PESQUISA PANETONES SOJA TRANSGÊNICA que mais possuem gorduras saturadas por porção de 80 g são: o Nestlé-Alpino, o chocotone Triunfo, o chocotone Carrefour (marca própria), o panetone Mont Negro da Village e o chocotone Wickbold/Casa Suíça. “Entre um panetone sem trans e outro com quantidade muito maior de gordura saturada, a escolha do consumidor é difícil. Nenhum dos dois é bom para a saúde”, diz Gláucia. Por isso, nada de exagerar neste fim de ano! STOCK.XCHNG cas, embora tenham diminuído a quantidade de trans, elevaram as gorduras totais e saturadas. É o caso do panetone do Carrefour (caixa), da Milano, da Village e do Warl-Mart (marca própria). Na média das 30 marcas analisadas, aliás, esses dois tipos de gordura aumentaram, respectivamente, de 10,9 g para 11,1 g, e de 3,8 g para 4,1 g. A média da redução da quantidade de trans foi de 1,9 g para 0,7 g. Entre os panetones analisados neste ano, os Versão mirim S e a indústria alimentícia distribui brindes dentro de produtos, coloca personagens infantis nas embalagens e apela para o consumo infantil durante todo o ano, por que isso seria diferente no Natal? Sete dos panetones que analisamos são oferecidos em embalagens “monoporção”, e quatro delas têm apelos ao consumidor infantil. O da marca Qualitá (Pão de Açúcar) traz o Bob Esponja estampado. Já o da Village traz o personagem Scoobydoo. O da Pullman tem a sua conhecida boneca Ana Maria, e o da Bauducco vem em uma lata com a figura de Papai Noel estampada. Com todo esse chamariz, era de se esperar que os produtos atendessem a recomendações nutricionais infantis, só que isso não ocorre. Apesar de todos declararem “0% de trans”, os valores de gorduras total e saturada são bastante altos. Para uma criança entre 4 e 6 anos, a quantidade de gorduras totais dos minichocotones da Bauducco chegam a 37,5%. Já a quantidade de saturadas do minipanetone com gotas de chocolate das marcas Montevérgine, Qualitá e Village chega a nada menos que 41,88% da recomendação diária. Para essa idade, o máximo permitido pela Anvisa são 48 g de gordura total e 16 g de saturadas. Entre 7 e 10 anos, o limite é de 58 g e 19 g, respectivamente. Revista do Idec | Dezembro 2008 graças à lei Porção de 80 g Marca Tipo minichocotone (lata) Bauducco Montevérgine Qualitá (Pão de Acúcar) Gordura Gordura total (g) saturada (g) 18 4,8 minichocotone 18 4,8 minipanetone 8,3 3,9 minichocotone 13 6,7 minichocotone 13 6,7 Pullman – Ana Maria minichocotone 14 5,2 Village minichocotone 13 6,7 Pesquisa com 28 indústrias constata que 16 vendem produtos totalmente livres de soja transgênica e dentro dos limites da lei; e também que a maioria dos fabricantes faz a segregação da matéria-prima. Os resultados apontam que o mercado está se adaptando à regra, embora sugiram que, possivelmente, a soja transgênica esteja indo para alimentos altamente processados, em que não se pode identificá-la ou quantificá-la E Produtos com forte apelo infantil 26 Livre de transgênicos, ntre julho e novembro de 2008 o Idec realizou uma pesquisa com fabricantes de alimentos destinados ao consumo humano no mercado interno, cujos principais produtos contivessem algum teor de proteína de soja ou proteína vegetal não identificada. A pesquisa constou de um teste laboratorial – para detectar a presença ou não de soja geneticamente modificada (GM) e a adequação legal da rotulagem do produto – e da aplicação de um questionário aos fabricantes, no qual foram sondados vários aspectos da produção, sobretudo os referentes a garantias de origem da matéria-prima utilizada. Avaliou-se também a disponibilização de documentos que comprovassem as práticas alegadas. A seleção das empresas deu-se a partir da escolha dos próprios produtos. Foram 51 alimentos industrializados contendo proteína de soja e/ou proteína vegetal fabricados por 28 empresas nacionais e multinacionais, e disponíveis no comércio varejista da cidade de São Paulo. O resultado foi positivamente surpreendente: 39 produtos de 16 empresas não possuem soja GM ou a trazem em quantidades muito baixas. Isso significa que parcela dos fornecedores está buscando se assegurar de que os alimentos – pelo menos, aqueles em que é possível constatar a detecção – não contenham ingrediente transgênico, para não ter de rotular, conforme exige o Decreto Federal no 4.680/03, de que obriga a informação em alimentos contendo acima de 1% de OGMs. O resultado da pesquisa – tanto das análises laboratoriais quanto dos questionários – aponta também para o fato de que as empresas têm capacidade para controlar e segregar a soja utiRevista do Idec | Dezembro 2008 27 SOJA TRANSGÊNICA lizada na fabricação de seus produtos. Assim, a rastreabilidade da matéria-prima é uma realidade no setor de alimentos, já que treze das vinte empresas que responderam aos questionamentos forneceram documento ou indício de controlar a origem da soja. Mesmo as que não enviaram documentos comprovando a origem da matériaprima, declararam impor restrições ao uso de soja GM para os alimentos comercializados no Brasil. FOTOS FABIANO FEIJÓ TESTE LABORATORIAL Os produtos foram enviados para análise em um laboratório credenciado na Suíça, e os principais resultados foram os seguintes (veja tabela completa à página 30): ● Diante da dificuldade apontada por algumas empresas de obter resultados chamados “duplo zero” (0,0%), equiparamos os produtos que apresentaram até 0,1% de soja Roundup Ready (RR) àqueles em que nenhum percentual foi detectado. Assim, somando os dois grupos de produtos, constatou-se que 37 deles (72,5% da amostra) não possuem soja RR em sua composição. ● Apenas três produtos tiveram mais que 0,1%: dois (ou 4% da amostra) atingiram 0,2% – leite em pó light com fibras Suprasoy, da Josapar, e suplemento alimentar sabor baunilha Diet Fiber, da Olvebra – e um deles (2% da amostra) – o molho à bolonhesa Maggi, da Nestlé – chegou a 0,7%. ● Em onze produtos (21,5%) não pôde ser feita a quantificação de OGMs, embora sua presença tenha sido detectada (principalmente nas sopas prontas e nos shakes). A razão disso é que o elevado grau de processamento da matéria-prima impossibilita a quantificação precisa, já que, nessas condições, a proteína está consideravelmente destruída. Este último dado sugere que os OGMs estejam sendo majoritariamente direcionados para a fabricação de alimentos altamente processados, so- bretudo considerando-se a quantidade da produção transgênica dessa oleaginosa no Brasil. Este fato pode ser resultado, por um lado, do temor dos fabricantes diante da rejeição do consumidor aos OGMs e, por outro, da ausência de uma atuação fiscalizatória por parte de órgãos como o Ministério da Agricultura e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). LIVRE DESDE A ORIGEM O Idec também questionou as 28 empresas sobre suas práticas em relação ao uso de OGMs na cadeia produtiva. Para o Instituto, essa é uma das partes mais importantes da pesquisa, porque apenas as empresas que possuem um sistema de rastreabilidade e controle sobre o plantio e o fornecimento de matéria-prima podem atestar com segurança sobre o uso ou não de OGMs. O questionário objetivou, ainda, sondar aspectos da responsabilidade social e ambiental das empresas. Entre as vinte que responderam ao questionário ou participaram da pesquisa de alguma maneira (oito foram desclassificadas por não responderem nada), uma das mais mal colocadas foi a Nestlé. Seu desempenho em relação às respostas foi muito ruim, além de a empresa fabricar um produto com a maior quantidade de soja GM detectada. A empresa também indicou que usa duplo-padrão (práticas diferentes em países distintos) e não apresentou nenhum documento sobre os mecanismos de controle da cadeia, nem qualquer laudo de rastreabilidade garantindo a ausência de OGMs. Do lado oposto da avaliação estão Josapar e Olvebra, únicas empresas que receberam a classificação “bom” no teste (confira à página 29 como foi feita a classificação). Ambas informaram a origem da soja usada em seus produtos e apresentaram laudos comprovando não ter OGMs na matéria-prima e no produto final. Embora seus produtos tenham apresentado no teste índices de 0,2% de OGMs, Josapar e Olvebra manifestaram extrema preocupação com a contaminação involuntária da matéria-prima utilizada na fabricação de seus produtos, o que, alegam, pode ter ocorrido com os produtos testados pelo Idec. As empresas enviaram laudos de outros testes realizados em que os resultados eram negativos e Produtos que apresentaram soja transgênica no laboratório. Nos da esquerda, concentração de 0,2%. Já no molho, 0,7% 28 Revista do Idec | Dezembro 2008 Nestes, a soja transgênica foi detectada, mas não pôde ser quantificada afirmaram buscar soluções para que situações como essa não se repitam. A pesquisa apurou, ainda, a disponibilidade de comunicados, dados ou documentos relativos à origem da soja no site das empresas, bem como nos respectivos serviços de atendimento ao consumidor (SACs). Embora este seja um ponto importante, não foi utilizado como elemento para a pontuação. Mas vale dizer que, no contato do consumidor com o SAC, apenas cinco empresas (Josapar, Camil, Nutrilatina, Tuiuti/Sheffa e Herbarium) enviaram prontamente documentos para comprovar que não usam soja geneticamente modificada. O que é transgênico e qual é o seu problema? Transgênicos são os organismos que contêm genes oriundos de outras espécies, introduzidos artificialmente. Não se deve confundir transgenia com melhoramento genético, prática realizada pelo homem de maneira sistemática há pelo menos dois séculos, e pela natureza, há milênios. Na mistura de genes de organismos da mesma espécie, os riscos ambientais e à saúde de outras espécies são menores, pois a natureza se encarrega de minimizá-los. Com os OGMs é diferente: ocorre a mistura dos genes não só entre espécies diferentes como entre gêneros, grupos… (genes de bactérias em plantas, genes humanos em porcos etc.). Os impactos para a saúde humana e animal ainda são incertos e, por isso, o chamado “Princípio da Precaução” mandaria não se utilizar tais organismos até que fossem afastadas as suspeitas. Estudos feitos com mamíferos já apontaram riscos de alergias, ataques ao sistema imunológico e até mesmo ao sistema reprodutivo. O mesmo se pode dizer do meio ambiente: uma planta transgênica cultivada em larga escala pode “contaminar” outras variedades e pôr em risco o equilíbrio de ecossistemas – a coexistência harmoniosa de espécies de um mesmo organismo (do milho, por exemplo) e mesmo de organismos diferentes (abelhas e plantas, por exemplo) – e ocasionar perda de biodiversidade. No Brasil, já estão aprovadas para uso comercial variedades transgênicas de soja, milho e algodão. A CTNBio tem liberado a sua comercialização sem dispor de estudos independentes que atestem a inexistência de risco ambiental e à saúde. No caso da soja, a variedade Roundup Ready (RR) da Monsanto é a dominante no país, e a empresa detém também a maior parte do mercado do herbicida aplicado na cultura dessa espécie (o glifosato Roundup). A soja RR resiste ao glifosato, enquanto as ervas daninhas morrem. Primeiro, a empresa criou um herbicida – que mata ervas daninhas, mas acabava matando também a plantação de soja convencional. Depois, inventou a “solução” – sementes GM que resistem a esses herbicidas. Portanto, além dos anteriores, o uso em larga escala dos transgênicos traz risco à economia e à soberania alimentar, ao concentrar nas mãos de poucas empresas a produção de sementes e herbicidas. Além de provocar maior uso de agrotóxicos. Como foi a classificação ● Muito ruim (7 empresas): não indicaram possuir políticas nem ações estruturadas de rastreabilidade e controle do uso de OGMs. Demonstraram usar padrões diferenciados, dependendo dos produtos e locais. ● Ruim (6 empresas): indicaram possuir uma política de controle e rastreabilidade de OGMs, mas não apresentaram documentação consistente ou representativa sobre seus fornecedores. ● Regular (5 empresas): indicaram possuir política e mecanismos de controle e rastreabilidade dos OGMs, inclusive dos fornecedores. Apresentaram do- cumentos representativos, mas restritos à matériaprima. ● Bom (2 empresas): indicaram possuir política e mecanismos de controle e rastreabilidade dos OGMs, inclusive dos fornecedores. Apresentaram documentos consistentes e passíveis de verificação da matéria-prima e do processo e/ou produto final. ● Muito bom (nenhuma empresa): teria que, além de possuir tudo isso, indicar planos de aperfeiçoamento em relação à rastreabilidade e ao controle do uso de OGMs. Revista do Idec | Dezembro 2008 29 SOJA TRANSGÊNICA Resultados de análise laboratorial e de respostas ao questionário, segundo a rastreabilidade, por categoria de produto Sucos de soja Sopas prontas e cremes de soja Marca (Lote) Produto Fabricante Presença de OGM Ranking de rastreabilidade Soy Plus (1A 8/12/2009) bebida em pó sabor chocolate Josapar sem OGM bom Soy fruit (DL 114) suco sabor pêssego Olvebra sem OGM bom Sufresh soja (1732A) suco sabor morango Wow sem OGM regular Tonyu (C 8/8/2008) suco sabor abacaxi Yakult sem OGM regular Sheffa (C 10/1/2009) suco sabor frutas vermelhas Tuiuti sem OGM regular Dafruta soja (C141107141CE) suco sabor maçã Dafruta sem OGM ruim Yoki Mais Vita - soja (A 1/2/2009 11:56:00) suco sabor laranja Yoki sem OGM ruim Marca (Lote) Produto Fabricante Presença de OGM Ranking de rastreabilidade Kitano (B2L - B8AE) sopão de carne (com macarrão e legumes) Yoki sem OGM ruim Arisco (C 19/4/2009 06:44:00) sopão de carne Unilever detectada, mas não quantificada muito ruim Extra (24798) sopão de carne, macarrão e legumes Grupo Pão de Açúcar detectada, mas não quantificada muito ruim Knorr (C 26/11/2008 13:30:00) sopa de carne Unilever detectada, mas não quantificada muito ruim Purity soja (3707015) suco sabor laranja Cocamar sem OGM muito ruim Maggi (L806512282) sopão de carne Nestlé detectada, mas não quantificada muito ruim Sollys (8064121061) suco sabor abacaxi Nestlé sem OGM muito ruim Maggi crescimento (L812412281) carne com macarrão Nestlé detectada, mas não quantificada muito ruim Ades (F 14/1/2009 21:29:00) suco de maçã Unilever detectada, mas não quantificada muito ruim Sollys (8082046022 21788 1253) creme de soja Nestlé sem OGM muito ruim Batavo/Naturis (zero 1 27/7/2008 21:41:00) suco sabor maracujá, abacaxi e manga Perdigão sem OGM desclassificada Carrefour (20364) carne com macarrão Carrefour detectada, mas não quantificada desclassificada Del Valle soja (L5 K2) suco sabor maçã Del Valle sem OGM desclassificada Qualimax/Express (059 303 10) carne com macarrão Liotécnica detectada, mas não quantificada desclassificada Sakura (055070 05) sopa missoshiro - legumes Sakura sem OGM desclassificada Batavo/Naturis (2 26/8/2008 03:15:00) creme de soja Perdigão sem OGM desclassificada Missô (14/1/2009) massa de soja Sakura sem OGM desclassificada Suplementos alimentares Marca (Lote) Produto Fabricante Presença de OGM Ranking de rastreabilidade Diet Fiber (319) suplemento alimentar sabor baunilha Olvebra 0,2% de Soja RR bom Diet Shake (39133 P1M2) suplemento alimentar - chá verde Nutrilatina detectada, mas não quantificada regular Mistura para bolo Marca (Lote) Produto Fabricante Presença de OGM Ranking de rastreabilidade Bioslim (853797-B) diet shake Herbarium sem OGM ruim Soy Cake (76) mistura para bolo com soja sabor laranja Olvebra sem OGM bom Diet Shake (38988P 1M2) suplemento alimentar sabor chocolate branco com cereais Nutrilatina detectada, mas não quantificada ruim In Natura shake diet (282) suplemento alimentar sabor chocolate In Natura sem OGM ruim Dietway (2533) mamão papaia Midway sem OGM muito ruim Bioredux (631) sabor banana Brasmed sem OGM desclassificada Molhos Marca (Lote) Produto Fabricante Presença de OGM Ranking de rastreabilidade Maggi/linha - variando o cardápio (806612281) molho à bolonhesa Nestlé 0,7% de Soja RR muito ruim Uncle Ben’s (L813BU01 085) molho madeira MasterFoods sem OGM desclassificada Leite de soja (pó e líquido) Marca (Lote) Produto Fabricante Presença de OGM Ranking de rastreabilidade Soy Milke (338) leite em pó Olvebra sem OGM bom Soy (EL 192) leite sabor natural Olvebra sem OGM bom Suprasoy (1A 08) leite em pó (light com fibras) Josapar 0,2% de Soja RR bom Sheffa (80910513) leite Tuiuti sem OGM regular Toddynho (L5 19) Toddynho soja PepsiCo do Brasil sem OGM muito ruim Ades (C 14/1/2009 15:24:00) leite Unilever sem OGM muito ruim Sollys (L 8049121061) leite Nestlé sem OGM Batavo Naturis (1 30/9/2008 09:03:00) soja sabor chocolate Perdigão Elegê Veg (06 JH 16) leite Perdigão 30 Revista do Idec | Dezembro 2008 Proteína texturizada de soja (PTS) Marca (Lote) Produto Fabricante Presença de OGM Ranking de rastreabilidade Camil (E55) PTS para carne vermelha Camil sem OGM regular Mais Vita (AFL - E8D1) PTS Yoki sem OGM ruim Soya (E130003624) PTS para carne branca Bunge sem OGM muito ruim Soya (E130003815) PTS para carne vermelha Bunge sem OGM muito ruim Salsicha vegetal Marca (Lote) Produto Fabricante Presença de OGM Ranking de rastreabilidade Swift (MSHS) salsicha - tipo hot dog JBS detectada, mas não quantificada ruim muito ruim Swift (SFSW) salsicha - tipo Frankfurt JBS sem OGM ruim sem OGM desclassificada Oderich (NAOOCA) salsicha ao molho Oderich sem OGM ruim sem OGM desclassificada Superbom (2S:08:05:23) salsicha vegetal Superbom sem OGM desclassificada Revista do Idec | Dezembro 2008 31 SERVIÇO SOJA TRANSGÊNICA DICAS Querem acabar com a rotulagem tectabilidade (quando for detectado mais de 1%). Com isso, todo o aprimoramento já alcançado por empresas alimentícias retrocederia, e grande parte dos alimentos não informaria o consumidor, pela impossibilidade de detecção no produto final. Entre outras coisas, o PL também elimina o símbolo “T” e a necessidade de rotular produtos derivados de animais alimentados com ração geneticamente modificada. O CONSUMIDOR DESCONFIA Os PLs se inserem em um contexto de crescente contestação à rotulagem por parte dos produtores, para quem as regras não teriam mais sentido, já que a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) teria “atestado a segurança” dos produtos ao liberá-los para comercialização. O setor alegava, também, dificuldade em segregar a soja transgênica da não-transgênica, fato que não se confirmou nesta pesquisa. Mas a verdadeira razão para tentar derrubar a rotulagem é que os fabricantes de produtos com potencial uso de OGMs sabem que, mantida a atual legislação, o uso de OGM fica limitado, já que o consumidor do mercado interno tende a recusar esses produtos – ou, pelo menos, a manter uma posição de desconfiança. Não fosse isso, não haveria motivo para sonegar a informação da natureza transgênica dos alimentos em seu rótulo. O teste e a pesquisa com soja transgênica foram realizados pelo Idec com apoio do Somo (Centre for Research on Multinational Corporations), organização não-governamental holandesa. FOTOS: PHOTOS.COM O Decreto de Rotulagem de Transgênicos (4.680/03) obriga a rotulagem de alimentos transgênicos ou contendo ingredientes geneticamente modificados somente quando sua presença ultrapassar o limite de 1% no produto. O decreto estabelece também que a rotulagem se baseia não na detecção de OGM no produto final, mas na rastreabilidade da cadeia de produção, isto é, na certificação da identidade da matéria-prima (se é ou não OGM). No teste feito pelo Idec, nenhum produto ficou acima do limite de 1%, o que denota a importância e a necessidade do selo, mostrando como a regulamentação contribuiu para que as empresas implantassem e aperfeiçoassem a rastreabilidade. Diferentemente do que as empresas costumavam dizer, a pesquisa do Idec comprovou que não é difícil separar os alimentos com ou sem OGMs, o que dá uma grande vantagem competitiva às empresas no mercado nacional e internacional. Apesar disso, dois projetos legislativos (um tramitando na Câmara e outro no Senado) pretendem modificar o atual status legal da rotulagem de transgênicos. O primeiro é o Projeto de Decreto Legislativo (PDS) no 90/07, da senadora Kátia Abreu (DEM-TO), que pretende acabar com o símbolo “T” (dentro de um triângulo amarelo) e abolir a exigência de se rotular os alimentos e ingredientes produzidos a partir de animais alimentados com rações contendo ingredientes transgênicos (art. 3o). Já o Projeto de Lei no 4.148/08, do deputado Luiz Carlos Heinze (PP/RS), altera as regras atuais de rotulagem de alimentos com OGMs, propondo, principalmente, mudar o quesito de rastreabilidade como determinante, para o da de- O ano está no fim e, enquanto os filhos comemoram a chegada das férias escolares, já é hora de os pais começarem a se preparar para a volta às aulas. No início do ano letivo, além da mensalidade, é preciso providenciar o material didático, o uniforme, o transporte escolar etc. – gastos que chegam todos de uma vez. Por isso, quanto antes começarem os preparativos, melhor. Com tempo e planejamento, é possível até economizar um pouco. O consumidor deve ficar atento às exigências das instituições, pois elas precisam seguir uma série de regras. Além disso, é preciso ficar de olho nas práticas abusivas dos colégios em caso de inadimplência, pois o aluno em débito não pode sofrer sanções pedagógicas. Ou ainda, em caso de desistência, o consumidor pode receber o dinheiro da matrícula de volta, dependendo da situação. As normas valem desde o nível básico ao superior, mas às vezes é preciso “ensinar” a escola a respeitar os seus direitos. MATERIAL Está certo que as aulas mal terminaram, mas você se lembra de como costuma ser a correria no início do ano nas papelarias em busca de material escolar? Sem falar em longas filas, preços altos... Então, para não engrossar a lista dos “pais desesperados”, comece a pesquisar o preço e, se possível, a comprar os itens indispensáveis. ● Antes, avalie os materiais que seu filho usou Revista do Idec | Dezembro 2008 33