A GAZETA
4 - Terra & Criação - Cuiabá, Segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
agricultura
O aumento para a safra 2013/14 é de 17,5% na transgênica e 18,4% na convencional
Custo de produção da soja cresce
Wisley Tomaz
Da Redação
Área plantada com soja no
município de Campo Verde. O custo
dos insumos é o que mais pesa
D
e acordo com dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária, a comercialização dos grãos
para a safra 2012/13 segue aumentando em
Mato Grosso, com o custo de produção tendo
um ritmo maior de crescimento para a safra
2013/14. Enquanto a negociação da soja aumentou apenas 1,1 ponto percentual no mês,
o custo de produção para a safra seguinte
cresceu. Dessa forma, comparando o custo da
lavoura para a safra 2013/14 com o custo
ponderado da safra atual, sobre a soja transgênica foi 17,5% superior e, na convencional,
18,4%, cujos valores atuais respectivos são
R$2.241,23/ha e R$ 2.260,07/ha.
Um dos pontos de maior aumento foi o
custo dos insumos, que subiu de R$
968,34/ha para R$ 1.106,19/ha na transgênica e R$ 1.122,40 na convencional, em que o
peso principal foi a alta sobre os fertilizantes,
em média de 17,0% para ambos os tipos de
soja. Nesse contexto de aumento e relembrando o custo da safra atual, que começou embaixo e foi subindo ao longo do ano, este momento já pode ser o início
dos negócios da safra 2013/14, antes que o valor dos insumos tome rumo ainda maior do que o registrado em outubro.
De acordo com Otávio Behling Júnior, analista de Custo de Produção do Imea, as expectativas positivas de de
produção para a safra 12/13, juntamente com os preços
que a soja vem sendo comercializada, resultaram em numa
alta na estimativa de custo de produção para a safra
13/14. Sendo que representam a maior parte dos gastos
dos sojicultores os insumos, cerca de 47%, R$ 1.106 do
custo total por hectare de soja plantado. Os dados do boletim apontam ainda que os principais gastos previstos para safra 2014 refere-se à semente 8% e os fertilizantes
3,4% e custo com a lavoura, de 13,1%. De forma geral, as
despesas com a lavoura incluem mão de obra, manejo,
aplicações, colheita entre outros. Na safra 12/13 esse
custo ficou estimado em R$ 145/ha. Para a safra 13/14 é
de R$ 164. Já as sementes passaram de R$ 112/ha na
atual safra para R$ 121/ha, acréscimo de 8%
Estimativa do Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento (Mapa) e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) prevê que a safra de grãos para o perío-
Marcus Vaillant
do 2012/2013 deve atingir 180,2 milhões de toneladas (t),
volume 8,5% maior que o registrado na safra anterior
(166,17 milhões de t). O grão que apresenta maior crescimento na estimativa de produção é a soja: 16,24 milhões
de t a mais do que o registrado no levantamento de novembro. O milho também tem projeção de crescimento (607,4
mil t), e o feijão deve agregar mais 66,6mil t à produção.
Segundo o diretor da Conab, Sílvio Porto, o desenvolvimento da produção está muito bom, apesar do atraso
das chuvas. Ele avalia que com os números indicados, a
safra brasileira de soja tem boas possibilidades de ultrapassar a norte-americana. Em termos de área cultivada,
segundo ele, o levantamento aponta crescimento de
2,1%, ou 1,05 milhão de hectares, na comparação com a
safra anterior. Com isso, a expectativa é de que os produtores utilizem 51,94 milhões de hectares. A soja também
foi o grão que apresentou maior crescimento neste quesito, e terá 2,2 milhões de hectares a mais (aumento de
8,8%) utilizados para o seu plantio. No período 2011/12
foram cultivados 25,04 milhões de hectares do produto.
Para consolidarem os números do terceiro levantamento
para a safra 2012/13, os técnicos da Conab estiveram em
campo entre os dias 19 e 23 de novembro nas principais
regiões produtoras.
Livro
Reflexão sobre
agronegócio brasileiro
Obra Doutor Agro está em sua segunda edição
e cerca de 10 mil cópias já foram vendidas
Da Redação
“O
Brasil será o principal fornecedor de
alimento do mundo”. Essa é a afirmação do autor da do livro Doutor
Agro e professor titular da FEA/USP Marcos Fava
Neves ao dar uma reflexão sobre um dos temas
abordados em sua mais nova obra. Doutor Agro é
da Editora Gente e apresenta o desempenho do
agronegócio brasileiro e o respeito mundial conquistado ao longo de 20 anos, por meio de artigos
que Fava Neves publicou em importantes veículos
de comunicação.
O prefácio foi escrito pelo presidente da FMC
Corporation América Latina, Antonio Carlos Zem, a
convite do próprio autor. Zem destacou a importância da obra: “O livro aborda questões práticas,
como a necessidade de alto desempenho para o aumento significativo na produção nacional, o acesso
ao mercado asiático, entre outras”, ressalta o presidente da FMC. “Mas também traduz de forma
muito coerente aquilo que estamos buscando nos
nossos diálogos com a sociedade, demonstrando
como o setor vem se estruturando e se fortalecendo progressivamente ante o desafio do crescimento e da busca pela sustentabilidade”, completa.
Zem destaca ainda que a FMC, como líder nacional do setor de defensivos agrícolas para o setor de bioenergia, não podia deixar de apoiar uma
iniciativa como esta. “Um livro louvável e de grande contribuição para o melhor conhecimento e entendimento desse setor. O futuro se abre; os pessimistas
serão perdedores, e o Brasil e o agronegócio, triunfantes”,
escreveu Zem.
Fava Neves explica o diferencial do Doutor Agro: “A
obra tem uma escrita simples e acessível, para que qualquer pessoa que se interessar possa entender mais desse
setor tão importante para o Brasil. Conta também com
textos curtos que levam a reflexões e conscientização da
Capa do livro
Divulgação
importância econômica do setor para os brasileiros, inclusive com propostas de agenda para o País”, explicou.
Doutor Agro já vendeu cerca de 10 mil cópias e está
em sua segunda edição. Interessados podem encontrar o
livro nas principais livrarias do País ou podem adquirir pelo site da Editora Gente (www.editoragente.com.br). Para
compras empresariais acima de 100 unidades, entrar em
contato com Mariela, pelo telefone (16) 3456-5555.
Governo incentiva
plano ABC
Até dezembro, serão implantados
grupos gestores em mais 2 estados,
atingindo 23 regiões do país
Wisley Tomaz
Da Redação
C
om objetivo
de orientar
os produtores rurais sobre as
boas práticas sustentáveis, bem como os meios de
acesso ao crédito
oferecido para financiar as lavouras
brasileiras, o Ministério da Agricultura
Pecuária e Abastecimento (Mapa) fez
com que Grupo GesArquivo
tor Estadual (GGE)
A meta é implementar ações
do Plano Agricultuque combinem aumento da
ra de Baixa Emissão
produção com sustentabilidade
de Carbono (ABC)
esteja presente em
23 regiões do país. Sendo que a até o final de dezembro deste ano, a
meta do Ministério, com o apoio dos governos estaduais, é instituir
o GGE em mais dois estados: Alagoas e Sergipe. Já para 2013, a
previsão é de instalação do espaço no Acre e no Amapá. De acordo
com o plano, não há uma solução única, sendo necessário um esforço conjunto tanto no desenvolvimento de novas tecnologias quanto
da implementação de ações que combinem o aumento da produção
sustentável, de alimentos e energética, com as preocupações com
mudanças climáticas.
Esses grupos têm a função de orientar os produtores rurais, por
meio de seminários, sobre as boas práticas sustentáveis, bem como
os meios de acesso ao crédito oferecido pelo Programa ABC. Isso
porque hoje a elaboração de projetos para a captação de recursos
está entre as maiores dificuldades do meio rural, especialmente devido à falta de assistência técnica. Para isso, o Mapa trabalha em
parceira com estados e municípios na capacitação dos técnicos para
levar as informações ao produtor.
O ministério, especificamente, coordena a criação dos Grupos
Gestores Estaduais para auxiliar na divulgação e implementação do
ABC nas Unidades da Federação. Cabe aos grupos também definir
quanto cada estado pode contribuir para reduzir a emissão de gases
de efeito estufa na agricultura e pecuária. O Governo Federal espera, inclusive, ter resultados ainda mais expressivos que a meta de
reduzir, até 2020, entre 125 e 133. milhões de toneladas de CO2.
O compromisso assumido pelo ministro Mendes Ribeiro Filho é de
alocar mais recursos para incentivar a produção sustentável está
concretizado no Plano Agrícola e Pecuário 2012/13, lançado em junho deste ano. De acordo com Mendes Ribeiro, a linha de crédito
oferecida aos produtores rurais para a adoção de técnicas agrícolas
sustentáveis, conhecida como Programa ABC, tem R$ 3,4 bilhões
disponíveis em linhas de crédito.
Entre as práticas financiadas, estão sistema de plantio direto,
tratamento de resíduos animais, integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), fixação biológica de nitrogênio, plantio de florestas e recuperação de áreas degradadas. As operações mais contratadas estão aquelas para financiar o plantio direto e recuperação de pastagens. Para a safra 2012/2013, o programa terá R$ 3,4 bilhões disponíveis em linhas de crédito. A taxa de juros para o período diminui
em relação à safra anterior, de 5,5% para 5% ao ano, a menor fixada para o crédito rural destinado à agricultura empresarial praticados pelo Banco do Brasil e pelo Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social (BNDES). O prazo para pagamento é de 5 a 15
anos, e o limite de financiamento é de R$ 1 milhão.
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Custo de produção da soja cresce