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UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ
CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
CURSO DE PSICOLOGIA
DANIELA CRISTINA ISRAEL
VÍNCULO MÃE-FILHO NO BERÇÁRIO DE UM HOSPITAL PÚBLICO
PEDIÁTRICO - SC
BIGUAÇU
2009
2
DANIELA CRISTINA ISRAEL
VÍNCULO MÃE-FILHO NO BERÇÁRIO DE UM HOSPITAL PÚBLICO
PEDIÁTRICO - SC
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado
como requisito para obtenção do grau de
Bacharel em Psicologia na Universidade do
Vale do Itajaí no Curso de Psicologia.
Orientadora: Prof.ª Dr.ª Luciana Martins
Saraiva.
BIGUAÇU
2009
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DANIELA CRISTINA ISRAEL
VÍNCULO MÃE-FILHO NO BERÇÁRIO DE UM HOSPITAL PÚBLICO
PEDIÁTRICO - SC
Este Trabalho de Conclusão de Curso foi considerado aprovado, atendendo os
requisitos parciais para obter o grau de Bacharel em Psicologia na Universidade do
Vale do Itajaí no Curso de Psicologia.
Biguaçu,
de junho de 2009.
Banca Examinadora:
______________________________________________
Prof.ª Dr.ª Luciana Martins Saraiva
Orientadora
______________________________________________
Prof.ª MSc. Cristianne Gick Machado
______________________________________________
Prof.ª MSc. Maria Suzete Salib
4
Dedico este trabalho as equipes de saúde
dos berçários e, para todas as mães,
especialmente a minha, para que criem
seus filhos com todo carinho e dedicação
para que estes venham a se tornar
pessoas,
saudáveis.
física
e
psiquicamente,
5
AGREDECIMENTOS
Agradeço, primeiramente, a Deus, por ter me dado tudo, pelo dom da vida,
por iluminar o meu caminho, por ser fonte de inspiração e força para nunca desistir.
Aos meus pais, pela dedicação em todos os momentos de minha vida, pelo
incentivo aos estudos, pelo exemplo, pelo carinho e compreensão, pelo apoio para
que eu sempre seguisse em frente.
Aos meus irmãos, por todo o carinho, paciência e colaboração, pela amizade
e por estarem sempre ao meu lado.
Aos meus sobrinhos, que embora não tivessem conhecimento disto,
iluminaram meus pensamentos me estimulando na busca de mais conhecimentos.
À Prof.ª Dr.ª Luciana Martins Saraiva, orientadora, por toda a sua sabedoria,
pelo amor e dedicação pelo que faz, pelas importantes contribuições no meu
crescimento pessoal e profissional, pela calma e tranqüilidade que me passou e pelo
auxílio em todos os momentos que precisei.
Às professoras Maria Suzete Salib e Cristianne Gick Machado, por aceitar
prontamente o convite para fazerem parte da banca, pelas sugestões, comentários e
considerações que contribuíram para o meu trabalho.
Ao Diretor Geral, ao Psicólogo Chefe e à equipe de saúde do Berçário do
Hospital, pelo consentimento, pela disponibilidade e colaboração para realização
desta pesquisa.
Às mães, entrevistadas, que aceitaram contribuir para este trabalho, e que
mesmo em um momento de dor conseguiram falar e responder aos meus
questionamentos.
Aos meus amigos, pelo companheirismo, pela compreensão nos momentos
em que não pude estar presente, pelo interesse em meu trabalho, pelo estímulo
para não desistir.
A todos que direta ou indiretamente contribuíram para a realização deste
trabalho e concretização de mais uma etapa da minha vida.
6
Não somos apenas o que pensamos ser.
Somos mais; somos também, o que
lembramos
e
aquilo
de
que
nos
esquecemos; somos as palavras que
trocamos, os enganos que cometemos, os
impulsos a que cedemos, “sem querer”.
Sigmund Freud
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RESUMO
Durante o primeiro ano de vida grande parte dos bebês estabelece um forte vínculo
com a figura materna. É através da vivência desta relação entre mãe-filho, sendo
esta íntima, afetiva, contínua e prazerosa para ambos que está a base para o
desenvolvimento saudável da personalidade da criança. Porém, podem ocorrer
interferências no processo de formação vincular entre mãe-filho, como no caso da
hospitalização do bebê. Muitas vezes a mãe se afasta de seu filho devido aos
procedimentos hospitalares, o que pode gerar sentimentos de medo e angústia para
ambos, colocando em risco o estabelecimento do vínculo deste binômio mãe-filho.
Esta pesquisa teve como objetivo analisar como as rotinas hospitalares do berçário
de um hospital público pediátrico – SC interferem na relação mãe-filho a partir da
perspectiva das mães. Para tanto, utilizou-se o método de pesquisa qualitativa
através da técnica da Análise de Conteúdo. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas com quatro mães acompanhantes de seus filhos hospitalizados no
berçário de um hospital público pediátrico localizado no Estado de Santa Catarina,
identificando suas vivências durante o período de internação. Os resultados
apresentaram quinze categorias que permitem compreender o funcionamento da
unidade de berçário, especialmente, sobre o vínculo mãe-filho. São elas: 1)
Conhecimento do diagnóstico; 2) Acesso ao berçário; 3) Cuidados da equipe com os
filhos; 4) Sugestões; 5) Cuidados que ficam sob responsabilidade das mães; 6)
Permanência das mães no berçário; 7) Facilidade das mães com os cuidados do
filho no berçário; 8) Dificuldades das mães com os cuidados do filho no berçário; 9)
Relação entre mãe-filho no período de internação; 10) Sentimentos/Condições
psíquicas; 11) Condições físicas; 12) Comunicação; 13) Informação do diagnóstico;
14) Presença/Ausência do pai; 15) Relações entre as mães. A unidade de berçário
engloba medidas que favorecem e outras que desfavorecem ao estabelecimento do
vínculo entre mãe-bebê. Como rotinas hospitalares positivas para o vínculo
destacam-se: acesso livre ao berçário para as mães, permissão para que estas
passem o dia todo ao lado de seus filhos e o fato de alguns cuidados com os filhos
ficarem sob a responsabilidade das mães. Porém, como aspectos que interferem de
forma negativa na promoção do vínculo, podem-se ressaltar: a comunicação entre a
equipe de saúde e as mães e o modo como os diagnósticos são informados. Além
disso, o ambiente hospitalar por si só já envolve diversos fenômenos psicológicos,
desta forma, considera-se importante uma intervenção psicológica para trabalhar
com os fenômenos que estão presentes.
Palavras chave: vínculo mãe-filho, análise de conteúdo, psicologia hospitalar
8
ABSTRACT
During the first year of life most babies provides a strong bond with the mothers. It is
through the experience of this relationship between mother-child, being intimate,
affective, continuous and enjoyable for both which is the basis for the healthy
development of the child's personality. However, interference may occur in the
training link between mother-child, such as the hospitalization of the infant. Often the
mother is away from his son due to hospital procedures, which can generate feelings
of fear and anguish for them, putting at risk the establishment of the link of this
mother-son. This study aimed to examine how the routines of the hospital nursery for
a public pediatric hospital - SC interfere with mother-child relationship from the
perspective of mothers. For this, we used the method of qualitative research through
the technique of Analysis of Content. We performed semi-structured interviews with
four of their mothers accompanying children hospitalized in the nursery of a public
pediatric hospital located in Santa Catarina State, identifying their experiences during
the hospitalization. The results showed fifteen categories which include the operation
of the plant nursery, especially on the mother-child bond. They are: 1) Knowledge of
diagnosis, 2) Access to the nursery, 3) Care of the team with the children; 4) Tips, 5)
care that are under the responsibility of mothers, 6) Residence of mothers in the
nursery; 7) Ease of mothers with the care of the child in the nursery; 8) Difficulties of
mothers with the care of the child in the nursery; 9) The relationship between mother
and child during the period of hospitalization; 10) Feelings / psychological conditions;
11) Physical conditions; 12) Communication; 13) Information of the diagnosis; 14)
Presence / Absence of the father; 15) Relationship between the mothers. The
nursery unit includes measures to promote and other disadvantage that the
establishment of the bond between mother and baby. Hospital routines as positive for
the bond are: free access to the nursery for mothers, permission to pass this all day
next to their children and the fact that some children get the care under the
responsibility of mothers. However, as things that interfere in a negative way in
promoting the link, you can highlight: the communication between the health team
and the mothers and how the diagnoses are informed. In addition, the hospital itself
already involves several psychological phenomena, thus it is considered an important
psychological intervention to work with the phenomena that are present.
Keywords: mother-child bond, content analysis, psychology hospital.
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IDENTIFICAÇÃO
ÁREA DE PESQUISA
Psicologia Hospitalar e Psicologia do Desenvolvimento
TEMA
Vínculo mãe-filho
TÍTULO DO PROJETO
Vínculo mãe-filho no berçário de um hospital público pediátrico - SC
ACADÊMICA
Nome: Daniela Cristina Israel
Código de Matrícula: 06.1.1082
Centro de Ciências da Saúde UNIVALI – Biguaçu
Curso de Psicologia – 7° semestre
ORIENTADORA
Nome: Luciana Martins Saraiva
Categoria Profissional: Psicóloga
Titulação: Doutora
Curso: Psicologia
Centro: CS Biguaçu
10
LISTA DE TABELAS
TABELA 1: Categorias .............................................................................................. 31
11
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 12
2 REFERENCIAL TEÓRICO..................................................................................... 15
2.1 TEORIAS SOBRE O VÍNCULO MÃE-FILHO ...................................................... 16
2.2 CONTEXTO HOSPITALAR ................................................................................. 24
3 METODOLOGIA DA PESQUISA........................................................................... 28
3.1 ANÁLISE DOS DADOS ....................................................................................... 35
2.2 DISCUSSÃO DOS DADOS ................................................................................. 39
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................... 43
4.1 PRINCIPAIS RESULTADOS E CONTRIBUIÇÕES ............................................. 43
5 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ...................................................................... 45
APÊNDICES ............................................................................................................. 49
ANEXOS.. ................................................................................................................. 51
12
1 INTRODUÇÃO
A vivência de uma relação íntima, afetiva e contínua da mãe com o seu filho,
na qual ambos encontrem satisfação e prazer, é fundamental para a saúde mental
do bebê e da criança. É nesta relação complexa, rica e compensadora entre mãe e
bebê nos seus primeiros anos de vida, enriquecida de várias maneiras pelas
relações com pais e irmãos, que está à base do desenvolvimento saudável da
personalidade da criança (BOWLBY, 1995).
Estudos
evidenciam
a
importância
da
interação
mãe-bebê
para
o
desenvolvimento da linguagem, da inteligência, dos aspectos cognitivos e da
sociabilidade da criança, sendo relacionadas estas funções psicológicas com o tipo
de vínculo que se estabeleceu da mãe com o seu filho desde a gestação até a idade
escolar. Do mesmo modo que ocorrem implicações psicológicas e afetivas, o tipo de
interação mãe-bebê pode afetar os aspectos fisiológicos, relacionados com a
diminuição ou o aumento da taxa de crescimento do bebê (BAPTISTA e DIAS,
2003).
A perspectiva evolucionista afirma que o apego permite ao cérebro imaturo da
criança utilizar as funções maduras dos pais para elaborar seus próprios processos
vitais, sendo assim, o apego aumenta, visivelmente, as chances de sobrevivência
desta criança. Através do mecanismo de apego a criança espelha-se nas respostas
de seus pais aos seus sinais, estas respostas parentais ampliam e reforçam os
estados emocionais positivos da criança e diminui os estados negativos, o que lhe
proporciona segurança. A repetição destas experiências faz com que as codifique
na memória procedural da criança como expectativas que ajudam a sentir-se segura
(KANDEL, 2003).
Isto corrobora com o que psicanalistas discorrem sobre o apego, estes
compreendem a importância da relação mãe-bebê como um dos fatores prioritários
para a explicação do tipo de desenvolvimento e problemáticas associadas às idades
mais avançadas. Por exemplo, de acordo com Bowlby (2002) o mecanismo de
apego é a vinculação existente entre a criança e sua mãe, este por sua vez, permite
a criança explorar o mundo em condições seguras. Da mesma forma, Spitz (1998)
considera que é a relação constituída entre mãe e filho que possibilita a mesma
oferecer as primeiras experiências do bebê.
13
No entanto, ao longo deste processo de formação vincular entre a mãe e o
seu filho, algumas interferências podem ocorrer, principalmente, em algumas
situações quando a hospitalização da criança é um fato real.
Durante a hospitalização, momento este em que a criança mais necessita de
cuidados e de proteção, a mãe se ausenta ou se separa de seu filho devido ao
contexto hospitalar e aos procedimentos que são realizados, o que gera na criança
sentimentos de insegurança. Esta criança apresenta ainda sentimentos de angústia,
ansiedade e medo frente ao seu adoecimento. O que irá auxiliar na recuperação da
criança, buscando-se um bem-estar físico e psíquico, é a presença de um vínculo
intenso entre a mãe e o seu filho, que geralmente fragiliza-se em situações como a
hospitalização (JUNQUEIRA, 2003; OLIVEIRA e COLLET, 1999).
Uma separação precoce da díade mãe-bebê, decorrente dos procedimentos
hospitalares, pode suscitar implicações tanto leves quanto severas para a formação
do vínculo entre a díade, e conseqüentemente, para a saúde física, emocional,
cognitiva e social do bebê. A ausência da mãe pode estar entre as causas
determinantes de graves problemas individuais e sociais, como a delinqüência, o
consumo de drogas e doenças mentais (BOWLBY, 1995).
Quando uma criança é hospitalizada, seus pais recebem um diagnóstico, este
é entendido pelas mães como um destino traçado precocemente, o que pode
colocar em risco o estabelecimento do vínculo mãe-filho. Desta forma, a equipe de
saúde que irá cuidar da criança deve considerar não apenas os cuidados biológicos,
mas também atentar para as questões psíquicas e afetivas da criança que está
hospitalizada e carecendo de cuidados integrais, pois é um ser em desenvolvimento
(BATTIKHA, 2007).
Durante a hospitalização, a criança se separa de seus pais, ou seja, fica
afastada do que lhe dá segurança, o que gera na criança sentimentos de
intranqüilidade. Nos berçários e enfermarias, locais dos quais a mãe se ausenta
devido às rotinas hospitalares, as enfermeiras é que desempenham o papel de mães
substitutas. Estas devem então, entender a criança não como um ser isolado, mas
como inserida em um complexo sistema de relações, envolvendo desta forma, sua
família no tratamento e valorizando a presença da mãe junto ao seu filho, para
auxiliar a criança a obter uma melhora através da relação existente entre mãe-filho
(OLIVEIRA e COLLET, 1999).
14
Desta forma, a prevenção de problemas na interação mãe-bebê deve iniciarse no pré-natal, uma vez que a atenção psicológica e social precoce pode favorecer
à gestante e à futura parturiente melhores condições para acolher a criança ao
nascer (AJURIAGUERRA e MARCELLI, 1991 apud BAPTISTA e DIAS, 2003).
Assim, este estudo investigou como as rotinas hospitalares do berçário de um
hospital público pediátrico – SC interferem positiva e/ou negativamente na relação
entre mãe e filho, na situação da criança hospitalizada neste setor. A pergunta que
norteou este trabalho foi à seguinte: “Como as rotinas hospitalares do berçário de
um hospital público pediátrico - SC, interferem na relação mãe-filho a partir da
perspectiva das mães?”
Para tanto, utilizou-se a metodologia qualitativa exploratória e, como
instrumento de coleta de dados empregou-se uma entrevista semi-estruturada. Após
a coleta dos dados, os mesmo foram organizados e analisados de acordo com a
técnica da Análise de Conteúdo.
A pesquisa teve como objetivo geral: analisar como as rotinas hospitalares do
berçário de um hospital público pediátrico – SC interferem na relação mãe-filho a
partir da perspectiva das mães. E como objetivos específicos: 1) Descrever as
vivências das mães no berçário de um hospital público pediátrico – SC; 2) Identificar
as interferências negativas e positivas da hospitalização na relação mãe-filho.
A relevância científica desta pesquisa consiste em fornecer informações que
poderão contribuir para as equipes de saúde sobre as interferências hospitalares no
vínculo mãe e filho.
Já a relevância social de um trabalho desta natureza está na possibilidade de
identificar as interferências positivas e/ou negativas da hospitalização em um
berçário de um hospital público pediátrico – SC no vínculo mãe e filho, de modo que
permita ações futuras que estimulem o estabelecimento do vínculo entre a díade.
Os resultados desta pesquisa possibilitarão fornecer informações para
equipes de saúde interessadas na temática acerca das interferências hospitalares
negativas e/ou positivas no vínculo mãe e filho, permitindo desta forma, futuras
ações que estimulem o estabelecimento do vínculo entre a díade.
15
2 REFERENCIAL TEÓRICO
Este capítulo tem como objetivo apresentar os temas pertinentes à pesquisa
proposta neste projeto, sendo estes: as teorias sobre o vínculo mãe-bebê e o
contexto hospitalar, de modo que se possa fundamentar teoricamente o estudo a ser
realizado.
2.1 TEORIAS SOBRE O VÍNCULO MÃE-FILHO
Diferentes perspectivas teórico-metodológicas têm abordado a vinculação
inicial entre mãe e bebê, e cada um desses estudos tem uma interpretação desta
interação a partir da sua visão. Em meio a estas se destacam: a perspectiva
analítico-funcional de base comportamental, sendo o principal autor Skinner; a
perspectiva sócio-cognitiva, com autores como Fogel, Kochanska e Schafer; a
perspectiva da aprendizagem social, com Baumrind e Black; a perspectiva
motivacional associada a drives e relações objetais, com Horner; e o enfoque do
desenvolvimento biológico evolucionário, com Ainsworth e Witting, Blurton Jones e
Bowlby (ZAMBERLAN, 2002).
Deste modo, na análise destas diversas abordagens é evidente a
compreensão de que,
[...] o conjunto de comportamentos que unem uma pessoa a outra ou
a outro objeto, formando-se importante ligação entre elas pode ser
entendido como apego. Concluindo-se que a responsividade da mãe
para com os cuidados ao bebê direciona seus sistemas
comportamentais e de apego em relação a esse agente
(ZAMBERLAN, 2002, p. 400).
A partir deste entendimento e tendo em vista a grandiosidade de perspectivas
e estudos sobre a interação mãe-bebê, focalizar-se-á nos estudos de psicanalistas,
como Spitz, Bowlby, Winnicott, Bion, entre outros.
Para Spitz (1998) os sentimentos que a mãe tem em relação a seu filho são
de extrema importância para o desenvolvimento deste. Os sentimentos da mãe
constituem o que o autor denomina de clima emocional favorável, o que vem a ser
16
um clima agradável de amor e afeição que favorecerá para o desenvolvimento da
criança.
É através desta relação entre mãe-filho que a criança tem a possibilidade de
ter as suas primeiras experiências oferecidas pela mãe, e o que torna estas
experiências ainda mais valiosas é o fato de elas serem permeadas pelo afeto por
ambas as partes (SPITZ, 1998).
No que se refere a esta interligação entre a díade mãe-bebê, quase todos os
psicanalistas concordam que, durante o primeiro ano de vida grande parte dos
bebês estabelece um forte vínculo com a figura materna (BOWLBY, 2002).
Desta forma, Bowlby (2002, p. 329) considera que, ao nascer:
[...] um bebê está muito longe de ser uma tabula rasa. Pelo contrário,
não só ele está equipado com um certo número de sistemas
comportamentais prontos para serem ativados como cada sistema já
está predisposto a ser ativado por estímulos que se enquadram em
uma vasta gama, a ser finalizado por estímulos que se incluem numa
outra e igualmente vasta gama, e a ser fortalecido ou enfraquecido
por estímulos de ainda outros tipos. Entre esses sistemas já existem
alguns que fornecem as bases para o desenvolvimento ulterior do
comportamento de apego. Tais são, por exemplo, os sistemas
primitivos do choro, sucção, agarramento e orientação do recémnascido.
Mais do que isso, Bowlby (2002) aponta que este vínculo mãe-filho,
denominado por ele de apego, inicia-se já na vida intra-uterina e é uma adaptação
fundamental da espécie humana, sendo uma necessidade básica assim como a
satisfação da fome ou da sede. Ao nascer, este bebê irá manifestar o apego através
de comportamentos como os mencionados acima, de forma que a criança irá buscar
uma proximidade com a figura de apego.
Quando Bowlby diz que o apego é uma necessidade básica do ser humano,
se distingue de Freud, já que este, no início dos estudos sobre as primeiras relações
em seu artigo “Instintos e suas vicissitudes”, concebe que o bebê ao nascer possui
necessidades fisiológicas que precisam ser satisfeitas, principalmente referente à
alimentação, de tal modo que a criança interessa-se pela figura materna pelo fato de
ser sua fonte de satisfação. Portanto, na teoria dos instintos de Freud o vínculo
constituído da criança com a mãe é de caráter secundário, já que a ligação afetiva é
conseqüência das satisfações fisiológicas primárias (BRUM e SCHERMANN, 2004).
Na concepção de Bowlby, a premissa de que as necessidades fisiológicas
são primárias e as relações de afeto secundárias não se adéquam aos fatos, ele
17
argumenta que se isto fosse verídico “[...] uma criança de um ano ou dois deveria
prontamente aceitar quem quer que a alimentasse e isso, claramente, não era o
caso” (1989, p. 37).
Este autor considera ainda que, “sem o mecanismo de apego, a criança se
distanciaria dos adultos ao explorar o mundo, e ficaria exposta a seus perigos. O
apego modula o impulso exploratório, que é seu complemento, permitindo que a
criança explore o mundo em condições seguras” (BOWLBY apud CARVALHO et al,
2008, p. 235). Estes argumentos propostos por Bowlby derivam da sua Teoria do
Apego, que é baseado na combinação da Psicanálise e da Teoria da Evolução, em
que aponta o vínculo como função adaptativa humana, isto é, trata o sistema de
apego como instintivo.
Por conseguinte, Bowlby (apud CARVALHO et al, 2008, p. 235) acredita que
“o instinto é não um determinante cego e rígido do comportamento; manifesta-se em
interação com condições ambientais particulares e, nesse caso especialmente, em
interação com outros seres humanos”. Desta forma, as estimulações maternas e os
comportamentos do bebê como chorar e sorrir são demonstrações desta interação
entre mãe e bebê que decorre do sistema adaptativo e culminará na formação
vincular entre este binômio (CARAVALHO et al, 2008).
Além disso, Bowlby (1997, p. 96) descreve que “[...] mesmo que não sejam
universais em aves e mamíferos, vínculos fortes e persistentes entre indivíduos são
a regra em numerosas espécies”. Apesar de tipos de vínculos diferirem entre as
espécies, comumente existe entre os pais e sua prole, e entre adultos de sexos
opostos. Este mesmo autor afirma que “nos mamíferos, incluindo os primatas, o
primeiro e mais persistente de todos os vínculos é geralmente entre a mãe e seu
filho pequeno, um vínculo que freqüentemente persiste até a idade adulta”
(BOWLBY, 1997, p. 96-97). Assim sendo, Bowlby diz que diante dos resultados de
seus estudos, é possível considerar a existência dos vínculos afetivos que são
formados pelos seres humanos, como sendo intensos e duradouros, quando
comparados com outras espécies conforme explicitado acima.
É desse modo que “em torno do bebê que acaba de nascer tece-se,
consciente e inconscientemente, uma rede de expectativas e desejos: as marcas
fundantes da subjetividade dessa criança, sustentadas nesse vínculo inicial mãebebê” (BATTIKHA et al, 2007, p. 18).
18
A mãe não ama um filho biológico da mesma forma que o filho não ama essa
mãe só por ela ser sua mãe biológica, o que ocorre é que o amor vai se construindo
na medida em que as suas relações vão se concretizando. Assim, o estabelecimento
do vínculo se dá a partir da preparação biológica humana e da interação com o outro
(CARVALHO et al, 2008).
Conforme Ainsworth (apud ZAMBERLAN, 2002) o apego é uma ligação
afetiva que constitui vínculos que são temporo-espaciais. Indícios disso são as
tentativas de manter-se próximo, de interagir e comunicar-se, mesmo que distantes,
o que se demonstra com comportamentos de se aproximar, seguir, sorrir, chorar e
chamar quando a figura de apego está afastada da criança.
A relação olho a olho é uma das formas de comunicação mais potente,
promovendo, de forma inata, respostas maternais e facilitando a interação. Os
comportamentos do bebê, de chorar, sorrir, etc. indicam seu estado e promove
ligação e interatividade com a mãe quando esta se prontifica satisfazer as
necessidades do bebê (ZAMBERLAN, 2002).
Ainsworth et al (1978 apud BRUM e SCHERMANN, 2004) desenvolveu um
trabalho que identificou diferentes padrões de apego. Basicamente, a proposta era
efetuar sete episódios em laboratório, primeiramente a criança estava com sua mãe,
em seguida, estava com sua mãe e uma pessoa estranha, logo após, só com o
estranho, com a mãe novamente, depois, sozinha, mais uma vez com o estranho, e
por fim, com a mãe. Ficaram constatadas três reações das crianças: seguramente
apegados à mãe, ansiosamente apegados à mãe e esquivos, e, ansiosamente
apegados à mãe e ambivalentes. O que constitui estes diferentes padrões de apego,
na maior parte das vezes, depende da sensitividade da mãe às necessidades da
criança, da mesma forma como, se a mãe representar para a criança uma base
segura.
A mesma autora refere ainda que a sensitividade materna
[...] é a habilidade da mãe em perceber, interpretar e responder de
forma adequada e contingente aos sinais da criança. A mãe muito
sensitiva é bastante atenta aos sinais da criança e responde a eles
pronta e apropriadamente. No outro extremo, está a mãe muito
insensitiva, que parece agir quase que exclusivamente de acordo
com seus desejos, humores e atividades, podendo responder aos
sinais do bebê, mas fazendo-o com atraso (AINSWORTH, 1978 apud
BRUM e SCHERMANN, 2004).
19
Já outros autores (Scheffer; Claussen e Crittenden apud BRUM e
SCHERMANN, 2004) consideram que a sensitividade engloba características tanto
dos pais como dos filhos, diferindo do conceito de Ainsworth, que enfatiza apenas os
pais.
De acordo com Klaus, Kennel e Klaus (2000) há um período crítico para o
desenvolvimento de uma ligação entre mãe-bebê que são as primeiras horas após o
nascimento da criança. Os estudos desenvolvidos neste sentido impulsionaram a
alterações, tanto da compreensão, quanto da prática de atendimento logo após o
nascimento do bebê.
Estes mesmos autores consideram que, a formação do vínculo
[...] refere-se ao investimento emocional dos pais em seu filho. É um
processo que é formado e cresce com repetidas experiências
significativas e prazerosas. Ao mesmo tempo, outro elo, geralmente
chamado de ‘apego’, desenvolve-se nas crianças em relação a seus
pais e a outras pessoas que ajudem a cuidar delas (KLAUS,
KENNEL e KLAUS, 2000, p. 167).
Desta forma, Klaus e Kennel (1992) afirmam que o apego entre mãe e filho é
fundamental para a sobrevivência do bebê. Sendo que, quando mãe e filho
permanecem juntos após o nascimento estimula-se e dá-se início a operação de
mecanismos sensoriais, hormonais, fisiológicos, imunológicos e comportamentais
conhecidos, permitindo a vinculação dos pais com o bebê. Assim, preconiza-se que
estão envolvidos múltiplos fatores que ao serem ativados impulsionam a mãe para
buscar seu bebê nos primeiros dias de vida, já que, esta relação é imprescindível à
manutenção da vida da criança.
Para estes autores, esses múltiplos fatores estão presentes nos três primeiros
dias de contato entre mãe-filho, e apresentam-se como:
a) interações mãe-para-filho: toque, olho-a-olho, voz em tom agudo,
emparelhamento (sincronia entre os comportamentos emitidos pela
mãe e movimentos de resposta do bebê), função de aguardar
(esperar pelo estado de alerta do bebê), odor e calor materno,
estimulação da produção da flora respiratória e gastrintestinal
bacteriana, linfócitos T e B e de macrófagos A (leite materno); b)
interações filho-para-mãe: olho-a-olho, choro, odor, emparelhamento
(sincronia entre as respostas ou sinais dados pelo bebê em relação à
manutenção ou extinção dos comportamentos emitidos pela mãe),
estimulação da produção da oxitocina e da prolactina (KLAUS e
KENNEL, 1992 apud LIMA, 2005, p. 25).
20
De acordo com Winnicott (1956/1993 apud BATTIKHA et al, 2007) o bebê ao
nascer é completamente dependente. E a mãe, ao identificar-se com este bebê é
capaz de se adaptar às suas necessidades e colocar-se no seu lugar.
Este autor sugere três fases para o desenvolvimento emocional primitivo, que
são: a dependência absoluta, dependência relativa e autonomia relativa (Winnicott,
1956 apud BRUM e SCHERMANN, 2004).
Nos primeiros seis meses de vida, aproximadamente, este bebê é
dependente do mundo que sua mãe lhe oferece, como mencionado acima, porém o
ponto mais importante que Winnicott postula é que o bebê desconhece o seu estado
de dependência. Para o bebê, ele e o meio, mais especificamente, ele e sua mãe,
constituem-se em uma única coisa (WINNICOTT apud NASIO, 1995).
Para Winnicott (1956 apud BRUM e SCHERMANN, 2004) é na primeira fase,
chamada de dependência absoluta, que ocorre o que ele designou de preocupação
materna primária, a mãe a desenvolve, e através da identificação é capaz de
compreender seu bebê, constituindo assim uma unidade. Desta forma, a mãe ajudao a integrar-se. Além disso, se isto não ocorrer nesta fase, e não houver uma mãe
com capacidade para se ligar ao seu bebê, este não se integra, será apenas um
corpo com partes soltas. É aí que irão ocorrer falhas primitivas no desenvolvimento
deste bebê, ocasionando o aparecimento de patologias infantis.
Este autor propõe ainda três funções maternas para que a mãe se adapte às
necessidades do bebê, que são: a apresentação do objeto, o holding e o handling. A
primeira delas assinala a oferta da primeira refeição teórica, que também é a
primeira refeição real. Ao oferecer o seio ou a mamadeira para o bebê, a mãe dá a
ele a ilusão de que foi ele próprio quem criou o objeto de satisfação, assim sente-se
onipotente. A segunda função, denominada de holding, é a sustentação tanto física
como psíquica. A mãe protege seu bebê contra os perigos físicos (sensibilidade
cutânea, auditiva, visual, sensibilidade a quedas), e na sustentação psíquica coloca
o bebê em contato contínuo com a realidade externa, permitindo ao eu da criança
encontrar os pontos de referência simples e estáveis. E o handling é a manipulação
do bebê pela mãe enquanto ele é cuidado, o que gera ao bebê um bem estar físico e
realiza a união entre a sua vida psíquica e a corpórea, que Winnicott designa de
personalização (WINNICOTT apud NASIO, 1995).
Tanto Bowlby quanto Winnicott afirmam que as primeiras relações que um
bebê estabelece com a sua mãe são de extrema importância para o seu
21
desenvolvimento. Porém há diferenças em suas teorias que devem ser levadas em
consideração. Enquanto Bowlby refere-se a estar apegada com a mãe, Winnicott
fala de ser dependente desta figura materna, embora ambos baseiam-se na relação
vincular mãe-bebê. Para Winnicott, no nascimento o bebê é dependente máximo, e
tem a propensão de diminuir no transcorrer da vida, mas estando sempre presente
de alguma forma. Já Bowlby afirma que o apego não está presente no nascimento,
mas que se instaura na relação durante os meses que se segue, e considera ainda
improvável que qualquer tipo de apego apareça antes das seis semanas de vida.
Bowlby complementa que o apego instaura-se em torno dos seis meses de vida da
criança e torna-se ainda mais evidente a sua existência por cerca dos dezoito a vinte
e quatro meses (BRUM e SCHERMANN, 2004).
Segundo Bion (apud BLEICHMAR e BLEICHMAR, 1992), desde o início da
vida há um vínculo emocional muito profundo entre a mãe e o seu bebê. Este bebê
tem necessidades tanto de ordem fisiológica como psicológica. No que se refere a
esta última, uma de suas necessidades é ter um objeto externo onde possa despejar
as suas angústias. Se esta angústia for muito intensa, a mãe deve ser o objeto em
que esta criança possa descarregá-las, mas para isto a mãe deve ter certas
capacidades emocionais, para poder absorver e “metabolizá-las”, conforme propõe
Bion, para assim, retornar a criança de modo menos angustiante e assimilável. É
desta forma que a mãe acalma a criança quando esta tem um momento de
intranqüilidade, como em um pesadelo, esta mãe pode utilizar palavras ou não, o
que é importante é como ela recebe a angústia de seu filho e a minimiza.
Spitz (1998), ao estudar sobre os distúrbios de carência afetiva dos bebês,
menciona duas situações que são resultados desta privação: a privação afetiva
parcial e a privação afetiva total ou hospitalismo.
Ele diz ainda que “[...] o dano sofrido pela criança privada de sua mãe será
proporcional à duração da privação” (SPITZ, 1998, p. 271), isto é, quanto maior for o
tempo de carência afetiva e ausência desta mãe, maior serão distúrbios decorrentes
disto.
Spitz emprega o conceito de hospitalismo para nomear alterações
relacionadas ao confinamento prolongado, principalmente no que se refere a
crianças internadas em orfanatos, durante o primeiro ano de vida. Ele percebeu que
os bebês que não recebiam afeto, atenção emocional e não eram segurados no
colo, mas que eram bem-alimentados, aquecidos e vestidos apresentavam esta
22
síndrome denominada de hospitalismo. Além disso, este autor verificou nestes
bebês dificuldade no desenvolvimento físico e mental, onde estes ocorriam
lentamente ou não ocorriam, estes bebês apresentavam ainda diminuição do apetite
e de ganho de peso. Este fato levava, após um curto período de tempo, perda de
interesse de relacionar-se, e freqüentemente, morriam (KLAUS, KENNEL e KLAUS,
2000).
Ao realizar este estudo, Spitz descreveu que o resultado da ausência dos pais
e do afeto era um fator determinante no desenvolvimento, com um prognóstico
reservado (BRUM e SCHERMANN, 2004).
Assim, em relação à privação afetiva total ou hospitalismo este autor acredita
que:
Caso as crianças, no primeiro ano de vida, sejam privadas de todas
as relações objetais, por um período que dure mais de cinco meses,
elas apresentarão sintomas de progressiva deterioração, que
parecem ser, pelo menos em parte, irreversíveis. A natureza da
relação entre mãe e filho (caso haja alguma) existente antes da
privação parece ter pouca influência no curso da doença (SPITZ,
1998, p. 282)
Conforme Bowlby (2002) há uma possível certeza, hoje, de que é devido à
intensidade da demanda libidinal e do ódio gerados quando a criança é separada de
sua mãe, após ter estabelecido com ela uma relação emocional, que efeitos
prejudiciais para o desenvolvimento de sua personalidade podem ser ocasionados.
Ele ressalta ainda, a agitação e as manifestações de saudade intensa de crianças
pequenas internadas em hospitais ou instituições residenciais e, depois, quando
retornam ao seu lar seus sentimentos se acalmam e, desesperadamente, se
seguram a suas mães e as seguem insistentemente. Este autor argumenta ainda
que, há conhecimento da rejeição por parte das crianças para com as suas mães,
assim que as revêem pela primeira vez e, ainda, as culpam pelo abandono.
Após a criança passar pela experiência de privação ela tem dificuldade de
entregar seu coração a alguém novamente, evitando machucar-se outra vez.
Decorrente disto, a sua capacidade de constituir relações afetivas e identificar-se
com as pessoas amadas são perdidas, porém o seu desejo de amor continua de
forma reprimida, o que pode implicar em comportamentos como os de relações
sexuais promíscuas, furtos, sentimentos de vingança e atos anti-sociais (FERREIRA
et al, 1998).
23
O estresse causado pela separação da criança de sua mãe pode ser
minimizado quando esta criança desenvolve uma condição de apego seguro
(ZAMBERLAN, 2002).
Bowlby (1997) acentua que há evidencias de que pessoas de todas as idades
tornam-se mais felizes e mais aptas para melhor desenvolver os seus talentos
quando tem a segurança de que, por trás delas, há pessoas que ajudarão diante de
alguma dificuldade. Ele descreve ainda que “a pessoa em quem se confia, também
conhecida como uma figura de ligação, pode ser considerada aquela que fornece ao
seu companheiro (ou à sua companheira) uma base segura a partir da qual poderá
atuar” (BOWLBY, 1997, p. 139-140).
É nesta primeira relação que o bebê estabelece com outra pessoa, neste
caso sua mãe, que lhe dará subsídios para adquirir outras relações sociais. Além
disso, esta ligação afetiva propicia bases seguras para que a formação psicológica
do futuro adulto se desenvolva intacta (OLIVEIRA e COLLET, 1999).
Assim, Bowlby menciona que “[...] adolescentes e adultos saudáveis, felizes e
autoconfiantes são produtos de lares estáveis, nos quais tanto o pai quanto a mãe
despendem grande parte do tempo e muito de sua atenção com as crianças” (1989,
p. 18).
Este autor postula ainda que, para o desenvolvimento da criança ocorrer
normalmente, esta requer durante os primeiros anos de vida estabelecer uma
relação afetuosa e íntima com a sua mãe. Bowlby acrescenta que esta relação
estabelecida com a mãe, em que os dois encontrem satisfação, é extremamente
necessária para a saúde mental deste indivíduo. Sendo que as “várias formas de
neuroses e desordens de caráter, sobretudo psicopatias, podem ser atribuídas seja
à privação do cuidado materno, seja à descontinuidade na relação da criança com
uma figura materna durante os primeiros anos de vida” (BOWLBY, 1951 apud
FERREIRA et al, 1998, p. 112).
Além disso, estas crianças que sofrem privação dos cuidados maternos nos
primeiros
anos
de
vida
apresentam
personalidades
e
consciência
não
desenvolvidas, com comportamentos impulsivos e descontroladas, dificuldade em
desenvolver o raciocínio abstrato, o que gera imaturidade, e incapacidade de ter
objetivos em longo prazo (BOWLBY, 1995).
24
2.2 CONTEXTO HOSPITALAR
Uma hospitalização tem como objetivo principal oferecer cuidados aos seus
pacientes, entretanto, algumas interferências psicológicas negativas podem ocorrer,
já que os cuidados hospitalares são focados, sobretudo, nos aspectos biológicos
(BAPTISTA e DIAS, 2003).
Por exemplo, após o parto a mãe e o bebê recebem cuidados médicos.
Mediante a avaliação realizada pelos médicos é que se determinará o local de
permanência tanto da mãe quanto do bebê. Se há a necessidade de atendimento
hospitalar específico para a criança, esta é encaminhada para outra unidade, como
a Unidade de Terapia Intensiva Neonatal. Mas, se ambos, mãe e bebê, estão bem,
são dirigidos para o Alojamento Conjunto, local este, que promove a permanência
contínua do recém-nascido junto de sua mãe (CORRADINI e cols., 1989 apud
BAPTISTA e DIAS, 2003).
Bowlby e Spitz, desde o final da década de 40, advertem para os prejuízos
que decorrem da separação da díade mãe-filho após o nascimento (DITTZ et al,
2008).
Deste modo, sabe-se que desde 1880 existia a prática do Alojamento
Conjunto, já que não havia berçários e, os filhos permaneciam junto a suas mães.
Porém, a partir de 1896 ocorreram mudanças neste contexto hospitalar, como o
surgimento da incubadora e a criação da unidade de berçários em que se isolava a
criança, de forma que mãe e filho ficavam separados (BERRETA et al, 2000).
As primeiras unidades de berçário, no Brasil, foram introduzidas em 1945, e
ainda, de acordo com a tendência internacional, implantaram-se as unidades de
Alojamento Conjunto, adotando as normas e recomendações das Organizações
Governamentais, Científicas e Institucionais. Estas unidades de Alojamento
Conjunto passaram a ser obrigatória em todos os hospitais e outros locais onde se
realizava atenção ao parto (BRASIL, 1991; CAMPOS et al, 1994 apud BERRETA et
al, 2000).
O surgimento do Alojamento Conjunto se deu pela necessidade de possibilitar
melhores condições para a mãe e para a criança, propiciando uma relação
adequada entre a díade, logo após o parto. O objetivo do sistema de Alojamento
Conjunto é proporcionar uma interação entre a mãe e o seu filho de forma mais
25
íntima desde o nascimento, o que colaborará para a constituição de uma relação
afetiva favorável, além de possibilitar educar a mãe e o pai, para estes
desenvolverem habilidades que lhe dêem segurança emocional no que se refere aos
cuidados do bebê (PIZZATO e DA POIAN, 1982 apud FREDERICO et al, 2000).
Atualmente, a permanência da mãe junto à criança durante o período em que
esta se encontra hospitalizada é um direito garantido por lei, já que há um
conhecimento do quão imprescindível é a presença da mãe junto ao filho para a sua
recuperação (JUNQUEIRA, 2003).
Nesta permanência de mãe e filho juntos, no Alojamento Conjunto, a
aceitação da maternidade é favorecida e, ainda, há a promoção de um contato
precoce e íntimo que beneficia no desenvolvimento da relação entre mãe e bebê
(BRENELLI, 1995 apud BERRETA et al, 2000).
Há ainda a Unidade de Berçário, que se caracteriza por uma unidade de
internação destinada a receber bebês de 0 a 28 dias de vida que apresentem
alguma doença, como: prematuridade, desconforto respiratório, asfixia perinatal,
infecção neonatal e outras, de modo que estas não sejam indicações para a
Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (ALMEIDA, 2007).
Ao ser encaminhado para esta unidade o bebê separa-se de sua mãe,
entretanto o berçário visa oferecer apoio e orientação para os pais na compreensão
da doença e os devidos cuidados com seu filho, bem como, proporcionar aos recémnascidos condições técnicas adequadas para o restabelecimento de suas funções
vitais. Além disso, há uma estimulação do aleitamento materno visando estimular o
vínculo afetivo entre mãe e filho (ALMEIDA, 2007).
Spitz (1998) acentua que não é somente na primeira infância que é
importante à presença da mãe junto à criança para a formação do vínculo materno,
mesmo após os primeiros anos de vida é essencial à interação entre a díade mãefilho.
Desta forma, as crianças mais velhas, que estão na segunda infância, quando
hospitalizadas demonstram sentimentos de medo pelo desconhecido, e sofrimento
tanto físico, devido aos procedimentos, como psicológico, já que passam a vivenciar
novos sentimentos. Para a família, esta hospitalização da criança exprime um
sentimento de perda da normalidade, gerando insegurança na função de pais, dor
pelo sofrimento do filho, bem como, uma alteração do orçamento financeiro
doméstico (OLIVEIRA e COLLET, 1999).
26
As mães, ao permanecerem junto aos seus filhos no hospital, afastam-se de
suas outras atribuições, como: de mãe de outros filhos, de mulher, de filha, de
companheira, de trabalhadora, tornando-se assim, mãe de uma criança que carece
de cuidados hospitalares, e esta situação de dualidade que a mãe vive lhe causa um
conflito de sentimentos. Deste modo, as mães convivendo com este novo cotidiano
criam formas de enfrentar e de adaptar-se a esta situação, já que há a necessidade
de acompanhar o filho durante a sua hospitalização (DITTZ et al, 2008).
É relevante assinalar que a criança hospitalizada depara-se com um estado
de desamparo, ao compreender que se encontra doente devido à fragilidade do seu
corpo, o que irá causar diversas reações como: estados depressivos, regressões,
fobias e transtornos comportamentais em geral (AJURIAGUERRA, 1973 apud
JUNQUEIRA, 2003).
Em
pesquisa
nas
enfermarias
pediátricas
do
Instituto
Fernandes
Figueira/FIOCRUZ, com o intuito de observar e promover o vínculo entre a mãe e o
seu filho hospitalizado por meio da atividade lúdica, ou seja, do brincar, foi possível
verificar que para as mães o brincar é visto como um sinal de saúde. Tal fato
possibilita a elas sentirem-se menos angustiadas, o que vem a favorecer um melhor
relacionamento com seu filho; com isso, através do brincar há uma possibilidade de
relacionamento e comunicação entre mãe e filho, saindo do ponto de vista da
doença e fortalecendo o vínculo entre a díade; outro aspecto observado é que as
mães que permanecem muito tempo acompanhando seus filhos durante a
hospitalização, sentem necessidade de por algum momento ficarem sozinhas, sem o
seu filho; sendo que, o brincar para as mães servia como uma forma de alívio das
ansiedades (JUNQUEIRA, 2003).
Em outra pesquisa, com o objetivo de conhecer o cotidiano no Alojamento
Conjunto materno das mães de crianças internadas em uma Unidade de Terapia
Intensiva Neonatal, constatou-se que as mães precisam adaptar-se a este ambiente
diferente que é o hospital e a nova dinâmica que este propõe, com suas regras,
normas e rotinas. As mães que permanecem junto a seus filhos hospitalizados
sentem-se divididas entre cuidar deste filho, atender a família e atentar para as suas
próprias necessidades. Estas mães relataram ainda que o Alojamento Conjunto
materno apresenta-se como um espaço para relacionamentos de amizade e de
solidariedade, entretanto, também é um local de conflito neste relacionamento entre
as mães. Assim, evidenciou-se a importância da adaptação desta mãe a este novo
27
cotidiano, que deve ser facilitada pelos profissionais de saúde, já que esta convive
com as outras mães, a família, e os profissionais de saúde (DITTZ et al, 2008).
É em um ambiente como este, em que há uma diversidade de emoções, que
o psicólogo se insere. Utilizando-se de seu saber psicológico sobre as reações
emocionais que serão emersas pela gestação, parto e puerpério, conhecendo as
questões orgânicas e psicossocias que estão abarcadas neste processo, deve
envolver-se com a rotina médica do hospital e conhecer as patologias, para assim
poder contribuir com a equipe de profissionais para uma melhor adaptação da
mulher e do seu bebê (BAPTISTA e DIAS, 2003).
28
3 METODOLOGIA DA PESQUISA
A metodologia que norteou esta pesquisa foi à qualitativa exploratória. A
pesquisa qualitativa abrange um campo transdiciplinar, englobando as ciências
humanas e sociais. Engloba diferentes correntes de pesquisa com pressupostos
contrários ao modelo experimental, adotando técnicas de pesquisa distintas deste.
Ela adota métodos e técnicas de investigação que abarca a sua especificidade para
o estudo dos fenômenos humanos e sociais (CHIZZOTTI, 2005).
Reconhecendo a especificidade das ciências humanas e sociais conduz-se à
elaboração de um método que admita tratar da subjetividade e da singularidade dos
fenômenos.
Mediante
esses pressupostos
para a
pesquisa
qualitativa,
a
representatividade dos dados “[...] está relacionada à sua capacidade de possibilitar
a compreensão do significado e a ‘descrição densa’ dos fenômenos estudados em
seus contextos e não à sua expressividade numérica” (GOLDENBERG, 2003, p. 50).
A amostra foi composta por 04 (quatro) sujeitos, sendo estes, mães
acompanhantes de seus filhos hospitalizados no berçário de um hospital público
pediátrico - SC. O berçário caracteriza-se por uma unidade de internação do hospital
que compete em prestar assistência ao paciente na faixa etária de 0 a 28 dias, nas
diversas especialidades médicas1.
A escolha da amostra ocorreu de acordo com a acessibilidade das mães que
estavam presentes no berçário, ou, que foram indicadas pela equipe local. Utilizouse como critério de inclusão/exclusão o mínimo de 05 (cinco) dias de internação.
A coleta das informações se deu por meio de entrevista semi-estruturada.
Esta se caracteriza por partir de certos questionamentos básicos, embasados em
teorias e hipóteses, que são relevantes a pesquisa. Além disso, proporciona um
amplo campo de interrogativas, uma vez que à medida que se recebe as respostas
dos informantes vão surgindo novas hipóteses. Assim, enquanto o informante segue
espontaneamente a linha de seu pensamento e de suas experiências dentro do foco
principal esclarecido pelo investigar, ele participa na elaboração do conteúdo da
pesquisa (TRIVIÑOS, 1987).
1
Dados retirados do site do Hospital Infantil Joana de Gusmão – SC. Disponível em:
<http://www.saude.sc.gov.br/hijg//servicos/unidadesdeinternacao.htm>. Acesso em: 10 dez. 2008.
29
Os dados foram coletados na unidade de berçário de um hospital público
pediátrico – SC, sendo que duas das entrevistas foram realizadas junto ao leito dos
filhos das entrevistadas, e as outras duas foram realizadas em um sofá afastado do
leito dos bebês, porém localizado dentro da unidade. Os dados só foram coletados
mediante prévia autorização do Comitê de Ética, chefia do Setor de Psicologia,
chefia do Berçário e direção do respectivo Hospital (Anexo 02, 04, 05, 07) e das
mães, por meio do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (Anexo 01).
Utilizou-se para a realização das entrevistas um roteiro com questões abertas
que nortearam a pesquisa durante todo o desenvolvimento do trabalho. O Apêndice
01 corresponde ao roteiro de entrevista dirigido às mães as quais foram transcritos
de forma dialogada e, a entrevistadora tomou nota das respostas da entrevistada,
para posterior análise dos dados.
Após a coleta de dados, os mesmos foram organizados e analisados para
que pudessem fornecer respostas para o problema de investigação proposto nesta
pesquisa (GIL, 1994). Para realizar a análise dos dados coletados nesta pesquisa
utilizou-se a técnica de Análise de Conteúdo, que é um método de codificar e
analisar as informações que foram colhidas através da técnica de coleta de dados
(CHIZZOTTI, 2005).
Ao fazer uso deste método se busca “compreender criticamente o sentido das
comunicações, seu conteúdo manifesto ou latente, as significações explícitas ou
ocultas” (CHIZZOTTI, 2005, p. 98).
Todavia, as repostas fornecidas pelos participantes tendem a ser as mais
variadas, para que se possa analisá-las adequadamente é necessário organizá-las
mediante o agrupamento em certo número de categorias. As categorias são
empregadas para se estabelecer as classificações, agrupando elementos, idéias, ou
expressões em torno de um conceito que seja capaz de abranger tudo isso (GIL,
1994).
Cabe ressaltar que é importante que a pesquisa possa assegurar um avanço
na elucidação da problemática proposta. Utilizando-se da técnica de análise de
conteúdo deve-se passar do estágio meramente descritivo à interpretação e
discussão que são necessárias, a partir dos dados trabalhados (GIL, 1994).
Os resultados desta pesquisa possibilitaram fornecer informações para
equipes de saúde interessadas na temática acerca das interferências hospitalares
30
negativas e/ou positivas no vínculo mãe e filho, permitindo desta forma, ações que
promovam este vínculo.
A pesquisa qualitativa particulariza-se na maneira como ela apreende e
legitima os conhecimentos. Esses conhecimentos imersos pela pesquisa não se
reduzem a um rol de dados isolados, conectados por uma teoria explicativa, “[...] o
sujeito-observador é parte integrante do processo de conhecimentos e interpreta os
fenômenos, atribuindo-lhes um significado” (CHIZZOTTI, 2005, p. 79).
De tal modo, nas pesquisas qualitativas, o conceito de validade sempre inclui
o mentor e o observador envolvido. A apreensão do conteúdo das respostas é feita
pelo pesquisador, e este é um sujeito, assim, a relação estabelecida com o
fenômeno examinado fica marcada por incontáveis variáveis subjetivas, o que
praticamente inviabiliza uma tradução satisfatória pelas vias das técnicas estatísticas
(TURATO, 2003).
Emprega-se como formas de validação dos dados o processo da validação
qualitativa interna ou “intrapessoal” e da externa ou “interpessoal”, para que haja
uma “[...] apreensão o mais próximo da verdade, devido, primeiramente, aos atos
‘internos’ ao pesquisador e à coleta e, em segundo lugar, pelas depreensões
advindas das inter-relações pessoais deste pesquisador após a coleta” (TURATO,
2003, p. 388).
Na validação interna, os dados coletados são admitidos como válidos
mediante o uso do conjunto de conhecimentos/experiências que completam as
bases: intuitiva, intelectual e técnica do investigador, o que inclui seu background,
planejamento adequado e seu senso crítico. E na validação externa, o processo de
validação é estabelecido na vivência do pesquisador com os membros de sua
comunidade acadêmica, ou seja, na supervisão com o orientador da pesquisa, na
discussão dos achados com seus pares e na troca de idéias acerca dos resultados
preliminares com as audiências qualificadas em eventos e reuniões científicas
(TURATO, 2003).
Para obter seus resultados esta pesquisa seguiu as exigências éticas e
científicas de acordo com a Resolução CNS/MS 196, de 10 de outubro de 1996,
tratando os participantes da pesquisa com dignidade, respeitando sua autonomia e
comprometendo-se com a busca de benefícios para os participantes e para uma
relevância social (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 1996).
31
Considerando que a pesquisa utilizou procedimentos que envolvem 04
(quatro) mães de crianças hospitalizadas no berçário do hospital público pediátrico SC, foi lido a todas as mães o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (Anexo
01), para que se possa dar início às atividades. Somente após o aceitamento destes,
por meio do referido documento, é que a pesquisadora realizou as entrevistas com
os sujeitos da amostra.
Atendendo aos princípios éticos da pesquisa que envolve seres humanos, a
pesquisadora se comprometeu com o sigilo das informações junto aos participantes,
que foi oficializado pelo Termo de Compromisso (Anexo 03) e também com a
devolutiva dos resultados para os envolvidos.
No que se refere ao monitoramento da segurança dos dados, somente as
pessoas diretamente envolvidas com a pesquisa, sendo essas, a acadêmica e sua
supervisora, tiveram acesso às informações contidas nos protocolos e aos
documentos referentes à pesquisa. Esses pesquisadores comprometem-se a mantêlos sob a sua tutela, pelo período de cinco anos, e após, incinerá-los.
Desse modo, a partir das entrevistas realizadas com as quatro mães de
bebês internados no berçário de um hospital público pediátrico – SC procedeu-se a
análise de conteúdo dos discursos, em que se agruparam em torno os elementos
comuns em categorias. Foram estabelecidas 15 categorias indicadas abaixo na
tabela 1:
Dados de Identificação:
Entrevistada 1 (E1) – Mãe de uma menina que estava internada há 08 dias
no Berçário, primeira filha desta mãe, casada.
Entrevistada 2 (E2) – Mãe de um menino que estava internado há 10 dias no
Berçário, seu segundo filho, ela tem 25 anos de idade, casada.
Entrevistada 3 (E3) – Mãe de um menino que estava internado há 14 dias no
Berçário, é seu segundo filho, porém o primeiro filho é falecido, é casada.
Entrevistada 4 (E4) – Mãe de uma menina que estava internada há 7 dias no
Berçário, é sua primeira filha, é solteira.
32
TABELA 1: Categorias
1
CATEGORIAS
Conhecimento do
diagnóstico
2
Acesso ao berçário
3
Cuidados da equipe
com o filho
4
Sugestões
5
Cuidados que
ficam sob
responsabilidade
das mães
6
Permanência das
mães no berçário
FRASES DAS ENTREVISTADAS
E1 – “Minha filha está aqui porque nasceu prematura e precisa
ganhar peso, e também teve crises de apnéia”
E2 – “Os médicos disseram que minha filha tem Síndrome de
Down e cardiopatia congênita”
E3 – “Aqui no hospital se confirmou o diagnóstico de
hidrocefalia do meu filho”
E4 – “Minha filha recebeu o diagnóstico de infecção hospitalar,
infecção na vista e infecção urinária”
E1 – “Posso passar o dia todo no berçário junto de minha filha,
o meu acesso é livre”
E2 – “Tenho livre acesso ao berçário e posso ficar aqui o
tempo todo”
E3 – “Posso ficar no berçário durante todo o dia, mas à noite
tenho q ir pra casa, não posso dormir aqui”
E4 – “Tenho acesso livre ao berçário durante o dia e a noite”
E1 – “Eu acho os cuidados oferecidos pela equipe bons, mas
em algumas situações tenho que chamar a atenção com quem
está fazendo para dar mais atenção às crianças”
E2 – “Para mim os cuidados com meu filho aqui no berçário
são muito bons, aprendi muito com a equipe, são atenciosos”
E3 – “Os cuidados não são bons, a equipe não esclarece
muito, e não dá muita atenção [...] às vezes saem todos para
comer e se a gente não tiver os bebês ficam sozinhos”
E4 – “Acho que os cuidados que a equipe oferece estão sendo
ótimos, são todos atenciosos e ajudam no que preciso”
E1 – “Não sugiro modificações, só acho que as enfermeiras
deveriam ter maior cuidado e mais atenção com os bebês”
E2 – “Não sugiro nada, tenho aprendido bastante com a
equipe, eles são muito atenciosos”
E3 – “Sugiro que nunca saiam todas as enfermeiras juntas
para não deixar os bebês sozinhos [...] acho deveriam ter mais
pessoas trabalhando no período noturno e um médico
presente no berçário”
E4 – “Para o berçário não sugiro nenhuma modificação,
apenas para as mães que ficam no alojamento que ouçam o
telefone tocar quando as enfermeiras estão chamando”
E1 – “O que eu faço é dar banho, trocar e amamentar minha
filha, mas pela seringa, porque não tenho leite”
E2 – “Eu dou banho, troco, peso ele e amamento no seio”
E3 – “Eu dou banho, faço as trocas e amamento na seringa, já
que tomo remédios”
E4 – “A amamentação, o banho e a troca”
E1 – “Fico aqui no berçário o dia todo, só a noite que vou
dormir no alojamento aqui ao lado, mas a noite volto quando
minha filha precisa de algum cuidado”
E2 – “Tenho ficado quase todo o dia aqui, só dou umas saídas
33
7
8
9
10
11
de 1 hora e já volto, à noite fico no alojamento”
E3 – “Tenho ficado no berçário o dia todo, chego umas 7h e
vou embora umas 9h, só dou umas saídas rápidas”
E4 – “Eu fico o dia todo aqui com minha filha, dou poucas
saídas e a noite durmo no alojamento, mas de 3 e 3h volto
para amamentar”
E1 – “O que facilita para mim é poder estar sempre junto da
Facilidades das
mães nos cuidados minha filha”
com o filho no
E2 – Silêncio, não falou nada sobre isto.
E3 – “Tenho facilidade na troca, por já ter tido experiência com
berçário
outra filha”
E4 – “Minha passagem pelo berçário está sendo tranqüila”
E1 – “Tenho dificuldade para estimular ela a sugar o leite, que
Dificuldades das
mães nos cuidados tem sido feito pela sonda e seringa”
E2 – “Encontrei dificuldade na amamentação, porque no início
com o filho no
ele não mamava no seio, tinha que ser pela sonda [...] e
berçário
também com os vômitos, não sabia o que fazer”
E3 – “Tenho dificuldade na amamentação e em dar banho,
tenho medo de fazer algo errado”
E4 – “Não tenho muitas dificuldades, só quando minha filha
chora muito, não sei o que fazer, não sei o que é”
Relação entre a mãe E1 – “Nossa relação tem sido boa, dou todo o cuidado e
e o filho no período atenção que posso para que ela se sinta amada”
E2 – “A relação com meu filho tem sido maravilhosa, pego ele
de internação
no colo, converso, beijo, já sei de suas necessidades”
E3 – “Minha relação com o meu filho tem sido muito boa, ele
foi a minha cura [...] mas espero que indo pra casa tudo
melhore, já que seremos só nós dois, ficaremos mais a
vontade”
E4 – “Nossa relação tem sido ótima, maravilhosa, passo o dia
todo com ela, pego no colo, tenho liberdade de estar junto com
ela”
Sentimentos/
E1 – A entrevistada não verbalizou, porém durante a entrevista
Condições
pode-se observar uma tristeza e angústia quando ela
psíquicas
menciona que não está amamentando no seio.
E2 – Explicitamente a entrevistada não falou nada sobre esta
categoria, mas foi possível perceber sentimentos de raiva,
angústia e frustração quando fala sobre a doença de seu filho,
relatando que se tivessem descoberto que ele tem cardiopatia
e Síndrome de Down antes do parto sua situação poderia ser
melhor hoje, já que não teria feito parto normal.
E3 – “Tenho muito medo de não estar aqui e acontecer algo
com meu filho, como ele vomitar e ninguém ver e ele engolir
ou se afogar com seu próprio vômito”
E4 – “Quando minha filha chora demais, não sei o que fazer e
me desespero”
E1 – “Só vou dormir porque realmente preciso, meu corpo
Condições físicas
pede”
E2 – Não consta dados desta entrevistada sobre isto.
E3 – “No domingo quem fica com ele é minha mãe, eu
34
12
Comunicação
13
Informação do
diagnóstico
14
Presença/ Ausência
do pai
15
Relação entre as
mães
também preciso descansar um pouco”
E4 – “Saio pouco do berçário, só para descansar ou comer”
E1 – Não se referiu sobre este assunto.
E2 – “Quem passa informações sobre o meu filho é a equipe
médica e eu entendo tudo, o que não entendo eu pergunto,
tenho aprendido bastante”
E3 – “Todas as informações quem passa são os médicos, mas
muitas vezes eu não entendo, mas finjo que entendo para não
perguntar e eles acharem que eu sou chata”
E4 – “Só soube que minha filha também está com infecção
urinária porque ouvi uma conversa entre as enfermeiras na
troca de plantão”
E1 – Não há dados desta entrevistada sobre esta categoria.
E2 – “Os médicos passaram o diagnóstico do nosso filho pro
meu marido, porque eu não estava e depois ele me disse”
E3 – “Minha filha recebeu um diagnóstico já na maternidade
em que nasceu, mas a médica aqui do HIJG confirmou e falou
para mim e meu marido”
E4 – “Soube do diagnóstico de minha filha pelos médicos, mas
só soube que ela também está com infecção urinária porque
ouvi uma conversa entre as enfermeiras na troca de plantão”
E1 – “Como não moro aqui, meu marido não pode estar
sempre junto”
E2 – “O pai da criança, meu marido, está presente sempre que
pode, mas como não moramos aqui ele voltou pra nossa
cidade, só vem às vezes”
E3 – “Meu marido, pai do nosso filho, vem toda noite ficar um
pouco com ele e no final de semana, já que ele trabalha”
E4 – “Eu não sou casada, só eu e minha mãe cuidamos da
minha filha”
E1 – “A relação entre as mães aqui no Berçário é boa, uma faz
companhia a outra, nos ajudamos, conversamos... é uma
convivência tranqüila”
E2 – Não verbalizou nada sobre este tema.
E3 – “Nós mães nos combinamos entre a gente para sempre
ficar alguma no quarto e não deixar os bebês sozinhos, porque
se acontecer alguma coisa tem alguém pra chamar as
enfermeiras”
E4 – “Me incomodo porque as mães quando estão dormindo
no alojamento não escutam o telefone tocar, e sempre são as
enfermeiras chamando pra alguma mãe ir cuidar de seu filho,
aí elas não acordam e como eu tenho sono leve sempre acabo
atendendo ao telefone”
35
3.1 ANÁLISE DOS DADOS
Categoria 1 – Conhecimento do diagnóstico: Expressa o conhecimento
das mães acerca do diagnóstico de seus filhos, o que ficou evidente através das
falas das mães que todas elas estão cientes da problemática que seu filho se
encontra. Já que, na hospitalização de uma criança os seus pais recebem um
diagnóstico, porém este pode ser compreendido pelos pais como um destino traçado
precocemente, o que pode dificultar o estabelecimento de um vínculo entre a díade
mãe-filho (BATTIKHA, 2007).
Categoria 2 – Acesso ao berçário: A maioria das mães diz que tem acesso
livre ao Berçário durante todo o dia e a noite, apenas uma das mães não pode
dormir no local. Esta permanência das mães junto aos bebês hospitalizados, de
acordo com Junqueira (2003), é um direito garantido por lei, devido ao conhecimento
do quão indispensável é a presença da mãe junto a seu filho para a recuperação.
Além disso, promovendo-se esse contato precoce e íntimo, onde a aceitação da
maternidade é favorecida, beneficia-se o desenvolvimento da relação entre mãebebê (BRENELLI, 1995 apud BERRETA et al, 2000).
Categoria 3 – Cuidados da equipe com o filho: Duas entrevistadas (E1, E3)
mostraram-se insatisfeitas de alguma forma com os serviços realizados pela equipe
de funcionários do Berçário, especialmente a atenção que eles dão para os bebês,
já as outras duas (E2, E4) consideram que os cuidados são bons. Assim como
pontua Oliveira e Collet (1999), deve haver uma preocupação por parte da equipe de
saúde para entenderem as crianças internadas como um ser inserido em um
complexo sistema de relações, e não atentando apenas para os cuidados biológicos,
mas também para as questões psíquicas e afetivas, proporcionando cuidados
integrais e valorizando a presença da mãe junto de seu filho.
Categoria 4 – Sugestões: A maioria das mães entrevistadas sugere
diferentes modificações para a unidade de Berçário, o que mostra que elas não se
encontram satisfeitas com os serviços oferecidos. Entretanto, a entrevistada 4
pontua que para o Berçário ela não sugere nada, apenas para as mães que dormem
no alojamento do hospital destinado as mães de filhos internados no Berçário, o que
se pode pensar que ela está se utilizando de um mecanismo de defesa, o
deslocamento, para aliviar suas tensões. Ou seja, transferindo seus sentimentos e
36
pensamentos de medo, desespero e angústia sobre o berçário, a equipe e a
internação de seu filho para as outras mães. Pode-se pensar em quando ela diz que
as mães não acordam para atender ao telefone, ela quer chamar a atenção para que
as mães mantenham-se mais acordadas e alertas para cuidar de seus filhos, o que
mostra o medo desta mãe de que os cuidados oferecidos no berçário não sejam tão
bons e seguros.
Categoria 5 – Cuidados que ficam sob a responsabilidade das mães: As
falas das entrevistas corroboraram sobre os cuidados realizados por elas para os
seus filhos, sendo estes, geralmente, banho, a troca e, principalmente, a
amamentação que foi enfatizada por todas as mães. Segundo Bowlby (2002), é
através destes comportamentos – amamentação, choro, sucção, etc. – tanto da mãe
para o filho como do filho para a mãe que vai se construindo uma ligação entre o
binômio, ligação esta denominada por ele de apego, que favorece ao
desenvolvimento do bebê.
Categoria 6 – Permanência das mães no berçário: Todas as mães referem
passar todo o dia com seus filhos no Berçário, porém três (E1, E2, E4) delas
também dormem no alojamento deste setor para as mães no próprio hospital e uma
(E3) dorme em sua casa. As mães, ao acompanharem seus filhos durante a sua
hospitalização, afastam-se de suas outras atividades e atribuições e passam a
conviver com um novo cotidiano, adaptando-se as rotinas e regras do hospital
(DITTZ et al, 2008).
Categoria 7 – Facilidades das mães com os cuidados do filho no
berçário: Três entrevistadas (E1, E3, E4) falaram de diferentes facilidades que
encontram durante a internação, referentes aos procedimentos e a possibilidade de
permanecer junto ao filho, já a entrevistada 2 (E2) não falou sobre nenhuma
facilidade. Percebe-se que a permanência das mães junto aos seus filhos é
valorizada por estas e visto como uma facilidade, de modo que, a presença de um
vínculo intenso entre a mãe e seu filho contribui para a recuperação deste bebê,
proporcionando segurança e um bem-estar psíquico e amenizando as fragilidades
decorrentes da hospitalização (JUNQUEIRA, 2003; OLIVEIRA e COLLET, 1999).
Categoria 8 – Dificuldades das mães com os cuidados do filho no
berçário: As dificuldades das quatro entrevistas são, principalmente, referentes à
amamentação, além de outras dificuldades encontradas por não saber como
proceder com alguns cuidados. Percebe-se que a amamentação é um cuidado que
37
preocupa as mães, principalmente, por algumas delas não poder amamentar seus
filhos no seio o que lhes gera sentimentos de angustia, frustração e ansiedade.
Percebe-se ainda, que a amamentação se configura como um dos principais papéis
desempenhados pelas mães, o que faz com que essas queiram realizar mesmo
sentindo dores, desconfortos, cansaço, etc. Assim, a equipe médica deve orientar e
favorecer para que as mães que tem condições de amamentar no seio seus filhos o
façam, e dar um suporte psicológico para as mães que não podem amamentar para
conseguirem lidar com isto (MONTEIRO et al, 2006).
Categoria 9 – Relação entre mãe e filho no período de internação: Todas
as mães consideram que a relação entre elas e seus filhos tem sido boa, que tem
liberdade e autonomia com seus filhos, porém uma das entrevistadas (E3) afirma
que quando for para casa ficará mais a vontade com seu filho. Considera-se que os
quatro primeiros meses de vida do bebê é um período crítico para a interação entre
mãe-bebê, já que é o momento em que a mãe dá indicativos do seu comportamento
materno e o bebê adquire um conjunto de capacidades cognitivas, afetivas e
motoras (MAHLER, PEN e BERGMAN, 1975 apud BAPTISTA e DIAS, 2003). Além
disso, é através das relações entre a mãe e seu filho que vai se concretizando o
apego entre a díade, pois uma mãe não ama um filho só por ele ser seu filho
biológico, assim como um filho não ama essa mãe só por ela ser sua mãe biológica,
o que acontece é que se constrói o amor entre ambos à medida que estes vão se
relacionando (CARVALHO et al, 2008).
Categoria 10 – Sentimentos/Condições psíquicas: Durante as entrevistas
foi possível perceber diferentes sentimentos que acometiam as mães, como medo,
angústia, tristeza, ansiedade, desconforto, frustração. Porém apenas uma delas (E3)
falou explicitamente sobre o seu medo. A hospitalização de um filho para uma mãe
lhe causa um conflito de sentimentos, pois tem que conviver um novo cotidiano, tem
que criar formas de enfrentamento e adaptação frente a esta situação, sente dor
pelo sofrimento do filho, sente-se impotente frente a determinadas patologias, e
também se afasta de todas as outras facetas de sua vida, no momento da
internação vive só para o seu filho (DITTZ et al, 2008).
Categoria 11 – Condições físicas: A maioria das entrevistadas (E1, E3, E4)
falam do esgotamento físico e da necessidade do corpo descansar, já que passam o
dia todo acompanhando seus filhos no Berçário. Uma vez que, as mães não
admitem sair do hospital sem os filhos, e então, passam o maior tempo possível
38
junto aos seus filhos durante a internação destes. Mas, da mesma forma, sentem-se
cansadas e esgotadas fisicamente e necessitam amenizar o cansaço e também, há
uma necessidade de ficarem sozinhas em alguns momentos, fora do local onde seu
filho está internado (JUNQUEIRA, 2003).
Categoria 12 – Comunicação: Três entrevistadas (E2, E3, E4) afirmam que
as informações são passadas pela equipe de saúde do Berçário, tanto pelos
médicos como pelos enfermeiros, porém elas dizem que nem sempre compreendem
o que lhes é falado e, uma delas diz que não questiona quando não entende as
informações. Fato este que não converge com a proposta da unidade de berçário,
que de acordo com Almeida (2007), é de oferecer apoio e orientação para os pais na
compreensão e esclarecimento da doença e dos cuidados com o seu filho.
Categoria 13 – Informação do diagnóstico: A maioria das entrevistadas que
falaram sobre o assunto afirmam que o diagnóstico é passado pelos médicos,
podendo ser para a mãe ou para o pai, dependendo de quem estiver acompanhando
o bebê. O momento em que são dadas informações sobre o diagnóstico do bebê
para seus pais é de extrema importância, este deve ser devidamente esclarecido
para os pais pelos profissionais, e ainda, deve-se fornecer um suporte psicológico e
informativo acerca do diagnóstico. De acordo com Oliveira et al (2004) a
comunicação do diagnóstico em geral é assumida por um médico e o modo como
isto ocorre vai depender da situação e do estilo pessoal do próprio médico.
Freqüentemente as preocupações dos pais só são atenuadas quando as
informações sobre a doença são mais detalhadas e há uma orientação para o
tratamento.
Categoria 14 – Presença/Ausência do pai: Três mães (E1, E2, E3)
relataram ser casadas com os pais dos bebês, e duas dessas (E1, E2) falaram da
dificuldade de estes estarem presentes por não morarem na mesma cidade do
Hospital, já a entrevistada 4 (E4) não quis falar sobre o pai do bebê, só disse que
não é casada com este. Percebe-se que há uma perda da normalidade no cotidiano
de toda a família, gerando insegurança nos pais, dor pelo sofrimento do filho, e
também, uma alteração da rotina diária dos pais e do orçamento financeiro
(OLIVEIRA e COLLET, 1999).
Categoria 15 – Relação entre as mães: Três entrevistadas (E1, E3, E4)
falaram sobre o assunto, de modo que através da fala de duas delas (E1, E3) podese entender que há uma organização das mães para cuidar de seus filhos, em que
39
uma coopera com a outra. Entretanto, a entrevistada 4 (E4) queixou-se das mães
que dormem no alojamento e não ouvem o telefone tocar. Estes dois aspectos
mencionados pelas mães são confirmados na literatura, já que Dittz et al (2008)
pontua que o Alojamento Conjunto materno é um espaço para relacionamentos de
amizade e solidariedade entre as mães, porém também pode ser um local de conflito
neste relacionamento entre as mães.
3.2 DISCUSSÃO DOS DADOS
Após categorizar e analisar os dados coletados nas entrevistas com 04 mães
de bebês internados no berçário de um hospital público pediátrico - SC pode-se
compreender um pouco acerca do funcionamento da unidade de berçário em que se
realizou esta pesquisa, especialmente, no que se refere ao vínculo mãe-filho.
O estabelecimento de um vínculo entre a mãe e seu bebê, numa relação
prazerosa para ambos, sendo esta íntima, afetiva e contínua da mãe com seu filho é
fundamental para a saúde mental e para o desenvolvimento saudável da
personalidade da criança (BOWLBY, 1995). Desta forma, na situação de
hospitalização de um bebê ou uma criança é imprescindível que este vínculo seja
promovido e valorizado, para que assim, os bebês sintam-se mais seguros e tenham
melhores condições de recuperação (JUNQUEIRA, 2003).
O que foi possível perceber, através da fala das mães, é que este setor
engloba medidas que favorecem e outras que desfavorecem o estabelecimento do
vínculo entre mãe e filho.
Os aspectos que se pode considerar como positivo para o desenvolvimento
do vínculo são: permitir que as mães tenham acesso livre ao berçário, que possam
permanecer por todo o dia ao lado de seus filhos e fiquem responsáveis por alguns
cuidados com seus filhos, especialmente no que se refere à amamentação. Já que,
a presença das mães junto aos seus filhos durante a hospitalização faz com que
este se sinta mais seguro e, além disso, a presença de um vínculo intenso entre a
díade colabora na recuperação deste bebê (JUNQUEIRA, 2003; OLIVEIRA e
COLLET, 1999).
40
A amamentação, seja no seio ou por sonda e/ou seringa, aparece como ponto
de destaque na fala das entrevistadas, considerando este um cuidado importante
que fica sob a responsabilidade das mães, mas, ao mesmo tempo, configura-se
como um aspecto de preocupação e dificuldade na realização e, também, gera
ansiedade para aquelas que não podem amamentar no seio. Pois, a amamentação
é um dos principais papéis desempenhados pelas mães e estas desejam realizá-lo
independente do cansaço, dores e desconfortos (MONTEIRO et al, 2006). Este é o
momento em que elas podem ser mães. Além disso, o comportamento de sucção
desempenhado pelo bebê no momento da amamentação é um dos principais
sistemas comportamentais de apego entre mãe e filho (BOWLBY, 2002).
Porém, a comunicação entre a equipe de saúde e as mães e o modo como os
diagnósticos são informados podem tornar-se fatores que interferem de forma
negativa para a promoção do vínculo. Pois, para algumas mães o recebimento de
um diagnóstico sobre seu filho pode ser entendido como uma condição préestabelecida de vida para este, e isso pode interferir no desenvolvimento de um
vínculo entre mãe-filho (BATTIKHA, 2007).
Vê-se que o fato de um bebê estar hospitalizado suscita em suas mães
diferentes sentimentos, como: medo, angústia, ansiedade, desespero, etc. Além
disso, estas mães passam a viver só para os seus filhos que estão internados,
acompanhando-os diariamente e deixando de exercer os outros papéis em sua vida
(DITTZ et al, 2008). Através das entrevistas, podem-se notar estes sentimentos
presentes, especialmente o medo e a insegurança de acontecer algum problema
com os seus filhos, mesmo que se tenha a equipe de saúde por perto. Isto aparece
nas suas declarações quando se referem que tem medo de deixar seus filhos
sozinhos, de eles vomitarem e ninguém ver, medo de não estarem realizando os
cuidados de forma correta, etc. E ainda, há o fato de os pais não estarem presentes
diariamente no berçário junto de seus filhos, por diferentes motivos, compartilhando
com as mães esses medos e ansiedades.
Outro aspecto que possibilita uma discussão é no que se refere às
informações do diagnóstico para os pais. O que se percebeu diante das respostas
das entrevistas é que o diagnóstico é repassado para os pais pela equipe médica,
porém, muitas vezes, não há uma preocupação em oferecer um suporte psicológico
e esclarecer que apesar de o bebê possuir alguma patologia há possibilidades de
41
tratamento, de recuperação, enfim, informar que, na maioria dos casos, o
diagnóstico não é sinônimo de morte.
Entretanto, pode-se compreender que o modo como o diagnóstico será
comunicado aos pais dependerá do estilo pessoal do médico, bem como da
situação. Há uma variação desta comunicação, onde alguns podem explicar
detalhadamente, outros encaminhar para alguma outra pessoa, etc. (OLIVEIRA et al,
2004).
É difícil para as mães receberem e assimilarem o diagnóstico de seus filhos, e
isto provoca diferentes reações e sentimentos nestas mulheres, como ficou
perceptível nas suas falas e, mais do que isso, nos seus comportamentos não
verbais. Há mães que negam a realidade e tentam convencer a si mesmas e aos
médicos que estes estão errados, após isto, podem aparecer sentimentos de
tristeza, culpa, angústia e manifestações de não aceitação da realidade (OLIVEIRA
et al, 2004).
De acordo com Soar Filho (1998) deve-se considerar o que ele chama de
triangulação médico-enfermidade-cliente, pois neste processo estão abarcados
fenômenos psíquicos que são desencadeados pela doença associada a aspectos
pessoais, como a história familiar, vivências pregressas, histórico de doenças,
medos específicos, etc. É natural que diante do desconhecido o indivíduo e os
demais
envolvidos
criem
fantasias,
geralmente
inconscientes,
e
reaja
emocionalmente a elas.
Nota-se que as participantes desta pesquisa demonstraram a existência de
alguns fenômenos psíquicos e a utilização de mecanismo de defesa para amenizar
seu sofrimento diante da situação de enfermidade de um filho. Relatam medo e
desespero e, pelo seu silêncio demonstram angústia, tristeza, ansiedade, etc.
Além disso, quando o referido autor fala que o medo sobre o desconhecido é
normal, pode-se pensar que as informações do diagnóstico ditas aos pais e a
comunicação entre estes e a equipe de saúde deve proporcionar um maior
conhecimento sobre o estado de saúde do bebê, bem como informações adicionais
sobre a patologia em questão.
Outro ponto que merece atenção é no que se refere às sugestões das mães
para o berçário, já que a maioria delas sugere modificações para esta unidade e
mostram-se insatisfeitas com algumas questões. Sendo o ambiente hospitalar por si
só um lugar que gera ansiedade e desconforto deve-se ouvir, e na medida do
42
possível, atender as sugestões de quem está inserido neste local, de modo que se
possa deixar tanto os pacientes como seus familiares mais confortáveis e seguros e
quem sabe ameniza-se os medos, as ansiedades e angústias.
Assim, percebe-se que a unidade de berçário configura-se como um ambiente
que desperta nas mães uma diversidade de fenômenos psicológicos. Considera-se,
desta forma, de fundamental importância a presença de um psicólogo neste setor, já
que este está capacitado para trabalhar e compreender as demandas psicológicas
que permeiam e interferem neste momento de hospitalização.
É em um ambiente como este, em que há uma diversidade de emoções, que
o psicólogo se insere. Utilizando-se de seu saber psicológico sobre as reações
emocionais que serão emersas pela gestação, parto e puerpério, conhecendo as
questões orgânicas e psicossocias que estão abarcadas neste processo, deve
envolver-se com a rotina médica do hospital e conhecer as patologias, para assim
poder contribuir com a equipe de profissionais para uma melhor adaptação da
mulher e do seu bebê (BAPTISTA e DIAS, 2003).
Sabe-se que neste ano instituiu-se o trabalho da psicologia nesta unidade,
onde há uma estagiária de psicologia que presta atendimentos individuais para as
mães que estão acompanhando seus filhos. Além disso, pondera-se a necessidade
de intervenção em grupo, de forma que seja um espaço que as mães tenham para
tirar suas dúvidas, receber informações, trocar de experiências, aliviar suas tensões,
etc.
43
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este Trabalho de Conclusão de Curso, intitulado “Vínculo mãe-filho no
berçário de um hospital público pediátrico – SC”, apresentou uma revisão de
literatura sobre o vínculo mãe-filho e sobre o contexto hospitalar. Na seqüência,
foram descritas categorias a partir das informações coletadas através de entrevistas
realizadas com mães que acompanhavam seus filhos hospitalizados no berçário de
um hospital público pediátrico localizado no Estado de Santa Catarina. As categorias
foram posteriormente levantadas levando em conta os processos vivenciados por
estas mães durante a hospitalização de seus filhos.
4.1 PRINCIPAIS RESULTADOS E CONTRIBUIÇÕES
O principal objetivo desta pesquisa foi de analisar como as rotinas
hospitalares do berçário de um hospital público pediátrico – SC interferem na relação
mãe-filho a partir da perspectiva das mães. Considera-se que este foi alcançado,
pois de acordo com as entrevistas pode-se identificar que esta unidade de berçário
possui fatores que interferem de forma positiva e outros de forma negativa no
vínculo mãe-bebê.
Como aspectos positivos para o desenvolvimento do vínculo pode-se
destacar: o acesso livre ao berçário para as mães, permissão para que estas
passem o dia todo ao lado de seus filhos e deixando sob responsabilidade das mães
alguns cuidados seus filhos. Entretanto, há os fatores que interferem de forma
negativa na promoção do vínculo, pode-se ressaltar: a comunicação entre a equipe
de saúde e as mães e o modo como os diagnósticos são informados.
No que se refere aos objetivos específicos considera-se que estes também
foram atingidos. Foi possível, através das declarações das entrevistas, descrever
suas vivências durante a hospitalização de seus filhos no berçário de um hospital
público pediátrico localizado no Estado de Santa Catarina. E através dessas
descrições, identificar as interferências negativas e positivas da hospitalização na
relação mãe-filho.
44
Percebeu-se que a situação de hospitalização gera nas mães diversos
fenômenos psicológicos. Estão presentes sentimentos de medo, angústia,
ansiedade, tristeza, culpa, desespero, além de criarem fantasias tanto sobre a
internação como sobre a doença que acomete seu filho.
Muitas vezes, estas fantasias e sentimentos são alimentados pelo modo
como a comunicação acontece entre as mães e a equipe de saúde e pelas
informações sobre o diagnóstico que é repassado aos pais.
Constatou-se que não há maiores esclarecimentos sobre o diagnóstico, o que
faz com que despertem nas mães sentimentos de medo, ansiedade, angústia e,
estas criem fantasias, já que muitas vezes ficam com dúvidas sobre a doença e não
conseguem fazer o movimento de perguntar para a equipe de saúde.
Além disso, percebe-se uma ausência de um suporte psicológico para que
estas mães possam assimilar as informações sobre o diagnóstico, refletirem sobre
as possibilidades existentes de tratamento e recuperação da doença em questão.
E, mais do que isso, ausência de um momento e/ou um espaço para que elas
possam expressar e compartilhar seus sentimentos, seus entendimentos, suas
fantasias, etc. Já que, estas mães mostram-se insatisfeitas com alguns cuidados
executados pela equipe de saúde com os seus filhos e sugerem modificações para
esta unidade de berçário, como a presença contínua da equipe de saúde
monitorando as crianças e médico no período noturno.
Mas, o fato de as entrevistadas poderem permanecer por todo o dia ao lado
de seus filhos, estabelecerem com seus bebês uma relação e, ainda, poder cuidá-lo
no que se refere ao banho, troca e, especialmente, amamentação, contribui para
que estas mães sintam-se, de alguma forma, mais seguras e realizadas no seu
papel de mãe. Isto é um fator que contribui na construção de uma relação de apego
entre mãe-filho.
Desta forma, vê-se que as rotinas hospitalares que favorecem ao
estabelecimento do vínculo entre mãe-bebê devem ser preservadas e, na medida do
possível, repensar e reorganizar os outros aspectos que estão de alguma forma
interferindo de forma negativa na promoção do vínculo entre mãe-filho, já que este é
de fundamental importância para o desenvolvimento da saúde mental do bebê e da
criança.
45
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49
APÊNDICES
50
APÊNDICE 1
ROTEIRO PARA ENTREVISTA SEMI-ESTRUTURADA
1 – Você tem livre acesso ao Berçário?
2 – Como você avalia os cuidados do dia-a-dia oferecidos ao seu filho aqui no
Berçário? Você sugere alguma modificação? Quais?
3 – Existe algum destes cuidados com o seu filho que fique sob a sua
responsabilidade? Poderia descrevê-los.
4 – Normalmente, quanto tempo você tem conseguido ficar aqui no Berçário com o
seu filho?
5 – Quais são as facilidades e dificuldades que você encontra para cuidar do seu
filho aqui no Berçário?
6 – O que modificou na relação com o seu filho (a) neste período de internação?
51
ANEXOS
52
ANEXO 1
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
Título do Trabalho: “Vínculo mãe-filho no berçário de um hospital público pediátrico
- SC”
Cara Senhor (a):
Você está sendo convidada para participar, como voluntário, em uma
pesquisa. Por Favor, leia atentamente as instruções abaixo antes de decidir se
deseja participar do estudo. Após ser esclarecido sobre as informações a seguir, no
caso de aceitar fazer parte do estudo, assine ao final deste documento, que está em
duas vias. Uma delas é sua e a outra é do pesquisador responsável. Em caso de
recusa você não será penalizado de forma alguma.
Eu, _____________________________ confirmo que a estudante Daniela Cristina
Israel discutiu comigo este estudo. Eu compreendi que:
1. O presente estudo é parte do Trabalho de Conclusão de Curso do curso de
Psicologia da UNIVALI, da pesquisadora Daniela Cristina Israel.
2. O objetivo geral deste estudo é analisar como as rotinas hospitalares do berçário
de um hospital público pediátrico – SC interferem na relação mãe-filho, das crianças
que estão hospitalizadas. E tem como objetivos específicos descrever as vivências
das mães destas crianças e, ainda, identificar as interferências positivas e/ou
negativas que ocorrem na relação entre a mãe e filho.
3. Minha participação colaborando neste trabalho é muito importante porque
permitirá estudar quais os aspectos da hospitalização no Berçário interfere positiva
53
e/ou negativamente na relação mãe-filho, e ainda, possibilitando fornecer
informações para a equipe de saúde. A minha participação na pesquisa implica em
responder algumas perguntas sobre a vivência da hospitalização do meu filho. O
pesquisador irá examinar e anotar os dados da entrevista que interessam para a
pesquisa. Fui esclarecida de que não estão previstos riscos, dores ou desconfortos
durante a realização da entrevista, mas no caso do processo desencadear quaisquer
reações emocionais ou se a pesquisadora perceber a necessidade de posterior
intervenção técnica, a mesma poderá realizar o acolhimento imediato e
posteriormente me encaminhar para o serviço de psicologia local.
4. O Hospital Infantil Joana de Gusmão também está interessado no presente
estudo e já deu a permissão por escrito para que esta pesquisa seja realizada.
Porém minha participação, ou não, no estudo não implicará em nenhum benefício ou
restrição de qualquer ordem para meu (sua) filho (a) ou para mim.
5. Eu também sou livre para não participar desta pesquisa se não quiser. Isto não
implicará em quaisquer prejuízos pessoais ou no atendimento de meu filho (a). Além
disto, estou ciente de que em qualquer momento, ou por qualquer motivo, eu posso
desistir de participar da pesquisa.
6. Estou ciente de que o meu nome e o do meu filho não serão divulgados e que
somente as pessoas diretamente relacionadas à pesquisa terão acesso aos dados e
que todas as informações serão mantidas em segredo e somente serão utilizados
para este estudo.
7. Se eu tiver alguma dúvida a respeito da pesquisa, eu posso entrar em contato
com a pesquisadora Daniela Cristina Israel pelo telefone (48) 8411.6262.
8. Eu concordo em participar deste estudo.
54
_______________________________________________
Nome e assinatura da mãe participante
_______________________________________________
Entrevistadora: Daniela Cristina Israel
Florianópolis, ______________________________
Em caso de dúvidas, relacionadas aos procedimentos éticos da pesquisa,
favor entrar em contato com o Comitê de Ética em Pesquisa, do Hospital
Infantil Joana de Gusmão, pelo telefone (48) 32519092.
55
ANEXO 2
CARTA DE ENCAMINHAMENTO DA DOCUMENTAÇÃO AO CEP
Florianópolis, ______________________________
AO COMITÊ DE ÉTICA EM PESQUISA COM SERES HUMANOS DO HOSPITAL
INFANTIL JOANA DE GUSMÃO
Prezados senhores,
Encaminho o projeto de pesquisa intitulado: “Vínculo mãe-filho no berçário de
um hospital público pediátrico - SC”, para que seja analisado nesse Comitê.
Certo de sua atenção coloco-me à disposição para esclarecer qualquer
dúvida.
Atenciosamente,
__________________________________________________
Prof.ª Dr.ª Luciana Martins Saraiva
Orientadora
__________________________________________________
Daniela Cristina Israel
Acadêmica
56
ANEXO 3
COMPROMISSO ÉTICO E DE OBEDIÊNCIA ÀS NORMAS DO HIJG
Termo de Compromisso
Eu, Professora Dra. Luciana Martins Saraiva, carteira de identidade Nº
9005910386 emitida em 12/06/1984, comprometo-me a atuar dentro dos preceitos
éticos ditados pelo Código de Ética Profissional do Psicólogo pela Resolução
CNS/MS 196/96 e suas complementares, e a respeitar e obedecer às normas do
Hospital Infantil Joana de Gusmão, durante a realização da pesquisa intitulada
“Vínculo mãe-filho no berçário de um hospital público pediátrico - SC”, orientada por
mim e conduzida por Daniela Cristina Israel.
Florianópolis, ______________________________
__________________________________________________
Prof.ª Dr.ª Luciana Martins Saraiva
Orientadora
57
ANEXO 4
CONCORDÂNCIA DO CHEFE DO SERVIÇO DE PSICOLOGIA
Florianópolis, ______________________________
DECLARAÇÃO
Declaro, para os devidos fins, que concordo com a realização da pesquisa
intitulada: “Vínculo mãe-filho no berçário de um hospital público pediátrico - SC”.
__________________________________________________
Chefia do Serviço de Psicologia do Hospital Infantil Joana de Gusmão/SC
58
ANEXO 5
CONCORDÂNCIA DO SERVIÇO ONDE A PESQUISA SERÁ REALIZADA
Florianópolis, ______________________________
DECLARAÇÃO
Declaro, para os devidos fins, que concordo com a realização da Pesquisa
intitulada: “Vínculo mãe-filho no berçário de um hospital público pediátrico - SC”, no
Berçário do Hospital Infantil Joana de Gusmão.
__________________________________________________
Chefia do Berçário do Hospital Infantil Joana de Gusmão/SC
59
ANEXO 6
SUMÁRIO DO PROJETO DE PESQUISA
1. Título do Projeto: Vínculo mãe-filho no berçário de um hospital público pediátrico
- SC
2. Pesquisador Responsável: Professora Dra. Luciana Martins Saraiva
3. Demais Pesquisadores: Acadêmica Daniela Cristina Israel
4. Instituição de Origem: Universidade do Vale do Itajaí - UNIVALI
5. Sumário da Pesquisa: O objetivo geral deste trabalho é analisar como as rotinas
hospitalares do berçário de um hospital público pediátrico – SC, interferem na
relação mãe-filho. Tem como objetivos específicos descrever as vivências das mães
no berçário do hospital e identificar as interferências negativas e positivas da
hospitalização na relação mãe-filho. O método de pesquisa empregado será o
qualitativo, os dados serão coletados por meio de entrevista dialogada e as pessoas
que terão acesso aos dados serão a orientadora e a pesquisadora. Serão
entrevistadas cinco mães de crianças hospitalizadas no Berçário do Hospital,
escolhidas pela acessibilidade e disponibilidade de participação. Para analisar os
dados coletados será utilizada a metodologia de análise de conteúdo.
6. Local: O trabalho será realizado no Hospital Infantil Joana de Gusmão/SC. O
tempo estimado para coleta de dados é de um (01) mês de duração de todo o
estudo.
7. Termo de compromisso e assinatura do pesquisador responsável: Declaro
que equipe de pesquisadores aguardará a aprovação do projeto de pesquisa pelo
CEP do HIJG para iniciar a coleta de dados.
Orientadora: Prof.ª Dr.ª Luciana Martins Saraiva
Acadêmica Pesquisadora: Daniela Cristina Israel
Florianópolis, ______________________________
60
ANEXO 7
DECLARAÇÃO ASSINADA PELA DIREÇÃO DO HIJG, AUTORIZANDO A
REALIZAÇÃO DA PESQUISA
DECLARAÇÃO
Declaro, para os devidos fins, que estou ciente da intenção do(s)
pesquisadores Prof.ª Dr.ª Luciana Martins Saraiva e a estudante Daniela Cristina
Israel de realizar a pesquisa intitulada: “Vínculo mãe-filho no berçário de um hospital
público pediátrico - SC”, neste Hospital.
A Direção do Hospital Infantil Joana de Gusmão é favorável à sua realização.
__________________________________________________
Diretor do Hospital Infantil Joana de Gusmão/SC
61
ANEXO 8
DECLARAÇÃO PARA PUBLICAÇÃO EM REVISTA CIENTÍFICA E
COMPROMISSO DE ENTREGA DE CÓPIA DOS RESULTADOS DA PESQUISA
E RELATÓRIO FINAL
Florianópolis, ______________________________
Declaro para os devidos fins que, quando os resultados da Pesquisa: “Vínculo
mãe-filho no berçário de um hospital público pediátrico - SC”, forem divulgados ou
publicados em revista científica, o nome da instituição: “Hospital Infantil Joana de
Gusmão” será citado.
Comprometo-me a entregar cópia dos resultados da pesquisa, juntamente
com o relatório final de sua realização ao Comitê de Ética em Pesquisa deste
Hospital, quando do encerramento da mesma.
__________________________________________________
Prof.ª Dr.ª Luciana Martins Saraiva
Orientadora
__________________________________________________
Daniela Cristina Israel
Acadêmica
62
ANEXO 9
FORMULÁRIO DE AVALIAÇÃO ECONÔMICO-FINANCEIRO
1 - DADOS GERAIS
1.1 Título do Projeto: Vínculo mãe-filho no berçário de um hospital público pediátrico
– SC
1.2 Palavras chaves: vínculo; psicologia hospitalar; análise de conteúdo
1.3 Nome do Pesquisador: Daniela Cristina Israel
1.4 Telefones para contato: (48) 8411.6262 E-mail: [email protected]
1.5 – Local de Desenvolvimento da Pesquisa:
(X)Unidade de Internação/citar: Berçário
( ) Ambulatórios/citar:
Consultório já disponível ( ) sim ( x ) não
Ciente do Chefe da Divisão Ambulatorial: __________________________________
( ) Outro local/citar:
1.6 – Tempo de Duração da Pesquisa: 1 mês.
1.7 – Número de Pacientes (ou voluntários) envolvidos: 5 pessoas.
No. Consultas Quantidade p/pacientes
2 - DESCRIÇÃO DA PESQUISA
Total
Quantidade p/ paciente
Exames
(incluir os exames p/
Laboratoriais: seleção e recrutamento
dos grupos)
TOTAL
Outros
Exames
Compl.
TOTAL
Quantidade p/ paciente
-
Local
-
-
Total
-
Total
Local onde os
exames serão
coletados/realiza
dos
-
Local da
realização
-
-
Para uso
do CEP
(não
preencher)
Para uso do
CEP(não
preencher)
-
NO DE AUDITORIAS NOS PRONTUÁRIOS:
Outros
Procedimentos
-
-
-
Para uso do
CEP (não
preencher)
63
TOTAL
-
-
Quem
Quantidade
fornece
TOTAL
3- FINANCIAMENTO DA PESQUISA
Medicamentos
Agente(s) financiador(es):
Valor do recurso aprovado:
Distribuição do Valor por paciente (R$)
recurso
Exames
Procedimentos
Medicamentos
Pesquisador
Equipamentos
Materiais
Bolsistas
Outros (citar)
TOTAL
4 – OBSERVAÇÕES
-
-
Local de
armazenamento
-
Para uso do CEP
(não preencher)
-
Valor total (R$)
Responsável pelas informações: Daniela Cristina Israel
Florianópolis, ______________________________
-
Para
CEP
uso
-
do
Download

Monografia Daniela