O D IÁLOGO
Abril 2013
4ª Série, Número 7
Boletim do Centro de Recuperação do Centro de Apoio Social de Oeiras - IASFA
Após 6 meses de publicação, podemos afirmar que O Diálogo já se tornou parte do quotidiano do CAS Oeiras.
Torna-se portanto, pertinente fazer uma pequena reflexão sobre o percurso que tem vindo a ser feito.
O ressurgimento de O Diálogo surge de um conjunto de convicções sobre a importância de estabelecerem
espaços que permitam a expressão de sentimentos e opiniões num contexto de reconhecimento pelo valor intrínseco
de cada indivíduo.
Foi-se assim estruturando este Boletim de modo a que cada pessoa pudesse salientar a sua individualidade,
mostrando-se, fazendo-se ouvir e tornando-se alvo de apreço por parte de outros.
Mas O Diálogo também ambiciona constituir um estímulo para aqueles que aos poucos se vão afastando do
mundo ao seu redor e para os que, às vezes, se vão esquecendo de como usufruir da vida. Também pretende ser uma
espécie de janela para os que, lá fora, criam fantasias cinzentas sobre a vida dos mais idosos no CR.
Por isso temos tentado que, em cada número, exista um pouco de espaço para as opiniões e perspectivas dos
utentes, para as suas reflexões, para notícias sobre algumas atividades e testemunhos daqueles que nelas participam,
para a poesia e outros talentos e ainda para alguns instantâneos de bons momentos vivenciados.
Nesta edição iniciamos um espaço de memórias e é claro que gostaríamos de ir mais longe. Lá chegaremos pois
mesmo quando mês após mês, no “lufa-lufa” do quotidiano que impõem sucessivas prioridades, pensamos que não
vai ser possível editar O Diálogo, o empenho e dedicação de todos os que têm colaborado e a expectativa daqueles
que anseiam por cada novo número, exigem a conjugação de esforços daqueles que têm a responsabilidade de “fazer
sair o jornal”.
É pois aos colaboradores e aos leitores que se devem estes 7 números de “O Diálogo” e é também a eles que
queremos agradecer por tornarem a edição do Boletim numa tarefa tão gratificante.
Ana Cristina Farinha
(Terapeuta Ocupacional
Responsável pela edição de o Diálogo)
Nesta edição:
Editorial……………………………………………….…...1
Línguas Afiadas: Ataque a Boston………….….……..…2
Perspectivas: Afinal quem descobriu a América (Cont..)...3
Memórias: O 25 de Abril de 1974…………...……………5
Reflexões…………………………………………………6
Para Refletir………………………………………………7
Aconteceu………………..………………… …………....8
Acontece…………………………….…… ……………...8
Poesia…………………………………..………….……..9
Álbum fotográfico de Abril……………..………..….….10
Edição:
Ana Cristina Farinha (Terapeuta Ocupacional)
Colaboração: Cátia Gameiro (Psicóloga); Paula Duarte
(Terapeuta Ocupacional)
Contributos: António Fernandes da Graça, António José de
Matos (CR 3ºPiso), Aura Vieira (CR 3ºPiso), Carlos Campos
(CR 2ºPiso), Ermelinda Dias (CR 3ºPiso), Florinda Eugénio
(CR 2ºPiso) , Isabel Fiúza (CR 3ºPiso), João Freitas (CR
1ºPiso), José Manteigas (CR 3ºPiso), Maria Helena Miranda
(CR 3ºPiso), Leitores Voluntários.
O Diálogo
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nesta base. A transferência de
qualquer
Por: João Freitas*
custa
avião
um
desta
balúrdio
natureza
à
defesa
americana e só em último caso,
por valor estratégico, se faz a
Ataque a Boston
transferência
Não é estranho os últimos
acontecimentos de Boston, embora
o
Presidente
Obama
tente
desvalorizar a questão. Quanto a
mim, aquilo não passa de uma
declaração de guerra da Coreia do
Norte
e
que
o
Obama
está
efetivamente a desvalorizar. Com o
andar
dos
notícias
acontecimentos
talvez
se
e
consiga
deslumbrar alguma luz ao fundo do
túnel. Depois das declarações dos
últimos dias da Coreia do Norte,
penso que o não levar a sério as
práticas por estes praticadas é
demasiada ingenuidade e não se
enquadra nos avisos ou ameaças
feitos
por
ambas
as
Coreias,
porque tanto uma como a outra
mudaram e fizeram declarações
se
pode
Ou
um
então,
avião
para
a
preparação iminente de um ataque
ou defesa. Ignorar esta realidade é
uma tentativa de tapar o sol com a
peneira.
Aguardemos
os
acontecimentos, mas quanto a mim
o Obama não descobre coisa
nenhuma a não ser o envolvimento
maior da Al Qaeda. Um dos
problemas
que
os
americanos
terão que enfrentar brevemente é a
maneira
de
travar
o
desenvolvimento ou a infiltração da
Al Qaeda no pacífico, que não vai
ser fácil. Esta é a minha opinião,
simples, mas um tanto ou quanto
realista e as coisas não acontecem
por acaso. Não se põe em causa
uma corrida da natureza de Boston
em que o mundo tinha os olhos
postos, não só pela sua reputação,
informais mutuamente.
Não
daqueles.
de
transferir
aviões daquela envergadura de um
lado para o outro sem mais nem
menos, a não ser que andem a
como
também
pelos
atletas
envolvidos. Ignorar isto é pura
demagogia. Quanto a mim a guerra
já começou…
brincar às “guerrinhas”, mas penso
que os intervenientes não estão
*Engenheiro Químico,
Licenciado no Instituto Superior Técnico de
Lisboa
O Diálogo
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Afinal quem descobriu a América?
(continuação)
Por: Coronel António Fernandes da Graça*
Até quando estarão dispostos a provocar a nossa indignação?
É inaceitável que os nossos pretensos historiadores continuem a apresentar-se, com
justificada presunção, como os expoentes máximos para o estudo sério da época dos
Descobrimentos Portugueses. Sobretudo dos Respeitantes aos séculos XIV, XV e XVI.
Como é sabido, foi precisamente nesse tão conturbado período que os denodados
navegadores portugueses começaram a revelar à Europa os mundos então por ela
desconhecidos.
Desmontagem racional e documentalmente fundamentada do embuste
Como Português, parece que nos assiste, como atrás dissemos, o direito alienável à
indignação, porquanto:
Em 1992, na comemoração do Quinto Centenário da Descoberta da América, os
membros da Comissão Nacional dos Descobrimentos poderiam ter dado o primeiro grande
abanão ao grande embuste de que temos vindo a falar e não o fizeram, por razões que
desconhecemos.
O que sabemos é que compareceram nas reuniões muito alargadas que se realizaram em
Sevilha, Génova, Nova Iorque, Porto Santo e Faro.
Também receberam convite para comparecer na de Santo Domingo na República
Dominicana, mas lamentavelmente faltaram.
Desperdiçaram ingloriamente oportunidades históricas para esclarecerem o Mundo de que o
apelido Colombo, génese do embuste posto a germinar por Muratore, faz parte do nome de
baptismo de um cardador de lã genovês que não só não foi navegador como também nunca
pôs os pés na América.
Teriam experimentado algum complexo de culpa ou tiveram medo de que se lançasse para o
debate documentos primordiais que comprovam que quem descobriu a América em 1492, foi
Cristóvão Colon, de seu nome de baptismo Salvador Fernandes Zarco, ilustre infante da
Dinastia de Avis?
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Enfim, damos de barato que recearam libertar do Ostracismo o herói que é,
simultaneamente, o navegador mais celebrado do mundo e paradoxalmente, o infante da
Dinastia de Aviz mais desconhecido dos Portugueses.
Em 1994, num Seminário realizado na Universidade de Brasília, em comemoração dos
500 anos do tratado de Tordesilhas, o representante português ali presente, interpelado por
um professor de História daquela universidade, se negou a discutir o assunto da
descoberta da América, dizendo-se “tradicionalista” e aceitando tacitamente a versão
italiana, apadrinhadora do embuste Columbiano. Neste caso, mais que indignados,
sentimo-nos humilhados, por não se ter dado um vigoroso abanão no embuste que os
Brasileiros Já denunciaram.
Em 1996, no navio – escola HMS CARLSKRONA que esteve recentemente atracado
na doca da Marinha, Sua Excelência a embaixatriz da Suécia em Lisboa, senhora Kerstin
Asp-Johnson, salientou o facto de a Exposição Mundial de 1998 coincidir com a passagem
para a cidade sueca de Estocolmo da Capital Europeia da Cultura.
È curioso que a Senhora Embaixatriz, durante o almoço, servido a bordo daquele navioescola, mostrando-se uma grande entusiasta por aquele acontecimento, disse: “É com
grande expectativa que aguardamos a EXPO-98”.
Como é sabido a nossa EXPO-98 já começou a ser badalada. Mas não vislumbrámos,
ainda, qualquer propósito firme de Portugal vir a fazer dela um momento marcante do final
do século XX.
NÃO PERCA A CONTINUAÇÃO NO PRÓXIMO NÚMERO
*Coronel de Infantaria na situação de reforma
O Diálogo
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O 25 DE ABRIL DE 1974
Nesse 25 de Abril dava aulas em Vila Franca de Xira na escola de mecânicos. Havia um dia da semana
em que eu tinha de dar a aula mais cedo.
Eu morava no Feijó e fui apanhar o autocarro no Laranjeiro. Quando cheguei a Lisboa, já no Cais do
Sodré, a polícia (força do governo) mandou parar o autocarro e avisou-nos que íamos encontrar umas forças
contrárias que não nos iam deixar passar. Mais à frente, já no Terreiro do Paço encontrámos as forças
revolucionárias que não nos queriam deixar passar mas o motorista insistiu em passar porque era muito
teimoso, explicou o que íamos fazer, dizendo que íamos trabalhar, dar aulas. Os revolucionários entraram na
camioneta, olharam para todo o lado, falaram entre eles e lá decidiram que podíamos passar, por isso assim
que o motorista conseguiu avançar, avançou logo.
Assim que cheguei a Vila Franca fui apanhado, tive que ir para a estrada com os Praças mandar parar
todos os carros. Os Praças revistavam todos os carros, retiravam-se as armas, (nem uma farpa passava),
registavam-nas, as pessoas passavam e só as armas é que eram apreendidas.
Entretanto mandei para um carro que tinha muito dinheiro para ir pôr no banco, nesse carro estava o
chefe da polícia e ia precisamente levar o dinheiro por causa da revolução, por isso fechei os olhos e deixei
passar.
Depois os Praças chamaram-me e disseram: - Sargento Campos há ali uma arma num carro.
Quem estava lá dentro era um oficial (tenente) que tinha embarcado comigo. O Senhor Tenente tinha
uma arma que tinha sido roubada na PIDE. Mandei vir o tenente, que estava acima de mim, e expliquei a
situação, sendo que depois os tenentes é que se entenderam. Mas tiraram a arma ao Tenente.
Foi um tempo muito ingrato porque chegavam ao pé de mim e diziam que tal fulano era da PIDE e eu
mesmo não tendo a certeza tinha de prender os fulanos e por isso foi muito aborrecido e custou-me muito.
Sargento Carlos Campos
Nesse dia tinha ido a Lisboa porque nessa altura vivia no Ribatejo. Não disse nada ao meu
marido, a minha filha devia estar na escola.
Já não me lembro o que fui lá fazer, acho que ia ter com uma amiga.
Ia a passar por Sacavém e, lá em cima, via a deitarem bombas mas não tive medo, era uma
mulher de coragem e ainda sou! Não me convenço que tenho oitenta e tal anos.
Começaram a atirar tiros e eu escapei e não levei com nenhuma bomba.
E soube da revolução naquele momento.
Vi tudo ao longe.
Florinda Eugénio
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De: Aura Vieira
O QUE É A VIDA PARA SI?
A vida é o nosso sistema de viver… Parece que não temos nada
dentro de nós, mas temos tudo!
O QUE TORNA A VIDA MAIS BONITA?
É mais bonita pelo estado de espírito que eu estou, é por aí que a sinto.
Manifesto reações dentro de mim.
SE TIVESSE QUE PINTAR UM QUADRO SOBRE A VIDA, QUE COR ESCOLHIA?
Amarela. É um estado de espírito forte. Gosto do amarelo!
COMO DEVEMOS VIVER A VIDA?
O melhor possível. Dentro da nossa mentalidade. Só temos uma
para viver, nunca se esqueça disso! É aproveitar enquanto temos
vivacidade!
A VIDA É UM PRIVILÉGIO, NÃO É? PORQUÊ?
Porque o destino nos dá. E vamos animando, continuando a mudar, sempre a melhorar a nossa
maneira pessoal, interior. Se é bonito, exijo que ainda seja mais bonito!
A nossa mente é um espetáculo, muda-nos sem darmos por isso. É aí que temos que procurar a base!
O Diálogo
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Enviado por Leitores Voluntários
(Sra. D. Lídia Saldanha da Cruz)
SÓ O AMOR TRANSFORMA OS CORAÇÕES
(Lucas e Paz na Terra!)
SÓ O AMOR TRANSFORMA AS PESSOAS POR DENTRO, AS FAZ CRESCER,
AMADURECER E SER ELAS PRÓPRIAS, E AS LEVA A SE TORNAREM TAMBÉM
INSTRUMENTOS DE RENOVAÇÃO DOS OUTROS E DO MUNDO.
SÓ O AMOR RESOLVE AS CRISES DO HOMEM:
 A Crise do SER, de identidade: nascemos como seres-para-os-outros, tendemos para a vida-emcomunidade¸ temos um coração que exige acolhimento, compreensão e estima. Quem não é ou não se
sente amado torna-se revoltado, agressivo, violento. O Amor gera mais Amor; a violência, mais violência.
 A Crise do Ter, do possuir: o Amor fala-nos de “Irmãos” como iguais direitos e leva-nos à partilha,
libertando da opressão do Ter mais e do medo do futuro, que leva ao açambarcamento; pois, se
distribuirmos com os outros, outros distribuirão por nós!
 A Crise do Saber, para arranjar emprego melhor e ganhar mais. “A única verdade é Amar” (Raul
Foltereau).
 A Crise do Poder, pois a autoridade torna-se serviço.
E NÓS?
QUAL O IMPACTO NO NOSSO MEIO E NO NOSSO PAÍS?
PORQUE FORÇA NOS “IMPOMOS”? PELO AMOR? OU PELOS PRIVILÉGIOS E
DIREITOS?
AMAMOS MAIS DO QUE OS OUTROS E INTERESSAMO-NOS MAIS DO QUE ELES
PELOS POBRES? E PELOS QUE SOFREM?
SOMOS MENOS AÇAMBARCADORES?
VIVEMOS MENOS OBCECADOS PELO DINHEIRO?
SOMOS DESPRENDIDOS DO PODER E DA AUTORIDADE OU LUTAMOS POR
ATINGIR OS LUGARES DE “MANDO”, NÃO PARA SERVIR MELHOR E COM MAIS
JUSTIÇA, MAS PELA “GLÓRIA DE MANDAR” E “VÃ COBIÇA -desta vaidade a quem
chamamos FAMA”- (Os Lusíadas IV, 95)?
QUAIS AS PESSOAS QUE PERTENCEM AO NOSSO NÚCLEO DE AMIGOS E
PORQUÊ?
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O Diálogo
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O Diálogo
No passado dia 10 de Abril aconteceu
um almoço comemorativo do Dia Mundial
da Saúde no SASOC.
Participaram neste almoço cerca de XX
Utentes dos vários pisos do CR.
Da ementa fizeram parte cogumelos
salteados com espinafres, salada de
pimentos, sopa, tranches de salmão com
arroz, frutas e sobremesas variadas (entre
outros).
Todos gostaram muito do almoço que
decorreu de forma muito animada.
Procurando promover a interação e a
utilização dos espaços sociais comuns, os
Gabinetes de Terapia Ocupacional e
Psicologia têm estimulado alguns dos utentes
do CR a deslocarem-se ao SASOC para
almoçar ou apenas tomar um café.
Deste modo, os utentes deslocam-se em
pequenos grupos, para um almoço semanal
em dias pré-estabelecidos, de acordo com a
conveniência
de
cada
grupo,
sendo
acompanhados pelos técnicos.
O Diálogo
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A maior dádiva que existe chama-se vida.
Vida é cheia de coisas más e coisas boas.
Boas coisas como o Amor e Carinho
Carinho tal como criar 5 filhos
Filhos que nos dão alegria para viver
Viver é criar
Criar laços de Amizade
Amizade é tudo
Sem amizade não há nada
Nada de compara a ter um Bom Amigo
Amigo é um símbolo de confiança e bem-estar
Bem-estar é o que estamos aqui a sentir,
Todos juntos acabamos de construir
Um poema que a todos faz sorrir.
Autores:
António Matos
José Manteigas
Ermelinda Dias
Isabel Fiúza
Aura Vieira
Maria Helena Miranda
Técnicos Dinamizadores:
Psicóloga Cátia Gameiro & Terapeuta Ocupacional Paula Duarte
Versos recordados por Isabel Fiúza
«Na minha aldeia
Não há ódios mas estimas
Tem-se amor pela vida alheia
Tudo são primos e primas»
«Sem ambições
Cada um seu pão granjeia
E à noite há serões
À luz da candeia»
O Diálogo
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CASINHA DO CÉREBRO
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