O D IÁLOGO
Outubro 2013
4ª Série, Número 11
1º Aniversário
Boletim do Centro de Recuperação do Centro de Apoio Social de Oeiras - IASFA
“Este mês faz um ano que O Diálogo voltou a criar partilha, voz, envolvimento, familiaridade e pertença (d)entre os utentes da
Unidade Funcional n.º2 (UF2; ex-CR)… PARABÉNS!
Ainda este mês se assinalam dois acontecimentos relevantes: o lançamento do livro “Palavras Nossas – Colectânea de Poesia e
Conto”, da autoria de beneficiários do CAS Oeiras, e as comemorações do Dia Internacional do Idoso.
Em 1991, a ONU criou o Dia Internacional do Idoso, assinalado a 01 de Outubro, com o objectivo de sensibilizar a sociedade para as
questões inerentes ao envelhecimento e para alertar sobre a necessidade cívica de proteger e cuidar da população mais idosa. O
Instituto Nacional de Estatística prevê que, em 2050, um terço da população portuguesa seja idoso e quase um milhão de pessoas
tenha mais de 80 anos. Para a ONU, o envelhecimento deveria representar o triunfo do desenvolvimento social e da saúde pública.
Como entidades de sabedoria e experiência, transversais ao passado, presente e futuro social geracional, os idosos deveriam vestir o
merecido estatuto de anciãos, desempenhando papeis activos comunitários, e sendo apoiados permanentemente, pelas gerações
mais jovens. A todos os idosos, PARABÉNS!
Como instrumento de promoção da individualidade, ainda que colectivamente, o lançamento livro “Palavras Nossas – Colectânea de
Poesia e Conto” constituirá uma referência na história do CAS Oeiras. A todos os beneficiários autores, obrigado e PARABÉNS!
Porque envelhecer com qualidade significa rejeitar o anonimato, a inactividade, a passividade…
Porque todos temos algo a dizer e devemos fazer-nos ouvir…
Porque as últimas coisas a perder na vida, além da vida em si, deverão ser a individualidade, a integridade, a honra e a dignidade…
PARABÉNS a todos vós!”
TEN Edgar Sousa
Chefe do SAMED
Nota: Redigido ao abrigo do AO1945
Edição:
Nesta edição:
Editorial…………………………………………….…..1
Recordando outros Diálogos…………………………2
Parabéns……...………………………………………..3
Línguas afiadas………………………………………..4
Outubro-mês do Idoso.……………………………….5
3ªidade – Ser Idoso……………………………………7
Memórias……………………….………………………8
Aconteceu...……………………………………….….10
Poesia….………………...……………………………12
Ana Cristina Farinha (Terapeuta Ocupacional)
Colaboração:
Cátia Gameiro
Ocupacional)
(Psicóloga);
Paula
Duarte
(Terapeuta
Contributos:
Adelina Gonçalves (2ºpiso); Amália Coelho (4ºpiso); Amélia
Baptista (4ºpiso); António Graça (3ºpiso); António Matos
(3ºpiso); Carlos Campos (2º piso); Clotilde Romão (2º
piso);Emília Martins (3ºpiso); Florinda Eugénio (2º piso);
Isabel Carreira (4ºpiso); Isabel Fiúza (3ºpiso); Luís Spínola
(3ºpiso); João Freitas (3º piso)
O Diálogo
Página 2
O Diálogo nº 5 – Outubro 1995
O Diálogo
Página 3
Já passou um ano desde que retomámos O Diálogo.
Ao Longo deste ano o Boletim foi sendo feito do empenho e dedicação de muitos utentes da UF2, da
colaboração frequente de residentes da UF1 e do interesse de todos os leitores que mês após mês foram
manifestando o seu entusiasmo com a publicação.
1º aniversário
Isabel Carreira
Manuel Vicente
Alliete Narciso
Aura Vieiraa
O D IÁLOGO
Adelina Gonçalves
Carlos Campos
Maria B. Carção
Clotilde Romão
João Freitas
Florinda Eugénio
Lidia Cruz
Mª Celeste santos
Emília Martins
António Matos
Amélia Bptista
Amália Coelho
Isabel Fiúza
Luís Spinola
Adelaide Rosa
António Graça
Acácio Santos
Maria Lopes
Filomena Trabucho
Conceição Teixeira
Por isso estamos todos de parabéns por este aniversário.
O Diálogo
Página 4
Por: João Freitas
Análise das últimas eleições
daquele calibre.
autárquicas (concelho de Sintra)
É caso de nunca fiar, porque ao
Analisando os últimos resultados
mais pequeno anúncio são capazes de
das eleições autárquicas em Sintra, duas
fazer
conclusões
próximas
própria mãe. Quem deve estar com certeza
eleições poder-se-á dizer que não existe
“à rasca”, segundo consta, é o Passos
candidato
no
Coelho, que possivelmente também não
eleitorado e isso porquê?! Porque o
contou com a neutralidade do Basílio
possível candidato já ganhou. Hipótese
Horta, neutralidade essa que não existe na
que à priori parece um pouco histórica,
minha opinião. Por um voto são capazes
mas é asneira da esquerda em não
de renegar a própria mãe, o que interessa
apresentar um candidato credível a fim de
é que o voto caia na sigla dele. Com isto, o
derrotar
o
próximo candidato sorri de contente. Ou se
currículo do mesmo é sempre para
alia a um outro candidato, ou então ao
derrotar. As pessoas esqueceram-se com
próprio Basílio Horta, ou ainda, aparece
certeza
se
que
o
da
tiram:
tenha
Basílio
nas
relevância
Horta,
influência
porque
inclusivamente
renegar
a
ele
tem,
como independente. E porque não há-de
do
PS,
aparecer um indivíduo da raia miúda como
esqueceram-se também que ele era um
candidato?! É isso que o povo sintrense
defensor acérrimo da direita e ninguém
tem de resolver daqui a 4 anos. Os
pode esquecer que ele disputou as
candidatos esqueceram-se que Sintra é o
eleições com o Dr. Mário Soares e que
maior concelho de Portugal e isso tem um
ainda foi ministro da agricultura. Isso traz-
peso que toda a gente menosprezou,
lhe uma certa tranquilidade e também um
essencialmente,
determinado descanso. Quanto a mim, a
Aconselho a todos os eleitores a refletirem
esquerda ou os candidatos de esquerda
muito bem sobre o seu voto, porque tudo
cometeram
isto passa muito rápido.
independentemente
que
tudo,
de
ser
determinadas
asneiras,
todos
os
candidatos.
nomeadamente, os indivíduos que tinham
hipóteses de ter algum êxito. A “coisa”
*Engenheiro Químico,
não funcionou como queriam, porque é
Licenciado no Instituto Superior Técnico de Lisboa
sempre de contar com a eleição do
Dr.Basílio Horta. O cargo que o PS lhe
deu não se desempenha de qualquer
maneira
e
potencialmente
é
sempre
com
um
de
contar
candidato
O Diálogo
Página 5
Este ano cerca de 50 utentes da UF2 (ex CR) comemoraram o mês do idoso com um dia de
convivio no SASOC.
O dia decorreu animado com jogos durante a manhã, um excelente almoço e por fim pudemos
assistir a apresentações por parte de alguns utentes.
Para ilustrar este dia memorável aqui ficam algumas fotos e os testemunhos de participantes.
Foi maravilhoso o dia de ontem.
Havia exercícios, eram 3: o das Bolas de
lançar, esse estou cansada de fazer,
outro era a Gincana em que eu participei
com a D. Maria de Jesus que é o meu
par, só que nesse exercício falhei umas
bolas. Depois havia um jogo com
comando que era de carregar no botão e
destruir tudo o que estava no ecrã. Foi
uma coisa com muita graça, nunca tinha
visto. Deram-me o comando e eu gostei
muito.
Não gostei da dança, não estava boa
para aquilo. Até fiquei nervosa, que
barulheira.
O almoço foi muito bom, lombo
acompanhado com ananás, adorei! Os
cestinhos de pão bem arranjados e um
sumo de laranja muito bom. A
sobremesa foram umas uvas deliciosas
que eu adoro. Foram tantas que nem
consegui comer todas.
As senhoras que serviram foram muito
delicadas, com tanta gente e com tanta
delicadeza.
Desta vez eu fui. Tenho de ir mais vezes.
Ontem senti-me bem, foi pena o
nervosismo. Devia ter mais calma.
Isabel Carreira
(4ºPiso)
O Diálogo
Página 6
Gostei muito, gostei de ver a brincadeira que
lá houve, apesar de não poder participar em
todas.
Joguei “aos bonecos”, ao alvo, fiz aquela
coisa da gincana…
A comida também estava muito boa. Gostei
muito.
Amália Coelho
(4ºPiso)
Já tenho ido mais vezes, mas gostei.
Cheguei cansada porque não tenho idade
para andar tanto no mesmo dia, mas cheguei
feliz.
Correu tudo muito bem.
Amélia Baptista
(4ºPiso)
O Diálogo
Página 7
3ªIdade - Ser idoso
A idade trás coisas boas?
- A convivência sincera. Infelizmente há muita convivência que “não interessa ao menino Jesus”.
Saber distinguir a boa convivência da hipocrisia.
Uma coisa que adoro e quero mesmo é a franqueza. Nem que seja contra mim, porque isso vale
muito.
Mas a perfeição é muito difícil em qualquer ato da vida.
Carlos Campos (2ºPiso)
- Não podemos pensar que a idade não nos traz coisas boas.
Eu já não posso fazer o que já fiz. Já fui pintora.
Agora vou-me divertindo a dizer coisas.
Tenho boa disposição, foi uma coisa boa com que fiquei. Não me zango com ninguém.
Por exemplo, eu gosto muito do Sr. Carlos (Carlos Campos 2ºpiso). Acho que ele é uma pessoa boa e muito
sincera
Florinda Eugénio (2ºPiso)
Cabelo branco é saudade
Da mocidade perdida
Às vezes não é da idade
São os desgostos da vida
Quadra recordada por:
Ó vida que foste vida
Emília Martins (3ºPiso)
Ó vida que já não és
Ó vida que estás virada
Da cabeça para os pés
Oh tempo volta para trás
Quadra recordada por:
Carlos Campos (2ºPiso)
Dá-me tudo o que eu perdi
Tem pena e dá-me a vida
A vida que eu não vivi
Quadra recordada por:
Clotilde Romão (2ºPiso)
O Diálogo
Página 8
A minha infância teve várias fases. Quando tinha seis ou sete anos vim para Portugal,
mais precisamente para Ovar e jogávamos ao botão e brincávamos com um aro de
bicicleta com um arame. No liceu em Aveiro, apanhava passarinhos cantores com cola
disfarçada de visgo. Isto era na altura da Primavera. Soltávamos as fêmeas e ficávamos
com os machos, pois eram estes que cantavam melhor. Fazia também criação de
bichos-da-seda, tinha em casa sempre muitas caixas com bichos-da-seda com folhas de
moreira. Apanhava também gaivotas no Verão com uma armadilha com sardinhas para
ver as anilhas que tinham.
António Graça
Brincava com bonecas compradas e
aprendi a cozinhar com doze ou treze
Jogávamos à batatada uns com os outros
na ilha da Madeira!
Luís Spínola
anos.
Isabel Fiúza
A minha brincadeira era ir
atrás do gado! Tomava conta
de vacas sozinho, nem tinha
Brincava com as pedrinhas do rio, à macaca e
um cão para me ajudar. Isto
saltava à corda. Brinquedos havia poucos ou
era em Malpica do Tejo, uma
nenhuns. Às vezes punha-se um palito num
freguesia
grão-de-bico e vestia-se e fazíamos de conta
Castelo Branco.
que era um boneco! Éramos muito felizes com
do
concelho
de
Manuel Vicente
muito pouco. A minha infância foi em Mata de
Lobos, distrito da Guarda.
Emília Martins
Fazia papagaios com duas canas, linha e papel. Fazia também carrinhos de
arame. Jogava ao pião em que tínhamos que acertar nos botões para eles
irem para fora. Ganhava quem conseguisse ficar com mais botões.
Apanhava também pássaros com fisgas e ratoeiras. Era assim que
brincávamos em Beja.
António Matos
O Diálogo
Página 9
Receita de Marmelada, cedida pela D.Emília Martins do 3º piso
 1kg de marmelos
 1 kg de açúcar
Lavam-se muito bem os marmelos e cortam-se aos bocados.
Depois colocam-se os marmelos e o açúcar na panela de pressão com
meio litro de água coze-se tudo durante uns 15 minutos.
Após esta cozedura tritura-se tudo com a varinha mágica até ficar um
puré. De seguida, é só pôr em tacinhas e colocar papel vegetal por
cima quando secar.
Bom apetite!
Canção da Freira
Na cela do seu convento
Quando a freira faleceu
Rodeada de roseiras
A bareza apareceu
Onde entrara nova ainda
Deram-lhe as mãos em cruz
Sem um “Ai”, sem um
lamento,
E a medalha de Jesus
Que ela beijou ao morrer
Entre tantas lindas freiras
Ela era a freira mais linda
Quando uma freira absorta
Acercando-se da morta
A todas dizia ela
Nessa medalha pegou,
Que nunca amara na vida
Pôs-se a gritar: Deus me valha
Nenhum homem visto
Não é de Cristo a medalha
Sozinha na sua cela
É do homem que ela amou!
Em orações recolhida
Apenas amara Cristo
(recordada por Adelina
Gonçalves)
O Diálogo
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No âmbito do mês do Idoso decorreu, no
passado dia 17, um encontro musical que
muito agradou à vasta audiência.
Ficam algumas fotos para documentar o
acontecimento.
Página 11
No dia 29 de Outubro, o lançamento
de uma coletânea de poemas e contos
de beneficiários do IASFA constituiu
um
momento
verdadeiramente
inspirador para todos e este livro será
sem dúvida uma fonte de inspiração
para muitos.
Parabéns aos autores e a todos
aqueles que tornaram possível este
projeto.
O Diálogo
O Diálogo
Página 12
Outono é uma estação do ano
Que não é muito fria, nem quente
Em Outubro ainda há vindimas
Os vinicultores dizem, é importante
Porque as vinhas têm boa uva
Grande parte da uva é vinho
Também é para sobremesa
Têm sempre um bom caminho
A estação tem ainda outro fruto?
É a castanha, pode ser cozida
Jeropiga, é fraca, tem pouco álcool
Acompanhar com castanhas assadas
O Outono ainda nos dá coisas boas
É bom porque não há borracheiras
As pessoas gostam de castanhas
Compram e metem-nas nas algibeiras
Folhas de certas árvores começam
A cair em Outubro, no fim do mês
Tudo isto faz parte da natureza
E nós pisamos folhas com os pés
Poema do Sr. António Matos
(3ºPiso)
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