Software de simulação do arranjo do empacotamento de partículas e os vazios existentes Lucas W. A. Mattias1, Gustavo F. Luz2, Elvys A. Soares3 1 Graduando em engenharia civil – Instituto Federal de Alagoas. [email protected] Av. Alagoas, S/N, Palmeira de Fora – 57.601-220 – Palmeira dos Índios – AL – Brazil 2 Técnico de Informática (3° ano) – Instituto Federal de Alagoas Av. Alagoas, S/N, Palmeira de Fora – 57.601-220 – Palmeira dos Índios – AL – Brazil 3 Departamento de informática – Instituto Federal de Alagoas Av. Alagoas, S/N, Palmeira de Fora – 57.601-220 – Palmeira dos Índios – AL – Brazil Abstract. Concrete is the most common material used in construction. Its use occurred after the deposit of cement patent Portland by Joseph Aspdin in 1824 in England. The dispersion of the particles in the concrete mixtures and the resulting microstructure cause interference in hardened concrete properties unmeasurable importance to construction, such as compressive strength, porosity and water absorption. Interpret and analyze these properties are today a challenge. The simulations by numerical methods require a complex implementation to achieve the expected results, the engineers have not always favorable environment to this practice, and is scarce software that provide the modeling of particle arrangement. This project aims to provide engineers and calculating software that give these results requiring simple softuser interaction, providing the calculation of empty and your view on the crosssectional area in adjustable scales. Keywords: Concrete; Arrangement of particles; numerical simulations; Discrete Element Method. Resumo. O concreto é o material mais utilizado na construção civil. Seu emprego ocorreu após o deposito da patente do cimento Portland por Joseph Aspdin, em 1824, na Inglaterra. A dispersão das partículas nos traços de concreto e a microestrutura resultante causam interferência em propriedades do concreto endurecido de importância imensurável à construção civil, tais como resistência mecânica à compressão, porosidade e absorção d’água. Interpretar e analisar essas propriedades são até hoje um desafio. As simulações por métodos numéricos exigem uma complexa implementação para se atingir os resultados esperados, nem sempre os engenheiros têm um ambiente favorável à esta prática, bem como é escasso softwares que proporcionem a modelagem do arranjo das partículas. Este projeto visa oferecer aos engenheiros e calculistas um software que dê esses resultados exigindo simples interação soft-usuário, fornecendo o cálculo dos vazios e sua visualização em corte da área transversal em escalas ajustáveis. Palavras-chave: Concreto; Arranjo de partículas; Simulações numéricas; Método de Elementos Discretos. Introdução “O Método dos Elementos Discretos (MED) Tem sido empregado para simular o movimento de partículas de materiais granulares e rochosos, mas tem se tornado popular como um método para representar materiais sólidos e para o estudo de problemas de fluxo, pois conduz a uma menor adoção de parâmetros de análise que os métodos em que o meio é considerado como um contínuo” (FERREIRA, 2009). O presente trabalho propõe a modelagem de simulações de traços de concreto por meio de MED em software prórpio. Para uma análise mais robusta das propriedades do concreto, como sua resistência à compressão, índice de absorção d’água, sedimentação, consistência e risco de trincas e fissuras, é necessário um melhor conhecimento do arranjo das partículas, a qual necessita de imagens microscópicas. Segundo Ferreira (2009), é a partir do entendimento das propriedades microscópicas e o comportamento da interação entre elas que o MED permite avaliar o comportamento das propriedades físicas e mecânicas macroscópicas. Contudo há uma carência no mercado de softwares para engenharia civil que façam essa simulação prévia. O concreto caracteriza-se por ser um material heterogêneo, com uma ampla quantidade de partículas, que vão desde diâmetros como do sílte ou sílica ativa até os da brita e pedra de mão. Nem sempre fazer a dosagem do concreto com várias partículas é fácil, já que o problema do empacotamento dos grãos se torna mais relevante. Melhorando o empacotamento das partículas torna o concreto mais homogêneo, mínima os efeitos da zona de transição e o índice de vazios, aumentando a resistência. Em obras de engenharia, principalmente as de grande porte, geram desafios tecnológicos que visam maximizar a segurança e minimizar os custos. As resoluções de tais problemas geralmente se fundamentam em dois tipos do conhecimento: analítico e por simulação. A complexidade dos comportamentos de fenômenos físicos torna, em muitas vezes, o método analítico inviável. As simulações podem ser em protótipos fiéis aos reais, que garantem muita confiabilidade, ou em métodos numéricos realizados em computadores, com poucas restrições de teses. Simulações de arranjo de partículas em traços de concreto ocorrem com pouca freqüência, não sendo difundido na engenharia civil como procedimento indispensável aos cálculos. As simulações necessitam de recursos computacionais e algoritmos complexos, nem sempre os engenheiros desfrutam das situações mais favoráveis para implementar um método numérico. Há necessidade de um software que possibilite interface de utilização simples e acessível à comunidades de engenheiros. O presente trabalho visa aliar as simulações de empacotamento de partículas por Método de Elementos Discretos, para proporcionar uma visualização do arranjo geométrico dos grãos e suas influências, proporcionando, assim, uma alternativa à microscopia eletrônica ou uma forma prévia de análise do traço desejado. Desta maneira, poderá o calculista analisar propriedades do concreto endurecido antes mesmo de moldá-lo, ainda na fase de calculo, pois, atualmente, estudos mais aprofundados ocorrem apenas depois da cura do concreto. Trabalhos relacionados Nos últimos anos, o interesse pelo empacotamento das partículas aumentou nas diferentes áreas da engenharia. Esse interesse pode ser explicado pelo fato de que uma grande parte dos materiais naturais ou industriais com os quais lidamos diariamente são - ou contém - partículas de diferentes formas e tamanhos. Nesse campo de ação, as “partículas” são consideradas como os grãos de agregados, minerais, metais ou pós químicos, solos, moléculas, poros ou rochas. Assim, o comportamento de tais materiais depende parcialmente das propriedades das partes que o compõem e parcialmente das interações entre elas. (STROEVEN apud CASTRO, 2009) O estudo do empacotamento de partículas pode ser definido como o problema da correta seleção da proporção e do tamanho adequado dos materiais particulados, de forma que os vazios maiores sejam preenchidos por partículas menores, cujos vazios serão novamente preenchidos com partículas ainda menores e assim sucessivamente. (OLIVEIRA apud CASTRO, 2009). De uma forma simplificada pode-se classificar os métodos de modelagem em dinâmicos e geométricos (construtivos). FACCIO JUNIOR (2012) destaca que os algoritmos dinâmicos possuem vantagens como controle de porosidade e controle da distribuição granulométrica. Porém, como desvantagem têm-se o alto custo computacional. Já os algoritmos geométricos possuem como vantagem principal o custo computacional reduzido, mas em geral, não são capazes de atender simultaneamente parâmetros como porosidade e distribuição granulométrica preestabelecidos. A geração de partículas através de processos pontuais apresentado por FACCIO JUNIOR (2012) consiste em decompor o domínio em células, e nessas inserir as partículas. A cada partícula inserida, realiza-se o tratamento de contorno, que possibilita que todas as partículas estejam dentro da célula criada. Outra condição exigida é que não haja sobreposição de partículas. Caso não atenda às condições, é recolocada a mesma partícula em um ponto diferente, e refeito as verificações, quais têm um limite máximo de tentativas, chamado de intensidade do processo, e não atendendo a partícula é descartada. É necessário que a porosidade seja atendida para que o processo seja finalizado. BAGI (2005) propõe o método de inserção de novas partículas e melhoramento da frente, qual consiste em criar polígonos com os centros das partículas e cada nova partícula pnew (nova partícula) depende de pprev1 (partícula anterior à criada), pact (partícula criada) e pnext1 (previsão da próxima partícula a ser criada), havendo necessariedade de que não haja sobreposição e que o novo grão esteja dentro do polígono. DANG e MEGUID (2010) propõe um algoritmo para empacotamento de partículas com porosidade e diâmetros dos grãos predefinidos. As simulações numéricas foram realizadas para avaliar o desempenho do algoritmo proposto. O empacotamento das partículas é gerado pela montagem de amostras de pequena dimensão, que tenham sido submetidas a um processo de densificação, utilizando a técnica espelhamento proposto. Este procedimento provou ser bem sucedido na manutenção da estrutura das amostras geradas no empacotamento final e as propriedades realistas produzidos e distribuição das tensões no interior da embalagem final. GOUVEIA (2011) apresenta uma estratégia para a geração de meios particulados formados por discos ou esferas usando GPU. O procedimento de geração de partículas para as simulações numéricas com o MED apresentado utiliza o método de minimização de funções de Levenberg-Marquardt para minimizar as distâncias entre uma partícula e suas incidências. Parte-se de um arranjo inicial aleatório de partículas e visa-se obter um arranjo final que satisfaça, de forma aproximada, os parâmetros de porosidade e granulometria inicialmente estabelecidos. Esse método de funções de Levenberg-Marquardt consiste em utilizar matrizes jacobianas transpostas para minimizar as distâncias entre partículas alterando o vetor posição entre as partículas. As propostas apresentadas oferecem meios de inserção de partículas de forma aleatória ou sem uma relação de proporcionalidade entre as taxas de ocupação de espaço das partículas de granulometria diferentes. Uma opção válida a se ofertar é que haja uma relação estabelecida entre a partícula de diâmetro i e (i-1) ocupadas no espaço obedecendo aos princípios físicos, de porosidade, granulométricos e geométricos. Metodologia Na implementação do software, dividiu-se em duas etapas: cálculo dos vazios e modelagem do arranjo geométrico da distribuição. Ou seja, uma parte algébrica e outra geométrica, onde mesmo na parte geométrica exige um escopo de cálculos bem complexos. Para o cálculo de vazios V modela-se uma fórmula iterativa Vi com i variando do maior diâmetro encontrado ao menor, onde o volume total é dividido em cilindros de raio Ri igual à metade do diâmetro Di e altura Di. Desta maneira, subtrai-se do volume total o volume correspondente ao volume da esfera, e isso ocorre com os próximos cilindros de dimensões menores, até que apenas reste no volume total o volume dos vazios, já o que os das partículas foram subtraídos. Para a modelagem geométrica das partículas do concreto, necessita-se que algumas condições primárias sejam satisfeita. Não é aceito sobreposição das esferas (3d) ou discos (2d) nem o contorno da circunferência pela fronteira da célula (sub domínio). Isto garante que todas as partículas estarão dentro do domínio e não ocupam o mesmo lugar no espaço. Outra condição é que o somatório das forças internas seja igual à zero, isto garante a estabilidade interna do concreto em estado fresco. O volume total é divido em células (sub domínios) e preenchido proporcionalmente pelas partículas, onde estarão empilhadas uniformemente. Logo depois é aplicado um sistema de equações para deslocamento dos grãos afim de se atender as condições acima descritas. Uma interface é gerada para interagir com o usuário, recebendo dados e fornecendo novos dados trabalhados. Ao fim, uma imagem 2d é fornecido ao usuário em escala ajustável para estudo micro-estrutural prévio à moldagem dos corpos de prova. Resultados parciais Para calcular o volume total de vazios no interior de um traço, leva-se em consideração o volume ocupado pelas partículas e o volume total abatido a taxa de compactação. Portanto, o volume de vazios presentes no interior de um traço de concreto é: (1) Na equação 1, Ni é a quantidade de partículas de diâmetro i e Vei é o volume por partícula. O volume de vazios Vv presentes é igual ao complemento do volume ocupado pelas partículas. Como o volume das partículas pode ser calculado como o somatório dos volumes das partículas de diâmetro i, Vv é a subtração do volume total Vt abatido a taxa de compactação pelo Vei de cada tipo de partícula. Para efeitos de cálculos, considerando uma distribuição linear dos vazios em relação aos diâmetros, o valor do diâmetro i adotado é o diâmetro médio entre Di e Di1. Para a modelagem, divide-se o volume total Vt em volume por partícula V/Pi e as distribui, concêntricas ao ponto médio. De forma dinâmica, é feito isto da partícula 1, 2, 3, ..., n (da maior pra menor). Contudo, essa distribuição não proporciona uma simulação confiável por desprezar as tensões internas e suas deformações provenientes. Para que esteja estável o concreto, o somatório das forças internas precisa ser nulo, havendo, porém, distribuição nas superfícies de contato. Com isto, todas as partículas precisam estar tangenciando umas as outras, formando um polígono com os segmentos de retas formados entre os centros das esferas. As forças internas são: Força Peso, Empuxo, Atrito, Eletromagnética, e outras. Para estar apto à encerrar o processo, é necessário que não haja sobreposição das partículas e que as circunferências não contornem a fronteira do domínio. A figura 1 apresenta o fluxonograma do processo de modelagem geométrico das simulações. Figura 1 – Fluxonograma da modelagem geométrica. Uma interface é gerada para interagir com o usuário, recebendo dados e fornecendo novos dados trabalhados. Ao fim, uma imagem 2d é fornecido ao usuário em escala ajustável para estudo micro-estrutural prévio à moldagem dos corpos de prova. Para a modelagem computacional, foi escolhido o software Blender, que, além de ser livre e gratuito, possui uma grande variedade de ferramentas, entre elas a de modelagem. Tais ferramentas podem ser acessadas pela interface gráfica do Blender, porém para este projeto é necessário que elas sejam acessadas através de um algoritmo, de forma automática, sem que seja preciso o usuário ter conhecimentos em Blender, para isto o Blender possui uma ferramenta que possibilita usufruir de suas funcionalidades através de algoritmos, com o nome de scripts, onde há somente uma linguagem disponível para construção desse scripts, que é o Python, uma linguagem de programação relativamente nova, que oferece uma linguagem simples e poderosa, portanto, como Python será utilizada para acessar as ferramentas do Blender, ele também está sendo usada para construção da interface com o usuário, onde é utilizada uma biblioteca com funções próprias para essa tarefa, e também para os algoritmos necessários para se fazer a modelagem. Na Figura 2 abaixo é mostrada a interface gráfica com usuário, onde, de maneira simples, os dados são fornecidos ao software para que seja feito o calculo do volume de vazios e também a geração da modelagem no Blender. Figura 2 – Interface prévia do ambiente de coleta de dados. Considerações finais Conhecer a microestrutura do concreto e os vazios internos é de fundamental importância aos engenheiros para possibilitar o cálculo de uma maior resistência à compressão, com menos porosidade no concreto e, por conseqüência, menor absorção d’água. Ter este estudo antes de moldar o concreto proporciona uma otimização do uso de materiais e do tempo. A presente pesquisa visa oferecer aos engenheiros e calculistas um software que dê esses resultados exigindo simples interação soft-usuário, fornecendo o cálculo dos vazios e sua visualização em corte da área transversal em escalas ajustáveis. Como perspectivas futuras, espera-se implementar o algoritmo para modelagem 2d do arranjo das partículas e da interface gráfica de interação com o usuário. É esperado que seja comprovado por testes laboratoriais a eficácia do modelo proposto. Referências BAGI, K. An algorithm to generate random dense arrangements for discrete element simulations of granular assemblies. Granular Matter (2005) 7: 31–43 CASTRO A. L. de, PANDOLFELLI V. C. Conceitos de dispersão e empacotamento de partículas para a produção de concretos especiais aplicados na construção civil. Cerâmica 55 (2009) 18-32 DANG, H K, Meguid, M A, Algorithm to Generate a Discrete Element Specimen with Predefined Properties. J. Geomech. 2010.10:85-91 FACCIO JÚNIOR, C, J. GONÇALVES, G. G., FRERY, A. C., Lira, W. W. M., DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL DE PARTÍCULAS 3D UTILIZANDO PROCESSOS PONTUAIS. Cilamce, 2011. FACCIO J_UNIOR, C. J. (2012). 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