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Soja: pequenos grãos com múltipla utilidade
Este material foi produzido pela entidade alemã FBCI – Food Biotech Communication
Initiative (em português, Iniciativa de Comunicação em Biotecnologia de Alimentos).
Apresentação
O QUE É?
Por diversas razões, a soja é uma cultura de certo modo desconhecida para a maioria dos
europeus. Seu ancestral natural praticamente não existe na Europa. Devido a exigências
climáticas, o cultivo da soja predomina nos continentes americano e asiático, não na
Europa. Tanto a soja integral quanto os produtos derivados de soja, como o leite de soja,
o molho de soja, o tofu, o tempeh e o broto de soja, introduziram-se há relativamente
pouco tempo no cardápio dos europeus.
Hoje, considera-se a soja uma lavoura indispensável, cultivada antes de tudo como
lavoura para rações. Após a extração do óleo dos grãos, sobra a torta de soja, ou farelo
de soja, usado principalmente como ração suplementar de alto teor protéico na
alimentação de gado.
O óleo de soja é a fonte mais importante de óleos vegetais no mundo todo. Mostram-se
igualmente importantes para usos alimentícios e industriais outros produtos da soja,
entre os quais a lecitina de soja emulsificadora e os ingredientes à base da proteína da
soja: farinha de soja, concentrados de soja e isolados de soja. Quase 60% de nossos
produtos alimentares contêm ingredientes à base de soja.
QUAIS?
Por meio da engenharia genética, desenvolveram-se variedades de soja tolerantes a
herbicidas, tidas como produtos de primeira geração da moderna biotecnologia vegetal.
A soja Roundup Ready® é tolerante ao herbicida glifosato e a Liberty Link® é tolerante
ao herbicida glufosinato de amônio.
Também manipularam geneticamente os grãos de soja a fim de alterar a composição de
seus ácidos graxos. A soja rica em ácido olêico Optimum® exibe teor mais elevado
desse ácido, que torna seu óleo mais apropriado para determinadas aplicações.
QUESTÕES
O único tipo de soja geneticamente modificada aprovada na União Européia é a soja
Roundup Ready®, tolerante ao herbicida glifosato. A aprovação abrange apenas
importação e processamento, não o cultivo. Não se plantará soja geneticamente
modificada na Europa.
Associa-se muito a alergenicidade à soja manipulada geneticamente e também à soja em
geral. Sabe-se que a cultura contém proteínas com propriedades alergênicas. Submetemse as lavouras modificadas pela engenharia genética a meticulosos exames para evitar a
ocorrência de algum agente alergênico inesperado, relacionado à introdução de novas
proteínas. A soja Roundup Ready® não contém alérgeno novo algum. Não obstante,
pessoas alérgicas à soja devem evitar produtos que contêm proteína de soja, inclusive
aqueles derivados de soja geneticamente modificada.
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CONCLUSÕES
A soja é uma planta de extrema importância para a alimentação animal e humana e para
aplicação industrial.
Foram desenvolvidas a soja Roundup Ready® e a soja Liberty Link® a fim de facilitar
práticas agrícolas, aumentar a produtividade e gerar benefícios ambientais durante a
produção da planta. Elas não apresentam qualquer vantagem adicional para o
consumidor após a colheita. São tratadas como soja comum durante o cultivo, a
colheita e o processamento.
Por outro lado, a soja Optimum®, rica em ácido olêico, é colhida e processada
separadamente da soja comum, isso é, tem “Identidade Preservada”. Trata-se de uma
soja especial, com características aprimoradas e preço superior.
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Artigo
INTRODUÇÃO
A soja cultivada (Glycine max) pertence ao gênero Glycine, da família das leguminosas,
ou Fabaceae, sendo aparentada do cravo, das ervilhas e da alfalfa.
Dentro do gênero Glycine, podem-se distinguir três subgêneros: Bracteata, Glycine e
Soja. A Glycine max pertence ao subgênero Soja, juntamente com a Glycine soja e a
Glycine gracilis.
A Glycine max é a soja cultivada, enquanto se considera a Glycine soja uma forma
silvestre da soja, que cresce em campos e áreas próximas a beiras de estrada. Considerase a Glycine gracilis uma forma daninha da soja.
Originária das regiões norte e central da China, a soja foi domesticada há cerca de 5 mil
anos, o que faz dela uma das plantas cultivadas mais antigas. Reputavam-na, juntamente
com o arroz, o trigo, a cevada e o painço, um dos cinco ‘grãos sagrados’. Embora natural
da China, os Estados Unidos hoje lideram sua produção. O primeiro carregamento de
soja para esse país deve ter ocorrido em 1804. O navio procedente da China trouxe o
grão como lastro barato e, ao aportar, despejaram-se os grãos para dar espaço à carga.
Os agricultores americanos começaram a plantar soja para diferentes finalidades, em
primeiro lugar como lavoura de forragem. No início do século XX, os pesquisadores
descobriram o valor que o cereal oferecia em termos de proteína e óleo, assim elevando
às alturas seu prestígio como alimento humano. A produção de soja como mercadoria de
primeira expandiu a partir da década de 20.
Os Estados Unidos produziram 74 milhões de toneladas de soja em 1997,
aproximadamente 50% da produção mundial. Outros importantes produtores de soja são
o Brasil (26,5 milhões de toneladas em 1997), a Argentina (14,5 milhões de toneladas
em 1997) e a China (13,5 milhões de toneladas em 1997). Na Europa, a produção de soja
é muito restrita, o que se explica sobretudo por causa das condições climáticas muito
variadas. O principal produtor europeu de soja é a Itália (1,1 milhões de toneladas em
1997). Como a Europa sofre grande carência de proteína, vê-se obrigada a importar soja.
A União Européia importou cerca de 16 milhões de toneladas de soja e 12 milhões de
toneladas de farelo de soja em 1997, sendo cerca de 60% dos grãos importados de
origem americana. Os principais países importadores são a Holanda (30%) e a Alemanha
(20%). Os grãos são processados na região de origem e/ou parcialmente redistribuídos
para outros estados membros da União Européia.
O grão de soja contém aproximadamente 38% de proteína, 18% de óleo, 30% de
carboidratos e fibras e 14% de umidade, cinzas e componentes secundários. A soja
consiste também em importante fonte de diversos minerais, vitaminas (inclusive as
vitaminas A, B1 e B2), tocoferol, fitoestrógenos e fitoesteróis.
Assim como muitas outras plantas, a soja também contém alguns fatores
antinutricionais. Os inibidores de tripsina, por exemplo, impedem a ação de enzimas
digestivas, como a tripsina, tornando a digestão da soja crua extremamente difícil. O
cozimento e o aquecimento dos grãos ou do farelo de soja inativam os inibidores de
tripsina. Na prática, o farelo de soja e os ingredientes protéicos originados da soja são
sempre cozidos antes do consumo.
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OS MUITOS USOS DA SOJA
A soja é uma planta de extrema relevância para a alimentação humana e animal e para a
indústria. Aproximadamente 60% de todos os produtos alimentícios contém ingredientes
derivados de soja. Constituem-se seus principais produtos o óleo de soja e os
ingredientes protéicos da soja, de múltipla utilidade. Também se aproveita a soja integral
para vários fins.
O farelo de soja, com teor protéico de 44% ou 48% (se o grão for descascado antes da
extração do óleo), é usado basicamente como suplemento rico em proteínas para a
criação de gado, suínos e aves domésticas. Emprega-se ainda o farelo de soja como
alimento de peixe na aquacultura, na produção de ração de animais domésticos e como
substituto do leite para bezerros.
Tostar e moer a torta da soja produz o farelo de soja. A torta em si é o que permanece
após a extração do óleo com solventes. No mundo todo produziram-se 89 milhões de
toneladas de torta de soja em 1997. Nesse ano, o consumo de farelo de soja na União
Européia girou em torno de 25 milhões de toneladas.
O óleo de soja é rico em ácidos graxos poliinsaturados. Pode ser usado como óleo de
salada, de cozinha e de fritura. Algumas aplicações são a produção de maionese,
margarina, cremes de adicionar ao café e outros produtos. O óleo também apresenta
aplicações industriais, como tinta de caneta, biodiesel, tintas de pintura em geral,
xampus, sabões e detergentes. A produção global de óleo de soja em 1997 atingiu
aproximadamente 20 milhões de toneladas. A União Européia consumiu cerca de 1,9
milhão de tonelada de óleo de soja em 1997.
A farinha de soja contém 49% de proteína. Após a remoção de carboidratos e minerais
solúveis com extração alcoólica, obtém-se o concentrado de soja, que possui pelo menos
65% de proteínas. Empregam-se a farinha e o concentrado de soja em rações animais
especiais. Na indústria alimentar, são importantes ingredientes da produção de cereais,
pães, biscoitos, massas, produtos finos de carne etc. Usa-se a proteína texturizada de
soja como substituto da carne. Os isolados de soja (pelo menos 90% de proteína) são
ingredientes funcionais empregados em produtos finos de carne e leite. Os usos técnicos
dos ingredientes protéicos e da farinha de soja incluem revestimentos de papel e
auxiliares de processos de fermentação.
A lecitina obtida pela extração da goma do óleo de soja bruto. É empregada como
emulsificador versátil na produção de produtos ricos em gorduras e óleos, como o
chocolate, a margarina e os produtos de panificação. Pode também ser usada como
agente estabilizador em banhas e como agente umectante para, por exemplo, cosméticos.
Os grãos inteiros da soja podem ser assados ou tostados ou ingeridos como broto de
soja. Servem também para a produção de leite de soja, sobremesas de soja, iogurte de
soja, sorvete de soja, tofu, tempeh, missô e molho de soja. O molho de soja é um líquido
marrom e saboroso, obtido pela fermentação dos grãos de soja.
A casca da soja é retirada durante o descascamento inicial dos grãos e contém material
fibroso. É usada como forragem grossa e também como fonte de fibras dietéticas de
cereais matinais e de certos lanches prontos.
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A BIOLOGIA DA LAVOURA DE SOJA
Recursos agronômicos
A soja é uma planta anual cujo bom desenvolvimento requer dias curtos e temperaturas
elevadas. Embora cultivada nos trópicos, subtrópicos e zonas temperadas, mostra-se
muito sensível a geadas, crescendo melhor em temperaturas entre 25 e 30°C. A planta
pode atingir uma altura de 1,5 metro.
Os grãos de soja crescem em vagens que se apresentam em cachos; cada pé é capaz de
produzir até 400 vagens e cada vagem contém dois ou três grãos, cujo formato e cor
dependem da variedade.
Antes da colheita, são necessários alguns dias de tempo seco para se obterem grãos com
teor de umidade inferior a 15%. O teor de umidade ideal para a colheita e armazenagem
é de 13%.
Reprodução
A soja é quase que inteiramente autopolinizada. A polinização cruzada ocorre por
intermédio de insetos polinizadores como abelhas, com freqüência de 0,5 a 1%. A soja
só se reproduz por sementes, não vegetativamente. As sementes (os feijões de soja)
dispersam-se no campo por trituração das vagens.
Fixação do nitrogênio
Conforme mencionado anteriormente, a soja pertence à família das leguminosas. As
espécies leguminosas caracterizam-se pelo fato de ‘fixarem’ nitrogênio em suas raízes
na presença da bactéria Rhizobium.
Embora a atmosfera seja rica em nitrogênio, a presença deste mesmo elemento muitas
vezes restringe o crescimento das plantas. A razão disso reside no fato de que as plantas
não conseguem retirar o nitrogênio do ar, tornando necessário que antes uma bactéria o
fixe. Existem diferentes tipos de bactéria fixadora de nitrogênio.
Nas raízes das plantas leguminosas, ocorre um sistema de fixação simbiótico do
nitrogênio na presença da bactéria Rhizobium. Formam-se nela nódulos compostos de
células vegetais, os quais contêm a bactéria fixadora de nitrogênio. É por meio desses
nódulos que o nitrogênio pode ser retirado, fixado e usado para alimentar a planta e a
bactéria. Esse nitrogênio fixado também escapa dos nódulos e enriquece o solo.
Costumam-se utilizar na rotação de lavouras as vagens que, misturadas à terra arada,
tornam o solo mais fértil.
As sementes das leguminosas em geral infectam-se com a bactéria Rhizobium antes da
semeadura. Em toda nova área de cultivo de leguminosas certamente inoculam-se
espécies de Rhizobium a fim de gerar um bom sistema de raízes ‘noduladas’. Cada
leguminosa exige uma cepa própria de Rhizobium; a da soja é a Bradyrhizobium
japonicum.
Pragas e doenças
Como várias outras plantas agrícolas, a soja é muito suscetível a certas pragas e doenças.
Uma praga bastante conhecida da soja é o nematóide do cisto da soja, capaz de fazer cair
substancialmente a produtividade de um campo de soja sem apresentar qualquer
sintoma. Podemos considerá-lo a praga de soja mais prejudicial nos Estados Unidos.
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Diversas espécies de inseto também atacam a soja. Dividem-se em três categorias,
dependendo dos hábitos alimentares: os que se nutrem da folhagem, das vagens e dos
caules. Os que se nutrem de folhagem não causam em geral muito dano, visto que a soja
tolera perdas consideráveis de folhagem sem prejuízo da produtividade. As perdas
provocadas pelos insetos que comem o caule também não se mostram significativas. Já
os que comem as vagens atacam as plantações e geram grandes estragos. Temos como
exemplos de peso dessa categoria a lagarta da espiga do milho e o percevejo. Essas
pragas justificam a aplicação de inseticida nas plantas de soja.
Entre as doenças que acometem a soja, distinguem-se as fúngicas, as virais e as
bacterianas.
Os principais fungos que infectam a lavoura da soja são a mancha parda, o cancro da
haste, o míldio da vagem e do caule, o míldio do sul, a podridão da raiz por
phytophthora, a podridão da raiz por fusarium e o mofo branco. Um vírus freqüente é o
do mosaico da soja e, entre as moléstias bacterianas, destaca-se o míldio bacteriano,
encontrado em todas as áreas onde se cultiva soja.
Métodos clássicos de melhoramento de cultivares
Como a soja é uma planta quase completamente autopolinizada, o cruzamento entre dois
pais diferentes precisa ser ‘forçado’. Em geral, removem-se as anteras da ‘mãe’, que
então são fertilizadas com grãos de pólen do ‘pai’. Depois disso, a autofecundação
(endogamia) se faz necessária num período de três a sete gerações para que se
desenvolva uma nova variedade de soja.
Os objetivos do melhoramento consistem em: aumentar a produtividade, melhorar a
qualidade nutritiva, reduzir fatores antinutricionais, aumentar o vigor das plantas,
conferir resistência a acamamento, doenças, insetos e nematóides, herbicidas, estresses
ambientais etc.
BIOTECNOLOGIA DA LAVOURA DE SOJA
1. Plantas de soja tolerantes a herbicida
As ervas daninhas disputam com as plantas água, luz e nutrientes, além de prejudicar o
volume e a qualidade da colheita. Temperaturas elevadas não estimulam só o
crescimento da soja como também o crescimento de ervas daninhas. Quase todas as
culturas de soja precisam de tratamento com herbicidas. Existem no mercado muitos
herbicidas eficazes para a soja.
Foram desenvolvidos dois tipos de planta de soja geneticamente modificada tolerante a
herbicida (tabela 1):
• Soja tolerante a glifosato, da Monsanto: soja Roundup Ready®
• Soja tolerante ao glufosinato de amônio, da AgrEvo: soja Liberty Link®.
Os dois são herbicidas não-seletivos de amplo espectro, que matam grande variedade de
plantas, pois não distinguem entre ervas daninhas e plantas úteis. Tornando a planta
tolerante a um ou a ambos os herbicidas, pode-se empregar o herbicida selecionado para
eliminar as ervas daninhas sem lesar a lavoura. A vantagem desses herbicidas,
comparando-se com muitos outros, é o fato de serem menos tóxicos e facilmente
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decompostos no meio ambiente. Ambos interferem na produção de aminoácidos, embora
de maneiras diferentes.
Convém observar que algumas variedades de soja são tolerantes ao herbicida seletivo
sulfoniluréia. Elas não se desenvolveram pela engenharia genética e sim por métodos de
melhoramento tradicionais. A sulfoniluréia age no combate às ervas daninhas de folhas
largas.
2. Soja com perfil de óleos alterado
Em 1977, aprovou-se nos Estados Unidos uma variedade de soja com perfil de óleos
alterado. A soja Optimum® da DuPont, rica em ácido olêico (ácido graxo
monoinsaturado), possui teor desse ácido correspondente a 80% ou mais, comparado a
24% da soja comum.
Nesse óleo, substituem-se ácidos graxos poliinsaturados por ácidos graxos
monoinsaturados, a fim de melhorar a estabilidade ao calor do óleo de soja. No
documento FBCI de número 5 (Modificação genética e composição de óleos vegetais),
encontram-se disponíveis mais informações sobre os óleos vegetais em geral e sobre a
soja DuPont Optimum® rica em ácido olêico.
A tabela 1 apresenta a relação das variedades de soja geneticamente modificadas
aprovadas nos Estados Unidos e União Européia.
Tabela 1: Variedades de soja geneticamente modificadas aprovadas hoje nos Estados
Unidos e União Européia
Empresa
Monsanto
Traço introduzido
Tolerância a herbicida
Aprovação nos EUA
1995
AgrEvo
DuPont
Tolerância a herbicida 1998
Perfil de óleos alterado 1997
Aprovação da UE
1996 (importação/
processamento)
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Estudo de caso: soja Roundup Ready® (RR)
A soja Roundup Ready® (RR) é manipulada geneticamente de modo a tolerar (a
aplicação de doses normais do) produto de controle de ervas daninhas glifosato,
ingrediente ativo do herbicida não seletivo Roundup®. O glifosato bloqueia a enzima
EPSP sintase, envolvida na via de produção de aminoácidos aromáticos em plantas. Pela
introdução de um gene que codifica uma EPSP sintase alternativa, que não é desativada
pelo glifosato, a soja se torna insensível ao glifosato. O gene que codifica a EPSP sintase
alternativa deriva da bactéria do solo Agrobacterium cepa CP4.
A planta de soja RR continua fazendo os aminoácidos aromáticos, mesmo na presença
de glifosato.
Nem animais nem seres humanos produzem aminoácidos aromáticos, pois neles essa via
não está presente. Isso explica a baixa toxicidade do glifosato para animais e seres
humanos.
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A soja RR foi inteiramente aprovada nos Estados Unidos em 1995 e lá comercializada
em 1996.
A Comissão Européia aprovou a importação, o armazenamento e o processamento de
soja na União Européia em 3 de abril de 1996, em acordo com a Portaria 90/220/EEC. A
Regulamentação de Alimentos Novos 258/97, que dispõe sobre alimentos e ingredientes
alimentares novos, ainda não estava em vigor. Conseqüentemente, essa soja não precisou
de liberação para Alimentos Novos.
No outono de 1996, importou-se dos Estados Unidos para a União Européia a primeira
soja geneticamente modificada, misturada com soja convencional. Processaram-na como
farelo de soja e óleo de soja. Na época são se exigia rotulagem especial.
Certos países membros da União Européia queriam a rotulagem de produtos alimentícios
contendo ingredientes dessa soja geneticamente modificada e estabeleceram suas
exigências nacionais.
Em 1º de setembro de 1998, entrou em vigor a Norma 1139/98/EC, que dispunha sobre a
rotulagem de certos produtos alimentícios fabricados com soja RR geneticamente
modificada. Ela substitui as exigências de rotulagem próprias de cada país.
Conseqüentemente, produtos alimentícios que contêm certos ingredientes derivados de soja
geneticamente modificada agora exigem rótulos.
Até o momento, outono de 1998, essa soja RR já recebeu aprovação nos Estados Unidos, na
União Européia, no Canadá, no México, na Argentina, no Brasil e no Japão. Em alguns
desses países, só se concedeu aprovação para a importação e o processamento da soja; em
outros, para o cultivo também.
Segundo a Monsanto, plantaram-se cerca de 10 milhões de hectares de soja RR nos
Estados Unidos em 1998, o que corresponde a cerca de 30% da área total de soja do
país. Há quem diga que mais de 80% da área de soja dos Estados Unidos serão plantadas
com soja RR no ano 2000. Espera-se que a Argentina plante cerca de 50% de sua área de
soja com soja RR para a safra de 1999. O Brasil retardou o plantio de soja RR para o ano
de comercialização seguinte.
QUESTÕES RELATIVAS À SOJA GENETICAMENTE MODIFICADA
1. Possibilidade de a lavoura adquirir características de erva daninha e de ocorrer
fluxo de genes para parentes silvestres
As variedades de soja geneticamente modificadas não apresentam propensão a adquirir
semelhança com ervas daninhas, uma vez que a G. max não é uma espécie daninha nem
invasiva e não cresce em habitats não tratados. Por conseguinte, o receio da
transformação em erva daninha não existe no caso da soja.
Outro problema associado a plantass geneticamente modificadas é a chance de ocorrer
cruzamento com parentes silvestres. A soja cultivada só pode cruzar com G. soja,
parente silvestre endêmico na China, Taiwan, Japão, Coréia e Rússia Oriental. O fluxo
de genes da soja cultivada para parentes daninhos, portanto, só seria possível nessa
região, e não nos Estados Unidos, no Brasil e na Argentina (maiores países produtores
de soja) ou na Europa. Ainda assim, os cruzamentos entre soja cultivada e G. soja se
mostram muito improváveis, uma vez que a soja é 99% autopolinizadora.
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Conseqüentemente, o cruzamento também não chega a ser motivo de preocupação no
caso da soja.
2. Possibilidade de as ervas daninhas se tornarem resistentes a herbicidas
O uso de um determinado herbicida em larga escala durante vários anos aumenta a
chance de as ervas daninhas se tornarem resistentes a ele. Quando a erva daninha se
torna resistente a um certo herbicida, a aplicação de outros herbicidas encontrados no
mercado ainda pode controlá-los, mas é melhor impedir que isso aconteça.
Para fazer com que uma planta como a soja se torne tolerante a um determinado
herbicida por meio da engenharia genética, passa-se a usar só esse herbicida no cultivo
da lavoura. Torna-se necessária a rotação entre diferentes herbicidas e entre diferentes
tipos de plantas tolerantes ao herbicida.
Mais informações sobre este assunto encontram-se disponíveis no documento FBCI de
número 3 (Plantas resistentes a herbicidas: controle de ervas daninhas sem agressão ao
meio ambiente).
3. Alergenicidade
Numa reação alérgica, o sistema imune do organismo reage intensamente com uma ou
mais substâncias que não causam problemas a pessoas não alérgicas. O pólen, as
gramíneas e as ervas daninhas, a poeira, os fungos, os animais domésticos e certos
alimentos e drogas e veneno de inseto são responsáveis pela maior parte das reações
alérgicas. A soja é um dos nove alimentos alergênicos mais comuns.
Um item importante da avaliação de segurança de alimentos geneticamente modificados
é sua capacidade de provocar alergia. Desenvolveu-se um sistema de testes dividido em
várias fases com a intenção de assegurar que os genes recém-introduzidos não
codifiquem proteínas alergênicas. Este sistema de teste revelou que a EPSP sintase
alternativa introduzida na soja RR não gera nenhuma preocupação de ordem alergênica.
A eficiência desse sistema de teste foi comprovada quando os pesquisadores
desenvolveram uma linha experimental de soja na qual foi introduzido um gene da
castanha do Pará. Descobriu-se logo no início dos procedimentos de teste a
alergenicidade da soja experimental. A Pioneer Hi-Bred International decidiu
interromper o desenvolvimento dessa linha de soja, que nunca veio a ser comercializada.
Mais
informações sobre a alergenicidade associada a plantas geneticamente
modificadas encontram-se disponíveis no documento FBCI de número 4 (Plantas
geneticamente modificadas e alergias alimentares).
9.3. Perguntas e respostas
1. As sojas geneticamente modificadas são seguras para consumo?
Antes de serem aprovadas, as plantas geneticamente modificadas têm sua segurança
rigorosamente testada. Investigam-se diversas questões, entre as quais a toxicidade e
alergenicidade das proteínas introduzidas. Consideram-se os alimentos geneticamente
modificados os produtos alimentícios mais exaustivamente testados do mercado.
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2. Já estão nos supermercados americanos produtos alimentícios feitos com
ingredientes obtidos da soja geneticamente modificada?
Sim, já estão nos supermercados americanos produtos alimentícios que levam ingredientes
obtidos da soja Roundup Ready® (RR). Ingredientes como proteína de soja, farinha de soja,
óleo de soja, hidrolisados de soja etc. podem ser (parcialmente) derivados de soja RR.
3. Produtos alimentícios feitos com ingredientes obtidos de soja geneticamente
modificada são rotulados na União Européia?
A Norma 1139/98/EC, que dispõe sobre a rotulagem de certos produtos alimentícios
produzidos com soja geneticamente modificada RR, entrou em vigor em 1º de setembro de
1998. Por conseguinte, os produtos alimentícios que contêm certos ingredientes derivados
dessa soja levam rótulos.
Essa norma também prevê o estabelecimento de uma, digamos assim, ‘lista negra’, ainda
em fase de desenvolvimento. Nela seriam mencionados ingredientes feitos sem ou com
níveis apenas vestigiais de DNA e de proteínas, que não precisam de rótulo. O óleo de soja
e talvez hidrolisados de proteína de soja serão incluídos nessa lista negra. Os aditivos como
a lecitina de soja não são tratados na norma 1139/98 e, portanto, não precisam de rótulo.
4. A soja Roundup Ready® será cultivada na União Européia?
Por motivos climáticos, a soja só é plantada em poucas áreas da região sul da Europa,
sobretudo a França e a Itália; ela precisa de temperaturas relativamente altas. A
quantidade produzida na Europa é limitada.
A soja RR não será cultivada na União Européia, uma vez que lá ela só foi aprovada
para importação e processamento, não para plantio.
5. Qual a vantagem das plantas tolerantes a herbicida, como a soja Roundup
Ready®?
As lavouras tolerantes a herbicidas podem ajudar a reduzir o impacto ambiental da
agricultura.
Em primeiro lugar, porque os herbicidas, ao quais as plantas adquirem tolerância por
meio da engenharia genética, são, em sua maioria, herbicidas não seletivos,
caracterizados por baixa toxicidade para animais e seres humanos e alta
biodegradabilidade. Conseqüentemente, podem-se evitar os herbicidas mais tóxicos e
ambientalmente menos desejáveis.
Em segundo lugar, porque as lavouras tolerantes a herbicida exigem menos aração. A
lavragem visa principalmente à extração das ervas daninhas. Entretanto, em certas áreas,
ela dá origem a uma perda contínua da crosta do solo, causado-lhe erosão e degradação.
O uso de lavouras tolerantes a um determinado herbicida permite que o herbicida seja
aplicado tanto antes quanto depois do plantio, o que reduz a necessidade de controle
mecânico das ervas daninhas e, por conseguinte, reduz os insumos totais de energia.
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Assim sendo, os sistemas de agricultura de cultivo mínimo reduzem sensivelmente os
custos ambientais totais do controle de ervas daninhas.
6. A soja Roundup Ready® provoca alergia?
Testaram-se minuciosamente as propriedades alergênicas da proteína adicionada à soja
RR. Os resultados revelaram inequivocamente que a enzima EPSP sintase introduzida
não representa motivo algum de preocupação em termos de alergia. Quem é alérgico à
soja tradicional deve evitar todos os tipos de soja. Quem não é alérgico à soja
convencional pode consumir produtos feitos com soja RR sem preocupação alguma com
a alergenicidade.
7. Quem é alérgico a castanhas deve evitar produtos feitos com soja, tendo em vista
que algumas linhas de soja contêm a proteína da castanha do Pará?
Não, este é um dos mais inverídicos e persistentes boatos sobre a moderna
biotecnologia. Há alguns anos a Pioneer Hi-Bred International desenvolveu uma linha
experimental de soja que continha um gene retirado da castanha do Pará. Essa linha de
soja revelou-se alergênica para pessoas alérgicas à castanha do Pará. Em virtude desse
caráter alergênico, ela jamais veio a ser desenvolvida em variedade comercial.
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Sites de referência
Sites sobre soja em geral com muita informação
http://www.soybean.org/index.html
http://www.asa-europe.org/asa.htm
http://www.ag.uiuc.edu/~stratsoy/new/
http://www.talksoy.com/
http://www.sojatech.com/
Os muitos usos da soja
http://www.asa-europe.org/soja/mircrop.htm
http://www.talksoy.com/manufactured.htm
http://www.talksoy.com/overview.htm
http://www.soyfoods.com/soyfoodsdescriptions/descriptions.html
http://www.ag.uiuc.edu/~food-lab/soy/soy.html
Os números da produção da soja
http://apps.fao.org/
História da soja
http://www.agron.iastate.edu/soybean/history.html
http://www.asa-europe.org/history.htm
Biologia da lavoura de soja
http://www.cfia-acia.agr.ca/english/plant/pbo/t11096e.html
http://www.aphis.usda.gov/biotech/soybean.html
http://www.agron.iastate.edu/soybean/beangrows.html
http://www.bsi.vt.edu/facultyfiles/biol_4684/Microbes/bradyrhizobium.html
http://www.umr.edu/~djwesten/Bj.html
Pragas e doenças da soja
http://www.isis.vt.edu/~fanjun/text/Link_pest19.html
http://ipmwww.ncsu.edu/AG271/soybeans/soybeans.html
http://hammock.ifas.ufl.edu/txt/fairs/8626
http://ipm-www.ncsu.edu/soybeans/insects/insects_soybeans.html
http://aes.missouri.edu/delta/muguide/g4452.htm
http://www.pioneer.com/usa/crop_management/national/fieldsampling_scn.htm
http://www.pioneer.com/usa/crop_management/national/manage_whitemold.htm
Soja Roundup Ready®
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http://www.cfia-acia.agr.ca/english/plant/pbo/dd9505e.html
http://www.RoundupReady.com/Soybeans/
http://www.roundupready.com/soybeans/rrtechnology.htm
http://www.monsanto.com/Monsanto/Media/Info/Docs/970421-soybean.html
http://www.biotechknowledge.com/showlib.cgi?117
http://www.info-biotechnologie.de/ (Alemão)
Soja rica em ácido olêico
http://www.dupont.com/ag/qualitygrains/news/nd/factc.html
http://www.optimumqualitygrains.com/page.cfm?pageid=11&sid=11
Soja tolerante a sulfoniluréia
http://www.pioneer.com/xweb/usa/technology/fsstssoy.htm
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Soja: pequenos grãos com múltipla utilidade Este material foi