Desempenho ponderal de cordeiros da raça Santa Inês alimentados com silagem de soja1
Josiane Aparecida de Lima2, Eduardo Antonio da Cunha2, Carla Ortega Calvo3, Fernando de Oliveira
Brito3, Carlos Frederico de Carvalho Rodrigues4, João Elzeário Castelo Branco Iapichini4
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Pesquisa financiada pela FAPESP – Processo nº 07/50378-9/Resultados parciais
Pesquisador Científico do Instituto de Zootecnia/APTA/SAA – e-mail: [email protected]
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Zootecnista
4
Pesquisador Científico do Pólo Regional de Desenvolvimento Tecnológico dos Agronegócios do Sudoeste Paulista/APTA/SAA
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Resumo: A silagem de soja é um volumoso estratégico, pois possibilita reduzir os gastos com
concentrados protéicos, consistindo em uma fonte alternativa de proteína para suplementar a dieta dos
ruminantes. Avaliou-se o efeito da silagem de soja sobre o ganho de peso de cordeiros Santa Inês
confinados. Foram utilizados 24 cordeiros (peso médio inicial de 15 kg e idade média de 60 dias)
distribuídos em delineamento inteiramente ao acaso, nos seguintes tratamentos: T1=40% de silagem de
soja+60% de silagem de milho, T2=60% de silagem de soja+40% de silagem de milho, T3=silagem de
soja e T4=silagem de milho, com seis repetições. O período experimental teve a duração de 75 dias,
sendo os 15 primeiros para adaptação dos animais. Os cordeiros que receberam a silagem exclusiva de
milho foram suplementados com concentrado protéico (16% de PB), perfazendo 30% do consumo de
matéria seca. A silagem de soja, pura ou em associação com a silagem de milho, proporcionou ganhos de
peso estatisticamente iguais à silagem exclusiva de milho suplementada com concentrado,
respectivamente 163, 202, 210 e 214 g/animal/dia para os tratamentos T1, T2, T3 e T4. Conclui-se que a
silagem de soja é uma opção de volumoso para terminação de ovinos, pois proporciona ganho médio
diário de peso semelhante à silagem de milho suplementada com concentrado protéico. A utilização da
silagem de soja na alimentação de ovinos constitui-se em estratégia para reduzir os gastos com aquisição
de concentrados protéicos.
Palavras–chave: confinamento de ovinos, desempenho animal, nutrição de ovinos, silagem de
leguminosa
Ponderal development of lambs of the Santa Inez breed fed soybean silage1
Abstract: Soybean silage is strategic roughage, since it enables to reduce the expenses on protein
concentrates, consisting into an alternative source of protein to supplement the diet of ruminants. The
effect of soybean silage on the weight gain of Santa Inez lambs in dry lot was evalauted. 24 lambs (early
average weight of 15 kg and average weight of 60 days) were utilized, distributed into a completely
randomized, in the following treatments: T1=40% of soybean silage+60% corn silage, T2=60% of
soybean silage+40% of corn silage, T3=soybean silage and T4=corn silage, with six replicates. The
experimental period lasted 75 days, the first 15 days being for the animals´ adaptation. The lambs which
were given the only-corn silage were supplemented with protein concentrate (16% of CP), amounting to
30% of dry matter intake. Soybean silage, either pure or in association with corn silage, provided
weights statistically equal to the only-corn silage supplemented with concentrate, respectively 163, 202,
210 and 214 g/animal/day for treatments T1, T2, T3 and T4. It follows that soybean silage is an option of
roughage for finishing sheep, for it provides average weight similar to corn silage supplemented with
protein concentrate. Use of soybean silage in sheep feeding constitutes a strategy to reduce the expenses
on the purchasing of protein concentrates.
Key words:, sheep drylot, animal performance, nutrition of sheep, legume silage.
Introdução
Um método eficiente na produção de carne ovina com qualidade e rapidez é a cria e terminação de
cordeiros em confinamento; porém, é fundamental atender as exigências nutricionais da categoria para
que os animais possam ganhar peso em velocidade compatível com o sistema de abate precoce. A
proteína bruta é um dos componentes da dieta que exige expressivo investimento financeiro, pois os
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concentrados protéicos são de elevado custo. Para contornar essa situação e possibilitar a produção de
cordeiros de forma economicamente viável, torna-se necessário dominar técnicas de produção de
proteína na propriedade em vez de comprá-la. Neste contexto, a silagem de soja poderá ser um volumoso
estratégico e economicamente viável, pois possibilitará reduzir os gastos com a aquisição de
concentrados protéicos, consistindo em uma fonte alternativa de proteína. E, ainda, sem prejudicar o
desempenho dos animais. Vários estudos confirmam a característica da silagem de soja em elevar o teor
protéico da dieta de ruminantes e, entre eles, citam-se Lima (1992), Lima et al. (1992) e Evangelista &
Lima (1993). Estudos relativos ao efeito da silagem de soja no desempenho de cordeiros são escassos e
para que informações com bases científicas possam ser disponibilizadas elaborou-se o presente estudo
para avaliar o efeito da silagem de soja sobre o ganho de peso de cordeiros confinados.
Material e Métodos
O experimento foi conduzido no Instituto de Zootecnia/APTA/SAA, em Nova Odessa-SP, de
setembro a novembro de 2007. Foram utilizados 24 cordeiros da raça Santa Inês, com peso inicial médio
de 15,0 kg e idade inicial média de 60 dias. Os animais foram confinados individualmente em baias
cobertas, suspensas, medindo 1,5 x 1,0 m com piso de madeira ripado e tiveram livre acesso a água e sal
mineralizado. Previamente ao início do experimento, os cordeiros foram everminados e vacinados contra
clostridiose. O período experimental teve a duração de 75 dias, sendo os 15 primeiros dias para
adaptação às dietas e condições de manejo e os demais para coleta de dados. Para acompanhamento da
evolução do peso e do ganho diário de peso, os animais foram pesados no início, no final do experimento
e a cada 14 dias, pela manhã e após jejum alimentar de 16 horas. Avaliaram-se os seguintes tratamentos:
T1 = 40% de silagem de soja + 60% de silagem de milho; T2 = 60% de silagem de soja + 40% de silagem
de milho; T3 = 100% de silagem de soja e T4 = 100% de silagem de milho. Nos tratamentos T1 e T2 as
silagens de milho e de soja foram misturadas nas devidas proporções (com base no peso verde) no
momento do fornecimento das dietas. Os animais que receberam a silagem exclusiva de milho foram
suplementados com concentrado protéico (16% de PB) à base de milho e farelo de soja, perfazendo uma
relação volumoso:concentrado de 70:30. As silagens foram fornecidas em duas refeições diárias, às
8h:30 e às 16h:30. Para assegurar oferecimento ad libitum, as dietas foram oferecidas em quantidades
calculadas para permitir sobra de 15%.
A silagem de milho foi produzida no setor de agricultura do Instituto de Zootecnia e armazenada
em silo tipo trincheira e a silagem de soja foi produzida na Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento de
Itapetininga-SP e armazenada em barricas de plástico com capacidade de 200 kg. A soja foi colhida e
ensilada quando as plantas estavam no início do enchimento de vagens (estádio R5). Com o objetivo de
garantir teor de matéria seca para adequada fermentação da silagem adicionou-se à forragem de soja, no
momento da ensilagem, 5% de farelo de trigo (com base no peso verde).
Utilizou-se o delineamento inteiramente ao acaso com seis repetições por tratamento, sendo as
médias comparadas pelo teste de Tukey a 5%.
Resultados e Discussão
As variáveis relacionadas ao ganho de peso dos animais estão apresentadas na Tabela 1.
Tabela 1.Peso médio inicial, peso médio final e ganho médio diário de peso de cordeiros da raça Santa
Inês alimentados com silagem de soja
Peso inicial
Peso final
Ganho diário
Dietas
(kg)
(kg)
(g)
40% silagem de soja + 60% silagem de milho
15,75
25,53
163 a
60% silagem de soja + 40% silagem de milho
15,58
27,68
202 a
100% silagem de soja
15,43
28,04
210 a
100% silagem de milho
15,68
28,56
214 a
Média com letras iguais, na coluna, não diferem entre si pelo teste de Tukey (P>0,05).
O ganho médio diário de peso não foi afetado (P>0,05) pelas dietas, tendo apresentado valor
médio de 197 g/animal/dia. Esse resultado possivelmente é conseqüência da ausência de efeito das
características nutricionais das silagens sobre o consumo, já que o ganho de peso diário é conseqüência
da quantidade ingerida e da densidade energética da dieta. Neste contexto, vale evidenciar a afirmativa
de Keplin (2004) que, em relação ao milho, a soja produz o dobro, ou mais, de proteína bruta por
quilograma de matéria seca e tem NDT (nutrientes digestíveis totais) superior (74% x 70%), além de
menor teor de fibras. Sendo assim, não foram identificadas diferenças no ganho médio diário de peso dos
animais em razão das silagens de soja exclusiva ou com a participação desta, satisfazerem as exigências
dos animais à semelhança da silagem de milho suplementada com concentrado.
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Contudo, os cordeiros alimentados com a silagem exclusiva de soja (T3), em relação aos animais
que receberam a dieta contendo 40% de silagem de soja + 60% de silagem de milho (T1), tiveram maior
ganho de peso diário, 47 g/animal/dia, ou seja, 29% a mais. Esses mesmos animais (T3), em relação aos
que receberam a silagem de milho suplementada com concentrado (T4), obtiveram peso ligeiramente
menor, apenas 4 g/animal/dia. Os ganhos médios diários de peso relativos aos animais que receberam
silagem exclusiva de soja (T3) em relação aos animais que receberam a dieta contendo 40% de silagem
de soja + 60% de silagem de milho (T1) devem ser considerados, pois em um sistema de produção em
confinamento por um período de 60 dias resultaria em ganho médio de 2.820 g/animal (47 g/animal/dia x
60 dias). Para bovinos alimentados com silagem mista de milho + soja, Zago et al. (1985) observaram
ganho médio diário de peso vivo 113% a mais para novilhas que receberam silagem mista de milho e
soja, em relação à silagem exclusiva de milho. Evangelista (1986) também observou que silagens
provenientes de consórcio milho-soja aumentaram o ganho de peso de novilhos em 239 g/animal/dia, em
relação à silagem exclusiva de milho (435 g/dia x 196 g/dia).
O ganho de peso total não foi afetado (P>0,05) pelos tratamentos, com média de 27,45 kg ao
longo do período experimental. Esse fato, ou seja, a ausência de efeito é conseqüência do ganho de peso
médio diário não ter sido diferente (P>0,05) entre os tratamentos.
Analisando-se os dados do presente estudo de forma global, observa-se uma boa resposta dos
animais às dietas, independente da silagem que receberam. Dessa forma, pode-se afirmar que o
desempenho ponderal dos ovinos foi satisfatório, ainda mais por se tratar de animais Santa Inês, raça esta
pouco melhorada para produção de carne (ganho de peso). Porém, para que se confirme a viabilidade da
utilização da silagem de soja na alimentação de ovinos, devem ser feitas análises econômicas, qualidade
de carcaça e características organolépticas, pois é necessário que a produção de ovinos confinados seja
técnica e economicamente viável, além de propiciar ao animal condições de exteriorizar o desempenho
de suas potencialidades para alcançar melhores condições de peso, precocidade e, também, qualidade do
produto que satisfaça às exigências do mercado.
Conclusões
A silagem de soja é uma opção de volumoso para terminação de ovinos, pois proporciona ganho
médio diário de peso semelhante à silagem de milho suplementada com concentrado protéico.
A utilização da silagem de soja na alimentação de ovinos, pura ou associada à silagem de milho,
constitui-se em estratégia para reduzir os gastos com aquisição de concentrados protéicos.
Literatura citada
EVANGELISTA, A. R.; LIMA, J. A. Valor nutritivo das silagens mistas de capim-elefante (Pennisetum
purpureum, Schum) e soja (Glycine max (L.) Merrill). Ciência e Prática, Lavras-MG, v. 17, n.3,
p.292-297, 1993.
EVANGELISTA, A.R. Consórcio milho-soja e sorgo-soja: rendimento forrageiro, qualidade e valor
nutritivo das silagens. Viçosa: UFV, 1986. 77p. (Tese - Doutorado em Zootecnia).
KEPLIN, L. A.S. Silagem de soja: uma opção para ser usada na nutrição animal. In: II SIMPÓSIO
SOBRE PRODUÇÃO E UTILIZAÇÃO DE FORRAGENS CONSERVADAS, 2., 2004, MaringáPR: UEM/CCA/DZO, 2004. p. 161-171.
LIMA, J. A. Qualidade e valor nutritivo da silagem mista de capim-elefante (Pennisetum
purpureum, Schum) e soja [Glycine max (L.) Merrill], com e sem adição de farelo de trigo.
1992. 62 p. Dissertação (Mestrado em Zootecnia) - Universidade Federal de Lavras, Lavras – MG.
LIMA, J. A., ANDRADE, A.D.; EVANGELSITA, A.R. Qualidade da silagem de capim-elefante
((Pennisetum purpureum, Schum) emuchecido e associado a soja (Glycine max (L.) Merrill) com e
sem emurchecimento. Ciência e Prática, Lavras-MG, v. 16, n.4, p.559-564, 1992.
ZAGO, C. P.; OBEID, J. A.; GOMIDE, J. A. Desempenho de novilhos zebu alimentados com silagens
consorciadas de milho (Zea mays (L.) com soja anual (Glycine max (L.) Merrill). Revista da
Sociedade Brasileira de Zootecnia, Viçosa-MG, v.14, n.4, p.510-514, 1985.
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