UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “JÚLIO DE MESQUITA FILHO”
FACULDADE DE CIÊNCIAS AGRONÔMICAS
CAMPUS DE BOTUCATU
BIOLOGIA DO PSILÍDEO-DE-CONCHA Glycaspis brimblecombei
MOORE (HEMIPTERA:PSYLLIDAE) EM DIFERENTES ESPÉCIES
DE EUCALIPTO E EM Eucalyptus camaldulensis SOB DIFERENTES
TEMPERATURAS.
DANIELA CRISTINA FIRMINO
Dissertação apresentada á Faculdade de
Ciências Agronômicas da UNESP - Campus
de Botucatu, para obtenção do título de
Mestre em Agronomia (Proteção de Plantas).
BOTUCATU - SP
Setembro - 2004
UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “JÚLIO DE MESQUITA FILHO”
FACULDADE DE CIÊNCIAS AGRONÔMICAS
CAMPUS DE BOTUCATU
BIOLOGIA DO PSILÍDEO-DE-CONCHA Glycaspis brimblecombei
MOORE (HEMIPTERA:PSYLLIDAE) EM DIFERENTES ESPÉCIES
DE EUCALIPTO E EM Eucalyptus camaldulensis SOB DIFERENTES
TEMPERATURAS.
DANIELA CRISTINA FIRMINO
Orientador: Prof. Dr. Carlos Frederico Wilcken
Dissertação apresentada á Faculdade de
Ciências Agronômicas da UNESP - Campus
de Botucatu, para obtenção do título de
Mestre em Agronomia (Proteção de Plantas).
BOTUCATU - SP
Setembro - 2004
Ofereço
a Deus,
“porque Ele não só nos envolve, mas resolve quando confiamos.”
Aos meus pais João e Ana Maria pelo amor, confiança e incentivo.
A minha irmã Kátia pela compreensão e carinho.
OFEREÇO
Ao meu noivo Alessandro Winckler pela compreensão, paciência e pelo amor
demonstrado em todos os momentos.
DEDICO
AGRADECIMENTOS
Ao Prof. Dr. Carlos Frederico Wilcken pela orientação e confiança para a realização deste
trabalho;
A CAPES pela concessão da bolsa de estudos;
A todos os professores do Curso de Pós-graduação pelos ensinamentos, em especial ao
Prof. Francisco de Mello pela amizade adquirida;
Especialmente as minhas amigas Patrícia da Silva Leitão Lima e Nádia Cristina de Oliveira
pela amizade, paciência, ajuda e desabafos;
A todos os meus colegas do Curso de Pós-graduação pela amizade: em especial a Meire,
Fernanda, Yelitza, Keila e Cassiano;
Aos amigos Eduardo e Pedro pela ajuda nas coletas;
Aos funcionários do Departamento de Produção Vegetal/Defesa Fitossanitária pela
colaboração e amizade: Nivaldo, Gislaine, Preto, Cida e Fernanda;
A Profª. Drª. Vera Lúcia Mores Rall minha prima e amiga pelos incentivos, colaboração e
apoio;
Ao meu sobrinho Ronaldo pela ajuda na limpeza das “plaquinhas”;
A Carlos Alberto Matos pelo auxílio na análise estatística;
A Profª. Drª. Márcia Guimarães Silva pela ajuda e atenção dispensada;
A todos os estagiários de graduação;
A todos os meus amigos do grupo de adoração pelas orações;
A todas as pessoas que de alguma forma contribuíram para a realização deste trabalho.
SUMÁRIO
Página
RESUMO.............................................................................................................................1
SUMMARY.........................................................................................................................3
1. INTRODUÇÃO...............................................................................................................5
2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA........................................................................................7
2.1. Descrição taxonômica, morfológica e biológica de Glycaspis brimblecombei.......7
2.2. Distribuição geográfica............................................................................................8
2.3. Espécies hospedeiras...............................................................................................9
2.4. Danos.......................................................................................................................9
2.5. Monitoramento........................................................................................................10
2.6. Controle...................................................................................................................11
2.6.1. Controle químico.............................................................................................11
2.6.2. Controle biológico...........................................................................................11
2.6.3. Controle cultural..............................................................................................12
3. MATERIAL E MÉTODOS............................................................................................13
3.1. Local........................................................................................................................13
3.2. Técnica de criação e obtenção do inseto.................................................................13
3.3. Experimento 1: Biologia de G. brimblecombei em diferentes espécies de
eucalipto..............................................................................................................................14
3.4. Experimento 2: Biologia de G. brimblecombei em diferentes temperaturas..........15
3.5. Análise estatística....................................................................................................15
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO....................................................................................18
4.1. Experimento 1: Biologia de G. brimblecombei em diferentes espécies de
eucalipto..............................................................................................................................18
4.1.1. Ninfas..............................................................................................................18
4.1.2. Duração do estágio ninfal................................................................................18
4.1.3. Viabilidade do estágio ninfal...........................................................................21
4.1.4. Adultos............................................................................................................22
4.1.5. Longevidade dos adultos e capacidade reprodutiva........................................22
Página
4.1.6. Duração do ciclo total......................................................................................24
4.1.7. Ovo..................................................................................................................25
4.1.8. Período de incubação.......................................................................................26
4.1.9. Viabilidade dos ovos.......................................................................................26
4.2. Experimento 2: Biologia de G. brimblecombei em diferentes temperaturas..........32
4.2.1. Duração do estágio ninfal................................................................................32
4.2.2. Viabilidade do estágio ninfal...........................................................................36
4.2.3. Longevidade dos adultos e capacidade reprodutiva........................................37
4.2.4. Duração do ciclo total......................................................................................40
4.2.5. Período de incubação.......................................................................................42
4.2.6. Viabilidade dos ovos........................................................................................42
5. CONCLUSÕES................................................................................................................45
6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.............................................................................46
RESUMO
Glycaspis brimblecombei Moore (Hemiptera: Psyllidae), também
conhecido por psilídeo-de-concha, se caracteriza por ser específico de Eucalyptus,
tornando-se praga de grande importância em plantações florestais de eucalipto. Esse
trabalho teve como objetivo determinar o ciclo biológico de G. brimblecombei em
diferentes espécies de eucalipto e em E. camaldulensis sob diferentes temperaturas. O
trabalho foi realizado em laboratório, em câmara climatizada tipo BOD, sob temperatura de
26ºC e fotofase de 12 horas. As espécies de eucalipto utilizadas foram: Eucalyptus
camaldulensis, E. tereticornis, E. urophylla, E. grandis, Corymbia citriodora e o clone de
E. grandis x E.urophylla (‘urograndis’). Foram coletados ovos do psilídeo-de-concha no
campo e as ninfas obtidas foram mantidas em placas de petri de 2 cm de diâmetro,
contendo discos de folhas de cada espécie de eucalipto. Foram utilizados 100 indivíduos
(ninfas) por espécie de eucalipto. Os insetos foram observados diariamente para o
acompanhamento do desenvolvimento. Os parâmetros avaliados foram: duração e
viabilidade do estágio ninfal, longevidade dos adultos, viabilidade e número de ovos por
fêmea, número de posturas por fêmea, duração do período de incubação e duração do ciclo
total. Os resultados obtidos para as diferentes espécies de eucalipto foram: o estágio ninfal
foi, em média, de 15 dias nas espécies E. camaldulensis, E. tereticornis, E. urophylla, E.
grandis e no clone ‘urograndis’. Em C. citriodora foi observada mortalidade de 100% das
ninfas de 1º. instar de G. brimblecombei. A longevidade dos adultos variou, em média, de 6
a 8 dias e o ciclo médio total de vida dos insetos foi de 22 dias nas diferentes espécies de
eucalipto. Foram observadas diferenças na viabilidade ninfal de G. brimblecombei, com
maior viabilidade nas ninfas mantidas em E. camaldulensis e E. tereticornis e menor no
clone ‘urograndis’. C. citriodora foi considerada como espécie resistente ao psilídeo-deconcha. As temperaturas utilizadas para o estudo da biologia de G. brimblecombei em
diferentes temperaturas foram: 18ºC, 22ºC, 26ºC e 30ºC mantidas na espécie de E.
camaldulensis. Os parâmetros avaliados foram os mesmos do estudo com diferentes
espécies de eucalipto. A maior duração média do estágio ninfal foi observada na
temperatura de 18ºC (27 dias) e a menor na temperatura de 30ºC (16 dias). O ciclo de vida
dos insetos nas diferentes temperaturas foi, em média, de 27 dias e a longevidade dos
adultos variou, em média, de 4 a 9 dias. Houve diferenças na viabilidade ninfal de G.
brimblecombei, com maior viabilidade nas ninfas mantidas na temperatura de 26ºC e menor
na temperatura de 30ºC.
RED GUM LERP PSYLLID Glycaspis brimblecombei Moore (Hemiptera: Psyllidae)
BIOLOGY IN DIFFERENT SPECIES OF EUCALYPTUS AND IN Eucalyptus
camaldulensis AT DIFFERENT TEMPERATURES. Botucatu, 2004. 49p. Dissertation
(Mestrado em Agronomia/Proteção de Plantas) - Faculdade de Ciências Agronômicas,
Universidade Estadual Paulista.
Author: DANIELA CRISTINA FIRMINO
Adviser: CARLOS FREDERICO WILCKEN
SUMMARY
Glycaspis brimblecombei Moore (Hemiptera: Psyllidae) also known as eucalyptus
red gum lerp psyllid, it is characterized as specific of Eucalyptus, becoming great
importance pest in eucalyptus forest plantations. This work had as objective to determine
biological cycle of G. brimblecombei in different species of eucalyptus and in E.
camaldulensis at different temperatures. The work was accomplished in laboratory, in
acclimatized chamber type BOD, under temperature of 26ºC and photophase of 12 hours. It
was used the following eucalyptus species: E. camaldulensis, E. tereticornis, E. urophylla,
E. grandis, C. citriodora and E. grandis x E.urophylla hybrid clone ('urograndis'). It was
collected psyllid eggs in the field, and the obtained nymphs were maintained in petri dishes
of 2 cm diameter, with leaf disks of each eucalyptus species. It was used 100 individuals
(nymphs) in each eucalyptus species. The insects were observed daily for the development
evaluations. The evaluated parameters were: nymphal stage duration and viability, adult
longevity, number eggs and egg masses of by female, egg stage duration, total cycle stage
duration and viability. The results obtained for the different eucalyptus species were:
nymphal stage was, on average, of 15 days in the species E. camaldulensis, E. tereticornis,
E. urophylla, E. grandis and in clone ‘urograndis’. In C. citriodora was observed mortality
of 100% of 1st. instar nymphs of the G.brimblecombei. Adult longevity varied, of 6 to 8
days and the insect life total cycle belonged to 22 days in different eucalyptus species. It
was observed difference in G. brimblecombei nymphal viability, with higher viability in
nymphs maintained in E. camaldulensis and E. tereticornis and smaller in the clone
‘urograndis’. C. citriodora was considered as resistant. The temperatures used to study the
biology of G. brimblecombei at different temperatures were: 18ºC, 22ºC, 26ºC and 30ºC at
E. camaldulensis. The methodology used in this study was similar to experiment about
different eucalyptus species. The duration of nymphal stage at 18ºC was on average of 27
days, and at 30ºC the duration of nymphal stage was to 16 days. The insect life cycle at
different temperatures was 27 days and adults longevity varied form 4 to 9 days. There
were differences in G. brimblecombei nymphal viability, with higher viability in nymphs
maintained at 26ºC and lower in temperature of 30ºC.
_____________________________
Keywords: Red gum lerp psyllid, forest resistance, forest protection,
1. INTRODUÇÃO
O eucalipto é originário da Austrália e foi introduzido no Brasil na
segunda metade do séc. XIX e atualmente é o país com a maior área plantada de
eucalipto do mundo, que se destina principalmente a produção de celulose e papel,
chapas de fibra e ao carvão vegetal que abastece as siderúrgicas (Ministério da Ciência
e Tecnologia, 2004). Os plantios de eucalipto se destacam por possuírem áreas extensas
e contíguas, oferecendo assim maior quantidade de alimento e abrigo para insetospraga.
Entre as pragas que se destacam em florestas de eucalipto, as
principais são as formigas cortadeiras e os lepidópteros desfolhadores, que têm causado
perdas relevantes nas florestas de eucalipto nos últimos anos, mas o setor florestal
brasileiro também vem sofrendo perdas consideráveis com a introdução de pragas
exóticas nas duas últimas décadas.
Recentemente foi verificada no país a ocorrência de Glycaspis
brimblecombei, também conhecido por psilídeo-de-concha, e de acordo com os danos
verificados por Dahlsten et al. (2003) nos EUA e no México, pode-se considerar que
seus danos serão de grande impacto econômico.
O gênero Glycaspis contêm 127 espécies e a maioria delas está
associada a Eucalyptus. A espécie G. brimblecombei se caracteriza por se alimentar
somente de eucalipto e por sua infestação ser facilmente reconhecida por causa da
secreção açucarada em forma de concha produzida pelas ninfas (Halbert et al.,2001).
Devido a recém descoberta dessa praga e a escassez de informação
sobre a biologia do psilídeo-de-concha no Brasil, o presente trabalho teve como objetivo
determinar o ciclo biológico do psilídeo G. brimblecombei Moore (Hemiptera:Psyllidae)
em diferentes espécies de eucalipto e em Eucalyptus camaldulensis sob diferentes
temperaturas.
2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
2.1. Descrição taxonômica, morfológica e biológica de Glycaspis brimblecombei
Glycaspis brimblecombei é uma espécie pertencente à ordem
Hemiptera, subordem Sternorrhyncha e família Psyllidae. Os insetos pertencentes a está
família são diminutos, com comprimento do corpo entre 1 a 2 mm, semelhantes a
minúsculas cigarrinhas, suas pernas posteriores são saltatórias, antenas bem
desenvolvidas e apresentam hábito sugador (Gallo et al, 2002).
As
ninfas
apresentam
5
ínstares
e
são
achatadas
dorsoventralmente, possuem coloração amarela nos três primeiros ínstares e nos dois
últimos ínstares sua coloração varia de amarelo - alaranjado ao verde e o abdome e as
tecas alares apresentam coloração escura (Cibrian-Tovar et al., s.d.).
Segundo Sanchez (2003) as ninfas formam uma cobertura
protetora de coloração branca e formato cônico chamada de concha, sendo esta formada
por ceras e açúcares e as ninfas desenvolvem-se sob essa concha até a fase adulta.
Os adultos de G. brimblecombei se diferenciam de outras espécies
de psilídeos por apresentarem projeções que saem da parte anterior da cabeça, que são
chamadas de cones genais (Dahlsten, 2003). A reprodução é sexuada e as fêmeas
apresentam coloração verde a vermelho, as antenas são filiformes com 10 segmentos, e
a parte terminal do abdome é arredondado com uma protuberância por onde são
colocados os ovos. Os machos apresentam coloração variada, passando do verde, café
ao vermelho, as antenas são filiformes e apresentam 10 segmentos. Os machos são
menores que a fêmea e seu abdome possue projeções na parte superior chamadas de
“fórceps” que são utilizadas para imobilizar a fêmea durante a cópula (Cibrián-Tovar et
al., s.d.).
Os ovos, quando recém-colocados, possuem coloração branca e
variam do amarelo até o laranja, quando os embriões estão próximos da eclosão, são
brilhantes e de formato oval. As fêmeas ovipositam em folhas abertas e os ovos são
postos em linha, agrupados ou individualizados presos por um pedúnculo na superfície
da folha (Cibrián-Tovar et al., s.d.).
Cíbrian-Tovar et al. (s.d.) constataram que o ciclo biológico de G.
brimblecombei varia com as condições ambientais. Em estudos realizados por esses
autores o ciclo biológico do psilídeo-de-concha variou de 26 a 57 dias com
temperaturas médias de 16,5Cº e 22Cº.
2.2. Distribuição Geográfica
G. brimblecombei é originário da Austrália e vem se dispersando
rapidamente por ser uma praga de tamanho reduzido e com alta capacidade de
reprodução.
Em junho de 1998 G. brimblecombei foi detectado em El Monte,
Los Angeles, em E. camaldulensis e em setembro de 1998 já se encontrava em várias
cidades do norte da Califórnia (Brennan, 1998). Ramirez (2003) afirmou que G.
brimblecombei se encontra distribuído em 24 estados do México.
No estado de São Paulo a praga foi constatada em junho de 2003
no município de Mogi Guaçu, SP e após essa constatação foi realizado um
levantamento, sendo detectada a praga em 7 municípios. Em julho o número de
municípios com a presença do psilídeo-de-concha subiu para 30 e em setembro o inseto
já tinha sido detectado em 86 municípios e as maiores infestações nas florestas de
eucalipto estavam entre as regiões de Campinas e Ribeirão Preto e de São Carlos a
Botucatu. O psilídeo-de-concha também foi detectado nos estados de Minas Gerais,
Goiás, Mato Grosso do Sul e Paraná (Wilcken et al., 2003).
2.3. Espécies Hospedeiras
O eucalipto é uma espécie exótica da família Myrtaceae e possui uma
grande importância na economia brasileira. G. brimblecombei é uma praga que se
caracteriza por se alimentar somente de espécies de eucalipto. Entretanto, Paine et al.
(2000) constataram que mesmo se alimentando de várias espécies de eucalipto G.
brimblecombei prefere colonizar membros do subgênero Symphyomyrtus, sessão
Exsertaria (Pryor & Johnson, 1971), particularmente E. camaldulensis.
Brennan et al. (2001) classificaram as espécies de eucalipto
existentes na Califórnia em relação a suscetibilidade do psilídeo-de-concha e obtiveram
os seguintes resultados: E. camaldulensis e E. tereticornis como altamente suscetíveis,
E. grandis como tolerante e E. paniculata, E. robusta e E. saligna como resistentes.
Baseado nesse estudo Wilcken et al. (2003) realizaram um
levantamento da infestação de G. brimblecombei em 22 espécies de eucalipto e os
resultados obtidos foram: E. camaldulensis e E. tereticornis apresentaram a maior taxa
de infestação, seguida de E. urophylla, procedências Timor e Flores, nas espécies E.
pellita, E. exserta, E. propinqua, E. botryoides e Corymbia citriodora a infestação foi
pequena. Já nas demais espécies que inclui E. saligna, E. dunni e E. cloeziana não
foram encontradas ninfas do psilídeo-de-concha.
2.4. Danos
Os danos mais comuns causados pelas espécies de psilídeos
conhecidas em culturas agrícolas são: enrolamento e deformação do limbo foliar,
formação de galhas, superbrotamento, secamento de ponteiros, indução do
aparecimento de fumagina (fungo saprófita de coloração negra que se desenvolve sobre
as excreções açucaradas que o inseto elimina) e transmissão de agentes fitopatogênicos
(bactérias, vírus e micoplasmas) (Costa Lima 1942; Hodkinson 1947; Gallo et al. 2002;
Dreistadt e Dahlsten 2001).
Os psilídeos se alimentam da seiva das plantas e possuem grande
preferência por brotações e folhas novas. O gênero Glycaspis se caracteriza por causar
descoloração das folhas, redução da área fotossintética das plantas, redução no
crescimento das árvores e secamento dos ponteiros (Carne e Taylor, 1984), podendo
levar as árvores à morte, como nos surtos causados por G. bailey em E. saligna (Elliott
et al., 1998).
No México, Ramirez (2003) constatou que a alta infestação por
psilídeo se traduz em perda foliar, redução do crescimento, morte de ramos e da árvore
como um todo.
Wilcken et al. (2003) em junho de 2003 observaram no Brasil danos
causados apenas em árvores de E. camaldulensis e E. tereticornis, que apresentavam
pequena redução no tamanho, deformação da folhas e presença de fumagina. Essas
observações foram concordantes com as verificadas nos EUA. Em levantamento
realizado nos meses de agosto a setembro de 2003 no arboreto de espécies florestais da
FCA/UNESP – Campus de Botucatu, Wilcken et al. (2003) constatataram que a maior
infestação encontrada foi nas árvores de E. camaldulensis que apresentaram 25,8
ninfas/folha, seguido de E. tereticornis com 14,8 ninfas/folha.
2.5. Monitoramento
G. brimblecombei é um problema recente nos reflorestamentos de
eucalipto no Brasil e o seu monitoramento é importante para se conhecer seus níveis de
infestação e identificar os fatores que podem influenciar em sua variação.
Nos eucaliptos do México e EUA, o monitoramento da praga é feito
por meio de armadilhas adesivas de coloração amarela. Cibrián-Tovar (2003) utilizou
esse método na cidade do México para conhecer a variação populacional e o impacto da
praga sobre as árvores atacadas.
No Brasil estão sendo realizados monitoramentos com cartões
adesivos amarelos como teste para verificar a eficiência desse tipo de armadilha nas
condições de cultivo do eucalipto. Os levantamentos e monitoramentos também estão
sendo feitos pela contagem das conchas nas folhas em ramos amostrados, que consiste
na contagem do número médio de ninfas por folha em 5 árvores (5 folhas/ramos/árvore)
(Wilcken et al., 2003).
2.6. Controle
2.6.1. Controle químico
O uso de inseticida para o controle do psilídeo-de-concha é pouco
estudado. Os inseticidas sistêmicos são os mais adequados, pois os inseticidas de
contato possuem baixa eficiência, visto que as ninfas apresentam pouca mobilidade e
estão protegidas pela concha. Entretanto, a pulverização de inseticidas sistêmicos é de
custo elevado, impactantes ao ambiente e ao homem.
Na Austrália é recomendada a aplicação de inseticidas sistêmicos,
sendo o dimetoato considerado o mais eficiente para controle desses insetos sugadores,
mas essa recomendação é apenas para plantios novos e para áreas pequenas (Philips,
1992).
O controle químico no México é utilizado quando se detectam
infestações ativas do psilídeo e é feito através do uso de imidacloprid 30% (suspensão
concentrada), acefato 50% (pó solúvel) e abamectina 1,8% (concentrado emulsionável)
(Diário Oficial de la Federación, 2002).
Os inseticidas imidacloprid e o oxidemeton metilico foram testados
nos EUA por micro-injeção no tronco das árvores. O oxidemeton metilico teve um
período residual de controle de 2 meses e o imidacloprid de até 8 meses, com 73,2% de
controle para G. brimblecombei (Young, 2002). Essa forma de aplicação foi adequada
para eucaliptos em áreas urbanas e como quebra-ventos, sendo de custo elevado e
inexequível para as plantações extensivas de eucalipto no Brasil (Wilcken et al., 2003).
2.6.2. Controle biológico
Predadores generalistas são importantes no controle biológico do
psilídeo-de-concha como as larvas da mosca sirfídea (Diptera:Syrphidae), larvas do
bicho lixeiro (Neuroptera:Chrysopidae) e as joaninhas (Coleoptera:Coccinellidae).
Os EUA importaram oito espécies de parasitóides da Austrália para a
Califórnia e apenas uma espécie, Psyllaephagus bliteus (Hymenoptera:Encyrtidae),
estabeleceu-se e tem controlado a praga no campo, com resultados satisfatórios na
Califórnia e no México (Paine et al., 2000).
No Brasil foi constatada a presença de inimigos naturais das ninfas
dos psilídeos, sendo encontrada uma espécie de fungo entomopatogênico e larvas de
coccinelídeo (Cycloneda sanguinea), crisopídeos e sirfídeos. Também foi detectada a
presença do parasitóide P. bliteus (Berti Filho et al., 2003), que se caracteriza por ser o
seu inimigo natural específico e ter uma relação de dependência com a população do
psilídeo-de-concha, tornando-se assim, a melhor opção para o controle biológico.
O controle biológico com fungos entomopatogênicos pode ser um
método interessante, porém, viável apenas em condições de umidade relativa acima de
60% (Wilcken et al., 2003).
2.6.3. Controle cultural
Como recomendação oficial no México é citado que se utilize o
controle cultural quando existir risco de infestação e também como medida para
diminuir o estresse causado nas árvores, que consiste na prática de podas de ramos,
derrubada de árvores de alto risco, evitar danos mecânicos nas árvores e não utilizar
fertilizantes nitrogenados (Diário Oficial de la Federación, 2002).
3. MATERIAL E MÉTODOS
3.1 Local
O trabalho foi desenvolvido no Laboratório do Departamento de
Produção Vegetal - Setor de Defesa Fitossanitária, da Faculdade de Ciências
Agronômicas, UNESP - Campus de Botucatu.
3.2 Técnica de criação e obtenção do inseto
Os insetos utilizados neste trabalho foram provenientes de ovos
coletados no campo. Os ovos foram trazidos para o laboratório, colocados em placas de
petri de 2 cm de diâmetro tampadas e observados diariamente até a emergência das
ninfas.
Após a eclosão, as ninfas foram transferidas individualmente, com
a ajuda de um pincel nº 0, para placas de petri de 2 cm de diâmetro abertas e contendo
discos de folha de eucalipto sobre uma lâmina de água de acordo com a metodologia
utilizada por Santana (2003) para estudos com o psilídeo Ctenarytaina spatulata
(Figura 1A). Para o acompanhamento do ciclo biológico foram feitas observações
diárias das ninfas em microscópio esteroscópio com aumento 100 vezes.
As placas de petri foram colocadas em recipientes plásticos
tampados, sendo que as tampas possuíam uma abertura coberta por uma tela para
reduzir a alta umidade e proliferação de fungos.
As placas de petri foram mantidas destampadas até alcançarem o
quinto instar, quando foram tampadas para evitar a fuga dos adultos recém-emergidos
(Santana, 2003). Os adultos recém-emergidos foram separados por sexo (macho e
fêmea) e formado casais para a obtenção de posturas. Os casais foram mantidos nas
placas de petri contendo discos de folha de eucalipto sob um disco de papel filtro
umedecido.
As posturas obtidas foram contadas e mantidas nas placas de petri
para observação da incubação dos ovos e eclosao das ninfas.
Os discos de folhas, utilizados neste trabalho, foram trocados à
medida que se observou o ressecamento dos mesmos.
No decorrer do experimento foram avaliados:
-
Estágio de ninfa: duração, viabilidade, número e duração dos ínstares que foi
determinado pelo número de segmentos da antena de acordo com Sánchez
(2003) e também pela observação da ecdise.
-
Estágio adulto: longevidade dos adultos, período de oviposição, número de
postura por fêmea e número de ovos por fêmea.
-
Estágio do ovo: período de incubação e viabilidade.
-
Ciclo total (eclosão da ninfa até a emergência do adulto): duração.
3.3. Experimento 1: Biologia de Glycaspis brimblecombei em diferentes espécies de
eucalipto
As espécies de eucalipto utilizadas para a realização do 1º
experimento foram provenientes do arboreto de espécies florestais, existentes na área
experimental da FCA/UNESP – Campus de Botucatu. As folhas coletadas foram levadas
para laboratório, lavadas em água corrente e cortadas em discos de 2 cm.
As espécies selecionadas foram:
-Corymbia citriodora – procedência Ouriçangas – BA
-Eucalyptus urophylla – procedência Anhembi – SP
-Eucalyptus camaldulensis – procedência Anhembi – SP
-Eucalyptus grandis – procedência Itapetininga – SP
-Eucalyptus tereticornis – procedência Anhembi –SP
-Híbrido de Eucalyptus grandis x Eucalyptus urophylla (VR3748)–
clone cedido pela VCP Florestal.
Todas as plantas de eucalipto tinham 11 anos de idade com exceção
do híbrido ‘urograndis’ cujas plantas tinham 1 ano.
As espécies E. camaldulensis e E. tereticornis foram escolhidas por
se apresentarem como as espécies mais suscetíveis ao ataque do psilídeo-de-concha. E.
grandis, E. urophylla, C. citriodora e o híbrido ‘urograndis’ por serem espécies de
interesse econômico.
A metodologia utilizada e os parâmetros avaliados estão descritos no
item 3.2. Foram observadas 100 ninfas de G. brimblecombei por espécie de eucalipto e
os recipientes plásticos contendo as placas de petri foram mantidos em BOD com
temperatura de 26ºC e fotoperíodo de 12:12 horas (claro:escuro) (Figura 1B, 1C).
3.4. Experimento 2: Biologia de Glycaspis brimblecombei em diferentes
temperaturas
O ciclo biológico de G. brimblecombei também foi observado em
diferentes temperaturas (18ºC, 22ºC, 26ºC e 30ºC), mas apenas em E. camaldulensis
por se apresentar como a espécie mais suscetível ao ataque do psilídeo-de-concha
(Tovar et al., s.d; Dahlsten et al, 2003; Paine et al, 2000).
A metodologia utilizada e os parâmetros avaliados nesta parte do
trabalho foram os mesmos descritos no item 3.2 e os recipientes plásticos contendo as
placas de petri foram mantidos em BOD com as temperaturas de 18ºC, 22ºC, 26ºC e
30ºC e fotoperíodo de 12:12 horas (claro:escuro) (Figura 1B, 1C).
3.5. Análise Estatística
Os dados obtidos no experimento 1 referentes a ciclo total, estágio
ninfal, longevidade dos adultos, número de ovos por fêmea, número de posturas por
fêmea e período de incubação dos ovos foram submetidos a análise de variância não
paramétrica de Kruskal-Wallis e as médias comparadas pelo teste de Nemenyi (P ≤
0,05).
No experimento 2 os dados obtidos referentes a ciclo total, estágio
ninfal, longevidade dos adultos, número de ovos por fêmea, número de posturas por
fêmea e período de incubação dos ovos foram submetidos à análise de regressão, modelo
linear de 2º grau (P ≤ 0,05).
A
B
C
Figura 1. Recipientes de criação. A. Placa de petri de 2cm de diâmetro; B e C. Recipientes
plásticos
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
4.1. Experimento 1: Biologia de Glycaspis brimblecombei em diferentes espécies de
eucalipto
4.1.1. Ninfas
As ninfas são achatadas dorsoventralmente e nos três primeiros
ínstares possuem coloração amarela. Nos dois últimos ínstares sua coloração varia do
amarelo, alaranjado ao verde e o abdome e as tecas alares apresentam coloração escura,
sendo essas características iguais às reportadas por Cibrián-Tovar et al. (s.d.) para essa
mesma espécie de psilídeo. As ninfas formam uma cobertura de coloração branca chamada
de concha, característica descrita por Sánchez (2003) como uma cobertura protetora
formada por ceras e açúcares. White (1972) relata que a concha formada por G.
brimblecombei possue 47,7% de amido.
4.1.2. Duração do estágio ninfal
Foram observados cinco ínstares para G. brimblecombei e a
característica utilizada para diferenciar os ínstares foram os números dos segmentos
antenais descritos por Sanchéz (2003) que estudou essa mesma espécie.
A duração do estágio ninfal de G. brimblecombei variou de 12 a 22
dias para as diferentes espécies de eucalipto. As durações médias do estágio ninfal
observadas no híbrido ‘urograndis’ e em E tereticornis foi de 15,7 e 16 dias,
respectivamente, estatisticamente diferente das ninfas mantidas em E. urophylla (14,6 dias)
e E. camaldulensis (14,2 dias). Para as ninfas mantidas na espécie E. grandis não se
observou diferença significativa na duração ninfal entre as demais espécies de eucalipto
estudadas (Tabela 1).
Santana (2003) obteve para C. spatulata, mantido em E. grandis a
20ºC, um desenvolvimento ninfal médio de 32,15 dias.
Tabela 1: Duração média (dias) do estágio ninfal de G. brimblecombei
(Hemiptera:Psyllidae) mantido em folhas de diferentes espécies de eucalipto.
(Temperatura de 26º C e fotofase de 12 horas).
Tratamento
Média ± erro padrão(dias)
Número de ninfas
Hibrído ‘urograndis’
15,7 ± 0,36 ab
25
14,6 ± 0,30 c
64
15,1 ± 0,25 abc
55
E. camaldulensis
14,2 ± 0,16 c
74
E. tereticornis
16,0± 0,27 a
71
C. citriodora*
0
100
E. urophylla
E. grandis
Obs: Tratamentos seguidos da mesma letra (na coluna) não diferem entre si, pelo teste de
Nemenyi (P ≤ 0,05).
* A espécie C. citriodora apresentou mortalidade de 100% das ninfas de 1º instar.
As ninfas de 1º instar e 2º instar apresentaram três segmentos
antenais, as ninfas de 3º instar apresentaram cinco segmentos antenais, as ninfas de 4º instar
sete segmentos antenais e as ninfas de 5º instar nove segmentos antenais. Essas
características são as mesmas encontradas por Sánchez (2003) que caracterizou os ínstares
através de ninfas mortas e este trabalho acompanhou os insetos vivos, desde a sua eclosão
até a sua morte.
A duração média dos ínstares nas diferentes espécies de eucalipto foi
muito próxima nas diferentes espécies testadas (Tabela 2). Observa-se que no híbrido
‘urograndis’ o 1º instar teve duração média de 4,4 dias e para as outras espécies a duração
média do 1º instar foi em torno de 3 dias o mesmo se observa para as ninfas de 5º instar que
apresentaram uma duração média de 3 dias para as espécies de eucalipto estudadas. As
ninfas de 2º, 3º e 4º instares apresentaram duração média em torno de 2,5 dias.
Tabela
2:
Duração
média
(dias)
dos
ínstares
de
G.
brimblecombei
(Hemiptera:Psyllidae) mantido em folhas de diferentes espécies de eucalipto.
(Temperatura de 26º C e fotofase de 12 horas).
Duração Média ± erro padrão(dias)
Tratamento
1º instar
2º instar
3º instar
Hibrído ‘urograndis’
4,4 ± 0,36 a
2,8±0,12ab
2,5 ± 0,10a
2,8±0,14ab 3,0 ± 0,10b
3,4 ± 0,08 c 2,2±0,07abc 2,6 ± 0,11a
2,6±0,12ab 3,6±0,12ab
3,4 ±0,12abc 2,5 ± 0,08c
2,3 ± 0,06a
2,9 ± 0,10a 3,8 ± 0,10a
E. camaldulensis
3,2 ± 0,09 c 2,7± 0,08ab
2,5 ± 0,06a
2,4 ±0,08 b 3,3 ± 0,06b
E. tereticornis
3,9 ± 0,11ab 2,8 ±0,09 a
2,7 ± 0,10a
2,8±0,14ab 3,6±0,09ab
E. urophylla
E. grandis
C. citriodora*
-
-
-
4ºinstar
-
5º instar
-
Obs: Tratamentos seguidos da mesma letra (na coluna) não diferem entre si, pelo teste de
Nemenyi (P ≤ 0,05).
* A espécie C. citriodora apresentou mortalidade de 100% nas ninfas de 1º instar.
No estudo da biologia de G. brimblecombei feito por Sánchez (2003)
não há descrição da duração dos ínstares. Santana (2003) estudou a biologia de C. spatulata
em E. grandis e obteve os seguintes resultados: 1º instar - 4,7 dias; 2º instar - 6,23 dias; 3º
instar -7,4 dias; 4º instar - 5,46 dias e 5º instar - 8,4 dias.
4.1.3. Viabilidade do estágio ninfal
A menor viabilidade ninfal foi observada para as ninfas mantidas no
híbrido ‘urograndis’ (25%) e a maior para as ninfas mantidas na espécie E. camaldulensis
(74%). As ninfas mantidas na espécie E. urophylla apresentaram viabilidade de 64%, para
as ninfas mantidas na espécie E. grandis a viabilidade foi de 55% e de 71% para as ninfas
mantidas na espécie E. tereticornis. A espécie C. citriodora não foi considerada devido a
mortalidade das ninfas. (Figura 2).
80
74
Viabilidade Ninfal (%)
70
71
64
55
60
50
40
30
25
20
10
0
urograndis'
E. urophylla
E.grandis
E.camaldulensis
E.tereticornis
Espécies
Figura 2. Viabilidade ninfal (%) de G. brimblecombei mantido em folhas de diferentes
espécies de eucalipto. (Temperatura de 26º C e fotofase de 12 horas).
A viabilidade por instar foi determinada pela diferença obtida entre a
quantidade de ninfas no instar anterior e a quantidade de ninfas no instar seguinte (Tabela
3). As ninfas mantidas no híbrido ‘urograndis’ apresentaram viabilidade superior a 80%
para as ninfas 2º, 3º, 4º e 5º instar e para as ninfas de 1º instar a viabilidade foi de apenas
34%, sendo inferior em relação a viabilidade das ninfas de 1º instar mantidas nas outras
espécies estudadas. As ninfas mantidas nas espécies E. urophylla, E. grandis e E.
camaldulensis, apresentaram viabilidade superior a 80% para todos os ínstares. As ninfas
mantidas na espécie E. tereticornis apresentou viabilidade superior a 90% do 1º ao 5º
instar.
Tabela 3: Viabilidade ninfal (%) por instar de G. brimblecombei mantido em folhas de
diferentes espécies de eucalipto. (Temperatura de 26º C e fotofase de 12 horas).
Viabilidade Ninfal
Tratamento
1º instar
2º instar
3º instar
4º instar
5º instar
34,0%
85,3%
89,6%
96,1%
100%
92,0%
93,5%
95,3%
89,0%
87,7%
81,0%
92,6%
94,7%
90,1%
85,1%
89,0%
91,0%
95,0%
100%
96,1%
94,0%
92,5%
98,8%
90,7%
91,0%
Híbrido ‘urograndis’
E. urophylla
E. grandis
E. camaldulensis
E. tereticornis
C. citriodora*
* A espécie C. citriodora apresentou mortalidade de 100% nas ninfas de 1º ínstar.
4.1.4. Adultos
Os adultos apresentam em geral coloração verde, sendo que fêmeas e
machos podem variar do verde ao vermelho e as antenas são filiformes com 10 segmentos.
As fêmeas são geralmente maiores que os machos e apresentam a parte terminal do abdome
arredondado diferentemente dos machos que apresentam na parte superior do abdome
projeções chamadas “forceps” que, segundo Cibrian-Tovar et al. (s.d.) são usadas para
segurar a fêmea durante a cópula.
4.1.5. Longevidade dos adultos e capacidade reprodutiva
A longevidade dos adultos foi de, no mínimo, 2 dias e, no máximo
de 20 dias nas espécies de eucalipto testadas. Entre as espécies E.camaldulensis (8,4 dias) e
E. tereticornis (8,0 dias) não houve diferença significativa para a longevidade média dos
adultos, porém essas espécies apresentaram diferença significativa das outras espécies
estudadas, (híbrido ‘urograndis’, E. urophylla e E. grandis) que obtiveram longevidade
média dos adultos em torno de 6 dias (Tabela 4).
Cibrián-Tovar e Padilla (s.d.) constataram que a longevidade dos
adultos de G. brimblecombei mantido em caixas de criação variou de 9 a 13 dias. Para C.
spatulata, Santana (2003) observou longevidade média de 5,7 dias em discos de folhas de
E. grandis.
Tabela 4: Duração média (dias) da longevidade dos adultos de G. brimblecombei
(Hemiptera:Psyllidae) mantido em folhas de diferentes espécies de eucalipto.
(Temperatura de 26º C e fotofase de 12 horas).
Tratamento
Média ± erro padrão (dias)
Número de adultos
Hibrído ‘urograndis’
6,0 ± 0,62 b
25
6,3 ± 0,30 b
64
6,2 ± 0,31 b
55
E. camaldulensis
8,4 ± 0,39 a
74
E. tereticornis
8,0 ± 0,38 a
71
C. citriodora*
-
-
E. urophylla
E. grandis
Obs: Tratamentos seguidos da mesma letra (na coluna) não diferem entre si, pelo teste de
Nemenyi ( P ≤ 0,05).
* Apresentou mortalidade de 100% das ninfas de 1º instar.
O número de ovos/fêmea não apresentou diferença significativa entre
as espécies de eucalipto testadas, provavelmente devido ao número de fêmeas que
ovipositaram. O número de posturas/fêmea estatisticamente não apresentou diferença
significativa entre as espécies de eucalipto (Tabela 5).
Tabela 5: Número médio de ovos/fêmea e posturas/fêmea de G. brimblecombei
(Hemiptera:Psyllidae) mantido em folhas de diferentes espécies de eucalipto.
(Temperatura de 26º C e fotofase de 12 horas).
Tratamento
Número de fêmeas
Ovos/Fêmea
Média ± erro padrão
Hibrído ‘urograndis’
35,0 ± 9,54 a
Posturas/Fêmea
Média ± erro padrão
2,0 ± 0,63 a
5
22,3 ± 13,64 a
1,3 ± 0,29 a
3
12,2 ± 5,77 a
2,8 ± 0,95 a
5
E. camaldulensis
31,7 ± 5,32 a
3,2 ± 0,46 a
19
E. tereticornis
34,7 ± 7,15 a
2,9 ± 0,50 a
20
C. citriodora*
-
-
-
E. urophylla
E. grandis
Obs: Tratamentos seguidos da mesma letra (na coluna) não diferem entre si, pelo teste de
Nemenyi ( P ≤ 0,05).
* Apresentou mortalidade de 100% das ninfas de 1º instar
A proporção sexual dos insetos mantidos no híbrido ‘urograndis’ foi
de 1:1,5 (macho:fêmea) com razão sexual de 0,6; na espécie E. urophylla foi de 1,3:1
(macho:fêmea) com razão sexual de 0,4; na espécie E. grandis a proporção sexual foi de
1,4:1 (macho:fêmea) com razão sexual de 0,4 e a proporção sexual foi igual para as
espécies E. camaldulensis e E. tereticornis que apresentaram 1,2:1 (macho:fêmea) com
razão sexual de 0,4.
4.1.6. Duração do ciclo total
O ciclo total de G. brimblecombei foi observado da eclosão da ninfa
até a morte do adulto. Nas diferentes espécies de eucalipto a duração do ciclo total variou
de 15 a 34 dias. No híbrido ‘urograndis’ (21,6 dias) não foi verificada diferença
significativa na duração média do ciclo total quando comparado às outras espécies de
eucalipto estudadas. As espécies E. urophylla (21,0 dias) e E. grandis (21,3 dias) não
apresentaram diferença estatística quando comparadas, porém a espécie E. urophylla diferiu
estatisticamente das espécies E. camaldulensis (22,7 dias) e E. tereticornis (24,0 dias)
(Tabela 6).
O ciclo total encontrado por Cibrian-Tovar e Padilla (s.d.) para essa
mesma espécie de psilídeo foi 32 a 55 dias, resultado superior ao encontrado neste trabalho
(15 a 34 dias).
Tabela
6: Duração média (dias) do ciclo total de
G. brimblecombei
(Hemiptera:Psyllidae) mantido em folhas de diferentes espécies de eucalipto.
(Temperatura de 26º C e fotofase de 12 horas).
Média ± erro padrão (dias)
Tratamento
Número de insetos
Hibrído ‘urograndis’
21,6± 0,62 abc
25
21,0± 0,40 c
64
21,3 ± 0,39 bc
55
E. camaldulensis
22,7 ± 0,41 ab
74
E. tereticornis
24,0± 0,45 a
71
C. citriodora*
-
-
E. urophylla
E. grandis
Obs: Tratamentos seguidos da mesma letra (na coluna) não diferem entre si, pelo teste de
Nemenyi ( P ≤ 0,05).
* Apresentou mortalidade de 100% das ninfas de 1º instar
4.1.7 Ovo
Os ovos colocados pelos insetos adultos mantidos neste trabalho têm
formato piriforme, e quando recém colocado é de coloração branco leitosa passando para
amarelo ao laranja quando perto da eclosão da ninfa. Essas características são iguais às
observadas por Sánchez (2003), para esta mesma espécie de inseto.
4.1.8 Período de incubação
O período de incubação variou de 6 a 12 dias para as diferentes
espécies de eucalipto. No híbrido ‘urograndis’ (7,5 dias) e nas espécies E. urophylla (7,8
dias), E. camaldulensis (7,9 dias) a duração média do período de incubação não apresentou
diferença significativa quando comparadas com as espécies E. grandis (8,8 dias) e E.
tereticornis (8,5 dias) (Tabela 1). Na espécie C. citriodora as fêmeas não realizaram
posturas, pois foi observado mortalidade de 100% das ninfas de 1º instar na geração F1.
Este período é inferior quando comparado ao período embrionário
encontrado por Sánchez (2003) para G. brimblecombei (11 a 15 dias).
Tabela 7: Duração média (dias) do período de incubação de G. brimblecombei
(Hemiptera:Psyllidae) mantido em folhas de diferentes espécies de eucalipto.
(Temperatura de 26º C e fotofase de 12 horas).
Média ± erro padrão (dias)
Tratamento
Número de ovos
7,5 ± 0,12 b
129
7,8 ± 0,14 b
39
8,8 ± 0,32 a
28
E. camaldulensis
7,9 ± 0,04 b
452
E. tereticornis
8,5 ± 0,06 a
431
C. citriodora*
-
-
Hibrído ‘urograndis’
E. urophylla
E. grandis
Obs: Tratamentos seguidos da mesma letra (na coluna) não diferem entre si, pelo teste de
Nemenyi (P ≤ 0,05).
* A espécie C. citriodora apresentou mortalidade de 100% das ninfas de 1º instar.
4.1.9. Viabilidade dos ovos
A viabilidade média dos ovos não foi analisada estatisticamente
devido ao delineamento do trabalho.
No híbrido ‘urograndis’ (73,7%) e nas espécies E. urophylla (58,2%),
E. camaldulensis (75,1%) e E. tereticornis (60,9%) a viabilidade média dos ovos foi
superior a 50%, sendo que na espécie E. grandis a viabilidade média dos ovos foi inferior a
50% (47,5%). A espécie C. citriodora não foi considerada devido a mortalidade das ninfas
(Figura 3).
A espécie E. camaldulensis proporcionou melhores condições para a
viabilidade dos ovos, demonstrando maior suscetibilidade a praga em relação às espécies
estudadas.
80
75,1
73,7
Viabilidade dos ovos(%)
70
60,9
58,2
60
47,5
50
40
30
20
10
0
urograndis'
E. urophylla
E. grandis
E.camaldulensis E. tereticornis
Espécies
Figura 3. Viabilidade média (%) dos ovos de G. brimblecombei mantido em folhas de
diferentes espécies de eucalipto. (Temperatura de 26º C e fotofase de 12 horas).
De acordo com os resultados obtidos a espécie E. camaldulensis foi a
mais adequada para o desenvolvimento e reprodução de G. brimblecombei apresentando
maior viabilidade ninfal, menor duração ninfal, maior longevidade dos adultos e maior
viabilidade dos ovos.
O híbrido ‘urograndis’ apresentou uma alta viabilidade dos ovos,
porém uma alta mortalidade das ninfas de 1º instar, esse fato pode ser em consequência de
algum fator de resistência para as ninfas recém emergidas que pode estar relacionado com a
anatomia foliar e requer mais estudos para sua comprovação.
Corymbia citriodora foi altamente resistente ao desenvolvimento das
ninfas de 1º instar. Foram realizados dois experimentos com essa espécie de eucalipto e nas
duas repetições pode se observar a mortalidade de 100% das ninfas de 1º instar, notando-se
que C. citriodora é imune em relação ao ataque de G. brimblecombei. Existe a necessidade
da realização de estudos de anatomia e de química das folhas de C. citriodora para
comprovar a sua resistência, pois o trabalho realizado por Brennan & Weinbaum (2001)
demonstrou que a sobrevivência e o consumo foliar de G. brimblecombei é
significativamente afetado quando oferecidas folhas jovens e adultas de E. globulus sendo
estas últimas as mais favoráveis.
As demais espécies apresentaram condições adequadas para o
desenvolvimento de G. brimblecombei. As espécies E. tereticornis e E. urophylla
apresentaram viabilidade dos ovos muito próximas (60,9% e 58,2%) e a espécie E. grandis
apresentou a menor viabilidade dos ovos (47,5%), porém apresentou a maior média do
número de ovos/fêmea (35,0).
5º instar
4º instar
3º instar
Figura 4. Ninfas de G. brimblecombei,.do 1º ao 5º instar.
2º instar
1º instar
A
B
C
D
E
F
Figura 5. Glycaspis brimblecombei. A. Ovos; B. Ninfa de 1º instar; C. Ninfa de 2º
instar; D. Ninfa de 3º instar; E. Ninfa de 4º instar; F. Ninfa de 5º instar.
A
B
Figura 6. Adultos de G. brimblecombei. A. Macho; B. Fêmea.
A
B
Figura 7. Concha.A. detalhe da concha de G. brimblecombei; B. Ninfa formando a concha.
4.2. Experimento 2: Biologia de Glycaspis brimblecombei em diferentes temperaturas
4.2.1. Duração do estágio ninfal
A duração média do estágio ninfal nas diferentes temperaturas variou
de 12 a 34 dias. Observa-se que na temperatura de 18ºC o estágio de ninfa teve maior
duração média (26,9 dias) e na temperatura de 26º C o estágio de ninfa apresentou duração
média inferior às outras temperaturas testadas (14,2 dias) (Tabela 8).
Tabela 8: Duração média (dias) do estágio ninfal de G. brimblecombei
(Hemiptera:Psyllidae) mantido em E. camaldulensis em diferentes temperaturas.
(Fotofase de 12 horas)
Tratamento
Média ± erro padrão (dias)
Número de ninfas
18º C
26,9 ± 0,43
39
22º C
20,5 ± 0,46
42
26º C
14,2 ± 0,16
74
30º C
16,5 ± 0,43
22
A análise de regressão proposta explicou 79% da variação ocorrida
no tempo médio da duração do estágio ninfal. Observou-se que a duração do estágio ninfal
na temperatura de 18ºC é maior quando comparada com as outras temperaturas, com o
ótimo na temperatura de 26º C. Na temperatura de 30º C houve aumento na duração do
estágio ninfal, mostrando que essa espécie é afetada negativamente nessa temperatura
(Figura 8).
y = 0,1393x2 - 7,6738x + 120,48
R2 = 0,7911
40
Estágio Ninfal (dias)
35
30
25
20
15
10
5
0
14
18
22
26
30
34
Temperatura
Figura 8. Modelo de regressão ajustado para o estágio ninfal (dias) de G.
brimblecombei mantido em E. camaldulensis em diferentes temperaturas. (Fotofase
de 12 horas)
A duração média dos ínstares para G. brimblecombei, na temperatura
de 18º C, apresentou maior duração para todos os ìnstares quando comparada às demais
temperatura. As ninfas de 1º, 2º e 3º ínstares mantidas nas temperaturas de 26º C e 30º C
apresentaram duração média menor que as mantidas nas temperaturas de 18º C e 22º C. Na
temperatura de 26º C as ninfas de 4º e 5º ínstares tiveram uma duração média inferior as
outras temperaturas estudadas (Tabela 9).
Tabela
9:
Duração
média
(dias)
dos
ínstares
de
G.
brimblecombei
(Hemiptera:Psyllidae) mantido em E. camaldulensis em diferentes temperaturas.
(Fotofase de 12 horas).
Duração Média ± erro padrão (dias)
Tratamento
1º instar
2º instar
3º instar
4ºinstar
5º instar
18º C
6,0 ± 0,22
4,7 ± 0,24
4,5 ± 0,17
5,1 ± 0,20
6,5 ± 0,20
22º C
4,8 ± 0,20
4,1 ± 0,15
3,6 ± 0,17
3,1 ± 0,12
4,8 ± 0,18
26º C
3,2 ± 0,09
2,7 ± 0,08
2,5 ± 0,06
2,4 ± 0,08
3,3 ± 0,06
30º C
3,2 ± 0,15
2,3 ± 0,15
2,5 ± 0,10
3,5 ± 0,17
4,8 ± 0,26
Os modelos de regressão propostos para a duração dos ínstares
explicaram em média 48% da variação. Esse baixo valor de R² foi devido à maior variação
dos dados obtidos na temperatura de 18º C e 22º C (Figura 9). Observou – se que nas
temperaturas de 18º C e 22º C a duração dos ínstares é superior as temperaturas de 26º C e
30º C, sendo que houve um aumento na duração de cada instar para a temperatura de 30º C.
Cibrian-Tovar e Padilla (s.d.) observaram para G. brimblecombei
uma duração do ciclo de vida das ninfas de 26 a 57 dias em uma média de temperatura de
16,5º C e 22º C. Resultado bastante superior ao encontrado neste trabalho para a mesma
espécie de psilídeo.
2
y = 0,0202x - 1,2305x + 21,726
2
R = 0,4896
12
12
2º ínstar (dias)
1º ínstar (dias)
10
2
y = 0,0054x - 0,4867x + 11,889
2
R = 0,4226
14
8
6
4
2
10
8
6
4
2
0
0
14
18
22
26
30
34
14
18
22
Temperaturas
34
B
2
y = 0,0139x - 0,8516x + 15,427
2
R = 0,4395
12
2
y = 0,0483x - 2,4607x + 33,806
2
R = 0,5463
10
4º ínstar (dias)
3º ínstar (dias)
30
Temperaturas
A
9
8
7
6
5
4
3
2
1
0
26
8
6
4
2
0
14
18
22
26
30
34
14
18
Temperaturas
22
26
30
34
Temperaturas
C
D
2
y = 0,0516x - 2,656x + 37,766
2
R = 0,5336
12
5º ínstar (dias)
10
8
6
4
2
0
14
18
22
26
30
34
Temperaturas
E
Figura 9. Modelo de regressão da duração dos ínstares (dias) de G. brimblecombei mantido em E.
camaldulensis em diferentes temperaturas (Fotofase de 12 horas). A. 1º instar; B. 2º instar; C. 3º instar;
D. 4º instar; E. 5º instar.
4.2.2. Viabilidade do estágio ninfal
A temperatura de 26º C foi nitidamente a mais adequada para o
desenvolvimento das ninfas de G. brimblecombei em relação as demais temperaturas. Nas
temperaturas 18º C e 22º C observou-se viabilidade média de 40,5% e a temperatura de 30º
C foi a menos adequada, com viabilidade de apenas 22%, demonstrando a sensibilidade
desse inseto a alta temperatura (Figura 10).
74
Viabilidade Ninfal (%)
80
70
60
50
40
39
42
30
22
20
10
0
18ºC
22ºC
26ºC
30ºC
Temperaturas
Figura 10. Viabilidade ninfal (%) de G. brimblecombei mantido em E.camaldulensis em
diferentes temperaturas. (Fotofase de 12 horas).
A viabilidade por instar foi determinada pela diferença obtida entre
a quantidade de ninfas no instar anterior e a quantidade de ninfas no instar seguinte. A
viabilidade dos ìnstares nas diferentes temperaturas testadas foi superior a 70% para todos
os instares, com exceção na temperatura de 30º C, que apresentou uma viabilidade de
56,4% para as ninfas de 5º instar (tabela 10).
Tabela 10: Viabilidade ninfal (%) por instar de G. brimblecombei mantido em
E.camaldulensis em diferentes temperaturas. (Fotofase de 12 horas).
Viabilidade Ninfal
Tratamento
1º instar
2º instar
3º instar
4º instar
5º instar
18º C
75%
86,7%
81,5%
88,7%
82,9%
22º C
88%
70,4%
82,2%
94,1%
87,5%
26º C
89%
91%
95%
100%
96,1%
30º C
75%
76%
80,7%
84,8%
56,4%
4.2.3. Longevidade dos adultos e capacidade reprodutiva
A longevidade dos adultos foi de, no mínimo, 2 dias e, no máximo,
de 20 dias para as temperaturas testadas. A temperatura de 22º C apresentou maior duração
média para a longevidade dos adultos (9,3 dias) e na temperatura de 30º C a duração média
da longevidade dos adultos foi de 4,4 dias, bastante inferior as outras temperaturas
estudadas (Tabela 11).
Tabela 11: Duração média (dias) da longevidade dos adultos de G. brimblecombei
(Hemiptera:Psyllidae) mantido em E. camaldulensis em diferentes temperaturas.
(Fotofase de 12 horas).
Tratamento
Média ± erro padrão (dias)
Número de adultos
18º C
8,9 ± 0,56
39
22º C
9,3 ± 0,54
42
26º C
8,4 ± 0,39
74
30º C
4,4 ± 0,43
22
O modelo de regressão proposto para longevidade dos adultos
explicou apenas 16% da variação dos dados, porém a análise de regressão indica que
existe uma tendência entre os dados, sendo que na temperatura de 30º C a duração de
vida dos adultos foi inferior as outras temperaturas testadas (Figura 11).
y = -0,0705x2 + 3,0355x - 22, 992
R 2 = 0,1652
Longevidade dos adultos (dias)
25
20
15
10
5
0
14
18
22
26
30
34
Temperatura
Figura 11. Modelo de regressão ajustado para a longevidade dos adultos (dias) de G.
brimblecombei mantido em E.camldulensis em diferentes temperaturas (Fotofase de
12 horas)
O número médio de ovos colocados na temperatura de 18º C foi de
4,5 ovos, número médio bastante inferior quando comparado com os números obtidos nas
temperaturas de 22º C (31,2 ovos) e 26º C (31,7 ovos). O número médio de posturas/fêmea
nas temperaturas de 18º C e 22º C foi de duas posturas por fêmea e na temperatura de 26º C
o número médio de postura/fêmea foi de 3,1 posturas. Na temperatura de 30º C não houve
posturas (Tabela 12).
Tabela 12: Número médio de ovos/fêmea e posturas/fêmea de G. brimblecombei
(Hemiptera:Psyllidae)
mantido
em
E.
camaldulensis
em
diferentes
temperaturas.(Fotofase de 12 horas).
Tratamento
18º C
Ovos/Fêmea
Posturas/Fêmea
Média ± erro padrão Média ± erro padrão
4,5 ± 0,50
2,0 ± 1
Número de
fêmeas
39
22º C
31,2 ± 15,34
2,1 ± 0,53
42
26º C
31,7 ± 5,32
3,2 ± 0,46
74
30ºC*
0
0
0
*Ausência de postura
O modelo de regressão proposto para ovos/fêmea (Figura 12)
explica 21% das variações dos dados devido ao pequeno número de repetição.O
modelo proposto para posturas/fêmea (Figura 13) explica 23% da variação. As duas
análises de regressão (ovos/fêmea e posturas/fêmea) apresentam uma tendência entre
Ovos/Fêmea
os dados.
140
y = -0,937x + 44,745x - 498,54
120
R = 0,2111
2
2
100
80
60
40
20
0
14
18
22
26
30
34
Temperaturas
Figura 12. Modelo de regressão ajustado para o número de ovos/fêmea de G.
brimblecombei mantido em E.camaldulensis em diferentes temperaturas (Fotofase de 12
horas).
10
y = -0,0727x2 + 3,448x - 37,613
9
R2 = 0,2381
Posturas/Fêmea
8
7
6
5
4
3
2
1
0
14
18
22
26
30
34
Temperaturas
Figura 13. Modelo de regressão ajustado para o número de posturas/fêmea de G.
brimblecombei mantido em E.camaldulensis em diferentes temperaturas (Fotofase de 12
horas).
A proporção sexual dos insetos mantidos nas diferentes temperaturas
foi: 1,6:1 (macho:fêmea) com razão sexual de 0,3 nas temperaturas de 18º C e 22º C; na
temperatura de 26º C foi de 1,2:1 (macho:fêmea) com razão sexual de 0,4 e na
temperaturade 30º C foi de 3,4:1 (macho:fêmea) com razão sexual de 0,2.
4.2.4. Duração do ciclo total
O ciclo total de G. brimblecombei foi observado da eclosão da ninfa
até a morte do adulto. Nas diferentes temperaturas a duração do ciclo total foi de no
mínimo 16 dias e no máximo de 45 dias. O ciclo total na temperatura de 18º C apresentou
duração média de 35,8 dias, período superior aos obtidos nas outras temperaturas testadas.
Na temperatura de 30º C o período de duração do ciclo total foi de 21,0 dias apresentando a
menor duração média quando comparada as outras temperaturas (Tabela 13).
Tabela 13: Duração média (dias) do ciclo total de G. brimblecombei
(Hemiptera:Psyllidae) mantido em E.camaldulensis em diferentes
temperaturas.
(Fotofase de 12 horas).
Tratamento
Média ± erro padrão (dias)
Número de insetos
18º C
35,8 ± 0,56
39
22º C
29,9 ± 0,57
42
26º C
22,7 ± 0,41
74
30º C
21,0 ± 0,76
22
A análise de regressão proposta para o ciclo total explicou 69% da
variação dos dados. No modelo proposto o ciclo total na temperatura de 18º C apresenta
maior duração e na temperatura de 30º C menor duração, existindo assim uma tendência
Ciclo Total (dias)
entre os dados (Figura 14).
y = 0,069x2 - 4,6499x + 97,622
R2 = 0,6941
50
45
40
35
30
25
20
15
10
5
0
14
18
22
26
30
34
Temperatura
Figura 14. Modelo de regressão ajustado para o ciclo total de G. brimblecombei mantido
em E.camaldulensis em diferentes temperaturas (Fotofase de 12 horas).
4.2.5 Período de incubação
O período de incubação dos ovos variou de 6 a 15 dias para as
temperaturas de 22ºC e 26ºC. A duração média foi de 10,8 dias para a temperatura de 22ºC
e de 7,9 dias para a temperatura de 26ºC, observou-se que o período de incubação na
temperatura de 22ºC apresentou uma maior duração média em relação a temperatura de
26ºC (Tabela 14).
Na temperatura de 18ºC não houve eclosão das ninfas e na
temperatura de 30ºC houve ausência de postura.
Tabela 14: Duração média (dias) do período de incubação de G. brimblecombei
(Hemiptera:Psyllidae) mantido em E. camaldulensis em diferentes temperaturas.
(Fotofase de 12 horas).
Tratamento
Média ± erro padrão (dias)
Número de ovos
18º C¹
0
9
22º C
10,8 ± 0,10
150
26º C
7,9 ± 0,04
452
30º C²
-
-
¹ Na temperatura de 18º C não houve eclosão das ninfas
² Na temperatura de 30º C não houve posturas
Para o período de incubação não foi feita análise de regressão pois
apenas dois tratamentos (22º C e 26º) apresentaram eclosão das ninfas.
4.2.6. Viabilidade dos ovos
A viabilidade média dos ovos na temperatura de 22º C (68,4%) foi
menor do que na temperatura de 26º C (75,1%), que apresentou uma alta viabilidade,
demonstrando condições adequadas para o desenvolvimento de G.brimblecombei. Na
temperatura de 18º C a viabilidade foi de 0% pois nessa temperatura não houve eclosão das
ninfas. Na temperatura de 30º C não houve posturas (Figura 15).
75,1
Viabilidade dos Ovos(%)
80
68,4
70
60
50
40
30
20
10
0
0
18ºC
22ºC
26ºC
Temperaturas
Figura 15. Viabilidade média (%) dos ovos de G. brimblecombei mantido em
E.camaldulensis em diferentes temperaturas. (Fotofase de 12 horas).
De acordo com os resultados apresentados observou-se que na
temperatura de 26º C houve menor duração ninfal, maior viabilidade ninfal e maior
viabilidade dos ovos, tornando-se a temperatura mais adequada para o desenvolvimento e
reprodução de G. brimblecombei e caracterizando-se como temperatura ótima para o
desenvolvimento dessa praga.
A temperatura de 22º C se caracterizou como temperatura sub ótima para
o desenvolvimento de G. brimblecombei, pois apresentou alta viabilidade dos ovos e baixa
duração dos ínstares, apesar de maior duração para a longevidade dos adultos.
A baixa e alta temperatura afetam o desenvolvimento de G.
brimblecombei. Observou-se que na temperatura de 18º C houve maior duração do estágio
ninfal e ciclo total, o número médio de ovos/fêmea foi de apenas 4,5 e a viabilidade dos
ovos foi de 0%, pois não houve eclosão das ninfas. A temperatura de 30º C não apresentou
posturas e teve a menor duração média da longevidade dos adultos (4,4 dias).
Dentro deste contexto, pode-se dizer que a infestação de G.
brimblecombei em florestas de eucalipto no estado de São Paulo é influenciada pela
temperatura e estações do ano. Na primavera a infestação do psilídeo-de-concha é bastante
alta, pois a temperatura fica em torno de 22º C a 26ºC e no inverno e verão sua infestação
cai devido a baixa e alta temperatura que afetam a sua reprodução. Esses resultados são
semelhantes aos observados no campo.
Os trabalhos com temperatura para o desenvolvimento de G.
brimblecombei requerem mais estudos, pois a literatura é muito escassa.
5. CONCLUSÕES
- As espécies E. camaldulensis, E. urophylla, E. grandis, E. tereticornis e o híbrido E.
grandis x E. urophylla oferecem condições favoráveis para o desenvolvimento e
reprodução de G. brimblecombei.
- A espécie E. camaldulensis é a mais adequada ao desenvolvimento e reprodução de G.
brimblecombei.
- A espécie C. citriodora apresenta maior resistência às ninfas de 1º instar, impossibilitando
o desenvolvimento de G. brimblecombei.
- As temperaturas de 22º C e 26º C oferecem condições favoráveis para o desenvolvimento
e reprodução de G. brimblecombei, sendo a temperaturas de 26º C a mais adequada.
- As temperaturas de 18º C e 30º C são menos adequadas para o desenvolvimento e
limitantes para a reprodução de G. brimblecombei.
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Biologia do Psilídeo-de-Concha Glycaspis brimblecombei