LÍNGUA PORTUGUESA E LITERATURA BRASILEIRA - Grupos D, E, F, G e L - Gabarito
1a QUESTÃO: (2,0 pontos)
Avaliador
Revisor
Os gêneros textuais materializam os papéis sociais que desempenhamos em diversas situações
de comunicação.
A seguir, um mesmo fato – o governador Sérgio Cabral se encanta com as ciclovias de Paris –
gerou diferentes comentários em gêneros textuais também distintos: a notícia na revista Isto é, a charge
e a carta de leitor no jornal O Globo .
A febre das CICLOVIAS
Governador Sérgio Cabral se encanta com
modelo parisiense e planeja adotá-lo no Rio
FRANCISCO ALVES FILHO
Bastaram algumas pedaladas em Paris para o
governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB),
confirmar que as bicicletas já utilizadas por muitos
cariocas podem ser uma boa alternativa de transporte
público. Por lá, diariamente, 160 mil franceses vão
sobre duas rodas para o trabalho ou a escola, através
de um sistema batizado de Velib. A população
parisiense faz uma espécie de aluguel de bicicleta por
um dia, uma semana ou um mês para circular nos cerca
de 400 quilômetros de ciclovias, que estão integrados
aos outros transportes públicos. “É extraordinário. Não
é poluente, estimula a saúde com a prática de
exercícios físicos e é amigável ao bolso do mais pobre”,
comentou o governador fluminense, que pretende
implantar um modelo similar em algumas cidades do
seu Estado. A óbvia preocupação com a possibilidade
de roubos não incomoda Cabral. “As bicicletas terão
aparelhos de GPS”, explicou, referindo-se à tecnologia
de localização por satélite.
ISTO É,
20/5/08
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a) A notícia geralmente apresenta o fato sem uma posição crítica evidente. No entanto, há uma passagem em
que o jornalista interfere na notícia, de forma direta, ressaltando um ponto de vista crítico em função da
diferença entre a realidade de Paris e a do Rio de Janeiro.
Transcreva a frase que confirma essa afirmativa.
Resposta:
A óbvia preocupação com a possibilidade de roubos não incomoda Cabral.
b) Identifique um aspecto da crítica feita por Chico Caruso na charge, por meio da intertextualidade com a
fotografia do governador Sérgio Cabral em Paris.
Resposta:
Entre outras possibilidades:
A diferença do clima entre Paris e Rio de Janeiro, visível nas marcas de suor no rosto do Cristo;
A situação inesperada de o Cristo (símbolo da cidade) estar andando de bicicleta;
A situação de violência indiscriminada no Rio de Janeiro em contrapartida com uma atitude tranqüila expressa
na foto.
c) Transcreva, da carta do leitor a seguir, um exemplo em que o locutor se inclui discursivamente na situação
apresentada.
Bicicletas de Paris
· Engraçada a foto do governador do Rio andando de braços abertos
numa bicicleta. Se fosse aqui no Rio, provavelmente acharíamos
que ele estava sendo assaltado. Os cariocas não andam mais de
braços abertos, mas de braços para o alto, pedindo a Deus que
nos proteja. Será que o ilustre governante e sua comitiva aceitariam
fazer um passeio ciclístico por algumas ruas de São Cristóvão,
Tijuca e Centro? Acredito que ele chegaria ao fim do percurso sem
o terno, o relógio e, principalmente, sem a bicicleta. Será que o
Rio merece isso? Antes das bicicletas, queremos ter mais
segurança.
LIANE GOUVEA
(por e-mail, 20/05), Rio.
Resposta:
Os cariocas não andam mais de braços abertos, mas de braços para o alto, pedindo a Deus que
nos proteja. Ou: Antes das bicicletas, queremos ter mais segurança.
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d) Justifique o emprego do pronome demonstrativo na frase “Será que o Rio merece isso?”, levando-se em
conta a coesão textual.
Resposta:
O pronome “isso” aponta e resume a crítica que o locutor faz à atitude do governador em sugerir o uso de
bicicletas no Rio, ignorando a situação de intranqüilidade provocada pela violência.
2a QUESTÃO: (2,0 pontos)
Avaliador
Revisor
No gênero publicitário há diversas estratégias enunciativas verbais e não-verbais que criam um clima de
confiança para o convencimento do leitor, associando o produto anunciado a um modo de ser e de estar no
mundo.
a) Depreenda do texto publicitário acima duas estratégias textuais usadas para o convencimento do leitor.
Resposta:
(Estratégia semântica) O emprego do verbo “inventar” com sentidos diferentes, mas em ambos os casos, com
valor positivo: nos três primeiros quadros, “inventar” tem o sentido de criar, descobrir; no quarto, o verbo “inventar”
destaca que a revista Época só publica o que é verdadeiro, sem mentir, sem criar (Pode haver ainda uma
referência ao pleonasmo: “nunca/nada”).
(Estratégia de sintaxe de colocação) A antecipação do adjunto adverbial de tempo, enfatizando a idade de alguns
dos principais inventores de nosso tempo, nos três primeiros quadros. No quarto quadro, uma pessoa aos dez
anos tem como uma das características a idealização de fatos, a fantasia; a revista, ao contrário, embora jovem,
não distorce os fatos.
(Pode haver ainda uma referência à pontuação após os nomes dos inventores e da revista; bem como a referência
a inventores ligados à comunicação.)
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NÃO, ESPERE.
NÃO ESPERE.
ISSO SÓ, ELE RESOLVE.
ISSO, SÓ ELE RESOLVE.
ACEITO, OBRIGADO.
ACEITO OBRIGADO.
ESSE, JUIZ, É CORRUPTO.
ESSE JUIZ É CORRUPTO.
NÃO QUERO LER.
NÃO, QUERO LER.
Adaptado da revista Época , 17/04/2008
A Associação Brasileira de Imprensa se utiliza de pares de frases com pontuações diversas para mostrar
a importância da vírgula na produção de sentido desejada.
b)
Dentre os pares apresentados, escolha dois para explicar a mudança de sentido em função do emprego da
vírgula.
Resposta:
Entre outros modos de dizer:
O uso ou não da vírgula implica os seguintes sentidos:
1- A vírgula pode ser uma pausa: há um pedido ao interlocutor “que espere”; sem a vírgula a idéia é que o
interlocutor “não espere”.
2- A vírgula após “só” indica que pouca coisa “ele” pode resolver; a vírgula após “ isso”, indica que somente
“ele” pode resolver coisa de tal importância.
3- A virgula implica a aceitação espontânea de algo; já sem a vírgula o interlocutor aceita apenas porque não
pode negar, aceita compelido pelas circunstâncias.
4- O uso das vírgulas indica, no primeiro exemplo, que alguém aponta ao juiz (vocativo) uma pessoa corrupta;
no segundo, o juiz (núcleo do sujeito) é apresentado como corrupto.
5- A ausência da vírgula indica uma atitude negativa (não quero ler); já o uso da vírgula após o “não” indica
que a pessoa rejeita algo porque quer ler.
3a QUESTÃO: (2,0 pontos)
Avaliador
Revisor
Fragmento de texto: Sermão do Mandato, Antônio Vieira
Tudo cura o tempo, tudo faz esquecer, tudo gasta, tudo digere, tudo acaba. São as feições como as
vidas, que não há mais certo sinal de haverem de durar pouco, que terem durado muito. São como as linhas,
que partem do centro para a circunferência, que quanto mais continuadas, tanto menos unidas. Por isso os
antigos sabiamente pintaram o amor menino; porque não há amor tão robusto que chegue a ser velho. De
5 todos os instrumentos com que o armou a natureza o desarma o tempo. Afrouxa-lhe o arco, com que já não
atira; embota-lhe as setas, com que já não fere; abre-lhe os olhos com que vê o que não via; e faz-lhe
crescer as asas, com que voa e foge. A razão natural de toda esta diferença é porque o tempo tira novidade
às coisas, descobre-lhe os defeitos, enfastia-lhe o gosto, e bastam que sejam usadas para não serem as
mesmas. Gasta-se o ferro com o uso, quanto mais o amor?! O mesmo amar é causa de não amar e o ter
10 amado muito, de amar menos.
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a) Reescreva o trecho: “Afrouxa-lhe o arco, com que já não atira; embota-lhe as setas, com que já não fere;”
substituindo o pronome pessoal por outra palavra de valor sintático e semântico equivalente.
Resposta:
Afrouxa seu arco, com que já não atira; embota suas setas com que já não fere.
b) Explique o efeito de sentido do uso do pretérito perfeito na passagem: “Por isso os antigos sabiamente
pintaram o amor menino;” (linhas 3-4) em um texto que apresenta, predominantemente, os verbos no presente do
indicativo.
Resposta:
Predominantemente o texto se constrói no presente do indicativo para indicar uma verdade permanente, enquanto
o uso do pretérito perfeito aponta fato realizado no passado, já concluído.
4a QUESTÃO: (2,0 pontos)
Avaliador
Revisor
Abaixo, você encontra dois fragmentos que também se referem ao tempo. Selecione apenas aquele
que tenha relação com o Sermão do Mandato de Antônio Vieira. Justifique sua escolha.
Fragmento 1
“Gozai, gozai da flor da formosura,
Antes que o frio da madura idade
Tronco deixe despido, o que é verdura.
Que passado o Zenith da mocidade,
Sem a noite encontrar da sepultura,
é cada dia ocaso da beldade.”
Fragmento 2
“Leva-me o tempo para a frente,
certo de sua direção.
Pausado passo indiferente.”
Resposta:
Fragmento 1 - Os versos enfatizam a ação deletéria do tempo, que também está presente no texto de
Vieira, embora no texto do Padre não se ache alusão ao tema do carpe diem (aproveite o momento), mas à ação
destrutiva do tempo sobre o amor, inclusive afirmando que, de todos os instrumentos com que a natureza armou o
amor, o tempo o desarma.
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5a QUESTÃO: (2,0 pontos)
Avaliador
Revisor
“Os estados de alma [de Pedro e Paulo] que daqui nasceram davam matéria a um capítulo especial, se
eu não preferisse agora um salto, e ir a 1886. O salto é grande mas o tempo é um tecido invisível em que se
pode bordar tudo, uma flor, um pássaro, uma dama, um castelo, um túmulo. Também se pode bordar nada.
Nada em cima de invisível é a mais sutil obra deste mundo, e acaso do outro.”
O trecho acima pertence ao romance Esaú e Jacó, de Machado de Assis. Trata-se do capítulo XXII,
intitulado significativamente “Agora um salto”, em que o narrador justifica não dar maiores detalhes sobre os
estados de alma dos personagens, e dar um “salto” para mais adiante no tempo em que os eventos narrados
ocorrem.
Abaixo, você encontra dois fragmentos que também se referem ao tempo. Selecione um que tenha
relação com o texto de Machado de Assis. Justifique sua escolha.
Fragmento 1
“O tempo é minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.”
Fragmento 2
“Os eventos literários podem ser narrados em uma seqüência mais cronológica, ou com flashbacks (retorno a
eventos anteriores) ou flashforwards (avanço para eventos posteriores).”
Resposta:
Fragmento 2 - O “salto” é uma opção do narrador para, em vez de seguir a ordem cronológica dos eventos no
romance, fazer um flashforward e passar a narrar eventos posteriores. A metáfora do tempo como “um tecido
invisível em que se pode bordar tudo” desvela a liberdade do narrador para adotar a estratégia narrativa que lhe for
mais conveniente em termos do tempo relativo aos eventos narrados.
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Língua portuguesa e literatura brasileira