo, tem relação direta
com a Monsanto. O desenvolvimento desse tipo de pesquisa em outras
empresas, ainda não logrou êxito com a soja. Assim sendo, a Monsanto
não tem concorrente à sua altura, e a sua base de preços é um parâmetro
monopólico na tecnologia transgênica da soja. A grande dúvida desse
material refere-se à técnica da equivalência utilizada pela Monsanto, como
defesa sobre a qualidade e as propriedades do produto transgênico, em
relação ao convencional.
Em suma, a Monsanto usou, como tese, o artifício de que não haveria
necessidade de apresentação de estudos sobre impactos e qualidade do
material transgênico, uma vez que as propriedades organolépticas são
iguais (teores de proteínas, coeficientes de óleo e farelo etc.). Entretanto,
os resultados já publicados sobre as pesquisas científicas e sobre a
composição do grão transgênico, demonstram a necessidade de aprofundar
esses estudos, tendo em vista a constatação de 534 pares de genes, na
soja geneticamente modificada, que não são encontrados no grão
convencional, e que, até o momento, não há resposta sobre o fato de essa
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os resultados já publicados sobre as pesquisas científicas e sobre a
composição do grão transgênico, demonstram a necessidade de aprofundar
esses estudos, tendo em vista a constatação de 534 pares de genes, na
soja geneticamente modificada, que não são encontrados no grão
convencional, e que, até o momento, não há resposta sobre o fato de essa
alteração poder vir a causar algum benefício ou malefício de qualquer
natureza.
O processo utilizado pela Monsanto, de soja resistente ao Round-Up, foi a
transferência de genes do bacilo thurigiensis (unicelular) do reino dos
vegetais, e que tem resistência ao Round-Up para a soja convencional.
Entretanto, não se encontram na natureza cruzamentos desse tipo com a
soja.
Nos EUA, já estão no mercado três tipos de transgênicos de soja
resistente ao Round-Up, com três tipos de funções: contra ervas daninhas,
contra insetos, e a combinação das duas primeiras funções.
A soja inseticida tem a função de sintetizar, através da planta (soja),
propriedades capazes de eliminar insetos. O veneno que mata os insetos
é denominado inseticida (soja-inseticida). Vale ressaltar que todas as
literaturas que apresentam estudos sobre custos de produção de soja, no
Brasil ou nos EUA, revelam resultados que são amplamente favoráveis ao
Brasil. Isso significa que a soja convencional é mais competitiva
tecnologicamente, dentro da porteira da fazenda. Esse ganho é mais bem
observado com os resultados alcançados, pelo Brasil, no item referente à
produtividade.
C o m r e l a ç ã o à s q u e s t õ e s d e p a g a m e n t o s d e “prêmio” p e l a s o j a
convencional brasileira, esse fato está acontecendo desde o ano passado.
E s t u d o s t ê m d e m o n s t r a d o q u e , a o c o m p a r a r o s p r e ç o s F O B-PortoArgentina, durante todo o ano de 2001, com o produto FOB-Porto-Brasil,
houve um deságio do produto argentino, variável entre U$ 5,00 e U$
20,00/t em relação ao produto brasileiro, no comercio internacional (grão,
farelo e óleo). O ágio foi tanto maior, quanto menor foi a oferta da soja
brasileira, durante todo o ano de 2001. Enquanto o Brasil produzir a soja
convencional, o produto argentino concorre apenas com o produto
transgênico dos EUA.
Com o plantio da soja convencional o Brasil alcançou a melhor
produtividade do mundo (2.720 kg/ha), a um custo entre 30% e 50%
inferior ao da soja norte-americana. Qualquer discordância sobre essas
fontes é válida, desde que sejam apresentadas outras fontes diferentes
dos dados oficiais já conhecidos da Monsanto, e que tenham credibilidade,
sem ficar citando casos isolados de estudiosos (depoimentos) que não
têm nenhum conhecimento sobre soja (técnicas de cultivos, comércio,
custos, estatísticas etc.).
O melhor indicador sobre a importância que o mercado internacional tem
demonstrado, em relação aos produtos convencionais do Brasil, foi a
exportação brasileira de 6 milhões de toneladas de milho, na safra 2001.
Lembramos que o Brasil não tem nenhuma tradição na exportação de
milho, sendo que, às vezes, foi comprador no mercado internacional. Por
isso, mais importante que o “prêmio”, está sendo a preferência que o
mundo já demonstrou pelo produto brasileiro o que representa garantia de
emprego e renda para o sojicultor nacional.
Além do mais, existem os créditos sobre as exportações da soja
(complexo), tão fundamentais para o País. A soja (complexo = grão, farelo
e óleo) tem alcançado o melhor resultado nas exportações brasileiras,
entre todos os produtos. Alguns segmentos pertencentes à agricultura e a
outros setores da economia estão a favor dos transgênicos, por mera
questão de opinião, sem argumentação fundamentada, diferente da
posição da Monsanto. Esses grupos querem trocar essa posição,
amplamente favorável ao Brasil, por algo (transgênico) que ainda carece
de estudos.
Em suma, o País não perde tecnologicamente, tendo em vista que as
pesquisas no Brasil nessa área continuarão avançando; o que não deveria
avançar é somente a produção em escala comercial. Enquanto restem
dúvidas sem respostas, aliado ao prosseguimento da preferência mundial
pelo produto nacional e aos ganhos de renda apresentados nos últimos
anos, não é possível justificar essa troca de posição, de produto
convencional para os transgênicos, nas lavouras do Brasil.
Os resultados práticos da biotecnologia da soja não alcançaram as metas
previstas pelos donos da patente (Monsanto) sobre custos e
produtividade, como mostram as propagandas, tendo em vista que as
diversas comparações sobre cultivo e manejo da soja, entre os produtores
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Os resultados práticos da biotecnologia da soja não alcançaram as metas
previstas pelos donos da patente (Monsanto) sobre custos e
produtividade, como mostram as propagandas, tendo em vista que as
diversas comparações sobre cultivo e manejo da soja, entre os produtores
brasileiros e os estadunidenses, são totalmente favoráveis ao Brasil.
Alguém pode estar em falta com o mercado: os marqueteiros transgênicos
e/ou a Monsanto. Caso contrário, que se demonstrem as provas e as
vantagens, para avaliação por parte dos produtores e dos consumidores.
Os resultados práticos sobre o cultivo da soja transgênica não têm
confirmado os dados obtidos com os experimentos. Será que todas as
tecnologias desenvolvidas através da engenharia genética não podem ser
avaliadas e questionadas e, por isso, devem ser aceitas como uma
verdade absoluta? Quando questionadas, surgem as classificações de
ultrapassado, retrógrado, ambientalista, comunista, petista, etc. A
biotecnologia não é diferente das outras experiências científicas e
tecnológicas; é possível cometer erros de avaliação, principalmente nos
itens relacionados aos consumidores e às práticas comerciais. Este fato
merece reflexão, por parte tanto de produtores como de consumidores.
Com referência aos importadores, a posição é de restrições ao produto
transgênico, e deságio em relação ao produto convencional brasileiro. O
Japão só aceita o produto dos EUA com o certificado de transgênico, para
obter garantia e conhecimento sobre a origem do produto. Esse fato tem,
como principal finalidade, a do questionamento, no caso de surgirem
possíveis problemas relacionados com a qualidade do produto. A China
ainda não proibiu nem regulamentou a entrada de produtos transgênicos,
entretanto a internalização da soja transgênica, advinda dos EUA ou da
Argentina, está demorando de 1 a 9 meses. O Brasil também passou a ser
questionado pelos chineses. Com quem está ficando este custo? Para ter
essa resposta é preciso perguntar aos argentinos, estadunidenses e
chineses. A União Européia é a nossa principal parceira comercial no
complexo/soja; compra entre 70% a 80% das exportações de grão e
farelo. Em 2001 o Brasil exportou para 67 países, os produtos deste
complexo soja.
Portanto, não há dúvida aparente e questionável sobre a qualidade e a
preferência da soja brasileira. É chegado o momento de produtores e
consumidores decidirem se vale a pena consumir e plantar transgênicos no
Brasil, e concorrer diretamente com os produtores dos EUA e da Argentina.
Para que isto ocorra, é só liberar o plantio comercial da soja transgênica e
observar como as coisas ficarão ruins daqui a 3 anos para o produtor
brasileiro.
Dois outros pontos também merecem ser destacados. O primeiro é a
dependência predatória que será criada em torno à monopolização das
vendas de herbicidas e sementes, quando o assunto é soja. Os
multiplicadores de sementes serão flanqueados, até mesmo a EMBRAPA,
porque todos deverão se reportar, no final, à Monsanto, para acertos de
conta com pagamentos de “royalties”. A grande questão a ser explicada
pelos defensores transgênicos é sobre como deverá ficar a situação de
transferência tecnológica entre a EMBRAPA e a Monsanto. É transferência,
“joint-venture” ou o que é esse negócio?
Ressalte-se que setenta por cento, de um total aproximado de 340
variedades das sementes convencionais da soja brasileira, são patentes
da EMBRAPA. Outro ponto, não menos importante, se refere às aplicações
de Round-Up nas lavouras de soja dos Estados Unidos.
Trabalhos já publicados demonstram que a quantidade média usada, do
princípio ativo glifosato (Round-Up), por acre, é de 0,5 libra-peso em
média ou 226,5 gramas e, para as lavouras não transgênicas, o consumo
de um coquetel de herbicidas (princípio ativo) é de 0,1 libra-peso ou 45,3
gramas. Qual desses produtos impacta de forma mais predatória a
natureza? Os dois produtos são venenos.
Defensores transgênicos afirmam que o consumo do Round-U p f e z
diminuir, nos EUA, a quantidade de herbicidas por unidade de área;
entretanto esse pseudoganho, se aconteceu, foi anulado nos últimos 5
anos, com a incorporação de aproximadamente 6 milhões de hectares ao
total do consumo com o plantio da soja naquele país. A queda nas vendas
de herbicidas para as plantas convencionais e o fechamento de varias
fábricas é a demonstração clara da formação de monopólio no cultivo da
soja nos EUA.
Depois de todos esses fatos contrários à soja transgênica, e se, mesmo
assim, acontecer o absurdo, isto é, a aprovação do plantio da soja
geneticamente modificada, obrigatoriamente o rótulo desse produto passa
a ser a peça fundamental para o esclarecimento ao consumidor. É
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Depois de todos esses fatos contrários à soja transgênica, e se, mesmo
assim, acontecer o absurdo, isto é, a aprovação do plantio da soja
geneticamente modificada, obrigatoriamente o rótulo desse produto passa
a ser a peça fundamental para o esclarecimento ao consumidor. É
essencial que a origem do produto seja diferenciada, nos mesmos moldes
do orgânico-convencional-transgênico.
Não pode haver nenhum mecanismo aprovado que não permita ao
consumidor o direito de escolher um produto totalmente isento de traços
transgênicos. Por isso, qualquer tipo que isenta a rotulagem, até um certo
limite de tolerância, é uma prática de desobediência ao direito universal
do consumidor, de conhecer da forma explícita, o produto que está
adquirindo.
Os defensores dos transgênicos não aceitam a tese de rótulos, sem contar
com tolerância de percentuais de traços transgênicos nos alimentos, e, ao
mesmo tempo, alardeiam que o produto transgênico é superior ao produto
convencional. No mínimo, esse posicionamento é muito estranho, por
parte de quem defende essa tecnologia na soja. Se algum produto é bom
e saudável, não deve haver condicionantes comerciais, como é o caso da
soja transgênica, em que o produto não tem nenhuma restrição, até o
quantitativo de 4% de traços transgênicos na amostra, sem necessidade
de rotulagem.
Traduzindo, quando a amostra apresentar mais do que 4% de traços
transgênicos, existe a possibilidade de algum risco ao ser consumido, e
assim só vale a pena rotular a partir desse limite de tolerância. Essa
primeira geração de transgênicos precisa ser modificada geneticamente
para poder produzir material de melhor qualidade e maior quantidade.
Esse produto, da forma como foi concebido, atende somente aos anseios
da indústria multinacional (lucro), e já está defasado no tempo, quando
comparado com os resultados do produto convencional. É a ciência a
serviço da indústria.
Onde está a vontade de adequação tecnológica, por parte da indústria,
que atenda uniformemente às características do produtor brasileiro?
Todas as tecnologias deveriam estar ao alcance de todos os produtores,
em quaisquer dos aspectos (comerciais, econômicos, técnicos etc.). Os
consumidores, com qualidade e baixo custo, e o meio ambiente, com
todas as avaliações de riscos.
Os diretos do consumidor devem prevalecer. Caso entenda que essa
situação é, no mínimo, muito estranha, ele deve se defender. Se achar
que os transgênicos (soja) são a melhor solução para o mundo, pode
argumentar. Porém não deve fazer da retórica de alguns defensores de
transgênicos (da Monsanto), a sua tese; tendo em vista que a
disponibilidade de dados já permite avaliações seguras sobre os ganhos
no custo de produção, na produtividade e no retorno financeiro
(exportações) da soja convencional em relação à transgênica. A presença
da soja e do milho, direta ou indiretamente, na composição dos alimentos
da nossa dieta alimentar, está entre 60% e 70%
O Brasil é a última fronteira agrícola do mundo, ainda isenta dos
transgênicos (soja), e com escala de produção capaz de atender ao
crescimento da demanda mundial, sem penalizar os outros segmentos
agrícolas. Se o Brasil produzir soja modificada geneticamente, os
consumidores, em todo o mundo, forçosamente deverão consumir
transgênicos (soja).
Uma associação de produtores estadunidenses e canadenses está
assediando os produtores brasileiros de soja com a possibilidade de
pagamentos em troca da redução da área plantada com soja no País, com
o objetivo de recuperar os preços internacionais. Essa proposta só tem um
perdedor: o Brasil. É correr o risco de perder uma boa fatia do mercado
internacional, conquistado a duras penas. Não há valores que possam
recompensar o produtor, qualquer que seja a atitude favorável, com esse
sentido de negociação. A recuperação dos preços internacionais passa
necessariamente pela eliminação de todas as formas de subsídios que
recebe o produtor estadunidense.
A soja convencional brasileira compensa todas as formas de subsídios,
principalmente aqueles recebidos pelos produtores com o plantio da soja
modificada geneticamente nos EUA. A concorrência internacional
relacionada com os produtos do complexo-soja é mais favorável ao Brasil.
Esse fato está vinculado à maior competitividade do produto brasileiro em
r e l a ç ã o a o p r o d u t o n o r t e-a m e r i c a n o e a r g e n t i n o . O s g a n h o s d o s
sojicultores nacionais com a desvalorização do câmbio no Brasil, no
momento da comercialização, são anulados pelos subsídios recebidos
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relacionada com os produtos do complexo-soja é mais favorável ao Brasil.
Esse fato está vinculado à maior competitividade do produto brasileiro em
r e l a ç ã o a o p r o d u t o n o r t e-a m e r i c a n o e a r g e n t i n o . O s g a n h o s d o s
sojicultores nacionais com a desvalorização do câmbio no Brasil, no
momento da comercialização, são anulados pelos subsídios recebidos
pelos produtores dos EUA, entretanto a diferença (vantagem comercial a
favor do Brasil), está no tipo de produto ofertado. O Brasil cultiva a soja
convencional e os EUA, a soja transgênica. O mundo deseja consumir,
preferencialmente, produtos sem alteração genética.
Este texto é de inteira responsabilidade do autor, não refletindo,
necessariamente, a posição da Companhia Nacional de Abastecimento CONAB.
Marco Antonio de Carvalho Técnico da CONAB. Ex-Assessor Internacional
do Ministério da Agricultura para assuntos relativos à Cooperação Técnica Multilateral (PNUD/FAO). Analista do mercado de soja
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