UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MATO GROSSO DO SUL
UNIDADE UNIVERSITÁRIA DE AQUIDAUANA
PÓS-GRADUAÇÃO EM AGRONOMIA
MANEJO DE Rotylenchulus reniformis EM SISTEMA
INTEGRADO DE PRODUÇÃO DE SOJA
Acadêmico: Hugo Márcio Leandro
AQUIDAUANA – MS
AGOSTO/2012
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MATO GROSSO DO SUL
UNIDADE UNIVERSITÁRIA DE AQUIDAUANA
PÓS-GRADUAÇÃO EM AGRONOMIA
MANEJO DE Rotylenchulus reniformis EM SISTEMA
INTEGRADO DE PRODUÇÃO DE SOJA
Acadêmico: Hugo Márcio Leandro
Orientador: Dr. Guilherme Lafourcade Asmus
“Dissertação apresentada ao programa de pósgraduação em Agronomia, área de concentração em
Produção Vegetal, da Universidade Estadual de
Mato Grosso do Sul, como parte das exigências para
a obtenção do título de Mestre em Agronomia
(Produção Vegetal)”.
AQUIDAUANA – MS
AGOSTO/2012
L475m Leandro, Hugo Márcio
Manejo de Rotylenchulus reniformis em sistema integrado de
produção de soja/ Hugo Márcio Leandro. Aquidauna, MS:
UEMS, 2012.
22p. ; 30cm.
Dissertação (Mestrado) –– Universidade Estadual de Mato
Grosso do Sul, 2012.
Orientadora: Prof. Dr. Guilherme Lafourcade Asmus.
1.Soja – Manejo.2. Rotylenchulus reniformis. I. Título.
CDD 20.ed. 633.34
iii
“É melhor tentar e falhar, que preocupar-se e ver a vida passar,
é melhor tentar, ainda que em vão, que sentar-se fazendo nada até o final.
Eu prefiro na chuva caminhar, que em dias tristes em casa me esconder.
Prefiro ser feliz, embora louco, que em conformidade viver...”
Martin Luther King
.
iv
Dedico primeiramente a Deus e a Jesus Cristo, pela fé, força e saúde.
restauradas todos os dias.
A meus pais José A. Leandro e Regina Prado, a quem tenho como espelhos, pelos
conselhos e suporte necessário.
Aos irmãos Hudson, Kélia e Célia, que sempre me desejaram um futuro vitorioso.
As amizades que comigo caminharam em minha busca pelo aperfeiçoamento
profissional.
Aos professores e professoras da UEMS que contribuíram na minha formação.
v
AGRADECIMENTOS
O autor agradece ao técnico de Laboratório Alex Sandro Vicentin Lima e ao
técnico de campo Mauro Rumiatto da Embrapa Agropecuária Oeste pelo apoio
concedido na condição da pesquisa.
A todos os mestrandos e amigos, em especial ao Claudenis, Ana, Gerson Aler,
João Batista, Elisson, Jean Rosset, Martios Ecco, Reinaldo, Francisco, Tiago Taira,
Gabriel de Oliveira, Tiago Teles, Kelly, Janile e Bianca.
Ao pesquisador Dr. Guilherme Lafourcade Asmus pela orientação na condução
dos trabalhos e interpretação das informações.
À Embrapa Agropecuária Oeste por ceder funcionários, campo experimental e o
laboratório de Nematologia.
À Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (PROPP) da UEMS, pela
oportunidade de cursar o mestrado.
A CAPES pela concessão de bolsa de estudo.
vi
SUMÁRIO
Página
RESUMO........................................................................................................................vii
Palavras-Chave................................................................................................................vii
ABSTRACT...................................................................................................................viii
Keywords...................................................................................................................... viii
CAPÍTULO 1 – CONSIDERAÇÕES GERAIS................................................................1
1.1. A cultura da soja.........................................................................................................1
1.2. O nematoide reniforme...............................................................................................2
1.3. Sistema Integração Lavoura–Pecuária (SILP) e o manejo de nematoides............3
1.4.
REFERÊNCIAS.....................................................................................................5
CAPÍTULO 2. EFEITO DE GRAMÍNEAS FORRAGEIRAS EM ROTAÇÃO,
SUCESSÃO OU CONSORCIAÇÃO COM SOJA SOBRE A POPULAÇÃO DO
NEMATOIDE RENIFORME...........................................................................................9
RESUMO...........................................................................................................................9
Palavras-Chave..................................................................................................................9
ABSTRACT......................................................................................................................10
Keywords..........................................................................................................................10
2.1. INTRODUÇÃO........................................................................................................11
2.2. MATERIAL E MÉTODOS......................................................................................12
2.3. RESULTADOS E DISCUSSÃO............................................................................15
2.4. CONCLUSÕES........................................................................................................19
2.5. REFERÊNCIAS.......................................................................................................19
vii
RESUMO
A soja consiste no principal produto agrícola brasileiro; responsáveis pelos repetidos
resultados superavitários da balança comercial do País. Em que pese as crescentes
produções alcançadas nas últimas décadas, danos causados por nematoides limitam a
obtenção de produtividades superiores. Dentre os nematoides que incidem sobre a soja,
destaca-se em boa parte da região central do País o nematoide reniforme, Rotylenchulus
reniformis. A limitada disponibilidade de cultivares resistentes e a baixa eficiência de
nematicidas limitam o manejo do nematoide reniforme a práticas culturais, entre elas: a
rotação e sucessão com culturas não hospedeiras. Diversas gramíneas forrageiras tem-se
mostrado resistentes a R. reniformis e, sendo assim, poderiam ser avaliadas como
componentes de diferentes sistemas de produção de soja, tais como o sistema integração
lavoura-pecuária. Este trabalho teve por objetivo avaliar o efeito das gramíneas
forrageiras capim-aruana e capim-braquiária, em rotação, sucessão ou consorciação com
soja sobre a população de R. reniformis em solo naturalmente infestado, durante duas
safras agrícolas (período compreendido entre a semeadura da safra de primavera-verão
2010/2011, e a colheita da safra de primavera-verão 2011/2012). As gramíneas
forrageiras foram estabelecidas em rotação, sucessão ou consorciação com soja e
comparadas com a soja em monocultivo. A densidade populacional do nematoide foi
monitorada por meio da quantificação de exemplares extraídos de amostras de solo (10
subamostras/parcela na profundidade de 0 - 20 cm) coletadas no início e final de cada
ano agrícola. Houve aumento da densidade populacional de R. reniformis em todos os
tratamentos durante o período experimental. A densidade populacional do nematoide ao
final do cultivo da soja na safra primavera-verão 2011/2012 foi maior no tratamento
envolvendo o cultivo de capim-aruana em consórcio com soja. A introdução de capimaruana em rotação, sucessão ou consorciação com soja e de capim-braquiária, em
rotação ou sucessão com soja, não contribui para a diminuição densidade populacional
do nematoide reniforme no solo.
Palavras-Chave: Brachiaria ruziziensis, Glycine max, integração lavoura-pecuária,
Panicum maximum, Rotylenchulus reniformis
viii
ABSTRACT
Soybean is the main agricultural product of Brazil, responsible for repeated results
surplus of the trade balance of the country. Despite the increased production achieved in
recent decades, limiting damage from nematodes to obtain higher yields. Among the
nematodes that affect soybeans, stands out in much of the central region of the country
reniform nematodes, Rotylenchulus reniformis. The limited availability of resistant
cultivars and the low efficiency of nematicides limit the management of reniform
nematodes to cultural practices, including: succession and rotation with non-host crops.
Various grasses has proved resistant to R. reniformis and, thus, could be evaluated as
components of different soybean production systems, such as integrated crop-livestock
system. This study aimed to evaluate the effect of forage grasses aruanagrass and signal
grass in rotation, succession or intercropping with soybean on the population of R.
reniformis in naturally infested soil during two growing seasons (period from sowing to
harvest spring-summer 2010/2011, and the harvest of spring-summer 2011/2012). The
grasses were established in rotation, succession or intercropped with soybean and
compared with soybean monoculture. The population density of the nematode was
monitored by quantifying copies extracted from soil samples (10 subsamples / plot in
the 0 - 20 cm) collected at the beginning and end of each crop year. There was an
increase in population densities of R. reniformis in all treatments during the trial period.
The population density of nematodes at the end of soybean cultivation in the springsummer season 2011/2012 was higher in the treatment involving the cultivation of
aruanagrass intercropped with soybean. The introduction of aruanagrass in rotation,
succession or intercropped with soybean and signal grass in rotation with soybean or
succession does not contribute to the decrease of population density reniform nematodes
in the soil.
Keywords: Brachiaria ruziziensis, Glycine max, crop-livestock integration system,
Panicum maximum, Rotylenchulus reniformis
CAPÍTULO 1 – CONSIDERAÇÕES GERAIS
1.1. A cultura da soja
A soja [Glycine max (L.) Merr.] cultivada atualmente é muito diferente dos seus
ancestrais, que eram plantas rasteiras e habitavam a costa leste da Ásia, principalmente,
a região norte da China (AGNOL et al., 2009).
Agnol et al. (2009) relata que a evolução da oleaginosa ocorreu a partir do
cruzamento natural entre duas espécies de soja selvagem. No Brasil foram realizados os
primeiros testes com materiais genéticos trazidos dos EUA, nos Estados da Bahia (BA),
São Paulo (SP) e Rio Grande do Sul (RS), entre 1890 a 1900, com o intuito inicial de
avaliar seu desempenho como forrageira.
A soja é o principal produto agrícola brasileiro, constituindo-se em importante
item da agenda de exportação e o principal responsável pelos seguidos resultados
favoráveis alcançados pela balança comercial do agronegócio brasileiro (MISSÃO,
2006).
Na safra 2010/2011, a produção brasileira de grãos de soja superou 68,7 milhões
de toneladas, sendo 7,8 % desse total produzidos no estado de Mato Grosso do Sul, que
se configura como quinto maior produtor nacional (IBGE, 2011).
No Mato Grosso do Sul a G. max é produzida fundamentalmente em sistema de
sucessão de culturas, com semeadura da soja no verão e o milho de segunda safra no
outono (milho safrinha) (MANCIN et al., 2009). Dos cerca de 1,8 milhões de hectares
cultivados com soja, aproximadamente 1,1 milhões de hectares são sucedidos por milho
no outono-inverno.
Os usos técnicos e industriais da soja processada incluem: produtos alimentícios,
revestimentos de papel, auxiliares de processos de fermentação, canetas, biodiesel,
tintas de pintura, xampus, sabões e detergentes. Os grãos inteiros da soja são utilizados
na alimentação humana e extração de óleo vegetal e seu subproduto, o farelo de soja, é
usado como ração animal (MISSÃO, 2006).
Apesar das crescentes produções regionais, certos fatores como os edafoclimáticos e sanitários são limitadores de obtenção de maiores produtividades nas
lavouras (FERRAZ et al., 2001; IBGE, 2011). Dentre os fatores biológicos que limitam
as produtividades, destacam-se os nematoides fitopatogênicos.
2
1.2. O nematoide reniforme
No Brasil, entre as espécies de nematoides fitopatogênicos com grande
importância econômica para agricultura, destacam-se: os nematoides das galhas
(Meloidogyne spp. Göeldi, 1887), o nematoide de cisto da soja (Heterodera glycines
Ichnohe, 1952), o nematoide das lesões radiculares [Pratylenchus brachyurus (Godfrey,
1929) Filipjev & S. Stekhoven, 1941] e o nematoide reniforme (Rotylenchulus
reniformis Linford & Oliveira, 1940) (FERRAZ et al., 2001).
Rotylenchulus reniformis é uma espécie cosmopolita, disseminada nas regiões
tropicais e subtropicais, que além do Brasil, ocorre em vários outros países como Cuba,
Venezuela, Angola, Nigéria, Malawi, Siri Lanka, Ghana e Estados Unidos, onde se
tornou um dos principais problemas fitossanitários do algodão (NOE, 2004).
A espécie Rotylenchulus reniformis foi relatada em associação a mais de 140
espécies de plantas de cerca de 115 gêneros pertencentes a 46 famílias botânicas. Desta
ampla gama de hospedeiros, 57 espécies são culturas de importância econômica.
Relatos confirmam a multiplicação do nematoide em raízes e a consequente
ocorrência de danos em abacaxizeiro, bananeira, cafeeiro, mamoneira, maracujazeiro,
tomateiro e, principalmente, soja e algodoeiro (ROBINSON et al., 1997; JATALA,
1991 apud SOARES et al., 2003; ASMUS & INOMOTO, 2007).
O hábito alimentar polífago, a boa adaptação a diferentes tipos de solos,
inclusive os de textura argilosa, e a capacidade de entrar em anidrobiose em condições
ambientais desfavoráveis, conferem a Rotylenchulus reniformis boa capacidade de
competição em comparação a outras espécies de nematoides num mesmo
agroecosistema (ROBINSON, 2002). Além disso, mesmo em condições de ausência de
hospedeiros, o nematoide apresenta alta capacidade de sobrevivência (TORRES et al.,
2006).
A presença de Rotylenchulus reniformis em cultivares de soja suscetível causa
queda de até 10% do rendimento (BIRCHFIELD et al., 1971 apud PIPOLO, 1994). Na
região Centro-Sul de Mato Grosso do Sul as perdas chegam a 32%. Nos municípios de
Maracaju e Aral Moreira e outros que respondem por 29% da área cultivada do estado,
o nematoide reniforme é encontrado em altas densidades populacionais (ASMUS et al.,
2003; ASMUS, 2005; DIAS et al., 2010).
Plantas de soja cultivadas em áreas infestadas por Rotylenchulus reniformis,
apresentam-se subdesenvolvidas, atribuindo um caráter desuniforme à lavoura,
3
comparável aos sintomas causados por deficiência nutricional ou compactação de solo.
Ademais, ocorre redução no volume das raízes, nas quais, com auxílio de lupa,
podem ser observadas massas de ovos do nematoide com adesão de partículas de argila
(ASMUS & INOMOTO, 2007; CARDOSO et al., 2010; DIAS et al., 2010).
Rotylenchulus reniformis é considerado semi-endoparasita obrigatório sedentário
e reproduz-se por anfiximia. As formas juvenis desenvolvem-se ao longo de 4 ecdises,
sendo a primeira no interior dos ovos. Somente as fêmeas imaturas constituem as
formas infectivas (ROBINSON et al., 1997).
Ao penetrar a epiderme e parênquima cortical, o nematoide permanece com a
parte anterior do corpo no córtex radicular e a porção posterior fora da raiz, e induz a
formação de “células gigantes” ou “nutridoras”, formadas a partir da dissolução parcial
da parede celular de células adjacentes da endoderme, criando um sitio de alimentação
do tipo sincício (ROBINSON, 2002).
Uma vez iniciada a alimentação, a fêmea imatura, aumenta de tamanho e adquire
a forma característica de rim (reniforme) e, após atingir a maturidade sexual, o que
ocorre em 7 a 9 dias, e ser fertilizada por machos presentes no solo, inicia a postura dos
ovos (100-120) em massa gelatinosa secretada por glândulas vaginais (BIRD, 1983). O
ciclo completa-se em 24-29 dias (ROBINSON et al., 1997).
O uso de cultivares resistentes de soja (a exemplo, M-SOY 8001 e CD 201) e a
rotação de culturas com espécies de plantas não hospedeiras ou antagonistas, como:
feijão-de-porco (Canavalia ensiformis), crotalária (Crotalária spectabilis e/ou
Crotalária juncea L.), mucuna-preta (Stizolobium aterrimum Piper et Tracy) e/ou
cravo-de-defunto (Tagetes spp.) são as principais formas de manejo do nematoide
reniforme (CASSIMIRO et al., 2007; ASMUS, 2008b).
1.3. Sistema Integração Lavoura–Pecuária (SILP) e o manejo de nematoides
O Sistema Integração Lavoura-Pecuária (SILP) é uma estratégia de produção
que reúne as atividades agrícolas e pecuárias numa mesma área, visando colocar pasto e
animais em lavouras de culturas anuais, utilizando-se a prática de plantio simultâneo,
sequencial ou rotacionado (CECCON & KURIHARA, 2012).
4
De acordo com Macedo (2009), o SILP permite implantar esquemas de rotação,
onde se alternam anos ou períodos de pecuária com a produção de grãos ou fibras,
utilizando-se, posteriormente, os produtos e subprodutos na alimentação animal.
Entre as principais vantagens do sistema ILP está o fato de o solo ser explorado
economicamente durante o ano todo, além de proporcionar melhorias de ordem
biológica, como a quebra do ciclo de pragas e doenças e aumento da atividade biológica
do solo. (GONÇALVES & FRANCHINI, 2007; MACEDO, 2009).
Dentre os sistemas de integração agropecuária difundidos no Brasil, destacamse: 1) o Sistema Barreirão - utiliza o plantio simultâneo de culturas anuais com
forrageiras para a recuperação de pastagens, 2) Sistema Santa Fé - consiste na produção
consorciada de culturas anuais com forrageiras, e 3) Sistemas Mistos - caracterizados
pela alternância de cultivos de lavoura e pecuária, numa mesma área (COBUCCI et al.,
2007; GONÇALVES & FRANCHINI, 2007).
Para Machado et al. (2011), tais modelos de produção diversificados têm sido
desenvolvidos dentro do cenário atual, atribuindo maior sustentabilidade agrícola,
menores riscos produtivos por mudanças climáticas e preservação ambiental.
Lamas (2008) destaca um grupo de culturas de coberturas utilizadas na
integração lavoura-pecuária, como: Panicum maximum cv. Mombaça, Panicum
maximum cv. Tanzânia, Panicum maximum cv. Massai, Brachiaria decumbens,
Brachiaria brizanta cv. Marandu e Xaraés.
O capim-braquiária (Brachiaria ruziziensis) semeado após a colheita da soja,
seja em consórcio com o milho (Zea mays L.) de segunda safra ou isolado, tem-se
mostrado alternativa viável para produção de palha e cobertura do solo em condições de
cerrado (EMBRAPA SOJA, 2008; LAMAS, 2008).
Ceccon et. al. (2008), ressaltam que, em consórcio, o capim-braquiária produz
considerável quantidade de matéria seca após a colheita do milho (julho/agosto),
favorecendo ciclagem de nutrientes e melhorando as condições às culturas
subsequentes, principalmente na sucessão soja-milho safrinha.
Já existem informações para o estabelecimento de forrageiras dos gêneros
Brachiaria e Panicum em consórcio com milho, milheto, arroz e sorgo. Estas gramíneas
formadas em consórcio podem ser utilizadas como pastagem perene, por dois ou mais
anos, servir como forrageira anual, na safrinha ou, como planta de cobertura.
5
Uma alternativa para o estabelecimento de forrageiras em áreas agrícolas
consiste na semeadura durante o ciclo da soja (10 dias após a emergência da soja),
tecnologia que ainda está em desenvolvimento (MACHADO, 2007; MARIANI, 2010).
A introdução de espécies forrageiras no sistema agrícola, aos moldes do ILP,
minimiza a ocorrência de pragas, doenças, plantas daninhas, constituindo-se também em
importante estratégia para o manejo de nematoides fitoparasitos (BRITO & FERRAZ,
1987; DIAS-ARIEIRA et al., 2009; INOMOTO & ASMUS, 2009; IKEDA et al., 2010).
A rotação com milho ou pastagem (B. ruziziensis), neste caso em sistemas
integrados lavoura-pecuária, configura-se como prática muito eficaz para o manejo de
áreas infestadas pelo nematoide reniforme (ASMUS, 2008a).
Especificamente ao nematoide reniforme, muitas são as opções de culturas de
cobertura, não hospedeiras do nematoide, que podem ser introduzidas nos sistemas
integrados de produção visando seu manejo, como espécies de Brachiaria e de
Panicum, sorgo forrageiro, milheto, nabo forrageiro, aveias branca e preta, capim pé-degalinha (ROBINSON et al., 1997; ASMUS 2008a; ASMUS et al., 2008). Há, contudo,
necessidade de avaliar em condições de campo a viabilidade técnica dessa prática de
manejo.
1.4. REFERÊNCIAS
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9
CAPÍTULO 2. EFEITO DE GRAMÍNEAS FORRAGEIRAS EM ROTAÇÃO,
SUCESSÃO OU CONSORCIAÇÃO COM SOJA SOBRE A POPULAÇÃO DO
NEMATOIDE RENIFORME
RESUMO - O nematoide reniforme (Rotylenchulus reniformis) é um dos principais
problemas fitossanitários na cultura da soja em Mato Grosso do Sul. Várias gramíneas
forrageiras têm-se mostrado não hospedeiras desse nematoide. Este trabalho teve por
objetivo avaliar o efeito de gramíneas forrageiras em rotação, sucessão ou consorciação
com soja sobre a população de R. reniformis no solo naturalmente infestado (1040
nematoides/200 cc de solo), durante o período compreendido entre a semeadura da safra
de primavera-verão 2010/2011, e a colheita da safra de primavera-verão 2011/2012. O
Capim-aruana (Panicum maximum cv. Aruana) foi estabelecido em rotação, sucessão ou
consorciação com soja. Capim-braquiária (Brachiaria ruziziensis) foi estabelecido em
rotação e sucessão à soja. Para efeito de comparação, foi utilizada a soja em
monocultivo, com pousio no outono-inverno. O delineamento experimental utilizado foi
o de blocos ao acaso, com seis tratamentos dispostos em parcelas com 6 x 3 m (18 m2) e
cinco repetições. No início (P1 e P3) e final (P2 e P4) de cada safra de verão, foram
realizadas coletas de solo (10 subamostras/parcela na profundidade de 0 - 20 cm) para
estimativa da população do nematoide e determinaram-se as variações das populações
(Fator de reprodução = FR) durante as safras de primavera-verão 2010/2011 (P2/P1), de
outono-inverno 2011 (P3/P2) e de primavera-verão 2011/2012 (P4/P3). Houve aumento
da população de R. reniformis em todos os tratamentos (FR > 1,0) durante o período
experimental. A densidade populacional do nematoide ao final do cultivo da soja na
safra primavera-verão 2011/2012 foi maior no tratamento envolvendo o cultivo de
capim-aruana em consórcio com soja. A introdução de capim-aruana em rotação,
sucessão ou consorciação com soja e de capim-braquiária, em rotação ou sucessão com
soja, não contribui para a diminuição densidade populacional do nematoide reniforme
no solo.
Palavras-Chave: Brachiaria ruziziensis, Glycine max, integração lavoura-pecuária,
Panicum maximum, Rotylenchulus reniformis
10
CHAPTER 2: EFFECT OF FORAGE GRASSES IN ROTATION, SUCCESSION
OR INTERCROPPING WITH SOYBEAN ON THE POPULATION OF
RENIFORM NEMATODE.
ABSTRACT - The reniform nematode (Rotylenchulus reniformis) is a major disease
problem in soybeans in the state of Mato Grosso do Sul, Brazil. Various grasses have
been shown to be non host of this nematode. This study aimed to evaluate the effect of
forage grasses in rotation, succession or intercropping with soybean on the population
of R. reniformis in a naturally infested soil (1040 nematodes/200 cc soil) during the
period from sowing of 2010/2011 to the harvest of 2011/2012 cropping seasons.
Aruanagrass (Panicum maximum cv. Aruana) was established either in rotation,
succession or intercropped with soybean. Ruzizigrass (Brachiaria ruziziensis) was
established in rotation and succession with soybeans. Monoculture of soybean followed
by fallow in autumn-winter was used as standard system for comparison. The
experimental design was complete randomized blocks with six treatments with five
replications. Plots were 6 m long and 3 m width (18 m2). At the beginning (P1 and P3)
and the end (P2 and P4) of each summer cropping season, soil samples were taken (10
subsamples/plot at 0 - 20 cm) to estimate the nematode population density and to
determine the reproduction factor (RF) during the summer of 2010/2011 (P2/P1), winter
of 2011 (P3/P2) and summer of 2011 / 2012 (P4 / P3) growing seasons. There was an
increase in the population of R. reniformis (RF> 1.0) in all treatments during the trial
period. The population density of the reniform nematode at soybean harvesting in the
2011/2012 summer season (P4) was higher in the treatment involving the cultivation of
aruanagrass intercropped with soybean. The introduction of aruanagrass in rotation,
succession or intercropped with soybean and ruzizigrass in rotation with or successsion
to soybean does not contribute to the decrease of the population density of the reniform
nematodes in the soil.
Keywords: Brachiaria ruziziensis, Glycine max, crop-livestock integration system,
Panicum maximum, Rotylenchulus reniformis
11
2.1. INTRODUÇÃO
O nematoide reniforme, Rotylenchulus reniformis Linford & Oliveira 1940, é
um importante parasito de diversas espécies vegetais em regiões tropicais e subtropicais
(ROBINSON et al., 1997). O hábito alimentar polífago, a boa adaptação a diferentes
tipos de solos, inclusive os de textura argilosa, e a alta capacidade de sobrevivência na
ausência de hospedeiros, conferem a R. reniformis boa capacidade de competição em
comparação a outras espécies (ROBINSON et al., 1997; TORRES et al., 2006). No
Brasil, este fitonematoide tem sido associado a várias culturas, dentre as quais, de forma
mais expressiva, o algodoeiro e a soja (ASMUS et al., 2003; ASMUS, 2005a; ASMUS
& INOMOTO, 2007; DIAS et al., 2010).
Especificamente na cultura da soja cultivada em áreas infestadas por altas
densidades populacionais do nematoide, as plantas apresentam-se subdesenvolvidas e
desuniformes, com menor porte, comparável àquelas sob deficiência nutricional ou
crescendo em solo compactado. Nessas condições, o nematoide pode causar perdas
expressivas na produtividade (ASMUS et al., 2003; DIAS et al., 2010).
A limitada disponibilidade de cultivares de soja resistente ao nematoide
reniforme para as diferentes regiões de cultivo (ASMUS & SCHIRMANN, 2004;
ASMUS, 2008) e a limitada viabilidade técnica e econômica do uso de nematicidas para
o controle desse nematoide na cultura da soja indicam a necessidade do
desenvolvimento de práticas culturais alternativas.
O uso de culturas não hospedeiras em rotação ou sucessão à cultura da soja é
uma importante possibilidade de manejo do nematoide reniforme. O Cravo-de-defunto
(Tagetes sp.), nabo forrageiro (Raphanus sativus) e diversas espécies do gênero
Crotalaria são consideradas plantas resistentes ao nematoide reniforme, assim como
várias gramíneas, tais como milho, sorgo, milheto e capim-braquiária (SILVA et al.,
1989; ASMUS, 2005b; INOMOTO & ASMUS, 2009).
A introdução de gramíneas nos sistemas agrícolas, como cobertura vegetal para o
plantio direto ou como forrageiras no sistema integração lavoura-pecuária, minimiza a
ocorrência de pragas, nematoides, doenças e plantas daninhas (GONÇALVES &
FRANCHINI, 2007; EMBRAPA SOJA, 2008; IKEDA et al., 2010) e tem sido uma
importante ferramenta para a diversificação de sistemas de produção agrícola.
Estudos recentes têm apontado a possibilidade da introdução das forrageiras do
12
gênero Brachiaria e Panicum no sistema através da consorciação dessas forrageiras
com a soja, em semeaduras atrasadas em dez dias, antecipando seu estabelecimento na
área e permitindo seu uso como pastagem perene, por dois ou mais anos, como
forrageira anual na safrinha, ou como planta de cobertura para o plantio direto
(MACHADO, 2007; MARIANI, 2010).
O objetivo do presente trabalho foi avaliar o efeito de capim-aruana (Panicum
maximum cv. Aruana) em rotação, sucessão ou consorciação com soja e de capimbraquiária (Brachiaria ruziziensis), em rotação ou sucessão com soja, sobre a densidade
populacional do nematoide reniforme em solo naturalmente infestado.
2.2. MATERIAL E MÉTODOS
O experimento foi conduzido em área de Latossolo Vermelho distroférrico,
naturalmente infestado por Rotylenchulus. reniformis (1040 nematoides/200 cc de solo),
no campo experimental da Embrapa Agropecuária Oeste (CPAO – Centro de Pesquisa
Agropecuária do Oeste, Dourados, MS), situado nas coordenadas 22° 16' S e 54° 49 'W,
a 408 m de altitude.
O delineamento experimental utilizado foi o de blocos ao acaso, com seis
tratamentos, cada unidade experimental era composta por parcelas de 6 x 3 m (18 m2) e
cinco repetições (blocos). Nos dias 09/11/2010, 14/04/2011 e 28/11/2011 foram
realizadas semeaduras das culturas identificadas como: verão de 2010/2011, outonoinverno de 2011 e verão de 2011/2012, consecutivamente.
Durante a safra de verão 2010/2011, foram estabelecidos os tratamentos: cultivo
de soja cv. BRS 239, convencional ou em consorciação com capim-aruana (Panicum
maximum cv. Aruana), e os capim-aruana e capim-braquiária (Brachiaria ruziziensis)
solteiros.
No outono-inverno de 2011, as parcelas com soja não consorciada foram
sucedidas por pousio, capim-aruana e capim-braquiária. As forrageiras que foram
semeadas no verão, solteiras ou consorciadas com soja, permaneceram vegetando
durante o outono-inverno.
No ano agrícola, 2011/2012 foi cultivada soja cv. BRS 318 RR em todas as
parcelas (Tabela 1).
13
Tabela 1. Tratamentos utilizados para avaliar o efeito de gramíneas forrageiras sobre a
população do nematoide reniforme.
TRATAMENTO
S–P–S
S+A – A - S
A–A-S
S–A–S
S–B–S
B–B–S
VERÃO 2010/2011
Soja
Soja + Capim-aruana
Capim-aruana
Soja
Soja
Capim-braquiária
OUTONO 2011
Pousio
Capim-aruana
Capim-aruana
Capim-aruana
Capim-braquiária
Capim-braquiária
VERÃO 2011/2012
Soja
Soja
Soja
Soja
Soja
Soja
S = Soja; P = pousio; S+A = consorciação soja + capim-aruana; A = capim-aruana; B = capim-braquiária
A adubação e os tratos culturais seguiram as recomendações técnicas para a
região Central do Brasil (EMBRAPA SOJA, 2008). Com base na análise do solo,
utilizou-se adubação de 330 kg ha-1 de uma formulação 05-30-15 de NPK no sulco de
semeadura.
A semeadura da soja nas duas safras de primavera-verão foi realizada em
sistema de planto direto, na razão de 15 sementes por metro linear e população média de
250 mil plantas ha-1, antecedida de dessecação de plantas espontâneas e gramíneas
forrageiras por meio da aplicação de 2,0 L ha-1 do herbicida glifosato (360 g L-1, do
equivalente ácido de Glifosato), adotando-se o espaçamento entre linhas de plantio de
0,45 m na soja solteira e 0,60 m na soja em consorciação com capim-aruana.
As gramíneas forrageiras foram semeadas manualmente nas parcelas, no
espaçamento entre linhas de 0,45 m no caso de semeadura solteira e de 0,60 m entre
linhas quando em consorciação com soja. Neste caso, o capim-aruana foi semeado 10
dias após a emergência da soja, em sulcos de semeadura entre as linhas de plantio da
soja. O capim-braquiária foi semeado empregando-se 6 kg.ha-1 de sementes puras
viáveis (SPV) e valor cultural (VC) de 75 %, enquanto que no caso do capim-aruana
utilizou-se 10 kg.ha-1 (SPV) de sementes com VC igual a 60%.
Para evitar competição do capim-aruana com a soja, quando em consorciação,
realizou-se o controle do crescimento da gramínea aplicando-se 0,14 L ha-1 do herbicida
Fusilade (250 g L-1, do equivalente Fluazifope-p-butil). Após o estabelecimento das
forrageiras foram realizados cortes periódicos da parte aérea, simulando pastejo, durante
o período experimental, de forma que a altura das plantas fosse mantida entre 0,2 m e
0,4 m.
Ao final do ciclo da soja na safra 2011/2012 (12/03/2012), foram colhidos os
grãos de soja de 4,0 m de três linhas centrais de todas as parcelas. Para a estimativa do
14
rendimento de grãos, os mesmos foram submetidos a uma pré-limpeza, determinando
umidade e peso em balança eletrônica. Os valores de umidade obtidos foram corrigidos
para 13%.
A densidade populacional do nematoide reniforme no solo foi estimada em
quatro épocas: a) no início de cada ano agrícola (P1 e P3), antecedendo a semeadura das
culturas anuais; e, b) ao final de cada ciclo das culturas (P2 e P4), coincidindo com a
colheita da soja. Para tal, foram coletadas dez subamostras de solo, na profundidade 0,0
a 0,20 m, ao longo das duas linhas centrais de plantio de cada parcela, com o auxílio de
trado manual de rosca.
Após a coleta, as amostras simples foram misturadas, dando origem a amostras
compostas, e enviadas ao laboratório de Nematologia da Embrapa Agropecuária Oeste,
onde foram processadas para a extração dos nematoides presentes pela técnica descrita
por Jenkins (1964).
Concluída a extração das amostras de solo, os nematoides foram inativados em
banho maria (55oC/5 min.) e mantidos em formalina (2%). As contagens dos números
de nematoides (fêmeas jovens, machos e juvenis) de cada amostra foram realizadas em
duas alíquotas de 1,0 mL, em câmara de Peters, sob microscópio óptico.
Dos resultados obtidos nas avaliações realizadas no início (Pi) e final (Pf) de
cada ano agrícola, estimou-se a variação populacional dos nematoides nos diferentes
tratamentos durante o período experimental (FR =Pf / Pi), onde FR representa o fator
de reprodução (variação da densidade populacional) do nematoide durante o período de
cultivo das plantas usadas no experimento.
Adicionalmente à amostragem do solo, em 03 / 01 / 2012, foram coletadas raízes
de 10 plantas de soja das duas linhas centrais de plantio de cada parcela, para
determinação da população do nematoide nas raízes da soja. No laboratório, as raízes
foram lavadas, deixadas sobre papel jornal por 20 minutos, pesadas e processadas para a
extração dos nematoides segundo Coolen & D’ Herde (1972). Após a extração, os
nematoides (ovos, fêmeas jovens e fêmeas adultas) foram inativados, conservados e
quantificados de forma semelhante aos extraídos do solo. À partir da contagem do
número médio de nematoides por raiz e do peso das raízes, foi determinado o número
de nematoides por grama de raiz (NGR).
Para verificar a homogeneidade da variância, foi utilizado o teste de Liliefors,
que resultou em dados não homogêneos. Logo, os dados obtidos de FR e NGR foram
15
transformados em
x + 0 ,5 , para a realização da análise estatística, sendo x o valor
original da variável. Os dados foram transformados a fim de obter-se a estabilização das
variâncias.
Posteriormente, os valores de NGR e FR foram submetidos à análise de
variância, com auxílio do aplicativo computacional SAEG (SAEG, 2007). As médias
dos tratamentos foram comparadas pelo teste de Duncan (p = 0,05).
2.3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
A densidade populacional de Rotylenchulus. reniformis na área experimental na
época da instalação do experimento (P1), foi em média, de 1040 nematoides/200 cc de
solo, quantidade suficientemente alta para causar danos à cultura da soja (ASMUS et
al., 2003).
A ausência de diferenças estatísticas na população inicial (P1) entre as parcelas
(Tabela 2) indicou uniformidade na distribuição do nematoide no local de instalação do
experimento. Independentemente do tratamento, a densidade populacional do nematoide
manteve-se alta durante todo o período experimental (Tabela 2).
Tabela 2. Densidade populacional de Rotylenchulus reniformis (Rr) no solo no início e
final de cada safra de primavera-verão. Dourados, MS, 2012.
TRATAMENTO
S–P-S
S+A – A - S
A–A-S
S–A–S
S–B–S
B–B–S
F
P
C.V. (%)
Verão 2010 / 2011
P1
P2
Rr/200cc
Rr/200cc
721 a
3969 a
1158 a
2515 a
1156 a
2933 a
1511 a
3817 a
971 a
2876 a
1015 a
1828 a
1,16
1,29
0,3603
0,3078
24,90
27,50
Verão 2011 / 2012
P3
P4
Rr/200cc
Rr/200cc
2123 a
6601 bc
2370 a
10231 a
1999 a
8669 ab
2179 a
5774 bc
2241 a
5299 c
1347 a
4893 c
1,60
4,65
0,2061
0,0056
17,08
15,21
P1 = 09 / 11 / 2010; P2 = 29 / 03 / 2011; P3 = 26 / 10 / 2011; P4 = 05 / 03 / 2012.
S = Soja; P = pousio; S+A = consorciação soja + capim-aruana; A = capim-aruana; B = capim-braquiária
Valores médios originais de cinco repetições. Quando seguidos de mesma letra, na mesma coluna, não
diferem entre si pelo teste de Duncan (p ≤ 0,05).
Para a análise estatística, os dados foram transformados em x + 0,5
16
O efeito dos diferentes sistemas de produção de soja, envolvendo gramíneas
forrageiras em rotação, sucessão ou consorciação com a cultura da soja, sobre a
densidade populacional do nematoide reniforme no solo apenas foi detectado ao final da
safra de primavera-verão 2011/2012 (P4), quando da colheita da soja (Tabela 2).
Verificou-se que as maiores densidades populacionais do nematoide reniforme
ocorreram nas parcelas cultivadas com o capim-aruana em consorciação ou rotação com
soja, não diferindo estatisticamente àquelas observadas no monocultivo de soja.
Ao final do experimento, a menor densidade populacional do nematoide (P4) foi
observada nas parcelas onde foi cultivado o capim-braquiária, em rotação ou sucessão à
soja que, no entanto, não diferiu estatisticamente de capim-aruana em sucessão à soja e
da soja em monocultivo (Tabela 2).
Quando analisados os efeitos dos tratamentos sobre as variações das densidades
populacionais do nematoide reniforme (Tabela 3), apenas observam-se diferenças
significativas durante a safra de primavera-verão de 2010/2011 (FR1), com maior
crescimento da população do nematoide no tratamento de soja em monocultivo.
Tabela 3. Variação da densidade populacional de (FR) de R. reniformis, durante as
safras de primavera-verão de 2010 / 2011, outono-inverno de 2011 e primavera-verão
de 2011 / 2012 e durante todo o período experimental. Dourados, MS, 2012.
TRATAMENTO
S–P-S
S+A – A - S
A–A-S
S–A–S
S–B–S
B–B–S
F
P
C.V. (%)
Verão
2010/2011
FR1 (P2/P1)
6,42 a
2,44 b
2,85 b
2,89 b
3,46 b
1,76 b
3,05
0,0350
26,25
PERÍODO
Outono
Verão
2011
2011/2012
FR2 (P3/P2) FR3 (P4/P3)
0,71 a
3,20 a
1,15 a
5,00 a
0,88 a
4,43 a
0,58 a
3,08 a
0,77 a
2,53 a
0,88 a
4,01 a
0,97
1,81
0,3310
0,1566
15,96
17,72
Total do
experimento
FR4 (P4/P1)
11,15 a
12,04 a
7,53 a
5,33 a
6,74 a
6,13 a
1,57
0,2142
28,41
P1 = 09 / 11 / 2010; P2 = 29 / 03 / 2011; P3 = 26 / 10 / 2011; P4 = 05 / 03 / 2012.
S = Soja; P = pousio; S+A = consorciação soja + capim-aruana; A = capim-aruana; B = capim-braquiária
Valores médios originais de cinco repetições. Quando seguidos de mesma letra, na mesma coluna, não
diferem entre si pelo teste de Duncan (p ≤ 0,05).
Para a análise estatística, os dados foram transformados em x + 0 , 5
17
De forma semelhante ao observado com a densidade populacional do nematoide
reniforme no solo entre os diversos tratamentos até a época de plantio da safra de
primavera-verão 2011/2012 (P1, P2 e P3), não foram observadas diferenças
significativas no número de nematoides por grama de raiz (NGR) de soja e tampouco no
rendimento de grãos (PROD) (Tabela 4).
Tabela 4. Número de nematoides por grama de raiz (NGR) e rendimento de grãos
(PROD) de soja cv. BRS 318 RR, no ano agrícola de 2011 / 12. Dourados, MS, 2012.
TRATAMENTO
S–P-S
S+A – A - S
A–A-S
S–A–S
S–B–S
B–B–S
F
P
C.V. (%)
Verão 2010 / 2011
NGR
PROD
(kg / ha)
382,04 a
1752,5 a
143,57 a
1455,9 a
233,25 a
1355,4 a
286,08 a
1793,2 a
265,43 a
1821,8 a
254,84 a
1635,3 a
1,31
1,01
0,2962
0,4399
31,05
26,15
P1 = 09 / 11 / 2010; P2 = 29 / 03 / 2011; P3 = 26 / 10 / 2011; P4 = 05 / 03 / 2012.
S = Soja; P = pousio; S+A = consorciação soja + capim-aruana; A = capim-aruana; B = capim-braquiária
Valores médios originais de cinco repetições. Quando seguidos de mesma letra, na mesma coluna, não
diferem entre si pelo teste de Duncan (p ≤ 0,05).
Para a análise estatística, os dados do número de nematoides por grama de raiz foram transformados em
x + 0 ,5
Várias gramíneas têm-se mostrado resistentes ou más hospedeiras ao nematoide
reniforme (ASMUS, 2005b; ASMUS et al., 2008) e, como tal, sua inserção em sistemas
de produção em áreas infestadas por esse nematoide tem sido avaliadas (ASMUS et al.,
2008; ASMUS & RICHETTI, 2010).
Sereia et al. (2007) mostraram que sistemas integrados lavoura-pecuária em que
capim-braquiária é cultivado por dois anos a cada duas safras de soja mantiveram a
população do nematoide reniforme baixa no solo (4 nematoides / 300cc de solo)
contrariamente ao que aconteceu com o monocultivo de soja (3.424 nematoides / 300 cc
de solo), após oito anos de implantação dos sistemas.
O uso de diferentes espécies de capim-braquiária quer em sucessão (ASMUS et
al., 2008) ou rotações anual ou bianual (ASMUS & RICHETTI, 2010) com a cultura de
algodoeiro promoveu significativas reduções das densidades populacionais do
nematoide reniforme em solos naturalmente infestados.
18
No presente trabalho, tais efeitos não foram evidenciados. Ao contrário, a
densidade populacional do nematoide reniforme aumentou de forma expressiva em
todos os tratamentos, independentemente da espécie de gramínea forrageira utilizada ou
da forma com a mesma foi introduzida no sistema (rotação, sucessão ou consorciação
com a soja).
Com base nos experimentos acima citados, o período de aproximadamente 12
meses com ausência de soja nos sistemas (tratamentos) em que as gramíneas foram
implantadas na safra 2010/2011 deveria ter sido suficientemente adequado para que
houvesse redução da densidade populacional do nematoide no solo. É possível que
algum outro fator não identificado tenha se sobreposto ao efeito dos tratamentos,
limitando os benefícios do uso das gramíneas forrageiras.
Até a realização do presente experimento, o capim-aruana não havia sido
avaliado quanto à reação ao nematoide reniforme e foi incluído em três tratamentos
(sistemas) devido ao fato de ter apresentado características favoráveis para a produção
de cobertura vegetal e produção de forragem em sistemas integrados lavoura-pecuária,
sendo viável sua inserção no sistema em consorciação com soja, de forma a permitir a
antecipação da oferta de forragem após a colheita da soja (MACHADO, 2007;
MARIANI, 2010).
No entanto, considerando os resultados da densidade populacional do nematoide
reniforme ao final do experimento (P4), esta forrageira pode ser considerada como
inadequada para uso em áreas infestadas por esse nematoide. Sugere-se que trabalhos
específicos para avaliar a suscetibilidade dessa gramínea forrageira ao nematoide
reniforme sejam conduzidos.
A hipótese do capim-aruana ser suscetível ao nematoide reniforme explicaria o
fato da consorciação dessa gramínea forrageira com soja ter apresentado a maior
densidade populacional do nematoide, haja vista que nessa condição (consorciação)
haveria uma maior densidade de plantas suscetíveis por unidade de superfície (soja e
capim-aruana); fato semelhante ao que ocorre com plantios de algodoeiro em sistemas
ultra-adensados de cultivo (0,25 m entre linhas de plantio) em áreas infestadas pelo
nematoide reniforme (RICH et al., 2008).
O baixo rendimento de grãos de soja ‘BRS 318 RR’ na safra primavera-verão
2011/2012 (média de 1636 kg ha-1) pode ser atribuído ao longo período de estiagem e
altas temperaturas ocorridas durante a safra (janeiro e fevereiro de 2012), visto que essa
19
variedade atinge, em boas condições de solo e clima, produtividades variáveis entre
médias de 3183 e 4183 kg ha-1 (MELO et. al. 2010).
2.4. CONCLUSÕES
O uso de capim-aruana, em rotação, sucessão ou consorciação com soja, e de
capim-braquiária, em rotação ou sucessão com soja, não se constitui em alternativa para
a redução da densidade populacional do nematoide reniforme no solo e, desta forma,
não deve ser considerado para o manejo de áreas infestadas por esse nematoide.
2.5. REFERÊNCIAS
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MANEJO DE Rotylenchulus reniformis EM SISTEMA