1 UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE CURSO DE PSICOLOGIA DANIELA CRISTINA ISRAEL VÍNCULO MÃE-FILHO NO BERÇÁRIO DE UM HOSPITAL PÚBLICO PEDIÁTRICO - SC BIGUAÇU 2009 2 DANIELA CRISTINA ISRAEL VÍNCULO MÃE-FILHO NO BERÇÁRIO DE UM HOSPITAL PÚBLICO PEDIÁTRICO - SC Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito para obtenção do grau de Bacharel em Psicologia na Universidade do Vale do Itajaí no Curso de Psicologia. Orientadora: Prof.ª Dr.ª Luciana Martins Saraiva. BIGUAÇU 2009 3 DANIELA CRISTINA ISRAEL VÍNCULO MÃE-FILHO NO BERÇÁRIO DE UM HOSPITAL PÚBLICO PEDIÁTRICO - SC Este Trabalho de Conclusão de Curso foi considerado aprovado, atendendo os requisitos parciais para obter o grau de Bacharel em Psicologia na Universidade do Vale do Itajaí no Curso de Psicologia. Biguaçu, de junho de 2009. Banca Examinadora: ______________________________________________ Prof.ª Dr.ª Luciana Martins Saraiva Orientadora ______________________________________________ Prof.ª MSc. Cristianne Gick Machado ______________________________________________ Prof.ª MSc. Maria Suzete Salib 4 Dedico este trabalho as equipes de saúde dos berçários e, para todas as mães, especialmente a minha, para que criem seus filhos com todo carinho e dedicação para que estes venham a se tornar pessoas, saudáveis. física e psiquicamente, 5 AGREDECIMENTOS Agradeço, primeiramente, a Deus, por ter me dado tudo, pelo dom da vida, por iluminar o meu caminho, por ser fonte de inspiração e força para nunca desistir. Aos meus pais, pela dedicação em todos os momentos de minha vida, pelo incentivo aos estudos, pelo exemplo, pelo carinho e compreensão, pelo apoio para que eu sempre seguisse em frente. Aos meus irmãos, por todo o carinho, paciência e colaboração, pela amizade e por estarem sempre ao meu lado. Aos meus sobrinhos, que embora não tivessem conhecimento disto, iluminaram meus pensamentos me estimulando na busca de mais conhecimentos. À Prof.ª Dr.ª Luciana Martins Saraiva, orientadora, por toda a sua sabedoria, pelo amor e dedicação pelo que faz, pelas importantes contribuições no meu crescimento pessoal e profissional, pela calma e tranqüilidade que me passou e pelo auxílio em todos os momentos que precisei. Às professoras Maria Suzete Salib e Cristianne Gick Machado, por aceitar prontamente o convite para fazerem parte da banca, pelas sugestões, comentários e considerações que contribuíram para o meu trabalho. Ao Diretor Geral, ao Psicólogo Chefe e à equipe de saúde do Berçário do Hospital, pelo consentimento, pela disponibilidade e colaboração para realização desta pesquisa. Às mães, entrevistadas, que aceitaram contribuir para este trabalho, e que mesmo em um momento de dor conseguiram falar e responder aos meus questionamentos. Aos meus amigos, pelo companheirismo, pela compreensão nos momentos em que não pude estar presente, pelo interesse em meu trabalho, pelo estímulo para não desistir. A todos que direta ou indiretamente contribuíram para a realização deste trabalho e concretização de mais uma etapa da minha vida. 6 Não somos apenas o que pensamos ser. Somos mais; somos também, o que lembramos e aquilo de que nos esquecemos; somos as palavras que trocamos, os enganos que cometemos, os impulsos a que cedemos, “sem querer”. Sigmund Freud 7 RESUMO Durante o primeiro ano de vida grande parte dos bebês estabelece um forte vínculo com a figura materna. É através da vivência desta relação entre mãe-filho, sendo esta íntima, afetiva, contínua e prazerosa para ambos que está a base para o desenvolvimento saudável da personalidade da criança. Porém, podem ocorrer interferências no processo de formação vincular entre mãe-filho, como no caso da hospitalização do bebê. Muitas vezes a mãe se afasta de seu filho devido aos procedimentos hospitalares, o que pode gerar sentimentos de medo e angústia para ambos, colocando em risco o estabelecimento do vínculo deste binômio mãe-filho. Esta pesquisa teve como objetivo analisar como as rotinas hospitalares do berçário de um hospital público pediátrico – SC interferem na relação mãe-filho a partir da perspectiva das mães. Para tanto, utilizou-se o método de pesquisa qualitativa através da técnica da Análise de Conteúdo. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas com quatro mães acompanhantes de seus filhos hospitalizados no berçário de um hospital público pediátrico localizado no Estado de Santa Catarina, identificando suas vivências durante o período de internação. Os resultados apresentaram quinze categorias que permitem compreender o funcionamento da unidade de berçário, especialmente, sobre o vínculo mãe-filho. São elas: 1) Conhecimento do diagnóstico; 2) Acesso ao berçário; 3) Cuidados da equipe com os filhos; 4) Sugestões; 5) Cuidados que ficam sob responsabilidade das mães; 6) Permanência das mães no berçário; 7) Facilidade das mães com os cuidados do filho no berçário; 8) Dificuldades das mães com os cuidados do filho no berçário; 9) Relação entre mãe-filho no período de internação; 10) Sentimentos/Condições psíquicas; 11) Condições físicas; 12) Comunicação; 13) Informação do diagnóstico; 14) Presença/Ausência do pai; 15) Relações entre as mães. A unidade de berçário engloba medidas que favorecem e outras que desfavorecem ao estabelecimento do vínculo entre mãe-bebê. Como rotinas hospitalares positivas para o vínculo destacam-se: acesso livre ao berçário para as mães, permissão para que estas passem o dia todo ao lado de seus filhos e o fato de alguns cuidados com os filhos ficarem sob a responsabilidade das mães. Porém, como aspectos que interferem de forma negativa na promoção do vínculo, podem-se ressaltar: a comunicação entre a equipe de saúde e as mães e o modo como os diagnósticos são informados. Além disso, o ambiente hospitalar por si só já envolve diversos fenômenos psicológicos, desta forma, considera-se importante uma intervenção psicológica para trabalhar com os fenômenos que estão presentes. Palavras chave: vínculo mãe-filho, análise de conteúdo, psicologia hospitalar 8 ABSTRACT During the first year of life most babies provides a strong bond with the mothers. It is through the experience of this relationship between mother-child, being intimate, affective, continuous and enjoyable for both which is the basis for the healthy development of the child's personality. However, interference may occur in the training link between mother-child, such as the hospitalization of the infant. Often the mother is away from his son due to hospital procedures, which can generate feelings of fear and anguish for them, putting at risk the establishment of the link of this mother-son. This study aimed to examine how the routines of the hospital nursery for a public pediatric hospital - SC interfere with mother-child relationship from the perspective of mothers. For this, we used the method of qualitative research through the technique of Analysis of Content. We performed semi-structured interviews with four of their mothers accompanying children hospitalized in the nursery of a public pediatric hospital located in Santa Catarina State, identifying their experiences during the hospitalization. The results showed fifteen categories which include the operation of the plant nursery, especially on the mother-child bond. They are: 1) Knowledge of diagnosis, 2) Access to the nursery, 3) Care of the team with the children; 4) Tips, 5) care that are under the responsibility of mothers, 6) Residence of mothers in the nursery; 7) Ease of mothers with the care of the child in the nursery; 8) Difficulties of mothers with the care of the child in the nursery; 9) The relationship between mother and child during the period of hospitalization; 10) Feelings / psychological conditions; 11) Physical conditions; 12) Communication; 13) Information of the diagnosis; 14) Presence / Absence of the father; 15) Relationship between the mothers. The nursery unit includes measures to promote and other disadvantage that the establishment of the bond between mother and baby. Hospital routines as positive for the bond are: free access to the nursery for mothers, permission to pass this all day next to their children and the fact that some children get the care under the responsibility of mothers. However, as things that interfere in a negative way in promoting the link, you can highlight: the communication between the health team and the mothers and how the diagnoses are informed. In addition, the hospital itself already involves several psychological phenomena, thus it is considered an important psychological intervention to work with the phenomena that are present. Keywords: mother-child bond, content analysis, psychology hospital. 9 IDENTIFICAÇÃO ÁREA DE PESQUISA Psicologia Hospitalar e Psicologia do Desenvolvimento TEMA Vínculo mãe-filho TÍTULO DO PROJETO Vínculo mãe-filho no berçário de um hospital público pediátrico - SC ACADÊMICA Nome: Daniela Cristina Israel Código de Matrícula: 06.1.1082 Centro de Ciências da Saúde UNIVALI – Biguaçu Curso de Psicologia – 7° semestre ORIENTADORA Nome: Luciana Martins Saraiva Categoria Profissional: Psicóloga Titulação: Doutora Curso: Psicologia Centro: CS Biguaçu 10 LISTA DE TABELAS TABELA 1: Categorias .............................................................................................. 31 11 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 12 2 REFERENCIAL TEÓRICO..................................................................................... 15 2.1 TEORIAS SOBRE O VÍNCULO MÃE-FILHO ...................................................... 16 2.2 CONTEXTO HOSPITALAR ................................................................................. 24 3 METODOLOGIA DA PESQUISA........................................................................... 28 3.1 ANÁLISE DOS DADOS ....................................................................................... 35 2.2 DISCUSSÃO DOS DADOS ................................................................................. 39 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................... 43 4.1 PRINCIPAIS RESULTADOS E CONTRIBUIÇÕES ............................................. 43 5 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ...................................................................... 45 APÊNDICES ............................................................................................................. 49 ANEXOS.. ................................................................................................................. 51 12 1 INTRODUÇÃO A vivência de uma relação íntima, afetiva e contínua da mãe com o seu filho, na qual ambos encontrem satisfação e prazer, é fundamental para a saúde mental do bebê e da criança. É nesta relação complexa, rica e compensadora entre mãe e bebê nos seus primeiros anos de vida, enriquecida de várias maneiras pelas relações com pais e irmãos, que está à base do desenvolvimento saudável da personalidade da criança (BOWLBY, 1995). Estudos evidenciam a importância da interação mãe-bebê para o desenvolvimento da linguagem, da inteligência, dos aspectos cognitivos e da sociabilidade da criança, sendo relacionadas estas funções psicológicas com o tipo de vínculo que se estabeleceu da mãe com o seu filho desde a gestação até a idade escolar. Do mesmo modo que ocorrem implicações psicológicas e afetivas, o tipo de interação mãe-bebê pode afetar os aspectos fisiológicos, relacionados com a diminuição ou o aumento da taxa de crescimento do bebê (BAPTISTA e DIAS, 2003). A perspectiva evolucionista afirma que o apego permite ao cérebro imaturo da criança utilizar as funções maduras dos pais para elaborar seus próprios processos vitais, sendo assim, o apego aumenta, visivelmente, as chances de sobrevivência desta criança. Através do mecanismo de apego a criança espelha-se nas respostas de seus pais aos seus sinais, estas respostas parentais ampliam e reforçam os estados emocionais positivos da criança e diminui os estados negativos, o que lhe proporciona segurança. A repetição destas experiências faz com que as codifique na memória procedural da criança como expectativas que ajudam a sentir-se segura (KANDEL, 2003). Isto corrobora com o que psicanalistas discorrem sobre o apego, estes compreendem a importância da relação mãe-bebê como um dos fatores prioritários para a explicação do tipo de desenvolvimento e problemáticas associadas às idades mais avançadas. Por exemplo, de acordo com Bowlby (2002) o mecanismo de apego é a vinculação existente entre a criança e sua mãe, este por sua vez, permite a criança explorar o mundo em condições seguras. Da mesma forma, Spitz (1998) considera que é a relação constituída entre mãe e filho que possibilita a mesma oferecer as primeiras experiências do bebê. 13 No entanto, ao longo deste processo de formação vincular entre a mãe e o seu filho, algumas interferências podem ocorrer, principalmente, em algumas situações quando a hospitalização da criança é um fato real. Durante a hospitalização, momento este em que a criança mais necessita de cuidados e de proteção, a mãe se ausenta ou se separa de seu filho devido ao contexto hospitalar e aos procedimentos que são realizados, o que gera na criança sentimentos de insegurança. Esta criança apresenta ainda sentimentos de angústia, ansiedade e medo frente ao seu adoecimento. O que irá auxiliar na recuperação da criança, buscando-se um bem-estar físico e psíquico, é a presença de um vínculo intenso entre a mãe e o seu filho, que geralmente fragiliza-se em situações como a hospitalização (JUNQUEIRA, 2003; OLIVEIRA e COLLET, 1999). Uma separação precoce da díade mãe-bebê, decorrente dos procedimentos hospitalares, pode suscitar implicações tanto leves quanto severas para a formação do vínculo entre a díade, e conseqüentemente, para a saúde física, emocional, cognitiva e social do bebê. A ausência da mãe pode estar entre as causas determinantes de graves problemas individuais e sociais, como a delinqüência, o consumo de drogas e doenças mentais (BOWLBY, 1995). Quando uma criança é hospitalizada, seus pais recebem um diagnóstico, este é entendido pelas mães como um destino traçado precocemente, o que pode colocar em risco o estabelecimento do vínculo mãe-filho. Desta forma, a equipe de saúde que irá cuidar da criança deve considerar não apenas os cuidados biológicos, mas também atentar para as questões psíquicas e afetivas da criança que está hospitalizada e carecendo de cuidados integrais, pois é um ser em desenvolvimento (BATTIKHA, 2007). Durante a hospitalização, a criança se separa de seus pais, ou seja, fica afastada do que lhe dá segurança, o que gera na criança sentimentos de intranqüilidade. Nos berçários e enfermarias, locais dos quais a mãe se ausenta devido às rotinas hospitalares, as enfermeiras é que desempenham o papel de mães substitutas. Estas devem então, entender a criança não como um ser isolado, mas como inserida em um complexo sistema de relações, envolvendo desta forma, sua família no tratamento e valorizando a presença da mãe junto ao seu filho, para auxiliar a criança a obter uma melhora através da relação existente entre mãe-filho (OLIVEIRA e COLLET, 1999). 14 Desta forma, a prevenção de problemas na interação mãe-bebê deve iniciarse no pré-natal, uma vez que a atenção psicológica e social precoce pode favorecer à gestante e à futura parturiente melhores condições para acolher a criança ao nascer (AJURIAGUERRA e MARCELLI, 1991 apud BAPTISTA e DIAS, 2003). Assim, este estudo investigou como as rotinas hospitalares do berçário de um hospital público pediátrico – SC interferem positiva e/ou negativamente na relação entre mãe e filho, na situação da criança hospitalizada neste setor. A pergunta que norteou este trabalho foi à seguinte: “Como as rotinas hospitalares do berçário de um hospital público pediátrico - SC, interferem na relação mãe-filho a partir da perspectiva das mães?” Para tanto, utilizou-se a metodologia qualitativa exploratória e, como instrumento de coleta de dados empregou-se uma entrevista semi-estruturada. Após a coleta dos dados, os mesmo foram organizados e analisados de acordo com a técnica da Análise de Conteúdo. A pesquisa teve como objetivo geral: analisar como as rotinas hospitalares do berçário de um hospital público pediátrico – SC interferem na relação mãe-filho a partir da perspectiva das mães. E como objetivos específicos: 1) Descrever as vivências das mães no berçário de um hospital público pediátrico – SC; 2) Identificar as interferências negativas e positivas da hospitalização na relação mãe-filho. A relevância científica desta pesquisa consiste em fornecer informações que poderão contribuir para as equipes de saúde sobre as interferências hospitalares no vínculo mãe e filho. Já a relevância social de um trabalho desta natureza está na possibilidade de identificar as interferências positivas e/ou negativas da hospitalização em um berçário de um hospital público pediátrico – SC no vínculo mãe e filho, de modo que permita ações futuras que estimulem o estabelecimento do vínculo entre a díade. Os resultados desta pesquisa possibilitarão fornecer informações para equipes de saúde interessadas na temática acerca das interferências hospitalares negativas e/ou positivas no vínculo mãe e filho, permitindo desta forma, futuras ações que estimulem o estabelecimento do vínculo entre a díade. 15 2 REFERENCIAL TEÓRICO Este capítulo tem como objetivo apresentar os temas pertinentes à pesquisa proposta neste projeto, sendo estes: as teorias sobre o vínculo mãe-bebê e o contexto hospitalar, de modo que se possa fundamentar teoricamente o estudo a ser realizado. 2.1 TEORIAS SOBRE O VÍNCULO MÃE-FILHO Diferentes perspectivas teórico-metodológicas têm abordado a vinculação inicial entre mãe e bebê, e cada um desses estudos tem uma interpretação desta interação a partir da sua visão. Em meio a estas se destacam: a perspectiva analítico-funcional de base comportamental, sendo o principal autor Skinner; a perspectiva sócio-cognitiva, com autores como Fogel, Kochanska e Schafer; a perspectiva da aprendizagem social, com Baumrind e Black; a perspectiva motivacional associada a drives e relações objetais, com Horner; e o enfoque do desenvolvimento biológico evolucionário, com Ainsworth e Witting, Blurton Jones e Bowlby (ZAMBERLAN, 2002). Deste modo, na análise destas diversas abordagens é evidente a compreensão de que, [...] o conjunto de comportamentos que unem uma pessoa a outra ou a outro objeto, formando-se importante ligação entre elas pode ser entendido como apego. Concluindo-se que a responsividade da mãe para com os cuidados ao bebê direciona seus sistemas comportamentais e de apego em relação a esse agente (ZAMBERLAN, 2002, p. 400). A partir deste entendimento e tendo em vista a grandiosidade de perspectivas e estudos sobre a interação mãe-bebê, focalizar-se-á nos estudos de psicanalistas, como Spitz, Bowlby, Winnicott, Bion, entre outros. Para Spitz (1998) os sentimentos que a mãe tem em relação a seu filho são de extrema importância para o desenvolvimento deste. Os sentimentos da mãe constituem o que o autor denomina de clima emocional favorável, o que vem a ser 16 um clima agradável de amor e afeição que favorecerá para o desenvolvimento da criança. É através desta relação entre mãe-filho que a criança tem a possibilidade de ter as suas primeiras experiências oferecidas pela mãe, e o que torna estas experiências ainda mais valiosas é o fato de elas serem permeadas pelo afeto por ambas as partes (SPITZ, 1998). No que se refere a esta interligação entre a díade mãe-bebê, quase todos os psicanalistas concordam que, durante o primeiro ano de vida grande parte dos bebês estabelece um forte vínculo com a figura materna (BOWLBY, 2002). Desta forma, Bowlby (2002, p. 329) considera que, ao nascer: [...] um bebê está muito longe de ser uma tabula rasa. Pelo contrário, não só ele está equipado com um certo número de sistemas comportamentais prontos para serem ativados como cada sistema já está predisposto a ser ativado por estímulos que se enquadram em uma vasta gama, a ser finalizado por estímulos que se incluem numa outra e igualmente vasta gama, e a ser fortalecido ou enfraquecido por estímulos de ainda outros tipos. Entre esses sistemas já existem alguns que fornecem as bases para o desenvolvimento ulterior do comportamento de apego. Tais são, por exemplo, os sistemas primitivos do choro, sucção, agarramento e orientação do recémnascido. Mais do que isso, Bowlby (2002) aponta que este vínculo mãe-filho, denominado por ele de apego, inicia-se já na vida intra-uterina e é uma adaptação fundamental da espécie humana, sendo uma necessidade básica assim como a satisfação da fome ou da sede. Ao nascer, este bebê irá manifestar o apego através de comportamentos como os mencionados acima, de forma que a criança irá buscar uma proximidade com a figura de apego. Quando Bowlby diz que o apego é uma necessidade básica do ser humano, se distingue de Freud, já que este, no início dos estudos sobre as primeiras relações em seu artigo “Instintos e suas vicissitudes”, concebe que o bebê ao nascer possui necessidades fisiológicas que precisam ser satisfeitas, principalmente referente à alimentação, de tal modo que a criança interessa-se pela figura materna pelo fato de ser sua fonte de satisfação. Portanto, na teoria dos instintos de Freud o vínculo constituído da criança com a mãe é de caráter secundário, já que a ligação afetiva é conseqüência das satisfações fisiológicas primárias (BRUM e SCHERMANN, 2004). Na concepção de Bowlby, a premissa de que as necessidades fisiológicas são primárias e as relações de afeto secundárias não se adéquam aos fatos, ele 17 argumenta que se isto fosse verídico “[...] uma criança de um ano ou dois deveria prontamente aceitar quem quer que a alimentasse e isso, claramente, não era o caso” (1989, p. 37). Este autor considera ainda que, “sem o mecanismo de apego, a criança se distanciaria dos adultos ao explorar o mundo, e ficaria exposta a seus perigos. O apego modula o impulso exploratório, que é seu complemento, permitindo que a criança explore o mundo em condições seguras” (BOWLBY apud CARVALHO et al, 2008, p. 235). Estes argumentos propostos por Bowlby derivam da sua Teoria do Apego, que é baseado na combinação da Psicanálise e da Teoria da Evolução, em que aponta o vínculo como função adaptativa humana, isto é, trata o sistema de apego como instintivo. Por conseguinte, Bowlby (apud CARVALHO et al, 2008, p. 235) acredita que “o instinto é não um determinante cego e rígido do comportamento; manifesta-se em interação com condições ambientais particulares e, nesse caso especialmente, em interação com outros seres humanos”. Desta forma, as estimulações maternas e os comportamentos do bebê como chorar e sorrir são demonstrações desta interação entre mãe e bebê que decorre do sistema adaptativo e culminará na formação vincular entre este binômio (CARAVALHO et al, 2008). Além disso, Bowlby (1997, p. 96) descreve que “[...] mesmo que não sejam universais em aves e mamíferos, vínculos fortes e persistentes entre indivíduos são a regra em numerosas espécies”. Apesar de tipos de vínculos diferirem entre as espécies, comumente existe entre os pais e sua prole, e entre adultos de sexos opostos. Este mesmo autor afirma que “nos mamíferos, incluindo os primatas, o primeiro e mais persistente de todos os vínculos é geralmente entre a mãe e seu filho pequeno, um vínculo que freqüentemente persiste até a idade adulta” (BOWLBY, 1997, p. 96-97). Assim sendo, Bowlby diz que diante dos resultados de seus estudos, é possível considerar a existência dos vínculos afetivos que são formados pelos seres humanos, como sendo intensos e duradouros, quando comparados com outras espécies conforme explicitado acima. É desse modo que “em torno do bebê que acaba de nascer tece-se, consciente e inconscientemente, uma rede de expectativas e desejos: as marcas fundantes da subjetividade dessa criança, sustentadas nesse vínculo inicial mãebebê” (BATTIKHA et al, 2007, p. 18). 18 A mãe não ama um filho biológico da mesma forma que o filho não ama essa mãe só por ela ser sua mãe biológica, o que ocorre é que o amor vai se construindo na medida em que as suas relações vão se concretizando. Assim, o estabelecimento do vínculo se dá a partir da preparação biológica humana e da interação com o outro (CARVALHO et al, 2008). Conforme Ainsworth (apud ZAMBERLAN, 2002) o apego é uma ligação afetiva que constitui vínculos que são temporo-espaciais. Indícios disso são as tentativas de manter-se próximo, de interagir e comunicar-se, mesmo que distantes, o que se demonstra com comportamentos de se aproximar, seguir, sorrir, chorar e chamar quando a figura de apego está afastada da criança. A relação olho a olho é uma das formas de comunicação mais potente, promovendo, de forma inata, respostas maternais e facilitando a interação. Os comportamentos do bebê, de chorar, sorrir, etc. indicam seu estado e promove ligação e interatividade com a mãe quando esta se prontifica satisfazer as necessidades do bebê (ZAMBERLAN, 2002). Ainsworth et al (1978 apud BRUM e SCHERMANN, 2004) desenvolveu um trabalho que identificou diferentes padrões de apego. Basicamente, a proposta era efetuar sete episódios em laboratório, primeiramente a criança estava com sua mãe, em seguida, estava com sua mãe e uma pessoa estranha, logo após, só com o estranho, com a mãe novamente, depois, sozinha, mais uma vez com o estranho, e por fim, com a mãe. Ficaram constatadas três reações das crianças: seguramente apegados à mãe, ansiosamente apegados à mãe e esquivos, e, ansiosamente apegados à mãe e ambivalentes. O que constitui estes diferentes padrões de apego, na maior parte das vezes, depende da sensitividade da mãe às necessidades da criança, da mesma forma como, se a mãe representar para a criança uma base segura. A mesma autora refere ainda que a sensitividade materna [...] é a habilidade da mãe em perceber, interpretar e responder de forma adequada e contingente aos sinais da criança. A mãe muito sensitiva é bastante atenta aos sinais da criança e responde a eles pronta e apropriadamente. No outro extremo, está a mãe muito insensitiva, que parece agir quase que exclusivamente de acordo com seus desejos, humores e atividades, podendo responder aos sinais do bebê, mas fazendo-o com atraso (AINSWORTH, 1978 apud BRUM e SCHERMANN, 2004). 19 Já outros autores (Scheffer; Claussen e Crittenden apud BRUM e SCHERMANN, 2004) consideram que a sensitividade engloba características tanto dos pais como dos filhos, diferindo do conceito de Ainsworth, que enfatiza apenas os pais. De acordo com Klaus, Kennel e Klaus (2000) há um período crítico para o desenvolvimento de uma ligação entre mãe-bebê que são as primeiras horas após o nascimento da criança. Os estudos desenvolvidos neste sentido impulsionaram a alterações, tanto da compreensão, quanto da prática de atendimento logo após o nascimento do bebê. Estes mesmos autores consideram que, a formação do vínculo [...] refere-se ao investimento emocional dos pais em seu filho. É um processo que é formado e cresce com repetidas experiências significativas e prazerosas. Ao mesmo tempo, outro elo, geralmente chamado de ‘apego’, desenvolve-se nas crianças em relação a seus pais e a outras pessoas que ajudem a cuidar delas (KLAUS, KENNEL e KLAUS, 2000, p. 167). Desta forma, Klaus e Kennel (1992) afirmam que o apego entre mãe e filho é fundamental para a sobrevivência do bebê. Sendo que, quando mãe e filho permanecem juntos após o nascimento estimula-se e dá-se início a operação de mecanismos sensoriais, hormonais, fisiológicos, imunológicos e comportamentais conhecidos, permitindo a vinculação dos pais com o bebê. Assim, preconiza-se que estão envolvidos múltiplos fatores que ao serem ativados impulsionam a mãe para buscar seu bebê nos primeiros dias de vida, já que, esta relação é imprescindível à manutenção da vida da criança. Para estes autores, esses múltiplos fatores estão presentes nos três primeiros dias de contato entre mãe-filho, e apresentam-se como: a) interações mãe-para-filho: toque, olho-a-olho, voz em tom agudo, emparelhamento (sincronia entre os comportamentos emitidos pela mãe e movimentos de resposta do bebê), função de aguardar (esperar pelo estado de alerta do bebê), odor e calor materno, estimulação da produção da flora respiratória e gastrintestinal bacteriana, linfócitos T e B e de macrófagos A (leite materno); b) interações filho-para-mãe: olho-a-olho, choro, odor, emparelhamento (sincronia entre as respostas ou sinais dados pelo bebê em relação à manutenção ou extinção dos comportamentos emitidos pela mãe), estimulação da produção da oxitocina e da prolactina (KLAUS e KENNEL, 1992 apud LIMA, 2005, p. 25). 20 De acordo com Winnicott (1956/1993 apud BATTIKHA et al, 2007) o bebê ao nascer é completamente dependente. E a mãe, ao identificar-se com este bebê é capaz de se adaptar às suas necessidades e colocar-se no seu lugar. Este autor sugere três fases para o desenvolvimento emocional primitivo, que são: a dependência absoluta, dependência relativa e autonomia relativa (Winnicott, 1956 apud BRUM e SCHERMANN, 2004). Nos primeiros seis meses de vida, aproximadamente, este bebê é dependente do mundo que sua mãe lhe oferece, como mencionado acima, porém o ponto mais importante que Winnicott postula é que o bebê desconhece o seu estado de dependência. Para o bebê, ele e o meio, mais especificamente, ele e sua mãe, constituem-se em uma única coisa (WINNICOTT apud NASIO, 1995). Para Winnicott (1956 apud BRUM e SCHERMANN, 2004) é na primeira fase, chamada de dependência absoluta, que ocorre o que ele designou de preocupação materna primária, a mãe a desenvolve, e através da identificação é capaz de compreender seu bebê, constituindo assim uma unidade. Desta forma, a mãe ajudao a integrar-se. Além disso, se isto não ocorrer nesta fase, e não houver uma mãe com capacidade para se ligar ao seu bebê, este não se integra, será apenas um corpo com partes soltas. É aí que irão ocorrer falhas primitivas no desenvolvimento deste bebê, ocasionando o aparecimento de patologias infantis. Este autor propõe ainda três funções maternas para que a mãe se adapte às necessidades do bebê, que são: a apresentação do objeto, o holding e o handling. A primeira delas assinala a oferta da primeira refeição teórica, que também é a primeira refeição real. Ao oferecer o seio ou a mamadeira para o bebê, a mãe dá a ele a ilusão de que foi ele próprio quem criou o objeto de satisfação, assim sente-se onipotente. A segunda função, denominada de holding, é a sustentação tanto física como psíquica. A mãe protege seu bebê contra os perigos físicos (sensibilidade cutânea, auditiva, visual, sensibilidade a quedas), e na sustentação psíquica coloca o bebê em contato contínuo com a realidade externa, permitindo ao eu da criança encontrar os pontos de referência simples e estáveis. E o handling é a manipulação do bebê pela mãe enquanto ele é cuidado, o que gera ao bebê um bem estar físico e realiza a união entre a sua vida psíquica e a corpórea, que Winnicott designa de personalização (WINNICOTT apud NASIO, 1995). Tanto Bowlby quanto Winnicott afirmam que as primeiras relações que um bebê estabelece com a sua mãe são de extrema importância para o seu 21 desenvolvimento. Porém há diferenças em suas teorias que devem ser levadas em consideração. Enquanto Bowlby refere-se a estar apegada com a mãe, Winnicott fala de ser dependente desta figura materna, embora ambos baseiam-se na relação vincular mãe-bebê. Para Winnicott, no nascimento o bebê é dependente máximo, e tem a propensão de diminuir no transcorrer da vida, mas estando sempre presente de alguma forma. Já Bowlby afirma que o apego não está presente no nascimento, mas que se instaura na relação durante os meses que se segue, e considera ainda improvável que qualquer tipo de apego apareça antes das seis semanas de vida. Bowlby complementa que o apego instaura-se em torno dos seis meses de vida da criança e torna-se ainda mais evidente a sua existência por cerca dos dezoito a vinte e quatro meses (BRUM e SCHERMANN, 2004). Segundo Bion (apud BLEICHMAR e BLEICHMAR, 1992), desde o início da vida há um vínculo emocional muito profundo entre a mãe e o seu bebê. Este bebê tem necessidades tanto de ordem fisiológica como psicológica. No que se refere a esta última, uma de suas necessidades é ter um objeto externo onde possa despejar as suas angústias. Se esta angústia for muito intensa, a mãe deve ser o objeto em que esta criança possa descarregá-las, mas para isto a mãe deve ter certas capacidades emocionais, para poder absorver e “metabolizá-las”, conforme propõe Bion, para assim, retornar a criança de modo menos angustiante e assimilável. É desta forma que a mãe acalma a criança quando esta tem um momento de intranqüilidade, como em um pesadelo, esta mãe pode utilizar palavras ou não, o que é importante é como ela recebe a angústia de seu filho e a minimiza. Spitz (1998), ao estudar sobre os distúrbios de carência afetiva dos bebês, menciona duas situações que são resultados desta privação: a privação afetiva parcial e a privação afetiva total ou hospitalismo. Ele diz ainda que “[...] o dano sofrido pela criança privada de sua mãe será proporcional à duração da privação” (SPITZ, 1998, p. 271), isto é, quanto maior for o tempo de carência afetiva e ausência desta mãe, maior serão distúrbios decorrentes disto. Spitz emprega o conceito de hospitalismo para nomear alterações relacionadas ao confinamento prolongado, principalmente no que se refere a crianças internadas em orfanatos, durante o primeiro ano de vida. Ele percebeu que os bebês que não recebiam afeto, atenção emocional e não eram segurados no colo, mas que eram bem-alimentados, aquecidos e vestidos apresentavam esta 22 síndrome denominada de hospitalismo. Além disso, este autor verificou nestes bebês dificuldade no desenvolvimento físico e mental, onde estes ocorriam lentamente ou não ocorriam, estes bebês apresentavam ainda diminuição do apetite e de ganho de peso. Este fato levava, após um curto período de tempo, perda de interesse de relacionar-se, e freqüentemente, morriam (KLAUS, KENNEL e KLAUS, 2000). Ao realizar este estudo, Spitz descreveu que o resultado da ausência dos pais e do afeto era um fator determinante no desenvolvimento, com um prognóstico reservado (BRUM e SCHERMANN, 2004). Assim, em relação à privação afetiva total ou hospitalismo este autor acredita que: Caso as crianças, no primeiro ano de vida, sejam privadas de todas as relações objetais, por um período que dure mais de cinco meses, elas apresentarão sintomas de progressiva deterioração, que parecem ser, pelo menos em parte, irreversíveis. A natureza da relação entre mãe e filho (caso haja alguma) existente antes da privação parece ter pouca influência no curso da doença (SPITZ, 1998, p. 282) Conforme Bowlby (2002) há uma possível certeza, hoje, de que é devido à intensidade da demanda libidinal e do ódio gerados quando a criança é separada de sua mãe, após ter estabelecido com ela uma relação emocional, que efeitos prejudiciais para o desenvolvimento de sua personalidade podem ser ocasionados. Ele ressalta ainda, a agitação e as manifestações de saudade intensa de crianças pequenas internadas em hospitais ou instituições residenciais e, depois, quando retornam ao seu lar seus sentimentos se acalmam e, desesperadamente, se seguram a suas mães e as seguem insistentemente. Este autor argumenta ainda que, há conhecimento da rejeição por parte das crianças para com as suas mães, assim que as revêem pela primeira vez e, ainda, as culpam pelo abandono. Após a criança passar pela experiência de privação ela tem dificuldade de entregar seu coração a alguém novamente, evitando machucar-se outra vez. Decorrente disto, a sua capacidade de constituir relações afetivas e identificar-se com as pessoas amadas são perdidas, porém o seu desejo de amor continua de forma reprimida, o que pode implicar em comportamentos como os de relações sexuais promíscuas, furtos, sentimentos de vingança e atos anti-sociais (FERREIRA et al, 1998). 23 O estresse causado pela separação da criança de sua mãe pode ser minimizado quando esta criança desenvolve uma condição de apego seguro (ZAMBERLAN, 2002). Bowlby (1997) acentua que há evidencias de que pessoas de todas as idades tornam-se mais felizes e mais aptas para melhor desenvolver os seus talentos quando tem a segurança de que, por trás delas, há pessoas que ajudarão diante de alguma dificuldade. Ele descreve ainda que “a pessoa em quem se confia, também conhecida como uma figura de ligação, pode ser considerada aquela que fornece ao seu companheiro (ou à sua companheira) uma base segura a partir da qual poderá atuar” (BOWLBY, 1997, p. 139-140). É nesta primeira relação que o bebê estabelece com outra pessoa, neste caso sua mãe, que lhe dará subsídios para adquirir outras relações sociais. Além disso, esta ligação afetiva propicia bases seguras para que a formação psicológica do futuro adulto se desenvolva intacta (OLIVEIRA e COLLET, 1999). Assim, Bowlby menciona que “[...] adolescentes e adultos saudáveis, felizes e autoconfiantes são produtos de lares estáveis, nos quais tanto o pai quanto a mãe despendem grande parte do tempo e muito de sua atenção com as crianças” (1989, p. 18). Este autor postula ainda que, para o desenvolvimento da criança ocorrer normalmente, esta requer durante os primeiros anos de vida estabelecer uma relação afetuosa e íntima com a sua mãe. Bowlby acrescenta que esta relação estabelecida com a mãe, em que os dois encontrem satisfação, é extremamente necessária para a saúde mental deste indivíduo. Sendo que as “várias formas de neuroses e desordens de caráter, sobretudo psicopatias, podem ser atribuídas seja à privação do cuidado materno, seja à descontinuidade na relação da criança com uma figura materna durante os primeiros anos de vida” (BOWLBY, 1951 apud FERREIRA et al, 1998, p. 112). Além disso, estas crianças que sofrem privação dos cuidados maternos nos primeiros anos de vida apresentam personalidades e consciência não desenvolvidas, com comportamentos impulsivos e descontroladas, dificuldade em desenvolver o raciocínio abstrato, o que gera imaturidade, e incapacidade de ter objetivos em longo prazo (BOWLBY, 1995). 24 2.2 CONTEXTO HOSPITALAR Uma hospitalização tem como objetivo principal oferecer cuidados aos seus pacientes, entretanto, algumas interferências psicológicas negativas podem ocorrer, já que os cuidados hospitalares são focados, sobretudo, nos aspectos biológicos (BAPTISTA e DIAS, 2003). Por exemplo, após o parto a mãe e o bebê recebem cuidados médicos. Mediante a avaliação realizada pelos médicos é que se determinará o local de permanência tanto da mãe quanto do bebê. Se há a necessidade de atendimento hospitalar específico para a criança, esta é encaminhada para outra unidade, como a Unidade de Terapia Intensiva Neonatal. Mas, se ambos, mãe e bebê, estão bem, são dirigidos para o Alojamento Conjunto, local este, que promove a permanência contínua do recém-nascido junto de sua mãe (CORRADINI e cols., 1989 apud BAPTISTA e DIAS, 2003). Bowlby e Spitz, desde o final da década de 40, advertem para os prejuízos que decorrem da separação da díade mãe-filho após o nascimento (DITTZ et al, 2008). Deste modo, sabe-se que desde 1880 existia a prática do Alojamento Conjunto, já que não havia berçários e, os filhos permaneciam junto a suas mães. Porém, a partir de 1896 ocorreram mudanças neste contexto hospitalar, como o surgimento da incubadora e a criação da unidade de berçários em que se isolava a criança, de forma que mãe e filho ficavam separados (BERRETA et al, 2000). As primeiras unidades de berçário, no Brasil, foram introduzidas em 1945, e ainda, de acordo com a tendência internacional, implantaram-se as unidades de Alojamento Conjunto, adotando as normas e recomendações das Organizações Governamentais, Científicas e Institucionais. Estas unidades de Alojamento Conjunto passaram a ser obrigatória em todos os hospitais e outros locais onde se realizava atenção ao parto (BRASIL, 1991; CAMPOS et al, 1994 apud BERRETA et al, 2000). O surgimento do Alojamento Conjunto se deu pela necessidade de possibilitar melhores condições para a mãe e para a criança, propiciando uma relação adequada entre a díade, logo após o parto. O objetivo do sistema de Alojamento Conjunto é proporcionar uma interação entre a mãe e o seu filho de forma mais 25 íntima desde o nascimento, o que colaborará para a constituição de uma relação afetiva favorável, além de possibilitar educar a mãe e o pai, para estes desenvolverem habilidades que lhe dêem segurança emocional no que se refere aos cuidados do bebê (PIZZATO e DA POIAN, 1982 apud FREDERICO et al, 2000). Atualmente, a permanência da mãe junto à criança durante o período em que esta se encontra hospitalizada é um direito garantido por lei, já que há um conhecimento do quão imprescindível é a presença da mãe junto ao filho para a sua recuperação (JUNQUEIRA, 2003). Nesta permanência de mãe e filho juntos, no Alojamento Conjunto, a aceitação da maternidade é favorecida e, ainda, há a promoção de um contato precoce e íntimo que beneficia no desenvolvimento da relação entre mãe e bebê (BRENELLI, 1995 apud BERRETA et al, 2000). Há ainda a Unidade de Berçário, que se caracteriza por uma unidade de internação destinada a receber bebês de 0 a 28 dias de vida que apresentem alguma doença, como: prematuridade, desconforto respiratório, asfixia perinatal, infecção neonatal e outras, de modo que estas não sejam indicações para a Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (ALMEIDA, 2007). Ao ser encaminhado para esta unidade o bebê separa-se de sua mãe, entretanto o berçário visa oferecer apoio e orientação para os pais na compreensão da doença e os devidos cuidados com seu filho, bem como, proporcionar aos recémnascidos condições técnicas adequadas para o restabelecimento de suas funções vitais. Além disso, há uma estimulação do aleitamento materno visando estimular o vínculo afetivo entre mãe e filho (ALMEIDA, 2007). Spitz (1998) acentua que não é somente na primeira infância que é importante à presença da mãe junto à criança para a formação do vínculo materno, mesmo após os primeiros anos de vida é essencial à interação entre a díade mãefilho. Desta forma, as crianças mais velhas, que estão na segunda infância, quando hospitalizadas demonstram sentimentos de medo pelo desconhecido, e sofrimento tanto físico, devido aos procedimentos, como psicológico, já que passam a vivenciar novos sentimentos. Para a família, esta hospitalização da criança exprime um sentimento de perda da normalidade, gerando insegurança na função de pais, dor pelo sofrimento do filho, bem como, uma alteração do orçamento financeiro doméstico (OLIVEIRA e COLLET, 1999). 26 As mães, ao permanecerem junto aos seus filhos no hospital, afastam-se de suas outras atribuições, como: de mãe de outros filhos, de mulher, de filha, de companheira, de trabalhadora, tornando-se assim, mãe de uma criança que carece de cuidados hospitalares, e esta situação de dualidade que a mãe vive lhe causa um conflito de sentimentos. Deste modo, as mães convivendo com este novo cotidiano criam formas de enfrentar e de adaptar-se a esta situação, já que há a necessidade de acompanhar o filho durante a sua hospitalização (DITTZ et al, 2008). É relevante assinalar que a criança hospitalizada depara-se com um estado de desamparo, ao compreender que se encontra doente devido à fragilidade do seu corpo, o que irá causar diversas reações como: estados depressivos, regressões, fobias e transtornos comportamentais em geral (AJURIAGUERRA, 1973 apud JUNQUEIRA, 2003). Em pesquisa nas enfermarias pediátricas do Instituto Fernandes Figueira/FIOCRUZ, com o intuito de observar e promover o vínculo entre a mãe e o seu filho hospitalizado por meio da atividade lúdica, ou seja, do brincar, foi possível verificar que para as mães o brincar é visto como um sinal de saúde. Tal fato possibilita a elas sentirem-se menos angustiadas, o que vem a favorecer um melhor relacionamento com seu filho; com isso, através do brincar há uma possibilidade de relacionamento e comunicação entre mãe e filho, saindo do ponto de vista da doença e fortalecendo o vínculo entre a díade; outro aspecto observado é que as mães que permanecem muito tempo acompanhando seus filhos durante a hospitalização, sentem necessidade de por algum momento ficarem sozinhas, sem o seu filho; sendo que, o brincar para as mães servia como uma forma de alívio das ansiedades (JUNQUEIRA, 2003). Em outra pesquisa, com o objetivo de conhecer o cotidiano no Alojamento Conjunto materno das mães de crianças internadas em uma Unidade de Terapia Intensiva Neonatal, constatou-se que as mães precisam adaptar-se a este ambiente diferente que é o hospital e a nova dinâmica que este propõe, com suas regras, normas e rotinas. As mães que permanecem junto a seus filhos hospitalizados sentem-se divididas entre cuidar deste filho, atender a família e atentar para as suas próprias necessidades. Estas mães relataram ainda que o Alojamento Conjunto materno apresenta-se como um espaço para relacionamentos de amizade e de solidariedade, entretanto, também é um local de conflito neste relacionamento entre as mães. Assim, evidenciou-se a importância da adaptação desta mãe a este novo 27 cotidiano, que deve ser facilitada pelos profissionais de saúde, já que esta convive com as outras mães, a família, e os profissionais de saúde (DITTZ et al, 2008). É em um ambiente como este, em que há uma diversidade de emoções, que o psicólogo se insere. Utilizando-se de seu saber psicológico sobre as reações emocionais que serão emersas pela gestação, parto e puerpério, conhecendo as questões orgânicas e psicossocias que estão abarcadas neste processo, deve envolver-se com a rotina médica do hospital e conhecer as patologias, para assim poder contribuir com a equipe de profissionais para uma melhor adaptação da mulher e do seu bebê (BAPTISTA e DIAS, 2003). 28 3 METODOLOGIA DA PESQUISA A metodologia que norteou esta pesquisa foi à qualitativa exploratória. A pesquisa qualitativa abrange um campo transdiciplinar, englobando as ciências humanas e sociais. Engloba diferentes correntes de pesquisa com pressupostos contrários ao modelo experimental, adotando técnicas de pesquisa distintas deste. Ela adota métodos e técnicas de investigação que abarca a sua especificidade para o estudo dos fenômenos humanos e sociais (CHIZZOTTI, 2005). Reconhecendo a especificidade das ciências humanas e sociais conduz-se à elaboração de um método que admita tratar da subjetividade e da singularidade dos fenômenos. Mediante esses pressupostos para a pesquisa qualitativa, a representatividade dos dados “[...] está relacionada à sua capacidade de possibilitar a compreensão do significado e a ‘descrição densa’ dos fenômenos estudados em seus contextos e não à sua expressividade numérica” (GOLDENBERG, 2003, p. 50). A amostra foi composta por 04 (quatro) sujeitos, sendo estes, mães acompanhantes de seus filhos hospitalizados no berçário de um hospital público pediátrico - SC. O berçário caracteriza-se por uma unidade de internação do hospital que compete em prestar assistência ao paciente na faixa etária de 0 a 28 dias, nas diversas especialidades médicas1. A escolha da amostra ocorreu de acordo com a acessibilidade das mães que estavam presentes no berçário, ou, que foram indicadas pela equipe local. Utilizouse como critério de inclusão/exclusão o mínimo de 05 (cinco) dias de internação. A coleta das informações se deu por meio de entrevista semi-estruturada. Esta se caracteriza por partir de certos questionamentos básicos, embasados em teorias e hipóteses, que são relevantes a pesquisa. Além disso, proporciona um amplo campo de interrogativas, uma vez que à medida que se recebe as respostas dos informantes vão surgindo novas hipóteses. Assim, enquanto o informante segue espontaneamente a linha de seu pensamento e de suas experiências dentro do foco principal esclarecido pelo investigar, ele participa na elaboração do conteúdo da pesquisa (TRIVIÑOS, 1987). 1 Dados retirados do site do Hospital Infantil Joana de Gusmão – SC. Disponível em: <http://www.saude.sc.gov.br/hijg//servicos/unidadesdeinternacao.htm>. Acesso em: 10 dez. 2008. 29 Os dados foram coletados na unidade de berçário de um hospital público pediátrico – SC, sendo que duas das entrevistas foram realizadas junto ao leito dos filhos das entrevistadas, e as outras duas foram realizadas em um sofá afastado do leito dos bebês, porém localizado dentro da unidade. Os dados só foram coletados mediante prévia autorização do Comitê de Ética, chefia do Setor de Psicologia, chefia do Berçário e direção do respectivo Hospital (Anexo 02, 04, 05, 07) e das mães, por meio do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (Anexo 01). Utilizou-se para a realização das entrevistas um roteiro com questões abertas que nortearam a pesquisa durante todo o desenvolvimento do trabalho. O Apêndice 01 corresponde ao roteiro de entrevista dirigido às mães as quais foram transcritos de forma dialogada e, a entrevistadora tomou nota das respostas da entrevistada, para posterior análise dos dados. Após a coleta de dados, os mesmos foram organizados e analisados para que pudessem fornecer respostas para o problema de investigação proposto nesta pesquisa (GIL, 1994). Para realizar a análise dos dados coletados nesta pesquisa utilizou-se a técnica de Análise de Conteúdo, que é um método de codificar e analisar as informações que foram colhidas através da técnica de coleta de dados (CHIZZOTTI, 2005). Ao fazer uso deste método se busca “compreender criticamente o sentido das comunicações, seu conteúdo manifesto ou latente, as significações explícitas ou ocultas” (CHIZZOTTI, 2005, p. 98). Todavia, as repostas fornecidas pelos participantes tendem a ser as mais variadas, para que se possa analisá-las adequadamente é necessário organizá-las mediante o agrupamento em certo número de categorias. As categorias são empregadas para se estabelecer as classificações, agrupando elementos, idéias, ou expressões em torno de um conceito que seja capaz de abranger tudo isso (GIL, 1994). Cabe ressaltar que é importante que a pesquisa possa assegurar um avanço na elucidação da problemática proposta. Utilizando-se da técnica de análise de conteúdo deve-se passar do estágio meramente descritivo à interpretação e discussão que são necessárias, a partir dos dados trabalhados (GIL, 1994). Os resultados desta pesquisa possibilitaram fornecer informações para equipes de saúde interessadas na temática acerca das interferências hospitalares 30 negativas e/ou positivas no vínculo mãe e filho, permitindo desta forma, ações que promovam este vínculo. A pesquisa qualitativa particulariza-se na maneira como ela apreende e legitima os conhecimentos. Esses conhecimentos imersos pela pesquisa não se reduzem a um rol de dados isolados, conectados por uma teoria explicativa, “[...] o sujeito-observador é parte integrante do processo de conhecimentos e interpreta os fenômenos, atribuindo-lhes um significado” (CHIZZOTTI, 2005, p. 79). De tal modo, nas pesquisas qualitativas, o conceito de validade sempre inclui o mentor e o observador envolvido. A apreensão do conteúdo das respostas é feita pelo pesquisador, e este é um sujeito, assim, a relação estabelecida com o fenômeno examinado fica marcada por incontáveis variáveis subjetivas, o que praticamente inviabiliza uma tradução satisfatória pelas vias das técnicas estatísticas (TURATO, 2003). Emprega-se como formas de validação dos dados o processo da validação qualitativa interna ou “intrapessoal” e da externa ou “interpessoal”, para que haja uma “[...] apreensão o mais próximo da verdade, devido, primeiramente, aos atos ‘internos’ ao pesquisador e à coleta e, em segundo lugar, pelas depreensões advindas das inter-relações pessoais deste pesquisador após a coleta” (TURATO, 2003, p. 388). Na validação interna, os dados coletados são admitidos como válidos mediante o uso do conjunto de conhecimentos/experiências que completam as bases: intuitiva, intelectual e técnica do investigador, o que inclui seu background, planejamento adequado e seu senso crítico. E na validação externa, o processo de validação é estabelecido na vivência do pesquisador com os membros de sua comunidade acadêmica, ou seja, na supervisão com o orientador da pesquisa, na discussão dos achados com seus pares e na troca de idéias acerca dos resultados preliminares com as audiências qualificadas em eventos e reuniões científicas (TURATO, 2003). Para obter seus resultados esta pesquisa seguiu as exigências éticas e científicas de acordo com a Resolução CNS/MS 196, de 10 de outubro de 1996, tratando os participantes da pesquisa com dignidade, respeitando sua autonomia e comprometendo-se com a busca de benefícios para os participantes e para uma relevância social (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 1996). 31 Considerando que a pesquisa utilizou procedimentos que envolvem 04 (quatro) mães de crianças hospitalizadas no berçário do hospital público pediátrico SC, foi lido a todas as mães o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (Anexo 01), para que se possa dar início às atividades. Somente após o aceitamento destes, por meio do referido documento, é que a pesquisadora realizou as entrevistas com os sujeitos da amostra. Atendendo aos princípios éticos da pesquisa que envolve seres humanos, a pesquisadora se comprometeu com o sigilo das informações junto aos participantes, que foi oficializado pelo Termo de Compromisso (Anexo 03) e também com a devolutiva dos resultados para os envolvidos. No que se refere ao monitoramento da segurança dos dados, somente as pessoas diretamente envolvidas com a pesquisa, sendo essas, a acadêmica e sua supervisora, tiveram acesso às informações contidas nos protocolos e aos documentos referentes à pesquisa. Esses pesquisadores comprometem-se a mantêlos sob a sua tutela, pelo período de cinco anos, e após, incinerá-los. Desse modo, a partir das entrevistas realizadas com as quatro mães de bebês internados no berçário de um hospital público pediátrico – SC procedeu-se a análise de conteúdo dos discursos, em que se agruparam em torno os elementos comuns em categorias. Foram estabelecidas 15 categorias indicadas abaixo na tabela 1: Dados de Identificação: Entrevistada 1 (E1) – Mãe de uma menina que estava internada há 08 dias no Berçário, primeira filha desta mãe, casada. Entrevistada 2 (E2) – Mãe de um menino que estava internado há 10 dias no Berçário, seu segundo filho, ela tem 25 anos de idade, casada. Entrevistada 3 (E3) – Mãe de um menino que estava internado há 14 dias no Berçário, é seu segundo filho, porém o primeiro filho é falecido, é casada. Entrevistada 4 (E4) – Mãe de uma menina que estava internada há 7 dias no Berçário, é sua primeira filha, é solteira. 32 TABELA 1: Categorias 1 CATEGORIAS Conhecimento do diagnóstico 2 Acesso ao berçário 3 Cuidados da equipe com o filho 4 Sugestões 5 Cuidados que ficam sob responsabilidade das mães 6 Permanência das mães no berçário FRASES DAS ENTREVISTADAS E1 – “Minha filha está aqui porque nasceu prematura e precisa ganhar peso, e também teve crises de apnéia” E2 – “Os médicos disseram que minha filha tem Síndrome de Down e cardiopatia congênita” E3 – “Aqui no hospital se confirmou o diagnóstico de hidrocefalia do meu filho” E4 – “Minha filha recebeu o diagnóstico de infecção hospitalar, infecção na vista e infecção urinária” E1 – “Posso passar o dia todo no berçário junto de minha filha, o meu acesso é livre” E2 – “Tenho livre acesso ao berçário e posso ficar aqui o tempo todo” E3 – “Posso ficar no berçário durante todo o dia, mas à noite tenho q ir pra casa, não posso dormir aqui” E4 – “Tenho acesso livre ao berçário durante o dia e a noite” E1 – “Eu acho os cuidados oferecidos pela equipe bons, mas em algumas situações tenho que chamar a atenção com quem está fazendo para dar mais atenção às crianças” E2 – “Para mim os cuidados com meu filho aqui no berçário são muito bons, aprendi muito com a equipe, são atenciosos” E3 – “Os cuidados não são bons, a equipe não esclarece muito, e não dá muita atenção [...] às vezes saem todos para comer e se a gente não tiver os bebês ficam sozinhos” E4 – “Acho que os cuidados que a equipe oferece estão sendo ótimos, são todos atenciosos e ajudam no que preciso” E1 – “Não sugiro modificações, só acho que as enfermeiras deveriam ter maior cuidado e mais atenção com os bebês” E2 – “Não sugiro nada, tenho aprendido bastante com a equipe, eles são muito atenciosos” E3 – “Sugiro que nunca saiam todas as enfermeiras juntas para não deixar os bebês sozinhos [...] acho deveriam ter mais pessoas trabalhando no período noturno e um médico presente no berçário” E4 – “Para o berçário não sugiro nenhuma modificação, apenas para as mães que ficam no alojamento que ouçam o telefone tocar quando as enfermeiras estão chamando” E1 – “O que eu faço é dar banho, trocar e amamentar minha filha, mas pela seringa, porque não tenho leite” E2 – “Eu dou banho, troco, peso ele e amamento no seio” E3 – “Eu dou banho, faço as trocas e amamento na seringa, já que tomo remédios” E4 – “A amamentação, o banho e a troca” E1 – “Fico aqui no berçário o dia todo, só a noite que vou dormir no alojamento aqui ao lado, mas a noite volto quando minha filha precisa de algum cuidado” E2 – “Tenho ficado quase todo o dia aqui, só dou umas saídas 33 7 8 9 10 11 de 1 hora e já volto, à noite fico no alojamento” E3 – “Tenho ficado no berçário o dia todo, chego umas 7h e vou embora umas 9h, só dou umas saídas rápidas” E4 – “Eu fico o dia todo aqui com minha filha, dou poucas saídas e a noite durmo no alojamento, mas de 3 e 3h volto para amamentar” E1 – “O que facilita para mim é poder estar sempre junto da Facilidades das mães nos cuidados minha filha” com o filho no E2 – Silêncio, não falou nada sobre isto. E3 – “Tenho facilidade na troca, por já ter tido experiência com berçário outra filha” E4 – “Minha passagem pelo berçário está sendo tranqüila” E1 – “Tenho dificuldade para estimular ela a sugar o leite, que Dificuldades das mães nos cuidados tem sido feito pela sonda e seringa” E2 – “Encontrei dificuldade na amamentação, porque no início com o filho no ele não mamava no seio, tinha que ser pela sonda [...] e berçário também com os vômitos, não sabia o que fazer” E3 – “Tenho dificuldade na amamentação e em dar banho, tenho medo de fazer algo errado” E4 – “Não tenho muitas dificuldades, só quando minha filha chora muito, não sei o que fazer, não sei o que é” Relação entre a mãe E1 – “Nossa relação tem sido boa, dou todo o cuidado e e o filho no período atenção que posso para que ela se sinta amada” E2 – “A relação com meu filho tem sido maravilhosa, pego ele de internação no colo, converso, beijo, já sei de suas necessidades” E3 – “Minha relação com o meu filho tem sido muito boa, ele foi a minha cura [...] mas espero que indo pra casa tudo melhore, já que seremos só nós dois, ficaremos mais a vontade” E4 – “Nossa relação tem sido ótima, maravilhosa, passo o dia todo com ela, pego no colo, tenho liberdade de estar junto com ela” Sentimentos/ E1 – A entrevistada não verbalizou, porém durante a entrevista Condições pode-se observar uma tristeza e angústia quando ela psíquicas menciona que não está amamentando no seio. E2 – Explicitamente a entrevistada não falou nada sobre esta categoria, mas foi possível perceber sentimentos de raiva, angústia e frustração quando fala sobre a doença de seu filho, relatando que se tivessem descoberto que ele tem cardiopatia e Síndrome de Down antes do parto sua situação poderia ser melhor hoje, já que não teria feito parto normal. E3 – “Tenho muito medo de não estar aqui e acontecer algo com meu filho, como ele vomitar e ninguém ver e ele engolir ou se afogar com seu próprio vômito” E4 – “Quando minha filha chora demais, não sei o que fazer e me desespero” E1 – “Só vou dormir porque realmente preciso, meu corpo Condições físicas pede” E2 – Não consta dados desta entrevistada sobre isto. E3 – “No domingo quem fica com ele é minha mãe, eu 34 12 Comunicação 13 Informação do diagnóstico 14 Presença/ Ausência do pai 15 Relação entre as mães também preciso descansar um pouco” E4 – “Saio pouco do berçário, só para descansar ou comer” E1 – Não se referiu sobre este assunto. E2 – “Quem passa informações sobre o meu filho é a equipe médica e eu entendo tudo, o que não entendo eu pergunto, tenho aprendido bastante” E3 – “Todas as informações quem passa são os médicos, mas muitas vezes eu não entendo, mas finjo que entendo para não perguntar e eles acharem que eu sou chata” E4 – “Só soube que minha filha também está com infecção urinária porque ouvi uma conversa entre as enfermeiras na troca de plantão” E1 – Não há dados desta entrevistada sobre esta categoria. E2 – “Os médicos passaram o diagnóstico do nosso filho pro meu marido, porque eu não estava e depois ele me disse” E3 – “Minha filha recebeu um diagnóstico já na maternidade em que nasceu, mas a médica aqui do HIJG confirmou e falou para mim e meu marido” E4 – “Soube do diagnóstico de minha filha pelos médicos, mas só soube que ela também está com infecção urinária porque ouvi uma conversa entre as enfermeiras na troca de plantão” E1 – “Como não moro aqui, meu marido não pode estar sempre junto” E2 – “O pai da criança, meu marido, está presente sempre que pode, mas como não moramos aqui ele voltou pra nossa cidade, só vem às vezes” E3 – “Meu marido, pai do nosso filho, vem toda noite ficar um pouco com ele e no final de semana, já que ele trabalha” E4 – “Eu não sou casada, só eu e minha mãe cuidamos da minha filha” E1 – “A relação entre as mães aqui no Berçário é boa, uma faz companhia a outra, nos ajudamos, conversamos... é uma convivência tranqüila” E2 – Não verbalizou nada sobre este tema. E3 – “Nós mães nos combinamos entre a gente para sempre ficar alguma no quarto e não deixar os bebês sozinhos, porque se acontecer alguma coisa tem alguém pra chamar as enfermeiras” E4 – “Me incomodo porque as mães quando estão dormindo no alojamento não escutam o telefone tocar, e sempre são as enfermeiras chamando pra alguma mãe ir cuidar de seu filho, aí elas não acordam e como eu tenho sono leve sempre acabo atendendo ao telefone” 35 3.1 ANÁLISE DOS DADOS Categoria 1 – Conhecimento do diagnóstico: Expressa o conhecimento das mães acerca do diagnóstico de seus filhos, o que ficou evidente através das falas das mães que todas elas estão cientes da problemática que seu filho se encontra. Já que, na hospitalização de uma criança os seus pais recebem um diagnóstico, porém este pode ser compreendido pelos pais como um destino traçado precocemente, o que pode dificultar o estabelecimento de um vínculo entre a díade mãe-filho (BATTIKHA, 2007). Categoria 2 – Acesso ao berçário: A maioria das mães diz que tem acesso livre ao Berçário durante todo o dia e a noite, apenas uma das mães não pode dormir no local. Esta permanência das mães junto aos bebês hospitalizados, de acordo com Junqueira (2003), é um direito garantido por lei, devido ao conhecimento do quão indispensável é a presença da mãe junto a seu filho para a recuperação. Além disso, promovendo-se esse contato precoce e íntimo, onde a aceitação da maternidade é favorecida, beneficia-se o desenvolvimento da relação entre mãebebê (BRENELLI, 1995 apud BERRETA et al, 2000). Categoria 3 – Cuidados da equipe com o filho: Duas entrevistadas (E1, E3) mostraram-se insatisfeitas de alguma forma com os serviços realizados pela equipe de funcionários do Berçário, especialmente a atenção que eles dão para os bebês, já as outras duas (E2, E4) consideram que os cuidados são bons. Assim como pontua Oliveira e Collet (1999), deve haver uma preocupação por parte da equipe de saúde para entenderem as crianças internadas como um ser inserido em um complexo sistema de relações, e não atentando apenas para os cuidados biológicos, mas também para as questões psíquicas e afetivas, proporcionando cuidados integrais e valorizando a presença da mãe junto de seu filho. Categoria 4 – Sugestões: A maioria das mães entrevistadas sugere diferentes modificações para a unidade de Berçário, o que mostra que elas não se encontram satisfeitas com os serviços oferecidos. Entretanto, a entrevistada 4 pontua que para o Berçário ela não sugere nada, apenas para as mães que dormem no alojamento do hospital destinado as mães de filhos internados no Berçário, o que se pode pensar que ela está se utilizando de um mecanismo de defesa, o deslocamento, para aliviar suas tensões. Ou seja, transferindo seus sentimentos e 36 pensamentos de medo, desespero e angústia sobre o berçário, a equipe e a internação de seu filho para as outras mães. Pode-se pensar em quando ela diz que as mães não acordam para atender ao telefone, ela quer chamar a atenção para que as mães mantenham-se mais acordadas e alertas para cuidar de seus filhos, o que mostra o medo desta mãe de que os cuidados oferecidos no berçário não sejam tão bons e seguros. Categoria 5 – Cuidados que ficam sob a responsabilidade das mães: As falas das entrevistas corroboraram sobre os cuidados realizados por elas para os seus filhos, sendo estes, geralmente, banho, a troca e, principalmente, a amamentação que foi enfatizada por todas as mães. Segundo Bowlby (2002), é através destes comportamentos – amamentação, choro, sucção, etc. – tanto da mãe para o filho como do filho para a mãe que vai se construindo uma ligação entre o binômio, ligação esta denominada por ele de apego, que favorece ao desenvolvimento do bebê. Categoria 6 – Permanência das mães no berçário: Todas as mães referem passar todo o dia com seus filhos no Berçário, porém três (E1, E2, E4) delas também dormem no alojamento deste setor para as mães no próprio hospital e uma (E3) dorme em sua casa. As mães, ao acompanharem seus filhos durante a sua hospitalização, afastam-se de suas outras atividades e atribuições e passam a conviver com um novo cotidiano, adaptando-se as rotinas e regras do hospital (DITTZ et al, 2008). Categoria 7 – Facilidades das mães com os cuidados do filho no berçário: Três entrevistadas (E1, E3, E4) falaram de diferentes facilidades que encontram durante a internação, referentes aos procedimentos e a possibilidade de permanecer junto ao filho, já a entrevistada 2 (E2) não falou sobre nenhuma facilidade. Percebe-se que a permanência das mães junto aos seus filhos é valorizada por estas e visto como uma facilidade, de modo que, a presença de um vínculo intenso entre a mãe e seu filho contribui para a recuperação deste bebê, proporcionando segurança e um bem-estar psíquico e amenizando as fragilidades decorrentes da hospitalização (JUNQUEIRA, 2003; OLIVEIRA e COLLET, 1999). Categoria 8 – Dificuldades das mães com os cuidados do filho no berçário: As dificuldades das quatro entrevistas são, principalmente, referentes à amamentação, além de outras dificuldades encontradas por não saber como proceder com alguns cuidados. Percebe-se que a amamentação é um cuidado que 37 preocupa as mães, principalmente, por algumas delas não poder amamentar seus filhos no seio o que lhes gera sentimentos de angustia, frustração e ansiedade. Percebe-se ainda, que a amamentação se configura como um dos principais papéis desempenhados pelas mães, o que faz com que essas queiram realizar mesmo sentindo dores, desconfortos, cansaço, etc. Assim, a equipe médica deve orientar e favorecer para que as mães que tem condições de amamentar no seio seus filhos o façam, e dar um suporte psicológico para as mães que não podem amamentar para conseguirem lidar com isto (MONTEIRO et al, 2006). Categoria 9 – Relação entre mãe e filho no período de internação: Todas as mães consideram que a relação entre elas e seus filhos tem sido boa, que tem liberdade e autonomia com seus filhos, porém uma das entrevistadas (E3) afirma que quando for para casa ficará mais a vontade com seu filho. Considera-se que os quatro primeiros meses de vida do bebê é um período crítico para a interação entre mãe-bebê, já que é o momento em que a mãe dá indicativos do seu comportamento materno e o bebê adquire um conjunto de capacidades cognitivas, afetivas e motoras (MAHLER, PEN e BERGMAN, 1975 apud BAPTISTA e DIAS, 2003). Além disso, é através das relações entre a mãe e seu filho que vai se concretizando o apego entre a díade, pois uma mãe não ama um filho só por ele ser seu filho biológico, assim como um filho não ama essa mãe só por ela ser sua mãe biológica, o que acontece é que se constrói o amor entre ambos à medida que estes vão se relacionando (CARVALHO et al, 2008). Categoria 10 – Sentimentos/Condições psíquicas: Durante as entrevistas foi possível perceber diferentes sentimentos que acometiam as mães, como medo, angústia, tristeza, ansiedade, desconforto, frustração. Porém apenas uma delas (E3) falou explicitamente sobre o seu medo. A hospitalização de um filho para uma mãe lhe causa um conflito de sentimentos, pois tem que conviver um novo cotidiano, tem que criar formas de enfrentamento e adaptação frente a esta situação, sente dor pelo sofrimento do filho, sente-se impotente frente a determinadas patologias, e também se afasta de todas as outras facetas de sua vida, no momento da internação vive só para o seu filho (DITTZ et al, 2008). Categoria 11 – Condições físicas: A maioria das entrevistadas (E1, E3, E4) falam do esgotamento físico e da necessidade do corpo descansar, já que passam o dia todo acompanhando seus filhos no Berçário. Uma vez que, as mães não admitem sair do hospital sem os filhos, e então, passam o maior tempo possível 38 junto aos seus filhos durante a internação destes. Mas, da mesma forma, sentem-se cansadas e esgotadas fisicamente e necessitam amenizar o cansaço e também, há uma necessidade de ficarem sozinhas em alguns momentos, fora do local onde seu filho está internado (JUNQUEIRA, 2003). Categoria 12 – Comunicação: Três entrevistadas (E2, E3, E4) afirmam que as informações são passadas pela equipe de saúde do Berçário, tanto pelos médicos como pelos enfermeiros, porém elas dizem que nem sempre compreendem o que lhes é falado e, uma delas diz que não questiona quando não entende as informações. Fato este que não converge com a proposta da unidade de berçário, que de acordo com Almeida (2007), é de oferecer apoio e orientação para os pais na compreensão e esclarecimento da doença e dos cuidados com o seu filho. Categoria 13 – Informação do diagnóstico: A maioria das entrevistadas que falaram sobre o assunto afirmam que o diagnóstico é passado pelos médicos, podendo ser para a mãe ou para o pai, dependendo de quem estiver acompanhando o bebê. O momento em que são dadas informações sobre o diagnóstico do bebê para seus pais é de extrema importância, este deve ser devidamente esclarecido para os pais pelos profissionais, e ainda, deve-se fornecer um suporte psicológico e informativo acerca do diagnóstico. De acordo com Oliveira et al (2004) a comunicação do diagnóstico em geral é assumida por um médico e o modo como isto ocorre vai depender da situação e do estilo pessoal do próprio médico. Freqüentemente as preocupações dos pais só são atenuadas quando as informações sobre a doença são mais detalhadas e há uma orientação para o tratamento. Categoria 14 – Presença/Ausência do pai: Três mães (E1, E2, E3) relataram ser casadas com os pais dos bebês, e duas dessas (E1, E2) falaram da dificuldade de estes estarem presentes por não morarem na mesma cidade do Hospital, já a entrevistada 4 (E4) não quis falar sobre o pai do bebê, só disse que não é casada com este. Percebe-se que há uma perda da normalidade no cotidiano de toda a família, gerando insegurança nos pais, dor pelo sofrimento do filho, e também, uma alteração da rotina diária dos pais e do orçamento financeiro (OLIVEIRA e COLLET, 1999). Categoria 15 – Relação entre as mães: Três entrevistadas (E1, E3, E4) falaram sobre o assunto, de modo que através da fala de duas delas (E1, E3) podese entender que há uma organização das mães para cuidar de seus filhos, em que 39 uma coopera com a outra. Entretanto, a entrevistada 4 (E4) queixou-se das mães que dormem no alojamento e não ouvem o telefone tocar. Estes dois aspectos mencionados pelas mães são confirmados na literatura, já que Dittz et al (2008) pontua que o Alojamento Conjunto materno é um espaço para relacionamentos de amizade e solidariedade entre as mães, porém também pode ser um local de conflito neste relacionamento entre as mães. 3.2 DISCUSSÃO DOS DADOS Após categorizar e analisar os dados coletados nas entrevistas com 04 mães de bebês internados no berçário de um hospital público pediátrico - SC pode-se compreender um pouco acerca do funcionamento da unidade de berçário em que se realizou esta pesquisa, especialmente, no que se refere ao vínculo mãe-filho. O estabelecimento de um vínculo entre a mãe e seu bebê, numa relação prazerosa para ambos, sendo esta íntima, afetiva e contínua da mãe com seu filho é fundamental para a saúde mental e para o desenvolvimento saudável da personalidade da criança (BOWLBY, 1995). Desta forma, na situação de hospitalização de um bebê ou uma criança é imprescindível que este vínculo seja promovido e valorizado, para que assim, os bebês sintam-se mais seguros e tenham melhores condições de recuperação (JUNQUEIRA, 2003). O que foi possível perceber, através da fala das mães, é que este setor engloba medidas que favorecem e outras que desfavorecem o estabelecimento do vínculo entre mãe e filho. Os aspectos que se pode considerar como positivo para o desenvolvimento do vínculo são: permitir que as mães tenham acesso livre ao berçário, que possam permanecer por todo o dia ao lado de seus filhos e fiquem responsáveis por alguns cuidados com seus filhos, especialmente no que se refere à amamentação. Já que, a presença das mães junto aos seus filhos durante a hospitalização faz com que este se sinta mais seguro e, além disso, a presença de um vínculo intenso entre a díade colabora na recuperação deste bebê (JUNQUEIRA, 2003; OLIVEIRA e COLLET, 1999). 40 A amamentação, seja no seio ou por sonda e/ou seringa, aparece como ponto de destaque na fala das entrevistadas, considerando este um cuidado importante que fica sob a responsabilidade das mães, mas, ao mesmo tempo, configura-se como um aspecto de preocupação e dificuldade na realização e, também, gera ansiedade para aquelas que não podem amamentar no seio. Pois, a amamentação é um dos principais papéis desempenhados pelas mães e estas desejam realizá-lo independente do cansaço, dores e desconfortos (MONTEIRO et al, 2006). Este é o momento em que elas podem ser mães. Além disso, o comportamento de sucção desempenhado pelo bebê no momento da amamentação é um dos principais sistemas comportamentais de apego entre mãe e filho (BOWLBY, 2002). Porém, a comunicação entre a equipe de saúde e as mães e o modo como os diagnósticos são informados podem tornar-se fatores que interferem de forma negativa para a promoção do vínculo. Pois, para algumas mães o recebimento de um diagnóstico sobre seu filho pode ser entendido como uma condição préestabelecida de vida para este, e isso pode interferir no desenvolvimento de um vínculo entre mãe-filho (BATTIKHA, 2007). Vê-se que o fato de um bebê estar hospitalizado suscita em suas mães diferentes sentimentos, como: medo, angústia, ansiedade, desespero, etc. Além disso, estas mães passam a viver só para os seus filhos que estão internados, acompanhando-os diariamente e deixando de exercer os outros papéis em sua vida (DITTZ et al, 2008). Através das entrevistas, podem-se notar estes sentimentos presentes, especialmente o medo e a insegurança de acontecer algum problema com os seus filhos, mesmo que se tenha a equipe de saúde por perto. Isto aparece nas suas declarações quando se referem que tem medo de deixar seus filhos sozinhos, de eles vomitarem e ninguém ver, medo de não estarem realizando os cuidados de forma correta, etc. E ainda, há o fato de os pais não estarem presentes diariamente no berçário junto de seus filhos, por diferentes motivos, compartilhando com as mães esses medos e ansiedades. Outro aspecto que possibilita uma discussão é no que se refere às informações do diagnóstico para os pais. O que se percebeu diante das respostas das entrevistas é que o diagnóstico é repassado para os pais pela equipe médica, porém, muitas vezes, não há uma preocupação em oferecer um suporte psicológico e esclarecer que apesar de o bebê possuir alguma patologia há possibilidades de 41 tratamento, de recuperação, enfim, informar que, na maioria dos casos, o diagnóstico não é sinônimo de morte. Entretanto, pode-se compreender que o modo como o diagnóstico será comunicado aos pais dependerá do estilo pessoal do médico, bem como da situação. Há uma variação desta comunicação, onde alguns podem explicar detalhadamente, outros encaminhar para alguma outra pessoa, etc. (OLIVEIRA et al, 2004). É difícil para as mães receberem e assimilarem o diagnóstico de seus filhos, e isto provoca diferentes reações e sentimentos nestas mulheres, como ficou perceptível nas suas falas e, mais do que isso, nos seus comportamentos não verbais. Há mães que negam a realidade e tentam convencer a si mesmas e aos médicos que estes estão errados, após isto, podem aparecer sentimentos de tristeza, culpa, angústia e manifestações de não aceitação da realidade (OLIVEIRA et al, 2004). De acordo com Soar Filho (1998) deve-se considerar o que ele chama de triangulação médico-enfermidade-cliente, pois neste processo estão abarcados fenômenos psíquicos que são desencadeados pela doença associada a aspectos pessoais, como a história familiar, vivências pregressas, histórico de doenças, medos específicos, etc. É natural que diante do desconhecido o indivíduo e os demais envolvidos criem fantasias, geralmente inconscientes, e reaja emocionalmente a elas. Nota-se que as participantes desta pesquisa demonstraram a existência de alguns fenômenos psíquicos e a utilização de mecanismo de defesa para amenizar seu sofrimento diante da situação de enfermidade de um filho. Relatam medo e desespero e, pelo seu silêncio demonstram angústia, tristeza, ansiedade, etc. Além disso, quando o referido autor fala que o medo sobre o desconhecido é normal, pode-se pensar que as informações do diagnóstico ditas aos pais e a comunicação entre estes e a equipe de saúde deve proporcionar um maior conhecimento sobre o estado de saúde do bebê, bem como informações adicionais sobre a patologia em questão. Outro ponto que merece atenção é no que se refere às sugestões das mães para o berçário, já que a maioria delas sugere modificações para esta unidade e mostram-se insatisfeitas com algumas questões. Sendo o ambiente hospitalar por si só um lugar que gera ansiedade e desconforto deve-se ouvir, e na medida do 42 possível, atender as sugestões de quem está inserido neste local, de modo que se possa deixar tanto os pacientes como seus familiares mais confortáveis e seguros e quem sabe ameniza-se os medos, as ansiedades e angústias. Assim, percebe-se que a unidade de berçário configura-se como um ambiente que desperta nas mães uma diversidade de fenômenos psicológicos. Considera-se, desta forma, de fundamental importância a presença de um psicólogo neste setor, já que este está capacitado para trabalhar e compreender as demandas psicológicas que permeiam e interferem neste momento de hospitalização. É em um ambiente como este, em que há uma diversidade de emoções, que o psicólogo se insere. Utilizando-se de seu saber psicológico sobre as reações emocionais que serão emersas pela gestação, parto e puerpério, conhecendo as questões orgânicas e psicossocias que estão abarcadas neste processo, deve envolver-se com a rotina médica do hospital e conhecer as patologias, para assim poder contribuir com a equipe de profissionais para uma melhor adaptação da mulher e do seu bebê (BAPTISTA e DIAS, 2003). Sabe-se que neste ano instituiu-se o trabalho da psicologia nesta unidade, onde há uma estagiária de psicologia que presta atendimentos individuais para as mães que estão acompanhando seus filhos. Além disso, pondera-se a necessidade de intervenção em grupo, de forma que seja um espaço que as mães tenham para tirar suas dúvidas, receber informações, trocar de experiências, aliviar suas tensões, etc. 43 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Este Trabalho de Conclusão de Curso, intitulado “Vínculo mãe-filho no berçário de um hospital público pediátrico – SC”, apresentou uma revisão de literatura sobre o vínculo mãe-filho e sobre o contexto hospitalar. Na seqüência, foram descritas categorias a partir das informações coletadas através de entrevistas realizadas com mães que acompanhavam seus filhos hospitalizados no berçário de um hospital público pediátrico localizado no Estado de Santa Catarina. As categorias foram posteriormente levantadas levando em conta os processos vivenciados por estas mães durante a hospitalização de seus filhos. 4.1 PRINCIPAIS RESULTADOS E CONTRIBUIÇÕES O principal objetivo desta pesquisa foi de analisar como as rotinas hospitalares do berçário de um hospital público pediátrico – SC interferem na relação mãe-filho a partir da perspectiva das mães. Considera-se que este foi alcançado, pois de acordo com as entrevistas pode-se identificar que esta unidade de berçário possui fatores que interferem de forma positiva e outros de forma negativa no vínculo mãe-bebê. Como aspectos positivos para o desenvolvimento do vínculo pode-se destacar: o acesso livre ao berçário para as mães, permissão para que estas passem o dia todo ao lado de seus filhos e deixando sob responsabilidade das mães alguns cuidados seus filhos. Entretanto, há os fatores que interferem de forma negativa na promoção do vínculo, pode-se ressaltar: a comunicação entre a equipe de saúde e as mães e o modo como os diagnósticos são informados. No que se refere aos objetivos específicos considera-se que estes também foram atingidos. Foi possível, através das declarações das entrevistas, descrever suas vivências durante a hospitalização de seus filhos no berçário de um hospital público pediátrico localizado no Estado de Santa Catarina. E através dessas descrições, identificar as interferências negativas e positivas da hospitalização na relação mãe-filho. 44 Percebeu-se que a situação de hospitalização gera nas mães diversos fenômenos psicológicos. Estão presentes sentimentos de medo, angústia, ansiedade, tristeza, culpa, desespero, além de criarem fantasias tanto sobre a internação como sobre a doença que acomete seu filho. Muitas vezes, estas fantasias e sentimentos são alimentados pelo modo como a comunicação acontece entre as mães e a equipe de saúde e pelas informações sobre o diagnóstico que é repassado aos pais. Constatou-se que não há maiores esclarecimentos sobre o diagnóstico, o que faz com que despertem nas mães sentimentos de medo, ansiedade, angústia e, estas criem fantasias, já que muitas vezes ficam com dúvidas sobre a doença e não conseguem fazer o movimento de perguntar para a equipe de saúde. Além disso, percebe-se uma ausência de um suporte psicológico para que estas mães possam assimilar as informações sobre o diagnóstico, refletirem sobre as possibilidades existentes de tratamento e recuperação da doença em questão. E, mais do que isso, ausência de um momento e/ou um espaço para que elas possam expressar e compartilhar seus sentimentos, seus entendimentos, suas fantasias, etc. Já que, estas mães mostram-se insatisfeitas com alguns cuidados executados pela equipe de saúde com os seus filhos e sugerem modificações para esta unidade de berçário, como a presença contínua da equipe de saúde monitorando as crianças e médico no período noturno. Mas, o fato de as entrevistadas poderem permanecer por todo o dia ao lado de seus filhos, estabelecerem com seus bebês uma relação e, ainda, poder cuidá-lo no que se refere ao banho, troca e, especialmente, amamentação, contribui para que estas mães sintam-se, de alguma forma, mais seguras e realizadas no seu papel de mãe. Isto é um fator que contribui na construção de uma relação de apego entre mãe-filho. Desta forma, vê-se que as rotinas hospitalares que favorecem ao estabelecimento do vínculo entre mãe-bebê devem ser preservadas e, na medida do possível, repensar e reorganizar os outros aspectos que estão de alguma forma interferindo de forma negativa na promoção do vínculo entre mãe-filho, já que este é de fundamental importância para o desenvolvimento da saúde mental do bebê e da criança. 45 5 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALMEIDA, Marla S. C. S. (Coord.). Coordenação de Enfermagem da Unidade Neonatal (Berçário). Hospital Geral Prado Valadares, 2007. Disponível em: <http://www.saude.ba.gov.br/hgpv/coord_unidadeneonatal.htm>. Acesso em: 10 dez. 2008. BAPTISTA, M. N.; DIAS, R. R. Psicologia hospitalar: teoria, aplicações e casos clínicos. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2003. BATTIKHA, E. C.; FARIA, M. C. C. de; KOPELMAN, B. I. As representações maternas acerca do bebê que nasce com doenças orgânicas graves. Psicologia: Teoria e Pesquisa, v. 23, n. 1, p. 17-24, Mar. 2007. 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Poderia descrevê-los. 4 – Normalmente, quanto tempo você tem conseguido ficar aqui no Berçário com o seu filho? 5 – Quais são as facilidades e dificuldades que você encontra para cuidar do seu filho aqui no Berçário? 6 – O que modificou na relação com o seu filho (a) neste período de internação? 51 ANEXOS 52 ANEXO 1 TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Título do Trabalho: “Vínculo mãe-filho no berçário de um hospital público pediátrico - SC” Cara Senhor (a): Você está sendo convidada para participar, como voluntário, em uma pesquisa. Por Favor, leia atentamente as instruções abaixo antes de decidir se deseja participar do estudo. Após ser esclarecido sobre as informações a seguir, no caso de aceitar fazer parte do estudo, assine ao final deste documento, que está em duas vias. Uma delas é sua e a outra é do pesquisador responsável. Em caso de recusa você não será penalizado de forma alguma. Eu, _____________________________ confirmo que a estudante Daniela Cristina Israel discutiu comigo este estudo. Eu compreendi que: 1. O presente estudo é parte do Trabalho de Conclusão de Curso do curso de Psicologia da UNIVALI, da pesquisadora Daniela Cristina Israel. 2. O objetivo geral deste estudo é analisar como as rotinas hospitalares do berçário de um hospital público pediátrico – SC interferem na relação mãe-filho, das crianças que estão hospitalizadas. E tem como objetivos específicos descrever as vivências das mães destas crianças e, ainda, identificar as interferências positivas e/ou negativas que ocorrem na relação entre a mãe e filho. 3. Minha participação colaborando neste trabalho é muito importante porque permitirá estudar quais os aspectos da hospitalização no Berçário interfere positiva 53 e/ou negativamente na relação mãe-filho, e ainda, possibilitando fornecer informações para a equipe de saúde. A minha participação na pesquisa implica em responder algumas perguntas sobre a vivência da hospitalização do meu filho. O pesquisador irá examinar e anotar os dados da entrevista que interessam para a pesquisa. Fui esclarecida de que não estão previstos riscos, dores ou desconfortos durante a realização da entrevista, mas no caso do processo desencadear quaisquer reações emocionais ou se a pesquisadora perceber a necessidade de posterior intervenção técnica, a mesma poderá realizar o acolhimento imediato e posteriormente me encaminhar para o serviço de psicologia local. 4. O Hospital Infantil Joana de Gusmão também está interessado no presente estudo e já deu a permissão por escrito para que esta pesquisa seja realizada. Porém minha participação, ou não, no estudo não implicará em nenhum benefício ou restrição de qualquer ordem para meu (sua) filho (a) ou para mim. 5. Eu também sou livre para não participar desta pesquisa se não quiser. Isto não implicará em quaisquer prejuízos pessoais ou no atendimento de meu filho (a). Além disto, estou ciente de que em qualquer momento, ou por qualquer motivo, eu posso desistir de participar da pesquisa. 6. Estou ciente de que o meu nome e o do meu filho não serão divulgados e que somente as pessoas diretamente relacionadas à pesquisa terão acesso aos dados e que todas as informações serão mantidas em segredo e somente serão utilizados para este estudo. 7. Se eu tiver alguma dúvida a respeito da pesquisa, eu posso entrar em contato com a pesquisadora Daniela Cristina Israel pelo telefone (48) 8411.6262. 8. Eu concordo em participar deste estudo. 54 _______________________________________________ Nome e assinatura da mãe participante _______________________________________________ Entrevistadora: Daniela Cristina Israel Florianópolis, ______________________________ Em caso de dúvidas, relacionadas aos procedimentos éticos da pesquisa, favor entrar em contato com o Comitê de Ética em Pesquisa, do Hospital Infantil Joana de Gusmão, pelo telefone (48) 32519092. 55 ANEXO 2 CARTA DE ENCAMINHAMENTO DA DOCUMENTAÇÃO AO CEP Florianópolis, ______________________________ AO COMITÊ DE ÉTICA EM PESQUISA COM SERES HUMANOS DO HOSPITAL INFANTIL JOANA DE GUSMÃO Prezados senhores, Encaminho o projeto de pesquisa intitulado: “Vínculo mãe-filho no berçário de um hospital público pediátrico - SC”, para que seja analisado nesse Comitê. Certo de sua atenção coloco-me à disposição para esclarecer qualquer dúvida. Atenciosamente, __________________________________________________ Prof.ª Dr.ª Luciana Martins Saraiva Orientadora __________________________________________________ Daniela Cristina Israel Acadêmica 56 ANEXO 3 COMPROMISSO ÉTICO E DE OBEDIÊNCIA ÀS NORMAS DO HIJG Termo de Compromisso Eu, Professora Dra. Luciana Martins Saraiva, carteira de identidade Nº 9005910386 emitida em 12/06/1984, comprometo-me a atuar dentro dos preceitos éticos ditados pelo Código de Ética Profissional do Psicólogo pela Resolução CNS/MS 196/96 e suas complementares, e a respeitar e obedecer às normas do Hospital Infantil Joana de Gusmão, durante a realização da pesquisa intitulada “Vínculo mãe-filho no berçário de um hospital público pediátrico - SC”, orientada por mim e conduzida por Daniela Cristina Israel. Florianópolis, ______________________________ __________________________________________________ Prof.ª Dr.ª Luciana Martins Saraiva Orientadora 57 ANEXO 4 CONCORDÂNCIA DO CHEFE DO SERVIÇO DE PSICOLOGIA Florianópolis, ______________________________ DECLARAÇÃO Declaro, para os devidos fins, que concordo com a realização da pesquisa intitulada: “Vínculo mãe-filho no berçário de um hospital público pediátrico - SC”. __________________________________________________ Chefia do Serviço de Psicologia do Hospital Infantil Joana de Gusmão/SC 58 ANEXO 5 CONCORDÂNCIA DO SERVIÇO ONDE A PESQUISA SERÁ REALIZADA Florianópolis, ______________________________ DECLARAÇÃO Declaro, para os devidos fins, que concordo com a realização da Pesquisa intitulada: “Vínculo mãe-filho no berçário de um hospital público pediátrico - SC”, no Berçário do Hospital Infantil Joana de Gusmão. __________________________________________________ Chefia do Berçário do Hospital Infantil Joana de Gusmão/SC 59 ANEXO 6 SUMÁRIO DO PROJETO DE PESQUISA 1. Título do Projeto: Vínculo mãe-filho no berçário de um hospital público pediátrico - SC 2. Pesquisador Responsável: Professora Dra. Luciana Martins Saraiva 3. Demais Pesquisadores: Acadêmica Daniela Cristina Israel 4. Instituição de Origem: Universidade do Vale do Itajaí - UNIVALI 5. Sumário da Pesquisa: O objetivo geral deste trabalho é analisar como as rotinas hospitalares do berçário de um hospital público pediátrico – SC, interferem na relação mãe-filho. Tem como objetivos específicos descrever as vivências das mães no berçário do hospital e identificar as interferências negativas e positivas da hospitalização na relação mãe-filho. O método de pesquisa empregado será o qualitativo, os dados serão coletados por meio de entrevista dialogada e as pessoas que terão acesso aos dados serão a orientadora e a pesquisadora. Serão entrevistadas cinco mães de crianças hospitalizadas no Berçário do Hospital, escolhidas pela acessibilidade e disponibilidade de participação. Para analisar os dados coletados será utilizada a metodologia de análise de conteúdo. 6. Local: O trabalho será realizado no Hospital Infantil Joana de Gusmão/SC. O tempo estimado para coleta de dados é de um (01) mês de duração de todo o estudo. 7. Termo de compromisso e assinatura do pesquisador responsável: Declaro que equipe de pesquisadores aguardará a aprovação do projeto de pesquisa pelo CEP do HIJG para iniciar a coleta de dados. Orientadora: Prof.ª Dr.ª Luciana Martins Saraiva Acadêmica Pesquisadora: Daniela Cristina Israel Florianópolis, ______________________________ 60 ANEXO 7 DECLARAÇÃO ASSINADA PELA DIREÇÃO DO HIJG, AUTORIZANDO A REALIZAÇÃO DA PESQUISA DECLARAÇÃO Declaro, para os devidos fins, que estou ciente da intenção do(s) pesquisadores Prof.ª Dr.ª Luciana Martins Saraiva e a estudante Daniela Cristina Israel de realizar a pesquisa intitulada: “Vínculo mãe-filho no berçário de um hospital público pediátrico - SC”, neste Hospital. A Direção do Hospital Infantil Joana de Gusmão é favorável à sua realização. __________________________________________________ Diretor do Hospital Infantil Joana de Gusmão/SC 61 ANEXO 8 DECLARAÇÃO PARA PUBLICAÇÃO EM REVISTA CIENTÍFICA E COMPROMISSO DE ENTREGA DE CÓPIA DOS RESULTADOS DA PESQUISA E RELATÓRIO FINAL Florianópolis, ______________________________ Declaro para os devidos fins que, quando os resultados da Pesquisa: “Vínculo mãe-filho no berçário de um hospital público pediátrico - SC”, forem divulgados ou publicados em revista científica, o nome da instituição: “Hospital Infantil Joana de Gusmão” será citado. Comprometo-me a entregar cópia dos resultados da pesquisa, juntamente com o relatório final de sua realização ao Comitê de Ética em Pesquisa deste Hospital, quando do encerramento da mesma. __________________________________________________ Prof.ª Dr.ª Luciana Martins Saraiva Orientadora __________________________________________________ Daniela Cristina Israel Acadêmica 62 ANEXO 9 FORMULÁRIO DE AVALIAÇÃO ECONÔMICO-FINANCEIRO 1 - DADOS GERAIS 1.1 Título do Projeto: Vínculo mãe-filho no berçário de um hospital público pediátrico – SC 1.2 Palavras chaves: vínculo; psicologia hospitalar; análise de conteúdo 1.3 Nome do Pesquisador: Daniela Cristina Israel 1.4 Telefones para contato: (48) 8411.6262 E-mail: [email protected] 1.5 – Local de Desenvolvimento da Pesquisa: (X)Unidade de Internação/citar: Berçário ( ) Ambulatórios/citar: Consultório já disponível ( ) sim ( x ) não Ciente do Chefe da Divisão Ambulatorial: __________________________________ ( ) Outro local/citar: 1.6 – Tempo de Duração da Pesquisa: 1 mês. 1.7 – Número de Pacientes (ou voluntários) envolvidos: 5 pessoas. No. Consultas Quantidade p/pacientes 2 - DESCRIÇÃO DA PESQUISA Total Quantidade p/ paciente Exames (incluir os exames p/ Laboratoriais: seleção e recrutamento dos grupos) TOTAL Outros Exames Compl. TOTAL Quantidade p/ paciente - Local - - Total - Total Local onde os exames serão coletados/realiza dos - Local da realização - - Para uso do CEP (não preencher) Para uso do CEP(não preencher) - NO DE AUDITORIAS NOS PRONTUÁRIOS: Outros Procedimentos - - - Para uso do CEP (não preencher) 63 TOTAL - - Quem Quantidade fornece TOTAL 3- FINANCIAMENTO DA PESQUISA Medicamentos Agente(s) financiador(es): Valor do recurso aprovado: Distribuição do Valor por paciente (R$) recurso Exames Procedimentos Medicamentos Pesquisador Equipamentos Materiais Bolsistas Outros (citar) TOTAL 4 – OBSERVAÇÕES - - Local de armazenamento - Para uso do CEP (não preencher) - Valor total (R$) Responsável pelas informações: Daniela Cristina Israel Florianópolis, ______________________________ - Para CEP uso - do